68 G U I A D E E M P R E S A S C E R T I F I C A D A S : A Q U A L I D A D E FA C E À PA N D E M I A |
CRUZAR PENSAMENTOS DA QUALIDADE COM A REALIDADE PANDÉMICA Globalmente, a pandemia que enfrentamos mostra bem as fragilidades de natureza diversa que resultaram na incapacidade colectiva, a nível mundial, para preventivamente evitar, conter e mitigar os efeitos de uma pandemia sem paralelo na velocidade com que se propagou à escala mundial. Este drama humano e societal evidencia de forma frontal como a adopção de princípios e ferramentas da Qualidade, de um modo geral e igualmente na área da saúde, além de impactos económicos, pode fazer a diferença entre vidas e mortes. Mais do que evitar ou tentar camuflar tais realidades, importa olhar de frente para estes “factos brutais” (Collins, 2001) e deles retirar os devidos ensinamentos, aprendizagens e prioridades de intervenção.
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elizmente, o mundo da Qualidade e dos seus profissionais não tem ficado à margem da pandemia e dos tremendos desafios que coloca. Alguns breves exemplos que se seguem ajudam a ilustrar e retratar como a Qualidade tem sabido adaptar-se a esta nova realidade envolvente, através de:
PEDRO SARAIVA • Vice-presidente da Direção da APQ Associação Portuguesa para a Qualidade pas@eq.uc.pt
(O autor escreve segundo a ortografia tradicional)
• Concepção e implementação de mecanismos de verificação e reconhecimento da Qualidade para diferentes tipos de produtos, com o desenvolvimento e aplicação dos correspondentes referenciais, como rapidamente sucedeu com máscaras, ventiladores ou outro tipo de dispositivos. •D efinição de orientações, realização de auditorias, reconhecimento de sistemas de gestão e procedimentos capacitantes no que diz respeito à diminuição dos riscos e mitigação dos impactos da pandemia no contexto das organizações, com atribuição de selos de reconhecimento e certificados de conformidade.
• Adaptação das actividades conduzidas para mecanismos “online”, incluindo-se aqui iniciativas de formação (ex.: APQ), eventos da Qualidade (ex.: ASQ e APQ) ou formas de condução das reuniões em diferentes organizações (ex.: APQ, EOQ e IAQ). • Autoria de diferentes tipos de publicações onde se tentam cruzar pensamentos da Qualidade com a realidade pandémica, como sucede com o interessante livro a ser publicado em 2021 por Mohamed Zairi. Adicionalmente, o pensamento baseado em dados e factos, enquanto pilar essencial da gestão pela Qualidade, permite-nos a todos fazer alguma diferença ao lançar as questões certas, permitir identificar as verdadeiras origens dos problemas e correspondentemente apontar para as vias de solução mais adequadas. Tal também sucede no que diz respeito à presente pandemia, como seguidamente se ilustra com três exemplos: • Em jeito de exercício de cidadania, acessível a qualquer profissional da Qualidade, habituei-me desde o início de março de 2020 a acompanhar a evolução diária dos dados disponibilizados pela DGS quanto à realidade pandémica vivida em Portugal. Olhando de forma sistémica para esta realidade, enquanto processo com entradas e saídas, torna-se relativamente claro que alguém que tenha contraído uma infecção