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ÍNDICE CONTEÚDO APRESENTAÇÃO …………………..……………………………………………………………….………….. MÓDULO N° 1: CONHECENDO-NOS, QUEBRANDO O GELO ………………….…………... MÓDULO N° 2: DIREITOS HUMANOS E IDENTIDADE DE GÊNERO……………………….. MÓDULO N° 3: LIDERANÇA…………………………………………………………………………………. MÓDULO N° 4: AUTOESTIMA ……………………………………………………………………………… MÓDULO N° 5: PARTICIPAÇÃO POLÍTICA……………………………………………………………. MÓDULO N° 6: AUTONOMIA DAS MULHERES ……………………………………………………. MÓDULO N° 7: ECONOMIA PARA A VIDA ……………………………………………………………. MÓDULO N° 8: DIVISÃO SEXUAL DO TRABALHO …………………………………………………. MÓDULO N° 9: IDEIAS ASSOCIATIVAS PARA POTENCIALIZAR A AUTONOMIA ECONÔMICA DAS MULHERES ……………………………………………………

MÓDULO N° 10: SOBRE METODOLOGIA E GESTÃO GRUPAL …………..………………….

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Este manual metodológico da Escola de liderança feminina, tem como objetivo principal fornecer ferramentas práticas e de qualidade para o desenvolvimento de temáticas sobre sensibilização em gênero e liderança, especificamente para ser abordado com mulheres de organizações de pequenos (as) produtores (as) e trabalhadores (as) em comércio justo. Foi elaborado no programa “El Salvador para um desenvolvimento inclusivo: mulheres, homens e jovens desde suas organizações (OB) fazem realidade o desenvolvimento econômico impulsando processos regionais e sustentáveis”. Este material foi retomado como parte dos processos estratégicos conjuntos de gênero (PEC-Gênero) e implementação de processos de escolas de liderança e empoderamento de mulheres sendo realizado em 2015, entre CLAC, TRIAS e outros parceiros em El Salvador. Estas são algumas mostras dos avanços que se tem em CLAC enquanto ao compromisso de promover processos inclusivos e sustentáveis para as organizações, assim como a construção de alianças com outras instâncias comprometidas com a mudança social.

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APRESENTAÇÃO

Para as mulheres, participar em espaços de formação como A Escola de Liderança feminino tem sido fundamental, já que permitiu ter um espaço onde se encontraram com outras mulheres e a partir da metodologia popular e as temáticas, puderam-se dar a oportunidade de aprender e compartilhar suas experiências com outras mulheres; aumentando seus níveis de autoconfiança, que tem servido a nível pessoal e de participação nas organizações, motivando-as ao compromisso de compartilhar seus conhecimentos com outras mulheres na comunidade e organização, e motivando-as também a manter-se ativas em espaços como comitês de mulheres. Através dos processos de sensibilização sobre o enfoque inclusivo de gênero, em CLAC se há considerado significativo poder fornecer este material metodológico com o desejo de poder ser reproduzido em mais organizações, membros e diferentes países. Este manual conta com 10 temáticas, relacionadas a processos que vão desde: autoestima, liderança, direitos humanos e gênero, participação política, autonomia econômica, economia para a vida, divisão sexual do trabalho, ideias associativas e metodologias para trabalho em grupo. Toda esta bagagem de conteúdo, ordenados de maneira que possam ser vivenciados e aplicados desde as realidades das mulheres produtoras e trabalhadoras. Esperamos que com este material, seja possível potencializar lideranças de mulheres nas organizações, para sua participação ativa nas organizações de comércio justo. Rubidia Escobar Coordenadora de Gênero e de Inclusão de Jovens 5


MÓDULO Nº1

Liderança CURSO INTRODUTÓRIO:

Quebrando o gelo


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Introdução

O acercamento com as pessoas é de vital importância para estabelecer confiança e gerar processos de transformação social sustentáveis. Praticar uma liderança inclusiva que seja capaz de influenciar positivamente as organizações e comunidades marca muito a diferença na hora de trabalhar com temáticas sociais, principalmente quando a pretensão é analisar as relações de gênero e impulsar o empoderamento individual e coletivo das mulheres. A liderança é levada a prática, cotidianamente, em diferentes situações, todas as pessoas têm um papel de liderança na vida, seja: na família, no trabalho, na comunidade, a níveis nacionais e em outros contextos. Isto significa poder influenciar, persuadir ou motivar as outras pessoas de formas mais efetivas nos âmbitos que lhes interessam. Para todo esforço de sensibilização e formação desde um enfoque participativo-vivencial é importante uma jornada introdutória que quebre o gelo, embora não seja a primeira vez que nos aproximemos a um grupo. É por isso que este curso lhe servirá para preparar o terreno e as condições que permitam depois abordar qualquer tema, é o ponto de partida em que você deverá falar para as participantes da relevância que tem o curso ou os temas que serão transmitidos e sobre o valor que estas apredinzagens terão em suas vidas. Dar uma bem-vinda calorosa, propiciar um ambiente de confiança, tomar o tempo para a apresentação e a socialização das expectativas, além disso, é muito importante nesta sessão, realizar coletivamente um lista de acordos de convivência, que ajudará a quebrar o gelo e dar entrar no ao tema do seguinte curso.

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Objetivo Geral: Gerar um clima de confiança e conhecer as participantes e as generalidades do grupo e/ou do período dos cursos. Específicos: a. Realizar um diagnóstico sobre o grupo que permita adequar algumas técnicas. b. Chegar a um consenso de datas e outros aspectos logísticos de interesse para participantes.

Metodologia

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Objetivos

A metodologia utilizada parte de um enfoque vivencial e de educação popular, tem duas dimensões: a teórica e a prática para a transformação. Neste processo as experiências das/os participantes são as que constituem a riqueza deste método; que valorizando e descobrindo novos conhecimentos, poderão interiorizar elementos para uma mudança pessoal que repercutirá no contexto em que se desenvolvem. Adotam-se as propostas da educação popular, como uma educação para o poder (para poder mais) e para a transformação da vida. É para desaprender e para transformar, deve entendê-lo como produção coletiva de conhecimentos, não como transmissão de conhecimentos e conteúdos. Trata-se de processos essencialmente participativos que propiciam um espaço de encontro entre mulheres diversas (urbanas e rurais; adultas e jovens, camponesas, comerciantes, produtoras, empreendedoras), onde você construirá com as outras mulheres conhecimentos a partir da reflexão crítica entorno das dificuldades que enfrentam. Para começar partiremos de uma metodologia ativa-participativa na que você poderá alternar a exposição de conceitos teóricos (reforçados com a leitura que lhe sugerimos), com dinâmicas e exercícios que contribuem para a reflexão pessoal e a interiorização destes conceitos. Para o desenvolvimento do tema, pode durar 4 horas, embora para isto deve ter em conta as circunstâncias das participantes (tais como horários de trabalho, horários de transporte, cuidados de terceiros, segurança, etc.). Tudo depende de como você adapte o seu grupo, realizando alguns exercícios de acordo com o tempo que tenha.

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Para facilitar a participação, solicite uma ficha de inscrição que recolha aqueles dados que possam ser significativos para o desenvolvimento (tais como idade, nível de formação, ocupação, se é mãe ou não, etc.). Para o bom funcionamento e a fim de alcançar os objetivos citados anteriormente, considera-se oportuno limitar a presença de 20 pessoas. Dicas que podem ajudar-lhe para melhorar a comunicação: a.

Comunicação não verbal     

b.

Comunicação verbal 

 

 

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Mantenha o contato visual com todas as integrantes do grupo quando esteja falando. Ande pelo salão sem distrair o grupo. Reaja com o que lhe digam usando a linguagem corporal: afirmar, sorrir ou outras ações que demonstrem que está você escutando. Fique de pé, não se sente, em frente do grupo, especialmente no começo da sessão. É importante ter um aspecto relaxado, mas ao mesmo tempo ser discreta e segura.

Faça perguntas abertas que incentivem respostas. Se uma participante responde com um simples sim ou não, investigue um pouco com outras perguntas, tais como: me conta mais sobre isso, que experiências você teve a respeito? Para incluir o grupo, pergunte as outras participantes se estão de acordo com algo que digam algumas delas. Deixe que as participantes respondam as perguntas da outra. Não tem a obrigação de responder todas as perguntas. Pergunta: alguém deseja responder esta pergunta? o que pensam as outras participantes? O tom de voz é tão importante quanto o contexto do que é transmitido. Nunca se expresse com dureza, raiva ou de forma crítica. Fale de maneira pausada e clara.


Observações: É recomendável uma sala amplia. Atividade 1: Dinâmica “ônibus” Apresentação e bem-vinda. Materiais: Cavalete com bloco de papéis ou lousa. Tempo: 30 min. Desenvolvimento Passo 1: Dê as boas-vindas as participantes e juntamente com a apresentação Power Point (PPT) em frente ao público explique-lhes o porquê dos cursos, por que são importantes e o que vai requerer delas será disposição e compromisso.

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Tema I: Conhecendo-nos, quebrando o gelo

Passo 2: Solicitem a todas que formem um círculo para realizar a dinâmica de apresentação “ônibus” cujo propósito é que se conheçam e ter uma ideia geral de quem estará participando. Peça a elas que caminhem pelo espaço, imaginando que já terminou o curso que disfrutaram tanto que decidiram fazer um lindo passeio juntas. Passo 3: Pergunte ao grupo para onde estamos indo? ... Elas respondem e você diz que para chegar a este lugar, devem pegar diferentes ônibus, mas como não cabem todas, devem dividir-se de acordo a alguns aspectos comuns, e dê um, por exemplo: de acordo com a maneira que vieram ao curso: caminhando, em bicicleta, em moto, em ônibus, em caminhão, em táxi, em carro, em qualquer outro meio; e aí se juntam, e quando estiverem em seus respectivos ônibus, convide-as para que se apresentem e falem entre elas do lugar que nasceram e do lugar em que vivem agora. Passo 4: Oriente, depois de 5 minutos, a que mudem de ônibus e desta vez peça para que se juntem segundo sejam ou não mães e o número de filhas ou filhos que têm, quando estiverem em seus respectivos ônibus, diga para as participantes que conversem sobre as coisas que tiveram que fazer para poder chegar ao curso. Passo 5: Termine a atividade formando ônibus de 3 ou 4 mulheres e convide-as a dizer seu nome e de sua organização, e falar do que esperam dos cursos. Passo 6: Depois de 3 minutos, peça-lhes que compartilhem o que ouviram, nos diferentes ônibus em que subiram e que além disso comentem o porquê que estão aí e aponte essas expectativas no cavalete.

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Atividade 2: Conversa em roda. Revisando o propósito e plano dos cursos. Materiais: Cadeiras (caso não possam fazer um círculo sentadas no chão). Cavalete com bloco de papel ou lousa. Tempo: 30 min Desenvolvimento Passo 1: Apresente os objetivos dos cursos ou o processo em que estão sendo convocadas e pode comparar com as expectativas que as mulheres manifestaram na atividade anterior, para isto, precisa ter o cavalete com bloco de papel ou lousa, de maneira que ambos sejam visíveis. Passo 2: Com o propósito de chegar a acordos sobre as datas dos cursos, explique a importância de reservar em seus tempos, os dias e horas do (s) curso (s), reiterando que se vai requerer delas sua disposição e compromisso. Passo 3: Em seguida, explique a organização do calendário para os cursos, o lugar em que desenvolverão e toda a informação que as participantes requerem, pode abrir um momento de perguntas, estando sempre no círculo, para que expressem suas dúvidas ou comentários, caso os tenham. Passo 4: Se considera apropriado para os objetivos do processo que você realizará, reparta a carta de compromisso. Neste momento convide-as a que compartilhem experiências sobre os compromissos que assumiram durantes suas vidas e como se sentem em cumpri-los. Passo 5: Pode retomar a reflexão sobre a satisfação que sente em cumprir com compromissos que se escolhe e não os que lhes são impostos.

Atividade 3: Grupos de discussão. Acordos de Convivência. Materiais: Cavalete com bloco de papéis, marcadores de tinta, cartões coloridos para anotar acordos de convivência (pode levar alguns a sugerir). Tempo: 30 min

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Passo 1: O propósito é chegar a acordos para que mantenham um bom clima no grupo, independentemente se é um grupo que já tenha trabalhando conjuntamente ou se é a primeira vez que o farão. Passo 2: Fale um pouco da metodologia dos cursos, destacando que é ativa e que as contribuições de cada um são importantes, mencione como exemplo alguns acordos/normas de convivência que devem estar previamente nos cartões coloridos: 1) as sessões terão duração de XX tempo extra; 2) não vamos entrar em discussões, no entanto, trataremos considerar todas as opiniões; 3) todos as participantes serão tratadas com respeito, mesmo se não estivermos de acordo com elas; 4) não se interromperá quem estiver falando; 5) se consideramos que algumas normas estão tendenciosas, mudaremos; etc. Pode ler a proposta de normas para as participantes e convidá-las a que decidam se são relevantes.

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Desenvolvimento

Passo 3: Forme cinco grupos, de acordo ao número de participantes e de acordo a cada cartão/ exemplo de norma de convivência. Se possível, que cada norma corresponda a um grupo. Em primeiro lugar, as integrantes dos grupos devem conversar entre si sobre as razões pelas quais elas acreditam de que fazer este acordo é necessário. Cada grupo escolhe a um representante para que prepare um discurso verbal. Peça as participantes que proponham seus próprios acordos, que serão discutidos em plenário. Passo 4: Assim que hajam reconhecido e aceitados os acordos, informe para as participantes que estes são uma espécie de promessa que se realiza para serem equitativas e respeitosas, com a finalidade de mostrar consideração pelas outras. Diga que a tais promessas, por vezes recebem o nome de “acordos”, “convênios” ou “pactos” e que estes ajudarão a boa convivência entre todas durante os cursos, reforçando assuntos que podem ter saído nos grupos; falar da própria experiência, falar do “Eu”, escutar ativamente, o que for dito se mantém confidencial, e pode ser de logística, por exemplo: uso de banheiros, lanche, pontualidade, etc. Passo 5: Deixe na sala o cavalete com o bloco de papéis e/ou cartões contendo os acordos, que estejam sempre visíveis durante o processo de formação.

Atividade 4: Conversa em diálogo. Tema a abordar e encerramento. Materiais: Cavalete com bloco de papéis previamente elaborados ou laptop e projetor com PPT previamente elaborado. Tempo: 20 min

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Desenvolvimento Passo 1: Com o propósito de dar a conhecer a estrutura dos cursos e dos temas que trabalharão, a facilitadora realizará uma apresentação dialogada, na que dará a conhecer os temas e a estrutura que serão abordadas durante os cursos, nesta parte, apresente a segunda PPT deste tema. Passo 2: Explique como estão divido os cursos (em XX módulos) e que temas serão abordados em cada um. Em caso de dúvidas, este é o momento de dizer. Passo 3: Realize uma recapitulação ou síntese da jornada “quebrar o gelo”, que é mais curta do que as jornadas temáticas. Agradeça a participação ativa e a abertura por assumir este compromisso, e entregue uma estrela empreendedora* a cada participante.

*A estrelas empreendedoras serão entregues no final de cada curso com um incentivo e serão colecionáveis (por isso na hora de elaborá-las, deverá confeccioná-las em papelão e em cores para que chamem a atenção e sirvam de estímulo para as participantes). No final da jornada as participantes deverão ter todas as estrelas para poder graduar, isto será uma conquistas para elas.

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Carta de compromisso

CARTA DE COMPROMISSO Eu:

,

me comprometo a participar em “ ”, que serão realizadas no mês de , nos horários de, nas instalações de . Além disso, estou consciente que é necessário assistir a um 80% das atividades para receber o diploma de participação e a oportunidade de compartilhar e contribuir neste processo de construção coletiva e de transformação.

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Anexo 1

Assinatura da participante:

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Anexo 2 Formato de ficha de inscrição

Ficha de inscrição Nome completo: Data de nascimento: Sexo: Estado

familiar:

Idade: Nacionalidade:

de

Ocupação: Telefone:

Celular:

Lugar de residência: Rural: Município:

Urbano: Bairro:

Realiza trabalho doméstico? Realiza atividades remuneradas? Atividade: Setor de produção: Formal

Informal

tipo de remuneração: Assalariada

Conta própria

Outras fontes de renda: Remessas familiares_

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Pensão

Pensão alimentícia

filhos/as:


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Lugar de trabalho: Organização a que pertence: Recebeu cursos em gênero?

Nome do curso:

Recebeu cursos em direitos humanos?

Nome do curso:

Grau Acadêmico: Que

expectativa

tem

do

processo?

Em caso de emergência chamar a: Telefone:

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CONHECENDO-NOS, QUEBRANDO O GELO CURSO INTRODUTÓRIO

Pequenos Produtores (as) e trabalhadores (as) por um

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É


Falar de sensibilização em gênero requer está disponível, falar de si mesma, de experiências pessoais e coletivas nos espaços organizados. Por isso, é importante “envolver-se” e fazer parte do proceso que vamos começar.

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Importância dos cursos, disposição e compromisso

Que as pessoas que participem nas oficinas tenham influência dentro de suas comunidades, ou seja, sejam líderes. É importante para a sociedade, já que desta forma são portadoras de conhecimentos e podem transformar.

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O compromisso com a metodologia é essencial para conseguir os objetivos que são de todas, não só da organização facilitadora.

CONHECENDONOS, QUEBRANDO O GELO Objetivos

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Pequenos Produtores (as) e trabalhadores (as) por um

É


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Objetivos

OBJETIVOS DOS CURSOS 1. Apoiar às participantes para que se tornem líderes dentro de sua comunidade e ajudem a sensibilizar e transformar sua população.

2. Sensibilizar as participantes por meio de temas que lhes permitam interesar-se por tranformar sua vida e seu entorno.

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OBJETIVOS DOS CURSOS 3. Dotar de ferramentas para a facilitação das mulheres líderes que impulsam processos de formação que potecializam no empoderamento e liderança das mulheres.

4. Propiciar um espaço de formação, inter aprendizagem e de reflexão da realidade na vida das mulheres e homens. 5. Discutir de maneira coletiva, alternativas que fortaleçam as lideranças e o reconhecimento do trabalho que se realiza a favor da equidade. 22


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CONHECENDONOS, QUEBRANDO O GELO TEMAS E ESTRUTURA

Pequenos Produtores (as) e trabalhadores (as) por um

É

Temática, metodologia e estrutura

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Temas que serão abordados no curso 1.Conhecendo-nos, quebrando o gelo 2.Direitos Humanos e Identidade de Gênero 3. Liderança 4. Autoestima 5. Participação política

6.Autonomia mulheres.

das

7. Economia para a vida

8.Divisão Sexual trabalho

do

9. Ideias associativas 10. Técnicas de gestão de grupos.

METODOLOGIA Este processo de formação adere as propostas da educação popular, como uma educação para o poder (para poder mais) e para a transformação da vida. Não é para aprender de maneira tradicional, é para desaprender e para transformar. É uma educação para exercer o poder.

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• É uma educação popular que se entende como podução coletiva de conhecimentos.

• Não como transmissão unilateral de conhecimentos e conteúdos. Trata-se de processos essencialmente participativos.

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METODOLOGIA

• É primordial o encontro entre a diversidade (urbanas e rurais; adultas e jovens; de povos de origens negra e mestiças) e também tratando de construir conhecimento a partir da reflexão crítica entorno as opressões de classe, gênero, etnia, raça, orientação sexual, idade e deficiência e suas intersecções. • Afirma-se que todas sabemos e todos ignoramos, não assumimos que umas sabemos mais.

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• Nos processos de educação popular, o PONTO DE PARTIDA sempre é A PRÁTICA DAS/OS PARTICIPANTES. Em um processo com perspectiva de gênero, a prática das participantes É A VIDA DAS MULHERES EM TODAS SUAS DIMENSÕES. É a vida vivida. Nem sempre questionada e refletida.

• Sempre se escolhe um PONTO DE ENTRADA para a prática das participantes, na qual se aborda com uma técnica quebra gelos, que convide a mover-se, partindo desde: A SITUAÇÃO VITAL das participantes, refletem com vários instrumentos: dinâmicas de integração, recursos para a vida, os indicadores do cumprimento dos direitos, os trabalhos e horários das mulheres e dos homens.

• O processo de formação em seu conjunto sempre parte do pessoal, para construir conhecimento.

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• Pôr a experiência pessoal a debate para pedagogizá-la é sempre um poder, não um dever. Um ato de liberdade.

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• Na educação popular sempre transparecemos os objetivos, é importante que as ideias refletidas fiquem claras, por isso cada vez que tiverem dúvidas, explicaremos quantas vezes sejam necessárias.

Obrigado pela sua participação!

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MÓDULO Nº2

Direitos Humanos e Identidade de Gênero


Os direitos humanos são fundamentais em todo processo de sensibilização e organização para a transformação, tendo em conta que é um marco conceitual cujo propósito é analisar as desigualdades que se encontram com problemas centrais para os desenvolvimentos dos povos, mas também um instrumento de empoderamento das pessoas, em especial, para corrigir as práticas discriminatórias e a injusta distribuição do poder nos diferentes espaços onde as mulheres e outros grupos vulneráveis participam, que impedem o progresso em matéria de desenvolvimento.

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Introdução

Os Direitos Humanos, não são só instrumentos distantes do direito internacional, também identificam as mulheres e os grupos vulneráveis como sujeitos que têm direitos, obrigações e deveres, além de reforçar suas capacidades para reivindicá-los. O enfoque baseado nos direitos humanos, integra a perspectiva de gênero e outras perspectivas, inclui a proibição da discriminação em razão do sexo, e exige a integração de seus objetivos em comum, tendo como fim alcançar a igualdade. O sistema sexo-gênero é uma categoria de análise que nos permite evidenciar muitos pilares de desigualdades ou o que chamamos de sistema patriarcal, quando analisamos as diferenças biológicas e o valor que estas têm em cada sociedade ou cultura, é interessante como podemos chegar a compreender nosso lugar no mundo ou, pelo menos, o que nos atribuíram. Começar com os Direitos Humanos ajudará a valorizar os progressos e melhorias que as mulheres tiveram, relacionado a seus direitos, além de animar por este reconhecimento e, portanto, a sua exigência ante as autoridades competentes.

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Objetivos Objetivo Geral: Refletir sobre a identidade de gênero de mulheres e homens para conhecer os Direitos Humanos das mulheres, fortalecer sua aplicação e garantir em nossa vida cotidiana. Específicos: a. Conhecer as experiências das participantes para que, em bases a suas vivências, aplicar e garantir os direitos humanos das mulheres em todos os âmbitos em que se desenvolvam. b. Sensibilizar as mulheres para que sejam elas as principais defensoras de seus direitos.

