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monografia

1O ANOS APÓS O SISMO DOS AÇORES DE 1 DE JANEIRO DE 1980 Aspectos Técnico-Científicos

Volume 2

Editores Carlos Sousa Oliveira • Arcindo R. A. Lucas • ]. H. Correia Guedes

LISBOA, 1992


O conteúdo das comunicações que consta m d es ta Monografia é da exclusiva responsabilidade dos seus autores.

Edição conjunta de:

Governo Regional dos Açores Secretaria Regional da Habitação e Obras Públicas Secretário Regional: Américo Na talino Pereira de Viveiros Delegado da llha Terceira: Pedro Manuel Parreira Brito do Ri o

Laboratório Nacional d e Engenharia Civil -Lisboa Director: E. R. d e Arantes e O liveira

Direitos reservados,

S l~HOP

e LNEC, 1992 ©

Pre-impressão, impressão e aca bamen to: Sector de Artes Gráficas do LNEC A v. do Brasil, 101, 1799 Lisboa Codex

ISBN 972-49-1486-0

II


CARACTERIZAÇÃO DA EDIFICAÇÃO DE ALVENARIA TRADICIONAL ELEMENTOS PARA O ESTUDO DO COMPOR TAMENT O E RECUPERAÇÃO DO PARQUE HABITAC IONAL AQUAND O DO SISMO DE 1/1180 NOS AÇORES ]. H. Correia Guedes* Carlos S. Oliveira**

1-

INTRODUÇ ÃO

O comportame nto das cons truções de alvenaria tradiciona l durante o sismo dos Açores de 1980, quer nas zonas urbanas quer nas zonas rurais, não foi satisfa tório face à acção sísmi ca ocorrid a que atin giu o grau Vlll na escala de Mercalli Modificada. O sismo de 1 d e Janeiro de 1980 afectou gravemente o parque habitacional das ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa, danifica ndo 15 000 habitações das quais 5000 ficaram des truídas, de u m total d e 30 000 constru ções existentes. É reconhecid o que o tipo de estrutura d as constru ções de alvenaria tradicional tem limitações na resistência aos sism os, q uand o comparado com os tipos mais modernos de edifi cações correntes. Estas lim itações prend em-se com as p ropried ades intrínsecas dos diferentes elementos estruturais e com as ligações entre eles. No entanto, uma estrutura tradicional executada com perfeição seguind o as "regras da arte", isto é, mais li geira e com du ctilidade ad icional conferida por elementos de madeira, poderá resistir, de acordo com Giuffré (1989), até uma intensidade sísmica de grau IX. No caso do sismo de 80 nos Açores, o comportame nto d as estruturas foi agravado por diversa s razões. Em primeiro lugar refira-se qu e as constru ções que mais danos sofreram tinham alvenarias de fraca qualid ad e, como se pode constatar através da época e do tipo de construção. Sob esta perspecti va, diferencia-s e claramente a construção urbana anterior ao sécul o xrx, com melh or comportame nto, da constru ção que foi send o alterada posteri ormente com a abertu ra de vãos maiores e o emprego de alvenaria s de piores características. Outra das razões qu e terão contribuído para a grande ex tensão e multiplicidad e dos d anos ocorrid os terá sid o a falta d e conserva ção e manutenção nas edificações nas últimas déca das. Com efeito, e analisando essencialme nte o caso mais evidente de An gra do Heroísmo, também pode diferenciar-se entre uma zona rica no centro da cidad e, em que hou ve frequentes obras de beneficiação e que sofreu menos danos, de outras zonas mais pobres, com maior índice d e locação e em que o estado de degradação era manifesto. Esta degrad ação traduzia -se em deficiências estruturais importantes que vieram a manifestar-se durante o sismo. Uma outra causa do mau comportame nto relaciona-se com a ocorrência de frequ entes sismos de menor intensidade qu e acelera ram a degradação das construções. Dentre esta s é de referir a crise sísmica no período d e 29 d e Dezembro de 1950 e 27 de Janeiro de 1951

• Eng.° Civil, SHROP / DIT, DGIES, ex -GAR •• In vestig-a do r, LNEC

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(Agostinho, 1955), qu e provocou o colapso de um a fachada, fez tocar o sino da Igreja d o Colégio e provocou a fissuração em muitas casas. Durante a r ecente reconstrução foram d etectadas algumas reparações sumárias, rea lizadas pelos próprios proprietários, qu e consistiram na aplicação de ga tos e ferros nos cunhais e no reforço d e vergas com perfi s metáli cos. Uma outra palavra para sa li entar que a distribuição geográfica d os danos d as constru ções, facilm ente visível tanto na carta d e d anos para toda a ilha Terceira como na carta d e danos d e Angra, não se pode consid erar sem ter em conta as importantes variações espaciais observadas na acção sísmi ca. Com efeito, a propa gação da energia sísmica sofreu alterações significativas d evid o à geologia e topografia locais, fa zendo com que o movimento sísmico fosse bastante diferente d e loca l para local, mesmo em zonas próximas umas das outras, Oliveira (1991). De uma maneira geral constatou-se que a gravidade d os danos nes ta s constru ções tradicionais aumenta de baixo para cima, principalmente nas pared es d as construções de maior porte. Este comportamento é milito diferente daqu ele que se verifica nos edifícios de betão armado, em que os danos crescem geralmente d e cim a para bai xo. Em termos muito simples, pod e dizer-se que, enquanto os edifícios d e alvenari a são mai s sensíveis à aceleração que aumenta d e baixo para cima, os edifícios de betão armado são mais sensíveis aos momentos fl ectores e esforços cortantes que crescem de cima para bai xo. A maioria d os derrubamentos observou-se em casas d e pequeno porte, ao contrário do que se verificou na s construções de grande porte em qu e houve maior incid ência de desabamentos. Tal facto evid encia diferentes meca ni smos d e rotura, os qu ais dependem d e vários parâ metros entre os quais a frequência d e vibração do edifício e a frequ ência predominante do movim ento d o solo d e fundação. Em 10 anos de reconstrução, foram recuperada s ou construídas d e novo 13 000 habitações em que se empregaram técnicas diversas d e restauro, reparação e construção. Estas técnicas utili za ram essencialmente a aplicação de elementos de betão armado e d e elementos metálicos e, por vezes, d e materia is tradicionais. Neste trabalho faz-se uma análise das tipologias principais das edificações, consideradas isoladamente e em conjunto, bem como dos materiais e das tecnologias tradicionais de construção. Faz-se também a d escrição d os d anos globais e por elementos estruturais. Enumeram-se as avarias mais freq uentes e comenta-se a forma como estas contribuíram para o dano global. Sempre qu e pos ívcl, procura interpretar-se o comportamento em função das observações efectuada s . Finalmente, d escrevem-se algumas da s técnica s utiJjza da s na reconstru ção. A d escri ção é ilustrad a com casos-tipo, exemplificada com d ocumentos fotográficos e baseia-se na observação do ocorrid o. Chama- e a atenção para que, embora os exemplos reportados sejam essencialmente referentes ao parque habitacional da ilha Terceira e, na maioda dos casos, ao da cidade d e Angra do Heroísmo, a caracterização da alven aria tradicional feita neste traba lh o é fa cilmen te extensível não só a tod o o arquipélago d os Açores como também a muitas zonas do Continente. A caracterização feita pod e ser aplicada igualmente à alvenaria uti lizada em muitos monumentos. A lingu agem desenvolvida ao lo ngo do trabalho utiliza muito frequen temente a terminologia local, principalmente no qu e se refere a m ateri ais e técnica s construti va

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Elementos de estudo

Os e lementos utili zados p ara a rea li zação d es te traba lh o baseiam- e essencialm ente na experiência vivida peJos a utores no contacto directo com a rea lidade da zonél danificadas. São escassos os elem entos publicado sobre es ta ma téri a. Pa ra al ém de ter sido possível vi itar e analisar muita das construções que fornm d a nificada s e d e observar a forma como foram reconstruídas, foi ainda possíve l di spor de informação escrita ex istente no espólio d o GAl~, da qual se destacam os arquivos do Inventári o do Património Arquitectónico da Cidade d e Angra do H eroísmo (1980). Colheu-se também mujta informa ção junto das p essoas e técnicos que v iveram o sism o e colaboraram, d e a lgum a forma, no processo da reconstru ção. O conteúdo d este trabalho não se sobrepõe com o d e trabalh os recentes para a cara cterização d e alvenarias tradicionais, Fernandes (1989) e Santos et al. (1 990). Enquanto nesses a ênfase é dada sobretudo às tipologias arquitectónicas, neste chama-se a a tenção principalmente para a tecnologia da construção e para o comportam entosob acções dinâmicas. O facto d e se ter podido analisar uma "cid ad e esventrad a" permitiu igualmente ca racteri za r as tipologias arquitectónicas e urbanísti cas. O tem a gera l d esen volvido sobrepõe-se em alguns aspectos ao trabalho d e Andrade (1991), também incluíd o nes ta Monogr afia. Contudo, embora possa ha ver pequenas repetições, o tratamento dado seguidam ente, orientado som ente para o parqu e h abi tacional, cobre m a téri a bastante mais ex te nsa e com maior pormenor, pelo que se considera do maior interesse a su a apresenta ção. Algum do material fotográfico apresentado por Andrade p od eria ter sid o escolhido para ilustrar esta comunicação; ma s com o objectivo d e enriquecer a Monografia procurou-se m os trar o utras situações. 2-

CARACTERIZAÇÃ O DA CONSTRUÇÃO TRAD ICIONAL

a car acterização da con trução tradicional há que sepnrar as tipologias qu e se ob rva m no meio rural da s que correspondem às edificações urbana ·. o conjunto d esta s últimas, con vém distin guir igualmente as construções isoladas das que se encontram inserida s num quarteirão. É curi oso notar qu e na construção tradicional em que se utilizara m métod os anti gos d e construçã o, as unidades d e medi ção seguem padrões que caíram em d esuso. A aplicação d o s istema métrico ao dimension am ento d essas casas não dá valores inteiros; contudo, tal já se verifica se forem aplicados o "palmo" (22 cm), o "pé" e a "polega da". Como exemplo, cita-se a parede d e 3 palmos, a frente d e 30 palmos, e o frechal de 3" x 2". De uma forma genérica, pod e d escrever-se a construção d e alvenaria d a seguinte forma : as p ared es ex teri ores cons titu em-se, em gera l, em paredes d e fachada principal e d e tard oz, e pared es cegas d e empena. As fachada s principais dispõem de aberturas largas para janelas e portas com vergas e ombreiras, e são delimitados por cunhais. As fa chada s d e tardoz possuem pequena p e rcentagem d e abertura s. las cons truções co ntíg ua s, as pared e d e separa ção são meeira s. A espessura d e todas e tas pared es é norm alm ente (constante d e alto a baixo) d e 3 palmos, ou seja, cer a de 65 cm . 2.1 -

Tipologia das construções rurais

No meio rural encontram -se doi s tipos d e m oradia s: moradias de piso térreo e moradias de dois pisos. A moradi a d e piso térreo, cm gera l m ais mod esta, é implantada em zonas mais planas, Fig. 1 a) e b). A moradia d e d ois pi o · é ma is frequ ente nos centros

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d as freguesias, Fig . 2, a presentand o-se agrupad a em linha o u implantada isolad amente qu a ndo loca li za d a em terrenos incl inados. Tirando pa rtid o d essa inclinação, dispõe d e um a loja pa ra alfa ias agrícolas, na zona onde o terreno é m ais fund o. O primeiro and ar é afecto à habitação. U mas e o utra s p ossuem um fo rno na p arte d e trás ou lateralmente. Em alguns casos, ex iste um a cisterna lateral, junto ao fo rn o. Recolh e as águ as d a cobertura, que d epois são ca naliza d as p or u ma ca lha ao lon go d e uma parede no rm alme nte cega, e voltad a a norte o u oes te, Fig. 3. É muito frequente a casa di spo r d e uma varand a la teral m aciça e pesad a, cons truíd a em p edra, Fig . 4. A época d e constru ção d estas moradi as é p or vezes difícil d e identificar claramente, pois mu itas d elas foram reconstru íd as e alterad as após a ocorrência d e sismos. É o caso d as construções das freguesias d a Praia d a Vitó ria ond e são ra ra s as moradias anteriores ao violento sism o d e 1841 , que afectou tod a aquela zona. Pod e afirmar-se, toda via, qu e a gra nd e m aioria d as constru ções rurais existentes na Terceira terão sido edifi cada s nos séculos XIX e XX. 2.2 -

Tipologia das construções urbanas

Na s áreas urbanas as cons truções encontram-se implantad as em qu a rteirão ou em linha, apresentando m ais frequentem ente 2 e 3 pisos e raram ente ultra passand o os 4 pisos, Fig. 5 a) e b). Nas zonas urbanas m ais carenciad as ou periféricas observam-se muitos casos d e m oradias de 1 piso. As cons truções mais antigas da tam originalmente d os sécs. XVI e XVTT, Fig. 6, tend o sofrido transformações sucessivas até aos dias d e hoje (Maduro Di as, 1985). O r / c, em pedra, é em geral d o séc. XVl e XVI!, Fig.s 7 e 8. O 2.º and ar sofreu frequ entemente acrescentos no 4Y quartel d o séc. XIX em construções d e grandes vãos, utiliza nd o-se alvenaria de muito pior qualid ad e. Os principais tipos de constn1 ções ex is tentes pod em classifi car-se em três gra nd es ca tegorias, send o as dimensões m édia s mais frequ entes em pl anta as seguintes: -

Casa da frente estreita, Fig. 5 a), com 6 m d e frente por 12 m d e p rofundidad e e pátio e forno indi vidual nas traseiras, pra ticam ente já inexistente. Casa d a frente ampla, Fig. 5 b), com 12m x 12m, às vezes com p áti o, forno e chafariz nas traseiras. Casas "nobres" qu e dispõem d e dimensões a preciáveis, constituind o-se essencialm ente em m oradi as.

Nas m oradias dos nú cleos urbanos, os and ares d e ci ma, p ossuind o pés-direitos d e 3 a 3.5 m , pod em ser consid erad os com o zona de ocupação nobre, vocacionad a pa ra habitação unifa miliar. O rés-d o-chão onde está norma lmen te estabelecida uma acti vid ad e económ ica, com o, por exemplo, lojas d e com ércio o u d e prestação d e serviços, Fig. 5 a), d ispõe d e um pé-direito mais baixo, d a ordem d os 2.40 m . O acesso aos and ares d e cima é feito por uma íngrem e e cada ria a "tiro" , por vezes clarea d a por uma ja nela ilumina nte, e com d egrau s m uito altos não segu in do a lei d a com odid ad e (2 e + c > 64; e - esp elho; c - co bertor). A orga nização e utilização do espaços e ra geralmen te a seguinte (Figs. 9 e 10 apresentam , resp ectivam en te, uma p erspec tiva esq uem ática e vári os p rojectos d e casas urbanas): r/c - Comporta nd o in talações comerciais ou d e serv iços, tem normalmente a parte anteri or separad a dos espaços pos teriores por pa rede m est;·a, com aberturas muitas vezes cm a rca d a. Na fr en te, fu n iona m as lojas; na pa rte d e trás, a rrum os o u d epósitos.

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A fa chada principal é rasgada por grand e núm ero d e vãos de portas e janelas, alguns deles dispondo eventualmente d e grad es. 1.º Andar- É a zona nobre da casa onde se encontram as salas, a cozinha e os serviços de apoio. A divisão dos espaços é conseguida com pared es em tabique de madeira. A parede mestra interior vem de baixo até à cobertura . as casas mais largas existe ainda uma 2.ª parede mestra perpendicular à mestra transversa l, d esenvolvendo-se da fa chada principal à de tardoz. A fachada principal dispõe de varandas (janelas ou portas) em sacada com guarda de madeira ou de ferro fundido. A cozinha, situada na s traseiras, tem forno com câmara e chaminé. Com a reconstru ção, muitos destes fornos tradicionais fo-

ram demolidos. O corredor de distribuição e o espaço para a escada são relativamente pequenos quando comparados com com a área total da casa . 2.º Andar - É a zona dos quartos, acessíveis através de um corredor de distribuição. As paredes divisória s, em tabique de madeira, podem não coincidir com as divisórias do 1.º andar, embora na maioria dos casos, tenha havido essa preocupação. 3. 2 Andar - O último andar, em alguns casos recuado ou amansardado, constitui o sótão ou falsa para arrumas e quartos. Por vezes o número de quartos é ainda significativo. Na maior parte das construções não havia casa de banho ou, quando muito, era ex terior. Em alguns casos antes do sismo d e 1980 e na sequência da recupera ção, fizeram-se obras de remodelação que incluíram a construção de uma casa de banho na parte exterior ao nível do 1.º andar, com placa de betão armado apoiada sobre colunas de betão armado ou fundada directamente no terreno quando este se apresentava desnivelado na parte de cima do lote. Ao lon go da vida d esta s construções houve alterações importantes que se traduziram preferencialmente nos seguintes acrescentos ou substituições: -Introdução de pilares trabalhados d e ferro fundido para substituir a parede intermédia. - A partir dos anos 40, introdução de elementos d e betão armado sobretudo na casa de banho situada atrás, ao nível do 1º andar. A cozinha foi ampliada e a marquise reconstruída com placa maci ça de betã o armado. O ferro encontrava-se, à altura do sismo, muito degradado. - Num caso ou outro (raro) embebiam-se pilares nos cantos, sem ferro. Para uma quantificação da s áreas, alturas e tipologias mais frequentes, sugere-se a consulta de Lucas et al. (1991). 2.3 -Materiais

Descrevem-se nesta secção as rochas e materiais pétreos mais empregues na constru ção tradicional. Basaltos

O basalto é o material mais rijo, denso e mais resistente à meteorização. É também mai s difícil de trabalhar, apresentando tex tura compacta ou vacuolar, sendo aplicado não

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só na con stru ção d e habitações, com o també m n a pav ime ntação d e es tradas e de arruamentos, Fig. 11. Por deba ixo das escoa d as basá lti cas ocorre m por vezes ca madas d elga da s d e hem a tite qu e era utilizada com o pi gmento (verm elhão), a adicionar à ca l para pintura de pared es.

Andesitos e traquitos Os andesitos e alguns traquitos mais rijos, estes últim os facilmente trabalháveis, con stituem os ma teria is mais utilizados na construção da s paredes d e alvenaria e na execuçã o d e ca ntari as. Observam-se também muitos pavimentos térreos lajeados com este tipo d e pedra. De cor cinzenta ou cin zenta escura, variando d e tons entre o esverdeado e o esbranquiçado, por vezes acastanhado, são rocha s mai s su sceptíveis de se degradarem por meteori zação, ca recendo d a aplicação periódica de produtos na turais tradicionalm ente utilizados para revestim ento e protecção. É de referir que o valor do grau higrométrico do ar é el evado e que a proximidad e d o mar to rn a o ambiente muito agressivo. Era uso corrente caiarem-se com frequência as pared es, emprega ndo-se também óleos para protecção das alvenarias, p o r vezes d ados a quente (p . ex., óleo d e baleia ou d e linho cozido). D epo is do sism o verificou-se que muitas das fa chad as, apesar d e terem fi ca do em bom estado, d eixaram de beneficiar d a manutenção habitua l. Em alguns casos de recupera ção deixara m-se as cantari as à vista, ou apenas enverni zada s por motivos d e decora ção. Os resultad os fo ram d esastrosos, pod end o observar-se em alguns casos a perda total d os relevos trabalhados e a inutilização d as próprias cantarias, bastando para isso os d ez a nos que entretanto passa ram, Fig. 12. As prin cipais pedreiras da zona d e Angra do H eroísmo situam-se no Espigão (Posto Santo), na Crota dos Calrinhos e em S. Mateus na Ca nada da Arruda.

Tufos basálticos e traquíticos De cor cinzenta ou cinzenta-amarelada, os tufos d e cinzas basálticas ou traquíticas, quando bem sold ad o (cin erito), constituem um ma terial trabalhável e muito resistente, como se pode comprovar pelo estado dos muralhões da s fortal ezas seiscentistas d e Angra, Fig. 13. A extracção deste tipo de materi al era feita no Monte Brasil nos loca is da ca ldeira e da ponta de Sa nto An tónio, e em São Mateus. Na zona d as Lajes ocorre um tufo castanho a cinzento escuro bem soldad o, d e aplicação generalizada nas construções d aquela zona qu e era extraído na Cald eira .

Bagacinas As bagacinas são materiais d e projecção vulcânica, muito a bundantes nas ilhas, d e cores preta, castanha ou avermelhad a, a presentand o granul ometria variada . Muito porosas e aparentemente pouco densas, por vezes com aspecto vidrado, são tradicionalmente empregues em ma ssa mes d e pavimentos e em p avim enta ção de estrada s depois de be m compactada s. São também empregu es no fabrico d e blocos d e betã o, cuja utilização foi generalizada nas constru ções mais recentes e na reco nstrução qu e se seguiu ao sismo.

Biscoito ou pedra-queimada Material so lto, d e granulometria va riável, compacto, aparecend o junto e associado à escoadas lá vica (clinker). É utili zado em muros, em con tru ções rurais e com o brita .

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Areia-do-mar Provém d as praias existentes nas ilhas Terceira e Cra cio a e das duna d a Praia d a Vitória, tendo seu emprego sido generalizado d urante a reconstrução.

Areia-da-terra

É um tufo não so ld ado d e cor cinzenta-escura ou amarelad a, ocorrendo em jazidas disp ersas pelas três ilhas sinistrad as. Observável na maio ri a d os reves timentos das pared es d as construções anteriores ao ismo, d epois de joeirado, é o úni co in erte fin o ex istente na ilha d e S. Jorge. a Terceira é extraíd a d e jazidas de tufos vulcâni cos (Mon te Bra il, S. Mateus, Sta. Bárbara). Saibro s vulcânicos Ma teriais d e projecção, d e cor esbranquiçada, oco rrendo em alg uns afloramentos di sp ersos eram apli cad os em argamassas e, como in erte fino, no fa brico d e blocos de betão antes d o sism o. Observou-se a sua aplicação em revestimento · de vias secund árias e fl orestai s. Era prática comum recolher o - finos (pó) acumulad os nas bermas d as estrad as d a zona a oeste d a Terceira, para fabri co d e arga massa.

"Barros" São muito po ucas as jazidas de solos com argil as norma lmente associad as a siltes ou olo ara solos pom ítico . Est s últimos pod em muitas vezes co fu dir- e a priori co g ilosos mas, uma vez sujeitos a ensa ios, revelam-se não plásti cos, p ossuind o um índice de absorção da ordem d o 90%, e alguma expansão. Os "barros"constituem o ligante utilizad o na composição d as argamassas e é provável que alguns deles seja m pozolanas. Provêm das jazidas ex istentes nas freguesias ou do pó d e d etrito

A rgamassas Os li ga ntes u tilizados tradi cionalmente antes do aparecimento do cimento eram feitos com arga massas d e vá rios tipos à base d e ca l, p roduzid a em forn os a partir de ca lcáreo importad o, e outros materiais recolhid os localmente:

Argamassa de ligação As arga massas de ligação, destinad a à execução d as "cam as", d o encascad o e d os rebocos d as pared es, eram obtidas com misturas de barro, areia-da -terra e água, que eram amassadas com os pés ou por juntas d e bois. A arga massa podia ser ou não misturada com cal apaga d a.

Argamassas go rdas Arga massas gordas são argam assas em cuja composição, para além d o 'ba rro" e areia, entrava a ca l viva e um óleo qu e podi a ser d e baleia, d e linhaça ou m esmo azeite. E tas arga massas têm um a presa lenta, de anos, aca band o p or ad quirir u ma grande resis tência, com o se verifi ca no refechamento das juntas d os blocos das fortificações d o Castelo de São Filipe, sobranceiro a Angra d o Heroísmo.

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É poss ível que em algumas arga massas observadas, ex tremamente duras e ad erentes, também tenham sido aplicad as pozolanas.

Argamassas de revestimentos Eram feitas com misturas de cal e areia-da-terra ou do mar. o enchimento dos fasqueados d os tabiques e em alguns rebocos observou-se que à mi stura fo ram adi cionados pêlos d e vaca, d e beiço de vaca, de crinas, e mesmo de cabelo. M adeiras

As estruturas d e cobertura e dos pavimentos intermédios são executadas com madeira proveniente das ilhas e com madeira importad a. No primeiro caso, as espécies de madeiras mais utilizadas são a acácia, o eucalipto, a faia-d a-terra, a fai a-do-norte, o pinho-da-terra, a roseira, o cedro, o cedro-d o-mato ou zimbro e, mais raramente, o castanho. Mais recentemente e nas obras d e reconstrução foi muito utili zada mad eira de criptoméria . Entre as m ad eiras importadas contam-se o pinho resinoso, o pinho-de-flandres, o pau-brasil e outras espécies exóticas, hoje difíceis d e encontrar no mercado. Os elementos estruturais executad os nesta s madeiras apresentam-se bem aparelhados e em estado razoável de conservação, incluindo as peças de vergas de portas e janelas em madeira exótica, algumas com mais de quatro séculos. Observaram-se muitos casos de pavimentos apoiados em troncos afeiçoados expeditamente à enxó, Fig. 14. Para aproveitar o maior comprimento possível dos troncos das árvores, chegaram a aplicar-se troncos bifurcados. Frequ entemente, certas peças mostram indícios de terem sido recuperadas à estrutura ou ao mastro de navios, Fig. 15 a) e b). As casas mais ricas (sobretudo na cidade) utilizavam madeiras de pinho resinoso, pinho-d e-flandres (importad os) e de cedro do mato (local) em peças já aparelhad as a esquadria. as zonas rurais as mad eiras mais usadas são o pinho-da-terra, a acácia ou pau-detoda-a-obra, a faia, o cedro, e mais recentemente, a criptoméria. Telha

A telha regional em canud o, Fig. 16, é feita com barro e materiais pomíticos, muito porosos, sendo necessá rio aplicar cerca de 35 unidades por metro quadrado de cobertura. A sua geometri a e ma terial torn am o telhado mais adaptável aos empenas da madeira da cobertura e conferem-lhe características de maior conforto térmico. Quand o encharcam, estas telh as chegam a pesar 1.2 kN/ m 2 e tornam-se muito frágeis. Apesar do aumento d e peso verificado constituir um inconveniente, melhora o comportamento da cobertura à acção dos ventos intensos. Pintura

O acabamento fin al das superfícies das paredes é a caiação, norm almente executada todos os anos, utili zando-se pigmentos como sejam o vermelhão (hematite), a siena e o ocre ama relo, sendo comum misturá-los com a cal, sebo de vaca derretido ou óleo d e ba leia . Os socos das construções são revestidos a piche.

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2.4 -

Elementos estruturais

A d escrição dos elem entos estruturais va i ser feita começa nd o por aqueles qu e m aior importância apresentam na resis tência aos sismos. 2.4.1 -Paredes exteriores Observaram-se com maior frequência os seguintes tipos d e pa redes: 1. Alvenaria de melhor qualidade, construída com pedra a parelhada regular (traquito,

basalto, cin erito ou andesito) com alternância d e corredores o u ajudas, colocadas paralelamente à parede e de travessões p erpendiculares à pared e, de acordo com as tecnologias clássicas, Fig. 17. 2 . Alvenaria de pedra irregular do mesmo m a terial da s anteriores e também em pedra-queimada, Fig. 1.8 a) e b). A colocação e tratamento são feitos com maior ou menor cuidad o, dependendo muito do mestre qu e a executou. Para um bom comportamento é essencial garantir um imbricamento perfeito entre pedras, co lmatando-se os vazios com material d e g ranulometria mais fina e p or vezes barro. Poderá ter "ca mas" ("camada" de pared e), Fig. 18 a), e di spor de matas-juntas. Mesmo bem executadas, estas alvenarias apresentam, em gerat pior comportamento sob a acção dos sismos. 3. Alvenaria d e duas folhas ou "parede dobrada" , Fig . 19 a) e b), executada com pedras escolhidas d e comprimento li geiramente superi or a 1/ 2 espessura da parede, colocadas de forma a ficarem bem imbricadas com "camas" bem d efinidas e espa ça das d e altura inferior a 1 m; o barro e pedra miúda, em pequena quantidade, enchem os vazios para formar essas "camas". Na fa ce ex terior (paramento), as pedras de alvenaria ão encabeçadas, isto é afeiçoadas à superfície exterior da parede "rolh ando-se" as aberturas a parentes. Os travessões nos panos d e pedra irregula r são colocad os a distânci as d e cerca de 1.5 m em cada camada e alternando em camadas s ucessivas, segundo a arte do m estre. A qualidade d estas pared es d ecresce com a irregularidade da p edra empregue e com o aumento da percentagem de pedra miúda e de barro aplicados. No na scim ento d as pared es e nos cun hais as pedras são arrumadas com a uxíli o d e cunha s de madeira ou ra chas d e pedra para as puxar ao alinhamento. O enchimento do espa ço interior na s pared es d e dua s folh as é feito com lascas d e p edra e barro, com barro e a reia o u mi stura de barro e ca l ou areia. As paredes de fachada d as construções urbanas apresentam grande p ercentagem de aberturas em toda a a ltura do prédi o, o qu e é conseguido à custa d e uma boa execução dos nembos e da s vergas, Fig. 20 a) e b). O revestimento da s pared es é feito com as m ais diversas espécies de reboco. O reboco mais vulgar, com esp essura d e 2 cm, é composto por um a mistura d e barro e cal sobre o qual é aplicada uma argamassa d e ca l e a reia. A Fi g. 21 ilus tra um tipo d e revestimento muito vu lgar na zona urbana. 2.4.2 -

Cunhais

A li gação entre pared es era objecto d e tratamento muito cuidado, procurando-se conferir-lhe boas característi cas de resistência. Verifi ca-se que es tas características contribuem significativamente para um melhor comportamento não só em relação às cargas verticais

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co mo também às acções ísmicas nas duas direcções horizontais. A li gação entre duas pared es ortogonais no canto d a co ns tru ção, d esign ad o por cunha!, é feita geralmente recorrendo a uma maior densidade d e pedra aparelhada, Fig. 22 . Nos casos mais simples, o cunha! é constitwdo por can tarias, dispostas alternadamente na s duas direcções ortogonais e alinhadas à prumada da intersecção da s faces ex teriores d as duas pared es, Fig. 23 a) . As pedra s dos cunhais têm forma para lelepipéd ica c são rebadilhadas na extremidad e de contac to com a resta nte pa rede. O s espaços e m altura deixados pelas p edra s e o engrossamento para o interior é exec utado co m alvenaria d e pedra comum. Este sistema apresenta variantes mais elaboradas em que se pode observar o uso d e dois corredores em lu ga r de uma pedra única a preencher a espessura total da pared e, ou deixando um vazio a encher com cascalh o, Fig. 23 b). É também muito frequente o uso de travessões alternando com os seus pares ortogonais. No caso d e prédios contíguos, a ligações entre as dua s pa redes de fachada e a pared e meeira, são executadas Fig . 23 c), co m trava mento nas duas direcções e segund o os três sentidos. O s co rredores apresentam-se ta mbém aos pares, observando-se ainda o "rebadilham ento" d as ua ex trem idades e a ex istência d e travessões. Até nas construções mais rudi m enta res podem observar-se os travamentos nos cunhais nem que seja em metad e da espessura da parede (30 cm ), Fig. 23 d) e e). Exemplos interessa ntes das li gações referidas são bem identificad os na Fig. 24 a), em que se mostra uma ligação cunha l-verga-cima lha-ombreira, bem como a presença d e um pontalete de suporte d os cabos eléctr icos, e na Fig. 24 b), uma ligação fachada-parede intermédia ortogonal. Na Fig. 25 apresenta -se uma ligação da pared e m eeira à d e fachada. 2.4.3 -

Paredes interiores

As paredes divisórias interiores, quer as d e alvenaria d e pedra quer as mad eira ou de tabique, também têm funções estruturai s. As de alvenaria são aplicadas na s construções d e maior porte, normalmente apenas nos pisos inferiores, atribuindo-se-lhes uma fun ção resistente. As pared es divisórias feitas em tabique o u tábuas em capa e camisa (frontai s), aligeirad as, utiliza m-se na distribui ção de espaços. No entanto, dada s as suas características específicas de fl exibilidad e e a sua li gação co m elem entos estruturais dos pisos e da cobertura, estas paredes desempenham um papel estrutural importante conferindo às construções "d uctilidad e" adicional.

Paredes mestras inl:eriores As paredes mestras interiores utilizam-se como elem entos de suporte no r I c e menos frequ entemen te no 1.º and ar, Fig. 26. Nas casas d e 2 pisos com plantas d e grande dimensão ocorrem também pared e mestras que dividem a casa longitudinalmente. Normalm ente todas esta s paredes ap resentam 60 a 70 cm de espessura. Arcos Na cid ade as pared es mes tra in teriores, que se encontram regra geral alinhada ao longo d o quarteirão, apre en tam no pi o térreo aberturas em arco, Fig. 27. Es tes a rcos aparecem i al ados ou em grupos d e d ois e três, Fig. 28 a) e b). A maioria é d e volta int ira, aparecend o esporadicamente arco a batidos. As suas dim ensões são muito vari áveis,

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chegando a vencer vãos de 5 m. O intradorso é em pedra aparelhada, bem esquadrilhada com acabamento final a picão. Os arcos dão continuidade estrutural tanto em altura como, e principalmente, em planta (para maior desenvolvimento ver a secção 2.5, sobre quarteirões).

Abóbadas e abobadilhas Embora as abóbadas e abobadilhas sejam estruturaspróprias para vencer vãos, estão referidas nesta secção conjuntamente com as paredes interiores. São, em geral, d e pequenos vãos, em alvenaria de pedra, descarregando directamente sobre as paredes, no caso das abóbadas, e sobre vigas metálica s, no caso das abobadilhas, Fig. 29 a) e b) . Encontram-se abóbadas ligeira s d e um betão leve constituído por britas de basa lto vacuolar (pedra mole) e de bagacina numa matriz de arga massa de cal e areia, provavelmente gorda. Elementos metálicos Raramente se encontram elem entos m etálicos para vencer vãos, Fig. 30. Esta tecnologia terá surgido em obras de reparação e como necessidad e de utilização d e grandes espaços, principalm ente a nível do r I c. Frontais Os frontais aparecem nas habitações mai s m odestas, surgindo até à altura d os "tirantes" (ver adiante), aos quais se ligam. São constituídos por tábua s largas de solho (15 a 30 cm) com tapamento de capa (saia) e cami sa com soco de madeira (barrote) e travessa (3 cm de espessura), Fig. 31. Tabiqu es Os tabiqu es de duas faces, d e interior oco ou preenchidos com tábuas arrumadas com uma polegada de espessura, são constituídos por um fasquiado emboçado e rebocado com argamassa d e cal, areia e barro a qu e se adiciona, por vezes, pêlo de vaca ou mesmo cabelo human o. O fasquiado oco é fi xa do a prum os espaçados d e 30 a 60 cm, com secções d e 4"'x 4". A Fig. 32 mostra um esquema e uma vista de uma porta e tabique com prumos e fasqueado e a Fig. 33 um tabique com fasqu ea do e um entrelaçado d e canas na parte infe rior. Parede de alvenaria de pedra mole As paredes interiores deste tipo são em pedra mole (basalto vacuolar), cortada à enxó ou a m achado. Assentes com arga massa d e barro, são apoiadas lateralm ente em prumos d e m ad eira 4"x 4" afastados de 50 cm. São acabad as com um revestimento de 2 cm de espessura, idêntico ao descrito em 2.4.1 -3, constituindo um tipo d e parede comum nas freguesias do oeste da ilha Terceira. Na cidade encontra ram-se, ainda que raramente, pared es de tipo pombalino, Fig. 34. Tirantes (de madeira) Os tirantes, dispostos horizontalmente e a poiand o as suas extremidades no bordo superior das pared es periféricas opostas, funcionam como cinta estrutural, ligando essas pared es, pelos frechais, e dand o apoio ao aparelho da cobertura , Fig. 35.

367


2.4.4 -

Coberturas

As coberturas em telh a são sempre suportadas por uma estrutura constituída por el ementos de mad eira, form ando telhados, na maioria dos casos, em "tesoura", Fig. 35 a), em "caixotão" ou "m asseira ", à "francesa", Fig. 35 b), e a "cavalo", Fig. 35 c) . 1. As estruturas m ais antigas da s coberturas das habitações rurais de pequeno porte

são do tipo "telhado em tesoura", constituídas por 2 traves de 10" x 4", inclinadas para suportar as madres e os barrotes do telhado e ligadas entre si em tesoura na cumeeira ou rincão, Fig. 36. Estas tra ves, espaçadas de 50 a 60 cm, apoiam no frechal de 5" x 5", embebido no coroamento da parede. Por sua vez, as paredes opostas que suportam o frechal, estão ligadas entre si por tirantes. Podem ser troncos de forma irregular com secção aproximadamente circular (0 10") e com a extremidade aparelhada ou de secção rectangular. Estes tirantes, colocados por cima das paredes divisórias, formam com elas uma estrutura solidária, Fig. 35 a). 2. Noutros casos, e especialmente em edificações ricas mais antigas, a cobertura é em caixotão, Fig. 37. Apresenta normalmente quatro águas, com traves em tesoura e travados no terço superior com uma meia linha horizontal, Fig. 38. As traves ligam ao frechal embebido no coroamento das paredes. Junto aos cantos, situam-se os rincões na divisão das águas. Como peças supl ementares de travam ento existem outros tirantes, de onde em onde, na direcção do m enor vão e tirantes atravessados a 45°, a ligar os frechais que concorrem nos cantos da casa . Todos estes telhados dispõem de guarda-pó em tabuado trincado (em escama), levando por baixo o forro com a forma do caixotão. 3. As coberturas mais frequentes na cidade são dos tipos "à francesa", Fig. 35 b) e Fig. 39 ou "a cavalo", Fig. 35 c). As asnas que as compõem são normalmente simples, constituídas apenas por duas p ernas e uma linha. Encontram-se também outros tipos de asnas, di spondo de pendurai e escoras, ou outras mais complexas que permitem dar mais altura ao sótão à custa da introdu çã o de elementos verticais entre as extremidades da linha e da perna, Fig. 40. 4. Sobre a estrutura da cobertura é fixado o revestimento constituído por um forro ou guarda-pó de tábuas trincadas, em que assentará a telha regi onal de canudo, Figs. 16 e 41. O telhado remata a fachada com beiral simples, frequentemente duplo ou mesmo triplo, que assenta sobre a cimalha sobressaída da pared e. Este porm enor construtivo permite afastar consideravelmente a cortina de água das chuvas, protegendo assim a fachada e as sacadas ou varandas, Fig. 42. No tecto à francesa a face superior dos barrotes e das pernas das asnas define um plano onde é fixado o gu a rda-pó. No telhado a cavalo são apena s os barrotes que suportam a cobertura. Em casas estreita não há asnas e as vigas (madres) apoiam directamente nas empenas. 2.4.5 -

Pavimentos

A estrutura dos pavim en tos é formada por traves, ou troncos espaçados da ordem de 0.5 a 2.0 m, encastrados nas pared es, vencendo vãos da ordem de 3.5 a 5.5 m. Nestes elementos apoiam barrotes que p or sua vez suportam o sobrado. Este é constituído por tábua s que chegam a disp or d e larguras de 40 cm, encaixadas a meio fio e pregadas.

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ão existe, em geral, nenhuma peça de madeira no interior das paredes exteriores para as solidarizar. Apenas se encontram barrotes a ligar os tabiques e a rematar o estuque. Os troncos, qu e encastram na parede no máximo 25 cm, não se encontram ligados a nenhum elemento de travamento na parede, Fig. 43. 2.4.6 -

Fundações

Há que distinguir as fundações das zonas de cunhai das fundações que suportam as paredes. Os cunhais dispôem de sapatas levadas ao "firme" (profundidades que podem chegar a 2 m) com secções que atingem 1 m 2 . São executadas em pedra de melhor qualidade, com forma e dimensões pouco apropriada s para serem utili zadas nas paredes em elevação, Fig. 22, disposta alternadamente em duas direcções perpendiculares perifericamente, deixando a parte central para encher com pedra cascalho e barro, Fig. 44. Para suportar os panos de parede abrem-se caboucos com 30 a 40 cm de profundidade com a largura da parede ou um pouco maior, sendo preenchidos com alvenaria semelhante à da parede. Na s moradias com meia cave (terrenos inclinados) são executados muros de suporte na parede interior da cave, idênticos aos da s outras paredes, mas dispondo de ligadores (travessões) que encastram no terreno contíguo. 2.4.7- Vãos As aberturas na s paredes, por constituírem zonas de mai or fragilidade, exigem tratamento especial visando a melhoria da distribuição de esforços. Para tal, dispõe-se de um quadro de elementos estruturais de maior resistência em redor da abertura: a verga, a ombreira e o peitoril. Observam-se vários tipos de vergas, rectas ou curvas, simples ou duplas, com e sem arregaço: -

-

Verga simples, monolítica com articulação ou não, Fig. 45. Verga dupla constituída por uma pedra pela face exterior da parede e por outra pedra ou por um barrote d e madeira de qualidade (roseira ou madeira exótica) pela face interior. Verga tripla, mais sofi sticada e observada em alguns edifícios mais nobres da cidade, constituída por uma verga de três ou mais partes com pedra de fecho (archetes e cunhas), por uma verga interior em madeira, normalmente do Brasil e uma verga interior ou dois corredores rebadilhados, Figs. 46 e 47, ou também de madeira .

Observam-se ombreiras constituídas por peças únicas, por dua s peças ou por três. Este último caso, em que a pedra a meia altura é prolongada pela parede e rebadilhada na ponta (arregaço), Fig. 48, deverá proporcionar uma menor instabilidade estrutural. O peitoril é feito com uma pedra única, preenchendo meia espessura da parede, o "avental", a toda a altura ou até ao nível do pavimento. Esta pedra pode descarregar sobre uma verga do andar inferior, directamente ou através d e pequenas pedras laterais. A sacada, quando existe, Fig. 49, é de pedra única na dimensão transversal da parede, formando o balanço do terraço com geometria variável (chanfrado); cada varanda individual é composta, em geral, por 3 pedras na direcção longitudinal. O balanço referido não excede 0.45 m .

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2.4.8 -

Chaminés, fornos, cisternas e varandas

Chaminés As cha min és, geralmente d e "m ãos postas", Fi g. 50, d esca rrega m, pelo lado ex terior, na pared e da boca do forn o c, pe lo interi o r, numa verga qu e permite a ligação da câmara da chaminé à cozinh a. Es ta verga, que s upo rta uma ca rga elevad a, apresenta as soluções mai s vari adas, Fig. 51 a) e b) .

Forno O forno é asse nte sobre um ma ciço, c a ca vidad e dis põe d e uma abóbada feita em barro cru, sendo a a bertura vo ltad a p a ra a câmara por cima da qual se d esenvolve a chaminé.

Cisterna A cisterna, locali za d a normalmente junto a uma parede cega d a casa, a um nível mais baixo, dispõe d e pa red es muito espessas, da ordem de 1 m , e d e uma abóbada muito abatida que recebe a ág uas da chu va ou d as "palhas d e água". Esta última d esignação re fere-se ao abastecim en t d e água, ain d a em uso em a lguma s freguesias, feito através d e uma pequen a tu bagem d e l / 4", com utili zação restrin gid a a d e te rminado período de tempo di á rio.

Varanda s a cid ade, a varanda ou sacad a é corrida ou isolada ó n o l 11 a ndar, Fig. 42, com um balan ço n ão superi or a 45 cm, em corre p o nd ên cia com o beiral. É executada com pedras inteiras, encas trad as lateral! ente nas ombreira s, q ue repou sam em toda a espessura de 60 cm d a pared e. O grad , m n to é em m adeira rica ou em ferro fundido. A varanda rura l ou balcão, Fig. 4, é u m prolongamento em terraço do l.º andar para fora por cerca d e 2 m em largura, ser vindo-lhe d e acesso. É maciça e cons truída cm pedra irregular. 2.4.9 -

Outros caso

Escadas - H á d ois tipo ge néricos de escadas: d e pedra que permitem o acesso ao 1.º andar, Fig. 52, e de mad eira a p artir do 1.º and a r. As de madeira têm 2 viga s inclinadas que ligam aos prum o d os tabiques interiores. As esca da s a tiro, Fig. 53, são muito frequentes n a cidade d e Ang ra, como se pode observar em d o is exem plos, Fig. 54 a) c b).

Cimalhas - É peça úni a com varia ntes, norm alm ente, rebai xes onde apoiam as pontas das asnas.

Beirais - Desenvolvem-se a partir da cima lha em beira e sobre beira (60 cm pa ra cobrir a varanda ). Ra ra m en te e vêem tubos d e queda , coloca dos já este século, a poi ados em elementos de ferro fund ido.

370


2.5 -

2.5.1 -

Morfologia do quarteirão Tipologia do quarteirão

O traçad o d a cidad e d e Angra d o Heroísmo é renascenti s ta, Fig. 55 a). Os seus qua rteirões, que ainda conserva m uma quantid ad e apreciável d e edifícios d e constru ção tradicional, mantiveram d esd e a cri ação d a cid ade uma regul arid ade ex trema mente m arca d a, tanto em vo lum etria como em pla nta, Fig. 55 b). São r ctangu Iare , com d imensões gerais rondando os 80 x 45 m e contêm em média entre 20 e 30 edifícios. O s edifícios têm dimensões v ariáveis em pl anta, pod endo distin guir-se d ois tipos mais frequentes: os edifícios d e maior porte dispond o d e fachadas com ex tensões d a ordem d os 20 a 25 m e os edifícios d e men or porte com fac had as entre os 6 a 12 m . Embora haja grandes va riações no núm ero d e edifícios por quarteirão, a média d os d e maior porte é d e 3 a 5. Na zona histórica d a cid ad e os arrua men tos q ue delünita m os qua rteirões seguem as linhas d e n ível d o terren o numa da s d irecções e as linhas d e maior d ecli ve na outra, isto é, segund o as direcções N-S e E-W, Fig. 55 c), daí resultand o qu e os logradouros no interior d os qu arteirões estejam desnivelados, com muros d e suporte d e alvenaria d e pedra a sepa rá-los. Pa ra inicia r um estudo mais d eta lh ad o d e caracterização d os qu arteirões e seus prédios, fo i escolhido o qu arteitão B-10 d a classificação d o In ventá ri o d o Pa trim óni o Arquitectónico d a Cidad e d e An gra d o H eroísmo, 1980, Fig. 56. Sem preocupações d e excessivo rigor, p rocedeu-se ao levantamen to estrutu ral, a nível do r /c, d e tod os os p rédios existentes ac tu a lmente. Ao d esenh o resulta nte juntou- e na mesma fi gura o esquem a d e fachad as elaborado para a SRES / DSH UAAf-I. A Fig. 56 mostra que o quarteirão é alongado e tem um grand e índi ce d e ocupação, d eixa ndo poucos espaços vazios no interior. O tra ça d o estrutural evid encia uma ma lha bastante regular d e pared es resis tentes di spostas ortogon almente. A homogeneidad e consegui da com o uso d a construção tradicional, que enche o qu arteirão, é interrompida por 6 ed ifícios integralm ente em betão armado e 5 constru ções d e alvenari a tradicional reforçad a por estrutura em betão arm ad o. Algun s destes já ex isti a m antes d o sismo. Em pl anta, verifica-se a conti nuidade dos alinhamentos das fachad as, prin cipal e também de tard oz, bem como d as paredes mestras interm édias, Fig. 57. Esta continuid ad e, bem ali e nte no qu arteirão B-1 0, nem sempre corresponde a uma continuidad e estrutural integra l, uma v ez que em casas d o fin al d o sécul o passa d o os vãos d e a rco foram substituíd os por vigas m e tálicas apoiad as em prumos ta mbém m e táli cos. Mais recentemente surg iram as aberturas com elem entos de betão arm ad o a vencer os v ãos . Nas fachadas d e ta rd oz verifica m-se normalm ente maiores d esalinh a mentos, d evido certamente a alterações sofrida s ao lon go d os anos. As cons truções a presenta m no seu conjunto d escontinuid ad es em altura, p ara além d as que se verificam entre edifícios com diferente número de pisos, Fig. 58. Os edifícios co ntíguos es tã o estruturalm ente li gados uns aos outros através d as empenas qu e fun ciona m com o pared es meeira ' . Após a análise feita, pod e dizer-se de form a sintéti ca que, morfologica mente a estrutura resistente d os quarteirões e dispõe como um a ca ixa constituíd a na periferi a pelos edifícios, d eixa nd o pa ra o interi or pátios que se d esen volvem em vá ri os níveis com muros divisóri os.

371


2.5.2 -

Estrutura da casa urbana (integrada no quarteirão)

Para além das peças estruturais já descritas e das características gerais do quarteirão, vejamos os principais aspectos estruturais decorrentes da sua própria organização.

Paredes -Paredes de fachada, sempre alinhadas no quarteirão e dando ligação entre prédios contíguos. -Paredes mestras intermédias, dispondo de vãos abertos em arco de volta perfeita, paralelas às fachada s e situando-se também em linha ao longo do quarteirão. -Paredes de tardoz paralela s às de fachada; contudo, não alinham sistematicamente no quarteirão. -Paredes meeiras comuns aos edifícios contíguos. Cobertura A cobertura dos edifícios do alinhamento é de 2 águas; a dos edifícios de canto é de 4 águas com rincão e laró. As asnas são simples com 1 linha e 2 pernas; por vezes há asnas compostas, mais complexas, com subida na zona dos apoios. 3 - COMPORTAMENTO OBSERVADO- DANOS Como já se referiu na Introdução, os danos observados nas construções d e alvenaria tradicional do parque habitacional foram extremamente elevados. Pretende-se neste capítulo descrever os principais danos ocorridos e interpretar o comportamento com base nas observações efectuadas e nos conhecimentos que a engenharia sísmica proporciona. Infelizmente muito pouco estudo se tem feito sobre este tipo de construção. Sómente nos últimos anos se começou a olhar com mais atenção para este assunto, como consequência do aumento do interesse na preservação do património construído. O sismo dos Açores é rico em exemplos que podem servir de base para estabelecer um programa de estudos sobre comportamento de edificações de alvenaria tradicional, conforme se descreve em 5.2. A distribuição de danos nas construções das ilhas afectadas pelo sismo pode ser vista em Lucas et al. (1991), quer em traços gerais, quer em pormenor para algumas áreas. No centro de Angra os danos foram bastante elevados. A Fig. 59 apresenta uma vista fotográfica vertical dos quarteirões centrais, na qual se inclui o B-10, tirada logo após o sismo. Na fotografia é possível ver-se a destruição causada, bem expressa nos telhados e nos escombros que atingiram as ruas. A Fig. 60 mostra os danos infligidos ao quarteirão B-1 O e vizinhanças, de acordo com a classificação e o levantamento efectuado pelas equipas da SRES / DSHUAAH (1980). Para se compreender o funcionamento dos edifícios durante o sismo, isolados ou na s suas ligações aos edifícios do quarteirão, apresenta-se na Fig. 61 uma perspectiva do quarteirão E-11, vista de nordeste. Nesta vista estão patentes os diferentes mecanismos de colapso que podem ocorrer no quarteirão, ilustrados de forma esquemática na Fig. 62 para a cobertura. O que se mostra na Fig. 62 corresponde a avaria s muito frequentes nos telhados "à francesa" com desagregação da parede, Fig. 62 b), e nos telhados "em tesoura" com esganchamento da s pernas da asna causando impulsos na parte superior das paredes, Fig. 62 c) (ver também Fig. 35).

372


Em vez de se proceder a uma análise sistemá ti ca daqueles meca nismos de rotura e colapso, vão descrever-se d e seguida os diferentes danos que podem ocorrer. Esta exposição, rea li za da por ordem crescente de grau de danos, e acompanhad a, sem pre que possível, por fotografias exemplificad oras, irá gradualmen te abordar o diversos fenómenos observados, tentando ex plicá-los no contexto do comportame nto estrutural. 3.1 3.1.1 -

Comportam ento geral dos edifícios (isolados ou partes estruturais)

Comportamento das paredes exteriores

Os danos mais ligeiros que se observam nas estruturas de alvenaria de pedra começam por ser fendiJhação ligeira de rebocos nas paredes, tanto interiores como exteriores. Os maiores danos e, nomeadame nte, os colapsos verificados em construções devem-se, por sua vez e fundamenta lmente, ao comportame nto das paredes exteriores. As paredes exteriores, pela sua ma ssa elevada, constituem os elementos estruturais mai s solicitados pelo sismo. Sendo assim, para que haja um bom comportame nto da construção, para além da textura e qualidade, as suas liga ções assumem grande importância . Também os fenómenos de interacção entre diferentes elementos estruturais são causas frequentes d e danos observados. Explicitando com maior pormenor, podem descrever-se os danos mais frequentes e releva ntes das paredes de alvenaria , por ordem de gravidade crescente, da seguinte forma: 1. Fissuração "estrelada" em rebocos, sobretudo nos panos mais frágeis. 2. Fissuração generalizada de rebocos e queda em alguns casos. 3. Abertura d e fendas na s paredes, com incidência na zona vizinha dos cunhais, onde confinam em geral doi s tipos de alvenarias, e junto das abertura s. 4. Grandes d es locamentos em cunhais com desprendim entos de pedras. Rotações de pared es. 5. Colapsos de partes de paredes. 6. Colapsos generalizado s de paredes. Apresentam -se seguidament e os principais m ecanismos de rotura em paredes exteriores.

Interacção com a estrutura da cobertura Nos casos em que as pared es com cimalha se apresentem com melhores característic as, normalment e não se verificam danos nas cimalhas podendo, por vezes, ocorrer a rotação das paredes em torno d e um eixo horizon tal junto d as fundações, com rupturas ao nível do pavimento dos andares ou do r /c. A Fig. 63 mostra a interacção da estrutura da cobertura e pavimento com a parede, responsá vel pelos danos num a fase inicial.

Interacção entre paredes estruturais Os maiores danos na s construções que dispõem de paredes exteriores com liga ções deficientes verificam-se a nível dessas li gações tanto nas paredes como noutros elementos estruturais. Estes casos estão bem patentea dos nas Figs. 64 e 65. Na primeira, a fendilhação é demarcada através da d escontinuida d e entre doi s tipos de alvenaria; na segunda, mostra-se um estado intermédio de danos em construção rural com queda d e reboco. A Fig. 66 ilustra vários tipos de danos ligeiros a intermédios na fachada.

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Avarias em cunhais As avarias nas li gações das pa redes exteriores são traduzida s pela queda dos cunhais, conjugada ou não com a rotação para o ex terior das próprias pared es. Este fenómeno, muito frequ entemente observado, está ilustrad o na Fig. 67 para vários níveis de dan os.

Outras avaria em paredes Outro tipo de danos frequentes tem origem em vãos mal executados, como por exemplo a falta de ligação nas ombreiras de 3 peças ou o enchimento deficiente entre os paramentos ex teriores e interiores que, impedindo o refechamento da fendilhação, produziam uma deformação progressiva . As descontinuidad es excessivas na tex tura e constituição das paredes são outra causa para o comportament o diferenciado da zona dos cunhais e ombreiras relativamente aos panos de enchimento, motivando, em muitos casos, a fissuração e deforma ção excessiva das zonas frá geis, conduzindo por vezes ao colapso (possível efeito de punçoamento ou impulso vertical). A má qu alidad e construtiva da s alvenarias e argamassas (sem camas, excesso de granulometria, apodrecimento, etc.) pode ser responsável por outras deficiência s, como por exemplo o aparecimento de barrigas. O mau comportam ento da s p aredes cheias de material solto pode compreender-s e imaginando que, com a vibração, o material tem tend ência para força r a descida, formando uma cunha que va i progressivame nte facilitar a separação das duas folha s e provocar a d esagregação do material. O movimento relativamente grande verificado no próprio plano da s paredes está expresso em variadíssimos testemunhos presenciais ou em marcas deixadas nas construções. Com efeito, a abertura exagerada da fendilhação em paredes, dando origem à visão para o ex terior (facilitada pela maior luminosidade no exterior), foi descrita por diversas pessoas. Semelhante fenómeno, conhecido da história dos sismos, tinha sido já reportado, mas sem grand e convicção, na crise sísmica de S. Jorge em 1960. A marca da grande deformação de uma pared e no seu plano está bem expressa na Fig. 68 a) e b), através do movim ento d as lâminas das janelas de guilhotina por abertura do cunha! e por abertura da pedra de fecho, respec tiva men te. 3.1.2 -

Danos nas paredes interiores

As pared es interi ores em alvenaria resistente existem frequentem ente associadas aos arcos em casas com mais um piso . Como os arcos tiveram, em geral, muito bom comportamento durante o sismo, as pared es acima, de uma forma geral, também se comportaram bem. Mostra-se uma excepção na Fig. 69 em que se apresenta um arco deformado. A Fig. 70 apresenta um caso de esma ga mento de uma coluna de uma estrutura monum ental por excesso de esforço axia l. As pared es interiores, em tabique, exibiram igualmente um bom comportament o. Por esse motivo, muitas coberturas não colapsa ram, mesmo no caso em que as paredes ex teriores ruíram totalmente, Fig. 71. Contribuíram para este bom com portamento os tirantes em madeira- à excepção dos casos em qu e as sua s extremidades se encontravam muito deterioradas, Fig. 62 - ou até a moldura em pedra de um a jan ela, Fig. 72.

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3.1.3 -

Comportamento das coberturas

As coberturas, em geral, aprese ntaram um comportamento mais satisfatóri o do que as restantes p<utes da constru ção. A grande maioria d as coberturas dispõe de estrutura em boa madeira, apresentando característi cas de leveza e flexibilid ad e. As ava rias mais frequentemente encontradas são, Fig. 62: -

ruptura das varas nos telhados de tesoura; ruptura das pontas das linh as degradadas; deslocamento de peças por rotura das ferragens e pregos muito degradados; destelhamento; colapsos parciais e totais por falta de apoio.

Os colapsos fi ca m a dever-se à degradação d as mad eiras muito antigas e, sobretud o, ao estado da s ferra gens e já menos às avarias nas cimalhas. O peso considerável da telha regional contribui significati vamente para um agravamento d o comportamento. Apresentam-se nas Fig.s 73 e 74 danos observa dos em asnas. Como já atrás se referiu , a interacção na zona dos apoios da cobertura , entre esta e o coroa mento das pared es, devido à impulsão e ausência d e a tirantamento, motivou a des locação das cimalhas ou mesmo a sua queda . Esta queda, que foi avaria muito frequente, provocou o abaixamento ou mesmo o colapso d as coberturas por falta de apoio, Fig. 75. O movim ento alternado provocado pelo sismo acentuou ta mbém a abertura progressiva de fendilhação e das juntas entre pedras, uma vez que os detritos foram preenchendo as aberturas, impedind o o refechamento das juntas e provocando um acréscimo no deslocamento permanente. É ta mbém de referir os casos das asnas simples muito degradadas ou das estruturas de cobertura em tesoura que motivaram danos nas cirnaJhas. Estas úJtimas evidenciam pior comporta mento devid o à facilidade com que empurram as paredes durante a vibração. 3.1.4 -

Dano em pavimentos

Os pavimentos em madeira tiveram , em geral, muito bom comportamento. As avarias verificadas rela cionam-se com o colapso das zonas que lhes d a vam apoio ou por deficiência dos barrotes na zona d e entrega na s pared es. Por seu lado, os pavimentos quand o não garantiram a ligação às paredes, enfraqueceram a resistência geral das paredes exteriores, agravand o o impulso horizontal sobre estas. Este agravamento traduziu-se em mwtos casos na form ação de barrigas nas paredes ao longo do seu desenvolvimento. A deformação atingi u maiores valores na zonas mais afastadas das paredes que lhes estão tra nsversa lmente ligadas, aparentand o um comportamento de placa. 3.1.5 -

Danos em fundações

As funda ções tiveram também papel preponderante no comportamento das estruturas, pois contribuíram p ara o agrava mento da ro tação de gra nd es pa redes, para o abatimento de muros de suporte, por provoca ram assentamentos dife re nciais. Na cidade de An gra, na s zonas com solos d e fund ação de boas característi cas, o comportamento dos and ares inferiores foi relativamente sa ti sfatório. Por outro lado, em zonas com solos mais brandos ou em aterro, observou-se um agrava mento dos danos devid o ao mau comportamento das fundações.

