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Uma Impressionante História Verídica Que Poderá Mudar Sua Vida Para Sempre Moody Adams


Uma Impressionante História Verídica Que Poderá Mudar a Sua Vida Para Sempre

Moody Adams Obra Missionária

‹Chamada da Meia-Noite› Caixa Postal, 1688 · 90001-970 Porto Alegre-RS · Brasil Fone: (51) 3241-5050 · FAX: (51) 3249-7385 www.Chamada.com.br


Os testemunhos e as homenagens deste livro foram publicados originalmente na Escócia em 1912. John Climie os compilou e editou a pedido do irmão de John Harper, George. Traduzido do original em inglês:

“The Titanic’s Last Hero” Copyright © 1997 by the Moody Adams Evangelistic Association publicado por The Olive Press Columbia, SC 29228 EUA Tradução: Lailah Fernandes Pinto Revisão: Ingo Haake Joyce de Lima Silva Capa e Layout: Reinhold Federolf Todos os direitos reservados para os países de Língua Portuguesa

© 1998 Obra Missionária Chamada da Meia-Noite R. Erechim, 978 – B. Nonoai 90830-000 – PORTO ALEGRE – RS/Brasil Fone: (51) 3241-50 50 FAX: (51) 3249-73 85 e-mail: pedidos@chamada.com.br Composto e impresso em oficinas próprias “Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! saí ao seu encontro” (Mt 25.6). A “Obra Missionária Chamada da Meia-Noite” é uma missão sem fins lucrativos, que crê em toda a Bíblia como infalível e eterna Palavra de Deus (2 Pe 1.21). Sua tarefa é alcançar todo o mundo com a mensagem de salvação em Jesus Cristo e aprofundar os cristãos no conhecimento da Palavra de Deus, preparando-os para a volta do Senhor.


DEDICADO A

Bill Guthrie, DE GLASGOW, ESCÓCIA. Um crente zeloso que manteve viva a história de John Harper. Ele coletou materiais, entrevistou amigos e até foi ao enterro da filha de John Harper. Sem a sua pesquisa e seu trabalho, este livro não seria possível. Ele prestou um grande serviço para a obra de Jesus Cristo.


Índice 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. 21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28.

Página

Morrer com Honra ......................................................... 15 A Fomação de um Herói................................................. 29 Meu Irmão Como Eu o Conhecia..................................... 45 Ele Saiu da Classe dos Trabalhadores.............................. 65 “Ele não Podia Viver sem Ganhar Almas”........................ 71 Nunca mais Haverá Outro.............................................. 77 “O Comovente Zelo e a Dedicação do Homem” ............... 85 Um Soldado Valente Dedicado a Deus............................. 93 Deus o Encarregou a Ser a Última Testemunha do Titanic .. 97 Uma Visão Impressionante.............................................. 101 Um Homem de Conselho Terno e Encorajador.................. 105 Quando Ele Falava, Almas Clamavam por Misericórdia ... 107 A Passagem de Despedida de John Harper...................... 113 Os Três Temas de um Herói ............................................. 119 “John Harper Levou a Mim e a Minha Esposa a Cristo” .... 125 Um Alcoólatra Encontrou Libertação................................ 133 “John Harper Foi um Pai Para Mim”................................ 137 Uma Dívida de um Pobre Pródigo a John Harper ............. 141 Um Pecador “Atolado na Lama” é Purificado ................... 145 Harper Derrotou o “Poder de Rebelião” ........................... 149 As Palavras de Harper Deram Plena Convicção de Minha Culpa ................................................................. 153 “Harper Mostrou-me que Precisava de Cristo”.................. 155 Uma Mensagem de John Harper ..................................... 157 Bela Manhã................................................................... 161 “Os Escolhidos de Cristo” (Esboço de sermão de Harper).. 163 “Quem é o Tolo?” (Esboço de sermão de Harper) ............. 165 “Amor Inesquecível” (Esboço de sermão de Harper) ......... 167 “Tão Grande Salvação” (Esboço de sermão de Harper) .... 169


Prefácio John Harper havia morrido há 85 anos quando seu testemunho impactou a minha vida totalmente. Em 1997, eu estava na Igreja Batista Memorial Harper em Glasgow, Escócia. Ali conheci Bill Guthrie, membro da igreja, que tinha um conhecimento fantástico de Harper. Guthrie me forneceu uma cópia rara do livro original de Harper, documentos da igreja e registros relacionados a pessoas cujas famílias conheceram esse herói escocês. Por causa da minha experiência pessoal com a história de Harper, decidi passá-la adiante para o máximo de pessoas possível. Isso é feito com a convicção de que a vida de John Harper é capaz de deixar uma marca permanente sobre todos aqueles que conhecerem a sua passagem dedicada por este mundo. Harper era como um gigante de altruísmo num mundo onde a maioria dos homens está preocupada em ser “o número um”, um gigante num mundo onde a maioria dos homens não está disposta a se privar, um gigante da paixão pelas almas num mundo onde poucos homens realmente desejam a salvação do seu próximo. Os testemunhos e as homenagens neste livro foram impressas sob o título de John Harper: Um Homem de Deus. John Climie escreveu o prefácio de 1912, o segundo capítulo e compilou os comentários de amigos e convertidos que conheceram John Harper. Eles foram escritos a pedido do Pastor George Harper, irmão de John Harper. Esses depoimentos originais foram pouco modificados para preservar o estilo escocês de 1912.


10 • O Último Herói do Titanic Joseph Addison, um escritor inglês, disse: “Coragem e compaixão ilimitados... fazem o herói e o homem completos”. Harper personificou a coragem e a compaixão que fizeram o completo herói. Moody Adams


PREFÁCIO DO LIVRO

John Harper: Um Homem de Deus PUBLICADO EM 1912 A publicação deste volume foi realizada a pedido do Pastor George Harper, que deu assistência muito valiosa, e cuja homenagem terna e amorosa à memória do seu irmão despertará interesse especial. Como a biografia é composta principalmente de homenagens de vários autores, foi impossível evitar a repetição. Mas considerou-se apropriado que as homenagens apareçam tal qual foram escritas, já que cada contribuinte escreve do seu próprio ponto de vista. O naufrágio do Titanic com sua carga viva causou lamentação em todo o mundo civilizado. A idéia de 1.522 vidas perdidas no naufrágio de um só navio é totalmente estarrecedora. Mesmo depois do grande navio estar no fundo do mar, os jornais, sem saberem o que tinha acontecido, anunciavam que o Titanic era “absolutamente insubmergível”. Mas as forças da natureza foram demais para o gigantesco transatlântico. As águas nas regiões polares, com o vento cortante do norte, solidificaram-se, e daquela região ártica veio flutuando o enorme iceberg que rasgou o casco do navio e o levou para o seu túmulo no oceano. “Pelo sopro de Deus se dá a geada, a as largas águas se congelam” (Jó 37.10). O iceberg estreitou a extensão do Atlântico, e o grande navio foi lançado para o fundo do mar. O fato do Sr. Har-


12 • O Último Herói do Titanic per ter sido levado no auge da sua carreira deixou muitos perplexos. Aventuramo-nos muitas vezes nos últimos anos a prever para ele um futuro de grande utilidade, mas “Não sabemos o que nos espera. Deus encobre nossos olhos com bondade”. Prostramos nossas cabeças com reverência sob a sombra dessa grande calamidade que roubou alguém que viveu não para si mesmo, mas para a glória dAquele que o redimiu com Seu próprio sangue precioso. Espera-se que esta pequena recordação de uma vida dedicada a Deus e ao bem do seu próximo leve bênçãos consigo, e seja um incentivo para muitos. Nesta esperança, ela é lançada. John Climie 197 St. Andrew’s Road, Glasgow


John Harper

À medida em que as chamas de outras ambições se apagavam e extinguiam, a de John Harper ardia com mais intensidade mesmo enquanto ele afundava num túmulo de água. Quando a morte forçava outros a encararem a insensatez das ambições de suas vidas, o objetivo de John Harper de ganhar homens para Jesus Cristo se tornava mais vital ao mesmo tempo em que ele dava os seus últimos suspiros.


1 Morrer com Honra nquanto as águas escuras e geladas do Atlântico enchiam lentamente o convés do Titanic, John Harper gritava: “Deixem as mulheres, crianças e descrentes subirem nos barcos salva-vidas.” Harper tirou seu salva-vidas – a última esperança de sobrevivência – e o entregou a outro homem. Depois que o navio desapareceu sob a água escura, deixando Harper se debatendo nas águas geladas, ouviram-no incentivando os que estavam à sua volta a confiar em Jesus Cristo. Era a noite de 14 de abril de 1912, uma noite de heróis, e John Harper foi um deles. Apesar das águas que o tragavam serem extremamente frias e do mar à sua volta estar escuro, John Harper deixou este mundo numa resplandecente glória. Os atos de coragem de Harper foram espontâneos. Ele não tinha motivo para imaginar que o Titanic afundaria, nem tempo para escrever um roteiro. Uma revista comercial, The Shipbuilder, descreveu o Titanic como “praticamente insubmergível”. No dia 31 de maio de

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16 • O Último Herói do Titanic 1911, um empregado da Companhia de Construção Naval White Star disse: “Nem mesmo o próprio Deus pode afundar esse navio”. O Titanic representava toda a segurança, elegância e confiança da era vitoriana-edwardiana. A Associated Press era entusiasta do navio, declarando: “Tudo que a riqueza e a habilidade modernas podiam produzir estava incorporado no Titanic, o navio mais longo já construído, com mais de 4 quadras de comprimento... com acomodações para uma tripulação de 860 pessoas e capacidade para 3.500 passageiros, ele foi construído com o mesmo cuidado dedicado aos melhores cronômetros”. A ostentação e o tamanho recorde do Titanic impressionaram a era dourada da construção naval. Seus motores de 50.000 HP que produziam a velocidade de 24 nós por hora eram protegidos por dezesseis compartimentos estanques. Cada um era protegido por estruturas de aço. Na época do seu lançamento, o Titanic era o maior objeto móvel manufaturado do mundo. Depois de fazer as duas primeiras paradas para passageiros e correio em Cherbourg e Queenstown, Irlanda, os passageiros se sentiram ainda mais seguros. Harper escreveu numa carta para seu amigo Charles Livingstone antes de atracar em Queenstown, dizendo: “Até agora a viagem é tudo que se pode desejar.” Às 11:40 da noite de 14 de abril de 1912, um iceberg rasgou o lado estibordo do navio, jogando gelo por todo o convés e arrebentando seis compartimentos estanques. O mar se infiltrou. A maioria dos passageiros não acreditava que o Titanic afundaria até que a tripulação começou a lançar foguetes de sinalização para o alto. Charles Pellegrino disse: “A água brilhou por todos os lados. Barcos salva-vidas podiam ser vistos nela... Naquele enorme facho de luz artificial, as mentes também


Morrer com Honra • 17 foram iluminadas. Todos entenderam a mensagem dos foguetes por si próprios”. Depois dos foguetes, ninguém precisava ser convencido a entrar nos barcos salva-vidas. De repente, quando a água alcançou a metade da ponte de comando, um estrondo que parecia um milhão de pratos quebrando, cortou a noite. Enquanto a popa do Titanic subia alto no céu para se preparar para seu mergulho ao fundo do mar, um barulho terrível como uma explosão abalou o ar da noite. Passageiros davamse as mãos e se jogavam na água. Às 2:20 da manhã o Titanic começou sua descida lenta para o fundo do mar, deixando uma nuvem emergente de fumaça e vapor acima do seu túmulo. Nas águas geladas do Atlântico Norte, na calada da noite, o navio mais famoso do mundo terminou sua primeira e última viagem, mas alcançou uma mística náutica que só perde para a da arca de Noé. Tudo aconteceu tão rápido, que Harper só pôde reagir. Sua reação deixou um exemplo histórico de coragem e de fé. “Os heróis da humanidade”, disse A. P. Stanley, “são como as montanhas, como os planaltos do mundo moral”. John Harper foi um desses heróis.

A Parte Mais Difícil do Seu Heroísmo Nunca é fácil assumir tais ações heróicas, e para John Harper foi excepcionalmente difícil. Sua filha pequena, Nana, estava viajando com ele. Quatro anos antes, a mãe dela adoeceu e morreu. Agora, Harper sabia, Nana ficaria órfã aos seis anos de idade. Quando o alarme indicou o fim do Titanic, Harper imediatamente entregou Nana a um capitão do convés com ordens para colocá-la num barco salva-vidas. Então ele saiu para socorrer os outros. Nana foi resgatada


18 • O Último Herói do Titanic e mandada de volta à Escócia, onde cresceu, casou-se com um pastor, e dedicou toda a sua vida ao Senhor a quem seu pai tinha servido. Certa vez, depois de Harper escapar por pouco de se afogar aos 26 anos, ele disse: “O medo da morte não me preocupou em momento algum. Eu acreditava que a morte súbita seria glória súbita, mas havia uma menininha sem mãe em Glasgow”. Agora, essa menininha ficaria sem mãe e sem pai. Com certeza essa foi a parte mais difícil para Harper.

O Herói em Contraste O heroísmo altruísta desse escocês é acentuado pela conduta contrastante de muitos colegas passageiros nessa viagem mortal. Enquanto Harper entregava seu colete salva-vidas, um banqueiro americano conseguiu colocar um cachorro de estimação num barco salva-vidas, deixando 1.522 pessoas sem ajuda. Não havia um espírito de “afundar com o navio”. Dos 712 salvos, 189 eram, inclusive, homens da tripulação. O coronel John Jacob Astor tentou escapar com sua mulher num barco salva-vidas e foi detido pelo segundo-oficial Charles Lightoller. Astor era o homem mais rico do mundo, mas isso foi insuficiente para forçar a sua entrada num simples barquinho salva-vidas. Daniel Buckley se disfarçou de mulher na tentativa de conseguir um lugar no barco. Os passageiros da primeira classe, no primeiro barco salva-vidas a ser baixado, se recusaram a voltar e recolher pessoas que estavam se afogando, apesar de haver espaço para muitos outros serem salvos. A Sra. Rosa Abbott, a única mulher a afundar com o navio e sobreviver, disse que um homem


Morrer com Honra • 19 tentou subir nas suas costas forçando-a para baixo da água e quase afogando-a. O Sr. Bruce Ismay, um dos donos do Titanic, diretor administrativo da Companhia White Star e o responsável por não haver barcos salva-vidas [suficientes] a bordo, tornou-se o marinheiro mais infame desde o Capitão Bligh. Ele subiu num barco salva-vidas enquanto centenas de mulheres permaneceram no navio condenado. O Capitão Smith ordenou a seus homens: “Façam o melhor que puderem para as mulheres e crianças, e cada um cuide de si”. Ao mesmo tempo, John Harper mandava os homens fazerem o que podiam para as mulheres e crianças e cuidarem dos outros.

Uma Ambição Inabalável Quando o monstruoso iceberg partiu as ambições dos outros em pedaços, Harper demonstrou sua ambição inabalável que nem a morte podia afetar. Ele declarou Jesus Cristo como a esperança do homem até o fim, ao contrário de outros que foram forçados a encarar a insensatez de suas ambições. Um certo Sr. Hoffman raptou seus filhos, Lolo e Momon, que ficaram conhecidos como as “crianças abandonadas do Titanic”. Seu único desejo fora tirar suas crianças de perto da mãe. Mas, diante da morte, ele as colocou num barco salva-vidas, certificando-se de que elas voltariam para a mãe delas em Nice, França. John Phillips, um tripulante presunçoso, mandou o navio The Californian “calar a boca” depois que este enviou pelo rádio o sexto aviso de icebergs no trajeto do Titanic. Ao encarar a morte, sua presunção desapareceu e ele clamou: “Deus me perdoe... Deus me


20 • O Último Herói do Titanic perdoe”. O pai de Michel e Edmond Navratil levou seus dois meninos a bordo do Titanic numa viagem sem volta para a América a fim de escapar para sempre da esposa, que ele tinha pego tendo um caso com um oficial de cavalaria italiano. Abandonando sua ambição, Navratil colocou seus meninos num barco salva-vidas. Suas últimas palavras foram: “Digam à sua mãe que serei sempre dela”. O projetista do Titanic passou os momentos finais da sua vida no salão de fumar, observando um painel na parede que dizia: “O Novo Mundo Por Vir”. Seu colete salva-vidas foi deixado de lado, demonstrando o fim do que fora um belo sonho por parte dele, dos donos do navio e do público. A Sra. Isador Straus, cujo marido era dono da Loja de Departamentos Macy’s, não entrou num barco salvavidas. Ela disse ao seu marido: “Onde você for, eu vou”; ajudou sua criada a entrar no barco número oito e colocou seu casaco de pele nos seus ombros, dizendolhe: “Mantenha-se aquecida. Eu não vou precisar dele”. Benjamin Guggenheim e seu criado Victo Giglio apareceram no convés em trajes de gala como dois comediantes orgulhosos, dizendo: “Nos vestimos com o melhor e estamos preparados para afundar como cavalheiros”. Jogadores de cartas trapaceiros, que viajavam com identidades falsas e tinham roubado $30.000 dos passageiros, pararam com suas trapaças. O instrutor T. W. McCawley, que estava ensinando pessoas a montar em cavalos e camelos mecânicos, interrompeu suas aulas. O fascínio das camas luxuosas, lareiras, banhos turcos com câmaras refrigeradas douradas e da primeira piscina construída num transatlântico terminou. Passageiros


Morrer com Honra • 21 no salão da primeira classe cessaram as suas festas e desfilaram no convés com coletes salva-vidas sobre os trajes de gala. As reuniões de negócios pararam. O falatório das socialites cessou. Mas, com o seu último suspiro, John Harper, sem desanimar, continuou o trabalho da sua vida: convencer homens a “crer no Senhor Jesus Cristo”.

Harper Conhecia Bem os Terrores do Afogamento A coragem de Harper não vinha da ignorância. Provavelmente ninguém no Titanic conhecia tão bem os terrores do afogamento como John Harper. Aos dois anos de idade ele caiu num poço e foi ressuscitado a tempo por sua mãe. Aos vinte e seis anos, Harper foi levado a alto mar por um correnteza e sobreviveu por pouco. Aos trinta e dois anos ele encarou a morte num navio com vazamento no Mediterrâneo. Talvez essa fosse a maneira de Deus testar esse servo para a sua missão de último aviso no Titanic. Harper já sabia o que centenas de pessoas descobriram naquela noite trágica – afogamento é uma morte terrível. Will Murdoch, o primeiro-oficial do Titanic, foi incapaz de enfrentar uma morte lenta na água e se matou com um tiro quando a ponte de comando afundou. Muitos dos 1.522 homens, mulheres e crianças abandonados a bordo gritaram até ficar num silêncio terrível. Em contraste, um John Harper confiante encarou a morte com segurança absoluta de que Jesus derrotou a morte e deu-lhe a dádiva da vida eterna. Essa segurança ultrapassou os terrores do afogamento.


22 • O Último Herói do Titanic

A Paixão de Toda a Sua Vida O heroísmo de Harper não foi apenas um momento glorioso de uma vida sem atos heróicos. Ele amou, chorou, orou e trabalhou pelos outros durante toda a sua vida. Harper recuperou alcoólatras, jogadores, e brigões. Como pastor, às vezes, passava a noite inteira na sua igreja orando pelas suas centenas de membros individualmente. Harper trabalhava dia e noite, nos lares e nas ruas, indicando uma vida melhor para os desamparados. Ele trabalhava sem cessar entre os pobres, procurando ajudá-los. A labuta fatigante de Harper era realizada apesar de sua má saúde. No verão de 1905, a enfermidade o incapacitou por seis meses, acabou com sua saúde e roubou sua bela e ressonante voz. Seu corpo nunca mais foi o mesmo, restando apenas um esqueleto do homem que fora. A pele pálida, o corpo frágil e as enfermidades constantes de Harper eram as marcas de alguém que se recusava a parar para descansar. Porém, apesar da má saúde e do corpo cansado, Harper era sagaz e alegre. Esse servo dedicado era conhecido por ser “glorificado na sua fraqueza”. Na noite anterior ao naufrágio do Titanic, enquanto os outros jogavam e descansavam, John Harper foi visto no convés do navio tentando com todo zelo levar um rapaz a crer em Cristo.

Harper Teve uma Oportunidade de Escapar do Titanic Os atos heróicos de John Harper no Titanic assumem uma dimensão maior quando se considera sua oportunidade de ter evitado o desventurado navio. A princípio estava marcado que Harper iria no navio Lusitania para


Morrer com Honra • 23 pregar na Igreja Memorial Moody em Chicago. Ao invés disso, ele se levantou e informou aos homens da Missão Seaman’s Center em Glasgow que os planos foram mudados e ele partiria no Titanic para a Igreja Memorial Moody de Chicago. Em 1911, ele havia tido as melhores conferências desde os dias do grande D. L. Moody, e a igreja o convidou novamente para três meses de reuniões. O Sr. Robert English levantou-se numa reunião no Seaman’s Center e suplicou que Harper não viajasse para Chicago. English disse a Harper que estava orando e teve um pressentimento de que aconteceria um desastre se ele fizesse essa viagem. Ele se ofereceu para pagar a passagem se Harper adiasse a sua viagem. Vários outros testemunharam o fato de que English insistiu com Harper, inclusive Willie Burns, que estava presente na reunião em Glasgow, e as duas netas de English, Mary Whitelaw e Georgina Smith, ambas membros da Igreja Memorial Harper. As palavras de English foram muito semelhantes às palavras ditas ao apóstolo Paulo por um profeta chamado Ágabo 1.900 anos antes. Ágabo atou suas mãos e seus pés, dizendo: “Assim os judeus, em Jerusalém, farão ao dono deste cinto e o entregarão nas mãos dos gentios”. A recusa de Harper de voltar atrás foi muito parecida com a reação de Paulo: “Que fazeis chorando e quebrantando-me o coração? Pois estou pronto não só para ser preso, mas até para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus” (Atos 21.10-13). Ambos, Paulo e Harper, tinham um senso de propósito divino com relação às suas viagens, e ambos estavam dispostos a morrer para realizar esse propósito.


24 • O Último Herói do Titanic As advertências proféticas dadas a esses dois homens de Deus indicam que o Senhor aprovou seu sacrifício. A advertência de Ágabo deu um senso de propósito divino a Paulo quando ele viajou a Jerusalém onde pregaria o Evangelho, seria preso e condenado à morte. A advertência do Sr. English deu a Harper o mesmo senso de propósito divino quando ele se tornou a testemunha final num navio da morte.

No Final só Havia Duas Classes de Passageiros Depois que o Titanic afundou, o escritório da White Star em Liverpool, Inglaterra, colocou um grande painel de cada lado da entrada principal. Em um deles escreveram com letras grandes: “Identificados como Salvos”, e no outro: “Identificados como Desaparecidos”. Quando a viagem do Titanic começou havia três classes de passageiros. Mas, quando ela terminou o número foi reduzido a duas – os que foram “salvos” pelos barcos salva-vidas e os que ficaram “perdidos” nas águas profundas. Parentes e amigos dos passageiros do navio esperavam do lado de fora do escritório da White Star. Quando notícias sobre um passageiro chegavam, seu nome era escrito num pedaço de papelão. Então um empregado levava o nome até o portão. De frente para a multidão ele levantava o papelão; a multidão ficava num silêncio mortal. Todos observavam ansiosamente para ver em qual dos painéis o nome seria colocado. John Harper mergulhou na morte com desprendimento total, sabendo que estaria entre os passageiros perdidos. Mas ele tinha certeza absoluta de que seu nome es-


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26 • O Último Herói do Titanic taria na lista dos “salvos” diante do trono de Deus. Lorde Mercer expressou assim a atitude de Harper com relação à morte: “Numa única noite, entre o anoitecer e o amanhecer, durante algumas poucas horas de inconsciência de muitos que dormiam tranqüilamente, partiram desta terra centenas de vidas, algumas ricas em promessas e futuros aparentemente felizes, levando com elas todas as esperanças de outras pessoas. Mas a constância e a coragem cristãs, a renúncia absoluta e o heroísmo inabalável com que tantos encararam seu fim, nos ajudam a perceber que a morte não é o fim de todas as coisas e que esta vida é apenas a entrada para a vida verdadeira, que ela é apenas o portal da eternidade”.