Metodologia A metodologia utilizada parte de um enfoque vivencial e de educação popular, tem duas dimensões: a teórica e a prática para a transformação. Neste processo as experiências das/os participantes são as que constituem a riqueza deste método; que valorizando e descobrindo novos conhecimentos, poderão interiorizar elementos para uma mudança pessoal que repercutirá no contexto em que se desenvolvem. Adotam-se as propostas da educação popular, como uma educação para o poder (para poder mais) e para a transformação da vida. É para desaprender e para transformar, deve entendê-lo como produção coletiva de conhecimentos, não como transmissão de conhecimentos e conteúdos. Trata-se de processos essencialmente participativos que propiciam um espaço de encontro entre mulheres diversas (urbanas e rurais; adultas e jovens, camponesas, comerciantes, produtoras, empreendedoras), onde você construirá com as outras mulheres conhecimentos a partir da reflexão crítica entorno das dificuldades que enfrentam. Para começar partiremos de uma metodologia ativa-participativa na que você poderá alternar a exposição de conceitos teóricos (reforçados com a leitura que lhe sugerimos), com dinâmicas e exercícios que contribuem para a reflexão pessoal e a interiorização destes conceitos. Para o desenvolvimento do tema, pode durar 4 horas, embora para isto deve ter em conta as circunstâncias das participantes (tais como horários de trabalho, horários de transporte, cuidados de terceiros, segurança, etc.). Tudo depende de como você adapte o seu grupo, realizando alguns exercícios de acordo com o tempo que tenha.

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a.

Comunicação não verbal     

b.

Mantenha o contato visual com todas as integrantes do grupo quando esteja falando. Ande pelo salão sem distrair o grupo. Reaja com o que lhe digam usando a linguagem corporal: afirmar, sorrir ou outras ações que demonstrem que está você escutando. Fique de pé, não se sente, em frente do grupo, especialmente no começo da sessão. É importante ter um aspecto relaxado, mas ao mesmo tempo ser discreta e segura.

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Dicas que podem ajudar-lhe para melhorar a comunicação:

Comunicação verbal 

 

 

Faça perguntas abertas que incentivem respostas. Se uma participante responde com um simples sim ou não, investigue um pouco com outras perguntas, tais como: me conta mais sobre isso, que experiências você teve a respeito? Para incluir o grupo, pergunte as outras participantes se estão de acordo com algo que digam algumas delas. Deixe que as participantes respondam as perguntas da outra. Não tem a obrigação de responder todas as perguntas. Pergunta: alguém deseja responder esta pergunta? o que pensam as outras participantes? O tom de voz é tão importante quanto o contexto do que é transmitido. Nunca se expresse com dureza, raiva ou de forma crítica. Fale de maneira pausada e clara.

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Tema 2: Direitos Humanos e Identidade de Gênero Observações: É recomendável uma sala amplia. Atividade 1: Dinâmica “Nome e qualidade” Apresentação e bem-vinda Materiais: Sala amplia. Tempo: 10 min. Desenvolvimento Passo 1: Dar as boas-vindas as participantes e explica o contexto ou em que se caracteriza o curso, poderia projetar a PPT introdutória e assim fornecer um ideia geral. Passo 2: Você começa com a dinâmica para que as/os demais vejam como é feito, em seguida você convida a cada um/a dizer seu nome, acompanhado de uma qualidade que inicie com a primeira letra do seu nome. Por exemplo: “Eu sou Ana e sou Amigável”. Assim, eles continuam até que todos hajam se apresentado. Atividade 2: Construção genérica do poder. Trabalho grupal. Materiais: Cavalete com bloco de papéis, marcadores de tinta, fita adesiva e guia de perguntas. Tempo: 40 min Desenvolvimento Passo 1: Você pedirá as participantes que formem 4 grupos de trabalho por afinidade ou proximidade e enumerará de 1 ao 4. Passo 2: Informe aos grupos 1 e 2 que devem desenhar um homem e aos grupos 3 e 4 uma mulher, em seguida, que discutam e respondam com base as perguntas elaboradas (Anexo 1). Indique que tem 25 minutos para realizar o trabalho em grupo e que deverão nomear uma pessoa que compartilhe com o resto o trabalho. Passo 3: Quando todos os grupos tenham terminado passarão os representantes a socializar o que foi trabalhado e colocarão em uma parede (ou em qualquer lugar visível) o trabalho feito.

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 

Que diferenças veem no que é negado ou limitado a mulheres e homens? Com base a que se é negado ou limitado o que identificaram?

Pode dar oportunidade para que 3 ou 4 participantes opinem, depois finalizará perguntando a todo o grupo: 

O que vocês acham que significa ou implica isto para as mulheres e os homens?

Passo 5: Termine o exercício refletindo sobre o poder que socialmente dão aos homens e as mulheres e como isto impacta na forma em que cada um se desenvolve na sociedade. Explique nesta parte o sistema de análise sexo-gênero, você pode ler no anexo 5, para reforçar na teoria que se explicará e pode apresentar a PPT número 3, chamada análise sexo-gênero.

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Passo 4: Após finalizar a socialização, realizará as seguintes perguntas a todo o grupo:

Atividade 3: Me levanto. As participantes como portadoras de direitos. Materiais: Cadeiras, sala amplia e cópia da lista de afirmações. Tempo: 30 min Desenvolvimento Passo 1: Você dará as seguintes indicações. Todo o grupo deve estar sentado e ter espaço para ficar de pé em frente de sua cadeira. Passo 2: Leia uma série de afirmações (Anexo 2) e cada vez que se identifiquem ficaram de pé. Não poderão falar ou fazer perguntas enquanto se realiza a dinâmica. Passo 3: Ao finalizar o exercício se comentará sobre o quanto respeitados pelo Estado e a sociedade são esses direitos e outros, fazendo ênfases em que as participantes são portadoras de direitos.

Atividade 4: Aplicar o conteúdo de leis a favor dos Direitos Humanos das mulheres. Temática a abordar (trabalho em grupo).

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Materiais: Lista de direitos. Tempo: 60 min Desenvolvimento Passo 1: Forme 4 grupos de trabalho e a cada um entregará 3 direitos das mulheres (Anexo 3). Cada grupo lerá e, em seguida, comentará de que forma podem fazer que se cumpra estes direitos. Passo 2: Socialize, em plenário, a forma em que podem fazer que se cumpra os direitos que cada grupo pegou; mediante uma dramatização de não mais de 5 minutos. Passo 3: Quando terminar as socializações se discutirá, em plenário, sobre por que consideram que as mulheres tem esses direitos e por que devem ser cumpridas. É importante lembrar para as participantes que esses direitos são produtos das lutas das mulheres na história, que não foram um presente do Estado, que são irrenunciáveis e que podem exigi-los, por isso tem que conhecê-los. Passo 4: Deverá apresentar suas conclusões na PPT chamada “Importância dos direitos humanos” PPT número 2.

Atividade 5: Avaliação e encerramento. Materiais: Copias da Guia de Avaliação. Tempo: 10 min. Desenvolvimento Passo 1: Entregará a cada participante a Guia de Avaliação (Anexo 4) para que a complete de forma individual.

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Perguntas

Grupo 1 e 2 Como são os homens? (características) Como os homens se comportam? O que é permitido aos homens? O que é negado ou limitado para os homens?

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Anexos 1

Grupo 3 e 4 Como são as mulheres? Como às mulheres se comportam? O que é permitido as mulheres? O que é negado ou limitado para as mulheres?

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Anexos 2 “Me levanto”.

1. De pé todas as mulheres que alguma vez tenha votado. 2. De pé todas as mulheres que tem uma habitação digna. 3. De pé todas as mulheres que pensam que têm direito a receber educação. 4. De pé todas as mulheres que querem ser tratadas com respeito. 5. De pé todas as mulheres que têm um trabalho remunerado. 6. De pé todas as mulheres que viver livres de violência. 7. De pé todas as mulheres que pensam que devem ter as mesmas oportunidades que os homens. 8. De pé todas as mulheres que pensam que devem decidir sobre sua sexualidade e quantos filos/as vão ter. 9. De pé todas as mulheres que têm direitos a uma publicidade não sexista. 10. De pé todas as mulheres que têm o direito a participar na política e ocupar cargos de direção. 11. De pé todas as mulheres que têm direito de receber apoio do governo para suas iniciativas de geração de renda. 12. De pé todas as mulheres que nunca discriminou ninguém por nenhuma razão.

Anexo 3

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O ideal é que você adapte esta lista de direitos as leis aprovadas em seu país, seja “lei de igualdade de oportunidades” ou “lei por uma vida livre de violência de gênero”

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Anexo 3

Se ainda não aprovaram nenhuma, oferecemos a você alguns extratos de convênios internacionais.

Da convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher. Cedaw.

Artigo 3 Os Estados-parte tomarão em todas as esferas e, em particular, nas esferas política, social, econômica e cultural, todas as medidas apropriadas, inclusive de caráter legislativo, para assegurar o pleno desenvolvimento e progresso da mulher, com o objetivo de garantir-lhe o exercício e gozo dos direitos humanos e liberdades fundamentais em igualdade de condições com o homem.

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Artigo 4 1. A adoção pelos Estados-parte de medidas especiais de caráter temporário destinadas a acelerar a igualdade de fato entre o homem e a mulher não se considerará discriminação na forma definida nesta Convenção, mas de nenhuma maneira implicará, como consequência, a manutenção de normas desiguais ou separadas: essas medidas cessarão quando os objetivos de igualdade de oportunidade e tratamento houverem sido alcançados. 2. A adoção pelos Estados-parte de medidas especiais, inclusive as contidas na presente Convenção, destinadas a proteger a maternidade, não se considerará discriminatória. Artigo 14 1. Os Estados-parte levarão em consideração os problemas específicos enfrentados pela mulher rural e o importante papel que desempenha na subsistência econômica de sua família, incluindo seu trabalho em setores não monetários da economia, e tomarão todas a medidas apropriadas para assegurar a aplicação dos dispositivos desta Convenção à mulher das zonas rurais. 2. Os Estados-parte adotarão todas as medidas apropriadas para eliminar a discriminação contra a mulher nas zonas rurais a fim de assegurar, em condições de igualdade entre homens e mulheres, que elas participem no desenvolvimento rural e dele se beneficiem, e em particular lhes assegurarão o direito a: Participar de elaboração e execução dos planos de desenvolvimento em todos os níveis; Ter acesso a serviços médicos adequados, inclusive informação, aconselhamento e serviços em matéria de planejamento familiar; Beneficiar-se diretamente dos programas de seguridade social;

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Participar de todas as atividades comunitárias; Ter acesso aos créditos e empréstimos agrícolas, aos serviços de comercialização e às tecnologias apropriadas, e receber um tratamento igual nos projetos de reforma agrária e de restabelecimento;

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Obter todos os tipos de educação e de formação, acadêmica e não acadêmica, inclusive os relacionados à alfabetização funcional, bem como, entre outros, os benefícios de todos os serviços comunitários e de extensão a fim de aumentar sua capacidade técnica; Organizar grupos de autoajuda e cooperativas a fim de obter igualdade de acesso às oportunidades econômicas mediante emprego ou trabalho por conta própria;

Gozar de condições de vida adequadas, particularmente nas esferas da habitação, dos serviços sanitários, da eletricidade e do abastecimento de água, do transporte e das comunicações. Da Convenção Interamericana para prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher “Convenção de Belém do Pará” Artigo 3 Toda mulher tem direito a ser livre de violência, tanto na esfera pública como na esfera privada. Artigo 5 Toda mulher poderá exercer livre e plenamente seus direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais e contará com a total proteção desses direitos consagrados nos instrumentos regionais e internacionais sobre direitos

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humanos. Os Estados-partes reconhecem que a violência contra a mulher impede e anula o exercício desses direitos. Artigo 6 O direito de toda mulher a ser livre de violência abrange, entre outros: a. O direito da mulher a ser livre de todas as formas de discriminação, e b. o direito da mulher a ser valorizada e educada livre de padrões estereotipados de comportamento e costumes sociais e culturais baseados em conceitos de inferioridade ou subordinação.


Art. 2. Direito das mulheres a uma vida libre de violência / Lei Especial Integral para uma Vida Livre de Violência para as Mulheres O direito das mulheres a uma vida livre de violência compreende em ser valorizadas e educadas, livres dos padrões estereotipados de comportamento, práticas sociais e culturais baseadas em conceitos de inferioridade ou subordinação. Também, referese ao gozo, exercício e proteção dos direitos humanos e as liberdades consagradas nas Constituição e nos Instrumentos Nacionais e Internacionais sobre a matéria vigente, incluindo o direito de: 1. Que se respeite sua vida e sua integridade física, mental e moral. 2. Que se respeite a dignidade inerente a sua pessoa e se forneça proteção a sua família. 3. A liberdade e a segurança pessoal. 4. Não ser submetida a tortura ou tratamentos humilhantes. 5. A igualdade de proteção ante a lei e da lei. 6. Um recurso simples e rápido ante os tribunais competentes que as amparem frente a fatos que violem seus direitos. 7. A liberdade de associação. 8. Professar a religião e as crenças. 9. Participar nos assuntos públicos, incluindo os cargos públicos.

Art. 5. Sujeitos de Direitos/ Lei Especial Integral para uma Vida Livre de Violência para as Mulheres Esta lei se aplicará em benefício das mulheres, independentemente da idade, que se encontrem em território nacional; portanto, proíbe-se toda forma de discriminação entendida como qualquer distinção, exclusão, restrição ou diferenciação arbitrária em base ao sexo, idade, identidade sexual, estado familiar, procedência rural ou urbana, origem étnica, condição econômica, nacionalidade, religião ou crenças, deficiências física, mental ou sensorial, ou qualquer causa semelhante, seja proveniente do Estado, de seus agentes ou particulares.

Página | 1

Art. 6. Sujeitos Obrigados / Lei Especial Integral para uma Vida Livre de Violência para as Mulheres São sujeitos obrigados para efeitos desta lei, toda pessoa natural ou jurídica, que se encontre ou agindo em território salvadorenho, que deverão cumprir e fazer cumprir as disposições desta lei, independentemente de sua nacionalidade, domicílio ou residência.

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Grupo 1


Grupo 2

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Art. 20. Responsabilidades no âmbito educativo/ Lei Especial Integral para uma Vida Livre Da mesma forma, deverão de Violência para as Mulheres remover programas educativos O Ministério de Educação através dos programas e as leis, regulamentos, materiais processos educativos de ensino e aprendizagem que promovam direta ou formais e não formais, nos níveis de educação: pré- indiretamente qualquer forma escolar, ensino fundamental, ensino médio e não de violência contra as mulheres, universitário, incluirá dentro da obrigação que tem comportamento, preconceitos e de planejar e regular de maneira integral a costumes estereotipados que legitime, formação das pessoas educadoras, assim como na promovam, ocultem e atividades curriculares e extracurriculares, a naturalizem, justifiquem a violência contra as promoção do direito das mulheres a viverem livres de violência e de discriminação, assim como a mulheres, para os quais o divulgação das medidas destinadas a prevenção e Ministério de Educação deverá erradicação de qualquer tipo de violência contra as garantir que os conteúdos que mulheres, fomentando as relações de respeito, circulam dentro do sistema igualdade e promoção dos direitos humanos das educativo cumpram com o estabelecido nesta lei. mulheres.

Art. 20. Responsabilidades no âmbito educativo / Lei Especial Integral para uma Vida Livre de Violência para as Mulheres

As pessoas que exerçam a direção dos centros educativos públicos e privados, deverão adotar as medidas necessárias para a detecção e atenção dos atos de violência contra as mulheres dentro do âmbito escolar, em conformidade com o estabelecido na Política Nacional.

Art. 20. Responsabilidades no âmbito educativo / Lei Especial Integral para uma Vida Livre de Violência para as Mulheres

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Grupo 3

O governo, através do ISDEMU e do Ministério de Educação, fomentará, sem violar a autonomia e liberdade estabelecida na Lei de Educação Superior ou as instituições de Educação Superior, a inclusão da perspectiva de gênero no currículo de estudo, projetos de investigação, conceder bolsas de estudos com critérios de igualde de gênero, acesso as carreiras tradicionais e não tradicionais em igualdade de condições para mulheres e homens, e apoio a mulher na inclusão professional.

Art. 18. Educação superior / Lei de igualdade, equidade e erradicação da Discriminação contra as Mulheres

Art. 19. Formação profissional, vocacional, artística e esportiva / Lei de igualdade, equidade e erradicação da Discriminação contra as Mulheres Cabe ao Estado: b) Assegurar que as pessoas com deficiências possam exercer plenamente o acesso as disciplinas descritas na sessão anterior.

Art. 19. Formação profissional, vocacional, artística e esportiva / Lei de igualdade, equidade e erradicação da Discriminação contra as Mulheres Cabe ao Estado: a) Garantir a igualdade e não discriminação de gêneros nas atividades relacionadas as disciplinas esportivas e culturais, visando a contribuir o desenvolvimento físico saudável, ao enriquecimento e desenvolvimento de talentos artísticos e intelectuais e ao entretenimento de mulheres e homens.

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Grupo 4

Página |

Art. 21. Promoção da igualdade nas organizações políticas / Lei de igualdade, equidade e erradicação da Discriminação contra as Mulheres Os partidos políticos legalmente Art. 20. Sobre a promoção de igualdade no estabelecidos, a fim de garantir a exercício dos direitos políticos / Lei de maior participação democrática igualdade, equidade e erradicação da nos processos de eleição de suas Discriminação contra as Mulheres autoridades e de candidatos e Será promovido a igualdade de mulheres e homens candidatas para as diferentes eleições em que participem, no exercício dos direitos políticos, incluindo, os direitos ao voto, a elegibilidade, o acesso a todas as promovam ações que permitam a igualdade entre mulheres e instâncias e níveis de tomada de decisões, assim como a liberdade de organização, participação e homens estabelecida nesta lei, entre outras garantias civis e políticas. para assegurar a não discriminação das mulheres nas instâncias internas e de representação.

Promoverá nos processos eleitorais a participação política da mulher em igualdade de oportunidades entre mulheres e homens, a equidade de gênero no país e que garantam as políticas públicas.

Art. 22. A igualdade nos processos eleitorais / Lei de igualdade, equidade e erradicação da Discriminação contra as Mulheres

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Avaliação Anônima Curso

1:

A continuação pediremos que preencha esta guia de avaliação que permitirá avaliar este curso e considerar as sugestões. Por favor, indique um valor para a metodologia do curso (1 é pobre e 10 é excelente).

Pobre........................................................................................................................Excelente 1

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Comentários:

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Anexo 4

Por favor, indique um valor a qualidade da equipe de facilitação (1 é pobre e 10 é excelente). Pobre........................................................................................................................Excelente 1

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Comentários:

Este curso lhe deu informação útil para sua vida e para o desempenho de suas funções na organização que participa? Comentários:

Outros comentários, sugestões e/ou recomendações Comentários:_

1

Colocar número do curso

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Anexo 5

Sistema Sexo-Gênero As diferenças existentes entre os homens e as mulheres são de caráter biológico e de caráter social. O sexo faz referência as características biológicas que diferenciam os homens das mulheres e são de caráter universal. O gênero faz referência as diferenças sociais entre as mulheres e os homens que foram aprendidos e interiorizados ao longo dos anos. Estas são diferentes, de acordo as culturas em que estão e vai mudando com o tempo. O conceito de gênero, surge desde o movimento feminista na metade do século XX, destacando as diferenças entre as mulheres e os homens que são socialmente construídas e que não compreendidas a partir de seus componentes biológicos. O conceito de gênero permite analisar as relações entre as mulheres e homens desde seu posicionamento social distanciando-se do conceito de inferioridade das mulheres simplesmente por suas características biológicas. O sistema sexo-gênero permite conhecer um modelo de sociedade em que se explica como as diferencias biológicas entre as mulheres e os homens se tem traduzido, historicamente, em desigualdades de índole social, político e econômico, no âmbito dos direitos, etc., entre ambos os sexos, sendo as mulheres as mais desfavorecidas neste processo. Este sistema sexo-gênero identifica o natural e o socialmente construído e estabelece que o sexo em si não é uma causa da desigualdade das mulheres, senão sua posição de gênero socialmente construída. O sistema sexo-gênero é baseado num modelo de sociedade androcêntrico (homem no centro) que supõe como os homens (sexo masculino) como centro do universo, parâmetro de estudos e análises da realidade e experiência universal da espécie humana.

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gênero feminino são: 

Uma confusão entre a humanidade com o homem (sexo masculino)

Uma ocultação das mulheres e de seu papel ao longo da história

Uma forma explícita de sexismo

Um sistema de valores androcêntricos que gera em si mesmo um desiquilíbrio na ordem social de responsabilidades compartilhadas: metade da população é relegada a condição de débeis e dependentes (mulheres) enquanto a outra metade se vê destinada a dar respostas de fortaleza e autonomia (homens).

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Algumas características desta discriminação a partir das características atribuídas ao

Este modo de funcionamento limita as pessoas em suas oportunidades de desenvolvimento e, portanto, de participação. Este modelo de sociedade foi perpetuando através de um processo de socialização na que as pessoas construíram suas identidades com base a um sistema de valores e crenças. Neste processo de socialização, as pessoas assimilam e interiorizam os elementos culturais e sociais que favorecem e garantem sua adaptação e integração na comunidade a que pertencem (sociedade). O processo de socialização não é neutro, aparece diferenciado em função do sexo das pessoas, atribuindo tarefas e padrões de comportamentos diferenciadas para as mulheres e para os homens em função do tradicionalmente estabelecido para uns e outros. Através do processo de socialização diferenciado, adquirem papéis em função do sexo e geram estereótipos masculinos e femininos.

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PAPÉIS E ESTERIÓTIPOS: A CONSTRUÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO Se entende por papel como um conjunto de tarefas e funções que se derivam da situação ou posição social de uma pessoa com respeito ao grupo que pertencem, identificamos os papéis do gênero como aqueles inerentes das tarefas, funções e condutas que tradicionalmente tem sido atribuído a um sexo como próprio e se aprendem e interiorizam através das instituições e mecanismos que operam no processo de socialização. A sociedade tenta que os indivíduos que a compõem assumam papéis que lhes correspondem parcelando as diversas funções e distribuindo-as entre homens e mulheres em função do seu sexo. Esta divisão sexual das funções e expectativas sociais divide a sociedade em dois campos de atuação, presença e responsabilidade bem distintos: O PÚBLICO Abrange as tarefas relacionadas em geral com a vida econômica, política e social. Território ocupado e concedido até hoje, principalmente, por e para os homens. Tem relação com o trabalho produtivo de caráter comercial (geração de moeda/dinheiro) e, portanto, tem um valor de troca. É visível. O DOMÉSTICO Abrange a organização e atenção da família e do trabalho derivado do cuidado com o lar. Território ocupado e concedido até hoje, principalmente, por e para as mulheres. Tem relação com o trabalho reprodutivo, com atividades não comerciais (geração de moeda/dinheiro) e, por tanto, não tem o valor e permanece em um segundo plano.