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3.1.6 -

Danos em varandas

Na cid ade foi rara a qu eda isolada de va randas, dada a forma como estão executadas em pedras inteiras co m pouco balanço, bem encastrad as lateralmente nas ombreiras e repousa nd o em tod a a espessura da parede. A va randa rural é compl etamente diferente. Como se referiu em 2.4.8, norm almente é um balcão ex teri or de 2 m de largura, maciço e construído em pedra irregular. A presença de uma massa considerável encostada à casa vem, naturalmente, alterar o comportamento dinâmi co do conjunto, pod end o p rovoca r torção exagerada. 3. 1.7 -

Comportamento de chaminés e varandas

Como elementos sa lientes, as chamin és são ex tremamente vulnerá veis às acções sísmicas, principalmente na cidade, ond e o colapso das maiores chaminés foi geral. Nas freguesias as chaminés, send o mais baixas, sofreram menores danos. Os colapsos totais verificados nas chaminés de "mãos postas" es tão normalmente associad os à rotura da verga ou lintel da abertura da câmara, Fig. 51. 3.1.8 -

Comportamento global da estrutura

Após a análise anterior, efectuada ao nível do elemento estrutural e sem consid erar o comportamento d e quarteirão, que será visto na secção 3.2, resta referir qu e os vári os grau s de danos possíveis numa estrutura podem ir desd e o simples dano d os seus elementos constitutivos até ao colapso de parte de casa, Fig. 76, ou ao colapso generali za do. A Fig. 77 a) e b) mostra o colapso generalizad o nas freguesias rurais deSta. Bárbara e d e S. Sebast{ão, respectivamente. 3.2 -

Comportamento dos edifícios em quarteirão

Estruturalmente, os qu arteirões funcionam como um favo de muitos septos, oco no seu interior. Os edifícios em quarteirão interac tuam uns com os outros, pois se encontram física mente inter-li gad os. De uma form a geral, os locais de descontinuidade verti cal, de descontinuid ad e em planta, e os ca ntos ou gavetos do quarteirão são as zonas mais vulneráveis. Sempre qu e há desníveis entre prédi os adjacentes, provenientes da diferença entre número de and ares ou , mais raramente, de pé-direito, ou por inclinação do terreno, as descontinuidades vertica is acentu a m-se. A Fig. 78 ilustra o fenómeno referido dand o conta também da diferença de comporta mento devid o ao tipo de alvenaria em contacto. As esquinas do quarteirão, norma lme nte seguind o planos ortogonais, correspond em à descontinuidade mai s acentuad a em p lanta. Os d anos mais graves ocorrem, portanto, com maior frequência nos edifícios d e gaveto: a Fig. 79 mostra o colapso da parte superior e a Fig. 80 o colapso generali zad o d e ed ifícios em gaveto, na cid ade de Angra, em que a zona virada a norte apa renta ma ior deterioração. A Fig. 81 apresenta o colapso do cunhai num edifício em U q ue ex ibe uma acentuada assimetria de massa e ri gidez. O d estaca mento em cunha do cun hai de esquin a arrastaram consigo, na maioria dos casos, as paredes que lhe eram ad jacentes. Por vezes, os postaletes para apoio das linhas aéreas da EDA arran ca ram ta mbém a lgu mas pedras do cunha!, enfraqu ecendo-o.

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Para ex plica r os efeitos observados nos edifícios d e gaveto basta referir que a vibração tran smitida ao conjunto dos edifícios em quarteirão se propaga em linh a a té à e quina do quarteirão, sendo então reflectida . O edifíci o d e gaveto fica, po rtanto, sujeito a u m impulso superi or aos dos outros, agravado na circunstância d a possível simultan e idade das vibrações propagadas seguindo as duas direcções ortogonais. As descontinuidad es verticais são, por seu lado, responsáveis pe la queda de muita s paredes de empena, causando por vezes danos graves nos aparelhos d e coberturas dos prédios adjacentes, mais baixos, e pelas compressões pulsatórias exercidas nas cimalhas pelos edifícios adjacentes mais altos provocand o a d es truição parcial d essas cimalhas. Num estádio mais avançado d e destruição, as pared es e a cobertura sofrem ruína total, como se verificou com os 2 prédios adjacentes da Fig. 82. (Na Fig. 119 mostram-se estes prédios após reconstrução.) O efeito de choque entre edifícios, reportado em diversos sismos por esse mundo fora, é pouco frequente, dada a continuidade das linhas de fachada e das paredes mestras intermédias e dada a existência de paredes m eeiras. Este fenómeno pode, no entanto, surgir quando existam elementos isolados, como seja em pavimentos soltos, etc. Torções podem ter sido indu zidas em alguns edifícios qu e apresentam assimetrias em planta, de que é exemplo o edifício da Fig. 81. Estas torções, por vezes originadas no desalinhament o das fachadas de tardoz, poderi am explicar a grande extensão de danos observados na s zonas de trás das casas. A orientação das ruas, em geral, e das esquinas dos quarteirões, em particular, bem como as inclinações do terreno pod erão ter influ enciado o comportament o geral da s construções, face à direcção predominante do movimento sísmico, Oliveira (1991). Este, um assunto a explorar em futuros trabalhos, conjuntamente com a procura d e explicações para a possível correlação entre os danos e o porte d os edifícios. 3.3 -Estrutura esquemática e comportament o dos Impérios O Império é uma edificaçã o corrente na ilha Terceira, ligada às festas do Espírito Santo. A construção em alvenaria de p edra é d o final d o séc. XIX, princípio do séc. XX. Por apresentar sempre a m esma morfologia, porte e estrutura, me rece uma referência especial. É constituído por uma loja na parte d e baixo, estando o Império propriamente dito no andar de cima, Fig. 83. A estrutura forma uma caixa de 3 paredes mais a pared e da frente com vãos muito largos. Por cima d esta encontra-se um frontal. A cobertura e o pavimento são em madeira; o piso térreo em be tonilha. Alguns Impérios cons truídos recentemente apresentam já uma estrutura de blocos de cimento, por vezes com ligeiros elem entos de betão armado. Os Impérios executados em alvenaria tradicional d e pedra estreita (alguns 15 cm) tiveram muito mau comportamento ; contudo, os mais antigos, executados com alvenaria mais cuidada, resistiram m elhor. 3.4- Comparação com comportament o de estruturas de betão armado O comportament o das estruturas chamadas d e betão armado d e porte idêntico ao do dos edifícios de alvenaria foi consideravelme nte m elhor q ue o destes. De facto, como descreve Oliveira (1991 b), as estruturas construíd as com elem entos d e betão armado no

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espírito da s disposições do Regulam ento de Segurança contra os Sismos, RSCS (1958), poucos ou nenhuns danos sofreram. O mesmo já não é possível afirmar acerca das construções de maior porte, que tiveram danos de algum vulto. As poucas excepções ao bom comportamento referenciado acima observaram-se em edifícios localizados em zonas de grande intensidade sísmica (onde houve danos importantes em construção de alvenaria de pedra). Foi o caso d e um edifício na freguesia d e S. Sebastião, Fig. 84, em que se havia construído uma ampliação no 1ll andar com a utilização de cinta em betão armado, e que sofreu colapso parcial, e de outro edifício térreo junto ao cemitério do Livramento, Fig. 85, com danos generalizados em construção de blocos d e cimento com cinta sem armadura. Foram ainda observados edifícios do mesmo tipo de construção, situados na Carreirinha, gravemente danificados. A existência de edifícios de betão armado no interior de quarteirões, Fig. 86 a), pode, por seu lado, conduzir a fenómenos d e impacto do edifício mais baixo de betão armado contra o de alvenaria, ou, Fig. 86 b), do edifício mais alto de betão, causando fendilha ção em diagonal no próprio edifício de betão. 4 - REPARAÇÃO DAS ESTRUTURAS DE CONSTRUÇÃO TRADICIONAL 4.1- Reforços realizados aquando de outros sismos

O reforço das construções após a ocorrência de sismos não foi apanágio apenas do sismo de 1980. Sempre que se registaram danos houve também necessidade de proceder a algumas reparações. São diversos os exemplos que se podem apontar, conforme está patente nos seguintes casos: A Fig. 87 mostra uma reparação expedita d e uma verga feita com gato metálico; na Fig. 88 pode observar-se uma reparação a um cunha!. Neste último caso é notório o aparecimento de fendilhação no local de "ancoragem" do gato. Outros tipos de reparação tinham sido também ensaiados, alguns dos quais especialmente orientados para as estruturas de maior porte, nomeadamente em monumentos. É o caso da utilização de tirantes nos cunhais c gigantes, Fig. 89 a) e b), tirantes e gatos aplicados de forma mais estruturada, Fig. 90, ou do tapamento de aberturas, Fig. 91 a) e b). As paredes de alvenaria de pedra que sofreram obras de restauro bem executadas pouco antes do sismo, de uma forma geral, comportaram-se bem . O restauro consistiu em picar as paredes, lavar-lhes bem os pavimentos, apertar com argamassa e caiar. A simples caiação do reboco proporcionou bons resultados pela protecção dada aos materiais contra o ambiente exterior. Um outro caso de reforço antes do sismo refere-se a uma casa situada numa zona muito atingida (Alto da s Covas), com vigas 30 x 16 cm em madeira de eucalipto, espaçadas de 40 cm, colocadas por cima do estuque do r I c. Os resultados foram excelentes, pois não sofreu qu alquer dano. Como nota final , é de referir que a diferença fundam ental da s intervenções pós-1980 relativamente a ou tras anterior s (sismos de S. Jorge, 1973, e Angra, 1951), advém da envergadura e da forma global com que se atacou o problema em 1980. 4.2- Reforços imedia tos -

logo a seguir ao sismo. Demolições

Logo após o sismo c como medida imediata de reforço, foram efectuados escoramentos diversos, Fig. 92 a) e b), de fachada s e de pavimentos. Infelizmente, alguma s fa chad a foram abandonadas, Fig. 93, apres ntando-se deterioradas por 10 anos sem protecção.

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Como form a d e proteger a popul ações e as estruturas houve em muitos casos que proced er a d emolições im ediata s. Em trabalh o se parad o, Gued es (1991) d á conta dos principais problema s e solu ções ad optad as, p elo que ta l ma téri a não é d esenvolvida no presente trabalho. Apresenta-se, d e forma resumid a na secção 4.6, alguma matéria relacionada com volume d e escombros rem ovidos d as obras. 4.3 -

Critérios gerais utilizados no reforço de estruturas de alvenaria de pedra

O reforço da s estruturas d e alvenaria tradicional foi efectuad o segundo as regras básicas estabelecidas no d ocumento d o LN EC "Estud os sobre a Acção do Sismo dos Açores de 1 /1/ 1980", 2.º Rela tóri o, Rava ra (1 980), e acordad as com a então Direcção Regional da Habitação e Urbanismo. Recom endava-se que na reconstrução e/ ou na reparação da s estruturas danificadas se cumprissem as di sposições d o Regulamen to d e Segurança Co ntra os Sismos, RSCS (1 958), ou seja, o uso d e m ontantes d e betão armado nos cunhais e ao longo das paredes d e enchimento espaçad os d e 3 a 5 m, e a construção d e lintéis d e bordadura (cintas sísmi cas) aos diversos níveis, incluindo o tecto do andar mais elevad o e pl aca d e betão armado a servir d e pavimento. Como se tratava d e construções já ex istentes, as regras es tabelecidas por Ravara d efiniram igualm ente o grau d e intervenção a efectuar em fun ção d os dan os ocorridos e d o núm ero de andares do edifício, bem como a utilização d e materiais para as pared es d e enchimento com blocos d e cimento. a prática, es tas regras foram mai s ou m enos seguidas, tend o ficad o um pouco ao critéri o de cad a um a forma d e as implem entar nos casos d e maior dificuld ad e d e ava liação do grau d e intervenção. A utilização d e pared es d e alvenari a d e blocos d e cimento juntamente com pared es d e alvenari a d e pedra, quand o estas estavam em boas cond içõe de resistência, foi u ma solu ção muito praticad a. Uma vez que se está em presença d e massas muito diferentes, esta solução pod e tra zer como consequ ência um certo d esequilíbrio d o edi fício. As coberturas começa ram a ser realizada s com lajes incl in adas em lu gar d a tradicional asna d e madeira, facto qu e fi cou a d ever-se sobtretud o, à falta de mão-d e-obra especializada (ca rpinteiros). Aproveitou-se também a execução d e obras d e maior intervenção para proced er ao melhoramento d as condições habitacionais das casas, nomeadamente: 1) a constru ção d e casa d e banh o na parte posterior, feita com placa d e betão armado apoiada sobre pilares posteriores e agarrad a ao edifício ex istente; 2) o alarga m ento d e espaços interi ores, d eitando uma ou outra pared e a baixo; 3) a m odificação d o lan ço d e escadas para permitir um acesso mais suave e fácil aos andares de cima. 4.4 -

Exemplos de reparações

O · exemplos que se apresentam seguidamente pretend em ilustrar as vá ria s técnicas d e intervenção utiliza d as, começa ndo pelos casos mais simples e cobrindo um a gama larga de situações. 4.4.1 -

Ligeiras

As reparações ligeiras res um em-se à limpeza e refccha mento d e fi ssuração superfi cial, e pintura, ou à picagem de rebocos, colmatação d e fend as e execução de novos rebocos, Figs. 94, 95 e 96. Uma intervenção ligeira a nível d a cobertura está indicad a na Fig. 97, em

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que se utiliza ram elementos metá licos para reforça r asnas cujas extremidades estavam degrada das. Um estádio mais ava nçado poderá corresponder à reparação provisória de paredes de empena, Fig. 98 a) onde se nota a inserção de uma antiga parede intermédia, ou como na Fig. 98 b) onde se mostra como se introdu ziram novos elementos de betão armado. 4.4.2 -

Substituiçiio de tabique por blocos em paredes interiores

Em operações de certo vulto foi vulgar substituirem-se paredes interiores de tabique por paredes de blocos, e em certos casos construirem-se duas paredes de empena, em substituição das paredes meeiras existentes. 4.4.3 -

Reparações pontuais engenha ris (restauro estrutural)

Reportam-se seguidamente alguns casos-tipo que obrigaram à introdu ção de soluções especifi cas, cuja divulgaçã o se considera de interesse. -

-

-

4.4.4 -

Consolidação de uma parede de fachada em gaveto com a utili zação de uma rede electrossoldada embebida em argamassa de betão pelo lado exterior, Fig. 99 a) e b). Esta rede permite agarrar toda a estrutura da parede, inclusive reforçando o cunhai, pelo que se vislumbra um bom comportamento para acções sísmicas futuras. Utilização de técnicas tradicionais em casos de espécie, quando as estruturas dos pavimentos de madeira se encontravam em óptimo estado, intervencionando apenas a nível do aperto da massa do reboco. A manutenção de vigas de madeira em pinho resinoso (bom estado) para suportar os pavimentos mostrou-se do maior interesse. Utilização de elementos metálicos de suporte, vigas e/ ou pilares, em zonas de alteração dos vãos, como por exemplo no caso de renovação de paredes resistentes. Aqui verificou-se o emprego de montantes colados ou embebidos nas paredes, Fig. 100.

Pequena intervenção de betão armado (b.a.)

A aplicação de cintas e montantes no interior das paredes revelou ser a técnica de reparação mais vulgarizada na maioria das obras. As cintas eram colocadas a nível da s lajes dos vários pisos e os montantes nos cunhais e a meio das paredes sempre que estas tinham grande desenvolvimento. Os trabalhos preparatórios para execução de cinta ou reparação de cobertura podem ser vistos na Fig. 101, enquanto a reconstrução de paredes e empenas com o auxílio de blocos é ilu strada nas Figs. 102 e J03. Aproveitando a fachada existente, a Fig. 104 mostra as obras de ampliação em mais um andar com reaproveitamento da cimalha. A Fig. 1OS apresenta aspectos de recupera ção da cimalha utilizando molde para imitação e a Fig. 106 aspectos da cimalha, vergas, ombreiras e ligação ao cunhai. A Fig. 107 mostra a introdução de elementos verticais d e reforço sabentes em relação à parede. É curioso notar que a tex tura e cor do betão colocado para refazer as molduras das portas e janelas (vergas, etc.) apresenta aspecto muito parecido ao das molduras tradicionalmente executadas em p dra . Por vezes introdu ziram-se elementos estruturais novos para vencer certos vãos, Fig. 108 a) com arco si mples ou b) com arco e pilar. A Fig. 109 mostra o aspecto final da recuperação de arcos no r I c d e asas em Angra.

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4.4.5- Moderada intervenção com elementos de b.a.

Incluem-se nesta secção as intervenções d e maior profundidad e em que se procedeu à substituição dos pavimentos e coberturas em mad eira pela aplicação de lajes de b.a. em pavimentos e na esteira. Outros casos mostram empenas reconstruídas com elementos de betão ou a reconstrução mantendo a fachada original com es trutura de betão armado encostada pelo interior, Fig. 11 O. 4.4.6 -

Grande intervenção com elementos de b.a.

A reconstrução mantendo os elementos tradicionais no r I c e 1.º andar incluindo as arcadas e refazendo todo o andar de cima com estrutura de betão armado e paredes de alvenaria de bloco, Fig. 111, constitui o passo segu inte no grau de intervenção utilizado. Consideraram-se nesta secção situações como as exemplificadas na Fig. 112, em que se aproveitou a fachada e a parede meeira, e na Fig. 113, em que se mostra a reconstrução de uma fachada com introdução de pilares de betão armado, conservando, no entanto, a forma da estrutura da construção tradicional. A Fig. 114 mostra o aspecto de uma parede de fachada reforçada com elementos de betão armado depois do desmonte e posterior montagem das pedras, e na Fig. 115 ilustra-se a reconstrução d e parte significativa duma casa mantendo os tabiques e a cobertura. Um caso mais avan ça do de reconstrução está mostrado na Fig. 116, em que a estrutura é totalmente nova , conservando apenas a cobertura e telhado da construção original. Em doi s ou três casos utilizou-se o material da s paredes destruídas, como inerte de grande dimensão, para a confecção de betão ciclópico a aplicar no reforço das fundações. 4.4.7 - Substituição por estrutura de b.a.

Em casos de maior destruição, a estrutura tradicional foi parcial ou totalmente substituída por uma estrutura feita integralmente em betão armado, como é o exemplo das Figs. 117 e 118. Na Fig. 117 mostra-se uma fachada totalmente reconstruída com elementos de betão armado em pared es de alvenaria d e blocos, em que se imitou a fachada primitiva. Na Fig. 118 mostra-se um edifício com a fachada anterior à reconstrução e após o emprego de paredes de betão. Na reconstrução deste edifício, muito danificado nos andares acima do r I c, recorreu-se à construção de uma estrutura de betão de grande peso e rigidez, como forma de manter a loja em perm anente funcionamento. O aspecto com que ficam os edifícios da Fig. 82 após recuperação está apresentado na Fig. 119. 4.4.8 -

Reparação de chaminés

A Fig. 120 mostra a recuperação de chaminés na cidade com elementos de betão armado. O reforço foi efectuado à custa da introdu ção d e contrapesos em betão armado na base das mesmas. 4.5 -

Aspectos diversos no processo de recuperação

Englobam-se nesta secção alguns aspectos diversos não abordados na descrição anterior, que, em certa medida, complementam de forma si mples a informação já prestada.

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4.5.1 -

Dificuldades na execução das obras

As maiores d ifi cul dad s encontrad as na execução das obras prend eram-se com a abertura d e roços, para in trod uçã o d e cintas e monta ntes em pared es de alvenaria cm bom estad o, para que aq ueles elementos não d anifiqu em as pared es ou não mexa m com a cobertu ra . Outros casos d e d ifi culd ad es s urgiram com betonagens em pontos d e difícil acesso, com os métodos d e dosagem e vibração mais ad equad o, etc. A fa lta d e bons ma teriais, nomead amente d e boa s mad eiras, c a escassez d e mão-de-obra tra dicional causa ram grandes entraves à boa execuçã o d as alvenarias tradicionais. 4.5.2 -

Casos bem e mal sucedidos

Felizmente foram muito pou cos os casos mal sucedid os. Registou-se um d esaba mento de terreno numa escava çã o por se terem alterad o as condições d e drenagem dos solos, e ocorreram qued as d e du as pa red es d evido à abertura de um roço d e uma só vez a toda a largura d e pared e p a ra execução d e cinta embebida. 4.5.3 -

Pequenas história

O sismo está rechead o d e pequ enas "gra nd es" histórias, al gumas bem interessa ntes e pitorescas . .. . o aça mbarcamento d e ma teriais d ava em mau negócio! ... Com efeito, para ter o material pronto aqu a ndo d a chega d a sempre incerta d os pedreiros, muita gente gua rdava os materiais com anteced ência . Aconteceu que esta prá tica se mos trou contra-indicad a para o armazenamento d e cim en to em precárias condições, pois a humidade atm osférica acelerou a presa d o cim ento dentro d o própri o saco d e 50 kg ... ... a classificação d os d anos em d ad a casa era tarefa extrema mente árdua ... As equipa s não funcionavam com critéri os completamente idênticos, principalm ente nos primeiros tempos que se seguiram ao sismo; as situações nunca era m exactamente iguais. Aconteceu este caso interessante: a um a casa fo ram en viadas 3 equipas diferentes, ca da qual com o seu veredi cto. A primeira d ecla rou estar a casa com cond ições d e ha bitabilidad e; uma segunda, uns dias d epois, d ecla rou que estava um pou co m á, necessitando d e a lgum escora mento; a terceira achou que não poderia ser habitada, p ois ameaça va ruína . ... foram também conh ecidos os cham ados "pedreiros à pressa" que chega ram a utilizar traços cimento-areia d e 3:1 .. . 4.6 4.6.1 -

Demolições e remoção d e entulhos

Escombros-Demolições: Algumas considerações sobre volu mes unitários removidos, custos e tempos de operação

Al guns aspectos da s d emo li ções e en tulhos são d etalhad amen te estu da d os por Gued es (1991), pelo que não são refe rid os neste tra balho. Contudo, pou ca in fo rmação é forn ecida relati va mente a volu mes, custos e te mpos de opera ção das demolições e rem oçã o d e entulhos. Dos dad os r olh idos nos Arquivos d o GAR e d e acord o com Ribeiro (1983), foi possível estabelecer pa ra qu a ntidades d e en tulho removido por casa arruinada os seguintes va lores.

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1 - Info rmação do GAR relativa à reconstrução na ilha Terceira : o períod o compreendido entre A gosto d e 1980 e Julh o de 1984 fora m re movid os 545 000 mJ d e entulho. Ex trapolando para o intervalo d e 5 a nos, d e 1980 a té ao fin al d e 1984, obtém-se o valor d e cerca 700 000 m3. Em igual p eríod o foram iniciada s 9500 obras. (Esta tís ticas GAR). D estas 9500 obras, e admitind o qu e 26% correspondem a casas de truíd as (percentagem g eral média), obtém-se 2470. Assim, ca lcula-se em 280 m3 a q uantid ad e média d e en tulh o rem ovida, por habitação d es truída. Em 1983, a preços d a época, o custo somente d o transp or te orço u os 147$ por m 3. Pen a-se qu e o processo d e remoção e carrega mento dupliqu e esse va lor. Pelo menos é o que se pod e imaginar a partir d os valores indi cad os por Va ladão (1983) d e 350$ por m3 para rem oção d e entulhos de pa redes de pedra divisória d a p ro pried ad e ag rícola . 2 - Ribeiro (1983), ao estudar a contribuição dada pelas Forças Armadas n o d esempenho da acti vidade d e remoção d e escombros, refere que em 184 casas d estruídas fora m remo vidos 41103 m3 e gastas 2712 horas, tend o as viaturas percorrido 341105 km e gas to 204 030 litros d e gasóleo. Estes va lores, qu e dizem respeito a moradias de familia s com fracos recursos económicos, cond u zem às m édi as por casa d e 223 m3 d e entulho, 14,7 horas d e trabalh o, 1J08 litros de gasó leo c 1853 km d e percurso. Adnüli ndo que cada carro transporta 6 m3 d e entulho, é-se condu zido a percursos médi os de 25 km (di stâncias ao vazad ouro), o qu e indi cia intervenções na zona da s freguesia . A média dos consumos d e gasóleo foi d e 60 litros por cada 100 km, o que mostra gra nd es gastos n as opera ções d e limpeza . 4.6. 2 -

Discussão

Veja mos qual a credibilid ad e que os valores apresentad os possam ter, pela sua análise com pa ra tiva e pela considera ção d ou tros factores de ord em fís i a . Se se tra ta d e habitações d e família s economi camente d ébeis, as con struções são naturalmen te de pequen o porte com 1 a 2 pisos e áreas da ord em d os 90 m 2. Para fazer uma es tima ti va do volum e de materiais gerado no colapso da casa e transp ortado como entulho, é necessári o quantificar o vo lum e médi o de m ateriais exis tente na estrutu.ra (paredes, pavimentos e cobertura) e atribuir um coefi ciente d e empolamento que, n o caso vertente, rondará o 30%. Calcula-se que a proporção entre o valor d a á rea bruta da casa e a área ocupad a pelas paredes é cerca d e 5:1. Baseando-nos nas premissas exposta s e na indicação suplemen tar d e que a estimati va d e Ribeiro diz respeito pred ominantemente a construçõe ru rai , chega-se a relações d e l :3.5 a 1:4.2. (1) . Os valores obtid os an aliticamente es tã.o abaixo dos reg istad os durante o sismo pelas duas fontes d e informaçã o referida s, o que p od e querer dizer qu e a casa escolhida para anáJi e é d e porte inferior à médi a da s casas dos regis tos. Interessa, por outro lado, calcul ar também a qua ntidade d e escombros a remover das rua pa ra permitir o escoa m ento d o tráfego logo após o si m o. Não se possuem dados para faz er estas es tima ti vas. Ma s, d e acordo com Casta no et al. (1 991), d e um estudo reali zad o em M en.d onça, Argentin a, calcu lou-se em 10 ton d e entulho p or edifício, o que pa ra os no os va lores correspond e a cerca d e 3% do peso total a remo ver.

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1

)0 va lor d e 1: 3. 2 re fere-se a uma moradia ru ral de 2 p isO!>, com ár a bruta d e 100 m2 po r pi o, w 11 volu me a parente ex terior d e 490 m\ u m volum e d e pa red es (es pessura d e 0.60 m) e fo rno d e 156 m 3, o qu e se trad uz a proxim ad amente e m 277m' d e e ntu lho. o caso de 1. 4.2, trata-se d e um a casa ru ra lm od e ta, d e 1 piso, com 100 m2 de á rea, 240 m 3 d vo lttm e e 57.7 m3 d e pa r d e (e pessura 0.60 m ), o que dá 92 m 3 .

3~3


5-

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Di vidimos as considerações finais em duas grand es secções. Na primeira reportam-se os principa is resultad os en ontrados neste traba lh o com vista à ca racteriza ção d o comportamento d as edifi caçõe d e alvenari a e à descrição da s técnicas de reforço utilizad as. a segund a refere-se, d e fo rma genérica , o tipo d e es tudos a empreender para uma quantifi cação mai rigorosa d o comportamento e do reforço, numa visão mai s completa do problem a. 5.1 -

Principais res ultados

1-

Tipo d e dan os Os danos observados na s construções de alvenaria tradicion al de pior qualidade podem ser muito graves, leva ndo a estrutura por vezes até ao colapso para intensid ades não muito elevadas. Como se viu, são diversas as causas de tal mau comportamento. Contudo, nes te tipo d e estrutura, os colapsos totais não são muito frequentes, o qu e ex plica o reduzido número d e vítimas. Em contrapartida, a estruturas d e melhor qualidade tiveram um comportamento qu e, em muitos casos, se pode consid erar de razoável a bom. É o caso d e quarteirões com boa rectangularidad e e sem descontinuidades horizontais e verticais importantes. Os autores estão convencidos, pela análise do observado, que o comportamento pod e ser melhorado significativamente d esde que se observem d eterminad os requi sitos construtivos sem que seja, contudo, necessá ri o recorrer a técnicas de intervenção pesa d a. 2-

Acção sísmica "versu " loca l de implantação O grau d e danos não pode ser atribuível apenas à resposta da estrutura. Tem muito a ver com a acção sísmicn e a fo rma como es ta se fez sentir de ponto para ponto d o território. As manchas geográficas com mai or d en, id ade d e d anos correspond em efectivamente a maiores valores do movimen to do solo, d enunciando a influência dos solos e da topografia. 3-

Recuperação a) Valores da acção sísmica. É difícil estipular o valor da acção sísmica para o reforço da s estruturas. Só com estudos mais d etalhados em que fosse possível medir o benefício estrutural conseguido com diversas técnicas para diferentes valores da acção sísmica, se poderia discutir esse valor. b) Filosofia de intervenção. A interven ção, qu e não seja de raiz, pod erá fazer-se quase sempre utili zando as técnicas tradi cionais. O reforço deverá ser pontual e realizado com o mesmo tipo d e materiai , d esd e que a seu funcionamento seja adequado ao papel a d esempenhar. Recuperar, interferindo o mínimo possível com a estrutura existente, d eve ser um princípio a ter sempre presente. Nas obras de recuperação d everá evitar-se ao máximo o acentuar das d escontinuidades estruturais existentes (peso, rigid ez); antes pelo contrário, d everão ser aliviadas. Um caso que requer cuid ado especial e d e grand e importância pois se repete por todos os quarteirões de Angra diz respeito à manutenção d a estrutura de arcos resis tentes e do seu alinhamento ao longo de todo o quarteirão, para que uma boa tran smissão d e esforços seja conseguid a.

384


c) Técnicas mais utilizadas. São muito diversas as possíveis técnicas d e recuperação. Dependem do que existe e do grau de danos observado. Pensa-se ser possível recuperar com intervenção ligeira desd e que bem imagin ada e executad a, procurando solu ções engenhosas, como a utilização de redes electrossoldadas para consolidar paredes e os perfis metálicos para os nembos. Pa ra tal há que investir na preparação dos agentes intervenientes aos vá rios níveis de actuação. 4 - Dez anos depois do sismo e a maior parte dos problemas es tão resolvidos. Da melhor maneira, se diria. Continua por resolver o problema da deteriorização das pedras. Urge encontrar com rapidez uma solução efi caz para o problema. 5.2 -

Estudos e outras acções a empreender

1 - Desen volver estudos de base sobre o comportamento d as edificações de alvenaria tradicional sob a acção dos sismos, de forma a melhor ca ra cterizar as alvenarias e o seu funcionamento ante um sismo: a) Identificando, a partir do comportamento observad o, os vários modos de danos progressivos até ao colapso. b) Instrumentando dois ou três tipos de estruturas com uma rede de acelerógra fos e outros transdutores apropriados para estudar o seu comportamento sob acções sísmi cas reais. c) Realiza ndo ensaios em mesa sísmica de estruturas típicas. O sismo dos Açores é rico em exemplos qu e podem servir d e base para estabelecer um programa de estudos sobre comportamento de edificações de alvenaria tradicional. Este programa deveria contemplar uma parte analítica com modelação matemática e outra com ensaios experimentai s a realizar sobre estruturas reais ou em modelo reduzid o. Os estudos analíti cos, que seria m calibrados com os resultados experimentais, deverão en volver os processos mais modernos de modelação, usando a formulação por elementos finitos e o comportamento não linear dos materiais e das ligações estruturais. Os estud os experimentais deverão ser realizados não só sobre a estrutura completa como também sobre partes estruturais, recorrendo a uma plataforma de ensaios sísmicos e a ensaios sobre o protótipo. 2 - Estabelecer especificações para a id entificação e in ventá rio dos edifícios em piores condições d e segurança. 3 - Desenvolver es tudos de base que conduzam a médio prazo ao estabelecimento de regulam entação para reforço e recuperação do parque habitacional. Estes estudos deverão permitir compreender a melhor forma de reforça r e recuperar estas estruturas, quantifica ndo os benefícios colhidos sobre a segurança e os custos para con seguir esses benefícios. 4 - Adaptar o actual RSAEEP - Regulamento de Segurança e Acções em Estruturas de Edifícios e Pontes aos condiciona lismos específicos d as ilhas Açorianas e tendo em atenção a futura legislação comunitária - ECB (Eu rocódigo 8~ . a) Apoiand o a continuação de estudos de base sobre ri sco sísmico das diferentes ilhas do arquipéla go, com vista à actualiza ção das ca rtas d e "hazard", e à definiçã o de critérios para incorporação de estudos d e microzonagem em planos de ord enamento do território.

385


5 - O presente traba lho permitiu estabelecer algu ns d os pa râmetros essenciais para a elaboração de bases de d ados sobre o parq ue habitacional ating ido pelo sism o, Lu cas et ai. (1 991). Embora a amo lra que constitui a actu al base de d ados (tratamento inform áti o d os ficheiros relativos aos proce sos d e reco nstru ção) seja já bas tante ex tensa , seria d a máx im a importân cia completar a informatização dos elementos cm falta, nomeada m ente d os fi cheir os d os Relatórios de Avaliação de Danos (ver Lu cas et al., 1991). Estud os d e interpretação d estes dados podem fo rnecer elementos ex trem am ente vali osos para um a quantifi cação m ais rigorosa d os da nos e dos cus tos d a recuperação . 6 - As fo tografias d os edifícios logo após o sismo e das suas obras d e reconstrução constitu em elementos da maior importâ ncia para uma aturad a ca racterização d os d anos e d o processo d e reccnstrução. O traba lh o que se acaba de apre entar pretendeu fazer uma primeira interpreta ção de al gu ns d os elementos atrás referid os. Pa ra qu e outras interpretações, mai s completa s, seja m possíveis recomenda-se a rea li zação d as seguintes acções: a) Criação um ficheiro de todas as fo tografias exis tentes nas casas d a es pecialid ad e e parti cul ares, alusiva s ao sismo c à recortstru ção, sua classifi cação e ca talogaçã o, d e form a a permitir fácil acesso. b) Promoção da edição do inquéritos da DG PU : -

aos espaço urbano (es te inq uérito, de q ue ex iste apena um a cópia, é constituíd o por pai'l éis com o desenho em planta dos espaços urbanos m ais importantes, e fo tografias d a, várias vistas que os mesmos proporcio nam, con tend o comentários e recomenda ções para a ua reabilitação). -aos edifícios (es te inq uérito que se ap resenta em fichas ind ividuais d e tod os os edifícios da zona ela sificada de Angra do Heroísmo, organjzado em 30 "dossiers" d os qu ais ex ist m apena trê có pias, pode ser ed itado de fo rma co ndensada em d ois volumes com l m total de cerca de 1800 páginas) . AGRADECIMENTOS

Para a rea li zação d ste trabalho contou-se com in úm eros elementos e m aterial gráfico disp onibili za d o po r diversos en tidade e pessoa s, a qu em se agrad ece a colaboração pres tada : Dr. Batista d e Lima; Arq . Ânge lo Regojo; Eng. Ma rcelo Bettencourt; Técnico Es pecialista Péri cles Ortins; Arq•. Rosa Nazaré Simas; Dr. F. Ma duro Dias; Desenh ad ores Fa ustin o, F. Soares e P. Toste; Foto Iris; Foto Co rvelo; Mestres Antóni o Godinho e António Rodri gues; e Fisca l d e Obra Pú blicas Renato Costa. Um agrad ecimento à Câ mara Municipal d e Ang ra d o H eroísm o e ao Gabin ete da Zona C lass ifi cad a d a Cid ad e ':!e Ang ra d o Heroísmo. REFERÊNCIAS

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387


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Fig . 3 - Vis ta de casa rura l rica com cis tern a e chaminĂŠ com forro

fig. 4 randa

Vista de casa rural com va-

Fig. ' i - Construção tradiciona l urbana : a) frente estreita

39 1


Fig. 5 Construção tradicio na l u rbana : b ) frente ampla

Fi g. 6- Constru ção do séc XVI-XVII na Ru a Direita, em Angra: a) arca d a

Fig. 6

-

Co n tru ção d o séc XV I-XV II na Ru a Di re ita,

cm An g ra: b) a rca d as e vão

392


Fig. 6 - Constru ção do séc XVJ-XVll. na Rua Direita , em An gra: c) arco, vão e pa vim ento superior lajeado

Fig. 7 - Arcos no interior mostrando diferentes épocas de co nstruçã

393


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Fig. 8 - Fachad a de ta rdoz mostra ndo d iferentes épocas de construção

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Fig. 9 -

394

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Fig Bras. d.13 -

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M u ra lh a setscenti~ta · na p on ta do raro] d 0 Monte


Fig 14 - Trave d e pa vim ento d e tro nco d e faia d o no rte a fe içoa d o à enxó

Fi g . 15 - Asna em pinh o d e Fl a ndres. Enca ixe da perna à linha : a) extremidad e d a perna com respiga

Fig. JS - Asna em pinho d e flandres. Encaixe d a p erna à linha: b) extremid a d e d a linh a co m en cai xes para perna e frecha L (Observe-se a exi stência d e furos circulares tapados com buchas, provavelm ente d e mad eira )

399


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Fig. 16 -

Telha regiona l

Fig. 17 -

Alvenaria de pedra

aparelhada

Fig. 18- Alvenaria d e pedra irregular: a) ordinรกria

400


Fig. 18 - Alvenaria de pedra irregular: b) com "camas"

Fig. 19 - Alvenaria de duas folhas: a) vista geral

Fig. 19- Alvenaria de duas folhas: b) vista de pormenor

401


Fig. 20 - a) Fachada tĂ­pica em Angra

Fig. 20 - b) vista interior de fachad a recuperĂĄvel

Fig. 21 -

402

Reves tim entos tradi cionais


cor re dor ou ajuda

tr avess ào ou lig ado uro

cama ou

r~gut a r i z acão

pedr a -a prumo para puxar Unh a

pedras a qu ebrar junl as

pedr a irregu lar de

rabeca 1e1ta \

rolho ,,

-,

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ou ligadouro

racha

Fi g. 22 -

(cur.:Jõ de pedr a)

Prespectiva esqu emática d e cunha! com id entifi cação d os dife rentes constituintes

403


Fig. 23 - Cunhais: a) em edificação rural - vista geral

Fig. 23 nor

404

Cunhais: b) em edificação rural - vista de porme-


Fig. 23 - C unhais: c) em edificação urbana com ligação à cons trução ad jacen te

Fig. 23 - Cunhais: d ) tra va mento rudimenta r

Fig . 23 a línea d )

Cunh ais:

e)

esqu ema da

405


24 - A s p ecto da li gação: cunh a 1-ve rga -ci m al ha-om breira.

Fig. 24 - Aspecto d a li gação: b) fa chada-parede ortogonal intermédia. Ca bo para r eforço temporário

Fig. 25 - Aspecto d e pa rede meeira com "ca ma s" e "corred ores" d e li gaçã o à pa red e de fac hada

406


Fig. 26 - Parede interior d o 1.2 andar em pedra pomes argamassada com ca l e areia

Fig. 27 -

Arcos na pared e mestra

407


Fig. 28 - Estruturas interiores para vencer vãos: a) sucessão de dois arcos em série

Fig. 28- Estruturas in teriores para vencer vãos: b) sucessão d e três arcos em paralelo

408


Fig . 29 d e pedra

Estrutura em: a) abóbada

Fig . 29 - Estrutura em: b) abobadilha de pedra apoiada em viga metálica

Fig. 30 - Utilização de elementos verticais metálicos para ajudar a vencer vãos gra nd es

409


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I1 fronta l de Made iro

to1a do

Porth em Ptd r o Pomes TolhoG'o o ~!! a ch a d o I slo . Jorboro l

Fig. 31 -

Tob ique

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Esqu ema de paredes interiores

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e aberrura interi or: a) esquema

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Fig. 32 - Tabiques e abertura interior: b) tabiqu e com prumos e fasqueado em pinho-d e-flandr es

Fig. 33 - Tabiq ue com fa squ ea do e entrela รงado de ca nas na parte inferior

411


Fig. 34 -

Parede tipo pombalino

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Fig. 35 -

412

Esquem a d e telhado: a) em tesoura


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Fig. 35 -

Fig. 35 -

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Esquema de telhado: b) Ă  francesa

Esquema de telhado: c) a cavalo

413


Fi g . 36 - Vista inferi or d e telhad o em tesoura

Fig. 37 - Vi sta inferi or d e tecto rico, em ca ixotão (m ontagem fotográfica)

Fig . 38 - Te cto d e ca ixo tã o . Ligação d a linh a com a perna

414


Fig. 39 -

Asna à francc a

Fi . 40 - Asna ad a ptada ao a proveita men to do sotão

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TAG[M DE TELHAS Fig . 41 -

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Esq uema de revestimento d a cob rtu ra ern telha

4 15


Fig. 42 - Cimalha com beira e sobre beira

Fig. 43 - Traves de pavi mento

416


FUNOACAO de PfORA i

çantra o !Hreno

Fig. 44 -

Esqu ema d e funda ção em alvenaria

Fi g. 45 - Verga monolíti ca articulada

417


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Fig 46 arregaço

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Esqu ema d c va- 0 . b) com

TIRAHTE llGAOO RES DE MADEI RA VER&A DUPL A DE MADEI RA SOBRADO DO J• PISO CINTA DE MAD EIRA VERGA DE PEDRA

- . a) gera l Esqu " em a de vao.


Fig . 47 - Verga dupla cm casa urbana

Fig. 4 -

Vis ta d e uma pared e com v達o no m eio rura l

Fig . 49 - Pormenor d e verga, pedra d e acada e ombreira

419


Fig. 50 -

ChaminĂŠ de mĂŁos po tas

Fig. 51 - Verga in terior do fo rno: a) cm arco abati do

Fig. 51 - Ve rga interi o r d o fo rn o: b) em madeira

420


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.g. 52 .- Escad a d e pedra com degraus arre dondados F1 . na face mfen or

. 53- Esq uema d e esca d a d e tiro F'8路


Fig. 54 - Exemplos de escada d · tiro: a) do r/ c pa ra o andar de cima d o edifício à esqu erda com pared e mccira d estrtl ída

Fi g. 54 - Exe m plos d escada de tiro: b) la nço no andar de cima (Foto - DGPU)

Fig. 55 - Pl anta da cidad e de Angra . Arra njo dos quarteirões: a) em 1595 (Lin choten)

422


Fig. 5~ - Plan ta da cid ad e d e Angra. Arra njo dos qua rteirõe : b) na situa ção ac tual

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Fi g. 55 - Planta da cidad e d e Angra: c) vista aérea de um troço d a zona cen tral de Ang ra d o H ero ís mo (Fo to - Arq. Migu el Lima )

423


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Co nstru ç:'\o tradicional Co nstru ção em betão a rm ado Fig. 56 -

C=::::J Constru ção tradici onal refcwçad a com elementos de betão C=::::J Pá tio

Planta geral do qu arteirão B-10 da cid ade de Ang ra do Heroís mo, hoje em d in


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Paredes estruturais m estras e m eei ras

• , · : . . Arcos de volta inteira

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Abóbada cilíndrica

Paredes d e fachadas

Pilar em betão armado ou m etálico

Fig. 57 -

Vis ta mais d etalh11da da planta estrutu ra l do r / c d e parte do quarteirão B-·10


Fig. 58 -

Vista mais detalh ada d e u m troço do alçad

po nte do qu arteirão B-10

Fig. 59 - Vis ta aérea dob danos o o rridos no centro d e Ang ra (Fo to - Arq . João C ru z)

426


É2

Con truções cm ruín a Construções mu ito dani fi cadas

D Constru ções danifi cada

O

onstru ções sem danos

Fig. 60 -

Dis trib uição de danos pelo qua rteir ão B- 10 (ad aptado do leva ntamento da SRES/ DSH UAA H, 1980)

Fig . 61 -

Co mporta mento de ed ifícios pertencentes a um qua rteirão: principais mecanismos d e rotu ra

427


Fig. 62 - Jlustraç5o de alguns dos meca nismo pos íveis para o co mportamento estrutural das coberturas d a Fig. 61: a) prespectiva d a estrutu ra do telhado e do seu apoio na parede

Quebra da va ra

Apod recime nto e rotura

da

Desencaixe da madrl'

Apod rcám cnlo da ponta da linha espa ço ocupado por queda de ench imento

Fig. 62 - Ilustra ção de a lguns dos mecanismos possíveis para o com porta mento estru tural das coberturas da Fi g. 61: b) meca nismo de desagregação

Fig. 62 - ll u tra ção de alguns dos mecan ismos possíveis para o comportamento estrutu rai da obertu ras da Fig. 61: c) meca ni mo d!' deformação da pa rcd

428


Fig. 63 - Jntera cção da es trutura da cobertura e pavime nto com a parede. Danos em fa se inicial

Fig. 64 - Graciosa. Fendilhação demarcando a descontinuida de entre dois tipos de alvenaria

429


Fig. 65 -

Fend ilh aç5o diversa na parede d e fa chada

Fi g . 66 - Estado in termédio de danos e m on s tru ção rural. Queda d e reboco

430


Fig. 67 -

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Da nos cm cunhais: a) interm édi os (Foto - DGPU)

Fi g. 67 Da nos e m cunh a is : b) fcndilh ação em cunha

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Fig. 67 - Danos em cunha is: c) separação nítida do canto por falta de liga ção à restante pared e

Fig. 67 - Danos cm cunhais: d) pré-ruína com cun ha] muito danificado (Topo, São Jorge)

432

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Fig. 68 - Deforma ção d e um a pared e no seu plan o vista através do movimento da s làmiJ1as das janelas de guilh otina : a) abertura do cu nha!

Fig. 68 - Deforma ção d e uma pared e no seu plano vis ta através do movimento da s lâminas das janelas de guilhotina: b) abertura da pedra de fecho (Foto - DGPU)

Fig . 69 -

Arco deformado

433


Fig. 70 -

Es maga mento de pilar

Fig. 71 - Colapso total d e ra chad a. Cobertura suportada pelas divis贸ria cm ta bique

Fig. 72 olapso general izad o. Janela a suportar pa rle da cobertura

434


f ig. 73 - Asna à fr ancesa com a extre mid ad e da li nha muito d egrad ad a, co m d e a pa recim ento do e nca ixe d o frechal

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Fig . 74 - As pecto d o interi o r d e uma mansa rd a ("torrinha"), observa ndo-se o telha d o à francesa c um reforço na direcção tra nsversa l anteno r ao ismo

fig. 75 - Exe m plos de cola pso d e co berturas

435


Fig. 76 - Ruína total d e parte d e casa

Fig. 77 - Colapso total em constru ção rural: a) Freguesia da Sta. Bá rbara

Fig. 77 - Colapso tota l em construção rura l: b) Fregu esia d e S. Sebasti ão

436


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Fi g. 78 - Efeito da d escontinuidade em altura entre edifícios adjacentes," e do tipo de alvenaria

Fig. 79 - Colapso da parte superior de edifício em gaveto. Zona virada a norte aparenta maior deteri ora ção

Fig. 80 - Co lap o generaliza do d e edifícios em gaveto. Zona virada a norte apa renta maior deterio ração

437


Fig. 81 - Co lapso d e cunha! em ed ifício em U com longa históri a de alterações. Assim etri a acentuad a de massa e rigid ez

Fig. 82 - Ruín a total cm Ang ra. Fachada colapsada em 2 prédios ad jacentes.

Fig. 3 -

43 8

Impé rio: a) de e nh o esqu emáti co


Fig. 83 -

Impéri o: b) aspecto geral

Fig. 84 - Da no e m cons trução de alvenari a el e pedra co m a mpliação no 1.º and ar e cinta em be tão a rmado

Fi 85 - Da nos generali za dos em con trução d e bl ocos de cimento com ci nta sem a rmadura

439


Fig. 86- Comportamento de edifícios de betão a rmad o no interior de quarteirões: a) impacto do edifício mais baixo de b.a. contra o de alvenaria

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Fig. 86- Comportamento de edifícios de betão a rmado no inte rior de quarteirões: b) impacto do ed ifício mais alto de b.a. e com fendilhação em diagonal neste (Foto - DGPU)

Fig. 87 - Repa ração ex pedita de urna verga com gato metálico feita após a crise de 1951

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Fig . 88 - Reparação ex pedita de um cunhai com gato metáli co feita após a cri se d e 1951

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Fig. 89 -

Reforço com: a) tiran tes

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Refo rço com: b) giga ntes

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GAT O OE AMARRA CรƒO

Fig. 90 -

Refo rรงo recorrendo a tirantes e ga tos m etรก licos: a) esq uem a

Fig . 90 R e fo r รงo r eco rr en d o a tirantes e gatos m etรกlicos : b) vista

442


Fig. 91 -

l~ e fo r รงo por tapa mento d e aberturas: a) arcos

Fig . 91 - Refo rรงo por tapa mento d e abertu ra : b) ja nelas c porta

443


Fig . 92 - a) Fa cha d a esco rada (Foto - DCPU)

Fig. 92 mento

b) Escoramento de pavi-

Fig. 93 - Aspecto d a a lvenarias da fachada deteri orada por 1O anos sem protecção

444


Fig. 94 - Li mpeza e enchimento de pequ enas fissuras. Utilização de tira ntes curtos nos ca ntos

Fig. 95 -

Reparação de rebocos

445


Fig. 96 - Re para ção d e pa red e de p edra do séc. XIX. Manu tenção d a estrutura do pavim ento e d o fa squ eado

Fig. 97 -

Re fo rço da a s na e m

m adeira co m e le m e nto metá li co

446


Fig . 98 - Rep araçã o provisó ria d e e mpe nas: a) vendo- e a p osição de inserção d a pa red e interm édi a

Fi g . 98 - Repara ção provisó ria de empenas: b) com introdu ção de elementos d e betão a rmad o

Camada de betão

Rede electrosso]dada

Parede existente

Fig. 99 - Reco ns tru çã o utilizando a técnica d a red e metáli ca: a) esgu ema

447


Fig. 99 - Reconstru ção utiJiza nd o a técn ica d a red e me táli ca: b) aspecto final

Fig. 100 -

448

Pila r encas trado. Amarração

nova fund ação


Fig. 101 - Traba lh os pre pa ratóri os pa ra execução de cinta ou reparação de cobertura

Fig. 102 -

Reco nstrução de empena

Fig. 103 - Laje de cobertu ra, asna de betão armad o e arran que de pila r pa ra ba ixo

449


Fig . 104 - Am pliação em mais um a nd a r aprovei tand o a fa chad a exi ste nt e co m re a p rove ita m e n to da cima lha

Fig. 105 cim alha

Mold e para imitação de

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Fig. 106- Recupera ção d o Centro de Resta uro. Aspectos d a cim alha, vergas, o mbreiras e liga ção ao cunh a!

450

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Fig. 107 - Introdu ção d e elementos verti cais d e reforço sa lientes em relação à parede

Fig. 108 - Reparação de estruturas interiores pa ra vencer vãos: a) arco simples

451


Fig. 108 - Repara ção de cstTuturas interiores para vence r vãos: b) arco e pilar

Fig. 109 - Aspecto final da recuperação d e arcos: a) arcos paral elos

Fig 109 - As pecto fi nal da recuperação d e arcos: b) a rco em dirccçõe ortogona is

452


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Fig. "1"1 O - Reconstru ção mantend o a fa chada ori ginal com e tru tura d e betão a rm ado encostad a pe lo interior

Fig. 111 - Reconstrução d e fa chad as com manutenção d e elementos tradi cionais no r /c e 1.2 and a r. O 2. 2 a ndar é co nstrução nova: a) em tod a a ex tensão (veja-se a manutenção d os elementos d e ca ntaria)

453


Fig. ·11 1 - Reconstru çã o d e fa chad as com manutenção de elemento trad icionais no r I c e 1.0 and ar. O 2.0 a ndar é cons trução nova: b) em pa rte d a casa

Fig. 112 - Reco nstru ção vista do interior d e u m edifício em que se a proveitou a fac hada e a pa red e meeira

Fi g. 11 3 - Recons tru ção d e uma fachad a com introdução de pilares d e be tão arm ado e mantend o a fo rma d a estrutura da construção trad icio na l

454


Fi g. l1 4 - Re fo r~o de parede de fac had a com elementos de betĂŁo armado (desmonte e montagem posterior): a) vista da fachada pela frente

Fig. 11 4 - Reforço de pa rede de fachada com elementos de betão armado (desmonte e montagem posteri or): b) pormenor de a)

455


Fig. n 4 - Reforço de pared e de fac hada com elementos d e betão a rmad o (des monte e mont11gcm posterior): c) vista da fachada por d entro

Fig. 114 - Reforço de pa rede de fa chada com elementos d e betiio a rm ado (d es monte c montagem posterior): d) vista d a e mpena com elemen to de b.a. incorporado

456


Fi g. 11 5 - Recupera ção quase integra l, mantendo alguns tabiqu es e a cobertura

Fig. 11 6 - Constru ção integ ra I das p aredes pe rifé ri cas co m bl ocos de betão c elem entos de b.a., mantendo apenas a cobertura e o telhad o original

Fig. 117 - Co nstru ção d e fachad a co m ele me ntos d e b.a. e alvenaria de blocos imitando a fachada primiti va

457


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Fi g. 11 8 - Sub titui ção da fachad a trad icional por fac hada em betão: a) vista ante rior à reconstru ção

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Fig. 118 - Subtituição da fa chada tradi ciona l por fa chada cm betão: b) pared es d e betã o

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Fig. 11 9 - Aspecto dos edifícios d a Fig. 82 a pós reconstru ção

458


Bloco

em

betão armado

Fi g. 120 - Recuperação de chaminés co m elem entos de betão a rmad o: a) esquema elementar

Fig. 120 - Re uperação d e chamin és co m e lementos d e be tão armad o : b) vista da obra

459


ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O COMPORTAMENTO DAS EDIFICAÇÕES COM ELEMENTOS EM BETÃO ARMADO Carlos S. Oliveirn'

PREÂMBULO

Este trabalh o constitui um pequ eno apontamento sobre o comportamento das construções d e betão armado, incl uindo as d e alvenaria d e bloco com elementos de betão armado. As estruturas d e alvenari a tradi cional foram analisadas num outro trabalho, Guedes e Oliveira (1 991), enquanto algum as estruturas d e betão armado de maior envergadura foram objecto d e estu d o e ,pecífico com vista à d eterminação da acção sísmica incidente, Oli veira et al. (1 991). O presente trabaU1o, tendo portanto alg uns elementos em comum com qu alquer dos d ois atrás referidos, d everá ser ana lisado conjuntamente com eles. A lgum material aqui d escrito e tá também contido em Oliveira e Carvalho (1980). Pa ra não sobrepor com d escrições já contida s noutros trabalhos da monografia, dá-se m aior relevo aos casos não analisados nesses estudos. INTRODUÇÃO

Em fun ção dos tipos d e construção ex is tentes nas ilhas e dos danos sofridos, classificara m-se as construções em quatro classes: (i) edifícios d e betão armado de porte moderad o; (ii ) edifícios d e pequeno po rte construídos com tecnologia mais recente; (iii) edifícios mon um entais; e (iv) edifícios d e alvenaria tradi cionais de pequeno porte. Os edifícios d a classe (i) constituem a m aiores estru tu ra ex istentes no arquipélago e fo ram con tnúd os após a d écad a d e 50. Os da classe (ii) são construções também do pós50, co m alguns elemen tos d e betão arm ad o, d esignad amente os montantes, cintas periféri ca s e lajes executadas com vigotas p ré-esfo rçad as. 0 " edifícios d a classe (iii ) são constituíd os por alvena ria d e pedra d e grand e espessura, e foram construídos ao longo dos tempos, muito antes d a época d e 50. Finalmente, os da classe (iv), compõem a larga maioria da s construções d o parqu e habitacional e datam d e época s bem diferenciadas, tod as anteri ores a 50. Considerou-se, portanto, 1950 como a data charneira em que se inicia a constru ção d e betão armad o e se estabelece a fronteira entre a construção de alvenaria tra dicional e a constru ção com tecnologia mais recente. A Fig. 1 assinala as construções anteriores a 1950, entre 1950 e 1980, e as que apareceram no período póssismo, e 1980 a 1990. As estruturas d e betão armad o existentes na , zonas atingida s pelo sismo tiveram, em geral, um bom comportamento, especia lm ente quand o comparand o com o comportamento d as estruturas d e alvenari a trad icional d e porte semelhante. Contruriamente ao qu e se verificou com a construção de pequeno a médio p orte do pós-1950, a construção cm alvenaria tradicional (classes iii e iv) teve um comportamento muito d efi ciente. Tal re a lta muito clara mente qua nd o se comparam as zonas da carta da Fig. 1 com as zo nas ond e oco rreu maior d ano, Fig. 2 (ver Lucas et ai., 1991), pois estas últimas coincid em em traço gerais co m a man has d a construção anterior a 1950. À data d o sismo nã o existiam mui tas construções em betão armad o, pois o desenvolvimento urbano e industrial na zona não era muito grand e. * Investigador, L EC

461


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Fig . 1 -

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Ca rta co m as consb·uções a nteri ores a '1950 (azul), entre 1950 e 1980 (a ma re lo), e d o período p ós-s ismo d e 1980 a té 1990 (enca rn ad o). Leva nta mento e execução: Péricles O rtins.

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O principal objecti vo do presente trabalho con iste em Glrac teri.zar sucintamente o comportamento da s edificaçõe d e betão armado d e peq ueno porte e porte moderado. Nas con struções d e p equeno porte dá -se con ta d o aumento ignifica tivo d a seguran ça contra os sismos conseg uida com e te tipo de construção, nas de porte maior analisam-se os seus pontos críticos e discutem-se formas d e evitar futuro problema . 2-

EVOLUÇÃO DA CONSTRUÇÃO DE BETÃO ARMADO

O betão armado era utilizado nas constmções d e moradias de pequeno porte e em alguns equipamentos de maior porte como a Escola Secundária, o Hospi tal e a Fábri ca d e Lac hcínjos. A construção de mai ores blocos habitacionais só veio a ocorrer após o sism o. As primeiras construções em betão armado surgem no finai dos anos 50. A regulamentação RSCS d e 1958, que impunha a uti.lização dos elementos d e betão armad o nos cunhais (montantes) e nas cintas a nível do ] .2 e 2 2 andares, só mais tarde e timidamente começou a ser aplicada. Os pavimentos eram construíd os com vigotas p ré-esforçadas e mais raram ente em lajes maciças. As coberturas, em geral, eram feitas com asnas d e madeira. As paredes d es tas casas com 1, 2 ou 3 pisos eram executada s com alvenaria d e blocos de cimento ou, por vezes, com alvenaria d e pedra, sobretudo no 1.º andar. Como não havia um bom controlo d a produção dos blocos, por vezes, a sua qualidade era muito má. Nas casas implantadas em terrenos d e funda ção d e fraca resistência( < 1 kg /cm2), foi-se progressivamente utiliza ndo mais a li gação entre sa pata s através d e uma viga de mai or rigidez onde apoiavam as pared es de enchim ento. Muitos d estes melhoramentos só foram entrand o nos hábitos da construção à medida que os anos passavam. Assim, o ap<Hecimento da cinta (dita sísmica - 23 cm de largura e 20 cm d e altura com 4<j>12 e es tribos <j>6 afastados 20 cm) com eçou na s construções que se encontravam junto das Es trad as acionais onde o se u li nciamen to d ependia da fiscalização das Obra s Pública s. Um outro exempl o d o emprego da cinta sísmica de forma generalizada passou-se nos anos 60 com a constru ção d e cerca de 1600 moradia s para albergar 5000 pessoas liga d as à base americana d as Lajes. Nestas construções não se utilizaram outros elementos d e betão armado. Quanto aos montantes, só em 1980 se começou a generaliza r o seu uso. Até então, foram poucos os casos de casas com cintas e montantes. Mais vulgares as situa ções d e placa e cintas. Os pavimentos d e madeira mantiveram.-se durante muitos anos. Só as casas com mais de um piso possuíam pavünento em betão. Também nestes casos a transição foi lenta. N a mai or parte, mesmo em casas com pa vim ento de betão, o tecto d o último andar continuava a ser d e madeira . Só d epois de 1980 se começou a cons truir este elem ento em betão armado. Os bloco de pior qualidade d esfaziam-se no próprio transporte; não resistiam a tensões d e compressão superiores a 10 kg/ cm2 e eram constituídos por cimento e saibro. Os de m elhor qualidad e tinham cimento, areia e ba gacin a. Britas não existiam. As especificações laboratoriais para a construção exigiam 50 kg/ cm2 para os blocos a usa r nas pared es divisórias e 100 kg/ cm 2 nas paredes ditas resistentes. Os blocos, com cerca d e 40 x 23 x 20 cm, até 1970, eram maciço . Só depois apareceram os bl ocos furados com aquelas dimensões e também com 40 x 20 x 10 cm. As cintas mostram desd e logo a sua importância pois, para além d e neutralizarem bem os impulsos laterai s da cobertura , reve laram-se d e grande importância aguando da crise sísmica de São Jorge em J964.

463


A experi ência de o utra cri es sísmica s rece nte (1957 no Fa ial, 1964 em São Jorge c 1972 / 73 no Pico-Fa ia) não foi d m old e a alterar sig nifi cativa mente os padrões da constru ção praticada na ilha . O mesm o não se pod e dizer d o si mo de 1980 q ue tev e logo g ra nd es re percussões. Essas re percussões foram m ais sentid ns nas ilhas Terceira, S. Jo rge e Graciosa. Só a pa rtir d e ] 985 o sis mo d e 80 tem eco e m São M igue l.

