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N贸s

De Christian Barreto

Antologia Po茅tica (2007-2011)


Como deveria estar Deveria estar cantando E gritando, e amando, e sonhando... Pois hรก algo acontecendo Hรก um novo motivo nascendo

Deveria estar preocupado E alarmado, e amargurado, e desesperado... Pois o desconhecido espreita a esquina Ouรงo um velho, um canto, surrado.

Sim, deveria estar...


Sabedoria popular Se tudo está cheio de amor, Não sei aonde tudo foi. Se o tempo cura tudo, Deve ter curado seu amor. Se o amor é bom, Mau deve ser meu coração. E se tudo acaba, Quem cuidará dele, então?


Por amor Amor, amor, amor Quantos poemas jรก escreveu? Quantas letras motivou? Tudo fiz visando te encontrar. Mesmo os meus, sรณ amor.

Amor, amor, amor Nunca me dignei a falar de ti, Talvez, sequer o senti. Mas vejo-te agir, amor. Vejo o brilho com que dรก a vida, E a forma sublime como a tira

Amor, amor, amor Quantos protagonistas jรก matou? Serรก pelo brilho soturno de uma alma se apagando Ou pelo fim de um ciclo? De uma pessoa amando?


Amor, amor, amor Onde foi que ele errou? Tudo que fazem é por amor Tudo que amam é por temor Tudo que matam é por louvor Ao amor, amor Amor?


Imunidade Eu não sei o que estou fazendo No que estou pensando Quem estou sendo.

Eu não sei o que escrevo, O que estou sentindo, O que vejo...

Mas, eu sei, tem algo indesejável aqui. Parasita persistente, Há um vírus em mim.

Que se infiltrou não sei quando e nem onde. E minha mente, e meu corpo, E meu coração, e minha felicidade... Todos eles... Tantos nomes... Não foram capazes de adquirir Imunidade.


D’Aquele Dia Até Hoje. Desejei seus olhos azuis, Seu cabelo claro, traço italiano Sotaque americano.

Desejei estar no lugar daquele, De face redonda, ar arrogante, Que pode ser seu amante

Desejei ser mais descontraído, Mais feliz, mais confiante, Com mais possibilidades de estar contigo.

Agora, não desejo nada. Não sobrou nenhuma esperança: Minha ilusão foi sufocada.


Gostaria de te contar Gostaria de te contar que, Apesar de você não notar, Tem sido minha grande inspiração Para criar.

Queria te fazer ciente que, Mesmo não sendo muito eficiente, Venho dizendo que te amo E escrito incessantemente.

Gostaria de lhe falar, Trocar algumas palavras, Gostaria de comprovar Se você é pessoa pra eu amar.

Gostaria de ser mais visível, Tão visível que, quem sabe você, Com seus olhos de azul incrível, Visse em mim um amor possível.


Aquele. Sou aquele que te escreve palavras (Que você nunca irá ler) Sou aquele que sempre lhe tem na mente (E você nunca vai saber) Sou aquele que por você pode morrer (E você, sequer sofrer.)


Não Deixe. Se algum dia eu te disser, Que aqui é onde eu quero estar, Não deixe de revelar, Que começo a delirar.

Se algum dia eu disser, Que sou feliz à minha maneira, Não deixe de rir, Para me desencorajar a mentir.

Se algum dia eu quiser, Te deixar e te odiar, Não me deixe não te amar.

Se algum dia eu quiser, Não deixe de me enterrar, Pois já fizeram o favor de me matar


O Tempo Engoli o meu orgulho e cheguei até você, Disparei em direção às nuvens Para que o vento do céu limpo lhe fizesse ver. Levei mais que um segundo: Fui quebrado, colei tudo. E sua voz não chega até mim... Realmente não queria estar assim, Mas não tenho todo o tempo do mundo: Não leva mais do que um segundo. Paro, penso, desisto, Reconsidero, respiro fundo... Se quiser, fique mudo, Eu sozinho me escuto Mas, por favor, não seja culto, Porque só tenho um minuto.


Me desculpe se... Me desculpe se me olhar nos olhos E não vir qualquer sinal de vida, Nenhuma luz avermelhada, Nenhuma chama contida. É que tenho saudades de casa Onde havia um coração, em brasa É que deixei algo importante E era grande e pulsante.

Me desculpe se esperar qualquer som E só receber um riso falso, Nenhum timbre, nenhum sorriso, Nenhum destaque no tom. É que tenho vendido minha voz Sem dúvida ou receio, Pois ela já não serve para nós.