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Mulheres

Estão ligados ao âmbito público

Estão ligados ao âmbito do doméstico (não público)

Correspondem com funções

Correspondem com funções

produtivas

reprodutiva

Além disso, o valor que concedem aos estereótipos não são os mesmos atribuídos para os homens (sexo masculino) e as atribuídas para as mulheres (sexo feminino). A avaliação positiva dos estereótipos masculinos não corresponde com os femininos que,

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Homens

normalmente, está socialmente desvalorizado. Na avaliação das diferenças entre homens e mulheres existe um fator de discriminação que explica e justifica as diferentes posições ocupadas, as diferentes formas de entender e de intervir que ambos têm na sociedade. Mecanismos de transmissão da discriminação do gênero O uso da linguagem, através do processo de socialização, diferenciado de acordo com o sexo. A família como primeira transmissora de ideias e valores que incorpora estereótipos sexuais aos meninos e meninas. A escola que produz padrões de comportamento discriminatórias. Através da coeducação transmitem valores igualitários entre mulheres e homens. Meios de comunicação, com suas mensagens de instrumentalização do corpo das mulheres e por promover seu papel passivo.

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ANÁLISES SISTEMA SEXO/GÊNERO Módulo de formação N°

Pequenos Produtores (as) e trabalhadores (as) por um

É

SEXO E GÊNERO Sexo:

Diferenças biológicas entre homens e mulheres.

Gênero:

Diferenças socioculturais atribuídas a homens e mulheres a partir do seu sexo, aprendidas e muda com o tempo. 50


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Mulheres e homens nos diferenciamos, em primeiro lugar, porque temos características fisiológicas e sexuais com as quais nascemos. Isso é chamado de “sexo”.

Por outro lado, nos diferenciamos porque cada sociedade, cada cultura desenvolveu uma avaliação e um significado distinto a essas diferenças de sexo e elaborou ideias, concepções e práticas sobre ser homem e ser mulher. 51


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Este conjunto de características e normas sociais, econômicas, políticas, culturais, psicológicas, jurídicas, atribuídas diferencialmente a cada sexo e de acordo a uma ordem predeterminada, é o que é chamado de “gênero”.

Portanto, existem os gêneros: feminino e masculino. Ou seja, somos ensinados a ser homem ou a ser mulher, dependendo das características fisiológicas do corpo e genitais externos. 52


O sistema sexo/gênero permite conhecer um modelo de sociedade em que se explica como as diferencias biológicas entre as mulheres e os homens se tem traduzido, historicamente, em desigualdades de índole social, político e econômicoentre ambos os sexos, sendo as mulheres as mais desfavorecidas neste processo.

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Esta ordem se construi culturalmente, socialmente, economicamente e politicamente sobre o sexo.

A identificação do sistema sexo/gênero permite analisar as relações de poder que existem entre homens e mulheres.

Em ocasiões, o fato de ser mulher é acompanhado por outras características que duplicam ou triplicam sua condição ou posição de discriminação, como pertencer a uma raça ou grupo étnico, grupo social, idade, ou ter uma outra orientação sexual, etc. 53


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Papéis de gênero: refere-se ao conjunto de normais sociais e comportamentais percebidas como apropriadas para os homens e as mulheres num grupo ou sistema social, baseado em função da construção social que se tem sobre a masculinidade e feminilidade.

Esta seria a expressão pública da identidade de gênero, e “é formado com um conjunto de normas, regulamentos e representações culturais que dita a sociedade sobre o comportamento” esperado para um sexo determinado.

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 Débil  Insignificante  Trabalho Reprodutivo

Masculino

 Forte  Poderoso  Trabalho productivo

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Feminino

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A IMPORTÂNCIA DE CONHECER OS DIREITOS HUMANOS MÓDULO DE FORMAÇÃO N° 2

Pequenos Produtores (as) e trabalhadores (as) por um

É

Mas também um instrumento de empoderamento das pessoas, em especial, para corrigir as práticas discriminatórias e a injusta distribuição do poder nos diferentes espaços onde as mulheres e outros grupos vulneráveis participam, que impedem o progresso em matéria de desenvolvimento. Os Direitos Humanos, não são só instrumentos distantes do direito internacional, também identificam as mulheres e os grupos vulneráveis como sujeitos que têm direitos, obrigações e deveres, além de reforçar suas capacidades para reivindicá-los 56


Os direitos humanos são fundamentais em todo processo de sensibilização e organização para a transformação, tendo em conta que é um marco conceitual cujo propósito é analisar as desigualdades que se encontram como problemas centrais para os desenvolvimentos dos povos.

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DIREITOS HUMANOS

O enfoque baseado nos direitos humanos, integra a perspectiva de gênero e outras perspectivas, inclui a proibição da discriminação em razão do sexo, e exige a integração de seus objetivos em comum, tendo como fim alcançar a igualdade.

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Começar com os Direitos Humanos ajudará a valorizar os progressos e melhorias que as mulheres tiveram, relacionado a seus direitos, além de animar por este reconhecimento e, portanto, a sua exigência ante as autoridades competentes.

No mundo ao longo da história, a consciência dos grupos excluídos e sua organização, tem levado a muitas conquistas, relacionadas ao reconhecimento dos direitos, as mulheres não têm sido a exceção, reconhecer estes avanços e defendê-los é trabalho de todas.

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MÓDULO Nº3

Liderança

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Introdução

Com este curso se busca criar a habilidade da liderança nas mulheres, que aprendam e reproduzam a capacidade de influenciar as outras pessoas e que também as apoiem para trabalhar juntos e com entusiasmo na conquista de seus objetivos e metas comuns. A liderança pode ser exercida por qualquer pessoa, em qualquer momento e em diferentes situações. De fato, todas as pessoas têm um papel de liderança na vida: na família, no trabalho e na comunidade ou até a nível nacional. As pessoas não costumam pensar que coisas fazem para liderar. Existem diferentes estilos de liderança, no entanto é importante ser consciente que as formas em que aprendemos exercê-lo também estão inclinadas pelo gênero, a classe social, a raça; e desde este ponto transformá-lo e aprender novas ferramentas para influenciar, persuadir ou motivar a outras pessoas de formas mais eficazes nos âmbitos que lhe interessam. Para abordar este tema, é importante que convide as/os participantes a uma exploração interior, tanto na forma de pensar como no sentir, para poder fazer um exercício que propicie a construção e crescimento coletivos como integrantes de diferentes associações, cooperativas, etc. Ou desenvolvendo-se em âmbitos produtivos.

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Objetivo Geral: Conhecer os diferentes tipos de liderança que potencialize o empoderamento pessoal e coletivo das participantes. Específicos: a. Desenvolver nas mulheres as qualidades de líderes. b. Criar grupos de mulheres líderes que eduquem mais mulheres para torná-las em líderes de sua comunidade.

Metodologia

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Objetivos

A metodologia utilizada parte de um enfoque vivencial e de educação popular, tem duas dimensões: a teórica e a prática para a transformação. Neste processo as experiências das/os participantes são as que constituem a riqueza deste método; que valorizando e descobrindo novos conhecimentos, poderão interiorizar elementos para uma mudança pessoal que repercutirá no contexto em que se desenvolvem. Adotam-se as propostas da educação popular, como uma educação para o poder (para poder mais) e para a transformação da vida. É para desaprender e para transformar, deve entendê-lo como produção coletiva de conhecimentos, não como transmissão de conhecimentos e conteúdos. Trata-se de processos essencialmente participativos que propiciam um espaço de encontro entre mulheres diversas (urbanas e rurais; adultas e jovens, camponesas, comerciantes, produtoras, empreendedoras), onde você construirá com as outras mulheres conhecimentos a partir da reflexão crítica entorno das dificuldades que enfrentam. Para começar partiremos de uma metodologia ativa-participativa na que você poderá alternar a exposição de conceitos teóricos (reforçados com a leitura que lhe sugerimos), com dinâmicas e exercícios que contribuem para a reflexão pessoal e a interiorização destes conceitos. Para o desenvolvimento do tema, pode durar 4 horas, embora para isto deve ter em conta as circunstâncias das participantes (tais como horários de trabalho, horários de transporte, cuidados de terceiros, segurança, etc.). Tudo depende de como você adapte o seu grupo, realizando alguns exercícios de acordo com o tempo que tenha.

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Dicas que podem ajudar-lhe para melhorar a comunicação: a.

Comunicação não verbal     

b.

Comunicação verbal 

 

 

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Mantenha o contato visual com todas as integrantes do grupo quando esteja falando. Ande pelo salão sem distrair o grupo. Reaja com o que lhe digam usando a linguagem corporal: afirmar, sorrir ou outras ações que demonstrem que está você escutando. Fique de pé, não se sente, em frente do grupo, especialmente no começo da sessão. É importante ter um aspecto relaxado, mas ao mesmo tempo ser discreta e segura.

Faça perguntas abertas que incentivem respostas. Se uma participante responde com um simples sim ou não, investigue um pouco com outras perguntas, tais como: me conta mais sobre isso, que experiências você teve a respeito? Para incluir o grupo, pergunte as outras participantes se estão de acordo com algo que digam algumas delas. Deixe que as participantes respondam as perguntas da outra. Não tem a obrigação de responder todas as perguntas. Pergunta: alguém deseja responder esta pergunta? o que pensam as outras participantes? O tom de voz é tão importante quanto o contexto do que é transmitido. Nunca se expresse com dureza, raiva ou de forma crítica. Fale de maneira pausada e clara.


Observações: É recomendável uma sala amplia. Atividade 1: Dinâmica Apresentação e bem-vinda Materiais: Sala amplia. Tempo: 10 min. Desenvolvimento Passo 1: Dê bom-dia (tarde ou noite) e faça que todas/os se sintam bem-vindos.

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Tema 3: Liderança

Passo 2: Peça que caminhem pela sala, propondo-se a estar aí e deixar todas as preocupações lá fora. Diga-lhes que cada vez que cruzem seu olhar com outro/a colega, que sorria para ele e que cumprimente na forma que preferirem. Até que todas/os tenham recebido cumprimentado entre si. Atividade 2: Somando força para a liderança. Plenário Materiais: Sala amplia, marcadores com tinta, fita adesiva e cartões coloridos. Tempo: 20 min. Desenvolvimento Passo 1: Peça ao grupo que se levantem e que caminhem pela sala esticando seu corpo, em seguida, diga a palavra ESTÁTUA e cada um deve escolher um/a colega que esteja mais próximo, então você indica a eles que com este/a colega, eles conversem sobre sua experiência como líderes e a quantos anos já são líderes, repita o jogo três vezes. Passo 2: Entregue cartões coloridos as últimas duplas, e peça que escrevam seus nomes e a soma dos anos que entre as duas levam sendo líderes. Passo 3: Finalmente todos/as colocam os cartões na lousa ou na parede que está em frente a sala e você reflexiona sobre a soma de anos que entre todas levam sendo líderes, pergunte para elas: como sentem ao saber isso? para que comentem com a colega que tem ao lado, depois peça-lhes um aplauso para reconhecer o trabalho esse trabalho que tem realizado durante tanto tempo 63


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Atividade 3: Dinâmica “O nó” Liderança Materiais: Sala amplia Tempo: 15 min. Desenvolvimento Passo 1: Forme 3 grupos para realizar a dinâmica, explique a forma como realizará o exercício: cada grupo deve formar um círculo e cada participante com sua mão direita segura a mão da direita do outro/a colega que não seja a que está ao seu lado; depois com a mão esquerda segura a mão esquerda de outro/a colega sempre tendo em conta que não seja a mão que estejam ao seu lado. Passo 2: Com o passo 1, forma-se o nó, e você indica que agora o desafio é desfazê-lo, portanto, devem iniciar a desfazer o nó sem soltar as mãos, até que todas/os fiquem em uma roda de mãos dadas. Isto gerará uma discussão de como conseguir desfazer o nó, onde pode existir diferentes opiniões ou uma pessoa que tome a atitude de como desfazer o nó. Passo 3: Depois inicie com a reflexão, em plenário, de como se sentiram com o exercício e que características de Liderança conseguiram identificar.

Atividade 4: Conceituar Trabalho individual Materiais: Páginas de papel. Tempo: 20 min Desenvolvimento Passo 1: Convide para que escrevam o que quer dizer liderança e o que aprenderam durante sua experiência como líder. Passo 2: Em plenário, convide a algumas pessoas a ler sua definição de liderança e realize uma reflexão sobre isso e suas experiências, destacando que a liderança é a capacidade e habilidade para guiar, dinamizar, influenciar de maneira positiva nas pessoas para conseguir benefícios comuns.

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Atividade 5: Reconhecendo lideranças Dramatizações Materiais: 3 envelopes com explicação de estilos de lideranças selecionados para a realização do sociodrama, cartões coloridos, marcadores de tinta e cavalete com bloco de papéis. Tempo: 60 min Desenvolvimento

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Passo 3: Reflita sobre a pregunta: quais dificuldades quem as pessoas enfrentam para assumir uma liderança? Internas e externas.

Passo 1: Neste momento você vai realizar uma breve descrição de alguns diferentes tipos de lideranças. Explique que cada grupo deverá preparar e apresentar um soiodrama que represente uma situação cotidiana e que se evidencie um estilo de liderança. Em seguida, solicite que um representante de cada grupo passe a pegar um dos três envelopes (Anexo 1), que você deverá ter preparado com antecipação e que contém o nome de um estilo de liderança. Indique que para a preparação o sociodrama cada grupo tem 15 minutos, explique que cada apresentação terá 5 minutos por grupo. Passo 2: Apresentação de sócio dramas. Peça aos grupos que apresentem suas dramatizações e ao finalizar expliquem o estilo de liderança que representaram. Quando haja terminado todas as apresentações, você lança a pergunta: Quais destes estilos favorece o papel de liderança em um grupo? Passo 3: Depois de ouvir as respostas, conclua expressando que o tipo de liderança mais inclusivo é o democrático. REFLEXÃO 1 Quando compartilhamos uma direção comum e temos senso de comunidade, podemos chegar onde queremos, mais fácil e mais rápido. Este é o benefício do apoio mútuo.

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REFLEXÃO 2 Obtemos melhores resultados quando fazemos turnos para realizar os trabalhos difíceis. REFLEXÃO 3 Uma palavra de encorajamento produz grandes resultados, motiva, ajuda e dá força. Atividade 6: Juntando forças nas lideranças Materiais: Bola Tempo: 20 min. Desenvolvimento Passo 1: Peça as participantes que pensem em ações pessoais e coletivas que possam fazer em suas cooperativas, organizações, comunidades e trabalhos para fortalecer o exercício de liderança que cada um realiza, como medida de anular as dificuldades que as mulheres têm para exercer a liderança. Passo 2: Depois indique que fiquem de pé e que joguem a bola de forma aleatória, a pessoa que pegar a bola, peça que compartilhe uma ação que pensou ou escreveu. Portanto, através do jogo de bola põe em comum estratégias para colocar em prática a irmandade e fortalecer as lideranças das mulheres.

Atividade 7: Avaliação e encerramento. Materiais: Copias de Guia de Avaliação e canetas. Tempo: 10 min. Desenvolvimento Passo 1: Entregue a cada participante a Guia de Avaliação (Anexo 2) para que a complete de forma individual

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ENVELOPE 1: ESTILO DE LIDERANÇA AUTORITÁRIA Quem a pratica considera que é a única pessoa com capacidade para dirigir o grupo e que os outros/as não estão capacitados, portanto, precisam de ordens precisas. As decisões só podem ser tomadas por ela.

ENVELOPE 2: ESTILO DE LIDERANÇA PARTICIPATIVA Quem a pratica considera que todas as pessoas do grupo são importantes e que devem expressar suas opiniões e, juntos, tomar decisões.

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Anexo 1

ENVELOPE 3: ESTILO DE LIDERANÇA MATERNALISTA Que a pratica é autoritária, mas benevolente, ela pensa que outros membros do grupo precisam de sua ajuda, porque é a pessoa com a maior experiência e capacidade.

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Anexo 2

Avaliação Anônima Curso

1:

A continuação pediremos que preencha esta guia de avaliação que permitirá avaliar este curso e considerar as sugestões. Por favor, indique um valor para a metodologia do curso (1 é pobre e 10 é excelente).

Pobre........................................................................................................................Excelente 1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

Comentários:

Por favor, indique um valor a qualidade da equipe de facilitação (1 é pobre e 10 é excelente). Pobre........................................................................................................................Excelente 1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

Comentários:

Este curso lhe deu informação útil para sua vida e para o desempenho de suas funções na organização que participa? Comentários:

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LIDERANÇA É importante reconhecer que exercer, a liderança é uma experiência complexa, porque tem seus lados escuros e claros, aqui deixamos para você o material para reforçar sua facilitação. Definição e características de liderança Temos a tendência de considerar líderes a aquelas pessoas carismáticas que têm uma

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Anexo 3

enorme influência sobre os grupos, conseguindo cumprir com os objetivos propostos. Esta é a percepção distorcida da liderança, que contribui a um número muito reduzido de pessoas com qualidades extraordinárias para dirigir e guiar grupos. E, embora seja verdade que existem personalidades fortes com capacidade de comunicação e sedução, não é menos real o carisma sem ideologia, ética e razão, que há gerado verdadeiros monstros cuja a marca permanece na memória histórica dos povos. Há que contrastar que a liderança não pertence a uma minoria, é algo muito mais normal aberto. Está presente em todas as atividades em que aparecem as relações humanas. Na família, na amizade, na comunidade, nas associações, no trabalho, estabelecem laços e trocas de influencias entre as pessoas. Esta liderança que exercemos de forma natural e espontânea em nossa vida cotidiana se transforma numa ferramenta básica para o trabalho quando aplicada nas organizações politicas, construindo uma das variáveis essenciais para conseguir o êxito das ideias e projetos. Na política é fundamental a formação política das mulheres, influenciar, unindo vontades e energias de forma que o conjunto da organização crie, defenda e trabalhe para conseguir um projeto comum.

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Pensemos em exemplos muito concretos, e não tão distantes na história de luta pelos direitos das mulheres como a conquista do voto, do divórcio, do direito a educação, ao trabalho e tantas outras propostas, planteadas, batalhadas e ganhadas. Sem a liderança de grupos de mulheres, estes direitos, que agora nos parecem de sentido comum, mas que uma época foi vista como verdadeiros desatinos que contradiziam as normas básicas da lógica e convivência. A influência pessoal não deve confundir-se com manipulação, pressão ou desenvolvimento ilegítimo do poder. A liderança, desde a autoridade, é diferente do poder como força impositiva. Lembremos sempre que a liderança deve facilitar todas as pessoas a contribuírem com seu ponto de vista, incluindo aqueles que são mais reservados ou tem mais dificuldades para externar seus pensamentos. A influência precisa de alianças. É um erro liderar sozinho. As mulheres sabem bem e os movimentos tem buscado a criação de redes para defender suas aspirações. Também nas organizações é necessário buscar alianças e criar influências. Compartilhar a informação, democratizar as decisões, sem medo a perda do poder, nos garantirá o êxito de nossos objetivos. As mulheres têm uma enorme capacidade de comunicação, há que aproveitar e estabelecer alianças que nos permita defender aquelas causas que acreditamos ser justas, criando verdadeiras teias de aranhas nas estruturas. Teremos triunfado quando uma proposta que começou tomando consistência em um pequeno grupo e termina formando parte da agenda política da organização. A ação de liderança pode ser pontual. Exercer a liderança não é, necessariamente, uma posição constante ou contínua. Seria um esforço que terminaria desgastando e queimando as pessoas que estão sempre na primeira fila do palco.

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capacidade, energia, tempo e as ilusões que temos. Primeiro, é importante ser conscientes de nossas prioridades. Parece que o fato de ser uma líder mulher ou diretora obrigaria a estar disponível em todos os momentos. E não é justo. A liderança deve ser uma proposta de cuidado e respeito. Como mencionado anteriormente, devemos viver com tranquilidade nossas escolhas, envolver-se na liderança daquelas causas que realmente nos interessam e para que nos sintamos preparadas e dispostas. Não é saudável estar permanentemente disponível para o partido, nem para a

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Antes de começar a liderar um programa ou uma proposta, é importante analisar nossa

associação, nem para o movimento.

Estilos de liderança Na ausência de modelos, as mulheres têm duas opções. Uma é copiar os modelos mais hierarquizados tanto nas características externas (forma de vestir, de comunicar-se ou expressar-se, os usos do tempo ou dos gestos) como também nas atitudes no exercício do poder, aspirações e ambições. A segunda opção é ratificar atitudes e valores que revalidam um modelo de liderança mais dialogado, democrático e flexível. Neste sentido, as investigações realizadas em torno a liderança nas empresas ratificam a hipótese de que existem claras diferenças entre um estilo mais hierárquico (Beta) e um estilo mais flexível (Alfa).

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Estilo Beta Inclinação racional Analíticos

Estilo Alfa Empatia Intuição - Inteligência emocional

Busca de soluções deterministas

Avaliação da qualidade e objetivos obtidos

Quantificação dos resultados

Capacidade

de

sínteses

a

problemas

específicos Relações hierárquicas

Confiança nas relações horizontais - apoio mútuo

Raciocínio baseado em paradigmas

Busca de soluções globais

prévios

As qualidades que devemos desenvolver. Estes são os três C: 

Capacidade para atrair, entusiasmar, para mostrar confiança nos objetivos que queremos conseguir.

Capacidade para pensar e resolver os problemas de forma criativa e inovadora.

Capacidade para escutar, entender e integrar a cada uma das pessoas de forma individual, ativando o melhor de sua personalidade.

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Introdução

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LIDERANÇA Módulo de formação N° 3 Pequenos Produtores (as) e trabalhadores (as) por um

É

Introdução ao tema Com este curso se buscar criar a habilidade da liderança nas mulheres, que aprendam e reproduzam a capacidade de influenciar as outras pessoas e que também as apoiem para trabalhar juntos e com entusiasmo na conquista de seus objetivos e metas comuns.

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Para abordar este tema, é importante que convide as/os participantes a uma exploração interior, tanto de pensar, sentir, para poder fazer um exercício que propicie a construção e crescimento coletivos como integrantes de diferentes associações, cooperativas, etc.

OBJETIVO GERAL 1. Conhecer os diferentes tipos de liderança que potencialize o empoderamento pessoal e coletivo das participantes.

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a. Desenvolver nas mulheres as qualidades de líderes. b. Criar grupos de mulheres líderes que eduquem mais mulheres para torná-las em líderes de sua comunidade.

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Objetivos Específicos

O que é Liderança? Módulo de formação N° 3 Pequenos Produtores (as) e trabalhadores (as) por um

É

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É o conjunto de habilidades diretivas que um indivíduo tem para influenciar na forma de ser ou atuar das pessoas ou em uma equipe organizada de trabalho determinado, fazendo com que esta equipe trabalhe com entusiasmo para atingir suas metas e objetivos.

A liderança pode ser exercida por qualquer pessoa, em qualquer momento e em diferentes situações. De fato, todas as pessoas têm um papel de liderança na vida: na família, no trabalho e na comunidade ou até a nível nacional. As pessoas não costumam pensar que coisas fazem para liderar. 76


E desde este ponto transformá-lo e aprender novas ferramentas para influenciar, persuadir ou motivar a outras pessoas de formas mais eficazes nos âmbitos que lhe interessam.

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Existem diferentes estilos de liderança, no entanto é importante ser consciente que as formas em que aprendemos exercê-lo também estão inclinadas pelo gênero, a classe social, a raça.