O Último Convertido de John Harper Duas horas e quarenta minutos depois do Titanic colidir com o iceberg, ele afundou nas águas geladas. Centenas se ajuntaram em barcos e botes salva-vidas, e outros se agarraram a pedaços de madeira esperando sobreviver até que chegasse socorro. Durante cinqüenta minutos horríveis os gritos de socorro encheram a noite. Eva Hart disse: “O som das pessoas se afogando é algo que não posso descrever para você. E ninguém mais pode. É um som horrível. E há um silêncio terrível que o segue”. O sobrevivente coronel Archibald Gracie chamou isso de “a cena mais lastimável e horrível de todas. Os gritos comoventes dos que estavam à nossa volta ainda soam nos meus ouvidos, e eu me lembrarei deles para o resto da minha vida”. Durante aqueles 50 minutos, um homem agarrado a uma tábua chegou perto de John Harper. Harper, que estava se debatendo na água, gritou: “Você é salvo?” A


Morrer com Honra • 27 resposta foi: “Não”. Harper gritou as palavras da Bíblia: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo”. Antes de responder, o homem sumiu na escuridão. Mais tarde, a correnteza os aproximou novamente. Mais uma vez Harper, que estava morrendo, gritou a pergunta: “Você é salvo?” Mais uma vez ele recebeu a resposta: “Não”. Harper repetiu as palavras de Atos 16.31: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo”. Harper, que estava se afogando, soltou, então, as mãos do objeto em que se segurava na água gelada e desceu para seu túmulo no oceano. O homem que ele tentou evangelizar confiou em Jesus Cristo. Mais tarde ele foi socorrido pelos barcos salva-vidas do navio S.S. Carpathia. Em Hamilton, Ontario, este sobrevivente testemunhou que foi o “último convertido” de John Harper. O último convertido de Harper foi alcançado pelas últimas palavras de Harper: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo”. Houve muitos heróis no Titanic, mas ajudando os outros enquanto se afogava, John Harper foi o último.


A pequena Nana

Uma coisa ele fazia, e a fez até o fim – ele se esforçou para trazer os homens do pecado até Deus.


2 A Formação de um Herói John Climie az cerca de vinte anos, talvez um pouco mais, que conhecemos o Sr. Harper pela primeira vez. Nossa lembrança mais antiga dele era dos seus trabalhos no Evangelho em Bridge-of-Weir. Na época ele só parecia um rapaz crescido. Mas naquele tempo, como durante toda a sua carreira pública, a chama do Senhor ardia intensamente no seu coração.

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A Conversão de John Harper Ele nasceu em Houston, Renfrewshire, no dia 29 de maio de 1872, e foi no último domingo de março de 1886, quando tinha treze anos e dez meses de idade, que aceitou Jesus. Ele nunca foi um rapaz de confusão. Sua juventude desde a pré-adolescência foi moldada e protegida por sua fé no Senhor Jesus Cristo. O amor de Deus foi derramado no seu coração, e permeou sua vida com-


30 • O Último Herói do Titanic pletamente, formando seus pensamentos, induzindo à ação no momento certo, e preservando-o do mal que está neste mundo. Foi através de João 3.16: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”, que o caminho da salvação ficou claro no seu coração e na sua mente. Esse tem sido o meio de iluminar multidões. Foi o que o iluminou, e o libertou do medo. “O perfeito amor lança fora o medo”. Ele recebeu a verdade por amá-la, e a verdade o libertou. Nas palavras esclarecedoras daquele texto, ele viu Jesus como a dádiva de Deus oferecida ao mundo inteiro, e, portanto, para ele como habitante deste mundo. Ele recebeu essa dádiva com ações de graça, e uma nova vida começou. Aqueles que dirigiam o culto em que ele aceitou o Salvador foram abençoados com muitas conversões, mas convertidos como John Harper são raros. Às vezes há grande júbilo e muitos aleluias quando um pecador notório se converte, mas, infelizmente, muitas vezes a alegria dura pouco. Algumas pessoas por quem houve muito regozijo, mais tarde provaram ser pouco confiáveis. Não se sabe se houve alegria especial quando o menino do interior aceitou Jesus naquela noite, mas depois que recebeu a Palavra, ele a guardou num coração sincero, e mais adiante deu frutos com paciência. A palavra de João 15.16 poderia se referir a ele: “eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça”. Não é necessário que os homens tenham se afundado no pecado para terem utilidade especial para Cristo depois que a graça redentora de Deus os tenha alcançado. No exercício do seu ministério público, o Sr. Harper ja-


A Formação de um Herói • 31 mais se afastou de Deus caindo profundamente em pecado. Contudo, ele foi o instrumento de Deus para levar ao Salvador muitos que estavam totalmente extraviados. Desde o começo ele foi claramente, pela vontade de Deus, “um vaso para honra, santificado, e adequado para o uso do Mestre”. É para o louvor do Senhor que Deus pode e consegue mudar as vidas de homens degradados e infames, dando-lhes um lugar de honra e distinção na Sua obra. Mas as ações malignas deles antes da conversão, às vezes, são uma armadilha para eles depois da conversão, ao invés de um auxílio no serviço para Cristo. Uma vida pura antes da conversão é um recurso valioso.

A Herança de Pais Tementes a Deus John Harper nasceu e foi criado num lar cristão, como será relatado mais tarde neste livro. Seus pais, pobres neste mundo, eram herdeiros do Reino que Deus prometeu aos que O amam. Quanto mais lares cristãos, melhor, não só para a igreja, mas para a nação também. Ser criado no cuidado e conselho do Senhor, num ambiente de oração e de reverência à Palavra de Deus, é ser selado na juventude com marcas que são de grande valor, apesar de ocasionalmente os resultados esperados demorarem a aparecer. Ser criado no temor de Deus é uma herança de valor inestimável. Apesar de ter sido num domingo à noite em março de 1886 que o menino de quase quatorze anos aceitou a Cristo, havia todas as marcas dos anos anteriores guardadas na sua mente jovem. Não foi em vão que ele ouviu durante esses anos marcantes as orações e súplicas de seu pai e a exposição da Palavra de Deus na-


32 • O Último Herói do Titanic quele lar simples. A lenha foi colocada na lareira do seu coração, e eis que naquela noite de domingo uma fagulha de amor divino caiu sobre ela, e a chama se acendeu.

Uma Experiência Marcante na Vida de Harper Durante os quatro anos que se seguiram não houve nada de especial sobre ele, pelo menos nada que previsse a grande utilidade que marcaria sua vida futura. Ele ia freqüentemente às reuniões bíblicas que eram realizadas com entusiasmo por alguns jovens da vila, com a ajuda de pastores de outros lugares. Ele ficou livre de amizades comprometedoras, e firmou-se na fé moderadamente e sem ostentação. Mas depois de quatro anos e quatro meses, quando tinha acabado de fazer dezoito anos de idade, ele passou por uma experiência maior. O crescimento é uma lei do Reino de Deus. Às vezes é bem devagar e quase imperceptível. Outras vezes é espantosamente rápido. Alguns homens crescem mais numa hora de temor perante as coisas de Deus do que outros que levam anos para crescerem. Seja qual for a nova experiência, é sem dúvida o Espírito de Deus agindo para o crescimento em graça, levando a alma a um espaço mais extenso, ampliando o horizonte, clareando a visão, implantando ideais mais nobres.

Uma Visão de Esperança Foi no ano de 1890 que John Harper teve a conscientização que o selou para o ministério público. Ele estava em casa sozinho num sábado à tarde no mês de junho.


A Formação de um Herói • 33 Ao redor da sua casa na vila, a natureza estava exuberante. Junho é o rei dos meses de verão na Escócia. As flores desabrochavam. Os pássaros cantavam. O sol brilhava. Mas enquanto outros jovens deviam estar passeando nos campos verdes ou pelos riachos, dentro daquela casa na vila o Espírito de Deus levava um jovem a pastos verdejantes e águas de descanso. Uma clareza arrebatadora foi dada a ele, quase devastadora na sua intensidade, na qual ele viu e sentiu como nunca havia sentido antes o propósito de Deus na Cruz de Cristo. No amor de Cristo pelos homens como visto no Calvário ele admirou, de forma mais completa, uma porta de esperança aberta para um mundo pecador, e juntamente com essa revelação nova ele sentiu que Deus o chamava, e entregava-lhe uma parte no ministério de reconciliação. No dia seguinte seus lábios estavam abertos. Assumindo sua posição na rua da sua cidade natal, ele começou a compartilhar um apelo fervoroso para que os homens se reconciliassem com Deus.

Um Pastor Sem Curso Teológico Toda instrução que ele recebeu foi obtida no colégio na sua cidade natal, e como muitos outros rapazes ele não se entusiasmava com a escola. Ele estava ansioso por trabalhar, pensando como outros da sua idade que o trabalho é sinal de maturidade. Além disso, tudo que podia ganhar era necessário em casa. Logo que pôde sair da escola, suas mãos estavam ocupadas com o trabalho. Ele trabalhou com jardinagem por um tempo, mas estava empregado numa fábrica de papel quando teve a maravilhosa experiência e o chamado para o ministério.


34 • O Último Herói do Titanic Nenhuma universidade jamais teve a oportunidade de moldá-lo. Ele foi treinado pela mão de Deus para o ministério, não tendo freqüentado curso teológico formal. Talvez isso tenha diminuído seu “status” aos olhos de alguns, mas não diminuiu seu zelo pelo bem-estar moral e espiritual do seu próximo. E, afinal, não é o que o homem adquire com a escolaridade, mas o que o homem realiza que tem valor entre homens justos.

A Palavra de Deus era Sua Doutrina Ele tinha uma mente organizada, o que ficou mais evidente com o passar do tempo, e era um estudante dedicado de obras teológicas. Quando jovem, absorveu muito da doutrina calvinista, mas do tipo muito rígido e restrito. Porém, à medida em que cresceu em graça e conhecimento, sua mente se expandiu, e não teve dificuldade em crer em qualquer verdade ou sistema de doutrina que tivesse base bíblica. Ele adotou e seguiu a Soberania Divina e o Livre Arbítrio como esses termos são entendidos popularmente, acreditando que eram baseados na Palavra de Deus. Dizia não saber explicar como eles co-existem, e não discutia sobre esses termos, reconhecendo, como os homens mais sábios e dedicados de todas as gerações, que eles são assuntos de fé e não de debate. Ele era um estudante zeloso da Bíblia. Lia a Escritura Sagrada. Meditava nela. Usava qualquer comentário que pudesse esclarecê-la, ou que o ajudaria a aprender com ela. Submeteu-se à sua autoridade. Interpretou-a. Poucos podiam usá-la melhor que ele “para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”. Aceitava qualquer forma de doutrina en-


A Formação de um Herói • 35 contrada nela. Fazia isso com persistência. Apegava-se a toda instrução que ela lhe dava. Ele a amava como à sua própria vida. Toda doutrina que não se encontrava nas Escrituras Sagradas, não importava quão bem apresentada, nem por quem fosse proclamada, não era aceita por ele. “Assim diz o Senhor” era o seu lema. Ele se firmava na rocha da revelação. As teorias dos homens eram areia para ele. A Palavra de Deus era rocha. Sempre provava seu valor, e não se envergonhava de declarar sua fé nela. Sempre citava textos de forma impressionante, e os homens lembrariam do texto sobre o qual tinha pregado mesmo que não se lembrassem de mais nada. Um homem de negócios em Glasgow lembra-se de vê-lo num salão em Kilbarchan há cerca de vinte anos atrás citando 1 João 1.7: “E o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado”. As palavras “todo pecado” foram repetidas por ele três vezes, cada vez com maior ênfase. “Há algo nisso, rapaz”, o senhor disse para si mesmo. Certamente havia, e no tempo determinado esse “algo” foi visto.

Qualquer Esquina Era Seu Púlpito Quando Deus precisa de um homem para o Seu serviço Ele sabe onde procurá-lo. Ele observa o campo. Ele vê a necessidade. Ele escolhe o homem. Ele chamou Eliseu do arado, Amós do rebanho, Pedro do barco de pesca nas margens do Mar da Galiléia, e John Harper da indústria de papel. E quando Deus coloca um homem num cargo, ninguém pode “demiti-lo”. Um lugar será encontrado para ele quando o dom e o chamado de Deus se manifestarem, e se não houver lugar para ele na


36 • O Último Herói do Titanic igreja até que seja provado, testado e confirmado, Deus encontrará para ele um local de serviço para manifestar Seu chamado divino. No serviço de Deus os cooperadores são sempre necessários, homens que estejam dispostos a trabalhar e sofrer, gastar e serem gastos, suportar repreensão e passar por dificuldades como bons soldados de Jesus Cristo. John Harper era um cooperador – um cooperador de Deus (1 Coríntios 3.9), um homem que se dedicava de coração, alma, força e mente a todo serviço que prestava. No início da sua carreira não sonhava com o púlpito da igreja. Se visse uma esquina vazia, seja qual fosse o lugar, ele a enchia de ouvintes. Esse era o seu púlpito, e fazia proveito dele. Por toda a região onde vivia, depois de receber o revestimento especial de poder do alto, saiu pregando a história da graça redentora. Bridge-ofWeir, Kilbarchan, Elderslie, Johnstone, Linwood, e outros lugares o encontravam à noite depois do dia de trabalho terminar, proclamando com esperança vigorosa a história do amor de Deus aos homens. Seu coração estava incandescente. Uma coisa ele fazia então, e a fez até o fim – ele se esforçava para trazer homens do pecado para Deus. Essa é uma obra que deve continuar, “a história deve ser proclamada.” Os que estão afastados do Senhor devem ser encontrados, avisados, convidados, e convencidos a abandonar o pecado e seguir a Cristo. Se um dos servos de Deus é levado, alguém deve estar atento ao chamado divino para se apresentar e preencher o espaço vazio. Não para servir necessariamente na mesma área, mas para manter o testemunho vivo. O número de testemunhas não deve diminuir. Hoje o mundo precisa do Evangelho tanto quanto antes. O co-


A Formação de um Herói • 37 ração de Deus bate tão forte quanto antes. O sangue de Jesus é tão eficaz quanto antes. O Espírito de Deus está tão presente quanto antes, mas infelizmente deve estar tão entristecido que o Seu poder é menos evidente do que deveria ser. Haverá trabalho enquanto é dia. Este é o dia da salvação. A noite vem, em que nenhum homem poderá trabalhar.

“É Maravilhoso Ser Enviado de Deus” Depois de cinco ou seis anos de dedicação, serviço evangelístico constante, esforço na fábrica durante o dia e à noite nos distritos rurais em redor convidando homens a se prepararem para o encontro com Deus, o reverendo E. A. Carter da Missão Pioneira Batista de Londres “descobriu” o jovem pregador e o liberou para dedicar todo o seu tempo e toda a sua energia à obra que tanto amava. Com o patrocínio da Missão, uma obra batista foi iniciada em Govan, um dos subúrbios de Glasgow, onde havia bastante espaço para um trabalho ativo. Durante algum tempo, cultos evangelísticos foram realizados, depois uma igreja foi formada. O culto de inauguração foi dirigido pelo pastor J. B. Frame, e no dia seguinte um sermão foi pregado pelo Reitor MacGregor da Faculdade Dunoon sobre as palavras: “Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João” (João 1.6). A passagem deve ter provocado sorrisos, mas era muito adequada à ocasião. Naquele salão estava um homem que sem dúvida alguma, como resultados futuros provaram, foi enviado por Deus, e seu nome era João (John). É maravilhoso ser enviado de Deus. As referências que tinha consigo eram os sinais


38 • O Último Herói do Titanic de que Deus já o moldara. Ele não tinha outras. Mas essas eram suficientes para incentivar a certeza de que Deus o enviara. Apesar de jovem na idade, ele já tinha um histórico confiável. O selo de Deus foi colocado na sua obra nos diversos lugares onde ele deu um bom testemunho, e agora em meio a uma multidão acreditava-se que seria mais útil do que nunca. Essas esperanças não foram desmentidas. Quando Deus envia um homem Ele proporciona toda a graça necessária. Ele não deixa nada de bom faltar para aqueles que andam corretamente no caminho da obra à qual Ele os chama. Homens enviados por Deus com uma mensagem do Evangelho são guardiões de um poder que converte pecadores do erro dos seus caminhos. Mas se os homens saem antes de Deus enviá-los, tais resultados não aparecem. Na época de Jeremias, Deus reclamou através dele daqueles que “falam as visões do seu coração, não o que vem da boca do Senhor” (Jeremias 23.16). Sobre eles disse: “Não mandei esses profetas; todavia, eles foram correndo, não lhes falei a eles, contudo, profetizaram. Mas, se tivessem estado no meu conselho, então, teriam feito ouvir as minhas palavras ao meu povo e o teriam feito voltar do seu mau caminho e da maldade das suas ações” (Jeremias 23.21-22). Essa é uma descrição dos homens que não são enviados. Eles não estão no conselho de Deus. Não afastam as pessoas dos seus maus caminhos, e das suas ações malignas. Um homem enviado por Deus proclamará a Palavra de Deus. Não declarará uma visão do seu próprio coração. O resultado será que os homens abandonarão seus caminhos maus, e se prostrarão em arrependimento e


A Formação de um Herói • 39 adoração aos pés dEle, que foi crucificado, mas que agora é o Salvador glorificado. Sob John Harper os homens abandonaram seus caminhos maus e suas obras más. Eles renegaram a impureza e seguiram a santidade sem a qual ninguém verá o Senhor. Poderia parecer um evento sem importância para alguns a consagração daquele jovem para o ministério de Deus naquele dia. Mas centenas e centenas de pessoas têm razão para agradecer a Deus por terem visto sua face, ou ouvido sua voz. Durante cerca de dezoito meses ele se esforçou sem cessar em Govan, trabalhando, orando, pregando, convidando, tocando os corações e as vidas de alguns com seus apelos sinceros, e reunindo à sua volta um pequeno grupo de homens e mulheres que viram nele as marcas de um homem enviado por Deus.

“Pregando Tudo o que Tinha Direito” No início do seu trabalho em Govan um dos membros de um conjunto evangelístico foi enviado como representante da cidade para falar num culto missionário em Govan. Quando chegou no cruzamento de Govan, ele viu um jovem de pé “pregando tudo o que tinha direito”. “Quem é?”, perguntou a um homem que estava com ele. “Esse é o pastor da Missão Batista”, foi a resposta. A impressão que ficou naquela noite, reforçada mais tarde com conhecimento maior do jovem que estava “pregando tudo o que tinha direito”, segundo ele, levou-o a participar da igreja quando ela foi formada, e fez dele um dos amigos mais leais do Sr. Harper. Depois de um ano e meio de trabalho em Govan, Harper mudou-se para Gordon Halls, na rua Paisley.


40 • O Último Herói do Titanic Neste lugar, no dia 5 de setembro de 1897, formou-se uma igreja com 25 membros, alguns dos quais vieram com ele de Govan. A igreja foi chamada de Igreja Batista de Paisley Road, o nome que ainda tem. Mas foi sugerido que deveria chamar-se Igreja Memorial Harper (e agora ela é conhecida assim). Homens e mulheres de todas as idades juntaram-se ao jovem pastor, e sob a sua liderança, a obra foi feita sem formalidades. Em todos os cultos na igreja faziase o máximo para ganhar homens para Cristo. Do lado de fora, eram feitas pregações nas esquinas, nos portões de prédios públicos durante as refeições, e sempre que houvesse alguém para ouvir. A rede era lançada para todos os lados. O zelo e o entusiasmo dos obreiros pareciam ilimitados. Almas foram ganhas, a causa prosperava, o número de membros aumentava. A fé que age pelo amor e é radiante de esperança, animou os obreiros, e os levou de vitória em vitória sobre as forças da incredulidade. Depois de quatro anos em Gordon Halls, um terreno foi adquirido no distrito de Plantation, e um galpão de ferro, com capacidade para quinhentas ou seiscentas pessoas, foi erguido. A obra foi transferida, tendo esse local como centro, e do lado de dentro foram vistas maravilhas do poder redentor de Deus. Uma fonte contínua de misericórdia para perdoar jorrava nos cultos, e há seis anos atrás o prédio teve que ser ampliado para dar espaço para as exigências crescentes da obra. Ele fica no meio de uma população densa de trabalhadores. Ninguém, por mais próximo da obra realizada jamais poderá saber completamente quanto bem foi realizado pelo ministério de John Harper.


A Formação de um Herói • 41

“Aquele Homem, o Sr. Harper, Estava Pregando na Esquina, e Eu Aceitei Jesus” O superintendente de um grande salão evangelístico em Glasgow estava visitando há algum tempo atrás um homem idoso em High Street, a duas milhas de distância da Igreja de Paisley Road. Perguntaram ao homem, que tinha 80 anos, se ele confiava em Jesus. Imediatamente ele respondeu que sim. Quando perguntaram há quanto tempo ele confiava no Salvador, ele disse: “Nove anos”. “Quantos anos você tinha, então?” “Tinha acabado de fazer 70 anos”. “E como isso aconteceu?” “Bem, eu estava passando em Plantation, e aquele homem, o Sr. Harper, estava pregando na esquina, e eu aceitei Jesus ali mesmo”. Dentro e nos arredores do distrito onde a igreja se situava, muitas casas foram abençoadas, iluminadas, transformadas, pela pregação do servo do Senhor, cujo fim tantos lamentam. A igreja que foi formada com 25 membros tinha quase 500 membros quando, depois de 13 anos de trabalho, ele foi, em setembro de 1910, assumir os deveres do pastorado na Igreja de Walworth Road em Londres. O culto de despedida foi inesquecível. O galpão de ferro, que tinha lugar para 900 pessoas, fora muito pequeno para acomodar todos os que queriam assistir ao culto, e o espaço de uma grande igreja na vizinhança foi graciosamente cedido para a ocasião. Ela ficou lotada.