Me desculpe se queria estar a sós E ainda tenho uma sombra


Para provocar uma vaga lembrança de existência. É que o sombrio é mais difícil de apagar, E nele é mais fácil de estar. Aqui ninguém avalia, ninguém vê, Aqui eu já não penso em você. Me desculpe se...


Ao menos uma vez Conheço você, E o combustível que te move Conheço seus sonhos, seus planos, Seus pensamentos insanos. Sei o que te anima a acordar E o que te acompanha ao dormir. Conheço eles e todos Da mesma forma. Mas queria poder, Ao menos uma vez, Dizer o mesmo sobre mim Queria que, ao menos uma vez, Dissessem isso para mim.


Desmanchado Eu sinto falta da traição Do sentimento traiçoeiro de se sentir amado Sinto falta do teatro acabado Quando Você me dizia “eu te amo” E eu te olhava com olhos cansados, Mas fortes o suficiente para retribuir, E dizia, hesitante, que eu também te amava Hoje sei que aquilo não foi nada Hoje sei que tenho a verdade como aliada Mas também sei que sinto falta E vergonha, e revolta, e mágoa Da traição que me desmanchara Do sentimento que me mudou Da criança que você calou Hoje a verdade me leva de volta a tempos esquecidos Onde a criança está livre para falar E que verdades podem sair de sua boca? Talvez minha cabeça esteja oca Talvez meu coração tenha morrido


Meu juízo se quebrado em mil pedaços Mas sinto falta do abraço Da ingrata traição Que me fazia sentir amado Que me estendia suas mãos.


Evolução Concordo, meu amor, que não há nada Nada como a evolução! Mas não me deixe mentir, não deixe não Nada vai embora sem razão.

Não me deixe fingir que já parei Com essa droga que um dia amei. Não me deixe esquecer que no meu sangue Ainda há vestígios deste enxame.

Me faça lembrar que toda vez Quando escuto o seu nome, Ainda paro, amargo, comparo e procuro o seu semblante.

Porque há coisas que valem mais Do que a adorável evolução Porque há coisas que doem demais Dentro de qualquer coração.


Nós Você poderia ter me amado mais Mas não é hora para julgar os erros Mesmo que não estejamos mais inteiros Nós sempre fomos iguais

Eu poderia ter te amado mais Mas era muito cedo para apostar alto Mesmo que pouco, te amar custa caro E nós sempre fomos iguais

Você deveria ter me odiado Deveria, ao menos no fim Você poderia ter se esquecido de mim E me deixado morrer abandonado

Eu deveria ter te odiado Deveria, ao menos por mim Eu poderia ter me preservado assim Mas nunca atuei bem neste teatro


Nós deveríamos ter nos amado Enquanto gritávamos com ódio nos olhos Enquanto brincávamos de mortos Nós deveríamos ter tentado

Nós deveríamos ter nos odiado Antes que tudo se desmoronasse Antes que nada mais nos motivasse Nós deveríamos ter nos matado.


Mesmo que eu... Mesmo que eu tentasse Por diversas vezes te odiar Nunca tive sucesso Nunca pude te afastar

Mesmo que eu quisesse Entender o que nós somos Nunca encontrei o que pudesse Justificar onde estamos

Mesmo que eu dissesse Que você era um problema Nunca me senti melhor Em seus momentos de ausência

Mesmo que eu fizesse Tudo para não sentir nada A indiferença nunca surgiu Sempre contei com sua alma


Mesmo que eu comparasse Procurando algo melhor Nunca cultivei nada igual Você sempre foi especial

Mesmo que eu viesse A concretizar o nosso fim Nunca quis que fosse assim Que fosse melhor ficar longe de mim

Mesmo que eu mantivesse Minha decisão arbitrária Sofreria só de pensar que me esquecerá Conforme o tempo passar.


