A Calçada do Duque é uma artéria tortuosa e pouco conhecida no coração da capital. No entanto, ali vive-se Lisboa em todo o seu esplendor. Vale a pena deixar-se seduzir pelas esplanadas com vista para o Castelo. T e x to / t e x t A n d r e i a F é l i x C o e l h o · f oto g r a f ia / p h o t o g r a p h y i n ê s r o l o
uma refeição na esplanada onde serve. Aborda-os até em inglês se for necessário. O espaço revela-se modesto, mas as mesas no exterior assumem-se como um verdadeiro luxo na capital. Dali os olhos abarcam o Castelo de São Jorge na sua totalidade e os clientes sentam-se em jeito de plateia como se de um espectáculo a vista da cidade se tratasse. Assim seduzem as Escadinhas do Duque, como vulgarmente são chamadas. Na verdade, as placas toponímicas denunciam que aquela artéria tortuosa se chama Calçada do Duque. Situada nas traseiras do Chiado, contrasta com a nobreza que caracteriza o bairro. Porém, ali respira-se Lisboa e vive-se Diz-se que só a igreja Madre de Deus supera a ri-
a sua verdadeira essência. Os edifícios pombalinos
queza ostentada pela igreja de São Roque. Situada
dispõem-se desalinhados, cada um de sua cor. Pro-
no Largo Trindade Coelho, onde reside uma estátua
tagonizam os azuis, amarelos e vermelhos-velhos.
erguida em homenagem aos ardinas lisboetas, o
Depois de se passar o Casa Transmontana, restau-
monumento religioso e museu traz para a capital
rante de cozinha regional que se situa no topo da
a arte sacra bem ao estilo italiano do século XVIII.
escadaria, começam a avistar-se os coloridos en-
É por ali que alfacinhas e turistas se entrecruzam.
feites de papel que parecem cruzar os céus em ho-
Num dos mais belos e nobres largos da cidade. De
menagem a Santo António. Adivinham-se as festas
forma pouco explícita irrompem daquele local as
populares regadas a vinho e alegradas pelas vozes
Escadinhas do Duque. Bem escondidas, levam-nos
de quem canta. Dobra-se a esquina e eis que sur-
a uma outra Lisboa, repleta de sinais e personagens
ge a surpresa de se poder observar o castelo como
que denuciam hábitos de outrora.
um todo, lá no cimo da cidade. Das janelas do res-
É ali que o senhor Correia se mexe freneticamente,
taurante Solar do Duque emana o fado, cuja sono-
junto à porta do restaurante Securas. De menu na
ridade faz das escadinhas uma Lisboa ainda mais
mão, apela aos transeuntes para experimentarem
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