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ConVida Cascais & Estoril / 2008 (nº 1)

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Feliz em Cascais T E X T O / T E X T J O Ã O P EDRO G U I M AR Ã E S · F O T O G R A F I A / P H O T O G R A P H Y EVEL Y N K A H N

No Paredão que liga Cascais a São João do Estoril o dia começa cedo. A andar ou a correr inalo – cheiro – o ar do mar. Ao longe, perto da Baía, vejo um mar caído e descansado apenas ligeiramente ondulado quando o vento sopra mais forte, criando pequenas cristas de espuma: os “carneirinhos”. O vento – esse mesmo vento que se diz dar aos habitantes da zona mais anos de vida do que aqueles a que teriam naturalmente direito – sopra-me na cara. Fresco e limpo traz consigo a sensação de que a vida pode ser boa, melhor, a garantia de que, aqui, a vida é boa.

N

ascer nesta terra é nascer ao sol e com os pés dentro de água. Com frio ou com calor não se perde o pequeno grande prazer de sentir a areia húmida nos pés descalços. Qualquer que seja a estação do ano, nunca está frio demais para um mergulho. Na Praia da Conceição, vazia às primeiras horas, qualquer um pode ganhar uma vida nova e senti-la na pele fria de um corpo revitalizado. É o meu caso esta manhã. De saída da praia subo até à “Rua Direita”, com a firme intenção de a descer, sentindo no corpo a roupa molhada e nos sapatos a areia que não limpei. Sem stress. Distraído, olho para as montras e vejo passar os outros. Uns outros que, tal como eu, não passam sem estas manhãs. Manhãs de fimde-semana em que o mundo nos chama para fora e em que ficar em casa é apenas mais uma forma de dormir até tarde. 6 · Cascais & estoril con vida

Depois de almoço, na praia do Guincho, olho para a serra de Sintra à minha direita. Por vezes envolta num capacete de nuvens mas sempre extraordinária. Um lugar sagrado entre lugares sagrados. No mar, surfistas “fazem” ondas, as mesmas ondas que eu, sem prancha, desço em “carreirinha”. Corpo hirto e braços estendidos por cima da cabeça, deslizando, de preferência, até à beira mar. Não estou sozinho. No Guincho as “carreirinhas” assumem-se como desporto (quase) Olímpico. Quando o vento cresce, saímos da água. Aparecem então outros surfistas, wind-surfistas, que aparelham as pranchas e proporcionam um espectáculo como não há outro. Centenas de velas coloridas rasgam o horizonte à medida que o sol se põe. Não quero ir embora, mas vou. Tem que ser. No entanto, levo comigo a certeza de que amanhã é outro dia e a esperança de que seja >>> (mais um…) dia de Guincho.


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