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Keramica | CTCV | 1


PUBLICAÇÃO BIMESTRAL Ano XXXVIII N318 NOVEMBRO 2012 Depósito legal nº 21079/88 Publicação Periódica inscrita na ERC [Entidade Reguladora para a Comunicação Social] com o nº 122304 ISSN 0871 - 780X

Sumário 04 Dos Valores e Visão para uma estratégia de futuro 06 Enquadramento industrial, estratégia e o desenvolvimento do CTCV

10 O CTCV recordado 25 anos depois 12 Memórias de um projeto de sucesso 14 A minha passagem pelo CTCV: uma experiência gratificante,

FICHA TÉCNICA

uma relação que perdura

PROPRIEDADE E EDIÇÃO APICER [Associação Portuguesa da Indústria de Cerâmica] DIREÇÃO, ADMINISTRAÇÃO, REDAÇÃO E PUBLICIDADE Rua Coronel Veiga Simão, Edifício C 3020-053 Coimbra [t] +351 239 497 600 [f] +351 239 497 601 [e-mail] info@apicer.pt [internet] www.apicer.pt DIRETOR Duarte Garcia

O CTCV que conheci

Sumário

DIRETOR ADJUNTO E EDITOR Virgílio Pimenta COLABORADORES Alfredo Marques, Alice Oliveira, Ana Carvalho, António Baio Dias, António Alcântara Gonçalves, António Oliveira, Artur Serrano, Augusto Vaz Serra e Sousa, Carlos Borges Tavares, Conceição Fonseca, Francisco Bernardo de Almeida-Lobo, Francisco Pegado, Francisco Silva, Fernando Cunha, Gonçalo Ilharco de Moura, Hélio Jorge, João Barata, José Manuel Cerqueira, José L.uís Sequeira, Luc Hennetier, Luís Rodrigues, Marcelo Félix, Marcelo Sousa, Maria Helena Duarte, Mário Coelho, Marisa Almeida, Marta Ferreira, Osória Miranda, Rui Neves, Sandra Carvalho, Serafim Nunes, Sofia de Oliveira David, Susana Rajado, Teresa Monteiro, Valente de Almeida e Victor Francisco CAPA José Luís Fernandes PAGINAÇÃO E IMPRESSÃO Alumnus Media [e-mail] alumnusmedia@gmail.com DISTRIBUIÇÃO Gratuita aos associados e assinatura anual (6 números) PORTUGAL €32,00 (IVA incluído) UNIÃO EUROPEIA €60,00 RESTO DA EUROPEIA €75,00 FORA DA EUROPEIA €90,00

NOTAS: Proibida a reprodução total ou parcial de textos sem citar a fonte. Os artigos assinados veiculam as posições dos seus autores.

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16 18 20 22 24

A minha passagem pelo CTCV 25 anos do CTCV Aniversário do CTCV A indústria de cerâmica e sua evolução entre 1987 e 2010

26 A minha história do CTCV 34 Os primórdios do CTCV

36 Centro de Conhecimento em Materiais e Construção Sustentável

42 44 46 48 50 54 56 58 60 62 64 66 68 70 72 74 76 78

GS: A evolução dos Sistemas de Gestão no CTCV GAPI-CTCV: A Propriedade Industrial: Um Valor a Preservar TEandM: TEandM um spin-off do CTCV ONS: Organismo de Normalização Sectorial GPI: Gestão e Promoção da Inovação NMA: Novos Materiais e Aplicações DEP: Desenvolvimento e Engenharia de Produto LAM: Laboratório de Análise de Materiais LEP: Laboratório de Ensaios de Produtos MREi: Medição e Racionalização de Energia - Indústria MREh: Medição e Racionalização de Energia - Habitat LMA: Laboratório de Monitorização Ambiental LHI: Laboratório de Higiene Industrial SGM: Sistemas de Gestão e Melhoria AS: Ambiente e Sustentabilidade SST: Segurança e Saúde do Trabalho STI: Sistemas e Tecnologias de Informação FQ: Formação e Qualificação


EDITORIAL por António Alcântara Gonçalves, António Baio Dias e Sofia de Oliveira David, Direção do CTCV

É com indisfarçável orgulho que o CTCV comemora os seus 25 anos de existência! Fundado no dia 20 de Março de 1987, por um restrito grupo de pessoas que decidiu dar corpo a uma visão inovadora, o CTCV cresceu, superando diversos percalços e festejando também muitas vitórias, sem nunca esquecer o desígnio lançado pelos seus fundadores, de contribuir com o seu esforço e dedicação, para a melhoria e a inovação do tecido industrial português. O CTCV cresceu e modificou-se ao longo destes 25 anos, mas manteve sempre a sua convicção de que é com as pessoas que se consolida a capacidade de contribuir de forma sustentável para o crescimento das empresas, lançando assim os alicerces para o futuro. Foi graças ao esforço e dedicação que sempre caracterizaram os seus colaboradores que se construiu a imagem de seriedade e competência de que o CTCV goza junto dos clientes. Acreditamos que só assim vale a pena este projeto, envolvendo de forma responsável as pessoas que connosco percorrem este caminho de crescimento, contribuindo também para o seu bem-estar pessoal, numa clara perspetiva de responsabilidade social. Nesta efeméride é fundamental lembrar as empresas que acompanharam o CTCV, algumas desde os seus primeiros passos, outras mais recentemente. Em todos os casos pautando sempre o seu relacionamento com o CTCV por uma marca indelével de confiança na equipa, resultando tantas e tantas vezes em proveitosas trocas de ideias que concorreram para o nosso crescimento conjunto com os clientes. Na comemoração destes 25 anos de existência não poderíamos deixar de lembrar um vasto conjunto de pessoas e entidades que connosco fizeram este percurso, em frutuosa colaboração com o CTCV, de que resultaram certamente inúmeras mais-valias. Assim, nunca é demais referir o precioso trabalho de cooperação entre os vários Centros Tecnológicos (CATIM, CTIC, CEVALOR, CTCOR, CITEVE, CENTINFE, CTCP e CTIMM), muitas vezes liderado e galvanizado pela RECET. São exemplo desta comunhão de interesses, vários projetos marcantes e com forte ligação à comunidade. Também a colaboração e participação na Plataforma para

a Construção Sustentável (Cluster Habitat) tem permitido ao CTCV um contacto muito próximo com a realidade da construção sustentável em Portugal e no Mundo, bem como o desenvolvimento de uma larga bolsa de ideias, tantas vezes concretizadas em novos projetos de inovação ao longo destes últimos anos e com ênfase na transferência do conhecimento às empresas nossas clientes. Foram muitas as associações empresariais setoriais que nos acompanharam nestes anos, como associados do CTCV mas sobretudo como parceiros. Mesmo correndo o risco de não referir algumas que também foram importantes no nosso percurso, gostaríamos de deixar uma menção de agradecimento à colaboração e o apoio que sempre nos foi dado pela APFAC, ANIPB, ANIET, ACIB e um especial agradecimento à APICER por toda a colaboração e interesse no acompanhamento permanente das nossas pisadas. E porque a qualidade foi e sempre será um dos desígnios do CTCV para as empresas, o estreito relacionamento com a CERTIF e com a APQ tem sido uma linha orientadora para a melhoria dos nossos serviços e para o desenvolvimento de novas oportunidades de trabalho com os clientes. Ao longo de todo este tempo o CTCV cresceu, modernizou-se e expandiu as suas atividades. Este esforço permanente para acompanhar o mercado, permanecendo sempre na vanguarda, foi direcionando o CTCV para novos e renovados desafios. Foi assim que surgiu em 2000 a TEandM, um spinoff com um imenso potencial de inovação e crescimento. Esta permanente vontade de inovar culmina agora, em ano de comemoração, com o projeto do ccMCS, um Centro de Conhecimento para o desenvolvimento de novos produtos, materiais, processos e tecnologias. Foram 25 anos intensos e memoráveis e é assim que surge a vontade de lançar um marco que perdure na história do CTCV, que consubstanciámos com a presente publicação. Aos nossos fundadores, colaboradores, clientes e parceiros queremos demonstrar o nosso reconhecimento e deixar a garantia de que tudo faremos para continuar a trilhar este caminho de crescimento. Esperamos contar com muitos mais anos de sucesso, com todos e para todos os que até agora nos acompanharam.

Editorial

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DOS VALORES E VISÃO PARA UMA ESTRATÉGIA DE FUTURO por Marcelo Sousa, Marcelo Félix, Maria Helena Duarte, Osória Miranda e Teresa Monteiro, Conselho de Administração do CTCV

Marcelo Sousa

É uma enorme satisfação poder partilhar não só o ani-

O CTCV tem hoje competências em áreas tão distintas

versário de 25 anos do CTCV mas, em especial, partilhar

como sejam na prospeção, análise e caracterização de ma-

a celebração de 25 anos de sucesso de um projeto inova-

térias-primas, realização de ensaios a produtos acabados,

dor desde o seu início, de um projeto de qualidade, de um

realização de análises para monitorização do desempenho

projeto diferente e de um projeto com resultados objetivos,

ambiental, na IDI em novos materiais, processos tecnológi-

não só ao nível económico e financeiro mas também ao ní-

cos e novas aplicações como nano materiais, sistemas de

vel da satisfação e realização profissional e pessoal das suas

gestão da melhoria contínua e processos de certificação,

equipas, assim como da satisfação dos seus clientes pelos

nas melhores práticas para a segurança e saúde no trabalho,

serviços que lhe foram prestados.

nas tecnologias de informação, na formação e qualificação,

Muito mais há por dizer sobre estes primeiros 25 anos de

contribuição nas comissões técnicas de normalização e na

existência do CTCV, mas certamente que isso será devida-

implementação das diretivas comunitárias, no ambiente e

mente testemunhado por outras pessoas que o presencia-

sustentabilidade, na gestão da energia em todas as suas

ram. Da minha parte, apenas devo falar por estes últimos

vertentes e na gestão e promoção da inovação.

dois anos em que fui e sou responsável pelo CTCV e naturalmente falar um pouco do presente e do futuro.

Mas não é apenas na Indústria da Cerâmica e do Vidro que o CTCV está hoje posicionado. O CTCV tem projetos

O CTCV foi reconhecido pelo Ministério da Ciência e Tec-

em diversos setores industriais, como o caso dos setores

nologia como uma entidade de referência na Comunidade

dos cimentos, do setor automóvel, do setor da aeronáu-

Cientifica e Tecnológica, apresenta-se no presente, e o futu-

tica, do setor dos moldes, entre outros e, claro, no sector

ro, como um parceiro de referência para a indústria em toda

extrativo de minerais não metálicos, uma das suas áreas de

a sua cadeia de valor.

excelência. E ao nível geográfico é também importante referir que hoje o CTCV já não está só no mercado nacional, desenvolvendo também projetos no mercado internacional, nomeadamente em Angola e no Brasil. Mas os 25 anos do CTCV não se esgotam no seu passado e muito menos no presente, o CTCV é uma Instituição que tem procurado sistematicamente antecipar-se e adequar-se à evolução dos mercados e dos seus clientes, de uma forma sustentável para si e para os seus clientes. Nessa perspetiva de modernidade, é privilegiada a sustentabilidade do Habitat como uma nova abordagem aos materiais, à sua forma de os utilizar e integrar na habitação. Para tal, tem sido e será determinante, não apenas a estratégia definida nos anteriores Conselhos de Administra-

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ção e o investimento que o CTCV faz na formação e qualificação dos seus colaboradores, mas também o interesse, a disponibilidade, o empenhamento, o compromisso, a seriedade, o profissionalismo e a atitude pró-ativa de melhoria contínua e de inovação que os colaboradores do CTCV têm demonstrado nos constantes desafios colocados. Em nome de todos os elementos do Conselho de Administração, manifestamos e reconhecemos a sua contribuição no sucesso que o CTCV tem alcançado. O Conselho de Administração também faz questão de destacar o excelente contributo do Eng. Vaz Serra nestes 25 anos, a sua dedicação e a sua visão para um CTCV que mantém a capacidade de interpretar estratégias sustentáveis de desenvolvimento, apresentando soluções às oportunidades do mercado, na qualidade de parceiro preferencial das empresas em vários domínios. E é nesta lógica de permanente evolução que destaco, já numa perspetiva de futuro, a construção que está neste momento em curso no Parque Tecnológico de Coimbra, do Centro de Conhecimento em Materiais para a Construção Sustentável (CCMCS), que se define como o projeto âncora do Cluster do Habitat Sustentável e é, mais uma vez, um projeto inovador. Com este projeto, o CTCV apresenta-se de novo como um parceiro de referência e nalgumas áreas como o único, num novo paradigma em que a responsabilidade social e a sustentabilidade na utilização de recursos naturais e finitos ganham outra dimensão, ao mesmo tempo que vai surgindo cada vez mais regulamentação legal nestas matérias. Também numa perspetiva de futuro, o CTCV tem privilegiado a análise e a exploração de possíveis modelos de Internacionalização como um vetor estratégico e onde já estão, neste momento, a ser desenvolvidos projetos exploratórios. Quanto ao futuro, muito mais haveria para dizer mas há uma nota que não pode deixar de ser referida. Não tenho dúvida que o CTCV venha a perspetivar-se para além de um Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro. Na verdade, já hoje é mais do que isso. Mas no futuro, o CTCV, face à sua diversidade setorial, face à sua transversalidade em vários domínios do seu conhecimento e, por fim, à sua especialização em alguns nichos, só pode vir a ser um verdadeiro Centro de Conhecimento Empresarial capaz de transformar Conhecimento em Valor Económico e tornar-se um modelo e exemplo neste domínio.

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Enquadramento Industrial, Estratégia e o Desenvolvimento do CTCV por Augusto Vaz Serra e Sousa, Direção CTCV até 2006, Conselho de Administração (2007-2011)

Para memória futura

Mas este movimento desenvolve-se em paralelo com

A comemoração de um tempo de existência, 25 anos da

outro iniciado pelas Associações orientado para as novas

data formal de constituição do CTCV, suportado em decreto

tecnologias e para a promoção das exportações. De facto,

lei com a política do Governo para o desenvolvimento de in-

nos anos 70 regista-se um crescimento acentuado da ca-

fraestruturas tecnológicas, os Centro Tecnológicos (CTs) e os

pacidade instalada nas empresas cerâmicas nacionais com

estatutos para dar personalidade jurídica e grandes linhas

destaque para as fábricas de louça utilitária e de pavimento

de orientação para a prática dessas entidades, é uma exce-

e revestimento; a cerâmica técnica traduzia-se essencial-

lente oportunidade de colher relatos e depoimentos para

mente na actividade ligada aos refractários e à electroce-

memória futura.

ramica para apoio à rede eléctrica nacional. A cerâmica de construção, na época referida como de "barro vermelho",

1. Enquadramento Na génese da criação do CTCV estão factores que tem

inicia um processo de modernização de tecnologias e procedimentos com a especialização da produção.

a ver com a macroeconomia, o movimento associativo e

Nesta época e devido à complexidade das tecnologias

a necessidade de uma indústria com acesso ao conheci-

emergentes, há necessidade da especialização da produ-

mento, à internacionalização e às exigências da integração

ção, em que as empresas procuram reforçar o seu conhe-

europeia.

cimento e prática industrial numa actividade bem identi-

Nos anos 50 e nos anos 60, foi criado um conjunto de

ficada, abandonando o modelo da integração de toda a

entidades de cariz particularmente tecnológico com desta-

gama de produção cerâmica numa só unidade industrial/

que para o INII (Instituto Nacional de Investigação Indus-

empresarial. Há uma especialização do exercício da activi-

trial). Este organismo integrou a política de grandes labo-

dade industrial, o início da produção em grande tonela-

ratórios do Estado e algum desenvolvimento por sectores

gem, por produto, e uma procura do aumento da produ-

de actividade industrial. Foi um organismo com projecção,

tividade com melhoria na utilização de recursos e menores

com publicações técnicas e de organização industrial de

perdas industriais.

excelência. Era uma referencia nacional e de grande presti-

Este processo de procura de produtividade é acompanha-

gio. Na prática tinha uma actividade dispersa e instalações

do de práticas de responsabilidade social numa reconhecida

precárias em diversos locais, todos centrados em Lisboa.

necessidade de conseguir maior conhecimento e especia-

Este organismo está na origem do LNETI, definido como uma entidade agregadora e integradora de todas as actividades que constituiram o INII e outras áreas de Laboratórios do Estado, incluindo as referentes à física das partículas.

lização através de recursos humanos melhor preparados e especializados. Isto é, a internacionalização acentuada da cerâmica, a criação de maior abertura à mobilidade das pessoas e do

Destaca-se e deve-se ao Prof. Doutor José Veiga Simão,

conhecimento e uma evolução tecnológica permanente,

nos anos 70 e 80, esta visão de procurar estabelecer as

vem criar o "caldo" essencial para o aparecimento de en-

orientações da política nacional para o desenvolvimento

tidades especializadas, como facilitadoras dessa procura de

tecnológico, por actividade.

modernidade e competitividade.

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O aparecimento da Universidade de Aveiro, por iniciativa do Prof. Doutor Veiga Simão, no inicio dos anos 70 e a cria-

leceu e que se veio a reflectir no decreto lei da criação do CTCV, bem como nos seus estatutos.

ção da sua especialização em Cerâmica foram os primeiros

Era então Ministro da Indústria, o Dr. Fernando Santos

sinais desse movimento, que procurou corresponder às ne-

Martins, Secretário de Estado, o Eng. Luís Todo Bom, Pre-

cessidades apontadas pelas Associações Empresariais.

sidente da APICC, o Dr. António Mota Figueiredo, da APC,

Ao tempo desta estruturação da Cerâmica na Universidade de Aveiro, segue-se um período de procura de outros

o Sr. Manuel Quintela e da ANIBAVE, o Eng. Artur Alves Pereira.

meios tecnológicos complementares aos que estavam a ser

Estrategicamente, depois da formalização e apresentação

desenvolvidos na Universidade para a formação universitá-

pública da nova infraestrutura tecnológica, o CTCV, cerca

ria e que pudessem beneficiar do conhecimento que fosse

de 4 meses depois, foram elaborados protocolos com a Uni-

sendo adquirido, de forma abrangente, pelas outras enti-

versidade de Aveiro e de Coimbra, em cerimónia conjunta.

dades de I+D.

Procurava-se apaziguar e harmonizar os diferentes enten-

A questão essencial suscitada pela indústria era garantir a essas novas entidades a autonomia na orientação e nos conteúdos por forma a contribuir, de facto, para o serviço a prestar à actividade empresarial.

dimentos sobre a missão e a estrutura a privilegiar para o CTCV. A indústria através das suas Associações e individualmente, subscreveu a maioria do património associativo com a

Não foi uma questão pacífica a escolha da localização e do modelo de gestão a adoptar! Com base num trabalho

correspondente contrapartida na distribuição de funções nos orgãos sociais e na orientação operacional.

realizado pela CDR, actual CCDRC, e sustentado na distri-

Uma referência particular para a composição do primeiro

buição geográfica dos diferentes tipos de actividade indus-

Conselho de Administração que, além dos representantes

trial e logística, a opção de instalação dessa estrutura tec-

das indústrias, Dr. António Mota Figueiredo (Presidente),

nológica, foi Coimbra.

Sr. José Cyrilo Machado, Sr. Manuel Maria Quintela e Eng.

Essa decisão teve o acordo de todas as Associações Industriais/Empresariais do sector (APICC, APC e ANIBAVE).

Carvalhão Duarte, teve três elementos da administração pública empenhados no apoio à organização do CTCV, com

O modelo de gestão a adoptar segundo o exigido pela

destaque para o Eng. Francisco Pegado (em representação

indústria, seria de autonomia relativamente a instituições

do IAPMEI) e Eng. Carlos Borges Tavares (em representação

públicas e de ensino. E foi esse entendimento que preva-

do IPQ).

Prestação de serviços do CTCV em ppm do PIB Português

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do produto que orientada para o melhor aproveitamento dos recursos (sem perdas!) e para materiais melhor integra-

Enquadramento Industrial, Estratégia e o Desenvolvimento do CTCV

dos na habitação. A acção do CTCV, em particular para o sub-sector da Cerâmica Estrutural, permitiu o "upgrade" de novos materiais (telhas, tijolos e pavimentos) com sucesso e a adopção de novas formas de estar na indústria.

E é a partir desta data, Abril de 1987, que se inicia na prática, a estruturação do CTCV, com a criação das áreas operacionais de intervenção e de desenvolvimento, procurando aproveitar algum do equipamento já adquirido pela designada Comissão Instaladora e outro existente em instituições como o LNETI. 2. Conhecimento e Desenvolvimento Com o envolvimento directo da indústria nos Orgãos Sociais e grande empenho do Presidente do Conselho de Administração, Dr. António Mota de Figueiredo (também Presidente da APICC), foi possível criar uma dinâmica notável na fase inicial e definir as grandes linhas de trabalho. Privilegiaram-se Unidades com real interesse para a modernização dos diferentes sub-sectores da indústria e a para incrementar sua competitividade com reforço da internacionalização. E foram estruturados os Laboratórios de Ensaio para as matérias-primas e produtos acabados, tendo em vista os normativos e, sempre que possível, a Normalização europeia aplicável. As áreas de processo foram integradas em grandes domínios como a Qualidade, a Energia, a Reorganização Industrial e logo de inicio a definição das melhores práticas para o exercício da actividade industrial e com menores impactos ambientais. Na indústria extractiva iniciava-se então um processo de racionalização na exploração de recursos naturais e de aproveitamento integral de jazidas em que o CTCV através da sua Unidade de Geologia, teve uma acção exemplar e determinante na adopção das melhores técnicas de extracção. Para a indústria cerâmica utilizadora de recursos naturais, começa o processo de poder ter acesso a matérias primas com garantia de estabilidade e qualidade, adequadas ao processo de modernização da indústria transformadora, que se seguiu. Mas não menos importante foi a questão da engenharia

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Foi um facilitador para o benchmarking de produtos e de práticas de produção, com a demonstração de necessidade de evoluir...ou morrer! Procedeu-se à publicação de Manuais da Aplicação dos Produtos Cerâmicos em parceria com os Departamentos de Engenharia Civil da Universidade do Porto e de Coimbra. Assiste-se na década de 90 a uma especialização da actividade industrial e à concentração da produção. O CTCV teve sempre uma acção empenhada, disponibilizando meios e conhecimento para a indústria acompanhar estes processos e possibilitando acessos aos desenvolvimentos em curso na U.E. Como se viveu um momento de euforia na construção, nem sempre foram bem assimiladas algumas das recomendações e do desenvolvimento então apresentado. A Energia, em qualquer das suas formas, é uma questão permanente e um factor de produção essencial para todo o sector da cerâmica e do vidro. Ontem, hoje e sê-lo-à no futuro, é determinante para a competitividade industrial a exigência de uma adaptação permanente das formas de a integrar no produto e também de a produzir. Aqui o CTCV assegurou, desde o início, uma estrutura com capacidade e conhecimento, reconhecida por todos os organismos nacionais e internacionais, que disponibilizou à indústria. Foi sempre um actor activo em todas as fases do processo da introdução do GN, colaborando com as entidades da rede de transporte e com a indústria utilizadora. E como o processo industrial tem associado consumo de recursos e impactos na envolvente, o CTCV desde o início desenvolveu conhecimento e competências ao mais alto nível no domínio do Ambiente e contribuiu para a gestão e adaptação de processos fabris. Também aqui foi e é, referencia nacional reconhecida pelas Associações Industriais, clientes e organismos nacionais e internacionais. O mesmo se pode referir para a Higiene e Segurança na actividade industrial em que o CTCV de tornou uma refe-


rencia nacional reconhecido pela ACT-Autoridade para as

volvimento de novas estratégias. Pela época crítica em que

Condições do Trabalho.

exerceram os seus mandatos, como Presidentes do Conse-

Ao promover a modernização e evolução das empresas,

lho de Administração, têm de ser destacados pela impor-

Associações e Organismos, Clientes, também o CTCV re-

tância e pelo impacto à data, o Dr. António Mota Figueiredo

pensou, em permanência, a sua estratégia e os processos

e o Eng. José Lamy Carneiro, ao contribuirem decisivamente

de conhecimento a privilegiar.

para a consolidação do CTCV.

E a sua evolução tem muito a ver com uma visão sistémica do meio industrial, do conhecimento e das exigências do

3. Maturidade e Futuro

meio ambiente. Não tem mais sentido falar de produto de

Sem o investimento constante na aquisição de conhe-

per si, sem o enquadrar no "espaço" alargado do Habitat.

cimento e na valorização dos colaboradores nada neste

Por isso, o CTCV alargou a sua esfera de acção e disponi-

percurso teria sido possível. Esse, é um valor essencial que

bilizou os seus conhecimentos para outras empresas deste

nunca o CTCV pode perder, associando à utilidade, a uni-

espaço e iniciou, desde há anos, a estruturação da forma de

versalidade do conhecimento.

incluir na boa tradição portuguesa de construção, a susten-

Há uma cultura forte com valores assumidos de trabalho

tabilidade como factor essencial para uma perspectiva de

em equipa e envolvimento nas soluções que se propõem

futuro. Por isso, o CTCV é também um elemento ativo no

aos clientes e, em particular, à indústria.

desenvolvimento desta nova forma de entender a prática industrial e o Habitat sustentável.

Hoje, ganhou sentido um novo paradigma que é a sustentabilidade, quer seja no Habitat, quer na prática indus-

E todas estas actividades consubstanciam novos conheci-

trial. Não há mais soluções isoladas, nem produtos isolados;

mentos, que foram sendo sempre privilegiados como facto-

há sim, um conjunto sistémico, que deverá ser integrado e

res de desenvolvimento dos colaboradores, que constituem

harmonioso com a sua envolvente.

os Recursos Humanos do CTCV.

A expressão prática desta nova abordagem é a "cida-

Ou seja, o CTCV privilegiou o conhecimento e desenvol-

de" e o "habitat" sustentáveis, num contexto de respon-

vimento pessoal dos seus colaboradores, integrado num

sabilidade social alargada, auto-suficiente em termos de

processo de permanente melhoria para a indústria cliente e

recursos, quer seja de energia ou outros, com soluções

associou a esta visão, os valores de utilidade e modernidade

construtivas em que os materiais são multi-funcionais e

dos serviços e produtos que disponibiliza.

"inteligentes".

"The last but not the least", o domínio dos materiais

É aqui que o CTCV reorienta de novo algumas das suas

avançados mereceu sempre um lugar de particular interesse

capacidades e conhecimento, quer através dos novos mate-

nas opções tomadas. E foi nesta área dos materiais e tecno-

riais e tecnologias, quer das novas formas de energia ,quer

logias de ponta que se deu origem a uma empresa de re-

ainda da divulgação das melhores práticas disponíveis com

ferência, a TEandM - Engenharia e Tecnologia de Materiais,

a finalidade de se constituir como parceiro a privilegiar, para

S.A., especializada em revestimentos nanoestruturados e

a competitividade da indústria.

com grande potencial de crescimento. Todo este processo tem como suporte, Conselhos de Administração atentos, participantes e parceiros no desen-

Longa vida ao CTCV e aos seus colaboradores neste contexto de permanente actualização de conhecimento e utilidade industrial. O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.

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O CTCV recordado 25 anos depois por Francisco Pegado, Conselho de Administração (1987-1996)

Em 1987 foi oficialmente criado o CTCV – Centro Tecno-

condução dos trabalhos objectiva mas descontraída e de

lógico da Cerâmica e do Vidro, que agora regista, portanto,

uma conversa iminentemente técnica, muito patrocinada

um quartel de existência. Tive a sorte de integrar os primei-

pelo Engº Vaz Serra, que todos nós, desde então, fizemos

ros conselhos de administração do mesmo, em representa-

questão que estivesse presente nas reuniões. Estas foram

ção do accionista IAPMEI, acrónimo, na altura, do Instituto

muitas, como é fácil de calcular, numa casa que estava a ser

de Apoio às Pequenas e Médias Empresas Industriais.

criada. Nem sempre foram pacíficas; os diferentes pontos

Solicitam-me agora, vinte e cinco anos passados, que es-

de vista e as orientações de que cada um era mandatário

creva “alguma coisa” sobre o Centro, na celebração desta

eram expostos claramente e com frontalidade. Contudo,

efeméride. Matéria não falta. Falta é a capacidade de es-

não me lembro que alguma vez fossem desagradáveis. Os

crever organizadamente alguma coisa com interesse para o

consensos obtinham-se com facilidade, por força dos mes-

leitor, não repetindo os textos de outros testemunhos, que

mos princípios de conduta, dos mesmos valores sociais e

me foram antecipadamente apresentados pelos respectivos

profissionais e do objectivo comum e único de pôr o CTCV

autores, numa sadia cumplicidade de vida e de trabalho,

a funcionar de forma sustentável. Esta forma de proceder

que dura, pelo menos, há outros tantos anos.

foi rapidamente passada pelo Engº Vaz Serra à equipa ope-

Optarei, por isso, por deixar algumas notas, que dão a

racional que se ia constituindo.

síntese dos factos e momentos que me marcaram ao ponto de, ainda hoje, deles me recordar com razoável nitidez.

