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ConVida Bairro Alto / 2007-2008 (nº 8)

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bairro alto in loco

Dos muitos bairros de Lisboa, só um não precisa de nome: “o Bairro” é o Bairro Alto. Sem requerer mais apresentações ou nomes de família porque não há quem o confunda, seja dia ou sobretudo noite. Pois de noite, este é um dos mais populares estribilhos noctívagos da cidade: “Vamos ao Bairro?” Glória” e foi um hit: “Duma existência banal/Até às luzes da Ribalta/Há dois carris de metal/Desde a Baixa à vida alta”. E em 1989, Jorge Palma lamentava-se: “Adorava estar in/Mas estou-me a sentir out/ Frágil/ Sinto-me Frágil”. Finalmente em 1992, os Enapá 2000 caricaturizavam as ambições de todos em “Baum”: “Eu quero ir ao Frágil sexta-feira/Eu quero ser amigo da porteira /Eu quero vir na capa das revistas/ Quero andar nos copos com os artistas”... Apesar da concorrência, o Frágil permanecia singular e imbatível.

Aos aventurosos, excitantes e exclusivos anos 80,

E, surpresa, o bairro passou também a ter dia. Nos últimos anos, um novo comércio aventurou-se no Bairro. Novo, alternativo, especializado: mercerias que agora são gourmet ou bio, lojas de música, de sportswear, de roupa vintage, de acessórios fashion. Ou cabeleireiros, craft shops, embaixadas Lomo, galerias, e lojas de gadgets neo-turisticos. E, claro, muitas delas prolongam os seus horários de abertura até mais tarde do que no resto da cidade – pois este continua a ser o bairro da noite, apesar de ter mudado da noite para o dia.•

seguiu-se a década de 90, menos elistista, muito mais oferecida. Os bares de shots popularizaram-se e a cerveja em copo de plástico começou a chegar à rua. E a mais gente. Os horários alargaram-se, as faunas também. Chegaram as tribos com os seus respectivos espaços, fossem góticos, mods, punks ou gays. Marcadamente alternativos, a galeria ZDB (muito mais do que uma galeria, com ateliers e sala de espectáculos) ocupou um belo prédio, e a especial e especializada livraria Ler Devagar instalou-se mais acima junto à rua da Rosa, num recanto sossegado. E aumentaram as mesas, abrindo muitos restaurantes, de comida exótica ou apenas pretensões in.

Quando, em 1997, Manuel Reis vendeu o apertado Frágil para alargar espaço e rasgar horizontes criando o Lux, em Santa Apolónia, muita coisa mudara. Lisboa descobria a noite e o Bairro Alto as avalanches. Hoje passa pelo bairro toda a gente e cada um tem o seu poiso. O casario castiço do bairro possui espaços pequenos, assim os bares passaram a ser balcões e a rua a sua sala. A Capela, o Maria Caxuxa, o Mah Jong, o Bedroom, o Purex, a esquina do Side e do Sétimo Céu são destinos para públicos diversificados que, entre encontros e desencontros, percorre o labiríntico bairro seja em bandos juvenis ou com propósitos mais individualistas.

BAIrro alto con vida · 7


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