chiado in loco
Vestidos para ir tomar café Numa época em que era habitual os Cafés ainda terem porteiro – “[…] imponente na sua farda acastanhada com botões cobreados […]”, normalmente encarregados de arrumar os carros – poucos – e de zelar pela distinção do estabelecimento, os criados andavam fardados. Vestidos de preto, usavam peitilho engomado e picotado com colarinho. Os clientes, n’A Brasileira, iam sempre de gravata, sendo o rigor da vestimenta controlado pelos empregados de mesa. “Com os artistas era diferente. Nunca nenhum me apareceu de guarda-pó, mas lembro-me de fatiotas esquisitas. Nós nem olhávamos. Dizia-se «É o Senhor Almada» ou «É o Senhor (Eduardo) Viana». Normalíssimo que viessem vestidos de modo diferente dos outros […]”. Sendo comum usar chapéu na rua, era regra de boa educação retirá-lo quando se entrava num estabelecimento. Aquando do regresso do Brasil, após travessia do Atlântico Norte, o Almirante Gago Coutinho – aclamado como herói nacional – pretendeu tomar café n’A Brasileira. Ao ser interpelado pelo porteiro e instado a retirar o chapéu, recusou-se, alegando que fazia parte do seu uniforme. O porteiro, não querendo fazer excepção à regra, recusou os argumentos de Gago Coutinho, acabando este por se retirar indignado. • 10