Retalhos de vidas maiores

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RETALHOS DE VIDAS MAIORES

Comissão de Proteção ao Idoso, Associação Regional do Norte


COMISSÃO DE PROTEÇÃO AO IDOSO, ASSOCIAÇÃO REGIONAL DO NORTE

RETALHOS DE VIDAS MAIORES

PUBLICADO EM 2021


"Devemos aprender durante toda a vida, sem imaginar que a sabedoria vem com a velhice." Platão


CONTEÚDO PARTE I

Prólogo

02

Introdução

04

PARTE II

Sou pai e Avô

06

A ajuda que virou obrigação

09

Estorvo

11

Quero Fugir

13

Linhas de violência

14

A dor do esquecimento

16

PARTE III

Desamor com final feliz

19

Desamor e amizade

21

Desamor e saudades de infância

23

Desamor e as voltas da vida

25

Desamor e o reencontro

27

Desamor e uma mão estendida

29

PARTE IV Desamor E.... Acaba Agora o teu Conto

33

04


PARTE I


PARTE I

PRÓLOGO Da inversão dos tempos

Voltei a mim. Estava desconfortável. Nunca me imaginara envelhecido, não dessa maneira. Isto foi

Fechei os olhos e tentei projetar-me no futuro,

terrível, mesmo tratando-se da minha imaginação.

num futuro para mim, aparentemente distante.

Por momentos pensei fazer sentido aquilo que

Criei a minha narrativa. Vi-me envelhecido, mas

tantas vezes ouvi, “não quero chegar a velho”. Medo,

não acabado. Centrei-me no mote do projeto da

compreendi.

CPI – Comissão de Proteção ao Idoso, inspirei-

O exercício não foi exaustivo, mas muito

me nos textos que aqui vão encontrar.

significativo. Acredito que foi de igual forma para

Encontrei-me então sozinho e desprezado,

todos os que participaram neste projeto. Disso tive

acompanhado pela solidão que cresce em igual

a certeza mesmo antes de experimentar. Bastou-me

proporção ao declínio das minhas capacidades.

ler o primeiro texto. ---

- Às vezes sinto-me confuso, falam todos tão rápido, perco-me nas explicações. Ouço atrás de mim, comentários depreciativos à minha

A CPI – Comissão de Proteção ao Idoso e a Casa do

pessoa. São impacientes comigo. Berram, como

Professor associaram-se à comunidade escolar e

se eu ouvisse mal. Perco-me! Faço perder o

desafiaram estes a refletirem sobre o fenómeno da

tempo aos outros, fazem-me perceber. Perdi a

violência contra a pessoa idosa. O intento foi

voz. Acreditei!

simples, convidar a comunidade escolar a dar voz

Houve nesse momento uma explosão de

ao silêncio.

sentimentos e emoções negativas dentro de

O desafio foi amplamente aceite. O processo

mim. Senti um silencioso arrepio! Algo dentro

criativo estava em marcha. Criou-se a narrativa.

de mim se transformou! Os meus silêncios

Cada professor deu início à sua estória, um episódio

tinham voz, dentro de mim! Apareceram.

que bem enquadrasse as dificuldades vividas pelas

- Sinto-me ansioso, fraco, envergonhado, inútil,

pessoas idosas. Ilustração dos diferentes tipos de

triste e desolado. A cada sentimento ou emoção

violência – económica – social – verbal – etc.

sobrepõe-se outra mais negativa. Resigno e penso: “as coisas são que elas são”. Aceito!

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A segunda etapa do desafio consistiu na partilha

Compreenderam, foram compassivos, empáticos e

desse inacabado conto com estudantes de outras

resolutivos. Sobreviventes, por vezes.

escolas, permitindo-lhes refletir e concluir a estória

Deram voz ao silêncio ao reconhecerem-se, tal

– dar voz aos silêncios, eternizados na

como estas personagens, igualmente desalentados,

indeterminação do professor.

solitários, inseguros, perdidos ou desesperados.

Assim, encontrará neste livro a reunião desses

Quase nunca combativos. Apenas resignados.

diferentes contos, iniciados por estes professores e

Mergulhados na aceitação e misericórdia.

terminados pelos alunos. Um processo de liberdade

É incrível a capacidade de nos adaptarmos.

intelectual, reflexivo e colaborativo intergeracional

Reminiscências do instinto de sobrevivência.

acerca do futuro. Um exercício de projeção

---

empática.

Quando duas realidades aparentam estar

---

demasiado distantes, ainda que se trate do

Imaginar ou criar realidades alternativas é um

princípio, meio e fim da mesma natureza, são

processo integrativo, na medida em que pode

aparentemente distintas.

resultar da conjugação de diferentes conhecimentos.

Vislumbrarmo-nos envelhecidos, para muitos de

Podemos desconhecer o fenómeno da violência

nós é um processo enigmático, pelo sentido de

contra a pessoa idosa, mas se conhecermos o

longevidade. Ainda que se trate de um fenómeno

fenómeno da violência e tivermos o conceito de

contínuo e inerente à experiência de vida.

pessoa idosa, podemos criar uma realidade

Representa uma fase de declínio. Dependência.

conjugada. Integrando os diferentes elementos do

Afásica. Há uma perceção negativa do estar-se

nosso conhecimento.

idoso.

Neste sentido, obviamente que orientados na

Assentiremos isso mesmo. Convido-vos a

narrativa, os jovens estudantes reconheceriam e

descobrirem, por vós mesmos, ao longo das estórias

assimilariam o fenómeno de violência contra a

aqui apresentadas, também as perceções realísticas

pessoa idosa. Menos óbvio é a leitura e interpretação

do se ser idoso. Os medos. As angústias. As

desse fenómeno. O enredo estava criado, porém a

diferenciações geracionais. As dificuldades de

liberdade de resolução foi-lhes permitida.

perspetivar na positiva. Ou de dar a volta por cima.

Há pontos cegos na nossa imaginação. O nosso

O enigma não é gigante. A premissa é simples.

cérebro cria-nos algumas armadilhas. Somos

Coloque-se no lugar do outro. Facilita. Sinta. Olhe.

tentados à adaptabilidade. Tendemos a compreender

Escute ao seu redor. Descentrem-se de si. Entenda o

os fenómenos através da nossa perspetiva.

idoso próximo de si. É sobre isto que que este

Dificilmente procuramos a perspetiva do outro.

conjunto de textos aqui reunidos trata. Sobre as

Acreditamos, a maioria das vezes, ser a nossa

perceções dos silêncios da pessoa idosa vítima de

perspetiva a mais correta, tanto como a que se

violência e da sua expressão interior. Invertam-se

apresenta com mais possibilidades para a nossa

nos tempos e reflitam. Dê voz aos silêncios.

sobrevivência. Assistimos assim à tomada de perspetiva destes alunos, de certo modo, projetados no futuro.

Herculano Andrade (Psicólogo, Colaborador da

Reativos à realidade que não escolheram, mas que

CPI)

por circunstâncias da vida tinham de lidar – a iniciada narrativa. Dando leitura às ações e emoções das personagens. Em si mesmo projetadas de modo impactante.

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Part I

INTRODUÇÃO A CPI - Comissão de Proteção ao Idoso é uma

Os maus tratos e a violência contra pessoas idosas

associação que se dedica à defesa e promoção dos

são fenómenos que vivem do silêncio.

direitos das pessoas idosas.

“O SILÊNCIO TEM VOZ” é uma campanha de

A sua atividade é marcada pela centralidade da

sensibilização contra a violência sobre as pessoas

pessoa na construção de uma sociedade mais

idosas.

inclusiva e para todas as idades.

Nesta campanha integra-se a rubrica “Retalhos de

Valoriza-se a cooperação entre os mais velhos e os

Vidas Maiores”, contos que expressam um

mais novos, sob o lema da intergeracionalidade:

cruzamento de olhares sobre a violência entre

despertar os mais novos para os idosos, contribuindo

professores e alunos de diferentes escolas. O

para o reforço dos laços entre as gerações.

professor inicia o relato sobre uma situação de

No dia 15 de junho assinala-se o Dia Mundial da

maus tratos sobre idosos que alunos de outra escola

Consciencialização da Violência contra a Pessoa

terminarão.

Idosa.

O envolvimento de professores e alunos na

Esta data – instituída em 2006 pela Organização das

reflexão, discussão e troca de experiências é

Nações Unidas em parceria com a Rede

fundamental na sensibilização contra a violência.

Internacional de Prevenção de Abusos contra Idosos

Dar voz a este silêncio é contribuir para um futuro

– tem como objetivo prevenir e identificar a

mais inclusivo, para uma sociedade para todas as

violência e os abusos contra as pessoas idosas.

idades.

A violência contra as pessoas idosas representa uma violação grave dos direitos humanos e tem vindo a ser reconhecida por várias organizações internacionais como um dos mais graves problemas sociais, de segurança e de saúde pública no emergir do século XXI.

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PARTE II

CONTOS DE VIOLÊNCIA EM SILÊNCIO


SOU PAI E AVÔ, NÃO SE ESQUEÇAM DE MIM!