Como ser grande Sentado nesta vida revirada Estive me perguntando como ser grande Joelhos colados, pés se movendo Procurando qualquer vestígio de estrada Qualquer pensamento estimulante

E ao nascer do sol vejo um reflexo Reflexo de minha própria face Vejo uma tentativa sem sucesso Vejo uma criança num disfarce

Venho me perguntando como ser grande Como fazer uma imagem admirável Venho me perguntando como ser estável Como tentar ser amável Amável de forma estonteante Tentando te impressionar a todo instante E lá se vão minhas horas... Meu tempo... Tempo que não poderia ser usado melhor


Porque vivo tentando ser seu amante

E talvez eu descubra Que nada disso é suficiente E talvez sinta culpa Por repetir mesmo estando ciente

E talvez eu repita, E repita por querer Pois nada é tão impressionante Quanto esta ideia de sucesso Ideia que eu alcanço Quando estou assim tão perto, Tão perto de você


Motivos Falo, Porque há o que ser dito Por uma maldade qualquer

Espero, Porque há o que esperar Porque não há mais nada a se fazer

Vivo, Porque há o que viver Porque é a única forma de ser

Sou, O que você quiser que eu seja Menos o que não sou

Estou, Onde eu preciso estar Onde eu possa versejar


O Drama da Justiça A Justiça foi violada Tiraram a venda de seus olhos Justiça, pobre coitada Já não sabe como julgar nada

A justiça foi atacada E sem sua venda, abençoada Voltou sua espada Apenas contra aqueles que podia ver

A justiça já não sabe de nada Como se não saísse de casa Não entende o que acontece lá fora Quem mata, quem chora

A justiça já não trabalha mais Pobre inválida, aposentada Recebe seu salário todo mês E a dedo atira sua espada


Alimento

Eu cravei os braços em algum mundo Enraizando uma terra imaginária Eu me transportei pra um lugar seguro Onde não havia sede de nada.

Agora eu deito nesta terra úmida Onde tudo é real, onde não finjo nada E sinto um cheiro forte de terra Enquanto cavo um espaço nesta tumba

Agora eu aguardo a chegada dos vermes Esperando que eles não deixem nada Enquanto me alimento com a expectativa do fim Eles se alimentam com o que nunca serviu para nada


Sentidos

Ouço as rimas, Ouço os prantos Ouço os ritos e encantos Só não ouço o que me pede Para deixar de estar amando

Sinto dores, Sinto medo, Sinto amores e desejos Só não sinto o que me foge Deste mundo assim tão cedo

Toco coisas, Toco formas, Toco em pessoas e em docas Só não toco o que é frio O que me queima e me força

Vejo lagos,


Vejo flores, Vejo lírios e autores Só não vejo o sentido Em não viver tantos amores

Falo baixo, Falo claro, Falo doce e amargo Só não falo o que me faz Amar e amar sempre mais


Em silêncio

Grito em silêncio. Escrevo os versos mais altos Os mais travessos, barulhentos Para chamar tua atenção Você que é meu alimento

Mostro tudo que há aqui dentro Presos em raízes medievais Revelo todo e qualquer sentimento Para chegar ao teu coração Porque só assim me sinto são.


E assim vive o poeta I Salves, ó tempo de infância! Que embora negros, repletos de esperança Sustentou o que formaria o ser Mostrou tudo o que há para se ver E dele formada, pobre criança

Ah! Tempos de infância...! Não poderia haver pior lembrança E dos golpes que a vida lhe deu Já tão cedo roubou o que era seu E o que poderíamos esperar desta criança?

Salves, ó tempo de arte! Que aflorava com uma máscara na face Tão simplista que quase era bonita A cada linha uma nova conquista Quase feliz, seu coração se parte

Ah! Tempos de arte!


Em desenhos, um mundo à parte Tão cheio de cores e formas Tão livre de medos e de normas Como se houvesse outra realidade

Salves, ó tempo de imaginação! De um mundo uma nova visão Tudo tão real e tão fantástico Um espetáculo, o show do mágico Como a única forma de estar são

Ah! Tempos de imaginação! Do próprio ser um novo irmão Andando de mãos dadas pela casa Brincando com bonecas numa sala Com medo desesperado de um sermão

Salves, ó tempo de enganação! Quem pregou que o mundo seria bom Para aqueles de mente frágil? Destruídos por um veneno ágil


Acorrentados, como numa maldição

Ah! Tempos de enganação! Onde está sua grande benção? Devolva-me todas as lágrimas Faça brinquedos o que fora máquinas Onde foi parar, pequeno coração?

Salves, ó tempo de desejo! Vaidade expressa no espelho E um medo, um remorso Como um "tudo faço e nada posso" Como uma vida num bocejo

Ah! Tempos de desejo! Por que trazer tanto receio? E o remorso que escorria pelos dedos Impresso na parede, refletido em azulejos Muitos ainda virão após este que vejo

Salves, ó tempo de partir!


