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O Brasil que ascende

2º SEMSTRE/2012 | ANO1

Empresas brasileiras intensificam seus projetos de marketing para a Copa de 2014 e as Olimpíadas em 2016.

REVISTA SEMESTRAL DESIGN | MODA | ESTRATEGIA


CONVERSA FRANCA

IDEIA PROJETADA

Entrevista com Lawrence Azerrad, o designer da Capa de Californication

Alunos do IED elevam seus projetos além das fronteiras acadêmicas

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50 ESTRATÉGIA EM DESTAQUE

O Brasil que ascende Empresas brasileiras intensificam seus projetos de marketing para a Copa de 2014 e as Olimpíadas em 2016.

TENDÊNCIA CONSUMO

Novos Boêmios: Viver a Vida

O novo ethos do consumo é aliar sofisticação material e cultura, conforto e bom gosto, prazer e arte

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16


PENSAMENTO ARTICULADO

Minimalismo e design minimalista

38

TÉCNICA APURADA

A impressionante arte vetorial de Cristiano Siqueira

DESIGN POR AÍ Confira a agenda de eventos relacionados ao design nos proximos meses

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QUESTÃO DE ESCOLHA O papel do design estratégico na nova comunicação de marcas O incentivo ao avanço tecnológico, assim como a prepara-nos para enfrentar situações atípicas.

24 CADA CANTO

Cozinhas Elas deixaram de ser apenas funcionais para se tornarem um espaço de convivência. E para quem tem vocação para chef, são o lugar ideal para receber convidados.

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EDITORIAL Expediente Diretor responsável Amilton Arruda Diretor de redação Rodrigo Balestra Editor chefe Vitorhugo Gonçalves Repórter Vitorhugo Gonçalves Site Igor Avelar Revisão Vitor Hugo Editores de arte Fabiana Pereira (fabianadesigner1@gmail.com) Carla Ferreira (carlaf2@gmail.com) Vitorhugo Gonçalves (arquitetura.vitorhugo@hotmail.com) Igor Avelar (igoravelar@gmail.com) Assistente de arte Professores IED/Ávila Projetos Especiais Carla Ferreira Fabiana Pereira Igor Avelar Vitorhugo Gonçalves Diretor financeiro Amilton Arruda Marketing e assinaturas Carla Ferreira Gerente administrativo Rodrigo Balestra Atendimento ao leitor e assinaturas (62) 3333-3333 assineied+@editoraavila.com.br Representante em Brasília Anderson Moreira (61) 3333-3333 Representante São Paulo Gustavo Soares (11) 3333-3333 Gráfica Amazonas Distribuição gratuita e exclusiva no Brasil. Publicação semestral da Editora Ávila Matérias e sugestões de pauta redacao@revistaied+.com.br Cartas cartas@revistaied+.com.br

"C

riar é preciso”, esse é o lema da nossa revista, de maneira concisa e objetiva é assim que desenvolvemos a estrutura básica dessa publicação que é apresentada nessa edição inaugural. Segundo defende o executivo Adolfo Melito, pertencente ao Conselho de Economia Criativa da Federação do Comércio (Fecomercio), mesmo com a imensa diversidade cultural que estimula a criatividade, o Brasil ainda está distante de produzir um modelo eficiente para desenvolver um mercado para economia criativa, “O Brasil tem potencial para ser um país criativo, mas não é. Temos que engajar mais as pessoas e melhorar, de maneira significativa, o nível de educação, além de explorar os processos de criação”. Partindo desse breve apontamento, onde fica nítida a complexidade dos condicionantes para viabilização de novos negócios e oportunidades de mercado, nos interessa divulgar e expor a vertente criativa desse processo, ou melhor, o design estratégico, o design que tanto contribui ao meio empresarial e está presente em tudo o que nos cerca, ao que percebemos e, indissociavelmente, ao que consumimos. Buscamos estruturar nessa revista uma gama de temas para contribuir para o repertório estético, projetual, criativo e mercadológico do profissional de design, seja ele atuante na comunicação visual, na moda, em interiores ou em mídias digitais. O que impulsionou a integração dessa gama de abordagens foi o fomento à aplicação do design nos negócios, no meio comercial. O design é um poderoso campo disciplinar para a concepção e implementação de novos negócios e oportunidades comerciais, e o designer precisa estar atento a toda a dinâmica de um mundo e de um mercado dinâmico e contemporâneo. Por isso repetimos: criar é preciso, para não nos acomodarmos com a mesmice e com fórmulas defasadas e previsíveis, praticadas ineficientemente. Criar é preciso, e quando se cria apoiado em conhecimentos, em percepções atuais e abrangentes, a criação ocorre de maneira mais coerente e efetiva, e para isso, você leitor, tem o IED+ como uma janela ao aprendizado, à observação e ao pensamento crítico, uma contribuição a seu processo criativo e a viabilização de seus projetos. Então, convido a todos para a leitura e reflexão do nosso conteúdo, aproveite com todo o entusiasmo, o mesmo entusiasmo que desenvolvemos essa edição e com o mesmo entusiasmo que lhes fazemos um convite, um convite a criar, pois criar é preciso.

Do seu Editor Chefe


COLABORADORES

O

conhecimento pouco vale se não estiver em movimento, ele precisa ser um agente de transformação do espaço, do tempo, das pessoas e de tudo aquilo que nos cerca, só assim o conhecimento se torna rico, útil e grandioso. Não nos surpreende que o conhecimento seja fruto de aprendizado, seja ele acadêmico, empírico, experimental ou corriqueiro. Nessa revista, nos pro-

Carla Ferreira, formada pela PUC Goiás em Design, com habilitação em Design Gráfico. A monografia de final de curso tem como tema, “Uma Arte Tipográfica: Livros literários em Goiânia de 1950 a 1960”. Possue duas Especializações uma em Docência pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, outra em Design Estratégico: design gráfico editorial, pelo Instituto Europeu de Design – IED. Trabalha na Tv UFG como design na parte de Produções gráficas e também presta serviços terceirizada há 11 anos para editora da PUC Goiás desenvolvendo projetos gráficos para livros, revista, ... editorial em geral.

Fabiana Pereira. designer editorial, trabalha há 4 anos na concepção e realização de projetos gráficos para revistas, jornais e outras mídias impressas. Iniciou a carreira no segundo principal jornal de Goiás, Diário da Manhã, onde chegou ao cargo de editora de artes. Hoje atua no maior jornal de Goiás, O Popular. Especializada em Design Estratégico pelo IED Centro Ricerche/Faculdade Ávila e graduado em design gráfico pela PUC-GO também realiza outros trabalhos dentro do design gráfico a empresas em torno do estado.

pomos a aplicar com a maior totalidade possível o conhecimento que adquirimos no decorrer do curso de Design Estratégico, conhecimento esse que nos transformou, tanto pessoalmente quanto profissionalmente, assim, de uma maneira modesta, esperamos que o conteúdo apreendido seja agora lançado e que permaneça em movimento aos olhos de nossos leitores.