Uma Dedicação Intensa Ele sempre foi um pregador fervoroso. Nunca foi superficial. Nunca foi um mero falador. Ele sempre foi um homem que fixava seu olhar na necessidade de al-


42 • O Último Herói do Titanic mas preciosas. Mas durante os últimos anos do seu ministério em Glasgow, a sua pregação parecia alcançar um novo patamar. Havia uma dedicação intensa que crescia com o passar dos anos. Seu poder de pregação certas vezes tinha algo extraordinário. Não era simplesmente quando fazia o apelo para os incrédulos se reconciliarem com Deus, mas também quando exortava os filhos de Deus a coisas maiores. Sem dúvida, como aqueles dentre nós que o conheciam podem testemunhar, o desejo fervoroso e impetuoso que se expressava nas suas pregações públicas brotava das horas prolongadas de oração a que ele se dedicava. Ele era antes de mais nada um homem de oração. Quase um mês antes da sua morte, quando estava em Glasgow para uma visita, ele passou meia hora tomando chá com alguns de nós, e a última palavra que lembramos ter dito foi que a necessidade de hoje era uma vida de oração mais intensa. Seu breve ministério em Walworth Road foi claramente abençoado por Deus. Melhoras foram feitas. O número de membros da igreja aumentou. Tudo parecia prometedor. Novos laços de interesse se formaram. Novas amizades foram feitas. Então veio o convite para dirigir cultos especiais na Igreja Moody em Chicago durante o inverno passado. Referências ao trabalho notável aparecem nas últimas páginas deste livro. Quando voltou para Londres em janeiro, não se achava que ele concordaria em fazer outra visita tão cedo como programou. Mas ele iria “no começo de abril”, nos disse duas semanas antes de partir. “Por que vai voltar já? Certamente não é para dirigir cultos especiais novamente?”... “Oh, não”, ele disse: “eu vou dirigir os cultos normais na Igreja Moody, e falar em conferências e outras reuniões em outros lugares”. Cheio de es-


A Formação de um Herói • 43 peranças ele embarcou no desventurado navio, e no caminho encontrou o seu fim. É isso que devemos dizer? Não é melhor dizermos que ele encontrou o seu Senhor no caminho? Naquela noite de domingo, apenas uma hora ou duas antes do Titanic colidir com o iceberg, ele olhou para o céu e vendo um brilho vermelho no oeste, disse: “Vai fazer um belo dia amanhã”. Sim, faria, mas a beleza que ele veria não era aquela à qual se referia quando disse essas palavras. Ele veria a beleza do Salvador. Depois de pouco tempo de casado, ele perdeu a sua esposa no começo de 1906. Sua filhinha, Nana, agora tem seis anos e alguns meses. A bênção do Senhor certamente estará sobre aquela menininha órfã. “Pai dos órfãos... é Deus em sua santa morada” (Salmo 68.5).


Pastor George Harper

O medo da morte não me preocupou por um só momento. Eu cria que morte súbita seria glória súbita. John Harper, depois de quase ter se afogado aos 32 anos.


3 Meu Irmão Como eu o Conhecia Pr. George Harper, Edinburgh

P

a­ra mim, o pas­tor John Har­per, que afun­dou com as ou­tras mil e qui­nhen­tas e vin­te uma pes­soas na ines­que­cí­vel ca­tás­tro­fe do Ti­ta­nic no dia 15 de abril de 1912, era meu ir­mão nos dois sen­ti­dos, na car­ne e no Se­nhor. Além dis­so, ele era meu úni­co ir­mão na car­ne. Fo­mos cria­dos jun­tos, nos pros­trá­va­mos jun­tos em fa­mí­lia, en­quan­to nos­so pai te­men­te a Deus “...san­to, pai, e ma­ri­do ora­va de joe­lhos dian­te do Rei eter­no dos céus”.

Quan­do pe­que­nos, dor­mía­mos jun­tos no mes­mo quar­to, ía­mos pa­ra a es­co­la jun­tos, pes­cá­va­mos jun­tos no pe­que­no ria­cho que pas­sa­va per­to da nos­sa ca­ba­na. Sen­tá­va­mos jun­tos na igre­ja da vi­la, e com ape­nas três me­ses de di­fe­ren­ça nos con­ver­te­mos na mes­ma épo­ca, e com o pas­sar dos anos man­ti­ve­mos nos­sas cren­ças e con­vic­ções em as­sun­tos es­pi­ri­tuais, com­par­ti­lhan­do nos­sas ale­grias e tris­te­zas de to­das as ma­nei­ras. A gran­


46 • O Último Herói do Titanic de co­lhei­ta de al­mas pre­cio­sas pa­ra o Rei­no do Se­nhor, que meu que­ri­do ir­mão tes­te­mu­nhou em Chi­ca­go no in­ ver­no pas­sa­do, me en­cheu de ale­gria. Cer­ta­men­te, pois, não me se­rá le­va­do a mal se eu ci­tar o tex­to: “An­gus­tia­ do es­tou por ti, meu ir­mão John, tu eras ama­bi­lís­si­ mo pa­ra co­mi­go! Ex­cep­cio­nal era o teu amor, ul­tra­ pas­san­do o amor de mu­lhe­res” (pa­la­vras de tris­te­za de Da­vi pe­la mor­te de Jô­na­tas, 2 Sa­muel 1.26).

Salvo de Afogamento aos Dois Anos de Idade A pri­mei­ra lem­bran­ça da mi­nha in­fân­cia es­tá as­so­cia­ da a um aci­den­te que acon­te­ceu com meu ir­mão. Es­tá­ va­mos brin­can­do per­to de um po­ço bas­tan­te fun­do em nos­so quin­tal, quan­do John tro­pe­çou e caiu no po­ço. Na épo­ca ele ti­nha dois anos e meio. O que eu po­de­ria fa­ zer? Só uma coi­sa, su­bir a es­ca­da e gri­tar: “Mãe, mãe”, com to­da mi­nha for­ça. Ma­mãe veio ao res­ga­te a tem­po de sal­var a vi­da de John. Eu lem­bro bem co­mo ela le­van­tou os pés de­le no ar, e co­mo a água saia de sua bo­ca. Con­fes­so que foi um mé­ to­do um tan­to pri­mi­ti­vo de rea­ni­ma­ção, mas foi o mé­to­ do de ma­mãe, e fun­cio­nou. Qua­se que John se afo­gou aos dois anos e meio de ida­de!

Salvo de Afogamento aos 26 Anos de Idade Vin­te e qua­tro anos de­pois es­tá­va­mos tra­ba­lhan­do jun­tos nu­ma mis­são es­pe­cial co­mo “Os Har­per Bro­ thers” (“Os Ir­mãos Har­per”). O dia es­ta­va bom, es­tá­va­ mos a al­gu­mas mi­lhas de Bar­row-in-Fur­ness, no li­to­ral. Sem con­si­de­rar a pos­si­bi­li­da­de de uma cor­ren­te­za for­te, en­tra­mos na água pa­ra na­dar. Eu sa­bia na­dar um pou­co,


Meu Irmão Como eu o Conhecia • 47 John não na­da­va na­da. Lo­go fi­ca­mos em apu­ros, e se não fos­se o Po­der de Deus que con­tro­la to­das as coi­sas, a his­tó­ria da vi­da do meu ir­mão e da mi­nha te­ria ter­mi­ na­do no mar na­que­la oca­sião. Quan­do es­tá­va­mos sãos e sal­vos, sen­ti­mos, mes­mo exaus­tos, a cer­te­za de que nos­ so Pai Ce­les­te nos ti­nha sal­vo pe­la Sua mi­se­ri­cór­dia, e jun­tos O lou­va­mos.

Salvo de Afogamento aos 32 Anos de Idade Seis anos de­pois, nu­ma via­gem pa­ra a Pa­les­ti­na, John jun­to com um ami­go, o Sr. Wylie de Glas­gow, es­ta­vam a bor­do de um na­vio no Me­di­ter­râ­neo que co­me­çou a fa­ zer água su­bi­ta­men­te. De­pois de ho­ras de sus­pen­se, quan­do fi­ca­ram fa­ce a fa­ce com a mor­te, fo­ram res­ga­ta­ dos. Meu ir­mão, nu­ma pa­les­tra mais tar­de, des­cre­veu de­ta­lha­da­men­te es­se in­ci­den­te. Ele dis­se: “O me­do da mor­te não me preo­cu­pou em mo­men­to al­gum. Eu acre­ di­ta­va que mor­te sú­bi­ta se­ria gló­ria sú­bi­ta, mas ha­via uma me­ni­ni­nha sem mãe em Glas­gow e eu pen­sei que de­ve­ria tê-la dei­xa­do sob a pro­te­ção do meu que­ri­do ir­ mão, Geor­ge, an­tes de par­tir”. Não é ne­ces­sá­rio di­zer que seu ir­mão te­ria acei­ta­do a res­pon­sa­bi­li­da­de sem he­ si­tar, quer obri­ga­do quer não; uma res­pon­sa­bi­li­da­de que ele con­si­de­ra­ria sa­gra­da. Des­se mo­do, em três oca­siões, que eu sai­ba, an­tes da úl­ti­ma no dia 15 de abril de 1912, meu ir­mão en­fren­tou fa­ce a fa­ce a mor­te nas águas.

“Um Aluno Dedicado” Nos­sos pais eram pes­soas sim­ples. Meu pai ti­nha um ne­gó­cio de te­ci­dos na vi­la de Hous­ton, que não ren­dia um sa­lá­rio mui­to bom, mas ape­sar do pro­ble­ma de criar


48 • O Último Herói do Titanic uma fa­mí­lia de seis pes­soas, ele se es­for­ça­va pa­ra nos dar a me­lhor edu­ca­ção pos­sí­vel. Meu pai era um ho­mem de bom ní­vel es­co­lar e lia mui­to. No en­tan­to, John não era mui­to responsável nes­sa épo­ca, e dei­xou de apro­vei­ tar mui­tas coi­sas que se­riam pro­vei­to­sas pa­ra ele mais tar­de, o que sem­pre ad­mi­tia. O in­crí­vel é co­mo se de­ sen­vol­veu tão bem. Mui­tas ve­zes, a ha­bi­li­da­de que ele ti­nha de se co­mu­ni­car tan­to ver­bal­men­te co­mo por es­ cri­to era, pa­ra mim, sim­ples­men­te en­can­ta­do­ra. Con­tu­ do, a par­tir do fi­nal da ado­les­cên­cia ele es­tu­da­va mui­to, pou­cos ho­mens pre­pa­ra­vam tão bem suas men­sa­gens co­mo ele. Is­so, tal­vez se­ja, pe­lo me­nos, uma ex­pli­ca­ção do de­sen­vol­vi­men­to do meu ir­mão.

“Ele me Elogiou por Proteger John” Eu me lem­bro bem do nos­so pro­fes­sor cha­man­do John pa­ra o cas­ti­go. De­ve ter si­do por cau­sa da li­ção mal fei­ta. Eu acho que era. Mas a va­ri­nha es­ta­va sen­do usa­da com mui­ta for­ça. Fi­quei sen­ta­do por al­gum tem­ po, con­tu­do o meu la­do mais for­te se im­pôs. Na­que­la épo­ca, co­mo em to­dos os anos de in­fân­cia, meu ir­mão era mui­to pre­cio­so pa­ra mim. Na mi­nha opi­nião, aqui­lo não es­ta­va cer­to, com ou sem li­ção, es­se ho­mem não ia ba­ter no meu ir­mão as­sim. Eu me le­van­tei se­gu­ran­do mi­nha lou­sa so­bre a ca­be­ça, e di­zen­do ao mes­mo tem­ po: “Se vo­cê não pa­rar de ba­ter no meu ir­mão, eu vou fa­zer vo­cê pa­rar”. Ele pa­rou na mes­ma ho­ra, veio ao meu en­con­tro, e dian­te de to­dos me elo­giou por pro­te­ ger John. Cla­ro, ele era o meu ir­mão! Os tem­pos de es­co­la lo­go se aca­ba­ram, e co­mo foi re­ la­ta­do por ou­tros, John co­me­çou a tra­ba­lhar ce­do. Na épo­ca não se acha­va ruim man­dar um me­ni­no de qua­


Meu Irmão Como eu o Conhecia • 49 tor­ze ou quin­ze anos tra­ba­lhar. Ele só pre­ci­sa­va ter uma es­co­la­ri­da­de ra­zoá­vel, e ser es­for­ça­do o bas­tan­te. Du­ ran­te cin­co anos ou mais, ele te­ve vá­rios em­pre­gos. Foi no co­me­ço des­se pe­río­do da sua vi­da que ele acei­tou Je­ sus. Eu me lem­bro bem da­que­la noi­te. Foi no úl­ti­mo do­ min­go de mar­ço de 1886, que o que­ri­do John nas­ceu do Es­pí­ri­to. O ca­mi­nho foi bem pre­pa­ra­do pa­ra is­so.

Nosso Pai Zeloso Meu pai era um ho­mem es­pe­cial, co­mo meu ami­go Sr. Hugh Mor­ris diz no seu tes­te­mu­nho. Ele era um pu­ ri­ta­no na teo­lo­gia e na prá­ti­ca, um ho­mem que ama­va o seu Se­nhor e sua Bí­blia. Um gran­de ad­mi­ra­dor de C. H. Spur­geon, cu­jos ser­mões ele lia sem­pre, até mes­mo em voz al­ta, e que, às ve­zes, to­dos nós tí­nha­mos que ou­vir, quer gos­tás­se­mos ou não. O cul­to do­més­ti­co com a lei­ tu­ra cui­da­do­sa das Es­cri­tu­ras e a ora­ção, jun­ta­men­te com cân­ti­cos dos Sal­mos de Da­vi, era nor­mal em nos­sa ca­sa. To­da a fa­mí­lia foi edu­ca­da nes­se am­bien­te pu­ri­ta­ no. Lo­go John es­ta­va pron­to de ma­nei­ra bem real e prá­ ti­ca pa­ra o gran­de even­to na sua vi­da, ou se­ja, sua en­tre­ ga a Cris­to. O Sr. Wal­ter B. Sloan, e o Sr. Ar­chi­bald Orr Ewing, am­bos ago­ra da Mis­são do In­te­rior da Chi­na, li­ de­ra­vam a Igre­ja Li­vre da vi­la na­que­la noi­te. Meu ir­mão sen­tou-se ao meu la­do no ban­co da nos­sa fa­mí­lia.

“Nos Tornamos Um na Fé” No fi­nal do cul­to foi fei­ta uma reu­nião de acom­pa­ nha­men­to, John fi­cou com ou­tras pes­soas, e com ba­se em João 3.16 lhe mos­tra­ram a ri­ca pro­vi­são de Deus em Je­sus pa­ra sua sal­va­ção. Três me­ses an­tes, eu ti­nha acei­


50 • O Último Herói do Titanic to Je­sus co­mo meu Sal­va­dor pes­soal. Ago­ra éra­mos um na fé que es­tá em Cris­to Je­sus. Sim, e gra­ças a Deus, es­sa união em co­mu­nhão es­pi­ri­tual ja­mais foi que­bra­da du­ran­te os vin­te seis anos do nos­so com­pa­nhei­ris­mo cris­tão. Eu me lem­bro bem de co­mo meu que­ri­do pai se ale­grou quan­do viu que Deus res­pon­de­ra as suas ora­ ções com a con­ver­são dos seus dois fi­lhos, se­gui­da lo­go após pe­la cer­te­za de que tam­bém al­gu­mas de suas fi­lhas acei­ta­ram a Cris­to. A sub­se­qüen­te his­tó­ria da vi­da do meu ir­mão é con­ ta­da prin­ci­pal­men­te pe­los ou­tros nes­te li­vro, a re­ve­la­ção adi­cio­nal e o cha­ma­do que ele re­ce­beu no ano de 1890, seu co­me­ço com a en­tre­ga to­tal ao mi­nis­té­rio do Se­nhor na vi­la de Hous­ton (sua Je­ru­sa­lém), e as vi­las cir­cun­vi­ zi­nhas. Por­tan­to, é su­f i­cien­te dar ape­nas al­guns de­ta­lhes do seu ca­rá­ter e mi­nis­té­rio cris­tão. No de­cor­rer do tem­ po, a mis­são na vi­la de Hous­ton, des­cri­ta tão bem em ou­tra par­te pe­lo Sr. W. B. Sloan, fe­chou. Es­sa mis­são te­ ve iní­cio pe­lo pró­prio Sr. W. B. Sloan no ve­rão de 1885 e con­ti­nuou por al­guns anos. Seu fe­cha­men­to ocor­reu no co­me­ço da dé­ca­da de 1890. Na épo­ca, eu fi­ca­va fo­ra a ne­gó­cios e só vol­ta­va uma vez a ca­da duas se­ma­nas. Meu ir­mão, com al­guns ou­tros, li­de­ra­va cul­tos ao ar li­ vre to­dos os do­min­gos à tar­de. Quan­do es­ta­va em ca­sa, eu aju­da­va com pra­zer. Nu­ma des­sas oca­siões um ho­mem gran­de, que sem­ pre ti­nha dei­xa­do cla­ro a sua in­ten­ção de aca­bar com aque­les cul­tos, apa­re­ceu. Mas nes­sa oca­sião só ha­via dois de nós – meu ir­mão e eu. Fi­ze­mos um due­to, de­ pois nos re­ve­za­mos na pre­ga­ção. O ho­mem po­dia ter fei­to o que de­cla­ra­va. Ele ti­nha mais de dois me­tros de al­tu­ra e era mui­to for­te. Co­lo­cou seu pu­nho na fren­te de nos­sos ros­tos e amea­çou nos de­for­mar se con­ti­nuás­se­


Meu Irmão Como eu o Conhecia • 51 mos pre­gan­do, mas o es­pí­ri­to in­do­má­vel do meu ir­mão não es­ta­va ne­nhum pou­co ame­dron­ta­do. Con­ti­nua­mos a pre­gar e can­tar pa­ra Je­sus, ape­sar das suas amea­ças. De­ pois de cer­to tem­po ele nos dei­xou, fi­ca­mos em paz e con­cluí­mos aque­le tu­mul­tua­do cul­to ao ar li­vre. Se­ria ne­ces­sá­rio um li­vro in­tei­ro pa­ra des­cre­ver a obra em Gryffe Gro­ve Hall, Brid­ge-of-Weir, em Johns­ to­ne, e ou­tras ci­da­des vi­zi­nhas, com as quais meu ir­mão se iden­ti­f i­ca­va tan­to. Es­ses fo­ram anos de ze­lo in­ten­so por Cris­to e Seu Rei­no. Mui­tos fo­ram le­va­dos a Cris­to atra­vés do mi­nis­té­rio evan­ge­lís­ti­co fiel do meu ir­mão, e o po­vo de Deus foi ani­ma­do e vi­vi­f i­ca­do. Eu ti­ve o pra­ zer in­des­cri­tí­vel em aju­dá-lo sem­pre que po­dia nes­ses pri­mei­ros anos, e acom­pa­nhei sua vi­da ín­ti­ma, que era trans­pa­ren­te, pu­ra e ver­da­dei­ra. Eu tes­te­mu­nho com ale­ gria so­bre is­so. Não vou dar de­ta­lhes da his­tó­ria de co­ mo John foi le­va­do a co­me­çar o mi­nis­té­rio ba­tis­ta. Es­sa épo­ca da sua vi­da tem três ca­pí­tu­los di­fe­ren­tes, que são: Go­van, Pais­ley Road, Glas­gow, e Wal­worth Road, Lon­ dres. Em ca­da am­bien­te a mão de Deus es­ta­va cla­ra­ men­te so­bre Seu ser­vo em po­der. Mas es­pe­cial­men­te is­ so acon­te­ceu em Pais­ley Road, Glas­gow.

“Poderoso na Oração” Du­ran­te seus tre­ze anos de mi­nis­té­rio ali, cen­te­nas e cen­te­nas de pes­soas fo­ram con­du­zi­das ao Rei­no de Cris­ to. Mais uma vez per­mi­tam-me dar de­ta­lhes de tu­do is­ so. Ou­tros con­ta­rão a his­tó­ria co­mo es­pec­ta­do­res. Meu que­ri­do ir­mão era um ho­mem po­de­ro­so na ora­ção. Ele era um mes­tre nes­sa ar­te sa­gra­da. Em ou­tu­bro de 1899 vim de Brad­ford, on­de era pas­ tor, pa­ra Pais­ley Road, pa­ra li­de­rar uma mis­são de um


52 • O Último Herói do Titanic mês. Noi­te após noi­te, quan­do es­ta­va pres­tes a anun­ciar meu tex­to bí­bli­co, John des­cia do pal­co, ia pa­ra uma pe­que­na sa­la, e se ajoe­lha­va em ora­ção. Ali ele su­pli­ca­ va a Deus, en­quan­to eu fa­zia o ape­lo pa­ra os ho­mens. Não é ne­ces­sá­rio di­zer que os re­sul­ta­dos da­que­la mis­ são per­ma­ne­cem até ho­je. Eu ora­va com meu que­ri­do ir­mão, vez após vez, e to­do o seu cor­po tre­mia mui­to, ta­ma­nha era a sin­ce­ri­da­de das suas sú­pli­cas a Deus pe­ lo mun­do per­di­do. Mui­tas ve­zes ele cho­ra­va em ora­ção. Co­mo seu Se­nhor, ele ofe­re­cia suas sú­pli­cas com “for­ te cla­mor e lá­gri­mas” (He­breus 5.7). Não é de se ad­ mi­rar que co­ra­ções en­du­re­ci­dos e tei­mo­sos se ren­diam sob seu mi­nis­té­rio. En­quan­to o ou­via oran­do, eu cos­tu­ma­va di­zer: “O que­ri­do John es­tá mui­to pró­xi­mo de Deus”. Ele pa­re­cia vi­ver na maior in­ti­mi­da­de com seu Se­nhor. Não ha­via na­da fal­so em sua es­pi­ri­tua­li­da­de. Ele ja­mais ten­tou con­ven­cer al­guém de que era mais san­to que os ou­tros, mas sa­bia-se por ins­tin­to que ele era um ho­mem de Deus, cu­ja ale­gria su­pre­ma es­ta­va na co­mu­nhão com seu Se­nhor e Re­den­tor.

Tristezas Moldaram Sua Vida A his­tó­ria com­ple­ta da­que­les tre­ze anos de tra­ba­lho cris­tão con­sa­gra­do ja­mais po­de­rá ser con­ta­da. Pa­ra meu que­ri­do ir­mão hou­ve anos de ale­gria e tris­te­za. Nem to­ do con­ver­ti­do se tor­nou uma “co­roa de ale­gria” pa­ra o ser­vo do Se­nhor. Os fra­cos e in­ca­pa­zes cau­sa­vam mui­ta dor ao meu ir­mão, e os des­via­dos qua­se par­tiam seu co­ ra­ção. Mas as ale­grias des­se pe­río­do mais do que com­ pen­sa­vam suas tris­te­zas. Mui­tos bus­ca­ram e en­con­tra­ ram a Cris­to, e sem­pre con­ti­nua­ram a se­guir o Se­nhor.


Meu Irmão Como eu o Conhecia • 53 Foi du­ran­te es­sa épo­ca que duas coi­sas mui­to tris­tes acon­te­ce­ram com meu ir­mão. No ve­rão de 1905 sua saú­de fa­lhou, sua voz, que em sua ju­ven­tu­de era be­la e res­so­nan­te, aca­bou com­ple­ta­ men­te. Du­ran­te seis me­ses ele não pô­de tra­ba­lhar. Es­sa foi uma pro­va­ção mui­to du­ra pa­ra ele. Ele cho­ra­va co­ mi­go e eu com ele por cau­sa des­sa pro­va­ção. No en­tan­ to, uma via­gem no mar e re­pou­so ab­so­lu­to com tra­ta­ men­to es­pe­cial, com o tem­po re­cu­pe­ra­ram pe­lo me­nos par­te da sua for­ça e ener­gia. Mas ele nun­ca mais te­ve a mes­ma saú­de que an­tes. Quem o co­nhe­ceu ape­nas nos seus úl­ti­mos anos viu só o es­que­le­to do seu pas­sa­do, is­ to é, da for­ça fí­si­ca e da boa apa­rên­cia. É ver­da­de que du­ran­te os úl­ti­mos cin­co ou seis anos da sua vi­da hou­ve um ama­du­re­ci­men­to ma­ra­vi­lho­so que os mais ín­ti­mos não dei­xa­ram de per­ce­ber. Vía­mos o ho­mem ex­te­rior fi­can­do mais fra­co, e o ho­mem in­te­rior mais for­te sem­pre que nos en­con­trá­va­mos.