3 - COMPORTAME TO DE ED I FÍCI O S DE TECNOLOGIA MAIS RECE TE

PEQUENO

PORTE COM

Tra ta-se d e pequena co nstr uções, gera lmente pa ra habi tação, tanto urbanas como ru rais, com um m á xim o de 2 piso , construídas com pared es d e alvenaria d e bl ocos o u pedra argam assados com ci mento. Em alguns aso , di spõem de uma o u várias cintas p eriférica de betão ar ma do . Q ua nd o estas existem loca li zam-se predo min a ntem ente ao nível de cobertura, exis tindo ta mbém por vezes ao nível d as vergas das jane la s. No caso de 2 pisos, o piso intermédio é, em geral, de betão armado. Os e lem entos vertica is d e betão a rmad o sã.o m uito raros. A fundação é geralm ente mais cuidad a do que no caso da co nstrução tradiciona l. As cobertura s oco rrem ta nto cm te lha com o em chap as de m a ior dime nsão, em z in co o u fibrocimento . A divisórias in teriop ão também em bl ocos ou tabiqu es sem tra vam ento superior. Edifícios no meio de outros em alvenari a trad icional Este é o tipo d e cons tru ção q ue apa rece no acres ento d os 'd ifícios urbanos. O comportamento d es tas co n truções desta ca -se claramente do comporta m ento das cons tru ções tradi ciona i d o mesmo p orte, nã o indo os d ano além d e fendilh ação li geira a m od erada . Como já se referiu, o com po rtamento das estruturas em betão arm.ad o d e pequeno porte, que apresentam u m a tipologia cl ássica de r I c + 1. 2 and ar, com p aredes de bl ocos foi, em gera l, muito bom. No entanto, podem cita r- c a lg uns ca os d e pior co mpo rta m en to, a tribuível ao não cumprimento integral d e tod as as r g ra s imposta na Regulam entação d e 1958. Assim, os danos ocorridos em a lg umas moradias (1 ou 2 pisos - sobretud o 2) que possuía m somente cinta sísmica, poderá se r a tribuível à m á li gação entre elem entos (fa lta d e m onta ntes), Fig. 3, e/ou à existência de alven ari a d e bl ocos de pi or qualidade. Outro aspecto que poderá ter contribuído para um pior comportam ento das estruturas d e betão armado situ a-se nas ro turas a nível de fundações com assentamentos diferencia is importa ntes (funda ções em a terro p oderão ter ag ra va d o o compo rta m ento). Como ressa lva a este compo rtam e nto é d e referir o colapso to tal d e duas p equenas con stru ções na ilha d e São Jorge, junto da fregu esia d o Topo, por razões possivelm ente rela cionadas com um a ma ior acção sís mjca, ma s também devido a pior qualidad e d a construção. Com efeito, trata-se num dos casos de um a edificação para abrigo de d ois grupos gera dores para o Farol do Topo. A constru ção era de blocos com alg un s contrafortes cons truíd os por blocos e u m varão central muito mal ancorado no ca bo uco. Não tinha cinta d e b etão armado e a cobertura era em chapa ondulada d e fibrocimento. A d estruição foi total, apresenta ndo, no entan to, troços de dim ensões apreciáveis d e ign ada m ente QS contrafortes. Um a ou tra edifi cação qu e ervia d e vigia para a pe ca da baleia era d e pequ nas

464


Fi g . 2 -

Fi . 3 -

Planta da cidad e d e Angra do ll eroísmo. Loca lização esqu emática da s zo nas d e mai o res d a nos c de es truturas d e betão a rmado d e maior porte

Cinta sísmi ca não funcionou em zo na de grand e intensid ad e por ca usa da falta d e m onta ntes

465


dim e n ões, de blo o om uma laje de be tão armado . O e tado d ruína fo i total embora a laje tenh a perm an cido intacta. Os edifícios das instalações ju ntos ao farol sofreram tam bém grand es d a nos, om colapso total d a pa rte importante da estrutu ra. (Pa ra m ais in fo rm ação ver O li veira et al. 1991. ) Outros casos com laje em betão mas sem montantes ta mb ém se comportaram bem . Co ntam - e poucos casos de m a u comportamen to . Um d eles, no La rgo d e São Luís junto à bomba, com fi uração das parede . Outro, uma con strução mi sta d e a lvenaria e lajes de betão arm ad o (Recreio dos Arti s tas), teve d e ser d emolid a . Descreve-se segui d am ente uma casa q ue que fo ra reforça da antes d o sism o e teve bom comportamento, embora situ ad a numa zona de maior intensidad e (Alto das Covas) . As casas adjacentes sofrera m bas tantes danos. As obras foram feitas em 1976 / 77: ampliação de 1 andar com a utili za ção d e vigamentos d e madeira 30 x 16 esp a ado d e 40 cm no sen tid o tran versai d ev idamente tarugado (metro a m etro) por cima d a es trutura do r I c - m ad eira d e eucalipto, col oca da verde. A cobertura é em asna d e mad eira . Foi construída u m a cinta d e betão arm ad o ao n��vel do arranqu e do 2.º andar e ao níve l da cornija periféri ca (cinta d e 60 cm de esp essura) , mantend o-se o vigamento d e mad eira com entrega d e 20 cm . As pa red es até ao 2.º and ar eram d e alvenaria de pedra. o 3Y andar a alvena ri a de bloco de cimento é d obrad a com 45 cm d e espessura. A divisória interior do 3.n piso é em tabique com es tafe. Na s casas construíd a no interior de quarteirões em que predominavam os ed ifícios d e a lvenari a tradicional surgiram alguns problemas derivad os da interacção entre ed ifícios com ca ra cterísticas muito diferenciadas: a Fig. 4 mostra a casa em be tão armad o com bom comportam ento, enquanto a casa adjacente cm alvenar ia se apre enta com d an os importan tes na em pena sem continuid ade lateral; e a Fig. 5 a) urna estru tura em betão exibindo fendilh ação diagonal na parede da fachada. A Fig. 5 b) mostr a a mesm a casa apó reparação da fissuração. Moradia s nova s

Os bairros d e moradia já construídos com tecnologia mais recente comportaram-se muito bem, como é o caso da zona a leste da Escola Secundária, tan to para moradia s geminadas como para m oradias i oladas, Fig. 6. Danos apena s em algu m as chaminés. Ap enas uma ou ou tra excep ção, aliás talvez explicável se se ana lisassem mai s profund amente as causas d sses casos singulares. U ma delas teve gr a ndes d a nos (a única casa com elementos d e betão a rmado qu e registo u dano importantes) - talvez por es tar em zona d e aterro1. Algumas con truções geminadas em bairros n a zona a norte d e Angra ti ve ram também peq uenos danos. Um a outra ca a recen te d e alvenaria de blocos com cinta sísmica bem executada, locali za da na fregue ia do Topo, Fig. 7, em sítio onde o sismo se fez sentir com um a intensid ad e Mercalli Modificad a V II-VIII, não ofre u qu a lqu er dano. A casa apresenta uma pl anta típica de 13 x 18 m, cinta com 35 x 60 cm e 4 a 6~20 a toda a p eriferia da casa.

(1) Os danos ocorrem num conjunto de casas construídas pelo me mo co nstru tor; casas co nstruídas na mes ma

zona po r out ros cons trutores não sofreram nada. Este a pare nte pior comporta mento poderá ser atribuído ~ fa lta de montantes. es tas condições, tod o o esforço de co rte transmi tido pela pJ rte superi or é suportado pelas al venarias de blocos que não possuem resistência sufi ciente.

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Fig. 4 - Casa em be tão a rmado com bom comportamento, adjacente a casa de alv n a ri~ com da no im portante na e mpena em co ntinuid ad e la l ral ( o to DCP U)

Fig. 5 a) - Casa em betão ex ib indo fendilhação diagonal na pa rede da fac hada (foto DCPU)

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Fig. - b) ---Casa da Fig. Sa) r para ão (Foto DC PU

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Estruturas que se repetem Alguma e truturas apre en ta m um intere se muito específico, pois se repe tem p o r toda a ilha Terceira e p odem rvir de "baróme tro" d e comportamento. São exempl os os postos d e tra nsform ação eléctrica que se encontra m espalhada s por tod a a ilha e as escola s primária s. Entre os p rim eiro apenas o posto da freg uesia das Doze Ribeiras sofreu um pequeno d ano. Relativamente às escolas, ta mbém o comportamento foi bo m : segundo Re is Leite (1983), d e 84 esco la apena s 7 ficaram d anificadas. Os pos tos de transformação, de 1 o u 2 pisos possu em estrutura de a lve nari a de blocos, sem cinta n em pilares, e pla ca supe ri o r. Grande percenta gem sofreu a lgun s d anos com fendilhação que, no entanto, não pôs em causa o hmcionamento d os equipam entos eléctricos. De entre as escolas, há a co nsid erar 2 tipos fundamentais: as Escola s do Pla no Centená rio e as Escolas do Plano Recente. -

As Escolas do Plano Centenári o, que não ofreram nad a, estão construíd as por toda a ilha Terceira d esd e 1940/50 en1 número de algumas dezena s, com cerca de 200 sa las de aulas. O bom comporta m ento ob ervado durante o sismo d e 80, mesm o em zona s d e g rand e d estrui ção como na s freguesias a oeste da ilha, Fig. 8, o u no Largo d o Alto da s Covas, já hav ia passad o pelo teste da crise sísmica d e São Jorge em 1964 (Escola d os Rosais). Com efeito, estas esco las primárias, construídas com tecnologia recente mas não em betão a rm ado, comporta ram-se bem . Por exempl o, a Escola Infante O. H enrique na zon a do Alto de Covas em Angra (Projecto do arq. Jorge Segurado, 1933), apresenta apenas ligeiras fi ssuras na alvenaria com queda d e al g uns es tuques d os tectos, Fig. 9. -As Esco la s d o Plano Recente com eçaram a ser construídas em 1965 até 1975. A es trutura típica das escolas prim árias apresenta a forma rectang ular, d e 2 pisos com 2 sa las d e a ula d e 6 x 8 cm encos tadas, em cada a ndar. Nos 4 m etros finai s do topo do rectâ ngulo, em cada lado, encontram-se o acessos verti cais por escad a. Na parte da frente apresenta m ao nível do pavimento do 1.0 and ar um a lpendre e consola. A construção, é em alvenaria de bloco de cimento co m cinta sísmica no 1.º piso. O pavime nto é em sobrado d e mad eira, acácia ou pinho, sobre v iga mento de m ad eira com afastamento d e 30 cm. O bom comporta m ento deve-se essencialmente à aplicação de alvenaria d e bloco de boa qualidade ou a lvena ri a de pedra bem aparelhada, com cunhais bem executad os, confinados superiorm ente po r um a cinta sísmica . A observação d o com portamento d estas estruturas mostra bem que ela s sobrevive m a intensida d e VIl! (Mercalli Modificada) sem qualquer dan o. Um a outra estrutura espalhada por todas as áreas danificadas são os Impérios, Guedes et a l. (1991). Ao contrá ri o das escolas e dos postos d e tran sformação, estas construções sofreram grandes danos, prin cipalmente nas zonas d e m aior intensidade. A estrutura é de pior qualidade com alvena ria menos be m confeccion ada , geralm ente em a lvenaria tradicional, Gued es et ai. (1991 ). Ap re enta ta mbém aberturas amplas, o que lh e confere maior fragilidad a Fig. 10 mos tra m-se os danos ocorrid os numa constru ção com a lvena ri a d e blocos em q ua lque r elem ento de betão a rmado.

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Fig. 9 -

Esco la do Alto das Cova (Pla no Centená ri o) se m qual qu er d ano

Fig. 10 - Dano típico no can to de um im pério cm a lve na ri a de bloco (Fo to DGPU)

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4 - COMPORTAMENTO DE ESTRUTURAS DE MAIOR PORTE EM BETÃO ARMADO Uma d escrição detalhada das principai e truturas de betão armado qu e sofreram danos durante o sismo pode ser encontrada em O liveira et a i. (1991) . o trabalho que agora se apresenta retoma-se essa temáti ca analisando as ca usas face à acção sís mica actuante. Na Fig. 11 apresenta-se a loca li zação das prin cipa i estruturas ana lisada s em Angra do H eroísm o. Escola Secundária (1) Trata-se d e uma estrutu.ra em betão armado constru ída em 1970, Fig. 12 a), localizada na Praça Cavaleiro Ferreira (ponto 1 da fig. 11 ), uma zona as construções tradicionais apresentam danos consideráveis. O edifício desenvolve- ·e em planta egundo duas alas formando um T, e está impl antado num terreno com decli ve suave para o mar. A ala prin cipal com dimensões aproximadas de 110 x 20 m tem três pisosaonde se encontram instaladas as salas e está seccionada em '"" co rpos por 4 juntas de dilatação. A outra ala, com 45 x 20m, apresenta a mesma altura da ala principal e desenvolve-se perpendicularmente a esta; contém no piso térreo a cozinha e refeitório e por cima w11 ginásio. Está seccionada em dois corpos por uma junta e separada da ala principal por uma outra. A cobertura do ginásio é constituída por asnas m etálicas que se apoiam em pilare da fachada. As juntas d e dilatação d es te edifício, separando os diferentes corpos, estão instaladas entre um pilar e uma das vigas adjacentes por m eio d e um cachorro de betão armado. O apoi da viga sobre o cachorro faz-se a tra vés de um a chapa d e chumbo com cerca de 1 mm de espessura. Em algumas juntas observam-se dano no revestimentos, p erda de betão de recobrimento e num caso rotura do betão no interior do cachorro, sem, no entanto, acarretar a perda de capacidade do suporte da viga adjacente, Fig. 12 b). Por o utro lado, observa m-se, en tre corpos adjacentes, deslocamentos relati vos p ermanentes da o rdem do centímetro, tanto transversal como longitudinalmente. A estrutura da ala onde se en contra o giná sio apresenta danos ao nível da cobertura provenientes do des locamento d e alguns centím etros da s fa chadas para o exterior, aparentem ente por falta de uma ligação conveniente entre as fachadas e a estrutura metálica da cobertura . Os pilares do corpo ex tremo da ala do ginásio ao níve l do piso térreo apresentam alguma fi ssuração. Appleton et al. (1991) descrevem o projecto d e reforço da estrutura do ginásio. Palácio da Justiça (2) Trata-se d e um edifício construído por volta d e 1950, com planta rectan g u lar co m cerca de 40 x 50 m e dois pisos de pé-direito elevado. É um edifício de asp ecto m aciço (Fig. 13) não se tendo conseguido confirmar o tipo d e elementos d e betão armado exi tentes. Está localizado (p onto 2 da Fig. 11 ). na mesma praça em que se encontra Escola Secundária . Não foram observados quaisquer danos para além da cober tura de um a junta de dilatação que aparentava sinais d e reparação anteri o r.

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Silos (3)

Trata- e d e dua s bateri as de s ilos (4 x 3 c 6 x 2) pa ra cerea is em betão arm ad o (Fig. 14) lo a li zada a ui d a Escola Secund ária (pon to 3 da Fig. 11). Uma da s bateria , com cerca de 5 anos de ida d e à época d o sism o, es tava em fun cio namen to com u m d o doze silos cheio. Na pa rte da frente ex iste aind a um corpo para acessos ve rti ca is com elevador e alguns elemen tos em ca ixilhari a . A o utra bateri a, com doze silos, está aind a em fase fina l d e acabamen to, existindo uma ponte metá lica li ga nd o superiormente as duas baterias. O aterro junto não teve problema. Os d anos observ ad os loca liza m -se a pena em mu retes não estruturais junto d a ligação d a ponte metáli ca aos silos, d evido naturalmente ao movim ento relati vo entre baterias, c na quebra d e vid ros dos ca ixilhos referido . Po r o utro lad o foi referido no local que o eleva d or d eixo u d e fun cio na r po r d esa linh amento d as guias d a cabina e o contrapeso prende u. Hospital (4) A es trutura do Hospital e Angra (ponto 4 da Fig. 11) cnocntra-se d escrita em Oli veira ct a L, 1991. Quartel dos bombeiros e Polícia (5)

Trata-se d e um a estrutura d e betão armado recente, com três pisos na zona ocupad a pela polícia e d ois pisos na d os bombei ros dos qu ais o primeiro piso tem pé-direito eleva d o para parquea mento d as viaturas. A loca lização d es te edifício é na Praça Eng.<J Ara n tes c Oli veira (ponto 5 d a Fig. 11) nu ma zona em que as constru ções tradi cionais ap resentam d anos importantes. Não se verifi ca ram d anos na estrutura. Fábrica de Lacticínios da ilha Terceira, LITA (6)

Trata-se de uma estrutura industrial em betão armad o, cons truída em 1975, e loca lizada na sa ída d e Angra para les te (ponto 6 d a Fig. 11 ). O edifício tem planta aproximad amente rectangular c d esenvolve-se em três corpos (Fig. 15 a). O primeiro corpo é alonga d o, com um úni co pi o, e tem uma cobertura feita por cascas d e dupla curva tura (tipo lndubel) com cerca d e 20 m d e vão. A sua estrutura é co n ·tituída por pilares d e fach ada encimados por uma viga d e apoio d a cobertura. O co rpo interméd io, com uma altura correspond ente a lTê pisos, apresenta a m es ma so lu ção d e cobertura e está separado d o corpo baixo por uma junta d e dil atação. A estrutura também com p il ares de fachada, tem no entanto vigas intermédi as d e trava mento. Fin a Im ente, existe u m corpo mais e levad o, com a largura co rrespond ente a cinco piso ·, com pórticos d e periferia e uma laje su peri or apoiada numa grelha que suporta igu almente u m telh ad o de quatro águ as. Este corpo aloja o equipamento de grandes dim ensões d e preparação de leite em pó. Para além d o edifício fab ril e adjacente a es te, ex iste um g rand e arm azém com estru tura metálica cobrin do c rca de 25 x 35 m. A estrutura é constitíida por oito pó rti cos metá licos pa ralelos afastad o erca de 5 m e com 6 m de altura . A cobertura é em dua ág uas d e pequ ena inclina ão com con traventamen to horizo nta l em diagonal dos vãos

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l ·LIC.E U 2 - PAL AC !O QA JUSTIC A 3 - SI LOS t - HOS P ITAL S · OUARTEL 005 BOMBE IROS E POLJ C.I .O. b - F"A8R!( lo OE l ACTI(INIOS 7 - CAIX A Of PREV I OENC ! t. 8 -CO NJ H.t. BITAC.IONAL MOO fRN O 9 - PAVIlH ÀO GIMNO-DESPORT IVO

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ZONAS M AI S AFE CTADAS

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Fig. 12 - Esco la Secund ária de Angra: b) danos cm junta d e d ilatação

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extremo . A paredes de blocos desenvolvem- e na perifieria apenas a té uma altura d e 2,5 a 3 m, send o o restante em chapa metálica guinada. o interior do armazém existem vérias prateleiras metá li cas com perfis em chapa guinada de tinada ao armazenam en to de 600 000 1 d e leite. As prateleira s e ·tão di posta em vários p lano paralelo d e form a a s uportar "pallettes" com le ite empac otado . ão exis te qualquer e trutur a de contraventam.ento d es tas pra teleiras para força horinzontais. Finalmente exi te ainda um edifício de escritório · co m um p iso d e betão a rm ad o cheio por panos d e a lvenaria d e bl ocos. Globalmente o comportamento e trutural do trê ed ifí io referi dos foi sa ti sfatório podendo, no entando, faze r-se as eguintes observações. No edifício fabril verificou-se: -

-

Deslocamento permanente das ca cas de cobertura d e cerca d e 1 a 2 cm .. Fend ilhação, na generalidade com pequena espessura, em diversos elementos estruturais dos dois corpos elevad o · (Fig. 15 b). Essa fissuração veri fica-se nas vigas e pila res junto aos nós assim como neles próprios. Grande quantidad e de vidros partid os. Fissuração d e separação das alvenarias da estrutura. Em alguns panos verifica-se ainda alguma fi suração diagonal. D eslocamen to d e maquinarias, nuns em relação ao pavim ento e noutros relativa mente à e ·trutura mais eleva da . Em nenhum caso, no entanto, esses d eslocamentos acarretam danos nas máquinas .

No armazém verificou-se: -

A usência de danos visíveis na es trutura m etálica, na cobertura e nas paredes periféricas. e r ar e to d pratele·ra 1etálic~s d e rm zena nt d leit empa cotado com perda de 80 000 I de leite. Outros O 000 I foram rec uperados, uma vez que a prateleira em que se encontravam não ru iu totalm ente, por encosto a uma pil ha d e sacos de leite em pó. Estas prateleira funcionaram como consolas verticais ronpendo, na m aior parte do caso , a sua ligação ao pavimento feita por dois parafusos por montante.

No eclifício de escritórios verificou- e, n uma das fachadas, fendilhação diagonal importante. Caixa de Previdência (7)

Tra ta-se d e uma estrutura modern a muito recente d e be tão arm ad o, com tod as as fac hadas cm betão à vi ta. Tem dois pi os, sendo o piso térreo essencialrm en te vazado com pilares isolados também em betão à vi ta. Encontra-se localizado na zona mais mod erna d a cidade, na avenida Ten. Cor. José Agostinho (ponto 7 da Fig. 11 ), impla ntad o mun terreno em d eclive. ão se observa ra m do ex terior quaisquer dano , nem mesmo vidros partidos. Conjunto habitacional moderno (8)

Tra ta-se d e um conjunto habitacional mod ern o com edifícios d e quatro pisos, send o o primeiro enterrad o no lado da fachada principal. Está localizado junto d a Praceta Cago

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Co uti nh o na zona d e edifi cações mais modernas d e Angra (ponto 8 d a Fig. 11 ). São edifí:c ios co m strutura em pórti co d e betão arma.d o, com lajes aligeirad as d e vigotas préesforçadas e b locos de betão (Fig. 16). As alvena ri as são d e blocos m aciços d e be tão. Edifí ios ainda em fa c d e constru ção, à época do sismo, num caso co m os toscos concluídos noutro com a laje d o segundo piso pron ta pa ra betonagem. A estrutura d esenvo lve-se regularm ente em pl anta. Do outro lad o da rua encontram- e ed ifício com aspecto muito semelha nte mas já habita d os. Não se encontraram d ano , excepto uma peq uena fi ssura junto à fun dação d e um d os pila res d o edifício em to co. Hav ia aind a ou tra s es trutura s d e edifício de betão arm ado d e maior porte que não sofre ra m da nos nenh uns, Bctten cour t (1991), como eja o caso d os Pavilh ões d a Casa d e Saúde d e São Rafael e d e Es pírito Sa n to. Excn1plos de outras estruturas recentes d e betão arm ado que tam bém não sofrera m da nos inclu em o Hotel d e Angra e a Res idencia l Cruzeiro . No l-lotei d e Angra é só visível um a pequena fi ssu ra, Fig 17. Pavilhão gimnodesportivo (9)

Tra ta-se d e uma es trutura metáli ca leve com ca ntoneiras tipo "Dex ion" suportand o um a cobertura de chapa ondulada de zinco . Um dos topos é construído obre um muro anti go com a lven a ria d e pedra bastante espessa argamassa da provavelm ente com cal. O outro topo é mais recente e foi construído d e raiz co m blocos. Encontra-se loca li zado junto ao campo d e futebol na rua Tom é Abel de Castro (ponto 9 da Fig. 11 ). Sa lie nta -se qu e num d os lad os des ta rua existe um m uro d e uporte corrido d e pedra com cerca de 7 m d e altura, em que se verifi ca m ro tu ras importantes para além de um aluim ento geral da rua com fe ndas no pavim ento . O dan o m ais impor ta nte corresponde ao d errubam ento para o exterior d o topo em alven a ria de pedra (topo norte) em toda a sua ex tensão. A es trutura metáli ca não aparenta danos, apesar d o colapso d o muro d e topo lh e ter retirad o pa rte d o apoio, passa ndo algum as d as suas vigas a trabalhar em consola. Outras estruturas

O utras es truturas qu e sofrera m dan os for<nn o Depósito Elevad o d e Águas da Base Aérea d as Lajes e o farol d o Top o (ver Ol iveira et al., 1991, p ara ou tras info rmações). Não houve danos importantes na central gera dora de energ ia de Angra, nos d epósitos metá li cos circulares e esféricos nas Lajes c em Angra, no d epósito elevad o m etálico (base america na), nas torres espi ad as d a Marco ni no centro d a ilha, no cais acostável em Angr a, nas aerogares civil e milita r d as Lajes, etc.

CONSIDERAÇÕES FINAIS A co nstru ção d e pared es de alvenaria de bloco com montantes e cintas, conforme preconiza o RSCS (1958), comportou-se muito bem durante o sismo d e 1980. Os poucos casos em que se ver ifica ra m da n os devem -se essencialm ente a ques tões d e má porm enori zação na execução, como seja a fa lta de montantes e/ ou cinta ou má li gação en tre aqu eles elementos. N um caso o funcio na mento d efici ente d a fundação causou problem as graves à superstru tura.

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f ig. 15 - Fábr ica d e Lac ti cí ni os (A ng ra): a) vista geril l

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Fig 15 - Fáb ri ca de La cticínio (Ang ra): b) fendi lhação típica

Fi g. 16 - Vi sta d o conjun to ha bi taci o na l moderno (Angru )

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Fig. 17 (A ngra )

Pequena fi sura no H ote l

A exis tê ncia de d e continuid ad es no interior de quarteirões provoca d as por edifícios d e be tão armado pode ag rava r o comportam ento dos edifícios contíguos. Este aspecto não deverá ser d escurad o em futuro estudos. As lajes em betão a rm ado nos pavimentos e na esteira melhoraram rela ti vamente pou co o comportame nto em re lação às es trutu ras com pavimen tos de mad eira e cobertura em as na, uma vez que o a umento do peso co nfe rido pela lajes se torna contraprod ucente, contrariando o efei to d o a umento d a rig idez. A estruturas d e m aio r porte e m betão armado ti ve ra m um co mportam ento não consentâ neo com o que seria d e esp erar p ara a acção sís mica veri ficada. Com efeito, fo ram numerosos os casos de d anos, nenhum d eles d e mold e a pô:- em causa a integridad e física das respectivas estruturas. Os d a nos foram importantes em alguns casos, como seja o H ospital, a Fábri ca d e Lacticínios, o Li ce u e o Depósito de Águas d as Lajes, na Terceira, e o Fa rol do Topo em S. Jorge. Em qualquer do casos foi possível identifictlr as ca usas de ta is insucessos, que d e forma muito sintéti ca se podem enum erar:

123-

Existência d e d escontinuidad es vertica is, caso d o Hospital. Existência de grand es vãos sem os adequados elem entos de ligação, caso d a fábrica d e Lacticínios e d o ginásio d a Escola Secundária. Concepção estrutural não adaptada às acções sísmicas, caso do Depósito d e Águas da s Lajes.

O caso do Farol Topo d eve ser cons iderado separadamen te, uma vez qu e se pensa qu e a acção sísm ica actuante nes ta es trutura d everá ter sido d e amplitude muito superior. De qualquer forma é de acentuar o ma u fu ncion amento d o equipamento de óptica e o excessivo baloiçar da estrutura d o fu te. O d anos junto ao Fa rol, nas insta la ções anexas a es te, foram muito importante , d enotan d o u m movimento sísmi co d e grande intensidade e mostrando al gum as d eficiências nas ligações dos elem entos de betão armado às funda ções. A melh or ex pl ica ção que se p od e adian tar para o di fe rente comportamento observado entre estru tu ras de p eque no porte e a d e maior porte resid e fundamentalm ente nas diferentes frequências próprias desses dois tipos es truturais. As de m enor po rte, com m aiores frequências, foram m enos excitad as pelo movimento sísmico do que as d e m aio r po rte, co m m enores frequências, uma vez que o movim ento sísmi co actuan te possuía r iq u eza e pectral na zona da s frequências mai s baixas.

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Esta análise justifica também o mau comportamento das estruturas dos monumentos, também eles com frequ ências mais baixas e próximo das do movimento sísmico. Para completar a análise deste trabalho importa referir algumas recomendações para estudos a empreender no futuro de forma a melhorar o conhecimento do comportamento e minimizar as consequências de um sismo: -

-

Revisão do RSA, tendo em atenção os aspectos discutidos neste trabalho. Estudos sobre a recuperação e reforço d es te tipo de construções. Proceder ao inventário deste tipo de estruturas para se poder quantificar melhor o seu comportamento face às acções sísmicas, estabelecendo um banco de dados (Lucas et al., 1991). As estimativas preliminares apontam para uma relação de 1 edifício com danos para 500 edifícios sem problema. Estruturas grandes deverão ser revistas para acções mais intensas. Efeitos locais (solos) e variabilidade da acção sísmica com a presença de diferentes formações geológicas superficiais. Estudo dos edifícios mistos para futuros sismos. Estes estudos (estrutura mista + alv. pesada + cintas, etc.), na linha de outros propostos para os edifícios de alvenaria tradicional (Guedes et al., 1991), deverão incluir urna campanha de medição de períodos próprios d e vibração.

AGRADECIMENTOS

Para a realização deste trabalho contou-se com os depoimentos de diversos colegas da SRHOP /DITe SRES/DRAC a quem se agradece a colaboração prestada, de entre os quais é de sa lientar os engs. Marcelo Bettencourt, Correia Guedes e Rui Andrade e o técnico especialista Péricles Ortins. REFERÊNCIAS

Appleton, J.; Alm eida - Reparação e Reforço da Es trutura de Betão Armado do Edifício da Escola Secu ndária de Angra do Heroísmo. Monografia - 10 Anos após o Sismo dos Açores de 1/ 1/80, Edi ção LNEC. 1991. Bettencourt, M. - Breves Reflexões sobre o Sismo de 1980, Monografia - 10 Anos após o Sismo dos Açores de 1/1180, Edição LNEC. 1991. Carvalho, E. C.; Oliveira, C. S. - Construção Antissísmica, DIT I LNEC. 1985. Guedes, J. H . Correia- Acções de Apoio à Reconstrução; Demolições Especiais, Monografia10 Anos após o Sismo dos Açores de 1/ 1/80, Edição LNEC. 1991. Guedes, J. H . C.; Oliveira, C. S. -Caracterização da Edificação de Alvenaria Tradicional. Elementos para o Estudo do Comportamento e Recuperação do Parque Habitacional aquando do Sismo de 1/1/80 , Monografia - 10 Anos após o Sismo dos Açores d e l/1/80, Edição LNEC. 1991. Leite, J. G. Reis. - Medidas de Emergência no Sector da Edu cação, Problemática da Reconstrução. Sismo dos Açores de 1980. Edição do Instituto Açoreano da Cultura, Angra do Heroísmo. J983. Lucas, A.; Oliveira, C. S.; Guedes, J. H. C.- Quantificação dos Danos Observados no Parque Habitacional e do Processo da Reconstrução, Monografia - 1O anos após o Sismo dos Açores de 1 I 1 I 80, Edição LNEC. 1991.

479


MEC/DGEC - Muitos Anos de Escolas. Edifícios para o Ensino Infantil e Primário até 1941, Centro de Documentação e Informação, Doe. 02/85, 1985. Oliveira, C. S.; Carvalho, E. C. - Estudo sobre a Acção do Sismo dos Açores de 1/1/80 (1. º Relatório), Relatório, LNEC. 1980. Oliveira, C. S. - Quantificação do Movimento Sísmico aquando do Sismo de 1 de Janeiro de 1980, Mon ografia - 10 anos após o Sismo dos Açores de 1/1/80, Edição LNEC. 1991. Oliveira, C. S. ; Correia, M. R.; Martins, A. - Comportamento Dinâmico de Algumas Estruturas de Betão Armado Porte: Semáforos do Monte Brasil e Praia da Vitória; Hospital de Angra do Heroísmo; Depósito Elevado de Águas da Lajes; Farol do Topo, Monografia 1O Anos após o Sismo dos Açores de 1 /1/80, Edição LNEC. 1991. Oliveira, C. S.; Lucas, A.; Guedes, J. H. C.; Andrade, R. - Quantificação dos Danos Observados no Parque Monumental, Monografia -10 Anos após o Sismo dos Açores de 1/1/80, Edição LNEC. 1991. RSCS- Regulamento de Segurança Contra os Sismos, Dec. N.º 41658 de 31/5/58. 1958. Soeiro, A.- Carta de Danos da Cidade de Angra do Heroísmo, SRES/DSHUAAH 1980.t

480


COMPORTAMENTO DINÂMICO DE ALGUMAS ESTRUTURAS DE BETÃO ARMADO DURANTE O SISMO SEMÁFOROS DO MONTE BRASIL E PRAIA DA VITÓRIA HOSPITAL DE ANGRA DO HEROÍSMO DEPÓSITO ELEVADO DE ÁGUAS DA BASE AÉREA N.º 4 DAS LAJES FAROL DO TOPO, S. JORGE

Carlos S. Oliveira* M. Ritto Corrêa** Anabela Martins***

INTRODUÇÃO Para se poder indagar o valor da acção sísmica actuante em determinada estrutura, ou pelo menos obter limites superior ou inferior dessa acção, e na ausência de informação instrumental, procuraram-se estruturas com comportamento dinâmico relativamente simples . Uma vez identificadas estas estruturas e calculada a acção sísmica actuante, é possível estimar as variações do movimento sísmico em vários locais. A própria escala de intensidades baseia-se em fenómenos cuja natureza está muito relacionada com o comportamento dinâmico de estruturas simples e que se encontram com relativa frequência. Procedeu-se à caracterização qualitativa dos casos que se passam a descrever e cuja localização se apresenta na Fig. 0.1: 1. Estruturas dos Semáforos do Monte Brasil e Praia da Vitória. ("abertos" e "fechados") 2. Estrutura do Hospital de Angra do H eroísmo. 3. Estrutura do Depósito Elevado d e Águas da Base Aérea n .Q 4, das Lajes. 4. Estrutura do Farol do Topo, S. Jorge.

PARTE I SEMÁFOROS (POSTOS DE SINALIZAÇÃO) DO MONTE BRASIL E PRAIA DA VITÓRIA 1.1 -

Descrição sumária da estrutura

Existiam à data do sismo semáforos utilizados para sinalização marítima, dois junto à zona leste do Monte Brasil, Fig. I.la), quase em frente ao Porto de Angra do Heroísmo, em zona de grande inclinação, numa cota de 20 m, e três na Praia da Vitória, junto à praia, numa zona plana, Fig. I.lb). A implantação destes semáforos, que constam d e uma massa no topo de dois andares, não é igual relativamente aos eixos geográficos. Apresentam essencialmente dois tipos de estrutura, pois num dos tipos a estrutura é totalmente aberta

* Investigador, LNEC ** Bolseiro d e Investigação, LNEC ***Técnica, LNEC

481


Fig. 0.1 - Loca li zação genéri ca d as es tr uturas e m es tud o: 1 - Faro l, To p o; 2 - Semáforos e H os pita l, Ang ra d o H eroísmo; 3 - Semáforos, Pra ia d a Vitória; 4 - Depósito, Laje

5. JORGE

Se máforo Monte Brasil

Fi g. 1. 1 -Loca li zação dos se máforos: a) Mo n te Brasil

Fig. 1."1 - Loca lizaçã o dos semáforos: b) Praia da Vitória

482


e num outro a estrutura é preenchid a no anda r inferi or com a lvenari a de tijolo. Os Semáforos da Praia da Vitória foram recentem ente d es truídos. O presente trabalho analisa o comportamento dinâmi co d esta s estruturas m uito simpl es do ponto de vista es trutura] , facilmente assimiláveis a um oscilad or de 2 gra us de überdade, e cuja resposta durante o si mo não ca usou aparentem ente danos nem mesmo fi ssuras . Estas estruturas podem ser considerada s com o a utênti cos sism ógrafos. 1.2 -

Modelo estrutural

Existem d ois tipos de semáforos, o semáforo "a berto" que não apresenta qualqu er alvenaria e o sem áforo "fechado" que na parte inferior 0.º andar) possui paredes de alvenaria. A estrutura dos semáforos "abertos", Figs. 1.2 e 1.3, é cons tituída por uma la je de 10 cm 2 d e espessura, apoiada numa ma lha (2 x 4) ortogonal de vigas d e 22 x 38 cm (exteriorm ente) que assentam em 4 pilares d e secção quadrada com 22 cm d e lado. A laje forma uma pequena consola d e 65 cm em redor d as vigas periférica s, em cuja extremidade se ergu em gu ardas d e cerca d e 1 m d e altura e 10 cm d e espessura. Todos os elementos são em betã o armado. Uma visita recente ao local dos três semáforos d a Praia da Vitória permitiu esclarecer algumas das cara cterísti cas d os materi ais e d a geometria das secções d aqueles semáforos. Assim, com base nos restos qu e aind a p ermaneciam no loca l, verifi cou-se qu e: a) o aço, sem nervura s, é certam ente A24; b) todos os pilares e vigas são acabados por um rebouco com cerca de 0.7- 0,8 cm de esp essura e as lajes com rebouco d e 0,5 cm; c) a armadura d os pilares é 4020 com cintas 05 espaça d as d e 30 cm; d ) a armadura das vigas na zona d e m eio vão é de 4012 em baixo e 205 em cima e cintas 05 esp açadas d e 30 cm ; e) a armadura das lajes é cruza d a 05 com espaçamento de 20 cm. A armadura em muitos locai estava muito corro ída, como já se ha via assinalado logo a seguir ao sism o, e se m ostra nas fo tografias da Fig. 1.2, tiradas então. O betão apresenta ca ra cterísti cas muito va ri adas. Aproveitaram-se dua s peças d e diferente tipo de be tão para proced er a ensa ios laboratoriais qu e produ ziram os resultados do Quadro l.T. Estes resultad os indi ca m um betão de tipo B 25. Para o cá lculo da resp osta din âmica da estrutura d os semáforos foi utilizado um progrJ1ma d e análise dinâmica tridimension al que consid era 6 gdl por nó e mod ela a estrutura por elem entos de barra e elementos de casca, ADET e ASET (1989), sujeita a uma acção sísmica definida por um espectro d e potênci a de aceleração aplicado na base.

QUADRO L./

Ensaio laboratoriais sobre "espécimes " de 15 x 4 x 4 cm3 (}Muro

Co mpres ão Flexão

(MPa )

Peça 1

Peça 2

64.7

31.1

.6

2.4

483


A estrutura do semáforo é constituída por 16 nós, 22 barras, e 6 elementos de casca triangulares para o semáforo "aberto" ou 16 para o semáforo "fechado" . Os pilares, que têm 7.88 m de altura, são contraventados a meia altura por um quadro de vigas com 22 x 38 cm 2 de secção. Os eixos dos pilares formam os vértices de um quadrado com 3.86 m de lad o. A estrutura dos sem��foros "fechados" é idêntica, tendo apenas como diferença a existência de uma laje suportada pelas 4 vigas situadas a meia altura dos pilares, e paredes de enchimento em alvenaria de bloco de betão com 22 cm de espessura, por debaixo dessas vigas, Fig. L3. As propriedades relevantes dos materiais adoptados neste estudo encontram-se no Quadro I.II, e foram adaptadas d e Costa et ai. (1990). A estrutura foi encastrada ao nível das fundações. O cálculo das frequências próprias e modos de vibração das duas estruturas em estudo conduziu aos valores do Quadro Lili e às configurações que se apresentam na Fig. 1.4. QUADRO 1.11

Propriedades dos materiais E (kN/ m 2)

u

y(kN / m3 )

Betão Armado

2 .9 X 107

0.2

25

Alvenaria de bloco d e cimento (' )

1.2 X 106

0.22

12.5

(')Os valores aqui utilizados não estão certamen te correctos pois foram obtidos a partir d e ensaios com alvenaria de ti jolo. Contud o, os resultados não são afectados por esta incerteza.

QUADRO l.liJ

Frequências próprias (Hz) e modos de vihração

Aberto

QJ

~

~ õ

u

O"

~

Fechado

2."

3"

4"

s.o

6.º

1.69

1.70

2.14

7.02

7.07

8.37

Transi-X

Transi-Y

Torção

2.2 Trans i-X

2.º Transl-Y

Vert

2.56

2.59

3.27

16.5R

17.45

17.72

Transi-X

Transl- Y

Torção

Vert

2." Transl

O"

"'-

bO

;;:::

c o

u

Como comentário aos resultados obtidos pode referir-se o seguinte: • Os painéis de alvenaria existentes nos semáforos "fechados", por um lado, rigidificam significativamente a estrutura, aumentando a frequência mais baixa em aproximadamente 50% e, por outro, elevam a frequência dos segundos modos de translação para valores tão elevados que tornam a sua contribuição pouco importante para a resposta sob a acçã o d os sismos. • Existe quase simetria d e comportamento em relação as duas direcções ortogonais do plano horizontal.

484


A acção sísmica considerada a nível dos apoios da estrutura é d e tipo f, em terreno tipo I da zona A, RSA (1983). É idea li za da através d e três movimentos de transla ção independentes, represen tada por d ensidade espectral d e potê ncia d e aceleração com uma duração de 10 segundos, a que corresponde para as componentes horizontais num pico médio de aceleração de 177 cm/ s 2• Esta acção corresponde a um movimento proveniente de um sismo próximo, com grandes semelhanças espectrais com o que possa ter efectivamente ocorrido durante o sismo de 1 / Janeiro d e 1980.

1.3 -

Resposta estrutural

Os deslocamentos relativos máximos da estrutura, para a acção sísmica atrás definida, ao nível da laje superior, foram de 2.2 cm e d e 1.3 cm, respectivamente para o semáforo "a berto" e semáforo "fechado", em qualquer da s dua s direcções horizontai s. Na direcção vertical o deslocamento é desprezável. A amplificação dinâmica da s acelerações absolutas no topo é de 1.47 e 1.90, em relação à aceleração na base, respectivamente para os semáforos "aberto" e "fechado" . Os esforços máximos dos semáforos "aberto" e "fechado" encontram-se d esenhados na Fig. 1.5. Os resultados sugerem os seguintes comentários: • A estrutura "aberta" comporta-se como um pórtico de vigas de grande rigidez face à rigidez dos pilares. Como consequência, os momentos nos pilares são praticamente iguais nas secções junto aos nós. • Como resultado do comportamento estrutural acima referido, o valor do esforço axial para a acção sísmica é bastante elevado, atingindo cerca de 80% do valor da s cargas permanentes. • A estrutura "fechada" , em contrapartida, apresenta esforços muito pequenos nos pilares abaixo do quadro de vigas, e esforços ligeiramente superiores nos pilares acima do quadro (em relação à estrutura "a berta") . Indep endentemente das diferenças de frequência própria e do comportamento estrutural dos dois sem áforos em a náli se, os esforços m áximos nos pila res não são significativamente diferentes. (A secção ond e esse máximo ocorre é que varia.)

1.4- Discussão Com vista à ca racterização do nível de acção sísmica que provoque fendilhação no betão armado dos pilares, calculou-se o momento de fendilhação em flexão composta, admitindo a seguinte combinação dos mom entos flectores nas duas direcções horizontais, Vale e Azevedo (1986):

O valor da excentricidade, e, é dada por e=

M yeq eq

+ N cp

485


em que Myeq é o momento flector d evido à acção sísmica; Neq é oesforço axial devido à acção sísmica; N,/ o esforço axial para as cargas permanentes Para o caaso em análise

Myeq == 23 kNm (obtido da Fig. 1.5) N eq =- 43 kN (tracção obtido da Fig. 1.5) N,P55 KN por pilar (esforço axial para as cargas permanentes), obtendo-se para a excentricidade o valor de 23 / 12 = 1.9 m. Note-se que apenas se tomou o valor de tracção do esforço axial referente à acção sísmica, pois que pelos diagramas de interacção M - N se conclui qu e esta será a situação mais desfavorável. Então, o momento de fendilhação, M rend' pode ser obtido da equação:

.

l"ctrn

== M fcnd y

(I + Mx/My + -1-) .l. v

Ae

em que fctm- tensão máxima d e tracção no betão I = 2.22 x 10 - 4 m 4 (inércia homogene izada da secção de betão 20.5 x 20.5 armada com 4 020)

V == 0.1025 m (distância da fibra mais afastada ao centro geométri co de secção) A = 0.0483 m 2 (área de secção homogeneizada)

e = 1.9 m (excentricidade) ou M fend

= fctm X 1.636 X 10 - 3

Admitindo que a fendilhação possa ter sido o efeito máximo observado na secção mais esforçada durante a ocorrência do sismo de Janeiro de 1980, o quociente entre a aceleração produzida no local e a que figura no RSA é obtido por _ Mreoo _ Mterrl

a- - - - - M R..'iA

23

e a correspondente aceleração máxima, amax ' ocorrida obtida por amax= 177 a (cm/s 2) . Em função dos valores atribuídos a f, 1111 , que constam do REBAP (1985) 1, pode desenhar-se o gráfico da Fig. 1.6 para as diferentes classes de betão. Os resultados dos testes efectuados em laboratório sobre "espécimes" colhidos na obra, embora exibam grandes variações, permitem concluir tratar-se certamente de um betão B25, o que implicará valores de acção sísmica da ordem de 27 cm/s2 • (') Para a classe d e betão B25, f""'

486

=

2.2 x 103 k I m 2


Como forma de comparar os efeitos sísmicos com os provocados por ventos excepcionais, que são conhecidos na região onde se encontram os semáforos, calculou-se também para esses ventos o esforço transverso na base do semáforo aberto: ÕrA úlc V= - n

em qu e (\ = 1.2 (coeficiente de forma) A = 5.2 m 2 (área de exposição ao vento) coe = 0.613 v 2 (pressão dinâmica em N/m 2; tomou-se v = 41.6 m /s = 150 km / h) n = (n.Q d e pilares)

ou seja V = 1.65 kN, que sendo apenas 15% do valor obtido na Fig. 1.5 (acção sísmica regulamentar,) provocaria fendilhação em betões com resistência à tracção igual ou inferior à d e um B 25, Fig. 1.6. 1.5 -

Conclusões

Partindo do princípio d e que o efeito mais severo do sismo sobre os semáforos foi a ocorrência de fendilhação e supondo que a classe de betão é 825, pode concluir-se que a aceleração de pico (para o espectro regulam entar tipo I) verificada nos dois locais de implantação dos semáforos (Monte Brasil e Praia da Vitória) não deverá ter sido superior a 30 cm/s 2 • De acordo com este estudo, a reacção global na base da estrutura ocorrida durante o sismo de 1 de Janeiro de 80 deverá ter sido da mesma ordem d e grandeza da qu e ocorre durante um vento d e 150 km/h. Referências

ADET e ASET - Biblioteca de Programas de Análise Dinâmica do NDA. LNEC, Lisboa. 1989. Costa, A C.; Pires, F. - Simulação Analítica do Comportamento de Pórticos de Betão Armado, Preenchidos por Paredes de Alvenaria, sob a Acção de Cargas Repetidas e Alternadas. Comunicação apresentada às 2."5 Jornadas Portuguesas de Engenharia de Estruturas. LNEC, Lisboa. 1990. REBAP - Regu lamento de Estruturas de Betão Armado e Pré-Esforçado. Decreto-Lei n.º 349C/83 de 30 d e Julho. 1983. RSA - Regulamen to de Segurança e Acções e Estruturas de Edifícios e Pontes. Decreto-Lei n.º 235/83 de 31 de Maio. 1983. Vale e Azevedo - Análise Estática e Dinâmica de Estru turas de Edifícios. Tese. LNEC, Lisboa. 1986.

487


Fig . 1.2 - Vistas gerais dos semรกforos: a) "aberto"; b) "fechad o "

Fig. 1.3 - Aspecto d e porm enor d as a rmaduras

488


\ MODO fl .1

MOOO

FPEO.• I .69J

FRED .

~1 . 2

1. 702

n ODO N. 3

FPED.• 7 .0 15

FP.EO. • 2. 140

n ODO N. S

MODO ,l .fi

FRED . • 7 . 070

FPEO .• 8 . 317

1/ I I '/ 1/

Fi g. 1.4 - Mod os d e vibraçã o: a) semáforo "a be rto"

489


nODO N. \

11000 N .i?

FREO. • 2.557

ff! EO.• 2.58 8

N. ~

1"1000 N.J

MODO

FRED. • J.27 •

Ff!EO. • 16 . 5 79

MOD O

r-:ooo

N.S

FAEO.• ! 7.

1~. 6

FRED. • 17.72 1 •5~

Fig. 1.4 - Mod os d e vibração: b) semáforo "fechado"

490


® [ KNJ

9,7

16.7

-

!().'1

"'---- 43.2

V 'l

@ [ KNJ

·-.__/' [KNJ

19,1

12 .3

31.6

SEt1 ÁF C O 'T ECHA DD' '\J OTf'l l Os cl lagra no s tra~ados soo openo s ooro oJu clo.r a vl :5ua llzo.c:ão dos !!Sf'orço5.

Os va lore-s opr ~se- rd:otios c orr ~'>s o o nde~ o MÓxll"los por se-cç:.o.o P nG. o nta'o por

Isso

f orçosol"\ e n ~e

e-qu !llbr'o d o s .

Fig. LS - Esforços máximos observa dos nos Semáforos para a acção sísmica do tipo 1, terreno tipo I na zona A, RSA (1983)

M fe nd [cm/s2]

0:

( K Nc,]

6 40

5 02

30 3 20

0.1

2

10

15

20 B25 B30 B35 B40 B4 5 Classe de Be\ il'o

Fi g. 1.6 - Valor da acção sísmica provável qu e produ z fendilhação na secção dos pilares dos Semáforos em funç ão d o tipo d e betão das secções

491


PARTE II HOSPITAL DE ANGRA DO HEROÍSMO 11.1 -

Descrição sumária da estrutura

Trata-se de outra estrutura d e betão armado de porte moderado construído nos anos 70, loca lizada na parte mais alta da cidade de Angra quando se caminha para o interior (Fig. ll.l), numa zona de pequ ena concentração habitacional e sem grandes danos. O hospital é constituído por três alas paralelas ligadas por um corpo perpendicular. A ala mais a sul, chamada na altura do sismo "Edifícios para Quartos Particulares" (Fig. 11.2) e "Bloco C" quando sofreu obras de ampliação, apresenta uma dimensão aproximada de 80 x 15 m, com o piso térreo vazado e os dois pisos superiores com paredes de enchimento de alvenaria dupla d e blocos de cimento (Fig. II.3) . Esta ala, embora em planta apresente uma certa simetria, tem as juntas de dilatação assimetricamente dispostas e um núcleo de alvenaria de blocos também não centrado em relação ao edifício. As outras alas, com dim ensões similares, apresentam cinco pisos com paredes de enchimento em todos os níveis. A estrutura principal dos edifícios é constituída por pórticos em betão armado. Na parte da frente da ala sul, o edifício está implantado sobre um pequeno aterro. Os pilares estão fundados sobre estacas moldadas (Franki) de 80 cm de diâmetro, que atingem a 19-20 m de profundidade a camada de basalto. Um conjunto de vigas, ligando todas as cabeças das estacas, dá unidade à funda ção. 11.2 -

Comportamento durante o sismo

Os principais dan os observam-se nos pilares do piso vazado da primeira ala descrita, Fig. Tl.4a). Esta estrutura é constituída por três fiada s de pilares de betão afastados de cerca de 7 m uns dos outros. Os pilares da fiada central têm dimensões de 45 x 45 cm, sendo os outros de 35 x 35 cm. A armadura longitudinal, que pelo projecto é A40T, é constituída por cerca de 12 varões 025 em aço liso ou nervurado torcido, possivelmente indicando épocas diferentes de construção. A armadura transversal é constituída por cintas de 06 afastadas em geral de 20 ou 25 cm. Em alguns casos, especialmente nos extremos superiores, verificou-se a ausência da última cinta, criando uma zona não cintada com cerca de 50 cm abaixo da face inferior da viga. Uma forma menos adequada para enchimento dos pilares poderá ter contribuído para a não manutenção das cintas nas suas posições de projecto, (Fig. II.4b). O betão, que pelo projecto deverá ter sido 825, conforme prática corrente na Terceira e confirmada pelos ensaios sobre "espécimes" colhidos nos semáforos da Praia da Vitória, foi feito com inertes locais, apresenta uma granulometria descontinua, aparentando falta de areia. Por outro lado, também a betonagem parece ter sido feita com deficiência de vibração. Onze dos 59 pilares apresentam danos, sendo os mais importantes roturas nos extremos tanto inferiores como superiore embora não simultaneamente. As roturas são caracterizadas por expelimento do recobrimento e esmagamento do betão no interior do seu núcleo. A gravidade destes danos é vari ável de pilar para pilar, embora se possa atribuir um agravamento ligeiro nas zo nas extremas. Inclusivamente, num dos pilares do topo oeste, a contribuição do betão para a ca pacidade resistente à compressão parece ser pratica mente desprezável após o sismo. Relativamente à estacaria, levantou-se a dúvida se durante o sismo se teri am fi surado.

492


Embora a estrutura não apresentasse des loca mentos rela tivos permanentes e, em geral, as armaduras longitudinais es tivessem direitas, num caso obse rvou -se um início de encurvadura . Por outro lado, é in1portante referir que algumas das armadura s visíveis se encontram muito oxidadas, indicando a existência d e fi ssura ção anterior à ocorrência do sismo. O núcleo de pain éis d e alvenaria referido anteriormente apresentou imp ortante fendilhação diagonal, Fig. IL4c). O s dois pisos superiores, vistos por fora, não aparentam danos. O tipo de danos verificado nesta ala tem sido observado n outros sismos e corresponde ao comportamento do chamado piso vazado ("soft-story"). As outras duas alas apresentam-se ex teriorm ente muito menos danificadas, sendo apenas d e referir algumas fissura s de sepa ração entre os enchim entos de alvenaria e a estrutura e fissuração diagonal em colunas curta s ao nível d o r /c. Uma chaminé em blocos de betão tombou sobre o tel11ado. A estrutura foi calculada aos sismos para um coeficiente sísmico d e c= 0.15, utiliza ndo os pórticos resistentes em duas direcções ortogonais, conforme se observa no projecto detalhado que se encontra no Arquivo da Direcção dos Hospitais. 11.3 -

Modelo estrutural e resposta para acções sísmicas

O Hospital d e Angra do Heroísmo sofreu danos importantes no andar inferior do edifício do bloco central, mas sem ameaçar colapso. Para estudar o comportamento sob a acção dos sismos, Duarte (1980) elaborou um modelo matemático através de um programa com representação da es trutura com elementos de barra (v igas e pilares) tridimensional, em regime linea r. Este modelo, com 792 nós e 265 barras, reproduz fielm ente os elementos estruturais e modela d e forma simplificada os elementos "não estruturais", como seja m as paredes de enchimento. Para tal , utiliza elem entos diagonais com rigid ez calculada a partir da rigidez conferida pelas pared es de enchimento. De acordo com esse mod elo, os primeiros modos de vibração e respectivas frequências próprias foram calculadas, Fig. IL5 e Quadro IT.l, tendo-se posteriormente submetido a estrutura a uma acção sísmica de tipo regulamentar, RSA (1983), de tipo U (sismo afastado, duração 30 seg.) em terreno tipo brando1 . É interessante verificar qu e as doze primeiras frequências próprias estão relativamente próximas umas das outras, com valores compreendidos entre 1.36 Hz e 2.47 Hz, enquanto a seguinte apresenta o valor de 6.1 Hz. Esta constatação provém do facto do edifício em estudo estar modelado por 4 corpos distintos e independentes (sepa rados por juntas de dilatação), sendo os primeiros 3 modo de vibração (duas translações e uma rota ção) d e cada corpo muito semelhantes d e corpo para corpo. Pode também observar-se que as configurações modais de cada um dos corpos correspondem essencialmente a movimentos d e corpo rígido assente em pila res flex íveis,

(')U tilizo u-se a acção tipo ll em lu ga r da acção tipo Tda Parte l, po rqu e o estudo do Hospital fo i rea lizado em 1980 e porque se proced e a um a aná lise essencialm ente qua litati va .

491


QUADRO ll.l

Frequências próprias e períodos próprios M odo d e vib ração n .0

Frequ ên cia próprio (Hz)

Período próprio (s)

1 2 3 4 5 6 7

1,36 1,50 1,57 1,61 1,71 1,71 1,77 1,90 1,94 1,97 2,01 2,47 6,08 6,51 7,48 7,81 7,97 8,11 8,68 8,73 8,97 9,21 9,54 10,9

0,73 0,67 0,64 0,62 0,59 0,58 0,56 0,53 0,51 0,51 0,50 0,41 0,16 0,15 0,13 0,13 0,13 0,12 0,12 0 ,11 0,11 0,11 0,10 0.09

8 9 10 11

12 "13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24

evidenciando claramente o comportamento de piso flexível (vazado) no r I c. Para maior detalhe consultar Duarte (1980). Os esforços obtidos nos diferentes elementos da estrutura são apresentados por Duarte (1980). 11.4 -

Discussão

Para o cálculo dos valores que possam ter produzido as rótulas plásticas nos pilares do andar vazado seleccionaram-se dois pilares típicos. Tomando como padrão o momento flector que provoca a rótula plástica nas secções mais esforçadas de um daqueles pilares, com dimensões de 45 x 45 cm e 12 0 25 e estribos 06 afastados de 25 cm, e seguindo a metodologia apresentada no estudo dos semáforos2, verifica-se que o valor de pico de aceleração da acção sísmica capaz de induzir os danos observados é da ordem de 144 cm/s2• 11.5 -

Obras de recuperação

Os danos ocorridos no Hospital não foram julgados suficientemente importantes para pôr em causa a fun ciona lidade dos serviços de emergência, tanto mais que as carências destes serviços eram enormes, tendo o Hospital funcionado também como local de recolha de ferid os.

(2) Escolheu-se a barra 129 que , para o espectro atrá referido (ace leração máxima no terreno de 130 cm/s 2) , provoca momento fl ectores máx imos Mx = 249 k.N m e My = 374 kNm , e esforço normal de 141 kN. O momento resistente último da secção foi ca lcul ado e m 4 13 kN m, fazendo f"'""d = 2.97 x I01 kN/m2.

494


Uma primeira reparação foi efectuada ainda durante o ano de 1980 e de acordo com as seguintes fases: • Primeiramente os pilares danificados foram limpos, com remoção d o betão esmagado; de pois as armaduras reforçada s com introdução de novas cintas; a betonagem final foi feita com betão 840 (testado com cilindros de 1" (30 cm) nas instala ções americanas) com a seguinte composição: 2 partes de areia; 1 parte de pó de pedra; 1 parte de brita de basalto rijo; 1 parte de cimento Portland e pasta de cimento sob pressão, tendo havido um aumento significativo das secções dos pilares. • Em 1984 fizeram-se obras de ampliação do Bloco C, aliás já previstas no projecto inicial d e 1970, fechando todo o r/c e aumentando um andar ao edifício, Fig. II.6. Estas obras, que obrigaram à utilização de paredes d e enchimento em alvenaria dupla de blocos de cimento em toda a periferia e paredes simples d e compartimentação, vieram eliminar o meca nismo de piso vazado ("soft-story"). • Introduziram-se também paredes resistentes de betão armado nos topos, preenchendo o espaço de duas fiadas e ligados aos pilares de canto. Todas as outras paredes são de alvenaria de bl ocos de cimento. As fundações de todas as pared es constitu em caboucos a um metro de profundidade. Na parte superior não houve reforços estruturais. 11.6 -

Conclusões

O estudo do comportamento sísmico do Hospital de Angra durante o sismo veio dar conta do limite superior da acção sísmica na zona onde se encontra implantado. O valor encontrado, da ordem de 144 cm/s2, contrasta de forma importante com o valor visto nos semáforos do Monte Brasil, situado a menos de 4 km de distância . Este agravamento da acção sísmica junto do Hospital, observado também através dos danos causados em construções de tipo tradicional em alvenaria fraca de pedra, poderá ser atribuído à focagem de energia sísmica por efeitos de topografia ou amplificações locais de camadas aluvionares. No caso d o Hospital, este último aspecto pode ter sid o relevante, uma vez que o terreno da fundação é bastante brando, como o comprova a necessidade da utilização de estacas até 20 m de profundidade. Atribuindo uma velocidade das ondas d e corte da ordem dos 100-150 m /s para aquelas formações (desconhece-se o seu valor real), facilmente se vê qu e a frequência própria da estrutura do Hospital estará nas vizinhanças da frequência própria dos terrenos de funda ção, possibilitando fenómenos d e ressonância . Um outro aspecto digno d e men ção é que, m esmo para os valores de pico estimados, a estrutura do edifício dever-se-ia ter comportado bem, uma v ez que o dimensionamento havia sido feito para um coeficiente sísmico de c = 0.15. Contudo, o facto de o r I c funcionar como andar vazado, o que provavelmente não foi tido em consideração, agravou significativamente a resposta prevista no projecto. Referências

Oliveira, C. S.; Carvalho, E. C.- Estudos sobre a Acção do Sismo aus Açores de 1 de Janeiro de 1980. 1.º Relatório, LNEC. 1980. [2] Duarte, R. T. - Estudo Sísmico do Hospital de Angra do Heroísmo . Relatório, LNEC. 1980. [3] Projecto do Hospital de Angra do Heroísmo. Processo do Arquivo dos Hospitais, Direcção-Geral das Construções Hospitalares. [1]

495


Fig. lU -Loca lização do Hosp ital de Angra

Fi g . 11.2 -

Vi sta geral do Hosp ital S eg!Jnd o co rpo

10

15

20 (mi

Fig . TL3 - Pla n ta esquemá tica da estrutura

496


1 •

---

,•

a)

b)

~

.....

.;,.,:~· ··

"'

'*' "";: ~,- ~ ~-- --

•.

c) Fig. 11.4- Danos produzidos pe lo sism o: a) Nos pilares b) Falta d e estribos c) Fissuração em pain é is d e a lvena ria

497


2

MODO N l FRt] Q.= l.36

MODO 1\ 2 FREQ. = I 50

MODO N . :1 FREQ .= l. S?