Igor Avelar, designer sênior, trabalha com design em sua concepção mais genuína, que é a concepção de projetos. Pelo LabTIME/UFGo, desde 2008, desenvolveu jogos educativos, sites e material didático dos mais variadas tipos para cursos a distância de todo o Brasil. Especializado em Design Estratégico pelo IED Centro Ricerche/ Faculdade Ávila e graduado em design gráfico pela UFG, também atende empresas privadas realizando o trabalho de Branding e produzindo peças de design gráfico.

Vitorhugo Gonçalves, arquiteto e urbanista, trabalha com arquitetura, urbanismo e design, sempre preocupado com sua responsabilidade social e buscando atuar conceber produtos de maneira ética e criativa. Especializado em Design Estratégico pelo IED Centro Ricerche/ Faculdade Ávila e graduado em Arquitetura e Urbanismo pela UEG, atualmente atua com mais ênfase no desenvolvimento de projetos de arquitetura voltados ao âmbito comercial, contudo também realiza trabalhos de arquitetura residencial e design de interiores.


DESIGN

por aí! Confira a agenda de eventos relacionados ao design nos proximos meses

10 a 11 Novembro/2012 São Paulo (SP)

O Pixel Show é o maior evento de criatividade do Brasil, e um dos cinco maiores do mundo. Os grandes artistas nacionais e internacionais das áreas de Fotografia, Artes Visuais,

fabricantes e lojistas

14 a 17

de todo o Brasil para

Maio/2013

Games fazem parte

apresentar as últimas

São Bento do Sul (SC)

todos os anos do

Móvel Brasil reúne

Ilustração, Graffiti, Moda, Comics e

novidades e tendências

line-up do evento,

no design e produção de móveis. A feira conta

que ocorre nos dias

também com uma ala especializada em Biomóvel,

10 e 11 de novembro,

selo que garante a produção sustentável com

no FECOMERCIO, em

beleza, resistência, visão ambiental e tecnologias

São Paulo. Para saber

limpas. O evento recebe a cada realização cerca de

mais acesse o site

10 mil visitantes para realizar negócios e ampliar

do evento: http://

as redes de contatos profissionais. http://www.

pixelshow.com.br/sp/

movelbrasil.com.br/

11ª edição do Minas Trend Preview, um dos

2º semestre/2012 | Revista IED+

8

20 a 23

principais eventos de

Novembro/2012

lançamento de moda

Belo Horizonte (MG)

18 a 20 Novembro/2012 São Paulo (SP)

do país, promovido

O INFOLIDE é um

pelo Sistema Fiemg.

evento realizado com

O evento vai apresentar as novidades para a

foco na formação de

temporada outono-inverno 2013, nos segmentos

designers, jornalistas,

de vestuário, calçados, bolsas, joias e bijuterias.

infografistas, fotógrafos, ilustradores e todos

líder mundial em

27 a 30

fabricação de moldes

Novembro/2012

jornalismo visual.

e ferramentas, design

Frankfurt (Alemanha)

Em 2012, será

EuroMold é a feira

os profissionais envolvidos com

e desenvolvimento de

realizado na ESPM-SP.

aplicações. A série de processo desde o design de

Convidados desta

protótipos até a produção em série se vê refletida

edição: Jaime Serra,

em Euromold. Euromold reúne a engenheiros

Guilhes Damian,

industriais, desenvolvedores de produto,

Chico Homem de

produtores, fornecedores e usuários finais

Melo, Alexandre

para apresentar-lhes métodos mais dinâmicos,

Ferreira. Para mais

econômicos e eficientes para o desenvolvimento

informações acesse

e a produção de novos produtos. http://www.

o site: http://www.

euromold.com

infolide.com/


2ยบ semestre/2012 | Revista IED+

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QUESTÃO DE ESCOLHA

O papel do design estratégico na nova comunicação de marcas

Por outro lado, o julgamento imparcial das eventualidades exige a precisão e a definição do retorno esperado a longo prazo.

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O incentivo ao avanço tecnológico, assim como a complexidade dos estudos efetuados prepara-nos para enfrentar situações atípicas decorrentes das regras de conduta normativas. O design ganha um novo estatuto e importância como uma atividade transversal que passa a ser utilizado nas mais diversas etapas do planejamento estratégico das empresas. Ele inicia na idealização do conceito e no desenvolvimento e diferenciação dos produtos ou serviços, passando pela construção da identidade e imagem da marca através de uma plataforma visual e sensorial capaz de transmitir ao público da marca valores, benefícios e conteúdos funcionais, estéticos, simbólicos e emocionais mais consistentes e relevantes. As novas técnicas e táticas promocionais querem não apenas comunicar mensagens, mas acima de tudo se comunicar causando impacto sobre as consciências Mais do que promover experiências e sensações, o novo enfoque publicitário quer modificar e reforçar atitudes em seus consumidores de

uma forma menos invasiva, quer interagir, se aproximar de seus tastespaces (mapa de preferências pessoais), encantar e despertar afetos e valores positivos em relação à marca, seus produtos, suas idéias e promessas de valor. Já faz tempo, que os estrategistas de comunicação e design não mais promovem produtos concretos, sua intenção agora é entregar valores intangíveis de auto-expressão e identidade para pessoas e grupos menores e mais diferenciados de consumidores. No campo dos projetos de comunicação, novos instrumentos e atividades são pensados de forma integrada. A comunicação estratégica da marca hoje é um tema interdisciplinar e não se apóia somente sobre a força massiva da propaganda televisiva. Muito mais sofisticada, a comunicação integrada de marketing atinge seus consumidores de forma transversal, escolhendo uma plataforma interativa de canais e se preocupando com o conteúdo relevante da mensagem nos momentos certos e nos pontos de contato adequados. Os pontos de relacionamento entre marcas e consumidores se multiplicam e se integram de forma estratégica e inteligente. A marca deve manter um discurso consistente com seus públicos-alvos.


Por outro lado, o julgamento imparcial das eventualidades exige a precisão e a definição do retorno esperado a longo prazo.

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mais criativo e especializado. Ele comunica com mais força a alma e a identidade da marca personaliza e diferencia formas, temas e estilos, promove experiências físicas e emocionais mais marcantes, e é capaz, por isso tudo, de interagir, estimular e influenciar seus públicos de forma mais eficaz. A interatividade e o caráter fragmentado, segmentado e dirigido da comunicação contemporânea, permite um rápido feedback por parte dos públicos envolvidos, uma comunicação de mão dupla que estreita e fortalece relacionamentos mais duradouros, além de armazenar ótimas oportunidades de mercado.