“Annie está Morrendo” Mas a maior tris­te­za ain­da es­ta­va por vir. No co­me­ ço de 1906, sua es­po­sa foi le­va­da. A Sra. Har­per era um gran­de au­xí­lio pa­ra ele. Ela era um pou­co mais ve­lha, e mui­to ani­ma­da. Meu ir­mão e ela, na épo­ca Srta. Bell, se co­nhe­ce­ram du­ran­te uma obra mis­sio­ná­ ria em Brid­ge-of-Weir. Du­ran­te dez anos es­pe­ra­ram um pe­lo ou­tro. Eu me ale­grei mui­to com o ca­sa­men­to do meu ir­mão com a Srta. Bell. Mas, in­fe­liz­men­te seu ca­sa­men­to du­rou pou­co. Du­rou pou­co mais que dois anos. Uma me­ni­ni­nha nas­ceu no Ano No­vo de 1906 e pou­cos dias de­pois o es­pí­ri­to da Sra. Har­per “su­biu nos ares até o céu”.


54 • O Último Herói do Titanic Ja­mais me es­que­ce­rei des­se even­to. Na épo­ca eu era pas­tor da Igre­ja Ba­tis­ta de Bells­hill. Era um do­min­go à noi­te, ti­nha aca­ba­do de ler mi­nha pas­sa­gem, Isaías 28.15-18, “Alian­ça com a mor­te”, quan­do fui cha­ma­ do pa­ra uma sa­la, pois um po­li­cial que­ria fa­lar co­mi­go. Ele re­ce­beu o re­ca­do por te­le­gra­ma do meu ir­mão. Di­ zia o se­guin­te: “Que­ri­do Geor­ge, por fa­vor ve­nha ime­ dia­ta­men­te, An­nie es­tá mor­ren­do. Eu que­ro que Mary e vo­cê es­te­jam do meu la­do”. A Mary aqui men­cio­na­da era mi­nha es­po­sa. Vol­tei pa­ra meu cul­to, cha­mei dois dos nos­sos obrei­ ros pa­ra o pal­co, e os dei­xei res­pon­sá­veis pe­lo cul­to. Cha­ma­ram um ta­xi, e mi­nha es­po­sa e eu fo­mos o mais rá­pi­do pos­sí­vel pa­ra per­to do meu que­ri­do ir­mão na sua tris­te­za pro­fun­da. Ah, ele era meu ir­mão, e na­da me im­ pe­di­ria de es­tar com ele na sua pro­va­ção. Fi­ca­mos do la­do da ca­ma da Sra. Har­per du­ran­te do­ze ho­ras fa­zen­ do tu­do que po­día­mos pa­ra con­for­tá-la, e ali­viar a sua dor, e de­pois, quan­do o seu es­pí­ri­to en­trou no lar ce­les­ te, fe­cha­mos seus olhos cui­da­do­sa­men­te. Es­sa pro­va­ção, acres­cen­ta­da as­sim àque­la que ti­nha so­fri­do um ano an­tes, o dei­xou ar­ra­sa­do. Foi seu Get­sê­ ma­ni, seu ba­tis­mo de fo­go. O cá­li­ce era amar­go, mas ele o be­beu, di­zen­do: “Não se­ja co­mo eu que­ro, e, sim, co­mo tu que­res”.

Cuidando do seu Bebê Lo­go de­pois dis­so, mi­nha que­ri­da es­po­sa o con­ven­ ceu a nos dei­xar cui­dar da pe­que­na Na­na pa­ra ele, o que per­mi­tiu ape­nas du­ran­te uns seis me­ses. Nós te­ría­mos pra­zer em cui­dar da pe­que­na du­ran­te os anos se­guin­tes pa­ra o bem do seu pai e o bem de­la, mas es­sa ale­gria


Meu Irmão Como eu o Conhecia • 55 não foi da­da a nós. Meu ir­mão sen­tia mui­to a fal­ta da sua que­ri­da es­po­sa. Seu lar ja­mais fo­ra o mes­mo pa­ra ele de­pois. Ele ti­nha uma per­so­na­li­da­de que ne­ces­si­ta­va de com­pa­nhia. So­men­te al­guns me­ses an­tes de ser le­va­ do, es­ti­ve­mos jun­tos por al­guns dias. Era co­mo uma vi­ da no­va pa­ra ele. Ora­mos, can­ta­mos, an­da­mos, e con­ ver­sa­mos mui­to jun­tos. Ele fa­lou mui­to so­bre as­sun­tos re­la­cio­na­dos ao seu fu­tu­ro, as­se­gu­ran­do-me que não ti­ Uma razão porque o “Titanic” estava equipado com somente 20 botes salva-vidas: não se queria bloquear a vista dos passageiros...


56 • O Último Herói do Titanic nha re­ve­la­do is­so a mais nin­guém. In­fe­liz­men­te não foi da von­ta­de de Deus pre­ser­var a sua vi­da pa­ra rea­li­zar al­guns des­ses pla­nos e pro­pó­si­tos.

A Mudança Para Londres Quan­do acei­tou o con­vi­te pa­ra pas­to­rear a Igre­ja em Wal­worth Road, Lon­dres, ele me es­cre­veu con­tan­do so­ bre seus cul­tos de des­pe­di­da em Pais­ley Road. Ele me pe­diu com ur­gên­cia pa­ra ir ao seu chá de des­pe­di­da. Eu fiz is­so sem re­cla­mar. Eu es­ta­va no seu pri­mei­ro cul­to de apre­sen­ta­ção em Go­van, e sen­tei, a pe­di­do de­le, ao seu la­do nes­sa úl­ti­ma oca­sião. Que reu­nião! Lá­gri­mas fo­ram der­ra­ma­das e ho­me­na­gens fo­ram da­das em sua hon­ra, mas ne­nhu­ma fra­se pa­re­ceu exa­ge­ra­da. Em Lon­dres, co­ mo em Glas­gow, Deus aben­çoou a obra do Seu ser­vo. Em um ano a ve­lha igre­ja, com mui­tas tra­di­ções li­ga­ das à sua his­tó­ria, pas­sou por um rea­vi­va­men­to im­pres­ sio­nan­te. É pos­sí­vel que, sob o mi­nis­té­rio do meu es­ti­ ma­do ami­go e ir­mão pas­tor A. Mon­cur Ni­block, que era co-pas­tor com meu que­ri­do John, ela con­cor­res­se com Pais­ley Road. Es­sa foi mi­nha con­vic­ção du­ran­te uma vi­ si­ta re­cen­te que lhe fiz. De­pois veio Chi­ca­go!

Chicago Lamenta a Morte de Harper Quem po­de fa­lar da gran­de obra rea­li­za­da atra­vés do tra­ba­lho do meu pre­cio­so ir­mão na fa­mo­sa Igre­ja Moody na­que­la ci­da­de du­ran­te os me­ses de in­ver­no de 1911-1912? O re­ve­ren­do E. Y. Wool­ley, pas­tor as­sis­ten­ te da­que­la gran­de igre­ja, nu­ma car­ta que me es­cre­veu no dia 11 de maio, diz: “Vol­tei pa­ra Chi­ca­go pa­ra en­ con­trar, co­mo es­pe­ra­va, nos­so po­vo en­tris­te­ci­do pe­la


Meu Irmão Como eu o Conhecia • 57 mor­te do Sr. Har­per. Nos­sa reu­nião se­ma­nal on­tem à noi­te es­ta­va lo­ta­da. Tí­nha­mos um to­tal de tre­zen­tas pes­ soas a mais que o nor­mal, e cen­te­nas es­ta­vam cho­ran­do en­quan­to os de­ta­lhes da sua mor­te fo­ram re­la­ta­dos. Eu ja­mais co­nhe­ci um ho­mem que te­nha con­quis­ta­do os co­ra­ções do po­vo des­sa ma­nei­ra em ape­nas três me­ses de co­mu­nhão. No do­min­go que vem ha­ve­rá um cul­to me­mo­rial pa­ra ele, mas é fá­cil ver que to­dos os nos­sos cul­tos se­rão em gran­de par­te me­mo­riais. Deus o usou en­quan­to es­ta­va aqui co­mo nun­ca vi um ho­mem ser usa­ do an­tes”. Es­te é o tes­te­mu­nho do Sr. Wool­ley. Te­nho vá­rias car­tas de Chi­ca­go es­cri­tas pa­ra mim pe­ lo que­ri­do John. O de­se­jo mais for­te des­cri­to em to­das es­sas car­tas é que eu oras­se por ele. “Ore por mim, ore por mim a ca­da mi­nu­to”, ele es­cre­veu. Meu ir­mão nun­ ca me­diu es­for­ços, mas com o pas­sar dos anos ele pa­re­ cia sa­cri­f i­car-se mais e mais pe­los ou­tros, e es­pe­cial­ men­te pe­lo seu Se­nhor.

Colheita em Chicago A re­vis­ta Vi­da de Fé, re­fe­rin­do-se à sua obra ma­ra­vi­ lho­sa em Chi­ca­go, dis­se: “Seus cul­tos pro­du­ziam tan­tas ri­cas bên­çãos que a vi­si­ta se pro­lon­gou pa­ra três me­ses, e a Igre­ja Moody es­ta­va pas­san­do por um dos rea­vi­va­ men­tos mais mar­can­tes da sua his­tó­ria. O po­vo do Se­ nhor tam­bém te­ve um rea­vi­va­men­to es­pi­ri­tual. Uma ilus­tra­ção prá­ti­ca dis­so foi o fa­to de que uma dí­vi­da de 1.000 li­bras foi pa­ga em qua­tro dias”. Ao vol­tar de Chi­ca­go ele fez uma vi­si­ta rá­pi­da à Es­ có­cia, pas­san­do pri­mei­ro por Edin­burgh, on­de di­ri­giu dois cul­tos, am­bos rea­li­za­dos em nos­sa igre­ja em Gor­ gie. Sua pa­la­vra era po­de­ro­sa. De Edin­burgh ele via­jou


58 • O Último Herói do Titanic pa­ra Glas­gow, de­pois pa­ra Pais­ley, Denny, e Cum­nock em Ayrs­hi­re. Em to­dos es­ses lu­ga­res seu mi­nis­té­rio era “no Es­pí­ri­to San­to e com mui­ta con­f ian­ça”, ape­sar de seu cor­po es­tar des­gas­ta­do.

O Convite para Voltar a Chicago De­vi­do ao pe­di­do ur­gen­te e mui­to cor­dial da Igre­ja Moody em Chi­ca­go ele con­cor­dou em vol­tar por mais três me­ses. Nu­ma car­ta pa­ra mim, do dia 1º de abril, ele es­cre­veu de Lon­dres: “Va­mos zar­par de Li­ver­pool no sá­ba­do no na­vio Lu­si­ta­nia”. In­fe­liz­men­te, ao in­vés de­le ter ido na­que­le bar­co, uma se­ma­na mais tar­de ele em­ bar­cou no des­ven­tu­ra­do Ti­ta­nic. O Ti­ta­nic zar­pou de Sou­thamp­ton pa­ra No­va York no dia 10 de abril. No dia 15 de abril ele es­ta­va no fun­do do ocea­no, le­van­do con­si­go 1.522 vi­das pre­cio­sas, en­ tre elas meu pró­prio ir­mão que­ri­do e com­pa­nhei­ro, John Har­per. Não pre­ci­so re­la­tar no­va­men­te aqui os de­ta­lhes des­se tris­te de­sas­tre. Eu acho que eles são mais ou me­nos co­ nhe­ci­dos por to­dos, e su­po­nho que a pró­xi­ma ge­ra­ção sa­be­rá des­sa ter­rí­vel ca­tás­tro­fe em mar tran­qüi­lo, quan­ do o su­pra-su­mo da com­pe­tên­cia hu­ma­na em en­ge­nha­ ria na­val afun­dou na sua pri­mei­ra via­gem. Não pos­so ten­tar ex­pli­car o Pro­pó­si­to que le­va tal ho­mem de Deus em ple­na ati­vi­da­de.

A “Entrada Triunfal” de Harper Só pos­so di­zer que mi­nha con­f ian­ça es­tá na sa­be­do­ ria su­pre­ma de Deus. “Um dia en­ten­de­re­mos”. Acho que Ke­ble des­cre­ve is­so mui­to bem quan­do diz:


Meu Irmão Como eu o Conhecia • 59

“Teu Deus te diz que bom te é por vis­ta não an­dar, e sim por fé, con­fia en­tão en­quan­to aqui, pois bre­ve as nu­vens pas­sa­rão quan­do Seu be­lo ros­to bri­lhar so­bre ti.”

Real­men­te is­so é tu­do que se po­de fa­zer dian­te de tal Po­der. Ne­nhu­ma men­sa­gem de des­pe­di­da foi en­ via­da a nós do na­vio que afun­da­va, nem um bei­jo de des­pe­di­da, pe­lo que se sa­be, foi da­do na sua pe­que­ na fi­lha. Cal­mo e con­tro­la­do ele a en­tre­gou a um dos ofi­ciais do na­vio no con­vés su­pe­rior, en­quan­to ele mes­mo obe­de­ceu às or­dens do ca­pi­tão de fi­car no se­gun­do con­vés. Is­so foi ape­nas meia ho­ra an­tes do gran­de na­vio afun­dar. Nin­guém sa­be­rá quais fo­ram seus pen­sa­men­tos du­ ran­te aque­la úl­ti­ma meia ho­ra na ter­ra. Te­mos cer­te­ za de uma coi­sa: não hou­ve re­cla­ma­ções quan­do ele “zar­pou”. Ele te­ve uma “en­tra­da triun­fal”.

“Ain­da que por quem mor­reu, mi­nha al­ma eu não da­rei à dor co­mo se fo­ra a mor­te pu­ra di­vi­são. Por ti não se vê pran­to meu pois és co­mo a cul­ti­va­da flor que bro­ta além do mu­ro e da vi­são. A mor­te es­con­de o que se vê, mas não di­vi­de quem crê. Além do mu­ro es­tás com Cris­to e em sua paz, e se Ele aqui me tem em Sua mão, em Cris­to es­ta­mos, dois, ain­da em união.”


60 • O Último Herói do Titanic

“Pense Mais na Vida de Agora do que na Vida do Passado” Den­tre vá­rios ou­tros, um ir­mão que­ri­do me es­cre­ veu: “Não re­cla­me do que seu Pai Ce­les­tial fez com vo­cê. Ele o hon­rou, e ao mes­mo tem­po cum­priu Sua pró­pria pro­mes­sa, ‘on­de eu es­tou, ali es­ta­rá tam­bém o meu ser­vo’. Os an­jos de­vem ter da­do ca­lo­ro­sas boas-vin­das ao seu ir­mão. Pen­se mais na vi­da de ago­ ra, do que na vi­da do pas­sa­do. Mais na ‘en­tra­da triun­ fal’ do que na saí­da es­tra­nha e re­pen­ti­na. Amor e sa­be­do­ria es­tão no tro­no – amor per­fei­to e sa­be­do­ria per­fei­ta. Às ve­zes tu­do po­de pa­re­cer mui­to es­tra­nho, mas de­ve ser o me­lhor. Ten­te ca­var um po­ço no seu Va­le de Ba­ca”. Obri­ga­do, que­ri­do ir­mão, é is­so que es­tou ten­tan­do fa­zer, e à me­di­da em que meu po­ço fi­ca mais fun­do, mi­ nha al­ma an­seia ain­da mais e mais pe­la ma­nhã glo­rio­sa e vin­dou­ra, quan­do os enig­mas da vi­da se­rão es­cla­re­ci­ dos na Sua luz. Gos­ta­ria de di­zer aqui quão pro­fun­da­men­te va­lo­ri­zo to­das as men­sa­gens ca­ri­nho­sas de com­pai­xão que re­ ce­bi nes­sa mi­nha ho­ra de tris­te­za e la­men­to. Pe­ço que meus ami­gos te­nham cer­te­za da mi­nha gra­ti­dão pes­ soal. Não es­tou so­zi­nho na mi­nha tris­te­za. Mi­nha que­ ri­da es­po­sa fi­cou com o co­ra­ção par­ti­do por cau­sa da per­da do seu cu­nha­do. E as mi­nhas ir­mãs – Sra. Sin­ clair e Sra. Gi­ven em Johns­to­ne, Sra. Bal­loch em St. Bos­well’s, e Sra. Auc­kland em Go­van, to­das cho­ram co­mi­go por cau­sa da nos­sa per­da ir­re­pa­rá­vel. Nos­so ir­ mão era mui­to que­ri­do por nós co­mo fa­mí­lia. Pa­ra ca­ da mem­bro da fa­mí­lia seu “amor era ma­ra­vi­lho­so” e re­tri­buí­do por nós (ir­mãs e ir­mão).


Meu Irmão Como eu o Conhecia • 61

“Ah, se a Sua Voz Arrebatadora Pudesse Alcançar Nossos Corações Endurecidos” Sua fi­lhi­nha, Na­na, ain­da não per­ce­be a gran­de per­ da. Que o Deus do seu pai co­lo­que Seu man­to so­bre ela e a pro­te­ja do ven­to de um mun­do frio e pe­ca­dor! Que a von­ta­de do nos­so Pai Ce­les­te pa­ra ela se­ja cum­pri­da, e que pe­lo me­nos o es­pí­ri­to ter­re­no de de­vo­ção do seu pai ao seu Se­nhor se­ja en­con­tra­do ne­la na ho­ra cer­ta. Mul­ti­dões la­men­tam a per­da do meu que­ri­do ir­mão. Ele era um gran­de pes­ca­dor de al­mas, um ver­da­dei­ro pas­tor. Ele le­vou mul­ti­dões aos pés de Cris­to, e de­pois as ali­men­tou com o me­lhor pão. Seus dons ana­lí­ti­cos e ho­mi­lé­ti­cos eram de al­to ní­vel, co­mo se­rá vis­to em ou­ tra par­te des­te li­vro, e já que ou­tros ir­mãos tes­te­mu­ nham com pra­zer so­bre es­se fa­to eu só o men­cio­no. Nu­ma car­ta a uma de suas ir­mãs, no dia 27 de ju­nho de 1892, quan­do ain­da era um jo­vem pas­tor, ele es­cre­ veu: “Ah, se pu­dés­se­mos ter mais fé num Sal­va­dor amo­ ro­so e vi­vo, e se pu­dés­se­mos abrir nos­sos co­ra­ções o su­ fi­cien­te pa­ra re­ce­ber mais do Seu amor ter­no, con­su­mi­ dor, cons­tran­ge­dor, pe­ne­tran­te, ah, se abrís­se­mos nos­sos ou­vi­dos pa­ra ou­vir a do­ce voz do Noi­vo quan­do Ele sus­sur­ra pa­ra nos­sas al­mas: ‘Le­van­te-se, meu amor, mi­ nha que­ri­da, ve­nha, dei­xe as ilu­sões pas­sa­gei­ras des­te dia tran­si­tó­rio’. Ah, se a Sua voz ar­re­ba­ta­do­ra pu­des­se al­can­çar nos­sos co­ra­ções en­du­re­ci­dos pa­ra que ti­vés­se­ mos se­de e cla­más­se­mos por um re­la­cio­na­men­to mais ín­ti­mo com o Sal­va­dor cru­ci­f i­ca­do”. Es­sa é ape­nas uma ci­ta­ção cur­ta de uma car­ta que es­ tá dian­te de mim, mui­tas par­tes da qual são mui­to sa­ gra­das pa­ra se­rem pu­bli­ca­das. Ah, sim! a men­sa­gem da Cruz foi a men­sa­gem do seu mi­nis­té­rio fer­vo­ro­so do co­


62 • O Último Herói do Titanic me­ço ao fim. Mas tal­vez de ma­nei­ra mui­to es­pe­cial a Cruz en­cheu sua vi­são du­ran­te o fi­nal do seu mi­nis­té­rio. Sua in­ten­ção era es­cre­ver e pu­bli­car num li­vro al­guns dos ser­mões que Deus usou na con­fe­rên­cia em Chi­ca­go, mas Deus quis es­cre­vê-los de ou­tra ma­nei­ra, per­ma­nen­ te­men­te nos co­ra­ções e nas vi­das dos pe­ca­do­res res­ga­ta­ dos e san­tos rea­vi­va­dos. Al­gu­mas cen­te­nas des­ses es­bo­ ços pre­cio­sos e su­ges­ti­vos es­tão no fun­do do ocea­no. No en­tan­to, po­de­mos di­zer ver­da­dei­ra­men­te so­bre seu tes­te­mu­nho e sua obra: “Mes­mo de­pois de mor­to, ain­ da fa­la”.

A Fraqueza do Meu Irmão Ha­via um la­do do ca­rá­ter do meu ir­mão que pa­re­cia es­tar fo­ra de sin­to­nia com o la­do que des­cre­vi com de­ ta­lhes. Ele era fa­cil­men­te en­ga­na­do. Mui­tas ve­zes eu o ad­ver­ti com re­la­ção a is­so. Eu po­de­ria ci­tar vá­rios ca­ sos de que te­nho co­nhe­ci­men­to, em que ele so­freu, às ve­zes ter­ri­vel­men­te e por mui­to tem­po, nas mãos da­ que­les que eram pra­ti­ca­men­te im­pos­to­res. Mas ele ape­ nas res­pon­dia quan­do eu o ad­ver­tia: “Tu­do bem, o Se­ nhor os co­nhe­ce, Ele cui­da­rá de­les”. Com ex­ce­ção des­ sa pe­que­na fra­que­za, pa­ra al­guns de nós que o co­nhe­cía­mos in­ti­ma­men­te, ele se­ria qua­se nos­so ideal em per­fei­ção hu­ma­na. O lei­tor po­de ter cer­te­za de que pro­cu­ro, em tu­do que es­cre­vo so­bre meu que­ri­do ir­mão, mag­ni­f i­car a gra­ça de Cris­to que se ma­ni­fes­ta­va tão ma­ra­vi­lho­sa­ men­te no Seu ser­vo. Acho que es­te mun­do po­bre, mi­se­ rá­vel e con­de­na­do, ato­la­do no pe­ca­do, e que re­jei­ta a Cris­to aber­ta­men­te, so­fre gran­de pre­juí­zo ao per­der um ho­mem de Deus co­mo meu ir­mão, que sem­pre cho­ra­va


Meu Irmão Como eu o Conhecia • 63 por ele, e der­ra­ma­va a for­ça da sua vi­da por ele. Tam­ bém acho que a Igre­ja de Cris­to, que in­fe­liz­men­te é tão apá­ti­ca, não po­de se dar ao lu­xo de di­zer adeus a um mi­nis­té­rio tão ani­ma­dor, tão ne­ces­sá­rio. Mas po­de ser que Deus es­te­ja des­sa for­ma cha­man­do al­guns ou­tros ser­vos Seus pa­ra maior con­sa­gra­ção, obras mais sig­ni­ fi­can­tes, pa­ra o preen­chi­men­to de um es­pa­ço va­zio cria­do pe­la par­ti­da de John. “En­quan­to cha­mas, Se­ nhor, cha­ma a mim”. Que as mul­ti­dões se­jam ba­ti­za­das com o mes­mo es­pí­ri­to, ze­lo e en­tu­sias­mo pe­la gló­ria de Cris­to, pe­la con­ver­são dos per­di­dos, e pa­ra que se apres­se o dia da tão es­pe­ra­da vin­da do nos­so Se­nhor e Sal­va­dor Je­sus Cris­to.