MODO N. 4 FREQ. = 1. 6l

MOD O N. 5 F'REQ .= Ul

Fig TT ·5 -

498

. eiros 8 modos d e v t.b ração I, nm


MODO N. 6 FR8Q. = l7l

MODO N. 7 FREQ. = LI7

MODO N. 8 F REQ. = LgO Fi g. lL:J · "-

Prime iros 8 mod os. d e VJbra . ção (cont. )

f>'

l

r

Fig. lL6 -

*

1 .~

Vi ta gera I a pós obras d e recuperação

499


PARTE III DEPÓSITO ELEVADO DE ÁGUAS DA BASE AÉREA N. º 4 111.1 -

LAJES

Descrição sumária da estrutura

O depósito elevado de águas da Base Aérea 4, na ilha Terceira, Açores, sofreu alguns danos aquando da ocorrência do sismo d e 1 de Janeiro de 1980. Encontra-se localizado na zona mais elevada da Base das Lajes, sobre a parte NE do "graben" do mesmo nome, a uma altitude de cerca de 100 m, Fig. 111.1. O depósito, construído por volta de 1958-1960 e com uma capacidade máxima de 250m3, é uma estrutura em betão armado constituída essencialmente por um reservatório elevado com paredes em betão, apoiado numa estrutura reticulada espacial formada por um conjunto de seis pilares dispostos hexagonalmente (fuste) e ligados entre si por 3 linhas de travessas hori zontais (vigas), Fig. III.2. As travessas apresentavam uma secção de 30 cm de altura por 40 cm d e largura com uma armadura de 4 01/2" e estribos 03/ 8" afastados de 20 cm . As secções do pilares eram de 40 x 50 cm armados com 40 1" e estribos 03 /8" afastados de 25 cm. Os pilares encontram-se fund ados sobre sapatas em betão armado aproximadamente a 2 m de profundidade, assentando em terreno firme por meio de uma viga circular de fundação . A base do reservatório encontra-se a uma cota de cerca de 14m acima do solo e possui um corpo interior cilíndrico de 4.4 m de altura para acesso à superfície livre das águas. O reservatório está ligado aos pilares no topo através de uma viga circular. A parte inferior do fuste entre o nível do terreno e a primeira linha de travessas encontra-se fechada, constituindo um espaço para arrumações. Este espaço é "fechado" em cima por uma laje em betão que liga às travessas e lateralmente por paredes de alvenaria em bloco de cimento (com 15 cm de espessura e 4 cm de rebouco) que preenchem a estrutura de betão armado. As paredes de alvenaria assentam sobre um pequeno cabouco. Ao terceiro nível de travessas encontra-se uma outra pequena laje que dá apoio ao funcionamento do depósito. A ligação dos pilares às travessas é feita com o auxílio de esquadros a 45°. O acesso vertical é feito por esca da metálica leve. As dimensões dos elementos estruturais típicos encontram-se no Quadro Ill.l e Fig. III.3. O betão é B25 e o aço A40. Tod >S os elementos estavam cobertos por um rebouco de cerca de 4 cm de e pessura. QUADRO rTT.I

Caracterí ficas dos elementos resis tentes de betão armado El mento

Pi lares

500

Di mensões (cm) 1." nível - 50 x 40 2.0 nível- 45 x 40 3. 0 nível - 40 x 40 (h

X

b)

Traves a

30

X

40

Vi ga circula r topo d o fus te

(h

X

b)

85 X 45


Este depósito, tipo H intze, é um a estrutura típica que p od e ser encontrada noutros locais d o território portu guês, designad a mente na Base Aérea 5, em Monte Rea l. A estrutura d eve ter sid o ca lculada para ventos excepcionais, muito frequentes na zo na . A acção sísmi ca não fo i expressa m ente tid a em conta n o projecto, pois não ex isti a à época legislação sísmica moderna. A primeira s urgiu em 1958 (RSCS, 1958). [11.2 -

Comportamento durante o sismo

Durante o sism o o d epósito sofreu algu ns danos estruturais qu e a seguir se d escrevem , Fig. Ul.2: 1. Fissu ração d as secções d as tra vessas na zona d e ligação aos pilares (em todas as travessas à excepção das do primeiro nível e d a viga circul ar que apoia o reserva tório); A fi ssu ração e nglobava tod a a secção e a tingia no máx imo 1 mm d e largura. 2. Desprendimento d e placas d e rebouco (executad as por d iversas fases e com espessura aumentando de cima p ara baixo) num a extensão d e cerca d e 1 m nos pil ares acima do 1.º nível junto d a li gação às travessas e nos pilares d o últim o nível junto à viga circular . De notar q ue estes d esp rendimentos se d eram em loca is ond e não

se verificou fissuração. 3. Fissuração incipiente em a penas um d os pilares. Tes temunh as oculares referem que o sism o foi bem sen tid o no local d o depósito, não causando, tod av ia, d a nos em estruturas d e alvenaria tradicional. Danos importantes registaram-se apenas nas estruturas d e grand e porte, d esignada mente na igreja Ma triz da Praia da Vitória situ ada a un s 5-6 km d o d epósito (intensidade V da esca la d e Mercalli Modificada ). A uma d istância d e cerca d e 20 m d o depósito, encontrava-se um muro de suporte de aterro qu e apresen tava rotura em alguns loca is. Apenas umas ligeiras fissurações foram observad as. Um hangar com cobertura me tálica e paredes de blocos, Clube d e Sa rgentos d a Base Portu guesa, sofreu d anos no pavimen to entre p il ares (sem juntas de d ilatação). Pa ra uma testemunha qu e estava no Clube d os Sargentos Americanos, CO, o movimento inicial parecia algo sem elhan te ao liga r de um equipa mento mecâni co, género ar cond icionado, com p ressor, etc., vind o m ais ta rd e a ter uma amplitud e ma is importa nte. Nessa altura, para caminhar cerca de 10 m , sen tiu grande dificuldad e por falta d e equilíbrio. Os d anos observa dos em tod a a zona on de se encontra o d epósito foram muito inferiores aos registad os d urante ven tos ciclónicos, com qued a d e chaminés e destelham ento de alguns telhad os. Quanto ao depósito nad a sofreu com os ventos. Na altura d o sismo o reserva tório deveria es ta r cheio a 2/3 da capacidade máxima. Esta avaliação é feita na base d e que não deveri a ter havido grand e consu mo d e água d esd e a altura em qu e fora cheio a pl ena capacidad e, d u ra n te a noite (normalm ente o d epósito era cheio duas vezes por d ia). Durante a vibração o d epósito verteu algum líqui do (não mui to) pela abertu ra para acesso interi or. A oscil ação d o d epósito fo i visível aos moradores situ ad os nas p roximid ad es (a 15-20 m d e distância), que receara m as consequên cias de outros aba los e não quiseram pernoitar nas sua s casas nos di as q ue se seguiram.

501


111.3 -

Modelo estrutural e resposta para acções sísmicas

Com vista ao estudo do comportamento dinâmico do depósito, de forma a calcular os esforços provocados nos pilares e travessas, modelizou-se o depósito com uma estrutura reticulada espacial preenchida em alguns locais por elementos casca, Fig. III.4. Os nós apresentam 6 graus de liberdade e os pilares e travessas estão representados por elementos-viga de secção constante. As características geométricas dos elementos constam do Quadro I, em que se apresentam as secções e respectivas áreas e inércias. A estrutura considerou-se escastrada ao nível das fundações . Os painéis de alvenaria e a placa no primeiro nível foram simulados por elementos de casca. O módulo de elasticidade dos painéis em bloco de cimento foi considerado com um valor equivalente de 12 GPa (a parede com 22 cm de espessura). A zona do fuste abaixo do nível do terreno está severamente limitada no seu movimento, pelo que se consideraram restrições de translação nos nós de contacto com o terreno. Os esquadros na ligação pilar-travessa não foram tidos em consideração na análise dinâmica; os esforços foram, no entanto, reduzidos devido à existência deste troço rígido. A parte superior foi ligada por vigas inclinadas de grand e rigidez. O envólucro do reservatório de água foi mod elado apenas como massa tomando-se, para efeitos de cálculo, as paredes do reservatório como rígidas. O efeito dinâmico de água no reservatório foi tido em conta através de um sistema de massa-mola equivalente com parâmetros obtidos segundo Housner (1936): M<ígua

th Cf3R/h)

f3 R/h

+ Mrescrvatório

MJ = MáguaX0.318; th( 1.84 ~

com

R h M0 M1 kr

k1=Moccií

- Raio de reservatório -Altura de água no reservatório Massa equivalente de água em oscilação com frequência m 0 -Massa equivalente fixa - Rigidez equivalente para a massa em oscilação

Uma vez que existem incertezas relativamente ao valor da massa de água na altura do sismo, preferiu-se reali zar, numa primeira fase, o estudo do depósito, considerando a massa de água como fi xa. O modelo adoptado é constituído por 38 nós, 72 elementos barra e 9 elementos casca. Tomando como massa total valores entre 150 t e 300 t, o que corresponde a uma variação de meio tanqu e a tanque cheio (a estimativa mais provável anda em torno de 160 ton de água mais 87 t do reserva tório), calcu laram-se as seis frequências próprias e modos de vibração em fun ção da massa da água, Quadro III.II e Fig. III.S.

502


QUADRO Ill.ll

Frequências próprias (Hz) obtidas para vários casos de enchimento do Depósito Peso

1.º Modo

2.º Mod o

3.0 Mod o

4.0 Mod o

5.º Modo

6. 0 Modo

(tf)

Transl- x

Trans- y

Torção

Transl- x

Transl- y

Verti cal

150

1.14

1.14

2.15

8.19

8.19

10.5

200

1.09

I.JO

2.15

7.71

7.71

10.1

250

1.06

1.06

2.15

7.38

7.38

9.73

300

1.03

1.03

2.15

7.07

7.07

9.33

Verifica-se que o modo mais importante apresenta uma frequência em torno de 1.1 Hz. Medições experimentais efectuadas sobre o Depósito de Águas da Charneca da Caparica conduziram a valores próximos dos agora obtidos (f1 == 1.3 Hz- Oliveira, 1983). A estrutura foi actuada por uma acção sísmica com um espectro da forma do tipo I (sismo próximo) em terreno rochoso, actuando nas três direcções do espaço, e com um valor de aceleração de pico de 0.177 g nas direcções horizontais. Para esta acção sísmica observou-se um deslocamento relativo máximo no topo de cerca de 3.2 cm em ambas as direcções do plano e 1.3 cm na direcção vertical. Os esforços (momentos flectores) nas travessas que sofreram danos variam de 110 a 320 kNm consoante a fiada em questão e a massa de água em jogo, aumentando com o aumento desta. Para a massa de 250 t de água efectuou-se o cálculo para o sismo tipo II, terreno tipo I, sismo mais rico na s baixas frequências (cerca de 1 Hz) com pico de aceleração de 0.107 g. Os esforços nas travessas aparecem ligeiramente superiores, dada a coincidência do pico do espectro com a frequência do 1.º modo. O efeito hidrodinâmico na resposta global foi apenas investigado para o caso da massa total no topo de 300 t ou seja 213 t de água e 87 t do envólucro. De acordo com as expressões de Housner acima referidas obteve-se uma frequência fundamental 0.3 Hz. Os esforços nos elementos verticais são essencialmente moais com momento flector. Considerando a hipótese de linearidade no cálculo dinâmico do depósito, verifica-se que para atingir o valor do momento flector que provocou fissuração nas travessas é necessário que o pico de aceleração aumente para a max == 0.15 g . Nos pilares que concorrem no nó em estudo, este momento flector não causará problemas de não linearidade, uma vez que o esforço normal actuante favorece a secção. Naquelas condições, o deslocamento total no topo do depósito seria de 20 cm, deslocamento este bem visível por um observador colocado nas imediações, e a ondulação da água ("sloshing" ) no interior do reservatório atingiria uma altura no centro de 10 cm. A influência do efeito hidrodinâmico da água no interior do reservatório traduz-se, essencialmente, por um decréscimo da resposta com ligeira modificação das frequências próprias. O efeito da carga permanente, calculada separadamente, foi adicionado directamente ao cálculo sísmico, tendo-se na combinação de esforços tomado a situação mais desfavorável. Para estudar o efeito da não-linearidade provocada pela fendilhação das travessas realizou-se um outro cálculo, também linear, mas em que a inércia das travessas foi reduzida a 1/3 do seu valor iniciaP. Esta hipótese de trabalho corrobora a observação

503


experimental e o resultado de estud os analíticos em que se levou a deformação das p eças de betão a rmado até à plastificação das armaduras. O cálculo efectuado para a situação M,opo = 250 t, sismo I, mostra que as frequências decrescera m de cerca de 16% em relação ao cálculo com as inércia s iniciais, sendo agora a frequ ência mais baixa de f1 = 0.889 Hz. Quanto aos esforços, verificou-se uma redução nos momentos das travessas de cerca de 15% e um aumento de 8% nos pilares, tendo diminuído o esforço axial nos pilares da ordem dos 14%. O deslocamento máximo no topo aumenta de 3.5 cm para 4.1 cm. IJI.4 -

Discussão

Com vista à cara cteri zação d o nível d e acção sísmica que possa ter provocado os danos observados, vai proceder-se ao cálculo dos valores de resistência das travessas e dos pilares para se poder estimar valores mínimos e m áximos da acção sísmica. Considera-se a situação de início da fendilhação nas travessas para definir o lin ea r do valor mínimo. Assim, de acordo com a secção e a armadura existente, Mrcnd

fctm

-

V

-

= fcun X _L = 2.2 X 10 3 x 0.0020R

v

0.20

=22.9 kN m

é a ten são máxima d e tracção no betão (B25) é a in ércia h omogeneizada da secção (factor 6 para a razão de módul os d e elasticidade aço/betão) é a distância da fibra mais afastada ao centro geométrico da secção.

Considerando como momento fl ector mínimo o valor d e 240 kNm (aplicou-se uma redução d e 20 % devido à existência de esquadros), obtidos no cálculo para a acção tipo I, ter-se-ia um pico de aceleração capaz de causar fendilhação de 22.9 kN m d e a.nax

= 22.9 240

=17 .O cm/s2

X

177

X

I 07 =9 .6 cm/s 2

ou no caso de um sismo li a.na x

= 22.9 256

De acordo com os cálculos anteriores, bastava uma aceleração máxima d e 0.02 g para fendilhar as travessas . A avaliação do valor m áximo de acção sísmica é mais complexa d e obter. Por um lado, vai utiliza r-se a observação d e larg ura da fissuração de cerca d e 1 mm e, por outro, pelo facto d e apena um dos pila res ter sofrido ligeira fissuração. Do comportamento do depósito, pode ainda estimar-se o limite superior do pico de aceleração. Sabendo que os pilares não fendilharam durante o sismo, a máxima aceleração do solo será naturalmente in fe ri or à que provocaria tracções no betão. Pelo cálculo efectuado, a situ ação mais desfavorável nos pilares logo acima do nível d a placa do 1.º andar conduz aos egu intes esforços (situação de 250 t no topo; inércias na s travessas redu zid as a 1/ 3 d o eu va lo r inicial): (3) Um cálculo ma i c labomd o, perm itind o u ma a ná li se d e não lin earid ad e extre mas das trav essas, iri a pe rmitir u m

melhor ajuste d estes valo re

504


Esforço axial -Ca rgas permanentes - Sismo Momento flector -

N cp= 500 kN N = 1150 kN

"''

Sismo M eq.x = 290 kNm M = 190 kNm "'I·Y

Áreas e inércias homogeneizadas (Pilares 3 e 4 d e 45 cm x 40 cm com 4 01"): A= 0.192 m 2 lx = 0.00344 m 4 I y = 0.00270 m 4 fctm

= - 2200 < 0 = 500 + (0.192

I 150

3 x 0.1 92

290 0.225190 0.20) x_g_ ~ < 33 cm 2 0.00344 3 x 0.00270 177

tendo-se seguido a metodologia utiliza da no estudo dos semáforos. III.S -

Obras de reparação

Logo após o sismo proced eu-se a uma inspecção d os dan os que recomendou um esvaziamento quase total do reservatório e uma pintura da s zonas fissuradas com um produto impermeabilizante com vista à protecção das armaduras expostas. O reservatório não p erdeu a sua estanqu idade e voltou a ser cheio um ou dois dias d epois. A reparação do d epósito foi realiza da cerca d e ano e meio depoi s com base num es tudo expedito e consistiu no seguinte: A partir das funda ções até ao reservatóri o, os espaços e ntre os elem entos de betão armado que formam a superfície hexagonal periférica foram preenchidos de man eira alternada por paredes d e alvenaria e p ared es de be tão armado, tanto no m esmo nível com o d e nível para nível, como um tabuleiro de xadrez. No nível de baixo d eixou-se o painel da porta d e entrada em a lvenaria, Fig. 111.6. As travessas a todos os níveis foram reforçadas com uma cinta horizontal com cerca de 15 cm d e altura por cima da s travessas e em toda a sua largura, armada com 3016 e es tribos 06 afastados de cerca d e 20 cm. Estes varões amarram à armadura d os pilares no varão mais próxim o . A s pared es d e betão armado foram constituíd as por uma rede d e malh asso l AR-50 em fiada dupl a, Fig. lll.7. A ancoragem aos elem entos d e bordadura (pilares e travessas) foi realizada, envolvendo as suas armaduras principais. A esp essura d a p arede d e be tão d eve ser da ordem dos 20 cm no nível de baixo (m antendo a espessura da parede d e alvenaria que existia) e de cerca d e 15 cm nos níveis mais altos. A s novas pared es de bl ocos de betão (30 x 20 x 15, furados, em bagacina preta) com 4 cm de rebouco assentavam sobre as cintas d e reforço por cima das travessas existentes. Nos pain éis de alvenaria, proced eu-se à introdu ção d e um lintel ho ri zontal a meia altura, em betão, com secção de 15 x 15 cm com 2010 em baixo e 206 em cima e estribos 06 afa stados de 20 cm, executados sobre a alvenaria construída. O betão do reforço, testado em laboratóri o, foi em todos os locai s d e B25. O s painéis foram todos rebocados, tendo uma pintura final como se mostra na Fig. 3.8. Desde a reparação até ao presente não houve qualquer probl ema com o depósito,

SOS


designadamente aquando do temporal de 1986, com ventos excepcionais, e em Dezembro de 1989-Fevereiro de 1990, com rajadas de cerca de 210 km / hora. 111.6 -

Conclusões

De todo o cálculo efectuado pode concluir-se que a acção sísmica no local do depósito terá tido um pico de aceleração acima de 0.015 g e abaixo de 0.03 g, de acordo com os danos observados. O limite superior de 0.03 g é corroborado pelos resultados do estudo dos semáforos da Praia da Vitória que apontam para um valor de 0.03 g. Por outro lado, o facto de não se terem registado danos em estruturas de pequeno porte, mas apenas nas grandes igrejas, leva a concluir que o espectro de acção sísmica deva possuir energia nas baixas frequências. Os valores encontrados estão de acordo com a escala de intensidade V (Mercalli Modificada) e com as funções de atenuação correspondentes à magnitude 7, e distância epicentral de 55 km. Estes valores estão, contudo, abaixo dos registados no acelerógrafo da cidade da Horta, zona situada a maior distância (cerca de 80 km) da zona epicentral, onde o pico de aceleração foi de 0.06 g. Isto, que está também de acordo com a intensidade IV atribuída à cidade da Horta, mostra certa anisotropia na propagação. Para terminar importa reforçar a ideia de qu e este tipo de d epósito se mostra sensível às acções sísmicas, iniciando-se a fissuração para valores muito baixos dessa acção. Agradecimento Agradece-se ao Sr. Major Eng.º A. Alves de Matos, da Força Aérea Portug uesa, toda a colaboração prestada no âmbi to deste estudo. Referências Housner, G. - Dynamic Behaviour of Water Tanks. Buli. Seism. Society Arnerica, vol. 53, n.º 2, pp. 381-7. 1963. Oliveira, C. S. - Medição de Frequências Próprias em Diversas Estruturas. Relatório LNEC. 1983. Duarte, R. T.; Vale e Azevedo, A. - Programas de Cálculo Automático do Departamento de Estruturas do LNEC, Jornadas Portuguesas de Engenharia de Estruturas, Lisboa. 1982. RSCS- Regu lamento de Segurança contra os Sismos, Decreto n.Q41 658 de 31/5/58. RSAEEP - Regulamento de Segurança e Acções em Estruturas de Edifícios e Pontes, Dec.-Lei n.º 235 / 83 de 31 de Maio d e 1983.

506


Depós ito

Fig. 111.1 -

Loca l d e impla ntação d o depósito levad o d e águas d a Base.Aérea 4

Fi g. 111.2- Aspecto geral d o depósito logo após o sis mo

507


-~

11

A

ll

Fig. 111.3 - Elementos d o projecto estru tu ra l

Fig. 111.4 - Modelo estrutu ra l d o d epรณs ito eleva d o d e รกguas (os elementos placa e tรฃo representad os por traรงos jun to do ele mento ba rra ad jacente)

508


MODO N. I

MODO N. 2

FRED . • O . 90 9

FRED • O . 044

MODO N . 3

MOD O N. 4

FRED . • I . 825

FRE D . • 5 . 9 50

Fig. 1.11.5 -

Principa is 111odos de vibração d o d ep ós ito

509


'

''I '

MODO N. 5

MOD O N . 5

FRED = 5. O I 6

FR ED . = 8. 795

Fig. lll .S - Prin cipais mod os de vibração do d epósito (cont.)

Cinta Parede em betão

Parede em alvenaria

Parede já existente

Fi

510

II L6 - Esqu ema de reforço da estrutura


Fig. lll.7 - Vis ta de um painel d e betão armado

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Fig. LI 1.8- As pecto do depósito após a obras de repa ração

511


PARTE IV FAROL DO TOPO IV.l -

SÃO JORGE

Descrição sumária da estrutura

As instalações d o farol do Top o, loca lizadas na extremidade SE da ilha de São Jorge, no alto de uma arriba com m ais d e 50 m d e altura, Fig. lV.l, sofreram danos muito graves em diversas das suas estruturas, tendo sido atribuído à zona uma intensidade Mercalli Modificada de VIII. Consistiam es tas estruturas nos edifícios do farol e da casa d e habitação, no farol propriamente dito, e no edifício da central de geração de energia eléctrica. Os edifícios do farol e d a casa d e habitação eram construções de 1 piso em alvenaria de blocos, placas e alguns outros elementos de betão armado. Haviam sido construíd os em finai s dos anos 50 (Faróis de Portugal, 1988), de acordo com a tecnologia da época. O farol, ligado ao edifício por um "corredor", apresenta uma casca espessa tronco-cónica com escada interior em espiral , Figs. 4.2 e 4.3, formando um fuste (torre) com cerca de 12m de altura. No topo superior assenta a lanterna com a óptica de iluminação, Fig. IV.4. A casa da central de geraçã o era uma constru ção d e pequenas dimensões, d e um piso térreo, feita de alvenaria d e blocos. IV.2- Comportamento durante o sismo Todas as estruturas sofreram d anos muito importantes, conforme se esquematiza na Fig. TV.S. O edifício do farol sofreu d anos d e pequena monta, com o derrubamento de uma das chaminés. O farol propriamente dito (Direcção de Faróis, 1980) apresentou danos na óptica e respectivo mecanismo d e ro tação, com rotura, sem possibilidades de recuperação. Os vidros da lanterna partiram e o mercúrio d a cuba d erramou em grandes quantidades (90 kg de um total de 128 kg existentes), d e tal forma que ao fim de 12 dias os vapores ainda se encontravam com concentração suficiente para oxidar facilmente objectos de ouro. Houve ainda danos ex tensos no corred or d e ligação do fuste ao edifício. A casa de habita ção apresentou colapso total d a ex tremidade virada a leste, Fig. IV.6, tendo havido colapsos generali zados também na central eléctrica, Fig. IV.7, oficina e gara gens. A cisterna perd eu apreciá vel q uanti d ade de água, presumindo-se que tenha fracturado . IV.3 -

Discussão

Com vista à defin ição da acção sísmica que possa ter actuado na zona das instalações d o farol, procedeu-se a u ma a nálise qua litativa simplificada do seu comportamento es trutural, recorrend o aos segu intes e lemento : 1. Da nos na óp tica e meca ni m o de rotação. Es tes danos que consistiram no impacto d a ópti ca contra a e tru tura metáli ca ex teri or "passerelle" (vencendo uma distância d e 10 cm), Fig. TV.4 fo ram provenientes da rotura de todos os 6 parafusos (03/4"

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2. 3. 4. 5. 6.

de aço de alta resistência dispostos nos vértices de um hexágono com 75 cm de diâmetro) de ligação da "óptica" à base de suporte em betão, à cota de 7.6 m. O impacto ocorreu no quadrante sul. Danos no corredor de ligação do fuste ao edifício do farol com roturas em diagonal localizadas junto das janelas e também junto da cornija. Colapso da parte superior da chaminé com queda a cerca de 1.5 m de distância na direcção indicada na Fig. IV.5. Queda quase generalizada de um muro de protecção da propriedade. Queda da parte leste da casa de habitação. Movimento de um depósito com cerca de 800 kg de óleo, assente sobre um estrado de madeira, que se deslocou cerca de 30 cm no sentido do farol.

A partir dos elementos acima descritos, procedeu-se a uma análise simples dos valores possíveis da aceleração máxima do solo e da direcção ou direcções preferenciais do movimento. Em primeiro lugar, com base na rotura dos parafusos de ligação da óptica, estimouse o momento flector de cedência mínimo em cerca de 60 a 80 kNm. Uma vez que não foi possível obter dados mais precisos sobreos danos, e sobre o projecto da óptica e respectivo mecanismo de rotação, admitiu-se que a massa de 3 t do sistema da óptica se pode concentrar a 2m acima da secção aparafusada, obtendo-se então uma aceleração máxima de cerca de 1.3 g nessa mesma secção. Supondo agora que uma amplificação do solo até ao topo do fuste possa ser da ordem de 3 vezes, obter-se-á na base um pico de aceleração de 0.4 g. O pressuposto de amplificação para a aceleração da base para o topo implica que a acção sísmica apresente uma predominância de frequência em torno da frequência própria do próprio fuste do farol, que se estima em cerca de 3 Hz. Este valor poderia ser comprovado analiticamente e por medição de vibrações, in loco, a exemplo do que fez Azevedo (1987) com o farol de Olhão. O valor obtido para a aceleração máxima, 0.4 g, justificável também se atendermos aos danos observados nos outras estruturas, é bastante elevado para distâncias epicentrais de cerca de 25 km (ML = 7), quando comparados com os efeitos do sismo nas freguesias de Santa Bárbara e Doze Ribeiras, da Terceira, a distâncias epicentrais de cerca de 35 km.Nestas freguesias bem como um pouco a norte na freguesia da Serreta, as acelerações foram certamente à registada no Topo. Uma forma de atestar essa redução pode ser vista atrvés da análise do comportamento do farol da Serreta que apresenta danos bem inferiores ao do Topo, embora sofresse fracturas importantes na torre e derrame de mercúrio da cuba com ligeira inclinação do sistema óptico. Duas explicações se podem adiantar para o problema: 1) A distância epicentral ser bastante menor para o caso do farol do Topo do que a que resulta da posição do choque principal, o que pode implicar um segundo choque em falha mais próxima; 2) um fenómeno de concentração de energia, por efeito de radiação ou por condições específicas na propagação. Um outro aspecto da maior importância para a segurança estrutural e para a caracterização do mecanismo da falha é a direcção predominante do movimento, que no presente caso poderá obter-se após alguma interpretação do comportamento. Com efeito, é notária a forma como os danos se fizeram sentir, denotando com certa evidência a presença de movimentos predominantes. Assim, a direcção e sentido do movimento preferencial na zona do farol é detectável a partir do local de impacto da

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óptica, a sul, da fissuração do corredor, denunciando movimento na direcção EW, da qu ed a da chaminé para E, do edifício d e habitação para SE e do muro de protecção da propriedade, também para SE. Os elementos referidos, embora não todos em consonância, evidenciam um movimento essencialmente para NW, pelo menos no que toca a altas frequências, e para SSW quando se considera m mais baixas frequências. Esta interpreta ção deverá ser confrontada com outros elementos de natureza sismológica e tectónica para determinação do mecanismo da falha proposto com base nos registos a grande distância, Grimison et al. (1988). Estes autores referem a existência de dois choques principais, que segundo Oliveira (1991), corresponderiam a diferentes epicentros, o primeiro mais a norte e o segundo para sul. Pensa-se também que a componente vertical tenha tido p apel importante na zona de Topo. IV.4 -

Conclusões

Embora o estudo rea lizado sobre o farol do Topo não tenha sido tão elaborado como nas três estruturas anteriores, foi todavia possível estimar, com base na rotura do suporte da lanterna (óptica) no topo do farol, a aceleração máxima no terreno entre 0.3 e 0.5 g, e uma maior riqueza do movimento nas altas frequências. Estes elevados valores, corroborados pelos danos observados noutras construções d as instalações do farol, bem como o sentido do movimento predominante para SSW parecem indicar a importância de um segundo choque com epicentro mais próximo d o que o epicentro normalmente considerado para o simi. Agradecimento Agradece-se ao eng. 0 Eduardo Manaças toda a colaboração prestada e à Direcção de Infraestruturas Navais, Direcção d e Faróis, Paço d e Arcos, toda a informação disponibilizada. Referências Azevedo, J. - Determinação Experimental das Características Dinâmicas da Estrutura do Farol de Santa Maria, Ilha da Culatra - Olhão. Relatório DEC. EX 19/87, CMEST I IST. Direcção de Faróis - A Evolução dos Faróis em Portugal. Folheto publicado pela Direcção de Faróis. Paço de Arcos. 1988. Direcção de Faróis- Relatório Interno sobre o Sis1110 de 1 de Janeiro de 1980. Direcção de Faróis, Paço de Arcos. 1980. Grimison, N. L.; Cheng, W. P. - Sourse Mechanisms of Four Recent Earthquakes Along the Azares-Gibraltar Plate Boundary. Geophysical Journal, vol. 92, pp. 391-401. 1988. Manaças, E. - O Sismo de 1 de Janeiro de 1980 Visto 43 Horas após. Monografia Encontro 10 Anos Após o Sismo dos Açores de 1980, Edição LNEC. 1991. Oliveira, C. S. - Quantificação do Movimento Sísmico Aquando do Sismo de 1 de Jan eiro de 1980. Monografia Encontro 10 Anos Após o Sismo dos Açores de 1980, Edição LNEC. 1991.

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Fig. !V.l - Farol do T.opo, 5 . Jorge: Implantação . genérica

Fig. IV.2 -

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Fig. IV.3- Aspectos do projecto estrutural do fuste do farol

Fig. IV.4 - La nterna 贸ptica

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Fig. IV .S - 1\epresentação esquemáti ca das zonas d e d a nos mais importantes

Fig. lV.6 - Da nos na casa de hab itação

Fig. IV.7 -

Dano· na central eléctrica

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2- CONSIDERAÇÕES FINAIS O estudo do comportamento de estruturas simples de betão armado permitiu obter valores da acção sísmi ca solicitante a nível das fundações com um certo grau de precisão: -

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O comportamento dos semáforos do Monte Brasil e Praia da Vitória apontam, sem grande margem d e erro, para um valor máximo do pico de aceleração a nível do solo, da ord em de 30 cmjs2. No Hospital de Angra, verifica-se que o valor de pico de aceleração da acção sísmica capaz de induzir os danos observados, é da ordem de 144 cm /s2. Este valor é cerca de cinco vezes superior ao valor obtido no estudo dos semáforos do Monte Brasil, donde se infere a grande variabilidade da acção sísmica em zonas próximas umas das outras, possivelmente devido a diferentes condições geológicas e topográficas. O Depósito Elevado de Águas da BA4-Lajes mostrou que o limite superior da acção sísmica que solicitou o depósito não pode ultrapassar 30 cmjs2 e o limite inferior não pode ser abaixo de 15 cm /s 2, de acordo com os danos observados. Estes valores, da mesma ordem de grandeza dos estimados pam os semáforos da Praia da Vitória, são cerca d e cinco vezes inferiores aos obtidos no Hospital de Angra. Para a estrutura do Farol do Topo e d e outras instalações da casa do faroleiro, estima-se uma aceleração máxima compreendida entre 200 e 400 cm / s2, com riqueza espectral na zona d as frequ ências mais elevadas (2 a 4 Hz).

É possível obter ainda ou tras informações sobre a acção sísmica, designadamente sobre riqueza esp ectral, direcção predomin ante do movimento e até du ração. Pensa-se que outro tipo de estruturas, de alvenarias por exemplo, poderã o também fornecer pistas importantes para uma melhor quantificação da acçã o sísmica, complementando as eventuais informações instrumentais existentes. Embora os va lores obtidos nestes cálculos apresentam andamentos gerais que seriam de esperar, o mesmo já não se poderá dizer das grandes variações observadas do Monte Brasil para Angra . Torna-se indispensável conduzir estudos analítico-experimentais junto daqueles dois locais de forma a tentar esclarecer melhor este fenómeno.

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COMPORTAMENTO E REPARAÇÃO DAS REDES DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA E COLECTORAS DE ÁGUAS RESIDUAIS DOMÉSTICAS José Francisco Carvalho'

RESUMO Retrospectiva dos acontecimentos ocorridos em 80/01/01 com as redes de distribuição de água e redes colectoras de águas residuais domésticas. Danos causados pelo sismo. Acções levadas a cabo de imediato. Conclusões. Soluções a adoptar no futuro. 1-

INTRODUÇÃO

A ocorrência do sismo de 1 de Janeiro de 1980 surpreendeu, como na generalidade dos serviços, os Serviços Municipalizados, pois não existia qualquer plano minimamente estruturado que respondesse de imediato à complexa situação gerada . Difícil foi conseguir acorrer nas primeiras horas às grandes reparações. 2 - DANOS

Pela intensidade do sismo era de crer que grandes e muitas avarias tivessem ocorrido. TaJ não aconteceu a nível de redes quer adutoras quer distribuidoras, tendo-se verificado quatro avarias: duas provocadas pela queda de grandes cantarias de pedra dos edifícios sobre o traçado da rede, e duas em dois nós com uma grande concentração de acessórios e com a existência de grandes quantidades de betão utilizado nos maciço de amarração desses acessórios. Todavia, pessoalmente considero que os danos provocados nas redes não se resumiram aos já relatados. É de crer que avarias a nível de deslocação de juntas gibau lt só posteriormente vieram a ser detectada s, após o desgaste do fibrocimento. De uma maneira geral podemos consid erar que os materiais, quer de PVC quer de fibrocimento, utilizados na s redes de distribuição de água, face às solicitações a que foram submetidos, tiveram um comportamento excelente. Mesmo a rede de distribuição de água de Angra do Heroís·mo, com a sua avançada idade e a péssima qualidade do fibrocimento utiliza do, suportou relativamente bem o choque telúrico a que foi submetida. Mas foi a nível de redes interiores de distribuição de água onde se verificaram grandes estragos, como é fácil de deduzir. Durante dia s as brigadas dos serviços tentaram fechar o máximo de válvulas de segurança dos ramais. Todavia, muitos eram inacessíveis, dado que se encontravam soterrados por toneladas de entulhos dos prédios derrocados. Tal situação provocou durante largos meses a necessidade de se acorrer à rede com caudais superiores em quantidad e aos necessários a cobrir normalmente o consumo .

. Eng. 2 Técn ico Civil, CMPV; ex-SMCMAI-I

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Além dos danos ocorridos falta referir os provocados pelas demolições dos prédios. Foram estas d emolições qu e causaram os maiores e os mais graves danos nas redes d e distribuição. A destruição dos ramais domiciliários e muito particularmente de bocas d e incêndio tipo pared e, provocada pelas máquinas que procediam à demolição e ao carregamento dos entulhos, a maior parte deles ficando sem qualquer hipótese de recuperação, atingiu valores d e custo de muitos milhares de contos. Assim como provocou avarias detectáveis e não detectáveis, nas redes de distribuição de águas. As perdas de água em finais d e 1981 atingiam cerca de 55 por cento do caudal debitado à rede. O parque de contadores foi bastante atingido: a destruição de muitos contadores, assim como o desaparecimento de outros, leva a que se estime na sua totalidade cerca de três mil contadores entre inutilizados e desaparecidos. 3-

QUALIDADE DAS ÁGUAS

O tratamento das águas para consumo doméstico foi bastante alterado, pois o corte de energia que se prolongou por vários meses afectou todo o equipamento que garantia o tratamento da água. O recurso a expedientes que garantissem o mínimo de eficác\,a no tratamento foi a solução adoptada. Todavia, é de referir que os Serviços Municipalizados não dispunham de equipamentos tidos como essenciais para uma intervenção deste tipo. Foi a Direcção do Saneamento Básico que enviou todo o equipamento d e emergência, assim como algum pessoal. 3.1 -

Intervenção do pessoal

Dado não existir qualquer tipo de plano de emergência elaborado, tudo se tornou extremamente complicado na medida em que uma grande parte das vias de comunicação ficaram completamente vedadas ao trânsito. Os contactos via telefone não 0Xistiam. Só ao cabo de várias horas se conseguiu reunir um número de pessoas mínimo, três operários (salvo erro), para acorrer à reparação das avarias da rede, de mold e a garantir o fornecimento de água por algumas horas. Os restantes operários eram vítimas e estavam desalojados, com as suas casas destruídas, ou o receio de abandonar a família numa situação de terror era superior à ordem d e chamada para reparação das avari as. Tod avia e à custa do trabalho de poucos, ao fim de 24 horas após o sismo estava compl etamente restabelecido o fornecimento de água a toda a população. O acesso do pessoal aos lugares onde ocorreram as avarias fez-se com extrema dificuldade e com o risco nalguns casos de ficarem soterrados por alguma derrocada posterior ou pela ocorrência de alguma réplica. 4-

REDE COLECTORA DE ÁGUAS RESIDUAIS DOMÉSTICAS

Não foram detectadas quaisquer avarias nestas redes na altura da ocorrência do sismo, nem posteriormente se verificaram roturas ou fissurações nos colectores. Presume-se que as acções a que foram submetidos os colectores assim como os órgãos acessórios nã o pro voca ram graves avarias. Todavia tal afirmação careceria de uma profunda inspecção, basead a em equipamento sofisticado e em disponibilidade de mão-de-obra, requisitos estes que não abundam em estrutura do tipo autárquico.

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5-

INTERVENÇÕES PÓS-SISMO

Mais uma vez e dada a não existência de estrutura s já executada s de molde a albergar a população desalojada, houve necessidad e de improvisar no mais curto espaço de tempo infraestruturas de saneamento básico nos acampamentos de emergência, dotando-os de um mínimo de condições de salubridade. Estas infraestruturas, embora haja uma dinâmica imprimida para que tudo seja feito no mais curto espaço de tempo, são sempre demoradas. 6-

CONCLUSÕES

Podemos pois concluir que de uma maneira geral as red es quer de distribui ção de águas quer colectoras de esgotos responderam positivamente às acções a que foram submetidas, mesmo os reservatórios não apresentaram qualquer tipo de fendilhação. A fim de garantir uma imediata e pronta intervenção, há toda a conveniência de estabelecer um plano de intervenção de emergência que reúna os meios técnicos e humanos necessários num curto espaço de tempo de molde a acudir às avarias que possam ocorrer, restabelecendo a regular distribuição de água à população e assegurando a continuidade em acção dos serviços considerados fundamentais. Todavia é fundamental que estruturas como hospitais, escolas, espaços que pela sua dimensão física possam albergar população d esalojada, disponham de unidades de regularização (reservatórios) que possam responder a consumos d e 48 horas. Por outro lado, é imperioso que se crie desde já um espaço devidam ente infraestruturado que possa servir para a montagem de tenda s, mas que ofereça um mínimo d e condições de salubridade e higiene. As avarias causadas após o sismo pelas demolições e recolha de entulhos poderão ser evitadas. Penso qu e se o sismo tem ocorrido em época de es tiagem, as dificuldades em manter uma regular distribuição de água teriam sido muito mai ore , e as rotura s na distribuição tinham sido frequentes, só pelo simples facto de continuamente surgirem grandes perdas de ca udal de água originadas pelas avarias que se provocaram. Para finalizar gostaria de ainda chamar a atenção para aspectos de impacto, em particular no que respeita à área do Saneamento Básico, que movimentações de população com estabelecimento e concentração em novas e vastas urbanizações poderão causar sobre as redes já existentes. No caso particular das urbanizações de Santa Luzia, S. João de Deus e Terra Chã, geraram-se situações de colapso prematuro na regular distribuição de água, que passados 10 anos ainda não foram superados. Os casos de Sa nta Luzia e S. João de Deus ainda hoje padecem nas épocas de estiagem das soluções de chantagem na altura impostas. A solução passa, como passaria na altura, pela definição e reestruturação da rede existente com a execução de nova adutora e um órgão regulad or, e não a simples enxertia no fim de uma rede existente. Embora os prédios em grande parte das ilhas atingidas pelo sismo estejam reconstruídos, a ameaça de outra catástrofe não está afastada e ela pode ocorrer em qualquer ilha dos Açores. A reflexão que agora se faz poderá vir a minimizar em vidas e em custos qualquer evento no futuro.

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COMPORTAMENTO E RECUPERAÇÃO DAS REDES DE ENERGIA ELÉCTRICA - SISMO 80 Leonildo Garcia de Vargas* Denis Preston Brás* António dos Santos Caiado*

Em 1980 possuíamos redes de: Baixa Tensão e Média Tensão. Na Terceira não havia nem há redes de Alta Tensão. Dentro da Média Tensão usamos desde 6600 V até 30 000 V, quando em 1980 apenas atingíamos os 15 000 V. Na Baixa Tensão tínhamos duas espécies de redes: as subterrâneas, em pequena extensão -apenas alguma urbanização recente em Angra do Heroísmo; - as aéreas, todas em condutores de cobre nu, que se estendiam por toda a ilha, tanto nas zonas rurais como nas urbanas. Na Média Tensão também possuíamos os dois tipos de redes: -

A - Subterrâneas, que alimentavam todos os postos de transformação da cidade de Angra do Heroísmo, e também eram subterrâneos os primeiros troços das saídas da Subestação da Central Térmica de Angra do Heroísmo, a única central térmica existente no sistema electroprodutor da ilha em 1980; B - Redes aéreas suportadas na totalidade por postes de betão cujos condutores são em cabo ou fio de cobre nu.

Em relação às redes de Baixa Tensão aéreas, convém aqui recordar que toda a Baixa Tensão da cidade de Angra do Heroísmo possuía rede desse género, sendo os apoios consola ou postaletes. Toda a rede era muito antiga, com um dimensionamento já ultrapassado pelas necessidades diárias, sendo os condutores de cobre de pequena secção, 6, 10 e 16 mm2, na sua maioria já bastante recosidos, atendendo a que as cargas em trânsito, em muitas situações, ultrapassavam as permanentes nominais, o que ao longo dos anos foi fazendo com que os condutores perdessem a sua resistência mecânica. Nas zonas rurais a situação era idêntica, no entanto, dada a dispersão dos edifícios por um lado e o seu afastamento dos arruamentos por outro, de quando em vez recorria-se a postes de betão ou de madeira sempre que não se podia colocar um postalete ou uma consola. Os postos de transformação na quase totalidade estavam montados em edifícios próprios ou cabinas do tipo torre, de construção antiga e só muito recentemente se principiava a ter em atenção as exigências de uma zona sísmica .

' Electricidade dos Açores, EDA

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Perante o sismo de 1 de Janeiro de 1980, os comportamentos das redes foram os seguintes: 1-

Redes Subterrâneas Tanto as redes de baixa ten são como as de média tensão nada sofreram; apenas houve um cabo de média tensão que ficou à vista e em suspensão, mas após ensaios concluiu-se que os isolamentos não tinham sido afectados. 2-

Redes Aéreas de Média Tensão Todas as redes ficaram em perfeitas condições, não houve qualquer apoio derrubado, qualquer rede enriçada, qualquer isolador partido, ferro de suporte quebrado, tudo estava em perfeitas condições de funcionamento. 3-

Postos de Transformação

Distribuição A distribuição dos postos de transformação na ilha é a que consta do mapa anexo e que se encontra actualizada . Actualmente existem 110 postos, pertencentes à Empresa de Electricidade dos Açores (EDA) e a aproximadamente 30 particulares. À excepção da zona da cidade de Angra, os postos de transformação, na maioria em torre, encontram-se espalhados por toda a periferia da ilha, seguindo aproximadamente o desenvolvim ento das freguesias.

Danos sofridos A informação sobre danos resulta apenas do conhecimento geral da situação e não de qualquer levantamento pormenorizado que tenha sido efectuado. Não existem, portanto, nem projectos nem orçamentos para reconstrução dos postos de transformação. Os danos sofridos pelos postos de transformação foram fendilhação generalizada sem perda de operacionalidade. Só o da freguesia das Doze Ribeiras foi derrubado. Tratava-se de uma torre em alvenaria construída há mais de vinte anos.

Estrutura Os postos de transformação eram na maioria constituídos por torres com dimensões em planta de 3,00 x 3,00 e altura de 7,00 metros, construídos em alvenaria de blocos de cimento sem qualquer travamento em betão armado. Actualmente, e depois do sismo, todos os novos postos de transformação são aéreos. Reconstrução À excepção do posto de transformação das Doze Ribeiras, o qual foi construído de novo, todos os restantes se encontram no estado em que ficaram. Não foram efectuados nenhuns estudos individualizados para as reparações necessárias apesar de todos os anos terem sido pedida s d otações orçamentais para tal efeito. 4 - Redes Aéreas de Baixa Tensão

Estas foram as grandes atingidas. Tanto as rurais com as urbanas. Uma vez que esta vam apoiadas quase sempre nos edifícios, com a queda e cedência destes ou até com os

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esforços da tracção provocados pelos condutores, houve zonas em que pouco ou nada se aproveitou . Quais fo ram as medid as tomadas de imedi ato? A primeira preocupação após o sismo, foi verifi ca r, através de observação, zona por zona, quais as que estava m em condi ções de ser ligadas. N as pouco atingid as foram emend adas e esticadas as linh as. Aqu elas que apresentava m maiores danos foram passadas para uma segund a fase, que consistiu em assegurar uma solução provisória, recorrend o a apoios improvisados, varas de criptoméri a e ca bos isolados, d o tipo "V" ou, um pouco mais tard e, ca bos de torçada. Dez anos passa dos, qu ase tudo o qu e era provisóri o foi modifi cad o e os proced imentos foram os que se seguem.

Nas zonas rurais N uma primeira fase iniciaram-se as construções de redes d e Baixa Tensão em cobre nu, redimensionad as e tend o duas preocupações: a primeira, não recorrer aos edifícios como pontos d e apoio da rede principal; a segunda , dispor os condutores em esteira vertical por ser a disposição com menos probabilida de d e contactos de linh as. N uma segunda fase, já mais cuidada, fez-se a reconstru ção ou remodelação total, uma vez que nada do existente era aproveitado na própria rede. Util izou-se como condutor o cabo de torçada de alum íni o e continu ou-se a seguir o prin cípio da não utilização dos edifícios como suportes da rede principal, a não ser em determinadas situações em qu e o apoio não seja pontu al mas sim num a determinada extensão contínua, em red e pousada, ou tensa. Na zona urbana Na zona urbana de Angra do Heroísmo, a rede adoptada foi mista: parte subterrânea e parte aérea. Os condutores ou alimentadores principais, até aos armários d e d istribuição, em cabos subterrâneos do tipo LVAV, aplica nd o-se ainda ca bos do mesmo tipo entre os armários e as ca ixas d e protecção dos troços comuns de chega das. Para jusa nte da s ca ixas de protecção, nos troços comuns de chegad as, utilizou-se o cabo em torçada de alumínio, ao longo das fa chadas dos edifícios, em rede tensa ou em rede pousad a em braçadeiras. Se em p ond eração esti vesse apenas o factor "região sísmi ca", a opção seri a pela seguinte ord em de preferências: 1 - Rede totalmente subterrânea; 2 - Rede mista; 3 - Rede aérea. Entre uma red e mista e uma rede aérea, há vantagens e d esvantagens. N uma rede mista a resistência ou comportamento da red e durante o sismo está d ependente d o comportamento dos edi fíc io em qu e se apoia . N uma red e aérea os comportamentos dos cond utores estão dependentes das oscilações d os postos e dos consequentes esforços de tracção suportad os pelos apoios e pelos condutores. N um a rede subterrânea, o seu comportamento depende dos esforços d e tracção e de compressão suportad os pelos cabos, mas também está dependente d a resistência ou do

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comportamento dos edifícios que abastece, se utilizar as caixas de distribuição sem que possuam uma protecção mecânica suplementar. A fragilidade dos edifícios poderá ser determinante para a resistência de tal protecção, sem a qual as caixas ou armários poderão constituir um ponto fraco d e uma rede subterrânea . Podemos concluir que não existem redes cujo comportamento seja garantido perante um sismo, mas pod em os afirmar que existem redes com maior probabilidade de resistir a um sismo. Podemos aind a concluir: pela inconveniência de apoios de linha geral de edifícios, sobretudo naqueles cuja construção não ofereça condições de segurança perante um sismo; as redes aéreas em cabo em torçada têm todas as condições para resistirem a um sismo, embora essa resistência esteja na d ependência da intensidade do sismo. Há toda a conveniência em que as redes aéreas com condutores nus sejam substituídas por condutores isolados. Tem sido dentro d estes parâmetros que a EDA tem vindo a actuar sobre as redes de Baixa Tensão na ilha Terceira. Na zona urbana d e Angra do Heroísmo ficou concluída a remodelação da rede de BT. Nas zonas rurais já foram remodeladas as redes das freguesias mais atingidas: Doze Ribeiras e Santa Bárbara, ainda em cobre nu, e Quatro Ribeiras, mais recentemente, em cabo em torçada. Está já concluída uma primeira fase de remodelações de redes, que abranje S. Bento, Vinha Brava, Fontinhas e da qual as Quatro Ribeiras faziam parte. Segue-se agora a segunda fase, que está já a caminho da adjudicação, e temos em projecto uma terceira fase, bem como a remodelação da Rede de Média Tensão da Cidade da Praia. No ritmo em que as obras vão decorrendo, possivelmente durante os próximos 10 anos teremos modificado as restantes redes da ilha Terceira.

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Fig. 1 - Rede pro vis贸 ria montada ap贸s o sismo

Fig. 2 Rede e xis e 1 e a cs o sis pos taletes e cm cabo de cob re nu

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Fi g. 3 - Rede exis tente ante do ismo co m apoios e m consola e cond utores de cobre nu

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Fig. 4 - Red e ex istente a ntes do sismo, um apoio d e posta lete em â ngul o, com espi a. Co nd utores d e cobre nu

Fi g. 5 - Rede d e Baixa Tensão aérea, s upo rtada por postes d e betão com cond u tores d e cobre nu dispostos em quincã ncio

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Fig. 6 - Rede de Baixa Tensão aérea suportada por postes de betão e com condutores d e cobre nu dispostos em esteira vertical

Fig. 7 -

Cabina, para posto de transformação, tipo torre

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Fig. 8 - A nova red e em cabo de torçada, suportada por postes d e betão. Solução nas zonas rurais

Fig. 9 - A nova rede da Baixa Tensão e m Angra d o Heroísmo, cm ca bo d e torçada pousad o, supo rtad o por braçadeiras. Rua Dire ita - An gra d o Heroísmo

Fig. 10- Ca ixa d e d istribui ção. Alimentadas por cabos subte rrâneos e das quais deriva m os troços comun s d e chegadas qu e se d esen volveram ao longo d os préd ios

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I

I


Fig. 11 - Red e da torçada . Troço comum ao longo d e um préd io em Angra d o Heroísmo

L

Fig. 1.2 - Red e rural d e B.T. em ca bo de torçado. Sa liente-se a elegância d esta rede em compara ção com uma red e d o mesmo tipo mas executada ainda co m condutores d e cobre nú . Os postes d esta rede mais anti ga têm ca beças incomparavelmente maiores e maior expressão volumé tri ca devid o à necessidad e de s upo rtare m mai ores e forços

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ANEXO

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EFEITO DO SISMO DE 1 DE JANEIRO DE 1980 NAS INFRAESTRUTURAS DE TELECOMUNICAÇÕES DOS CTT NAS ILHAS TERCEIRA, GRACIOSA E SÃO JORGE ]. Data Franco*

As infraestruturas d e telecomunicações dos CTT nas ilhas Terceira, Graciosa e São Jorge podem dividir-se em quatro grupos: 1 2 3 4

-

Estações de Feixes Hertzianos (EFH) e respectivas torres de antenas; Estações de Comutação (EA); Redes Regionais; Redes Locais.

Os edifícios onde estão instaladas as infraestruturas referidas em 1) e 2) são, desde longa data, construíd os dentro d e padrões de segurança e solid ez que ultrapassam o comum. Este facto é norteado essencia lmente por dois motivos: o peso dos equipamentos a insta lar e a sua preservação contra determinado tipo de catacl ismos. Estou convencido de qu e o aspecto dos abalos sísmicos não estaria claramente considerado, mas a solidez das construções demonstrou ser importante já que a sua resistência a este fenómeno, nas zonas atingidas, foi total, não se tend o registado qualqu er dano nos ed ifícios. Deve notar-se que é dentro d estes edifíci os que resid e todo o equipamento sofisticad o que constitui a principal base d as telecomunicações. Nas torres de antenas também não se registaram quaisqu er anomalias. Ainda dentro das infraestruturas referidas em 1) e 2) houve um aspecto não consid erado até 1 de Janeiro de 1980, e que tem a ver com as energias de emergência, nomeadamente com as baterias de alimentação d as Estações de Feixe Hertzianos (EFH) e Es ta ões de omutação (EA). A estrutura de suporte d as ba terias não tinha qualqu er característica anti-sísmica pelo qu e na EA da Praia d a Vitória se registou a queda de alguns elementos da bateria com a consequente interrupção no si tema de alimentação. Desde então as estruturas das ba terias têm estado a ser substituídas por material com estabilidade anti -sísmi ca. Nas Redes Regionais, referid as em 3), e que são constitu ídas genericamente pelos cabos que fazem as ligações entre as estações, não se registaram quaisquer danos. Na Rede Loca l, referid a em 4), registaram-se prejuízos de alguma importância e que residiram essencia lmente nas caixas d e distribuição (PD) e nos equipamentos termin ais, (generica mente telefones, PPs). Os PDs instalados em paredes que se desmoronaram (si tuação mais ca racterística das redes urbanas) fica ram ava riad os e consequentemente os telefones ou aparelhos terminais. Muitos telefones e equipamentos termina is instalados dentro dos ed ifícios dani ficados também sofreram d anos, d esd e ava ri a ligeira, facilmente reparáve l, até à completa destruição. · C1T -

Ang ra do Heroís mo

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Os ca bo pregado em parede d a ni ficada sofrera m igua lmcnt ava ri as. Os cabo ubterrâneo, quer o ntcrrados no solo qu er o in tal ado m co ndutas, não sofreram qualquer ava ria cm v irtude d e não se terem registado abertura d e brc has no solo. Relativam ente aos abas a ' reos suportados em poste, igu almente, não se registaram ava ri as por nã ter havido q ueda d e postes. Após o si mo, na prim eiras horas, como consequência das avarias nas linh as (PDs e equipam entos term inai danificados), registou-se uma sa turação na ocupação da s mesmas. As EAs, sob retud o a da Terceira, entraram em situ ação de arranque o que obri gou a des li ga r a generalid ad e dos circuitos. Es ta operação é rela ti va mente rápida, mas a reposição da li gação é fe ita linha a linha, d e forma muito d emorada, d e que resulta que algun s tel efones sem problemas, fiquem d esli ga dos alguns dias. O te lefones d epend entes dos PDs sinistrados ó pud eram voltar a ser liga dos depoi s de re parad os ou improvisados novos PDs. Quanto a mim, embora de amplitude considerável, o sismo não teve um efeito muito nefasto sobre as infraestru turas telefóni cas, em virtud e de não ter havid o problemas a nível d os solos. Um sis mo com a cara terísti as d o que em 1755 afectou Lisboa, a eclodir nos dias de hoje, teri a um efeito ex tremamente nefa s to ao nível da s red es urbana s e, eventu alm ente, da s EAs e ou tras. As recomend ações a fazer no sentid o d e precaver avaria s, e ultrapassar as qu e inevitavelmente possa m ocorrer nas zona com mais proba bilidades de incid ência sísmica , seriam as seg uintes: 1 - Edifício onstrui r apenas edifício a partir d e projec tos anti- ísmi os e implan tados em terrenos com a esta bilidade ad equad a antecipad amente confirm ada. 2 - Energias As energias alternativas têm nestas situa ções um a grand e importância. Os grupos electrogéneo d evem esta r sempre bem mantidos sendo as uas baterias d e arranqu e, d e ca pa cidade dobrad a, substituídas anua lm ente. As baterias de e tação d evem ter capacidade sobreca lculada , possuir estrutura anti -sísmica e estar também sempre bem man tidas. Qualquer dos órgãos d eve ser utili zado apena s durante a vida útil prevista e ser substituíd o logo qu e es ta termine . 3 - Materiais de emergência As áreas mais atingidas foram as exteriores, o u seja: cabos, postes, PDs, PPs, havendo necessidade d e se preverem stocks folgados de materi al d e repara ção d este tipo.

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l


METODOLOGIA DA INTERVENÇÃO PARA A RECUPERAÇÃO DO PARQUE MONUMENTAL A. Rui Andrade*

1-

INTRODUÇÃO

A cidade d e An gra do H eroísmo é Património Mundial d esde 1983. U ma da s razões que contribuiu para a sua classificação foi sem dúvida a característica d o traçado urbano d o centro histórico. É uma malha reticulada, renascentista e a primeira d o género a ser construída fora d a Europa continental. A cidad e, d e arquitectura equilibrada e harm oniosa, foi abalada no dia 1 Janeiro de 1980 por um violento sism o que d estruiu cerca d e 80 por cento dos seus edifícios, Figs. 1 e 2, mas que também atin giu a m aior parte d as freguesias rurais d a ilh a Terceira, Fig. 3, a parte oriental d e ilh a d e S. Jorge e toda a ilha Graciosa, provocando danos graves e generalizad os na construção tradicional regional, Fig. 4. A população, d e repente, tom ou consciência d e que a cid ad e e as fregu esias, ond e dava gosto viver, afin al, nã.o ofereciam segurança, porque as casas eram de má construção e estavam velhas e "podres". A emigraçã o maciça, que já nos nossos dias se verificara em situa ções idênticas, quando d o vulcã o dos Capelinhas em 1958 e da crise sísmica d e S. Jorge em 1962, tinha d e ser evitada. Foi necessário tom ar medid as que dinamizassem e criassem vontade na s populações para, d e im ediato, iniciarem a reconstrução da s suas moradi as. Nesse sentido foram criad as es truturas e m eios para dar resposta concreta às soli cita ções surgidas da catástrofe, Fig. 5. s im, os apoios d irectos foram diversificados e dirigiram-se essencialmente para o auxílio em materiais d e construção, apoio técnico, bonificação d e juros para os empréstimos destinados à reconstrução d e habitação, incenti vos fi scais, bem como a coordena ção e promoção da cons trução de bairros sociais d e emergência para a instal ação dos desalojados. igualmente, medidas para a salvaguard a d o patrim ónio arquitectónico foram tomada s e a p rova das três resoluções govern amentais: -

-

-

A Resolu ção 42 /80 qu e conced e uma comparticipação a fundo perdido para a reco nstru ção d e edifícios d e arquitectura d e reconh ecid a qualidad e, no valor de 50 por cento do custo d as obras d e consolidação e restauro d a fa chada e cobertura, d esde que executad as de acordo com as directivas eman adas da Direcçã o Regional dos Assuntos Culturais, Fig. 6. A Resolução 43/80 que co nced e um a comparti cipação a fundo perdido na reconstrução d e sed es d e socied ad es recrea ti vas, d esportivas e culturais, ou d e manifesto interesse social, no valor d e 90 por cento d o custo d a mesma, Figs. 7 e 8. Esta resolução abrangia os Im péri os d as Irmanda d es d o Divino Espírito Sa nto. A Resolução 75/80 em qu e o Governo Regional se obriga a comparticipar, igualmente a fund o perdid o e no va lor d e 50 por cento, no custo d as obras de reconstru ção da s ig rejas paroqui ais pro pried ad e priva d a. Para d efesa, preservação e

* Eng.º Civil , SREC/DR AC

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recuperação do centro histórico, foi criado o Gabinete da Zona Classificada da Cidade de Angra do Heroísmo, regulamentadas as suas competências e áreas de intervenção e definida s no próprio diploma as regras e normas a que devem obedecer os projectos e as obras a reabzar na área classificada. Este Gabinete entrou em funcionamento com algum atraso. Iniciaram-se igualmente os trabalhos de recuperação e restauro dos edifícios e monumentos classificados, propriedade da Região, Fig. 9. São estes trabalhos e mais especificamente as obras executadas e as técnicas utilizadas na reconstrução dos edifícios monumentais e de habitação que esta comunicação vai abordar com maior desenvolvimento. 2-

CARACTERIZAÇÃO DA CONSTRUÇÃO

2.1 -

Edifícios de habitação

Os edifícios de habitação situados nos centros urbanos mais importantes ou nas suas proximidades têm, quase sempre, dois ou três pisos, Fig. 10, enquanto as moradias das freguesias periféricas às sedes dos concelhos são constituídas, essencialmente, por um piso, ou quando dois, normalmente o rés-do-chão é utilizado como loja. Esta construção é, na sua maioria, de má qualidade. Alvenaria de pedra rebocada, pavimentos de madeira, sem contraventamento na separação dos pisos, cobertura de telha regional (mourisca) de barro bastante pobre e assente sobre estrutura de madeira, a maior parte das vezes mal executada. A pedra utilizada nas paredes é de resistência muito variada e assente na s alvenarias com argamassa de mau "barro" sem qualquer trabalho ou cuidado de aparelhamento, com excepção dos cunhais onde a pedra normalmente é tratada. Estas alvenarias são quase sempre formadas por dois panos sem bgadores, agravados pelo facto de o espaço que os separa estar preenchido por enrocamento de pequena dimensão que durante a ocorrência de um sismo funciona como cunha, ajudando à queda de um deles. Alia-se a esta característica das paredes, na maioria dos casos, uma deficiente estrutura da cobertura. As asnas são formadas só por pernas (ausência de linha), ou são em "tesoura" com má ligação do tirante às pernas. Conjuga-se com este facto, muitas vezes, o péssimo estado das madeiras, muito especialmente nas entregas às paredes. 2.2 -

Monumentos -

palácios e igrejas

Na edificação de edifícios monum entais na ilha Terceira e de um modo geral em todo o arquipélago, constatou-se que os materiais e as técnicas utili zados na construção foram normalmente de melhor qualidade qu e nos ed ifícios comuns de habitação. Para esta s realizações os meios financeiros e de mão-de-obra mobilizados eram superiores, o que permitia uma melhor escolha e p repa ra ção dos materiais a utilizar em obra bem como uma fi scabzação apertad a e conhecedora do modo de execução dos trabalhos. No entanto estes edifícios, por razões várias, das quais destacamos: -

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a sua maior altura e d imensão conjugadas com paredes de espessuras que atingem em alguns casos 2,0 m; a existência d e elemen tos d estacados d os corpos principais (torres, torreões, mansard as, chaminés de grande a ltura ... );


o elevado custo de qualquer obra de conservação relacionado com a indisponibilidade financeira do proprietário e, quando os edifícios são património do Estado, falta de dotação orçamental destinada à sua realização; - utilização por serviços incapazes de se adaptar ao espaço e à organização arquitectónica oferecida pelo imóvel, com permissão de execução d e obras, muitas vezes alterando profundamente os elementos estruturais, com redução significativa da sua capacidade resistente, como sejam os cortes em pilastras, a demolição de paredes mestras e ainda a substituição de coberturas com eliminação de peças de travamento para construção de tectos em caixotão; - degradação e fadiga natural dos materiais, agravadas pela ocorrência periódica de sismos, chegaram aos nossos dias com um aspecto exterior saudável, mas realmente num estado de conservação muito degradado, o que ficou em parte demonstrado pela análise dos danos provocados pelo sismo de 80 em alguns dos edifícios mai s importantes arquitectonicamente da cidade de Angra do Heroísmo. -

3- CARACTERIZAÇÃO DOS MATERIAIS MAIS UTILIZADOS NA CONSTRUÇÃO Os materiais correntes, fundamentais, mais utilizados nos Açores na construção dos edifícios tradicionais são a pedra e a madeira. A pedra, de origem vulcânica, tem resistência muito variada, correspondendo normalmente a uma maior durabilidade uma menor trabalhabilidade, motivo pelo qual é a pedra mais macia e mais freável a que se encontra na maioria dos edifícios monumentais da Região, Fig. 11. Nas construçõe mais modestas as paredes são de pedra de dimensões variadas, assente com argamassas de qualidade inferior, não conferindo às alvenarias resistência à tracção. Existem, no entanto, espalhados por todo o arquipélago, modestos edifícios de habitação, construídos em alvenaria de pedra seca aparelhada, excelentemente executados, e que quando da ocorrência dos sismos se comportam muito bem, Fig. 12. A degradação acelerada da pedra, Fig. 13, tem sido um motivo de preocupação dos responsáveis pela defesa do Património Arquitectónico na Região. Em 1987, por iniciativa da Direcção Regional dos Assuntos Culturais e ao abrigo do Convénio existente entre a SRHOP e o LNEC, uma delegação de especialistas do Laboratório Nacional de Engenharia Civil veio aos Açores estudar a alteração e a alterabilidade das pedras dos monumentos. Em consequência dessa viagem de estudo foi elaborado o respectivo relatório que preconizou a adopção de algumas medidas protectoras e a utilização experimental do produto Wacker Stone Strenghtener Oh, destinado a suster ou pelo menos retardar a velocidade a que a deterioração se vem a verificar. Dos ensaios realizados, até ao momento os resultados não têm sido satisfatórios. No entanto outras aplicações estão em curso noutros tipos de pedra e em condições diferentes de exposição ao meio ambiente. Também muito recentemente se procedeu à recolha de amostras de pedra, que foram enviadas ao LNEC, para estudo mais profundo das sua s características e da procura da melhor solução para a sua preservação. A madeira é, nestes edifícios, o material de construção da maior parte dos pavimentos elevados, dos tectos e da estrutura das coberturas.