Esta é a história do senhor José, de 80 anos, viúvo,

os seus netinhos (seis, dois de cada filho), de quem

que vive sozinho na sua casa de dois andares,

sente saudades e que costuma ver uma ou duas

demasiado grande para a sua existência vazia e

vezes ao ano, pelo Natal e no Verão, durante as férias

solitária.

grandes. Nessas ocasiões, esquece todas as tristezas e

Já lhe custa subir as vinte escadas até ao seu quarto.

diverte-se à brava com as tropelias dos seus

Quando era mais novo, subia-as rapidamente, e nos

pequenotes. Mas o tempo passa depressa, as visitas

dias em que sentia mais energia, subia-as de duas em

são curtas, porque os filhos têm de regressar a

duas ou descia-as a correr, sem se agarrar ao

Lisboa e a filha à Suíça, onde o trabalho os espera.

corrimão. Agora, tudo se torna mais difícil, tem de se

Os rapazes lá lhe vão ligando de vez em quando,

agarrar com força ao corrimão, a perna esquerda já

sempre a queixar-se do trabalho e das canseiras com

lhe falha e, ao fim de cinco escadas, tem de parar,

os filhos. A Ana Sofia é diferente, liga-lhe todos os

pois já lhe falta o fôlego.

dias, preocupada e atenciosa: «Pai, tens comido

No entanto, o pior é a solidão. A casa vazia e sem

bem? A Felismina continua a ir aí todos os dias para

alma, o silêncio e sempre o mesmo cheiro, a velho e a

te levar a comida? Tens tomado os teus remédios?».

mofo.

Uma manhã, sentiu que a perna esquerda estava

A sua esposa, a D. Ermelinda, partiu há dois anos,

dormente e, a muito custo, começou a descer as

vítima de cancro. Foi a sua companheira durante 58

escadas. Não conseguiu segurar-se, caiu e rolou

anos, a sua melhor amiga, a sua «Linda». Agora, sem

pelas escadas abaixo, desmaiando com a queda. Por

ela, a vida tem pouco sentido, ele deixa-se arrastar

sorte, a Felismina chegou pouco depois, para lhe

pelos dias longos e pesados. Resmungavam muito um

trazer o almoço. Encontrou-o imóvel, mas

com o outro, é certo, mas depressa esqueciam as

consciente. De imediato, chamou o INEM e o sr.

pequenas desavenças.

José lá foi para o hospital com uma perna partida.

Tiveram três filhos, dois rapazes- o Zé Miguel e o Artur- sempre muito ligados à mãe- e uma raparigaa Ana Sofia- a sua menina. Casados e com filhos, os

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Part I

Permaneceu cerca de um mês hospitalizado. A Ana Sofia ligava-lhe muitas vezes, sempre com palavras meigas. O Zé Miguel e o Artur lá lhe iam ligando de vez em quando, sempre com pressa e com a desculpa do trabalho.

- Ainda não temos uma resposta..., mas vamos encontrar uma solução... - Os meus filhos não me querem, pois não sra. Doutora? Diga-me a verdade, por favor! Passaram duas semanas... a cama ocupada pelo sr.

Até que chegou o dia em que teve alta do hospital.

José estava a fazer falta para outro doente. Urgia

Estava com a perna engessada, podia ir para casa, mas

decidir.

não era aconselhável permanecer sozinho, de acordo

Sucedeu o pior dos cenários - o senhor José acabou

com a médica, uma jovem simpática e atenciosa que o

mesmo por ir para um lar de idosos, onde ficou

acompanhou durante o internamento. Perguntou-lhe

quase um ano, apesar das chamadas constantes da

se tinha filhos e quais os seus contactos. Aí o sr. José

Ana Sofia, para saber da recuperação do pai, nada

ficou apreensivo: será que o Zé Miguel ou o Artur o

fazia o sr. José sentir aquele espaço como seu. Pese

viriam buscar e estariam disponíveis para cuidar dele?

embora a forma carinhosa e dedicada como o

Mostrou a sua preocupação à médica, mas ela

tratavam todos ali - as enfermeiras tratavam sempre

descansou-o, dizendo que iria contactar os dois filhos

o senhor José como se ele fosse mais um dos 100

e que tudo faria para o ajudar.

utentes daquele lar, e não como alguém que estava

Assim o fez, contactou primeiro o Zé Miguel, que,

apenas em convalescença. Contudo, havia alguém

contrariado, disse logo que não podia ir buscar o pai

que nunca o abandonou, alguém que o fazia sentir

ao hospital, pois estava longe, nem podia cuidar dele,

muito melhor... a médica que o atendeu depois da

porque não tinha condições em casa. O Artur, por sua

queda, e que criou uma grande ligação com a nossa

vez, também se desculpou com a distância e com o

personagem principal.

feitio difícil do pai, que só lhe ia dar problemas. Por

Uma vez por semana, à quinta-feira, das 11 da

fim, a Ana Sofia, lamentando-se muito, confirmou que

manhã ao meio dia, na sua pausa para almoço,

seria impossível vir a Portugal e ficar com o pai.

levava a sua salada, e juntava-se no pátio com o

Visto que ninguém o poderia vir buscar e ele

senhor José, que exultava de alegria ao vê-la! Era o

necessitava de cuidados médicos e pessoais muito

seu momento de felicidade durante toda a semana!

específicos, pois ia estar imobilizado e completamente

Apesar de não ser sua filha, nem sua parente,

dependente durante vários meses, surge no ar a

porque dos filhos nem sinal, o senhor José via

pergunta, quem vai ficar com o senhor José?

naquela mulher uma companhia, uma amiga, uma

Aparentemente, a família equacionou colocá-lo num

pessoa que realmente o fazia sentir diferente dos

lar, mas tudo isto através de uma chamada que durou

outros. Fazia-o sentir-se tão leve, tão bem!...

menos de cinco minutos, e nós já sabemos quais as

Os dias iam correndo, e o sr. José, a quem sobrava o

consequências de decisões importantes tomadas em

tempo, e por isso detinha o seu pensamento a

cima do joelho, não é?

cismar na ausência e até um certo desprezo dos

Enquanto o sr. José passava as noites em claro,

filhos que tinha criado com a sua Linda com tanto

angustiado com a incerteza do futuro, a médica

amor e carinho, tendo abdicado de tanta coisa para

assistente, também ela preocupada, ia tentando

que nada lhes faltasse... mas porquê??...

contactar os filhos do doente, muitas vezes sem

Ansioso por sair dali, começou a delinear uma

sucesso. Uns dias depois, o sr. José encheu-se de

estratégia. E se eu sondasse a sr.a Dr.a ... ela tem

coragem e perguntou à médica quando voltaria para a

conhecimentos... não!

sua casinha... a médica, com a voz embargada pela emoção respondeu-lhe:

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Part I

Eu queria mesmo a companhia de um dos meus

Os filhos tentaram demovê-lo, preferiam que o pai

filhos... e a minha casinha... eu já me sinto muito

permanecesse no lar porque lhes dava maior

melhor, já consigo andar sozinho! Mas a sr.a Dr.a

tranquilidade. Sem sucesso. O sr. José, magoado

disse-me a semana passada que quando saísse daqui

com a falta de carinho, de atenção e preocupação

não podia estar sozinho... e a Felismina já tem outro

dos seus filhos apenas os informou, não os

emprego... ó meu Deus, é tão triste ser-se velho! Se a

consultou.

minha Linda não tivesse morrido! Estava o sr. José a

- O Sr. José, pessoa educada e de trato fácil, ao

laborar nisto tudo quando foi interrompido pela voz

contrário do que diziam os filhos, teve uma longa

de uma auxiliar de ação direta – sr. José, vamos lá,

conversa com a direção do lar a quem agradeceu

hora do lanche! Hoje temos um docinho. Não leve a

todo o apoio e afabilidade enquanto ali esteve, mas

mal, mas hoje não me apetece comer, respondeu.

tinha chegado a hora de se despedir de todos

O sr. José, se bem o pensou, melhor o fez. Volvido um

quantos contribuíram para que tivesse chegado

ano de estadia no lar e já recuperado, decidiu falar

àquele momento, agora plenamente recuperado, ia

com a médica sua amiga.

viver para casa da filha que tinha acabado de adotar

Era quinta-feira, à hora habitual a médica chegou com

– a sr.a dr.a.

a sua marmita à tira colo, toda bem-disposta, bem

- Os dias corriam felizes, o sr. José chamava

arranjada e sorridente como sempre. Já se conheciam

carinhosamente ao Zé Maria, o filho da médica,

bem, tinha nascido uma amizade tão bonita! A certa

“neto emprestado”. Parecia agora mais jovem e

altura a médica percebeu que o sr. José lhe queria

cheio de energia, a sua nova família divertia-se com

dizer alguma coisa, mas faltava-lhe a coragem.

ele, saíam juntos, o sr. José levava o Zé Maria à

- O sr. José hoje está menos falador. Aconteceu

escola e ia buscá-lo, enquanto dos seus filhos e netos

alguma coisa? O que é que o preocupa?

não havia notícias. Tinham - se esquecido do pai, do

Perguntou a médica.

avô.

- Quer mesmo saber?

A médica sentia-se cada vez mais entusiasmada com

- Claro! Somos bons amigos estou aqui para o ouvir.

a sua profissão, ela que tinha subido a pulso e dava

- Eu sei que é casada, adotou um filho, vive com a

aos seus doentes o apoio e a ternura que em parte

sua companheira há 10 anos, tem uma vida feliz... já eu

lhe tinha faltado enquanto jovem, aprendeu a dar

tenho três filhos e seis netos e como vê estou aqui

valor às pequenas coisas da vida e sobretudo aos

posto a um canto, há três meses que não recebo um

mais frágeis, aos mais vulneráveis, àqueles que tanto

telefonema... devem estar à espera que lhes liguem

deram e nada receberam em troca.

daqui a dizer que morri. Tenho uma tristeza tão

Quanto ao sr. José, repetia à exaustão: há males que

grande cá dentro...

vêm por bem!