Estilos de Lideranças

Estilo de liderança autoritária A líder considera que é a única pessoa com capacidade para dirigir o grupo e que os outros/as não estão capacitados, portanto, precisam de ordens precisas. As decisões só podem ser tomada por ela. 77


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Estilo de liderança participativa A líder considera que todas as pessoas do grupo são importantes e que devem expressar suas opiniões e, juntos, tomar decisões. Estilo de liderança maternalista Esta é uma líder autoritária, mas benevolente, ela pensa que outros membros do grupo precisam de sua ajuda, porque é a pessoa com a maior experiência e capacidade.

Mas também em nossa caminhados podemos encontrar:  Líderes naturais (muitas vezes os líderes comunitários)  Líderes que obtêm esta classificação pelo posição que ocupam (Líderes religiosos, Diretores de instituições)  Algumas pessoas (homens e mulheres) tem carisma de líder, embora não tenha o cargo. 78


• Lideranças nao autoritárias. • Lideranças menos hierárquicas. • Lideranças honestas. • Lideranças com sentido de auto cuidado e qualidade de vida.

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Necessitamos Lideranças.

• Lideranças autônomas e independentes.

Reflexões

1. Quando compartilhamos uma direção comum e temos senso de comunidade, podemos chegar onde queremos, mais fácil e mais rápido. Este é o benefício do apoio mútuo. 2. Obtemos melhores resultados quando fazemos turnos para realizar os trabalhos difíceis. 3. Uma palavra de encorajamento produz grandes resultados, motiva, ajuda e dá força.

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LIDERANÇA Atividades

Módulo de formação N° 3 Pequenos Produtores (as) e trabalhadores (as) por um

É

Somando força para a liderança Atividade 2

• Todas devem ficar de pé e caminhar pela sala esticando seu corpo. • Quando escute a palavra ESTÁTUA, escolhe a uma colega que esteja mais próximo e converse com ela sobre suas experiências como mulheres líderes e quantos anos já são líderes. • Farão isto três vezes. 80


O NÓ

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• Com o último par que troque experiências, deve escrever nos cartões que foram entregues, seus nomes e soma dos anos que entre as suas levam sendo líderes. • Quando terminar, coloquem seus cartões em um lugar visível e reflitam sobre os anos que todas levam sendo líderes.

Atividade 3

• Formarão três grupos. • Cada grupo formará um círculo. • Cada participante com sua mão direita segura a mão da direita do outra colega que não seja a que está ao seu lado; depois com a mão esquerda segura a mão esquerda de outra colega sempre tendo em conta que não seja a mão que estejam ao seu lado. Assim, eles conformam o nó. ¡AGORA O DESAFIO É DESFAZER O NÓ!

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• Devem iniciar a desfazer o nó sem soltar as mãos, até que todas fiquem em uma roda de mãos dadas • Isto gerará uma discussão: ¿Como desfazer o nó? • Agora que já não há o nó, devem dizer: 1. ¿Como se sentiram? 2. ¿Que características de liderança conseguiram identificar?

!Obrigada por sua participação e colaboração em um novo curso! 82


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MÓDULO Nº4

Autoestima

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Introdução

Muitos são os obstáculos que impedem a igualdade de oportunidade entre homens e mulheres, e o exercício livre dos direitos humanos por parte de grupos historicamente violados, o que não contribui a uma vida mais harmônica a nível familiar, nem comunitário. Há barreiras mais evidentes como as normativas, a falta de conhecimentos, a falta de recursos e existem barreiras mais subjetivas ou dito de outra maneira que é mais complexo perceber e uma delas é a auto percepção, a autoestima como pessoas, essa sensação de sentir que os direitos, os serviços não são para elas/es, por isso é importantíssimo falar disto quando falamos de Direitos Humanos, gênero e/ou lideranças para abordar por igual o que podemos perceber com facilidade e o que está mais velado, já que isto marca atitudes e comportamento que ao colocá-los em comum, refleti-los e trabalhá-los em coletivo podem ajudar a mudar.

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Objetivo Geral: Promover um bom ambiente grupal e da integração de cada uma das participantes no grupo, transmitindo a importância de uma boa autoestima no desenvolvimento pessoal e grupal. Específicos: a . Fornecer ferramentas para as mulheres para que alcancem e/ou desenvolvam uma autoestima saudável. b. Contribuir para a criação de espaços de igualdade e respeito para que as mulheres se sintam valorizadas.

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Objetivos

Metodologia A metodologia utilizada parte de um enfoque vivencial e de educação popular, tem duas dimensões: a teórica e a prática para a transformação. Neste processo as experiências das/os participantes são as que constituem a riqueza deste método; que valorizando e descobrindo novos conhecimentos, poderão interiorizar elementos para uma mudança pessoal que repercutirá no contexto em que se desenvolvem. Adotam-se as propostas da educação popular, como uma educação para o poder (para poder mais) e para a transformação da vida. É para desaprender e para transformar, deve entendê-lo como produção coletiva de conhecimentos, não como transmissão de conhecimentos e conteúdos. Trata-se de processos essencialmente participativos que propiciam um espaço de encontro entre mulheres diversas (urbanas e rurais; adultas e jovens, camponesas, comerciantes, produtoras, empreendedoras), onde você construirá com as outras mulheres conhecimentos a partir da reflexão crítica entorno das dificuldades que enfrentam. Para começar partiremos de uma metodologia ativa-participativa na que você poderá alternar a exposição de conceitos teóricos (reforçados com a leitura que lhe sugerimos), com dinâmicas e exercícios que contribuem para a reflexão pessoal e a interiorização destes conceitos. Para o desenvolvimento do tema, pode durar 4 horas, embora para isto deve ter em conta as circunstâncias das participantes (tais como horários de trabalho, horários de transporte, cuidados de terceiros, segurança, etc.). Tudo depende de como você adapte o seu grupo, realizando alguns exercícios de acordo com o tempo que tenha 85


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Dicas que podem ajudar-lhe para melhorar a comunicação: a.

Comunicação não verbal Mantenha o contato visual com todas as integrantes do grupo quando esteja falando. Ande pelo salão sem distrair o grupo. Reaja com o que lhe digam usando a linguagem corporal: afirmar, sorrir ou outras ações que demonstrem que está você escutando. Fique de pé, não se sente, em frente do grupo, especialmente no começo da sessão. É importante ter um aspecto relaxado, mas ao mesmo tempo ser discreta e segura.

     b.

Comunicação verbal 

 

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Faça perguntas abertas que incentivem respostas. Se uma participante responde com um simples sim ou não, investigue um pouco com outras perguntas, tais como: me conta mais sobre isso, que experiências você teve a respeito? Para incluir o grupo, pergunte as outras participantes se estão de acordo com algo que digam algumas delas. Deixe que as participantes respondam as perguntas da outra. Não tem a obrigação de responder todas as perguntas. Pergunta: alguém deseja responder esta pergunta? o que pensam as outras participantes? O tom de voz é tão importante quanto o contexto do que é transmitido. Nunca se expresse com dureza, raiva ou de forma crítica. Fale de maneira pausada e clara.


Observações: É recomendável uma sala amplia. Atividade 1: Dinâmica “Chuva de ideias” Apresentação e bem-vinda. Materiais: Sala amplia. Tempo: 10 min. Desenvolvimento Passo 1: Dê bom-dia (tarde ou noite) e faça que todas/os se sintam bem-vindos.

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Tema 4: Autoestima

Passo 2: Inicie o curso pedindo as participantes retroalimentação dos conhecimentos adquiridos na jornada anterior a través de uma chuva de ideias, a jornada anterior falamos de “lideranças”.

Atividade 2: Dinâmica “Procura-se” Dinâmica de abertura Materiais: Cartaz de “procura-se” e folhas de papel em branco. Tempo: 20 min. Desenvolvimento Passo 1: Peça as participantes que preencham o cartaz de “procura-se”, fazendo um de desenho delas mesmas. O formato do cartaz está ilustrado nos anexos (Anexo 1). Só deve aparecer o desenho e não nome da pessoa. Passo 2: Recolha os cartazes e os distribua novamente entre as participantes, aleatoriamente, de modo de que ninguém volte a pegar o seu próprio cartaz. Peça-lhes que leiam as características da pessoa que pegou e tratem de localizá-la. Passo 3: Uma vez encontrada, deverá pagar a recompensa (que pode ser um abraço, uma flor, uma pedrinha, uma palavra bonita, uma mostra simbólica de agradecimento, etc) e escrever o nome no cartaz. Os cartazes devem ser colocados numa parede da sala que possam ser vistos pelo resto das participantes. 87


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Atividade 3: Introduzindo o tema Exposição dialogada Materiais: dialogada.

Fichas de apoio contendo conceito e elementos chaves para a exposição

Tempo: 10 min. Desenvolvimento Passo 1: Nesta parte introduza o tema, retomando alguns dos seguintes pontos para a exposição. O que é Autoestima? Auto = por si mesmo, e Estima = consideração, apreço. A autoestima é o sentimento que qualifica o nosso ser, de nossa maneira de ser, de quem somos nós, do conjunto de características corporais, mentais e espirituais que configuram nossa personalidade. Que se aprende, muda e podemos melhorar. A autoestima tem profundas consequências em nossa conduta: influi na forma de atuar no trabalho, em nossa comunidade, no que podemos conseguir na vida, na maneira de como enfrentemos os problemas, na forma em como nos relacionamos com nosso companheiro, nossos filhos/as e em geral com as pessoas que nos rodeiam. A maneira como nos comportamos influi em nossa autoestima. Assim, enquanto haja condutas e atitudes que aumentam o sentimento de autoestima, outras, no entanto, dão lugar a muitos fracassos na vida e alimentam um pobre conceito de si mesmo. A autoestima também é construída de maneira diferenciada entre homens e mulheres, sobre as meninas se enviam mensagens constantes de “não pode fazer isso”, “não pode ir por aí”, “não tem força”, “isso é coisa de meninos”, estas mensagens limitam a capacidade criativa das meninas, e o impulso para fazer o que se propõem, apartando a elas ao mundo privado e apontando para elas se resolvem sair deste mundo privado, com emoções como a culpa e o medo. Passo 2: As participantes podem, se assim o desejarem, intervir para dar suas contribuições sobre o tema, o que conhecem, as dúvidas que têm, etc.

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Trabalho grupal Materiais: Cavalete com bloco de papéis e canetas. Tempo: 20 min. Desenvolvimento Passo 1: Peça que formem três grupos para trabalhar fatores que influem na autoestima.

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Atividade 4: Refletindo sobre a autoestima

Passo 2: Quando os grupos estiverem integras, deve pedir a eles que busquem três fatores que influenciam na autoestima tanto de forma positiva como negativamente, na família, na escola e na sociedade. Passo 3: Cada grupo escolhe um porta-voz e depois debatem as conclusões em plenário.

Atividade 5: O que é autoconceito. Reflexão individual e trabalho em pares. Materiais: Cartões coloridos e canetas. Tempo: 20 min Desenvolvimento Passo 1: Diga a cada uma que tem 5 minutos para pensar em “autoconceito” o primeiro que venha a sua cabeça. Passo 2: Concluídos esses 5 minutos, peça que formem pares para fazer a definição do autoconceito e que anotem em cartões coloridos.

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Passo 3: Em seguida, cada par vai expor ao grupo e você vai retroalimentar. Autoconceito: é a visão que tenho sobre si mesma, a ideia do que sou, se conheço quem sou posso valorizar-me e avaliar-me para agir conscientemente.

Atividade 6: Conhecendo a nós mesmos. “O cofre secreto e a mochila” / Utilizar anexos 2 e 3. Se é possível, ponha a música relaxante, aqui está uma opção, mas pode escolher a que você mais goste. https://www.youtube.com/watch?v=lz1HXLT42RQ Materiais: Envelope de papel simulando um cofre, envelope de papel simulando uma mochila, 2 folhas de papel tamanho carta, caneta ou lápis (este material é por participante). Tempo: 20 min Desenvolvimento Passo 1: Peça as participantes colocar-se comodamente em toda a sala, e explique que devem se organizar para sair de viagem, essa viagem é a “viagem de sua vida”, para isso devem preparar-se muito bem, e essa preparação é pessoal e privada. Como é uma viagem muito longa e que apresenta muitos desafios, devem de levar só o necessário e útil, e devem deixar aquilo que considerem “pesado” e que poderia ser um obstáculo na estrada; guardando as debilidades pessoais. Peça as participantes fazerem uma avaliação pessoal e identificar aqueles aspectos de sua personalidade que não gostam de si mesmas e que representam um obstáculo para seu crescimento pessoal. Passo 2: Em seguida, entregue um envelope que simula um cofre e uma página de papel tamanho carta. Deverão por seu nome ao cofre e escrever na folha de papel as debilidades ou defeitos que identificaram. Depois devem guardar sua lista dentro do envelope do cofre e selá-lo. Indique que tem 10 minutos para realizar esta parte do exercício. Passo 3: Da mesma forma, peça as participantes identificarem suas fortalezas, ou seja, suas capacidades e/ou qualidades que consideram que são seus melhores atributos e que irá ajudar no seu crescimento pessoal. Entregue um envelope que simula uma mochila e uma página tamanho carta. Deverão pôr seu nome na mochila e escrever na folha de papel as fortalezas que identificaram. Depois deverão carregar sua mochila e selá-la. Indique que tem 10 minutos para realizar esta parte do exercício.

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O que sentiram ao escrever seus defeitos e/ou debilidades e seus atributos e/ou fortalezas? Qual lista foi a mais difícil de elaborar? Por quê? Por que se deve guardar as debilidades e levar consigo as fortalezas? Conclusão: Considerando as intervenções, deve concluir salientado o seguinte: A intenção deste exercício é que cada um reconheça tanto os defeitos como as qualidades, debilidades como fortalezas. Que para o desenvolvimento pessoal é importante conhecer a si mesma, isto é básico para melhorar a autoestima, não ter distrações fora. Quando estamos sempre a par de outras pessoas, não nos sentimos, nem pensamos em nós, portanto, nos desconhecemos. Ao conhecer-nos, isso ajuda a melhorar nossa autoestima e, por consequência, teremos um melhor desempenho na vida. Para fomentar e potencializar positivamente nossa autoestima, devemos considerar três componentes:   

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Passo 4: Reflexão: Estimule a reflexão das participantes sobre o exercício que realizaram, com perguntas como:

O que penso O que sinto O que faço

E fazer o esforço para modificá-los ou substitui-los por pensamentos, sentimentos e condutas positivas, todo o tempo, isso nos fará mulheres mais felizes.

Atividade 7: Avaliação e encerramento. Materiais: Copias de Guia de Avaliação e canetas. Tempo: 10 min. Desenvolvimento Passo 1: Entregue a cada participante a Guia de Avaliação (Anexo 2 para que a completem de forma individual.

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Anexo 1. Procura-se PROCURA-SE

Anote algo que VOCÊ GOSTE DE FAZER

Anote algo que VOCÊ NÃO GOSTE DE FAZER

Anote algo que VOCÊ GOSTE DE FAZER

Anote algo que VOCÊ NÃO GOSTE DE FAZER

RECOMPENSA (Anotará uma recompensa que deverá dar para a pessoa que encontrá-lo)

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Anexo 2. Cofre

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Mochila de Papel

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Anexo 3. Mochila de papel


A continuação pediremos que preencha esta guia de avaliação que permitirá avaliar este curso e considerar as sugestões. Por favor, indique um valor para a metodologia do curso (1 é pobre e 10 é excelente).

Pobre........................................................................................................................Excelente 1

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10

Comentários:

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Anexo 4

Por favor, indique um valor a qualidade da equipe de facilitação (1 é pobre e 10 é excelente). Pobre........................................................................................................................Excelente 1

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Comentários:

Este curso lhe deu informação útil para sua vida e para o desempenho de suas funções na organização que participa? Comentários:

Outros comentários, sugestões e/ou recomendações Comentários:_

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Colocar número do curso 95


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Autoestima Introdução

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Pequenos Produtores (as) e trabalhadores (as) por um

É

Introdução ao tema Muitos são os obstáculos que impedem a igualdade de oportunidade entre homens e mulheres. o que não contribui a uma vida mais harmônica a nível familiar, nem comunitário.

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Existem barreiras mais subjetivas ou dito de outra maneira que é mais complexo perceber e uma delas é a auto percepção, a autoestima como pessoas, essa sensação de sentir que os direitos, os serviços não são para elas, por isso é importantíssimo falar disto quando falamos de Direitos Humanos, gênero e/ou lideranças.

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Há barreiras mais evidentes como as normativas, a falta de conhecimentos, a falta de recursos.

A autoestima das mulheres As oportunidades desiguais entre os homens e as mulheres, também têm efeito sobre a autoestima, alimentam inseguranças e autoconceitos, por isso é importante mudar os modelos socioculturais, mas também mandar boas mensagens para dentro de si mesma.

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A autoestima das mulheres AUTOESTIMA AUTO-RESPEITO AUTOACEITAÇÃO AUTOAVALIAÇÃO

AUTOCONCEITO AUTOCONHECIMENTO

OBJETIVO GERAL 1. Promover um bom ambiente grupal e da integração de cada uma das participantes no grupo, transmitindo a importância de uma boa autoestima no desenvolvimento pessoal e grupal.

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a. Fornecer ferramentas para as mulheres para que alcancem e/ou desenvolvam uma autoestima saudável. b. Contribuir para a criação de espaços de igualdade e respeito para que as mulheres se sintam valorizadas.

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Objetivos Específicos

Autoestima Definições

Módulo de formação N° 4

Pequenos Produtores (as) e trabalhadores (as) por um

É

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O QUE É AUTOESTIMA? Refere-se a uma atitude em relação a si mesma, originada na interação com os outros. Compreende a percepção, a estima e o conceito que cada pessoa tem de si mesmo. Julgamentos que temos de nós mesmas ou o que dizemos sobre nós mesmas. E, principalmente, o grau de satisfação com nós mesmas.

Como é uma pessoa com autoestima? • Confia em si mesma. • Atua com segurança. • Sente-se capaz e responsável do que pensa, sente e faz. • Pode autorregular seus impulsos, em relação aos outros. • Aberta e flexível. Valoriza os outros e os aceita e respeita. • Autônoma em suas decisões. 100


• É capaz de ver as necessidades de os/as outros/as. • Comunica-se de forma clara e direta com os/as outros/os. • Lida com obrigações.

as

tarefas

e

• Compromete-se e se interessa pela tarefa e foca nas metas propostas.

• É otimista.

• É esforçado e constante, apesar das dificuldades. • Reconhece seus erros e é capaz de corrigi-los. • É criativo/a, capaz de assumir novos riscos.

• É capaz de trabalhar em grupo com seus pares. • Tem iniciativa para o contato social.

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• Relações adequadas com pessoas de maior hierarquia.

A autoestima inclui vários aspectos que têm que equilibrar: Intelectual: confiança em suas capacidades de pensar e aprender. Emocional: respeito pelos próprios sentimentos. O físico: sentir-se conforme com sua aparência. Social: sentimento de ser valorizado/a por outros e capaz de estabelecer boas relações com os outros/as. 101


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As pessoas com uma autoestima positiva têm uma sensação interna de valorização, de auto respeito e confiança em sua capacidade de enfrentar situações e desafios novos.

Uma autoestima positiva não significa sobrestimar-se. Pelo contrário, é conhecer e apreciar as próprias qualidades, reconhecer as debilidades e confiar em que estes últimos aspectos representam formas possíveis de melhorar ou mitigar. 102


É a visão que tenho sobre si mesma, a ideia do que sou, se conheço quem sou posso valorizar-me e avaliar-me para agir conscientemente.

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AUTOCONCEITO

• O que sentiram ao escrever seus defeitos e/ou debilidades e seus atributos e/ou fortalezas? • Qual lista foi a mais difícil de elaborar? Por quê? • Por que se deve guardar as debilidades e levar consigo as fortalezas? 103


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Autoestima Atividades

Módulo de formação N° 4

Pequenos Produtores (as) e trabalhadores (as) por um

É

Chuva de ideias

Todas devem contribuir com ideias que lembrem os conhecimentos adiquiridos na jornada pasada. 104


• Todas devem preencher o cartaz de “Procura-se” fazendo um desenho de vocês mesmas. • Só farão o desenho, não devem escrever seu nome. • Os cartazes se recolheram. • Em seguida, entregará um cartaz aleatoriamente (ninguém pode pegar seu próprio cartaz). • Cada uma deve ler as características do cartaz que pegou e tratarão de localizar a esta pessoa.

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PROCURA-SE

• Quando encontre a pessoa do cartaz, esta pessoa deve pagar com uma recompensa (que pode ser um abraço, uma flor, uma pedrinha, uma palavra bonita, uma mostra simbólica de agradecimento, etc). • Finalmente escrevam o nome da pessoa no cartaz. • Deben colocar os cartazes em um lugar visível. 105


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Refletindo sobre a autoestima • Formem três grupos. • Devem buscar três fatores que influenciem na autoestima tanto positiva como negativamente, na família, na escola e na sociedade. • Cada grupo escolherá um porta-voz. • Gerará um debate.

O que é o autoconceito? • Cada uma tem 5 minutos para pensar em “autoconceito” o primeiro que venha a sua cabeça. • Concluídos os 5 minutos, devem buscar um par para fazer a definição de autoconceito e o anotaram em um cartão.

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• Quanto tenha finalizado, devem passar em pares para expor ao grupo.


• Cada uma deve colocar-se comodamente em um lugar da sala (qualquer lugar). • Devem se organizar a fazer a viagem de suas vidas. • Como é uma viagem muito longa e que apresenta muitos desafios, devem de levar só o necessário e útil, e devem deixar aquilo que considerem “pesado” e que poderia ser um obstáculo na estrada; guardando as debilidades pessoais.

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Conhecendo a nós mesmos

• Devem fazer uma avaliação pessoal e identificar aqueles aspectos de sua personalidade que não gostam de si mesmas e que representam um obstáculo para seu crescimento pessoal. • Entregará um envelope que simula um cofre e uma página de papel tamanho carta. • Deverão por seu nome ao cofre e escrever na folha de papel as debilidades ou defeitos que identificaram.

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• Da mesma forma, devem identificar suas fortalezas, ou seja, suas capacidades e/ou qualidades que consideram que são seus melhores atributos e que irá ajudar no seu crescimento pessoal. • Entregará um envelope que simula uma mochila e uma página tamanho carta. • Deverão pôr seu nome na mochila e escrever na folha de papel as fortalezas que identificaram. • Depois deverão carregar sua mochila e selá-la.

Obrigado por sua valiosa presença nesta nova experiência coletiva!