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As espécie mais utili za d as são o pinho-fla ndres, o pinho resinoso e o ced ro, esta muito esp ecialm ente nos tectos d as casas senhoriais, pa lácios e d e a lg umas igrejas. Verifica -se no en ta nto o aparecimento d e o utras esp écies d e m ad eiras, com o seja m a faia e a roseira, em travejam entos e barrotaria, em substituição das originais, que se encontrava m degradadas e não ofereciam condi ções d e seguran ça. O s materi ais de reves tim entos e aca bam ento d e um m odo gera l são iguais aos u tilizados n o Continente: arga massas d e ca l em rebocos, painéis d e azulejos na d ecora ção d e p ared es, tintas de óleo na protecção c d ecoração da s po rtas, p orta d as e ja nela s e cal na s pared es. A telha tradicional é a d e canudo, qu e nos Açores, d evido às ca ra cterísticas d as argilas, é d e muito m á qu a lid ad e. Tem fraca resistência e grande p o rosidad e. Excep ção se fa ça à telha fabrica d a n a ilh a d e Santa Mari a, que sem ser excepcional é d e qualidad e superior à das restantes ilhas. No entanto, a su a cor escura e tex tura, que são caracte rís ti cas muito especiais d a p aisagem açoriana, e qu e in teressa sobrem aneira manter, Fig. 14, levaram a q ue o probl em a fosse estu dad o e tecni ca m ente encontrad a uma boa soluçã o, d epois de pond erados os facto res de ordem estética e económi cos. Assim, no reves tim ento d as novas cobertura s vêm a utili za r-se no cana l telha de ca nud o, importad a d o Continente, e telha regional, ara m ad a, na cobertura . Tem-se aconselhado também o uso d a te lha d a Região sobre chapa d e fib rocim ento com ondu lado a propriado. Deste modo ga rante-se es tanquidade sem a lterar a leitu ra arq uitectóni ca do edifício, Fig. 15. 4-

4.1 -

ANÁLISE DE DANOS

Nos edifícios de habitação

A d efici ente exec ução d as coberturas e o m a u estad o em que algumas se encontravam foram uma das prin cipais ca usas de mui tos d esmoro namentos e d e danos ca usad os na s cimalhas, efeitos consequ entes d os impulsos sobre as p ared es ao nível d a cobertura e transmiti dos por esta. A redu zida entrega d os elem entos es truturais dos p avime ntos às pared es resi tentes foi motivo pa ra o seu a batimento quando d o afastam e nto relativo das a lvenarias de sup orte, durante a ocorrência do sismo. A m á qua li dade das a lvenarias, com fracas arga m assas d e assenta m ento e ausência d e ligações nos cunhais e às pared es resistentes tra nsversa is p rovoca ram , na lguns casos, o d esab am ento comp leto d a construção, Fig. 16. A ex istê ncia d e po taletes e consolas de abastecimento d e en ergia eléctrica, encastrados nos cunhais dos edifício , motivou quase sempre a s ua ruína e na lguns casos mesmo o seu arran ca m en to das construções. Em edi fícios em banda con tínu a e sem confinam ento em tod a a su a altura, o não contraventam ento da s empenas, aliado à má qualida d e d as a lven ari as, foi a principa l causa d a sua ru ína . Re fira-se que o desm oronamento das empenas a rrastou consigo a cobertura d os prédi os vizinh os, tendo destru íd o em a lguns casos ed ifícios q ue, considerad os individ u alm ente, não teriam sofrid o q ua lquer da no, Fig. 17.

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Danos de menor importância, como sejam a queda d e chaminés e platibandas, múltipla fendilhação das alvenarias e d esa prumo de pared es, oco rrem pratica mente em todos os edifícios com es te tipo de construção.

4.2 -

Nos monumentos -

palácios e igrejas

Os danos mais comuns constatados nos edifícios monumentais foram: -

-

O aparecimento de fendas d e grande dim ensão nas alvenarias, com predominância junto aos cunhais, Fig. 18; O desa prumo das paredes ex teriores motivado nal guns casos por impulso da cobertura, noutros por deficiente ligaçã o d as pared es de alçado às paredes resistentes transversais, ou aind a por cedência d o terreno de fundação e rotação em torno da base, Fig. 19; Movimento dos arcos com deslocamento e queda d e paredes de fecho, Figs. 20 e 21; O esmagamento d e cantarias d e pilastras e cunhais por ter sido ultrapassada a sua capacidade de resistên cia à compressão; O d esmoronamento de coberturas (de madeira ou abóbadas de pedra), arrastando na queda os pavimentos subjacentes; A fractura de vergas d e portas e janelas, nalguns casos com desabamento, noutros provocando simplesmente assentamentos consideráveis, Figs. 22 e 23.

5 - CONSOLIDAÇÃO E RESTAURO DOS EDIFÍCIOS 5.1 -

Elaboração dos projectos e assistência técnica

A execução dos projectos de reconstrução dos imóveis classificados foi cometida a um Gabinete Projectista, contra tado para o efeito pelo Governo Regional, sendo a sua elaboração acompanhada e fisca lizada pela DRAC. A elaboração do projecto começa pelo estudo da vida e história do imóvel, procurando recolher todo o tipo de documentos, cuja informação é comparada com os vestígios postos a d escoberto pelo sismo e completados, se necessá rio e sempre que possível, com a pesquisa de elementos arquitectónicos no próprio edifício. De posse d este estudo solicita-se ao dono da obra o programa de utili zação, colaborando no entanto activamente na sua elaboração os responsáveis pelo projecto. A filosofia que orientou a elaboração dos projectos de arquitectura dos edifícios classificados teve como princípio fundamental o respeito pelas plantas originais, mantendo-se toda s as alterações arquitectónicas introduzidas pelos seu s utentes ao longo dos tempos e sempre que as mesma s forem consideradas de qualidade. Assim, os princípios gerais a que um projecto deste tipo deve ser obrigado são: -

-

Respeitar a arquitectura original, onde es ta não sofreu qualquer alteração; Refazer e reconstruir a arquitectura primitiva do edifício, nas zonas modificadas e em que se entenda que as intervenções efectuadas não tê m qualidade arquitectónica; Manter as alterações arquitectónicas de cada época d esde que tenham sido feitas de acordo com estudos bem elaborados e tenham reconhecida qualidade; Encontrar uma solução de consolidação, em que as p eças a executar não colidam nem destruam os elementos arquitectónicos ou estruturais originais;

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-

Preservar e restaurar todos os elementos de carpintaria autênticos (tectos, pavimentos, portas, janelas, armários, etc.); Introdução de novos elementos arquitectónicos quando para o funcionamento do edifício se tornem importantes, sempre utilizados de forma a respeitar os princípios atrás referidos.

Um dos maiores inimigos das obras de consolidação e restauro são os prazos que se estabelecem para a conclusão dos trabalhos, que obrigam a imprimir ritmos e métodos de laboração que não se com pad ecem com a minúcia e os cuidados exigidos na execução de um restauro de qualidade. Assim uma assistência técnica permanente a obras deste tipo é fundamental, pois, além de ser frequente surgirem, durante a execução dos trabalhos, novos elementos arquitectóni cos (arcos, janelas, portas, nichos, etc.), que depois de caracterizados obrigam quase sempre a remodelações do projecto, visando a sua correcta integração no edifício, permite um acompanhamento constante dos trabalhos. Uma fiscalização conhecedora e responsável p ela execução da obra é também importante, porque minimiza os erros e destruições causados por trabalhadores menos sensibilizados para este tipo de problemas. 5.2- Medidas cautelares de protecção

Antes mesmo da elaboração dos projectos de consolidação e restauro, os trabalhos de protecção e salvaguarda dos monumentos danificados devem fazer-se por forma a impedir uma degradação acelerada dos imóveis. Essas obras devem incidir fundamentalmente nos seguintes aspectos: -

Escoramento de pavimentos e coberturas, Fig. 24; Escoramento de arcos e vergas de portas e janelas fracturadas; Retelho e reparação das coberturas para evitar a infiltração da água das chuvas; Atirantamento e cintagem de paredes e cunhais para diminuir o risco de desabamento, Fig. 25; Desmontagem e remoção de todas as portadas e portas originais (interiores), para posterior utilização depois de restauradas; Caiação das cantarias exteriores para protecção dos agentes atmosféricos

A execução atempada destes trabalhos vai traduzir-se na redução dos custos da empreitada, não só pela facilidade na realização das intervenções previstas na obra como também pelos menores gastos nos acabamentos, devido ao melhor estado geral do edifício e dos materiais protegidos. 5.3 -

Soluções estruturais mais utilizadas

Para a escolha das soluções de reforço estrutural a aplicar na consolidação dos edifícios monumentais é muito importante ter um conhecimento profundo dos materiais usados na sua construção e do seu comportamento e muito especialmente sobre o seu estado de conservação e como se comportaram ao sismo os vários elementos construtivos e o próprio edifício. De posse d estes dados, que são de difícil caracterização, deverá proceder-se à verificação da segurança, qu e d ependerá da quantificação das acções, da escolha dos coeficientes e dos modelos de análise.

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Sobre este assunto aconselhamos a leitura do trabalho do Professor Engenheiro Júlio Apleton referente ao tema "Método de Análise e Verificação da Segurança da s Estruturas de Monumentos e Edifícios Históricos", realizado em ovembro de 1989, no LNEC. Porque as alvenarias são d e um modo geral de má qualidade (pedras não aparelhadas de dimensões mwto variadas e argamassas muito pobres), a consolidação por pregagem não se aconselha nestes casos, porquanto na abertura dos furos para ancoragem dos varões há grande dificuldad e de garantia da boa execução dos mesmos e não se consegue também controlar o material injectado na selagem, quer seja à base de resina epoxy ou pastas de cimento. Como exemplo refere-se que na consolidação da Igreja de S. Pedro, em Ponta Delgada, na selagem das fendas da abóbada da nave central, que foi feita com resina epoxy e poliester, gastou-se cerca de 10 vezes mais produto do que tinha sido considerado nas medições do projecto. o entanto, no reforço estrutural da Igreja do Carmo, da cidade da Horta, o projecto preconiza a consolidação da s alvenarias por pregagem, técnica que vai ser experimentada pela primeira vez nos Açores. A solu ção que tem vindo a ser mais utilizada no reforço estrutural dos edifícios monumentais danificados pelo sismo é, pode di zer-se, "tradicional". Consiste de um modo geral na introdução de elementos verticais e hori zontai s de betão armado ou pré-esforçado, que formam uma malha reticulada resistente de suporte e contraventamento de toda a construção, Figs. 26 e 27. A péssima qualidade das alvenarias associada ao mau estado das coberturas foi a causa que mais contribuiu para a destruição dos edifícios. Por este motivo todas as soluções adoptadas na reconstrução dos imóveis passam necessariamente pelo reforço das paredes, utiliza ndo processos construtivos que confirmam uma maior resistência à tracção. Mas a consolidação de fundações e o reforço e melhoramento da s estruturas de cobertura são também de grande importância. 5.3.1 -

Reforço de fundações

A consolidação das fundações dos edifícios é normalmente precedida de sondagens, realizadas localmente através da abertura de poços junto das paredes, que permitem avaliar não só as características do terreno de fundação mas também o estado em que se encontra a infraestrutura e o modo como foi executada, Fig. 28. Muitas vezes é necessário proceder ao reforço das fundações de paredes por não terem nem a profundidade nem a largura suficientes que garantam um razoá vel encastramento e uma aceitável degradação de cargas ao terreno firme. Esta consolidação é conseguida executando sucessivamente troços de aproximadamente 1 m de comprimento em qu e se descalça a fundação existente até à cota de projecto e se executa de imediato o enchimento com betão ciclópico. Nalguns casos é necessário introduzir vigas de funda ção, o que se consegue por justaposição de elementos prefabricados de betão li gei ramente armado, furados longitudinalmente e colados com resina epoxy, Fig. 29. O furo, depois de concluído o lintel, funciona como bainha de pré-esforço, Fig. 30. Também o reforço das fundações dos pilares dos arcos tem normalmente de ser feito, por razões que se prendem com o aumento da área das sapa tas e para contenção da fundação primitiva. A solução adoptada nestes casos é a construção de um anel de betão armado envolvendo a fund ação original e solidário com esta.

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O s trabalh os de consolid ação d as funda ções existe ntes, o u de construção d as d estinad as aos elem entos estruturais d e tra vam ento, são muito d e li ca d os e obrigam à ad o pção d e engenh osos processo con tru ti vos, sempre aco mpanh ad os na sua execu ção pelo projectista, resp onsável técn ico d o mpreiteiro e fisca lização, Fig. 31. Como al erta refere-se a ocorrência d e al gun s acidentes, sem consequências g raves, qu and o da reconstrução d e edi fícios d e h abita ção, sempre motivados por descompressão d os terrenos d e funda ção d o prédi o confinante e por não se terem tomado os cuid ados necessári os na execução d os traba lh os d e entivação e escoram ento, Fig. 32. 5.3.2 -

Reforço de alvenarias

Se as paredes estão aprumad as o primeiro tra ba lho a efectuar é a p icage m de rebocos antigos em profundidad e, acompa nhada d e lavagem p ara rem oção d os restos d o ma terial d e li gação, Fig. 33. Efec tu ad a esta op eraçã o é feito o reaperto utiliza nd o a rga m a sas hidráulicas com in corporação de aditivos d estinad os a evita r a retracção. Sempre qu e possível as argamassas são a pli ca d as com máquina d e projectar, equipam ento que garante mai or efi cácia no preenchim ento d os vazios. Se as pared es estão desaprumad as a op era çã o atrás referid a só é executada d epois d e recoloca das na vertica l, o q ue pod e se r feito d os segu intes m od o

a) Paredes muito danificadas Proced e-se nestes casos à dem oli ção com p oste ri or recon tru ção, utili za ndo sem pre que p ossível as mesm as pedras, Fig . 34.

b) Paredes com muitos elementos arquitectónicos Nestes casos faz-se o escoram ento e protecção d e todos os vãos e seguidam ente proced e-se à contenção das pared es com gr elha s m e tálicas form ad as por vi ga s 1 d e gra nd e secção. Realiza d o este trabalho é feito o atirantamento e o puxe, com m acacos "tire-for", d as grelhas construída s, que no seu movimento arrasta m as a lvenarias, aproxim and o-as da sua posição ori gina l. Não esqu ecer qu e, antes d e ser iniciad o o m ovimento d e rotação, há que libertar da pared e todos os ap oios da cobertura e p avimentos confin a ntes, Fig. 35. N o edifício do Palácio d os Capitães Generais proced eu-se ao aprumo d e uma p ared e do claustro (alvenaria d e pedra assente em arcos), por rotaçã o da s fundações. Este m ovimento foi conseguido colocand o sob a fundação dos pilares dos arcos "ma cacos d e bolacha" li ga d os em séri e, ma s pod endo op erar individualmente, Figs. 36, 37 e 38. 5.3.3 -

Reforço de pavimentos elevados e tectos

A estrutura de suporte d os p avim entos, principalmente nas entregas das vigas às pared es, está quase sempre muito deteriorada e não possui elementos de contraventamento. Para melhorar a estabil idad e dos pavimentos d e m ad eira faz-se o seu reforço com a introdução d e eleme ntos metá licos acompa nhados d a rep aração dos apoios da s vigas. N o res ta uro dos tecto a nti gos é u sual proced er-se à reparação d e todos os elem en tos e da form a originais, procu ra ndo substituir as p eças em falta por outras d e mad eira d a m esma qualid ad e. Es te tra ba lh o é moroso, requerendo, na mai or parte da s vezc , a d esmontagem comp leta d os tectos.

542


5.3.4 -

Coberturas

O clima extremamente húmido dos Açores, com alta plu viosidade associa da frequentemente a ventos muito fortes, aconselha, para evitar infiltração d e água da s chuvas, que as novas coberturas sejam executadas em laje d e betão armado, revestida com material tradicional, telha de canudo. Quando o vão é grande e a cobertura se d esenvolve a maior altura do so lo, a solução a adoptar d eve ser uma estrutura d e madeira ou metálica. No caso das igrejas da Sé, Colégio, S. Francisco e S. Mateus, foi utilizada uma estrutura metálica de asnas e madres com os restantes elementos de madeira para suporte d o forro e da telha, Figs. 39 e 40. Na consolidação e reforço das estruturas d as coberturas tradicionais e quando não houve possibilidade d e introduzir linhas ou atirantar as pernas das asnas, n ormalmente por imposições de ordem arquitectónica, a construção d e um linteJ de be tão armado no coroamento das pared es de alçado, dimen sionado para absorver os impulsos horizontais transmitid os pela cobertura, e no qual assenta o frechal, foi a solução. O melhoramento das ligações entre peças estruturais consegue-se com braçadeiras construídas em aço de construção, de execução simples. O mau estad o d as m ad eiras, especialmente dos apoios sobre as paredes, obriga à reparação das unh as e ao seu reforço com elementos metálicos. 6-

OUTROS TRABALHOS DE CONSOLIDAÇÃO E DE RESTAURO

A execu ção dos trabalhos de consolidação e de reforço estrutural dos edifícios classificados obriga à escolha de soluções muito especiais por forma a qu e toda a obra se d esenvolva sem ri scos d e danos para os elementos d ecorativos e arquitectónicos dos imóveis. Assim os escoramentos, protecção e resguardo de todos os elementos susceptíveis de serem danificados d evem ser cuidados, bem como se deve instruir e sensibilizar todos os trabalhadores para os cuidados a ter em obra e na preservação dos valores existentes. Trabalhos muito específicos e que requerem mão-de-obra especializada acabam por se torn ar correntes dado o grande número de edifícios a consolidar e restaurar. Referimos, por exempl o: - Resta uro de tectos antigos. - Restauro e reparação d e altares de talha. - Execução de tectos novos de madeira com variadas formas e desenhos. - Restauro de pinturas em paredes no interior dos edifícios. -Consolidação e refechamento de juntas em elementos de cantaria com resinas epoxy, poliester ou simpl esmente com pastas de cimento, Fig. 41. -Execuçã o dos lintéis pré-esforçados e respectiva s cabeças de ancoragem incluindo as operações de pré-esforço e injecção de pasta nas bainhas, Figs. 42 e 43. Porque consolidar e restaurar um edifício classifi cado é uma obra delicada, referimos algumas medida s que devem ser tomadas para minimizar os problema s que daí resultam. Assim: -

Escolha de uma empresa qualificada, munida d e um quadro técnico e d e pessoa l especializado e experiência na realização d e obras d e restauro; Garantia do acompanhamento técnico permanente da obra peJo projectista (condição que deverá ficar salvaguardada no contrato d e adjudicação do projecto);

543


-

-

Nomea ção ou contrata ção de uma fiscalização constituída por pessoal com conhecimentos técnicos e específicos na área do restauro e da defesa do Património Arquitectónico; Escolha do tipo de empreita da e prazo de execução da obra.

7 - CONSIDERAÇÕES FIN AIS Com este trabalho pretendeu da r-se a conhecer, de uma forma genérica, o modo como se tem vindo a fazer a reconstruçã o e o restauro dos edifícios monumentais atingidos pelo sismo, bem como alguma s das técnicas utilizadas na sua consolidação e quais as principais dificuldades encontradas na realização dos trabalhos. Como principal responsável pela fiscalização das obras de reconstrução dos monumentos e edifícios classificados danificados pelo sismo, não tenho dúvidas de que alguns erros terão sido cometidos especialmente na escolha de melhor solução para a realização de alguns trabalhos. Mas quando isto aconteceu foram ponderados os aspectos técnicos, os custos e os prazos de execução impostos. No entanto é com muita satisfação que ao fim de dez anos podemos dizer com toda a certeza que o balanço da reconstrução da cidade e de toda a zona atingida tem um saldo francamente positivo, Fig. 44.

Fig. 1 - Rua de Angra, após o sismo d e l Jan./80

544


Fig. 2 - Igreja dos Remédi os- Angra (um dos monum entos destruídos)

Fig. 3 - Freguesia das Doze Ribeiras (destruição quase total da constru ção)

Fig. 4 - Habitação rural - Alvenari a d e p edra seca e cantari a n o emolduramento dos vãos e cunhais

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Fig. 5 - Construção d e mad eira Habitação d e emergênc ia ju n to da casa em ruínas

Fig. 6 Casas re co ns truí da s e co mp ar ti cipada s ao abri go d~ Res. 42/80

Fig. 7 - Sede do Sport Club Lusitállia, após o sism o

546


Fig. 8 - O mesmo edifício (Sede do Sport Club Lusitánia ) reconstruíd o Ob ra co mpa rti cipada ao abrigo da Res. 43/80

Fig. 9 - Pa lácio d os Ca pitães Generai s Ob ra de co n so lid ação e res tauro

Fig 10 - Edi fíc io d e hab itação em Angra má qualid ad e

Alvenarias d e

547


Fig. 11 - Porta em cantaria. Pedra d e má quaJidade e em acelerada degradação

Fig. 12 - Edifício de habitação em alvenaria de pedra seca aparelhada (boa construção)

Fig. 13 - Cu nhal em ca ntar ia em degradação e deterioração aceleradas

548


Fi g. 14 - Cobertura trad icional em telh a regional

Fi g. 15 - An exos d a Tgreja d e S. Francisco- Revestim ento das novas coberturas co m telha d e canud o

Fi g. 16 - Ruína tota l da construção por má qualid ad e d os ma te riais e da técnica con trutivJ

549


Fig. 17 - Qued a de uma empena qu e arrastou consigo a cobertura d o prĂŠdio vizinho

Fig. 18 - Igreja de Miseri cĂłrd ia - Fend as d e grand es di mensĂľes, principa lmente jun to aos cunha is

550


Fig. 19 - Igreja de S. Go nça lo - Danos va ri ados. Múltipla fendi lhaçã o e desapru mo d e pared es

Fig. 20 - Desa prumo acentuad o d e um a das pared es d o Palácio dos Capitã es Generais

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Fig. 21 - Co n ven to d as Co ncepcionistas - Mo vimento dos arcos com d eslocamento e qu eda d e alguns elementos

Fig. 22 - Igreja da Miseric贸rd ia janela, com desabamento parcial

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Fractura da verga da


Fig. 23 - Igreja de S. Gonçalo uma porta

Fractura total da verga de

Fig. 24 - Igreja de S. Francisco Escoramento de arcos que am eaçava m ruína

553


Fig. 25 - Casa da Ru a de Jes us - Centro de Resta uro . Atirantamento e ama rração do cunhai

Fig. 26 - Igreja de S. Francisco Pormenor dos elementos estruturais de refo rço. Pila r e li ntel pa ra pré-esforça r

554


Fig. 27- Matriz da Praia- Pormenor d e execução do p il ar na fa chada

Fig. 28 - Igreja d e S. Fra ncisco- Poços para observação das fu ndações do edifício

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Fig. 29 - Elementos prefabricados para execução dos lintéis pré-esforçad os

Fig. 30 - Igreja matriz da Praia Lintel de elementos prefabricados em reforço de fundações

Fig. 31 - Igreja de Sé - Pormenor da fu nd ação d e um pilar so b uma pilastra existente

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Fig. 32 - Reconstrução de um edifício de habitação em Angra. Execução de escavações sem terem sido tomada s as devidas medidas de segurança

Fig. 33 - Palácio d os Capitães Generais gem d e pared es d e alvenaria

Picagem e lava-

Fig. 34 - Palácio dos Capitães Generais - Recons trução total d e paredes de alvenaria com reaproveitamento da s canta ri as originais

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Fi g. 35 - Pa lácio dos Ca pitães Generais - Arrum ação e esco ram ento d e alvenari as pa ra consolid i.lção e reforço sem demo li ção

Fi g. 36- Palácio d os Ca pitães Generais - Aprum o de um pilar po r ro tação de fund ações.

Fi g. 37 - Palácio dos Ca pi tães Generais - Aprumo de uma pa red e d e alvena ri a por ro tação d e funda ções. Pormenor d a fu nd açã o e d os macacos

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Ca i tães GeneFi g . 38 - Pa lácio ~rede d e LI Irais- Ap rumo d -o d e fu nd ações. .. . or ro taça vcnana P do "ma' caco d e b !ac ha )Jormcnor

. d e S Fra ncisco Fig 39 - Ig reJa · ,·lsna e ma. enor d a cabertu ra: Porm d res metá licas

5 Fra ncis co . . 40 - dIg cobertu reja d e ra.: va ras, ripas e Ftg enor a . Po rm fo rro d e made Jra

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Fig. 41 - lgreja d e S. Pedro - Ponta Del ga d a. Conso lidação e refo rço d e e leme ntos el e ca nta ri a co m res ina

epoxy

Fi g. 42 - lg reja ele S. Francisco Linte l pré-esforçado na bord adura da cobe rtura

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Fig. 43 - Ig reja de S. Francisco - Pormenor do m acaco de pré-esforço e da cabeça de ~ncoragem

Fig. 44 -

Pa lácio dos Capitães Generais reconstruído

56 1


RESTAURO E REESTRUTURAÇÃO (ANTI-SÍSMICA) NA RECUPERAÇÃO DE EDIFÍCIOS HISTÓRICOS NA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES Domingos A. Vaz jú nior*

INTRODUÇÃO Não pretendem os fazer uma síntese das técnicas aplicadas na recuperação d os edifícios histó ricos, a que nos temos d edicado neste últim os anos nos Açores, porquanto julgam os ser de maior utilidade, no âmbito d es te encontro, abordar o problema numa perspectiva mais alargada . Neste sentido va mos evid encia r os problemas mais significa tivos da reestruturação dos ed ifícios, face aos condicionalism os do "restauro", que em princípio d eve assumir um ca rác ter excepcional. Porém, numa área de importante sismicidade como é a dos Açores, verifica-se a necessidade d e dotar as es truturas clássicas de uma estrutura complem entar, qu e e m geral nã o se revela - não intencionalmente - mas que em alguns casos sobressa i da composição arquitectónica existente, expressando a sua funcionalidade estático-resistente e integrando-se harm oniosamente no conjunto. Outro condi cionalismo importante de reestruturação é o devido à existência d e revestim entos dos diversos elementos estruturais d a obra original, qu e podem corresponder a contributos valiosos d e diversas épocas, nos aspectos histórico e estético. Ainda podem ex istir elementos estruturais posteriorm ente executados, com vista a resolver defici ências estruturais, mas qu e se revelaram não só ineficazes mas contra producentes, dos pontos de vi ta estáti co e arquitectónico (claustros com gigantes) . Finalm ente no que se refere aos materiais clássicos, interessa notar que frequ entem ente as paredes d e alvenaria são facilmente d esagregáveis, sendo pratica mente impossível reutilizá-las com o elementos d e reforço estrutural. Ca be aqui di zer aind a que, sendo o solo ond e se encontra impl antad o o edifíc io um material estrutural, a sua natureza é muito importan te para a resposta din âmica às ondas sísmicas. ESTRUTURAS CLÁSSICAS COM COBERTURAS DE MAIOR PORTE

É necessário co nh ecer e estudar as causas da maior ou menor aptidão resistente dos diferentes tipos d e estrutura s, face às acções a que estão, e a qu e estiveram, sujeitos ao longo d os tempos. Os tipos correntes de edifícios esco lhidos nos quais se desenvolveram elementos estruturais clássicos mais significativos são os seguintes: a) Igrejas de três naves, com cobertura d e es trutura

trianguladas d e mad eira. b) Igrejas de três naves, com coberturas em a bóbada d e alvena ri a d e pedra regular. c) Igrejas de uma nave, com cobertura em abóbada de pedra a rtificial.

* Eng.QCivil, PT- Projec tos Técnicos

563


A cobertura d as naves, em qua isquer dos casos (referimo-n os ao corpo principal d o ed ifício), é a pa rte da constru ção mais importante na ga ra ntia d a funçã o estáti ca d aquele. As estrutu ra s d e cobertura d as igrejas d o tipo referid o na alínea a) sã o constituídas por sis tem as reticul ados qu e não ga rantem a necessá ri a ind eformabilid ad e nos seus planos, para as acções horizontai . (Sé de Angra, Igreja d o Colégio, Igreja d o Convento de São Fra ncisco, etc.) As estrutura d e cobertura das igrejas do tipo da alínea b) são cons tituídas por uma abóba da cen tra l e duas abóbadas cola tera is, como é o ca so d a Igreja Matri z d o Faial. N este caso os impulsos da a bóbada da nave central seriam a bsorvidos pelas naves laterais (ga lerias) e grossas pared es transversais d e separação d as capelas laterais. N o entanto a abóbada da nave central apresenta uma grelha d e betão armado, col ocada no intradorso (formando como qu e um cimbre) quando da s obras de reconstrução após o sismo de 1926. As estruturas d e cobertura d as igrejas d o tipo da alínea c) são constituídas por uma abóbad a d e pedra artificial (massame d e pedra, cal e barro), tendo sido utilizados, para o efe ito d e estabiliza r os impulsos, enchimentos de alvenaria d e pedra seca sobrejacentes às nascenças d a abóbad a, e grossas pared es laterais d e encontro. A necessidad e d e absorver os impulsos desta s abóbada s exigia o seu atirantamento ao nível d as nascenças, o que não seria conforme com a fun cionalidad e destes edifícios, e seria esteticamente uma intrusã o indesejável no espaço subjacente da s abóbada s. Assim, neste último tipo de igreja, e referind o-nos à Igreja Paroquial d e S. Pedro em Ponta Delga d a e à l.greja da Misericórdia em Angra d o H eroísm o, d evido à ced ência d as pared es, as abóbad as abriram fendas no intrad orso segundo a geratriz d o fecho e possivelm ente no ex trad orso, na zona dos rins, evoluind o esta ticamente para um estado de equilíbrio relativa m ente está vel, mas que nã o será sati sfatório, pelo m enos no que diz respeito à acção sísmi ca previsível. Em qu alquer d os tipos d e edifícios referidos, é importante notar que existem grand es va ria ções d e "massa e rigid ez", n os volumes que constituem, tendo como consequência, um a resposta dinâmi ca diferente das corres pondentes estrutura s. Efecti va mente as observações efectuadas aos edifícios atingidos pelo sism o d e 1980 na ilh a Terceira confirmam a sep aração d os corpos (volumes), d um m od o geral em zon as d e mai or fragilidade, onde se verifica ram elevadas tensões d e tracção nas alven ari as.

REESTRUTURAÇÃO E CONCEPÇÃO DE REFORÇO ESTRUTURAL A concepção d e reforço estrutura l tem-se basea d o essencialmente na necessidade d e d otar o edifício de uma estrutura complem entar da exi stente, d e modo que o sistema misto assim obtid o tenh a uma capacid ade res istente adequada aos esforços d e vidos a uma acção sísmi ca equi valente a uma aceleração horizonta l d o terreno da ordem dos 0.20 g d e inte nsidad e. este tipo d e projecto, as solu.ções d ependem principalmente d e um fundo intuitivo, baseado no conhecim ento profundo d os materiais, e duma larga experiência resultante d e observa ções d o comporta mento da estruturas, revelad o através d os da nos causad os pelos sism os d e certa magnihtd e. esta conformidad e, d as d iversas oluções ad optad as, m encionamos a seguir alguns tipos d e reforços correntemente mais u tiliza dos, tais co mo: -

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Lajes d e cobertura das naves laterais d e be tão a rmado pré-esforçad o, interligadas à cober tura reticulada m etálica da cobertura d a nave central com tímpa nos d e atirantamento de betão a rmado pré-e fo rça d o (Igreja d a Sé Ca tedral, Igreja do Colégio e Ig reja d e . Franci co).

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-

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1-

Abóbadas reforçadas por cascas de betão armado so brejacentes (e ad erentes) ao ex tradorso, cintadas por um anel d e bordadura de betão arm ado pré-esforçad o (Igreja Paroquial de S. Pedro em Ponta Delgada). Abóbadas reforçada s por cascas de betão armado, com os bordos d as nascenças nervurad as e pré-esforça dos, e tímpanos d e atirantamento d e betão armad o préesforçad o (Igreja da Misericórdia em Angra) . Lintéis de cintagem d e betão pré-esfo rçado (construção prefabricada, segmentada), introduzidos em diferentes níveis na s parede , cintando globalmente os diversos corpos d os edifícios, e mon olitizand o as alvenarias pelas compressões induzidas pelo pré-esforço. Montantes e pil ares d e tra vam ento das parede , interliga d os aos lintéis de cintagem. Paredes de cantaria pré-esforçadas vertica lmente (Paços do Concelho d e Angra do Heroísmo e Edifício da Administração Pública). Estruturas triangulada s d e betã o armado pré-esforçado, de contraventamento dos frontões (Sé d e Angra e Igreja da Misericórdia). Reforço de funda ções de calaustros e correcção d e d eforma ções das prumadas de pared es, p e la aplica ção s in croniza da d e ma cacos hidráulicos planos, nos embasamentos das pilastras (a la norte do Palácio dos Ca pitães Generais) . PALÁCIO DOS CAPITÃES GENERAIS

O edifício provém d o antigo Colégio dos Jesuítas d e An gra, construido entre 1638 e 1651, compreend endo hoje quatro alas d e 1.º andar, inscritas em planta num rectângulo d e 54.5 x 46 m, com um pátio interi or d e 29 x 17 m, sendo o pé-direito de 8.00 m . A ala norte, a que se refere es te projecto, desenvolve-se segundo uma planta rectangular co m 13.50 m de largura, di vidida por uma pared e longitudinal que define os espaços correspondentes ao Salão Nobre e Cla ustro. A estrutura d e cobertura era de madeira e in luía os tectos do tipo maceira, do sa lão e corredor adja cente. A parede exterior do claustro compreende as pilastras e arcos de cantaria, de tímpanos maciços, e a parede sobrejacente é de alvenaria de pedra. As pilastras têm uma secção de 1.10 x 0.80 m . Os arcos são de vol ta inteira, com 3.00 m d e diâmetro. É importante notar a construção posterior de elem entos de contraventamento, constituíd os por grossos gigantes d e alvenaria d e pedra aparelhada, nas prumadas da 2.ª e 5. ~ pilastras. Danos observados

O edifício, com cerca d e três séculos, tem sido danjficado por s ucessivos sismos e objecto d e reparações, d as quais a mai importante foi a con trução d os elem entos de contraventamento acima referid os, qu e após o si mo d e 1980 apresentavam, conjuntamente com o trecho de p ared e por eles limitad o, um d esa prumo da ordem dos 15 cm. Observa-se ainda uma situação de ruú1a generaJi za da da estrutura de madeira da cobertura da mesma ala, atingid a em certa medida pelo referido de loca mento. Concepção estrutural

A solução con cebida considera previam ente a consolidação das fundações das arcadas e o posicionamento correcto da parede sobrejacente.

565


A olu ção ad optada compreend e: a laje do pavimento do 1.'! a nda r q ue cobre toda a área d a ala, apoiada co ntinu amen te na s parede longitudina is e no tím pano das a rcada ; as lajes d e cobe rtura de betão arma d o complana res com as águ as do telhado, apo iada ta mbém continu amente egundo as me ma prumada s; o pil a res introduzid o nas par d es long itu dinais referidas, mo noliti ca men t li gado às laj . As lajes de cobertura ão a tirantada egundo os a linh a mento tra nsver ais d os pi la res, ao nível do coroamento dos p ilares interi ores. Os tirantes são d e betão p ré-esfo rça d o. Consolidação da s fund ações e recuperaçã o da s arca da s A 1.ª fase dos trabalhos onsi tiu na rem oção dos giga ntes e na montagem do escoramento das arca d as, tando e te apo iado directa m en te nas impostas dos arcos. Seguidamente p roced eu- e à consolidação d os pri m as d e fun dação das p ilas tras, por enca misa mento em betão, c em alguns ca os p roced eu-se m esmo ao recalçamento da fund ações, a té a tingir um solo mais compacto. Na 2.ª fase proced eu-se à execução de um anel de in tagem em be tão armado, en volvendo o embasa men to da pi las tra, apoiado no prisma d e fu nda çã o. Em ca d a anel, im ed iatam ente abaixo d o se u ba nzo inferior, foi deixada um a cavid ade no prism a d a fu ndação, d evid amente p osicionada, para permitir o alojamento d os m acacos p lanos. Fina lm ente, na 3.ª fase, procedeu-se à colocação de m a aco hidrá ulicos p lanos d e 60 tf, em nú m ero ad equ ad o, em ca da pi lastra e ao estabelecimento dos res pectivos circui tos hidrá ulicos. A bom bagem e consequente dilatação do m aca cos foi controlad a pela pressão d a bomba e pela vá lvulas individuais dos macacos, endo a acção d estes gra du a l c sin cronizada . O con trol o d a rotação da paredes foi efectu ad o por meio de fi os d e prum o, m ontad os nas pru m adas da pilastras, e logo que o po icio na m ento correcto foi a ti ngido, proced eu -se ao ca lçamento do anel d e cintagem e à inje ção das juntas, entre es te e o prism a de fund ação.

Fi g. 1.1 -

566

Planta geral d o r I c


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Fig. 1.2 - Plantas d a a l8 no rte do r/c e 1. 0 andar

Fig. 1.3 -

Indi cação d os x i>t ent es na s prumadas das pila stra s

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Fig. 1.4 - Corte transversa l da estrutura de cobertura

567


Fig. 1.5 Rota ção do embasa mento das pilastras do cla us tro

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Fig. 1.6 - Aplicação sincronizada d e ma cacos hidrá uli cos planos nos emba sa mentos das pilastras

Fig. 1.7 - Pormenor d e montagem de d o is ma cacos planos

568

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Fig. 1.8 - Anel de betão armado, de cin tagem do embasamento da s pi lastras

Fig. 1.9 - Deslocamento do anel de cintagem do e mbasamento das pilastras

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Fig. 1.1 0 - Obra concluíd a

569


2 - IGREJA DO COLÉGIO DOS JESUÍTAS

A Igreja do Colégio do Je uítas, que foi construída de 1638 a 1651, é um edifício d e alvenaria de pedra, baseado em três corpos prin cipais: Torres, Nave e Capela-M ar. O edifício te m um comprim en to d e 42 m, uma larg ura de 24 m e uma altura de 17 m, medida sob o fec ho da abóbada. As Torres atingem um a altura de 21 m . O corpo da Nave compreende: a nave propriamente dita, o transepto, as capelas c tribunas la te rais. O tecto da nave é constituído por uma abóbad a cilíndrica d e m adeira, a tira ntada ao nível das nascenças. As abóbadas das capelas c do tran septo são de alvenaria de pedra a parelhada, suportadas por paredes transversais d e separação, de 1.10 m de espessura . O tecto das tribunas é d e madeira, do tipo maceira, com o varedo da cobertura complanar com o da nave, d e ca rregando o tecto numa grossa pa rede sobrejacen te ao entabl amento da na ve. O corpo da Capela-Mor inclui anexos d e 1.º and ar, inserido a um e outro lad o d esta, com estrutura hori zontal organi za da com uma abóbada de alvenaria na capela, e pavimentos c telhados d e madeira nos anexos. As Torres confinam com a Nave na zo na do coro alto, através da integração das pa red es frontai s num a ú11ica, qu e con titui a fachada. As escada s são id ênti cas, d esenvolvendo-se cm torno d e um núcleo de ca ntaria oco, sendo este suportado pelas abóbadas subjacentes ao nível do coro alto. O coroamento das Torres é fechado por abóbadas e cornijas de bordadura, d e alvenaria de pedra . Danos devidos a eventos excepcionais

Como todos os edifícios, c ta igreja tem sido atingida por ucessivos sismos, interessando desta ca r em termos comparativos o sismo de Janeiro de 1951 (intensidad e sísmi ca d e gra u VTT MS, J. Agostinh o, 1955), com a destrui ção parcial do gradea mento d e pedra da Igreja, e o sismo d e Jan eiro d e 1980, que ca usou os seguintes danos: -

Fracturação d os troço - do coroamento da s torres, com d errocada parcial do gradea mento de pedra cuja alvenaria foi fortemente deslocada. Fracturas nas abóbadas d o transcpto, devido à tend ência da cabeceira da Nave em se separar do seu corpo. Fracturas nas abóbadas da s ca pelas la terais adjacentes às torres, d evido à tend ênci a d estas em se separarem do corpo da na ve. Fendilhação e d eslocamentos d e ad uelas de arcos, de cntablamentos, de vergas d e portas e janela s, etc.

Concepção estrutural

Idealizou-se um sistem a estrutura l tridimensional, introdu zido nas estruturas existentes, compreende ndo: monta ntes, lajes em betão armado, lajes de cobertura na s alas latera is do corpo da Nave, em betão armado pré-es forçad o, assim como arcos e contraventamentos de pe rfilados me táli cos na cobertura da ave propriamente dita. Na organização estrutura l d a cobertura d o corpo da Nave, neste tipo d e edifício, tem vindo a adoptar-se uma o lu ção qu e consiste em materializar os planos de cobertura d as alas, com lajes de bordo cngro ados pa ra acentuar a sua ri gidez, como vigas d eitad a , interligadas no vão da Nave pela e trutura contra ventada dos arcos metáli cos. A e tru tura

570


assim conseguida é s ustentad a nos bord os interiores por montantes fund ad os em d ormen tes contínuos sobrejacentes ao entablamento d a ave, permitind o assim remover grossas pared es aí existen tes, favorecend o o objecti vo d e a ligeirar ao máximo as ca rgas ao nível d a cobertura. Com pletam a estruturação hori zontal, na direcçã.o transversa l, os elementos d e contraventamento, d a fachad a e da cabece ira, incorporando-se nestas pared es uma grelha constituíd a por montantes e lintéis prefabri cad os d e betão pré-esforçad o. Na direcção longitudinal ad optou-se um a solu ção id ênti ca, evidenciando-se o facto d e que, em qu aisqu er d as direcções, os cabos d e pré-esforço constituem um si tema d e cintagem global dos corpos d o edifício. Descrição sumária das estruturas

A es trutura complementar horizontal d o corpo d a Nave, na direcção longitudinal, d esen volve-se ao nível d o fecho d as abóbad as d as capelas laterais e nos planos d a cobertura, nas áreas co rrespondentes às a las d as tribun as. No p a vimento d as tribunas (fecho das abóbad as) são ins talad os dois tirantes d e betão por ala, com um pré-esforço total de 70 tf. As lajes in clinad as da cobertura têm uma espessura d e 0. 15 m e bordos (banzas) engrossad os, abrangend o um a secção horizontal de 0.60 x 0.30 m . Essas lajes são d e betão armad o, com um pré-esforço apli cad o de 140 tf por laje, vencendo um comprim ento total de 30.50 m (incluind o a travessia d as torres) . As p ared es interiores da Na ve são coroad as por um d ormente de betão armad o, de secção 1.15 x 0.30 m , sobrejacente à cornija d o entablamento da Nave, ao qual fica aferrolhad o. Deste d ormente nascem pilares curtos d e secção 0.60 x 0.60 m, localizados nas p rumadas d as pilastras, que suportam pontualmente o bord os interi ores d as lajes referid as, e o arcos metálicos d e reforço d a cobertura d a Nave. Este reforço compree nde cin co arcos metáli cos d e 12.00 m d e vão e 4.70 m d e flecha. As m adres metáli cas locali zam-se aproximadam ente a terços d o vã.o e suportam directamente o va redo da cobertura ex i tente. O vãos de co ntraventamento são constituídos por d iagonais, nos planos d os rins dos arcos e nos p lanos d as vertentes d a cobertura. A es trutura d o corpo das Torres compreend e m ontantes verticais d e betão armad o, localiza d os no seu perímetro, estando estes ligad os à fachad a por meio d e lintéis prefabri cad os de betão pré-esforçado. Estes irão d esen volver-se por três níveis (fundações, coro alto e sineira), sendo o va lor d e pré-esforço aplicado em cada nível d e 140 tf. As lajes d os diversos níveis d as Torres são de betão armado, e o núcl eo central das escadas é suportado por um tirante verti ca l d e betão p ré-esforça d o, com secção correspondente ao oco existente na ca ntaria. O cabo d e pré-esforço aplicad o é d e 55 tf, send o ancorad o na laje do pavimento d a sineira. O sistema d e contraventam ento d a ca beceira da Nave é su portado por dois pilares d e betão armad o, recuad os d e 1.30 m em relação a essa empena, estand o loca lizados em planta nos únicos espaços disponíveis. Até ao nível do J .º and ar, os pilares têm um a secção de 2.40 x 1.15 m, onde se d esd obram em d ois elem entos gemin ad os de 0.30 x x 1.15 m até ao nível d a padi eira das aberturas d e iluminação existentes, a partir d o qual se abrem em dois ramos (formando um V): um na direcção da empena da Nave e outro na direcção d a Ca pela-M a r. Ao nível d o fec ho d o arco da Capela-Mar, desen vo lve-se um lintel (linh a d o sistem a d e contraventamento) d e 0.80 x 0.35 m , ao qual se aplica um préesforço d e 140 tf. As fund ações d os pilares são constitu ídas por sa patas com uma área d e fundação d e 2.10 x 5.65 m.

571


Fig. 2.1 -

Da nos na Igreja do Colégio

Fig. 2.2 Al ça d o esqu emático do reforço estrutural da fa chada

Fig. 2.3 - Execução de mo ntan tes e lintéis da fachada

572


Fig. 2.4 - Atirantamento ve rti ca l do nú cleo d e ca ntari a da s escadas da s torres

CORTE LONG I TUDINAL ESQUEMA ESTÁTICO DE PR~-ESFORÇO RELATIVO A METADE DO EDIFICIO

Fig. 2.5 -

Igreja do Co lég io

573


Fig. 2.6 -

Pormt:nor da es trutu ra su porte da ca becei ra

Fig. 2.7 - Plantas aos níveis d e funda çf>es e coro alto

Fig. 2.8 - Corte transver~al do reforço es trutura l el a cobertura

574


9 Estrutura d e madeira d a Fig. 2. -~ . ga leri as cobertura ua 5

Fi g . 2.10 _ I 路cto c ga lerias

madeira das

Fig. 2.11 _ Obra cO ncl u铆da

575


MEMÓRIA A O. PEDRO IV EM ANGRA DO HEROÍSMO

3-

A Memória a D. Pedro IV é um monumento construíd o no século XIX em alvenari a d e pedra, de forma basead a numa pirâmide quadrangular de 23.00 m de altura, erigido na colin a do minante d e Ang ra d o H eroísmo. Descrição sumária da geometria O volume do monumento compreende: a pirâmide da agulha, de base quadrangular com 3,20 m d e lado e 13.00 m de altura; e o plinto de secção quadrada de lado variável com 3.50 m no coroamento a 6.60 m na base e de 10.00 m de altura . O plinto é constituíd o por troços alternados de troncos d e pirâmide e de prisma, que dão continuidade à forma baseada na pirâmide. A agulha é d e alvenaria de pedra aparelhad a e o plinto é um núcleo oco d e alvenaria de pedra irregul ar, forrado a cantaria, estand o todo este conjunto assente num prisma de fundação, d e alvenaria de p edra arrumada à mão, atingindo uma profundid ad e d e 3.00 m. Danos devidos a eventos excepcionais O monumento, com idad e próxima dos 100 anos, tem sido atingido por sucessivas tempestad es e sismos. Pela importância dos danos causados des tacam-se, em 1912, a queda dum rai o que produziu um importante rombo no plinto, e o sismo d e Janeiro d e 1980, que ca usou os seg uintes danos: -

Seccionamento transversal da agulha em três troços com rotação em torn o do eixo vertical e queda d o troço s uperior. Seccionamento transversal de parte do troço do plinto subjacente à agulha, com rotação em torno do eixo vertical. Deform ação e derrocada parcial da s zonas vizinhas da aresta na scente / poente do troço da nascença do plinto. Fendilhação generaliza da.

Concepção estrutural A possibilidade d e introduzir um núcleo tubul ar de betão, no oco existente numa exten são de 40 por cento da altura acima do terreno e a toda a profundidade de fundação do m onumento, permitiu organi zar uma c trutura vertical, que assumisse praticamente tod a a capacidade resistente, para a actu ação d um sismo. Por outro lado, no troço do coroam ento, na extensão da pirâmide maciça da agulha, a integração de montantes de betão pré-esforçado segund o a arestas, completaria a estrutura vertical resistente. Descrição sumária das estrutura s A es trutura é fo rmad a por um núcleo tubu lar de secçã o quadrada, de betão armad o pré-esforçado, no troço d o plinto, da cota - 3.00 a + 10.00 m, e em continuidade no troço d a agulh a por um sistema de quatro montan tes (espias) de betão pré-esforçado, inclinados segundo as arestas d a pirâmide e convergentes num bloco de betão armado à cota + 16.30 m .

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O troço prefabricado da ponta da agulha compreende três segmentos ocos de tronco de pirâmide, até à cota + 22.00 m, em betão armado, solidarizados entre si e com a estrutura subjacente por meio do pré-esforço axial de um cabo de 4515. O pré-esforço do núcleo compreende oito cabos de 7515, situando-se as ancoragens inferiores ao nível de- 1.00 m, numa zona acessível, permitindo as operações de pré-esforço de acordo com o avanço da obra. A secção transversal do núcleo é quadrada, com 2.30 m de lado e 0.25 m de espessura de parede. Os monta ntes têm uma secção quadrada de 0.25 m de lado. Finalmente, o troço prefabricado da agulha tem 0.10 m d e espess ura de parede. A solidarização das alvenarias do monumento à nova estrutura é obtida por aferrolhamento da alvenaria ao núcleo de betão e pelo contraventamento desta, no troço d~mon~n~sdebe~o.

O prisma d e fundação é cintado exteriormente por um anel de betão armado, entre os níveis das cotas - 0.60 m a + 1.40 m .

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... Fi g. 3.1 -

Danos no monumento da Memória

Fi g . 3.2 - Porm enor do núcleo interior d o plin to do monum en to, ilustrando o d esen volvim ento da escada como meio auxil iar de construçã o

577


Fig. 3.3 -

578

Vi ta dos danos no monu mento ond e se evidencia: seccionamento, rotação e queda do troço superio r da ag ulh a


--- ·- ... ... ...

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Fig. 3.4 -

Solu ção de reforço estrutural

Fig. 3.5 -

Obra concl u ída

579


4-

IGREJA DA MISERICÓRDIA

A Igreja da Misericórd ia é um edifício do século XV III, de alvenaria de pedra, com base em três corpos principais: Torres, Nave e Capela-Mor. O edifício tem um comprimento de 49 m, uma larg ura de 20 m e uma altura de 23 m, medida sob o fec ho da abóbada da Nave. As Torres da igreja atingem uma altura de 30 m. A Nave desenvol ve-se segund o uma planta rec tangular, sendo a cobertura formada por uma abóbada cilindrica de ma ssa me de cal , provavelmente com cimbre d e madeira incorporado. Apenas as nascenças arrancam do entablamento da Nave em a lvenaria de pedra, o que aliás se verifica dum modo gera l nas restantes zonas abobadadas do edifício. As paredes laterais são constituídas por panos resistentes de alvenaria de pedra aparelhada, com uma espessura total de 2.50 m, que se reduz à espessura d e 0.75 m no pano exterior dos vãos das arcada s múltiplas dos altares e galerias. O corpo da Capela-Mor inclui anexos de l.Qandar com estrutura horizonta l organiza da com abóbadas de a lvenaria de pedra ou massame de ca l. Estes elementos suportam em geral pavimentos e coberturas através de enchimento dos tímpanos ou de elementos resistentes de madeira . O volume central do corpo das Torres compreende essencialm ente duas abóbadas, suportes dos pavimentos do coro e do terra ço, com os encon tros contid os pelos volumes das Torres. Danos devidos a eventos excepcionais

Como tod os os edifícios desta cidade, esta ig reja tem sido a tingida p or sucessivos sismos, entre os quai s se destacam, pela sua intensid ade, o si mo de Janeiro d e 1951. (intensidade sísmica de grau VIL MS, j . Agostinho, 1955) com a queda de um ornamento da torre esqu erda , e o ismo de Janeiro de 1980 que ca uso u os seguintes danos: -

Corte pela base da s cúpulas do coroamento das Torres, com deslocamentos de translação e rotaçã o. Fracturas e deslocamentos do troço superior das Torres. Fracturas de separação das Torres, na ligação ao corpo da Nave e ao corpo entre Torres. Fracturas verticais na face saliente exterior da pilas tra interior dos vã os correspondentes à ligação das capelas primiti vas. Fracturas segundo o fecho da abóbada da Nave e segundo a directri z, nas zonas ad jacentes aos tímpanos. Fendilhação generalizada d e paredes, arcos, entablamentos, etc.

Concepção estrutural

Idealizou-se um sistema estrutural tridim ensional, introduzido nas estruturas existentes, çompreend end o montantes, abóbadas e lajes em betão armado; lintéis prefabricados de betão pré-esforçad o e vigas d e betão armado pré-esforçado . A organização estrutural

580


dos diversos corpos fundamenta-se essencialmen te na materialização de diafragmas hori zontais - abóbadas, lajes e cobertura s prismáticas - e na interligação d os corpos a vários níveis por tirantes previamente comprimidos. Os m ontantes resistentes, situad os nas paredes periféricas, além d e funcionarem como elementos de trav amento em geral particularmente pela sua localização na s zonas d e separação dos corpos, permitem acopular estes, a vários níveis, através da ancoragem neles dos tirantes pré-esforçados. Descrição sumária das estruturas

A estrutura d e cobertura d o corpo da Nave é constituída basicamente por uma casca nervurada de betã o armado, aderida ao extradorso da abóbada existente, com os bordos das na scenças nervurada s de betã o armado pré-esforçad o, dotada d e tímpanos d e atirantamento em betão armado e pré-esforçado integrados nos topos da abóbada. As vigas de bordura têm uma secção em L ao baixo, com 2.00 m de alma na hori zontal, 1.10 m de banzo na vertical, e assentam sobre o coroam ento da s pared es periféricas longitudinais. Os tímpanos d e atirantamento são constituídos p or sistemas triangulados d e betão armado com as linhas, prefabricadas, pré-esforçadas com 130 tf. o pavimento da s galerias, desenvolve-se em tod a a ex tensão da Nave um lintel de betão armado pré-esforçado com 230 tf, por cada galeria. A estruturação hori zontal do corpo das Torres, d esenvolve-se em cinco planos: nível do coro, nível intermédio, nível do terraço, nível das sineiras e nível do coroamento (nascença d as cúpulas). No nível subjacente ao coro desenvolve-se uma casca de betão armado aderente à abóbada, com tímpanos e testas ligad os à laje do coro. Esta apre enta-se interligada ao lintel d e cintagem da s Torres, estando pré-esforçad o com 190 tf. No nível intermédio a cintagem é estabelecida por lintéis idênticos. Ao nível subjacen te d o terraço, desenvolve-se uma abóbada de betão armado, com os tímpanos e testas monoliticamente ligados à laje d o terraço. Esta laje apoia nas paredes periféricas, à excepção do apoio interior que é susp enso no tímpano adjacente da Nave. Finalmente, ao nível das sin eiras, d esenvolve-se uma laje d e betão armado em cada uma das Torres, interligadas em con tinuid ade por um passadiço adjacente ao frontão, d e 0.90 m de largura, e pelas barras horizontais de contraventamento do frontão. Da es trutura co mplementar da Capela-Mor, inter essa notar a estrutura d e con traventamen to da empena d es te corpo, constituída com sistema reticulado de montantes de betão armado e lintéis pré-esforçados com 70 tf, desenvolvendo-se em dois níveis. Completam a estrutura d este corpo o pa vim ento e a cobertura d a sa la sobreelevada, constituídos respectiva mente por lajes planas e lajes complanares com as águas do telh ad o, cintadas por um anel d e bordadura de betão armado.