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A valorização das novas ferramentas promocionais below the line, colocou o designnuma posição de destaque. A importância dos projetos de design nos mais diversos estágios estratégicos da produção, circulação e comunicação de produtos e marcas garante uma importância inédita do tema e o insere como ferramenta de comunicação de inestimável valor nos planejamentos de marketing para as empresas. O profissional de design e comunicação estratégica sabe que os atributos físicos, as formas, as cores, texturas, aromas e materiais dos produtos, das embalagens, dos materiais promocionais dos pontos de vendas e da diferenciação nos projetos diferenciados de lojas, vitrines e displays, mobiliários e interiores é um instrumento forte de transmissão dos valores essenciais e diferenciais da marca. O designer passa a ser visto como um profissional de comunicação e mídia


O design sozinho não agrega valor às marcas e nem é capaz de promover novos conceitos, conteúdos e estilos de vida aos consumidores. O design precisa ser pensado como uma ferramenta que deve ser integrada aos compostos de comunicação. Sua metodologia de trabalho deve estar voltada para a construção, execução e comunicação do conceito da marca frente aos seus segmentos de consumidores. Se o design é uma peça central na comunicação integrada de marketing, deve ser capaz de desenvolver novos conceitos e idéias, produtos e serviços que conseguem atender as expecta-

Por outro lado, o julgamento imparcial das eventualidades exige a precisão e a definição do retorno esperado a longo prazo.

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tivas, aspirações e desejos dos consumidores. Hoje as empresas não querem apenas criar valor, fornecendo soluções de forma reativa as necessidades indicadas pelos consumidores. O desafio é transformar o cotidiano de vida das pessoas, criar novas necessidades até então não percebidas, aperfeiçoar os procedimentos e práticas do cotidiano, criar e reforçar novos estilos de vida, atividades e interesses, valores de vida e comportamentos dos indivíduos e consumidores, despertar fantasias e fazer rir, motivar e promover mudanças significativas e relevantes na vida de seus clientes.


ESTRATÉGIA EM DESTAQUE

O Brasil que ascende Fim das Olimpíadas em Londres e empresas brasileiras intensificam seus projetos de marketing para a Copa de 2014 e as Olimpíadas em 2016. Tais empresas têm se preparado para transformar o evento em oportunidade de negócios e reservam grande parte da verba de marketing e publicidade para campanhas. O Brasil sediará nos próximos anos, dois dos maiores eventos esportivos de todo o mundo: a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Esses eventos se constituem em oportunidades ímpares para o desenvolvimento turístico do Brasil. Afinal, por meio destes teremos uma maior visibilidade, através da exposição e repercussão destes nos veículos de mídia, de nossa imagem enquanto destinação turística. Tais eventos poderão ser encarados como elementos motivadores e dinamizadores de transformações que implicarão e incitarão uma completa modificação da infraestrutura do país como um todo, desde a hotelaria, passando pelos modais de transporte, e melhoria da qualidade de serviços (incluindo transporte, saneamento, comunicação, educação, segurança), envolvendo toda a superestrutura brasileira com implicações em políticas públicas, instituições regulamentadoras, etc..


Por outro lado, o julgamento imparcial das eventualidades exige a precisão e a definição do retorno

“O Brasil deve se tornar uma potência criativa, aproveitando o grande momento econômico que vive nos últimos anos e vendendo-se melhor para o mundo”, afirmou Campos. Ele exemplifica algumas das marcas que já representam o estilo brasileiro no mundo. “Cachaça, caipirinha, Havaianas, são algumas delas. Também somos referência em moda íntima, moda praia e produção telenovelas”, disse. Campos analisa que os grandes eventos internacionais são o momento ideal para potencializar novas marcas que, como as já citadas, fazem parte da economia criativa brasileira. Campos explica que a economia criativa é a indústria que cria riqueza e empregos ao desenvolver propriedade intelectual. Ela é baseada em atividades que envolvam inovação, criatividade e talento. Alguns segmentos que compõem a economia criativa são a propaganda, arquitetura, softwares, literatura, design e moda. “O símbolo que podemos utilizar para definir economia criativa é a figura de Steve Jobs, cofundador da Apple. Ele representa a criatividade, inovação e talento que são essenciais a esse segmento”, ilustrou. De acordo com dados de 2011 da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), citados por Campos em sua participação no evento da Amcham, a indústria criativa emprega 10,5 milhões de pessoas no Brasil. Ele acredita que o segmento tem potencial para crescer. “O Brasil

esperado a longo prazo.

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va no Brasil”, mapeando o setor pela primeira vez no país. A referência foi a abordagem adotada pela UNCTAD, que sugere uma definição de indústria criativa como “os ciclos de criação, produção e distribuição de bens e serviços que usam criatividade e capital intelectual como insumos primários”. Dessa forma, o estudo trouxe uma visão de cadeia da indústria criativa, composta por três grandes áreas: Núcleo Criativo; Atividades relacionadas e Apoio. Nesse escopo, ressalta-se a interdependência entre a indústria e os setores de comércio e serviços na cadeia da criativa.

GERAÇÃO DE RENDA NO NÚCLEO DA INDÚSTRIA CRIATIVA Em média, os trabalhadores do núcleo da indústria criativa brasileira são mais bem remunerados que os demais, o que é explicado pelo alto valor agregado da atividade e pelo elevado grau de instrução dos seus profissionais. Confira abaixo a renda média mensal por

1.313 designers

1.323 designers R$ 1.673,00

R$ 2.775,00 1.548 designers

R$ 3.014,00

estado brasileiro:

R$ 1.407,00 820 designers

das eventualidades

2008 o estudo “A Cadeia da Indústria Criati-

R$ 1.525,00

julgamento imparcial

O Sistema FIRJAN lançou em maio de

R$ 1.734,00 968 designers

Por outro lado, o

A CADEIA DA INDÚSTRIA CRIATIVA NO BRASIL

1.050 designers

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ocupa a 47ª colocação no ranking global de inovação”, completou Campos citando os dados do Global Innovation Index 2011. A dois anos da Copa do Mundo no Brasil e a quatro das Olimpíadas do Rio de Janeiro, os investimentos internos e externos já começaram. Estudos preliminares, obtidos pela Agência Brasil, indicam que apenas a realização dos Jogos Olímpicos criará um impacto de R$ 90 bilhões somente na capital fluminense. Esses investimentos podem gerar a partir de 2016 cerca de 120 mil empregos diretos e indiretos por ano, número que pode chegar a 130 mil depois de 2017. Segundo estimativas da Ernest & Young, em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), o valor investido em obras de infraestrutra e organização do país será de R$ 22,46 bilhões. Somente a Copa do Mundo deverá injetar R$ 112,79 bilhões na economia brasileira, gerando 332 mil empregos permanentes e 381 mil empregos temporários. Alemães e ingleses foram os primeiros a manifestar interesse em participar dos preparativos para a Copa, enquanto empresários brasileiros das áreas de engenharia e serviços querem investir tanto em 2014 quanto 2016. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior ainda não concluiu a análise numérica sobre expectativa de investimentos para a Copa do Mundo de 2014. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve disponibilizar linhas de crédito para obras em estádios e investimentos na rede hoteleira. Representantes públicos reuniram-se com empresários para informar que as oportunidades de investimentos estão nos setores de arquitetura, locação de equipamentos – como tendas e veículos – indústrias de segurança – equipamentos de detecção e identificação – , materiais de construção, de comunicação, obras de infraestrutura, eventos culturais, turismo e lazer.

exige a precisão e a definição do retorno esperado a longo prazo.