2ª Nota: os recursos

Compreenderá o leitor que o faço em termos estritamente

Uma parte da equipa técnica já existia, contratada pela

pessoais, não comprometendo, assim, o IAPMEI, quer o da

comissão instaladora do CTCV. Apreciados os respectivos

altura, quer o actual.

curricula e perfis técnicos, foram, sempre que se tal revelava

Ora, vamos lá…

mais acertado, reafectados às unidades orgânicas onde se previa que dariam maior e melhor contributo.

1ª Nota: o início; a equipa

Mesmo assim, foi necessário proceder-se à contratação

Já não me recordo do dia em que o primeiro conselho de

de mais pessoal para garantir o pleno funcionamento das

administração se reuniu pela primeira vez. Mas recordo-me

unidades com que o Centro iria funcionar. Participei nas en-

que, para mim, foi um momento estranho; não conhecia

trevistas a pessoas que ainda hoje continuam a fazer parte

os meus colegas do sector público, nem os do sector priva-

da equipa do centro, o que me dá muita satisfação.

do, com excepção do presidente, Dr. António Mota de Fi-

Começou, de imediato, a formação dos técnicos, parte

gueiredo, com quem já tinha conversado algumas vezes em

dela no estrangeiro, duma forma tão intensiva que, em

encontros ocasionais de carácter profissional. Seriam talvez

pouco tempo já tínhamos verdadeiros especialistas em vá-

umas 10 horas quando a reunião começou, com um clima

rias áreas.

de formalidade que, durante o resto do dia se foi desvane-

Com o dinheiro disponível fomos também apetrechando

cendo, por força dos pontos de vista coincidentes, de uma

as instalações com o equipamento mais actualizado, recor-

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rendo quase sempre à técnica de ir” bater à porta certa”. E os nossos especialistas já iam introduzindo, nesses equipamentos, aperfeiçoamentos e actualizações (alguns patenteáveis)! Lembro-me até dos saudosos Macintosh, uma novidade naquela altura e que toda a gente do CTCV sabia manejar sem hesitações… 3ª Nota: a estratégia e os objectivos Desde a primeira reunião que se estabeleceu que a estratégia de desenvolvimento passaria por uma actualização constante nas áreas do saber mais importantes para os sectores a que o Centro se dedicava. E foi assim que, também em pouco tempo, o Centro começou a trabalhar com os novos materiais e tecnologias. O entusiasmo era contagiante! Por vezes os técnicos entravam pela noite dentro a trabalhar. Pessoalmente, vi-me envolvido na importação, para o Centro, da tecnologia de revestimento de superfícies por projecção de plasma (duma maneira mais simples, para o leitor, era a técnica usada no revestimento das “telhas” da fuselagem dos “Space Shuttle”). O desenvolvimento desta tecnologia viria a dar origem, mais tarde a uma empresa “spin-off” do CTCV. Os objectivos eram estabelecidos numa perspectiva realista, quero dizer, de maneira a que pudessem ser, de facto, cumpridos. E eram, eram mesmo ultrapassados sempre, de tal modo que eramos acusados de pôr a fasquia muito baixa, para facilmente a ultrapassarmos, o que não era verdade, simplesmente seguíamos os princípios de qualidade na gestão. Outras Notas Tantas mais notas eu poderia trazer para o texto! Mas não tenho espaço disponível para o seu registo. Para além disso, não quero maçá-lo, caro leitor. Apenas lhe sugiro, caso estas notas lhe tenham, pelo menos, despertado a curiosidade, que passe pelo CTCV. Talvez ainda lá encontre algumas das pessoas da equipa inicial. De qualquer modo será bem recebido e verá com facilidade, que as notas que lhe deixei não são exageradas, porque ainda estão presentes. Quanto a mim, na altura ainda um jovem, que melhor escola de gestão e de vida poderia eu ter arranjado? Por tudo isto, é muito agradável fazer este exercício de recordação. Sobretudo no tempo que vivemos! O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.

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Memórias de um projeto de sucesso por Carlos Borges Tavares, Conselho de Administração (1987-1994)

O modelo dos Centros Tecnológicos cujo objetivo é con-

• Estabelecer protocolos de cooperação técnica com en-

gregar os interesses públicos e privados de um setor indus-

tidades detentoras de saber: Universidades, Laboratórios e

trial numa parceria capaz de proporcionar aos respetivos

outras que permitissem a transferência de conhecimento

agentes envolvidos apoio técnico de valor acrescentado po-

específico nas áreas de competência do CTCV, por forma a

tenciado e credível, teve no CTCV o exemplo paradigmático

potenciar a implantação do Centro junto do seus associa-

e exemplar.

dos o mais cedo possível, ultrapassando-se deste modo a

Fui membro dos Conselhos de Administração do CTCV desde 1987 até abril de 1994 e passados vinte cinco anos

inevitável imaturidade do conhecimento devido à infância da sua atividade.

posso afirmar que foi uma das realizações profissionais mais

Toda esta atividade teve como principal linha orientado-

estimulantes, bem conseguidas e que mais prazer me deu

ra, unanimemente assumida por todos os membros do CA,

na minha vida profissional.

procurar gerar receitas para que o CTCV atingisse a sua sus-

Qualquer instituição dinâmica e de sucesso revisita o seu passado não numa perspetiva saudosista mas sim como forma de nele, encontrar razões reforçadas para enfrentar os desafios que o futuro lhe põe. É pois com muito prazer que aceitei o convite do CTCV para escrever algumas linhas sobre esta organização. O 1º Conselho de Administração de qualquer instituição enfrenta sempre muitos desafios. O 1º CA do CTCV não fugiu à regra; havia que:

tentabilidade económica e autonomia financeira tão cedo quanto possível. Uma das lições a tirar deste projeto é a de que, tal como vem escrito nos livros da especialidade e o bom senso dita, o sucesso de uma equipa é a sua coesão e determinação na busca de objetivos comuns. Ora o 1º CA do CTCV foi disso o exemplo paradigmático. Sendo constituído por representantes de entidades públicas e privadas com idades, formações, percursos e experiên-

• Proceder às obras de adaptação do edifício em que se

cias profissionais muito diferentes e que não se conheciam

encontrava instalado o Centro e mais importante do que

soube, em conjunto com o Eng. Vaz Serra e Sousa – Diretor

isso, clarificar e tentar legalizar a posse do edifício como

Geral do CTCV, formar uma verdadeira equipa de gestão,

património do Centro, situação que só em 1992 conheceu

pondo todos os seus conhecimentos e um empenhamen-

avanços mais significativos;

to determinado, em prol da resolução dos problemas que

• Contratar colaboradores para as diferentes valências de conhecimento do Centro;

em seu entender seriam os determinantes para o futuro do Centro.

• Apetrechar o Centro de equipamento tecnologicamen-

A sorte protegeu o CTCV, pois as equipas de gestão que a

te avançado para apoio a projetos de investigação aplicada

seguir têm vindo a tomar os destinos do Centro perceberam

que pudesse satisfazer as necessidades crescentes das in-

o que tinha sido alcançado e mantiveram o mesmo rumo,

dústrias da cerâmica e do vidro;

conseguindo assim, consolidar e desenvolver tudo aquilo

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que hoje permite que o CTCV seja o apoio indispensável

tar com o saber e empenho dos seus colaboradores e nestas

dos setores industriais nacionais da cerâmica e do vidro,

singelas linhas quero manifestar-lhes todo o meu apreço e

mas ter ido mais além e ser também um parceiro interna-

reconhecimento, em particular aqueles que estão no Centro

cional reconhecido pelos seus congéneres a nível europeu

desde 1987 e que assistiram de uma forma participativa à

e internacional.

construção e crescimento deste magnífico projeto.

Nos posteriores Conselhos de Administração que tive a

Não quero destacar ninguém mas sinto o dever de apro-

honra de integrar, foi sempre possível manter um forte es-

veitar esta oportunidade para prestar a minha homenagem

pírito de equipa o que permitiu o enfoque nos problemas

a todos os meus companheiros dos diferentes CA de que fiz

que em cada momento eram os considerados fundamentais

parte, alguns dos quais já não estão entre nós.

para a afirmação institucional do Centro. Foi assim que sucessivamente foram equacionados, dis-

A eles devo a vivência de muitas situações das mais estimulantes e enriquecedoras da minha carreira profissional.

cutidos e resolvidos, por vezes à custa de muito esforço

Para a instituição CTCV e para todos aqueles que dão e

e determinação mas sempre pela positiva, muitos outros

continuarão a dar continuidade a este projeto exemplar vão

desafios de entre os quais gostaria de sublinhar, pelo seu

os meus desejos de que consigam comemorar muitos quar-

impacto ou relevância para a afirmação do CTCV como en-

tos de século para bem dos seus parceiros e do país.

tidade muito competente, os seguintes: • Instalação do reactor de plasma para deposição de cerâmicos para tratamento de superfícies; • Início do funcionamento da Instalação Piloto; • Acreditação do CTCV como laboratório de Ensaios;

Dados Curriculares

• Reconhecimento do CTCV pelo IPQ como Organismo

Licenciado em Engenharia Eletrotécnica, ramo Telecomuni-

de Normalização Setorial (ONS);

cações e Eletrónica pelo Instituto Superior Técnico, 1972

• Acreditação do CTCV como Organismo de Certificação Sectorial; • Integração da CERLABS – Rede Europeia de Laboratórios Cerâmicos;

Atividade profissional Cargo atual: Diretor do Departamento de Normalização do Instituto Português da Qualidade - IPQ

• Construção do Edifício B para instalação do Laboratório de Ensaios de Produtos; • Aquisição dos equipamentos de Eflorescência de Raios-X e o Microscópio Eletrónico de Varrimento; • Acreditação do CTCV para a realização de ensaios a

Atividade anterior Sub Diretor-Geral da Direcção-Geral da Aviação Civil Vogal do Conselho Fiscal da STCP Sociedade de Transportes Coletivos do Porto SA

vidro Automóvel pela American Association Motor Vehicle

Desempenho de vários cargos de chefia no IAPMEI, Direção-

Administrators (AAMVA);

geral da Indústria e IPQ

• Registo de patente para a produção de Wolastonite sintética. A geração de receitas pelos serviços prestados trouxe na

Delegado do IPQ nos Bureaux Técnico do CEN e do CENELEC Consultor para a área da normalização em projectos comu-

altura (anos 80/90 do século passado) um outro desafio in-

nitários na Eslovénia e Moçambique

teressante que foi o demonstrar aos sócios do CTCV, priva-

Presidente da Comissão Permanente para a Normalização

dos e públicos, que qualquer instituição para ser sustentável

do Conselho Nacional da Qualidade

deveria necessariamente dar lucro e que a diferença estava

Diretor industrial numa fábrica de mobiliário

na utilização dada a esse excedente.

Chefia da Divisão da Manutenção Eléctrica na Fábrica Mili-

Uma organização de sucesso como o CTCV tem que con-

tar de Braço de Prata

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A minha passagem pelo CTCV: Uma experiência gratificante, uma relação que perdura por Alfredo Marques, Conselho de Administração (1997-2000)

É muito gratificante, para quem passou pela Administra-

Durante os anos em que estive do Centro, muitos foram

ção do CTCV - como foi o meu caso entre 1997 e 2000 -

os grandes problemas na agenda. Evoco apenas quatro,

ver, neste seu 25º aniversário, o percurso feito pelo Centro

pela sua representatividade e para não fazer deste teste-

não só desde aí, mas desde a sua fundação em 1987. De-

munho um relatório.

dicado numa primeira fase, essencialmente (como era sua

Havia o eterno problema do financiamento do Centro,

vocação), à assistência técnica especializada às empresas

mas que se cruzava com o das empresas. Estas tinham (e

dos setores da cerâmica e do vidro, o CTCV já dispunha,

continuam a ter – não é novidade) fortes restrições finan-

quando com ele convivi de perto, de capacidades que

ceiras, mas também revelavam pouca propensão a recorrer

lhe permitiam alargar a sua prestação de serviços a outros

a serviços especializados (mesmo quando a necessidade

setores, os quais representavam já nessa altura entre 30%

era evidente). Os centros tecnológicos, por sua vez, de-

e 40% da faturação total nesta atividade de serviços. Essa

pendiam nessa altura, em grande parte, da subsidiação

transversalidade foi-se desenvolvendo, sendo hoje o peso

pública para a sua atividade corrente. As empresas eram,

relativo dos «outros setores» de metade da faturação.

assim, subsidiadas indiretamente pela via da subsidiação

Este alargamento do seu âmbito de intervenção apre-

da oferta. Contudo, como o apoio público provinha dos

senta três aspetos que gostaria de realçar. Por um lado,

Fundos Comunitários (onde a elegibilidade desta atividade

mostra a transversalidade crescente da própria economia,

era problemática), e também devido às restrições impostas

em que as fronteiras entre os setores se foram esbatendo,

pela política comunitária de concorrência a este tipo de

porque os produtos e os inputs necessários à sua produção

mecanismo, a incerteza era grande sobre a sustentabilida-

cada vez se identificam menos com os setores tradicionais

de financeira do Centro.

e assentam cada vez mais em combinações daquilo que estes produziam.

Por outro lado, julgava-se que seria mais adequado estimular diretamente a procura, para envolver mais di-

Por outro lado, esta intervenção alargada não só não

retamente as empresas e para as habituar a recorrer ao

prejudicou os setores iniciais, como os beneficiou, pelo co-

apoio técnico, que não só servia para resolver pequenos

nhecimento que o Centro ia adquirindo sobre as necessá-

problemas (por vezes com grandes resultados) no produto

rias ligações e interações que esses setores precisavam de

ou no processo, como permitia frequentemente introduzir

desenvolver com outros.

inovação incremental (mudança no produto ou no proces-

Por último (e o último podia vir em primeiro lugar), se

so, e não apenas solução pontual). Revelava-se, contudo,

isso foi possível foi porque o CTCV contava, e conta, com

mais difícil convencer os responsáveis governamentais das

um excelente corpo técnico, com uma formação avança-

virtudes deste modo de financimento (que assumiria a for-

da, graças não só aos graus académicos cada vez mais

ma simplificada de cheque, ou vale, que nunca envolveria

elevados que possui, mas também (e este ponto é crucial)

grandes montantes e já tinha existido anteriormente, com

aos projetos de investigação aplicada e desenvolvimento

êxito, e que posteriormente foi reintroduzido e existe atu-

em que se tem envolvido.

almente no QREN) do que das potencialidades da subsi-

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diação de projetos de investimento (que ocorria em larga

gente, eram expressões e preocupações omnipresentes no

escala e com montantes e intensidades muito elevados).

quotidiano do CTCV, refletindo uma prioridade central da

O Centro conseguiu entretanto a sua autonomia finan-

sua agenda. Duas realizações desta prioridade que entre-

ceira, sendo hoje autossustentável com os serviços que

tanto ocorreram: a participação ativa do Centro na orga-

presta e os projetos de investigação aplicada e desenvolvi-

nização do cluster do habitat e a recentíssima construção,

mento que realiza.

no Coimbra I-Parque, do “Centro de Conhecimento em

Havia, nessa altura, a necessidade de passar à fase de

Materiais para a Construção Sustentável”, que iniciará a

utilização produtiva e em larga escala de uma tecnologia

sua atividade em 2012 e constitui um projeto âncora do

de ponta, já testada pelo CTCV e pioneira em Portugal, no

cluster.

domínio dos revestimentos de superfícies de peças, com-

Havia ainda na agenda a questão da certificação dos

ponentes de equipamentos, ferramentas e instrumentos,

produtos, que até aí, era uma componente importante da

submetidas a um elevado desgaste ou requerendo aca-

atividade do Centro, mas precisava de ser autonomizada

bamentos ou outras propriedades particulares. Foi assim

do ensaio e do apoio técnico. O CTCV esteve, assim, na

fundada, em 2000, a TEAndM – Tecnologia, Engenharia

fundação da CERTIF, associação independente que veio

e Materiais, S.A., spin-off do Centro, em parceria com

dar corpo a essa necessidade.

a DURIT (que veio a ficar com uma posição maioritária) e

Por tudo isto, e pelo muito mais que fica por dizer, foi

com a participação de uma sociedade de capital de risco.

uma experiência marcante a que tive o privilégio de viver

Foi-me muito grato pertencer aos corpos sociais desta pe-

no CTCV durante aqueles anos. Mas esses anos, na ver-

quena empresa tecnológica durante os primeiros anos da

dade, não acabaram (e, pela minha parte, não acabarão),

sua existência, a qual tem crescido a um ritmo exponencial

pois tenho continuado sempre em contacto com o Centro

desde a sua criação.

como se da minha casa se tratasse.

Havia o grande problema _ no âmago da atividade do Centro _ da sustentabilidade da construção. Remetia para

as vivas felicitações a todos os que têm contribuído - e, em

os materiais, para o modo de construção, para a eficiência

particular, aos seus dirigentes - para o afirmar como uma

energética, para a produção de energia para auto-consu-

entidade de referência no panorama do sistema científico

mo, para as TIC, etc. Construção sustentável e casa inteli-

e tecnológico nacional.

Os meus parabéns ao CTCV pelas suas bodas de prata e

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O CTCV que conheci por Francisco Bernardo de Almada-Lobo, Conselho de Administração (2001-2002)

Em fins de 1988 e após dezasseis anos de atividade pro-

ao crescimento e alargamento das suas atividades. De apoio

fissional no projeto e produção de máquinas elétricas rota-

primário ao sector para que fora criado, na caracterização,

tivas de média e grande dimensão decidi mudar de rumo

seleção e tratamento das matérias-primas, no apoio aos pro-

e entrar num mundo novo para mim, a cerâmica. Trocava

cessos de fabricação, investigando, realizando todo o tipo

os grandes alternadores das principais centrais portuguesas

de ensaios laboratoriais e aconselhando, foi sofisticando

pela eletrocerâmica.

esse apoio nas áreas da qualidade e organização industrial,

Sou engenheiro eletrotécnico. Entrei, pois, com cuidado,

no desenvolvimento de produtos, nas frentes de marketing

começando pela cerâmica eletrotécnica que tinha em co-

e de comercialização num horizonte cada vez mais interna-

mum com a minha experiência anterior a sua aplicação e

cional. Novos meios e ferramentas de apoio ao processo e

o mundo dos clientes. Aprendi o que significa porcelana

à gestão foram sendo introduzidas e novos departamentos

eletrotécnica, grés, porcelana e faiança, o processo com-

foram sendo criados para recolher e desenvolver know-

plexo desde as matérias-primas, as argilas, os caulinos, os

how, para prestar formação, treinamento e aconselhamen-

feldspatos, até ao processo de fabricação da pasta cerâmi-

to nessas áreas. Fortaleceu novas valências, recrutou e for-

ca, a sua complicada matriz de secagem e de sinterização.

mou novos profissionais. Formou equipas pluridisciplinares,

Aprendi a vidragem. Tive por missão reestruturar uma in-

bem preparadas e motivadas postas ao serviço da indústria

dústria decadente e transformá-la em atividade viável num

não só do sector tradicional mas também doutros sectores

contexto cada vez mais internacional. Como em qualquer

onde a aplicação destes novos conhecimentos se revelou

desafio criamos o mais importante, uma equipa de técnicos

interessante. Da engenharia dos materiais da cerâmica e do

e gestores motivados, casando o domínio da engenharia

vidro passou para a engenharia de outros materiais avança-

dos processos e dos produtos com as técnicas de marketing

dos. Ganhou massa crítica e começou a vocacionar-se como

e comercialização internacional.

nicho de empresas de matriz tecnológica.

Já mais por dentro do processo cerâmico aceitei, quatro

Lembro-me bem do spin-off da TEandM, em parceria

anos passados, passar à cerâmica doméstica e decorativa,

com uma empresa especializada, promovendo a tecnologia

à verdadeira porcelana, pratos, chávenas, terrinas, vasos,

de revestimentos nano estruturados.

estatuetas. Aprendi o valor da marca e a marca do valor com que servimos.

Conheci ainda melhor o CTCV nos anos em que presidi ao seu Conselho de Administração. Era gerido não como um normal centro tecnológico exercendo o seu objeto

Cedo contactei com o CTCV. Como uma entidade que

social, mas como uma excelente empresa. Tinha ambição

nos apoiou nas diferentes frentes tecnológicas, tanto nos

individual e coletiva, com visão desafiante e missão preci-

processos correntes como sobretudo nas mutações, moder-

sa. Tinha organização bem esquematizada, com planos de

nizações tecnológicas e organizacionais.

atividade bem definidos, com um sistema de monitorização

Conheci o CTCV durante os doze anos da minha vida de-

eficiente. Revia e ajustava os seus planos em função do seu

dicada à indústria cerâmica. Assisti ao seu desenvolvimento,

desenvolvimento. Tratava os seus recursos humanos com a

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noção clara que consistiam o seu mais importante ativo.

no meu lapso de cruzamento com ele de fazer personalizar

Planos de avaliação do desempenho, de desenvolvimento

o impulso organizacional e a excelência institucional que

pessoal e profissional e de reconhecimento foram aplica-

testemunhei na pessoa que mais anos esteve à sua frente

dos seguindo as mais modernas técnicas. Respirava-se um

como Director Geral, o Eng. Vaz Serra e Sousa. A ele de-

ambiente saudável e uma orientação clara para os novos

dicou a maior parte da sua vida profissional, desde o seu

desafios e seus resultados.

início em 1987 até à sua reforma há pouco mais de um par

Foi simples a minha missão de presidente. Os dossiers

de anos atrás.

apareciam bem estudados e preparados, com argumenta-

Foram curtos os meus doze anos de atividade profissional

ção clara, precisa, correta. A análise dos números perfeita-

na indústria cerâmica. Foi muito curta a minha passagem

mente elaborada e sustentada. As medidas de correção e

direta pelo CTCV. Mas foram experiências muito gratifican-

reação aos desvios já pensadas. E os resultados apareciam

tes e estruturantes para o meu desenvolvimento pessoal e

naturalmente.

profissional. A imagem que permanece em mim do CTCV

As relações institucionais com a APICER e com as outras

é a de uma entidade de alto valor e estima, como poucas

associações, com as entidades oficiais e do pelouro e com

ao serviço deste país que temos de recriar uma vez mais.

outros centros foram mais do que um exemplo de diplo-

Vinte e cinco anos passados permitiram construir a base de

macia, sendo vistas sempre como uma oportunidade para

alavancagem do CTCV para o futuro. Os atuais responsá-

fazer melhor na procura de sinergias ao serviço dum saber

veis, engenheiros, técnicos e todos os colaboradores têm

fazer cada vez mais em rede.

a missão difícil de o perpetuar com certeza adaptando-o,

E se agraciamos na comemoração destes vinte e cinco anos os promotores e os que desenvolveram o CTCV, tenho

como sempre foi feito, aos novos tempos. Estou certo que o farão.

Keramica | CTCV | 17


A minha passagem pelo CTCV por Serafim Nunes, Conselho de Administração (2006-2008)

Da minha passagem pela Presidência do CA do CTCV

fomos felizes na escolha. Privilegiamos a prática e a expe-

retenho três importantes momentos: A substituição, em

riência industrial a abordagens mais académicas – embora

Dezembro de 2006, do Sr. Eng. Vaz Serra, a seu pedido,

tais componentes também estivessem fortemente presen-

nas funções de Diretor Geral do CTCV que vinha assegu-

tes no curriculum do candidato, ou não fosse ele um ho-

rando desde a sua criação e as decisões tomadas em 2008

mem da casa – numa perspectica de que o futuro do CTCV

de promover e coordenar o processo de reconhecimento do

passaria pelo aprofundamento da sua interligação com a

“Cluster Habitat Sustentável” e de avançar definitivamente

indústria, quer com os setores que estiveram na sua génese,

com a construção do ccMCS – Centro de Conhecimento

quer com novos setores industriais a que pudesse estender

em Materiais para a Construção Sustentável, no iParque –

a sua influência.

Coimbra Inovação Parque, dando corpo ao respectivo projeto de arquitetura.

Aliás, foi justamente esta dupla perspectiva, a da consolidação e a de conquista de novas competências, que nos

A primeira das decisões referidas revestia-se, como facil-

levou no mandato seguinte a propor e dinamizar o reco-

mente o compreenderão todos os que de perto acompa-

nhecimento do “Cluster Habitat Sustentável”, o que viria a

nharam a trajectória do CTCV, da maior importância para

acontecer em Fevereiro de 2009, e a tomar a decisão, de-

o CTCV e seus associados e para o próprio futuro da ins-

pois de uma longa ponderação, de avançar definitivamente

tituição. Estava em causa substituir uma personalidade in-

para a construção de instalações complementares do CTCV

comum, que pelo conhecimento, competência, dedicação,

nos terrenos do iParque que lhe estavam prometidos.

sagacidade, capacidade de gestão, equilíbrio e bom-senso

Tenho notícia de que ambos os projectos seguem o seu

tinha projetado o CTCV muito para além dos limites dos

caminho, sublinhando o facto de estar já em construção

setores industriais que tinham estado na sua génese tor-

o primeiro edifício do ccMCS. Fico muito feliz e penso po-

nando-o uma referência destacada, pelo lado positivo, no

der incluir neste estado de alma todos os meus colegas de

universo dos Centros Tecnológicos do país.

Administração de então – a Dr.ª Osória Miranda, o Prof.

Como referi de início, e nunca é demais sublinhar, o im-

João Mascarenhas, o Sr. Carlos Teixeira e o Eng. Vaz Serra,

pulso para a substituição partiu do próprio Eng. Vaz Serra

a quem aproveito para mais uma vez manifestar o meu pú-

e da sua preocupação em assegurar uma transição sem so-

blico apreço pela simpatia, colaboração e lealdade com que

bressaltos no dia a dia do Centro, tendo-me a mim cabido,

comigo sempre trataram.

e aos restantes colegas de Administração, apenas conduzir

Antes de terminar esta minha curta nota sobre a minha

o processo por forma a que a decisão recaísse em alguém

passagem pela Administração do CTCV gostaria de deixar

que desse garantias à continuidade perseguida.

três referências finais.

Com a participação activa de todos, e do próprio Eng.

A primeira a uma outra entidade que, por vezes, quase

Vaz Serra, acabamos por nos decidir pelo Eng. Alcântara

com ele se confunde: a APICER. Mantivemos no período

Gonçalves e, passados quatro anos, creio poder dizer que

em que administrámos o CTCV a mesma estreita relação

18 | Keramica | CTCV


vinda do passado, que tentámos aprofundar e privilegiar,

todo o seu potencial. Mas também, e sobretudo, porque, a

agradecendo também aqui toda a colaboração recebida,

meu ver, e como defendi perante algumas incompreensões,

destacando nessa colaboração o Dr. José Sequeira e a sua

o CTCV tem de alargar o espectro das suas fontes de finan-

inquebrantável persistência.

ciamento, reforçando a componente das receitas próprias

A segunda, de natureza mais estratégica, ao futuro do CTCV. A meu ver o futuro do CTCV, que ganhou um novo fôlego com o projeto de expansão em curso, deverá passar

oriundas dos serviços prestados à indústria, tornando-se financeiramente mais autónomo em relação aos fundos estruturais, e acautelando por esse via o futuro que, estou em crer, passará cada vez menos por aqueles fundos.

não só pelo aprofundamento do seu relacionamento com

A terceira, e última, aos trabalhadores do CTCV. O CTCV

os setores “tradicionais” – cerâmica, vidro, cimentos, etc.

dispõe de um quadro de pessoal competente e empenha-

– mas pelo seu alargamento arrojado e sem preconceitos a

do, que tem sabido valorizar e motivar, apesar de todas as

novos setores, pondo ao dispor do tecido industrial o capital

dificuldades, e que espero continue a fazê-lo. É o seu prin-

de conhecimento, experiência, instalações, equipamentos e

cipal ativo e como tal deve ser tratado. Aos trabalhadores

tecnologia que acumulou ao longo dos anos e que tão bem

do CTCV deixo também o meu apreço pela forma como

tem sabido preservar e desenvolver. E não só porque não

colaboraram com a minha Administração e deles retenho

fazê-lo constituiria um lamentável desaproveitamento de

uma grata memória.