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MÓDULO Nº5

Participação Política

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Introdução A participação pode ser uma ferramenta de mudança social se esse é o objetivo proposto. Sua distribuição e formas de exercícios podem ser mais ou menos horizontais, mais ou menos flexíveis. Os espaços de participação são âmbitos onde se resolvem os conflitos de poder. As mulheres sempre participaram de tarefas coletivas nos bairros, comunidades, nos sindicatos, nas cooperativas, na militância política, como voluntárias nos serviços públicos, etc. Normalmente a participação feminina é uma prática social. As mulheres procuram espaços de ação em que se praticam vínculos de solidariedade por encima das relações competitivas, sua participação está encaminhada a melhorar as condições de vida dos outros: sai família, filhos com algum tipo de carência, adultos com problemas, etc. Embora a participação das mulheres implica em muitas ocasiões demandas e exigências ao Estado, raramente definem esta ação como uma atividade política e a elas mesmas como protagonistas. As instituições públicas, cada vez mais frequentemente, chamam as mulheres a participar. São convocadas pela sua qualidade de boas administradoras, trabalhadoras e responsáveis. Em respostas a estes chamados, as mulheres contribuem na implementação de ações, na detecção e diagnóstico de problemas a nível local. Além da intencionalidade daqueles que promovem esta participação, na verdade estas atividades se transformam, muitas vezes, em uma transferência de custos das instituições para as mulheres, do Estado para a sociedade. A participação das mulheres no exercício da cidadania ativa e na democratização das instituições, através de suas organizações, destaca que promovem a autoestima e que são um espaço de empoderamento avaliado positivamente por elas. A participação das mulheres a nível local é uma experiência necessária para avançar na construção de uma identidade

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Para influenciar efetivamente nas políticas públicas e participar nas decisões, as mulheres têm que posicionar-se como sujeitos sociais e políticos em todos os âmbitos da sociedade. Andar por esse caminho é hoje o objetivo para muitas mulheres organizadas. Múltiplos são os desafios que há que enfrentar. Devem procurar resposta na sociedade para os problemas urgentes que as afetam como coletivo (pobreza, violência, discriminação) e, simultaneamente, aumentar seus espaços de poder na sociedade para aceder aos lugares de decisão e/ou influenciar politicamente. As mudanças propostas têm custos muito importantes para as mulheres a nível pessoa, familiar e social. Estas dificuldades das mulheres contribuem de maneira significativa a resistência ou oposição aberta dos homens

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própria na medida que fortalece as mulheres como pessoas e as legitima como atores sociais.

a mudar sua posição de superioridade tanto nos espaços privados como nos públicos.

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Objetivos Objetivo Geral: Que as participantes reconheçam a importância de suas ações organizacionais para fortalecer sua participação política. Específicos: a. Refletir sobre as relações de poder que existem nos diferentes espaços. b. Transformar, desde seu entorno, a participação das mulheres nos âmbitos políticos.

Metodologia A metodologia utilizada parte de um enfoque vivencial e de educação popular, tem duas dimensões: a teórica e a prática para a transformação. Neste processo as experiências das/os participantes são as que constituem a riqueza deste método; que valorizando e descobrindo novos conhecimentos, poderão interiorizar elementos para uma mudança pessoal que repercutirá no contexto em que se desenvolvem. Adotam-se as propostas da educação popular, como uma educação para o poder (para poder mais) e para a transformação da vida. É para desaprender e para transformar, deve entendêlo como produção coletiva de conhecimentos, não como transmissão de conhecimentos e conteúdos. Trata-se de processos essencialmente participativos que propiciam um espaço de encontro entre mulheres diversas (urbanas e rurais; adultas e jovens, camponesas, comerciantes, produtoras, empreendedoras), onde você construirá com as outras mulheres conhecimentos a partir da reflexão crítica entorno das dificuldades que enfrentam. Para começar partiremos de uma metodologia ativa-participativa na que você poderá alternar a exposição de conceitos teóricos (reforçados com a leitura que lhe sugerimos), com dinâmicas e exercícios que contribuem para a reflexão pessoal e a interiorização destes 112


Dicas que podem ajudar-lhe para melhorar a comunicação: a.

Comunicação não verbal     

b.

Mantenha o contato visual com todas as integrantes do grupo quando esteja falando. Ande pelo salão sem distrair o grupo. Reaja com o que lhe digam usando a linguagem corporal: afirmar, sorrir ou outras ações que demonstrem que está você escutando. Fique de pé, não se sente, em frente do grupo, especialmente no começo da sessão. É importante ter um aspecto relaxado, mas ao mesmo tempo ser discreta e segura.

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conceitos. Para o desenvolvimento do tema, pode durar 4 horas, embora para isto deve ter em conta as circunstâncias das participantes (tais como horários de trabalho, horários de transporte, cuidados de terceiros, segurança, etc.). Tudo depende de como você adapte o seu grupo, realizando alguns exercícios de acordo com o tempo que tenha.

Comunicação verbal 

 

 

Faça perguntas abertas que incentivem respostas. Se uma participante responde com um simples sim ou não, investigue um pouco com outras perguntas, tais como: me conta mais sobre isso, que experiências você teve a respeito? Para incluir o grupo, pergunte as outras participantes se estão de acordo com algo que digam algumas delas. Deixe que as participantes respondam as perguntas da outra. Não tem a obrigação de responder todas as perguntas. Pergunta: alguém deseja responder esta pergunta? o que pensam as outras participantes? O tom de voz é tão importante quanto o contexto do que é transmitido. Nunca se expresse com dureza, raiva ou de forma crítica. Fale de maneira pausada e clara.

Tema 5: Participação Política 113


expresse com dureza, raiva ou de forma crítica. Fale de maneira pausada e clara.

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Tema 5: Participação Política Observações: É recomendável uma sala amplia. Atividade 1: Abraços reparadores. Cumprimento e bem-vinda. Materiais: Sala amplia. Tempo: 10 min. Desenvolvimento Passo 1: Dê bom-dia (tarde ou noite) e faça que todas/os se sintam bem-vindos. Passo 2: Peça as participantes que formem um círculo e que cada uma distribua abraços, principalmente para a colega do lado, esta proximidade as convidará a conectar com o grupo e propiciará um clima de confiança e alegria. _________________________________________________________________________ Atividade 2: Bolsa da vergonha Dinâmica de Introdução. Materiais: Bolsa. Tempo: 15 min. Desenvolvimento Passo 1: Previamente, você terá preparado uma bolsa, de preferência, de papel (pode fazêla com um cavalete com papel e cola). Passe a bolsa a uma participante para que ela passe a todas no círculo, explicando para elas que nessa bolsa deverão depositar “sua vergonha”, diga a elas que pensem nisso e que se livre dela. E essa bolsa você retirará da sala quando todas tenham feito o exercício. Passo 2: Em seguida, em plenário, pergunte O QUE SENTIRAM? Algumas voluntárias podem contar anedotas nas que tenham ultrapassado a vergonha. Passo 3: Finalmente, conclua que a socialização de gênero tem muita influência em como nos sentimos na hora de tomar a palavra, agir frente ao mundo, etc. Porque nos educaram para o mundo privado, uma cultura sexista/machista que não promove a participação das mulheres, pelo contrário, como nós vimos no módulo de liderança. Peça um aplauso para TODAS, já que elas estão dando passos valiosos na organização e participação no mundo público (associativo, comunitário, participativo, etc.)

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Atividade 3: As relações de poder e participação das mulheres. Materiais: Cavalete com bloco de papéis e marcadores de tinta. Tempo: 50 min. Desenvolvimento Passo 1: Formem três grupos de trabalho. O primeiro trabalhará sobre as relações de poder que existe na casa, o segundo sobre as que existe na comunidade e o terceiro grupo no país. Entregue a cada grupo um guia de perguntas para seu trabalho e discussão (Anexo 1). Diga que tem 15 minutos para trabalhar em grupo e que depois passaram a plenário. De nomear uma vozeira que vai expor num cavalete com bloco de papéis os resultados da discussão.

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___________________________________________________________________________

Passo 2: Em plenário a vozeira (s) de cada grupo socializará os resultados plasmados no cavalete. Passo 3: Quando tenham terminado, de realize uma síntese enquanto as semelhanças e diferenças dos três âmbitos, questionando a reprodução de papéis e recuperando as ações transformadoras dos mesmos por parte das participantes. Atividade 4: A ponte quebrada Organização e Participação das mulheres Materiais: Tijolos, pedras cadeiras, fita adesiva e sala com espaço amplio. Tempo: 50 min. Desenvolvimento Passo 1: Peça as participantes que façam uma fila de qualquer material (tijolos, bancos, cadeias, pedras ou marcar com fita adesiva, etc). Passo 2: Em seguida, indique que se organizem do maior ao menor, por data de nascimento, por estatura, por cumprimento do cabelo, por sandálias ou sapatos fechados, etc . Deverão se organizar sem colocar os pés no chão, somente, encima do material que fizeram a fila, se alguma tocar o chão, deverá começar de novo. Passo 3: Uma vez que superada a dificuldade, pergunte O QUE FIZERAM PARA ALCANÇAR A META E SUPERAR AS DIFICULDADES? Dirija a discussão fazendo a comparação do exercício 115


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com as dificuldades que as mulheres enfrentam na hora de participar politicamente em espaços locais e nacionais, e propondo os espaços de organização e fortalecimento da liderança como esta, para superar algumas das dificuldades. Atividade 5: Reconhecendo o poder para a participação política. Materiais: Folhas de papel e canetas. Tempo: 30 min Desenvolvimento Passo 1: Solicite a cada uma das participantes que localize COMO EXERCE O SEU PODER E ONDE? e QUAL TIPO DE PODER GOSTARIA DE EXERCER? Se isso transformaria algo de sua experiência atual. Passo 2: Peça voluntárias para que compartilhem seu trabalho pessoal. Passo 3: Mencione na discussão que TODAS devemos localizar como potencializar nossos poderes e que, embora existam limitantes estruturais de gênero que as limitam, a organização é uma boa estratégia para superar algumas dessas dificuldades.

Atividade 6: Avaliação e encerramento. Materiais: Copias de Guia de Avaliação e canetas. Tempo: 10 min. Desenvolvimento Passo 1: Entregue a cada participante a Guia de Avaliação (Anexo 2) para que a complete de forma individual.

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Guia de perguntas para o grupo: “casa” Analisar as relações de poder que existem em nosso relacionamento. QUEM TOMA AS DECISÕES? QUEM CONSULTA SUAS DECISÕES? SOBRE O QUE DICEM AS MULHERES E SOBRE O QUE DECIDEM OS HOMENS?

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Anexo 1

SOBRE QUEM, EM NOSSA FAMÍLIA, EXERCEMOS O PODER? Tendo em conta todas/os as integrantes do grupo familiar.

Guia de perguntas para o grupo: “comunidade” QUAIS SÃO OS INDIVÍDUOS OU GRUPOS QUE TÊM O PODER EM SUA COMUNIDADE? COMO SE CONSTITUI AS RELAÇÕES ENTRE OS HOMENS E AS MULHERES DA COMUNIDADE? QUE EFEITOS TÊM ESSAS RELAÇÕES DE PODER PARA A VIDA DA COMUNIDADE? SOBREO QUE DECIDEM AS MULHERES E SOBRE O QUE DECIDEM OS HOMENS?

Guia de perguntas para o grupo “país” QUAIS GRUPOS TÊM O PODER NO PAÍS? Mencione alguns COMO CONSTITUI AS RELAÇÕES DE PODER ENTRE HOMENS E MULHERES NO PAÍS? QUE EFEITOS TÊM ESSAS RELAÇÕES DE PODER PARA A VIDA DO PAÍS? SOBRE O QUE DECIDEM AS MULHERES E SOBRE O QUE DECIDEM OS HOMENS?

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Anexo 2 Avaliação Anônima Curso

1:

A continuação pediremos que preencha esta guia de avaliação que permitirá avaliar este curso e considerar as sugestões. Por favor, indique um valor para a metodologia do curso (1 é pobre e 10 é excelente).

Pobre........................................................................................................................Excelente 1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

Comentários:

Por favor, indique um valor a qualidade da equipe de facilitação (1 é pobre e 10 é excelente). Pobre........................................................................................................................Excelente 1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

Comentários:

Este curso lhe deu informação útil para sua vida e para o desempenho de suas funções na organização que participa? Comentários:

Outros comentários, sugestões e/ou recomendações Comentários:_

1

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Colocar número do curso


Introdução

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Participação Política Módulo de formação N° 5

SOBRE PARTICIPAÇÃO POLÍTICA A participação pode ser uma ferramenta de mudança social se esse é o objetivo proposto. Sua distribuição e formas de exercícios podem ser mais ou menos horizontais, mais ou menos flexíveis. Os espaços de participação são âmbitos onde se resolvem os conflitos de poder.

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Participação política Para influenciar efetivamente nas políticas públicas e participar nas decisões, as mulheres têm que posicionar-se como sujeitos sociais e políticos em todos os âmbitos da sociedade.

Andar por esse caminho é hoje o objetivo para muitas mulheres organizadas. Múltiplos são os desafios que há que enfrentar. Devem procurar resposta na sociedade para os problemas urgentes que as afetam como coletivo (pobreza, violência, discriminação) e, simultaneamente, aumentar seus espaços de poder na sociedade para aceder aos lugares de decisão e/ou influenciar politicamente.

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As mudanças propostas têm custos muito importantes para as mulheres a nível pessoa, familiar e social. Estas dificuldades das mulheres contribuem de maneira significativa a resistência ou oposição aberta dos homens a mudar sua posição de superioridade tanto nos espaços privados como nos públicos.

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Introdução ao tema

OBJETIVO GERAL 1. Que as participantes reconheçam a importância de suas ações organizacionais para fortalecer sua participação política.

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Objetivos Específicos a. Refletir sobre as relações de poder que existem nos diferentes espaços.

a. Transformar, desde seu entorno, a participação das mulheres nos âmbitos políticos.

Participação Política Definições

Módulo de formação N° 5

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SEM AS MULHERES NÃO É DEMOCRACIA

A participação das mulheres é importante para a consolidação da democracia. Na atualidade, há um avanço na equidade de gênero e programas que beneficiam as mulheres, no entanto, a importância de tomar decisões autônomas e ter as condições para fazê-lo, parece que é um processo complexo.

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PARTICIPAÇÃO POLÍTICA DAS MULHERES

PARTICIPAÇÃO POLÍTICA

É toda atividade intencionada de uma pessoa de influencia em assuntos políticos, não necessariamente assuntos partidários. A participação das mulheres é fundamental para demonstrar os avanços na equidade de gênero. 123


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OBSTÁCULOS QUE IMPEDEM A PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES. (Em âmbitos políticos, econômicos e outros de toma de decisão)

Podem ser subjetivos: insegurança das próprias mulheres de participar nestes espaços, resistências dos homens nestes espaços porque se consideram espaços másculos e de difícil compatibilidade para as mulheres entre sua participação e sua vida familiar. E objetivos que são as barreiras impostas pelo poder político formal.

Participação Política das Mulheres

SEM AS MULHERES NÃO É DEMOCRACIA

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Os avanços em pro do direito das mulheres a participar em postos de poder, de seus direitos civis e da igualdade de oportunidades, estão conectados a consolidação da democracia, o desenvolvimento social e um crescimento econômico equitativo. Não se iguala a igualdade de oportunidades, muitas mulheres latinoamericanas carecerão de capacidades básicas e permanecerão excluídas dos setores elegíveis para ocupar postos de comando.


SEM AS MULHERES NÃO É DEMOCRACIA

A socialização de gênero tem muita influência em como nos sentimos na hora de tomar a palavra, agir frente ao mundo, etc. Porque nos educaram para o mundo privado, uma cultura sexista/machista que não promove a participação das mulheres, ao contrário.

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Conclusão da Bolsa da Vergonha

Discussão sobre tema: Reconhecendo o poder para a participação política

TODAS devemos localizar como potencializar nossos poderes e que, embora existam limitantes estruturais de gênero que as limitam, a organização é uma boa estratégia para superar algumas dessas dificuldades. 125


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Participação Política Atividades

Módulo de formação N° 5

Abraços reparadores

As participantes formem um círculo e que cada uma distribua abraços, principalmente para a colega do lado. 126


• Passará uma bolsa a cada uma para que passem a todas no círculo. • Nessa bolsa devem depositar “sua vergonha”, pensem nisto e se livre dela. • A bolsa será retirada da sala quando todas tenham feito o exercício.

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BOLSA DA VERGONHA

O QUE SENTIRAM?

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RELAÇÕES DE PODER E PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES

Relações de poder e participação das mulheres

• Formem três grupos. • O primeiro trabalhará sobre as relações de poder que existe na casa, o segundo sobre as que existe na comunidade e o terceiro grupo no país. • Terão um guia para que discutam. • Tem 15 minutos para trabalhar.

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• Vai expor num cavalete com bloco de papéis os resultados da discussão. • Cada grupo escolherá uma porta-voz que socializará os resultados plasmados no cavalete.


• Cada pessoa deve fazer uma fila de qualquer material (tijolos, bancos, cadeias, pedras ou marcar com fita adesiva, etc). • Em seguida, deve se organizar do maior ao menor, por data de nascimento, por estatura, por cumprimento do cabelo, por sandálias ou sapatos fechados, etc.

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A PONTE QUEBRADA

A ponte quebrada

• Deverão se organizar sem colocar os pés no chão, somente, encima do material que fizeram a fila, se alguma tocar o chão, deverá começar de novo.

Uma vez que superada a dificuldade, devem responder:

O QUE FIZERAM PARA ALCANÇAR A META E SUPERAR AS DIFICULDADES? Pensem no exercício comparando ele com as dificuldades que as mulheres enfrentam na hora de participar politicamente em espaços locais e nacionais, e propondo os espaços de organização e fortalecimento da liderança como esta, para superar algumas das dificuldades. 129


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Reconhecendo o poder para a participação política

• Cada uma deve escrever como exerce o seu poder e onde? e qual tipo de poder gostaria de exercer? Se isso transformaria algo de sua experiência atual. • Voluntárias para compartilhar seu trabalho. (Discussão).

Muito Obrigada!!! 130


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MÓDULO Nº6

Autonomia das Mulheres

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Introdução

A autonomia é basicamente a capacidade de uma pessoa de atuar de acordo a seu critério, com independência da opinião ou o desejo de outros/as, a capacidade de alguém de atuar com independência. Para as mulheres esta capacidade não se aprecia muito, então é mais complexo desenvolvê-la. A autonomia é algo que se construi, já que tem a ver com os poderes positivos para viver, os quais se desenvolvem e se defendem, porque as condições não estão inteiramente dadas para simplesmente assumi-la e nisto implicam os direitos das mulheres que falamos em jornadas anteriores, já que a autonomia passa por reconhecer os direitos ganhados e para que exista uma estrutura de instituições que os garantam. Segundo Marcela Lagarde, uma antropóloga feminista mexicana, a autonomia é histórica, ou seja, não é a mesma para todas as pessoas e/os grupos sociais, dependem de um contexto específico. A autonomia é também um conjunto de processos de poder, assim que há que enunciá-la, nomeá-la em campos políticos, que transformam através do exercício de poder, isto tem a ver com a toma de decisões e participação, portanto, há que potenciar de várias maneiras a participação e fazê-lo desde a autonomia, para fortalecimento e consolidação dos avanços em matéria de gênero.

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Objetivo Geral: Que as participantes reconheçam a importância de caminhar em direção a autonomia e compreendam seus elementos. Específicos: a. Identificar as diferenças entre homens e mulheres que lhes são outorgados poder. b. Conhecer os elementos da autonomia e compreender sua inter-relação.

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Objetivos

Metodologia A metodologia utilizada parte de um enfoque vivencial e de educação popular, tem duas dimensões: a teórica e a prática para a transformação. Neste processo as experiências das/os participantes são as que constituem a riqueza deste método; que valorizando e descobrindo novos conhecimentos, poderão interiorizar elementos para uma mudança pessoal que repercutirá no contexto em que se desenvolvem. Adotam-se as propostas da educação popular, como uma educação para o poder (para poder mais) e para a transformação da vida. É para desaprender e para transformar, deve entendê-lo como produção coletiva de conhecimentos, não como transmissão de conhecimentos e conteúdos. Trata-se de processos essencialmente participativos que propiciam um espaço de encontro entre mulheres diversas (urbanas e rurais; adultas e jovens, camponesas, comerciantes, produtoras, empreendedoras), onde você construirá com as outras mulheres conhecimentos a partir da reflexão crítica entorno das dificuldades que enfrentam. Para começar partiremos de uma metodologia ativa-participativa na que você poderá alternar a exposição de conceitos teóricos (reforçados com a leitura que lhe sugerimos), com 133


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dinâmicas e exercícios que contribuem para a reflexão pessoal e a interiorização destes conceitos. Para o desenvolvimento do tema, pode durar 4 horas, embora para isto deve ter em conta as circunstâncias das participantes (tais como horários de trabalho, horários de transporte, cuidados de terceiros, segurança, etc.). Tudo depende de como você adapte o seu grupo, realizando alguns exercícios de acordo com o tempo que tenha. Dicas que podem ajudar-lhe para melhorar a comunicação: a.

Comunicação não verbal     

b.

Comunicação verbal 

 

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Mantenha o contato visual com todas as integrantes do grupo quando esteja falando. Ande pelo salão sem distrair o grupo. Reaja com o que lhe digam usando a linguagem corporal: afirmar, sorrir ou outras ações que demonstrem que está você escutando. Fique de pé, não se sente, em frente do grupo, especialmente no começo da sessão. É importante ter um aspecto relaxado, mas ao mesmo tempo ser discreta e segura.

Faça perguntas abertas que incentivem respostas. Se uma participante responde com um simples sim ou não, investigue um pouco com outras perguntas, tais como: me conta mais sobre isso, que experiências você teve a respeito? Para incluir o grupo, pergunte as outras participantes se estão de acordo com algo que digam algumas delas. Deixe que as participantes respondam as perguntas da outra. Não tem a obrigação de responder todas as perguntas. Pergunta: alguém deseja responder esta pergunta? o que pensam as outras participantes? O tom de voz é tão importante quanto o contexto do que é transmitido. Nunca se expresse com dureza, raiva ou de forma crítica. Fale de maneira pausada e clara.


Observações: É recomendável uma sala amplia. Atividade 1: Dinâmica introdutória “O correio”. Cumprimento e bem-vinda Materiais: Sala amplia. Tempo: 10 min. Desenvolvimento

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Tema 6: Autonomia das mulheres

Passo 1: Dê bom-dia (tarde ou noite) e faça que todas/os se sintam bem-vindos. Passo 2: Peça as participantes que fiquem de pé e que formem um círculo com suas cadeiras, tire uma cadeira e fique de pé parada no meio do círculo, diga, por exemplo: “trago uma carta para todas que estiverem com calça azul” e todas as colegas que tiverem calça azul devem trocar de lugar, você aproveita para sentar, quem fique de pé inventa uma nova carta, e assim se repete a dinâmica várias vezes.

Atividade 2: Construção genérica do poder. Trabalho grupal. Materiais: Cavalete com bloco de papéis, marcadores de tinta, fita adesiva, guia de perguntas e sala com paredes. Tempo: 50 min. Desenvolvimento Passo 1: Indique as participantes que formem três grupos, onde irão discutir sobre quatro perguntas (Anexo 1). Terão 15 minutos para responder e depois passará uma encarregada para compartilhar as respostas. Passo 2: Quando terminar os 15 minutos, peça para as encarregadas dos grupos para que socializem. Passo 3: Finalmente, realize uma reflexão sobre a autonomia pessoal, que implica ser sujeito, tomar decisões, pensar e atuar, ser protagonistas com recursos, ideias e julgamentos próprios 135


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Atividade 3: Elementos da autonomia. Trabalho grupal, conversa dialogada/construção coletiva. Materiais: Cartões coloridos, marcadores de tinta e fita adesiva. Tempo: 50 min. Desenvolvimento Passo 1: Indique as participantes que voltem aos grupos de trabalho do exercício anterior. Passo 2: Você nomeará cada grupo, o grupo 1 será “autonomia pessoal “, grupo 2 “autonomia econômica “ e o grupo 3 “autonomia política“. Cada grupo discutirá e colocará nos cartões conceitos (o que elas entendem) e exemplos. Terão 20 minutos para realizar esta parte. Passo 3: Em seguida, em plenário, socializam os cartões em um lugar visível para todas e vão adicionando elementos, buscando a inter-relação entre os três tipos de autonomia.