A médica, sensibilizada com o sofrimento do amigo, ela que tinha tido um pai ausente e pouco

Autoria:

compreensivo, começou a trabalhar muito jovem para

Inicio do conto: Professora Alexandra Magalhães,

poder tirar o curso de medicina, e sabia bem o que

Agrupamento de Escolas de Moure e Ribeira do

isso significava para ela, não hesitou. Eu adotei um

Neiva, Vila Verde

filho pensou... o sr. José quer ir para minha casa?

Fim do conto: Alunos: Mariana Henrique e Gonçalo

O sr. José, incrédulo perante tamanha generosidade,

Ferreira, 12.º A, Agrupamento de Escolas D. Sancho

com os olhos cheios de lágrimas de gratidão e

II, Alijó

felicidade pegou no telefone, ligou a cada um dos filhos para os informar da sua decisão: ia viver para casa da médica.

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A AJUDA QUE VIROU OBRIGAÇÃO

O Sr Francisco Pereira de 75 anos e a D. Teresa

O João está no 2o ano do 2o ciclo, joga basquete e

Pereira de 74 anos, são naturais de Vieira do Minho e

tem treinos duas vezes por semana.

moram em Braga, são casados há 50 anos,

A Maria está no 1o ano do 2o ciclo e tem aulas de

aposentados, ele da GNR, ela como doméstica. A D.

piano às terças e quintas no fim da escola.

Teresa dedicou-se à família, cuidando dos filhos e da

O Gabriel, está no 4o ano básico, tem equitação às

casa, pois os turnos e a distância do seu marido não

quartas.

lhe permitiam compatibilidade ou compromisso

Estando reformados e ainda com energia o Sr.

com um horário normal de trabalho. Tiveram dois

Francisco e a D. Teresa dedicam-se muito aos netos

filhos, um casal.

e em ajudar os filhos no seu cuidado.

Os filhos foram crescendo, entraram para a escola.

Levando-os à escola, às atividades, ajudar com os

Eram bons alunos.

trabalhos de casa, dando-lhes o jantar e ainda muitas

Terminado o secundário, o Sr. Francisco e a D. Teresa

vezes levá-los aos pais no fim do dia.

conversaram sobre o percurso escolar dos filhos e

O que começou por ser uma ajuda virou rotina e

puseram-se de acordo em fazer os sacrifícios

obrigação.

económicos necessários para que fossem para a

O Sr. Francisco chegou a recusar ir ver um jogo de

universidade e dessa forma pudessem ter um futuro

futebol do seu clube (bilhete oferecido), pois tinha o

melhor.

compromisso de levar e buscar os netos às

Assim foi, o filho mais velho iniciou engenharia civil

atividades.

na Universidade do Minho e logo depois a filha

Desde o nascimento dos netos que deixou de ir ao

entrou na mesma universidade em enfermagem.

encontro anual da GNR.

Concluíram os seus cursos e iniciaram logo a

Por sua vez a D. Teresa via-se na obrigação de ter

trabalhar.

que dar satisfação prévia aos filhos para poder ir ao

Pouco tempo depois os filhos casaram.

seu cabeleireiro, assim como para outra situação

Uns anos mais tarde, nasceu o primeiro neto João, da

qualquer em que não pudesse ficar com os netos.

parte do filho e ainda nesse ano a filha anunciou que

Um dia a D. Teresa que é mais ligada às datas e

estava grávida, nasceu então a Maria, pouco tempo

celebrações, falou com o marido e lembrou-o de

depois engravidou de novo, uma gravidez não

que nesse ano fariam 50 anos de casados, as bodas

planeada, abençoada com a chegada do Gabriel.

de ouro, e que gostaria de fazer um jantar familiar

O João tem 12 anos, a Maria tem 11, e o Gabriel 10

para comemorar. Estava empolgadíssima.

anos.

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Quando convidou os filhos, nenhum se mostrou

A Maria desempenhou o seu papel na perfeição e

disponível, dizendo já terem compromisso que não

alarmou os pais. Quando a interrogaram por estar

podiam adiar e demonstraram desagrado com a

diferente, disse aos pais que era por causa do estado

possibilidade de os pais não estarem disponíveis para

em que tinha visto a avó e acrescentou que até

tomarem conta dos netos nesse dia.

gostava de ser ela a organizar a festa dos avós, pois

A D. Teresa ficou de rastos e já não queria fazer festa

eles eram como uns segundos pais para todos os

nenhuma, mas o marido disse-lhe que haveria festa

netos. Nesse instante entra o Gabriel, que tinha

com ou sem os filhos, pois eles mereciam celebrar essa

estado à espera do momento mais oportuno, e

data. Entretanto, saiu para ir buscar os netos às

pergunta à mãe: - mamã, tu também choravas

actividades como de costume.

como a avó se fizesses uma festa e nós não

Chegaram a casa e dirigiram-se todos à cozinha para

quiséssemos vir?

lanchar, mas a mesa não estava posta e a avó não

Nesse momento, os miúdos viram os olhos

estava lá atarefada como sempre. As crianças

brilhantes da mãe que, segurando-lhes as mãozitas,

perguntaram pela avó e o avô dirigiu-se

lhes disse:

imediatamente ao quarto, seguido pelos netos. Os

- Obrigada por me trazerem para a realidade, pois

miúdos ficaram chocados quando viram a avó deitada

até hoje andei sempre tão ocupada a representar o

e desfeita em lágrimas. Perguntaram logo o que tinha

meu papel de filha mimada, que nunca tinha

acontecido. A avó não dizia nada, mas o avô teve de

pensado que também tenho que retribuir, pelo

contar (embora de uma maneira muito superficial) o

menos, um pouco daquilo que tenho recebido. Ok,

que tinha acontecido, pois as crianças não os

vou conversar com os tios e, todos juntos, vamos

largavam. Disse-lhes, então, que os pais deles iam estar

organizar as bodas de ouro dos avós.

muito ocupados e que não poderiam estar na festa dos

- Obrigada, mãe! Disseram os dois irmãos em

50 anos de casados deles (avós) e que era por isso que a

uníssono.

avó estava tão triste. Foram os três com o avô para a cozinha, prepararam o lanche, e o Gabriel disse-lhes que enquanto lanchavam tinham que encontrar uma solução para o problema. De repente, diz o Gabriel: já resolvi o problema! Como, perguntaram todos em uníssono? Então, o Gabriel explicou-lhes o seu plano. Como todos vocês sabem a Maria é a queridinha dos papás, então ela vai fingir que ficou deprimida e doente. Quando lhe perguntarem o que se passa ela

Autoria:

vai dizer que ficou assim por ter visto a avó muto triste

Inicio do conto: Professora Paula Vieira, Escola

e vai convencer o pai a arranjar maneira de virmos

Póvoa de Varzim

todos à festa. Já sabem como ela é persuasiva,

Final do conto: Alunos 12º C e Professora Virgínia

convence sempre os adultos a fazerem-lhe as

Cunha, Escola Ponte da Barca

vontadinhas todas.

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ESTORVO

Encolhida no sofá, frente à lareira, Maria contempla

Recorda os dias passados a cuidar dos netos e da

o vazio das chamas. Mal ouve os sons que chegam da

casa.

cozinha.

Recorda-se de pensar que todos os sacrifícios

Sente um embate no ombro, quando a filha coloca

tinham valido a pena. Nada era demais para a sua

mais lenha na lareira.

filha.

Desperta.

Recorda...

Olha-a fixamente nos olhos, mas a única coisa que vê

Recorda...

é fastio.

Recorda...

Quando chegaram a esta situação?

Um dia, tudo mudou.

Não sabe. Sinceramente, não sabe.

Agora era um estorvo. Apenas isso... um estorvo.

Recorda a primeira vez que lhe colocaram aquela

Ali, naquela sala, estava ela e uma mulher que

bonequinha rosada nos braços e a promessa que

outrora tinha sido sua filha, mas que havia muito

fizera a si própria de amá-la incondicionalmente, em

tempo não agia como tal, apesar de não o querer

todas as situações.

admitir. Pareciam recordações de uma outra vida,

Recorda, ainda, o que lhe custou deixar o emprego de

em que, não obstante todos os sacrifícios que fizera

que tanto gostava e que tanto a realizava, para cuidar

pela sua amada princesa, era feliz e realizada.

dela, porque, na sua cabeça, ninguém saberia dar-lhe

Agora, o incómodo que sentia na cabeça por, aos

aquilo que ela necessitava. Só ela.

olhos da sua filha, ela mesma ser um incómodo não

Recorda as tardes passadas no quintal, cheias de risos

a deixava dormir, pelo que passava as noites a fixar a

e de brincadeiras.

lareira, que permanecia acesa incessantemente

Recorda-a empoleirada nos seus saltos altos, frente ao

durante aquele gélido inverno. Gostava de refletir

espelho, a tentar pintar os lábios.

sobre a vida que tivera e as escolhas que havia feito.

Recorda a aflição sentida nas primeiras noites de

Imaginava-se como o fogo resplandecente que

saída, na adolescência, e as constantes idas à janela,

persistia irrequietamente inerte. Pensava que talvez

para ver quando chegava.

envelhecer fosse exatamente assim, uma inércia que

Recorda a ida para a universidade e a ginástica

retira o movimento, mas não a alma. Essa ficava

financeira que tivera de fazer.

para depois.

Recorda a venda da sua pequena casa, na vila onde

A aversão que sentia através do olhar da sua filha,

morara desde que nascera, para dar-lhe o dinheiro

que se esforçava para a esconder, era um desalento

para comprar o apartamento com que ela sempre

maior do que a morte.

sonhara.

