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MANUEL
“O meu pai ensinou-me a comer com qualidade desde os dois anos”, conta Manuel Martins que nasceu há 60 anos no quarteirão onde hoje trabalha e ainda vive. O pai, conhecedor exímio da gastronomia portuguesa, ensinou-lhe o prazer de saber comer. “Tenho memória dos sabores que já ninguém se lembra”. Por isso, em 1989 tomou as rédeas do restaurante Charcutaria, criado pelo pai quatro décadas antes, que é desde há muito uma referência na cidade. “Procuro a perfeição na qualidade”, diz. Os seus clientes mais fiéis garantem que o que ali se consome é único. “My father taught me about good food from the age of two,” says Manuel Martins, who was born 60 years ago in the same neighbourhood where he still lives and works today. His father taught him the pleasure of knowing how to eat. For that reason, in 1989 he took over the reins of Charcutaria, opened by his father four decades earlier, and which has been one of the city’s culinary reference points for many years. “I look to achieve perfection through quality,” he says. His most loyal customers guarantee that his food is indeed unique.
LUÍS
A Galiza viu-o nascer, mas a Guerra Civil de Espanha trouxe-o em pequeno para Portugal. Sem equivalências no ensino, Luís Alves viu-se obrigado a estudar à noite. Tinha 13 anos. “Como as aulas eram à noite, passava o dia na livraria Lello a ler banda desenhada”, recorda. O gerente acabou por convidá-lo a trabalhar e aí começou uma história ligada aos livros. “A minha universidade foram as tertúlias em que participavam figuras como Aquilino Ribeiro”, conta. Passou pela livraria do Diário de Notícias, pelo Centro do Livro Brasileiro e, em 1969, cumpriu o sonho de uma livraria sua, a Livraria Ler. Though born in Galicia, the Spanish Civil War brought Luís Alves to Portugal as a small boy. He was obliged to study at night. He was 13. “As the lessons were at night, I used to spend the day at the Lello bookshop reading cartoon books,” he recalls. The manager invited him to work at the shop and that was how a life connected to books began. “My university was the literary meetings attended by people like Aquilino Ribeiro,” he recounts. In 1969, he fulfilled his ambition and opened his own bookshop.
ANA
“Habituei-me a ouvir o meu pai contar histórias de uma época em que não havia trânsito aqui no bairro”, recorda. Talvez por isso, Ana Machado nunca saiu de Campo de Ourique, onde vive desde os cinco anos. Quando terminou o curso de Gestão optou por trabalhar na loja Multitecidos que pertence aos seus pais. Aos 26 anos, trabalha e vive no bairro, o que considera um privilégio. “Tenho vista sobre o Tejo e desloco-me de eléctrico”, conta. Para a loja dos pais, trouxe o espírito jovem e as novas tendências. O seu projecto mais recente é um serviço de tecidos exclusivos. “I got used to listening to my father’s stories about a time when there was no traffic in the neighbourhood,” she recalls. Maybe because of that, Ana Machado never left Campo de Ourique, where she has lived since she was five. When she finished a management course, she chose to work in her parent’s shop Multitecidos. At 26, she works and lives here,“I have a view over the Tagus and I get around by tram” she tells. Her contribution to her parent’s shop has been a fresher and younger spirit and the latest trends.
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