581


Fig. 4. 1 - E q uema per pec tiva d o do reforço es trutura l do co rpo da s torres

Fi g. 4.2 - Igreja d a Misericó rd ia Angra do Heroísmo (Da nos n ~s to rres e frontão)

Fig. 4.3 -

582

Planta ao nível do r/c


Fi g. 4.4 _ Pl anta ao nível d o coro a lto

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Fig. 4.5 _ Pla nta da cobertura

Fi g. 4. 6 - Co ntrave nta mento do fro ntão

583


Fig. 4.7 - Co rtes esquemáticos do re forço estrutural

Fig. 4.8 - Corte esquemá ti co d o escoram ento da abóbada '

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Fig. 4.9 - Corte trans versa l do reforço estrutural da abóbada

584

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Fig. 4.10 - Tímpano do reforço estru tural da abóbada

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orte trans ver a! do Fig. 4.1 1 refo rço es tru t u ra l da sa la sobreelevada

5 - SÉ CATEDRAL DE S. SALVADOR A Igreja da Sé de Angra, cuja cons tru ção decorreu entre 1570 e 1618, é basea da num tipo d e basíli ca de três naves compreendendo três corpos principais: Torres, Naves e Coro/ Abside. O edifício tem 65 m de comprim ento, uma largura de 25 m e uma altura de 33 m. Além dos corpos referidos, constata-se a existência d e ca pelas ad jacentes inseridas a um e outro lado d o corpo das aves, assi m como uma edificação de dois pisos (sacristia no r /c) agregada ao lado esquerdo do corpo d o Coro / Abside. As Naves desenvolvem-se segu ndo uma planta rectangu lar, separadas entre si por grossas arcada s sobre pilastras. A cobertura é su portada por uma es trutura tri angulada d e mad eira, apoiada ao coroam ento dos timpanos da s arcadas e nas paredes exteriores. Estas são constituídas por panos resistentes de alvenaria de pedra aparelh ada, com uma espess ura total de 1.20 m . O corpo do Coro/ Absid e inclui o dea mbulatório na largu ra correspond ente à Nave Central e selas anexas de 1.º and ar em ambos os lados, no prolongamento das Naves laterais. Os tectos do Coro e d a Absid e são constituíd os por uma abóbad a cilíndrica

585


rematada por metad e de uma cúp ul a esférica. O tec to do d ea mbul atório é consti tuído por uma abóbada, q ue rod ia todo o espaço anterior. Sobre os tectos e pared es de contorno assentam as es truturas d e madeira d os telhad os corres pond entes aos espaços referi dos. Na fachada elevam-se duas Torres confinando o volume centraJ ao Coro Alto. As Torres d esen volvem-se em 4 nivcis: coro aJ to, terraço, pavimento d a sineira e d o coroamento. A comuni cação vertical alé ao 2.ª nivel é estabelecida unicamente através d a escada contida na Torre d ireita (NVJ), sendo os restantes níveis acessíveis por escadas de ca racol localizadas nos ca ntos interiores opo tos aos cunhais de cad a Torre. A Torre direita (NW) é constituída por um nú leo de alvenaria com espessuras de parede de 1.80 m /2.00 m até ao nível do piso da sineira, c 1.75 m no troço resta n te. A Torre esqu erd a (NE) difere da Torre d ireita essencialmente nos dois troços da base, definidos pelo 1.º e 2.!2 níveis. Danos devidos a eventos excepcionais Como todos os ed ifíc ios que têm sido a tingidos por sucessivos sismos, e não tendo ido possíve l identificar eventuais d a nos então verificado , iremos referir apenas os danos mais importantes causados pelo sismo de Janeiro d e 1980. -

Fendilhação e desloca m entos nos troços li vres das Torres e no fro ntão, com fracturas importantes nos fechos d os arcos d as aberturas e roturas de separação nas zonas d e ligação às paredes das aves e ao frontão. - Fendilhação e d eformação nos troços in fe ri ores d as Torres, no fec ho e tímpanos d a abóbada d o Coro Alto, p or eles confinada, e frac turas d as vergas d as aber turas. - Fend ilhação vertica l nos âng ul os reentrantes d os ca ntos interiores d as pilastras da Torre esq uerda ( E) ao níve l do Coro Alto. - Fend ilh ação e d efo rm ação da ca beceira d as aves, traduzida pelas fra cturas de vergas das aberturas e qued as de elementos orn am entais. -Derrocada do cunha! SE d a ga leria exterior de acesso ao 1.º andar do corpo da sacristia c fend iUação das paredes d este anda r, particularmente nas paredes adjacentes. A derrocada da Torre esquerd a (NE) viria a consumar-se pos teriormen te, em Julh o d e 1983, d urante os trabalhos de co nsolid ação. Veri fico u-se uma rotura progressiva d os el ementos es truturais do troço da Torre ao níve l d o Co ro Alto, com visível desloca mento da pedras da cornija adjacente ao cunh a! SE, até à qued a da Torre e desmoronam ento d o corpo d o Coro Alto, por assenta mento (provocado pelo atirantam ento existente, d este corpo à torre). Embora o corpo espacial de am bas as Torres seja idêntico, a Torre esq uerd a (NE) apresenta uma singularidade es tr utu ra l nos d ois pisos inferiores. Efec ti va mente as ca racterísticas geométri cas do núcleo são mod ificadas em consequência da introdução a esse níveis d e abóbada s de ares ta uportadas por qua tro arcos d e perímetro. Estes arcos ão im plantados à Ctista da redu ção d e espessura da parede de 2.00 m para 1.20 m , excepto nos encontros das na cenças dos arcos, ond e se formam cantos reentrante , que se revelam como pilare suporte do arcos. esta conformidad e, verifica-se uma concentração de esforços nessas prumada , que devido à acção sísmica provavelmente originou uma situ ação de rotma por comp ressão sem haver propriamente esmaga mento, evoluind o e taticamente tod o o conjunto estrutural p ra um estad o de equilíbri o d efi ciente. Finalmen te importa r fer ir a posterior ocorrência d e um vio lento incêndio que d e truiu tod os os reve tim ento (talha d as parede e tectos) e estruturas de madei ra d as coberturas.

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Concepção estrutural

Os núcleos d as Torres são constituídos por estr uturas reticulad as tridimensionais d e betão armad o, li ga d os em continuidade com a es trutura do corpo d o coro alto. Ao nível d os pisos a estrutura hori zontal é ma teriali zada por la jes d e be tão armad o. Da construção existente conserva-se apenas a pared e adjacente d a nave central, com as arcadas e pil astras d o Coro Alto . Na organiz ação estrutural d o corpo da s Na ves, a soluçã o consiste essencialm ente em ma teriali zar os planos da s coberturas d as na ves laterais com lajes d e betão arm ad o prées força d o, sendo es tas d e bordos en grossad os pa ra acentuar a sua rigidez como vigas d eitadas interli gad as no vão d a n ave central pela estrutura contraventada de asnas metálicas d a cobertura. As estruturas assim obtidas apoiam-se interiormente nos tímpanos d as arca d as e ex teriormente nas pared es. Os tímpanos referidos são contraventad os por montantes fundados nas impos tas d os arcos e por lintéis contínuos, prefabri cad os, d e betão pré-esforça d o, sobrejacentes ao fecho dos a rcos . Compl etam a estrutura, na direcção transversa l, os elem entos d e contraventam ento da cabeceira e fachada, in corporand o-se nestas p a red e uma g re lha co ns tituíd a p or montantes de be tão armad o e lintéis prefa bricad os d e betão pré-esforçad o. Pa ra as pa red es ex teriores longitudinais, ad optou-se uma solução id ênti ca sendo importante no tar qu e todos os cabos d e pré-esforço longitudinais an coram no corpo d as Torres, garantind o ass im o acopul amento global d os corpos nas zonas d e intercepção d estes. As soluções ad optad as para a organização d o reforço es trutural d os restantes corpos segu em as m esmas direc tri zes. Descrição sumária das estruturas

A estrutura d e cobertura d o corpo d as Naves, nos espaços d as naves latera is, é constituíd a essencialmente por lajes compla nares com as vertentes, tend o 0.20 m d e espessura na zona corrente e engrossa ndo n os bord os d e ap oio sobre as pared es. As lajes são d e betão armado, com um p ré-esforço d e 480 tf por la je. Em paralelo e ao m esmo ní vel, d esen vo lve-se sobre o fecho das arcadas u m lintel co m uma secção de 0.60 x 0.30 m , prefabricado, de betão pré-esforça d o com um esforço aplicad o d e 100 tf. Em corresp ondência com as pilastras d as arca d as, es tabelece-se um a triangul ação transversal qu e compreende tira ntes IG REY 160 d e ligação entre o bordo inferior d a laje e o lintel d o fecho; monta ntes d e 0.60 x 0.60 m d e betão armad o d e ligação d este ao bordo superi or d a laje; travessas inseridas na laje d e 0.60 x 0.40 m. A estru tura d e cobertura do corpo d as Naves, no espaço d a nave central, é constituída por seis asnas metálicas com um afas tam ento correspondente à modul ação das a rcad as, vencend o um vão d e 11.00 m . As madres são co ns tituíd as por perfil ad os metáli cos, assim como os contraventamentos vertica is e horizontais. Es tes são a ncorados nos elemen tos d e reforço estrutural d as pared es de topo d a nave. O tímpano d e contraventa mento d a cab eceira d as naves é constituído por sistemas triangul ados d e betão armado, com as linhas prefabrica das (lintéis d e 0.60 x 0.30 m) pré-esforça d as com 240 tf. Os ca bos d e pré-esforço d o l.intcl so brejacen te ao arco d a capela-mor desenvolvem-se para ambos os lados, infl ectind o sucessivamen te a través d o extradorso dos a rcos botantes e pared es de empenas das ca pelas laterais, ancora ndo num ma ciço de betã o subja cente à fundações d as pa red es.

587


Os núcleos das Torres são de betão armado, apresentando uma planta rectangular com as dimensões de 6.70 x 7.80 m, e uma altura total de 24.60 m acima do solo e 2.00 m abaixo. São constituídos por quatro pilares, localizados nos cantos, com uma secção quadrada medindo os lados 1.35 m até meia altura, 1,25 m no quarto seguinte e 1.15 m no último. As lajes dos pisos têm uma espessura de 0.20 m e apoiam monoliticamente nas vigas de perímetro dos núcleos, que têm uma secção de 0.50 x 0.90 m. A es trutura do Coro Alto compreende basicamente dois pórticos paralelos às torres, ligados na direcção tran sversa l aos pórticos anterior e posterior das torres, por vigas em con tinuidad e, aos níveis dos pisos do coro alto e do terraço. Os pilares da fachada localizam-se nas pilastras das arcadas e são rectangulares, com as dimensões d e 0.35 x 1.75 m, 0.35 x 1.00 m e 0.35 x0.80 m, respectivamente nos troços do r I c, coro e frontão. Os pilare.s posteriores localizam-se nos nembos da parede da nave central, com uma secção d e 0.35 x x 0.70 m e 0.35 x 0.90 m, respectivamente no r I c e coro. As vigas que form am os pórticos têm uma largura de 0.35 m e altura variável, adaptada ao extradorso das abóbadas dos tectos. As vigas que estabelecem a continuidade nos planos da fachada e no posterior, ao nível do piso do coro alto, têm uma secção em I de 0.50 x 1.80 m. A abóbada cilíndrica do tecto do coro tem uma espessura d e 0.10 ; arranca dos banzas inferiores destas vigas; tem um raio d e 2.90 m; um a abertura d e 5.69 m e uma flecha de 2.35 m. Ao nível do coroamento do frontão, os pilares acim a referidos são liga dos por uma viga em I, com 0.80 x 1.65 m de secção, qu e sustenta a sineira do frontão. As fundações dos núcl eos d as Torres e dos p órticos intermédios são constituídas por lajes vigadas d e 0.70 m de espess ura. A parede da nave adjacente ao corpo da s torres é englobad a na organiza ção estrutural referida, à excepção da zona acima d o terraço. Esta é d otada d e uma estrutura d e contraventamento que compreende um lintel d e atirantamento das torres, com uma secção de 0.80 x 0.35 m , pré-esforçado com 240 tf. Acima d este nível desenvolve-se no espaço uma estrutura triangulada de atirantamento do frontão, de betão armado, com as linhas pré-esforçadas ancorada s ao lintel referido.

Fig. 5.1 -

588

Dano causados pelo sismo de 80, na Sé d e Angra


fig. 5 .2 Turr

Fi g. 5.3 -

Esco ramento do corpo das

Derrocada da Torre e querda ( E) e d o Coro Alto

fig. 5.4 - Dan os nas pa red es da nave la teral esquerda , adjacentes Ă  Torre d erroca da

589


Fig. 5.5 - Após o incêndi o, qu e de~ ­ truiu reves t-im entos de pared es, tectos e cobertura das naves

Fig. 5.6 -

Execução d o corpo das To rres

Fig. 5.7 - Execução dos monta ntes, lin téi s e cobe rtura d a nave la te ra l esqu erda

590


Fig .

~ 8 :J.

Obra concluíd a

Fi g · ::>. ~ 9 Cortes er . Torres ao nív l p . spectJ va d os das mostrand o , e 0 r /c e do coro alto ' " const1t · UJ Çao estrutural o ri gi na l. Ass in a 1a-se a z · . · o cunha! d a T ona interi or d . . N E f ortemente orre a mfl ca do p · . d e1.o Sismo

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Fig. 5.1 0 - Fund a d as Torres 'çoes do corpo

591


Fi g. 5.11 -

Escada da Torre direita

(NW)

Fig. 5.12- Estrutura triangulada d e atira ntamc nto do Front達o

Fi g. 5 .1 3 - Ati ran tamento do Fron t達o

592


Fig. 5.14 - Corte transversal da estrutura de cobertura das Naves

Fig. 5.15 - Reforço estrutural da cabeceira das Naves

6 - PAÇOS DO CONCELHO DE ANGRA DO HEROÍSMO Os Paços de Concelho de Angra é um edifício de 1 f2 andar construído em meados do século XIX, em alvenaria de pedra aparelhada. A planta é trapezoidal, medindo o lado menor 37.0 m e o maior 44.5 m, correspondentes respectivamente à fachada e parede posterior. Apresenta um comprimento de 21.5 m e uma altura total, medida sob a fileira, de 16 m. As paredes d e perímetro têm uma espessura de 0.90 m e as paredes interiores, transversais e longitudinais, têm uma espessura de 0.60 m . Os pavimentos do 1.º andar e do sótão são constituídos por soa lho sobre vigamento d e madeira. A cobertura é de quatro águas, sendo a estrutura suporte do varedo constituída por um sistema de vigas (madres) de madeira apoiada nas paredes tran sversais em elevação e escoras, formando um conjunto triangulado em determinadas zonas.

593


Danos devidos a eventos excepcionais

Referiremos apenas os da nos causados pelo sismo d e 1 d e Janeiro d e 1980, assim como os d anos d evidos ao ma u estado de conser va ção: -

-

Fracturas e des locamentos importa n tes nas pared es em elevação (acima d o pa vimento do sótão), suportes d e estrutura d e cobertura, com especial in cid ência nos arcos das aberturas d e circula ção do sótão. Fendilh amento d e algumas zon as d a p la tiban da. Desloca mento ou d errube d e elem en tos d ecora tivos. Mau estad o d e conser vação d a zon a d e apoio nas pared es ex teriores; das pern as, rincões e vigas d o pavim ento do só tão; em especial na pared e sul. Deformações apreciáveis das pernas e madres d a cobertura d o es paço d o Salão Nobre, que se apresenta m escorad as d e recurso por peças d e m ad eira, que descarrega m nas linhas em zonas in conveni entes.

Concepção estrutural

Id eali zou-se um sistema "estrutura-parede", obtido pela cintagem h orizontal d os painéis de pared e, nas du as d irecções ortogon ais, ao nível d os tec tos d o r I c e 1.º andar, e pela cintagem vertical d os pain éis d e pa red e interiores. As cintas hori zontais são constituíd as por elementos d e betão prefa bricado e pré-esforçado, introdu zid os nas pared es aos níveis referid os. A cintagem vertical é obtid a p or cordões d e aço d e pré-esforço não ad erentes, alojados nas pared es interiores, em ranhura s, nas zon as vizinhas d a intercepção d os painéis interiores, previamente comprimid os. O s lintéis pré-es força dos funcionam ainda como vigas d eitadas, para as acções horizontais, es tando estas apoiad as nos painéis tra nsversais. Estes lintéis são pré-es forçad o verticalmente n os bordos d e canta ria, o que, além de assegurar o funci onamen to da es trutura em conjunto, permite reduzir even tua is tra cções nos encastramentos. A s características mecânicas ad optadas na análise da s estrutura s id ea li zad as foram obtidas, no caso d a alvenaria, através d e ensaios (compressão uniaxial) d e ca rotes extraídos em diversas zonas d as pared es. Nestas condições adoptou-se uma tensão de rotura média d e 300 kg/cm 2, e um mód ulo d e elasticidad e d e 50 000 kg/cm 2• Descrição sumária das estruturas A estrutu ra hori zontal dos tectos do r I c e 1.º andar compreendem os seguintes lintéis d e betão prefabricad o pré-esforçado:

-

-

Lintéis com uma secção d e 0.40 x 0. 25 m e um pré-esforço de 110 tf, em todas as paredes d e perímetro, à exce pção da pa red e exterior em que o lintel tem uma secção d e 0.60 x 0.30 m e um pré-esforço de 190 tf. Lintéis com uma secção de 0.60 x 0.30 m e um pré-esforço d e 110 tf, em tod as as pared es in teriores.

N o que se refere à cintagem verti cal, as pa red es são pré-esforçada s por m eio de cord ões d e aço d e alta resistência (diâ metro de J5 mm) não ad erentes, alojados em ranhuras verticais, agru pados em número d e qua tro por bordo d e cintagem . Cada grupo é anco-

594


rad o por aderência em blocos d e betão arm ad o, subjacentes às fund ações das pared es e por meio de a ncoragens activa s, ao ni vel d os lintéis d e coroa mento. O pré-esforço por cordão é d e 13.5 tf. O reforço d a platibanda é constituído por um lintel d e travamento, locali.zado no seu coroamento em be tão armado, com secção de 0. 25 x 0. 15 m, liga d o por m ontantes d e travamento ao lintel. de cintagem d o 2Y níve l. Os elementos d ecora tivos são colados com resina epoxy e d evid amente ga teados. No caso particul ar d a es tátu a, o ped estal é reforçad o por um núcleo d e be tão armado devidam ente ancorad o.

Fi g . 6. 1 -Obra concl u ída

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Fig . 6.2 -

Planta s dos lin téis p ré-es forçados d o r/ c e 1. 2 and ar

595


Fig. 6.3 - Pormenor de an cora gem do pré-esforço vertical, nos Lintéis de coroamento

Fig. 6.4 - Planta de fund ações e pormenores de ancoragem d o préesforço vertical

7-

IGREJA DO CONVENTO DE S. GONÇALO

A Igreja de S. Gonçalo é um edifício do século XVIIJ, de alvenaria de pedra, com base num agrupamento de três corpos principais: Capela-Mar, Nave e Coro Alto. O edifício assim formado tem um comprimento d e 39 m, uma largura d e 8.6 m e uma altura d e 13.6 m medida sob a fileira do corpo do coro alto. O corpo do coro alto tem dois andares, sendo o seu acesso feito através de uma escada exterior adjacente ao seu lado esquerdo. A torre que se eleva a J 7 m, insere-se no topo e no seguimento da escada. As coberturas são constituídas por estruturas de madeira, incorporando nos casos d a capela-more nave tectos de abóbadas cilíndricas d e madeira pintada, sendo a abóbada d a nave atirantada. De referir ainda os tectos de madeira do r I c e coro alto, constituídos respectivamen te por vigas aparentes e por uma abóbada abatida suportada por peças de volta, suspensas no fecho pelas vigas do pavimento do 2.º andar.

596


Danos devidos a eventos excepcionais Referem-se apenas os prin cipais danos, ca usa d os pelo sism o d e 1 d e Ja neiro d e 1980, e qu e são os seguintes: -

Fendilh ação e d eslocamentos das pared es d e sepa ração dos corpos, com fracturas impo rtantes nos óculos d as aberturas e arcos subja centes. Fendilhação e deformação das pared es exteriores d o corpo d o coro alto. com fracturas importantes nos cunhais e nas zonas adjacentes às aberturas. Fendilhação d as pared es ex teri ores da capela-mor, com especial incidência nas aberturas e no v ão (arco) emparedado d a empena.

Concepção es trutural Id ea li zou-se um sistema estrutural tridim ensional, introduzid o n os corpos que constitu em o edifício, compreend end o montantes, coberturas prism áti cas, lajes d e betão armad o, Iintéis prefabricados de betão pré-esforçado e vigas d e p erfis d e aço. A orga nização estrutural baseia-se na materiali zação d e superfícies de cobertura e pisos, assim com o na interli gação d os corpos a vá rios níveis por tirantes previam ente com primidos . O s m onta ntes resistentes, além d e funci onarem com o elem entos d e trava mento em geral, permitem liga r os corpos d a na ve e coro alto nas zonas d e separação, atra vés d a ancoragem neles d os tirantes referid os.

Descrição sumária das estruturas A estrutura d e cobertura do corpo d a Nave é constituída por duas lajes d e betão armad o, d e 0.12 m d e espessura, dispostas segundo as vertentes monoliticam ente ligadas às v igas de bordad ura. Estas são con figuradas a um a secção em Tao baixo, com 0.60 m d e altura e 0.30 m d e espess ura (a lm a). Os tímpanos d e a tirantamento são constituídos por sistemas trian gulados de betão a rmado. A estru tura horizontal d o corpo d o Coro desenvolve-se ao nível do pavimento d o 2.º anda r e d a cobertura . O pa vim ento e o tecto deste andar sã o constituídos por vi gas HEB 22, com uma la je complem entar de betão armado d e 0.10 e 0.80 m d e espessura, respecti vam ente. A cobertura é constituída por lajes maciças d e 0.80 m d e espessura, dispostas segund o as quatro vertentes e liga das em continuidad e à laje do tecto. Completam o reticulado d os corpos referidos montantes d e betão armad o e lintéis prefabrica d os d e betão pré-esforça do com uma secção d e 0.40 x 0.25 m e um pré-esforço d e 80 tf.

597


Fig. 7.1 -

Fig. 7.2 Alto

O bra concluída

Danos no corpo do Coro

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Fi g. 7.3 A lça d os esquemáticos do refo rço estrutural

598


Fig. 7.4 - Plantas ao nível d o 2.º a ndar e d a cobertura

Fig. 7.5 - Co rte transversal do reforço d a N ave

Fig. 7.6 - Tímpano d o reforço estrutural da N ave

599


8 - IGREJA DA RIBEIRINHA

A igreja da freguesia da Ribeirinha é um edifício de alvenaria d e pedra, com base em três corpos prin cipais: Torres, Nave e Capela-Mar. O edifício tem um comprimento total de 36m, uma largura de fa chada de 20.5 me uma altura de 16.5 m m edida sobre a fileira da nave. As torres da igreja atingem uma altura de 28 m. A Nave desenvolve-se segundo uma planta rectangular de 7.00 x 9.50 m, correspondendo a este espaço uma nave (cripta) de 3.00 m de pé-direi to. O pavimento e a cobertura são de madeira. Na fachada elevam-se duas torres de planta quadrada, de lado 5.50 m, confinando o trecho da nave e incorporando as paredes destas nessa largura. As estruturas horizontais das torres compreendem pavimentos de lajedo ao nível do coro e do coroamento da sineira e uma abóbada ao nível do pavimento da mesma. A partir do coroamento da sineira eleva-se um troço octogonal d e 2.80 m de pé-direito, rematado por uma agulha de 7.0 m de altura. As paredes são em geral de alvenaria irregular, à excepção dos cunhais e à volta das aberturas, que são d e alvenaria aparelhada. Nos arcos, pilastras e faixas, só as pedras à vista são aparelhadas.

Danos devidos a eventos excepcionais Refere-se a seguir os principais danos causados pelo sismo de 1 de Janeiro de 1980, assim como os danos resultantes do mau estado de conservação das madeiras: -

Fendilhação e d eformações importantes da parede da fachada entre torres, incluindo o frontão. - Fracturas verticais importantes na base dos cunhais da fachada, imediatamente acima d o soco das paredes. - Fendilhação generalizada das paredes, fractura s de vergas e arcos d as aberturas. -Mau estado d e conservação dos pavimentos e estruturas de cobertura de madeira.

Concepção estrutural Na organização estrutural do corpo da Nave, a solução idea lizada baseia-se na cobertura em estrutura metálica triangulada, em associação com as paredes reforça das pela incorporação dum sistema de lintéis prefabricados, pré-esforçados e montantes de betão armado. As Torres são abrangidas pela cintagem da nave, que se desenvolve nos níveis do coro alto e coroamento das pared es da nave. As estruturas horizontais das torres e do coro alto são obtidas pela materialização dos planos aos níveis referidos, com lajes de betão. O troço octogonal da torre é reforçado por um sistema d e pilares implantados nos vértices interiores do troço, estando os pilares ancorados na base à laje de coroam ento da sineira, e no topo por uma laje de sustentação da agulha. As fundações das torres são cintadas por anéis de betão armado, que permitem ainda fundar os pilares de reforço dos cunhais da fachada. A Capela-Mor é abrangida pela cintagem do nível do coro, sendo o reforço completad0 pelas lajes da cobertura e montan tes dos cunhais.

600


Descrição sumária das estruturas

A estrutura d e cobertura d o corpo da nave é constituída por cinco asnas m etálicas, vencendo um vão d e 10.5 m. As madres são constituídas por perfilados m etálicos, assim como os contraventam entos verticais e hori zontais. Os contraventamentos verticais localizam-se a terços, e são ancorad os nos elementos de reforço estrutural das pared es do topo da nave. Os tímp an os d e contrave ntam ento d es tas são constituíd os por sis temas triangulados d e betão arm ad o, com as linhas prefabricadas (lintéis d e 0.60 x 0.30 m) pré-esforçadas com 80 tf. Na cabeceira da nave, a estrutura é completad a por paredes d e contraventamento alojad as na parte posterior d os altares adjacentes ao arco da capela-ma r. Os lintéis d as pared es longitudinais localizam-se ao nível d o coro alto e imediatamente abaixo da cornija, apresentand o um a secção d e 0.60 x 0.30 m e um pré-esforço de 80 e 130 tf, respectivamente. Os montantes de interligação são d e betão armado e têm uma secção d e 0.30 x 0.50 m . Os lintéis prefabri cados d e cintagem do corpo dn s Torres, em ambos os níveis, têm uma secção d e 0.60 x 0.30 m e um pré-esforço d e 80 tf. As lajes d o coro e das torres são d e betão armado e têm 0.15 m d e espessura. Os pilares de reforço dos cunhais da fachada são de betão armado e têm uma secção qu adrad a de 0.30 m d e lad o. A cobertura do corpo da capela-mar é constituída por lajes de betão armado d e 0.10 m d e espessura, disp ostas segund o as vertentes. O lintel d e cintagem, qu e se d esenvolve ao nível do lintel inferi or da nave, tem wna secção e um pré-esforço idênticos a este. Os montantes dos cunhais têm uma secção em L, com as dimensões d e 0.75 x 0. 75 x 0.1 5 m .

Fig. 8.1 -

Danos no Frontão da fa chad a

601


Fig. 8.2 - Torre esq uerd a g ra ve mente dan ificad a no cu n ha! da fachada

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Fig. 8.3 - Al รงados pr incipal e la teral esq uerd o

602


Fig. 8.4 -

Obra concluĂ­da

Fig. 8.5 - Plantas estruturai s ao nĂ­v e l do coro e da cobertura

603


Fig . 8 .6 - As n as e contraventa m entos d a cobertura d a Na ve

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Fig . 8.7 - Pormenores d o anel d e cinta gem da Torre e d os pilares d e reforço d os cunh ais de cinta gem

Fig . 8.8 - Pormenor do reforço do trecho octogo na l d as To rres

604


OUTROS EDIFÍCIOS HISTÓRICOS

Outros edifícios históricos da ilha Terceira, atingidos pelo sismo de 1 de Janeiro d e 1980, foram recuperados obedecendo os projectos basicamente aos mesmos princípios, nomeadamente o da aplicação da técnica de construção segmentada de betão pré-esforçado, nas estruturas hori zontais de reforço. Referiremos a seguir os outros edifícios públicos reestruturados no âmbito da nossa intervenção, iniciada em Março de 1983: - Igreja do Convento de S. Francisco, Angra do Heroísmo. -Igreja da N. ~ S. ª da Conceição, Angra do Heroísmo. - Edifício da Administração Pública, Angra do Heroísmo. - Centro de Estudos, Conservação e Restauro de Obras de Arte, Rua de Jesus Angra do Heroísmo. - Igreja do Livramento (projecto), Angra do Heroísmo. - Teatro Angrense (obra em curso), Angra do Heroísmo. -igreja d e Porto Santo. - Igreja d e S. Mateus. - Igreja d e S. Bartolomeu. - igreja d e S.'" Bárbara. - Igreja das Doze Ribeiras. - Igreja da Serreta. - Igreja do Raminho - Igreja dos Altares. - Igreja das Quatro Ribeiras. - lgreja de Vila Nova. - Igreja das Lajes. - Igreja Matriz da Praia da Vitória. - Igreja da Fonte do Bastardo (obra em curso) . - Igreja de S. to Amaro. Finalmente, e por se tratar de restauro e reestruturação de ed ifícios importantes, referimos ainda a Igreja Paroquial de S. Pedro em Ponta Delgada e a Igreja Matriz da Horta no Faial, cuja obra se encontra em curso.

605


REFERÊNCIAS Agostinho, J. - Os Abalos Sísmicos na Tlha Terceira em Dezembro de 1950 e Janeiro de 1951. Simpósio sobre a Acção dos Sismos. Ordem dos Engenheiros. Lisboa, Novembro de 1955. Mainstone, R. J. - The Restoration of Historie Buildings in Angra do Heroísmo Damaged by the Earthquake of 1/1/1980. 1981. Oliveira, C. S.; Carvalho, E. C. - O Sismo dos Açores 1/1 / 1980. Revista Portuguesa de Estruturas, Julho de 1980. Oliveira,]. S.; Carvalho, E. C.; Ravara, A. - Reconstruction Policies and Techniques Used in Azares after the january, 1st Earthquake. lntern. Symp. on Earthq. relief in less industr. Areas, Zurique, Março de 1984. Vaz Júnior, 0 .; Oliveira, J. N.- Restauro e Reestruturação na Recuperação de Edifícios e Monumentos nos Açores. Ciclo de conferências Património e Restauro - Repensando a Cidade, Abril 1989, C. M. Ponta Delgada.

606


REPARAÇÃO E REFORÇO DA ESTRUTURA DE BETÃO ARMADO DO EDIFÍCIO DA ESCOLA SECUN DÁRIA DE ANGRA DO HEROÍSMO Júlio Appleton* João A lmeida* João Appleton •·*

1-

INTRODUÇÃO

O p resente artigo constitui parte da apresentação de um a comu nicação ao 1.11 Encontro sobre Co nservação e Reabilitação d e Edi fícios d e Habita~ão, rea liza d o em Lisboa, no LNEC, em 1985, e refere-se ao projecto d e reforço da es trutura d o edifício da Escola Secun dária d e Angra d o H eroísm o, nos Açores. A estrutura em referência sofreu a lguns danos quand o da ocorrên cia do sismo d e 1 d e janeiro d e 1980, tend o as entidad es responsáveis d ecidid o p romover um estud o sobre a resis tência sísmica d a Escola Sec undária e sobre a eventual n ecessidad e d o seu reforço. A tecnologia no reforço consis tiu na ad ição d e elementos d e aço m acio à estru tura de betão arm ad o. No presente trabalh o ilustra-se a utilização do con ceito de redistribuição d os esforços com o form a d e reduzir a ex tensão d a intervenção concen trando n alg un s elem en tos o reforço necessá ri o. 2-

DESCRIÇÃO DA ESTRUTURA E DIAGN ÓSTICO DA SITUAÇÃO

A es tru tura d o ed ifício é constituída por um a cobertura com asnas metálicas, lajes aligeiradas com blocos leves incorporados (sem vigas), pila re e funda çõe de betão a rmad o. A zona mais elevad a d a construção é d estin ada a ginásio, tendo u m pé-direito de 7.20 m. As asnas d e cobertura estão simplesmente apoiadas nos pi la res. Na Fig. 1 il ustra-se, num corte tra nsversal, a solução es trutural do ed ifício. A construção foi d anifica d a pelo sismo d e 1.1.80, localiza-se na ilha Terceira - Açores e fo i construíd a há cerca d e 20 anos. Em visita d e inspecção realizada fo ram observa d os os da nos existentes. Na zona do ginásio verifi cou-se fend ilhação e desalinha mento no troço superior d os pilares e alguns d anos nos elem entos n ão estruturai - da fac hada (fendilhação e abertura das juntas d e ligação d os pain éis d e alvenari a aos p il ares). O p rojecto da estrutura foi an alisa d o, concluindo-se que o mod elo ad optado, pa ra a verificação d a segura nça em qu e inte rvém a acção sísmica, não era ad eq uado. As ca usas d os d a nos ocorri dos são neste caso claramente con hecid as- acção acidenta l d os sismos (causa natural) e d eficiê ncia de projecto trad uzida pela fa lta d e armaduras longi tudinai s e transversais dos pila res (ca usas hum anas). Na Fig. 2 apresentam-se a geo me tria de um pórtico tran versai do ed ifíc io, na zona d o ginásio, e ainda as acções está ti cas equi valentes à acção sísmica.

* Prof 1ST •• ln vesti gad r LNE

607


Na Fig. 3 ap resen ta-se o d iagrama de mom ento flector actuante para a combin ação d a acção da ca rga permanente e 1.5 vezes a acção sísmi ca. Para o nível d e esforço axial actuante nos pilares ex tremo o momento flector resistente no troço superior do pilar é d e apenas 173 k.Nm, o qu e s ignifica não se verificar a condição d e segurança regulamentar. Também na ligação d o pa vimento do nível 2 aos pilares ex ternos o mod elo elástico linear apresenta valores de momento flector do cálculo (M5<.1 = - 449; - 453 kN m) superior aos es forços resistentes (MRd = 173 kNm) . Confirmou-se assim a necessidad e d e, para além de repara r os danos ocorridos, reforça r a estrutura por forma a dotá-la d e resistên cia sísmi ca n ecessária. REFORÇO DA ESTRUTURA

3 -

A reparação e o reforço da estrutura foram co ncebidos de acordo com a seg uinte metodologia de intervenção: -

-

Realinhamento dos troços superi ores dos pi.lares que sofreram rotação . Reforço dos pilares através da introdução d e ca nton eiras d e aço maci ço n os cantos e cintas metálicas ligadas com argama ssa epox ídica c buchas tipo Hilti HSL (Fig. 5), sendo dada continuidade aos p erfis nos nós d e ligação dos pilares ao pavimento. Travamento da s asna s de cobertura ao nível d a linb a inferior, por forma a aumentar a rigidez de cobertura no seu co njunto e permitir o travamento transversal no topo dos pilares. Foi introduzida uma li gaçã.o do tipo apoio simples da s asnas nos topos dos pilares.

Com o objectivo de reduzir a inter venção d e reforço op tou-se por concentrar nos pilares o reforço necessário pa ra dotar a estrutura do nível da segurança à acção sísmica regulamentar. Assim impôs-se no modelo d e análise q ue os m omentos flectores (negativos) actuantes no tabuleiro (na li gação aos monta ntes la terais) não d everiam exceder a capacidade resistente actual de M Rd = - 173 k m. Ta l proced imento corresponde a impor uma redi stribuição dos esforços capa z d e cumprir essa condição e manter a verificação do equilíbrio na estrutura. a Fig. 4 apresenta m-se os diagramas d e esforços obtidos após introduçã o da referida redi stribuição d e esforços. Com base nos esforços obtidos (Fig. 4) proced eu-se ao dim ension amento do reforço dos pilares cuja pormenori zaçã.o se a presenta na Fig. 5. O dimensionamento das armaduras de refor ço (quatro ca ntoneiras L 120 x 80 x 10) foi obtido através da aplicação de laços correntes d e dimensiona mento d e secções do betão armado sujeito à fl exão composta. Para o troço superi or dos pilares laterais te m-se para esforços actuantes N 5d = 92.3 KN MSd = 347 kN m (ver Fig. 4) o qu e condu z, para a secção do pil ar de 30 x 45, a 19 cm 2 d e aço macio em ca da canto. Na aplicação deste mod elo considerou-se que a secção reforçada funciona como e fosse monolítica. A veri.ficação d a Segura nça no Es tad o Limite Último d e Esforço Transverso não requer armaduras especiais. Co nsiderou-se, n o entanto, con veniente rea liza r o travam ento das ca nton eiras com recurso a cintas metá licas que conferem também um confinam ento adicional ao betão do pila r. O cá lculo das li gaçõe foi rea lizado por forma a não comprometer a mobilização da máxima capacidade re istente das arm adura d e reforço à fl exã.o, tend o-se dimensionado

608


li gações mecânicas formadas por buchas tipo Hilti HSL M8 / 20 afastadas 500 mm n as quatro ca ntoneiras. As asnas d e cobertura foram também recalculadas para o novo modelo d e comportamento (apoios fi xos), tendo-se concebido um sistema adicional d e travam ento form ado por varões q>lO, ca lculados para absorverem, com segurança, os esforços associados à acção sísmica ou à acção térmi ca.

Fig . 1 -

FK4=54. 4

-

Corte tra ns versa l d o edifício

13

8

3.W bef

8.6

= 0. 16

FKi=llh jG j

-1---+

~}variável

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[Gi [ hiGi

I

FK2-108.3

3.80

-

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FKl=61. 7

G3

=594 kN = 31.4 kN

G4 = 153 kN

A.;g

'TT7m

Fig. 2 -

+--177

6. 60

5.80

-~lg:

r--~+0. 30

T

,.·

0.27 2. 20 .

TT

777 7T

'77

,:

6.60

Mod elo estrutural de um pórtico transversa l e id ea li zação da acção sísmi ca

609


-

625

116

O Fig.

-

123. 5

120

51 5

- -

200

t

6 1. 4

110

E sforço de cótculo super ior à capac1d ade res istente

da ta je

(

409.5

725

361

t

üi6

173K Nml

Esfo rço d e cá lculo <;up ri or ,, capacidade reo; istente da laje (173 k N m)

-

343

-O 726

585

396i

589

de

cólculo

i

74

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53 Es f orço

i

-

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Fi g. 4 -

6 10

i

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693 -E-

f ixado

E forço de cá lculo fixa do

413

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10

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Fig. 5 -

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UH1'0P'IliAAS

Reforço dos pilares

611


CONSERVAÇÃO E REPARAÇÃO DE ESTRUTURAS. UMA REFLEXÃO j.

f. Santos Pinto*

O tempo, se o utras causas não se juntarem, en velh ece e deteri ora tod os os ma teriais d e constru ção u sados na s es trutura s e obras de qu e o homem n ece sita. Se tal não for contrariado ocorrem danos progressivos que condu zirão à sua ruína, com prejuízo de bens e eventualmente com perigo d e vid as. Este processo é agravado se ca usa acidentais intervierem. É o caso de um sismo, qu e assume uma particular importância como factor de danificação d o património construído. Torna -se evid ente que serão mais afectadas a · estrutura s c obras cujo estado de conservação seja pior. U m dos proce so d e precaver as más consequ ências da deterioração é a instauração d e políticas de in specção e conservação sistemáti cas como forma d e atenua r o efeito da e ventual acção sísmi ca e, simultanea m ente, de ga rantir uma durabilidade acrescidu, mesmo quando n ão oco rrem as situ ações de acidente. O es tud o dos procedim entos para conservar em bom estado d e serviço es truturas e construçõe - é uma ques tão actu a l, face à pressão social para a preservação do património e, sobretud o, à necessidad e d e o ptimização d o uso dos escassos recursos financeiros normalmente disponíveis. Usualm ente es te objectivo é alca nçado por acções d e prevenção, apoiadas em inspecções periód icas e consequentes programas adequados de reparação, que de verão ont mplar o levantam ento d as con di ções d as estrutura s ex istentes, atravé d a inspecção sistem á tica, por forma a recolher a info rm ação necessá ri a para se poderem e tabelecer as apropriadas especifi cações d e interven ção . M esmo no casos cm que ocorram d anos graves, os meios técnicos actu ais pe rmitem inves tigu r e di agno ticar o grau d e envelh ecim ento e projectar obras de reparação que, na generalidade d os casos, repõem a funcionalidad e d e es trutura - e constru ções. A d efesa contra a d eterioração das estrutura s pod e ser estabelecida d esd e logo ao nível do projecto p ela esp ecifi cação d e critérios qu e a tendam às necessidades d e construção, manutenção e durabilidade e, p osteri orm.ente, ad opta ndo m edidas preventivas adequadas. Em a mbos os níveis, pod em - e d estaca r os seguintes aspecto : - geo metria ap ropriad a; - utili zação de m a teri ais ad equado ; - controlo da ex ecução da obra; -adopção d e d ispositi vos e fi cazes de dren age m, e sua limpeza rotin e ira; - ma nutenção regul a r d e p arte móveis e elementos metá li cos expostos; - inspecção periód ica d o elementos e truturai . Para serem efi cazes, ta nto a manutenção como a inspecção d e verão ser sis tem á ti cas. Programa ndo previa me nte um roteiro de m anutenção e ins pecção q ue atenda às ca racterísti cas d e cad a estrutura , redu zem-se o - cu tos d a execu ção , simultaneamente, ga rantem-se níveis d e segura nça d esejáveis e compen ad ores.

' Eng.° Ci vil, PROF AB RIL.

613


Projecto defi cien te , execuções mal cuidad a ou conservação irregular conduzem frequ entemen te a p rocc os rápidos d e d egradação. Mesm o em es truturas bem projectad as e com manu tenção regular, pode m ori ginar-se es tados d e de terioração, na sequ ência d e alterações nas co ndi ções amb ientais ou a um entos no valo r ou frequência d as ca rgas aplicad as. ESTRUTURAS DE BETÃO ARMADO

O caso d as es truturas d e betão armad o é típi co. São estrutura s d e uso muito vulga ri za d o pela supos ta longa duração que oferecem, e a re la tiva boa rela ção custo/ fun ção. No entanto, as estruturas de betão arm ad o pod em com eça r a d egrad ar-se sem apresentarem quaisquer sinais visíveis. Qu and o a d egrad ação se torna evidente a d eteriora ção d a estrutura já pod erá ser tal, qu e obrigue a uma grande rep aração. O conhecimento d os factores que favorecem a d eterioração e um diagnósti co oportuno d os d efeitos pod em, a tempo, evitar a necessida d e d e repa rações onerosas. Sempre que se d etec ta rem ina is d e d eteriora ção torna-se imprescindível efec tu ar um levantamento completo do estad o da estrutura que d everá incluir: -

verifi cação e análise porm enori za d a da situação estrutural; ava liação d as condi ções d e fund ação e po síveis assentam entos; comparação d as cargas de serviço rea is com as d e projecto; verificação d as condições a mbientais; in vestigação ex ploratóri a d as zonas afectad as; ensaios físicos, qu ímicos e eléctricos dos ma teriais.

U ma in vestigação compl eta d esta na tureza permite ava liar o grau d e segurança existente c o tempo d e vid a útil resta nte, e possibilita ta mbém estabelecer os m étodos d e reparação e conservação. Entre outras coisas terá d e se dispor d o eq uipa mento e pessoal com a experiência interdisciplin ar ad equa d a, e instalações laboratoriais pa ra a rea lização d os ensa ios que se torn em necessá ri o . Den tre os ensa ios a que se recorre cite-se a de termin ação d o grau d e ca rbonatação, d e termin ação do teor d e clore tos, determin ação d o teor d e cim ento, m edi ção d o recobrimento d as ar madu ras, exa mes com ul tra-som, radi ográ fi cos e p or endoscopia, etc. De tod o es te trabalho normalmente resulta a elaboração d e um projecto d e recuperação q ue aborda os egui ntc aspectos p rin ci pais: -

relatóri o exau stivos factu ais sobre a in vestigação; veri fi cação da segura nça c tru tural; aná lise d e alternativa d e repa raçã o; proposta e estimativas de usto d as repa rações.

Como com plemento é comum fazer- c uma análise económica d as diferentes estratégias a lternati vas d e acção: d e mo lição c reconstrução; re parações de vá rio gra u ; "deixar estar". Tod as as reparações es truturais para terem d urabilida d e sa ti sfa tória exigem bons projecto e co ntrolo rigoroso da cxccuçã da s obras, q ue pela u a na tureza exigem um a orga ni zação fi xível c ad ap tada à dificuldad es d e cada caso. 614


ACÇÕES DE APOIO À RECONSTRUÇÃO DE PRÉDIOS DANIFICADOS PELO SISMO DE 80/01/01 NOS AÇORES: AVALIAÇÕES, CEDÊNCIA DE MATERIAIS* Ricardo S. Couceiro**

Imediatamente a seguir ao sism o d e 1 de Janeiro d e 1980 na sequ ência da d ecisão do Conselho do Governo Regional d e iniciar de pronto a recon ·truç5.o das zona s sinistrad a , afluiu a estas, fruto da solidariedad e na cional e intern acional, um número signifi cativo d e técni cos, qu e enqu adrados pelos organismos próprio d a Região deram corpo à batalh a da reconstru ção. É assim criad o por Resolução d o Governo Regio na l n.º 2/80 d e 4 d e Janeiro o Gabinete d e Apoio e Reconstrução (GA R). Perante o quadro de destruição em que se encontrava a m aior parte dos edifícios das ilh as Terceira, Graciosa e S. Jorge, era imperioso um leva ntamento dos dan os e análise sum ári a das soluções, visand o tomada s d e d ecisão para o m ais rápido realojamento das populações. A ·sim a Secretaria Regional do Equipa mento Social (S RES) e o GAR, com a colaboração ín tim a das Autarqui as, nomeada mente as Junta s de Freguesia, e dos técni cos qu e iam sendo postos à sua disposição, procedeu àqu ele levantamento, constante d os relatórios d e avaliação de danos. aqueles relatóri os (Ficha d e Avaliação d e Danos), além d e uma análise dos danos, era preconizad a já uma terapêutica, com indi cação d e métodos, processos e cuid ado a ter na reconstrução. Consta aind a daquelas, uma limati a sumária d o m ateri ais (ferro, cimento, areia, brita, madeira ) necessá ri o ao in ício das obras de reconstru ção e a serem cedidos d e im ediato. E te le vantam ento foi executado no terr eno, fazendo d es locar p ara ca d a um a d as freg uesias uma equipa cons tituíd a por um engenh eiro e um fi sca l. O engenheiro procedia ao levantamento dos d anos, preconi zando em alguns casos d e imediato as soluções mais adequadas à res pectiva recons trução. Elaborava assim uma prim eira Ficha de Avaliação de Danos (Anexo l, Lucas et a i., p ág. 726), onde eram aind a estimados os materiais básicos indi pensáveis ao início da obra. (Este documento ficou conhecido nas freguesias rurais pela "Receita"). O fi sca l procedia d e imediato à elaboração d a requisição d aqu eles materiais que eram então cedidos pelas Juntas d e Freguesia. Fica va ta mbém incumbid o d e acompanhar a reali zação daqueles trabalhos nos termos das medidas preconiza d as. As Juntas de Freg ues ia fizeram-se sempre representar naqu e la equipa, indi ca nd o as priorid ad es e control and o a ced ê11eia dos m ateriai nesta fa c. Em méd ia eram rea lizada quinze a vinte vistorias por dia. Posteriorm ente, foi elaborada pelo Governo Regional iJ leg islação que regulamentou os apoios materiais a qu e os sinistrado teriam acesso, nomead a mente: -Resolução 49 / 80 d e 80/ 07 / 01 - que reg ulamentou a ced ência d e materi ais, bem como a comparti cipação d o - sinistrad o na -ua aquisiçã o. Cri ou um meca nismo qu e coloco u em pé d e ig uald ad e os sinis trado que já haviam gozad o da cedência de materiai s e os qu e ha viam de goza r apó a publi caçã o de legislação. • O p resente trabalho deve se r a na lisado conjunta mente co m as com u ni açõe d e C u ~ d cs et a i., c de Lu a et a i. d esta monog rafia qu e o co mpl eme nta m. (N~ dos Ed. ) • ' Eng. 2 Técni co Civil, SRH OP I DlT; ex-GA R

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-

Decreto-Lei n.º 30 / 80 de 1 de Março - cria uma linh a de crédito especia l para acudir aos gastos com o in vestimento na recuperação dos edifícios danifi cados. - Decreto Regional n.º 4 / 80 de l3 d e Maio - regulamenta o DL (1) 30/80. -Portaria n.º 141 / 80 d e 29 de Março- estabelece o esquema de bonificações da linha de crédito especia l. - Resolução n.º 15/80 d e 11 de Março- disciplina os processos de pedidos de financiamento. De entre aqueles apoios, foi significativa a cedência de ma teri ais para auto-reconstrução, bem como o acesso à linha d e crédito especial. Competia ao GAR a tarefa de coordenar, orienta r, fi scalizar e fazer funcionar aqueles apoios, ape trec hando-se com os meios humanos e materiais que lhe foram postos à disposição. CEDÊNCIA DE MATERIAIS E ACESSO À LINHA DE CRÉDITO ESPECIAL

Face à legislação, estes apoios eram prestados aos sinistrados pelo GAR, num esquema que podemos sintetizar no seguinte orga nograma(2) e que passamos a comentar: 1 - Condição de Sinistrados - A condição de sinistrados, prova indispensável para acesso àqueles apoios, foi regulamentada pelo DLR (3) 4/ 80-A, que também estabelece o

SINISTRADO

cedência de materiais

cedência de materiais+ linhas de crédito

linhas de crédito

grau de comparticipação dos si ni strados na cedência d e materiais (Resolu ção 49 / 80) bem como as taxas de juro da linha de crédito (Portaria n. ' 141 /80). Competia pois ao GAR fazer cumprir e funci onar as orientações do Governo da Região, formulada s através daquela legislação. Podiam assim beneficiar daqueles apoios os proprietários de im óveis ou arrenda tári os com classificação d e desalojado certificada pelo Governo Regional através do GAR. 2 - Cedência de Materiais - Esta ced ência, que se ini ciou nos primeiros dia s a seguir ao sismo, contribuiu deci ivamcnte para o arranque da auto-reconstru ção. Os materiai s foram inicialm ente postos à di po ição das Juntas de Freguesia, ficando estas incumbida s de fazer a sua di tribui ção em co nformjda de com as estimativas fei tas nas Fichas de Avaliação de Danos, elaborada na altura por técni cos do GAR. Posteriormente, com a entrad a em funciona mento em pl en do GAR, e publicação da Resolu ção 49/80, es ta

(1) DL - Decreto-Lei (2) o Q uadro rr, .ued es, pág . 256-257 de envolve porm eno ri za damente este orga nograma (3) o ·LR - Decreto Legisla tivo R gionil l

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cedência passa a ser feita pelo próprio GAR, através d e requisições elaborada s pelos fiscais, e nas seguintes condições: Generalidades

a) Caso o sinistrado optasse apenas por es ta cedência de materiais e após comprovada a sua qualidade de sinistrado d esa lojado, fazia-se deslocar ao local do edifício danificado um técnico. Este era in cumbid o de mencionar na Folha de Obra (Anexo II, Lucas et al, pág. 727-728) quais os trabalhos necessários à reconstrução do edifício. O sinistrado, d epois d e tomar conh ecim ento, ficava com a folha de obra visada e numerada pelo sector do GAR competente. O montante de materiais a ced er era fixad o pelo técnico, quando da visita ao edifício danificado, e o grau de comparticipação do sinistrado era calculado em função do rendim ento do agregado familiar, d evidamente confirmado tal como preceituava a Resoluçã o 49/80. Os materiais iam sendo postos à medida da s necessidades da reconstrução no local da obra, com elaboração da requi sição pelo fi sca l, na s suas visitas, e registados na Folha de Obra. Nesta Folha era ainda mencionado o estado de evolução dos trabalhos e outras recomendações. No final, a folha de obra era recolhida e arquivada no GAR cessando a cedência de materiais. b) Cedência de materiais e linha de crédito - Foi de longe o apoio mais solicitado. Após confirmada a condição d e sinistrado do requerente, deslocava-se ao local do edifício danificado ou construção nova (com projecto aprovado) um técnico, que procedia ao levantamento dos danos, preconizava os trabalhos d e reconstrução e procedia à elaboração do Relatório de Avaliação, (Anexo Ill, Lucas et ai., pág. 729-730) de que constavam além d aqu ela avaliação os seguintes elementos: -

Identificação d o Requerente Localização do Prédio Características do Edifício antes e depoi s das Obras Compartimentação.

Da avaliação propriamente dita constava o valor do prédio antes e d epois das obras, d e qu e resultava o valor da reconstrução. Em se tratando de construções nova s era também avaliado o terreno. No espaço reservado a observações, aqueles relatórios continham a indicação da habitabiJjdade do edilício durante as obras, o que garantia ao requerente (arrendatário normalmente), em caso d e inabitabilidad e durante aq uela s, a condi ção d e Sinistrado Desa lojado e a possibilidade de acesso à linha d e créd ito para co nstru ção d e habitação própria. Naquelas observações, era ainda mencionado o valor dos m ateriais (ferro, cimento, areia, brita) a ceder. Es te valor era d eduzido ao montante do emprés timo a financiar. O DL 30/80, de 1 de Março, d efiniu as regras básicas quanto aos financiamentos, distinguindo os empréstimos para Repara ção (danificad os em menos de 50%), reembolsáveis em 15 anos, dos de Reedificação (danificados em mais de 50%) reembolsáveis em 30 anos, bem como os empréstimos para Reposição de Equipamento Doméstico. O DLR 4/80/ A de 13 de Março regulamentou aquele, introduzindo os conceitos de "Proprietário"; "Arrendatário"; "Reparação"; "Reedificação". A Portaria 141/80, de 29 de Março, estabeleceu finalm ente o esquema de bonificações referidas no n.º 1 do Art.º 6Y do DL 30/80. O processo de acesso à linha d e crédito especial culminava com a emissão pelo GAR d e uma credencial que habilitava o requerente a contrair, numa entidade bancária,

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um fin ancia mento no valor c taxa de juro naqu ela m encio nad os. Até à rea li zação do contrato d e fina nciamento, ao ini lrado era permitida a rea li zação de um emprés tim o interca lar à mesma ta xa d e juro. O cá lcul o d o montan te do mpré timo bem como do res pectivo enca rgo mensa l era feito pelos Serviços d e tud o onómi cos e Fi na nceiros (SEEF), através da Folha de Cálculo, Anexo, leva ndo em co nta o relatório de ava liação. Para estabelecer a li gação entre o Rela tóri o de Ava li ação e a Folha d e Cálculo d o SEEF pode ver-se (Anexo III, Lu cas t a i., pág. 729) que o va lor d e 1636 co ntos corresponde ao cus to da reconstrução e o d e 250 ao montante e tim ndo d o materiais a ceder. c) Linha de crédito (apenas) orma lm ente, este tipo d e a poio era pres tad o apenas a empresas que, face à legislação, não ti nham ace so à cedência d e ma teri ais, ou para a segund a habitação de particulares, em que a cedê ncia de ma teri ai pod eri a ser feita co m comparti cipação na to talidade do se u custo pelo sinistrado. Como já foi referido, a linha d e crédito quando conjugada com a cedência d e materiais ofereceu condi ções aliciantes à reconstru ção, isto porque um do pontos fundamenta is de todo o processo residiu na mobiliznção d os meios e facilidades d e in ves tim ento. Acresce dizer qu e as medidas tomadas na altura pelos poderes central e regiona l e a rapid ez om que foi elaborada legislação sobre a matéria resultaram num conjunto d e r gras em preced entes no seu alcance social. Os pedidos de acesso a quai qu er das linhas d e crédito era m formulad os ao CAR em impresso próprio e instruidos com documen tação de qu e sa li entamos: Rendim ento d o agregado fami liar no ano anterior ao sismo (comprovado) Composição do agregado (comprovado) Id enti ficação e titul arid ade do p réd io a recons truir. Es tes processos eram analisados e inform ados pelo Secto r Económi co e Finance iro (SEEF) do CAR, que culmin ava com a emissão da credencial. ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DA CEDÊNCIA DE MATERIAIS

Como rap id amente se pode concl uir, foram di ver as a - o li citaçõcs a que o GAR foi ujeito durante o período cm q ue fun cionou. Tend o em atenção o ca rácter transitório d o Gabinete, o se u quad ro de pessoa l técnico e adm inistra ti vo tinh a ca rá cter precá rio, sendo que os técni cos fo ram essencialmente recrutados em orga nismos afins da Região c do Contin e nte em regime de req ui sição e ou destacamento, cuja permanência foi em média de 12 meses. Mesm o assim, foi possível ter durante o período em que funcio nou ce rca de oito a dez técni cos de formação superi or e 12 a 15 fiscai s em funções. Concretamente e para coo rdenar a cedência de ma teriais, fez funcionar um sector qu e, ao acompanha r tod as as obra d e reconstru ção c construção nova, esta va em óptimas condições para fazer a cedência de materia is ao mesm o tempo qu e as fi sca lizava, controla nd o a apli cação crit rio a dos ma teriais cedidos. Aos técni co d e formação uperior competia, sempre que requ erid o, d eslocarem-se ao loca l dos d ifício inistrados, para que, ao procederem à inventaria ção dos da no , p reconizassem igualm ente as obra de reconstrução em Auto de Vistoria e elaborasse m u m Relatório de Avaliação da obra . E te rel a tório era elemento essencial para o acesso às linhas d e crédito. ste, o técnico cncarr ga do da sua elaboração devia ainda mencionar o quantitati vo stim ado do materiais a ced er.

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Pos teriormente, com o início da s ob ras c ti ve se ou não o sinistrado recorrido ao crédito es pecial, competia aos fi ca is aco mpanh ar as referidas obra de acord o com a terapêutica então preconiza da. Para o efeito, procediam à abertura de Folhas de Obra onde, como já referim os, eram reg istad os o materiais edidos, mencionada a evo lução dos trabalhos e outras reco mend ações que achassem por bem fazer. O número d e fiscais d e qu e o GAR põd e dispor em cada momento foi sempre redu zido, face ao núm ero d e obras qt1e tinha d e acompanhar e meios que lhe eram po to à di sposição. Aos mesmos foi necessá ri o afectar obras em duas ou mais fregue ias ao mesmo tempo. Sempre qu e possível, eram acompanh ados, nas uas d eslocações dentro d a fregu es ia, por elementos da Junta respectiva, no intuito de ser dad o ao processo d e cedência d e m ateriais um critério homogéneo e transparente. É assim que, durante os cerca de cinco anos em qu e o GAR fun cionou e quando em 85/06/30 foi extinto e cri ada a resp ecti va Comissão Liquid atária, a situação em número d e obras aco mpanhadas era a seguinte:

Terceira

racl o a

ão Jorge

Total

Co ncl uídas

8824

1662

2359

12845

Em curso

1051

26

4

1081

REFERÊNCIAS

J. H. Correia - Acções de Apoio à Reconstrução . Notas sobre o Funcionamen to do Gabinete de Apoio e Reconstrução, Monografia - 10 Anos após o Sismo dos Açores

Gued es,

de 1/ 1/80. Edição L EC. 1991. Lucas, A.; Guedes, J. H . Correia; Oliveira, C. S. -

Quantificação dos Danos Observados no Parque Habita cional e do Proce o da Reconstrução, Monografia - 10 Anos a pó o Sismo

dos Açores d e 1/ 1/80. Edição LNEC. 1991.

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MÉTODO DE ESTIMAÇÃO DE CUSTOS DE REABILITAÇÃO DE EDIFÍCIOS DE HABITAÇÃO M. Mo reira Braga •

Artur Bezelga "

RESUMO Es ta comunicação a presenta uma me tod ologia d esen vo lvid a pa ra efeito da estim ação d o custo d e rea bilitação d e edifícios d e habitação- métod o M ECREH . O mé tod o cri ad o tem por base a concepção d e uma es trutura d e custos própria, e um processo ad equado d e d iagnóstico d o grau d e d eteri oração d os edifícios. Refere-se ainda a aplicação informá ti ca elaborada para utiliza ção d o método, cujas p ote ncialidades d e aplicação na reconstrução d e edifícios são significa tivas. 1-

INTRODUÇÃO

A comunicação que se apresenta constihli um estudo técnico-económico que se insere no domínio d e uma dissertação d e mestrado elaborad a pelo EngY Manuel B. Moreira Braga, e intitulad a "Rea bilitação d e Edifícios d e Habitação - Contribui ção para a Estim ação d e Custos", reali zad a no âmbito d o Mestrad o em Constru ção do Instituto Superior Técn ico . Nesta comunicação é feita a d escrição d o métod o criado, e são apresentadas as bases em q ue o m esm o se apoia. Referem-se ainda as estrutura s d e custos concebida s e o processo considerad o para o diagnóstico do gra u d e d eterioração. No métod o d esen volvido pa rte-se d a análise d o estado d e d egradação física d o(s) edifício(s) em estudo, para estimar o correspondente grau d e d egradação económi ca e o re pecti vo custo d e reabilitaçã.o. Co nsid era-se oportun o divulga r a metodologia desenvolvida neste "Encontro 10 Anos após o Sismo d os Açores d e 1 d e Janeiro d e 1980" dad o que, entre outra s razões: -

-

-

o sistem a cri ado poderá constituir um instrumento metod ológico e organizativo d e interesse no apoio à reco nstrução ou reabilitação d os edifícios d e habitaçã.o d egrad ad os, quaisqu er que sejam as respec ti vas causas, nom ea d am ente as acções sísmicas; os próprios d ad os técnico-económicos já obtid os nos e m p reendim entos d e reconstru ção nos Aço res pod erão, eventualm ente, fo rnecer info rmação qu e permita um a perfeiçoa mento e generali zação da metod ologia d esen vo lvid a; com eça já a existir um corpo de d outrina na área d a rea bilitação em geral, como produto d e experi ências e de in vestigação neste d omíni o; contud o, n aqu ele co rpo, a temática d a "economia da reabi litação", apesar da im po rtâ ncia que lhe é reconhecida, só agora começa a ser in vestigada e desen volvid a no nosso país, pelo que d everão ser feito esforços na d ivu lgação dos estudos e ex periên cias já reali zad as.

• En g.° Civi l (1ST), Assist. do ISEL *' En g." Ci vil (FEUP), Prof. do 1ST

621


2-

BASES DO MÉTODO

O m étodo q ue se propõe apresenta como fund amento principal, e original, em relação ao poucos métod o conhecidos neste d omínio, a ligação entre: es tru tura de elementos d e constru ção-padrão, especifica mente concebid a pa ra o métod o; b) es tru tu ras d e cus to -padrão basea d os na estrutura d e elementos d e a), d e tipologias d e ed ifícios repre cnta ti vos do parque d e edifícios a rea bilitar; c) processo específico d e diagnósti co d o grau d e d eteri oração d os edifícios a analisar; d) a ociaçã o d os níveis de d egrad ação física d os diferentes elementos a níveis correspondentes d e degrada ção eco nómi ca. a)

A d efini ção d as es truturas d e custos das tipologias referidas em b) baseia-se na : -

selecção dos tipos d e edifíci os representativos; idea lização da reconstru ção d e todo o edifício, de forma a colocá-lo no estad o novo, ao nível d e qua lid ad e pred efinid o, tend o em conta as condições actuais.