RJ SP MG PR RS GO


Por outro lado, o julgamento imparcial das eventualidades exige a precisão e a definição do retorno esperado a longo prazo.

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De acordo com os especialistas, ainda é cedo para saber o valor absoluto do que será aplicado no país, tanto na Copa quanto na Olimpíada. Em entrevista à Agência Brasil, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ivan Ramalho, disse que os efeitos dessas aplicações serão a curto, médio e longo prazos. Segundo Ramalho, isso ocorrerá a partir do momento em que as aplicações trarão novas tecnologias e paralelamente farão com que o país seja um exportador de serviços – em decorrência da experiência adquirida com a execução dos dois eventos. Integrantes de vários segmentos do governo federal iniciaram reuniões com representantes dos governos estaduais e municipais para definir responsabilidades na realização tanto da Copa quanto da Olimpíada.


TENDÊNCIA CONSUMO

Novos Boêmios: Viver a Vida

Por outro lado, o julgamento imparcial

Os novos boêmios – O novo ethos do consumo é aliar sofisticação material e cultura, conforto e bom gosto, prazer e arte

das eventualidades exige a precisão e a definição do retorno esperado a longo prazo.

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A burguesia boêmia não é uma classe ociosa de dândies abastados. Eles não recusam o taylorismo e nem viram as costas para o labor e o lucro. Trabalham mais, são multitasked e worklovers. Sobram-lhes, em grande medida, pouco tempo para a família e sua vida afetiva emocional. Talvez, seja por isso mesmo que gastem mais com a residência, com lazeres, restaurantes e viagens, carros e aparelhos eletrônicos, vestuário, cuidados pessoais, embelezamento e rejuvenescimento. Eles estão preocupados em aumentar o tempo para se dedicar aos seus interesses individuais, se cuidar e se gratificar através do uso de produtos, serviços e conveniências. Os cuidados de si vão do rejuvenescimento físico às cirurgias plásticas de correção, da redução do stress através dos lazeres e aventuras e esportes radicais. Apreciam viagens exóticas e flertam com o perigo. Outros buscam a meditação, terapias corporais ou cuidados espirituais. Os produtos de cuidado e indulgência pessoal de alto nível proliferam: dos spas de luxo aos chocolates artesanais de luxe, dos eletroeletrônicos de ultima geração à qualidade dos tecidos e da assinatura das roupas de cama. O excesso de trabalho, stress e dedicação profissional servem como um fator de desculpabilização pelo excesso de prazeres físicos, auto-indulgências e luxurificação. Querem ter tempo livre e sossego para poderem ‘se curtir’ ou aproveitar ao máximo com aqueles que amam. “O que você fez por você esta semana” é um slogan que reflete este estado de coisas, assim como o slogan de L´Oreal ‘porque eu mereço’.

Para Silverstein, autor de best-sellers renomados na área de Consumer Insights este consumidor do novo luxo procura novas experiências e se envolve emocionalmente na hora de escolher ou se tornar cliente de uma marca. Não importa de pagar mais para satisfazer seus desejos e quer a toda prova autenticidade, bom gosto e discernimento. É um tipo de consumo que envolve alto grau de envolvimento e está relacionado ao auto-conceito da pessoa e sua projeção no conceito da marca ou do seu design. E o conceito e o design estão em todo lugar, sensualizando formas e inovando nas funções, agregando bom gosto estético e estilístico. A febre do design de luxo assinado está presente das modernas garrafas de água mineral ás


dades e de intensificação de experiências e prazeres. A identidade do homem urbano médio instruído muitas vezes é interpretada como um conjunto de ‘quase-eus’ e que estamos todos, irremediavelmente condenados à modelagem estética de nossas existências a partir da experimentação de papéis e descobertas de ‘novos eus’. A legitimidade deste modo de vida hedonista é a própria felicidade. Nesta sociedade de mercado e rápido consumo de tudo, neste hiper ‘supermercado de estilos’,“nada de regras, apenas escolhas”, como dizem os lemas pós-modernos. A paixão do luxo não é exclusiva e alimentada pelo desejo de ser admirado, de suscitar inveja, de ser reconhecida pelo outro, ele é também sinal de um desejo de admiração por si próprio e de ter prazer consigo mesmo. Esta dimensão de tipo narcísico e terapêutico que se torna dominante, de cuidar de si e se auto presentear, é uma necessidade de auto-suficiência, de valorização extrema de si mesmo e uma busca de amar a si mesmo acima de todas as coisas, se elevarem e buscar a exceção através de um zelo extremo pela própria imagem e de viver para si mesmo. Este sentimento de individualismo auto-referido, menos preocupado com as opiniões alheias, que privilegia as emoções da intimidade e que procura salientar uma preocupação desmesurada com a própria existência é uma imagem do individualismo radicalizado de nossos dias. Um tipo de promoção de uma imagem pessoal única, positiva e forte, muito mais que uma imagem de classe. Compensa-se materialmente, também, a escassez de relações sociais autênticas, a desordem amorosa de nossos dias e a solidão crônica.

Por outro lado, o julgamento imparcial das eventualidades exige a precisão e a definição do retorno esperado a longo prazo.

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arrojadas garrafas de destilados, do luxo eletrônico de um Bang & Olufsen ao mobiliário assinado por Brown Jordan, dos acessórios de moda aos ‘highend lifestyle accessories’. O frasco do perfume Chrystal de Versace se inspira nas formas de um diamante negro e o vidro do Black Code da Armani com seu vidro laqueado azul escuro, lembra as lapelas de cetim de um smoking Giorgio Armani. Estes produtos por seu design artístico e de vanguarda exalam magnetismo e poder, se tornam chamarizes e erotizam os consumidores que se deixam influenciar pela extravagância, originalidade e erotismo das formas destas peças. São prosumers fascinados pela apresentação e aparência, com um marketing pessoal, um estilo de vida dinâmico e intenso e uma identidade sedenta de novas experiências. Desejam ser mais do que são e concebem o sucesso e a realização profissional como objetivo central de suas vidas, e o conforto e o bem estar como propósitos da boa vida. Esta busca do sucesso, distinção pessoal e uma vida mais aberta e estilizada marcam em relevo a nova sensibilidade destas classes afluentes. Esta obsessão crescente frente aos temas da estilização da vida e a exploração emocional do presente conferem, à sociedade contemporânea, sua feição. A vida estética é a vida eticamente boa. Acreditam que a vida estética é fruto de escolhas e de satisfações de necessi-


CADA CANTO

Cozinhas Elas deixaram de ser apenas funcionais para se tornarem um espaço de convivência. E para quem tem vocação para chef, são o lugar ideal para receber convidados.

