CHIADO IN LOCO
Chuva de chávenas Uma cliente habitual, de certa idade, aspecto respeitável, andava sempre acompanhada do seu guardachuva. No bulício do serviço do estabelecimento, raramente se controlava a louça que permanecia no balcão após a saída dos clientes. Havendo menos clientes do que era habitual, os empregados repararam que essa cliente não tinha louça à sua frente. Decidiram manter-se atentos. Certo dia, estando a chover e vendo entrar a citada cliente, verificaram que a senhora, após tomar o seu café, olhava para um lado e para o outro e não sendo observada, colocava o pires, a chávena e a colher no interior do chapéu. Acercaram-se dela, não numa atitude de confronto mas sim de forma discreta e educada, cumprimentando-a e não tocando no assunto do furto. Afinal, era só uma chávena e um pires. A senhora, não perdendo a compostura, dirigiu-se para a porta e, distraída, abriu o guarda-chuva, caindo-lhe toda a louça em cima. Desatou numa correria Chiado abaixo, nunca mais vindo tomar o seu café à A Brasileira. •
A Brasileira faz cem anos. Cem anos numa época e numa cidade em que tudo prima pelo efémero, pela rapidez com que se surge e se desaparece. Cem anos de uma história e de muitas, muitas estórias. A Brasileira is one hundred years old. One hundred years in an age and in a city which emphasises the ephemeral and the speed at which things change. One hundred years of history and stories to tell.
Excertos do livro / Excerpts from the book A Brasileira do Chiado - 100 anos CHIADO CON VIDA · 11