Keramica | CTCV | 19


25 anos do CTCV por José Manuel Cerqueira, Conselho de Administração (2009-2010)

Na altura da comemoração dos 25 anos sobre o início

Durante o nosso mandato acompanhámos a preo-

das atividades do Centro Tecnológico da Cerâmica e do

cupação e atenção dada à sustentabilidade financeira

Vidro, feitos no passado 20 de Março, vimos aqui deixar

do Centro, sobretudo atentos a que os seus resulta-

um depoimento que é também uma homenagem àque-

dos não ficassem comprometidos sem os projetos com

les que estiveram na fundação e na condução dos des-

apoios comunitários. Essa atenção era a garantia de

tinos desta casa. A nossa passagem pela presidência do

continuidade e robustez. Sobretudo num período que

seu Conselho de Administração foi para nós um enorme

se adivinhava toldado por nuvens negras de incerteza

orgulho, e uma tarefa que assumimos como mais uma

da economia nacional.

missão, talvez a mais fácil das que abraçámos, pois a

Como facto mais relevante do período em que par-

gestão operacional estava entregue a profissionais de

ticipámos na Administração do Centro queremos citar

enorme competência e dedicação, a quem prestamos

as formalizações da compra dos terrenos ao IParque,

aqui a nossa homenagem, nas pessoas do Administra-

onde se iria instalar o ccMCS- Centro de Conhecimen-

dor Executivo Eng. Vaz Serra, do Director Geral Eng.

to em Materiais e Construção Sustentável , o lança-

Alcântara Gonçalves e da Directora Financeira Dr.ª . Ma-

mento do concurso para a sua execução bem com a

ria de Lurdes.

assinatura do contrato com o Mais Centro do projecto de investimento e de expansão da atividade do ccMCS – Centro de Conhecimento em Materiais e Construção Sustentável no iParque, com um investimento global elegível de mais de 5 milhões de euros com a presença do Dr. José António Vieira da Silva - Ministro da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento. Este projeto desenhado anteriormente e em concretização agora, é a evidência de que fomos apenas um elo nesta cadeia cuja robustez se encontra nas suas competências internas, na dedicação e saber dos seus colaboradores postos ao serviço da organização. Numa data marcante da sua vida, aqui expressamos os nossos votos de que o Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro continue a ser um marco importante no desenvolvimento do tecido industrial pela inovação e apoio multissectorial que não se confina ao núcleo em torno do qual foi criado.

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Aniversário do CTCV por José Luís Sequeira, APICER

Tendo-me sido pedido um depoimento sobre a passagem dos 25 anos do CTCV, não foi necessário um grande esforço para concluir sobre o que queria e gostaria de abordar.

quele que viria a ser mais tarde o Acordo Constitutivo do Centro Tecnológico da Cerâmica e Vidro. Antes, importa referir que os intervalos para almoço eram penosos pela quebra que provocavam no curso nor-

No fundo, e para celebrar qualquer aniversário, é inevi-

mal das reuniões, já que se procurava um restaurante que

tável que nos cheguem ao pensamento as “fotografias”

embora próximo, não nos “despachava” com a celeridade

que retemos na memória, sejam elas de episódios da épo-

que precisávamos. Pelo que, foi então criado um sistema

ca, sejam relatos de decisões marcantes que por isso mes-

que passava por trazer a merenda de casa, em torno da

mo é bom recordar.

qual se improvisava o almoço, com os tradicionais salgadi-

Antes porém destes episódios, é bom felicitar o CTCV pelo seu aniversário que senta à mesma mesa todos os

nhos caseiros, que acompanhavam com o vinho da Quinta da Abrigada, trazido pelo Sr. José Machado.

dirigentes que por ele passaram, e todos os colaboradores

São esses momentos de trabalho e convívio que rete-

que o fizeram crescer até ser adulto, mas sem envelhecer.

nho, pela necessidade que havia de estreitar relações entre

Estas organizações nascem por vezes com legendas de

os vários outorgantes, questão essencial para o êxito da

entusiasmo e promessas, as quais se vão apagando com o

missão que lhes estava confiada, numa altura em que o

tempo até se extinguirem de vez.

parentesco entre o Barro Vermelho e o Barro Branco era

Felizmente que o CTCV está vivo e com saúde, pronto a

marcado por entidades com casa e motivações próprias,

continuar a crescer para bem do seu futuro e da indústria

vivendo em locais distantes para a época, cada um defen-

que lhe deu origem.

dendo legitimamente o seu reduto.

Posto isto, vamos aos tais episódios que recordo, um dos

Esse parentesco de facto estreitou-se também por essa

quais porque transmite uma mensagem da época, e outro

via, bastante mais facilitadora do que a mesa do restau-

porque marcou de certo modo um rumo que ficou :

rante com o bulício que normalmente lhe está associado.

O cenário é o do atual hall de entrada do CTCV, se bem

Este episódio só vem à colação neste aniversário, por

que na fase de construção, espaço onde se improvisavam

ter sido em torno destes momentos que se desenvolveu a

as condições mínimas necessárias à realização das reuni-

ideia de um setor industrial único, identificado por cerâmi-

ões da comissão instaladora.

ca, com uma única associação representativa, criada em

As personagens que davam vida a esse cenário, na par-

1996, ano em que se constituiu a APICER.

te mais adiantada deste moroso processo (e que me recor-

Se bem pensarmos, compreenderemos que o passo

de ...), eram o Professor Simões Redinha da Universidade

dado em 1996, embora arrojado para a época pela sua

de Coimbra que coordenava os trabalhos, o Sr. José Cirylo

singularidade no panorama associativo nacional, é hoje

Machado pela APC e Eng. Manuel Pinheiro pela APICC,

tido como uma medida que teve incontornável visão do

em representação de cada uma das partes outorgantes da-

futuro.

22 | Keramica | CTCV


O outro episódio que considero mais significativo por ter sido marcante para o processo de desenvolvimento do

elemento designado pela APICC responderia pelos interesses do Barro Vermelho.

CTCV, tem a ver com a assinatura do seu Acordo Constitu-

O Dr. Mota Figueiredo contestava esta repartição de

tivo, feita no Ministério da Indústria chefiado pelo então

interesses, com base em que os representantes desig-

Ministro Prof. Veiga Simão.

nados por qualquer das duas associações deveriam ter

Acontece que três dias antes da data prevista para essa

como escopo a defesa dos interesses do CTCV e da in-

assinatura, tinha tomado posse como presidente da Di-

dústria de cerâmica em geral, fosse qual fosse a sua

reção da APICC o Dr. António de Mota Figueiredo, re-

proveniência associativa. Neste sentido, não só não ha-

centemente chegado ao setor de cerâmica de Barro Ver-

veria lugar a participações diferentes, como seria de re-

melho.

jeitar a defesa de interesses subsetoriais, quando estava

Completamente fora das reuniões e dos compromissos

em causa a administração de um organismo autónomo,

que conduziram à versão final do acordo, e mandatado

criado para defesa dos interesses da indústria de cerâ-

para proceder à respetiva assinatura com data previa-

mica em geral.

mente marcada, o Dr. Mota Figueiredo viajou de com-

O Ministro foi sensível a estes argumentos, pedindo ao

boio de Aveiro até Lisboa, viagem em que eu o acompa-

Sr. José Machado que os ponderasse no sentido do seu

nhei a seu pedido, para o ir inteirando das vicissitudes do

acolhimento, o que de facto aconteceu.

processo negocial, dos parceiros e das conclusões a que se chegou.

Porém, este novo entendimento implicava alterações de substância no texto anteriormente acordado, pelo que

Cumpri o meu papel de informação, com vista a uma

ficou o desafio de se conseguir fazer de imediato a sua

reunião que se previa muito rápida por se tratar apenas do

adaptação, desafio que obrigou a um curto intervalo para

ato formal de assinatura.

uma sanduiche tomada no bar em frente do Ministério,

Chegados ao local e reunidos para esse efeito já na pre-

após o que foram retomadas as negociações, que duraram

sença do Ministro, o Dr. Mota Figueiredo suscitou a ques-

até cerca da uma hora da manhã. A partir daí, e dado que

tão da paridade da participação institucional da APICC

a previsão da deslocação seria de ida pela volta, acabamos

que, na fase de negociações, tinha aceite por opção pró-

por ter que pernoitar em Lisboa, sem roupa e sem os arti-

pria, subscrever um número de Unidades de Participação

gos essenciais à higiene pessoal.

inferior ao da APC.

Certo é que, indiferentes a isso, e já num ambiente de

As implicações desta opção traduziam-se no número de

franca colaboração e abertura, foi assinada no dia seguin-

representantes que cada uma das associações passaria a

te pela manhã, a versão final do Acordo Constitutivo que

deter nos órgãos sociais do CTCV.

ainda hoje mantém a visão setorial que ditou as mudanças

Perante esta inversão de posições da APICC, o Sr. José

e os desagrados acima referidos.

Machado fechou os seus documentos com claro agasta-

Devo dizer que o saldo deste episódio, acabou por se

mento, tendo dito que assim era impossível chegar a qual-

traduzir numa relação de grande cordialidade entre os

quer acordo, já que o texto final dependeria do presidente

dois representantes inicialmente “desavindos”, com re-

que em cada momento estivesse a presidir à Direção da

flexo na eleição do Dr. Mota Figueiredo como primeiro

APICC.

presidente do CA do CTCV, a que se seguiu uma presi-

Perante esta constatação, o Sr. José Machado fez menção de abandonar a reunião sem assinar o Acordo, só não o tendo feito a pedido do Ministro.

dência não menos importante, protagonizada pelo Eng. Lamy Carneiro. Parabéns ao CTCV e a todos os protagonistas que lhe

O antagonismo dos dois representantes da APICC e da

deram vida e que a sustentam. Entre os primeiros, será

APC, baseava-se no facto de que na ótica da APC, e de

injusto não referir também o nome do Eng. Augusto Vaz

acordo com a repartição negociada antes, a APC teria dois

Serra, seu Diretor Geral e posteriormente seu Administra-

representantes seus no CA do CTCV que responderiam

dor, tal como o carismático Presidente do seu Conselho

pelos interesses do subsetor do Barro Branco, enquanto o

Geral, Dr. José António Martinez.

Keramica | CTCV | 23


A Indústria Cerâmica E SUA Evolução entre 1987 e 2010 por António Oliveira, APICER

Ao longo deste artigo iremos analisar alguns indicadores que retratam a indústria de cerâmica em 1987 e em 2010, num trajeto que corresponde aproximadamente ao período de atividade do CTCV, que agora completa 25 anos de existência. A Indústria Cerâmica em 1987 Em 1987 a indústria de cerâmica era enquadrada nas seguintes classificações de atividades económicas (CAE): • 3610.00 Fabricação de Porcelanas, Faianças, Grés Fino e Olaria de Barro; • 3691.00 Fabricação de produtos de Barro para Construção e Produtos Refratários. No Quadro I apresentam-se os dados do Valor Bruto da Produção (VBP) e Valor Acrescentado Bruto (VAB) a preços correntes para a indústria cerâmica e indústria transformadora. Verifica-se que, em relação ao total da indústria transformadora, a indústria cerâmica representava 1,81% do valor bruto da produção e 3,11% do respetivo valor acrescentado bruto. Em termos de emprego total (ver Quadro I), a indústria cerâmica empregava 26.291 trabalhadores, o que representava 4,17% do emprego total da indústria transformadora.

Existiam então 408 empresas na indústria cerâmica, ou seja, 2,99% do total de empresas da indústria transformadora. A dimensão empregadora era, em termos médios, de 64 trabalhadores na indústria cerâmica, face aos 46 trabalhadores no total da indústria transformadora. As exportações de porcelana, faianças, grés fino e olaria de barro ascenderam no ano de 1987 a 22.742 milhares de contos, ou seja, 113,4 milhões de euros. No mesmo ano, as exportações totais de bens e serviços cifraram-se nos 1.774.700 milhares de contos, o equivalente a 8.852,2 milhões de euros. A indústria cerâmica representava, assim, 1,28% das exportações nacionais de bens e serviços. Em 1987 o PIB a preços de mercado atingiu os 32.836 milhões de euros. A contribuição da indústria cerâmica para o PIB, medida através do respetivo valor acrescentado bruto, era então de 0,50%. Em termos associativos, a representação institucional da indústria cerâmica era repartida entre a APICC, a ANIBAVE (estes 2 organismos para o chamado “barro vermelho”, sendo que a área de influência da APICC compreendia a

Quadro I VBP (Valor Bruto de Produção), VAB (Valor Acrescentado Bruto), Emprego e Número de Empresas na Indústria de Cerâmica e Indústria Transformadora em 1987 (Fonte: “A Indústria Portuguesa em Números”, Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Indústria e Energia, 1993)

CAE 3610.00 3691.00

Subsetores Fabricação de Porcelanas, Faianças, Grés fino e Olaria de Barro Fabricação de Produtos de Barro para Construção e Produtos Refratários Total Cerâmica Total Indústria Transformadora

24 | Keramica | CTCV

VBP (euros)

VAB (euros)

Emprego Total

Empresas (número)

Dimensão Empregadora

180.096.113

101.132.915

14.993

131

114

119.526.506

62.823.520

11.298

277

40

299.622.619

163.956.435

26.291

408

64

631.082

13.638

46

16.598.289.023 5.276.556.334


Quadro II Volume de Negócios, VAB, Número de Trabalhadores e de Empresas na Indústria de Cerâmica e Indústria Transformadora em 2010 (Fonte: INE – Empresas em Portugal, 2010 | Quadros de Pessoal, GEP – MTSS, 2010 | APICER)

Volume de Negócios (milhões euros)

VAB (milhões euros)

Pessoal ao Serviço

Número de Empresas

Dimensão Empregadora

Indústria Cerâmica

990

357

16.712

450

37

Total Indústria Transformadora

76.551

18.009

695.628

74.081

9

Indicadores 2010

zona geográfica a norte do distrito de Lisboa e a ANIBAVE os distritos a Sul de Lisboa, embora ambos tivessem um âmbito nacional) e a APC (esta também de âmbito nacional e representando o “barro branco”). Em 1987 a APICC contava com cerca de 150 empresas associadas, que representavam aproximadamente 65% do volume de negócios total da indústria de cerâmica de barro vermelho. A Indústria Cerâmica em 2010 Após diversas revisões da classificação portuguesa das atividades económicas, em 2010 a indústria de cerâmica tinha enquadramento nos Grupos 232, 233 e 234 da CAE – Rev. 3, e abrangia os seguintes subsetores: cerâmica estrutural (telhas, tijolos e abobadilhas); pavimentos e revestimentos; louça sanitária; cerâmica utilitária e decorativa (louça em porcelana, faiança, grés e barro comum) e cerâmicas especiais (isoladores e peças isolantes, cerâmica para usos técnicos, outros produtos cerâmicos não refratários e produtos cerâmicos refratários). Conforme os dados apresentados no Quadro II, no ano de 2010 encontravam-se em atividade 450 empresas na indústria cerâmica, que empregavam 16.712 trabalhadores, o que representava 2,4% do total do emprego na indústria transformadora. Verificava-se também que a dimensão média das empresas cerâmicas (37 trabalhadores por empresa) mais que quadruplicava a média da indústria transformadora nacional (9 trabalhadores por empresa). Em relação à indústria transformadora nacional, a indústria cerâmica representava então 1,29% do valor bruto da produção e 1,98% do respetivo valor acrescentado bruto. Em 2010 o PIB a preços de mercado atingiu os 172.670 milhões de euros. A contribuição da indústria cerâmica para o PIB, medida através do respetivo valor acrescentado bruto, foi de 0,21%. Por seu lado, as exportações de produtos cerâmicos em 2010 ascenderam a 535,5 milhões de euros e a sua impor-

tância relativa correspondia a 1,46% do total das exportações nacionais de bens. O saldo da balança comercial de produtos cerâmicos era positivo em 400 milhões de euros e a taxa de cobertura das importações pelas exportações ascendia a 395,3%. Nos termos do indicador de vantagem comparativa revelada, que estabelece a comparação do peso das exportações de um setor/produto no total das exportações de um país, com o peso relativo das exportações desse mesmo setor/produto no mercado mundial, conclui-se também que a cerâmica constituía um dos setores mais especializados em Portugal. No ano de 2010 o grau de especialização da cerâmica em Portugal representou 5,4 vezes a especialização que a cerâmica apresentava a nível mundial. Também em termos associativos a mudança chegou à indústria de cerâmica. As três estruturas associativas existentes (APICC, ANIBAVE e APC), que durante mais de 20 anos repartiram entre si a representação setorial nacional da cerâmica portuguesa, deram lugar à APICER, constituindose esta última em 20 de Dezembro de 1996. Em 31/12/2010 a APICER contava com 76 empresas associadas, que representavam 76,5% do volume de negócios total da indústria cerâmica nacional.

Keramica | CTCV | 25


A minha história do CTCV por Gonçalo Ilharco de Moura

Os antecedentes É quase um requisito normativo começar toda e qualquer história pelo conhecidíssimo intróito “Era uma vez…”.

Art. 3.º – O Centro Técnico tem, fundamentalmente, as seguintes atribuições: a) Promover a aplicação pelas empresas industriais dos

Não será este o caso. Quero crer que de todas as vezes

conhecimentos e inovações adquiridos no País e no estran-

que os industriais da Indústria Cerâmica portuguesa “deita-

geiro, com vista a facilitar a modernização das mesmas nos

ram contas à vida”, eles concluíram que lhes poderia ser útil

seus diferentes aspetos, sem prejuízo da propriedade e con-

o recurso a uma entidade independente e preparada para

fidencialidade de tecnologias específicas das empresas;

lhes propor soluções e perspetivas de evolução dos seus se-

b) Realizar e promover investigação aplicada e desenvolvi-

tores, problemas e decisões de melhoria orientadas para a

mento experimental adequado à solução dos problemas da

valorização das suas atividades produtivas.

indústria portuguesa, pelo estímulo da inovação tecnológi-

E do somatório de todas essas preocupações, experiên-

ca e pela adaptação de tecnologias importadas, nomeada-

cias e, tantas vezes, noites mal dormidas, resultou algo de

mente nos domínios dos materiais, equipamentos, proces-

interessante cujos dados aqui referidos serão poucos, mas

sos de fabrico e produtos finais;

suficientes para que os eventuais interessados possam aprofundar um pouco mais este tema. E são os seguintes: • Diário do Governo nº 243/73 Série I (Quarta-feira 17 de Outubro de 1973); • Ministério da Economia – Secretaria de Estado da Indústria; • Portaria n.º 713/73: Cria o Centro Técnico da Cerâmica e aprova os respetivos estatutos.

c) Promover a qualidade na indústria, divulgar técnicas e métodos de controlo de qualidade e apoiar a atividade de normalização; d) Promover a formação e o aperfeiçoamento do pessoal de todas as categorias, organizar e concretizar ações que correspondam a necessidades específicas, aproveitando, sempre que conveniente, as possibilidades oferecidas pelas diversas entidades que se dedicam a esta matéria;

Pelo Governo da República Portuguesa assinou o então

e) Elaborar estudos setoriais e outros com interesse para

Secretário de Estado da Indústria, Hermes Augusto dos San-

a expansão dos setores e promover ações de índole cole-

tos e nos Estatutos aí publicados que previsivelmente iriam

tiva.

reger o funcionamento do Centro Técnico da Cerâmica

Considerando as circunstâncias e a envolvente da épo-

como pessoa coletiva de direito privado sem fins lucrativos,

ca, pode dizer-se que estava em consonância com o que

já se estabelecia no “Art. 1º – 2. O Centro Técnico da Ce-

foi oportunamente estatuído como missão do CTCV e que

râmica terá a sua sede em Coimbra.”. Não foi exatamente

nessa época, mais de uma dúzia de anos antes, já constituía

esse o destino do CTC, mas foi o do CTCV, não obstante as

uma necessidade premente da Indústria Cerâmica em Por-

questões processuais suscitadas que foram morosas e fun-

tugal. E os Estatutos dispunham ainda que:

damentadas, devidamente enquadradas e resolvidas. À época era estabelecida para o CTC a seguinte missão:

26 | Keramica | CTCV

“Os representantes dos empresários serão propostos ao Secretário de Estado da Indústria pelo Grémio dos Industriais


de Cerâmica, subsequentemente e através da Corporação

E assim foi: na segunda feira seguinte, na Rua Simões de

da Indústria, por forma que cada um deles represente os

Castro, nº 51 - 2º andar esquerdo, APICC – Associação Por-

subsetores do barro vermelho e barro branco não represen-

tuguesa dos Industriais da Cerâmica de Construção e com o

tados pelos membros eleitos e que são: barro vermelho para

Secretário-Geral Dr. José Luís Sequeira, decorreu a primeira

construção, grés comum, louça sanitária, azulejos, cerâmica

tomada de contacto com essa nova realidade, a que se se-

electrotécnica e louça de mesa e ornamental, pertencendo

guiu uma entrevista com a Direcção da APICC, na pessoa do

apenas os dois primeiros ao sector do barro vermelho.”.

Sr. Saul Vitorino (o 3º a contar da direita na fotografia).

A decisão formal da criação do Centro Técnico da Cerâmica foi adiada em 1974 e ficou aguardando melhor

À data a Direcção da APICC tinha a seguinte constituição (da esquerda para a direita):

oportunidade, mas o projecto não morreu … Nos anos 80 os dirigentes associativos da indústria Cerâmica e do Vidro reiniciaram a procura dos meios adequados para a reactivação do processo. Esta concertação de interesses e vontades deu origem ao Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro, tendo encontrado um facilitador relevante na pessoa do Professor Doutor José Veiga Simão. O contributo deste Professor de Coimbra foi decisivo para a criação do Laboratório Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial (LNETI) em 1979, já previsto na lei orgânica do Ministério da Indústria e Tecnologia em 1977. Ao nascer, o LNETI absorveu o antigo Instituto Nacional de Investigação Industrial (INII), criado em 1959 e que, tendo sido o parceiro

1. Arq. Vasco Shearman de Macedo (Fábrica de Cerâmica

estatal do CTC nos respectivos Estatutos, já disponibilizava

TIJOMEL – CAXARIAS);

serviços de I&D no sector da Indústria Cerâmica. E a estrutu-

2. Sr. João Teixeira Botelho (Cerâmica Barbosa Ribeiro – TA-

ra do LNETI foi uma alavanca importante no levantamento

VEIRO);

do CTCV.

3. Sr. Hildebrando Veiga (Cerâmica Sotelha – Bustos);

Em 1992, o LNETI deixou de ser um agrupamento de institutos, passando a ser um instituto público com a designação de Instituto Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial (INETI). Mas à data o CTCV já contava com uma estrutura orgânica bem definida e visava objectivos bem definidos e articulados com a indústria. Essa estrutura e a

4. Dr. Alípio Barbosa Coimbra (Cerâmica Estrela de Alva – Presidente da Direcção); 5. Sr. Saul Vitorino (Cerâmica A. Vitorino, Lda. – BATALHA); 6. Eng. Adolfo Roque (Revigrés – ÁGUEDA); 7. Sr. Jorge Pinheiro (Cerâmica de Vagos – VAGOS).

sua autonomia permitiram ao CTCV atingir o destaque de que hoje usufrui no conjunto das infra-estruturas tecnoló-

E no 1º de Junho de 1980 pelas 9 h da manhã iniciei aqui

gicas nacionais, com créditos firmados a uma escala que já

a minha colaboração com a APICC que, posteriormente le-

transcendeu fronteiras, com impacte internacional.

vou à participação no dimensionamento do CTCV, nas áreas da Medição e Ensaios e da Normalização.

Os primórdios

Oportunamente a APICC assinara com o IAPMEI um pro-

Corria o mês de Maio de 1980 quando, na sequência de

tocolo que era ambicioso nos seus objetivos últimos, os

um anúncio encontrado no Diário de Coimbra “procurando

quais não foram totalmente atingidos. Fora decidido pelas

um engenheiro para Associação Industrial”, me ocorreu a

instâncias superiores envolvidas o seu relançamento, após

ideia de que poderia ser interessante estabelecer o contacto

contratação de um coordenador para esse projecto, o ATIC

solicitado.

– Apoio Técnico à Indústria Cerâmica. E nas circunstâncias

Keramica | CTCV | 27


des Tuiles et Briques e da Société Française de Céramique, de que aqui se recordam as colaborações de quadros seus logo nas Jornadas Técnicas de Cerâmica em Outubro de

A minha história do CTCV

1981 na Figueira da Foz. E mais tarde, por extensão, sempre o CTCV encontrou o melhor acolhimento e apoio junto destas instituições.

referidas fui indigitado para proceder ao desenvolvimento do ATIC nos cinco anos seguintes. Foi um trabalho enriquecedor humana, intelectual e profissionalmente, valeu a pena. Muito do seu sucesso resultou de vários apoios empenhados de entre os quais será da mais elementar justiça recordar os Eng. Francisco Costa e Francisco Pegado do IAPMEI, que sempre disponibilizaram as suas capacidades para o melhor encaminhamento e desenvolvimento do ATIC. O Eng. Pegado ainda não fazia disso a menor ideia, mas no futuro iria integrar o 1º Conselho de Administração do CTCV. Houve momentos relevantes e com impacto, como foi o caso das Jornadas Técnicas de Cerâmica na Figueira da Foz e do arranque do carro-laboratório e do excelente traba-

O retomar da ideia Conseguida a normalidade de funcionamento, o ATIC foi sendo desenvolvido nem sempre de forma fácil mas com apoio constante e decidido da Direcção da APICC, muitas vezes concretizado pelo Dr. Alípio Ribeiro em reuniões complexas com o IAPMEI, onde eram resolvidas as dificuldades de percurso que sempre foram existindo. Até que no dia 21 de Junho de 1982, foi recebido na sede da APICC o ofício nº 218/410.42.01 do LNETI – Laboratório Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial, assinado pelo Presidente, Professor Doutor José Veiga Simão, Este ofício criava a Comissão Instaladora do Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro e solicitava à Direcção da

lho realizado com o contributo do Eng. Elias João Bernardo. A formação deste técnico bem como o projecto e equipamento do carro-laboratório ATIC, contaram com um apoio decisivo por parte do grupo espanhol VERDÉS, fornecedor de equipamento para a indústria cerâmica, com o empenho pessoal do seu agente em Portugal, Sr. Leopoldo Salavisa, e o elevado profissionalismo do Director do Laboratório Central do Grupo VERDÉS em Igualada/Barcelona, Dr. Marcelino Fernandes Abajo. A distância no tempo, aqui fica obrigatoriamente e com todo o gosto, um abraço de agradecimento e estima para ambos. A montagem do equipamento laboratorial e a adaptação do carro-laboratório ATIC à sua função específica decorreram em Caxarias e muito beneficiaram com a criatividade e competência do Arq. Vasco Shearman de Macedo, que orientou (e colaborou!) cuidadosamente esses trabalhos durante cerca de um mês. Outras inteligências e vontades se interessaram por esta ideia e deram o seu contributo, tantas vezes de forma desinteressada. Após o tempo que passou já não é possível nomear todos, mas gostaria ainda de lembrar a pessoa do Sr. Luís Aranha, representante em Portugal do grupo francês CERIC (concorrente da Verdés), que abriu ao ATIC as portas do CTTB – Centre Technique

28 | Keramica | CTCV

O Dr. Marcelino Fernandes Abajo na Nova Cerâmica de Chaves, apresentando uma comunicação sobre processos cerâmicos. A secretariar, o Eng. Manuel Dinis Pinheiro (Cerâmica Carriça de Coja), Coordenador do Gabinete Técnico da APICC.


APICC a indicação de um seu representante na CI/CTCV,

• LNETI – Eng.ª Maria Helena Araújo;

assim constituída:

• IAPMEI – Dr. José dos Santos Garcia Júnior;

• LNETI – Laboratório Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial; • IAPMEI – Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas Industriais; • UA – Universidade de Aveiro; • UC – Universidade de Coimbra;

• UA – A Universidade de Aveiro nunca se fez representar na CI/CTCV; • UC – Professor Doutor José Simões Redinha; • IPL/ESEL – Dr. António José Veríssimo de Azevedo; • APC – Sr. José Cyrilo Machado + Eng. José António Ferreira de Barros;

• IPL – Instituto Politécnico de Leiria;

• AIVE – Eng. Carvalhão Duarte;

• APC – Associação Portuguesa de Cerâmica;

• GAIVE – Dr. Pedro Schiappa;

• AIVE – Associação dos Industriais do Vidro de Embala-

• APICC – Eng. Manuel Dinis Pinheiro + Arq. Vasco She-

gem; • AIVDA – Associação dos Industriais do Vidro Doméstico e Afins; • APICC – Associação Portuguesa dos Industriais da Cerâmica de Construção. Neste ofício eram traçadas as principais linhas de orientação para os trabalhos a desenvolver pela CI/CTCV e destacava os seguintes objectivos:

arman de Macedo; • ANIBAVE – Eng. Artur Alves Pereira das Neves + Sr. António Dias Coelho; • CIBAVE – Sr. Elísio Santos; • CCRC – Dr.ª Maria José Castanheira Neves; • DRCMIE – Eng. José Paulo Ferrand d’Almeida. Entretanto, com o acordo da CI/CTCV fora criada em Junho de 1984 a Comissão Executiva do CTCV, cuja mis-

1. Elaboração dos Estatutos do CTCV;

são apontava para o estudo e resolução dos problemas

2. Perspetivação das actividades do CTCV nos seguintes

técnicos e logísticos que iam surgindo, associados à con-

domínios: a) Controlo de matérias-primas e de produtos; b) Assistência tecnológica às empresas industriais; c) Informação técnica; d) Design; 3. Propositura de Contratos-Programa de I,D&D específicos envolvendo as Universidades de Aveiro, Coimbra e o Instituto Politécnico de Leiria, em coordenação com o LNETI.

cretização física das instalações do CTCV. Tinha a seguinte composição: • Representante do LNETI: Sr. Coronel Júlio Veiga Simão (Coordenador da delegação de Coimbra do LNETI); • Representante da APC: Eng. Augusto Vaz Serra e Sousa; • Representante da APICC: Eng. Gonçalo Ilharco de Moura.