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A burguesia boêmia não é uma classe ociosa de dândies abastados. Eles não recusam o taylorismo e nem viram as costas para o labor e o lucro. Trabalham mais, são multitasked e worklovers. Sobram-lhes, em grande medida, pouco tempo para a família e sua vida afetiva emocional. Talvez, seja por isso mesmo que gastem mais com a residência, com lazeres, restaurantes e viagens, carros e aparelhos eletrônicos, vestuário, cuidados pessoais, embelezamento e rejuvenescimento. Eles estão preocupados em aumentar o tempo para se dedicar aos seus interesses individuais, se cuidar e se gratificar através do uso de produtos, serviços e conveniências. Os cuidados de si vão do rejuvenescimento físico às cirurgias plásticas de correção, da redução do stress através dos lazeres e aventuras e esportes radicais. Apreciam viagens exóticas e flertam com o perigo. Outros buscam a meditação, terapias corporais ou cuidados espirituais. Os produtos de cuidado e indulgência pessoal de alto nível proliferam: dos spas de luxo aos chocolates artesanais de luxe, dos eletroeletrônicos de ultima geração à qualidade dos tecidos e da assinatura das roupas de cama. O excesso de trabalho, stress e dedicação profissional servem como um fator de desculpabilização pelo excesso de

Por outro lado, o julgamento imparcial das eventualidades exige a precisão e a definição do retorno esperado a longo prazo.


1 TÍTULO DA FOTO A burguesia boêmia não é uma classe ociosa de dândies abastados. Eles não recusam o taylorismo e nem viram as costas para o labor e o lucro.

2 TÍTULO DA FOTO A burguesia boêmia não é uma classe ociosa de dândies abastados. Eles não recusam o taylorismo e nem viram as costas para o labor e o lucro. não recusam o taylorismo e nem viram as costas para o labor e o lucro.

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4 TÍTULO DA FOTO A burguesia boêmia não é uma classe ociosa de dândies abastados. Eles não recusam o taylorismo e nem viram as costas para o labor e o lucro não recusam o taylorismo e nem viram as costas para o labor e o lucro. A burguesia boêmia não é uma classe ociosa de dândies abastados. Eles não recusam o taylorismo e nem viram as costas para o labor e o lucro.

5 TÍTULO DA FOTO A burguesia boêmia não é uma classe ociosa de dândies abastados. Eles não recusam o taylorismo e nem viram as costas para o labor e o lucro não recusam o taylorismo e nem viram as costas para o labor e o lucro. A burguesia boêmia não é uma classe ociosa de dândies abastados. Eles não recusam o taylorismo e nem viram as costas para o labor e o lucro.

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A burguesia boêmia não é uma classe ociosa de dândies abastados. Eles não recusam o taylorismo e nem viram as costas para o labor e o lucro. A burguesia boêmia não é uma classe ociosa de dândies abastados. Eles não recusam o taylorismo e nem viram as costas para o labor e o lucro.


CONVERSA FRANCA

Entrevista com Lawrence Azerrad, o designer da Capa de Californication

Lawrence é diretor de arte com sede em Los Angeles e tem produzido trabalhos impressos, no cinema e de mídia digital desde 1995.

A IED+ foi atrás de Lawrence Azerrad, um designer gráfico que desenvolveu a clássica capa de Californication. Lawrence ficou muito feliz em saber que fãs da banda ainda tem interesse sobre seu trabalho com o Red Hot Chilli Peppers (RHCP) e nos enviou detalhes sobre a capa de Californication. Esses detalhes são de uma entrevista que ele cedeu para uma publicação Belga anos atrás, como seria basicamente as mesmas dúvidas que queriamos saber ele nos enviou para traduzir para o português e publicar aqui na IED+. Confira:

Como você se envolveu em trabalhar nesta capa com o Red Hot Chili Peppers? Eu estava trabalhando numa equipe na Warner Bros Records como diretor de arte jr. Anthony Kiedis queria um designer que ele pudesse trabalhar pessoalmente. O Diretor de Criação me indicou. Pelo que me lembro no nosso primeiro encontro já começamos a trabalhar imediatamente.

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"Conversando com um amigo meu, ele afirmou que a capa do Californication foi inspirada em alguma obra de arte. Alguém sabe dizer se isso é verdade?

Qual foi o conceito por trás dessa maravilhosa capa? A espinha dorsal do conceito de toda capa foi um sonho que E se for, qual é obra?" o guitarrista John Frusciante teve. Anthony disse-me que o sonho era simplesmente assim: “havia uma piscina, e o céu estava na Lawrence Azerrad. água, e a água estava no céu.” Eu também cheguei a trabalhar com John no progresso da arte, mas Anthony foi a peça fundamental em nossas conversas, e Flea estava na Austrália. A peça chave então se tornou em como traduzir este sonho esteticamente e também tinha que ser algo que a banda sentisse confortável para ser uma representação visual de sua música. Com John de volta à banda e Rick Rubin retornando como produtor, a ênfase era que este era para ser um disco de rock épico. Meu objetivo era comunicar isso no estilo da capa. Eu estava fortemente inspirado pelas grande capas antigas da década de 1970, que influenciou a minha utilização do tipo pequena, imagem surreal de grande porte. Um grande desafio foi encontrar a piscina certa para fotografar. Nós realmente procuramos centenas de piscinas na área de Los Angeles. A piscina que escolhemos acabou pertencia a alguns amigos nas colinas de Los Angeles.

questiona


Californication (1999) da banda Red Hot

Quanto tempo você levou para completar este projeto? É muito dificil recordar disso, mas eu acredito que cerca de 5 semanas. No fim das contas, eu segurei toda a arte e design e acabei trabalhando com eles por mais de um ano.

Chili Peppers

Como você poderia descrever a sua relação com a banda trabalhando nesta capa? A relação de trabalho com a banda foi gratificante. Eu trabalhei mais de perto com Anthony. Havia um sofá no meu escritório atrás de da tela. Ele e seu assistente Louie iam trabalhar daquele sofá e acompanhava o progresso da capa enquanto andavam no meu escritório. John visitava mais rapidamente, e depois eu comecei a trabalhar com ele em um disco solo. No final do projeto, eles foram muito agradecidos e amigável. Tive a honra de fazer parte deste tipo de projeto. Houve algum outro conceito criativo para esta capa, conceitos que não foram usados? Boa pergunta. Havia outro conceito, em que todos deram seu sangue, literalmente. Eles tinham uma enfermeira para tirar o seu sangue para uma sessão de foto, a idéia era ampliar microscopicamente os sangues deles para criar a obra de arte. Visualmente não estava funcionando, mas eles não queriam desistir no desenvolvimento deste conceito. Isto foi enquanto perseguiamos o conceito da piscina. Para compensar o conceito do sangue, eu encontrei um Dr. e Fotógrafo que se especializou em fotografia 3D de biologia microscópica. Usando imagens deste Dr, compusemos colagens e padrões,

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Capa do Disco


na esperança de fazer uma capa. Nós tentamos seguir algumas direções ao longo deste percurso, mas a idéia da piscina venceu.