O nível d e qu alidad e pred efinid o será equi valente ao nível d e qu alidad e inicial, do ponto d e vista d e qu a lid ad e da solução construti va, acrescid o d o aumento d e qualidad e por introdu ção d e equipamentos supl ementares, qu e tenham a ver com a melhoria, a té ao nível d e qualidad e próxim a da regulam enta ção actu al, d os aspectos d e conforto e salubrid ad e (nomead amente a construção adi cional d e casa d e banho) . Pod erá, contudo, admitir-se um nível d e qualidad e superior ao predefinido, a través da introdu ção d o coefici ente d e qualid ad e suplementar. A associaçã o do processo d e dia gnóstico com os níveis d o custo da degrad açã o obrigaram, na medida do possível, à d efini ção de patologias ou formas d e degrad ação típicas para cad a elem ento d a estrutura d e elementos concebida como padrão. A inspiração para a cria ção d esta metodologia resultou d e refl exões sobre diferentes fontes nomea d amente d e 12] e [31, da análise sobre casos específicos da Mourari a e Bairro Alto e d a experi ência d os autores em avaliações d e edi fícios d e habitação, nom ea d amente d e imóveis d egradad os. MÉTODO DE ESTIMAÇÃO PROPOSTO

3-

O métod o d e es tim açã o proposto baseia-se nos seguintes procedim entos: a) selecção d as tipologias das estruturas d e custos mais próximas d as do edifício em

estud o; b) d etermi nação d a "estru tura de custos d e cá lcul o" para estim ação d o custo d e reabilitação do edifício em estudo, com base na ponderação das es truturas d e custos mais próximas (a d eterminaçã o d a "estrutura d e cus tos d e cá lculo" implica a corresp ond ente determ in ação d as percentagens d e custos Pi j corresp ond entes aos elementos Eij); c) levantamen to d o gra u d e d eterioração física Tij d os diferentes elementos Eij; d) d etermi nação d o co ficiente d e qu alidad e CQ (nos casos correntes igual a l) (correspond ente ao nível d e qualida d e pred efinid o);

622


e) d eterminação d o coeficiente de elementos adicionai s, CA (correspondente a uma melhoria suplementar d e qualidade, em termos d e equipamentos ou outros elementos adicionais, nom eadamente elevadores, melhorias nos equipam entos d e cozinha e outros); f> determina ção do coeficiente de "condições de reali zação dos trabalh os", CR; g) cálculo dos graus d e deterioração económica Eij , correspond en tes aos diferentes elementos Eij da estrutura de elementos-padrão (Quadro 1); Eij representará a percentagem relativa do custo da reabilitação do elemento Eij em relação ao custo da reabilitação total desse elemento (até ao nível d e qualidade predefinida); a determinação de Eij a partir de 1"ij é feita através de uma função d e rela ção (por m eios manuais ou informáticos); h) estimação do peso do custo da reabilitação de cada elemento Eij no custo total de reabilitação dado por

i) estimação do grau ou percentagem de d egrada ção económi ca total do edifício, dado

por E ::: L ( Eij

X

Pij);

j) estimação do custo total para a operação, isto é, do custo total de todos os elementos a reabilitar, Ct, dado por

em que:

Cn- custo/ m2 de área bruta do edifício-padrão corresponde à "estrutura de custos de cálculo", admitindo a reabilitação total de todos os elementos Eij (isto é, admitindo a reabilitação reconstrução total, até ao nível de qualidade predefinida); Ab - área bruta total do edifício em estudo. 4-

ESTRUTURAS DE CUSTOS

4.1 -

Estrutura de elementos concebida

A estrutura d e elementos concebida, que serve d e base às estruturas de custos-padrão, foi criada com base nos seguintes princípios ou objectivos:

-

-

número de elementos e subelementos necessá rio e suficiente para os objectivos da estimação; agrupamento em elementos principais e subelementos, de modo a flexibili zar o grau de pormenor nas aplicações, de acord o com as diferentes si tuações; divisão em elementos de construção funcionais, de vários tipos - primário, secundário e outros - sem se ficar agarrado a especificações concretas de materiais ou soluções construtivas; estruturação em grandes elementos (envolvente exteri or, toscos, zonas comuns, etc.) e elementos componentes (revestimentos, vãos, etc.), que permita uma fácil análise do grau de deterioração em termos de vistoria ao local da obra.

623


Para a tin gir os objecti vos enunciad os, para além da refl exã o esp ecífi ca sobre o problema, fo ra m ta mbém consultadas outra s es trutura s d e elem entos, elaboradas com outros fin s, e de gu e se sa lientam: -

estruturas d e elem entos de edifícios novos [2]; estruturas de elementos correspond entes a trabalhos d e reabilitação, incluindo os diversos o rça mentos de obras do Bairro Alto e da Mouraria analisadas.

Nas obras d o Bairro Alto e da Mouraria usa-se, em geral, a grelha de elementos seguinte:

A -Obras (comuns) exteriores - cobertura; - fachada principal; -fachada tardoz; -empenas. B -Obras (comuns) interiores -caixa de escadas e átrio; -instalações (prumadas e ligações ao exterior). C -Obras no interior- Fogos - d escrição dos trabalhos por fogo. A estrutura d e elementos proposta, fundam entada e m tudo o atrás exposto, é apresentada no Quadro 1.

4.2 -

Tipologias de edifícios

As tipologia s do conjunto dos edifícios do Bairro Alto e Mouraria que, após uma análise geral dos tipos exis tentes, se consid eram como representativa s ou padrão, foram as seguintes: -

Tipologia 1 edifício com Tipologia 2 edifício com Tipologia 3 edifício com Tipologia 4 edifício com Tipologia 5 edifício com

3 pisos (edifício corrente com área bruta m édia de 200 m2/piso); 4 pisos (edifício corrente com área bruta média de 80m2/piso); 4 pisos (edifício "nobre" com área bruta de 420 m2/piso); 5 pisos (edifício corrente com 50 m2 de área bruta/ piso); 6 pisos (edifício corrente com 60m2 de área bruta/piso).

Admite-se, após análises posteriores, que o número de tipologias possa ser reduzido, se as estruturas d e custos relativas aos edifícios correspondentes construídos de novo não forem tão estratificadas como aqui foi considerado. Contudo, o sistema informá tico d esen volvido foi aberto, d esde já, para as 5 tipologia s referidas. Admite-se ainda, em trabalh os de continuação futura, a possível definição d e um coefici ente d e área, que permita uma determin ação mais correcta de estrutura de custos de cálculo, considerando a área rea l do edifício em estud o. Admite-se também qu e, apesar de o uni verso dos edifícios a que é aplicável o mod elo ser constituído p elo conjunto dos im óveis da Mouraria e do Bairro Alto, aquel e que seja

624


QlJA DRO J

Estrutura de custos para edifícios Su bca pítulo

Capítul o 1.1 -

undações c m u ros d e s u porte 1.1 .1 -

Fu ndações propriamente dita

1.1 .2 -

Muro d e u por te

-

3,40 3,40 - - - - - - -1 - - - -

1.2 - Estrutura po rta nte verti ca l

Elementos

%

Es truturai s

1.2.1 -

Es truturas reti culad as

1.2.2 -

Pa red e· resistent s (tosco)

20,55 20,55

---1.3 - Es trutura d e esca d as e pavimentos

2

8,32

1.3.1 -

Lajes (es trutura de)

7,51

1.3.2 -

Escadas (estrutura d e)

0,81

2.1 -Pav imento térreo

1,13

-------------]------2.2 -

Reve tim ento d e paredes exte ri ores

2.3 - Vãos En volvente

2.3.1 -

Exterior

2.3.2 -

12,38

aixilhos e vidros Elemen tos de ocultilção

2.4 - Cobertura 2.4.1 -

---

0,82

8,02 4,36 4,14

Es trutura

2,20

2.4.2 -

Revestim ento

0,78

2.4.3 -

Outros

1,1 6 - j - - -- - -

3

3.1 - Pared es nã o re istentes (Tosco)

5,73

r-- - - - - 3.2- Reve timentos 3.2.1 -

Pavim e ntos

16,38 4,28

3.2.2 -

Pared es

5.92

3.2.3 -

Tectos

6,18

Traba lhos Int eri ores

3.3 - Equipamentos

(fogos)

3.3.1 3.3.2 -

4,63

Cozinhas

3,32

Casas d e banho

1,31

-

- - - - --r-- - 3.4 -Ins talações 3.4.1 - Ág ua s (incluindo torn eira ) 3.4.2 -

Esgotos

3.4.3 -

Electricidad e e teleco muni cações

6,22 1,38

O, 2 4,02 ~---

3.5 - Vão interi o res

5,"13

625


Q ADRO 1

Estrutura de custos pa ra edifícios (con t.) %

Subca pítulo

a pítul o

5,76

4.1 - Reves tim entos

4

Inter iores

Pa vimento

1,66

Parede c Tectos

4,10

-

Outro

4. 1.2 -

Traba lhos

5,76

C ircul ações

4."1.1 -

--

f-

(Zonas Com uns)

- -

2,44

4.2 - Instalações 4.2. ·1 -

Águas

0,14

4.2.2 -

Esgo to<;

0,20

4.2.3 -

Electricid ade c Tel co municações

-4.3-

- -2,61

---

--

5.1 - Equipa mentos não conte rn pl<Jdos no ed ifício- pud rão

5

Trabalh os e

5. 1."1 -

Elevadores

5. 1.2 -

O utros

Suplementa res

-

-

---

-

Equ ip<1mento

-

5.2 - Element os de a poio Andaim es ~ . 2.1 .2.2 -

-

-

Outros

--CR

2,10

- - --

---

utros

--

'----

1-

-

---

-

--

---

-

t----

-

Condições de rea li znç5o dos trabalho

---

--

-

100,00

também aplicável a outro tipos de ed ifícios d e zo nas históri cas do país com ca racterísticas semelhantes. Repare-se qu e as d iferentes tipologias referidas poderiam ser classifi ca d as d e outro mod o, nomeadamente cm termos históricos, e, a inda que pa rcia lmente, por exemplo, para a Mo ura ri a, do segu inte mod o: -

-

-

edifíc ios dos sécu los xv-xvr • escada de tiro; • 1 fogo / piso, sendo o r / chão e 1° and ar em "duplex"; edifícios pré-pombalinos • escada d e ti ro; • 2 fogos/ piso, com um ma ior qu e outro (esca d a não centrad a); ed ifício pombalino ("risco ao meio") • escada central; • 2 fogos / piso, com d imensões sensivelmente iguais (esqu erdo e direi to).

Pensa-se que nou tros loca is da cidade e d o país existi rão m uitos edifícios d as mesmas épocas, ao quais o método desenvolvid o será p rovavelmente ta mbém aplicável.

626


4.3 -

Estrutura de cu stos con s iderada

Conforme foi referid o em 4.2 o m od elo d esen vo lvido e o p rograma in form áti co que o suporta estão já abertos para a incl usão d e 5 tipologias-pad rão. Pretende-se que o utilizad or compare o edifício (ou a operação, como conjunto d e edifícios) em estudo e escolha a tipologia-padrão mais próxima. Poderá também dar pond erações d e aproximação a duas ou m ais tipologias de form a a obter a es trutura d e cu stos de cálculo como ponderação d as estruturas d as tipologias próxim as. Contud o, o es tabelecim ento d as estruturas-padrão pa ra os 5 edi fíc ios implicaria m eios, em termos finan ceiros e d e tempo, que não estavam no â mbito desta dissertação, nomeada mente para: -

medição e orça m entação dos edifícios-padrão, em nú mero sufi ciente para ca d a tipo, d e modo a não só ter em conta a va riabilidade para uma tipologia, tendo em a tençã o o número d e pisos, mas também para pod er vir eventualm ente, se se verifi car conveni ente, a introduzir no futuro (como já es tá explícito no início d o programa) aperfeiçoamentos com base em:

• coefi ciente d e área bruta I piso; • coeficiente d e perímetro ex teri or I área bruta; • coeficiente d o número de compartim entos; • coefi ciente d e funda ções e caves; • coefici ente d e abertura d e vãos; • coefici ente d e pé-direito. -análise co mparativa com valores rela ti vos a edi fícios reabilitad os. Em face d as res tri ções existentes optou-se p or elaborar as medições e o orça mento do edifício-padrã mais típico ou repre entativo d o parque a reabilitar na Mouraria e Bairro Alto, que se considerou ser o correspond ente à tipologia 4 referida em 4.2. Sa li enta-se que o sistema inform áti co d esen vo lvido está também concebido para, ao longo da sua utilização futura , pod er ser aplica d o aos edifícios após a reabilitação, no sentido d e m elhorar as bases d e d ados em que se a poia (nom ea d am ente as estruturas d e custos) . Haverá porta nto um fun cionamento em termos d e sistema integrado, com su cessiva melhoria d e um Banco d e Dad os a construir. Julga-se que as Câ maras Muni cipais d e maior dimensão - ou a Associação d os M uni cípi os Portu gu eses e o própri o Estad o teri am tod o o interesse em promover Ba ncos d e Dados deste tipo para apoiar as operações de rea bilitação que promoveram ou apoiaram . A estrutura d e custos padrão respectiva, para os diferentes elementos Eij é apresentada no Q uadro 1. 5 - DIAGNÓSTICO DO GRAU DE DETERIORAÇÃO

Conforme foi referido na apresentação d o m étod o proposto, em 2, uma das fases d a sua apücação consiste na determinação d o grau d e d eteri ora ção 1ij para os diferentes elem entos Eij. Essa d eterminação qu e é, evid entemente, essen cial pa ra a aplicação do métod o de estimação, pod erá também constituir um primeiro passo importa nte para apoio à elaboração do projecto d e operações d e rea bilitação.

627


A ficha de inqu érito proposta é constituída praticamente pelos mesmos elementos d a "estrutura d e elementos-padrão" (v. Quadro 1), como se pode observar no Quadro 2. As diferen ças resid em, ba icam ente: na diferente ordenação d os vá rios elementos, de modo a corresponder ao percurso segui do pelos técni cos na rea li zação das vistorias; na colocação d e colunas para d escrição do estado sumário de degradação física; na colocação de uma coluna correspondente à inserção do valor do grau de degrad ação 'Tij decidido pelo técnico em face do estado de degradação de Eij.

-

Os valores de 'Tij poderão variar entre 1 e 4, com aproximação às décimas, tendo por enquadramento os seguintes limites: 1 - elemento 2 - elemento 3 -elemento 4 - elemento

em em em em

muito mau estado (inexistente); mau estado (reparação importante); estado razoável (reparação ligeira); bom estado (sem intervenção significativa).

Estes limites são explicitados no método, para cada elemento Eij, de forma a guiar o técnico na observação local. Os valores de 'Tij assim obtidos e colocados na ficha correspondente ao Quadro 2 serão d epois introdu zidos directamente como dados pelo utilizador na operação com o programa. A pouca experiência existente entre nós no domínio da reabilitação urbana, sobretudo no qu e diz respeito à "Estimação de Custos", não permite que seja possível dispor d e grande quantidade de informação. Deste facto resulta a dificuldade de conseguir amostras estatisticamente significativas, sendo os valores normalmente utilizados consequência da análise de poucos edifícios. Ficará aberta a hipótese de, ao longo do tempo, se construir um banco de dados que permita utili zar valores com outra segurança. INFORMATIZAÇÃO DO MODELO

6-

O modelo proposto foi informatizado, utilizando o conhecido "package" SYMPHONY, o qual permite vários tipos de utilização: - folha de cálculo; - base de dados; --processamento de texto; - execução de gráficos. Com o auxílio do program a foram construíd os quadros, para cada capítulo resultante de discre tiza ção do edifício, cada um contendo 4 graus de degradação, e tendo como base a seguinte rel ação (cujo aperfeiçoamento será objecto d e estudo posterior, já iniciado): 1 2 3 4

628

-

em em em em

muito mau estado (refazer totalmente) ... ... ... .. ...... ........ .............. . mau es tado (reparação importante) ..... ........... .. ....... .. ....... .......... .. estado razoá vel (reparação ligeira ) .... .... ..... ... ... .... ..... ...... .... ... .. .. .. bom es tado (intervenção sem significado) ... ....... ...... .. .......... .... ..

120% (1,2), 75 o/, (0,75), 35% 0,35); 0% (0,0).


Q UADRO 2

Diagnóstico do grau de deterioração Eleme ntos

Ca pítulo

E• rndo -1----

+

'iJ

-

1 Condi ções da rcali zação dos trabalhos 2

I

I

2.1 - Pavimento térreo

I

I

2.2 - Reves timento d e pared es ex teri ores 2.3 - Vãos

En vo lve nte Exteri or

2.3.1 -

Caixilhos e vidros

2.3.2 -

Elementos d e oculta ção

2.4 -Cobertura 2.4.1 -Estrutura 2.4.2 -

Revestime nto

2.4.3 -

Outros

3.1 - Estrutura portante ve rtical

3

3.1.1 -

Estru turas reti culadas 3.1 .2 -

Elementos

I

Estrutura is

I

4

Pared es re istcntes (tosco)

3.2 - Fundações e muros d e suporte 3.2.1 -

Fundações propria mente ditas

3.2.2 -

Muros d e suporte

I

3.3 - Estruturas d e escada s e pavim entos 3.3.1 -

La jes (es trutura d e)

3.3.2 -

Escada s (estrutura de)

4.1 - Revestim entos 4. 1.1 -

I

Circul ações Pavi mento Paredes e Tec to

Traba lhos

4.1.2 -

Outro

Interi ores (Zonas Co muns)

I

4.2 - ln tillações 4.2.1 -

Águas

4.2.2 -

Esgo tos

4.2.3 -

Electricid ade e Telecom un icações

4.3 -Outros

I 629


QUADRO 2

Diagnóstico do grau de deterioração (con t.) Capítu lo

Elementos

Estado

'ii

5."1 - Pa red es n5o resistentes (tosco)

5

5.2 - Re vestime ntos 5.2.1 -Pavimentos

Trabalhos

5.2.2 -

Paredes

5. 2.3 -

Tectos

5.3 - Eq uipame ntos

lnte ri o res

5.3.1 -

Cozinh as

(Fogos)

5.3.2 -

Casas de banho

5.4 - Instala ções 5.4.1 -Águas (incluindo torneiras) 5.4.2 -

Esgotos

5.4.3 -

Electricidade e Telecomunicações

5.5 -Vãos interiores 6.1 -Equipamentos não contemplados no ed ifício-padrão

6

Traba lh os e

6.1.1 -

Elevadores

6.1.2 -

Outros

Equipamentos Suplementa res

6.2 - Elem entos d e apoio 6.2.1 -

Andaimes

6.2.2 -

O utros

A utilização da folha de cálculo permite efectuar a multiplicação por colunas, obtendo os valores pretendidos das percentagens d e degradação (ou seu complemento). O valor total da percentagem de degradação, multiplica do pela área bruta do edifício e pelo custo unitário do edifício-padrão, permite obter o valor (em milhares de escudos) do custo da operação de rea bilitação. CONCLUSÕES

7-

O trabalho elaborado que se apresentou poderá ter aplicações diversas, nomeadamente em duas área s principais: -

no apoi o à inqu irição dos graus de degradação física dos edifícios no local; na estim ação do custo das obras de rea bilitação a realizar.

O mod elo desenvolvido poderá ser evidentemente,susceptível de melhoria ou desenvolvimento em vários aspecto ou direcções, nomeadamente através da introdução de novas estruturas de custos, mais gerais, e obtidas através de adequado tratamento estatístico.

630


REFERÊNCIAS [1] Bezelga, A. - Edifícios de Habitação - Caracterização e Estimação Técnico-Económica. Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1984. [2] Centre d'Études Techniques pour l'amélioration de l'H abitat (CET AH)- MER - Manuel de /' enquêteur - Méthode d' Evaluation Rapide. Geneve, CET AH- Université de Gene ve, 1981. [3] Moreira Braga, M. - Reabilitação de Edifícios de Habitação - Contribuição para a Estimação de Custos. Lisboa, Instituto Superior Técnico, 1990. Dissertação de Mestrado.

631


ANÁLISE DE ALGUNS DADOS APRESENTADOS NOS RELATÓRIOS DO GAR E DE DADOS DA SRHOP SOBRE A RECONSTRUÇÃO A. Lucas* Carlos S. Oliveira** ]. H. Correia Guedes***

1-

NOTA INTRODUTÓRIA

O Gabinete de Apoio e Recon strução- GAR funcionou desd e Janeiro d e 1980 a Dezembro d e 1984, sendo então substituído por uma Comissão Liquidatária até Junho de 1985. Contudo, o processo da reconstru ção continu ou para além d essa data, havendo ainda hoje construções danifi ca das pelo sismo, n ão reconstruídas ou em reconstrução. Durante a su a vigência, o GAR publicou com a colaboração da DREPA 38 relatórios periódicos editados em formato AS, sob o títul o "Crise Sísmica 80" e "Elementos Estatísticos", os quai s serão designad os n este trabalho por "Relatórios do GAR". Dand o conta d a actividade desenvolvida no âmbito da reconstru ção, estes relatórios, publicados mensalmente em 1980, passaram a ser trimestrais nos anos subsequentes, com al gumas edições suplementares, verificando-se que, ao longo d o tempo, foram introduzid as alterações, quer na sua estrutura quer no seu conteúdo, ma s sem afectarem a consistência dos dados estatísticos, relativos aos principais indi ca dores da evolução do processo d e reconstrução. Os elem entos estatísti cos d a reconstrução contidos nos relatóri os do GAR, Anexos I e lf, es tão organizados em diferen tes qu adros, d e fácil leitura, que a partir d e 1981 se mantiveram d e espécie sem elhante e em número de d oze até ao 2.11 trimestre de 1983, altura a partir da qual se introduziram mai s três quadros, resultantes da desagregação, pelas fregues ias d as três ilh as, d o núm ero d e obras de reconstru ção. Existem ainda no espólio do GAR, Lu as e t al (1991), o elemento originais necessári os para a reconstituição e verificação dos valores constantes dos quadros. Os rela tórios do GAR informam sobre as seguintes variáveis: -

Quadro I - Materiais forn ecidos (quantidades e valores nas três ilhas). Quadro 11 - Materiais fornecidos - evolução em valores (dados publicados a partir d e Dezembro d e 1980). Quadro li1 - N.º d e vistorias para acesso às linhas de crédito nas tr��s ilhas. Quadro lV- N.º d e vistorias para acesso às linhas de crédito - evolução (dados publi cados a partir d e Dezembro d e 1980). Quadro V - Movimento de linhas d e crédito. Quadro VI - Movimento d e linhas d e crédito - evolução (dados publicados a partir d e Dezembro de J980).

Eng -" C iv il , SJU-IOP/ DlT .. fn vesti gad o r, LN EC Eng.° C ivil, SRHOP / D!T, DG LES, ex- GA R

633


-

-

Quadros VII, VlU e IX - N.º d e obras de reconstrução, em curso e concluíd as, por freguesias, nas ilh as Terceira, S. Jorge e Graciosa (dados publicados a partir do 2.º trimestre de 1983) . Quadros X e XT - O bras d e reconstrução; resumo e evolução. Quadro XTI - Resumo das receitas e despesas. Qua dro Xlll - Origem das receitas. Qu adro XlV - Relação das despesas. Quadro XV - Balancete do movimento das receitas e d espesas.

Existem aind a no espólio do GAR outras fontes de dad os estatísticos qu e importa referenciar, pela utilidade que já foi posta em evid ência nos trabalhos apresentados no Encontro 10 Anos após o Sismo, em especial na caracterização d o desenvolvimento da reconstru ção durante os anos mais recentes. Deverá assim referir-se o "Plano de Actividad es" do GAR, Anexo I, publica do anu alm ente, ond e se evidencia não só a actividad e de reconstrução como também a programação das acções a levar a ca bo n os anos seguintes. Um destes exemplares (Plano para 1984) apresenta ca rtas com distribuição geográfica de elementos estatísticos, nas três ilhas sinistradas. Quanto aos indi cadores sobre a acti vidad e d e reconstru ção, qu e se seguju à ex tinção da comissão liquidatári a, foram recolhidos na sua maioria em informações de serviço da então Secretari a Regiona l do Equipamento Social, SRES, hoje Secretaria Regional de Habitação e Obras Públicas, SRH OP, ou no es póli o do GAR, ond e aind a se encontram alguns dad os sobre a reconstrução, em folh as soltas, muitas vezes manuscritas, não compilados, os quais contêm informa ção essencial e única sobre os aspectos em estudo. OBJECTIVOS

2-

O presente trabalho faz uma apresentação, em formato gráfico, d os principais dad os contidos nos elementos acima referid os, comentand o muito sum áriamente alguns dos aspectos mais relevantes. N ão pareceu apropriada a apresentação exausti va dos relatórios do GAR, por se considerar demasiad o extensa no âmbito desta Monografia. o entanto, julgou-se importante complementar a apresentação gráfica referida com os núm eros que caracteriza m globalmente os danos ocorridos e o processo da reconstrução. Assim, a organização deste trabalho é a seguinte: 1 - danos infligid os nas construções da s áreas atingidas; 2- acções imediatas de alojam ento de em ergência; 3 - evolução das obras de reconstrução; 4 - novas habitações construída s por várias entidad es. Utiliza ndo as técnicas de apresentação de resultad os hoje disponíveis, e às quais o CAR não teve acesso, crê-se que, desta forma, se forn ecem ao leitor as informações básicas sobre o volume dos traba lhos de reconstrução. Para o processa mento dos gráficos fo i necessário informatizar parte dos elementos referidos no Anexo L Uma vez que alguns aspectos de natureza específica, nomead amente os relativos a despesas, foram tratados e desenvo lvidos em trabalhos próprios (ver referências), na parte gráfi ca deste trabal ho são apenas abordad as as seguintes variáveis: -

634

materi ais fornecidos (qu antidad es); materiais fornecidos (valores); n.n de vistorias para acesso às linh as d e crédito; n.º de obras de reconstrução.


No Anexo I faz-se uma listagem do material publicado pelo GAR durante a ex istência deste organismo, e constante d e informações de serviço da SRHOP. O Anexo II apresenta um exemplar dos relatórios periódicos do GAR, com os Elementos Estatísticos. No Anexo lll apresenta -se um exemplar das cartas, com o número d e obras em curso e concluídas, nas diferentes freguesias das três ilhas.

APRESENTAÇÃO SUMÁRIA DOS RESULTADOS

3-

Os resultados que se apresentam foram retirados directamente das fontes citadas. Não foi feita qualquer verificação ou validação do seu conteúdo, e consequentemente não existe medida dos erros cometidos. Crê-se no entanto que serão mínimos1 • Para estudos mais aprofundados há toda via possibilidade de reconstruir estes dados a partir do Espólio do GAR. Na análise sumária que seguidamente se faz, são comparados os dados do GAR, com os fornecidos pela b ase de dados desenvolvida por Lucas et al. (1991), e com os dados dos primeiros levantamentos efectuados pela então DSHUAAH sob a orientação do seu director Arq-" Alberto Soeiro (1980). 3.1 -

Distribuição de danos

O sismo de J de Janeiro d e 1980 afectou gravemente as ilha s Terceira, São Jorge e Graciosa, no grupo central do Arquipélago dos Açores, tendo causado danos generalizados em grande parte do parque habitacional e deixado 21 296 pessoas desalojadas. O Quadro I apresenta a distribuição dos d esalojados por concelhos. QUADRO

r

Número de desalojados por concelho C oncelhos Angra d o Heroísmo

úm ero d e d esa lojad os

15 878

Pra ia d a Vitória

2 863

Ca lh eta (São Jorge)

2 066

Sa nta Cru z da G ra ciosa

489

Na Fig. 1 apresenta-se a distribui ção dos danos ocorridos por ilhas e por grau de danos em número d e habitações, fazendo-se uma com paração com o número de habitações ex is tentes em 1970. Na Fig. 2 dá-se con ta do número de habitações existentes nas freguesias da ilha Terceira, segundo o recenseamento de 1970, a única fonte disponível à data da ocorrência do sismo. As freguesias estã o ordenadas pelas distâncias ao epicentro do sismo.

(i ) Os dados referentes ao período da vigência d o GA R es tão publica d os no

relatórios mensa is; entre 1985 e 1990 foram obtid os para a reali zação deste traba lh o; na fa e final d a gestão CAR não se di spõe d e dados com a mesma peri odicidade como em tod o o resta nte tempo, d ev ido certam ente ao pe ríodo d e transição que se a vizinhava.

635


O recenseamento da popu lação e, cm parti cul ar, o da habitação são de fund amen ta l importância, na ocorrência de um sismo, como informações de base fund amentais para a estimati va do custo da recons tru ção, bem como do seu cronograma fin anceiro ao longo do tem po. Eles foram essenciais para o cá lcu lo das percentagens de edi fícios com danos. A period icidade destes recensea mentos d eve portanto ser a menor possível de for ma a aumentar o rigor das estimati vas de danos verificad os. O número de habitações atingidas em cada ilha está indicado no Quadro II. Foram atingidas mais de 15 mil habitações nas três ilhas, e aprox imad amente 12 mi l na ilha Terceira. QUADRO 11

Situação do parque habitacional após o sismo (*) Ilhas

Habita ções exis tente cm 1970

Habi tações d e truíd as

Habitaçõco. d a nificada

Habita çõe a tingida s

Habitações sem da no

Terceira

19 075

4 726

7 173

11 899

7 17tí

São Jorge

4 829

574

1 424

1 998

2 831

G raciosa

2 991

152

"I 478

1 630

I 361

Tota l d a três ilhas

26 895

5 452

l O 075

15 527

11 368

(*) habitações ex is ten tes - d ados de 1970

Das "' 25 000 habitações existentes, 2/3 foram afectadas e um pou co menos de 1/3 ficou em ruínas. Vê-se também qu e as estatísticas da llha Terceira dominam claramente o conjunto total do parqu e afectado, havendo maior percentagem de construções danificadas do que em ruína. Por outro lado, a Graciosa, apesa r de apresentar um pequ eno número de constru ções em ru ína, fo i bastante afectada. Na Fig. 3 apresenta m-se as dis tribuições dos d anos ocorrid os por freg uesias e por grau de da nos cm número de habitações, nos dois concelh os da Ilha Terceira; das constru ções d ani ficad as e em ruína por freguesias c concelhos; e das construções afecta das por freguesias e por concelhos segund o os p rimeiros levantamentos (Soeiro, 1980). (As percentagens são em relação às habitações existentes em 1970) . As cinco freguesias d e Angra estão concentradas, destacando-se claramente das restantes. Na cidad e de Angra mais de 1/3 das construções ficou em ruínas, tend o sido aí que se fez o grand e esforço da recons trução. Vêem-se as diferenças entre fregu esias, sobressa ind o a freguesia d as Doze Ribeiras com destruição total, e as dos Biscoitos e Quatro Ribeiras com cerca de 2/3 das construções em ruín a total. Na Fig. 4 mostra-se a d istribuição, cm percentagem, das constru ções em ruína e das danificadas, em fu nção da distância s da s fregu esias em referência ao epicentro d o sismo, segund o os d ados do GAR, 1980, e segun do os primeiros levantamentos, Soeiro 1980. Na Fig. 5 mostram-se as percentagens de habitações sem danos, em estado razoável, em mau estado, e de habitaçõe afectadas, segundo os primeiros levantam entos, Soeiro 1980. Dois comen tá rios breves devem ser feitos a propósito da comparação dos valores d os prim eiros levantamen tos e do do GAR: trata -se de dois apuramentos absolutamente

636


diferentes, pois enquanto os primeiros levantam entos foram feitos por jo vens inex perientes, através d e observações expeditas, o apurame nto d o GAR resulta d e observações obra a obra, feitas por técni cos especializa d os. O gráfico da Fig. 4 b) mostra que na ava lia ção da s ruínas o critério estimativo dos jovens se aproximou muito da realidade evidenciad a, pos teriormente, p ela reconstrução. Concl ui-se daqui a importância que pod em ter os primeiros levanta mentos na avaliação dos custos de reconstruçã o d e uma cidade após um sismo. Se a atribuição do gra u de ruína normalmente não deixa dúvidas, vind o a correspond er os resultad os dos primeiros levantam entos aos números finais após reconstrução, para a atribuição dos graus d e danos interm édios os critérios são muito mai s difíceis d e d efinir. É d e notar no entanto que os va lores d os d ois levantamentos são tão mais aproximad os quanto n os a vi zinhamos d o epicentro d o sismo, Fig. 4 c). 3.2 -

Alojamentos de emergência

Para socorrer às d ezenas d e milhares d e d esalojad os foi necessário criar alojamentos de emergên cia, principalmente durante os primeiros seis meses, recorrendo-se a centros de acolhimento, tend as e habitações d e emergência.

3.2.1 -

Centros de acolhimento

No concelho d e .Angra d o H eroísmo cri aram-se dezasseis centros de acolhimento onde se albergaram para cima d e três centena s de família s e m ais uma centena de pessoas singulares, Quadro III.

QU ADRO 111

Centros de Acolhimento -

R .!.1 7

140 famil ias

-

Bombetros Voluntários

17 famíli as

-

Li ceu - Escola Secu ndá ri a

63 famílias e 18 id osos

-

Li ceu - a nexo · conten tores

24 fa milias

-

Liceu - Tendas d a Cru z Verme lh a

4 famílias

-

Escola In fan te D . Henrique

20 fa m íli as e 18 idosos

-

Esco la d a Conceição

23 fa míli as

-

Escola d as Bicas

18 famíli as

-

Escola d a M emória

6 pessoas

-

Escola d e S. Joã o d e Deus

3 pessoas

-

Observa tóri o d e Meteorologia

9 pessoas

-

Ca rre irinha

17 pessoas

-

Garagem Canad a Rcguinh o

5 pessoas

-

Barracão Ladeira G rand e

3 pessoas

-

La r San ta Mari a Co retti

9 pessoas 15 famili as

- PS. P. TOTAL

334 famíl ias + 88 pessoas

637


3.2.2 -

Tendas

Criaram-se acampamentos em loca is estratégicos com tendas de origem diversa . Em Angra do Heroísmo nos 4 aldeamentos, Quadro IV, foi possível instalar quase duas centenas de tendas, albergando cerca de uma centena de famílias . Foram também montada s tendas em algumas freguesias da ilha Terceira, Quadro V. Em São Jorge foram montadas 89 tendas e na Graciosa 6 tendas.

Q UADRO IV

Distribuição de tendas pelos aldeamentos Aldea mentos

Tendas

Bailão

Capacidade d e alojamento

98

77 fa mília s e 35 pessoas isoladas

Observatório de Meteo rologia

13

13 família s

Ca rreirinh a

53

15 famílias

Escola d e S. Joã o d e Deus

13

10 famílias

Q UA DRO V

Distribuição de tendas por freguesias na ilha Terceira Tendas

Freguesias Doze Ribeiras

28

Santa Bárbara

27

São Bartolomeu

22

Ribeirinha

20

Altares

14

São Mateus

14

Biscoitos

8

Terra Chã

7

Raminho

4

Serreta Santa Cruz -

3 Praia da Vitória

2

3.2.3 -Habitações de emergência

Dadas as condi ções climatéricas d os Açores, concluiu-se que o recurso à tenda nã o poderia ser uma solução prolongada, recorrend o-se então à aquisição de casas de mad eira e prefabricadas, u ltrapassando-se gradu almente a fase das tendas.

638


3.2.3.1 -

Barracas de madeira

" ... Promove-se a distribuição gratuita de madeiras através do GAR a quem pretenda construir por si, ou com ajudas, barracas de madeira junto das habitações em ruínas. Numa fase posterior pugnou-se pelo aproveitamento d e alguns materiais das casas sinistradas. A colocação das barracas de madeira junto do lar vai fazer arreigar nas pessoas o desejo de reconstruir a sua casa, o que vai constituir um impulso muito grande em todo o processo ..." Na ilha Terceira foram construídas 700 barracas de madeira, Fig. 6, e na ilha de São Jorge 120. Estes números são significativos quando se comparam com o número total de instalações provisórias. 3.2.3.2 -

Prefabricados

Foram montadas muitas habitações prefabricadas, como medida de emergência, as quais ainda hoje funcionam como bairros sociais, carecendo de reconversão urbana, antes de qualquer medida de alienação. Cidade de Angra do Heroísmo As tipologias e a capacidade dos prefabricados do aldeamento do Bailão estão apresentad os no Quadro VI. No aldeamento da Carreirinha " ... as famílias aí alojadas foram transferidas para casas de madeira construídas pelos próprios mediante o fornecimento de materiais pelo GAR e pela Câmara Municipal."

QUADRO VI

Habitações de emergência, tipologias e capacidades Tipo e origem Módulos metálicos

N .O e tipologia 25 - T1

Ca pacidade de alojamento 25 fa mílias alojand o 57 pessoas

76- T2 30- T3

76 famílias alojand o 269 pessoas 30 famílias alojando 138 pessoas

3.2.3.3 -

Casas Aidazor

3 casas

2 famílias alojando

10 pessoas

Casas Eterrnar

2 casas

2 famílias alojando

6 pessoas

Casas da Cruz Vermelha

12 casas

12 famílias

Habitações cedidas pelo Aidazor

Fóram executados 100 alojamentos de emergência utilizando madeiras, portas e janelas, enviadas da Nova Inglaterra pelo movimento Aidazor, com a seguinte distribuição: 85 habitações na ilha Terceira e 15 habitações na ilha Graciosa.

639


3.3- Evolução das obras de reconstrução 3.3.1 -

Cedência de materiais

"A cedência d e materi ais qu e se tnJ o ou nos primeiros dias após o sismo contribuiu decis ivamente para o arranque, d esenvolvimento e radicação d a Auto-reconstrução." Na Fig. 7 apresenta-se o consu m o d e sa cos d e cimento e tonelad as d e ferro nas três ilh as e separada mente por ilh as; e na Fig. 8, o consumo d e brita e areia na ilha Terceira. A Fig. 9 apresenta os gastos em milhares d e contos nos materiai s distribuíd os nas três ilh as (valores actu aliza d os a Ja n. 90) . A evo lução d os consum o d o ma teria is mostra de certa man eira a forma como se processou a ajud a à auto-recon ·tr uçã o nas três ilhas afectada s. Vê-se por exemplo que em S. Jorge a ced ência d os materia is começa mais ta rde d o qu e na Terceira, apresenta nd o um enorme pi co na ced ência d e ferro em 1982 e menor pico na ced ência d e cimento em 1983. A Graciosa é marcad a por m aiores d escont inuidad es e um crescim en to d e forma qua se constante até 1985. A ced ência d e m a teriais termi na pra ti ca mente cm 1985, com a extin ção d o GAR. O ritm o d a reconstrução, medid o pela ced ência d e mate ri ais, com eça mais ced o, atin gindo o máximo em 1981. A ced ência dos d ois materiais funda mentais d a construçã o, cimento e ferro, segue ao longo d os anos d e vigência do CA R uma lei na tural, notand o-se uma grand e correspond ência entre as qu a ntid ad es cedida s dos dois materiai s, mantendo-se uma relação d e mil sacos de cimento por cad a d uas mil tonelad as d e ferro. A s excepções mais notórias a esta regra verifi cam-se em 1982 em qu e o consumo d e ferro é o tri pl o d o d e cim ento, e em 1983 ond e o consumo d e cim ento ultra passa o d e ferro, Fig. 7 a). A rela ção d e 1:2 referida entre os consumos d e cimento e d e ferro nas três ilh as é alterada quando se analisa ilh a a ilh a . Assim, na ilh a Te rceira a relação é d e 1 :2.5, Fig. 7 b), e nas ilhas de São Jorge e Graciosa é a proximad a mente d e 1:1.5, Fig. 7 c) e d ). 3.3 .2 -

Linhas de crédito

"U m d os p ontos fund a menta is d e tod o o processo d e recon strução residiu n a mobili zação d e meios d e in ves tim ento. Deste mod o fo ra m cri ad as as linhas d e crédito especiais que ofereciam condi ções a Liciantes a través d a boni ficação d as ta xas d e juro e meca nismos mais cé leres que os habituais." A Fig. 10 mostra a evolu ção d os apoios p or linhas d e crédito, pedid os e vi stori as efectuadas. A respos ta dad a pelas linhas d e crédito foi qu ase im edi ata pois o atra so entre o pedido e a vistori a foi rela tiva mente pequ eno. A mes ma co rrespondência se verifica entre os relatóri os de avalia ção e a emi ssão d os cer ti fi cad os. A Fig. 10 med e claramente a eficácia d o GAR. 3.3 .3 -

Evolução do número de obrns

A Fig. 11 mostra a evolu ção das obra d e reconstru çã o na s três ilh as, em conjunto ou individualmente, bem co mo em a lg uns conce lhos e freguesias (ver Qu ad ro VII para obte nção d o nú mero exacto d e hab ita ções construíd as durante os anos qu e se seguiram ao sis mo) .

640


QUADRO VU

Evolução das habitações reconstruídas ANO

Terceira

São Jorge

Graciosa

TOTAL

TOTAL (acu mulad o)

1980

1 836

138

340

2 314

2 314

1981

2 186

344

283

2 813

5 127

1982

J 598

315

491

2 404

7 531

1983

] 3]7

384

322

2 023

9 554

1984

1 363

1 100

102

2 565

12 11 9

1985

1 023

84

125

1 232

13 351

1986

183

8

11

202

13 553

1987

52

2

18

72

13 625

1988

126

2

3

131

13 756

1989

8

1

2

11

13 767

9 692

2 378

13 767

13 767

TOTAL

1 697

As evoluções apresentadas na Fig. 11 reforçam a informação contida nas Figs. 5 e 6, que se resume em termos muito gerais a uma evolução contínua e gradual na Terceira, atrasada em S. Jorge e d escontínua na Graciosa. Vê-se também a diferença das intervenções nas freguesias rurais e urbanas, a exemplo do qu e aconteceu nas freguesias da Agualva (iníci o mais tarde) e d a Praia (início mais cedo). Por análise d a base de dados (Lucas et ai., 1991 ), será possível notar diferenças mais acentuadas em função do grau d e danos sofrido pelas construções. Em Outubro de 1981 a cidade d e Angra do H eroísmo es tava transformada em verdad eiro estaleiro, Fig. J 2, tal o volume d e obras em curso. A evolução dos ritmos da recon strução ao longo d o tempo complementa a informação já conseguida a partir das taxas d e ced ência d e materiais e d o número d e obras iniciadas, em curso ou acabadas. Os ritmos d e início e conclusão de obras de reconstrução em diversos locais das três ilh as estão bem evidenciados na Fig. 13. Em S. Jorge os picos d os inícios e conclusões de obras estão bem marcados em princípios d e 1981 e fins d e 1984, d efinindo uma duração média de 3.5 anos. O fecho "artificial" no fim d e 1984, devido à conclusão administrativa das obras por motivo de liquidação do GAR, perturba um pouco a evolução normal da s conclusões. (Para um melhor escla recimento das durações ver Lucas et al., 199J.) 3.4 -

3.4.1 -

Novas habitações construídas

Construção de habitações pelas Forças Armadas

Na sequência d e protocolos assinados entre o Govern o Regional e os três ramos das Forças Armada s (Exército, Marinha e Força Aérea), foram construíd as as habitações do Quadro VIII: habita ções construídas e reconstruíd as a fundo perdido. Para reparação e reedificação de habitações de agregados famiUares desprovidos de quaisquer recursos económicos foram constituídas as brigada s do GAR que executaram as reconstruções indicadas no Quadro IX.

641


QUA DRO VTJI

Habitações construída s pelas Forças Armadas Exército

94 fogos

Força Aérea

11 fogos

Ilha de São Jorge

Ma rinh a

17 fogos

Ilha Graciosa

Força Aérea

4 fogos

Ilha Terceira

QUA DRO IX

Habitações construídas a fun do perdido

3.4.2 -

Hha Terceira

77 ha bitações

Ilha Graciosa

23 ha bitações

Ilha de São Jorge

129 habitações

Conjuntos habitacionais

Foram construídos di versos bairros , ociais, Quadro X e Fig. 14, visa ndo o alojamento de numerosos agregados familiares desalojados, apresentand o-se na Fig. 15 urna comparação d os custos unitári os por fogo e por aloja d o. Só se co nsiderou o cus to das infraestruturas, transportes e montagem destas habitações, gue foram cedidas pelo exFFH. Daí os seus custos unitários serem excessivamente baixos (os valores apresentados são "valores correntes" ). QUAD RO X

Conjuntos habitacionais

TERCEIRA

SÃO JO RGE

GRACIOSA

N. 0 d e

d ad e d e

Fogos

alojamento

Custos

obs.:

(Contos)

Santa Luzia (Angra)

197

1 030

715 000

Terra Chã (Angra)

299

1 510

543 500

S. João de Deus (A ngra)

229

1 066

158 DOO

Joaqui m Alves (Praia)

46

220

28

Ribei ra Seca (Calheta)

55 000

soo

24

100

Engenho (Calheta)

8

36

25

St2 . Antão (Calheta)

6

30

17 DOO

Topo (Ca lh eta)

10

40

30 000

Alto Sul

11

30

17 000

8

25

26 000

838

4 087

Carapacho TOTAIS

Ca paci-

BA lRIWS

ILHAS

1 615

.. ..

soo

.

soo

• Valores provisórios •• Prefabricad os metá licos cedidos pelo FFH; inclui apenas a montagem d os m esmos c execuçã"o d e infraestrutura

642


3.5 -

Despesas do GAR noutras acções

Na Fig. 16 mostram-se as despesas do GAR com outras acções de apoio. 4-

PEQUENAS REFLEXÕES

O presente trabalho, conjuntamente com outros desta monografia, pode contribuir para o esclarecimento de pontos muito importantes sobre a política da reconstrução e linhas principais a seguir, trazendo respostas para questões da seguinte índole: -

Qual a melhor forma de alocar os recursos financeiros; dando preferência à cedência de materiais ou aos empréstimos? Como influencia a taxa de inflação o curso geral da recuperação? Como se pode medir o esforço individual e colectivo?

AGRADECIMENTOS

Este trabalho inspirou-se na exposição realizada pela SRHOP em 1 de Janeiro de 1990, na passagem dos lO anos após o sismo dos Açores de 1980, composta por três painéis. Para a realização deste trabalho contou-se com inúmeros elementos e material gráfico disponibilizado por diversas entidades e pessoas, a quem se agradece a colaboração prestada. REFERÊNCIAS

Brito, J_ E. ; Guedes, J. H. C - Despesas Gerais com a Reconstrução - Uma Avaliação, Monografia - 10 Anos após o Sismo dos Açores de 1/1/80, Edição LNEC 1991. Couceiro, R. - Acções de Apoio à Reconstrução de Prédios Danificados pelo Sismo de 1/1./80 nos Açores- Avaliação e Cedência de Materiais, Monografia -10 Anos após o Sismo dos Açores de 1/1/80, Edição LNEC 1991. Guedes,] . H. C - Acções de Apoio à Reconstrução. Demolições Especiais, Monografia- 10 Arios após o Sismo dos Açores de 1/1/80, Edição LNEC 1991. Lucas, A.; Guedes, J_ H. C -Contribuição para a Historiografia do Sismo dos Açores de 1 de Janeiro de 1980. Espólio do GAR e Documentação sobre a Reconstrução, Monografia 10 Anos após o Sismo dos Açores de 1/1/80, Edição LNEC 1991. Lucas, A.; Oliveira, C S.; Guedes, J. H . C - Quantificação dos Danos Observados no Parque Habitacional e do Processo da Reconstrução, Monografia- 10 Anos após o Sismo dos Açores de 1/1/80, Edição LNEC 1991. Soeiro, A/DSHUAAH -Inquérito Preliminar às Construções da Cidade de Angra do Heroísmo Atingidas pelo Sismo de 1/1/80. 1980. Soeiro, A. /DSHUAAH - Distribuição dos Danos na Ilha Terceira, Primeiros Levantamentos (% de prédios atingidos por freguesia). 1980.

643


-- ---------------30000

25000

20 000 •O

~

15000

I

• Habit.1çi'.e::. danífiG)das • Habitações dest ruídas

.i;

z

O Habitações fcxistentcs em 1970

10 000

5 000

Fig. 1 - D istribui ção sobrep osta d os da nos ocorrid os por ilh as e por gra u d e d a nos em núm ero d e habitações. Co mp a r ação co m o núm e r o d e habitações ex istentes em 1970

rcrceira

Graciosa

São

Tota l

Jorge

da s trl>s ilhas

5000 4 500

4000 .1500

·~ j

3000 2500

i; 2 000

z 1500 1 ()()()

.u.J.J

•--lll dLJ o.,.,..,.,.., • , ,

soo

~ E â~ 1

Fig . 2 - N úm e ro d e h a bita ções ex iste ntes na s fregu es ias da ilha Terceira, seg und o o recenseamento d e 1970. As frcgu esiasestãoord enadas p elas di stâncias ao epicentro d o sismo

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!+--- Concelho da Pra i:~ da Vitória

Concdho de Angra do Heroísmo

5000

4 500

4 000 3500

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• Danifici!dos ~eg . C AR

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• Ruina seg. CA R

~ 2500

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.$j 2 000

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500

Fi g 3 a) - Distri bu ição sobre pos ta dos d anos ocorridos po r fregu esias e por gra u d e d anos em número de habitações, nos dois concel hos da il ha Terceira. Com para ção com o número d e habitações ex istentes em 1970

644

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ª 2u 1

• ]• - -Concelho da Pra ia da V 1tória

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100%

[] 1lh Danificad os

~ ~

90%

80% 70% 60%

50% 40%

30% 20% 10%

O'lf

g. GAR

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Cunct::lho de Angra do /l croísmo

g

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~

1•- -Concdhu da

Praia da V1tóna

Fig. 3 b) - Distribuição sobrepo ta em percentagem das constru ções danificadas e em ruína por freguesias e concelhos. Percentagens em relação às habitações exis tentes em 1970 (dad os GA R)

100% 90%

1

80'1e; 70% 60':7c

SOo/.

4091 30o/. 20 ~

10% Oo/.

~

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ª

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Co ncelho de

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1 ~

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Angr;:~ do HJ:_c,~o~fs~ rn':_u

______,

Concel ho da Praia dil Vitória

Fig. 3 c) - Distribuição em p e rcentagem das constru ções afectadas por freguesias e concelhos segundo os primeiros leva ntamentos (Soeiro, 1980)

10091 90%

SO'J! 70%

60%

SOo/. 40%

30'7< 20%

IOo/.

\

Fig. 4 a) - Di s tribui ção em pe rcentagem das construções em ruín a pelas distâncias da s freguesias em referência ao epicentro (GAR, 1980)

645


r - - - - - - - -100%

j ~

"' Fig. 4 b)- Percentagens de ruín a. Comparação d os valores dos primeiros leva ntamentos, Soeiro 1980, e do GAR. Neste gráfico só fora m consideradas as freguesias com valores nos dois levantamentos

11Xl%

90%

- 90%

80%

80%

70%

70%

60%

60% lJ

<

50"/o

50%

-o-- %Ruínas seg. Soeiro

40%

30%

20%

20°/o

10% -

0%

25

30

35

40

45

50

55

Distâncias ao epicentro (km)

80% 70% 60%

e SO%

"

]

50%l§

..:(,40%

i'

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40%;

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30% 30% 20%

20% 10%

10%

---- ,.,. f/) Danificados sc-g. GA R 0%

0%

25

30

35

40

45

Distâncias ao t!'picentro (km)

100%

646

~

10%

0%

60%

Fig. 5 a) - Percenta gens de hab ita ções sem dan os seg und o os primeiros levantamentos, Soeiro 1980

,.'"'

40%

- • - %Ru inas seg. GA R

30%

70%

Fig. 4 c)- Percentagens de habitações danificadas. Comparação dos valores dos primeiros levantamentos, Soeiro 1980, e do GAR

c<

Distáncias ao epicentro (km)

50

55


45%

4()%

35% 30% 25% 20% 15%

10%

5%

Fig. 5 b)- Percentagens de habitações em estado razoável segundo os primeiros levantamentos, Soeiro 1980

0%

25

28

30

35

33

38

40

43

48

45

50

Di stâncias ao epicentro fkm)

50% 45%

40% 35% 30%

25%

20% 15% 10%

5% 0%

25

27,5

30

32,5

35

37,5

40

42,5

45

50

47,5

Oistãncias ao epicentro (km)

Fig. 5 c) - Percentagens de habitações em mau estado segundo os primeiros levantamentos, Soeiro 1980

100% 90% 80% 70% 60%

50% 40% 30% 20% 10% 0%

25

28

30

33

35

38

4()

Di!tlã nd as ao e pict!nlro (km)

43

45

48

50

Fig. 5 d ) - Percentagens de habitações afectadas segundo os prim eiros levantamentos, Soeiro 1980

647


1611

7()()

600

soo ] § 400 ~

~

300

..ci 200

"

~

100

i

Fig. 6 - Evolução do nº de barracas criadas

~ > ..t

~

.. -

;z i; -<

o

Barrél cas criada'>

g

~

115

i

:E

l

-

[ii

~

B.. < Harra ca~

~

a('umulada s

2500

9CXXI

8000 2000

% .ª

-

Cimento em mil sacos

c=J

Ferro em toneladas

~

6000

• - C imento acumulad o

-o- Ferro acu mulado

1500

. . ·--

~

_2 ~

ICXJO

500

n,

Fig. 7 a) - Consumod ecimento (mil sacos) e d e ferro (toneladas) nas três ilhas

7000

1980

1 981

1 982

1983

JlíJ 1984

~

2 5000

~

" 4 000 j 3[)')()

2 000 1 000

,-'=J..,.<::J ..-=.

1985

1986

1987

198

1989

2 000

7000

1 \0 6[)')()

1 600

i

i

-

Cimento cm mil ~cos

CJ

Ferro cm tondadal>

5000 ~

1400

---- Ci mento acumulad o

]

-o- Ferro acumu lado

1200

~ 1000

fl

800 600 400 200

Fig. 7 b) - Id em, na ilha Te rceira

648

I 980

1 981 - 1 982

1 983

4 ooo

I

3000

o~

n n ~= I JIJ.u,....n_--"-tl-~=- -"-1-~~ 1 984

1 985

I 986

1 987

I 988

I 989

~


600

1 400

soo

1200

- ·- --· -

Cimento cm mil sacos

c:::::J r c rro em t o m~• \ (! das •

200

600

1 >

Cimento acumu lado 400

-D- Fe rro <.l cumulado 100

200

--4- -----4------J - L...:l+--- -+--=::U 1 980

1 981

1 982

1 983

1 984

1 985

I 986

I 987

1 988

350

100

90

300

80 ~

Fi g . 7 c) - Id em, na ilh a d e São Jorge

1 989

--- - ·

70

t 60 1 50 > iii

40

-

Cimento em mil sacos

c::::J

Ft"rro cm toneladas

150

__.._ Ci me nto acum ulado

30

~

ferro a

~

;;

100

ulado

20

lO

191!0

1981

1982

1983

19S4

1985

1986

1987

1988

250

60

50

200

• -

Brita cm mi l metros cúbicos

c:=J Areia cm 20

Fig . 7 d) - Td em, na ilha Graciosa

1%9

mil metros

cúbicos - -- Brit<t acur:nu lada

50 lO

1 989

Fig. 8- Consum o d e brita e areia na ilha Terceira

649


1000

3500

900 3000 800 11:11) madei ra c p regos

2500

700

2000

soo

~cim ento m<~ d ei r a e prt:gus açu m ulados

1500

400

-.--bri ta c areia acumu ladas

300 I OOO

200

soo

Fig. 9 - Gastos em milh ares d e contos nos materi ai s distribuíd os nas três ilhas. Va lores actualizados a Ja n. 90

~ brita c art:ia c::::J ferro

óO()

-D-

ferro <JCum ulado

- -- cimento acum ulado

100

4 000

100()(1

3500

9 000 8 000 ~

3000

"~ 6 000 ~

~

7000

õ..

·~ 2500

-

~

-

Vi storias efectuada s

-•

Pedidos acumu lados

~ 2 000

z 1 SOO

Pedidos

~

5 000 G

-D- Vis ion as acumu lada s

4 000 3 000

1000 2 000

500

Fig. 10 a)- Evoluçãod os apoios por lin has d e crédi to. Pedid os e vistorias efectuadas

I 000

1 980

I 981

1 982

I 983

6lXXI

2SOO

SO<Xl

!! 2 000

·~ ~

1

soo

-

Número de certificados emi tidos

-

N~ de re latórios de

3000

--- C. E. Acumulado!!

,lt...~,-cu_m-ul+ad-<-JS-+·--+ ~=

1000

650

4 000

ava lição, Lucas et al 199 1

>

Fig. 10 b) - Evoluçãodosapoios por linhas de créd ito. Comparação entre rela tórios de avalia ção segund o a base de dados, Lu cas et ai. 1991, e o número d e certificad os emitid os segundo os relatórios d o GAR

1 985

3 000

õ..

.9

1984

soo

1980

1981

1982

1983

1984

1985

1986

W87

1988

1989

..,"

z


14 000

12 000

10000

.to

8000

""z

6000 4 ()()()

2()()()

81/01

82/01

--B- Em curso

83 / 01

84 / 01

85/01

-{]- Conduidas

a t~

86 / 01

87/ 01

88/ 01

89/01

Fig. 11 a) - Evolução das obras de reconstrução nas três ilhas

---- Inicia das até

10000 9 ()()()

8000 7000 6 000 o

""z

5 000

4 000 3000

2000

I 000

80/ 01

81 /01

82/ 01

-e- Em curso

83 / 01

84/ 01

85 / 01

86/01

87/0 1

88/01

89/01

Fig . 11 b)- Evolução das obras de reconstrução na ilha Terceira

-Q- Concluidas até ---- Iniciadas ati-

2500

2 000

1 500

1 000

500

80 /0 1

81/ 01

82/ 01

Em curso

83/01

84/0l

85/01

86/01

87/01

-Q-- Condujdas até __._Inicia das até

88/0 1

89/0l

Fig. 11 c)- Evolução das obras de reconstrução na ilha de São Jorge

651


1 800

I 600 1 400 1 200

"

-g

1 000

ROO

'O

:;,

600 400 200

0 ~---1---~---+---+ ·~~~=T==~==~~~ 80/01 81/01 82/01 83/0 1 84/01 85/01 86/01 87/0 1 88/0 1 89/01

Fig. 11 d ) - Evolu ção d as obras d e reconstru ção na ilha Graciosa

Em curso

7 000 6000

--{] Concluíd as até

-e- lmou das até

l

5 000

~

4 000

~'"

3000

2 000 I

Fig. 11 e) - Evo lu ção da s obras d e reco nstru ção no concelho d e Angra d o H eroísmo

000

R1/0'I

80/0 1

-e- Ern curso

82/01

83/01

--Q- Cond u idas até

84/01

85í0 J

f\6/01

• - lni d fld as at&

Jsm 3 000

2 500

~

2000

~

z 1 500

"O

1 000

500

Fig. 11 f) - Evolu ção da s obras de reconstrução no concelh o da Praia da Vitória

652

80/0'1

81/01

-e

~m cur <>o

82/01

83/0 1 Condu idas at

84/01

85/01

_.._I niciadas il té

86/01


i=! I

250

200

~ .,

150

z 100

81/ 0 1 l: m cu rso

82/ 01

~3 / 0 1

-D- Con d u id as a té

84 /01 --

85/01

86/01

85/ 01

86/ 01

lniciad.<1S a té

Fi g. lJ g) - Evolução das obras d e recons tru ção na freguesia d as Doze Ribeiras

00

250

200

150

100

50

80/ 01

81/ 01 Em cu rso

82/0 1

83/0 1

84 /0 1

Fig. J l h) - Evolu ção d as obras d e reconstru çã o na freguesia da Sé

-Q- Condu idas atci - -- Iniciadas até

600

500

400

~,_ 300

z"" 200

100

80/01

81/ 01 Em cmso

82/ 0 1

83/01

84/0 1

-o-- Concl uidas até -a- In icia das ate

85/ 01

86/ 01

Fig. 11 i) - Evolução das obras d e reco n s tru ção na fr eg u es ia d a Agu alva

653


500 4.50

400

JSO 300 250

200

ISO 100 50

Fig. 11 j)- Evolução das obras de reconstrução na fregu esia de Santa Cruz do conceLho da Praia da Vitória

80/01

81/0 1

- 6- Em curso

82/01

83/01

-[}- Cond u id as nté - •

84/0 1

85/ 01

Iniciadas até

Fig. 12 - Aspecto da Rua do Sa.linas na cidade de Angra do Heroísmo, em Outubro de 1981. Rua transformada em verdadeiro es taleiro

654

86/01


10 000

8 000

g

6 000

E

-g "O

z

4 000

2 i)()()

:

:;'

~ . -...

..

~

~

80/01

8 1/01

82/01

83/01

84/01

Derivada das iniciadas

85/0 1

86/01

87/01

88/Ul

89/01

------ Derivada da s condu idas

Fi g . 13 a)- Ritm os d e início e conclusão d e obras d e reconstru ção nas três ilhas

6000

~

4 {XX)

~

-g "O

2:

2000

80/01

8 1/01

82/01

83/01

- - ~ · Derivada das

84 /0 1

i n ici<~das

85/0 1

86/01

87/01

88/01

89/0 1

---- Ü(:rivada das cond uidas

Fi g . 13 b ) - Ritm os d e início e conclusão d e obras d e reconstrução na ilha Terceira

2500 2 250 2000 1 750 o

=

~ z

.,

1500

1 250 li)()()

750

soo 250

80/0 1

8 1/01

82/01

83/0 1

84 /0 1

· - · - Dt:-rivada das iniciadJS

-

85/0 1

86/01

87/01

88/01

89/01

De:riv.1da das cond uidJs

Fig . 13 c) - Ritm os d e início e conclusão d e obras d e reconstru ção na ilha d e São Jorge

2 500 2 250 2 000 I 750

~

1 250

.,

I 000

.

