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ConVida Campo de Ourique & Estrela / 2008 (nº 2)

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Eléctrico 28 Lisboa em sete quilómetros texto / text andreia félix coelho

F OTO G R A F I A / P H O T O G R A P H Y E V E L Y N K AHN

No eléctrico 28 juntam-se todos os dias turistas e lisboetas. Ao contrário do que muitos pensam, esta carreira ainda é usada maioritariamente pelos habitantes da cidade. Quem chega de fora vai-se divertindo com as peripécias e atribulações de um longo percurso que liga Campo de Ourique ao Martim Moniz.

Q

uando chega junto à estátua de São João Bosco, em Campo de Ourique, o eléctrico número 28 obriga todos os passageiros a sair. Ali, mesmo à porta do Cemitério dos Prazeres, termina e começa a carreira. Muitos turistas, porém, limitam-se a sair do eléctrico e a voltar a entrar no seguinte para retornar à baixa da cidade. Nós deixamos a sugestão de se aventurarem à descoberta deste bairro tradicional. Além do Cemitério dos Prazeres, atraente pela sua História e beleza natural, vale a pena percorrer algumas ruas, descobrir os excelentes restaurantes e comércio do bairro, passar na Igreja de Santo Condestável, na Casa Fernando Pessoa e terminar na Basílica da Estrela. Mesmo em frente da basílica, e depois de visitar o jardim da Estrela, encontra outra paragem do 28 para prosseguir caminho. A partir daqui, a viagem de eléctrico é uma espécie de regresso ao passado quase sempre com peripécias. A uma velocidade média de oito quilómetros por hora, passamos no Largo Camões, na Rua da Conceição, na Sé, na Graça e o Martim Moniz marca o final da viagem que dura em média 50 minutos. Mas às vezes os obstáculos fazem com que este tempo seja imprevisível. Como se os condutores não soubessem que os carris apenas ao 28 pertencem, continuam a ocupar o seu espaço, obrigando o eléctrico a parar várias vezes. Se é certo que os

passageiros frequentes já o vêem como uma rotina, quem vem de fora depara-se com cenas hilariantes dignas de registo fotográfico. Histórias destas não faltam a Sara Coelho, guardafreio da Carris há seis anos. Já conduziu o eléctrico cheio de chefes de Estado aquando da assinatura do Tratado de Lisboa e uma das experiências que mais a marcou foi uma viagem guiada só com professores de História de Arte. Mas todos os dias, os passageiros mais assíduos entram com as suas histórias para contar. «Bom dia Sara!», cumprimenta o Sr. Carlos à entrada no eléctrico. Pergunta pelas colegas de Sara, conta que acabou por não ir à ‘terra’ na Páscoa, Sara pergunta pela mulher e onde vai hoje passar o dia. Pelo meio, grita «Castelo, castillo, castle, château!» para que os turistas não percam a paragem do castelo de São Jorge. O percurso do 28 é, sem dúvida, um dos mais fascinantes de Lisboa. Esta carreira de eléctricos faz 270 viagens todos os dias, levando na sua maioria lisboetas, sempre acompanhados por turistas. Todos os anos, mais de cinco milhões de passageiros viajam sobre carris entre os Prazeres e o Martim Moniz. Não pode perder, já em Junho, a iniciativa Fado no Eléctrico que o transportará ao som de um fadista e de uma guitarra portuguesa. Uma experiência única que transforma os sete quilómetros de viagem de eléctrico num verdadeiro reencontro com a tradição alfacinha.• Campo de ourique & estrela con vida · 7


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