Como designer gráfico, o aspecto mais gratificante do meu trabalho é

“Californication” é considerado um grande clássico. A capa também é clássica, todo mundo se lembra dela quan- quando eu sei que meu trabalho é do fala em Californication. Como você se sente sobre isso? É sempre bom quando um dos trabalho pode ser parte de apreciado. um projeto tão especial, musicalmente e culturalmente. Como designer gráfico, o aspecto mais gratificante do meu trabalho é quando eu sei que meu trabalho é apreciado. Com a capa sendo um ícone do álbum e sabendo que os fãs apreciam o trabalho de design, é muito gratificante. O CURIOSIDADES DA processo de design foi uma verdadeira colaboração com a banda em quase todos os estágios. INTERNET A banda até trabalhou diretamente com as gráficas do álbum para negociar um uso especial As mensagens de um Pantone Azul no oceano/céu para dar vida à capa. Como a mídia e a cultura continua a se subentendidas do desenvolver, eu acredito que a função da capa vai suportar. Pode não ser em uma embalagem álbum Californication de CD , mas continuará a ser o ícone do álbum. Eu ainda estou feliz por ter participado do projeto. da banda Red Hot Chili Peppers, começam

Poderia nos contar sobre seu trabalho e outros projetos que você fez com outras bandas e artistas? Desde 2001 eu tenho trabalhado de forma independente como designer, no http://www.laddesign.net. Eu tenho sido capaz de continuar meu trabalho com bandas e música (Herbie Hancock, Wilco, Brad Mehldau são clientes recente de projeto de música), mas a minha base de clientes também se expandiu para incluir identidades visuais para hotéis, spas, cinema e agências de mídia … realmente é uma ampla gama de clientes. Meu objetivo principal sempre é a concepção de algo forte e memorável. Para mim, o design em sua essência é muito divertido, então eu sou mais feliz quando esta parte do negócio me leva a fazer isso. Ser um designer independente nem sempre significa chegar ao design certo, mas quando você é capaz de fazer um bom trabalho que as pessoas apreciam, está cumprindo isso.

pelo título. Apesar de o vocalista Antony Kiedis negar, existe um duplo entendimento em Californication nome ,como muitos afirmam, que é uma mistura de Califórnia com fornication fazendo alusão à fornicação. Olhando a capa de cabeça para baixo, pode-se perceber um cavalo no desenho das nuvens na piscina. Já com a capa virada ao normal, percebe-se um sapo à beira da

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piscina, que simboliza transformação e o reflexo de um anjo bem sutilmente no vidro atrás da piscina perto do sapo, que significa purificação. Juntando Rascunho feito por

os dois símbolos, a

Anthony Kiedis para

idéia trazida é de se

Lawrence e a foto

purificar inicialmente,

da pscina escolhida

se desprender de

para a arte da capa

conceitos engessados

(polaroid)

para chegar à transformação.


PENSAMENTO ARTICULADO

Minimalismo e design minimalista Marcos da Costa Braga Marcos da Costa Braga é bacharel

O termo minimalismo possui uma conotação vaga que permite seu uso em diversos momentos, tornando-o quase que uma síntese de um tipo de linguagem visual. Cotidianamente, é utilizado para classificar objetos que possuam uma limpeza formal e assepsia visuais tais que denotem impessoalidade, simplicidade, e funcionalidade. No entanto, acredita-se que esse uso acaba por alargar demais as fronteiras do nome, terminando por colocar num mesmo grupo diversas correntes que possuem muito mais características intrinsecamente díspares do que a sua natureza formal sugere. Assim supõe-se que o nome minimalismo, da mesma maneira como na arte designa um movimento extremamente específico na história, no design acontece da mesma maneira. Pretende-se, portanto, por meio desse texto, clarificar essas diferenças e expor os motivos que justificam esse corte tão preciso para seu uso.

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ARTE MINIMALISTA E O DESIGN MINIMALISTA A minimal art foi um movimento artístico surgido na década de 50, por influência direta de Duchamp (ready-mades), Rauschenberg (arte como objeto), Jackson Pollock (aleatoriedade) e do Concretismo (rigidez formal), tendo como artistas mais proeminentes Donald Judd, Carl Andre, Dan Flavin, Robert Morris e Sol leWitt. Absorvendo a simplicidade e despojamento concretistas (como a tela “Quadrado branco sobre fundo branco” de Malevich), rejeitam seu lado positivista para assumir a fenomenologia semiótica pollockiana e duchampiana, a fim de colocar em pauta modos de vivenciar a obra de arte além do uso compositivo de peças ou grafismos. Buscavam na arte uma postura universalizaste, lançando mão, para isso, de formas geométricas tridimensionais para uma apreensão instantânea dos objetos, e de materiais industriais e literais (sem simularem outros que não eles mesmos) para

fornecer uma fruição visual espacial ao observador da obra. A união desses conceitos acabou por gerar uma linguagem extremamente limpa e seca, originando o uso do termo “minimalismo” para designar o conjunto de artistas que trabalhavam dessa maneira. Dada a importância dessa pesquisa e a quebra de paradigmas que foi para o momento, sua influência em outros meios de arte foi quase que natural, gerando frutos na música, na arquitetura, na poesia, literatura e no design. No entanto, em parte desses frutos, a apropriaçãodo nome se deu de forma meramente formalista, levando-se em conta apenas o caráter visual “limpo” das obras como fonte de inspiração, ignorando quaisquer outros pontos fundamentais dos conceitos existentes na minimal art que não a concisão de planos e volumes. E um desses frutos onde o uso do nome se deu por motivos meramente formais, porém não desprovidos de significados, foi no design, onde o termo minimalismo serviu para designar um tipo de estética que se apresentava como pura e desprovida dos excessos característicos de seus predecessores pós-modernos, o design de memphis e seus contemporâneos. AS POSSÍVEIS GÊNESES Há divergências quanto a origem do minimalismo no design. Franco Bertoni, em seu livro “Minimalist Design” apresenta como, mesmo entre os designers expoentes dessa estética, não há uma confluência para o mesmo ponto.

em Desenho Industrial e Mestre em Antropologia da Arte pela EBA-UFRJ. Doutor em História Social pela da UFF. Membro do corpo editorial da revista científica Estudos em Design. Foi coordenador do curso de desenho industrial da Faculdade Silva e Souza de 1991 a 1995. Foi coordenador do curso de desenho industrial da Unicarioca de 1997 a 2004. Vencedor do concurso público para a vaga de História do Design da FAUUSP em 2006.