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Mas quando tinham chegado até ali? Já sabia. Quando

A filha, que o deixara de ser, sentou-se no sofá a

a impaciência passa a ser maior do que o amor, por

olhar para a lareira, contemplando não o vazio das

muito grande que este possa ser, o fastio torna-se um

chamas, mas o vazio dentro de si.

fardo demasiado pesado para uma só pessoa. Ela sabia.

Ali, naquela sala, estava ela, sozinha.

Agradecia à filha pelo esforço, mas ela não respondia e

Naquele momento, Maria não passava de uma

virava costas. Maria não demonstrava a profunda

lembrança. Apenas isso... uma lembrança.

tristeza que a assolava nestes momentos. Não queria mostrar fraqueza, pois achava que esse seria o golpe fatal na sua relação, pelo que engolia em seco e voltava a olhar para a lareira. À filha também doía. Não sabia porque o fazia. Talvez culpasse a mãe por tudo o que havia deixado para trás, talvez a culpasse por tudo aquilo que o futuro reservava para ela e que lhe havia sido retirado por força das circunstâncias. Lembrava-se da ida para a faculdade e das saudades que tinha sentido dos pais, que, embora relativamente perto, se encontravam mais distantes do que alguma vez haviam estado. Lembrava-se da notícia da morte do pai, que lhe fora dada por uma das secretárias da universidade. Lembrava-se de querer regressar a casa naquele preciso momento e que, de forma quase heróica, a mãe, também ela desolada e solitária, a tinha convencido a ficar e a prosseguir os seus estudos. Lembrava-se de abandonar o trabalho de que tanto gostava para tratar da sua progenitora, durante a velhice, pois, na sua cabeça, ninguém, além dela, lhe poderia fornecer aquilo que ela necessitava. Lembrava-se de vender o seu apartamento para ir viver com Maria. Porém, não sabia de onde vinha toda a amargura com que procedia todos os dias. Apesar das memórias felizes que tinha, de momento só era capaz de se recordar das más e dos sacrifícios que fizera. No meio de tanta angústia, nem pensava que a sua mãe havia feito tantos ou mais sacrifícios para

Autoria:

cuidar dela.

Início do conto: Professora: Ana Lúcia Costa, Escola

Um dia, tudo mudou.

Básica e Secundária de Macedo de Cavaleiros

O sofá da sala encontrava-se agora vazio e o silêncio

Final do conto: Alunos da Escola Secundária de

que se fazia na casa era ensurdecedor, principalmente

Barcelos

para quem nunca soube ouvir.

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QUERO FUGIR

O olhar vazio de expressão, a olhar para nada, através

As casas são todas iguais. E as ruas também. Está a

da janela, esconde a humilhação e a profunda tristeza

escurecer e são horas de regressar a casa. CASA????

resultantes de 60 anos de trabalho árduo, não

Mas que casa?!!! A única coisa que tem é um teto por

reconhecido, nem profissionalmente nem

cima da cabeça. Protege-o do frio e do calor, mas

formalmente.

não o protege do que é mais importante.

Sente que foi usado durante 60 anos, explorado e

Senta-se na avenida e olha para o turbilhão do

agora, que já não é útil, é simplesmente ignorado e

trânsito. Toda a gente tem pressa. Só ele não. E

abandonado à sua sorte.

queda-se aí com o olhar fixo nos faróis dos carros

Sem dinheiro para subsistir, porque a reforma é

que passam velozes. E o tempo passa. É inexorável.

ultrajante, sobrevive às custas do filho.

Finalmente levanta-se, começa a caminhar pelo

Não há um único dia em que não se sinta estranho,

passeio. Bastava dar dois ou três passos e tudo

indesejado, a mais.

acabaria. Por que não o faz? Seria um instante. Um

Não tem amigos, não conversa com ninguém.

breve instante e não sentiria nada. Talvez encontre

Ao fim de 2 longos anos neste ambiente, já perdeu a

algo melhor.

autoestima.

Bruscamente, dá uns passos à direita e as luzes do

Um turbilhão interminável de sentimentos assalta-o

autocarro encandeiam-no.

durante horas. Não consegue controlar ou parar esse

Pronto. Acabou.

turbilhão. Quer sair de casa, mas não tem para onde ir, deseja morrer, quer ser invisível, quer que todos tenham piedade dele, odeia estar vivo... Frio, sem paixão, o filho procura por todos os meios potenciar esses sentimentos. Não o diz.

Autoria:

Pior que isso, mostra-o a cada instante.

Início do conto: Professoras Maria Júlia Carvalhal e

E cada vez que o faz, sente-se morrer um pouco mais.

Maria Margarida, Escola Secundária de Barcelos

Já nada importa.

Fim do conto, Aluna Joana Costa, Escola Básica e

Um dia, vê-se perdido no meio da cidade. Deambula.

Secundária de Mirandela

Não sabe há quanto tempo está fora de casa. Parece que anda às voltas.

Page 13


LINHAS DE VIOLÊNCIA

Joaquim Manuel dos Santos Azevedo é um

. Tal como todos os vícios, tais práticas tornaram--se

homem de cabelos grisalhos e pele enrugada,

num refúgio e tomaram proporções descontroladas

com marcas notórias de uma vida árdua. Com

no seu comportamento, o que provocava nele uma

oitenta e dois anos, é vítima de maus tratos físicos

agressividade tal que o levava a ser violento com os

e psicológicos por parte do seu sobrinho. Depois

mais próximos, nomeadamente o seu tio.

de ter tido um passado muito conturbado, o Sr.

Num ato de desespero, a escassez financeira forçou

Azevedo tem passado por momentos de horror,

Daniel a roubar e a vender bens valiosos e antigos

nos últimos anos da sua vida, nomeadamente

que compunham a decoração da casa do Sr.

após a morte da sua esposa. Homem de classe

Joaquim. Insatisfeito com a quantia monetária que

trabalhadora, defendeu a sua pátria em múltiplas

estava a obter nas suas vendas ilícitas, o jovem

batalhas, sobretudo no Ultramar. Tais vivências

decidiu, então, pedir dinheiro ao seu tio, mentindo-

marcaram o seu caráter de forma muito vincada,

lhe em relação à finalidade do empréstimo. Com a

trazendo-lhe grande determinação e força. Desta

frequência excessiva dos pedidos do sobrinho,

forma, Joaquim tenta ao máximo resistir às

Joaquim começou a suspeitar do propósito de

tentativas de intimidação do sobrinho e às

Daniel e, a partir de um determinado momento,

ameaças por parte da família de ser colocado num

recusou-se a financiar a sua conduta duvidosa. Para

lar de idosos.

esclarecer as suas incertezas, o Sr. Azevedo optou

Daniel é o sobrinho do Sr. Joaquim. É um homem

por confrontar o sobrinho, exigindo-lhe

de trinta e dois anos, de estatura alta, magro e

transparência acerca dos seus atos.

com um aspeto desleixado. Foi despedido do seu

O Daniel perante a atitude do tio, ao invés de

emprego há alguns meses por faltas constantes e,

assumir uma postura humilde e de arrependimento,

quando comparecia, tinha uma aparência pouco

partiu para a agressão psicológica. Começou por

cuidada, embora fosse uma pessoa simpática e

confrontar o tio com seu estado de fragilidade

educada, na perspetiva daqueles que conviviam

devido à idade.

com ele. Infelizmente, este comportamento não

Mas o Senhor Joaquim, homem de caráter vincado,

era igual em casa, porque, apesar de ninguém

determinado, forte e íntegro, não se deixou

suspeitar, ele tinha problemas com drogas. Este

intimidar e deixou claro ao sobrinho que não iria

vício desencadeou-se aos dezassete anos, por

permitir mais esta situação.

influência dos seus amigos de escola, num contexto de diversão

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Perante esta reação e dominado pelo vício das drogas, o Daniel recorreu ao golpe mais baixo a que chega o ser humano... começou a agredir fisicamente o tio. O Senhor Joaquim sucumbiu à vergonha, ao medo e deixou que o seu lado mais frágil viesse ao de cima. Deixou-se abater e começou a sofrer em silêncio. Mas a agressividade do Daniel começou a tomar proporções cada vez maiores. O Senhor Joaquim começou a não suportar as dores e a temer pela própria vida. Até que um dia, o Senhor Joaquim, foi ao mais íntimo de si, e lembrou-se do homem que sempre foi: Honesto, correto, justo e tomou consciência que não podia permitir mais este escalar de violência e fez o que tinha de ser feito, contatou as autoridades, que além de tomarem medidas de imediato o puseram em contato com a APAV (Associação de Proteção a Vítimas). No primeiro contato, este homem forte não resistiu e deixou que as lágrimas falassem por si. Entretanto o Daniel foi preso após um ataque ao tio que o levou a internamento hospitalar. Com todo o carinho e apoio, hoje o Senhor Joaquim vive tranquilamente na sua casa com apoio domiciliário e em paz. Atualmente o Senhor Joaquim tem uma ocupação, partilhar a sua experiência com outras vítimas que passam pelo inferno pelo qual ele passou. A APAV, fez-lhe acreditar que as vítimas têm que ter coragem para denunciar os agressores para que os ciclos de violência possam ser travados. Fez-lhe acreditar que as vítimas não estão sozinhas e que sem darem o primeiro passo não podem ser ajudadas. Hoje o Senhor Joaquim é uma voz no apoio a outros

Autoria:

idosos que, tal como ele, também são vítimas de

Inicio do conto: 12º A, Agrupamento de Escolas de

alguma forma de violência.

Arcos de Valdevez – Arcos de Valdevez Fim do conto: Clara Moroso , 6º-E, Agrupamento de Escolas Gonçalo Sampaio – Póvoa de Lanhoso

A violência doméstica é um crime, mas com pessoas frágeis, nomeadamente idosos, ainda é mais revoltante.