Era marcada a data de 30 de Setembro de 1982 para a

A CE/CTCV entrou em funções logo nessa data e tam-

apresentação dos documentos preliminares, o que não veio

bém colaborou sempre nas reuniões da CI/CTCV, cuja

a verificar-se por razões de algum academismo, que não

principal missão consistia na redacção e aprovação dos

permitiam à indústria identificar-se com o projeto e assumi-

Estatutos e do Acordo Constitutivo do CTCV. Foi tarefa

-lo como seu.

longa, com centenas de horas de discussões e de propos-

E a Direcção da APICC na sua reunião do dia 15 de Julho

tas, das mais variadas, até se chegar a um acordo. Nestas

de 1982 indigitou como seu representante o Eng. Manuel Di-

reuniões ouviram-se por vezes propostas e comentários

nis Pinheiro, Coordenador do Gabinete Técnico APICC, cuja

de que não era de todo fácil discernir as possíveis cone-

intervenção mereceu desde logo a consideração e respeito da

xões com a matéria a que se estava ali a procurar dar o

Comissão Instaladora e foi altamente dignificante para a ima-

melhor encaminhamento … Houve até um personagem

gem e responsabilidades da APICC em todo este processo.

que um certo dia se lembrou de afirmar alto e bom som

Entretanto, as entidades integrantes da Comissão Execu-

que, de cerâmica sabia distinguir uma chávena de um

tiva foram indigitando os seus elementos e a breve prazo,

penico e pouco mais! Como contributo não terá sido dos

esta tinha a seguinte composição:

mais motivadores...

Keramica | CTCV | 29


A minha história do CTCV

Mas enfim, tudo se passa nos caminhos desta vida! Em

recordo as conversações com o Eng. Jorge Anjinho, que

compensação, os trabalhos específicos da CE/CTCV, en-

resultaram na oferta que este fez do edifício dos serviços

quanto desenvolvidos sob coordenação do Sr. Coronel Júlio

administrativos da ex-Cerâmica LUFAPO, expressamente

Veiga Simão, foram extremamente motivadores e gratifi-

“para nele ser instalado o Centro Tecnológico da Cerâmi-

cantes, devido a diversas razões que é da mais elementar

ca e do Vidro”.

justiça aqui referir.

Esta oferta teve de passar pela concordância da Câmara

Em primeiro lugar, o Sr. Coronel apercebeu-se desde o

Municipal de Coimbra e também aí os bons ofícios do Sr.

início da importância e transcendência do projecto e a ele

Coronel Veiga Simão foram decisivos para encurtar prazos.

dedicou todo o seu empenho e capacidades, sem nun-

Graças ao excelente relacionamento pessoal e institucional

ca deixar de dar o seu contributo, por mais fatigante e

que sempre manteve com o Presidente dessa época, Dr. Fer-

complexo que tivesse de ser. Em segundo lugar, tinha um

nando Mendes Silva, foi até possível garantir a elaboração

invulgar sentido de oportunidade para falar com as pesso-

dos projectos técnicos de recuperação e remodelação deste

as certas nos momentos chave e com as palavras certas:

edifício no Gabinete de Apoio Técnico Distrital, de Coimbra.

30 | Keramica | CTCV


Muito ficou o CTCV a dever também ao Dr. Mendes Silva e

MO! A CE/CTCV também não conseguiu repor a situação e

muito perdeu com a sua morte brutal e prematura. E tere-

o Presidente da CI/CTCV decidiu a sua suspensão.

mos de pensar o mesmo relativamente ao desaparecimento

Não constituiu surpresa o agravamento da situação, com

do Sr. Coronel Veiga Simão, na Primavera de 1984, outra

o Projecto CTCV em roda livre… E como era inevitável, che-

perda que teve reflexos sensíveis no desenvolvimento e con-

gou o momento da verdade, em que as pessoas que tanto

cretização do Projeto CTCV.

haviam já investido exigiram um ponto de situação claro

Não há homens insubstituíveis. Mas há uns muito mais

e nítido. Deve-se ao Presidente da Direção da APICC, Dr.

difíceis de substituir do que outros e também essa circuns-

António Mota de Figueiredo, a clarificação da situação. A

tância foi verificável no projeto CTCV.

reunião da CI/CTCV do dia 4 de Dezembro de 1985 foi um ponto de viragem importante, em que o Presidente da CI/

A obra arranca, no “anno horribilis”

/CTCV e a sua interpretação do Projecto CTCV foram reo-

do Projeto CTCV

rientados e os representantes da indústria detalharam mais

Os projectos de especialidades e de arquitetura para as

precisamente a sua posição.

obras de recuperação/remodelação do edifício da LUFAPO

Foi aqui fixado o limite temporal desta CI para Outubro

para instalação do CTCV foram da autoria dos técnicos do

de 1986 e requerida a elaboração do relatório das suas ati-

GAT/Coimbra e do Arq. José Santiago Faria, tendo ficado

vidades desde a tomada de posse. Ficou igualmente esta-

concluídos no ano de 1984. E o Presidente da CI/CTCV

belecido que após essa data teria de entrar em funções a

anunciou a adjudicação da empreitada à empresa VIPRU-

entidade que dirigisse o CTCV até à eleição dos seus órgãos

MO na reunião realizada no dia 31 de Maio de 1984, tendo

diretivos legais.

sido atribuída aos técnicos do GAT a responsabilidade pela fiscalização da obra.

O trunfo já não era ouros …

Em 1986 outra entidade com intervenção no Projec-

Em 1986 há nova orientação política (X Governo Cons-

to CTCV, o CEDINTEC – Centro para o Desenvolvimento

titucional) e o novo Ministro da Indústria e Comércio, Eng.

e Inovação Tecnológicos, passou a estar representada nas

Fernando Santos Martins, decidiu a reorganização do LNETI

reuniões da CI/CTCV, quer pelo seu Presidente, Eng. Vítor

e do IAPMEI e, conjuntamente com o Ministro das Finanças,

Vasques, quer pelo Vice-Presidente, Eng. Carvalho de Oli-

Dr. Miguel Cadilhe, o levantamento das respetivas situações

veira. Foi a seu pedido que foi apresentado o 1º Plano de

patrimoniais. A rede de Centros Tecnológicos foi reorienta-

Atividades e Orçamento do CTCV (1985).

da na sua estrutura funcional.

A definição das áreas laboratoriais e respectivos equipa-

Foi entretanto tentada pelo Eng. Azevedo Pereira, que

mentos foi iniciada em reuniões da CE/CTCV, participadas

sucedera ao Sr. Coronel Veiga Simão como coordenador do

por técnicos de créditos firmados na Indústria Cerâmica que

LNETI em Coimbra, uma receção provisória do edifício para

gostaria de lembrar, com admiração e também gratidão:

9 de Janeiro de 1986, que não veio a acontecer.

• Eng.ª Noémia Sampaio – Cerâmicas ESTACO; • Eng.ª Maria Manuela Cabral Sampaio – VISTA ALEGRE/ /ELECTROCERÂMICA;

Na sequência da intervenção do Presidente do CEDINTEC, presente em reunião no CTCV (25 de Março de 1986) de que resultou a marcação da data firme de recomeço das

• Eng. António Cardoso – SECLA;

obras, foram impostas condições financeiras e técnicas que

• Eng. Póvoas – ABRIGADA;

permitiram fazer a receção provisória do edifício em 14 de

• Eng. António Serpa Oliva – CERÂMICA ESTRELA-

Junho de 1986.

D’ALVA;

Entretanto o Secretário de Estado Eng. Luís Todo Bom as-

• Eng. António Corte Real – CERAVE.

sume o projeto de instalação do CTCV e desloca-se a Coim-

As obras no edifício CTCV decorriam com atrasos, não

bra para avaliar “in loco” o ponto de situação do projeto

obstante o empenho dos Eng.ºs Sucena Reis e Alves Pereira

tendo, para esse efeito, sido promovida uma reunião no

(LNETI) em iniciativas que desenvolveram junto da VIPRU-

CTCV a 8 de Julho de 1986.

Keramica | CTCV | 31


Na sequência deste reforço do projecto CTCV em Novembro de 1986 foi proposta a composição do Conselho de Administração e eleito o Presidente, em reunião do

A minha história do CTCV

seu Conselho Geral. E a 20 de Março de 1987 no Diário da República nº 66 – III Série eram finalmente publicados os Estatutos CTCV. Como fundadores do CTCV assina-

Estiveram presentes:

vam:

1. Secretário de Estado da Indústria: Eng. Luís Todo Bom;

• LNETI: 60 unidades de participação;

2. Presidente do LNETI: Professor Doutor José Veiga Si-

• IAPMEI: 60 unidades de participação;

mão; 3. Presidente da CI/CTCV: Professor Doutor José Simões Redinha; 4. Presidente IAPMEI: Eng. Amadeu Pires; 5. Vice-Presidente IAPMEI: Eng. Carvalho de Oliveira; 6. Diretor do IAPMEI/COIMBRA: Dr. Garcia Júnior; 7. Diretor do LNETI/COIMBRA: Eng. Azevedo Pereira; 8. LNETI: Eng.ª Inês Florêncio; 9. LNETI: Eng.ª Maria Helena Araújo;

• APC: 85 unidades de participação; • APICC: 85 unidades de participação; • COVINA: 10 unidades de participação. Havia ainda mais 130 UP’s, a dispersar por empresas que pretendessem ser sócias do CTCV. E o 1º CA/CTCV iniciou funções com a seguinte constituição: • Dr. António Mota de Figueiredo (APICC/Fábricas CAMPOS) – Presidente;

10. LNETI: Dr. Horta da Silva;

• Sr. Manuel Quintela (APC/VISTA ALEGRE);

11. COVINA: Eng. A. Carvalhão Duarte;

• Sr. Cyrilo Machado (APC/ABRIGADA);

12. APC: Sr. Manuel Quintela;

• Eng. J. M. Santos Oliveira (DGGM);

13. APC: Sr. Cyrilo Machado;

• Eng. Francisco Pegado (IAPMEI);

14. APC: Eng. José António Barros;

• Eng. Carlos Borges Tavares (IPQ);

15. APC: Sr. Artur Marques de Almeida;

• Eng. A. Carvalhão Duarte (COVINA).

16. APC: Sr. Fernando Urbano; 17. APICC: Dr. António Mota de Figueiredo;

A Assembleia-Geral ficou presidida pelo Eng. José António Barros (APC/CINCA).

18. APICC: Dr. José Sequeira. Em foco esteve a revisão aos Estatutos já apresentados às

“Alea jacta est!”

entidades supervenientes pelo Presidente da CI/CTCV e das

O 1º CA/CTCV decidiu convidar para Director-Geral CTCV

regras para constituição do Capital Social CTCV. O Secretá-

o Professor Michel Anseau (Universidade de Mons) e para

rio de Estado teve um discurso próximo da visão das Asso-

Subdiretor o Eng. Augusto Vaz Serra e Sousa.

ciações e industriais da cerâmica e do vidro, em geral. Mas foi o Professor Veiga Simão, na qualidade de Presidente do

E em Julho de 1987 o CA/CTCV submeteu às instâncias superiores o seu 1º Plano de Actividades efetivo!

LNETI, que calendarizou a revisão aos Estatutos para Setem-

Em 1989 o CTCV acolheu e promoveu a organização do

bro de 1986 e a definição dos Corpos Sociais do CTCV e sua

1º Congresso da Cerâmica Portuguesa que decorreu de

personalidade jurídica para Outubro de 1986, seguindo-se

14 a 19 de Maio de 1990 em Vilamoura e foi um caso de

o envio ao Secretário de Estado.

sucesso! Posteriormente, com a dinâmica resultante desse

Da parte da tarde decorreu uma reunião com as Associa-

sucesso e por força da evolução do movimento associativo,

ções em que foi definido o fundo de maneio para arranque

veio a verificar-se em 20 de Dezembro de 1996 a fusão das

do CTCV, previsto até final de Julho de 1986 e a constitui-

Associações:

ção do Capital Social (o Secretário de Estado indicou como mínimo admissível o valor de 50.000.000$00, cerca de 250.000 Euros).

32 | Keramica | CTCV

APC + APICC + ANIBAVE = APICER (Associação Portuguesa da Indústria Cerâmica)


Desde o início do funcionamento do CTCV se deveu ao

ao parceiro do lado! Realizavam-se coisas úteis e interes-

Eng. Carlos Borges Tavares, em representação do IPQ no

santes, havia perspetivas de futuro, projetos motivadores.

CA/CTCV, a sensibilização para a necessidade da adoção de

No CTCV, as pessoas tinham praticamente uma segunda

práticas de Qualidade como orientação geral nas activida-

família, sempre que necessário lá iam os horários de traba-

des desenvolvidas.

lho para a prateleira! E em Lisboa não se era recebido com

Daí resultou a elaboração do 1º Manual da Qualidade e

enfado, como sendo mais um da “província” a perturbar

respectivos Procedimentos, trabalho longo e de grande em-

o equilíbrio neurovegetativo dos da capital. Por momentos

penho pessoal, em que pude contar com o apoio de dois

pairou no ar a sensação de que o velho slogan anarquista

especialistas na matéria (se é que à data já os havia!): o

do Maio de 1968 em França “L’ intelligence au pouvoir!” se

Eng. Sousa de Almeida (VISTA ALEGRE) e o Eng. Agostinho

tornara na nova ordem vigente no País!

Rodrigues (COVINA), que em tempo recente haviam feito esse mesmo trabalho nas suas empresas. Cerca de um ano

Foi bom ter vivido este tempo e esta epopeia por dentro do CTCV!

depois, era apresentado e aprovado o 1º Manual da Quali-

Talvez fosse agora de temer que esses anos bons não ti-

dade CTCV e em tempo útil, eram certificados os laborató-

vessem preparado o CTCV para condicionalismos diferen-

rios do CTCV.

tes, para outras circunstâncias de vida da instituição …

É bem certo que não foi trabalho fácil e muito menos

Essa dúvida não tem lógica, é fundamental pensar positivo

perfeito, à época ainda ninguém fazia a mais pequena ideia

já que, mesmo em tempos de “crise”, atrás de tempo,

que iriam ser escritas as normas internacionais ISO 9000!

tempo vem e nada, mesmo nada é para sempre. Verso

Mas foi um trabalho precursor, abriu outras perspetivas ao

e anverso da mesma moeda, o certo e o errado hão-de

CTCV.

continuar na sua eterna alternância e, além disso, desâ-

O Dr. Michel Anseau não resistiu ao apelo da sua Univer-

nimo não paga os impostos a ninguém. O CTCV resistiu

sidade de Mons e decidiu não prosseguir como DG/CTCV.

a muita coisa, resistirá a muito mais … porque teve ótima

O CA/CTCV, colocado perante a decisão do seu retorno à

escola de resistência! Aos que carregam presentemente

Bélgica, optou por convidar o Eng. Vaz Serra e Sousa para

a responsabilidade pelo CTCV, aqui ficam votos sinceros

o cargo de DG/CTCV tendo este decidido aceitar o convite.

de muita sorte, determinação e capacidade de resistência,

Em boa hora o convite foi aceite, com o novo Diretor o

com a recomendação:

Centro iniciou uma expansão da sua intervenção para outras áreas de saber, para outros setores de atividade, para novas técnicas e tecnologias, muito para lá das fronteiras das Indústrias da Cerâmica e do Vidro. O CTCV começou a

“Força pessoal, que esta é hora pró futebol total!!!” Meus amigos da APICER Meus amigos do CTCV

ser reconhecido como caso de sucesso e foi ascendendo a

Sem pretender assumir-me como bruxo, atrever-me-ia a

lugar de destaque, de referência mesmo, no contexto das

dizer que um dia irão dar convosco a pensar, porventura até

Estruturas Tecnológicas nacionais.

com algum espanto, “afinal não foi assim tão complicado de resolver como chegou a parecer!”. É assim, é a lei da

E o que tinha de ser, teve muita força! Nos anos 90 houve ideias, houve colaboração, entreajuda, as pessoas exerciam as suas funções e atividades de forma empenhada em vez de se obcecarem com a sabotagem

vida … E será sempre porque, não esqueçam, o que tinha de ser teve, tem e terá sempre muita força! A terminar, cumpre-me afirmar que tive muito gosto em vos conhecer!

Keramica | CTCV | 33


Os primórdios do CTCV por Mário Coelho

É escassa a bibliografia existente que contemple porme-

Da planta de 1970 do edifício principal, destaca-se o

norizadamente a Fábrica Lufapo de Faianças e Porcelanas (também conhecida como Fábrica da Estação Velha) _ uma

“forno mufla contínuo” a gás, no piso térreo, além de vá-

empresa que foi pioneira em algumas áreas da cerâmica

túnel a altas temperaturas”, para cozer ladrilhos, enquanto

portuguesa.

que os andares de cima estavam orientados para a fabrica-

Não é, pois, consensual a data de abertura da Lufapo,

rios fornos intermitentes. No 1º andar, realce para o “forno

ção de sanitários e grés, respectivamente.

mas é seguro o facto de ela ter sido adquirida pela Fábrica

Do vasto espólio de peças produzidas durante décadas

Cerâmica Lusitânia (de Lisboa), em 1930. Durante a década

pela Lufapo subsistem, ainda, serviços de louça, os quais

de 194O, a unidade fabril de Coimbra adopta a marca "Lu-

incluíam pratos, terrinas, taças, travessas, tigelas, saladeiras,

fapo Lusitânia Portugal", inscrita na cerâmica num timbre

malgas, bules/chaleiras, canecas, açucareiros, etc.

em forma triangular, com um “L” central. Para além dos ar-

Em 1982, iniciava-se o processo da execução fiscal à em-

tefactos com aquele timbre triangular, identificam-se tam-

presa. Entretanto, o edifício da então Rua da Fábrica Lusi-

bém várias outras peças ornamentais, talvez das décadas de

tânia (actual Rua Coronel Veiga Simão), degradava-se bas-

30 e 4O do século passado, que exibem o timbre “Lusitânia

tante. Tendo em vista preparar o local para que nele fosse

Coimbra Portugal”. Esta unidade industrial, situada no Lo-

implantado condignamente o CTCV, a vereação camarária

reto em Coimbra, encerrou quase meio século depois, ainda

abriu um concurso para a demolição das instalações da an-

com a designação “Lufapo”.

tiga unidade industrial, sendo que a base de licitação foi de

34 | Keramica | CTCV


EUR 20 250.00. A área em causa era bastante grande, pois

“Adaptação do edifício da ex-fábrica Lufapo para as ins-

englobava um quarteirão inteiro. Do projeto de loteamento

talações do CTCV” foram entregues. No contrato de ad-

da Unidade Residencial do Loreto, executado em 1983 pela

judicação da empreitada de construção é salientado que o

firma Eugénio Cunha & Jorge Anjinho, Lda. para a Câmara Municipal de Coimbra _ CMC, é referido a cedência ao mu-

edifício, bem como a zona anexa ao imóvel, foram postos à

nicípio da escola primária e outras casas geminadas existentes no Alto da Estação Velha, outrora pertencentes à fábrica (o designado Bairro da Lufapo). A Ata nº 1 do CTCV, relativa à reunião de 14 de Junho de 1983, refere que o Presidente da Comissão Instaladora informou que esta Comissão tinha realizado um estudo da área

disposição do LNETI para as instalações do CTCV, de acordo com o ofício nº 4458 da CMC. A realização integral da obra foi feita pelo preço fixo global de EUR 370 625.00, com o apoio do organismo Cedintec. Foi, justamente, nas comemorações do 120º aniversário da Associação Comercial e Industrial de Coimbra, em 1983, que o então Ministro

que seria necessária para o futuro Centro Tecnológico, para

da Indústria e Tecnologia, Prof. Veiga Simão, anunciou a

levar ao conhecimento da CMC. Não obstante o facto da área

atribuição daquela verba, como forma de combate ao cen-

proposta ser maior, a Câmara cedeu as instalações da Lufapo

tralismo da Lisboa.

para o efeito, pois a diferença não dificultaria a implantação

O trabalho distribuiu-se por quatro pisos, nos quais fo-

do CTCV neste local, já que seria somente preciso adaptar as

ram instalados laboratórios, gabinetes, salas de reunião, e

obras de reparação do edifício, entretanto já aprovadas.

um auditório. À medida que as

De acordo com o Plano de Atividades do CTCV de 1985, o ano anterior representou para este Centro o lançamento da sua fase de instalação efetiva, com o início das obras de construção civil, as primeiras aquisições do equipamento laboratorial e, no campo institucional, com a conclusão, pela Comissão Instaladora, dos projetos do Acordo Constitutivo e dos Estatutos. As obras de execução de construção civil

obras de remodelação e adaptação do edifício foram andando, ia igualmente surgindo o equipamento, sobretudo laboratorial e tecnológico. Finalmente, em 1987 foi publicado o Acordo Constitutivo do Centro Tecnológico e os seus Es-

foram adjudicadas em Junho de 1984 e abrangeram, tam-

tatutos, e na sequência disto foi

bém, trabalhos de demolição e arranjo no terreno anexo ao

empossado o primeiro Conselho

edifício principal. Foi à empresa Viprumo que as obras de

de Administração do CTCV.

Keramica | CTCV | 35


Centro de Conhecimento em Materiais e Construção Sustentável por António Alcântara Gonçalves, Diretor Geral do CTCV

Das áreas económicas na Região Centro, apresentam-se com especial relevo as relacionadas com o Habitat, quer pelo seu elevado potencial, quer devido à base produtiva existente, com uma forte capacidade competitiva, alicerçada também nos recursos naturais existentes na região. Distinguem-se os minerais não-metálicos e respetivos produtos transformados, com destaque para a cerâmica, o vidro, o cimento e seus derivados, as argamassas, os produtos de betão, os agregados, os compósitos e os materiais especiais ou de elevado desempenho. É manifesto que a Região Centro tenderá a especializar-se em torno de um agregado de atividades económicas, potenciando economias de proximidade territorial existentes na região, correspondendo o Habitat a um conjunto de atividades com forte potencial de afirmação (a par com outras atividades já conhecidas como a saúde, a biotecnologia ou a floresta). Com base nas expectativas e tendências dos setores industriais da esfera do Habitat, a iniciativa de investimento do CTCV no ccMCS surgiu também no cumprimento da sua missão de inovação, desenvolvimento e teste de materiais para o Habitat, para integrar na indústria, valores

que proporcionam soluções novas ambiental e socialmente adequadas. Este plano de consolidação e expansão da sua atividade constituiu-se também como um dos pilares para a estruturação e afirmação de um cluster do Habitat na Região Centro. A opção pela “clusterização” de atividades é a base da estruturação deste Centro de Conhecimento, desenvolvendo uma especialização em torno de um conjunto alargado de atividades de suporte ao Habitat, em linha com os requisitos atuais da construção sustentável. A incorporação de inovação e tecnologia na cadeia de valor de sectores tradicionais com aptidão exportadora, serve também de motivação para a implementação deste Centro. Este investimento permite ainda colmatar as dificuldades de espaço sentidas nos últimos anos e que têm inibido a expansão da atividade sobretudo nas áreas laboratoriais de teste de materiais e produtos, quando são necessários equipamentos de maior porte e capacidade de movimentação. Os primeiros contactos com a Câmara Municipal de Coimbra, no sentido de encontrar uma solução para o CTCV e para a APICER nos espaços contíguos às atuais instalações, sucedem-se em 2005, mas esta possibilidade de solução é abandonada. No final do mesmo ano o CTCV manifesta à CMC o interesse na aquisição de espaço no iParque, concretizando-se a aquisição que ocorreu em 2010. Entretanto, em 2009, o CTCV iniciou o projeto de arquitectura e construção civil e submeteu a sua candidatura de financiamento ao investimento ao Mais Centro. Aprovado em 2010 e contratualizado em Dezembro desse ano, o CTCV iniciou de imediato a implementação do ccMCS, com a construção a começar em Julho de 2011. Objetivos e Atividades a Desenvolver O principal objetivo do ccMCS está centrado na criação de um Centro de Conhecimento que sustente a componente de desenvolvimento de novos produtos, materiais, processos e tecnologias de produção, constituindo-se como

36 | Keramica | CTCV


espaço de desenvolvimento, teste e validação para materiais e produtos sustentáveis: • Sistemas energéticos; • Materiais e produtos multifuncionais; • Novas técnicas construtivas; • Novos processos de construção. O ccMCS reúne também as condições necessárias para poder demonstrar, à escala da produção piloto, a caracterização, teste e validação de produtos e tecnologias. Pretende-se assim instalar as valências físicas e desenvolver o conhecimento necessário para a execução estruturada de alguns dos projectos complementares e das acções de apoio às empresas do Cluster Habitat Sustentável, no sentido de reforçar a sua competitividade. O desenvolvimento e aplicação de nanomateriais é outra das vertentes privilegiadas no ccMCS. Uma das primeiras áreas a ser instalada neste Centro é um Laboratório de teste e validação de sistemas solares para incorporar na habitação e noutros edifícios, alinhado com uma preocupação de construção para a obtenção do futuro “Edifício de Balanço Energético Quase Zero”. Isto é,

com um consumo energético mínimo e auto-produção da energia elétrica, seguindo as recomendações da Diretiva da União Europeia que foi recentemente reformulada para o Desempenho Energético dos Edifícios. De salientar que esta Diretiva recomenda que em 2018 os novos edifícios públicos e em 2020 os restantes edifícios, sejam praticamente auto-suficientes em energia. Nesta primeira fase das atividades salientam-se as relacionadas com: • Teste, ensaio e validação de sistemas de produção de energias alternativas por via solar; • Caracterização, teste e validação industrial de novos materiais e produtos para as fileiras “construção” e “casa”; • Instalação piloto para o desenvolvimento e produção de nanomateriais para incorporação em produtos da “construção” e “casa”; • Conformação e sinterização em atmosferas controladas de materiais de elevada especificação. Das novas áreas de desenvolvimento, incluem-se o uso racional de materiais e novas aplicações, nomeadamente a incorporação de nanomateriais para obtenção de novas funcionalidades.