Donald Judd – Sem Título, 1977

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"The minimalist experience in the Field of design is connected to the past by countless links and threads. Fronzoni himself affirmed that minimalism was born in classical Greece, whereas Silvestrin felt it was more accurated to identify Cistercian architecture as the oldest, recognized antecedent. For Pawson, a decisive influence was his knowledge of Japanese art and arwchitecture, unlike Tadao Ando, who asserts that Western phenomena like American artistic Minimalism and Romanesque architecture played a fundamental role (Bertoni, 2004)" A seguir, Bertoni expõe as três teorias mais difundidas sobre o tema: “(…) three explanations are most widely accredited: minimalism in opposition to the excess typical of the eighties, largely identifiable with the postmodern phenomenon (the most obvious candidate in Italy is the Memphis Group), but this would rule out decisive and strictly conforming contributions, like those made by Fronzoni, Judd and Wilson; minimalism seen as the result of a general economic crisis to which companies in the furniture sector delegated the task of offering sober models that were more in the keeping with the new times, but this interpretation is also open to the previous objections; minimalism as an a-historical phenomenon, a ‘karst river’ that surfaces and than disappears repeatedly during history, like a constant category in line with Vichian cycles. The third hypothesis appears to gather the greatest consensus” (Bertoni, 2004) . Embora todas as três hipóteses sejam plausíveis, defende-se que a primeira seja a mais acertada, e isso se mostrará mais claro ao longo do artigo. O que vale ser ressaltado nesse momento é a insistência de Bertoni em generalizar o termo minimalismo a algo cíclico e acontextual, tanto que utiliza o mesmo argumento de “pouca abrangência” para negar as duas primeiras possibilidades, e, assim, incluir no minimalismo programas e tendências do design tão díspares quanto as pessoas de Donald Judd (1928- 1994), Bruno Munari (19071998), Dieter Rams (1932-) e Robert Wilson (1941-). Tenta colocar sob esse


rótulo movimentos tão distintos quanto o primeiro modernismo da Bauhaus, o funcionalismo alemão, e o pósmodernismo do grupo Zeus. Assim, para que se chegue a algo mais claro, é necessário nos voltarmos para algo como a ontologia última desses tão distantes exemplos, e, assim, precisar melhor o alcance que o nome “minimalismo” merece ou deveria merecer.

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O DESIGN MINIMALISTA E SUAS INFLUÊNCIAS Até os anos 1960, o modo de projeto predominante era o funcionalismo, quer na sua maneira ideológica da escola alemã, quer na sua apropriação capitalista americana. A primazia de um usuário “universal” como partido inicial do projeto é o que melhor caracteriza essa escola de design, e as soluções finais acabaram por desempenhar bastante claramente essa primícia ética proposta (em especial no design derivado da escola de Ulm). Um exemplo claro disso foi a excelência dos objetos projetados para a marca Braun, onde o funcionalismo alcançou seu mais alto expoente em escala industrial, além de exemplos nos Estados Unidos, como Charles e Ray Eames. Na década de 1970, na onda de subversão cultural pela qual o mundo passava em parte graças à aparente iminência de uma terceira grande guerra em outra como conseqüência dos questionamentos do pós-modernismo italiano aos postulados racionalistas do funcionalismo, certa movimentação subjetivista tornou-se tendência no design

através de nomes como o grupo Memphis e o grupo Alchymia. Em ambos encontramos uma ênfase a função expressiva, deixando-se a máxima “less is more” de lado, permitindo ao designer maior liberdade projetual nos aspectos estéticos e simbólicos. Há uma maior gama de produtos para as mais diversas culturas, com soluções extremamente criativas e distintas das convencionais, tanto em materiais quanto em formas utilizadas, inclusive com a produção de novas linguagens para a conceituação do projeto do design, focando o objeto como transmissor de informação e assumindo dados culturais pontuais como de grande importância à construção do objeto. No entanto, essa expressividade e exagero formal pós-moderna italiana terminou por gerar um tipo de resposta nos anos 1980 completamente oposta ao que se vinha fazendo, chegando assim a produtos extremamente geométricos, claros, evidentes e concisos do ponto de vista formal, ou seja, o que se está defendendo como o design minimalista. O que o difere, no entanto, do funcionalismo, ou de qualquer outro movimento ou tendência anteriores é de tratar-se de uma resposta formalista

Robert Wilson – Rudolf Hess Beach Chair, 1979


A sobriedade de cores e formas paradoxalmente apontando para a existência de umdesigner assinando o projeto (no funcionalismo, pelo contrário, a autoria “designer” dilui-separa permitir que o produto e o usuário se destaquem) satisfez esse público com estilo de vidaigualmente formalista.

É nesse engajamento estético que o minimalismo se diferencia do funcionalismo tradicional, e de todos os movimentos anteriores no design.

AUTOR ARTISTA X AUTOR DESIGNER Dentro do design minimalista, encontram-se presentes dois tipos de autores: o artista eo designer. Dentro do primeiro grupo estão os artistas provenientes da minimal art que seenveredam pelo campo do design, criando objetos de aparência relacionada a sua estéticaartística mais do que a outros estilos de design. Dentre eles, estão Donald Judd e Sol LeWitt,entre outros. Como característica de seus mobiliários está a explícita relação à sua produçãoartística, como que criando ícones de funcionalidade da inutilidade prática de suas obras. Aoutilizarem o ponto estético de seus trabalhos e pesquisas artísticas como base para o projetode design, acabam dando certa função a algo que por si seria afuncional. Chegam a sugerircerto paradoxo conceitual, já que, enquanto no ideal da minimal art se prima pela ausência dametáfora (“what you see is what you see” – Stella), não fazem nada além dela ao misturarconceitos de desenho industrial e obras de arte, deslocando-as de qualquer eixo normativosubstancial (nem arte, nem design). Donald Judd, por exemplo, cria objetos que são quase cópias de suas obras espaciais,tanto no material utilizado quanto na aparência que nestes coloca. Ives Klein desenvolveuuma mesa com a

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a um problema culturalista proposto pelos pós-modernos. Enquanto o funcionalismo possui seu foco na função prática e no desempenho do usuário, o design pós-moderno propõe que o objeto lúdico e primordialmente signo, tratando-se com mais apuro o subjetivo na vivência com o objeto que trespasse esse aparente utilitarismo e imediatismo funcionalista. Ou seja, há uma base conceitual que sustenta a ambos movimentos. No design minimalista, pelo contrário, há apenas uma aversão à cacofonia de cores e formas irregulares dos pós-modernos, embora eja evidente a influência, por exemplo, dodesign High Tech, em especial no uso de materiais. Assim, a tentativa de Bertoni de unir soba mesma bandeira elementos tão díspares quanto funcionalismo e a reação ao pós-modernoacaba por forçar uma união de meras aparências, e que subestima completamente toda umabagagem filosófica presente (ou ausente) em cada um deles. As justificativas dos designers minimalistas para suas soluções podem parecersemelhantes a algo como o funcionalismo. No entanto, o resultado efetivo não o é. Embora seclame pela simplicidade, esta existe no uso extremo da forma geométrica, e não do uso em sido objeto. Há uma solução simplista formalmente, mas nem sempre uma simplicidadecognitiva, para facilitar o uso do objeto. Trabalhos como o de John Pawson (1949), RobertWilson e Enzo Mari (1932) possuem soluções muito diferentes dos trabalhos de Dieter Rams,apesar de todos projetarem tendo em mente formas simples. O resultado do trabalhominimalista visa ser solucionado principalmente em sua estética, e não em todas aspossibilidades do objeto, podendo-se, em alguns casos, inclusive, postular que nominimalismo, “a função segue a forma”. Se determinado conjunto de pranchas assemelha-se auma mesa, esse será o uso dela. É nesse engajamento estético que o minimalismo se diferencia do funcionalismo tradicional, e de todos os movimentos anteriores no design. Esse formalismo “clean” dominimalista, inclusive, preencheu de forma bastante precisa os desejos de uma nova classesocial que nascia naquele momento, décadas de 1980 e 1990, que foram os Yuppies, ou“novos ricos”. Como aponta Ficher: “Such a combination of abstraction and expression, which deliberately renouncesindividual artistic gestures, best suits the cool attitudes of career-minded yuppies, forwhom aesthetic engagement is a component of “lifestyle”, and hardly involvesexistential connotations” (Ficher, 1989)


