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National Institute of General Medical Sciences Casa das Ciências
A Marca da Morte À medida que as células adquirem e transformam aquilo que precisam, como nutrientes, RNA, proteínas, e energia, é evidente que algo terá que acontecer no que toca à gestão do espaço. Uma das formas que as células têm para se verem livres das proteínas que já não precisam é colocar-lhes uma “etiqueta da morte”. Esta etiqueta, chamada ubiquitina, é reconhecida por uma máquina celular de tratamento de resíduos, o proteassoma, que começa a digerir as proteínas etiquetadas. Os investigadores já há muito tempo que sabiam da existência da ubiquitina. Contudo, recentemente, têm vindo a descobrir que as células usam o sistema de destruição baseado na ubiquitina para muito mais do que simplesmente descartar proteínas indesejadas. Parece que as células refinam muitos processos cruciais recorrendo ao sistema ubiquitina-proteassoma. Um exemplo é o ciclo celular, uma sequência de fases recorrente que a célula sofre, e que culmina na divisão celular. Enzimas específicas controlam a entrada da célula em cada uma das fases do ciclo. Quando uma fase se completa, as respectivas enzimas associadas são etiquetadas com ubiquitina e mastigadas pelo proteassoma. Quando tal acontece, a célula sabe que deve passar para a fase seguinte do ciclo. (Para saber mais, ver O Ciclo Celular no Capítulo 4) Os cientistas também têm vindo a descobrir que a ubiquitina parece participar em muitos outros processos celulares, incluindo o controlo do trânsito celular, reparação do DNA, génese de organelos, respostas celulares ao stress, regulação do sistema imunitário,
Trabalhos de investigação fundamental sobre o proteassoma levaram à descoberta de um fármaco para o tratamento de mieloma múltiplo, uma forma letal de cancro de células do sangue que tem origem na medula óssea.
e memória de longo termo. Originalmente, a ubiquitina foi assim chamada porque foi encontrada em todos os organismos superiores. Era ubíqua portanto, ou seja, presente em todo o lado. Sabemos hoje contudo, que a importância da ubiquitina vai muito para além do que o nome deixa transparecer. A importância da ubiquitina e do proteassoma foi reconhecida com o Prémio Nobel da Química de 2004. Três investigadores, Irwin Rose da Universidade da Califórnia, e Aaron Ciechanover e Avram