Keramica | CTCV | 37


Centro de Conhecimento em Materiais e Construção Sustentável

Exemplos de ações de demonstração nesta área são: • Tecnologia de produção de nanomateriais e de produtos para aplicação específica e incorporação em produtos destinados ao habitat; • Sistemas de aproveitamento de energias renováveis integrados na construção e práticas construtivas; • Novos métodos de construção com alvenarias resistentes e elevado comportamento térmico; • Processos de construção automatizados; • Comportamento de materiais em ambiente natural, nomeadamente de revestimentos ativos (auto limpeza, antibactericidas e anti-aderência). O ccMCS irá constituir-se numa estrutura com as valências para o desenvolvimento e demonstração de projetos complementares do Cluster da Construção Sustentável. Os projetos de em colaboração e parceria com empresas e entidades do sistema sistema científico e tecnológico visam principalmente o reforço da competitividade das empresas nacionais através da incorporação de conhecimento e tecnologia nos seus produtos e a consequente diferenciação no mercado. Referem-se, a título de exemplo, alguns dos mais recentes projetos dinamizados pelo CTCV no âmbito da estratégia do Cluster: • SolarTiles – Desenvolvimento de placas cerâmicas para o revestimento exterior de edifícios com a funcionalidade adicional de produção de energia; • SelfClean – Desenvolvimento de revestimentos com a função de auto limpeza por foto catálise; • CBloco – Desenvolvimento de um sistema de alvenarias estruturais;

38 | Keramica | CTCV

• SenseTiles – Desenvolvimento de sistemas de domótica com sensores itegrados em revestimentos cerâmicos; • HardPIM – Desenvolvimento de novos processos de conformação de materiais por injeção de pós metálicos; • Cerâmica Técnica – Desenvolvimento de novos materiais, aplicações e funcionalidades através da adição de nanomateriais; • GreenWave – Produção de porcelana em cozedura assistida por microondas; • Inedic – Desenvolvimento de matérias de formação e ferramentas para o setor cerâmico promovendo o desenvolvimento de produtos mais sustentáveis; • ThermoCer – Pavimentos cerâmicos com materiais com mudança de fase para melhoria da eficiência energética em edifícios. Numa sequência lógica do ciclo da cadeia de valor das actividades desde a conceção, o desenvolvimento de produtos até ao mercado, para além das valências e competências associadas ao desenvolvimento de produtos, materiais, processos e tecnologias de produção, e do ensaio, validação, pré-industrialização e certificação, o CCMCS - Centro de Conhecimento em Materiais para a Construção Sustentável será também um espaço privilegiado para a demonstração e potenciação de spin-offs tecnológicos em parceria. Esta operação constitui um dos Projetos Âncora do Cluster da Construção Sustentável, já reconhecido pelo QRENCOMPETE Programa Operacional Fatores de Competitividade como Cluster de incidência regional, no âmbito das Estratégias de Eficiência Coletiva. O Espaço e as Instalações, a Sustentabilidade na Construção e o Efeito Demonstrador A construção dos edifícios e dos espaços envolventes segue as melhores técnicas disponíveis da construção sustentável. Incorpora também alguns dos novos produtos desenvolvidos em projetos do próprio Cluster da Construção Sustentável. Trata-se de um edifício de baixo consumo energético (classe energética A); • A construção dos edifícios incorpora vários métodos construtivos, favorecendo a utilização de materiais nacionais e produzindo o efeito demonstrador das várias técnicas de construção sustentável utilizadas; • As alvenarias da envolvente são construídas com cBloco com isolamento térmico em cortiça, tendo depois três revestimentos possíveis: fachada ventilada na vertente Sul, com revestimento de placas cerâmicas que poderão ser facilmente substituídas por placas cerâmicas foto voltaicas solarTiles; tijolo de face à vista na fachada norte; ETICS (revestimento com isolamento pelo exterior) na envolvente dos gabinetes;


• Os gabinetes, com amplos vãos envidraçados, privilegiam a iluminação natural com controlo da entrada directa dos raios solares pela aplicação de lâminas de sombreamento; • As naves são dotadas de clarabóias a todo o seu comprimento para iluminação zenital com pala de sombreamento para evitar a entrada directa dos raios solares; • O ar na nave é renovado com recurso a ventilação natural por meio de grelhas de entrada de ar junto ao solo na fachada norte e saída pelas aberturas reguláveis das clarabóias, orientadas a sul e localizadas nas coberturas das naves;

• Os gabinetes e os laboratórios da nave terão iluminação de baixo consumo (lâmpadas LED); • A orientação dos edifícios e o lay-out foi projetado para otimizar as atividades a desenvolver, nomeadamente as relacionadas com a necessidade de radiação solar; • As águas pluviais da cobertura são recolhidas e aproveitadas para rega gota a gota; • O espaço envolvente tem uma baixa percentagem de permeabilização do solo e será arborizado por espécies autóctones, como o pinheiro manso e prado sequeiro; • O projeto e as instalações permitem a expansão do espaço para eventuais necessidades futuras. A aplicação do cBloco nas alvenarias da envolvente é uma demonstração do desenvolvimento de novos materiais, em parceria com as empresas, e da sua aplicação prática. De salientar que este sistema foi desenvolvido recentemente numa parceria que envolveu o CTCV, a Universidade do Porto, a Universidade do Minho e o NAC e é a primeira aplicação prática na construção de um edifício, sendo já de registar os bons resultados obtidos. O ccMCS é uma aposta clara do CTCV na Inovação e da nossa parte tudo faremos para colocar esta infraestrutura ao serviço do desenvolvimento de novos produtos e para a competitividade das empresas.

Keramica | CTCV | 39


40 | Keramica | CTCV


Keramica | CTCV | 41


GS

A EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE GESTÃO NO CTCV

Conceição Fonseca

O Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro (CTCV) é

de Competência para Laboratórios de Ensaio e Calibração

uma entidade com um longo percurso na área da Qualidade

privilegia igualmente a competência técnica dos laborató-

e dos Sistemas de Gestão.

rios de ensaios e calibrações e apresenta os princípios de

São prova disso a obtenção da Acreditação, em 1990

Gestão e Técnicos a serem observados por um laboratório

dos Laboratórios então designados, Laboratório de En-

interessado em garantir a qualidade dos serviços prestados

saios de Materiais (LEM), Laboratório de Análise Química

e demonstrar a sua competência técnica.

(LAQ), Laboratório de Ensaios Físicos e Aptidão Tecno-

A Acreditação de Laboratórios oferece reconhecimento

lógica (LEFAT) e Laboratório de Análises de Estrutura e

formal a laboratórios competentes, proporcionando um

Microestrutura (LAEM), pelo Instituto Português da Qua-

meio rápido para os clientes identificarem e selecionarem

lidade (IPQ) e pela Norma NP EN 45001 (esta norma sur-

serviços de ensaio, medição e calibração confiáveis. Para

giu em 1989 na Europa, na procura de credibilidade e

manter esse reconhecimento, os laboratórios são reava-

qualidade laboratorial).

liados periodicamente pelo organismo de acreditação a

Hoje os Laboratórios do CTCV mantêm-se em número

fim de assegurar a sua contínua conformidade com os

de quatro embora com outras designações tendo sido

requisitos e para verificar se o seu nível de qualidade se

fundidos uns e criados outros, com as designações atuais

mantém.

de Laboratório de Ensaios de Produtos (LEP), Laboratório

Com a evolução natural da acreditação, e com a uniformi-

de Análise de Materiais (LAM), Laboratório de Monitori-

zação dos procedimentos a nível da European Accreditation

zação Ambiental (LMA) e Laboratório de Higiene Indus-

(EA) entre todos os países signatários do acordo multilate-

trial (LHI), todos igualmente acreditados pelo Instituto

ral, a acreditação tem-se tornado cada vez mais exigente,

Português de Acreditação (IPAC) e de acordo com a Nor-

quer a nível das próprias auditorias, quer a nível de todo o

ma NP EN ISO/IEC 17025, datando a acreditação do LMA

trabalho desenvolvido internamente pelos Laboratórios do

de 2003 e do LHI de 2007.

CTCV, tendo contribuído também para uma cultura interna

A Norma NP EN ISO/IEC 17025:2005 – Requisitos Gerais

42 | Keramica | CTCV

de cada vez maior rigor.


ntribuir

de inovação e co ra ltu cu a um r ve ol nv se O CTCV tem procurado de ico sustentável óm on ec to en m vi ol nv se para um de Este incentivar de uma cultura de exigência é também

o âmbito “Investigação industrial ou aplicada, desenvolvi-

demonstrado pelas novas valências na área da acreditação

mento e inovação, transferência do saber e de tecnologia,

concedidas a um dos laboratórios do CTCV em 2012, no-

consultoria, análises, medição, formação e informação”. O

meadamente na área da Espectrofotometria de Absorção

Sistema de Gestão da Qualidade então implementado se-

Atómica (EAA) com a implementação da acreditação de

guiu a linha de orientação da norma de referência, introdu-

âmbito flexível, demonstrando uma melhoria das compe-

zindo o conceito de gestão por Processos. Esta abordagem

tências de validação de métodos de ensaio e uma forma

identifica as atividades chave e de suporte e monitoriza

de trabalho mais autónoma e adaptável às necessidades do

essas atividades através de indicadores mensuráveis que

mercado.

acompanha periodicamente. Esta forma de gestão foi con-

Noutro domínio não menos significativo, foi concedi-

cretizada com a convicção de que aportaria melhorias na

da em 2001 a acreditação do CTCV pelo então INOFOR,

satisfação do Cliente, indo de encontro aos seus requisitos

para a atividade de formação nos domínios de intervenção

de forma mais direcionada.

“Diagnóstico e Necessidades de Formação, Planeamento, Conceção, Organização e Desenvolvimento”. Esta acredi-

O sistema evoluiu a par das alterações introduzidas à norma de referência aquando da sua revisão, em 2008.

tação, tem sofrido várias renovações, sendo hoje o CTCV

Atualmente e desde 2011 o CTCV tem em curso a in-

acreditado pela DGERT para todos os domínios de inter-

tegração de outras vertentes no seu sistema de gestão da

venção, nomeadamente “Diagnóstico de Necessidades de

qualidade já consolidado, nomeadamente a vertente de hi-

Formação, Planeamento, Conceção, Organização e Promo-

giene e segurança do trabalho.

ção, Desenvolvimento e Acompanhamento e Avaliação das intervenções ou atividades formativas”.

A busca da melhoria contínua através da gestão de sistemas tem sido um dos lemas do CTCV, tendo sempre em vista

A acreditação do CTCV pela DGERT é um requisito essen-

o cumprimento dos requisitos dos seus clientes e a procura

cial para considerar certificada, nos termos do Sistema Na-

da sua satisfação. O CTCV tem procurado desenvolver uma

cional de Qualificação, a formação profissional que o CTCV

cultura de inovação e contribuir para um desenvolvimento

realiza. Tem por objetivo a melhoria da capacidade, qualida-

económico sustentável, sendo os Sistemas de Gestão uma

de e fiabilidade do serviço de formação prestado pelo CTCV

ferramenta indispensável para alcançar esse desígnio, con-

significando um fator distintivo no mercado e a garantia de

tribuindo inegavelmente para que o CTCV vá de encontro

um claro compromisso com uma oferta de maior qualidade

a um dos seus principais valores, a “preocupação de mudar

para os clientes finais da formação.

na procura da melhoria”.

É de salientar também, em 2003 a acreditação do Organismo de Inspeção Técnica e Auditoria (OITA) do CTCV pelo Instituto Português de Acreditação (IPAC) segundo a Norma NP EN ISO/IEC 17020, organismo este vocacionado para a realização de auditorias, nomeadamente no âmbito da Certificação NF-UPEC de ladrilhos cerâmicos. Este Organismo de Inspeção Técnica e Auditoria (OITA – CTCV) é o Organismo de Inspeção em Portugal reconhecido pelo CSTB – Centre Scientifique et Technique du Bâtiment em França, para a realização de auditorias de Acompanhamento da Certificação NF-UPEC a empresas portuguesas produtoras de ladrilhos cerâmicos, sendo o Laboratório de Ensaios de Produtos (LEP) do CTCV reconhecido também pelo CSTB para a realização dos ensaios a ladrilhos cerâmicos. Em 2005 foi concedida ao CTCV a Certificação da Qualidade como entidade prestadora de serviços pela NP EN ISO 9001 pela APCER, renovada em 2011 pela CERTIF e para

Keramica | CTCV | 43


GAPI-CTCV A Propriedade Industrial: Um Valor a Preservar

A Rede de GAPI’s – Gabinetes de Apoio à Promoção da Propriedade Industrial A implementação de uma rede de GAPI teve início em 2001 com uma iniciativa do INPI, com vista a promover e divulgar a importância do uso da Propriedade Industrial (PI). Esta iniciativa foi desenvolvida em parceria com 22 entidades (Centros Tecnológicos, Associações Empresariais e Parques de Ciência e Tecnologia e Universidades) e foi objeto de apoio, entre 2001 e 2007, no âmbito de projetos de “Valorização do Sistema de Propriedade Industrial (SPI)”, cofinanciados pelos programas POE (Programa Operacional da Economia) e PRIME (Programa de Incentivos à Modernização da Economia) do III Quadro Comunitário de Apoio. Os GAPI são unidades operacionais autónomas do INPI, sedeadas em Universidades e Interfaces Universidade-Empresa | Centros Tecnológicos que promovem e disseminam a PI, através da organização de um conjunto de iniciativas direcionadas para a sensibilização e para a aquisição de conhecimentos e competências em matéria de direitos de propriedade industrial. Os resultados obtidos com a criação desta rede foram objeto de reconhecimento, quer a nível nacional quer internacional, tendo, inclusivamente, a Rede GAPI sido considerada como um modelo de boas práticas, replicado a nível internacional. Atendendo ao impacto das atividades desenvolvidas pela rede GAPI no nível de utilização da PI em Portugal, o INPI considerou ser extremamente relevante assegurar a manutenção e desenvolvimento das atividades desta rede. Nesse sentido, foi aprovado o projeto GAPI 2ª Geração com financiamento de fundos próprios do INPI (decorreu até final de 2009) e o GAPI Tecnologia que decorreu entre Outubro 2009 e Junho 2012. Com estes projetos pretendeu-se consolidar a valorização do Sistema de Propriedade Industrial, reforçando as competências da rede e dotando-a de novas valências que vão ao encontro das necessidades identificadas nas anteriores fases do projeto.

44 | Keramica | CTCV

Rui Neves

A mudança estratégica centra-se na reorientação da atividade dos GAPI, evoluindo de uma lógica de formato comum, para uma intervenção em função das suas competências e áreas de atuação mais prementes, tendo em conta o seu público-alvo. Numa lógica de competências específicas, os gabinetes foram divididos, de acordo com a sua tipologia em GAPI Conhecimento (Universidades e Interfaces U-E), GAPI Inovação (COTEC) e GAPI Tecnologia (Centros Tecnológicos) tendo áreas privilegiadas de intervenção e no caso do GAPI do CTCV as seguintes: • Promover uma maior aproximação e sensibilização das PME em matérias de PI, apostando em novas metodologias que privilegiem os contatos de proximidade (ex.: Pré-Diagnósticos); • Implementar atividades de suporte ao “enforcement”; • Levar a PI a públicos complementares, desenvolvendo materiais e atividades específicas, por exemplo para escolas: • Desenvolver competências em “soft IP” (acordos de confidencialidade, acordos de transferência de materiais, segredo de negócio). O GAPI do CTCV O CTCV está envolvido desde o início em 2001 numa estratégia de promoção da PI através do seu GAPI, associado ao INPI e à criação de uma rede de GAPI’s, integrados no meio industrial, empresarial e académico. O GAPI do CTCV está inserido no Projeto GAPI Tecnologia que tem como objetivo Valorizar e Promover o Sistema de PI e a Inovação, com a prestação de informações e dinamização de acções de promoção da PI, visando o reforço da competitividade das empresas portuguesas, nomeadamente através do fortalecimento da capacidade de criação, proteção e transferência de tecnologia. Tem desenvolvido um trabalho importante ao nível da difusão da informação e esclarecimento, edição de material promocional, organi-


ctual e industrial é le te in de da rie op pr de a rm A posse do saber sob a fo organizações e s oa ss pe s da os iv at s um dos mais importante zação de Seminários e workshops, e ações de sensibilização e de formação com as empresas. No gapi@ctcv, as pessoas, as empresas e demais entidades intervenientes nesta importante fileira industrial nacional, têm ao seu dispor um apoio especializado na área da PI, o acesso a base de dados nacionais e internacionais de pedidos e registos de patentes, marcas e outros dados para as empresas que pretendam investir na proteção da sua inovação. A Propriedade Industrial – Introdução Hoje, mais do que nunca, importa o preço, a qualidade, os prazos, a flexibilidade, mas, fundamentalmente, a diferença. Esta é conseguida através do desenvolvimento dos produtos, do apurar dos processos, enfim da inovação, numa atitude pró-ativa para se ser diferente e melhor. A diferenciação deixou tanto de ser a qualidade – todos procuram produzir com qualidade, ou a preocupação ambiental – uma constante em todas as empresas, para passar a ser a inovação de produtos e processos, a força da marca e a força da imagem. É neste contexto que nos países mais desenvolvidos a PI é um conceito importante para as empresas que lutam pelo futuro. Em Portugal tem de tornar-se rapidamente uma realidade presente e um factor de sucesso das empresas. Será algo que irá constituir um ativo da empresa moderna, um reforço importante para a sua competitividade e como tal deverá ser valorizado. Propriedade Industrial: O que é? A Propriedade Industrial, conjuntamente com os Direitos de Autor, constitui o que se designa como Proprie-

dade Intelectual. Enquanto a PI tem por objeto a proteção das invenções, das criações estéticas (design) e dos sinais usados para distinguir produtos e empresas no mercado, os DA visam a proteção das obras literárias e artísticas (incluindo as criações originais da literatura e das artes). As várias Modalidades de Propriedade Industrial são: • Proteção de Invenções – as Patentes e Modelos de Utilidade são o resultado da atividade inventiva em todos os domínios tecnológicos; • Proteção do design – os Modelos e Desenhos protegem a aparência ou o design dos produtos, bi ou tridimensionais, ou seja, a configuração estética resultante da atividade criativa; • Proteção de Sinais Distintivos do Comércio – As Marcas e outros sinais distintivos, os Logótipos, as Denominações de Origem e as Indicações Geográficas, protegem os elementos gráficos, como uma figura ou uma palavra, que servem para identificar no mercado produtos ou serviços, estabelecimentos ou entidades. Todos estes aspetos representam esforço, saber, criatividade, valor e deverão ser património das empresas que os desenvolvem e neles investiram. Mas como é sabido, o património carece de registo: só o registo garante a proteção. Na sociedade do conhecimento, a posse do saber sob a forma de propriedade intelectual e industrial é um dos mais importantes ativos das pessoas e organizações, sendo uma alavanca da inovação, condição essencial para o desenvolvimento. Propriedade Industrial, um valor para o futuro das empresas de hoje!

Keramica | CTCV | 45


TEandM

TEandM um spin-off do CTCV

António Alcântara Gonçalves

o seu espaço junto da indústria, levando à decisão de externalizar num processo de transferência (spin-off) para uma nova empresa, o conhecimento, a tecnologia e os mercados adquiridos ao longo de 12 anos. Numa primeira fase, além do CTCV e da DURIT, participou também no capital acionista da TEandM a sociedade de capital de risco PME Investimentos, SA, representando uma Criada em 2000 a TEandM resultou da conjugação dos

mais-valia nos primeiros anos de atividade.

esforços e interesses entre o CTCV e a DURIT – Metalur-

Os princípios de base da parceria industrial estabelecida

gia Portuguesa do Tungsténio, Lda. (empresa associada do

entre o CTCV e a DURIT assentaram na complementari-

CTCV) em se associarem na criação de uma empresa orien-

dade das aplicações industriais dos produtos desenvolvi-

tada para um mercado de aplicações técnicas de materiais

dos pelo CTCV, na área dos tratamentos de superfície em

de elevada especificação para diversas áreas de atividade

componentes industriais, recorrendo a materiais cerâmi-

industrial.

cos, compósitos cerâmicos, metais e superligas metálicas

Através de processos de desenvolvimento orientados

e nas aplicações típicas do Metal Duro da DURIT. As duas

para as empresas, as tecnologias de produção e as aplica-

entidades movimentavam-se em mercados de aplicações

ções industriais desenvolvidas pelo CTCV desde 1988 na

de elevada especificação e valor acrescentado. Nesta par-

sua Unidade de Revestimentos Técnicos, foram ganhando

ceria, a estrutura comercial da DURIT permitiria o acesso

46 | Keramica | CTCV


produtos da TEandM e as ic cn té es çõ lu so as , cional Para além do mercado na ropeu e sul-americano eu do ca er m no s te en es estão também pr

facilitado das soluções técnicas do CTCV aos mercados

mercados externos, os esforços estão também direcio-

externos.

nados para o sector aeronáutico. O Sistema de Gestão

Para além do mercado nacional, as soluções técnicas e

da Qualidade é certificado pela EN 9100 AS (Aerospace

produtos da TEandM estão também presentes no mercado

Series).  A TEandM detém ainda qualificações específicas

europeu e sul-americano, com especial incidência em Espa-

como fornecedor de empresas aeronáuticas nacionais e

nha, Alemanha, França e Brasil.

internacionais.

A tipologia de clientes é transversal, mas tem especial

A nanotecnologia e processos de conformação de

expressão em setores industriais da produção de energia,

materiais com tecnologias near net shape para mate-

química e petroquímica, papel e pasta de papel, produtos

riais e aplicações de alto valor acrescentado, são exem-

alimentares e farmacêuticos, vidro, moldes, ferramentas de

plos da atenção dispensada nos processos de desen-

corte, metalomecânica, automóvel e aeronáutico.

volvimento, nomeadamente para aplicações médicas e

Na base das aplicações dos materiais e soluções estão

aeronáuticas.

as tecnologias de Thermal Spraying e deposição em fase vapor, nomeadamente, Plasma Spraying, HVOF, LVOF, Arc Spraying, PVD e PACVD. A Inovação permanente nas soluções disponibilizadas aos clientes é factor chave na estratégia da empresa e na diferenciação dos seus produtos no mercado. Revestimentos baseados em estruturas nanométricas, desenvolvidas internamente, são uma das linhas de IDT. Alguns dos processos de desenvolvimento decorrem em parcerias nacionais e internacionais com outras empresas e entidades do sistema científico e tecnológico. A TEandM é membro da COTEC, tem o Sistema de Gestão da Inovação certificado pela norma NP EN 4457 e aposta no permanente reforço das competências e na qualificação dos seus colaboradores, como fator chave do bem-estar coletivo e de potenciação da diferenciação junto dos seus clientes e parceiros. Para além da estratégia de expansão da sua atividade nos

Keramica | CTCV | 47


ONS

Organismo de Normalização Sectorial

António Baio Dias

Com a entrada em funções do 1º Conselho de Adminis-

Na qualidade de Organismo de Normalização Nacional

tração do CTCV (Julho de 1987), em que o Instituto Portu-

(ONN) o IPQ tem a responsabilidade da elaboração de ver-

guês da Qualidade (IPQ) era representado pelo Eng.Carlos

sões portuguesas (NP) das Normas Europeias (EN). Perante

Borges Tavares, tornou-se desde logo consensual a necessi-

a magnitude desta tarefa decidiu estruturar uma rede de

dade da orientação das atividades do Centro segundo práti-

Organismos de Normalização Sectorial (ONS), cuja missão

cas de Qualidade reconhecidas. O IPQ surgia como herdeiro

é normalizada pela NP EN 45020:1995 – Termos gerais e

da Direção Geral da Qualidade e, sob a direção do Eng. Ma-

suas definições, respeitantes à Normalização e atividades

chado Jorge, desenvolvia as grandes linhas do Plano Nacio-

correlacionadas.

nal da Qualidade em que uma das vertentes principais era

Nesse sentido, propôs ao CTCV um Protocolo de Nor-

a Normalização. A operacionalização do Plano foi apoiada

malização que, ainda com carácter provisório, começou a

pelo Conselho Nacional da Qualidade (CNQ), onde o CTCV

vigorar em Março 1989, atuando o CTCV como Organismo

esteve representado desde a 1ª hora.

de Normalização Sectorial (ONS) para a Cerâmica e para o

Foi o tempo da aprovação da Diretiva dos Produtos de

Vidro.

Construção (CPD – 89/106/CEE) e dos seus Requisitos Es-

Em 1991 o ONS/CTCV adquiriu o seu estatuto com a as-

senciais – hoje substituída pelo Regulamento dos Produtos

sinatura do Protocolo (baseado na Diretiva CNQ 4/93) pelos

de Construção 305/2011 e seus Requisitos Básicos – dita-

Presidentes do IPQ e do CA/CTCV, como reconhecimento

da pelo objetivo da criação do Espaço Económico Europeu

da capacidade do Centro Tecnológico para, entre outras

(EEE), o qual determinou o arranque de um programa de

competências, intervir e apoiar o IPQ em:

Normalização Europeia de grande dimensão, para elaboração de normas harmonizadas que sustentassem a marcação CE dos Produtos de Construção: com base na emissão de mandatos de normalização pela Comissão Europeia (CE) e pela Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA) foram sendo elaboradas normas de produto e de ensaio para sustentar a marcação CE dos produtos de construção a colocar no EEE. O Comité Europeu de Normalização (CEN) passou a desenvolver uma atividade normativa de grande intensidade

• Gestão e dinamização da atividade normativa nos sectores da Cerâmica e do Vidro; • Participação em trabalhos de Normalização Europeia (EN) e Internacional (ISO); • Apoio a Comissões Técnicas nacionais e à elaboração de versões Portuguesas de normas EN e ISO; • Apoio ao IPQ em votações de projetos de normas. Dada a sua importância estratégica, o ONS/CTCV participou desde então em atividades desenvolvidas em áreas de intervenção relevantes:

da qual, apenas referida à CPD, resultou entre 1991 e 2005

• Formação e informação à indústria;

(ano da conclusão da maioria das normas mandatadas) uma

• Campanhas de ensaios pró-normativos;

produção de mais de 650 normas EN de produto (especificação) de 1200 métodos de ensaio normalizados, para verificação da conformidade com as especificações.

48 | Keramica | CTCV

• Validação de novos métodos de ensaio nos laboratórios do CTCV; • Qualificação de produtos com normas harmonizadas;


ossegue o objetivo do pr V TC C S/ N O o , os an Passados mais de 20 ropeia e Nacional Eu ão aç iz al m or N da s ho abal acompanhamento dos tr • Normalização de terminologias técnicas; • Colaboração/participação em projetos comunitários e/

Técnicas de Normalização nacionais, nomeadamente: • CT 171 – Sustentabilidade nos edifícios;

/ou nacionais, em que a componente “Normalização” é re-

• CT 139 – Aparelhos sanitários;

levante.

• CT 176 – Alvenarias.

Ainda na sequência do desenvolvimento do Protocolo, o

Além disso, mantém o interesse na criação de novas Co-

ONS/CTCV participou na criação da Associação Portugue-

missões Técnicas nas áreas dos Revestimentos Cerâmicos

sa dos Organismos de Normalização Sectorial (APONS), em

e das Coberturas de Edifícios, prosseguindo atividades de

que foram desenvolvidos trabalhos relevantes de harmoni-

procura dos parceiros que as venham a integrar em repre-

zação e colaboração nas atividades da Normalização desen-

sentação das partes interessadas.

volvidas por todos os ONS (cerca de 44 ONS). No período de 1994 a 1997, o ONS/CTCV presidiu à Direção da APONS. Passados mais de 20 anos, o ONS/CTCV prossegue o objetivo do acompanhamento dos trabalhos da Normalização Europeia e Nacional, do setor da cerâmica e do vidro e setores horizontais, tais como as alvenarias, coberturas e chaminés. Com ligação clara ao Cluster Habitat Sustentável, pretende-se igualmente prosseguir o acompanhamento da normalização europeia que está a ser desenvolvida no âmbito da Sustentabilidade da Construção e que conterá as especificações básicas para as Declarações Ambientais de Produto (EPD) que servirão de base na avaliação da sustentabilidade dos edifícios. Os Comités Técnicos do CEN que o ONS acompanha são: • CEN\TC 67 – Ladrilhos cerâmicos; • CEN\TC 125 – Alvenarias; • CEN\TC 128 – Coberturas; • CEN\TC 129 – Vidro de construção; • CEN\TC 163 – Sanitários; • CEN\TC 166 – Chaminés; • CEN\TC 339 – Escorregamento; • CEN\TC 350 – Sustentabilidade na Construção. No presente, a atividade do ONS consiste em: • Participar em reuniões internacionais de normalização CEN e ISO; • Traduzir normas EN adotadas como NP; • Divulgar normas junto dos potenciais interessados e futuros utilizadores; • Editar coletâneas de normas em suporte digital, em colaboração com o IPQ; • Dinamizar Comités Técnicos Nacionais de Normalização; • Desenvolver ações de gestão de Produto e de benchmarking. O ONS/CTCV apoia e participa nos trabalhos de normalização europeia que são objeto da atividade em Comissões

Keramica | CTCV | 49


GPI

Gestão e Promoção da Inovação

Victor Francisco

Enquanto infraestrutura tecnológica que integra o Siste-

gilância e prospetiva tecnológica, desenvolvida pelo CTCV

ma Científico e Tecnológico Nacional (SCTN), o CTCV de-

desde a sua fundação. Pretendeu-se assim dar maior con-

senvolveu, ao longo destes 25 anos, uma vocação intrínseca

sistência à componente de inovação e desenvolvimento, de

para a realização de atividades de elevado conteúdo técni-

crescente importância no atual contexto, permitindo pro-

co e de desenvolvimento tecnológico aplicado, com caráter

mover e mobilizar para o efeito e de forma transversal a

inovador, que se traduziram, desde cedo, numa participa-

participação das diversas áreas de competência do CTCV no

ção ativa em projetos de Investigação, Desenvolvimento e

desenvolvimento destas atividades.

inovação (I+D+i).

O enfoque em atividades de I&D colaborativo, através da

Este envolvimento continuado em atividades de I&DT

formação de consórcios para o desenvolvimento de proje-

e inovação, contratadas por empresas ou financiadas por

tos, tem permitido promover a ligação do CTCV a toda a

diversos programas, europeus, inter-regionais, nacionais e

rede de infraestruturas do SCTN, bem como ao ecossistema

regionais, passando pelos primeiros programas quadro de

regional de inovação.

investigação e desenvolvimento da Comunidade Europeia

Atualmente, esta unidade centra a sua atividade em

até ao atual QREN – Quadro de Referência Estratégico Na-

torno da dinamização, preparação e gestão de projetos

cional, visou, sobretudo, promover uma maior participação

de Investigação, Desenvolvimento e inovação (I+D+i), as-

e envolvimento do tecido empresarial em atividades de ele-

sociadas à componente de planeamento e execução, em

vado conteúdo tecnológico.

diversos programas de financiamento nacionais e euro-

A criação de uma Unidade para a Gestão e Promoção

peus, apoiando atividades de inovação e desenvolvimento

da Inovação teve por base uma atividade sistemática de vi-

do CTCV e das empresas. Todo este trabalho continua a assentar numa vigilância tecnológica ativa em áreas relevantes para o Habitat. Este envolvimento inclui atividades que vão desde a avaliação prévia de requisitos e enquadramento dos projetos, à gestão de ideias e brainstorming, passando pela preparação de conteúdo técnico e financeiro e apresentação de candidatura a sistemas de incentivos. Posteriormente, segue-se o acompanhamento do processo de avaliação e contratualização e o suporte à gestão dos projetos, incluindo dos mecanismos de propriedade intelectual e industrial. Entre os programas de apoio visados, encontram-se os diversos programas do QREN, nomeadamente sistemas de incentivos às empresas, apoio a ações coletivas (SIAC), medidas do Programa Mais Centro, do POPH, Programas europeus – LIFE+ e 7º Programa-quadro, programas de

50 | Keramica | CTCV


ação e gestão ar ep pr , ão aç iz m na di da ade em torno A GPI centra a sua ativid de projetos de I+D+i cooperação inter-regional (POCTEP e INTERREG-SUDOE),

programas europeus como o 7º Programa-quadro de apoio

entre diversos outros.