Atividade 4: Avaliação e encerramento. Materiais: Copias de Guia de Avaliação e canetas Tempo: 10 min. Desenvolvimento Passo 1: Entregue a cada participante a Guia de Avaliação (Anexo 2) para que complete de forma individual.

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Que decisões tomam cada dia?

Essas decisões são de âmbito íntimo, privado ou público?

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Anexo 1

Implicam gestão de recursos?

A quem impacta essas decisões?

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Anexo 2

Avaliação Anônima Curso

1:

A continuação pediremos que preencha esta guia de avaliação que permitirá avaliar este curso e considerar as sugestões. Por favor, indique um valor para a metodologia do curso (1 é pobre e 10 é excelente).

Pobre........................................................................................................................Excelente 1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

Comentários:

Por favor, indique um valor a qualidade da equipe de facilitação (1 é pobre e 10 é excelente). Pobre........................................................................................................................Excelente 1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

Comentários:

Este curso lhe deu informação útil para sua vida e para o desempenho de suas funções na organização que participa? Comentários:

Outros comentários, sugestões e/ou recomendações Comentários:

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1

Colocar número do curso


Introdução

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Autonomia das mulheres Módulo de formação N° 6

OBJETIVO GERAL 1. Que as participantes reconheçam a importância de caminhar em direção a autonomia e compreendam seus elementos.

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Objetivos Específicos a. Identificar as diferenças entre homens e mulheres que lhes são outorgados poder. b. Conhecer os elementos da autonomia e compreender sua inter-relação.

ALGUNS ELEMENTOS CHAVES Autonomia É a condição de quem, para certas coisas, não depende de ninguém. É a capacidade de tomar decisões de maneira consciente e informada, e dispor de renda própria, suficientes e permanentes para satisfazer necessidades da vida de maneira independente e reduzir a vulnerabilidade pessoal, frente a situações imprevistas. 140


Introdução ao tema Introdução ao tema

Estas decisões de autoafirmação no lugar de trabalho ou no âmbito familiar, na parte econômica, repercute num âmbito mais geral e transcendental para o empoderamento econômico como medida de erradicar a pobreza.

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É um fato a feminização da pobreza, onde as mulheres são as que desempenham trabalhos mais precários, pior pagado e em postos de menor categoria que os homens.

Sem autonomia pessoal e econômica não há empoderamento. Este empoderamento econômico, permite, além de um entorno de trabalho saudável, seguro e carente de violência sexista, alcançar e promover a igualdade no acesso a educação, nos programas estatais para o empreendedorismo, a formação e o emprego.

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CRITÉRIOS DA AUTONOMIA

Quatro dimensões…

Autonomia Física: Controle sobre seu corpo, sexualidade e fertilidade. Autonomia Econômica: Oportunidades para garantir seu bem-estar e satisfazer plenamente suas necessidades. Autonomia política: Exercício livre e informado de seus direitos individuais e coletivos. Autonomia sociocultural: Implica na própria identidade, na autoestima e valorização.

Autonomia das mulheres Atividades

Módulo de formação N° 6

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Formarão um circulo com suas cadeiras. Um/a colega tira uma cadeira, fica de pé parado no meio do círculo e diz, por exemplo: “trago uma carta para todas que estiverem com calça • Quem fique de pé azul”, e todas as/os colegas inventa uma nova que tiverem calca azul deverão trocar de lugar, e aí o carta, e assim se que estava de pé, aproveita repete a dinâmica várias vezes. para sentar.

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O CORREIO

CONSTRUÇÃO GENÉRICA DO PODER • Formem três grupos para discutir quatro perguntas. • Terão 15 minutos para responder. • Escolherão uma encarregada que compartilhará as respostas. • Reflexão sobre autonomia.

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• Formem os grupos de trabalho do exercício anterior. • o grupo 1 será “autonomia pessoal “, grupo 2 “autonomia econômica“ e o grupo 3 “autonomia política“. • Cada grupo discutirá e colocará nos cartões conceitos (o que elas entendem) e exemplos. • Terão 20 minutos para trabalhar.

Elementos da autonomia

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ELEMENTOS DA AUTONOMIA

• Colocam os cartões em um lugar visível para todas e vão adicionando elementos, buscando a inter-relação entre os três tipos de autonomia • Cada grupo escolherá uma porta-voz que socializará os resultados plasmados no cavalete.


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Muito Obrigada

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MÓDULO Nº7

Economía para a Vida


Vimos como diversas situações condicionam a vida das mulheres e marcam as vantagens ou desvantagens que podem ter, muitas destas situações estão construídas em sistemas, ou seja, uma mistura de coisas que se inter-relacionam, o patriarcado é um deles, um sistema de dominação que subordina às mulheres ao poder masculino e as submetem por meio da violência, desde um tapa à manipulação e chantagem, como uma sutil ameaça. Este domínio se baseia na IDEIA da SUPERIORIDADE dos homens e da INFERIORIDADE das mulheres. O patriarcado estabelece que ser homem é mais importante que ser mulher e que as mulheres estão obrigadas a servir e agradar aos homens. O feminino se vê com desprezo e com burla, enquanto que o masculino se se vê com admiração e com respeito.

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Introdução

Com o surgimento do patriarcado mudam as ideias sobre a economia. Isto produziu uma separação entre a economia produtiva (fazer dinheiro) e a economia reprodutiva (o do cuidado). A economia patriarcal estabeleceu que o trabalho é unicamente aquele que se realiza na economia produtiva, no mundo público. No momento que você desenvolva este tema, as participantes já terão podido visualizar as brechas de exclusão em que estão submetidas. Terão notado que trabalham muito em casa, algumas tem trabalho remunerado, oferecem muitos cuidados a pessoas, animais e coisas, cuidam-se pouco e recebem poucos cuidados de seus companheiros, famílias, do Estado, da empresa, das organizações e das igrejas. A economia tradicional ou clássica, tem estado sempre cega enquanto a análises de gênero. Isto quer dizer que não vê as mulheres em nenhuma parte da atividade econômica. Nem no mercado de trabalho e muito menos no trabalho doméstico e de cuidado. Existe desde o feminismo uma crítica a economia tradicional, já que não inclui o trabalho doméstico e o cuidado como trabalho; que não se valoriza e que não se dá nenhuma obrigação nas contas nacionais dos países nem a nível mundial. A proposta de uma Economia para a vida, uma economia do cuidado, que pretende que se visualize e valorize o trabalho das mulheres e os cuidados que elas dão, em plano familiar, comunitário e estatal. A economia não é só a produção de bens e serviços para o mercado. A economia tem a ver com todas as condições sociais que permitem a reprodução da vida e É O TRABALHO DOMÉSTICO E DE CUIDADO o que detém o planeta, a rede da vida, as famílias e a economia. É um trabalho feito pelas mulheres e pela natureza. O CUIDADO se entende como necessidade de todos os seres vivos e dos seres humanos em todas as etapas da vida, é uma necessidade própria dos seres, que como humanos, são Página | 2

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vulneráveis, precários e que tarde ou cedo enfrentam a morte, é produzido e entregado fundamentalmente pelas mulheres e a natureza. As mulheres cuidam das meninas e dos meninos, dos adolescentes, dos homens adultos, da terceira idade e com deficiência em todos os momentos e etapas de sua vida. Não só quando estão doentes ou vulneráveis, senão também quando se encontram em bom estado e com saúde. O trabalho do cuidado é de três tipos:  

Trabalho de autocuidado: Está formado pelas atividades que tem como objetivo a manutenção das condições materiais e não materiais que nos permitem manter nossas próprias vidas em condições físicas e mentais adequadas. Trabalho de cuidado de outras pessoas: Todas as atividades de uma pessoa deve realizar para garantir as condições cotidianas da vida de outras pessoas que não podem realizar por si mesmas esse cuidado, como por exemplo meninos e meninas; pessoas de idade avançada; pessoas doentes. Trabalho de cuidado da natureza: Compreende nas atividades de manutenção do entorno natural que faz possível a vida humana, tais como a manutenção de fontes seguras e acessíveis de água, oxigênio para respirar, conservação de plantas e variedades de sementes, obras de mitigação de riscos ambientais em comunidades. A desigualdade na distribuição do trabalho de cuidado é uma forma de superexploração das mulheres.

O trabalho de cuidado é, principalmente, realizado por mulheres, nos lares das famílias capitalistas e dos trabalhadores/as que tem maiores salários, o trabalho de cuidado é resolvido, em parte, contratando as mulheres para que realizem esse trabalho em condições precárias, violando os direitos humanos e muitas vezes as mulheres assumem este trabalho ao dobro, na área produtiva que tem um salário e em reprodutivo que não recebe um salário. Em muitos casos, as mulheres também têm que participar de atividades de cuidado não remunerado nas organizações as que pertencem (sindicatos, cooperativas, associações de desenvolvimento comunitário, igrejas, partidos políticos) ou devem doar seu trabalho “voluntário” a projetos do governo (prefeituras, ministérios, etc.). Este trabalho não remumerado abrange atividades como limpeza dos locais, preparação de lanches e café, atenção a participantes em reuniões e a organização de convívios. O trabalho de cuidado e a economia do cuidado deve ser um espaço de responsabilidades compartilhadas.

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Objetivo Geral: Analisar a importância que tem o trabalho do cuidado para o funcionamento do sistema econômico, social e político de um território e de um país. Específicos: a. Compreender o que é economia do cuidado. b. Conhecer ferramentas concretas e práticas para o autocuidado.

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Objetivos

Metodologia A metodologia utilizada parte de um enfoque vivencial e de educação popular, tem duas dimensões: a teórica e a prática para a transformação. Neste processo as experiências das/os participantes são as que constituem a riqueza deste método; que valorizando e descobrindo novos conhecimentos, poderão interiorizar elementos para uma mudança pessoal que repercutirá no contexto em que se desenvolvem. Adotam-se as propostas da educação popular, como uma educação para o poder (para poder mais) e para a transformação da vida. É para desaprender e para transformar, deve entendêlo como produção coletiva de conhecimentos, não como transmissão de conhecimentos e conteúdos. Trata-se de processos essencialmente participativos que propiciam um espaço de encontro entre mulheres diversas (urbanas e rurais; adultas e jovens, camponesas, comerciantes, produtoras, empreendedoras), onde você construirá com as outras mulheres conhecimentos a partir da reflexão crítica entorno das dificuldades que enfrentam. Para começar partiremos de uma metodologia ativa-participativa na que você poderá alternar a exposição de conceitos teóricos (reforçados com a leitura que lhe sugerimos), com dinâmicas e exercícios que contribuem para a reflexão pessoal e a interiorização destes 149


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conceitos. Para o desenvolvimento do tema, pode durar 4 horas, embora para isto deve ter em conta as circunstâncias das participantes (tais como horários de trabalho, horários de transporte, cuidados de terceiros, segurança, etc.). Tudo depende de como você adapte o seu grupo, realizando alguns exercícios de acordo com o tempo que tenha. Dicas que podem ajudar-lhe para melhorar a comunicação: a.

Comunicação não verbal     

b.

Mantenha o contato visual com todas as integrantes do grupo quando esteja falando. Ande pelo salão sem distrair o grupo. Reaja com o que lhe digam usando a linguagem corporal: afirmar, sorrir ou outras ações que demonstrem que está você escutando. Fique de pé, não se sente, em frente do grupo, especialmente no começo da sessão. É importante ter um aspecto relaxado, mas ao mesmo tempo ser discreta e segura. Comunicação verbal

 

 

Faça perguntas abertas que incentivem respostas. Se uma participante responde com um simples sim ou não, investigue um pouco com outras perguntas, tais como: me conta mais sobre isso, que experiências você teve a respeito? Para incluir o grupo, pergunte as outras participantes se estão de acordo com algo que digam algumas delas. Deixe que as participantes respondam as perguntas da outra. Não tem a obrigação de responder todas as perguntas. Pergunta: alguém deseja responder esta pergunta? o que pensam as outras participantes? O tom de voz é tão importante quanto o contexto do que é transmitido. Nunca se expresse com dureza, raiva ou de forma crítica. Fale de maneira pausada e clara.

Tema 7: Economia para a vida 150


 

O tom de voz é tão importante quanto o contexto do que é transmitido. Nunca se expresse com dureza, raiva ou de forma crítica. Fale de maneira pausada e clara.

Observações: É recomendável uma sala amplia. Atividade 1: Dinâmica “Expectativas do dia”. Cumprimento e bem-vinda Materiais: Sala amplia. Tempo: 15 min. Desenvolvimento

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Tema 7: Economia para a vida

Passo 1: Dê início o curso com um cumprimento de boas-vindas. Passo 2: Depois de cumprimentar, pergunte as participantes como elas se sentem e quais são suas expectativas para o dia.

Atividade 2: Introdução a Economia do Cuidado. Trabalho grupal Materiais: Cavalete com bloco de papéis, marcadores de tinta e guia de perguntas. Tempo: 30 min. Desenvolvimento Passo 1: Peça para as participantes para que formem 4 grupos, por afinidade ou aproximação e enumere os grupos de 1 ao 4. Passo 2: Depois de a todos os grupos as seguintes perguntas para que respondam e depois exponham suas respostas em plenário.  O que entendemos por economia do cuidado?  Como se está promovendo a economia do cuidado das mulheres?  O que falta fazer para impulsionar e/ou melhorar as iniciativas que promovam a economia do cuidado? Ex: Se existem creches, cantinas ou asilos de idosos públicos municipais com ambiente cálido e qualidades, para reduzir a carga das mulheres nestas tarefas e que sejam assumidas pelos governos nacionais e/ou locais.

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Atividade 3: Economia do Cuidado. Plenário. Materiais: Sala com paredes e fita adesiva. Tempo: 30 min. Desenvolvimento Passo 1: Passe os grupos a expor as respostas e fará um debate sobre estas respostas, para saber se todas estão de acordo com as respostas dos outros grupos e se podem contribuir mais para apoiar a suas colegas que trabalharam. Passo 2: Finalmente, termine o exercício dando uma pequena síntese histórica, a parte teórica que está na introdução ao tema neste documento lhe ajudará abordar sobre o tema e aclarar as dúvidas que as participantes possam ter sobre as diferentes perguntas feitas.

Atividade 4: Dinâmica “Representando o trabalho de cuidado”. Trabalho de cuidado. Materiais: Sala amplia. Tempo: 90 min. Desenvolvimento Passo 1: Faça três grupos de mulheres e a cada um você dará um tipo de “trabalho de cuidado”: 1. Trabalho de autocuidado 2. Trabalho de cuidado de outras personas 3. Trabalho de cuidado da natureza Passo 2: Dê tempo para os grupos para que preparem sua representação (dramatização), cada um escolherá o que fazer de acordo ao seu tema. Passo 3: No final de cada exposição, responderão as seguintes perguntas: De que forma contribui a economia do “trabalho de cuidado que representaram?

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O que propõem para que estes trabalhos sejam visibilizados e remunerado?

Atividade 5: Dinâmica “Exercício de relaxamento”. Autocuidado. Materiais: Sala amplia, cadeiras e cópias de recomendações para o autocuidado. Tempo: 45 min. Desenvolvimento Passo 1: Reúnam as participantes em um espaço amplio para que possam se esticar e realizar os exercícios sem bater uma com a outra.

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Este tipo de trabalho é visível socialmente ou está invisível? Por quê?

Passo 2: Direcione para que realizem os exercícios (Anexo 1). Passo 3: Finalmente, peça para que digam como se sentem ao realizar estes exercícios. Escolha quatro ou cinco para que participem. Quando terminar, dê algumas recomendações (Anexo 2) para o autocuidado.

Atividade 6: Avaliação e encerramento. Materiais: Copias da Guia de Avaliação e canetas. Tempo: 10 min. Desenvolvimento Passo 1: Entregará a cada participante a Guia de Avaliação (Anexo 3) para que a complete de forma individual.

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Anexo 1 Exercícios Indicações para os exercícios de relaxamento. 1. Primero exercício (Relaxamento) Fico de pé, estico todo meu corpo, tiro meus sapatos. Agora movimento meu pé direito fazendo círculos no ar, depois faço o mesmo com o pé esquerdo. Inspirando e expirando. Movimento os joelhos, a cintura, os pulsos, levanto os ombros e inspiro e solto o ar. Peça para que se sentem na borda da cadeira, com as costas retas e os pés no chão. Agora movimento o pescoço e continuo com meus olhos. Em seguida, movimento cada uma das partes do meu corpo e finalmente me estico da forma que eu me sinta mais cômoda.

2. Segundo exercício (Oxigenação) Você dirá que formem uma dupla e que pensem em uma frase de desculpa para dizer a colega, por ter utilizado pensamentos tóxicos com 4 palavras chaves: me desculpe, por favor, me perdoa, obrigada, te amo. Indique que não devem deixar de inalar e exalar, a respiração é importante para oxigenar o cérebro e ter melhor circulação. Quando já tenham a frase, peça que diga para sua colega da dupla, que se transformará num espelho, por todas as vezes que foram tratadas mal quando não fizeram algo bem (isto ajuda a que a mente fabrique pensamentos saudáveis).

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Recomendações para o Autocuidado De maneira coletiva 

Promovemos e praticamos um plano de autocuidado e segurança de maneira coletiva e individual.

Conhecemos nossos direitos como cidadãs, trabalhadoras e defensoras.

Negociamos em nossas organizações ou grupos de tempo livre e tempo para compartilhar com nossas colegas, outros aspectos de nossas vidas que não se

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Anexo 2

relacionem diretamente com o trabalho cotidiano. 

Negociamos em nossas organizações que as regras que estabelecemos sejam de acordo as nossas necessidades, idades, classes, etnias, capacidades, e entre outras.

Reservamos um tempo cada dia para pensar e fazer coisas que sejam agradáveis.

Respeitamos, falamos, escutamos a nosso corpo para ser conscientes de suas necessidades, limites e fortalezas.

Não caímos no vício da tragédia e do sofrimento ou que tudo podemos, somos super mulheres.

Pedimos apoio e delegamos responsabilidades.

Formamos redes com outras mulheres para compartilhar em liberdade.

Dedicamos um tempo a não fazer nada.

Escutamos, lemos, investigamos e escrevemos a história recente das mulheres para conhecer sua força e para carregarmos de energia com suas conquistas, resistências ou transgressões.

Damos importância ao lúdico e ao artístico criado por nós mesmas para ter uma cultura não machista.

Mantemos práticas saudáveis de alimentação e exercício, praticamos a meditação, dançamos, nos curamos de forma alternativa e natural, praticamos a boa convivência com o meio ambiente, rimos, temos o prazer de estar acompanhadas

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com outras mulheres e homens, disfrutando do cuidado amoroso de nossos seres queridos/as. De maneira pessoal  Percebe sua experiência com base em como você se relaciona com seu corpo e, portanto, como gerencia sua própria vida, isto é, que técnicas de autocuidado você utiliza e o significado que adquire em sua vida diária.  Avalie o poder do físico, sente parte de seu corpo, e quebre as regras do gênero e do patriarcado. Nosso físico importa, mas a nossa maneira.  Lute para se tornar em um “corpo neutro”, sem imposições e pressões sociais. Tire as barreiras do oportunismo e do enriquecimento de alguns à custa de sua saúde.  Aprenda a dizer não, se não quer fazer algo, diga que sim estará contente e tranquila com essa decisão.  Vá em frente com seus sonhos e que ninguém diga para você o que deve ou não fazer.  Lembre-se de que sabe perfeitamente o que quer, que não manipulem você.  Não deixe que os medos a paralisem. Você tem a capacidade e pode conquista, a questão é confiar. Atue e acredite em você.  Deixe a monotonia e aprenda coisas novas por mais pequenas que sejam, descobre aquilo que te faz feliz e faça. Permita-se o prazer de presentear-se

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Avaliação Anônima Curso

1:

A continuação pediremos que preencha esta guia de avaliação que permitirá avaliar este curso e considerar as sugestões. Por favor, indique um valor para a metodologia do curso (1 é pobre e 10 é excelente).

Pobre........................................................................................................................Excelente 1

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8

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Anexo 3

Comentários:

Por favor, indique um valor a qualidade da equipe de facilitação (1 é pobre e 10 é excelente). Pobre........................................................................................................................Excelente 1

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5

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8

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10

Comentários:

Este curso lhe deu informação útil para sua vida e para o desempenho de suas funções na organização que participa? Comentários:

Outros comentários, sugestões e/ou recomendações Comentários:_

1

Colocar número do curso 157


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Economia para a vida Introdução

Módulo de formação N° 7

OBJETIVO GERAL 1. Analisar a importância que tem o trabalho do cuidado para o funcionamento do sistema econômico, social e político de um território e de um país.

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a. Compreender o que é economia do cuidado. b.

Conhecer ferramentas concretas e práticas para o autocuidado.

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Objetivos Específicos

ALGUMAS COISAS DA HISTÓRIA. O patriarcado estabelece que ser homem é mais importante que ser mulher e que as mulheres estão obrigadas a servir e agradar aos homens. O feminino se vê com desprezo e com burla, enquanto que o masculino se se vê com admiração e com respeito. 159


Economia do cuidado Economia do cuidado

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Com o surgimento do patriarcado mudam as ideias sobre a economia. Isto produziu uma separação entre a economia produtiva (fazer dinheiro) e a economia reprodutiva (o do cuidado). A economia patriarcal estabeleceu que o trabalho é unicamente aquele que se realiza na economia produtiva, no mundo público.

A proposta de uma Economia para a vida, uma economia do cuidado, que pretende que se visualize e valorize o trabalho das mulheres e os cuidados que elas dão, em plano familiar, comunitário e estatal.


Economia do cuidado Economia do cuidado

As mulheres realizam esse trabalho em condições precárias , violando os direitos humanos e muitas vezes as mulheres assumem este trabalho ao dobro, na área produtiva que tem um salário e em reprodutivo que não recebe um salário.

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O trabalho de cuidado é, principalmente, realizado por mulheres, nos lares das famílias e dos trabalhadores/as que tem maiores salários.

Em muitos casos, as mulheres também têm que participar de atividades de cuidado não remunerado nas organizações as que pertencem (sindicatos, cooperativas, associações de desenvolvimento comunitário, igrejas, partidos políticos) ou devem doar seu trabalho “voluntário” a projetos do governo (prefeituras, ministérios, etc.).

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Economia para a vida Atividades

Módulo de formação N° 7

EXPECTATIVAS DO DIA Compartilhar como se sentem?