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A DOR DO ESQUECIMENTO

Era uma vez, um casal de idosos, António Maria e Adelaide Cunha, que tinham três filhos e viviam com o mais novo. Porém, as coisas nem sempre tinham sido assim. António Maria e Adelaide eram um casal da aldeia de Agra. Dois anos depois do seu casamento, tiveram o primeiro filho, Alfredo. Depois dele tiveram mais dois filhos, Catarina, a do meio, e o mais novo, Arlindo, com síndrome de Down. O casal sempre fez os possíveis para dar tudo aos filhos, mas eles não retribuíram o amor que lhes foi dado. António era militar e por isso não passava muito tempo em casa; Adelaide era jornaleira, o que permitia que ficasse perto dos filhos; no entanto, também não passava muito tempo com eles, por excesso de horas de trabalho. Assim, as crianças sentiam-se negligenciadas. O pai tinha uma mente retrógrada e era agressivo, com o seu espírito de militar. Alfredo era uma criança alegre e gostava de cozinhar, não de fazer exercícios físicos, o que causava grande desgosto ao seu pai que era mais agressivo com ele. Catarina tinha a responsabilidade de cuidar do seu irmão Arlindo o que lhe ocupava bastante tempo, impedindo-a de brincar. António Maria não aceitava Alfredo e este, como não aguentava o ambiente tóxico de casa, decidiu, aos vinte e cinco anos, emigrar para a Alemanha, abandonando, assim, os pais e os irmãos.

. Durante os primeiros meses sentiu-se bastante sozinho, mas, quando estava a ponderar voltar para o seu lar, encontrou Charles, o seu atual marido. Neste momento, Alfredo tem 43 anos e dois filhos adolescentes. Só vem a Portugal de dois em dois anos, deixa os filhos com os pais e viaja por Portugal com o marido. Segundo ele, a principal razão das visitas tão espaçadas é que as viagens são caras. Os netos ficam em casa dos avós mas, como têm amigos nessa aldeia, raramente estão com a família e não fazem companhia aos avós. Hoje, já se passaram vinte anos desde que Catarina fez a última visita aos seus pais e por este caminho passará ainda mais tempo sem uma visita. Os anos correm e o casal sente-se cada vez mais sozinho. Catarina é independente e bem-sucedida, trabalha como bancária e leva uma vida agitada. Perto dos seus trinta anos, decidiu dar a alguém aquilo que ela não tinha tido – amor e carinho – e, por isso, adotou uma criança. Apesar tudo, tem uma ótima capacidade para gerir o seu tempo entre o trabalho, o filho de dois anos e o lazer. Ela não estabelece qualquer relação com os pais. Muito pelo contrário, quer fazê-los pagar por não lhe terem dado atenção durante a sua infância. Se pensa no sofrimento dos pais? Sim. Mas também se recorda do seu, por não ter tido o acompanhamento necessário durante o seu crescimento. Abandonou os progenitores por ter sido abandonada.

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Arlindo vive com os seus pais, na aldeia. Apesar de a

Arlindo reagira de uma forma confusa à visita da

situação económica do casal de idosos ser confortável,

irmã, mas também de uma forma ofegante. Teve

como já se encontram em idade avançada, não

também um comportamento acertado com o casal

conseguem cuidar de Arlindo sozinhos, porque ele

idoso nesse tempo.

oferece resistência. Não é um rapaz novo, tem vinte e

Mas passadas duas semanas de alegria e

sete anos, e não é apologista das terapias a que vai e

grandes emoções, era esperado que tudo voltasse ao

que não surtem o devido efeito. Devido,

normal. Incrivelmente, isso não aconteceu. Foi

principalmente, à sua deficiência, o filho mais novo do

como se tivesse aparecido uma luz bem nítida ao

casal é totalmente dependente dos pais, pelo que tem

fundo do túnel, a luz da esperança!

necessidade de residir na sua casa. Tendo em conta os

Adelaide e António ficaram muito confiantes, e

distúrbios psicológicos de Arlindo, a situação agravou-

com isso Arlindo melhorou muito o seu estado.

se, tendo tomado novas proporções e chegando

Mesmo assim, ainda havia muito trabalho pela

mesmo à violência física.

frente. A terapia começou a fazer efeito, mas

Constantemente, António Maria e Adelaide são

Arlindo não estava a ter uma melhora muito rápida.

agredidos violentamente por tentarem ajudar este seu

O médico de família de Adelaide não se

filho. Apenas não era violento na presença dos irmãos,

conteve, e acabou por relatar à polícia local tudo

porque, quando eram mais novos, eram eles que

aquilo que se havia passado entre o casal e o filho

cuidavam dele. Não se habituou à presença dos pais e

mais novo. Então alguns agentes policiais acabaram

agora era tarde e não os aceitava.

por levar Arlindo para um hospital, onde ele seria

Os dias de António Maria e de Adelaide decorriam

observado diariamente por um psiquiatra. Era

dolorosamente, entre o esquecimento dos dois filhos

assegurada também a segurança de Arlindo, e este

mais velhos, as agressões do mais novo e a indiferença

seria tratado com o devido cuidado.

dos netos.

Desde então já se passaram dois anos, e o casal

Parte do rendimento salarial do casal era gasto em

visita semanalmente o filho. Não está ,ainda,

exames e medicação para Arlindo. Adelaide era quem

totalmente curado da síndrome, mas já desenvolveu

mais sofria nas mãos do filho. Era agredida

a fala melhor do que esperado!

constantemente, por não ter o mesmo espírito

Foi uma fase de escuridão na vida de António

ameaçador que António tinha perante o filho.

Maria e de Adelaide, mas ambos a ultrapassaram.

O casal necessitava da ajuda do Centro de

Embora não sejam frequentes as visitas de Alfredo e

Assistência a Idosos, que diariamente lhes levava as

de Catarina, já é um grande alívio ver o seu filho

refeições mais importantes. Porém, ainda assim

num estado razoável, e a melhorar a cada dia que

António e Adelaide se sentiam esquecidos. Era como

passa.

se só eles não existissem naquele mundo, ou fossem simplesmente indiferentes ao olhar daqueles a quem mais amaram...

Autoria:

Adelaide recorria muito frequentemente ao seu

Inicio do conto: 11º - C, Agrupamento de Escolas de

médico de família, relatando os abusos físicos, mas

Arcos de Valdevez – Arcos de Valdevez

pedia para manter o assunto em sigilo.

Final do conto: Gonçalo Veloso, 6º-E, Agrupamento

Passaram-se dias muito dolorosos para o casal, e a

de Escolas Gonçalo Sampaio – Póvoa de Lanhoso

única notícia agradável foi que Catarina tinha vindo visitá-los, planejando ficar por duas semanas. Essas foram as duas semanas mais felizes dos últimos vinte anos de vida do casal.

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PARTE III

CONTOS DE DESAMOR


DESAMOR COM FINAL FELIZ

Francisco e Irene, 75 anos, três filhos, dois rapazes e uma rapariga, viviam em plena harmonia e felicidade. Criaram e educaram os filhos com muitas dificuldades, muito trabalho e sacrifício, mas com um amor inexcedível e ainda ajudaram a criar três dos sete netos! Os filhos, todos bem colocados na vida – o Pedro advogado, o Vitor engenheiro e a Helena professora universitária. Eram o orgulho dos pais! Os rapazes, um em Lisboa e outro em Inglaterra telefonavam com frequência e vinham sempre no Natal e uma semana em agosto. Aquela agitação coloria os dias do casal! Temos a casa cheia! – dizia, entusiasmada a D. Irene. Que felicidade! Já a Helena, a princesinha da família, vivia na mesma rua, duas casas abaixo e era visita assídua da casa dos pais. Era ela o principal apoio quando os pais precisavam. Mas, uma manhã, muito cedo, a caminho do campo para tratar das couves para o Natal, sem que nada o fizesse prever, o sr. Francisco sofreu um AVC e não resistiu. Tudo mudou. - Sozinha, neste casarão... o que hei de fazer?... Tristonha e angustiada precisava agora, mais do que nunca, do carinho e apoio dos filhos e sobretudo de companhia. Olhava para o telefone que tinha deixado de tocar... - Helena, minha filha, sinto-me tão sozinha! - Amanhã falamos, agora estou com pressa. Come a sopa e não te esqueças dos comprimidos! Passou um ano Francisco, fazes-me tanta falta! Os filhos esqueceram-se de mim. Já nem a nossa Helena me visita como devia... parece zangada... murmurava a D. Irene num solilóquio... Quatro dias depois... Helena, que saudades! Dá-me um beijinho!

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- Olha mãe, eu já não suporto essa tua figura lamecha, temos de tomar uma decisão: ou deixas as recordações e esse mau humor irritante ou então... tenho a minha vida organizada, uma profissão exigente, não tenho tempo nem paciência para velhos mal-humorados...