Horizonte ocultando o que há por vir Tão silencioso que mal posso escutar Tão medonho que não sei o que esperar Será melhor simplesmente ir?

Ah! Tempos de partir! Deixo minha mágoa e tudo que pude sentir Pois não houve nada que me fizesse bem Para ajudar não houve quem Então fecho os olhos e me deixo cair

II Relembro, ó tempo de juventude! Tão livre de qualquer virtude Tão disposto a tentar novos rumos Apreciando a noite, vales escuros Enérgicos, em busca de plenitude

Houve um tempo de juventude Onde um garoto se ilude Onde o tempo o manchou de negro


Onde tudo terminou em desprezo Em gritos de "me ajude"

Relembro, ó tempo de um primeiro amor! Preenchidos com belo calor Tudo parecia tão eterno Tudo tão distante do inverno E eis que resta apenas dor

Houve um tempo de um primeiro amor Deixado como um favor Onde há um preço a ser devolvido Onde houve um prazo e foi cumprido E eis que tudo se tornou rancor

Relembro, ó vaidade! Travando batalhas épicas pela verdade Como se isso realmente importasse Como se algo no mundo a motivasse Só cresceu com o passar da idade.


Houve um tempo de vaidade Onde o orgulho era a verdade E o prazer ao ver a própria imagem Debruçado numa lagoa, numa margem Ato de amor ou de maldade?

Relembro, ó dias nublados! Tão sofridos, tão amados Se alimentando de lembranças puras Cavando em tumbas, jogando runas Únicos dias ainda imaculados

Houve um tempo de dias nublados Onde no amor não havia ratos E a alma crescia alimentada Pelo cinza que tingia a estrada Dias que foram mal-usados...

Relembro, ó risos meus! Tão cheios de fé em algum deus Entorpecidos com a ideia de futuro


Enraizados de modo tão seguro... Que só restou risos ateus

Houve um tempo de risos meus Vencida a batalha dos filisteus Onde a companhia era divina Onde perdoar era minha sina Alimentada por olhares teus

Relembro, ó transição! Motivada por repentina perversão Fazendo-me abandonar antigos valores Obrigando a me aventurar em novos sabores Nenhuma dor foi maior que a separação

Houve um tempo de transição Onde desesperadamente eu segurava sua mão Mas foi necessário deixá-la ir Mas foi necessidade vê-la partir Eis que deixo todo o amor e abraço a solidão


III Contemplo, ó tempo do presente! Onde eu vivo, e vivo ciente Das consequências que formaram o meu ser Desta paixão que me faz agora escrever Vivo, e espero paciente

Escrevo o tempo do presente Com um olhar tão evidente Pedindo paixão e cumplicidade Escondido do mundo, da verdade Escrevo para estar presente

Contemplo, ó tempo de criação! Onde me faço de minha própria visão Tão concentrado em estar distante Fazendo arte, algo que encante Vivo, enquanto espero a reação

Escrevo o tempo de criação Motivada por amor, dor e separação


Quase como um filme a imaginar Quase como um épico a contemplar Como se houvesse esquecido certa traição

Contemplo, ó tempo de calmaria! O que um pouco de amor não me faria? Entorpecido pelo frio que agora desperta Aquecido, escondido em qualquer coberta Vivo sempre a imaginar o que nunca esqueceria

Escrevo o tempo de calmaria Carregando alguma parte de ira Enganando rostos, vestindo a máscara Correndo de mim, minha própria diáspora Escrevo, ou então me mataria

Contemplo, ó tempo de novo desejo! Neste belo pecado eu me vejo Interpretando algo que não entendo Buscando a prova de que estou vivendo Vivo com todo o meu desprezo


Escrevo o novo tempo de desejo Faço tudo por um beijo Ignoro qualquer censura imposta Pois nada além de vivê-los me importa Tudo que fui, agora eu deixo

Contemplo, ó tempo de ateísmo! Escrito um número, algarismo Para representar tudo que é enganoso Todo fim, tão saudoso Vivo, e prefiro tudo ao egoísmo

Escrevo um tempo de ateísmo Escrevo, pois só vejo consumismo Repudio tanto ódio expresso Não entendo toda morte em excesso Porque estamos cada vez mais fundo neste abismo

Contemplo, ó tempo de incerteza! De tamanha sutileza


Por mais que aguarde com esperança Certeza, nunca me alcança Vivo, e me impressiono com tamanha proeza

Escrevo um tempo de incerteza Decorado com esplĂŞndida beleza Procuro deixar uma mancha neste mundo Necessidade, rito profundo Porque assim termina minha tristeza


Oceano

Eu estive sempre observando Sua flor nascer e murchar Estive, me perguntando: Aonde seus cuidados irão me levar?