E quais são suas expectativas para o dia? 162


Economia do Cuidado

• Formem 4 grupos, por afinidade ou aproximação e serão enumerados de 1 ao 4. • Terão 15 minutos para responder as perguntas que entregará. • Finalmente vão expor em plenário.

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ECONOMIA DO CUIDADO

• Passarão os grupos a expor as respostas. • Fará um debate sobres as respostas (o que se busca é saber se todas estão de acordo com as respostas dos outros grupos e se podem contribuir mais para apoiar a suas colegas que trabalharam. • Abre um espaço para aclarar as dúvidas que as participantes possam ter sobre as diferentes perguntas feitas.

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REPRESENTANDO O TRABALHO DE CUIDADO

• Formem três grupos de mulheres e cada um receberá um tipo de “trabalho de cuidado” • Cada um escolherá o que fazer de acordo ao seu tema. • Terão 30 minutos para preparar sua dramatização. • Quando os grupos tenham terminado sua apresentação, responderão umas perguntas.

EXERCÍCIO DE RELAXAMENTO

• Dirá umas indicações e, ao escutar, vocês irão seguindo o que o que se pede. • Devem passar 5 voluntárias para responder: como sentiram em realizar estes exercícios? • Recomendações. 164


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Economia para a vida

Perguntas

Módulo de formação N° 7

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ECONOMIA DO CUIDADO Perguntas - Atividade 1 1. O que entendemos por economia do cuidado?

2. Como se está promovendo a economia do cuidado das mulheres?

3. O que falta fazer para impulsionar e/ou melhorar as iniciativas?

Representando o trabalho de cuidado Perguntas - Atividade 4

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1. De que forma contribui a economia do “trabalho de cuidado que representaram? 2. Este tipo de trabalho é visível socialmente ou está invisível? Por quê? 3. O que propõem para que estes trabalhos sejam visibilizados e remunerado?


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MÓDULO Nº8

Divisão Sexual do Trabalho

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Introdução A divisão sexual do trabalho é um assunto facilmente observado, que se expressa na concentração das mulheres nas tarefas da reprodução no âmbito doméstico e também em determinadas atividades e posições dentro do trabalho remunerado, produzindo muitas diferenças salariais em detrimento das mulheres. Portanto, o conceito se refere a presença, em todas as sociedades, de uma inserção diferenciada de homens e mulheres na divisão de trabalho existente nos espaços da reprodução e de produção social. A divisão sexual estabelece que em virtude da diferença sexual entre homens e mulheres, construída como desigualdade pelo patriarcado, as mulheres têm que assumir os trabalhos de reprodução da vida no campo familiar e doméstico e os homens dos trabalhos do campo denominado produtivo e público. Mas, além desta diferença, se estabelece que os trabalhos realizados pelos homens têm um maior valor que os realizados pelas mulheres. Além disso, a divisão sexual do trabalho implica a depreciação, desvalorização e subordinação de todos os trabalhos de cuidado e reprodução da vida e dos corpos. Particularmente dos corpos das mulheres, esta divisão do trabalho garante que os sistemas econômicos sigam funcionando, já que aproveitam a exploração dos homens no mundo público e os das mulheres no mundo privado, gerando assim economia e lucros a empresas e estados. A divisão sexual do trabalho é uma manifestação das relações desiguais entre homens e mulheres, se exerce com base a violência e coerção, embora haja uma dominação ideológica, as mulheres assumem estes trabalhos desde o amor, a abnegação e o sacrifício. A divisão sexual do trabalho rege as relações sociais, políticas, econômicas e culturais em todos os âmbitos da vida social e não só nas famílias. Por isso afirma-se que a divisão sexual do trabalho não se transforma somente com mudanças culturais no interior das famílias, que impliquem que os homens assumam o trabalho doméstico. Mudar a divisão sexual do trabalho requer de mudanças a nível de toda a sociedade. É uma divisão de trabalho que se impõe no setor da economia produtiva e no setor da economia do cuidado, esta divisão sexual gera uma desigualdade a nível de economia de homens e mulheres.

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Os homens então em trabalhos que se consideram que são masculinos e as mulheres só podem servir aos homens, e fazer as tarefas do lar. Divisão sexual do trabalho na economia produtiva: trabalhos femininos. Esta divisão sexual do trabalho gera uma desigualdade nos níveis de autonomia econômica de homens e mulheres já que os trabalhos masculinos são mais remunerados e os femininos não, mas lembrem que a economia do cuidado não se paga, significa que o trabalho que as mulheres realizam não se reconhece economicamente, e muitas pessoas dizem que os trabalhos que fazem as mulheres são degradantes. As mulheres trabalham mais horas sem remuneração, enquanto que os homens ganham mais.

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O patriarcado estabeleceu uma separação entre a economia produtiva e a economia reprodutiva (ou do cuidado).

Os salários mais altos são para as pessoas que tenham estudos superiores, mas embora desempenham o mesmo trabalho o salário do homem é mais alto que o de uma mulher. E os maiores cargos quase nunca são desempenhados por uma mulher porque são homens os que têm a oportunidade.

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Objetivos Objetivo Geral: Refletir sobre os papéis atribuídos para as mulheres e para os homens nos âmbitos produtivos e reprodutivos das sociedades, para identificar as implicações das desigualdades e discriminações existentes. Específicos: a.

Identificar como, onde e por quê acontece a Divisão sexual do trabalho e suas consequências.

b. Defender nossa identidade de gênero rompendo os estereótipos.

Metodologia A metodologia utilizada parte de um enfoque vivencial e de educação popular, tem duas dimensões: a teórica e a prática para a transformação. Neste processo as experiências das/os participantes são as que constituem a riqueza deste método; que valorizando e descobrindo novos conhecimentos, poderão interiorizar elementos para uma mudança pessoal que repercutirá no contexto em que se desenvolvem. Adotam-se as propostas da educação popular, como uma educação para o poder (para poder mais) e para a transformação da vida. É para desaprender e para transformar, deve entendê-lo como produção coletiva de conhecimentos, não como transmissão de conhecimentos e conteúdos. Trata-se de processos essencialmente participativos que propiciam um espaço de encontro entre mulheres diversas (urbanas e rurais; adultas e jovens, camponesas, comerciantes, produtoras, empreendedoras), onde você construirá com as outras mulheres conhecimentos a partir da reflexão crítica entorno das dificuldades que enfrentam. Para começar partiremos de uma metodologia ativa-participativa na que você poderá alternar a exposição de conceitos teóricos (reforçados com a leitura que lhe sugerimos), com 170


Dicas que podem ajudar-lhe para melhorar a comunicação: a.

Comunicação não verbal     

b.

Mantenha o contato visual com todas as integrantes do grupo quando esteja falando. Ande pelo salão sem distrair o grupo. Reaja com o que lhe digam usando a linguagem corporal: afirmar, sorrir ou outras ações que demonstrem que está você escutando. Fique de pé, não se sente, em frente do grupo, especialmente no começo da sessão. É importante ter um aspecto relaxado, mas ao mesmo tempo ser discreta e segura.

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dinâmicas e exercícios que contribuem para a reflexão pessoal e a interiorização destes conceitos. Para o desenvolvimento do tema, pode durar 4 horas, embora para isto deve ter em conta as circunstâncias das participantes (tais como horários de trabalho, horários de transporte, cuidados de terceiros, segurança, etc.). Tudo depende de como você adapte o seu grupo, realizando alguns exercícios de acordo com o tempo que tenha.

Comunicação verbal 

 

 

Faça perguntas abertas que incentivem respostas. Se uma participante responde com um simples sim ou não, investigue um pouco com outras perguntas, tais como: me conta mais sobre isso, que experiências você teve a respeito? Para incluir o grupo, pergunte as outras participantes se estão de acordo com algo que digam algumas delas. Deixe que as participantes respondam as perguntas da outra. Não tem a obrigação de responder todas as perguntas. Pergunta: alguém deseja responder esta pergunta? o que pensam as outras participantes? O tom de voz é tão importante quanto o contexto do que é transmitido. Nunca se expresse com dureza, raiva ou de forma crítica. Fale de maneira pausada e clara.

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Tema 8: Divisão Sexual do trabalho Observações: É recomendável uma sala amplia. Atividade 1: Dinâmica “Chuva de ideias”. Apresentação e bem-vinda. Materiais: Sala amplia. Tempo: 20 min. Desenvolvimento Passo 1: Iniciará o curso com cumprimentos de boas-vindas. Passo 2: Inicie a dinâmica pedindo que digam o que entendem por Divisão Sexual do Trabalho nas sociedades patriarcais. Leve em conta cada participação. Devem participar todas, anote as ideias no cavalete. Passo 3: Finalmente, realize um resumo ou síntese do que o grupo aportou.

Atividade 2: Divisão sexual do trabalho. Trabalho em grupo Materiais: Cavalete com blocos de notas, marcadores de tinta e guia de perguntas. Tempo: 45 min. Desenvolvimento Passo 1: Peça para as participantes que formem 4 grupos por afinidade ou aproximação, e enumere os grupo de 1 ao 4. Passo 2: Indique aos grupos 1 e 2 que devem numerar diferentes profissões e ofícios que são considerados para mulheres, a remuneração para elas e suas oportunidades professionais. E para os grupos 3 e 4, indique o mesmo, mas com respeito aos homens.

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Passo 3: Depois que discutam e respondam com base as perguntas (Anexo 1) indique que terão 15 minutos para realizar o trabalho em grupo e que deverão nomear uma pessoa que compartilhe com todas o trabalho.

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Passo 4: Quando todos os grupos tiverem terminado, você chamará as representantes para que socializem, em plenário, o trabalhado. Colocarão numa parede o trabalho realizado.

Atividade 3: Divisão sexual do trabalho. Plenário. Materiais: Sala com paredes e fita adesiva. Tempo: 30 min. Desenvolvimento Passo 1: Após a socialização (trabalho anterior), realize as seguintes perguntas a todo o grupo: Estão de acordo que se elimine a Divisão sexual do trabalho e que todo trabalho seja igual para homens e mulheres? Por quê? Como acham que devem exigir para que as mulheres tenham os mesmos salários que os homens? Você pode dar oportunidade para 3 ou 4 participantes opinarem. Passo 2: Finalmente, termine o exercício refletindo sobre as limitações impostas às mulheres pela Divisão sexual do trabalho e como isso está se reproduzindo e a sociedade não parece ter soluções reais a esta injustiça.

Atividade 4: Divisão sexual do trabalho. Quebrando estereótipos. Materiais: Sala amplia, cartolinas, marcadores de tinta e cadeiras. Tempo: 50 min. Desenvolvimento Passo 1: Distribua uma cartolina pequena por participante, para que cada um escreva nela um papel em que o gênero é imposto socialmente por seu sexo (por exemplo: se é mulher deve ser mãe) e que querem quebrar. Você dará 10 minutos para que pensem o que mais 174


Passo 2: Quando estiver pronto a cartolina, peça que um por um nomeie o estereótipo que quer quebrar e depois de nomeá-lo o rasgue. Passo 3: Finalmente, pergunte como se sentiram no momento de rasgar com seu estereótipo de gênero e se acham que é assim de fácil como rasgaram a cartolina também podem rasgar como ele na vida cotidiana. Peça para que contribuam com ideias que nos ajudem na vida cotidiana para quebrar com estes estereótipos de gênero.

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marcaram a elas com respeito a este tema e que escolham o estereótipo que querem quebrar.

Atividade 5: Avaliação e encerramento. Materiais: Copias da Guia de Avaliação e canetas. Tempo: 10 min. Desenvolvimento Passo 1: Entregará a cada participante a Guia de Avaliação (Anexo 2) para que a complete de forma individual

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Anexo 1 Perguntas

Grupo 1 e 2 

Por que existe esta divisão sexual do trabalho? Será que é por natureza ou a adquirimos ao longo de nossas vidas?

As diferenças naturais entre homens e mulheres determinam a divisão sexual do trabalho?

Onde está a origem desta divisão sexual do trabalho?

Considera que as mulheres têm as mesmas capacidades que os homens e devem receber o mesmo salário pelo mesmo cargo desempenhado? Por quê?

Grupo 3 e 4 

Por que existe esta divisão sexual do trabalho? Será que é por natureza ou a adquirimos ao longo de nossas vidas?

As diferenças naturais entre homens e mulheres determinam a divisão sexual do trabalho?

Onde está a origem desta divisão sexual do trabalho?

Considera que os homens têm as mesmas capacidades que as mulheres e devem receber o mesmo salário das mulheres pelo mesmo cargo desempenhado? Por quê?

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Divisão Sexual do trabalho Módulo de formação N° 8

Objetivo Geral

Refletir sobre os papéis atribuídos para as mulheres e para os homens nos âmbitos produtivos e reprodutivos das sociedades, para identificar as implicações das desigualdades e discriminações existentes. 177


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Objetivos Específicos

a. Identificar como, onde e por quê acontece a Divisão sexual do trabalho e suas consequências. b. Defender nossa identidade de gênero rompendo os estereótipos.

Elementos chave A divisão sexual do trabalho nem sempre existiu. Nasce com o patriarcado e se aprofunda com o capitalismo e mais ainda com o neoliberalismo. “Historicamente, nos inícios da humanidade, as mulheres e os homens realizavam os mesmos trabalhos. Não havia diferenças. Tanto as mulheres como os homens coletavam frutos e caçavam animais... Nestes tempos, quando ainda não existiam as fábricas, as famílias eram encarregadas de produzir todos os bens e serviços que necessitavam; a família inteira, meninas, meninos, jovens, mulheres e homens participavam no trabalho da casa.” 178


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A divisão sexual estabelece que em virtude da diferença sexual entre homens e mulheres, construída como desigualdade pelo patriarcado, as mulheres têm que assumir os trabalhos de reprodução da vida no campo familiar e doméstico e os homens dos trabalhos do campo denominado produtivo e público. Mas, além desta diferença, se estabelece que os trabalhos realizados pelos homens têm um maior valor que os realizados pelas mulheres.

Além disso, a divisão sexual do trabalho implica a depreciação, desvalorização e subordinação de todos os trabalhos de cuidado e reprodução da vida e dos corpos. Particularmente dos corpos das mulheres. 179


Impactos da divisão sexual do trabalho

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A divisão sexual do trabalho rege as relações sociais, políticas, econômicas e culturais em todos os âmbitos da vida social e não só nas famílias. Por isso afirma-se que a divisão sexual do trabalho não se transforma somente com mudanças culturais no interior das famílias, que impliquem que os homens assumam o trabalho doméstico. Mudar a divisão sexual do trabalho requer de mudanças a nível de toda a sociedade.

Divisão Sexual do trabalho Atividades

Módulo de formação N° 8

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(Parte I)

• Formem 4 grupos por afinidade ou aproximação. • Os grupos 1 e 2 devem numerar diferentes profissões e ofícios que são considerados para mulheres, a remuneração para elas e suas oportunidades professionais.

• Os grupos 3 e 4, devem fazer o mesmo, mas com respeito aos homens.

• Trabalharão com base as perguntas. • Terão 15 minutos para realizar o trabalho. • Nomearão um porta-voz que compartilhará o trabalho.

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Divisão sexual do trabalho

Divisão sexual do trabalho (Parte II)

• Cada grupo socializará suas respostas, quando tenham terminado, responderão umas perguntas. • Três ou quatro voluntárias passam para dar suas respostas. 181


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Divisão sexual do trabalho (Parte III)

• Cada um deve escrever na cartolina um papel em que o gênero é imposto socialmente por seu sexo (por exemplo: se é mulher deve ser mãe) e que querem quebrar. • Terão 10 minutos para pensar o que mais marcou com respeito a este tema e escolha o estereótipo que querem quebrar.

Divisão sexual do trabalho (Parte III)

• Um por um nomeie o estereótipo que querem quebrar e depois de nomeá-lo o rasgue.

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• Agora responderão uma pergunta e finalmente devem contribuir com ideias que ajudem na vida cotidiana, para quebrar com estes estereótipos de gênero.


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Divisão Sexual do trabalho Perguntas

Módulo de formação N° 8

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Divisão sexual do trabalho (Parte I)

Grupo 1 e 2 1) Por que existe esta divisão sexual do trabalho? Será que é por natureza ou a adquirimos ao longo de nossas vidas?

2) As diferenças naturais entre homens e mulheres determinam a divisão sexual do trabalho? 3) Onde está a origem desta divisão sexual do trabalho?

Divisão sexual do trabalho (Parte I)

4) Considera que as mulheres têm as mesmas capacidades que os homens e devem receber o mesmo salário pelo mesmo cargo desempenhado? Por quê?

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Grupo 3 e 4 1) Por que existe esta divisão sexual do trabalho? Será que é por natureza ou a adquirimos ao longo de nossas vidas? 2) As diferenças naturais entre homens e mulheres determinam a divisão sexual do trabalho? 3) Onde está a origem desta divisão sexual do trabalho? 4) Considera que os homens têm as mesmas capacidades que as mulheres e devem receber o mesmo salário das mulheres pelo mesmo cargo desempenhado? Por quê?


1) Estão de acordo que se elimine a Divisão sexual do trabalho e que todo trabalho seja igual para homens e mulheres? Por quê? 2) Como acham que devem exigir para que as mulheres tenham os mesmos salários que os homens?

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Divisão sexual do trabalho (Parte II)

Divisão sexual do trabalho (Parte III) 1) Como se sentiram no momento de rasgar com seu estereótipo de gênero? 2) Acham que é assim de fácil como rasgaram a cartolina também podem rasgar como ele na vida cotidiana?

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MÓDULO Nº9

Ideias associativas para potencializar a autonomia econômica das mulheres

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Estamos chegando ao final de nosso caminho de aprendizagens coletivas e podemos ver como todos os módulos estão interligados, é como uma rede da vida, um conjunto indissociável que tem a ver com o conhecimento, a toma de decisões, as oportunidades e, lamentavelmente, também a exclusão, por isso é necessário falar, conhecer e potencializar diferentes formas associativas para impulsionar a autonomia das mulheres, que podem ser cooperativas, associações de vários tipos, todos potencializando a solidariedade entre as mulheres. Cooperativa: é uma união livre de pessoas que tem necessidades em comum e que querem resolver juntas estes problemas; por meio de uma organização e aspirações econômicas, sociais, culturais por meio de uma empresa de propriedade conjunta e democraticamente controlada.

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Introdução

As cooperativas são baseadas nos valores de: • Ajuda mútua. • Responsabilidade. • Democracia. • Igualdade. • Equidade. A natureza do cooperativismo criou uma mística inspirada em: • Transparência. • Honestidade. • Responsabilidade social. • Preocupação pelos outros. Empreendimento: um empreendimento é uma iniciativa de uma pessoa que assume um risco econômico ou que investe recursos com o objeto de aproveitar uma oportunidade que oferece o mercado. Nas épocas de crises, os empreendimentos muitas vezes representam uma saída (ou, pelo menos, uma possibilidade de crescimento) para as pessoas que se encontram em situação de desemprego. Vale ressaltar que o trabalho em equipe geralmente é o melhor caminho na hora de impulsionar um projeto, já que potencia as virtudes de cada integrante. 187


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Os empreendimentos mais destacados geralmente tem em comum um alto grau de criatividade, de inovação, mostram ideias que não tinham sido exploradas antes ou as usam em um campo diferente ao que se estava acostumado. Normalmente, vale mais a originalidade que o dinheiro. Um empreendimento é uma aventura, é um processo em que geralmente não sabemos o que acontecerá, temos que ser criativos na hora de começar essa aventura do empreendedorismo. Associatividade: A associatividade é um mecanismo de cooperação que se apresenta como uma das possíveis alternativas da Pyme (Pequenas e medianas empresas), para afrentar e aproveitar a evolução de um entorno cada vez mais competitivo e globalizado. Podemos classificar os empreendimentos: por necessidade e por oportunidade. Por necessidade: É lançar uma ideia de negócio de forma acelerada sem conhecer se tem ou não o potencial de mercado para gerar renda. Quem empreende sob esta modalidade se lançam a aventura empresarial para solucionar situações financeiras pessoais, porque perderam seu trabalho ou se encontram frustrados em seu âmbito profissional. Geralmente, este tipo de empreendimentos depende só da empreendedora, que se converte em uma empregada de tempo completo. Estão buscando empregar-se enquanto conseguem um trabalho estável. Por oportunidade: É materializar uma ideia de negócio em uma empresa com potencial de crescimento, que surge ao observar alguns erros no mercado e propõem uma solução inovadora. As empreendedoras que se aventuram sob esta modalidade de caracterizam por estarem apaixonadas por desenvolver projetos nos que a criatividade a inovação estão ligados, além de ter vocação para empreender, sonham com criar empresas e são movidas por um impulso interno de materializar negócios. Não esquecer que para ser empreendedora se requer valentia, preparação e determinação para materializar as ideias em empresas que transcendem.

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         

Oportunas: começam por encontrar uma necessidade e buscam rapidamente a forma de satisfazê-la. Independentes: sabem como obter lucros e desfrutar sendo seu próprio patrão. Trabalhadoras: começam trabalhando duro e durante muitas horas, por pouco dinheiro. Seguras de si mesma: demonstram segurança para poder lidar com todos os riscos que implica dirigir um negócio próprio. Disciplinadas: resistem à tentação de fazer o que não é importante frente ao mais fácil, porque tem a habilidade de pensar no essencial. Criteriosas: tem a habilidade de pensar rápido e tomar decisões inteligentes. Adaptáveis: são capazes de mudar o ritmo de seu negócio, das necessidades dos clientes e do mercado. Equilibradas: mantém o equilíbrio se enfocando nos resultados finais, não no processo de chegar até eles. Constantes: não amolecem em avançar em direção a seu objetivo, apesar de dificuldades momentâneas. Enfocadas: nem sempre tem os lucros como objetivos e sabem que o êxito de seu negócio é medido por seus rendimentos.

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Características das mulheres empreendedoras:

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Objetivos Objetivo Geral: Fortalecer os processos associativos e formação de mulheres líderes organizadas para a melhoria de sua autonomia econômica. Específicos: a. Conceituar as formas de organização para a atividade produtiva. b. Buscar alternativas para a autonomia econômica.

Metodologia A metodologia utilizada parte de um enfoque vivencial e de educação popular, tem duas dimensões: a teórica e a prática para a transformação. Neste processo as experiências das/os participantes são as que constituem a riqueza deste método; que valorizando e descobrindo novos conhecimentos, poderão interiorizar elementos para uma mudança pessoal que repercutirá no contexto em que se desenvolvem. Adotam-se as propostas da educação popular, como uma educação para o poder (para poder mais) e para a transformação da vida. É para desaprender e para transformar, deve entendê-lo como produção coletiva de conhecimentos, não como transmissão de conhecimentos e conteúdos. Trata-se de processos essencialmente participativos que propiciam um espaço de encontro entre mulheres diversas (urbanas e rurais; adultas e jovens, camponesas, comerciantes, produtoras, empreendedoras), onde você construirá com as outras mulheres conhecimentos a partir da reflexão crítica entorno das dificuldades que enfrentam. Para começar partiremos de uma metodologia ativa-participativa na que você poderá alternar a exposição de conceitos teóricos (reforçados com a leitura que lhe sugerimos), com dinâmicas e exercícios que contribuem para a reflexão pessoal e a interiorização destes conceitos. Para o desenvolvimento do tema, pode durar 4 horas, embora para isto deve ter

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Dicas que podem ajudar-lhe para melhorar a comunicação: a.