- E que irias fazer comigo, minha filha? - O mais correto seria colocar-te num lar... D. Irene não queria ir e deixou esse seu ponto bem claro, mas a filha continuava a ameaçá-la dizendo-lhe que a iria deixar sozinha. Helena saiu de casa sem arrependimento e a sua querida mãe sozinha e triste em casa ficou. Certo dia, D. Irene sentiu-se mal, bem que tentou ligar para os filhos, mas nenhum deles atendeu, ficando assim desmaiada ... nesse mesmo dia, Helena ia levar a mãe para o lar, portanto lá a encontrou estendida no chão da cozinha. Cheia de medo de perder a mãe, ligou desesperada para o hospital e para os seus irmãos... D. Irene acordou sem saber onde estava, mas feliz, pois os seus filhos estavam com ela... era um sítio calmo e sereno, assemelhava-se ao pequeno jardim a que ela e o Sr. Francisco levavam os filhos para passear e dar de comer aos patos... ela sentia-se em paz a ouvir os pequenos risos das suas crianças que rapidamente se tornaram em choro, mas porquê? Porque choravam elas? Perguntava a si mesma, e aí sim, D. Irene acordou verdadeiramente e viu que, bem, afinal não estava naquele magnífico sítio. - Mãe? Mãe! - Rápido, enfermeira, ela acordou! Dizia Helena de uma maneira agitada. - Acalma-te irmã, ainda provocas um ataque cardíaco às queridas enfermeiras com esse alarido todo. Helena, feita criancinha, deitou a língua de fora ao irmão e D. Irene logo a repreendeu pela sua atitude: - Mas o que se passa aqui? Alguém me pode explicar? E, Helena, isso não é atitude de se ter! Ralhou ela. - Desculpa, mãe, por tudo... nós devíamos ter estado aqui para ti quando o pai faleceu e, em vez disso, concentrámo-nos apenas em nós... lembrámo-nos de ti tarde de mais, apenas quando quase te perdemos é que nos arrependemos da nossa atitude... queríamos pedir-te desculpa. Disse Pedro. - Desculpa mãe! - Concordaram Helena e Vitor em uníssono. D. Irene sentia que devia dizer alguma coisa, mas estava demasiado emocionada, apenas pediu um grande abraço aos filhos e que lhe prometessem que nunca a abandonariam... Os três filhos concordaram e a mãe voltou a viver feliz.

Autoria: Inicio do conto: Professora Filomena Maria Marques, Agrupamento de Escolas D. Sancho II – Alijó Final do conto: Aluna Kiara Costa, 8º D, Agrupamento de Escolas de Moure e Ribeira do Neiva - Vila Verde

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DESAMOR E A AMIZADE

Francisco e Irene, 75 anos, três filhos, dois rapazes e uma rapariga, viviam em plena harmonia e felicidade. Criaram e educaram os filhos com muitas dificuldades, muito trabalho e sacrifício, mas com um amor inexcedível e ainda ajudaram a criar três dos sete netos! Os filhos, todos bem colocados na vida – o Pedro advogado, o Vitor engenheiro e a Helena professora universitária. Eram o orgulho dos pais! Os rapazes, um em Lisboa e outro em Inglaterra telefonavam com frequência e vinham sempre no Natal e uma semana em agosto. Aquela agitação coloria os dias do casal! Temos a casa cheia! – dizia, entusiasmada a D. Irene. Que felicidade! Já a Helena, a princesinha da família, vivia na mesma rua, duas casas abaixo e era visita assídua da casa dos pais. Era ela o principal apoio quando os pais precisavam. Mas, uma manhã, muito cedo, a caminho do campo para tratar das couves para o Natal, sem que nada o fizesse prever, o sr. Francisco sofreu um AVC e não resistiu. Tudo mudou. - Sozinha, neste casarão... o que hei de fazer?... Tristonha e angustiada precisava agora, mais do que nunca, do carinho e apoio dos filhos e sobretudo de companhia. Olhava para o telefone que tinha deixado de tocar... - Helena, minha filha, sinto-me tão sozinha! - Amanhã falamos, agora estou com pressa. Come a sopa e não te esqueças dos comprimidos! Passou um ano Francisco, fazes-me tanta falta! Os filhos esqueceram-se de mim. Já nem a nossa Helena me visita como devia... parece zangada... murmurava a D. Irene num solilóquio... Quatro dias depois... - Helena, que saudades! Dá-me um beijinho! - Olha mãe, eu já não suporto essa tua figura lamecha, temos de tomar uma decisão: ou deixas as recordações e esse mau humor irritante ou então... tenho a minha vida organizada, uma profissão exigente, não tenho tempo nem paciência para velhos mal-humorados...

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- Helena, minha filha, sinto-me tão sozinha, tu não estás igual, hoje que foi uma alegria ver-te, vensme com essas palavras ... - Não comece com as suas lamechices... isto vai ter que mudar ... você, estes últimos tempos, só se tem queixado... Irene verte longas lágrimas de sofrimento e mágoa. - Olhe, desculpe lá, mas tenho coisas mais interessantes para fazer do que aturar uma velha chorona. Depois de longas horas de sofrimento, D. Irene recorre à sua vizinha Inês. - Minha querida comadre, ajuda-me, por amor de Deus, não sei o que fazer da minha vida ... -Diz lá, minha querida, o que se passa? – questionou-a a D. Inês. - A minha vida está um caos neste momento, a minha filhota não quer saber de mim e quando me procura, ainda me deita mais abaixo, hoje veio cá visitar-me e exaltou-se comigo, sinto-me mais sozinha do que um cão abandonado ... - Minha querida, não te quero ver assim, ela deve estar cansada e exausta do trabalho e descarregou em ti, mas tem calma, tudo vai passar... - Obrigada, minha amiga- respondeu D. Irene, ainda muito em baixo. - Olha, já viste? Também estou na mesma situação, a minha Maria está na França e o meu Manuel no Luxemburgo e eu estou aqui sozinha como uma pobre coitada, nesta velha, escura e abandonada casa... Durantes longos minutos, as duas senhoras permaneceram no silêncio da tarde no pátio da D. Inês. -Acabou aqui esta nossa solidão, a partir de hoje está marcado, às 10 da manhã fazemos o nosso lanchinho da manhã, à tarde, fazemos o mesmo a partir das 3 e passamos a tarde juntas- disse a D. Inês, entusiasmada. - Boa ideia amiga, vamos acabar com esta nossa solidão ... – concordou a D. Irene com um sorriso nos lábios.

Autoria: Inicio do conto: Professora Filomena Maria Marques, Agrupamento de Escolas D. Sancho II, Alijó Final do conto: Aluna Joana Silva, 9ºA, Agrupamento de escolas de Moure e Ribeira do Neiva, Vila Verde

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DESAMOR E AS SAUDADES DA INFÂNCIA

FFrancisco e Irene, 75 anos, três filhos, dois rapazes e uma rapariga, viviam em plena harmonia e felicidade. Criaram e educaram os filhos com muitas dificuldades, muito trabalho e sacrifício, mas com um amor inexcedível e ainda ajudaram a criar três dos sete netos! Os filhos, todos bem colocados na vida – o Pedro advogado, o Vitor engenheiro e a Helena professora universitária. Eram o orgulho dos pais! Os rapazes, um em Lisboa e outro em Inglaterra telefonavam com frequência e vinham sempre no Natal e uma semana em agosto. Aquela agitação coloria os dias do casal! Temos a casa cheia! – dizia, entusiasmada a D. Irene. Que felicidade! Já a Helena, a princesinha da família, vivia na mesma rua, duas casas abaixo e era visita assídua da casa dos pais. Era ela o principal apoio quando os pais precisavam. Mas, uma manhã, muito cedo, a caminho do campo para tratar das couves para o Natal, sem que nada o fizesse prever, o sr. Francisco sofreu um AVC e não resistiu. Tudo mudou. - Sozinha, neste casarão... o que hei de fazer?... Tristonha e angustiada precisava agora, mais do que nunca, do carinho e apoio dos filhos e sobretudo de companhia. Olhava para o telefone que tinha deixado de tocar... - Helena, minha filha, sinto-me tão sozinha! - Amanhã falamos, agora estou com pressa. Come a sopa e não te esqueças dos comprimidos! Passou um ano Francisco, fazes-me tanta falta! Os filhos esqueceram-se de mim. Já nem a nossa Helena me visita como devia... parece zangada... murmurava a D. Irene num solilóquio... Quatro dias depois... - Helena, que saudades! Dá-me um beijinho! - Olha mãe, eu já não suporto essa tua figura lamecha, temos de tomar uma decisão: ou deixas as recordações e esse mau humor irritante ou então... tenho a minha vida organizada, uma profissão exigente, não tenho tempo nem paciência para velhos mal-humorados...

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-Eu sei, minha filha, eu sei que tens uma profissão exigente, mas eu não deixei de ser tua mãe, não deixei de precisar dos teus cuidados, não deixei de te amar. Depois que o teu pai morreu, a solidão atacou-me de uma forma horrível, eu sinto-me sozinha... -Pois, mãe, eu lamento muito a morte do pai, mas eu não posso fazer nada quanto a isso. Agora, se me dás licença, tenho de ir trabalhar. «E lá foi ela, mais uma vez, deixou-me sozinha sem querer saber como me sinto», pensou para si a D. Irene. -Ai, Francisco, a nossa princesa mudou tanto, já não é atenciosa e preocupada, já não liga de manhã e à noite para saber se tomei os medicamentos, já não me visita como antes, não sorri como antes, ai, que saudades da nossa Helena... -lamentava a D. Irene, com fé de que o seu falecido marido a ouvisse. Na manhã seguinte, lá continuava o seu solilóquio: -Não me apetece nada tomar estes remédios, são azedos como limão, como a minha Helena de agora - dizia a D. Irene, com muito desgosto. «Bom, vou ligar ao meu Pedro, o Vitor deve estar muito ocupado» - pensou. -Sim mãe, precisas de alguma coisa? - perguntou ele com uma voz de pouco interesse do outro lado da linha. -Não, meu filho, eu só... -Então, se não precisas de nada, eu vou desligar porque tenho de trabalhar, beijinhos- declarou Vítor de forma rude. Depois da chamada curta com o filho, a D. Irene decidiu ir até ao sótão recordar a infância dos filhos e acabou por encontrar uma linda boneca da sua Helena. Observou-a atentamente, fazialhe lembrar a sua filha em pequena: morena com uns cabelos compridos, esguia e com um lindo sorriso a acompanhar os seus belos olhos escuros. -Os brinquedos dos meus filhos, os peluches, bonecas e carrinhos, tudo o que lhes consegui dar com muito trabalho e sacrifício... - murmurava a D. Irene, nostálgica. Talvez um dia, quando eu partir, eles se lembrem destes momentos e se apercebam do quanto os amei, amo, e amarei eternamente em todas as minhas vidas- sussurrou a senhora, enquanto deixava algumas lágrimas correrem pelo seu rosto.