à investigação e inovação no espaço europeu, bem como no

Dos projetos de maior relevo nos últimos anos, des-

futuro programa-quadro de I&DT (HORIZON 2020), tendo

tacam-se a dinamização do Cluster Habitat Sustentável

em conta que a afirmação deste Cluster implica necessaria-

(2008), uma das Estratégias de Eficiência Coletiva apro-

mente a sua progressão susten-

vada pelo Programa COMPETE e atualmente em curso, a

tada para estádios mais ama-

promoção de um projeto âncora deste Cluster, o Centro de

durecidos de desenvolvimento,

Conhecimento em Materiais para a Construção Sustentável

através da sua estruturação e

(2009), um dos projetos de maior relevo do CTCV; o Pro-

afirmação internacional. Incen-

jeto Solar Tiles, um projeto de I&D, que visou o desenvol-

tivar de forma sistemática e ati-

vimento de sistemas solares fotovoltaicos em coberturas e

va a participação de empresas e

revestimentos cerâmicos, envolvendo diversas entidades do

entidades do SCTN em projetos

SCTN e empresas da Região (2008-2012). Este projeto foi

europeus permitiria alavancar a

considerado pelo Jornal Público, em Janeiro deste ano, um

participação em atividades de

dos dez exemplos de projetos que mostram a “qualidade da

I&DT destas fileiras, reforçando

ciência nacional em 2011”.

os fatores de competitividade,

No domínio da Formação-ação, destaque para o proje-

inovação e internacionalização

to QI-PME Centro (POPH), atualmente na 3ª edição, o qual

do Cluster Habitat Sustentável

envolveu até ao momento a intervenção em cerca de 75

e, simultaneamente, acrescen-

empresas (PMEs).

tando valor, reforçando o setor

Projetos de menor dimensão, mas igualmente relevantes, têm sido os projetos simplificados de Inovação/I&DT – ou

e contribuindo decisivamente para a sua dinâmica coletiva.

Vales Inovação/IDT, uma das ferramentas importantes na

Num contexto adverso em que se ensaiam soluções para

atividade do CTCV, dirigida ao reforço da competitividade

o aumento da competitividade das empresas, com estas a

das PME. O CTCV tem vindo a ser qualificado em diversos

assumirem o maior contributo para o aumento da I&DT a

domínios de atividade para a prestação de serviços enqua-

nível nacional, a promoção de processos de Inovação e de

drados nestes Vales, que se traduz no desenvolvimento de

I&DT, configurados em projetos individuais ou em consór-

cerca de 90 projetos dirigidos a PMEs desde 2008.

cios, constitui um desafio permanente, sobretudo pela tão

O contributo do CTCV para a afirmação do Cluster Ha-

necessária rentabilização económica dos investimentos nes-

bitat Sustentável, uma dinâmica concertada dirigida às em-

ta matéria. É tendo como objetivo a colocação da Inovação

presas da fileira do Habitat, assente na inovação, no desen-

ao serviço das empresas que a aposta do CTCV nesta área

volvimento tecnológico e na qualificação, implicará, num

permanecerá um compromisso para o futuro, tal como tem

futuro próximo, uma maior procura de envolvimento em

sido neste percurso de 25 anos.

Keramica | CTCV | 51


52 | Keramica | CTCV


Keramica | CTCV | 53


NMA

NOVOS MATERIAIS E APLICAÇÕES

Génese

Hélio Jorge

Luc Hennetier

Portugal, tendo sempre como base a investigação e o de-

Na sequência da estratégia de desenvolvimento de no-

senvolvimento tecnológico (I&DT) próprio ou em colabora-

vas tecnologias de processamento de pulveromateriais, que

ção com parceiros nacionais, com o objetivo de gerar valor

pautou desde sempre a missão do CTCV, em 1998 foi criada

nesta área de inovação.

uma unidade com competências nas tecnologias avançadas de conformação de materiais cerâmicos, à data denomina-

Experiência antecedente

da “Unidade de Conformação Avançada”. Nesse ano, deu-

No período de arranque na unidade de conformação

-se início à instalação de uma unidade-piloto de produção

avançada, realizava-se um spin-off de uma tecnologia avan-

por moldação por injeção de pós (PIM), uma tecnologia de

çada de revestimentos técnicos, cujo desenvolvimento tec-

conformação near-net shape usada em materiais cerâmicos

nológico e de novas aplicações adaptadas à realidade na-

ou em metálicos. Nessa década de 90, registava-se,a nível

cional tinha sido promovida na Unidade de Revestimento

mundial, um “fervilhar” de primeiras unidades industriais

Técnicos, que partilhava meios físicos e humanos com a uni-

usando esta tecnologia inovadora, baseadas em conheci-

dade de conformação. O resultado foi a fundação em 2000

mento existente em diversas entidades tecnológicas, uma

de empresa industrial – TEandM Tecnologia e Engenharia de

vez que uma linha de produção típica assenta num conheci-

Materiais SA – dedicada à aplicação de revestimento avan-

mento multidisciplinar e bastante específico. O CTCV apos-

çados, produzidos por projeção térmica e por deposição em

tou, desta forma, no desenvolvimento desta tecnologia em

fase-vapor (PVD). Atualmente, certificada de acordo com as normas ISO 9001:2000, ISO 9100 (Aerospace Series) e NP 4457 (Gestão de IDI), a empresa é conhecida pelo desenvolvimento de soluções inovadoras em revestimentos para a melhoria do desempenho dos materiais em diversos tipos de solicitações. A experiência na gestão dos processos de I&DT de carácter fortemente objetivo, prático e para aplicação no mercado implementados pela unidade de revestimentos, que culminaram num processo bem-sucedido de transferência de tecnologia, foram, em grande medida, os alicerces para a criação da unidade de conformação avançada. Breve cronologia Numa primeira fase, foram desenvolvidos projetos de demonstração da tecnologia PIM nas áreas de aplicação mais promissora, nomeadamente para a produção de componentes para o automóvel, e produtos injetados em cerâmica

54 | Keramica | CTCV


idealizar, preparar ra pa ia nc rê fe re de ro ei rc A NMA tornou-se num pa strial português du in do ci te o ra pa T D I& e executar projectos de técnica para aplicações de desgaste. Na primeira década do

Projetos inovadores

milénio foram implementados projetos que visavam não só

No portfolio da UNMA encontra-se uma fração mais sig-

a demonstração tecnológica junto das empresas, mas tam-

nificativa o desenvolvimento de projetos de I&DT em parce-

bém o desenvolvimento de novos materiais e otimização

ria com empresas e outras infraestruturas tecnológicas, em

do processo, visando a inovação no processo e ganho de

que o modelo de financiamento é apoiado por um incentivo

conhecimento diferenciado e competitivo. Foram fortale-

público. Por outro lado, faz parte da oferta da unidade a

cidas parcerias com institutos, universidades e empresas,

prestação de serviços de I&DT contratada, em que o cliente

que proporcionaram a geração de know-how dentro de

possui todos os direitos de propriedade dos resultados do

um conjunto de organizações portuguesas com interesse

projeto.

na tecnologia PIM.

Numa breve seleção dos projetos de I&DT estão o de-

O ano 2003 apresenta-se como um marco na vida da

senvolvimento de produtos cerâmicos com capacidade de

unidade, quando adquire a designação atual – Unidade de

produzir energia (SolarTiles) ou com propriedades de auto-

Novos Materiais e Aplicações (UNMA) – com a aquisição

limpeza e de purificação do ar (SelfClean), o uso de novas

de novas competências ao nível da conceção e desenvol-

tecnologias produtivas energeticamente mais eficientes,

vimento de produto com apoio em ferramentas informáti-

como por exemplo a utilização de radiação micro-ondas na

cas, pretendendo-se maximizar cariz application-driven nos

cozedura (Greenwave). Dentro da área dos materiais avan-

projetos. Mais do que o desenvolvimento da tecnologia,

çados, há a destacar o desenvolvimento da tecnologia PIM

pretendia-se oferecer um “pacote” tecnologia-produto às

para a produção de componentes anti-desgaste em metal

empresas, para responder à cada vez maior competitividade

duro (HardPIM) e de componentes em ligas de titânio (MIM-

económica que se sentia. Nos projetos de I&DT podem-se

Ti) com potencial aplicação na medicina e na aeronáutica.

destacar o desenvolvimento de novos materiais cerâmicos, como são exemplos as porcelanas de fosfato ou as porcelanas utilitárias reforçadas, novos ligantes poliméricos para PIM e a micromoldação de pós (micro-PIM).

A unidade de hoje Para responder à necessidade crescente das empresas em inovar e desenvolver novos produtos, a UNMA trabalha no

Em linha com a estratégia geral do CTCV, ao longo do

sentido de apoiar as empresas na área da inovação em pro-

tempo, as competências da UNMA alargam-se para novas

cessos e produtos. Aproveitando, entre outros, as linhas de

áreas tecnológicas, adaptando-se a um número crescente de

financiamentos do QREN para a I&DT, a UNMA tornou-se

solicitações das empresas. Destas novas áreas, destaque-se a

num parceiro de referência para idealizar, preparar e execu-

produção de nanomateriais por fragmentação, a utilização de

tar projetos de I&DT para o tecido industrial português, e,

materiais à escala micro e nanométrica, em aplicações para

sempre que necessário, em colaboração com entidades do

a melhoria da eficiência energética dos processos produtivos,

Sistema Científico e Tecnológico Nacional (SCTN) na área de

novos materiais com desempenho melhorado ou materiais

Ciência e Engenharia de Materiais.

multifuncionais, recorrendo à nano-engenharia de superfícies.

(micro-site UNMA: www.ctcv.pt/nma.html)

Keramica | CTCV | 55


DEP

Desenvolvimento e Engenharia de Produto A unidade de Engenharia e Desenvolvimento de Produto

Luís Rodrigues

• Conceção e design de produto;

(DEP) foi criada no CTCV com o objetivo de colaborar e

• Modelação virtual 3D;

apoiar as empresas no desenvolvimento de novos produtos,

• Engenharia inversa;

tendo em conta o design bem como os estudos estruturais

• Digitalização 3D;

inerentes em conformidade com os processos de produção. Tendo em conta o know-how do CTCV nas mais variadas

• Simulação numérica de desempenho em elementos finitos (MEF);

áreas de materiais e processos, apoiamos assim as empresas

• Prototipagem rápida;

no seu desenvolvimento pela via da inovação, com a trans-

• Apresentação e fotorrealismo.

ferência de conhecimento que permite construir um futuro mais sólido. Desde a sua génese, a DEP tem apostado no investimento em equipamentos e ferramentas informáticas de vanguar-

A Conceção e Design passam essencialmente por uma fase de estudo não só do design dos modelos e suas propriedades, bem como a atenção aos processos posteriores de produção industrial.

da, que permitam que os serviços prestados reflitam inequi-

Relativamente à Modelação Virtual (3D) a DEP dispõe

vocamente o desígnio da unidade. Assim, a DEP dispõem

de várias aplicações 3D para a criação e desenvolvimento

de ferramentas e equipamentos que permitem o desenvol-

dos seus modelos. Tendo em conta a geometria e comple-

vimento do produto, centrando-se nas seguintes principais

xidade dos produtos a criar, podem-se utilizar modeladores

atividades:

tanto de sólidos paramétricos, como modeladores de superfícies. O CTCV oferece ainda o serviço de Engenharia Inversa, o qual é apoiado por sistemas de Digitalização 3D de tecnologia recente. Assim e quando há a necessidade de modificar um produto existente no seu design, ou simplesmente reproduzir um produto único existente, a Engenharia Inversa é o processo a seguir. Pode-se aplicar ainda esta técnica a peças danificadas que se pretendam recuperar ou reproduzir. Os equipamentos disponíveis têm ainda a capacidade de verificação e inspecção de dimensões de peças e ferramentas tais como moldes. No desenvolvimento de produto o CTCV está equipado com aplicações MEF (Método dos Elementos Finitos), que permitem a determinação do estado de tensão e de deformação de um sólido sujeito a acções exteriores, designado também por análise estrutural. Estas análises permitem detetar eventuais futuros constrangimentos, diminuin-

56 | Keramica | CTCV


a-se não só

produto torn de to en m vi ol nv se de o da Com a Prototipagem Rápi onómico mais rápido, como mais ec do assim problemas de comportamento pós produção do

que as competências da

produto.

unidade são requeridas

O CTCV está ainda equipado com máquinas de Prototipagem Rápida, com tecnologia 3D Print da Z-Corp, que

para o desenvolvimento dos mesmos.

permitem a criação de modelos reais de uma forma muito

Dentro da área dos ma-

mais eficaz e assim o design dos produtos. É uma excelen-

teriais avançados, e em

te ferramenta para o desenvolvimento de novos produtos.

especial no desenvolvi-

Com esta tecnologia o desenvolvimento de produto torna-

mento da tecnologia PIM,

se não só mais rápido, como mais económico. Os modelos

a intervenção centra-se

resultantes podem ainda ser monocromáticos ou policro-

nas fases de conceção de

máticos, dependendo de qual a sua finalização. O CTCV

ferramentas (moldes) e

trabalha nas mais variadas áreas, tal como: Produtos de

componentes, recorrendo

bens de consumo e utilitários, maquetes de arquitetura e

às ferramentas de mode-

GIS, embalagem e desenvolvimento de ferramentas como

lação 3D (HARDPIM). O re-

criação de moldes.

curso às valências da DEP

Por último, a Apresentação e Fotorrealismo é mais

materializa-se igualmente

um dos produtos da DEP, que consiste na apresentação do

nos projetos de I&DT nas

modelo em 2D como imagem realista, tendo os respectivos

fases de idealização e fa-

materiais e acabamentos futuros pós produção. Normal-

brico de protótipos fun-

mente esta técnica é usada para apresentação e divulgação

cionais e modelos reais

do produto.

(projetos SOLARTILES e

As valências da DEP não se esgotam nas técnicas e serviços acima referidos, já que a unidade coloca o seu know-

SENSETILES). No contexto atual, em

-how e as suas ferramentas à disposição de outras unidades

que a competitividade e o futuro das empresas dependem

do CTCV, potenciando assim os resultados de diversos pro-

em larga escala da sua capacidade de inovação, mas em

jetos de I&DT através da sua colaboração. Muitas vezes em

que os meios disponíveis para investir na I&D escasseiam, o

parceria com empresas e outras infra-estruturas tecnológi-

recurso a valências externas é uma solução vantajosa. A DEP

cas, em que o modelo de financiamento é apoiado por um

oferece serviços de apoio à conceção e desenvolvimento de

incentivo público, a DEP participa nestes desafios sempre

produtos à medida das necessidades da indústria.

Keramica | CTCV | 57


LAM

LABORATÓRIO DE ANÁLISE DE MATERIAIS

Nota cronológica Em 1987/88 o CTCV arranca com 4 laboratórios, estando 3 deles na génese do actual Laboratório de Análise de Materiais (LAM): • Laboratório de Análise Química (LAQ); • Laboratório de Ensaios Físicos e Aptidão Tecnológica (LEFAT); • Laboratório de Análise de Estrutura e Microestrutura (LAEM). O LAQ estava vocacionado para a caracterização qualita-

Alice Oliveira

Estes laboratórios reuniam meios e ensaios que ainda hoje perduram no LAM, donde destacamos: • Determinação da composição química de matérias-primas (areias, argilas, feldspatos, calcites, caulinos, dolomites, cromites, gessos, talcos, etc.); • Determinação dos teores de chumbo e cádmio em produtos que contactam com alimentos (louça vidrada e decorada, materiais em vidro); • Ensaios orientados para a certificação de vidro cristal e sonoro;

tiva e quantitativa de matérias-primas, produtos cerâmicos,

• Análises granulométricas de uma vasta gama de materiais;

vidros e outros materiais, em especial os de carácter inorgâ-

• Análise térmica diferencial e termogravimétrica;

nico. Dispunha de laboratórios de preparação de amostras,

• Análises dilatométricas;

química clássica e de métodos analíticos de análise instru-

• Ensaios de retração, resistência à flexão, absorção de

mental. O LEFAT realizava ensaios de caracterização física e tecnológica a matérias-primas, materiais em curso de fabricação e produtos cerâmicos e vítreos.

água após secagem e cozedura de amostras experimentais; • Identificação de fases cristalinas por difracção de raios-X; • Caracterização do comportamento térmico dos materiais por microscopia de aquecimento;

O LAEM dedicava-se à realização de ensaios de caracteri-

• Avaliação de defeitos (inclusões por desvitrificação, im-

zação da estrutura cristalina e microestrutural de materiais

purezas, zonas de corrosão, etc.) em metais, vidros e respe-

cerâmicos e vidros.

tivas interfaces. Em 1998 surge a primeira reestruturação interna surgindo o Laboratório de Química dos Materiais (LQM) e o Laboratório de Física dos Materiais (LFM): O LQM mantinha a estrutura do LAQ, enquanto que o LFM reunia os meios e ensaios do LEFAT e do LAEM. Mais tarde em 2006, fruto de uma nova reestruturação, há uma fusão do LQM e do LFM num único laboratório, que adquire a designação atual: Laboratório de Análise de Materiais. A unidade de hoje O LAM é um laboratório de serviços analíticos, direcionado para o controlo de qualidade de matérias-primas mine-

58 | Keramica | CTCV


ndo a norma gu se C, A IP lo pe do ta di re ac O LAM é um laboratório itação Nº L0022-1 ed cr A de o ic cn Té xo ne A NP EN ISO/IEC 17025, rais, materiais inorgânicos não metálicos e outros materiais

• Efluentes líquidos;

industriais, servindo de suporte às atividades de I+D desen-

• Resíduos sólidos;

volvidas pela generalidade da equipa técnico-científica do CTCV, empresas e entidades do Sistema Científico e Tecnológico Nacional.

• Rochas e pedras naturais (e outros materiais geológicos); • Vidros e cerâmica.

A diversidade dos ensaios efetuados é um dos principais

O Laboratório procura atingir

fatores diferenciadores do LAM, sendo uma mais-valia de-

e manter permanentemente

terminante na oferta global do CTCV.

um elevado nível da Qualidade

Como garante da competência técnica, para além de um

em todos os aspetos do seu

vasto leque de equipamentos, o laboratório está dotado de

trabalho, apostando no desen-

recursos humanos especializados e experientes, composto

volvimento de novos serviços,

por técnicos que garantem a competência, a idoneidade e

para dar resposta a novas soli-

isenção dos ensaios que realiza. Uma equipa que está habi-

citações do mercado.

litada para o controlo da qualidade de diversas matrizes, se-

Como exemplo, no último

gundo metodologias de análise descritas em normas nacio-

ano implementou os seguin-

nais ou internacionais, ou mesmo através de metodologias

tes ensaios:

desenvolvidas internamente, devidamente validadas.

• Determinação de partícu-

No âmbito do Controlo de Qualidade, o LAM tem como

las em suspensão na atmosfe-

objetivo principal a fiabilidade dos resultados obtidos e de-

ra: Fracção PM10, segundo a

senvolve ações de Controlo de Qualidade Interno e Externo.

norma EN 12341;

Em relação a estas últimas, podemos salientar o uso regu-

• Determinação de partícu-

lar de Materiais de Referência Certificados e a participação

las em suspensão na atmosfe-

continuada em diversos programas de ensaios interlabora-

ra: Fracção PM2,5, segundo a norma EN 14907;

toriais internacionais. O LAM é um laboratório acreditado pelo Instituto Português para a Acreditação, IPAC, segundo a norma NP EN ISO/ /IEC 17025, Anexo Técnico de Acreditação Nº L0022-1. Dentro do âmbito da acreditação o laboratório tem uma série de análises a variadas matrizes: • Agregados e inertes; • Ar ambiente;

• Determinação de fibras de amianto e minerais artificiais no ar em filtro membrana, por Microscopia ótica de contraste de fase. Estes ensaios foram alvo de auditoria externa e já se encontram no Âmbito da acreditação do laboratório. Em 2012 o laboratório viu ainda ser-lhe reconhecida mais uma nova competência: A Acreditação Flexível, para a técnica de Espectrofotome-

• Betões, cimentos e argamassas;

tria de Absorção Atómica (EAA), tendo assim a capacidade

• Efluentes gasosos;

de implementar e validar os métodos de ensaio para novos elementos e novas normas, dentro das matrizes já acreditadas. Ao longo destes 25 anos o laboratório tem superado muitos desafios e atualmente, para além do apoio às indústrias nacionais, tem vindo a incrementar os serviços prestados para outros mercados, alguns de volume significativo, merecendo realce os seguintes trabalhos: • Caracterização de matérias-primas para a indústria do cimento, no mercado africano; • Caracterização da composição de vidro, para diversos centros de reciclagem europeus; • Participação no desenvolvimento de pastas para telha, no mercado brasileiro.

Keramica | CTCV | 59


LEP

LABORATÓRIO DE ENSAIOS DE PRODUTOS Falar de 25 anos de existência do CTCV é falar, de forma

vincada e indissociável, da história do LEP, quer pelo cresci-

Valente de Almeida

(EU) nº 305/2011 teremos, em termos de adaptação, mais uma atividade a desenvolver a curto prazo.

mento sustentado quer pela dinâmica e evolução de ambos.

Face a esta nova etapa o laboratório foi obrigado a uma

Foram 25 anos de esforço e dedicação de todos os colabo-

nova reorientação estratégia e de negócio – a fileira da

radores que trabalharam no LEP e que muito contribuíram

Construção. É aqui que se dá a viragem do LEP passando a

para o que o laboratório representa hoje em dia no CTCV.

ser reconhecido como um Laboratório Nacional de referên-

O LEP, que curiosamente teve como primeira designação Laboratório de Ensaios de Materiais (LEM), passou por di-

cia na área dos Produtos da Construção, ocupando assim um espaço que faltava e que a Indústria reclamava.

versas mutações desde a sua criação mantendo sempre um

O LEP abraça outras tipologias de produtos, para além

fio condutor na sua actividade, ou seja, o seu desígnio – ser-

dos tradicionais cerâmicos e do vidro, como sejam os produ-

vir toda a Indústria Nacional nos sectores em que o CTCV

tos à base de cimento (principalmente produtos pré-fabri-

intervém.

cados – blocos, abobadilhas, pavés, lancis, lajetas e vigotas

O LEP nasceu pela necessidade crescente a nível nacional

pré-esforçadas – e argamassas de construção – adesivos,

de um laboratório de referência para ensaios de produtos

argamassas de assentamento e de reboco, betonilhas),

cerâmicos e de vidro. Numa fase inicial centrou muita da sua

agregados (naturais e reciclados), produtos de pedra (guias,

atividade no apoio à certificação, nomeadamente da certi-

cubos, lajes, pavimentos e revestimentos).

ficação de tijolos, telhas e abobadilhas cerâmicas. Esta ativi-

Outra área de relevo na atividade do LEP é a homolo-

dade foi-se desenvolvendo até ao aparecimento da Diretiva

gação de vidro automóvel, nomeadamente no âmbito da

dos Produtos da Construção (89/106/EEC), que originou

marca DOT (homologação americana AMECA) em que o

mais uma etapa no crescimento do LEP – Marcação CE dos

LEP é o único laboratório reconhecido na Península Ibéri-

Produtos da Construção. Hoje em dia, e em consequência

ca, sendo esta a sua atividade exportadora, nomeadamente

da futura revogação desta Diretiva pelo novo Regulamento

para Espanha e Brasil. Para além da atividade de ensaios (a mais importante), o LEP desenvolve também trabalhos de análise e de investigação na área das patologias da construção, quer através de pareceres solicitados por clientes (empresas e particulares), quer através da divulgação técnico-científica em eventos correlacionados. O crescente número de solicitações com que o laboratório tem vindo a ser confrontado revela o grau de importância desta atividade no afirmar do CTCV na área dos produtos da construção, proporcionando igualmente um crescente acumular de “know-how” bastante relevante para o desenvolvimento futuro do LEP/CTCV.

60 | Keramica | CTCV


desafio é uma um e qu do s ai m , je ho de as “agarrar” em o A competitividade dos di ad nh pe em tá es P LE ento que o oportunidade de crescim No âmbito de projectos Europeus o LEP participou em

O LEP tem a maioria dos seus

alguns de relevância – ECOBRICK (redesenho de tijolo ce-

ensaios acreditados pelo IPAC,

râmico com propriedades térmicas e acústicas melhoradas),

sendo que a acreditação data

ECOCEL (incorporação de resíduos da indústria de papel

já de 1990. Ao longo destes

para melhoria dos produtos do ponto de vista térmico) e

22 anos de experiência com

DURAMATER (avaliação do comportamento de produtos da

a acreditação de ensaios, tem

construção quando submetidos à intempérie litoral), para

sido possível agregar mais-

além dos projetos industrialmente orientados “Eflorescên-

valias importantes e melhorias

cias nos Produtos da Construção” e “Defeitos na Cerâmica

constantes no desempenho do

e Vidro”.

laboratório, traduzindo-se por

A competência e capacidade técnica dos colaboradores

uma crescente organização e

do LEP permite que também sejam desenvolvidos trabalhos

sistematização das atividades

de auditoria (qualidade e produto) para Entidades Certifica-

de rotina, com evidente ganhos

doras Nacionais e Estrangeiras, bem como a designação de

de eficácia e eficiência no tra-

peritos técnicos para questões relacionadas com Tribunais.

balho.

Neste âmbito, a atividade do LEP tem vindo a crescer de

Um novo desafio aí está para o LEP – o ccMCS – Centro

forma sustentada, cimentando a importância deste tipo de

de Conhecimentos em Materiais para a Construção Susten-

atividade não só no laboratório como também no CTCV.

tável, que sem dúvida terá uma contribuição decisiva no

O LEP possui uma variedade de equipamentos de ensaios,

futuro da sustentabilidade do laboratório e no contínuo

desde os simples paquímetros até máquinas sofisticadas de

reforço de competências sempre ao serviço da Indústria Na-

ensaios climáticos (ex. gelo-degelo) que permitem efetuar

cional. O ccMCS proporcionará ao LEP a hipótese de crescer

um leque alargado de ensaios:

no sentido do reforço da sua atividade, alinhando-a mais

• Ensaios dimensionais; • Ensaios mecânicos (ex. flexão, tracção e compressão);

com a nova realidade actual. A competitividade dos dias de hoje, mais do que um de-

• Ensaios físicos (ex. abrasão, durabilidade);

safio, é uma oportunidade de crescimento que o LEP está

• Ensaios químicos (ex. resistência às manchas, químicos).

empenhado em “agarrar”, dotando-se de estrutura e qua-

A equipa atual do laboratório conta com dois colabora-

dros técnicos capazes de perceberem a nova dinâmica do

dores licenciados e com cinco colaboradores (operadores

mercado de ensaios, que evolui para a avaliação não só re-

especializados) com escolaridade ao nível do 12º ano, for-

dutora dos produtos em si mas dos sistemas em que esses

mando assim uma equipa que se complementa de forma a

produtos se inserem. Aqui está o desafio que o novo labora-

levar a cabo a sua missão.

tório no ccMCS terá de abraçar e levar a cabo com êxito.