Comunicação não verbal     

b.

Mantenha o contato visual com todas as integrantes do grupo quando esteja falando. Ande pelo salão sem distrair o grupo. Reaja com o que lhe digam usando a linguagem corporal: afirmar, sorrir ou outras ações que demonstrem que está você escutando. Fique de pé, não se sente, em frente do grupo, especialmente no começo da sessão. É importante ter um aspecto relaxado, mas ao mesmo tempo ser discreta e segura.

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em conta as circunstâncias das participantes (tais como horários de trabalho, horários de transporte, cuidados de terceiros, segurança, etc.). Tudo depende de como você adapte o seu grupo, realizando alguns exercícios de acordo com o tempo que tenha.

Comunicação verbal 

 

 

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Faça perguntas abertas que incentivem respostas. Se uma participante responde com um simples sim ou não, investigue um pouco com outras perguntas, tais como: me conta mais sobre isso, que experiências você teve a respeito? Para incluir o grupo, pergunte as outras participantes se estão de acordo com algo que digam algumas delas. Deixe que as participantes respondam as perguntas da outra. Não tem a obrigação de responder todas as perguntas. Pergunta: alguém deseja responder esta pergunta? o que pensam as outras participantes? O tom de voz é tão importante quanto o contexto do que é transmitido. Nunca se expresse com dureza, raiva ou de forma crítica. Fale de maneira pausada e clara.

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Tema 9: Ideias associativas para potencializar a autonomia econômica das mulheres Observações: É recomendável uma sala amplia. Atividade 1: A teia de aranha. Apresentação e bem-vinda. Materiais: Sala amplia e novelo de lã. Tempo: 30 min. Desenvolvimento Passo 1: Dê início ao curso com um cumprimento de boas-vindas. Passo 2: Em seguida, peça as participantes para que formem um círculo e entregue para uma colega o novelo de lã/fio, que deve mencionar uma maneira em que as mulheres possam organizar-se para desenvolver suas ideias produtivas. Instrua que peguem na ponta do fio e passe para outra colega, que contribuirá com suas ideias (o mesmo que a anterior), a ação se repete até que todas as participantes tenham passado. Passo 3: No final, faça uma reflexão sobre a importância de estar entrelaçadas, unidas, organizadas para tecer juntas melhores oportunidades para todas.É o mesmo que acontece nas diferentes formas de organizar-se, associar-se que mencionaram a Rede é forte se todas trabalhamos por ela, senão ela cai, portanto, há que segurar bem os fios. Por que acham que é muito importante que as mulheres têm que estar unidas?

Atividade 2: Princípios do cooperativismo. Trabalho pessoal. Materiais: Páginas de colores, marcadores de tinta e fita adesiva. Tempo: 40 min. Desenvolvimento

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Passo 2: Depois, explique sobre os princípios cooperativos, comparando ele com os que as participantes mencionaram. Em plenário se socializam as conversas em duplas.

Atividade 3: Dinâmica “Máquina”. Trabalho produtivo. Materiais: Sala. Tempo: 40 min.

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Passo 1: Entregue uma página colorida e peça que se juntem em dupla e que escrevam o elas entendem sobre valores cooperativos e o que sabem ou entendem sobre princípios do cooperativismo.

Desenvolvimento Passo 1: Peça que se dividam em 4 grupos e indique a cada grupo que se coordene para representar com seus corpos a máquina que escolham. Passo 2: Depois passe a cada equipe a que represente a máquina. Passo 3: Em plenário, socializam como se sentiram, que dificuldades enfrentaram e o que resultou fácil. Passo 3: No final, reflexione sobre o trabalho produtivo que realizam as participantes e o trabalho que realizam para gerar renda. Pode perguntar para elas: Quanto tempo empregam em seu trabalho, quanto ganham e como investem? E convide a elas para que invistam nelas e não apenas nas outras/os.

Atividade 4: Definindo empreendedorismo e associatividade. Construção coletiva e apresentação dialogada. Materiais: Cavalete com bloco de papéis e marcadores de tinta. Tempo: 30 min. Desenvolvimento

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Passo 1: Numa chuva de ideias, pergunte para as participantes o que entendem por empreendedorismo econômico e associatividade empresarial. Passo 2: Depois dê os conceitos e verifique se elas participam em algumas iniciativas dessa natureza, ofereça informação sobre algumas instâncias governamentais ou não governamentais de apoio a associatividade e empreendedorismo.

Atividade 5: Linhas de ação. Trabalho grupal. Materiais: Cavalete com bloco de papéis e marcadores de tinta. Tempo: 30 min. Desenvolvimento Passo 1: Peça que voltem aos grupos de trabalho que formaram para o exercício anterior, para trabalhar linhas de ação ao redor da organização cooperativa e de empreendedorismo econômico e para superar de maneira organizada as limitantes que enfrentaram em sua experiência. Passo 2: Peça que passem para expor suas experiências dentro dos grupos e ajude a elas a resolver dúvidas que possam surgir.

Atividade 6: Avaliação e encerramento. Materiais: Copias da Guia de Avaliação e canetas. Tempo: 10 min. Desenvolvimento Passo 1: Entregará a cada participante a Guia de Avaliação (Anexo 1) para que a complete de forma individual.

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Ideias associativas para potencializar a autonomia econômica das mulheres Objetivos Módulo de formação N° 9

Objetivo Geral

Fortalecer os processos associativos e formação de mulheres líderes organizadas para a melhoria de sua autonomia econômica. 195


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Objetivos Específicos

a. Conceituar as formas de organização para a atividade produtiva. b. Buscar alternativas para a autonomia econômica.

Ideias associativas para potencializar a autonomia econômica das mulheres Atividades Módulo de formação N° 9

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• Devem formar um círculo, se entregará um novelo de lã/fio, e pessoa que o tenha tem que mencionar uma maneira em que as mulheres possam organizar-se para desenvolver suas ideias produtivas. • Cada uma pega a ponta do fio e o passará para a outra colega, que contribuirá com suas ideias, isto se repete até que todas hajam passado.

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A teia de aranha

PRINCÍPIOS DO COOPERATIVISMO

• Em dupla escrevam o que entendem sobre valores cooperativos e o que sabem ou entendem sobre princípios do cooperativismo. • Em plenário se socializam as conversas em dupla. 197


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Máquina • Formem 4 grupos. Cada grupo deve se coordenar para representar com seus corpos a máquina que escolham. • Cada equipe passa a representar a máquina. • Em plenário socializam como se sentiram, que dificuldades enfrentaram e o que resultou fácil.

DEFININDO EMPREENDEDORISMO E ASSOCIATIVIDADE

1) O que entendem por empreendedorismo econômico e associatividade empresarial? 2) Vocês participam em algumas iniciativas dessa natureza? 198


• Formem os mesmos grupos de trabalho que tinham no exercício anterior. • Trabalharam linhas de ação ao redor da organização cooperativa e do empreendedorismo econômico e para superar de maneira organizada as limitantes que enfrentaram em sua experiência. • Vão expor suas experiências dentro dos grupos. • Se tem dúvidas, podem fazer perguntas.

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Linhas de ação

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Ideias associativas para potencializar a autonomia econômica das mulheres Conceitos

Módulo de formação N° 9

COOPERATIVA É uma união livre de pessoas que tem necessidades em comum e que querem resolver juntas estes problemas; por meio de uma organização e aspirações econômicas, sociais, culturais, por meio de uma empresa de propriedade conjunta e democraticamente controlada. 200


• Ajuda mútua • Responsabilidade • Democracia • Igualdade • Equidade

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As cooperativas são baseadas nos valores de:

A natureza do cooperativismo criou uma mística inspirada em: • Transparência • Honestidade • Responsabilidade social • Preocupação pelos outros

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Dados importantes • Só 1% das mulheres de cooperativas agropecuárias tem acesso as terras. • A mulher contribui com 80% da economia no trabalho doméstico e dizemos que não contribuímos em nada. Se cobrássemos por lavar, passar roupa, e ainda dizemos que o esposo nos ajuda em cuidar das crianças, e essa responsabilidade são dos dois.

• Existem instituições líderes que executam os regulamentos existentes nas leis e regulamentos especiais para o funcionamento das cooperativas.

Empreendimento É uma iniciativa de uma pessoa que assume um risco econômico ou que investe recursos com o objeto de aproveitar uma oportunidade que oferece o mercado. Nas épocas de crises, os empreendimentos muitas vezes representam uma saída (ou, pelo menos, uma possibilidade de crescimento) para as pessoas que se encontram em situação de desemprego. Vale destacar que o trabalho em equipe geralmente é o melhor caminho na hora de impulsionar um projeto, já que potencia as virtudes de cada integrante. 202


É um mecanismo de cooperação que se apresenta como uma das possíveis alternativas da Pyme (Pequenas e medianas empresas), para enfrentare aproveitar a evolução de um entorno cada vez mais competitivo e globalizado.

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A ASSOCIATIVIDADE EMPRESARIAL

A teia de aranha É de grande importância estar entrelaçadas, unidas, organizadas para tecer juntas melhores oportunidades para todas. É o mesmo que acontece nas diferentes formas de organizar-se, associar-se que mencionaram a Rede é forte se todas trabalhamos por ela, senão ela cai, portanto, há que segurar bem os fios.

Por que acham que é muito importante que as mulheres estejam unidas? 203


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MÁQUINA • Paremos um momento para refletir sobre o trabalho produtivo que realiza cada uma das que estamos aqui e o trabalho que realiza para gerar renda. Podem perguntar-se: Quanto tempo empregam em seu trabalho, quanto ganham e como investem?


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MÓDULO Nº10

Sobre Metodologia e Gestão grupal

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Introdução As Metodologias Participativas nos servem para fortalecer os grupos, organizações, equipes de trabalho com ferramentas teóricas e práticas, com o objetivo de potencializar o empoderamento das mulheres, como um fator chave para exigir e contribuir ao desenho e desenvolvimento de políticas locais e/ou nacionais para a igualdade de gênero e o exercício pleno dos direitos das mulheres. O princípio metodológico parte de que a prática pessoal e social cotidiana das pessoas se enriquece no dia a dia e que tal prática parte de elementos básicos como: • A vida é fonte de conhecimento • Todas as pessoas têm saberes e conhecimentos valiosos. • A reflexão sobre o trabalho de cada dia enriquece as pessoas. • O intercâmbio de saberes e conhecimentos enriquece ao coletivo. Os conhecimentos e saberes das pessoas tem significados pessoais e coletivos que são apreendidos através de processos de interação e participação social. Cada quem faz sua própria interpretação e sínteses, e suas experiências fazem sentido quando a reconhecemos em outras pessoas e grupos. Por isto, a inter aprendizagem é permanente e se constitui na fonte do crescimento pessoal e coletivo das pessoas. É necessário e importante que a partir dos conhecimentos fornecidos por meio de metodologias participativas, se criem técnicas novas ou se retroalimentem as existentes, tendo em contas as condições, o país, as idades, os processos, etc. A abordagem dos conteúdos se desenvolve através de exercícios que permitam construir o conhecimento desde a vivência e a retroalimentação teórica. Construir uma forma de trabalho com as mulheres é um processo contínuo que deve estar sujeito a melhorias e avanços constantes, é uma criação coletiva que vão construindo os atores envolvidos nos processos e que devem melhorar constantemente.

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Objetivo Geral: Facilitar para as participantes ferramentas pontuais para a reprodução dos cursos. Específicos: a. Praticar a metodologia que irão reproduzir em sua comunidade ou organização. b. Praticar a realização de cartas metodológicas, listagens e memórias, etc.

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Objetivos

c. Dar ideias que sirvam para facilitar a metodologia na hora de reproduzir.

Metodologia A metodologia utilizada parte de um enfoque vivencial e de educação popular, tem duas dimensões: a teórica e a prática para a transformação. Neste processo as experiências das/os participantes são as que constituem a riqueza deste método; que valorizando e descobrindo novos conhecimentos, poderão interiorizar elementos para uma mudança pessoal que repercutirá no contexto em que se desenvolvem. Adotam-se as propostas da educação popular, como uma educação para o poder (para poder mais) e para a transformação da vida. É para desaprender e para transformar, deve entendê-lo como produção coletiva de conhecimentos, não como transmissão de conhecimentos e conteúdos. Trata-se de processos essencialmente participativos que propiciam um espaço de encontro entre mulheres diversas (urbanas e rurais; adultas e jovens, camponesas, comerciantes, produtoras, empreendedoras), onde você construirá com as outras mulheres conhecimentos a partir da reflexão crítica entorno das dificuldades que enfrentam. Para começar partiremos de uma metodologia ativa-participativa na que você poderá alternar a exposição de conceitos teóricos (reforçados com a leitura que lhe sugerimos), com dinâmicas e exercícios que contribuem para a reflexão pessoal e a interiorização destes conceitos. Para o 207


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desenvolvimento do tema, pode durar 4 horas, embora para isto deve ter em conta as circunstâncias das participantes (tais como horários de trabalho, horários de transporte, cuidados de terceiros, segurança, etc.). Tudo depende de como você adapte o seu grupo, realizando alguns exercícios de acordo com o tempo que tenha. Para isso, é necessário que para a participação, solicite uma ficha de inscrição que recolha aqueles dados que possam ser significativos para o desenvolvimento (tais como idade, nível de formação, ocupação, se é mãe ou não, etc.). Para o bom funcionamento e a fim de alcançar os objetivos citados anteriormente, considera-se oportuno limitar a presença de 20 pessoas. Dicas que podem ajudar-lhe para melhorar a comunicação: a. Comunicação não verbal       

 

  208

Mantenha o contato visual com todas as integrantes do grupo quando esteja falando. Ande pelo salão sem distrair o grupo. Reaja com o que lhe digam usando a linguagem corporal: afirmar, sorrir ou outras ações que demonstrem que está você escutando. Fique de pé, não se sente, em frente do grupo, especialmente no começo da sessão. É importante ter um aspecto relaxado, mas ao mesmo tempo ser discreta e segura. b. Comunicação verbal Faça perguntas abertas que incentivem respostas. Se uma participante responde com um simples sim ou não, investigue um pouco com outras perguntas, tais como: me conta mais sobre isso, que experiências você teve a respeito? Para incluir o grupo, pergunte as outras participantes se estão de acordo com algo que digam algumas delas. Deixe que as participantes respondam as perguntas da outra. Não tem a obrigação de responder todas as perguntas. Pergunta: alguém deseja responder esta pergunta? o que pensam as outras participantes? O tom de voz é tão importante quanto o contexto do que é transmitido. Nunca se expresse com dureza, raiva ou de forma crítica. Fale de maneira pausada e clara.


Observações: É recomendável uma sala amplia. Atividade 1: Dinâmica “A bola pula pula”. Apresentação e bem-vinda. Materiais: Sala amplia e bola. Tempo: 20 min. Desenvolvimento Passo 1: Dê um cumprimento de boas-vindas.

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Tema 10: Sobre Metodologia e Gestão grupal

Passo 2: Realize a dinâmica, passando a bola a cada uma das participantes para que respondam a seguinte pregunta: Como acham que estas 9 jornadas lhes ajudaram ou o que podia servir para desenvolver quando reproduzam as jornadas na comunidade ou organização?

Atividade 2: Dinâmica “Buscando a metade que me falta” Metodologias. Materiais: Cartolinas com metades de frutas desenhadas. Tempo: 30 min. Desenvolvimento Passo 1: Distribua entre as participantes diferentes frutas partidas pela metade. Passo 2: Depois de distribuídas todas as metades das frutas, peça que as mulheres busquem sua outra metade. Passo 3: Ao encontrar, falarão do tema que mais as completou, de todos os cursos que participaram e o que vão colocar em prática em sua vida.

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Atividade 3: Plenário. Materiais: Sala. Tempo: 45 min. Desenvolvimento Passo 1: Peça que as duplas socializem o que contou sua outra metade da fruta.

Atividade 4: Dinâmica “Reproduzindo”. Materiais: Cavalete com bloco de papéis e marcadores de tinta. Tempo: 60 min. Desenvolvimento Passo 1: Peça que formem grupos de trabalho por organização, depois você dará um tema e pedirá que desenvolvam o tema dado, fazendo um exemplo de como vão realizar as reproduções em suas comunidades, organizações, cooperativas, etc. Passo 2: Quanto terminar esta atividade, indique que socializem o que foi trabalhado.

Atividade 5: Dinâmica “Contribuindo com meus conhecimentos”. Técnicas de gestão de grupo. Materiais: Cavalete com bloco de papéis, marcadores de tinta, papel e canetas. Tempo: 30 min. Desenvolvimento Passo 1: Dê a palavra para as participantes para que cada uma contribua com diferentes ideias ou dicas para a facilitação dos cursos. Passo 2: Você irá anotando num cavalete as diferentes ideias para que cada uma copie ao recopilar todas. 210


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Sobre Metodologia e Gestão grupal Introdução

Módulo de formação N° 10

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Sobre Metodologia e Gestão grupal Introdução

Módulo de formação N° 10

Objetivo Geral Facilitar para as participantes ferramentas pontuais para a reprodução dos cursos. 212


a. Praticar a metodologia que irão reproduzir em sua comunidade ou organização. b. Praticar a realização de cartas metodológicas, listas e memória, etc. c. Dar ideias que sirvam para facilitar a metodologia na hora de reproduzir.

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Objetivos Específicos

Sobre Metodologia e Gestão grupal Atividades

Módulo de formação N° 10

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A BOLA PULA PULA

A dinâmica consiste em ir passando a bola a cada uma das colegas para que compartilhem sua resposta da seguinte pregunta: Como acham que estas 9 jornadas lhes ajudaram ou o que podia servir para desenvolver quando reproduzam as jornadas na comunidade ou organização?

BUSCANDO A METADE QUE ME FALTA • Distribuirá, a todas, diferentes frutas partidas pela metade. • Depois de distribuídas, as metades das frutas, devem buscar sua outra metade. • Ao encontrar, falarão do tema que mais as completou, de todos os cursos que participaram e o que vão colocar em prática em sua vida. • Quando terminar, as duplas devem socializar o que contou sua outra metade da fruta. 214


• Formem grupos de trabalho por organização, se dará um tema que devem desenvolver, fazendo um exemplo de como vão realizar as reproduções em suas comunidades, organizações, cooperativas, etc. • Finalmente socializam o trabalhado.

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REPRODUZINDO

CONTRIBUINDO COM MEUS CONHECIMENTOS • Cada um deve contribuir com diferentes ideias ou dicas para a facilitação dos cursos. • Todas as ideias serão copiadas para que nos sirva no futuro. 215


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COLOCANDO EM PRÁTICA MEUS SABERES • A continuação verão um exemplo de carta metodológica, uma listagem e de memória, além disso, terão as principais contribuições de cada um para que cada uma escolha um tema e desenvolva estes três elementos dos cursos. • Terão uma hora para fazer isto. • Finalmente, se escolherá a três de vocês para que cada uma apresente um dos elementos que desenvolveram e as outras darão sua opinião para dizer se está bem ou se faz falta algo.

Obrigada por andar juntas este caminho cheio de complicações, sacrifícios, luta, entrega, muito amor e desejos de aprender e compartilhar todo o conhecimento adquirido.

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Definições

CLAC •Escola de Liderança das Mulheres • MANUAL METODOLÓGICO

Sobre Metodologia e Gestão grupal Módulo de formação N° 10

CARTA METODOLÓGICA Elementos: • Tema • Lugar • Data • Duração do curso • Facilitadora/ • Responsável • Objetivo geral

Em seguida, faça um quadro onde se completa com esta informação: Atividades Objetivo da atividade Procedimento Recursos/Materiais Tempo

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Exemplo

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Evento de educação sexual para professores/as de escolas normais Unidade 1: Educação sexual na escola. TEMA

Educação como regulador a da sexualida d.

OBJETIVO

Identificar a escola como instancias nas que se regulam as condutas e práticas sexuais.

Identificar os momentos da institucionalização da educação sexual.

TÉCNICA Y PROCEDIMIENTO

MATERIAL

Chuva de ideias, aproximação das precepciones.

Lousa, folhas e marcadores de tinta.

Leitura comentada do texto: o professor como educador sexual. Trabalho em equipe: para identificar temores, problemas casos, reptos etc. Plenário Introduzir pedindo que o grupo que responda à pergunta: por que a educação sexual é um direito?.

Leituras: texto ¿ por que estamos a favor de uma educação Apresentação em power point. sexual?.

Elementos: • Tema do curso • Lugar • Data • Facilitadora/Responsável

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Leitura: o professor como educador sexual.

Em seguida, faça um quadro onde se completa com esta informação: • Nome • Grupo/Comunidade • Telefone • Assinatura

TEMPO

90 minutos

60 minutos

Listagens


Ejemplo

ATIVIDADE :____________________________________________________ LUGAR Y DATA :__________________________________________________ No.

NOME

GRUPO

Sexo mulher

homem

Idade (Anos)

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CLAC •Escola de Liderança das Mulheres • MANUAL METODOLÓGICO

LISTA DE PARTICIPAÇÃO

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MEMÓRIAS Aqui se reúne a informação mais importante de tudo o que acontece nos cursos, anota os acordos, as chuvas de ideias, trabalhos realizados pelas participantes, contribuições, etc., são recolhidas informações que se considere conveniente de acordo ao tema.

Elementos: • Apresentação • Desenvolvimento • Objetivos • Temas, etc.

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Acordos Encerramento Avaliação Anexos 219


Exemplo CLAC •Escola de Liderança das Mulheres • MANUAL METODOLÓGICO

220


Nota aclaratoria: Este material es de uso exclusivo para procesos educativos de las organizaciones y no de uso lucrativo. Los contenidos del presente Manual metodológico corresponden a una recopilación de temas desarrollados por las facilitadoras del proceso de formación “Escuela de Liderazgo”, implementada en el 2014, por la PEC de Género en El Salvador, integrada por CLAC, Agencia de Desarrollo de Morazán (ADEL), Red Unión de Mujeres (RUM), Confederación de Federaciones de la Reforma Agraria Salvadoreña (CONFRAS) y Fundación para el Auto Desarrollo de la Micro y Pequeña Empresa (FADEMYPE), en el marco del programa “El Salvador hacia un desarrollo incluyente: mujeres, hombres y jóvenes desde sus organizaciones (OB) hacen realidad el desarrollo económico impulsando procesos regionales sostenibles”, financiado por TRIAS en donde se contó con equipo de facilitadoras de las organizaciones y algunas contrataciones de consultorías externas.


Manual Metodológico Escola de Liderança da Mulheres  

Este manual apresenta o detalhe de 10 tópicos, referindo-se a processos que vão desde: auto-estima, liderança, direitos humanos e gênero, pa...

Manual Metodológico Escola de Liderança da Mulheres  

Este manual apresenta o detalhe de 10 tópicos, referindo-se a processos que vão desde: auto-estima, liderança, direitos humanos e gênero, pa...

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