Agora é tarde para preocupações Deste oceano onde estou navegando Nada no mundo pode me resgatar Ah... Estes lugares que estou explorando!

Como saber se estou mesmo amando? Por enquanto, tudo que farei é navegar. Sem considerar qualquer outro plano Até o dia em que você me perguntar

Verdade que teme a separação Mentira com medo da enganação O que hei de responder a ti? Como garantir que você sempre estará aqui?


E se um dia alguém me questionar Sobre os resultados de minha exploração Digo que não poderia haver melhores Que não há nada como te amar

E se algum dia você desejar Retornar para onde estamos Eu aceito de bom grado E com você tramo mil panos

Mas se no fim eu me afundar Nestas águas do oceano Faça uma bela fonte de pedra Para lembrar o que passamos


10 Noites Romanas PRÓLOGO 10 histórias ela irá ler Para 10 noites dormir bem Por vários livros irá buscar E algumas delas, nunca irá entender Boas ou más, histórias sempre vêm.

I "Ela estava só, no outono E surpreendeu a si mesma Refazendo as mesmas perguntas Como se já estivesse com outro E o jantar já estava à mesa"

II "Ele sorriu no metrô E provocou olhares aleatórios Como se sorrir fosse loucura E o problema nunca entrou Tudo que teve foi olhares zombatórios"


III "Eles caíram na banheira E a espuma espirrou pelo chão Brancas como as flores no túmulo Esta foi a única maneira Matar era a única forma de estar são"

IV "Ela perdeu um dedo E 54 células brancas O ruído do metal ainda ecoava Ela viverá com medo Levando suas duas mãos mancas"

V "Ele perdeu Em tudo aquilo que apostou Mas suas fichas acabaram Do fundo do poço ele nasceu E tendo vida, se matou"


VI "15 segundos E houve tempo para tudo 15 míseros momentos E de alguma forma estamos mudos Não há motivo, nada é profundo"

VII "Semifusas fugiram Ninguém notou a diferença Perdemos algo nesta dança Nossos instintos rugiram Assim acaba a nossa crença"

VIII "No altar o sacrifício 4 Cordas, uma adaga Deitada a virgem loura Muito antes de qualquer Cristo De mesmice, assassinada"


IX "Uma casa muito velha Janelas e teias de aranha Numa colina de uma serra Mal se via a primavera No quintal, ele se banha"

X "Nudez explícita no espetáculo Nos bastidores, alguém veste negro Corpos limpos, bem cuidados Algo líquido vaza do receptáculo Em suas costas, um percevejo"

EPÍLOGO "10 histórias ela leu Para 10 noites dormir bem De vários livros as retirou 8 delas nunca entendeu Boas ou más, histórias sempre vêm"


Surrealidades Leveza paga em sete vezes 10 castigos perdoou Um brilho sórdido ameaça Não houve qualquer trapaça Tudo que possuía, revelou.

Mudança esperada e atendida Serviço de quarto personalizado Um risco, um custo, um cálculo Feito em nome do espetáculo E tudo que esperava, conquistado.

Sorte grande e modesta Nuvem negra espreita a esquina Chuva ácida corrói a pele Nunca corra, sente e espere Tudo é espera, espera maldita.

Treze vezes rodou Vestido rodado, tantas cores


Primeiro beijo cometido Primeiro crime, divertido Tudo que encontrou se tornou amores.

5 segundos dentro d'água Mil brônquios contorcendo Falta ar neste motivo Falta ar e alguém vivo Tudo que via estava morrendo.

Roxas flores no jardim E anjos e pedras e grades E alguém espreita por curiosidade E alguém chora uma gota de maldade E tudo escondido, atrás das árvores.

E a leve recompensa E a mudança atendida E as voltas no vestido E a falta de alguém vivo E tudo repousa nela, adormecida.


Dormindo

Dormindo em cinco lares Ouço os pastos e alguns cantos Sereias desviam os barcos E o pranto cai em retalhos

Devo estar sonhando às 6 da tarde Mas há algo errado neste sonho Não sei onde ficou a realidade Acordarei em qual dos lares?

Nós  

Antologia poética