Pr. John Dick

Alco처tras, jogadores, e brig천es recuperados, agora s찾o servos entusiasmados de Deus, todos louvam o Salvador a quem amam por causa do dia em que conheceram John Harper.


4 Ele Saiu da Classe dos Trabalhadores Homenagem do Pastor John Dick, Igreja Batista de Paisley Road, Glasgow

E

s­cre­ver uma ho­me­na­gem a John Har­per não é fá­ cil, pois quan­do es­cre­ve­mos no su­per­la­ti­vo, sen­ti­ mos que não fi­ze­mos jus à obra e ao ca­rá­ter des­se obrei­ro de­di­ca­do de Deus. Eu co­nhe­ci o Sr. Har­per há do­ze anos, e se­te anos atrás pas­sei dez dias com ele en­quan­to li­de­ra­va uma mis­são es­pe­cial em Pais­ley Road. Na épo­ca apren­di a amá-lo, e co­nhe­cer John Har­per me­lhor era amá-lo mais. Éra­mos ho­mens di­fe­ren­tes, mas ha­via uma afi­ni­ da­de en­tre nós que se for­ta­le­ceu com os anos, e seu gran­de de­se­jo era que eu o subs­ti­tuís­se em Pais­ley Road, se um dia ele saís­se de lá. Ago­ra is­so acon­te­ceu,


66 • O Último Herói do Titanic mas ja­mais pen­sa­mos que a sua cor­ri­da aqui na ter­ra ter­mi­na­ria aos trin­ta e no­ve anos.

Ele Foi um Homem Treinado por Deus Ao per­der nos­so que­ri­do ir­mão, per­de­mos um gran­de pre­ga­dor. Vin­do da clas­se dos tra­ba­lha­do­res, ele apa­re­ cia dian­te dos seus com­pa­nhei­ros co­mo um ho­mem trei­ na­do por Deus. Ne­nhu­ma fa­cul­da­de po­de rei­vin­di­car têlo for­ma­do, ele se tor­nou pas­tor atra­vés de Deus. A pai­ xão da sua vi­da era ga­nhar al­mas. Não era anor­mal pa­ra ele dei­xar de dor­mir no sá­ba­do à noi­te, oran­do pe­las al­ mas, e cla­man­do por Po­der Di­vi­no pa­ra ca­pa­ci­tá-lo a pre­gar pa­ra a gló­ria de Deus. Foi es­se amor in­ten­so pe­ las al­mas que o fez li­te­ral­men­te vi­ver en­tre o po­vo.

Será este o sentido da vida: riqueza, fama e beleza?


Ele Saiu da Classe dos Trabalhadores • 67

Harper Conquistou os Corações das Pessoas Simples Com or­gu­lho o po­vo da re­gião con­ta-me co­mo ele cos­tu­ma­va che­gar pa­ra o jan­tar ou chá, e sen­tar-se com eles pa­ra to­mar uma re­fei­ção sim­ples, ser­vi­da nu­ma me­sa sem toa­lha. Ele era co­mo um de­les, en­vol­ven­dose nas suas tris­te­zas e ale­grias – acon­se­lhan­do e ad­ ver­tin­do, re­go­zi­jan­do-se e cho­ran­do – e des­sa ma­nei­ra va­lo­ro­sa e amo­ro­sa ele con­quis­tou as pes­soas sim­ples que ho­je la­men­tam a sua mor­te co­mo se ele fos­se par­ te da fa­mí­lia. Seu amor e sua com­pai­xão eram fe­no­me­nais, por cau­sa da in­fluên­cia com­pas­si­va e atraen­te que sem­pre ema­na­va de­le. Não é de se ad­mi­rar que ca­tó­li­cos e pro­ tes­tan­tes, po­bres e mi­se­rá­veis, der­ra­ma­ram mui­tas lá­gri­ mas com a men­ção da sua mor­te! To­do o po­vo da re­gião o ama­va e ad­mi­ra­va os es­for­ços her­cu­léos des­se gran­de e com­pas­si­vo obrei­ro de Deus.

Vidas Foram Mudadas para Sempre Ele era um gran­de es­tu­dan­te da Bí­blia, e seu en­si­na­ men­to efi­cien­te é ma­ni­fes­to nos vá­rios jo­vens na con­ gre­ga­ção que têm um co­nhe­ci­men­to pro­fun­do do Li­vro dos Li­vros, e que ab­sor­ve­ram o en­tu­sias­mo do pas­tor Har­per pe­lo es­tu­do da Bí­blia. Em Pais­ley Road e Wal­ worth Road, Lon­dres, o seu do­mí­nio im­pres­sio­nan­te das ver­da­des bí­bli­cas foi es­sen­cial pa­ra tra­zer de vol­ta à ver­da­de mui­tos que es­ta­vam afas­ta­dos. Um ho­mem im­por­tan­te de Lon­dres tes­te­mu­nhou que de­via sua po­ si­ção atual a John Har­per que, com sua ex­po­si­ção in­te­ li­gen­te da Pa­la­vra Vi­va, o con­ven­ceu do er­ro dou­tri­ná­


68 • O Último Herói do Titanic rio. Ou­tro obrei­ro im­por­tan­te de Deus dis­se que se não fos­se por John Har­per, ho­je ele es­ta­ria en­vol­vi­do na con­fu­são da in­f i­de­li­da­de. Al­coó­la­tras, jo­ga­do­res, e bri­gões re­cu­pe­ra­dos, ago­ra são ser­vos en­tu­sias­ma­dos de Deus, to­dos lou­vam o Sal­ va­dor a quem amam, por cau­sa do dia em que co­nhe­ce­ ram John Har­per. Acon­se­lha­men­to pes­soal era seu for­te, seu ta­to e sua gran­de­za de es­pí­ri­to o tor­na­vam ta­lha­do pa­ra es­se tra­ba­lho. Ele co­nhe­cia as di­f i­cul­da­des e ten­ta­ções do tra­ba­lha­ dor, ele co­nhe­cia sua li­te­ra­tu­ra e seu mo­do de pen­sar, pe­lo fa­to de ser um de­les, e ape­sar de al­guns se res­sen­ti­ rem com o que cha­ma­vam de sua ati­tu­de ex­tre­ma, eles o ama­vam e fo­ram os pri­mei­ros a re­co­nhe­cer sua sin­ce­ri­ da­de in­ten­sa. Ele era um gran­de pre­ga­dor de cul­tos ao ar li­vre, e sa­bia di­ri­gir gran­des pla­téias que o apre­cia­vam. As pes­soas fa­la­vam com or­gu­lho do efei­to da sua voz mag­ní­f i­ca ao ar li­vre, e con­ta­vam co­mo ele li­da­va sá­bia e fir­me­men­te com to­do ti­po de in­ter­ rup­ção. Nin­guém po­dia de­tê-lo, pois seu co­nhe­ci­ men­to ex­ten­so e pro­fun­do das ver­da­des bí­bli­cas o ca­pa­ci­ta­va pa­ra com­ba­ter com su­ces­so to­dos os ata­ ques. Era mui­to co­mum ver al­mas cons­tran­gi­das ao ar li­vre, e al­guns até se ajoe­lha­vam no lo­cal e con­fes­ sa­vam seus pe­ca­dos. Ho­je al­guns des­ses fru­tos da gra­ça são diá­co­nos e mem­bros res­pei­ta­dos da Igre­ja Ba­tis­ta de Pais­ley Road, cons­truí­da no lu­gar on­de mui­tos dos seus mem­bros cos­tu­ma­vam jo­gar e bri­gar! Que tes­te­mu­nho do po­der do Evan­ge­lho, atuan­do atra­ vés de um ho­mem com­ple­ta­men­te de­di­ca­do à gran­de obra de ga­nhar al­mas!


Ele Saiu da Classe dos Trabalhadores • 69

Uma Inspiração para Milhares Ele era um ora­dor es­pe­ta­cu­lar! Sua ha­bi­li­da­de em ho­ mi­lé­ti­ca era in­crí­vel! Seus ser­mões dou­tri­ná­rios cres­ ciam sob seu tra­ta­men­to até pa­re­ce­rem uma ár­vo­re gran­de e vis­to­sa, que dá som­bra e pro­te­ção a mui­tos via­jan­tes can­sa­dos. Seu co­nhe­ci­men­to am­plo da li­te­ra­ tu­ra pu­ri­ta­na, teo­ló­gi­ca e de avi­va­men­to o ca­pa­ci­tou pa­ ra ador­nar seus dis­cur­sos de tal ma­nei­ra que o ou­vin­te saía com uma sen­sa­ção de sa­tis­fa­ção. Co­mo é di­fí­cil com­preen­der que es­se gran­de pre­ga­ dor en­tu­sias­ma­do, de­di­ca­do, in­te­li­gen­te e ga­nha­dor de al­mas par­tiu! To­das as de­no­mi­na­ções la­men­tam sua mor­te, pois as suas ener­gias eram da­das li­vre­men­te pa­ra to­dos, por­que ele não co­nhe­cia a in­ve­ja mi­nis­te­rial. Sua vi­da se­rá uma ins­pi­ra­ção pa­ra mi­lha­res, sua in­fluên­cia se­rá ines­que­cí­vel, seu exem­plo con­ta­gian­te, e ape­sar de ter si­do apa­ga­do no au­ge da sua car­rei­ra, não re­cla­ma­ mos da sua pas­sa­gem pa­ra um ser­vi­ço maior. Ten­tar subs­ti­tuí-lo é ten­tar o im­pos­sí­vel, mas es­tar no seu lu­gar é uma ins­pi­ra­ção. Ele foi pa­ra a sua re­com­pen­sa, e ca­be aos que o co­nhe­ciam e ama­vam be­ne­f i­ciar-se do seu exem­plo e ten­tar preen­cher o es­pa­ço va­zio da me­lhor ma­nei­ra pos­sí­vel. Adeus, meu que­ri­do ir­mão! Que seu man­to de pas­ tor caia so­bre seu su­ces­sor in­dig­no, e que a pai­xão que en­cheu sua al­ma con­tro­le o au­tor des­ta ho­me­na­gem ina­de­qua­da.


Pr. Hugh Gunn

No meio da massa confusa de homens, mulheres e crianças se afogando, ele não deixaria de indicar a Cruz, e assim como vivia, morreria com esse nome nos lábios – Jesus! Jesus!! Jesus!!!


5 “Ele não Podia Viver sem Ganhar Almas” Homenagem do Pr. Hugh Gunn, Igreja Batista John Street, Glasgow

N

os­so que­ri­do ir­mão, Sr. Har­per, era um ho­mem em Cris­to. Ele era to­tal­men­te de­di­ca­do a Deus. Eu o co­nhe­cia bem, e nun­ca vi ne­le na­da des­fa­ vo­rá­vel. Ele não ti­nha ne­nhum pas­sa­tem­po, e não pro­ cu­ra­va ne­nhum en­tre­te­ni­men­to além de apro­fun­dar o seu pra­zer em Deus. To­do po­der e to­da pai­xão de seu ser pa­re­ciam se ale­grar com a vi­da de Deus. Ele es­ta­va con­ti­nua­men­te pe­ran­te o al­tar.

Uma Paixão por Santidade Ele era um ho­mem de ze­lo in­ten­so. Es­se ze­lo foi ge­ ra­do por sua cons­ciên­cia de Deus. O po­der da eter­ni­da­


72 • O Último Herói do Titanic de pa­re­cia re­pou­sar so­bre ele o tem­po to­do. Is­so o ca­ rac­te­ri­za­va con­ti­nua­men­te, na ora­ção, na pre­ga­ção, no acon­se­lha­men­to pes­soal de in­di­ví­duos com re­la­ção à sal­va­ção. Ele era um ho­mem de ora­ção. Ja­mais me es­que­ce­rei das reu­niões de ora­ção com ele. Lo­go que co­me­ça­va a orar em voz al­ta, to­dos per­ce­biam que ele ti­nha in­ti­mi­ da­de com Deus. Ao ou­vi-lo orar, sen­tía­mos o de­se­jo de fi­car so­zi­nhos e abrir o co­ra­ção pe­ran­te Deus. A ora­ção exi­gia mui­to de­le. Ele bus­ca­va orar no Es­pí­ri­to San­to. Era co­mum pas­sar noi­tes in­tei­ras so­zi­nho oran­do. Li­te­ ral­men­te vi­nha da pre­sen­ça de Deus pa­ra seu po­vo. Seus ser­mões eram ri­cos pe­la ora­ção, por is­so ti­nham gran­de po­der pa­ra rea­vi­var e san­ti­f i­car o po­vo de Deus, e le­var pe­ca­do­res cho­ran­do à Cruz.

A Mão de Deus Estava Sobre Ele Ele era um ho­mem de Deus. Um ho­mem san­to de Deus. O Se­nhor era tu­do pa­ra ele, tan­to que sem­pre bus­ ca­va a co­mu­nhão com Deus. Ele de­lei­ta­va-se na fra­que­ za em Cris­to. A mão po­de­ro­sa de Deus es­ta­va so­bre ele. E sem dú­vi­da, es­se era o se­gre­do de sem­pre ter o que in­des­cri­tí­vel­men­te cha­ma­mos de un­ção. Ja­mais o ou­vi fa­lar sem ela. Co­mo pas­tor, ele ti­nha mui­to cui­da­do na pre­pa­ra­ção pa­ra o púl­pi­to. Ele lem­bra­va as palavras de M’Chey­ne: “óleo ba­ti­do pa­ra o san­tuá­rio”. Pa­re­cia que ele com­ preen­dia com­ple­ta­men­te os san­tos e pe­ca­do­res, e ca­da um re­ce­bia sua por­ção pe­ran­te Deus. Ele bus­ca­va an­sio­ sa­men­te le­var o po­vo de Deus à ple­ni­tu­de de uma vi­da aben­çoa­da em Cris­to, e não que­ria que fi­cas­se sa­tis­fei­to com al­go me­nos que a vi­da abun­dan­te que en­chia sua


“Ele não Podia Viver sem Ganhar Almas” • 73 pró­pria al­ma. John era mui­to aben­çoa­do ao le­var cren­tes à obra de Deus. Nun­ca os in­cen­ti­vou a ser ou fa­zer al­go que ele pró­prio não era ou não fa­zia. Ele mos­tra­va o ca­ mi­nho.

Sua Paixão pelas Almas Nos­so que­ri­do ir­mão pos­suía um ze­lo in­ten­so pe­las al­mas. Es­sa era real­men­te a ca­rac­te­rís­ti­ca mar­can­te da sua vi­da con­sa­gra­da. Ele pa­re­cia ser in­ca­paz de vi­ver sem ga­nhar al­mas pa­ra Cris­to. Al­mas! Al­mas!! Al­mas!!! preen­chiam to­da a sua vi­da. Ele era leal à Pa­la­vra de Deus. Nun­ca se­guia os ca­mi­ nhos du­vi­do­sos da crí­ti­ca, pois a Pa­la­vra de Deus era o seu guia. O pas­tor John não to­le­ra­va al­guns dos mé­to­dos mo­ der­nos de rea­li­zar a obra cris­tã. Pa­ra ele era qua­se blas­ fê­mia ofe­re­cer aos ho­mens, que es­tão mor­ren­do, en­tre­ te­ni­men­tos e di­ver­sões ao in­vés do Evan­ge­lho glo­rio­so que traz sal­va­ção a to­das as pes­soas. Seu pró­prio mi­nis­ té­rio era um exem­plo vi­vo da­qui­lo que so­men­te o Evan­ ge­lho po­de al­can­çar.

“Suba Mais” Ten­do si­do uma bên­ção pa­ra a Igre­ja Moody em Chi­ ca­go, ele foi con­vi­da­do a vol­tar pa­ra uma se­gun­da mis­ são, e na ida pa­ra lá, Cris­to veio até ele e dis­se: “Su­ba mais”. Que en­con­tro com seu Se­nhor! Te­nho mui­ta cu­ rio­si­da­de em sa­ber co­mo ele agiu nos úl­ti­mos mo­men­ tos da sua vi­da. Co­mo de cos­tu­me, ele não dei­xa­ria de se­car as lá­gri­mas, con­for­tar, e aju­dar até o úl­ti­mo mi­nu­ to da sua vi­da. No meio da mas­sa con­fu­sa de ho­mens,


74 • O Último Herói do Titanic

Pr. A. Moncur Niblock Aci­ma: um bra­ço de guindaste dos bo­tes sal­vavi­das lem­bra que ha­via es­pa­ço pa­ra sal­var somente 1.178 passageiros. Mas al­guns dos bar­cos só fo­ram ocupa­dos pela me­ta­de por pu­ro me­do, ner­vo­sis­mo e egoís­mo. Das mais de 1.500 vítimas, apro­xi­ma­da­men­te 500 afun­da­ram com o na­vio e as ou­tras mor­re­ram nas águas ge­la­das. O re­ló­gio foi en­ con­tra­do com uma pes­soa afo­ga­da e pa­rou na ho­ra da ca­tás­tro­fe.


“Ele não Podia Viver sem Ganhar Almas” • 75 mu­lhe­res e crian­ças se afo­gan­do, ele não dei­xa­ria de in­ di­car a Cruz, e as­sim co­mo vi­via, mor­re­ria com es­se no­ me nos lá­bios – Je­sus! Je­sus!! Je­sus!!!


Só houve um John Harper e não haverá outro; ninguém jamais o substituirá. Ele se foi, nós ficamos para trás! Para quê? Para chorar e deixar nossas mãos desocupadas? Não, certamente não! Mas, sim, para trabalhar, vigiar, esperar, pregar a Cristo, e este crucificado, para salvar aqueles que estão clamando a nós: “Salvem nossas almas”.


6 Nunca Mais Haverá Outro Homenagem do Pr. A. M. Niblock, feita na Igreja Batista de Walworth Road, Londres

É

com sen­ti­men­tos in­des­cri­tí­veis que es­tou aqui nes­ta ma­nhã. A gran­de ca­la­mi­da­de que caiu so­ bre nós, com a per­da do nos­so que­ri­do pas­tor, o re­ve­ren­do John Har­per, nos lan­çou nu­ma es­cu­ri­dão de on­de nos­sos co­ra­ções e nos­sas men­tes ain­da não con­se­ guem sair. Na noi­te de se­gun­da-fei­ra pas­sa­da, saí­mos da reu­nião de ora­ção pa­ra nos­sas ca­sas cheios de lou­vor a Deus pe­la pre­ser­va­ção do nos­so que­ri­do ami­go.

A Promessa Falha de um Navio Insubmergível Os jor­nais nos dis­se­ram que ele es­ta­va num na­vio in­ sub­mer­gí­vel, que tu­do era se­gu­ro, e que não ha­via ra­zão pa­ra te­mer, mas in­fe­liz­men­te a pa­la­vra do ho­mem não é co­mo a Pa­la­vra de Deus – imu­tá­vel, cons­tan­te e cer­ta. E


78 • O Último Herói do Titanic as obras do ho­mem não são co­mo as de Deus, pois pa­la­ vras e obras fa­lha­ram, co­mo vi­mos nes­se tris­te de­sas­tre. O na­vio era in­sub­mer­gí­vel, e afun­dou; le­vou con­si­go às es­cu­ras pro­fun­de­zas o cor­po da­que­le que amá­va­mos tan­to, mas, gra­ças a Deus, sa­be­mos que ele foi pa­ra o céu pa­ra es­tar com o Se­nhor. So­fre­mos uma gran­de per­da, e não so­men­te nós, mas to­da a Igre­ja de Deus, uma per­da que não po­de ser subs­ ti­tuí­da. Só ha­via um John Har­per, e nun­ca mais ha­ve­rá ou­tro, nin­guém ja­mais o subs­ti­tui­rá. Ele se foi, nós fi­ca­ mos pa­ra trás! Pa­ra quê? Pa­ra cho­rar e dei­xar nos­sas mãos de­so­cu­pa­das? Não, cer­ta­men­te não! mas pa­ra tra­ ba­lhar, vi­giar, es­pe­rar, pre­gar a Cris­to, e es­te cru­ci­f i­ca­ do, e as­sim sal­var aque­les que es­tão cla­man­do a nós: “Sal­vem nos­sas al­mas”. Meu co­ra­ção sen­te o mes­mo que os seus, sim, es­ta­ mos so­fren­do jun­tos, e só Deus sa­be quão gran­de é o va­zio que es­tá nos seus co­ra­ções nes­ta ma­nhã.

Nossa Fornalha de Aflição Deus ama es­ta igre­ja, Ele a hon­rou ao ce­der, por um tem­po, es­se ho­mem de ora­ção pa­ra le­vá-la aos pas­tos ver­de­jan­tes da ver­da­de e às águas tran­qüi­las da co­mu­ nhão com Deus. O pró­prio fa­to de­le ter es­ta­do aqui pro­ va o amor de Deus por vo­cês, e que Deus es­co­lheu es­se po­vo pa­ra Si, pa­ra que Ele mos­tras­se a Sua gló­ria e vir­ tu­de atra­vés de vo­cês. Ho­je vo­cês es­tão na for­na­lha da afli­ção. Mas não é is­so que Deus quer pa­ra Seu po­vo? Isaías diz: “Pro­vei-te na for­na­lha da afli­ção”, e nis­so que acon­te­ceu co­nos­co, Deus es­tá nos pro­van­do pa­ra Si. A In­gla­ter­ra ho­je é uma ter­ra de la­men­ta­ção. Há mui­ tas viú­vas e mui­tos ór­fãos que, há pou­co tem­po atrás,


Nunca Mais Haverá Outro • 79

A A co­ co­llu­ u­nnaa do do le­ le­ me me do doTi­ Ti­tta­ a­nnic. ic. O O que que era era de de ma­ ma­ dei­ dei­rra, a, co­ co­m moo aa ro­ ro­ddaa do do le­ le­m me, e, de­ de­ssa­ a­ppa­ a­rre­ e­cceu. eu. O O mes­ mes­m moo acon­ acon­tte­ e­ ceu ceu nos nos de­ de­m mais ais des­ des­ttro­ ro­çços os do do na­ na­vvio. io. Que Que mo­ mo­ men­ men­ttos ostrá­ trá­ggi­i­ccos os fo­ fo­rram am vi­ vi­vvi­i­ddos os exa­ exa­tta­ a­m men­ en­ttee nes­ nes­ ta ta pon­ pon­ttee de de co­ co­ man­ man­ddo! o!


80 • O Último Herói do Titanic es­ta­vam con­tan­do os dias, as ho­ras quan­do te­riam a ale­ gria de ver os seus que­ri­dos de vol­ta. Ho­je seus co­ra­ ções es­tão par­ti­dos. A tris­te­za en­trou nos seus es­pí­ri­tos, e es­tão so­zi­nhos, seu fu­tu­ro é du­vi­do­so, e o es­pí­ri­to da so­li­dão to­mou con­ta de­les. Ago­ra não têm nin­guém pa­ra abra­çar, con­f iar, com­par­ti­lhar; seu par­cei­ro se foi, aque­ le que era a sua ou­tra me­ta­de, a quem ama­vam, de quem fa­ziam par­te.