Keramica | CTCV | 61


MREi

Medição e Racionalização de Energia _ Indústria Focando a sua atenção na promoção da inovação e do de-

senvolvimento das capacidades técnicas e tecnológicas das

Artur Serrano

Indústria (UMREi) e no Habitat (UMREh), indo de encontro à nova visão estratégica do CTCV adoptada para a energia.

indústrias, foi criada, aquando da fundação do CTCV em

Constituída por uma equipa técnica multidisciplinar, com

1987, a Unidade de Energia, que contribuiu também para

profissionais especializados nas áreas da Engenharia Me-

a formação e primeiros passos da “Unidade de Ambiente”

cânica, Electrotécnica e Ambiente, dirigida pelo Eng. Artur

nos anos 90. Esta Unidade veio a consolidar a sua forma

Serrano, Auditor de Planos de Racionalização dos Consu-

de estar no mercado ao longo dos últimos 25 anos. Numa

mos de Energia e Examinador acreditado pela DGEG para

fase intermédia, juntamente com a Unidade de Ambiente,

elaborar Exames a Centrais de Produção de Energia Eléctri-

veio a ser integrada numa nova unidade, designada de UEA

ca e Calor (Instalações de Cogeração). A UMREi apresenta-

(Unidade de Energia e Ambiente). Posteriormente, a UEA

-se como uma unidade pioneira do sistema científico e tec-

deu origem, de novo, a duas Unidades distintas, a Unidade

nológico, com uma vasta experiência na área da energia e

de Sistemas de Energia e a Unidade de Ambiente e Susten-

competência para dotar os seus clientes das ferramentas

tabilidade, pondo ao serviço dos clientes o “know-how”

necessárias para a tomada de decisões, no âmbito da utili-

específico de cada uma para corresponder à necessidade

zação eficiente de energia.

em áreas que mereciam dedicação especial, face à evolução

As Empresas Industriais estão abrangidas por um pro-

do mercado de prestação de serviços em Consultoria. Em

grama designado por Sistema de Eficiência Energética na

finais de 2011 a Unidade de Sistemas de Energia converteu-

Indústria que inclui o regulamento denominado Sistema de

-se nas Unidades de Medição e Racionalização de Energia na

Gestão dos Consumos Intensivos de Energia (SGCIE), destacando-se entre outras algumas áreas de grande atualidade no setor industrial designadamente: a cogeração, a optimização de motores elétricos, a produção de calor e frio, os sistemas de iluminação, a recuperação de calor e outras medidas de promoção da eficiência no processo industrial. O SGCIE prevê que as instalações Consumidoras Intensivas de Energia realizem, periodicamente, auditorias energéticas, e que elaborem e executem Planos de Racionalização dos Consumos de Energia, estabelecendo acordos de racionalização desses consumos com a DGEG que contemplem objetivos mínimos de eficiência energética, associando ao seu cumprimento a obtenção de incentivos pelos operadores. Os clientes-alvo da UMREi são, na sua maioria, indústrias abrangidas pelo SGCIE, embora preste também apoio técnico a indústrias que, apesar de não estarem abrangidas,

62 | Keramica | CTCV


ógico, com uma

co e tecnol tífi en ci a em st si do ra ei on Uma unidade pi da energia vasta experiência na área queiram maximizar a sua eficiência energética e implementar medidas de melhoria contínua nesta área. No seguimento da legislação em vigor (Decreto-Lei nº 71/2008), os principais serviços promovidos pela UMREi são: • Auditorias energéticas a Indústrias abrangidas pelo SG-

• Ações de formação em parceria com empresas Brasileiras na área da Indústria Cerâmica; • Projeto RENOVARE, desenvolvido no âmbito

CIE e realização dos respetivos Planos de Racionalização dos

do programa da União

Consumos de Energia;

Europeia INTERREG IIIA,

• Instalação de Sistemas de monitorização de consumos, e consumos específicos;

para reforçar a coesão económica e social dos

• Análise termográfica;

países membros, com a

• Análise da energia elétrica e dos equipamentos consu-

participação de Centros

midores de energia;

Tecnológicos de Espanha

• Consultoria na área de Energias renováveis;

e Portugal: CARTIF, RECET

• Estudos técnico-económicos de optimização energética

(CITEVE, CTCV e CTIC);

e de recuperação de calor; • Apoio nas candidaturas a incentivos na área de eficiência energética;

• Realização do “Manual de Boas Práticas na Utilização

Racional

de

• Diagnósticos Energéticos;

Energia e Energias Reno-

• Auditorias e apoio técnico a Instalações de Cogeração;

váveis”, em parceria com

• Realização de Relatórios bienais de Execução e Progres-

a APICER;

so (REP) de acompanhamento aos Planos de Racionalização

• Projeto READI (Regi-

de Racionalização dos Consumos de Energia, aprovados

ões, Energia, Ambiente,

pela DGEG (ARCE – Acordo de Racionalização dos Consu-

Desenvolvimento e Ino-

mos de Energia).

vação), promovido pelo

Pela diversidade das tecnologias utilizadas na Indústria,

CEC/CCIC (Conselho Em-

os colaboradores da UMREi acompanham assiduamente a

presarial do Centro e

evolução e soluções existentes no mercado, quer através da

Câmara de Comércio e

participação em acções de formação, quer na participação

Indústria do Centro), em

em congressos e seminários, de forma a manter a sua com-

parceria com a União das

petitividade, a qualidade dos seus serviços, a competência e

Associações Empresariais

atualização neste domínio.

da Região Norte (UERN),

Ao longo dos seus 25 anos de existência ao serviço da

dividido em duas fases:

Energia, a UMREi tem vindo a participar em inúmeros pro-

Experiência Rua do Co-

jetos de sensibilização que consistiram na análise dos con-

mércio e Experiência Pra-

sumos energéticos, bem como na identificação de possí-

ça da Indústria;

veis melhorias a implementar para reduzir o consumo de

• Projeto EFINERG, promovido pelo IAPMEI e AEP em par-

energia, aumentar a eficiência energética e, desse modo,

ceria com RECET, CITEVE, CATIM, CTCV, ADENE, LNEG e

diminuir substancialmente os gastos financeiros ligados aos

Pólo de Competitividade e Tecnologia da Energia.

consumos de energia, na Indústria. Esta Unidade participou até à data, em inúmeros projetos entre os quais se referenciam os seguintes:

Mantendo a sua consistência, a UMREi apresenta já uma agenda laboral extremamente preenchida para o ano que decorre, consequência da sua nítida diferenciação da con-

• Projeto de sensibilização da Indústria Portuguesa pro-

corrência, da sua vasta carteira de clientes fidelizados, qua-

movido pela ADENE em parceria com o IAPMEI com carac-

lidade superior e multidisciplinar dos seus serviços e da sua

terização da Indústria Nacional abrangendo diversos setores

vasta experiência na área.

da Indústria Transformadora Portuguesa;

UMREi, na vanguarda da Energia…

Keramica | CTCV | 63


MREh

Medição e Racionalização de Energia _ HABITAT

A crescente preocupação global com a energia motivada pelos impactos ambientais e financeiros, tem vindo a dinamizar o desenvolvimento de energias renováveis e adopção de sistemas e equipamentos mais eficientes, promovendo a utilização racional da energia. Os edifícios representam cerca de 40% do consumo global de energia final, surgem como uma área de atuação onde é urgente a monotorização, gestão e racionalização de energia. O mercado da reabilitação dos edifícios apresenta um enorme potencial na redução do consumo de energia, onde se deverá investir no recurso a materiais com melhor desempenho energético e menores impactos ambientais, procurando integrar soluções mais eficientes. O aproveitamento da energia solar, tanto de uma forma passiva como ativa, como o recurso a energias renováveis, contribuem para a redução do consumo de energia. Estas boas práticas deverão ser, sempre que aplicáveis, regra no caso de novas edificações. As medidas implementadas nos edifícios têm o objectivo de manter e nalguns casos até aumentar, os atuais padrões de qualidade de vida e de conforto no interior dos edifícios,

64 | Keramica | CTCV

Fernando Cunha

contribuindo para o aumento desempenho energético do edifício. O comportamento energético dos edifícios está relacionado com o layout urbano em cada cidade ou vila, o terreno onde estão implementados, a arquitetura dos edifícios e principalmente o tipo de soluções construtivas e eficiências dos sistemas de climatização. Para atingir as metas de redução do consumo de energia, propostas pela união europeia, foram publicados em Portugal o Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios (RCCTE) e o Regulamento dos Sistemas Energéticos de Climatização dos Edifícios (RSECE). Ambos os regulamentos visam criar regras de boas práticas que devem ser adoptadas na concepção de novos edifícios de habitação e de serviços, para que estes apresentem uma classificação energética mínima de B-. Principais marcos e serviços da UMREh A Unidade de Medição e Racionalização de Energia do Habitat (UMREh) surgiu no final de 2011, indo de encontro à nova visão estratégica do CTCV adoptada para a energia, por forma a dar resposta a uma recente e crescente necessidade do mercado. Orientada preferencialmente para a energia em edifícios, oferece serviços na área de certificação energética, nomeadamente no âmbito do RSECE, desde diagnósticos e auditorias energéticas até à simulação dinâmica. Os principais serviços prestados pela UMERh vão desde a realização da certificação energética, simulação dinâmica, plano de racionalização energética, diagnósticos energéticos, auditorias energéticas, estudo térmico de coberturas, análise termográfica, determinação da condutibilidade térmica, ensaio de refletividade, entre outros. Face ao mercado actual, os clientes alvos da UMREh serão na sua maioria os grandes edifícios de serviços (GES) existentes, pois o setor da construção tem vindo a registar um decréscimo significativo ao longo dos últimos anos,


diagnósticos e sd de a, tic gé er en o çã ca Serviços na área de certifi ão dinâmica aç ul m si à é at as tic gé er en consequência da atual conjuntura económica que atinge o mercado da construção. A UMREh possui uma carteira de clientes dos mais diversos sectores, desde de estabelecimento de ensino, passando por unidades hoteleiras até hospitais, onde nos apraz salientar clientes como a Fundação Bissaya Barreto, HUC, Hotel Your &SPA, MRG, etc. Desde a sua constituição é preocupação da UMREh manter-se na vanguarda da oferta de serviços de eficiência energética, possuindo uma variedade de equipamentos necessários à realização de medições em edifícios. A concentração de vários centros de competências no CTCV, contribui para que em muitos trabalhos desenvolvidos haja uma participação inter-unidades, apresentando um trabalho de maior qualidade e rigor ao cliente. No início de 2012 a UMREh criou um novo serviço para medição e determinação da refletividade, segundo a norma ASTM 1918 “Measuring Solar Reflectance of Horizontal and Low-Sloped Surfaces in the Field” A influência da cor num elemento opaco releva-se fulcral na determinação das necessidades de arrefecimento de um edifício. Torna-se assim necessário determinar a absortividade desses elementos, a partir da quantidade de energia refletida quando exposta a uma dada quantidade de energia radiante incidente (radiação solar). O conhecimento da refletividade permite escolher soluções que aumentem a eficiência energética dos edifícios, proporcionando melhores condições de conforto térmico no interior dos edifícios. A UMREh possui equipamento e competências para realizar medições segundo a ISO 9869 e ASTM C1155 e C1046 padrões, para determinar a resistência térmica de elementos construtivos. O conhecimento da resistência térmica da envolvente de um edifício, desde as suas paredes até à cobertura, permitirá determinar a condutibilidade térmica destes elementos interiores e exteriores, para posterior verificação do cumprimento dos requisitos mínimos dos coeficientes de transmissão térmica superficiais, exigidos pela actual legislação em vigor (RCCTE e RSECE). O tema das energias renováveis é um tema cada vez mais atual, não só pelo impacto que tem na redução da fatura energética mas principalmente pelo contributo para redução do consumo dos combustíveis fósseis. A UMREh posiciona-se neste mercado, como entidade que oferece os seus serviços de auditoria energética no âmbito da miniprodução (D.L. 34/2011, de 8 de Março). A troca de experiência com outras entidades nacionais e internacionais, tem vindo a contribuir para o desenvolvimento da UMREh, não só pelo enriquecimento de competência dos seus técnicos mas também pelo ao acesso a

e auditorias

novas soluções e tecnologias, podendo apresentar estas MTD’s aos seus clientes. Actualmente a UMREh está envolvida em vários projectos, com parceiros europeus e nacionais, dos quais se destacam: • ENERBUILCA – Caracterização de soluções construtivas e ciclo de vida do produto; • RENERPATH – Reabilitação em edifícios históricos; • NEWSOLUTIONS4OLDHousing – Eficiência energética em habitação social; • APICER – Coberturas Cerâmicas. UMREh – Perspetivas para o futuro A área da certificação energética de edifícios apesar de recente, já apresenta uma concorrência audaz e feroz. A UMREh pretende diferenciar-se da concorrência quer pela qualidade de prestação de serviços integrados, quer pela qualidade e diversidade dos equipamentos de medição. Em 2012 espera-se que a actual legislação em vigor seja revista, dando uma nova impulsão ao mercado da certificação, e permita agilizar e dinamizar o processo da certificação energética em Portugal. O trabalho realizado pelos técnicos da UMREh enquadrados na anterior Unidade de Sistemas de Energia conjugado pela actividade desenvolvida ao serviço da UMERh, permitiu que estes apresentem um nível de competências que reforça a confiança dos nossos clientes em nós. Recentemente o CTCV tornou-se numa entidade de Serviços Energéticos (ESE), iniciando o processo de qualificação no sentido de se constituir como uma ECO.AP nível 2, surgindo no mercado como um player devidamente credenciado para prestar serviços na área energética. Este reconhecimento permitirá uma maior divulgação e oferta dos nossos serviços a clientes do setor público e privado, contribuindo para o aumento da eficiência energética e redução da dependência energética de Portugal.

Keramica | CTCV | 65


LMA

LABORATÓRIO DE MONITORIZAÇÃO AMBIENTAL

Ana Carvalho

A sustentabilidade ambiental da indústria cerâmica e do

biente, Efluentes Gasosos e Ar Ambiente Exterior), o LMA

vidro fez com que a atividade de monitorização e caracte-

é reconhecido pela indústria e pelas entidades oficiais, pela

rização dos poluentes emitidos pela indústria para o meio

sua competência técnica, qualidade dos resultados e capa-

ambiente surgisse desde a origem do Centro Tecnológico

cidade/rapidez de resposta. Tornando-se no seu parceiro em

da Cerâmica e do Vidro (CTCV) como uma atividade rele-

todas as áreas da Monitorização Ambiental: Efluentes Ga-

vante.

sosos; Efluentes Líquidos; Ar Ambiente Exterior, Qualidade

Durante estes vinte e cinco anos, o CTCV cresceu, apren-

do Ar Ambiente interior (QAI) e Ruído Ambiental.

deu, alargou o seu campo de atuação, especializou-se nesta

Um sinal do reconhecimento de instituições de referência

área e construiu o que é hoje o Laboratório de Monitoriza-

como a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Asso-

ção Ambiental (LMA).

ciação de Laboratórios Acreditados de Portugal (Relacre) é a

Tendo participado em inúmeros projetos de investigação

integração dos colaboradores do LMA na Comissão Técnica

e desenvolvimento, destacando-se um dos seus últimos, o

ONS/APA (CT71) da Qualidade do Ar e a Coordenação da

Projeto Centrar, Avaliação da Qualidade do Ar na região

Comissão Técnica Relacre/IPAC 1 – Emissões Gasosas.

centro, envolvendo cerca de 364 dias de amostragem de

Desde o início que o CTCV tem apostado nos melhores

poluentes da do ar ambiente exterior, monitorizando cerca

equipamentos disponíveis no mercado, homologados pe-

de 1000 fontes fixas (chaminés) por ano, cerca de 50 carac-

las entidades oficiais e que cumprem com os métodos de

terizações anuais de Ruído Ambiental, conseguindo a certi-

referência, permitindo ser um dos laboratórios mais bem

ficação energética e da qualidade do ar interior de diversos

equipado do país e com maior autonomia, dispondo de

grandes edifícios de serviços após passarem as várias fases

equipamentos para 4 equipas de amostragem de efluentes

das auditorias de Qualidade do Ar Interior; o LMA é sem

gasosos, para 4 equipas de ar ambiente exterior e para 3

dúvida um Laboratório de excelência.

equipas de ruído ambiente. Sendo que as determinações

Estando acreditado para todos os ensaios relevantes para o sector industrial, pelo Instituto Português de Acreditação (Anexo Técnico nº L-0307), cerca de 26 ensaios (Ruído Am-

analíticas são asseguradas internamente pelo Laboratório de Análise de Materiais (LAM). A aposta na qualificação de excelência tem sido um investimento contínuo nos colaboradores do LMA de maneira a estarem sempre a par dos últimos desenvolvimentos metodológicos e sendo por isso dos melhores técnicos especialistas a atuar no mercado da monitorização ambiental. De realçar que o LMA é associado da Source Testing Association (STA), uma instituição de referência mundial no âmbito das emissões gasosas e qualidade do ar, estando em constante contacto com esta entidade e participando ativamente nas suas formações especializadas, conferências e comissões técnicas.

66 | Keramica | CTCV


stria para as

rceiro da indú pa r ho el m o r se a te en m O LMA continuará segura is monitorizações ambienta As sinergias existentes entre as diversas unidades e labo-

tura ou para executar as medições de acordo com as me-

ratórios do CTCV, têm também permitido que a atividade

todologias obrigatórias por lei; por vezes trabalha-se sob

da monitorização ambiental se complemente com ativida-

temperaturas extremas (os nossos máximos são +67ºC e

des de consultoria técnica ambiental, de HST ou de quali-

-13ºC); poeiras e odores irrespiráveis (falta-nos depois o

dade ou com outros serviços laboratoriais, tais como: mo-

apetite para o jantar); longas noites passadas ao relento;

nitorizações no âmbito da HST ou no âmbito da qualidade

longos dias passados ao sol sem qualquer sombra; vento e

do produto ou das matérias-primas, permitindo oferecer ao

chuva; veículos atolados na lama; muito peso sempre para

cliente um serviço completo.

carregar; longas viagens…

Nesta área de atividade foram superados ao longo dos anos inúmeros desafios técnicos: surgiram novas metodolo-

Mas no final de todo o esforço, temos o privilégio de ver o mundo noutra perspetiva, ficamos mais perto do céu…

gias de amostragem e determinação cada vez mais comple-

Todos os colaboradores, clientes e fornecedores que pas-

xas; novos equipamentos cada vez mais sofisticados e sensí-

saram pelo LMA, deram o seu contributo para superar os

veis; novas áreas de monitorização ambiental; novos setores

desafios, construíram uma equipa forte que foi mudando

industriais; novos colaboradores; novos clientes; nova legis-

e amadurecendo ao longo dos anos deixando um legado

lação; muitas exigências do IPAC, da APA da CCDR e dos

fundamental no meio das Monitorizações Ambientais que

clientes; muita concorrência nem sempre leal…

perdurará e crescerá.

Infelizmente nem sempre o rigor técnico das amostragens

Da contínua aposta em novas áreas da monitorização

e a fiabilidade dos resultados é relevante para os clientes.

ambiental, destaca-se uma nova área de especialização do

Em especial nesta altura de crise económica, tem-se verifi-

LMA, os Odores.

cado que o preço das monitorizações ambientais a qualquer

A problemática dos odores no meio ambiente é um pro-

custo (ou abaixo do preço de custo) tem ganho terreno em

cesso complexo, pois leva a uma insatisfação e uma inco-

detrimento da qualidade e da fiabilidade dos resultados.

modidade das populações difícil de solucionar. Existem uma

Este fator poderá colocar em risco, não só a atividade de

série de fatores que afectam a problemática dos Odores,

monitorização ambiental, descredebilizando-a, mas tam-

que vão desde a qualidade e as características das emissões

bém contribuir para a degradação do meio ambiente e dos

gasosas de fontes fixas a factores climatéricos, sociais, eco-

ecossistemas nacionais.

nómicos e culturais da comunidade afectada, que muitas

Apesar de todas estas pressões, o LMA não tem cedido

vezes se relacionam entre si. Há no entanto metodologias

e tem não só mantido os seus níveis de qualidade, como

de monitorização de Odores perfeitamente validadas com

continuamente melhorado quer as suas metodologias, quer

resultados quantificáveis e comparáveis que podem ser uti-

o report dado ao cliente, permitindo ter resultados cada vez

lizadas, consoante o objetivo das medições.

mais precisos.

Superando os novos desafios que se avizinham, a equipa

Por outro lado, têm também sido superados muitos de-

do LMA continuará seguramente a ser para os próximos 25

safios físicos: continuam a existir muitas chaminés e seus

anos o melhor parceiro da indústria para as monitorizações

acessos sem condições de segurança para trabalhos em al-

ambientais.

Keramica | CTCV | 67


LHI

LABORATÓRIO DE HIGIENE INDUSTRIAL

Susana Rajado

O Laboratório de Higiene Industrial (LHI) surgiu em 2008

fundamental, tendo o LHI obtido, logo no seu ano de arran-

a partir de uma necessidade de reorientação estratégia dos

que, a acreditação dos ensaios de Avaliação da exposição

serviços do CTCV.

a ruído laboral, de Avaliação da exposição a vibrações no

Os serviços prestados pelo LHI estiveram desde a sua

corpo humano, de Amostragem de fibras em suspensão no

génese integrados na Unidade de Saúde e Segurança do

ar (amianto) e de Amostragem de partículas (incluindo sílica

Trabalho do CTCV, numa complementaridade de serviços

livre cristalina).

que potencia os resultados junto dos clientes de ambas as unidades.

Gradualmente, as suas atividades foram sendo alargadas, para dar resposta às crescentes necessidades do seu mer-

Este Laboratório está particularmente vocacionado para

cado de atuação e à crescente exigência legislativa que se

a realização de ensaios que permitem monitorizar um con-

impõe às empresas suas clientes. Assim em 2011 foi con-

junto alargado de parâmetros de risco e de contaminantes

cedida a extensão da acreditação para a Determinação de

do ambiente de trabalho e, apesar da sua juventude, tem

índices de stress térmico em ambientes severos e para a De-

tido uma dinâmica inovadora de atuação, acompanhando

terminação dos níveis de iluminância.

de perto os desenvolvimentos do mercado e do quadro legislativo.

Já em 2012, o LHI alargou novamente o seu leque de atuação, ao adquirir um radiómetro portátil para medição

No seu ano de arranque o LHI começou por oferecer um

de radiações óticas e artificiais não coerentes, no âmbito da

conjunto de serviços que já eram oferecidos pelo CTCV,

Diretiva comunitária 2006/25/CE e Lei 25/2010, relativa às

mas no âmbito da Unidade de Segurança e Saúde no tra-

prescrições mínimas de saúde e segurança em matéria de

balho. Desde logo, a aposta na acreditação como sinónimo

exposição dos trabalhadores aos riscos de vidos aos agentes

de credibilidade e competência técnica foi assumida como

físicos (radiação ótica artificial). FORMAÇÃO EM CONTEXTO DE TRABALHO Para além dos serviços de monitorização e ensaio, o LHI tem também um papel ativo na melhoria das práticas de trabalho, nomeadamente colaborando com a Unidade de Saúde e Segurança do Trabalho e a Unidade de Formação e Qualificação para ministrar cursos de formação de especialidade com destaque para algumas ações, nomeadamente: 1. Avaliação e Controlo do Ruído, Vibrações e Ambiente Térmico (que inclui uma sessão de prática simulada para familiarização da prática de medições e equipamentos de medição); 2. Segurança e Saúde no Trabalho para Trabalhadores Designados, Empregadores e Representante do Empregador.

68 | Keramica | CTCV


conjunto alargado de um ar riz ito on m m ite rm pe O LHI realiza ensaios que biente de trabalho am do s te an in am nt co parâmetros de risco e de PROJETOS DE RELEVÂNCIA Desde a sua criação em 2008, o LHI tem procurado es-

PAPEL DO LHI NO TECIDO INDUSTRIAL PORTUGUÊS – QUE FUTURO?

tabelecer um estreito relacionamento com as entidades

O LHI tem apostado, desde

oficiais e associações, com todas as mais-valias que este

o início, numa sólida forma-

esforço representa para os clientes do laboratório. Assim,

ção dos seus Técnicos Higie-

em 2009 e 2010, o LHI foi a entidade seleccionada pela

nistas (quer do ponto de vista

Associação Empresarial de Portugal (AEP) para a realização

técnico, quer humano), com o

das monitorizações do ambiente de trabalho, no âmbito do

intuito de que as suas funções

Programa PREVENIR. O trabalho foi realizado num universo

(Recolha de toda a informa-

de 100 empresas: 40 empresas do sector da Indústria da

ção pertinente e necessária à

Cerâmica e do Vidro, 40 empresas dos sectores das Indús-

realização dos trabalhos, pre-

trias de Plásticos e Borrachas e em 20 empresas da Indústria

paração dos equipamentos

Química.

de amostragem e medição,

Em 2012, o LHI foi novamente selecionado pela Asso-

trabalho de campo e trata-

ciação Empresarial de Portugal (AEP) para a realização das

mento de dados e elaboração

monitorizações do ambiente de trabalho, no âmbito do

dos relatórios) sejam desempenhadas com o máximo rigor

estudo “IMPACTO DO PROGRAMA PREVENIR”, desta feita

e profissionalismo.

abrangendo 40 empresas dos sectores: Metalúrgico e Meta-

O tratamento de dados e elaboração de relatórios é efe-

lomecânico, Mobiliário e de Madeira, Têxtil e do Vestuário,

tuado sempre com um olhar crítico sobre os resultados,

Cerâmica e do Vidro, Plásticos e Borracha, Alimentação e

comparando-os com os parâmetros e valores de referência

Bebidas, Joalharia, Ourivesaria e Relojoaria e Produtos Quí-

e fazendo recomendações e sugestões de melhoria, apos-

micos.

tando neste tipo de mais-valia para o cliente como forma de

Já em 2011 foi aprovado pelo QREN e contratado pela

se impor num mercado cada vez mais concorrencial.

APICER um projecto na área da sílica livre cristalina, que

O LHI está preparado para prestar serviços de grande pro-

envolveu um conjunto de 32 empresas do sector cerâmico,

fissionalismo, acrescentando valor aos clientes e maximi-

e que apresentou uma forte componente participativa do

zando as sinergias entre as empresas e o laboratório, acre-

LHI, nomeadamente na monitorização dos teores de sílica

ditando que será possível crescer e afirmar-se como uma

livre cristalina nas diversas empresas.

marca de referência no panorama nacional.

Keramica | CTCV | 69


SGM

Sistemas de Gestão e Melhoria

Enquadramento aos Sistemas de Gestão

Marta Ferreira

desempenho produzem um produto ou prestam um serviço

A constante evolução do contexto sócio-económico torna

que no cliente invoca sentimentos de satisfação ou insatis-

cada vez mais relevante que as organizações mantenham

fação. A melhoria deste ciclo apresenta-se como um dos

as suas vantagens competitivas sobre a concorrência, me-

maiores desafios da gestão das organizações.

lhorando continuamente os seus processos. Assim, é im-

Embora em todos os estilos de gestão exista o fator intui-

perativo que estas se diferenciem dos seus concorrentes

tivo e relacionado com a experiência, é inquestionável que

em relação ao serviço prestado e produto fornecido, sem

as decisões devem ser, tanto quanto possível, baseadas em

descurar a sua organização interna, força motriz para o de-

factos credíveis e quantificáveis. Nunca foi tão marcante a

senvolvimento sustentado.

necessidade de obter o “quanto” correto para que se possa

Num tecido industrial em dificuldades, as empresas de-

acertar no “como”. Esta lógica empresarial tem ganho re-

vem distinguir-se entre si pelo valor acrescentado nos seus

levância nas últimas décadas e, sendo hoje uma verdade in-

trabalhos para o cliente e pela melhoria contínua dos seus

contestada, suportou no passado as primeiras necessidades

processos, produtos e serviços prestados. Mas todas as or-

da indústria portuguesa ao nível da organização e melhoria

ganizações operam num equilíbrio dinâmico que resulta da

dos Sistemas de Gestão, despertando o CTCV para uma

interligação entre os vetores associados aos seus colabora-

nova área de prestação de serviços.

dores, aos recursos existentes e à relação mais ou menos estável com os seus clientes. Trata-se de um ciclo contínuo

História da USGM

em que, com o suporte da gestão, os colaboradores da or-

A década de 90 constituiu para o tecido empresarial

ganização se especializam na sua função e através do seu

português o início da cruzada de adaptação aos mercados internacionais. Novas políticas, novas regras e novas exigências tornavam imperativo que as empresas mudassem o paradigma de gestão fazendo-o evoluir no sentido da reestruturação tecnológica e humana. No mesmo sentido, o CTCV alinhou a sua estratégia de acordo com estes objetivos tendo, em 1992, iniciado a definição das regras básicas do seu Sistema de Gestão da Qualidade, documentando-as num manual e implementando-as ao longo da sua cadeia de valor. Paralelamente a este desenvolvimento interno, o CTCV recebeu solicitações para que os seus serviços fossem prestados diretamente em ambiente industrial, no cliente, sob a forma de consultoria com técnicos especializados. O objetivo era transpor para a realidade das empresas os requisitos normativos, nomeadamente da ISO 9001, incorporando o

70 | Keramica | CTCV


ter o “quanto” ob de e ad id ss ce ne a e nt Nunca foi tão marca omo” que se possa acertar no “c

correto para

know-how existente e incrementando-o com as melhores

definidas ou à implementação integral de referenciais nor-

práticas em vigor. Em 1995, à equipa inicialmente composta

mativos que conduzam à melhoria integrada do desempe-

pelo Eng. Vaz Serra e pelo Eng. Ilharco de Moura, juntou-se

nho e à certificação do sistema em causa. Através de uma

o Eng. Valente de Almeida, a Eng.ª Conceição Fonseca e o

metodologia de trabalho desenvolvida internamente e tes-

Eng. Baio Dias, ainda hoje colaboradores do CTCV, embora

tada em organizações dos mais diversos setores, os técnicos

atualmente noutras áreas de intervenção. Como comple-

da USGM planeiam os projetos com base na identidade e

mento às suas atividades principais, estes técnicos presta-

dinâmica da organização, tendo em conta as suas necessi-

vam consultoria na recentemente criada QCV “Qualidade

dades, aportando ganhos de eficiência que se traduzam na

na Cerâmica e no Vidro”.

melhoria do desempenho e apostando na eficácia dos pro-

A relevância dos projetos desenvolvidos conduziu à ne-

cessos. Esta metodologia de trabalho tem garantido taxas

cessidade de criar uma estrutura permanente, dedicada aos

de sucesso elevadas sendo a razão da fidelização de muitos

Sistemas de Gestão a tempo inteiro. Em 1997 surge a Uni-

clientes a esta equipa de trabalho.

dade de Sistemas de Gestão da Qualidade (USGQ) com a

Adicionalmente aos projetos desenvolvidos com os seus

entrada da Engª Sofia David e a passagem definitiva do Eng.

clientes, a USGM colabora com outras entidades no de-

Baio Dias para os Sistemas de Gestão.

senvolvimento de documentação técnica de referência de

A USGQ foi alargando a sua intervenção quer ao nível

apoio à indústria. Neste âmbito, destacam-se os Manuais

da tipologia de projetos, quer na diversidade de clientes.

de Controlo da Produção para a Cerâmica Estrutural, Pa-

Inicialmente ligada aos Sistemas de Gestão da Qualidade,

vimento e Revestimento e a Caracterização do Subsetor

evoluiu naturalmente para a integração de sistemas, pro-

da Indústria Cerâmica Estrutural em Portugal (ambos em

porcionando também conhecimento técnico ao nível dos

parceria com a APICER). A USGM integra também regular-

Sistemas de Controlo da Produção. Com o decorrer dos

mente projetos de cooperação internacional (ex: Interreg),

anos incorporou no seu leque de competências áreas e ser-

colaborando com outras instituições congéneres na análise

viços diversificados, operacionalizando o desenvolvimento e

e desenvolvimento de ferramentas de boas práticas associa-

incrementando o desempenho dos sistemas de gestão em

das aos sistemas de gestão.

que atuava. A abrangência alcançada foi determinante para

Quer seja em parcerias duradouras ou em projetos pon-

a evolução na sua designação: Unidade de Sistemas de Ges-

tuais, a USGM encontra-se focalizada no cumprimento dos

tão e Melhoria – USGM.

objetivos estabelecidos pelos seus clientes procurando sempre proporcionar mais-valias e potenciar o sucesso das orga-

A USGM no Presente

nizações com as quais tem o privilégio de trabalhar.

