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ConVida Liberdade / 2009 (nº 10)

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baiXA & CHIADO Cada bairro é feito de histórias. Do passado, das casas, dos monumentos e das pessoas. São elas que constroem a paisagem genuína, a personalidade própria de cada lugar. Esta é uma homenagem a quem vive este bairro no seu dia-a-dia. Every neighbourhood is constructed from stories. Of the past, of houses, of monuments and of people. It is they who create the real landscape, the distinct personality of each place. This is a tribute to those for whom this neighbourhood is home.

Textos/TEXTs JOANA GUIMARÃES fotografias/photographs evelyn kahn

D. JESUS

É a cara mais antiga da Conserveira de Lisboa. Senhoras e Senhores, apresentamo-vos Maria de Jesus Mota e Silva. Quando a vida inverteu o seu mundo, aos 42 anos, teve que ir trabalhar. Começou por empapelar as latas de conserva mas pouco depois já estava a atender ao balcão com uma desenvoltura e um talento que ninguém esquece. Nem com os estrangeiros se atrapalhava: “por exemplo, para dizer que era picante eu fazia caretas e deitava a língua de fora”, lembra com uma gargalhada. Os últimos 46 anos passou-os aqui e o seu nome há-de ficar ligado ao da Conserveira para sempre. Hers is the oldest face at the Conserveira de Lisboa, or Lisbon canning company. When Maria de Jesus Mota e Silva was forced to start work at the age of 42, she began by wrapping the cans in paper, but was soon serving customers with unforgettable deftness. And she even handled foreigners with aplomb: “For instance, to let them know it was spicy, I used to pull faces and stick my tongue out,” she laughs. She’s spent the last 46 years here and will forever be linked to the cannery.


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