“Ele orava por vocês. Como orava” Deus nos aju­de, en­tão, a fa­zer a par­te de um ver­da­ dei­ro cris­tão e a lem­brar des­sas pes­soas em nos­sas ora­ ções pe­ran­te o tro­no eter­no. Eu já dis­se que per­di um ami­go, um ir­mão e um pas­tor. Is­so é ver­da­de, não é mes­mo? Ele real­men­te era um ami­go. Po­día­mos che­gar pa­ra ele e abrir nos­sos co­ra­ções, sa­ben­do que ele va­lo­ri­ za­ria nos­sa con­f ian­ça, se­ria gen­til co­nos­co li­dan­do com to­da de­li­ca­de­za, e se­ja qual fos­se o con­se­lho ele po­de­ria ser se­gui­do. Ora, John era um pas­tor, um pas­tor de ove­lhas. O que mos­tra que era um ho­mem cons­cien­te de suas pres­ ta­ções de con­tas ao gran­de Pas­tor do re­ba­nho de que cui­da­va. Ele ora­va por vo­cês. Co­mo ora­va! Al­guns de nós ti­ve­ mos o pri­vi­lé­gio de nos reu­nir­mos com ele em ora­ção a Deus, e nes­sas ho­ras ele se en­tre­ga­va com­ple­ta­men­te; mui­tas ve­zes nos ma­ra­vi­lha­mos com a sua ou­sa­dia, pe­ din­do a Deus gran­des coi­sas, e fa­lan­do com Ele com in­ ti­mi­da­de. Eu nun­ca co­nhe­ci um ho­mem co­mo ele na ora­ção. Eu vi seu suor li­te­ral­men­te es­cor­ren­do en­quan­to su­pli­ca­va em ora­ção.


Nunca Mais Haverá Outro • 81 Às ve­zes ele pa­re­cia ter su­bi­do com asas de águia e es­tar lon­ge de nós, lon­ge na­que­le céu azul on­de Deus es­tá, mas ao mes­mo tem­po per­ce­be­mos que ele tra­zia o céu pa­ra a ter­ra. Quan­do John Har­per ora­va, o céu e a ter­ra se en­con­tra­vam, e os que es­ta­vam per­to de­le sa­ biam dis­so, por­que o sen­tiam. Ele era um Brai­nerd, um Ed­wards, um M’Chey­ne, um Wil­liam Burns, um Fin­ney, e um Caug­hey, to­dos ao mes­mo tem­po. Co­mo ele ora­va pe­las ove­lhas do re­ba­nho! Ó ami­gos, de­ve­mos mui­to ao nos­so Se­nhor Je­sus por per­mi­tir que ele en­tras­se nas nos­sas vi­das. So­mos ho­je mais ri­cos es­pi­ri­tual­men­te por cau­sa das suas ora­ções, e nos dias vin­dou­ros quan­do re­ce­ber­mos bên­çãos es­pi­ri­tuais, lem­brem-se de que em gran­de par­ te mui­tas de­las se­rão as res­pos­tas das ora­ções do nos­ so ir­mão au­sen­te.

Ele Viveu Praticamente sem Teto e Morreu sem um Túmulo Nos­so ami­go, ir­mão, e pas­tor foi pa­ra seu lar. Quan­ do sua que­ri­da es­po­sa foi ti­ra­da de­le há uns seis anos atrás, ele fi­cou, de cer­ta for­ma, sem te­to. Era sua es­po­sa que cui­da­va da ca­sa, nos ar­re­do­res de Glas­gow, seu “lar”. Ago­ra ele es­tá com ela, e além dis­so, es­tá com seu Se­nhor e Sal­va­dor, a quem ele ado­ra­va, ama­va e ser­ via... Quan­do o Ti­ta­nic afun­dou, le­vou con­si­go seu po­bre frá­gil cor­po, mas não o seu es­pí­ri­to, pois es­te foi pa­ra seu lar com Deus. En­tão não de­ve­mos nos lem­brar de­le co­mo era na car­ne, mas co­mo é ago­ra com Cris­to. Se lem­brar­mos do ho­mem na car­ne, ve­re­mos o po­bre cor­ po no fun­do do mar, e ima­gi­na­re­mos que ele es­tá frio e


82 • O Último Herói do Titanic

A ma­dei­ra, o es­to­fa­men­to e as al­mo­fa­das su­mi­ram, e a areia do mar po­liu a es­tru­tu­ra me­tá­li­ca. Nin­guém mais sen­ta-se nes­te ban­co nu­ma pro­fun­di­da­de de mais de 3.800 me­tros!


Nunca Mais Haverá Outro • 83 so­zi­nho, o que não é ver­da­de. Não, ami­gos, não nos en­ tris­te­ce­mos co­mo os de­mais. Aque­le cor­po era ape­nas a mo­ra­da ter­re­na de um no­bre ho­mem de Deus. O ho­mem se foi, e o ta­ber­ná­cu­lo ter­re­no ago­ra não tem mo­ra­dor. Se pu­dés­se­mos, o co­bri­ría­mos e guar­da­ría­mos, e co­lo­ ca­ría­mos seu cor­po no tú­mu­lo com amor, por cau­sa da al­ma que vi­veu ne­le, mas não o po­de­mos, e, por is­so, nos sub­me­te­mos e pros­tra­mos à von­ta­de de Deus. Pois Deus se agra­dou em le­var nos­so ir­mão pa­ra Si des­sa for­ma, não sa­be­mos por quê. Mas uma coi­sa sa­be­mos, Deus fez o que é cer­to, e à Sua von­ta­de di­ze­mos, Amém!


Sr. Hugh Morris, Evangelista

Com uma pele pálida e um corpo frágil ele não parecia ser muito forte: Ninguém poderia imaginar que ele viveria durante aqueles anos para realizar a grande obra que realizou, pois como obreiro na vinha do Mestre ele trabalhava sem cessar, como todos que o conheciam sabiam.


7 “O Comovente Zelo e a Dedicação do Homem” Homenagem do Sr. Hugh Morris, Evangelista oi privilégio meu ter a amizade do Sr. John Harper por vinte cinco anos, e ao ler as notícias sobre seu triste fim nos jornais, depois do terrível desastre do Titanic, mal podia acreditar que esse seria o destino do homem de quem me despedi pouco tempo antes, que, desde que o conheci, nunca pareceu tão preparado para o trabalho física, intelectual, e espiritualmente. Eu o ouvia pregar com freqüência, mas o sermão que pregou na Reunião do Meio-Dia em Bothwell Street, Glasgow, no dia do nosso último encontro sobre a terra, na

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86 • O Último Herói do Titanic quarta-feira, dia 20 de março, ficou marcado na minha mente por sua lucidez, sinceridade e força espiritual, que dava certeza de que seus dons como proclamador das Boas Novas de Deus não se acabaram, mas aumentaram e se fortaleceram desde nosso encontro anterior. Há vinte cinco anos atrás, como um menino de quatorze anos, ele começou a trabalhar nos jardins de Barochan House, Houston, Renfrewshire. Com uma pele pálida e um corpo frágil, ele não parecia muito forte. Ninguém poderia imaginar que ele viveria durante aqueles anos para realizar a grande obra que realizou, pois como obreiro na vinha do Mestre, ele trabalhou sem cessar, como todos que o conheciam sabiam. Uma característica marcante daqueles primeiros anos, que deixava radiante sua vida de jovem, era sua reverência pelas coisas de Deus. Tive o privilégio de conhecer os pais de John, e quem pode subestimar a influência benigna de um lar onde Cristo é Senhor e Mestre, numa vida jovem que cresce no seu meio? Seu pai era um homem muito modesto, mas também um homem marcante, pois o amor de Deus, que enchia seu coração, o fazia pensar, falar e agir de modo a declarar com clara voz que ele era um “servo de Jesus Cristo” como o seguinte incidente demonstrará.

George Harper Sabia Lidar com Humilhações Um dia numa fazenda, onde os trabalhadores estavam juntando feno em montes, o fazendeiro começou a provocá-lo e zombar da sua religião enquanto ele passava. Os trabalhadores riram. George Harper não disse nada a


“O Comovente Zelo e a Dedicação do Homem” • 87

O navio de pesquisas “Atlantis II”, com o submarino “Alvin” no guindaste da popa. Em 9 de julho de 1986, Robert D. Ballard e sua equipe de 9 pessoas iniciaram a expedição ao “Titanic”. Com a ajuda de satélites, depois de 3½ dias chegaram exatamente ao local onde haviam descoberto os destroços há um ano. Depois de onze mergulhos com o submarino “Alvin” e com o robô-filmador “Jason”, acabavam de ser feitas as fotografias mais espectaculares dos restos desse “rei dos mares”, tiradas na escuridão total das profundezas.

princípio, mas depois virou-se para o fazendeiro e citou Apocalipse 21.8: “Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte”, e alguns outros textos semelhantes. O riso cessou, o velho fazendeiro ficou tremendo, depois se voltou e fugiu para dentro de casa. Daquele dia


88 • O Último Herói do Titanic em diante, ninguém da fazenda sequer tentou ridicularizar George Harper ou a sua religião. Um homem de verdadeira santidade, poderoso nas Escrituras e poderoA proa do “Titanic” abriu uma verdadeira cratera no fundo do mar. Isso nos traz à lembrança passagens bíblicas que dizem: “...descerá a soberba de seu poder” (Ez 30.6), ou: “...serei semelhante ao Altíssimo. Contudo levado serás ao Seol, ao mais profundo abismo! (Is 14.14 e15), ou alguns trechos de Ezequiel 28.15-19: “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado... Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura... Todos os que te conhecem entre os povos estão espantados de ti; chegaste a um fim horrível...!”


“O Comovente Zelo e a Dedicação do Homem” • 89 so na oração. Quantas vezes na hora da refeição senteime com a minha Bíblia na mão e ouvi com grande proveito esse “Mestre de Israel” abrir as Escrituras. Ninguém conseguia ouvi-lo orar e não ficar comovido pelo comovente zelo e pela dedicação do homem. Não se pode duvidar que ele conhecia o caminho direto para o trono da graça. Eu saí daquela região e fui morar em Largs. John Harper foi trabalhar no comércio de carpetes em Elderslie, depois, na fábrica de papel em Kil-barchan. Veio o chamado para pregar o Evangelho, e ele obedeceu. Em toda a região, Johnstone, Kil-barchan, Linwood, Elderslie e Bridge-of-Weir, John foi pregando com poder. Primeiro a escola e depois um salão foram usados para reuniões em Bridge-of-Weir. Várias vezes pediram para mim passar um fim-de-semana ali.

Há Cinco Pessoas Aqui que Ainda não Aceitaram a Cristo Uma reunião ficou marcada em minha memória. Aquele domingo estava violentamente chuvoso. Na hora da reunião à noite, o tempo não tinha melhorado. Estávamos esperando pouca gente, porque a estrada para o local era longa, escura e cercada de árvores. No palco, depois de dizer o hino, eu perguntei se ele achava que havia algum incrédulo presente. Ele conhecia bem os trabalhadores, e depois de um minuto ele sussurrou para mim: “Há cinco pessoas aqui que ainda não aceitaram a Cristo”. Eu pedi que John orasse pela conversão daqueles cinco, enquanto eu pregaria para a conversão deles. “Estou de acordo”, ele disse com um sorriso. Quando a primeira reunião terminou, ninguém se mexeu para ir


90 • O Último Herói do Titanic embora. Não fizemos pressão sobre ninguém, nem usamos estratégias para segurá-los. Todos ficaram sentados voluntariamente, e quando perguntamos se as cinco pessoas queriam aceitar a Cristo, elas disseram que sim, e todas as cinco fizeram a profissão de fé em Jesus antes de ir embora. Ele costumava falar sobre essa reunião quando nos encontrávamos depois disso.

Aos 20 Anos Ele Era o Líder Outra reunião que organizou foi uma conferência para obreiros cristãos em Brae of Ran-furly, Bridge-ofWeir, numa tarde de sábado no verão. Eu dei uma palestra naquela conferência, e ainda me lembro da grande reunião e da vida espiritual sadia que todos demonstravam. Quando lembramos que naquela época ele não tinha nem 20 anos de idade, e que já era o líder de toda a obra, isso nos mostra que, junto com os anos seguintes de trabalho duro e zelo ilimitado para ganhar os perdidos para Cristo, ele não estava trabalhando pela força da carne, mas através do “poder do Espírito”, depois de receber ordens do “Líder e Comandante” para ir. Agora pode-se dizer que sua obra está terminada, tendo colocado “suas mãos no arado” ele nunca mais olhou para trás. Na época em que estava trabalhando com força total no distrito mencionado acima, ele me escreveu dizendo que viu, e estava convencido pela Palavra de Deus, que deveria se batizar por imersão, e pediu para que eu realizasse a cerimônia. Eu não era pastor, e na época nem tinha o título de “evangelista”, mas como ele insistiu que eu o batizasse, num sábado de manhã fomos juntos para Noddle Burn


“O Comovente Zelo e a Dedicação do Homem” • 91 no norte de Largs, e ali, no lago sob a ponte da estrada de Wemyss Bay, John Harper, por obediência ao seu Senhor, foi batizado na forma do Novo Testamento.

As Últimas Palavras de John e de Seu Pai Para Mim A última vez que vi o piedoso pai de John vivo, tivemos uma conversa sobre as “coisas relativas ao Rei”. E apesar dele, na época, estar trabalhando normalmente, me assegurou com muita calma e com ênfase que sabia que estava perto do fim da sua jornada aqui. Sua saúde estava normal, mas ele me disse que as orações de muitos anos foram respondidas, e a chamada para o lar viria em breve. Era verdade, pois duas semanas depois eu estava em Houston no seu velório. No fim de março deste ano me encontrei com John. Ele partiria em breve para Chicago. Ele disse: “Talvez ainda o veja lá”. “Sim, tenha fé”, foi minha resposta. Não. Não, Chicago, mas “a Cidade que tem fundamentos”, onde não há campanhas evangelísticas, pecado, catástrofes, tristezas. Com Cristo, com Ele para sempre, nos encontraremos. Glória a Deus.


Sr. W.D. Dunn, Evangelista

E agora o corpo precioso do soldado valente está sob as ondas do oceano, e seu espírito lavado pelo sangue está na presença do Senhor lá na terra de luz e glória, a pátria de todos os que amam e servem ao Cristo de Deus. Adeus, querido soldado, nos encontraremos na manhã sem nuvens.


8 Um Soldado Valente Dedicado a Deus Homenagem do Sr. W. D. Dunn, Evangelista

ou com prazer meu testemunho carinhoso sobre a fidelidade e o genuíno valor do falecido pastor John Harper. Eu o conhecia há vinte anos, e durante todo esse período tivemos uma amizade íntima, buscando a santificação dos santos de Deus, e a salvação das almas perdidas. Durante minha longa experiência na obra cristã tive contato com os melhores obreiros do Senhor, e sem reserva, posso dizer que nenhum pastor, professor, ou evangelista jamais tocou minha alma mais que os apelos e as pregações do pastor John Harper, porque ele sempre fora dedicado a Deus e às almas.

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94 • O Último Herói do Titanic

“Dá-me Almas ou Morrerei” John Welch, na beira da sua lagoa, à meia-noite, disse: “Oh Deus, dá-me a Escócia, ou morrerei”, e muitas vezes ouvi o pastor Harper dizer, enquanto se prostrava perante Deus, coberto de suor: “Oh Deus, dá-me almas, ou morrerei”. Então ele soluçava e chorava, como se seu coração fosse explodir. É de admirar que Deus lhe tenha dado almas para Cristo às centenas? Nosso querido irmão era um estudante aplicado da preciosa Palavra de Deus – ele cria que ela foi inspirada por Deus do Gênesis ao Apocalipse, e ele a pregava com uma visão clara. Muitas vezes assisti aos cultos na Igreja Batista de Paisley Road que mais pareciam um campo de batalha, santos chorando por não serem como Cristo, e pobres pecadores perdidos clamando por salvação.

Harper “Morava ao Lado do Céu” Que vitórias gloriosas da graça foram conquistadas através do seu ministério no Espírito Santo naquela parte da cidade! E por onde ele passou, tanto em público quanto em particular, levava consigo o perfume santo do seu Senhor. Muitas vezes senti, depois de estar com ele no Evangelho ou no Santo Lugar do Senhor, que ele estava amadurecendo rapidamente para uma obra maior. Ele morava ao lado do céu, portanto sua alma estava aspirando constantemente o ar do céu. A bênção de alma que nosso irmão tinha o livrou de qualquer vestígio de partidarismo, e por isso ele pregava em perfeita harmonia com todas as outras denominações da Igreja Cristã. Ele aprendeu através da graça que


Um Soldado Valente Dedicado a Deus • 95 a Igreja e a obra da Igreja são uma, e estava pronto para ajudar qualquer ministro irmão que precisasse dos seus serviços.

Ele Vivia Sob Pressão Suficiente Para “Destruir o Mais Poderoso dos Homens” Muitos de nós imaginamos como ele vivia sob uma tensão tremenda, provocada pela quantidade de pregações que fazia, e por noites gastas em oração, que pareciam suficientes para destruir o mais forte de todos os homens, mas ele continuava como um trem expresso, determinado a alcançar seu destino sem demoras, seus olhos fixados no Senhor, crucificado, sepultado, ressurreto, que subiu ao céu, intercede por nós e está para voltar. E todos os poderes do inferno não poderiam removê-lo do centro da determinação de sua alma. E agora o corpo precioso do soldado valente está sob as ondas do oceano, e seu espírito lavado pelo sangue está na presença do Senhor lá na terra de luz e glória, a pátria de todos os que amam e servem o Cristo de Deus. Adeus, querido soldado, nos encontraremos na manhã sem nuvens.


Sr. John Paton

Alguns de nós podem muito bem imaginá-lo nesses últimos minutos agonizantes a bordo do Titanic condenado, no meio de um grupo de almas feridas e arrependidas, indicando-lhes o Salvador que amou e serviu tão bem, e ajudando-as a agarrar a sua última chance.


9 Deus o Encarregou a Ser a Última Testemunha do Titanic Homenagem do Sr. John Paton, de Carmyle ico agradecido pela oportunidade de registrar o quanto devo na minha vida cristã à amizade com o querido John Harper. Acho que a palavra de Provérbios 17.27: “O sereno de espírito é homem de inteligência”, é realmente verdadeira, e os dois amigos que agora estão com o Senhor e que mais “afiaram” a minha vida foram Matthew Colquhoun e John Harper.

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Reconstituição artística da proa do “Titanic” no fundo do mar com base nas fotos tiradas. Ao seu redor se encontram grandes quantidades de destroços e restos do navio.


Deus o Encarregou a Ser a Última Testemunha... • 99

Zelo Ardente Ambos eram amigos íntimos, não só meus, mas um do outro, e antes de morrer no dia 6 de maio de 1909, Matthew serviu muitas vezes ao Senhor em Paisley Road durante o pastorado de John Harper. Um deles me impressionava muito pela doce e transparente santidade da sua vida, o outro, da mesma forma pelo seu zelo ardente e dedicado, ambas qualidades nascidas do amor fervoroso deles pelo Salvador. Quando vemos como é fácil deixar a lâmina da vida espiritual ficar sem fio, damos mais valor ao privilégio de amizades como essas, e só a eternidade revelará quantas pessoas comuns da comunidade cristã, como eu, devem ter sido abençoadas através do contato com essas duas vidas.

Gastar e Ser Gasto Estar na companhia de John Harper era renovar no coração o desejo de “gastar e ser gasto” na obra do Mestre. Alguns de nós podem muito bem imaginá-lo nesses últimos minutos agonizantes a bordo do Titanic condenado, no meio de um grupo de almas feridas e arrependidas, indicando-lhes o Salvador que amou e serviu tão bem, e ajudando-as a agarrarem a sua última chance. Deus não tem muitos servos a quem Ele confiaria tal obra, e isso para mim é pelo menos a explicação do nosso irmão estar a bordo do Titanic, ao invés de viajar no Lusitania, como havia planejado. Que todos nós sigamos John Harper da mesma forma que ele seguiu Jesus.


Sr. Robert Logan, Evangelista

Oh! Como ele inflamava-se, orava, trabalhava e chorava pela conversão dos pecadores, e, graças a Deus, muitos foram levados aos pés do Salvador através dos seus esforços consagrados.


10 Uma Visão Impressionante Homenagem do Sr. Robert Logan, Evangelista fim repentino e inesperado do nosso querido irmão, Sr. Harper, foi como uma bofetada para aqueles dentre nós que o conheciam e amavam, e ainda achamos difícil pensar que ele deixou o local das suas zelosas, altruístas e frutíferas obras.

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A Força da Sua Vida Pessoal O Sr. Harper era um homem forte. Ele era forte no seu amor pelos irmãos. O seu aperto de mão bondoso e seu cumprimento de irmão eram sempre animadores. Ele era forte no seu amor e na sua reverência pela Bíblia. O seu desenvolvimento no estudo da Bíblia e o conhecimento bíblico adquirido eram muito impressionantes.


102 • O Último Herói do Titanic Ele era forte no seu amor pela oração. Ele sabia como poucos parecem saber que o poder verdadeiro entre os homens deve ser precedido de comunhão com Deus. Por isso, ele não praticava os dez ou quinze minutos normais de oração a Deus. Ele passava horas em oração persistente diante de Deus pela salvação das almas perdidas. Ah, se tivéssemos mais intercessores assim! Em meio à montanha de destroços foi descoberto também este cofre. Quantos não teriam desejado dar tudo o que possuíam para salvar suas vidas e as de suas famílias?


Uma Visão Impressionante • 103

A Força da Sua Preocupação com os Outros Ele era forte no seu amor pelos perdidos. Ele tinha um amor intenso pelas almas! Ele ficava ansioso pela santificação dos santos. Oh! Como ele inflamava-se, orava, trabalhava e chorava pela conversão dos pecadores, e, graças a Deus, muitos foram levados aos pés do Salvador através dos seus esforços consagrados.

A Fonte da Sua Força Ele amava fortemente o Salvador que morreu por ele. John vivia, andava, orava e pregava com a consciência de uma visão impressionante do Calvário. Portanto, Cristo, o Crucificado, era sempre o seu tema. Para ele o nome de Jesus era doce, sagrado e precioso. Que seu manto caia sobre muitos de nós para que possamos completar com sucesso a carreira que nos está proposta até o dia raiar, quando nos encontraremos para nunca mais dizer adeus.


O conteúdo da carta (de Harper) era principalmente de incentivo à atividade incessante para alcançar os perdidos e de fortalecimento dos santos, e para encorajar-me pessoalmente a continuar na obra entre os pecadores e desprezados.


11 Um Homem de Conselho Terno e Encorajador Homenagem do Sr. Alex Galbraith, missionário entre marinheiros, Glasgow inha amizade e comunhão com o querido irmão John Harper, a quem eu amava no Senhor, começou há uns doze ou quatorze anos. Eu o vi desenvolver-se e crescer espiritualmente no zelo pelas almas dos homens e na lealdade a Cristo e à Sua verdade. Recebi as últimas notícias dele cerca de uma semana antes dele ter se apresentado, pela última vez, na Reunião do Meio-Dia em março, e o conteúdo da sua carta era principalmente de incentivo à atividade incessante para alcançar os perdidos e de fortalecimento dos santos, e para encorajar-me pessoalmente a continuar na obra entre os pecadores e desprezados; e ainda me lembro da ternura das suas palavras de conselho e incentivo.

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Pastor Malcolm Ferguson

Depois da morte da Sra. Harper, muitas vezes ele passava a noite na igreja e orava pelas pessoas que ocupavam cada assento, e, no domingo, buscava e esperava que almas fossem salvas. Ele era uma luz ardente e brilhante.