Atualmente a USGM encontra-se integrada na Direção de Processos e Sistemas do CTCV e presta serviços de consultoria e suporte técnico no âmbito dos sistemas de gestão, formatados de acordo com as necessidades dos seus clientes e orientados para cumprimento dos seus objetivos. Privilegia o trabalho em parceria e aporta aos seus projetos um conhecimento técnico profundo, fruto de anos de contacto prático com as empresas, nomeadamente de Cerâmica e Vidro, embora se dedique também a outros setores. Para além das tradicionais temáticas associadas aos sistemas de gestão, a USGM agrega atualmente competências ao nível da Responsabilidade Social, Gestão de IDI, Gestão de Energia e Controlo da Produção (Marcação CE e Certificação de Produto), entre outras. A profundidade e a abrangência dos projetos desenvolvidos pela USGM depende dos objetivos da organização sua cliente. Podem estar ligados a melhorias pontuais em áreas

Keramica | CTCV | 71


AS

ambiente e sustentabilidade Missão

Marisa Almeida

nacional e da Comunidade Europeia, diversos requisitos

A unidade de ambiente e sustentabilidade (UAS) do Cen-

legislativos, relativos ao controlo da emissão de efluentes

tro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro (CTCV) tem como

gasosos, líquidos, resíduos, ruído e à prevenção e contro-

missão apoiar as empresas e outras organizações no suporte

los integrados da poluição, avaliação de impacte ambiental,

técnico e de conhecimento conducentes à implementação

entre outros.

de melhores práticas ambientais, melhoria contínua, ecoinovação e sustentabilidade.

A atividade da UAS iniciou-se assim no seio da Unidade de Energia com apenas 1 técnico superior dedicado à área, tendo rapidamente evoluído para 3 técnicos superiores.

Breve resenha histórica

Foi fundamental em 1995 a criação do então designado

A UAS tem mais de 2 décadas de existência, tendo evoluí-

Laboratório da Qualidade Ambiente (LQA) para apoio nas

do em termos de forma, conteúdo e recursos em consonân-

monitorizações de efluentes líquidos, gasosos e caracteriza-

cia com a visão estratégica do próprio CTCV.

ção de alguns resíduos, medição de ruído ambiental e labo-

Esta unidade surgiu na década de 90, fruto de crescentes

ral, medições de vários parâmetros de higiene industrial, bem

preocupações de diversas partes interessadas na preserva-

como apoiar a investigação de novas opções de valorização

ção do ambiente, de forma a salvaguardar um crescimento

de resíduos e desenvolvimento de produtos inovadores.

sustentável da indústria. Este equilíbrio entre o desenvolvi-

Mais tarde, em 1998, fruto de uma estratégia de especia-

mento económico, ambiental e social é vital para a pros-

lização de conhecimento foi criada a unidade de ambiente

peridade das atividades económicas, quer ao nível do seu

que abarcava por um lado as atividades do LQA, as ativida-

próprio processo de funcionamento, quer ao nível da sua

des de consultadoria e apoio à indústria, a I&D, formação,

política de mercado.

bem como atividades no âmbito da saúde e segurança, pos-

Foi também uma década onde se publicaram, a nível

suindo nessa altura um total de 10 colaboradores só nesta área. Em 2002 a UAS tornou-se autónoma do laboratório móvel e de amostragem e da unidade de saúde e segurança, tendo posteriormente sofrido algumas restruturações, consequência duma aposta crescente no tema da sustentabilidade. Principais marcos históricos Como marcos históricos desta unidade salientam-se em 1998/1999 o apoio aos associados da APICER no contrato de adaptação à legislação ambiental, bem como no contrato de melhoria contínua à AIVE e respectivos associados. Salientam-se ainda uma série de projectos de valorização de resíduos como lamas de ETAR (Ecobrick) e ETARI, resíduos de fundição, pasta e papel (Ecocel), indústria automóvel,

72 | Keramica | CTCV


tais, melhoria en bi am as ic át pr s re ho el Implementação de m lidade eco-inovação e sustentabi em materiais cerâmicos, numa perspectiva de mais-valia em termos de melhorias de desempenho térmico, acústico, etc., ou seja criando simbioses industriais. Destaca-se ainda a participação numa série de projetos sobre boas práticas ambientais como: • Estudo sobre a redução do teor em flúor nos efluentes gasosos da indústria cerâmica (2000); • Tratamento e reutilização de resíduos sólidos na indústria cerâmica (eco.valor) (2000); • Projeto ETIV – emas technical implementations and verification (2006), onde se desenvolveu e apresentou casos de estudo de cerâmicas que implementaram o EMAS; • Quality-SME – Guia para um gestão integrada da qualidade, do ambiente e da saúde e segurança no trabalho nas PME ao abrigo do Interreg co financiado FEDER; • Projeto nacional de Benchmarking e Boas Práticas – BBP

contínua,

Principais atividades Em termos de apoio técnico, destacam-se áreas muito diversificadas como o apoio a: • Licenciamento industrial e de barreiros; • Estudos de impacte ambiental; • Licenciamento ambiental e à implementação das melhores técnicas disponíveis (MTDs), PDA e RAA, registo PRTR; • Implementação e operação de sistemas de gestão ambiental e auditoria ambiental; • Gestão da economia de carbono nomeadamente no comércio europeu de licenças de emissão; • Relatórios de sustentabilidade; • Avaliação do ciclo de vida (ACV) e declarações ambientais de produto (DAP); • Ecodesign e ecoinovação; • Construção sustentável.

– nomeadamente a parte relativa ao ambiente e sutentabilidade;

Perspetivas futuras

• Projetos na área da qualidade do ar nomeadamente

Em termos de perspetivas futuras a UAS pretende estar

o projeto QUALMAR (2007-2009) sobre qualidade do ar

alinhada com os principais eixos estratégicos e factores de

na Marinha Grande, através de uma parceria com a CM

competitividade da indústria, promovendo a valorização de

Marinha Grande e AIVE e o projeto CENTRAR (2008-2010)

produtos particularmente orientados com a perspetiva de

sobre qualidade do ar na Região Centro, em parceria com

pensamento de ciclo de vida, nomeadamente integrando

a CCDRC;

conceitos de eco-design (integração sistemática de conside-

• InEDIC – Innovation and Ecodesign in the Ceramic In-

rações ambientais no processo de conceção de produto ou

dustry (2009-2011), projeto no qual foram desenvolvidos

processos) e de eco-inovação que visem a prevenção ou a

materiais de formação e ferramentas na área do ecodesign

redução dos impactes ambientais ou que contribuem para

para a indústria cerâmica;

a otimização da utilização dos recursos ao longo do ciclo

• Greenwave – Sinterização Assistida por Microondas de

de vida.

Porcelana, com vista a contribuir para a melhoria da eficiên-

Por outro lado, a valorização da sustentabilidade e habi-

cia energética e ambiental da indústria de fabrico de porce-

tat e o lançamento de projetos complementares alinhados

las. Projeto em parceria com diversas instituições;

com o cluster Habitat Sustentável são também temas estra-

• Elaboração de DAP – declarações ambientais de produto – materiais cerâmicos, em parceria com a APICER.

tégicos a desenvolver. A orientação de acordo com políticas e estratégias go-

Esta unidade publicou também mais de 5 dezenas de ar-

vernamentais europeias e nacionais, será, como aliás têm

tigos em revistas da especialidade, congressos e seminários

sido, um eixo fundamental a considerar, perspectivando-se

nas mais diversas áreas temáticas do ambiente e alguns ma-

nesta área grandes evoluções ao nível de comércio europeu

nuais, dos quais se destaca:

de licenças de emissão e outros instrumentos de gestão de

• Almeida M, Serra V, Dias B. – Impactes Ambientais e

carbono com vista à descarbonatização da economia, bem

Comércio de Emissões, Indústria Cerâmica – Um caso de

como novas abordagens na área dos instrumentos volun-

estudo. Ed. APICER – Associação Portuguesa da Indústria

tários de comunicação ambiental (rótulos, pegadas, etc.),

Cerâmica, Coimbra; 2004.

uma vez que tem existido uma grande proliferação destes

A atividade de formação tem sido também uma constan-

instrumentos e ferramentas de eco-marketing, sem que por

te, executando planos de formação à medida das necessi-

vezes o mercado reconheça as diferenças e vantagens de

dades das organizações, em regra integrados com outros

tais instrumentos. Uma sistematização destas ferramentas

temas que o CTCV disponibiliza, ou num plano de oferta da

promoveria a credibilização e confiança no produto e a res-

especialidade no domínio.

ponsabilização dos produtores.

Keramica | CTCV | 73


SST

SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO

Francisco Silva

A Unidade de Segurança e Saúde do Trabalho (USST) foi

Atualmente, encontra-se em fase de conclusão o projeto

criada em 2000, pela necessidade de se criar no CTCV uma

“Desenvolvimento e Sensibilização para as Boas Práticas de

estrutura orgânica que assegurasse a prestação de serviços

Redução da Exposição dos Trabalhadores da Indústria Ce-

na área da Segurança e Higiene no Trabalho (SHT). Desde

râmica à Sílica Cristalina Respirável”, desenvolvido para a

então que os principais objetivos da USST são:

APICER no âmbito do SIAC, com o qual se pretende ajudar

• Apoio aos setores das indústrias cerâmica e do vidro

na resposta a mais um desafio posto à indústria cerâmica.

na definição e implementação das medidas legais e boas práticas de prevenção de riscos profissionais; • Criação e divulgação de conhecimento na área da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho; • Prestação de serviços de qualidade diferenciada às empresas.

Campanha para a Melhoria das Condições de Trabalho na Indústria Cerâmica Iniciada em 2001, esta campanha marca de forma indelével a atividade da USST e de todo o setor cerâmico, devido à visibilidade que deu às questões de SHT entre os em-

Em conjunto com o Laboratório de Higiene Industrial

presários, quadros, chefias e trabalhadores das empresas.

(LHI), criado em 2008 para assegurar as medições de con-

De entre as muitas iniciativas levadas a cabo, salienta-se a

taminantes químicos e físicos no ambiente de trabalho, a

publicação de 4 Manuais de Prevenção específicos para as

USST tem desenvolvido e continuará a desenvolver ativida-

empresas cerâmicas e de material didático para a Formação

des de promoção da SHT que contribuem decisivamente

em SST dos trabalhadores do setor.

para a melhoria das empresas e dos sectores que assiste.

74 | Keramica | CTCV

Salienta-se, igualmente a realização de um estudo da


das empresas io se no a nç ra gu se de a cultura A implementação de um nizações confiáveis ga or o sã s ta es e qu ra st demon sinistralidade laboral no sector cerâmico e, em colabora-

prestação de apoio técnico especializado em áreas como

ção com o Laboratório de Ergonomia da Universidade do

a prevenção e resposta a emergências, segurança contra

Minho, o Estudo Ergonómico dos postos de trabalho dos

incêndios, ergonomia, remoção de materiais contendo ami-

subsectores da Louça Sanitária e da Louça Utilitária e De-

anto, entre outras, permitem às empresas responder ade-

corativa.

quadamente às suas necessidades nesta área. Complementarmente, a colaboração com o Laboratório de Higiene In-

Serviços de Segurança no Trabalho Em 2005 o CTCV foi a 3ª entidade a nível nacional a ser autorizada pelas entidades oficiais para a prestação dos Ser-

dustrial coloca ao dispor dos nossos clientes um conjunto alargado de meios de medição dos contaminantes potencialmente existentes nos seus locais de trabalho.

viços de Segurança e Higiene do Trabalho. Em 2012 foi feita a 1ª auditoria para manutenção da au-

O futuro agora

torização para prestação dos serviços sendo, também, alar-

A implementação de uma cultura de segurança no seio

gada a autorização para prestação dos Serviços de ST em

das empresas demonstra que estas são organizações confi-

empresas com atividades de risco elevado:

áveis, desenvolvendo a sua atividade de forma socialmente

• Trabalhos em obras de construção, escavação, movi-

sustentável.

mentação de terras, de túneis, com riscos de quedas de

A USST está a desenvolver competências necessárias para

altura ou de soterramento, demolições e intervenção em

fazer face aos desafios lançados por riscos emergentes, no-

ferrovias e rodovias sem interrupção de tráfego;

meadamente, no trabalho com nanomateriais, possuindo

• Atividades de indústrias extrativas;

meios técnicos e humanos para acompanhar as empresas

• Atividades que impliquem a exposição a agentes bioló-

do setor cerâmico no seu desenvolvimento tecnológico, as-

gicos do grupo 3 ou 4; • Atividades com risco de silicose.

segurando, ao mesmo tempo, a proteção da segurança e saúde dos colaboradores.

Nesta atividade o CTCV destaca-se da maioria das restantes empresas pela personalização do serviço, pelo rigor técnico e pela adequação das práticas às características da empresa cliente. SST – Uma visão integrada A USST presta serviços na área da SST de forma integrada, apoiando as empresas na avaliação e controlo dos riscos, tendo em consideração a legislação aplicável e as práticas de gestão. Os benefícios que a SST pode trazer para as empresas que a utilizam como vantagem competitiva só são atingidos se for encarada como algo inserido na empresa, que faz parte do seu dia-a-dia. A USST propõe às empresas um conjunto de serviços que lhes permitem atingir esse propósito. A atividade dos técnicos da USST nos seus clientes divide-se em três grandes grupos: • Prestação de Serviços de Segurança no Trabalho; • Apoio na implementação de Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde do Trabalho; • Consultoria especializada. As ações de apoio técnico, formação, informação e consulta dos trabalhadores, diagnósticos e auditorias e a

Keramica | CTCV | 75


STI

SISTEMAS E TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO A missão da Unidade de Sistemas e Tecnologias de Informação (USTI) consiste no desenvolvimento de soluções

João Barata

auditorias, não conformidades, ações, reclamações, entre outros processos relacionados com a certificação.

informáticas inovadoras para gestão de referenciais ISO.

Foi devido à sua simplicidade e conformidade normativa

Criámos e consolidámos uma visão das tecnologias ao ser-

que o sistema ISI9000 se generalizou a toda a indústria e

viço das pessoas, privilegiando a simplicidade e a utilidade.

também a serviços. A informática passou a ser um aliado da

Inspiramo-nos em normas e recorremos a elas para a me-

certificação, melhorando a imagem interna da norma, redu-

lhoria dos produtos e processos.

zindo a burocracia, melhorando a produtividade. Constituiu

Desde a sua fundação que o CTCV procurou comple-

para muitos uma surpresa que os setores tradicionais da ce-

mentar a oferta de serviços com tecnologias de informação,

râmica e vidro tivessem a capacidade de gerar tecnologia re-

facultando uma diferenciação, automatizando processos e

presentativa do que de melhor existe para gestão da quali-

promovendo as melhores práticas através de software. Es-

dade. O ISI9000 passou a ser uma solução ambicionada por

teve sempre subjacente a vocação de “consultoria eletró-

consultores nas suas implementações, foi apresentado em

nica”, através de ferramentas de elevada incorporação de

exposições nacionais e internacionais, passando a constar

conhecimento.

em cursos de formação profissional e de ensino superior.

Em 1997 foi criada a primeira equipa de desenvolvimen-

Outras soluções mais específicas foram também desen-

to, tendo como objetivo a conceção de um software para

volvidas em complemento ao ISI9000: MPCalc, um sof-

apoio à norma ISO 9001, em especial nos seus requisitos de

tware para cálculo de composições cerâmicas recorrendo

documentação e análise. É então lançado o ISI9000, uma

a algoritmos de investigação operacional; I-Quime, um sof-

das primeiras soluções nacionais para gestão da qualidade.

tware muito generalizado na cerâmica para a gestão das

Em poucos anos esta solução tornou-se líder nas indústrias

fichas de dados de segurança; Calibra, uma aplicação de

cerâmicas, com os módulos de gestão documental, avalia-

referência para gestão das calibrações e EMMs; GFS, uma

ção de fornecedores, processos e indicadores, formação,

plataforma para gestão da formação profissional; eCO2®, uma solução de gestão ambiental orientada para o comércio de emissões; GENE, uma plataforma para monitorização de consumos energéticos; myDoX®, um sistema de gestão documental, vigilância tecnológica e difusão de informa��ão, incluindo documentos internos e externos como a legislação, normas ou manuais técnicos. No início da década de 2000, tendo como base uma tese de mestrado em informática na FCTUC, é desenvolvida a primeira versão do software GTM – Gestão Total da Manutenção. Apesar de ser uma atividade essencial à indústria e existirem já no mercado várias soluções de suporte, a manutenção era uma área pouco desenvolvida na sua gestão.

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), líder em soluções

icrosoft (MIC M ão aç ov In de o tr en C A STI é atualmente um informáticas referenciais Era fonte de não conformidades frequentes na certificação,

cânica, turismo ou ambiente, utilizam aplicações do CTCV

eram raras as instalações com um registo completo e ade-

para gerir os seus equipamentos. Grupos globais como a

quado do histórico de intervenções, o planeamento era

Renault, Mitsubishi, Daimler, KPMG ou Exide confiaram ao

insuficiente. Foi identificado que uma das dificuldades das

CTCV o desenvolvimento informático de áreas críticas da sua

ferramentas informáticas para manutenção era a elevada

certificação ou processos de negócio. Instituições de prestígio

complexidade, pouco compatível com as necessidades do

como o ISQ, LNEG, CTIC, CHSUL ou Certif, utilizam as plata-

nosso tecido industrial.

formas ISIMILL® para gerir os seus processos da qualidade.

Uma vez mais o CTCV se concentrou na proximidade

Contamos na nossa equipa com profissionais altamente

industrial para desenvolver uma nova solução de sucesso,

qualificados em engenharia industrial, informática e siste-

simples mas completa, com o essencial para o processo de

mas de informação. Trabalhamos com os nossos clientes

manutenção. Estava encontrado o fio condutor para a evo-

para alcançar a excelência, antecipamos as suas necessida-

lução desta unidade tecnológica: incorporação de conheci-

des e convertemos ideias em soluções eletrónicas viáveis.

mento com grande proximidade do terreno, concentração na simplicidade e necessidades dos utilizadores, inspiração nas normas internacionais. Todas as ferramentas informáticas do CTCV passaram a ter como principais designers os seus utilizadores finais, aos quais é justo transmitir o nosso reconhecimento. Nos últimos 5 anos a unidade tem investido na melhoria destas plataformas para web (ISIMILL®) e na sua ampliação a novas áreas, nomeadamente, a gestão da inovação – software heiDI, desenvolvido em investigação realizada na Universidade do Minho, gestão do relacionamento com clientes (CRM), ambiente, segurança e responsabilidade social. A nossa visão atual do sistema de informação vai muito além de um sistema de suporte, na realidade a tecnologia é apenas um dos componentes desse sistema. A relação das pessoas neste sistema, a lógica e adequação dos processos, a validação e qualidade dos próprios dados e ferramentas, todos estes elementos constituem um sistema de informação e requerem uma abordagem profissional para a qual colaboramos nos nossos clientes. Estabelecendo pontes entre a ciência e a prática industrial, a USTI protagoniza uma das funções essenciais dos centros tecnológicos. A USTI é atualmente um Centro de Inovação Microsoft (MIC), líder em soluções informáticas referenciais, dando confiança aos seus clientes na evolução e continuidade das soluções. Esta liderança comprova-se nos projetos em múltiplos setores, ao longo de 14 anos, com mais de 140 clientes. Promovemos a transversalidade de atuação setorial. A USTI já implementou soluções em Espanha e Angola. Empresas internacionais como a BP utilizam aplicações do CTCV para gerir os seus ativos. O ISIMILL® GTM é utilizado pela Universidade de Coimbra para gerir os seus edifícios. Indústrias no setor alimentar, água, automóvel, metalome-

Keramica | CTCV | 77


FQ

FORMAÇÃO E QUALIFICAÇÃO

Sandra Carvalho

A importância dada à vertente de formação enquanto

se quer competitiva. Numa era de constante mudança, a

ferramenta competitiva para as empresas e a Sociedade em

competitividade das empresas passa pelo reforço tecnoló-

geral está patente naquele que é o principal instrumento de

gico e pela inovação. É por isso premente que as organiza-

financiamento para empresas e instituições, sendo referida

ções apostem num corpo de colaboradores, além de quali-

a sua importância em diversos documentos e planos estra-

ficados, com competências que lhes permitam uma atitude

tégicos como o Plano Tecnológico, a Estratégia de Lisboa e

construtiva e orientada para o projeto da organização onde

outros instrumentos do Quadro de Referência Estratégica

estão integrados.

Nacional – QREN.

Além da gestão da formação dos seus colaboradores,

O QREN foi delineado, tendo como grande desígnio es-

o CTCV tem um conjunto de serviços que presta aos seus

tratégico a qualificação dos portugueses, valorizando o

clientes, na área da formação profissional, nomeadamente:

conhecimento, a ciência, a tecnologia e a inovação, tendo sido mobilizado para o Programa Operacional Potencial Humano (POPH), a maior fatia do orçamento total dos fundos comunitários (cerca de 1/3 do orçamento total), sendo

• Oferta de formação de especialidade (incluindo formato e-learning); • Formação intraempresa, à medida das necessidades dos seus clientes;

que 90% deste orçamento está consignado a medidas que

• Diagnósticos de necessidades de Formação;

visam o reforço da participação no ensino e na formação

• Avaliação de projetos de Formação;

contínua, seja formação inicial, profissional ou de ensino

• Auditorias da Formação;

superior, bem como a qualidade dos sistemas de ensino e

• Consultoria formativa, que passa pelo apoio na imple-

da formação profissional. Os comportamentos, conhecimentos e aptidões das pessoas são o principal alicerce de qualquer organização que

mentação de Sistemas de Gestão da Formação e Gestão de Projetos de Formação; • Candidaturas a projetos de Gestão do Conhecimento e Formação Profissional. Vantagem Competitiva na Diferenciação de Serviços O CTCV é uma infra-estrutura tecnológica com elevada notoriedade no mercado em que atua, em todas as suas áreas de atividade e em particular na área da formação profissional, uma vez que integra uma bolsa de técnicos especialistas, com competências técnicas e pedagógicas comprovadas, pela sua experiência e conhecimento intrínseco da realidade das organizações aos seus diversos níveis, bem como a agregação de sinergias entre as várias unidades que possui, oferecendo um leque de serviços integrados e

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icerce de qualquer

o o principal al sã s oa ss pe s da s ia nc tê As atitudes e compe competitiva organização que se quer de maior valor acrescentado. A estrutura do CTCV, aliada

O CTCV tem integrado várias comissões técnicas sob a

com o conhecimento amplo e enfoque nas necessidades

gestão do Instituto Português da Qualidade – IPQ, e outros

dos clientes, permite-nos apresentar serviços integrados e

organismos competentes, nomeadamente na área da Qua-

diferenciados e oferecer soluções personalizadas, rápidas e

lidade na Formação Profissional.

flexíveis.

Neste âmbito, o CTCV, a convite do IPQ, integrou recente-

A Formação Profissional (área de atuação acreditada pela

mente uma comissão técnica para a criação de uma norma

DGERT e outras entidades reguladoras competentes), cons-

para a Sistemas de Gestão da Formação Profissional, que foi

titui uma área complementar e transversal aos diversos ser-

publicada no passado mês de Julho a “NP 4512:2012 – Sis-

viços prestados pelo CTCV, nomeadamente em áreas como

tema de gestão da formação profissional, incluindo apren-

a Energia, o Ambiente, a Qualidade, a Saúde e Segurança,

dizagem enriquecida por tecnologia”.

a Inovação, a Responsabilidade Social, Otimização de Processos, entre outras.

Actualmente, na área da Formação Profissional, o CTCV tem além dos serviços regulares que presta uma oferta for-

Na área laboratorial, promove o acesso aos seus diversos

mativa baseada no Catálogo Nacional de Qualificações, em

laboratórios acreditados, complementando e aproximando

parceria com a APICER – Associação Portuguesa da Indús-

à realidade industrial e laboratorial, as ações de formação

tria Cerâmica, que permite desenvolver competências em

que promove.

áreas-chave, como a gestão, a inovação, e o marketing.

No seu portefólio de projetos na área da Gestão do Co-

Apesar do período conturbado que atravessamos, as or-

nhecimento e Valorização de Pessoas, conta com projetos

ganizações e os seus colaboradores crêem que podem ser

desenvolvidos em parceria com empresas, universidades

mais competitivos, através do desenvolvimento de compe-

e outras Entidades do Sistema Cientifico Tecnológico, nas

tências individuais e organizacionais, assentes em modelos

suas múltiplas áreas de atuação.

de formação adequados e ajustados às suas reais necessida-

Ao longo dos 25 anos de existência o CTCV tem vin-

des. Acreditamos que cada organização é única e embora

do a desenvolver um conjunto alargado de intervenções

haja traços comuns às diversas realidades, o nosso foco é

ao nível da gestão do conhecimento, nomeadamente na

o de ir sempre ao encontro de meios de demarcar sempre

área da formação e desenvolvimento de competências,

o que é singular em cada organização, através de metodo-

tendo liderado e participado em projetos, dos quais se

logias inovadoras, capazes de potenciar a analogia entre a

destacam iniciativas como o PEDIP II, PRONACI, Ser PME

teoria e a prática.

Responsável, RSOpt (Rede Nacional de Responsabilidade Social); MODELAR; CH@TMOULD; GlassChallenge; FORBEN – Benchmarking para o Sucesso na Indústria; RESEG – Rede de Segurança; Literacia Digital (Microsoft); Inov Jovem, principal projeto na integração de jovens no mercado de trabalho, Pense Indústria – Principal Projeto desenvolvido em Portugal na mobilização de jovens para a Indústria, integrando recentemente a iniciativa F1 in Schools, um projecto de âmbito mundial, que envolve mais de 10 milhões de jovens, com o objetivo principal de estimular nos jovens a inovação, a criatividade e o empreendedorismo para áreas tecnológicas e de engenharia. Está em curso a 3ª edição do projecto QI PME, projeto de Formação – ação, desenvolvido em parceria com a ACIB – Associação Comercial e Industrial da Bairrada e muitos outros que visam sobretudo colmatar o fosso que muitas vezes existe entre as competências individuais e a realidade das organizações.

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Revista KERAMICA 25 anos CTCV