Autoria: Inicio do conto: Professora Filomena Maria Marques, Agrupamento de Escolas D. Sancho II , Alijó Final do conto: Aluna: Diana Pereira- 9ºB,, Agrupamento de Escolas de Moure e Ribeira do Neiva, Vila Verde

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DESAMOR E AS VOLTAS DA VIDA

Francisco e Irene, 75 anos, três filhos, dois rapazes e uma rapariga, viviam em plena harmonia e felicidade. Criaram e educaram os filhos com muitas dificuldades, muito trabalho e sacrifício, mas com um amor inexcedível e ainda ajudaram a criar três dos sete netos! Os filhos, todos bem colocados na vida – o Pedro advogado, o Vitor engenheiro e a Helena professora universitária. Eram o orgulho dos pais! Os rapazes, um em Lisboa e outro em Inglaterra telefonavam com frequência e vinham sempre no Natal e uma semana em agosto. Aquela agitação coloria os dias do casal! Temos a casa cheia! – dizia, entusiasmada a D. Irene. Que felicidade! Já a Helena, a princesinha da família, vivia na mesma rua, duas casas abaixo e era visita assídua da casa dos pais. Era ela o principal apoio quando os pais precisavam. Mas, uma manhã, muito cedo, a caminho do campo para tratar das couves para o Natal, sem que nada o fizesse prever, o sr. Francisco sofreu um AVC e não resistiu. Tudo mudou. - Sozinha, neste casarão... o que hei de fazer?... Tristonha e angustiada precisava agora, mais do que nunca, do carinho e apoio dos filhos e sobretudo de companhia. Olhava para o telefone que tinha deixado de tocar... - Helena, minha filha, sinto-me tão sozinha! - Amanhã falamos, agora estou com pressa. Come a sopa e não te esqueças dos comprimidos! Passou um ano Francisco, fazes-me tanta falta! Os filhos esqueceram-se de mim. Já nem a nossa Helena me visita como devia... parece zangada... murmurava a D. Irene num solilóquio... Quatro dias depois... - Helena, que saudades! Dá-me um beijinho! - Olha mãe, eu já não suporto essa tua figura lamecha, temos de tomar uma decisão: ou deixas as recordações e esse mau humor irritante ou então... tenho a minha vida organizada, uma profissão exigente, não tenho tempo nem paciência para velhos mal-humorados...

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-Velhos mal-humorados? Minha filha, o que aconteceu? Perguntava Irene com uma voz trémula, acompanhada de uma expressão chocada e de uma enorme dor refletida no olhar. - É isso mesmo, mãe, eu já não aguento mais! És sempre tão melosa e viscosa, com esse mau humor, é simplesmente insuportável! Pareces um poço de negatividade que se agarra às pessoas e nunca mais as soltas! - Mas, filha, eu... - Ok acho que entendi! Tu não vais deixar esse comportamento! Bom, desculpa mãe, mas eu não vou ficar a suportar isso! Adeus! - Filha, espera! Eu... Sem esperar que a mãe acabasse de falar, Helena virou costas e foi embora para a sua casa. Irene tentou ir atrás dela, mas o seu corpo já tinha mais idade e não lhe permitia acompanhá-la. Então, ela ficou ali, triste e agoniada com as palavras de sua própria filha e, lentamente, grandes lágrimas transparentes e brilhantes começaram a escorrer-lhe pelo rosto, refletindo a sua tristeza. Ela chorou muito até que as lágrimas secaram. Nesse momento, lembrou-se do quão perto morava da sua filha e resolveu tentar visitá-la. Talvez ela só tivesse tido um dia stressante e no dia seguinte estivesse mais calma. Levantou-se bem cedo, trocou de roupa, e foi até à casa da filha que lhe abriu a porta com um enorme sorriso, que se desfez imediatamente ao ver a sua mãe. - Mãe, nós falámos ontem! Se me queres contagiar com esse teu mau-humor, podes ir embora! Mais uma vez Irene tentou falar com ela, mas tudo o que conseguiu foi que ela lhe fechasse a porta na cara. Irene já não aguentava mais! Nenhum dos seus filhos atendia o telefone e a sua filha já não se importava com ela. Aquilo causava-lhe uma imensa tristeza que lhe corroía o coração... Dias mais tarde, Helena voltou a casa da sua mãe e disse: - Muito bem, mãe, eu não posso deixar-te sozinha. Tenho a minha vida! E ... decidi colocar-te num lar de idosos! Irene ficou extremamente surpresa com aquela decisão da filha e não queria deixar a sua casa; afinal, era lá que ela tinha todas as suas memórias, mas acabou por aceitar pois lá talvez fosse menos solitário. Irene ficou naquele lar até ao fim da sua vida e os seus filhos não chegaram a visitá-la. Foi só naquele momento que os seus filhos perceberam que tinham perdido a sua família, eles começaram a sentir saudades e a desejar ter passado mais tempo com a mãe, mas já era tarde demais... Anos mais tarde, lá estavam os filhos naquele mesmo lar de idosos à espera de serem visitados pelos seus filhos, o que não aconteceu... A história repetiu-se de novo... E o que fizeram à sua mãe aconteceu com eles, um dia mais tarde... Protejam sempre os idosos e deem-lhes muito amor e carinho!

Autoria: Inicio do conto: Professora Filomena Maria Marques, Agrupamento de Escolas D. Sancho II , Alijó Aluna: Lara Vilas Boas, 8.ºD, Agrupamento de Escolas de Moure e Ribeira do Neiva

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DESAMOR E O REENCONTRO

rancisco e Irene, 75 anos, três filhos, dois rapazes e uma rapariga, viviam em plena harmonia e felicidade. Criaram e educaram os filhos com muitas dificuldades, muito trabalho e sacrifício, mas com um amor inexcedível e ainda ajudaram a criar três dos sete netos! Os filhos, todos bem colocados na vida – o Pedro advogado, o Vitor engenheiro e a Helena professora universitária. Eram o orgulho dos pais! Os rapazes, um em Lisboa e outro em Inglaterra telefonavam com frequência e vinham sempre no Natal e uma semana em agosto. Aquela agitação coloria os dias do casal! Temos a casa cheia! – dizia, entusiasmada a D. Irene. Que felicidade! Já a Helena, a princesinha da família, vivia na mesma rua, duas casas abaixo e era visita assídua da casa dos pais. Era ela o principal apoio quando os pais precisavam. Mas, uma manhã, muito cedo, a caminho do campo para tratar das couves para o Natal, sem que nada o fizesse prever, o sr. Francisco sofreu um AVC e não resistiu. Tudo mudou. - Sozinha, neste casarão... o que hei de fazer?... Tristonha e angustiada precisava agora, mais do que nunca, do carinho e apoio dos filhos e sobretudo de companhia. Olhava para o telefone que tinha deixado de tocar... - Helena, minha filha, sinto-me tão sozinha! - Amanhã falamos, agora estou com pressa. Come a sopa e não te esqueças dos comprimidos! Passou um ano Francisco, fazes-me tanta falta! Os filhos esqueceram-se de mim. Já nem a nossa Helena me visita como devia... parece zangada... murmurava a D. Irene num solilóquio... Quatro dias depois... - Helena, que saudades! Dá-me um beijinho! - Olha mãe, eu já não suporto essa tua figura lamecha, temos de tomar uma decisão: ou deixas as recordações e esse mau humor irritante ou então... tenho a minha vida organizada, uma profissão exigente, não tenho tempo nem paciência para velhos mal-humorados...

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- E, sem mais demoras, bateu com a porta. Nos seus pensamentos, D. Irene recordava o passado, à noite tudo era pior, sozinha tudo lhe vinha à mente. Durante o dia, apesar da solidão, podia ligar o rádio e a televisão, ocupando assim a cabeça e não sentia tanto a falta dos seus amados filhos. Assim se iam passando os dias e os filhos, sem se aperceberem, continuavam nas suas vidas agitadas, como se a mãe não fizesse parte delas. Só nas festas é que lhe telefonavam, já nem lá a casa iam. Um belo dia, por coincidência o mesmo dia em que o pai tinha partido, D. Irene sofreu um AVC e foi parar ao hospital. De imediato, comunicaram à família a situação em que ela se encontrava e os cuidados de que ia necessitar ao ir para casa, precisando de estar permanentemente vigiada. Aí os filhos aperceberam-se de que estavam a ser demasiado egoístas. No hospital, ao ver os seus filhos e netos, os seus olhos encheram-se de lágrimas, e exclamou: -Não cabe tanta felicidade no meu coração ao ver tão belo retrato! Um dos netos pegou na sua mão e beijou-a. A filha, que tinha sido demasiado dura nas suas palavras, foi a única que se prontificou a levá-la para sua casa. -Mãe, a minha casa é também a sua - disse Helena. Passados alguns meses, a D. Irene já se sentia melhor, ajudava nas lides domésticas e a cuidar dos netos mais novos. Assim ocupava o seu tempo e a sua mente.

