Clínica Veterinária n. 87

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Educação humanitária progride na medicina veterinária Por Arthur de V. Paes Barretto -

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aplicação de manequins para aulas práticas nos cursos de medicina é uma realidade atual. Na medicina veterinária brasileira a adoção de tal medida ainda é insipiente, mas vem evoluindo. Para equiparar-se aos avanços presentes na medicina falta, principalmente, que se exija dos serviços de educação a obrigatoriedade do fornecimento de material didático digno de ser enquadrado no contexto da educação humanitária. Entre as vantagens da aplicação dos manequins no ensino estão: a repetição do procedimento por quantas vezes seja necessário; o treinamento de grande número de estudantes; a ausência de estresse nos estudantes por não estarem manipulando animal vivo; a economia decorrente de não ser necessário manter animais vivos para aulas e funcionários que cuidem deles. A maioria dos manequins existentes são fabricados no exterior. Entretanto,

Em seus 1.200 m2, o Centro de Treinamento e Simulação da Universidade Anhembi Morumbi é composto por 23 ambientes e mais de 70 equipamentos de realidade virtual, entre robôs com softwares, manequins e peças do corpo humano que simulam reações do corpo humano ou a realização de procedimentos

O treinamento com os ossos artificiais no curso de especialização em clínica médica e cirúrgica de pequenos animais, módulo de ortopedia, promovido pelo Instituto Qualittas e ministrado pelo prof. dr. Sandro Alex Stefanes (UPIS), está com excelente aceitação

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alguns especialistas brasileiros vem desenvolvendo protótipos que estão sendo aprimorados e elogiados tanto no Brasil quanto no exterior.

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Não se enquadra na prática da educação humanitária o jargão matar para salvar. O que se aplica é treinar quantas vezes forem necessárias para poder salvar. Isto é válido tanto na graduação quanto para profissionais, pois quem não treina massagem cardíaca com periodicidade, dificilmente terá sucesso em uma ressuscitação cardio-respiratória.

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www.intensivet.com.br

RICO, modelo de treinamento em urgências e cuidados intensivos, foi criado, em 2003, por Rodrigo Rabelo, especialista em urgências e cuidados intensivos. Atualmente RICO possui as seguintes características: a) sistema de sondagem nasal e aspiração nasogástrica, b) tórax com costelas e coração para adequado treinamento de ressuscitação cardio-respiratória (RCP), c) monitorização da pressão torácica durante a RCP, d) sons cardíacos e pulmonares que permitem auscultação, e) sistema venoso central e periférico para palpação e punção, preenchido com sangue artificial, f) sistema completo de vias aéreas Há alguns anos a Universidade Anhembi Morumbi, consciente da necessidade de inovar no ensino da medicina veterinária, adquiriu da Rescue Critters® (www.rescuecritters.com) e da Universidade da Califórnia (UC Davis - www.calf.vetmed.ucdavis. edu) mais de 10 itens para a adoção de técnicas humanitárias de ensino. Acima e ao lado, um dos itens adquiridos: Jerry, manequim de cão dotado de uma representação realística da traquéia, esôfago, epiglote e pulmões funcionais, desenvolvido para as práticas de intubação, ventilação artificial, mensuração do pulso, administração intravenosa e imobilização de membros

Contrário à experimentação animal, o CETAC (Centro de Ensino e Treinamento em Anatomia e Cirurgia Veterinária - www.cetacvet.com.br) investe no ensino em arena, onde até 70 pessoas podem assistir as cirurgias de casos clínicos dentro do Teatro Coliseu. O ambiente é dotado de arquitetura e recursos tecnológicos que permitem que os procedimentos sejam acompanhados ao vivo e nas TVs de LCD (setas). Os comentários e explicações dos cirurgiões e anatomistas, estimulam a interação e o aprendizado

Ossos sintéticos: simples, de excelente utilidade e feitos no Brasil Esta grande novidade é de autoria da Nacional Vet, segmento veterinário da Nacional, empresa que atua desde 1995, criando produtos didáticos que auxiliam no estudo da anatomia humana. Os ossos sintéticos possuem anatomia interna e externa que preservam as características naturais. Por isso, são de excelente aplicação no treinamento de técnicas cirúrgicas e manobras fisioterapeutas. Também são muito úteis na rotina clínica para demonstrar aos clientes o problema do paciente em uma visão tridimensional e explicar o procedimento cirúrgico que deve ser aplicado. Inicialmente, o desenvolvimento dos ossos artificiais veterinários contou com o apoio do Instituto Qualittas. “A possibilidade de obter réplicas de excelente qualidade que pudessem ser usadas em aulas práticas, oferecessem aos pós-graduandos condições saudáveis e propícias para seu desenvolvimento e aperfeiçoamento profissional não podia ser descartada. Por isso, nos empenhamos em colaborar no desenvolvimento dos moldes. O resultado foi excelente, pois os ossos proporciom aos futuros cirurgiões uma sensação operatória realista”, declarou o médico veterinário e professor Francis Flosi (Instituto Qualittas)

Clínica Veterinária, Ano XV, n. 87, julho/agosto, 2010

Prof. dr. Paulo Iamaguti, professor titular de cirurgia da Unesp/Botucatu, durante aula prática de curso de ortopedia promovido pelo Hospital Veterinário Cães e Gatos (Osasco/SP).


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