82 G U I A D E E M P R E S A S C E R T I F I C A D A S : A Q U A L I D A D E FA C E À PA N D E M I A |
ASSEGURAR VALOR ACRESCENTADO NA CADEIA DE ABASTECIMENTO INDO ALÉM DA CONFORMIDADE A trajetória dos produtos alimentares é muito longa e, por isso, torna-se essencial manter a conformidade desde a sua produção até ao momento em que chegam ao consumidor final, garantindo o seu correto embalamento, armazenamento, transporte e distribuição. A garantia da qualidade e segurança ao longo de toda a cadeia de abastecimento é, cada vez mais, um desafio, sendo necessário ter uma visão holística da mesma em tempo real, garantir o cumprimento dos requisitos, bem como identificar, monitorizar e avaliar possíveis melhorias. Assim, uma correta gestão do risco associado à trajetória dos produtos alimentares ao longo da cadeia assegura melhores negócios às organizações, permite o cumprimento das obrigações legais e contratuais e salvaguarda a proteção dos consumidores.
C ANA MACHADO • Product Manager Certification and Business Enhancement SGS Portugal ana.machado@sgs.com
om o objetivo de melhorar a segurança das cadeias de abastecimento foi desenvolvido o documento normativo ISO 28000, que permite às organizações estabelecer um sistema global de gestão da segurança da cadeia de abastecimento, através da avaliação das condições de segurança em que operam, e determinar se estão a implementar as medidas de segurança adequadas e a cumprir outros requisitos regulamentares aplicáveis. Se nesta avaliação forem registadas necessidades de segurança, as organizações devem implementar mecanismos e processos para lhes dar resposta. Com a globalização as organizações recorrem, cada vez mais, a recursos e fornecedores geograficamente distantes, que disponibilizam mão-de-obra e recursos naturais mais
vantajosos do ponto de vista económico, mas que, paralelamente, apresentam mais riscos para a segurança. Assim, torna-se crítico para muitas organizações selecionarem, avaliarem e manterem fornecedores que cumpram os requisitos regulamentares e as boas práticas para atingir os objetivos da qualidade e segurança alimentar. A solução para esta problemática passa por selecionar fornecedores certificados por organismos acreditados em referenciais de segurança alimentar, na medida em que essa avaliação é realizada por entidades independentes, competentes e imparciais. Podem ser considerados diversos tipos de inspeções de acordo com vários fatores e com os requisitos legais de cada país, sendo necessário um conhecimento profundo de toda a regulamentação para evitar dissabores ou perda total da mercadoria. Para salvaguardar estas questões, as organizações podem proceder à verificação das matérias-primas utilizadas a montante, antes do início da produção e transformação, através de uma inspeção pré-produção (IPC – Inspection Production Check), bem como durante o processo de produção (DUPRO – During Production Check). Estas inspeções asseguram, através da inspeção visual e teste das primeiras peças do lote produzidas, a uniformidade com os padrões de produção e qualidade dos produtos e reduzem o risco de prejuízos, uma vez que o processo de produção pode ser interrompido e corrigido caso seja detetado produto não-conforme. Para além disso, estas inspeções permitem, ainda, mitigar problemas relacionados com matérias-primas e ingredientes fora das especificações técnicas e dos requisitos dos cadernos de encargos.