12 Quando Ele Falava, Almas Clamavam por Misericórdia Homenagem do pastor M. Ferguson, Armiesland oi meu privilégio e minha alegria conhecer o falecido pastor John Harper durante mais de doze anos. Eu ouvi falar dele pela primeira vez em New Cumnock, onde tinha dirigido alguns cultos. A igreja formada ali pelo Sr. James Adair estava procurando um pastor e queriam muito ficar com o Sr. Harper. Eu vi os frutos da sua missão, e senti que qualquer igreja teria razão em ficar com tal homem de Deus. Mais tarde o conheci em Gordon Halls, Paisley Road, e quando vi o espírito e entusiasmo das reuniões, disse

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108 • O Último Herói do Titanic a um dos obreiros: “Não vão conseguir manter o Sr. Harper aqui por muito tempo”.

Reavivamento Constante Bem, ele não foi levado de Paisley Road tão facilmente. Ele ficou ali por muitos anos, e centenas agradecerão a Deus por toda a eternidade pelo seu fiel ministério naquele lugar. Outros contarão a história da igreja, seu crescimento, seus reavivamentos constantes, as multidões, e as centenas de almas salvas e abençoadas.

Grandes Multidões e Grande Convicção Eu estive lá com freqüência em 1905, quando as notícias do reavivamento de Gales se espalharam. Não fui para Gales, mas muitas vezes vi cenas na Igreja de Paisley Road semelhantes ao que tinha ouvido que estava acontecendo lá. As multidões eram tão grandes que se tornava difícil entrar, e depois de entrar, era ainda mais difícil chegar ao palco. Então, antes de alguém conseguir falar por dez minutos, almas estavam clamando por misericórdia sob o grande poder de Deus. Não era emoção. Era o Espírito Santo convencendo do pecado. Eu me perguntava muitas vezes: Qual é o segredo dessa bênção perene em Paisley Road? Mas quando estava com o pastor na sua sala ou na sua casa, o segredo era logo revelado.

“Íntimo com Deus” Ninguém podia ficar perto do Sr. Harper muito tempo sem descobrir que ele era um poderoso homem de


Quando Ele Falava, Almas Clamavam... • 109

Na presença da morte se impõe a questão do sentido da vida. Jesus é a “âncora segura para as nossas almas” e em meio a um mundo maduro para o juízo é o bote salva-vidas que nos leva à maravilhosa eternidade na presença de Deus.


110 • O Último Herói do Titanic Deus, especialmente na oração. Ele conhecia a Deus e a sua Bíblia, e por experiência própria o poder interior do Espírito Santo lhe era também familiar. Tinha um amor ardente por Cristo e pelas almas. Eu ficava impressionado com a quantidade de trabalho que o Sr. Harper tinha. Seu modo de estudar e de se preparar para os sermões maravilhosos que fazia, eram um assombro para muitos. Mas enquanto a maioria de nós dormia, ele estava no esconderijo do Altíssimo, íntimo com Deus e com a Sua Palavra durante a noite inteira numa pequena sala na igreja de Paisley Road.

Noites Inteiras de Oração Depois da morte da Sra. Harper, muitas vezes ele passava a noite na igreja orando pelas pessoas que ocupavam cada assento, e, no domingo, ele buscava e esperava que almas fossem salvas. Ele era uma luz ardente e brilhante. Alguns ardem mas não brilham, outros brilham mas não ardem. Quando ele falava pode-se dizer o que disse o homem que foi ouvir Rowland Hill: “As palavras saiam queimando do seu coração”. Ele acreditava no que pregava, e pregava o que acreditava. Cristo e as coisas eternas eram tão reais para ele. Ele vivia e pregava “como se Cristo tivesse morrido ontem, ressuscitado hoje, e voltasse amanhã”.

Ele Sentia a Presença de Deus Se um pregador já teve consciência da presença de Deus, era o Sr. Harper, e ele fazia seus ouvintes sentirem o mesmo. Uma vez o ouvi dizer numa conferência: “Não vamos convencer e converter muitos peca-


Quando Ele Falava, Almas Clamavam... • 111 dores com risadas e piadas. Alguns já expulsaram o Espírito Santo dos cultos evangelísticos com risadas, e uma coisa que vemos claramente em muitas reuniões é a falta de consciência profunda da presença e do poder de Deus”.

“Sentiremos Sua Falta” Dizemos dele o que Jônatas disse de Davi: “Perguntar-se-á por ti, porque o teu lugar estará vazio”. Como alguns de nós sentimos sua falta! Sua palavra animadora, suas mensagens auxiliadoras, e acima de tudo a inspiração da sua presença atraente. Sempre que me despedia dele, ia para casa orar. Esse era o efeito que a presença do Sr. Harper tinha em mim. Que pelo seu exemplo piedoso, totalmente consagrado, sejamos incentivados a estarmos alertas não só para “guardar a fortaleza”, mas para invadir as fortalezas das trevas como nosso irmão gostava de fazer.


Nossa despedida perto da estação em Old Cumnock em março passado, foi um incidente inesquecível. Concordamos em dar uma passagem bíblica um ao outro... A passagem que me deu foi uma em que ele pensava muito há algum tempo: “Aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1 João 2.17b)


13 A Passagem de Despedida de John Harper Homenagem do pastor Wm. Wright enny e o distrito circunvizinho devem muito a Deus pelo presente que foi o Sr. John Harper. Senti que havia uma manifestação de Cristo na sua vida que ainda não conhecia. Certa vez tivemos uma conversa sobre Cristo habitando em nós, e ele sugeriu a nossa necessidade de ser “fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior”, para que Cristo possa habitar em nossos corações pela fé. Ainda jovem ele passou por esse processo de fortalecimento, e quando veio para Denny isso foi visto de maneira espetacular. Ele acreditava em receber de Deus o texto sobre o qual iria pregar, e vi sua alma em grande angústia até que tivesse o testemunho do Espírito Santo com relação

D


114 • O Último Herói do Titanic à passagem das Escrituras que iria expôr. Os títulos de seus sermões também tinham a marca divina, e seus tópicos eram muito bem elaborados.

Denny, Escócia, é Sacudida para Deus Denny não é sacudida facilmente, mas quando mandou encher a cidade com placas que diziam: “O inferno existe?”, alguns pararam para pensar. Ele anunciou um assunto que não esqueço: “A coisa mais difícil do mundo”, que era ir para o inferno, com base em 2 Pedro 3 e 9, porque o pecador tem que ir contra a vontade de Deus. O robô-fotógrafo “Jason” filma através de uma janela dos alojamentos vazios da tripulação.


A Passagem de Despedida de John Harper • 115

Campos Verdes e Campos Brancos Em setembro de 1910, John pregou um dos sermões mais agradáveis e animadores que jamais ouvi. O título era “Campos Verdes e Campos Brancos”. Os campos estavam verdes aos olhos dos discípulos, estavam brancos para a colheita aos olhos de nosso Senhor. Ao pregar essa mensagem poderosa de Deus durante a mesma missão, ele fez a seguinte pergunta para os evolucionistas responderem: “Se a condição do caráter humano está sempre evoluindo, como é que Aquele que é reconhecido por quase todos como o homem perfeito, Jesus, existiu há quase mil e novecentos anos atrás?”

Lutando Contra as Forças do Inferno Harper tinha uma convicção firme de que Satanás o teria matado se pudesse. Ele estava sempre ciente, especialmente nos últimos anos do seu ministério, do conflito que se passava em cada culto entre os poderes da luz e os poderes das trevas. Ele deu-me pessoalmente um pequeno conselho em setembro passado em Londres que tem ajudado muito minha alma em relação a isso: “O diabo não pode lhe tocar no território da ressurreição”. Apesar de ser atacado por Satanás com freqüência, ele descansava em Deus. Nove anos atrás perguntei-lhe: “No Evangelho, o que substitui o quarto mandamento?” Sua resposta imediata foi: “O descanso do Senhor”. Para os menos informados, a sua mudança de Glasgow para Londres pareceu um erro, mas uma igreja reavivada em Londres, e outras igrejas influenciadas posi-


116 • O Último Herói do Titanic

Reconstituição fotográfica da popa do “Titanic”. Um “cadáver de navio” que agora poderia descansar em paz. Mas parece que por trás da catástrofe do “Titanic” há algo mais: uma advertência de Deus às pessoas de hoje!!

tivamente, provaram que ele seguiu a vontade do Espírito ao trocar Paisley Road por Walworth Road.

Palavras de Despedida de John Harper Nossa despedida perto da estação em Old Cumnock em março passado foi um incidente inesquecível. Concordamos em dar um texto bíblico um ao outro. Eu lhe dei: “Apascenta minhas ovelhas”, que o levou a fazer esta afirmação marcante: Quando estava em Chicago concentrado em oração, Deus, através do Seu Espírito Santo, lhe deu a certeza de que sua filhinha, de seis anos de idade, já era salva. Eu agradeci a Deus e a ele com sinceridade pela bela história, e muito mais porque estou convencido de que, nessa área, muitos estão fora


A Passagem de Despedida de John Harper • 117 da vontade de Deus hoje, pois não reconhecem que as crianças que creram são ovelhas do rebanho. A passagem que me deu foi uma em que ele pensava muito há algum tempo: “Aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1 João 2.17b).


Sr. William R. Andrew

Na vida particular em Chicago, o Sr. Harper era radiante e alegre, e apesar de, Ă s vezes, ficar doente e sofrer muita dor, que piorava com o trabalho excessivo, ele era enaltecido na sua fraqueza, porque assim o poder de Cristo se manifestava nele.


14 Os Três Temas de um Herói Homenagem do Sr. Wm. R. Andrew, de Glasgow difícil compreender que um amigo e irmão que significava tanto para nós foi retirado do local da sua obra, e que nunca mais estaremos juntos com ele para proclamar o amor de Jesus para esse pobre mundo pecador. A pregação do nosso irmão era uma demonstração de Espírito e poder. Seus temas eram a Cruz de Cristo, a graça maravilhosa de Deus ao homem, e a vinda iminente do nosso Senhor Jesus Cristo. Suas mensagens sobre graça deixavam seus ouvintes totalmente atentos. Enquanto o Espírito de Deus tocava os corações dos seus ouvintes, ele pedia para que se abrissem, repetindo vez após vez as palavras de um coro favorito:

É


120 • O Último Herói do Titanic “Não posso mais, e cedo, abandono o próprio medo, caio constrangido pela morte do Amor, e Te confesso meu Conquistador.”

A mensagem de Gálatas 2:19b-20: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim, e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim”, era outra que meu querido irmão enfatizava. Muitas vezes ele pedia para os ouvintes repetirem as palavras dessa passagem com cuidado e em espírito de oração, e, assim, muitos passaram a ter um novo conceito do seu significado, e uma nova experiência da sua verdade, aceitando “apenas a vontade de Deus”.

A Canção dos Lábios de John Harper As palavras seguintes de um hino, muitas vezes, estavam nos seus lábios: “Com Cristo sepultado e junto a Ele ressurreto, que mais me resta senão a paz tão linda, cessar a luta e desfrutar o Seu afeto, e andar em vida nova, que é infinda.”

Na vida particular em Chicago, o Sr. Harper era radiante e alegre, e apesar de, às vezes, ficar doente e sofrer muita dor, que piorava com o trabalho excessivo, ele era enaltecido na sua fraqueza, porque assim o poder de Cristo se manifestava nele.


Os Três Temas de um Herói • 121

Um Ouvinte Compassivo No tempo livre ele sempre estava às ordens daqueles que vinham, como muitos diariamente, confessar pecados, pedir ajuda, conselhos e oração. Ele era um ouvinte amoroso e compassivo das muitas histórias de tristeza e injustiças, e nada era um incômodo ou sacrifício se pudesse, de alguma forma, salvar alguns. Seu preparo para toda sua obra estava em sua vida de oração. O que testemunhamos e compartilhamos disso foi um privilégio inesquecível. Muitas vezes, depois de um dia de trabalho duro, ele chegava ao seu quarto exausto e precisando de descanso e sono, mas outras coisas o chamavam. Ao invés de descansar, ele caía de joelhos ao lado da cama, e abria sua alma em oração agonizante a Deus para que salvação e bênção viessem para aqueles que recusavam a mensagem do Espírito em Chicago, Londres e na Escócia. Os amigos eram mencionados pelo nome – aqueles com quem ele trabalhou na obra do Evangelho durante os anos do seu ministério, e também muitos cuja salvação o preocupava.

Uma Voz com “Tons” de Amor Havia um toque de suavidade, amor e intimidade no próprio tom da sua voz enquanto, em oração, ele usava o querido nome “Senhor Jesus”. Era evidente que nosso irmão já tinha chegado à presença íntima do seu Senhor. Então, deixando um pouco a oração, ele passava para a Palavra. O ensinamento que saía dos seus lábios era maravilhoso quando ele expressava um novo esclarecimento da verdade que acabava de receber do “Senhor Jesus”. O Senhor, o Espírito, realmente falava através dele.


122 • O Último Herói do Titanic John Harper foi antes de nós para a obra maior. Que o nosso Deus nos faça fiéis como ele era enquanto ainda trabalhamos aqui. Surpreendentemente, a ferrugem corrói os destroços no fundo do mar, apesar da escassez de oxigênio. Na foto, a proa do navio que já foi majestoso e o auge da tecnologia da época.


Os Três Temas de um Herói • 123 “Ninguém tem maior amor que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos” (João 15.13).


Devemos tudo que somos, humanamente falando, à inspiração que vinha da sua vida consagrada, e nosso único desejo é continuar a conhecer o Senhor, andando com humildade e oração perante nosso Deus, para que Ele seja honrado e glorificado pela nossa vida diária.


15 “John Harper Levou a Mim e a Minha Esposa a Cristo” Testemunho 1 sábado, dia 9 de agosto de 1902, foi um dia de grande alegria na terra, porque naquele dia nosso falecido Rei Edward foi coroado com pompa e cerimônia, e Londres foi o centro em que centenas de representantes de outras nações estavam presentes para o magnífico evento. O dia seguinte, domingo, 10 de agosto de 1902, foi um dia de grande alegria para mim, porque nessa data minha esposa e eu reconhecemos Jesus Cristo como Salvador e Senhor das nossas vidas. A obra vinha acontecendo cerca de um ano antes disso, na pequena “igreja de ferro”, como era conhecida a

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126 • O Último Herói do Titanic igreja de chapas onduladas (onde se realizavam os cultos da Igreja Batista de Paisley Road, sob o ministério do pastor John Harper). A igreja ficava cheia nos cultos, e um trabalho dinâmico ao ar livre era feito logo antes da nossa conversão. Nunca tínhamos entrado numa Igreja Batista antes, mas vimos o Sr. Harper no meio dos seus obreiros no culto ao ar livre na esquina da ruas Plantation e Paisley várias vezes quando subimos até a Rua Paisley. Na sexta-feira à noite, 7 de agosto de 1902, dois obreiros da Igreja Batista bateram à porta da casa da mãe da minha esposa (na época ainda não éramos casados) e a convidaram para o culto evangelístico na igreja de ferro no sábado à noite, às 6:30. Quando fui vê-la no sábado à noite, ela me falou da visita, e perguntou se eu queria ir com ela. Eu geralmente freqüentava outra igreja, e não queria deixar a nossa igreja nem por uma noite e ir para outra. Mas concordei, e na noite seguinte me encontrava pela primeira vez dentro de uma Igreja Batista. Ela estava lotada. Recebemos um aperto de mão caloroso de dois diáconos na porta, e um hinário. O louvor era entusiástico, sem formalidades. Mas o sermão – bem, eu não sei o que o pregador disse, mas lembro desta passagem: “Tal homem se apascenta de cinza” (Isaías 44.20).

“Toda Palavra Penetrava, e me Senti Culpado por Causa dos Meus Pecados” O pastor Harper era o pregador, e como ele pregava! Toda palavra penetrava, e me senti culpado por causa dos meus pecados, e então soube que precisava de salvação. Não lembro nenhuma palavra do sermão, mas a sinceridade e a paixão do pregador me cativaram. Nun-


“John Harper Levou a Mim... a Cristo” • 127 ca tinha ouvido uma pregação assim, tão poderosa e suplicante. Quando o sermão terminou, um rapaz e uma moça levantaram e cantaram o doce dueto “Coberto pelo Sangue de Jesus”, eu absorvi as palavras do hino como um viajante sedento debaixo de um sol escaldante bebe água fresca da fonte na beira do caminho. O que não sabia era que estava começando a beber daquela Água Viva da Fonte Eterna, da qual, se um homem beber, nunca mais terá sede. O dueto acabou, e foi seguido por um período de oração. Depois o Sr. Harper pediu que todos aqueles que quisessem confiar em Jesus Cristo como seu Salvador pessoal levantassem a mão, e eu levantei a minha. Eu sabia que era um pecador. Sabia que precisava de Cristo. Conhecia a Bíblia o suficiente para estar ciente do fato de que precisava me converter para entrar no Reino dos Céus. Nesse memorável dia 10 de agosto fiquei perante Deus com a alma quebrantada, e pronta para a salvação. Depois que levantei a minha mão, resolvi a questão da salvação da minha alma ao aceitar Jesus Cristo como meu Salvador. Ninguém falou comigo. Ninguém orou comigo. Ninguém leu passagens comigo. O acordo que aconteceu foi entre meu Senhor e eu, e foi uma grande bênção real. Eu sabia que naquela noite de domingo, sentado no antepenúltimo banco da igreja, do lado direito do pastor, meus pecados foram perdoados, e nasci de Deus. Jesus pode dar paz a uma alma.

“Minha Esposa Quase Teve um Ataque” Na reunião a seguir, um irmão querido que agora está na glória chegou para minha esposa e perguntou se ela


128 • O Último Herói do Titanic confiava em Jesus. Ela disse: “Não”. Então ele disse a ela as Palavras da Vida, mas ela ainda não entendia a verdade da salvação. Ele parou de falar com ela um pouco e voltou-se para mim e perguntou se eu era salvo. Eu disse: “Sim”, e minha esposa quase teve um ataque. “Isso não é verdade”, disse ela. Ela achava que eu só queria me livrar do homem. Ela não conseguia entender como eu podia ser salvo se ninguém tinha falado comigo, nem lido a Bíblia para mim. Mas o Espírito de Deus havia falado comigo. O irmão perguntou quando eu confiei em Cristo, e eu disse: “Quando eu levantei minha mão na reunião anterior”. Então ele voltou-se para minha esposa, testemunhou sobre sua salvação, e enquanto contava a respeito, ela compreendeu e também foi salva. Graças a Deus por Seu amor maravilhoso e Sua graça. Ambos fomos salvos na mesma noite. Isso foi há mais de nove anos atrás, e desde então vivemos “guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para salvação”. Três meses depois fomos batizados, por ocasião de nossa profissão de fé no Senhor Jesus Cristo, pelo pastor Harper, recebidos pela comunidade, e continuamos em comunhão com a Igreja de Paisley Road desde então.

Devemos Tudo que Somos à Sua Inspiração Sempre agradecemos a Deus por nos levar à Igreja Batista de Paisley Road, e pelo privilégio de ter conhecido o Sr. Harper. Como ele cuidou de nós, orando por nós, nos sustentando “com o trigo mais fino, e ...com o mel que escorre da rocha”, e cuidadosa e sabiamente nos aconselhando. Devemos tudo que somos, humana-


John Harper morreu preparado e com a certeza da sua salvação em Jesus Cristo - Isso lhe deu a força para ceder seu colete salva-vidas para que outra pessoa tivesse a chance de sobreviver ao trágico naufrágio.

“John Harper Levou a Mim... a Cristo” • 129


130 • O Último Herói do Titanic mente falando, à inspiração que vinha da sua vida consagrada, e nosso único desejo é continuar a conhecer o Senhor, andando com humildade e oração perante nosso Deus, para que Ele seja honrado e glorificado pela nossa vida diária. Nossos corações ficaram quebrantados quando ouvimos sobre seu trágico fim, mas achamos que ele preferia ser levado de repente do que numa cama com uma doença crônica. Agora ele foi para o seu descanso, e suas obras o seguem. Mas a memória da sua vida será uma inspiração para todos que o conheceram, e seu zelo fervoroso, sua paixão ardente, devoção leal, e sinceridade intensa só podem ter deixado sua marca naqueles que estavam sob seu ministério. Adeus, querido pastor, e pai no Evangelho, que seus filhos procurem andar dignos da vocação à qual foram chamados. Que as verdades que você pregou tantas vezes dêem frutos nas suas vidas. Que seu exemplo de entrega santa à Vontade de Deus incentive outros a seguir a Cristo como você seguiu. E que nós todos busquemos fazer a Vontade de Deus, em direção à perfeição. Não é “adeus”, mas apenas “boa noite”. Mais alguns dias e nos encontraremos, e nunca mais diremos adeus na terra de cânticos e alegria, onde não há despedidas, nem lágrimas, nem dor, nem tristeza, nem morte, e nem pecado. Graças a Deus, nem mais pecado, “Até que rompa o dia, e fuja a sombra envergonhada.” “Sobre o meu peito, amado, dorme, e bem de manso recosta a fronte e sorve o teu descanso, pois, se te amo, por Cristo és muito mais amado.”


“John Harper Levou a Mim... a Cristo” • 131 “Os que forem sábios, pois, resplandecerão, como o fulgor do firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como as estrelas sempre e eternamente” (Daniel 12.3). P. C. M.


Pela primeira vez na minha vida, alguĂŠm se importou com a minha alma, e naquela noite me levou ao conhecimento da verdade.


16 Um Alcoólatra Encontrou Libertação Testemunho 2 omo convertido, sou grato a Deus pela sua longanimidade e misericórdia, pelo fato de não ter me abandonado nos meus pecados. Fui até onde um homem pode ir nos prazeres e nas loucuras do pecado, da bebida e do jogo, e várias vezes destrui meu lar e quase fui à falência. Foi quando estava nessa vida louca que fui alcançado pela graça de Deus. No sábado à noite, 6 de novembro de 1897, eu estava totalmente bêbado, e no domingo seguinte à noite estava sofrendo as conseqüências disso. Para passar o tempo fui passear na Rua Paisley com um amigo que me apresentou a dois membros da Igreja Batista que tinha sido formada há cerca de dois meses antes, tendo o Sr. Harper como pastor.

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134 • O Último Herói do Titanic Pela primeira vez na minha vida, alguém se importou com a minha alma, e naquela noite me levou ao conhecimento da verdade, e pude dizer de coração: “Confiarei, e não temerei”. Desde então tenho sido motivo de surpresa para muitos. O próprio Deus fez a transformação. Naquela noite minha esposa também pôde experimentar a misericórdia oferecida, e daí em diante temos peregrinado juntos para Sião. Ao invés de buscar a bebida forte, estou satisfeito com a água viva que jorra para a vida eterna.

Ao invés de jogar e me preocupar com o que vou ganhar, encontrei, pela graça de Deus, a vitória em Jesus Cristo. Ao invés de blasfemar e falar palavrões, tenho uma nova canção em minha boca.


Um Alcoólatra Encontrou Libertação • 135 Deus tem cuidado de mim pela graça durante quatorze anos e meio. A Ele seja toda glória. Sou salvo pela graça mediante a fé em Jesus, que completou a obra de redenção na Cruz. Há um Mediador entre Deus e o Homem, o Homem Cristo Jesus, e eu creio nEle. Louvado seja Seu Santo nome. J.B.


Devo tudo que sou, abaixo de Deus, ao nosso falecido, muito querido e muito lamentado pastor John Harper, que foi para mim um pai e irm達o, cuidando de mim, orando por mim, e instruindo-me na nova vida.