~

2:

1500

750

soo 250

80/01

81/01 - -- -

82/01 ~riva d a

83/01

84 /01

das iniciadas

-

85/01

86/01

87/01

IÃ>rivada das concl uídas

88/0 1

89/01

Fi g . 13 d) - Ritm os d e início e conclu são d e obras de reconstrução na ilha Graciosa

655


30()()

2 750

"

2 500 2 250 2 000 o

1 750

I 500

.;; 1 250

z

Fig. 13 e)- Ritmos d e iní c io c conclusão d e obras de reconstrução no concelho de Angra do Heroísmo

81/ 01

80/0 1

· · ·- Dc ri v<tda

R2/01 da ~

84 /01

83/0 1

inic1adas

___,_ Dcriv.1da da<.

86/0 1

85/01

crHld Uldél~

2500 2250 2 000

''

1 750

o 'I 500

.... ~

1 250

~

~ 1 000

z

750 500

Fig. 13 f ) - Ritmos de iníc io e conclu são de obras de reconstTU ção no concelho da Praia d a Vitória

·--~~

250

+----+--R0/ 0 1

81 / 0 1

82/01

!Yl /01

83/ 01

- - .. - o~rivad .1 das iniciu das

-

86 / 01

85/ 01

Derivada das cond uId as

1 750

800

1

500

700

1

250

600 <fl

500 .8 :::. o

1 000

Rlbo.:1rJ

,,,,.

Topo

Eu ~o;cn h<:l

{(jjJ~)

l(.alht:t.l)

St Ant~o f(alh'--ta)

AhoC,ul

C11rapacho

({,raoow)

(t...rilCIO::..l )

400

(C.1lhcta)

750

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Q)

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300

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500

200 ~

250

100

o

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u o

"'·o..u m !1l ....

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...

L?

u~

• N 9 d e Fogos Fig . 14 -

656

• Ca pacid ade d e a lojamento

O Custo total

Novos co nju n tos habitacionais constru íd os nas três ilhas. Os custos são em va lores co rrentes


4,0 3,63 3,5

3.0

2 2,5

.2

2,0

j

1,5

"' ~

1,0

0,62

11

0,5

0,0 ':!'::'

O?

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I 200 J 040 1 ()()()

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b)

Fig 15 - Custos, a preços correntes, dos novos conjuntos habitacionais co nstruído s na s três ilha s: a) cus tos unitários por fogo; b) custos unitários por alojado

l __ <:

~

lg 2.

1 775

1 800

I 600 1 400

.s

1 200

8 1 000

.,'"

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958

00 600

400

200

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:!i

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8 Fig . 16- DespesasdoGAR,a preços correntes, com outras acções de apoio

657


ANEXO I

Listagem do material existente

Elementos estatísticos publicados (material encontrado - 38 relatórios) Relatórios dos Planos de Actividade, DREPA Para 1981 (Publicado em Dezembro de 1980) Para 1982, 1983 e 1984 (Publicado em Dezembro de 1981) Para 1984 (Publicado em Outubro de 1983)

Ofícios efou informações de serviço 19 de Maio de 1988- Inf. n. 173/DSOPE-AH/88 28 de Junho de 1989- Inf. n. 328/SRHOP-AH/89 30 de Fevereiro de 1989 - Inf. n. 92-A/89 - 92/DSOPE - AH/89

ANEXO II Exemplar d e um Relatório Mensal do GAR

&

~

REG IÃO AU TONOMA DOS AÇORES PRESJD(NCIA DO GOVERNO REGIONAL

GABINETE DE APOIO E RECONSTRUÇÃO

G.A .R.

C RI S E

S 1 S M I C A 80

,,

* * ** * * * ~ ** *******************

;

~

ELEMEN TOS ESTATÍSTICOS

;*

,,

RE FERENTES

~

AO

•* ~

*

30 TRIMESTRE/81

**** *** ***** ******************

658


QUADRO I MATERIAIS FORNECIDOS QUANT I DADE S MA T E R I A I

s

39 t rim/81

(Acumulado)

lUlA TERC EIRA

VALOR (con t os) (Ac umulado) 391 576

(sacos) (Kg) (mJ)

16 1 029 424 728 8 003 14 948 4 461 24 336 2 087

1 171 076 2 793 094 52 588 57 610 125 765 532 743 23 042

230 346 75 928

(sa co s )

20 126

159 635

32 241

Fe rro

(K g)

32 725

189 325

5 275

Ar e ia

(m3)

6 900

soo

l O 550

Cimento F'erro

Brita

Areia (mJ) Ba rrot e s (un i. d . )

Tábuas Pre gos

(Un id. ) (Kg)

ILHA DF. SÃO JORGE Cime nto

34 16 8 23 l

571 451 793 973

514

53 098

20

Barrote s (Unid . )

31

14 151

99 1

Tábuas

( Unid . )

l 280

80 848

3 878

Pr e gos

(Kg)

2 450

163

-

lUlA GRACIOSA

l3 475

Cime nto

(sacos)

13 496

50 408

Fe rr o

lO 337

(Kg)

3 82 1

l O 431

260

Brit a

(m3)

106

301

166

Areia

(m3)

l 655

5 425

2 712

TOTAL

458 149

QUADRO l l P~ TE R I AIS

FOR NE CI DOS ( CONTOS) (E VOLUÇÃO )

ANO /MESE S

CHIENTO

BRITA

AREIA

BARROTES

TÃBIJAS

PR EGOS

19 80

134 859

39 SOl

14 488

l O 416

8 545

24 856

l 268

233 933

1981

138 065

41 962

20 249

19 297

J 239

--

2 99 5

409

224 216

FERRO

TOTAL

JA..NEIRO

15 109

4 09 2

l 770

l 282

84

352

21

22 710

FEVERE I RO

l3 917

3 42 0

2 294

l 866

128

421

19

22 ú65

MARÇO

15 833

4 548

2 794

2 146

280

484

80

26 165

ABRIL

17 135

9 588

2 689

l 649

319

53

33

31 466

MA I O

20 671

4 468

3 026

1 790

82

198

43

30 278

JUNHO

12 848

3 171

1 662

l 659

36

331

65

19 772

J ULHO

16 588

3 870

3 038

3 676

19 1

686

78

28 127

AGOSTO

14 693

4 747

2 140

1 927

99

383

45

24 03 4

SET EMBRO

11 27 1

4 058

836

3 30 2

20

87

25

19 599

81 463

34 73 7

9 784

27 851

1 677

458 14 9

OUTU BRO NOVEMBRO DEZEMBRO TOTAL GERAL

272 9 24

29

713

659


QUADRO III VI STORIAS PARA ACESSO ÃS LINHAS DE CRÉDITO

ll .f!A S

3'? TRIME STRE/ 81 Pedi do s d e Vistor i as V i. s r ori a Efec tuada s

7.

-

371

~)

ACUMULADO Ped1dos d e V1s t o na s Vi s t oria Ef ectuadas 4 626

92 , 3

JBO

360

94 , 7

96 ,4

182

167

91 ,7

-

5 573 a)

5 153

92 ,5

5 011 a)

TERCE IRA

750

SÃO .! ORC I'

26

40

53 , 8

C:RAC10 SA

28

27

80 4 a )

TOTA L

43 8

7.

QU AD RO IV Vl STOR1AS PARA ACESSO ~. S LI NHA S DE CRÉDITO (EVOLUÇÃO) Vi storias

p,, d id os

de Vlst o r.i.a

ANO /I!ESES

i.

U ectua da s

3 832

3 71 8

97 , 0

1 7L, 1 2 19

l 435 22 8

82 , 4 104 ' 1

FEVERE l RO

196

210

107 .1

MARÇO

L90

150

78 , 9

AllK IL

137

151

110 ' 2

~ L~ l O

llJ

13 1

115 , 9

.l UNil O

82 550 a)

12 7 14 3

15 4.9

ACO STO

119

174

146,2

S En: MBRO

1J 5

121

89 , 6

5 153

92 , S

19tliJ

! Yf\1 JANEIRO

J ULHO

-

a) I ncl ui 436 pedi do s de rcavalia-

ç ao qu e não foraw con sider ados nos meses a n t eriores

Ju1ho/8 l.

a

OUTU!lRO NO Vt ·: ~tKR O D E/.E ~IIl RO

5 5 73 a)

'J'!l'l'/1 1.

QL'ADRO \' MOV WENTO DAS Ll l\HAS DE CRÉDITO

H !PRÊSTHlOS (Dest in o) 1

CE RTI FICADOS P1JTI DOS

VERBAS

A D ~HTI D AS

39 Tr i 39 Tr i. mes me s t r e /8 Acumulado tr e / 81

2

4

3

Ac umu la do

5

Reparação Reedif ic ação

27

81

53 1 1 422

Aqui s iç ão

68

Cons t r uç ão

91

Equ ip amento Domé s t ico

-

12

P.c t iv i da des Econ Ómi ca s

20

13 2

28 44 0

248 505

287

3 5 25

53 0 535

5 l7 3 135

TOTAL

660

17 SO B 126 070

351 035 1 93 2 59 5

715

136 051

1 156 045

713

22 2 466

1 483 533

-

1 422

( cont os ) VERBA S SOLIC JTADA S 39 Tr ime s -

tr e /81 6

Acumu l ado 7

7/ 5

7.

8

240 183 1 437 472

68 , 4 74,3

97 550

86 8 337

75 ' 1

15 6 92 0

1 05 6 445

71 , 2

1 422

100 , 0

19 930

19 2 680

77 ' 5

384 860

37 96 539

73 , 4

15 17 ~ 9 5 29 0

-


QUADRO VII

QUADHO VI MOVHfENTO DAS LINHA S DE CRÉDITO

OBRAS DE REC ONS TRUÇ ÃO ( co n t os )

(EVOLUÇÃ O) AN O/ ~I ES E S

CE RTI FI CADO S E~lrTlDO S

VE RB AS ADMI TI DAS

VERB AS SOL1 CITADA S

%

1980

2 424

3 217 563

2 381 425

74 , 0

1981

1 101 19 1 141

l 955 572

72 , O

349 192

1 415 11 4 24 7 144

239 932

16 9 080

70 , 5

77

96 630 125 8 20

75 , 4 63 , 0 76 , 1

JA'< EIRO FEVE RE I RO

70 , 8

AB RIL

98

HA l O

1 13

179 87 2

13 6 9)7

JUNHO

194

328 456

25 4 603

77 , 5

JULHO

62

12 4 574

8 5 290

68 , 4

136

244 616

179 740

73 , 4

89

16 1 34 5

11 9 830

74 , 3

AGOSTO SET E~IllRO

nu ] t.'Tr

I'F: Hcr: rRA

Jü l

Si\0 JO RCIC

16Y 209

C: RA C !OS!\

671.)

i._

_1 Ac umu Lade

OBRAS CONCLU ÍDA S

3'7 Tr ime ::;Lre

DE ZHlBRO

3 525

5 173 135

3 796 539

73 , 4

Tf1TAL

l adcV\ CU~Ili LAilO

7 L,<J')

3 90 6

52 2

3 589

977

L, 7

40 1

I J711

9 ]I,

73

50 7

! 41:! 1

5 85 7

642

4 '~ l) 7

l O ) 5 1•

( EVOLU Ç}~O ) i\N O /~IESE S

1980

OBRAS EM CU I\S O

OBRA S CONCL Ui DAS

2 ) .1 4

5 096

193 1

NOV EMBRO

Ac: umu

QUADRO VIII OBiv\ S DE KlêCONSTRU ÇÃO

Ol' TUBRO

TOTAL

lnl c iaJ.J.s

T< lTAL

128 03 6 199 549

WcRÇO

OBRAS EN CURSO l LHA S

7 41 0

2 l H3

Ji\N E LI'O

5 279

2. 3 1

I'EVE REIR O

5 J l8

257

5 5 10 5 575

f!ARÇO

5 Jt-7

Z28

5 595

AllHlL

5 I,Q J

230

5 632

~~\li )

5 (183

25 1

5 9Tl

.I UN HO

5 R2C

]1,4

6 16 1,

J ULHO

5 94.l

AGOSTO

s se::

267 209

609?

SETJ:flll iW

5 35 7 a)

L6o

6

5 857 a)

4 497 b)

6 2 10 0~1

OUTUDKO N O VE~IBI' O

ll EZEf\BRO TOTA L

c = u+b

0\ 0\

lO 354

c: )


0\ 0\ N

QUADRO IX RES UMO DE RE CEI TAS E DESP ES AS

QUADRO X OR I CE~\ DAS REGE ITAS

( co ntos)

PROVENIÊNCIAS

ENCARGOS

AN O/ ME SES

1\ECElTAS

SALDOS ASSUMllJOS

PAGOS

3119 542

738 514

514 372 l 27 5

588 063 53 ~51

737 236 6 3 495

FEVERETHO

5 22 1

J 1 590

f\AI\ÇO Alll\tt.

ü

3 925

56 18 2 49 436

56 178 75 100 78 797

l

I~B I

.JANEUtü

156 2 12

l

lo] ()

417 698 !

355 478 521 237 84 0 162 968

30~

1 3 72

47 995

77 775

81) 565

JUNHO

507 3 14

93 259

94 1.56

499 72 4

JU LHO

1 35 9

~8

603

105 803

395 27 9

ACOSTO

3 7ó0

')6

006

120 196

278 843

SETEftllRO

l

131 54 1

65 736

2 14 834

l1A[O

727

mestre

Cruz Vermelha. Portuguesa . . ..... • ....... . I

1980

(contos) 39 Tri-

I

Minist~rio

Total 107 879

das Finanças

l 100 000

M inist~rio dos Assunt os Socia is ... ... . . .

10 000

Portugal Con tinental . . . . ...... . ..... . .. .

68 369

Ca sa dos Açores - Li s bo a . . . ... ....... . •. I

27

R e g i ~o Aut 6 noma dos Açore s

29 69 9 2 1 500

Região Autónoma da Had e ira

l ll

~la c a u . . .. . · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · ·

12 53 8

Jn s ti tui ç ~ es de Cr~dito (Bancos e Ca ixa s

Po rtugu es as)

20 686

Ban co Eu r o pe u de Investimentos .. . ... . .. .

773

Alemanha Federal

382

Callad i

170

8 17

tlUTUfiR O NOVH\Bl<O

i\r ,· i ca do Su l . . . . . . . . . . . . . . .. .... .... .. .

16 4

DEZEMHRO

Est ados U:údos da América - AID ...... .. ..

!.67 313

Est3 dos Uni doc da Amé ri ca - Particulares.

11 511

Ven e zue la . .. . .. . ......... . . . .... ....... .

363

TOTAL

I

590 584

I

977 605

l 475 750

214 834

Fran ça . . . ... . . . .... . . . . ... . . . .. . ..•.. •. .

933

Reino Unido ... . . . . •.. . . .. .. ... ... . . . . .. .

562

Jap ã o

497

Bermudas ..... .. .... ..... . . .. .. ..•..... . .

e99

Bras il

561

Outro s Pa l: ses .

o

••

••

An Ónimo s

••

o

••

•••

••••

o

Re ceitas- Loc ação

ue

o

••

o.

o

o

•••

••

•••

•••

••

•••

••

827

t - - - - + --

Sub-total . .. .. I 197 Bens e Outros . .. • . ~649

TOTAL. ....•. .. ~ 84(,

'50

1670 939 19 64 5 l 690 'i f\ 4


QUAD RO XI RELAÇÃO DAS DESPE SAS (EN CARGOS ASS UM I DOS E PAGOS) DESJGNACÃO

(contos )

ENC. PAGOS EN C. AS SUt-11005 39Trimt. Total Tota l 20 989 97 360 25 on 10 1 99 9 3 328 17 518 13 4 18 !. 66 3 653 2k 1.91 24 997 4 107 8 802 - 13 7 8 eo2 63 k8 2 316 12 351 678 12 897 6 648 80 0 2~ RO 733 4 ll 10 763 10 763 22 884 106 533 270 106 533

39Tr i mt .

Pe sso al (Não-de- Obra) . . . .... .. .. .. . .. . .. . . ..... . .. . Serviços e enc ar gos c/ f uncion am2n t 0 do Gabinete . .. . Alojamentu, Tran spo 1te e e s ta d ia de TÉcni cos .. .. . .. . Ali me nt aç ~ o e alojamento de sin istrad os .... . . . . .. . . . He d i cam~n to s e roup a s . . .. . ..... . ...... , . . .. . . . .... , . CornbustÍveis ... . .. . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ..... . Tra nsporte com ma teriais e outros . . .. . . . .. .. ...... . . \'i atura s lige iras ....... . ... .. ......... . . . . . ..... . . . Maquinaria e ~quipa men to . .... .. .... ..... .... ... .... .

Materi a is de Construção: Ci:::en to ... . ... .... .. .. .. .•.. .. ... . . . .. . .... . .... Ferro ........... ·.. .. . . .. . .. . . ..... . . . .•... . ... ... Madeiras . . ....... .. ..... .. . .. . . ... . ... .. . ..•. . .. Outros .. .. . ... . . . .... .. .. ..... . .. .. .. . ......... e montagem de Pré - Fa bri c ad os ... ... ... .. .. Aquisiç~o ~e T~rrenos, Urban i zaç Ões e Constr~çÕe s .. Fundo> de h ane10 .. ... . . . .... .. .. . .. . . . ... . .... ... .. Sub s Ídios ãs C~maras Hunicipais . . .. .. .. .. ... . .. . . .. Aq~isiçâo

. . . . .

Div er so s . . . . . . . . . . . . . . . . ..... . . . ... ....... .. . .. .. . . .

Taxas e Juros Bonificados . .. . ....... . .. . .. . . .... . .. . Su bs Ídios a Fundo Perdid o . .. . .. . . .. . . .... . .......... . Recuperação de EdifÍcios e Monume nt os .. . .... . . .. . .. . TOTA IS .. ... . .. .

"

1.2 571 12 637 04 3 22 947 - 2 000

80 DOO 3 119 45 804 -383 857

273 000 81 500 48 923 66 000 87 461 750 000 l 500 128 000 20 400 148 004 3 724 3 857

47 369 9 469 888 889 126 342 - 2 000

256 150 1 97 7 605

2 78 8 34 198 ll7 3 857

291 735 147 5 75 0

QUADRO XII BALANCETE DO MOV IMENTO DAS RECEITAS E DESPESAS (SITUAÇÃO EM 30 - IX - 98 1) RECEITAS lmport6ncias

Dona t ivos recebid os atravê s

da s DelegaçÕes da Contabilida de PÚbli ca Regional de: •

••••

Angra do He roí s mo Horta

o

•••

.. .. . ..

..... . ........ ... . .

Imp ort��n c ias

Designação

Pe sso al (M~o -de- Ob!"a) .. .. . . . Se rviç os e en c arg0 s c/funcio name nt o do Gab iMte .... .. . :~ Aloj . T:- an s . es tadia Té cnicos Al imcnt . e aloj. sir.istrados . Med i c ame nt os e roup as . ...... 377 291 9 5659( Combu st ív e is e lubr if icant es 211 106 98 3$0( Trans. e/ma t eriais e ou tro s .

97 359 660!70 17 518 573$ 10 24 401 028$30 8 801 864$10 48 205$2 0 12 351 536$30 80 023 849$10

10 763 480 $00 106 532 601!80 ~2~ 389 59H2 0 87 460 641$70 403 893 961$60 l soo 00 0$00 ~ 8 000 000$00 SubsÍdios ãs câmara s . ....... 19 577 48459 0 Diversos . .. .. . . .. ..... . . .... Ta xas de Juros Boni f icados .. 125 456 650$90 3 n:. 293$8 0 SubsÍdios a f undo Perdido . .. 3 856 e4spo Rec.de Edi f. e Monu mE-- nto s ... SO:-IA .. .. . . 1 4 75 75 0 273 80 SALDO . .... 214 834 005$30

Viaturas li ge ira s .. . .... . .. Maq uinaria e ~quipaP.ento .. . . 1 100 000 00 0>0( ~ateriais de Construção ..... Aquisiçã o de Pr é - Fabricados. Aquis . Terren o s, Urb . e Const: Fundos de Maneio .. . ...... . . .

2 185

33~2(

TOTAL . ... 1 69 0 584

279~1(

Transferência do O. G.E.

("~seu os

DES PESAS

De s ign;;çâo

Ponta Delgada

259 614 73 22 9 47 538 44 009 87 461 403 894 1 soo k8 000 19 577 125 457 3 724 857

TOTAL. .... 1 690 584 279$10

663


0\ 0\

ANEXO III Exemplar d e um conjunto d e carta s com a di stribuição geográfica d o andamento d as obras d e reconstrução

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G. A . R. 'IERCE IRA

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665


666


QUANTIFICAÇÃO DOS DANOS OBSERVADOS NO PARQUE HABITACIONAL E DO PROCESSO DA RECONSTRUÇÃO A. Lucas* Carlos S. Oliveira** J. H. Correia Guedes***

1-

INTRODUÇÃO À TEMÁTICA

Durante os dez anos que se seguiram ao sismo de 1 de Janeiro de 1980 foram constituídos diversos ficheiros, obra a obra, que serviram de controlo e verificação do estado das construções e da evolução do processo de reconstrução. Estes ficheiros, que entre 1980 e 1985 estiveram sob a responsabilidade do Gabinete de Apoio e Reconstrução, GAR, passaram para a Direcção de Obras Públicas de Angra do Heroísmo, encontrando--se actualmente guardados em "módulos" junto das instalaçõ~s desta Direcção, Guedes (1991). O objectivo principal deste trabalho é a quantificação dos danos no parque habitacional, com base no conteúdo dos ficheiros atrás referidos, através da constituição e análise de uma base de dados. Como nota curiosa para a quantificação do impacto global do sismo sobre a comunidade afectada, aspecto da maior importância para urna avaliação, tanto quanto possível, correcta dos cenários de desastre e da consequente política de recuperação que se lhe deve seguir, é interessante comparar as previsões que foram sendo feitas no período pós-sismo com os valores calculados 10 anos depois. ' Assim, logo após o sismo e antes de se ter efectuado um primeiro levantamento dos danos, falava-se de um dano global de 5 milhões de contos (valores de 1980). Em Fevereiro do mesmo ano, o 2.º relatório do GAR (Bettencourt, 1980) atribuía 16 milhões de contos à recuperação dos prejuízos. Em 1982 as previsões (GAR, 1981) apontavam já para 24.6 milhões de contos, sendo 21.12 destinados à habitação, 3 .12 ao património e 0.36 às actividades económicas. Em 1990, os resultados apresentados por Brito et ai. (1991) e Bedo (1991), que aliás pouco diferem entre si, apontam para um valor global de 50 milhões de contos (a preços 1990). Este valor corresponde a um limite inferior do impacto total, uma vez que esta estimativa não contém elementos sobre parcelas de difícil avaliação, como sejam o valor da mão-de-obra na auto-reconstrução, do parque monumental que ainda falta recuperar, dos edifícios de difícil classificação, ou da reconstrução sem auxílios. O valor obtido por aqueles autores é, portanto, da mesma ordem de grandeza (ligeiramente inferior) do referido nas previsões do GAR (1981) corrigidas a valores de 1990 (cerca de 62 milhões de contos- ver secção 5.4 para coeficientes de actualização de preços). Contudo, as distribuições parciais por habitação, património e actividades económicas são muito diferentes. Comparando os 50 milhões com os 35 a 40 milhões de contos do orçamento do Plano de 1992 (30 a 35, a preços de 1990) para toda a Região Autónoma dos Açores, segundo os dados da DREPA, verifica-se que o orçamento do Plano é cerca de dois terços do valor do impacto do sismo. · Eng.° Civil, SRHOP /DIT " Investigador, LNEC ... Eng. 0 Civil, SRHOP/DIT, DGIES, ex- GAR

667


2-

ANÁLISE DE DANOS. CARTAS DE DANOS

A a nálise d o comportamento d os edifícios durante o sismo está feita por Gu ed es et ai. (1991) e p or O liveira (1991), respectivamente para alvenarias tradicionais e de blocos com alguns elementos d e betão armado. À excepção de um número muito redu zid o de casos, só os edifícios d e alvenaria foram afectados pelo sismo, pelo que é essencialmente sobre estes que o trabalho se vai d ebru çar. Tradicionalmente, os danos têm sido classificad os através d e uma escala d e intensida d es, d esignadamente a d e Mercalli Modificada ou a de MSK. Esta s escalas fazem, no entanto, avalia ções m édia s, nã o entrando no d e talhe da análi se pontual edifício a edifício. Em sismos mais recentes, tem-se caminhado para uma a valiação d e d anos mais objectiva e completa, como resultado d e i11 specções e estudos realizados indi vidu almente, ha vendo diversas fórmul as qu e relaciona m pa râmetros sísmi cos com d anos. É nessa perspectiva que se d esenvolve este trabalho. Os d anos ocorrid os foram classificados segundo vários critérios, havendo ligeiras diferenças entre eles. H ou ve qu e m considerasse apenas os graus afectado e em ruína, e os que propuseram uma escala mais fina com quatro ou cinco graus: (i) bom, razoável, mau e ruína; e (ii ) sem danos, pouco da nificado, da nificado, muito danificado e ruína. Os peritos em engenharia, que fizera m a valiações para o GAR, estim ava m os d a nos atra vés d e percentagens de aproveitamento em ligação com as obras d e reconstrução para efeito d e empréstimos. Uma forma de relacionar aqu elas du as classificações p od e encontrar-se na Fig. 1, onde não fi gura naturalmente a variável co m ou sem d a nos, e ond e estão representadas as percentagens correspondentes a cada um dos grau s de danos observados após o sismo (ver mais adiante) . O presente trabalho recolheu e tratou diversa informação existente no espólio d o G AR, apresentand o os resultados sob a form a d e quadros e fi gura s com diversas análises estatísti cas. O Quadro I, por exemplo, resume, por fregu esias e grau d e danos, o núm ero d e construções existentes e danificadas pelo sismo, segundo os primeiros leva ntamentos, Soeiro (]980), e segundo o GAR. Para complemen tar esta informação, procedeu-se ta mbém à recolha e compilação de informação di sponível sobre geografia d os d an os n as

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Soeiro

CAR

Fig. 1 - Co mpa raçã o de critéri os d e cl assifi cação d e d anos

668


zonas mais atingidas. Obtiveram-se os elementos que seguidamen te se apresentam sob forma gráfica : -

-

-

-

Ca rtografia d e dados numéricos referentes aos danos gerais na ilha Terceira , Fig. 2, segundo: a) levantamentos Soeiro, Fev. 1980; e b) inspecções detalhad as do CAR, Dez. 1981. Estas cartas eviden ciam claramente a di stribui ção geográfica dos danos, e sua atenuação com o afastamento da zona epi central, para oeste da Terceira (Oliveira, 1991 ), bem como a sua disposição quase simé trica em relação a um eixo E-W passa ndo no centro da ilha . Estudo d e cores de uma carta de danos já existente para Angra do H eroísmo, levantada por Soeiro/DSHUAAH, Fig. 3. Esta ca rta, ilustrada agora com cores da autoria do Arq.º José Vieira, e pintada pelo desenhador Alberto Soeiro Jr., foi traçada em 1980 como resultado dos primeiros levantamentos, e d á bem ideia da intensidade e exten são d os danos ocorridos. Dela ressa ltam, também, as variações entre zona s e de ponto para ponto. A variação espacial d os danos está d ependente d as características morfo lógicas, quer do parque habitacional quer da geologia e topografia locais. Parte dos aspectos relacionados com o parque habitacional são abordados ao longo deste es tudo. Levantamento d e d a nos e cartografia na freguesia de S. Sebastião, Fig. 4. Esta carta, semelhante à referida no ponto anterior mas traça da especificamente para es te trabalho, mostra danos pontualmente elevados numa região rural onde, em média, os dan os foram reduzidos. As razões para este fenómeno d e amplificação exagerada da acção sísmica prendem-se, muito na turalmente, com o tipo d e solo, e geo-metria do vale onde se encon tra implantada a freguesia d e S. Sebastião, Oliveira (1991). Montagem d e foto grafias, tirada s logo após o sismo, com vista na vertical sobre a cidade de Angra, Fig. 5. Esta montagem, da autori a do Arq.º João Cruz, revela bem as d estruições verificadas e pode ser elemento fundamental para uma avaliação dos danos ocorridos.

Uma comparação dos resultados expressos na Fig. 2 a) e b) revela concordância no número d e casas ex istentes antes do sismo e no número de casas em ruína total, e discordân cia qua nto ao número d e casa s que sofreram danos de grau intermédio. Neste último pon to a carta Soeiro aponta para percentagens muito inferiores às da carta GAK Para justificar a discrepância entre o número d e construções afectadas (7774 segundo Soeiro e 10 192 segund o o GAR), Quadro l, pa ra as mesmas freguesias\ pod e referir-se que houve casos em que uma construção do primeiro levantam ento se desdobrou em 4 processos d o GAR: " ... 0 inquilino vivia com o filh o casado e a filha também casada nos quartos de cima .. ." No primeiro leva ntamento foi considerada a pen as uma casa em ruínas, que deu lugar a quatro processos d e reconstrução, send o três de construção de casa nova, nomeadamente em nome d o propri etári o, d o inquilino, da filha e do filho deste. O fa cto d e os primeiros levantamentos não considerarem danos em chaminés como significa tivos para a atribuição da característi ca "construção afectada" não só reforça a redução do núm ero geral das constru ções afec tadas como justifica também o aparecimento de células em branco no Quadro I.

(

1

)

O total de edifício afectados. Quadro I , é ig ual ao somatório dos edifícios class i fi cados de razoável , mau e ruín a, ou de ruína e danificados. No caso Soeiro , o total de edifícios leva ntados é muit o inferior ao dado no censo de 1970. Os valores GAR aproxi mam-se mai s do censo.

669


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b) Fig. 2 -

670

Carta de danos gerais na ilha Terceira, segundo: a) levantamentos Soeiro, Fev. 1980; e b) inspecções deta lhadas d o CAR, Dez. 1981


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Fig. 3 - Carta d e d anos d e Ang ra d o HeroĂ­sm o, segundo leva nta mentos Soeiro / DS H UAA 1-1 Nuta: Ver esca la de d a nos na p;Ă­gin a 672

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INQUERIIO_., 'W\R AS CONSTftUÇOES DA VILA DE 8AO IE8AS'IIAO ATINGIDAS PELO 818110 DE 111• JUUtODEtiiO

(Cio'+. . 8lgUIICID.......,., do Alq. SoeiroiDSHUAAH e Eng. Ulllallo BenancourtiOSOPAH · 1980) .

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Fig. 4- Carta de danos na freguesia de S. Sebastião


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Fig. 5 -

Mo ntagem de fo tog ra fi as, com vista vertical da cid ade de Angra do HeroĂ­s mo, tirad as logo a pĂłs o sismo (fotos e m ontagem - A rq". joiĂ­o Cru z)


QUADRO I

Número de construções existen te e damficadas pelo sismo, por freguesias e por gra u de da nos, segundo os primeiros levantamentos e o CAR GA R

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12 7 55 49 25 4 4 82 76

33 5 7 37 51 150 230 61 160 930 285 95 50 160 202 23 75 120 50

97 1'1 1"14 68 116 75 130 105 80 919 130 57 10 77

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6 30 60 "16

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L<~jes

Fo nte d o Basta rdo Cabo dn Praia Sa nta C ruz M;m adas Norte Gra nde Rosa i Sa nto Amil ro Urzeli na Velas Cal heta Norte Pequeno Ribeira Seca Sa nto Antão Topo G u ada lupe Lu z Praia Sa n ta Cru z Tota is

To ta l Ex iste ntes Ruína afecl. em 1970 197 280

soo T S 278 290 480 282 310 2519 535 195 66 359 569 194 125 220

o 110

o

o o o

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259 3 8 598 281 349 774 562 447 424 4 608 839 329 656 761 787 238 652 680 341 523 1 35 331 457 2 480 297 5 12 404 384 365 626 514 ., 8 680 621 238 1 005 709 522 755 26892

106 334 350 "140 70 140 250 112 150 1 814 250 90 6 I O 403 135 50 100 30 24 12

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o 234 127 97 453 2J2 18 210 1 303 234 200 390 56 160 62 466 230 21 0 206 488 200 1 7 7 18 126 120 90 96 1112 100 240

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5455

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"15438

o

3 7 1 29

o

lO 1

o 34 12 84 224 179 75 80

As di scordância , observa das sugerem as seguintes co nsid erações: a) torn a-se difícil obter da dos preciso sobre o número de casas com pequ enos da nos quand o se ex ige uma execução ráp ida do leva nta mento c não se dispõe de pessoa l su ficiente; b) um l eva nta~ mento detalh ado feito nu ma segunda fase de avalia ções, co m mais dispo ni bilidad de tempo e pessoal, permite critério de maior rigor; c) esta segu nd a fase pod e, por outro lado, conduzir a estimati vas de da nos ' uperi ores à realid ade, uma vez que se destinou essencia lmente à determinação d os custo da recons trução com vista ao stabeleciment

674


d e ced ência de materiai s e acesso às linhas de crédito. Esta sobrevalorização dos d a nos incl ui as beneficiações complementares introduzidas pela reconstrução. A inform ação sobre o parque habitacio nal à data d o sismo consta d e levanta mentos efectuados em 1979 e do censo de 1981. Outras informaçõe obre o parqu e após o sismo pod em ser obtida s d e um inquérito efe tuad o pelo GAR em 1985, Lucas et al. (1991) . Este inquérito encontra-se por analisa r. 2.1 -

Algumas nota s sobre o Levantamento Soeiro

A partir d os resultados d os primeiros leva ntamen tos efectuados na ilh a Terceira logo após o sismo, Soeiro (1980), para uma id entifi cação expedita dos edifícios afectados, Fig. 3, pode apreciar-se o esforço desen volvido ao longo dos primeiros 40 di as e a form a como o tra balho foi progredind o. A Fig. 6 m ostra a evolução do número d e levantamentos por freguesia e no total d a ilha. Da aná lise d es tes gráficos pod em faz er- e o seguintes comentários: -

-

Os leva nta mentos foram rea li za d os entre 8 d e Janeiro e 7 d e Fevereiro. Começaram pelas freguesias da cidade, passand o d epois às fregu esias rurais . A taxa diária de leva ntamentos foi baixando ao longo d o tempo, provavelm ente d evido à própria sequên cia do trabalho. As vis torias nas freguesias rurai s implicaram naturalmente maiores percursos. Obser va m-se d escontinuidades no gráfico dos totais (para a ilh a Terceira ) que coin cidem com os d omin gos, a começar no 2. 11 domingo a partir de 1/1 / 80. Estas d escontinuidad es confirmam que o sism o oco rreu a uma terça-feira .

A reco nstrução, qu e foi obra d e grande en verga dura, iniciou-se logo no dia seguinte ao sismo. A Fig. 7, com foto tirada pouco di as a pós o sismo, é elu cida tiva das preocupações manifes tadas por toda a pop ulação de inicia r imediatamente a reconstru ção. 3 - ELEMENTOS EXISTENTES

De entre a vas ta d ocumentação con tida no espólio d o GAR, Lucas e t al. (1991), afig ura-se qu e há quatro grupos d e fi chas-relatório -folhas que melhor pod em caracterizar os danos e o fenómeno da reconstrução (n os Anexos I, II e Ill encontram-se cópias d e ori ginais com exempl os de 3 d essas fi chas) . 3.1 -

Relatório de avaliação de danos (existem no GAR 6416 fichas)

Contém um a d escri ção sumária dos danos ocorridos nas diferentes partes d a construção, e propõe uma terapia para a recuperação, indicand o a primeira "tranche" (estima ti va) dos materiais a ceder ao proprietário , Anexo I. 3.2 -

Folha de obra (7472 fichas)

Contém os relatos da s fi sca lizações efectuada s ao longo da reconstrução d e cada edifício, com indicação d as quantidades d e materiais cedid as pelo GAR. As folhas d e obra, também cha madas "folhas verdes", Anexo H, eram entreg ues ao dono da obra, com o compromisso d e serem restituídas ao GAR uma vez concl uídos o trabalh os. Note-se que muitas d esta s folhas não chegaram a ser d evolvi da .

675


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Evolução do número de le vantamentos efectuados ao longo dos primeiros 40 dias após o sis mo, por freguc ia e para toda a ilha Terceira


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Fig. 6 -

Evolu ção do nú mero de levantam entos efectuados ao longo dos primeiros 40 dias após o sismo, por freguesia e para tod a a ilha Terceira (cont. )

Fig. 7 -

Obras de recuperação uma semana após o sismo -

reparação de cunh ai

677


Era aind a elaborada um a fi cha de registo dos materiais cedid os, também chamad a "foU1a amarela", An exo U. Esta foU1a, em correspondência com a follia d e obra, era arquivada nos serviços. 3.3 -

Relatório de avaliação para linhas de crédito (6178 fichas)

Contém a d escrição d a avaliação efectuada por peritos, com o fim d e obtenção d e empréstimo através das linhas d e crédito especialmente criadas para o efeito, Anexo UI. 3.4 -

Processo das linhas de crédito (5405 fichas)

Contém toda a inform ação e d ocumentação respeitante ao empréstimo efectivam ente concedid o pela s instituições de créd ito. De entre esta informa ção, d estacam-se alguma s vari á veis cujo conhecimento é in dispensável para um a melhor percepção d o processo da recon strução. Por exemplo, é possível d e terminar a parcela d o custo d a reconstru ção não contemplad a no valor d o crédi to concedido, e assim saber a forma como se repartem as verbas pelas rubricas d e finan ciamento e d e poupa nças individuais. 3.5 -

Formulário para cálculo da cedência de materiais

Nele se calculava o valor limite supe ri or d os ma te ri ais a conceder, valor este que era transcrito para a folha d e obra. 3.6 -

Comentários sobre os dados existentes

Existe ainda um outro fi cheiro, para os primeiros m eses a seguir ao sismo, com cerca d e 5000 fichas, onde se juntaram, por sinistrad o, essencialmente as informações sobre materiais distribuídos imediatamente após o sism o, atra vés d as juntas d e fregu esia . Muitas d esta s ficha s vieram mais tarde a ser in corporad as nos quatro fich eiros anteriormente referid os. O s ficheiros, constituídos independentem ente uns dos outros, referem-se a cerca d e 13 800 casa s. A única forma d e rela cioname nto entre os fi cheiros é conseguida a través da identificação do nom e d o proprie tário e da respectiva morada. O núm ero d e ficha s existentes vari a d e fich eiro para ficheiro. Com vi sta a poder utilizar toda esta informa ção de forma sistemática e dinâmica e, consequentemente, poder efectuar interpretações qu er sobre o estado de danos da s construções, quer sobre tod o o processo da reconstrução, foi elaborada uma base-de-d ados para tra tamento inform á tico. As fich as d o Rela tóri o d e Ava liação para pedido d e empréstimo para a construçã o (ver exemplar no Anexo IIT) a tendem essencialmente ao qu e se vai reconstruir, d enotando já os m elhoramen tos in trod uzidos. Assim, a informação que contêm, respeita à construção final, com as novas dimensões, divi sões, arrumas, casa d e banho, anexos, por vezes número d e pisos, etc. Con tudo, algumas informações dizem respeito à construçã o antes d o sismo e ao grau d e danos. O preenchimento da variá veis é feito d e acordo com o qu e consta d as fi chas, n ão havend o, nes ta fase, crítica a nível d a sua ela boração. U ma análise posteri or d os res ultados obtidos das correlaçõe efectuad as, pod erá permitir fazer críticas a o utro nivei .

67 8


A informação sobre as ca ra cte rísti cas d as constru çõe , in1edia ta m ente ante d o sism o, pod e ser obtid a d as fichas sobre avaliação d e danos e medidas terapêuti cas (ver Anexo I). A info rmação sobre as obras d e recuperação realiza d as enco ntra--se n as folhas d e obras (ver An exo II). As avali ações efectuadas baseavam-se muito na sensibilidad e d o técni co qu e procedia ao levantam ento d a situação. No entanto, periodi ca m ente, reunia m -se tod os os técnicos com o objecti vo d e aferir os valores unitári os pa ra ca d a um d os prin cipa is ti pos d e habitação a consid erar, d e acordo com a seguinte classificação : m od esta, m od esta m elhorada e co rrente (ver Anexo V). N as aferições entrava-se em consid eração com valor es prosp ectad os n o mercado, possibilitand o m aior homogeneid ad e de critérios. Era frequente o técnico avaliador solicitar a opinião d e outros técnicos interessados no processo, q u ando s ubsisti am dú vid as quanto à a tribuição de va lo res para a ca r acteri zação da s con s truções, o u m esm o p ara a d efiniçã o d o g rau d e d an os. DESCRIÇÃO DA BASE-DE-DADOS

44..1 -

Descrição

A d efinição d a base-de-d ad os (a fi cha-tipo en contra-se no Anexo IV) foi estabelecid a a pós uma análise d etalhada d o conteúdo d as fichas e d a p ercep ção d o tipo e ex tensão das infor m ações nelas contid as. As va ri áveis e resp ec tivos campos d e varia ção fo ram então cri a d os tend o em a tenção os seg uintes critérios: 1 2 3 4 5

-

frequência d e ocorrência da inform ação; facilid ad e d e transp osição da info rmação da ficha p ara a base-d e-d ad os; relevância da info rmação; simpli cid ad e d a inform ação ou informação já classificada; descri ção o mais de talhada possível.

Em face ao que acima se refere, inici ou-se a primeira fase da info r matização d os d ad os existentes a pa rtir d os relatóri os d e ava liação, uma vez que a info rmação neles contid a se encontrava já classificada e, consequentemente, facilm ente transp oníve l para uma base de d ad os. Mas, m esm o nos casos m ais fa cilitad os, surgiram inúm eras s ituações onde foi necessá ri o recorrer à interpretação, pois os critéri os d e preenchim ento nem sempre foram os m esmos. Como exempl o, pod e referir-se a dificuldade n o preenchim ento d a variável "número d e pi os" em qu e não hou ve uma consistência sistem áti ca. Umas vezes contavase com a ca ve, ou tras só com o r /c, sendo o critéri o ad optad o muito d epend ente da inclinação d o terreno d e implantação. O m ais prová vel é que o critéri o tenha sido influenciado pela noção de pisos ap are ntes o u vistos d o ex teri or. Cada ficha d e avaliação -linha d e crédito d eu origem a um regis to informático ("record ") na base-d e-dad os. Os d ad os d a fo lha d e obra fo ra m info rma ti za d os numa segunda fase, p artindo da base orga niza d a na p rimeira fase, por introd ução d e n o vas variáveis referentes ao m esm o prédio. Perante a situ ação d e casos d e reconstru ção com folha d e obra mas sem rela tório d e avali açã o, era cri ad o um novo registo n a base-d e-dad os. Al gum as da s variávei s da folh a d e obra obrigaram a in terpretações mais d etalhada s, con sequ entemente mais m orosa s e, por vezes, até d e m aio r grau d e subjectivid ad e.

679


4.2 -

Suporte informático e situação de preenchimento

Para levar a cabo o preenchimento da base-de-dados foi necessário recrutar pessoal com perfil profissional diferenciado. Assim, se para as ficha s de avaliação se exige uma preparação acad émica d o lO.Qano, e para a interpretação da ficha de obra é necessário um maior conhecim ento d a construção, o "Relatório de danos" , Anexo I, é bem mais difícil de informatizar, uma vez que a informação nele contida é essencialmente de natureza descritiva . Obriga, portanto, a um grande esforço de interpretação, que só pode vir a ser bem executado por técnicos especializados. Por outro lado, o processo das linhas de crédito é de consulta simples mas morosa. A base-de-dados foi es tabelecida num suporte "Apple-Macintosh", com possibilidade de exportação para outros suportes informáticos. Utilizou-se a aplicação "FileMaker Pro", ocupando o actual documento, que contém de 10 514 registos com 100 variáveis independentes por registo, aproximadamente 15 Mbytes. No Anexo IV apresenta-se a ficha-tipo para preenchimento do inquérito ao parque habitacional. A descrição das variáveis que constituem a base-de-dados e dos seus possíveis valores, com as respectivas descrições, listas de opções e distinções entre estas, está apresentada nos Anexos V e VI. Apresenta-se também o dicionário de preenchimento. Algumas da s variáveis, por serem muito simples, não carecem de explicação. Os dados foram informati zados por várias equipas de jovens integrados no programa "Organização de Tempos Livres", OTLj, em 1990 e 1991. Até à altura de escrita deste trabalho e na impossibilidade d e informatizar os dados de toda a documentação existente, restringiu-se a recolha aos relatórios de avaliação e às folhas de obra da ilha Terceira e, de forma incompleta, aos relatórios de avaliação das ilhas de São Jorge e Graciosa. Nestas duas ilhas foram apenas introduzidos os relatórios de avaliação relativos às freguesias do Topo, Calheta, Santo Antão e Urzelina, na ilha de S. Jorge, e às freguesias de Sta. Cruz e Guadalupe, na Graciosa . Os relatórios que faltam nestas duas ilhas representam cerca de 25% de todos os relatórios de avaliação efectuados pelo GAR. Nestas duas ilhas também não foi introduzida qualquer folha de obra. Na Terceira a recolha está concluída, tanto para relatórios de avaliação como para folhas de obra. Na Fig. 8 apresenta-se a di stribuição geográfica das construções cujos dados foram informatizados e sua percentagem em relação ao total de construções por freguesia, separando-se os registos da base-de-dados nos seguintes três grupos: - registos de construções que possuem apenas relatório de avaliação; - regi stos d e construções que possuem apenas folha de obra; - registos de construções que possuem quer relatório de avaliação quer folha de obra. Outras ficha s d everão ser utilizadas posteriormente para completar os dois ficheiros já informatizados, d esignad amente as d os rela tórios d e danos e dos processos das linhas de crédito. 4.3 -Validação dos dados

Um dos processos mais complexos e morosos do estabelecimento desta base-de-dad os consistiu na verifica ção e validação dos dados introduzidos, uma vez que ela é formad a por muitas va ri áveis que pod em assumir os mais diversos valores. Recorreu-se com

680


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Só Relatório de Avaliação

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Só Folha de Obra

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Freguesia

Freguesia

1

2

3

2

3

Altares

68 110

63

Agua lva

21

Cinco Ribeiras

36 138

67

Biscoitos

58 215

Cabo da Praia

42

97

49

Fonte do Bastardo

13

88

64

Pontinhas

28 126

29

Lajes

36 245

74

Quatro Ribeiras

24

58

Conceição

]

331 191 223

Doze Ribeiras

40 122

Feteira

44

Porto Judeu

45 164 117

Raminho Ribeirinha Santa Barbara

77

75 113

30 107

69

120 169 157 71

346 112

Santa Cruz PV São Bráz

18 131

20

Vila N ova

50 216

64

248 209 237

São Bartolomeu

114 158

São Bento

120

Santo Antão

77

São Mateus

143 173 176

Topo

57

São Pedro

262 172 283

Guadalupe

53

São Sebastião Sé Serreta

54 159

83 189 119 235

60 169

16 124

91

161

103 206 167

Santa Luzia

91

248 138

Calheta

129

Santa Cruz GR

85

Urzehna

48

2

37

Legenda: 1 -Número d e regis tos que respeitam apenas a relatório d e ava liação 2- N úmero d e regis tos que respeitam apenas a folha d e obra 3 - Número d e registos qu e respeitam simultânea mente a a mbos Fi g . 8- Situaçã o de informatização d os ficheiros fundamentais d a reconstrução: relatórios de avaliaçã o e folha s d e obra, por cada fregu esia

681


frequ ência a uma vali d açã o preli m in a r d os d ados in fo rm atizados a través d a co rrelação d e diversas in form ações, para o que foi útil a introduçã o d e d ados redundantes. O maior tem po gas to foi d e longe ocupado na eliminação d e inconsistências nas vari áveis relacionadas com a cons titui çã o física dos ed ifícios, como por exemplo, a existência d e registos sem correspond ência a fracções a utónomas, co m áreas no 2. 9 piso e sem área nos pisos inferiores. Erros d esta na tureza eram mu ito frequ entes resultand o d a difi culdade encontrad a pel os jovens OTL na interpre tação da s á reas indi ca d as nos relatóri os d e ava li ação e sua tradução para parâmetros físi cos do ed ifício ou edifícios em causa (ex: áreas aos vá rios níveis d a cons trução). As áreas indica d as nos relatóri os d e ava li ação tinh am com o critéri o mais frequ ente a relação uso-valor, e d esprezava m outros critérios, como sejam a sua existência anterior ao sismo ou a constituição física dos edifíc ios por a ndares. Pa ra a resolução destas incoerências foi muito ú til o recurso aos croqu is d esenh ad o qu e, apesar d e serem d esenho único, eram muitas vezes boas fontes d e informaçã o. A título ilustra ti vo a presen ta-se u m exemplo: Croqui : Do Relatório de nvalincão constavn o scgumte: Com posi fi<Ld q_prédi o: um co rpo com um pi<:>o c ou tro com 2

l'Jllpliaç ã o 60% e xecut ado

li

pisos Compartime1J.1:1çào: Exis tente - antes do sis mo tin h ;:~ 2 qua rto!'>, cozin ha e d ua s cas..1s de banh o; a am pli ação tem no r/ c cinco quartos e uma casa de ba nho e no primeiro piso tem 2 ~a la s

Co n s tr ucã o : Ex bt c nt e 82 m 2 x 16 c ont o s : = 1312 co ntos; Ampliação- 31 0 rn 2 x 18 con to::. x 0,60: 3348 cont

(0,60 é

Repa ra o

o

índice de execução)

Problcwa: A questão que se co l a é a d e co mo d ividir as áreas de 82 e 3 10 m 2 pelos níveis de r /c e 1" andftr, poi se es tá em presença de uma cons !Tução de d ois pi o .

2

p· so Existent 1 piso

l11terpretação: Pela aná lise do croq ui, a opção fo i at ribuir ao r/ c:1 área de (82 ; 310/2) ~237 m2 com p reço unitá rio, Pu, Interpolado de forma que 82 x 16 co nlos + 155 Y 0,60 ..< 1 contos : 237 x Pu r I c mtcrpolado. A área do 1° 1\ f01 JlTJ buido o vcllor de 3'10/2='l 'i5m2 A árcJ de i:l mp l i ~1 ção foi d esprczadn tend o .:;ido registado um

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"c;i m " na vM iávcl "b

n P fíC"IO

da conc;tru ç<1o".

Fo i também necessário recorrer a outras análises, com listagens p a rcela res, pa ra d etectar erros evid entes d e p reenchim en to que fora m sen do su cessivamente corrigid os nos d ad os ini ciais. H o uve ainda que homogeneizar a simbologia ad optada para d escrever as variáveis, nom eadam ente a d os nomes d as freguesias, ruas, etc., alguns d os qu ais ainda por completar. U ma d es tas situa ções passou-se com a vari ável "engenh eiro", pois surgira m inúm eras vezes nomes d iferentes para a mesma pessoa . Muitas vezes tirou-se pa rtid o d a redund ância da inform ação. A título d e exempl o pod e referir-se q ue o "Va lor total" send o calcu lado pelo computador ser via d e verificação d os d ad os in trod u zido , Anexo IV. Em res um o pod e d izer- e que o pro esso de va li dação condu ziu à verifi cação e revisão, nos seus múltiplo ca mpo , d e cerca de 2000 registos, por consulta directa à ficha ori ginal.

682


4.4- Tratamento

Para toda s as variáveis foi possível proceder ao estudo esta tístico, d efinind o distribuições, correlações, etc. Sempre que se achou conveniente transcreveram-se para o tex to ou para as figuras os valores dos principais parâ me tros das distribuições (média, d esvio padr5o, intervalo d e confiança, dim ensão da amostra, etc.). Embora alguma s da s variáveis se pud essem ajustar a distribuições conhecidas, nenhum es tudo foi feito no sentido da procura dessas distribuições. Para a análise esta tística ex portou-se toda a base-d e-d ados do "FileMaker Pro" para um ficheiro intermédio em formato de tex to tabul ad o, se ndo posteriorm ente importado para a apli cação de estatística "StatView", na qual foi feita a análise. A feitura d os gráficos mais elaborados, correspondentes às tabela s estatísticas produzidas pelo "StatView", bem como a maioria d e todos os outros gráficos, foi realiza da na aplicação "Excel". Tum ou noutro caso em que não se possuía informação sobre a variáve l cm estudo, ma em que ha via informação sobre ou tra variável da mesma na tureza, recuperou-se essa ficha após a conversão da variá vcl (po r exemplo "fim d e obra" = última vistoria ). 5-

EXEMPLOS DE APLICAÇÃO

Para se ter uma id eia das potencialidades da presente base-de-dados foram estudadas algum a da s variávei aí ontida . ão e pretend eu neste trabalho fazer uma aná lise exa us tiva da informa ção disponível. Tal tarefa, de grand es dimensões, d everá ser rea lizada posteriormente, e assim co nstituir uma base para projectos de investi gação e aplicação, não a penas na área sísmica ma s também em outros domín ios da habita ção-construção. A base-de-dad os d esenvolvida refere apenas os edifícios que foram afectad os pelo fio contém informação sobre os edifí ias que não sofreram danos. onsequ entemente, todos i os resultad os que se a presentam, a não ser que se especifique em contrário, dizem respeito unicamente ao subconjunto de edifícios d o parque habitacional que sofreram algum tipo de danos. O conjunto comple to d os edifícios à d ata d o sismo estim a-se em 26 892 (censo d e 1970), tendo havido 15 527 ating idos pelo sismo. Destes, 10 514 fazem já parte d esta base-de-dados, constituindo um universo d e cerca d e 2/ 3 do total dos a tingidos. O resultados vão ser apresentados por temáti ca, recorrendo essencialm ente à representação grá fi ca. ão se pretendeu ser sinté ti co, ma s sim dispo nibiliza r a informa ção d a base-de-dados como se d e um "álbum" se tra tasse. De qualquer modo, empre que se julgo u oportuno, foram sendo feitos algm1s co mentários sobre aspectos mais sign ifi ca ti vos, de forma muito sumár ia ao longo da en umeração da s figuras. o Anexo VII apresenta-se um exemplo d e uma página de um a lista gem por temá tica, d os tipos de obra e materiais cedidos, ord ena d os por o rdem alfabética. o Anexo VIII faz- c um a panhado dos parâme tros estatísticos (médias e d esv ios padrão) das principais va ri ávci uni-dime nsionai da base-d e-dad os. Os valore a presentad os foram calculad os para uma a mostra no interva lo 10%-90 % da distribuição, diferindo um pouco dos apre "Cntados junto d e algum as figuras, pois nestes casos as variáveis foram limitadas superiormente ao percentil d e 95 %. 5.1- Variáveis relacionadas com as tipologias

Nesta secção estudam-se as variáveis relacionadas com tud o o que diz respeito à di stribuição geográfica às da s constru ções e suas tipologias, designadam ente a geometria, a

683


rectangularidade, o número de andares, o número de divisões, as áreas úteis de implantação e as áreas dos terrenos. A Fig. 9 apresenta a distribuição geográfica das construções existentes em 1980, por ilhas e por concelhos, e a Fig. 10 a distribuição das construções por graus de importância da localização. Imediatamente se vê que a grande maioria dos registos da base-de-dados diz respeito à ilha Terceira. Também se nota que a localização "central" e "razoável" são as predominantes. A Fig. 11 mostra a distribuição do número de edifícios por quarteirão na cidade de Angra do Heroísmo. Esta variável, cuja média dá cerca de 24 edifícios por quarteirão, num total de 90, foi obtida por inquérito directo no campo. Raros são os quarteirões que têm mais de 40 edifícios, ou menos de 10. Poder-se-ia ter usado a base-de-dados utilizando o nome das ruas, mas o processo seria mais moroso. Um estudo mais detalhado dos edifícios ao longo das ruas de um quarteirão daria indicações úteis sobre rectangularidade, etc. A Fig. 12 refere-se ao "número de pisos" cujo valor médio, por construção, é de 1.63 (para toda a base-de--dados). A grande maioria das construções tem entre 1 e 2 pisos, havendo apenas 54 com mais de 4 pisos. A distribuição é claramente diferente para a cidade e para as zonas rurai s (freguesias), como se observa na Fig. 12 b). A Fig. 13 mostra a distribuição do número de divi sões cm cad a piso, em função do número de pisos dos edifícios. Verifica-se que o número d e di visões em cada piso depende do número de pisos e do andar em causa. Por exemplo a média das divisões no r / c diminui com a altura do edifício, mas nos andares superiores já não é tão notória esta tendência. Independentemente do número de pisos de cada construção, Fig. 14, a média de compartimentos no r/c e 12 andar é de 6, sendo bem mais baixa para os andares de cima. O pico que se observa para duas divisões no r/c corresponde às casas com loja, que vulgarmente apresentam uma parede divisória. Na Fig. 14 b) mostra-se a variação do número médio de divisões para várias freguesias . QUADRO II

Matriz de correlação das variáveis "dim ensão " Aproveita men to

Frente

Profundidade

º de Pisos

Apro veitamento Frente

.028

Profundidad e

-.019

.294

N" Pisos

-.152

-.054

.232

A Fig. 15 apresenta a distribuição das construções de acordo com as dimensões em planta (frentes e profundidades), separando a informação de acordo com o número de pisos. As frentes médias para casas de 1 e 2 pisos estão bem definidas entre 7 e 12 m; para edifícios mais altos a dispersão é maior. A dispersão das profundidades é sempre maior que a das frentes, com valor médio entre 8 e 13 m nas casas de 1 e 2 pisos. Uma outra forma de olhar para as interdependências das diferentes variáveis baseia-se no cálculo das correlações. No Quadro II apresenta-se a matriz de correlação das variáveis num éricas relacionadas com a "dimensão" e as suas ligações à variável "apro-

684


veitamento". Os resultados apontam no geral para valores muito baixos, o que significa independência mútua daquelas variáveis. O valor mais elevado foi conseguido para o relacionamento das variáveis "frente"-"profundidade". A Fig. 16 mostra os tipos de compartimentação no primeiro piso, com predominância clara de r/c compartimentado. Na introdução dos dados o r/c era considerado compartimentado sempre que possuía mais do que uma divisão. As Figs. 17 e 18 apresentam as distribuições das construções, de acordo, respectivamente com as áreas de cada um dos pisos e com as áreas úteis (soma das áreas dos pisos), em função do número de pisos, considerando todo o conjunto, e independentemente do número de pisos de cada construção. Os valores médios das áreas mostram um máximo para o r I c e 1º andar com cerca de 95 m2, e um decréscimo para os andares superiores e para a cave. Quanto aos valores médios das áreas úteis verifica-se, Fig. 18, que o crescimento não é proporcional ao número de andares (1 piso - 100 m2; 2 pisos - 150 m2; 3 pisos-250m2), pois a área por andar decresce com o aumento do número de pisos. Limitações de áreas: Os proprietários não tinham limitação nas áreas para obtenção de empréstimo, enquanto que os financiamentos aos arrendatários estavam limitados a áreas máximas, no valor médio de 115 m2 para o caso de uma habitação T3. As Figs. 19 a 21 mostram as distribuições das construções de acordo com as áreas das parcelas urbanas e r:,ústicas e de acordo com as áreas globais do terreno em que estão implantadas, considerando as três ilhas e as freguesias da cidade de Angra. A forma das distribuições é idêntica para as três ilhas e para Angra, com uma média de 250 m2 para as primeiras e de 150 m2 para a segunda. O pico a 500 m2 prende-se com o limite para atribuição da classificação de terreno urbano, que era adoptado em terrenos de grandes dimensões especialmente em zonas rurais. A área remanescente era classificada de rural não sendo por isso passível de aquisição financiada. A Fig. 22 mostra que a distribuição das construções de acordo com as áreas de implantação é muito regular e com pico aos 90 - 100 m2 , o que aliás se coaduna com as áreas dos andares inferiores. Na Fig. 23 mostra-se a dependência da dimensão das frentes das construções em função do tipo de implantação: quando a construção é paralela à rua, com frente larga, a média das frentes anda pelos 15 m, e nas perpendiculares à rua, com frente estreita, aquela média não passa dos 8 m. A Fig. 24 mostra a distribuição das áreas de implantação e sua relação com as geometrias das plantas mais típicas. As áreas de implantação dependem não tão acentuadamente da forma da planta: se para as rectangulares a média é de 100m2, nas outras é maior podendo atingir os 120 m2 nas construções em U. 5.2- Variáveis relacionadas com o nível de danos

Nesta secção quantificam-se os danos, relacionando-os com diversas vanaveis, designadamente com a distribuição geográfica, o número de andares, a importância da localização, a geometria da planta e a estrutura do 12 piso. A Fig. 25 mostra que muitas construções perderam a habitabilidade após o sismo. Mais do dobro do que as que a mantiveram. A habitabilidade que interessa aqui é a referente à construção em avaliação. Nos relatórios de avaliação aparecem, nas observações, muitas referências à falta de habitabilidade das construções habitadas pelos requerentes à data do sismo- condição base para a aquisição do estatuto de sinistrado. Poucas vezes é indicada a morada na data do sismo a que se refere esta falta de habitabilidade.

685


A Fig. 26 ap resenta a distribui ção d as constru ções em função d o grau de danos sofridos nas três ilhas; a Fig. 27 a di stribui ção geográfi ca por grau d e da nos, e a Fig. 28 a distribuição por grau d e d a nos e por ca racterísticas da constru ção. Como seria de esperar existe boa co rrelação dos d anos, não só co m a distância epicentral, (ver Lucas et ai., 1991, e Oliveira et ai., 1991, para a apresentação e análise da atenua ção), como também com as características da construção. A Fig. 29 rela ciona o grau de aproveitamento e de perda em função do grau d e danos.