Autoria: Inicio do conto: Professora Filomena Maria Marques, Agrupamento de Escolas D. Sancho II, Alijó Final do conto: Aluna Soraia Leão-7º C, Agrupamento de Escolas de Moure e Ribeira do Neiva, Vila Verde

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DESAMOR E UMA MÃO ESTENDIDA

rancisco e Irene, 75 anos, três filhos, dois rapazes e uma rapariga, viviam em plena harmonia e felicidade. Criaram e educaram os filhos com muitas dificuldades, muito trabalho e sacrifício, mas com um amor inexcedível e ainda ajudaram a criar três dos sete netos! Os filhos, todos bem colocados na vida – o Pedro advogado, o Vitor engenheiro e a Helena professora universitária. Eram o orgulho dos pais! Os rapazes, um em Lisboa e outro em Inglaterra telefonavam com frequência e vinham sempre no Natal e uma semana em agosto. Aquela agitação coloria os dias do casal! Temos a casa cheia! – dizia, entusiasmada a D. Irene. Que felicidade! Já a Helena, a princesinha da família, vivia na mesma rua, duas casas abaixo e era visita assídua da casa dos pais. Era ela o principal apoio quando os pais precisavam. Mas, uma manhã, muito cedo, a caminho do campo para tratar das couves para o Natal, sem que nada o fizesse prever, o sr. Francisco sofreu um AVC e não resistiu. Tudo mudou. - Sozinha, neste casarão... o que hei de fazer?... Tristonha e angustiada precisava agora, mais do que nunca, do carinho e apoio dos filhos e sobretudo de companhia. Olhava para o telefone que tinha deixado de tocar... - Helena, minha filha, sinto-me tão sozinha! - Amanhã falamos, agora estou com pressa. Come a sopa e não te esqueças dos comprimidos! Passou um ano Francisco, fazes-me tanta falta! Os filhos esqueceram-se de mim. Já nem a nossa Helena me visita como devia... parece zangada... murmurava a D. Irene num solilóquio... Quatro dias depois... - Helena, que saudades! Dá-me um beijinho! - Olha mãe, eu já não suporto essa tua figura lamecha, temos de tomar uma decisão: ou deixas as recordações e esse mau humor irritante ou então... tenho a minha vida organizada, uma profissão exigente, não tenho tempo nem paciência para velhos mal-humorados...

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Ambas ficaram em silêncio, Helena esperava impacientemente a resposta da mãe. D.Irene tentava entender a filha, mas por mais voltas que desse não encontrava nenhum motivo para a filha a tratar assim de repente. Faz-se uma luz na sua cabeça, olhou a filha nos olhos e perguntou: -Filha, tu tens saudades do teu pai, não é? Helena suspirou e não respondeu, Irene decidiu continuar acreditando ter descoberto o motivo das ações da filha: -Eu sei que é difícil filha, o teu pai faz falta a ti e a mim, mas - Irene foi interrompida pela ríspida voz de Helena: -Não mãe, eu já superei o que aconteceu, até o Vitor que é um chorão superou! -Então porque me estás a tratar assim filha? O que foi que eu fiz? - perguntou Irene desesperada. -Eu estou cansada mãe! Estou cansada de ti! -gritou Helena irritada. Irene sentiu as lágrimas rolarem pelo rosto, tentou pará-las, mas as lágrimas insistiam em cair. -O Vitor e o Pedro não têm tempo para cá vir, então pediram-me para tratar de ti - continuou Helena - sábado vais para um lar de idosos, ficas melhor lá. -Os teus irmãos sabem disto? - perguntou Irene intrigada. Helena não respondeu, em vez disso, virou as costas à mãe e saiu da casa onde tinha sido criada, deixando a própria mãe mergulhada em lágrimas. Dois dias depois, ouviu o telefone tocar, uma pequena esperança iluminou o rosto da velha mulher, e correu até ao telefone. Era Vitor, o filho que morava em Lisboa. - Mãe? Graças a Deus atendeste! -disse o rapaz aliviado. -Filho! És tu! - disse Irene à beira das lágrimas. - A Helena contou-me sobre o lar, mãe custa-me a acreditar por isso liguei-te, tu realmente queres ir para um lar de idosos? - perguntou ele intrigado. - Não filho! A Helena apareceu cá em casa furiosa, apenas para me dizer isso! Ela nem me deixou dar a minha opinião sobre isso! - exclamou Irene. -Então a Helena mentiu-me, parece que as minhas paranoias estavam certas...- falou Vitor. - Mãe, desculpa por ter te deixado de lado... - disse ele, num tom entristecido. -Se tu te arrependeste já é um bom começo filho, eu perdoo-te - disse a mãe compreensiva. -Obrigada mãe e, mas bem, eu acho que se continuares aqui só vai ser pior por causa da Helena...então, se quiseres mãe, podes vir viver comigo e com a minha família! -sugeriu o jovem. -Acho que tens razão filho, talvez seja melhor se eu sair desta casa, então se não for incómodo, eu aceito filho-disse Irene. -Otimo! Eu vou falar com o lar para cancelar o pedido de entrada, e também falar com a minha família sobre a tua vinda - disse Vitor. -Obrigada filho - agradeceu a mulher. - Acho que é o mínimo que posso fazer, eu ligo-te mais tarde mãe, tchau! - despediu-se o rapaz. Passaram-se então duas semanas, Irene estava prestes a sair da casa onde tinha criado os seus filhos, como deixaria aquela casa, colocou-a à venda, e tinha sido comprada rapidamente por um casal de ingleses que gostavam da região e planeavam mudar-se para lá durante o verão. Irene decidiu observar a casa uma última vez, antes de ir embora. A casa tinha janelas brancas como a neve, que faziam contraste com as paredes amarelas.

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- Adeus - murmurou Irene, e olhou na direção da casa de Helena, a velha mulher apercebeu-se que ao portão estava a filha, que a olhava com desprezo, como se ela fosse um ogre. Irene suspirou, e desviou o olhar para o carro de Vitor que se encontrava lá perto, ao ver a mãe cheia de malas, Vitor apressou-se a sair do carro e correr na sua direção para a ajudar. -Mãe tens que ter mais cuidado, isto pode fazer mal à tua coluna! - reprendeu o rapaz enquanto pegava nas malas. Antes que Irene pudesse responder, ambos ouviram a voz de Vasco, o filho mais velho de Vitor que corria na direção de ambos e chamava pela avó, com Luísa, a mulher de Vitor, que tentava acompanhar o pequeno, mas sem sucesso. -Avó Irene! - Exclamou o rapazinho enquanto abraçava a avó. Quando Luísa os alcançou, perguntou: -Bem, vamos indo? -Vamos! - respondeu Vasco, Vitor e Irene acenaram afirmativamente com a cabeça.

Autoria: Inicio do conto: Professora Filomena Maria Marques, Agrupamento de Escolas D. Sancho II, Alijó

Final do conto: Aluna: Gabriela Cardoso 9ºC, Agrupamento de Escolas de Moure e Ribeira do Neiva, Vila Verde

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PARTE IV

DESAMOR E... ACABA AGORA O TEU CONTO


DESAMOR

Francisco e Irene, 75 anos, três filhos, dois rapazes e uma rapariga, viviam em plena harmonia e felicidade. Criaram e educaram os filhos com muitas dificuldades, muito trabalho e sacrifício, mas com um amor inexcedível e ainda ajudaram a criar três dos sete netos! Os filhos, todos bem colocados na vida – o Pedro advogado, o Vitor engenheiro e a Helena professora universitária. Eram o orgulho dos pais! Os rapazes, um em Lisboa e outro em Inglaterra telefonavam com frequência e vinham sempre no Natal e uma semana em agosto. Aquela agitação coloria os dias do casal! Temos a casa cheia! – dizia, entusiasmada a D. Irene. Que felicidade! Já a Helena, a princesinha da família, vivia na mesma rua, duas casas abaixo e era visita assídua da casa dos pais. Era ela o principal apoio quando os pais precisavam. Mas, uma manhã, muito cedo, a caminho do campo para tratar das couves para o Natal, sem que nada o fizesse prever, o sr. Francisco sofreu um AVC e não resistiu. Tudo mudou. - Sozinha, neste casarão... o que hei de fazer?... Tristonha e angustiada precisava agora, mais do que nunca, do carinho e apoio dos filhos e sobretudo de companhia. Olhava para o telefone que tinha deixado de tocar... - Helena, minha filha, sinto-me tão sozinha! - Amanhã falamos, agora estou com pressa. Come a sopa e não te esqueças dos comprimidos! Passou um ano Francisco, fazes-me tanta falta! Os filhos esqueceram-se de mim. Já nem a nossa Helena me visita como devia... parece zangada... murmurava a D. Irene num solilóquio... Quatro dias depois... - Helena, que saudades! Dá-me um beijinho! - Olha mãe, eu já não suporto essa tua figura lamecha, temos de tomar uma decisão: ou deixas as recordações e esse mau humor irritante ou então... tenho a minha vida organizada, uma profissão exigente, não tenho tempo nem paciência para velhos mal-humorados...

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- Olha mãe, eu já não suporto essa tua figura lamecha, temos de tomar uma decisão: ou deixas as recordações e esse mau humor irritante ou então... tenho a minha vida organizada, uma profissão exigente, não tenho tempo nem paciência para velhos mal-humorados...

Autoria: Professora Filomena Maria Marques Agrupamento de Escolas D. Sancho II, Alijó

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E-book Versão digital criada pelos Alunos do 12º A Escola Básica e Secundária D. Sancho II, Alijó Em articulação com a disciplina de Aplicações Informáticas B

A todos os que colaborarm para que este e-book fosse possivel o nosso muito obrigado!