17 “John Harper Foi um Pai Para Mim” Testemunho 3 desejo do meu coração e minha oração a Deus é que alguém que passou pela experiência amarga e humilhante de inúmeros fracassos e provações como eu, liberte-se do pecado. Que ao ler este testemunho humilde, confie em Jesus Cristo, o único Salvador, e una-se a mim no Seu louvor. Eu era católico de nascimento, educação, treinamento e profissão; aprendi a beber e a satisfazer outros desejos também. Quando ainda era bem jovem, alistei-me no exército onde o vício da bebida aumentou, e onde levei uma vida muito desregrada. Cumpri meu tempo; voltei para casa com o vício mais forte que nunca, tanto no serviço quanto na vida civil.

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138 • O Último Herói do Titanic Fiz várias tentativas para largar da bebedeira e de outros pecados, procurando a confissão, fazendo promessas, fazendo votos, etc., mas nada adiantou. Eu não conseguia me libertar, e muitas vezes pensei: “O que adianta fazer todas essas confissões, etc., se cada vez fico pior que antes?”, até que num sábado à noite, 14 de janeiro de 1905, fui para a Igreja de Ferro, na Rua Plantation, novamente sob a influência do álcool. Era um tempo de reavivamento, e todo mundo parecia estar muito alegre. O culto continuou, mas não sei dizer bem o que se passava, apenas que fiquei muito triste, convencido de que era um grande pecador e levava uma vida ruim.


“John Harper Foi um Pai Para Mim” • 139 Graças a Deus, um homem crente me notou e veio sentar do meu lado. Ele foi o instrumento na mão de Deus para me levar ao Salvador. Mas não sem um conflito doloroso. Satanás deu todas as razões possíveis e imagináveis para que eu não confiasse em Cristo como meu Salvador. Mas quando confiei nEle, a alegria, a paz e o senso de um novo poder valeram a pena. Sem a menor dúvida e sem medo, senti e soube que fora salvo, e graças a Deus tenho certeza disso agora. “Não sou como deveria ser, mas não sou como era antes”. Devo tudo que sou, abaixo de Deus, ao nosso falecido, muito querido e muito lamentado pastor John Harper, que foi para mim um pai e irmão, cuidando de mim, orando por mim, e ensinando-me na nova vida. Quatro dias depois da minha conversão, minha esposa aceitou o Salvador. Passaram-se três meses, nos batizamos e nos tornamos membros da igreja. Agora sou um dos diáconos, e fui escolhido para o cargo alguns meses atrás. H.P.


Devo muito ao meu querido e falecido pastor Sr. Harper, por seu ensinamento e sua inspiração, e pelo incentivo que me deu para dar o máximo para Deus. Louvo a Deus pelo privilégio de aprender com ele durante 12 anos, e por ter estado envolvido na obra do Senhor com ele durante esse período.


18 Uma Dívida de um Pobre Pródigo a John Harper Testemunho 4 u era um pecador indefeso, preso pelo poder da bebida e de uma língua blasfema. Tentei me arrepender indo à igreja e fazendo promessas, mas isso não adiantou nada. Estavam realizando uma missão especial na Igreja Batista, em Gordon Halls. Eu tinha um irmão que era membro da igreja. Fizeram uma oração especial para mim. Deus ouviu e respondeu a oração. Fui convidado e fui a um dos cultos. No final, um dos diáconos falou comigo e perguntou se eu era salvo, ou se gostaria de ser. Ele leu João 3.16 e me mostrou que “todo aquele” significa qualquer um e se referia a mim. Confiei em Cristo naquela noite, 11 de outubro de 1898.

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142 • O Último Herói do Titanic O Sr. Harper veio para minha casa no dia seguinte para ver se eu tinha crido em Cristo, o que eu já tinha feito, e creio até hoje. Sou o que sou pela graça de


Uma Dívida de um Pobre Pródigo a John Harper • 143 Deus. Devo muito ao meu querido e falecido pastor Sr. Harper, por seu ensinamento e sua inspiração, e pelo incentivo que me deu para dar o máximo para Deus. Louvo a Deus pelo privilégio de aprender com ele durante 12 anos, e por ter estado envolvido na obra do Senhor com ele durante esse período. Agora tenho o cargo de diácono. Eu, que era um pobre bêbado e um blasfemo. Mas encontrei misericórdia através do Senhor Jesus Cristo. “A Deus seja toda glória, porque ele tem feito grandes coisas”. A.M.L.


Oh! que graça que transforma um pobre bêbado, vendedor de uísque, e um pecador atolado na lama, como eu era, em um filho de Deus e do Seu amor. Devo tudo na minha vida espiritual à influência e ao ensinamento do Sr. Harper, que me ensinou as coisas de Deus, e cuja vida foi uma inspiração para mim.


19 Um Pecador “Atolado na Lama” é Purificado Testemunho 5 raças a Deus pela Sua graça redentora que tirou um pobre pecador como eu do lamaçal, e me colocou entre príncipes. Cresci numa igreja evangélica, mas não conhecia a salvação de Deus. Ainda jovem, quando morava em Greenock, entrei no comércio de bebidas decidido a evitar qualquer bebida, e não prová-la. Mas logo caí sob seu poder e domínio, e me transformei num alcoólatra convicto. Fiquei tão acostumado que podia beber o dia inteiro, e ninguém notava. Vendi aquela coisa maldita por doze anos atrás do balcão de um bar, e em todos esses anos não fui para

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146 • O Último Herói do Titanic casa sóbrio nenhuma vez. Deixei o comércio de bebidas e fui para uma fábrica de limonada. Mas não adiantou, porque eu fornecia água com gás para bares, e também ficava bêbado lá. Aos 25 anos vim para Glasgow e fui contratado pela empresa P. & W. M’Lellan, a Metalúrgica Clutha. Mas mesmo assim era uma vítima da bebida. Fui aprisionado pelo mal gigante, e não conseguia me libertar do seu poder. Certa noite, no Ano Novo de 1901, fiquei muito doente, e chamaram o médico. Ele disse que eu só tinha três horas de vida. Então esse seria o resultado da minha bebedeira, três horas – e depois o inferno. Eu sabia que era para lá que iria. Sabia que não tinha esperança, mas orei para que Deus me livrasse, e eu deixaria de beber e teria uma vida melhor. Ele me livrou, e durante dois anos lutei contra a minha paixão pelo uísque e pela cerveja, mas ainda bebia vinho.

Harper Mostrou Que Eu Precisava de Cristo Eu resolvi visitar todas as igrejas em Glasgow, para ver se ouvia algo que me trouxesse descanso e paz. Num domingo à noite, 1º de novembro de 1903, fui para a Igreja Batista, na Rua Plantation, e ouvi o Sr. Harper pregar. Uma jovem cantou “Para o Além”, e senti que se não aceitasse Jesus Cristo eu passaria para o além e estaria perdido. Ninguém falou comigo. Eu estava tão ciente que precisava de Cristo, que sabia que tudo que tinha a fazer era aceitá-lO como meu Salvador. Fiz isso, e agora, depois de oito anos e meio de vitória sobre a bebida e o pecado, posso dizer que a Palavra de Deus é verdadeira:


Um Pecador “Atolado na Lama” é Purificado • 147 “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Co 5.17).

Um Novo Mundo Eu estava num mundo novo. O desejo de beber sumiu. A paz encheu minha alma. Eu soube que fora salvo desde o momento em que disse: “Senhor, confiarei em Ti, mesmo sozinho, confiarei em Ti” e, graças a Deus, Seu poder e Sua graça têm me sustentado. Cerca de um ano depois, fui batizado, e me tornei membro da igreja.

O Impacto da Vida do Sr. Harper Agora sou diácono na igreja. Oh! que graça que transforma um pobre bêbado, vendedor de uísque, e um pecador atolado na lama, como eu era, num filho de Deus e do Seu amor. Devo tudo na minha vida espiritual à influência e ao ensinamento do Sr. Harper, que me ensinou as coisas de Deus, e cuja vida foi uma inspiração para mim. Que Deus ajude algum pobre alcoólatra a confiar no meu Salvador, e descobrir que “Por isso também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hebreus 7.25). J.C.


O que somos na vida cristã devemos a nosso falecido e querido pastor, Sr. Harper, cuja vida de temor a Deus e exemplo santo foi um grande auxílio para nós. Ele que cuidou de nós como um pai cuida dos seus filhos, e nos fez apreciar o estudo das Escrituras e a nos alegrar em esperar por Deus através da oração.


20 Harper Derrotou o “Poder de Rebelião” Testemunho 6

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uero dar meu testemunho simples do poder redentor e protetor do Senhor Jesus Cristo, que experimentei há 15 anos. Foi no dia 27 de outubro de 1897, minha mãe estava realizando um encontro no dia de “Halloween”, e me pediram para levar minha namorada para o chá. Nem desconfiava que fizeram a festa para que eu conhecesse o Sr. Harper. Quando a noite chegou e nos reunimos todos na sala, para minha surpresa vi o Sr. Harper na sala com vários membros da igreja (agora um deles é o diácono principal da igreja).


150 • O Último Herói do Titanic Minha mãe era membro da igreja, e estava entre os primeiros que deram início à igreja em Gordon Halls. É claro que eu sabia o que aconteceria depois do chá – eles conversariam comigo sobre a minha alma. Bem, tomamos nosso chá, e depois de conversar um pouco achei que era hora de sair. Estava ficando muito quente para mim, então levantei para pegar meu chapéu, mas não conseguia encontrá-lo. Ele foi tirado do seu lugar. Saí sem chapéu, mas logo parei porque era uma noite fria, e tive que voltar para casa para pegar algo a fim de cobrir minha cabeça. Nem sabia que receberia algo para cobrir os meus pecados.

“Quebrei as Minhas Defesas” Quando cheguei em casa, um irmão idoso se aproximou e falou comigo sobre Cristo. No canto da sala o Sr. Harper estava conversando com a minha namorada sobre sua alma. Logo depois, o Sr. Harper começou a orar, agradecendo a Deus pela decisão dela. Então me rendi e também aceitei a Cristo como meu Salvador e Senhor. Ficaram claras para nós as escrituras de Isaías 53.6: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas”, etc., e Romanos 10.9: “Se, com tua boca, confessares a Jesus como Senhor e, em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”. Jamais esqueceremos aquela noite memorável, logo depois fomos batizados e nos tornamos membros da igreja. Depois de mais de 14 anos provando o amor e a salvação de Cristo, podemos dizer que a Sua graça é suficiente para nós, e Seu poder se aperfeiçoa na fraqueza.


Harper Derrotou o “Poder de Rebelião” • 151

“O Sr. Harper Cuidou de Nós Como Um Pai Cuida dos Seus Filhos” O que somos na vida cristã devemos a nosso falecido e querido pastor Sr. Harper, cuja vida de temor a Deus e exemplo santo foi um grande auxílio para nós. Ele que cuidou de nós como um pai cuida dos seus filhos, e nos fez apreciar o estudo das Escrituras e a nos alegrar em esperar em Deus através da oração. Como gostaria de orar como ele, e agora que ele está na presença do Senhor que tanto amava e que serviu com tanta lealdade, nosso único desejo é seguir os seus passos como ele seguiu a Cristo. C. B. e Sra. B.


Enquanto o Sr. Harper prosseguia, minha convicção de culpa crescia, e vi que precisava de um Salvador. Ali me entreguei completamente, e tenho vivido com alegria desde então.


21 As Palavras de Harper Deram Plena Convicção de Minha Culpa Testemunho 7 a noite de domingo do dia 4 de julho de 1897, fui ouvir o Sr. Harper. O texto sobre o qual pregou foi Apocalipse 3.20: “Eis que estou à porta e bato”. Eu tinha convicção de culpa há algum tempo e, enquanto o Sr. Harper continuava a sua pregação, minha convicção crescia, e vi que precisava de um Salvador. Ali me entreguei completamente, e tenho vivido com alegria desde então. Nem tudo é um mar de rosas, mas Cristo é tudo que preciso. Sou membro da Igreja Batista Paisley Road, e minha esposa também. S. M. K.

N


Reconheci o meu pecado, reconheci que precisava de um Salvador, e ali mesmo me entreguei a Cristo.


22 “Harper Mostrou-me que Precisava de Cristo” Testemunho 8

a noite de domingo de 27 de junho de 1897 fui para Boilmaker’s Hall, Govan, onde o pastor Harper estava pregando, e a passagem de que tratava era João 3.36: “Por isso quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”. Reconheci o meu pecado, reconheci que precisava de um Salvador, e ali mesmo me entreguei a Cristo.

N


John Harper

Em breve Ele virá, a porta será fechada, a porta do Reino será lacrada. É possível que só nos reste pouco tempo. Mas imagine o que se pode fazer na efemeridade destes últimos dias!


23 Uma Mensagem de John Harper Proferida em 1911 na Igreja Moody em Chicago isão, compaixão, intercessão – esses são os três grandes elos na corrente da obra redentora. Quão claramente podemos vê-los no ministério salvador e na obra da vida do nosso Próprio Senhor Jesus. Ele viu as multidões como ovelhas sem um pastor – espalhadas, cortadas, machucadas, e ensangüentadas – e se essa foi a visão diante dos Seus olhos quando observou uma multidão das pequenas vilas religiosas da Galiléia, onde o povo tinha alto nível moral nos seus hábitos diários, e não era preso à bebida e a maldades diversas, qual seria Sua impressão se visse Chicago hoje?

V

“Orem” Com aquela visão Seu coração ficou comovido por compaixão, agitado com um sentimento profundo – ou


158 • O Último Herói do Titanic melhor, agonizando por dentro. Ele teve compaixão deles, tomando suas dores e tristezas sobre Seu próprio coração de amor, e com esse espírito cheio de amor Ele se voltou para Seus discípulos e disse: “orem”, e sempre que possível Se retirava para um monte isolado para passar a noite ou a madrugada em oração.

Dá-Nos “Vigilantes Homens de Oração” Queridos, poucos entre nós têm a visão do Mestre, e portanto, poucos entre nós têm o coração cheio de compaixão, o ministério conseqüente da intercessão! Se alguma convicção ocupou o meu espírito mais do que qualquer outra, e se apoderou dele há alguns anos de maneira solene como a eternidade, foi que a necessidade urgente da igreja e do mundo perdido é de intercessores – não de pastores, por mais que sejam necessários, mas de vigilantes homens de oração que sabem como se colocar entre Deus e as pessoas, em jejum e intercessão, e que não deixarão o trono da graça até que recebam da Sua presença refrigério e salvação que glorificarão Seu nome na terra. Então a igreja receberá pregadores inflamados, obreiros cobertos com Seu poder, e a igreja reavivada pelo Espírito se tornará o instrumento do nosso Senhor glorificado para despertar num mundo incrédulo a convicção do pecado e a necessidade do sangue redentor, e o temor do juízo vindouro.

“A Porta Será Fechada” Em breve Ele virá, a porta será fechada, a porta do Reino será lacrada. É possível que só nos reste pouco


Uma Mensagem de John Harper • 159 tempo. Mas imagine o que se pode fazer na efemeridade destes últimos dias! Que reuniões de oração e intercessão podemos ter! Que sacrifícios para Ele podemos fazer! Que poder do trono podemos receber! Que bênçãos podemos testemunhar na separação dos últimos membros do corpo de Cristo deste mundo perdido em trevas, enquanto se aproxima o julgamento final!

Deus quer que a nossa luz seja vista pelos homens. Será que carregamos o peso deste mundo perdido nas nossas intercessões diante de Deus, ou a nossa comunhão com o Senhor se parece com esta lamparina quase apagada e fumegante?

Depois desse breve tempo, haverá a glória da Sua presença, a reunião alegre com os amados, o “muito bem” vibrante do Mestre no Seu trono de julgamento [do galardão] – a entrada para nunca mais sair. Mas não haverá mais oportunidade de orar para que almas perdidas se prostrem aos Seus pés nem de ganhálas para Ele eternamente.


Vede, fiéis, ao Senhor nosso Mestre, olhos fitos em nossa missão, mesmo em face de pronto desastre, proclamamos, leais, Seu perdão. Se o sol, em luz pura, se fôr, nascerá inda com mais fulgor.


24 Bela Manhã Na noite anterior ao naufrágio do Titanic, o Sr. Harper foi visto tentando com zelo levar um rapaz a Cristo. Depois, no convés, ao ver um raio de luz vermelha no poente, ele disse: “Vai fazer uma bela manhã”. Sim, nossa manhã será bela quando o sol se inclinar no poente e as nuvens qual rósea janela se fecharem aos olhos da gente! Na esperança da aurora sonhamos, que gloriosa virá, confiamos. O que conta a manhã é precioso, quando é forte o embate do mar, quando o rei do oceano furioso, nossos barcos fizer naufragar, e no fundo do mar, tenebroso, multidões forem morte encontrar. Mesmo assim a manhã será bela quando em glória rompermos o véu já vencida a tormenta, a procela, a coroa ganharmos no céu. Onde está, ó Morte, o teu aguilhão? Grande é Deus que nos dá salvação!


162 • O Último Herói do Titanic Vede, fiéis, ao Senhor nosso Mestre, olhos fitos em nossa missão, mesmo em face de pronto desastre, proclamamos, leais, Seu perdão. Se o sol, em luz pura, se fôr, nascerá inda com mais fulgor. A partida do crente, na morte, é a entrada na vida eternal; bem melhor lá será sua sorte na presença de Deus, imortal. Prá quem é, em Jesus, vencedor, a manhã será bela... e sem dor.

Horace E. Govan


25 “Os Escolhidos de Cristo” Esboço de um Sermão de John Harper “Eles não são do mundo, como também eu não sou” (João 17.16). 1. Ele recebeu Seus escolhidos do Pai – versículo 6. 2. Ele roga por eles – não pelo mundo – versículo 9. 3. Eles são odiados pelo mundo – versículo 14. 4. Ele quer guardá-los do mal do mundo – versículo 15. 5. Ele os envia como foi enviado ao mundo – versículo 18. 6. Ele deseja sua união para convencer o mundo – versículo 21. 7. Ele mostra que o mundo não conhece o Pai – versículo 25. As palavras do texto (versículo 16) nos mostram: I. Uma Verdade Distinta da Fé Cristã. 1. Crentes não são do mundo na origem da sua vida – Eles nasceram do alto.


164 • O Último Herói do Titanic 2. Não são do mundo no caráter do seu serviço – A vida cristã consiste em fazer a vontade de Deus. 3. Não são do mundo na natureza da sua conduta – Eles buscam a santidade. Eles detestam o pecado. 4. Não são do mundo na fonte da sua alegria – Sua alegria está em Deus, o mundo se alegra com o pecado. 5. O assunto das suas conversas não é do mundo – Seu desejo é saber mais de Jesus. As palavras do texto nos mostram: II. Uma Avaliação Para o Coração Cristão. Se não são do mundo, isso se verá: 1. Na hora da angústia e da aflição. 2. Em meio à provação e à perplexidade. 3. Nas decisões e escolhas feitas. 4. Nas horas de prosperidade e sucesso. As palavras do texto sugerem para nós: III. Que Certamente Haverá Provações na Vida Cristã. 1. O mundo nos rejeitará. 2. O mundo não nos amará.


26 “Quem é o Tolo?” Esboço de um Sermão de John Harper “Pequei... tenho procedido como louco” (1 Samuel 26.21). O texto indica claramente que: I. Tolo É o Homem que Sacrifica sua Vida no Templo do Prazer Imoral. “Os loucos zombam do pecado” (Provérbios 14.9). Outra versão é, “O pecado zomba dos loucos”. Ele zomba dos homens ao prometer o que nunca faz. Os homens sacrificam tudo e não ganham nada. 1. O pecado rouba a paz de consciência. 2. O pecado rouba a pureza da mente. 3. O pecado rouba a saúde do corpo. 4. O pecado rouba a esperança do céu. II. Tolo é o Homem que se Cobre de Infidelidade. “Diz o insensato no seu coração: Não há Deus” (Salmo 14.1). 1. Não é tolo aquele que troca a luz pela escuridão? 2. Não é tolo aquele que troca a esperança pelo desespero? 3. Não é tolo aquele que troca o conforto do Evangelho por uma filosofia morta?


166 • O Último Herói do Titanic III. Tolo é o Homem que Adia a Decisão por Cristo até a Hora da Morte. Ele é um tolo porque é um perdedor presente. 1. Ele perde a verdadeira alegria do coração. 2. Ele perde a consciência tranqüila. 3. Ele perde a vitória sobre o pecado. 4. Ele perde a capacidade de apreciar a vida. Ele pode ser um perdedor para sempre. Ele pode acabar perdendo a oportunidade.


27 “Amor Inesquecível” Esboço de um Sermão de John Harper “Leva-me após ti, apressemo-nos. O rei me introduziu nas suas recâmaras. Em ti nos regozijaremos e nos alegraremos; do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho” (Cantares de Salomão 1.4). Neste versículo temos as três decisões do amor: I. A Decisão de Seguir. 1. Ele segue com ansiedade: “Apressemo-nos”. 2. Ele segue de perto. Não como Pedro, de longe. Mas como Davi: “A minha alma apega-se a ti”. Note que ela vem após, não antes dEle. “Leva-me após ti”. II. A Decisão de Ser Feliz e se Regozijar. 1. Note a fonte da alegria do crente. É “em ti”. 2. Não nos “ungüentos” (versículo 3) – símbolos das graças que Ele dá. 3. Não nas “recâmaras” (versículo 4). Símbolos dos privilégios e dos bons momentos que Ele dá. 4. Mas “em ti”. Toda nossa alegria, tanto passiva quanto ativa, deve estar nEle.


168 • O Último Herói do Titanic III. A Decisão de Lembrar. Que memória! Nos lembraremos de toda ocasião em que Ele demonstrou Seu amor por nós. 1. Nos lembraremos do fato do Seu amor. Nos atrevemos a esquecer desse fato? 2. Ainda nos lembramos da extensão do Seu amor. Ele nos resgata do nosso pecado. 3. Nos lembraremos da eternidade do Seu amor. Não podemos saber quando começou. Não podemos alcançar o seu fim. É eterno. Quando estamos no Seu amor estamos num círculo. 4. Nos lembraremos do propósito do Seu amor. Ele nos amou para nos salvar dos nossos pecados, e nos salvar para Si. Note alguns dos resultados de nos lembrarmos do Seu amor: 1. Isso nos dá um banquete celestial. Obtemos bebida melhor que o vinho. 2. Isso nos dá um antídoto contra o medo que Joseph Irons descreve assim: “Tenho sede de Ti, Tua Presença é minha vida, minha alegria, meu céu, E tudo sem Ti está morto para mim”.


28 “Tão Grande Salvação” “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?” (Hebreus 2.3) A salvação é a maior obra de Deus. A salvação de um mundo perdido é maior que a criação de um mundo novo. A salvação é grande quando consideramos: I. A Grandeza do Perigo do Qual Ela Livra. As almas correm perigo de serem perdidas. II. A Grandeza do Preço Pago para Oferecê-la. O precioso sangue de Cristo é de valor incalculável. III. A Grandeza do Poder Que Ela Representa 1. Ao salvar da impureza do pecado. 2. Do desejo do pecado. 3. Do domínio do pecado. IV. A Grandeza da Posição à Qual Ela Exalta. Ela nos faz filhos de Deus, herdeiros da glória. V. A Grandeza da Esperança que Ela Proporciona. Nos garante o céu.


As Reações dos Leitores a Este Livro Poderoso São Impressionantes:

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O Último Herói do Titanic  

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