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temática paralela à sua pesquisa do “azul perfeito”, agregando a estaelementos desnecessários e totalmente figurativos quanto à sua temática artística. Ao mesmo tempo, contudo, essa produção deve ser relevada, como nos coloca Bürdek: “não se tratava de uma aproximação com o design, mas muito mais um estranhamento dos produtos, uma infra-estruturação dos objetos, uma transformação de paradoxos, parafraseamentos, quebras ou fragmentos:’peças de mobiliário de artistas contêm a possibilidade do uso, mas esta não é a sua principal intenção. Sua qualidade não depende de seu grau de conforto, do espaço das prateleiras ou da ergonomia da forma’ (Bochynek, 1989)’” (Bürdek, 2006) . Nos projetos de designers a coisa se mostra de outra maneira. Nomes como Philippe Starck, grupo Zeus, Shiro Kuramata, Stefan Wewerka, Jown Pawson, Richard Meier, entre outros, são exemplos de projetos que contém certas qualidades interessantes, mas que acabam por cair nesse formalismo purista característico do design minimalista. Tomando como exemplo para análise o trabalho de Shiro Kuramata, em especial sua poltrona de arame How high the moon (1986), pode-se perceber menos ênfase dafuncionalidade em prol do aspecto estético final do produto. Nesse móvel de Kuramata, aclareza dos materiais, esse entrelaçado de arames, com certa transparência e austeridadevisual o destacam entre o desenho mi-

nimalista. Essa possibilidade de alteração dos planos devisão não pelo vidro (imaterial), mas pelo metal (material) gera um efeito espacial digno deum artista minimalista. Mas cai-se novamente na gratuidade da forma. Embora a silhueta sejade um sofá, o funcionamento como tal deixa a desejar. O ângulo do ponto onde se localizariaum joelho, ou no final do apoio do braço, são problemas ergonômicos sérios. Mesmo a durezado material, inadequada a servir de assento, acaba gerando certo receio de uso por parte dousuário. Este trabalho possui ainda certo diálogo formal com o já mencionado design High-Tech, característico da década de 60. Trata-se de um trabalho no limiar entre o estilo minimalista e o revival do design high-tech. CARACTERÍSTICAS DO DESIGN MINIMALISTA A partir desse exemplo, podemos tirar um ponto que se repetirá em diversos outrosobjetos minimalistas, em que o objeto aparentemente quer se tornar ícone daquilo que deveriaser. Na semiótica, o ícone é, superficialmente, uma imagem (mental ou material) que mantém com o objeto a que se refe-

Shiro Kuramata – How high the moon, 1986


também tinham certo ideal de concisão, mas com primícias de projeto diferentes. No entanto, é compreensível que coloquialmente seja utilizado o

o design minimalista termina por também possuir todas as características do design pós-moderno de projeto no aspecto sígnico para o indivíduo em detrimento de algo de cunho social

nome “minimalista” para outros projetos que tenham o mesmo foco que estes, já que tratou-se de um momento importante, com nomes influentes relacionados a ele, e que naturalmente influenciariam outros projetos. Um paralelo que pode auxiliar esclarecer esse ponto é com o próprio funcionalismo. Embora esse termo “funcionalismo” conote muito mais que seu período histórico p ontual, denotativamente o nome remete-se àquele grupo e prática, idealizadas e fundamentadas naquele momento e contexto. Assim, embora hoje possamos dizer que há projetos funcionalistas, projetos que primam pela funcionalidade e usuário, estes são de certa forma “ecos” daquele período, e quando são chamados de “funcionalistas”, são assim classificados em relação àquele momento histórico, àquele ideal e forma de pensar e fazer projeto. Da mesma forma, é possível que classifiquemos outros projetos que não desse período como “minimalistas”, mas isso aconteceria apenas na sua relação com o ideal formalista e sígnico desse movimento das décadas de 1980 e 1990, sem perder o foco no que realmente constitui intrinsecamente um projeto minimalista, e que esse ideal nasceu num momento histórico bastante preciso, e que, consequentemente, surtiram determinados efeitos de projeto que o diferem dos demais movimentos no design.

REFERÊNCIAS BERTONI, F. Minimalist design. Switzerland: Birkhäuser, 2004. BÜRDEK, B. E.; Design, história e prática do design de produto. São Paulo: Ed. Edgard Blucher, 2006. FICHER, V.; Design now: industry or art. Munich: Ed. Prestel, 1989.

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re semelhanças que o remetem e ligam a este, propiciando as mesmas impressões visual. Por constituir-se de formas rígidas, fortes, estáticas, claras, etc., um objeto minimalista como que se torna um ícone do objeto a que se refere, mantendo visualmente as características suficientes para catalogá-lo como tal, mas sem uma usabilidade convencional inerente a ele. Kuramata, por exemplo, apropria-se do que convencionalmente se tem por “poltrona” (encosto, assento para uma pessoa, braços de apoio) para criar um objeto passível de uso, mas não desenhado especificamente para isso. O objeto faz-se sobre ascaracterísticas “sofá”, mas não se constitui de fato enquanto mobília. Podemos constatar também no design minimalista um uso constante de símbolos que, segundo Bürdek (2006), é também “uma função de integração social”. “Objetos simbólicos” são “aqueles que primeiramente servem a ter significância”, diferente do “objeto de uso”, que são aqueles que “primeiramente servem a preencher uma tarefa prática”. E foi o simbolismo inerente ao objeto minimalista, presente no seu “despojamento” formal, na sua altivez, etc. que atraíram os yuppies como principal público consumidor. São um público que, como seu mobiliário, vivem de aparências, para firmar-se num contexto social recém adentrado. Não importando se objeto eletrônico ou analógico, a operação simbólica na forma se faz fundamental à mensagem que se pretende transmitir, ou seja, a identidade do usuário. Assim, por mais que o design minimalista tenha sido uma reação a certas vertentes pós-modernos a partir de uma redução formal absoluta, não se livra da bagagem simbólica que o contextualizará da mesma maneira como pós-moderno, mas num grupo diferente daquelas. Ou seja, o design minimalista termina por também possuir todas as características do design pós-moderno de projeto no aspecto sígnico para o indivíduo em detrimento de algo de cunho social. O consumo pelo caráter formal e pessoal ainda prevalece sobre o funcional, sendo esse mais um ponto que o coloca diametralmente oposto ao movimento funcionalista no design, não se podendo confundir um pelo outro. Vale, finalmente, averiguar mais pontualmente a posição de Bertoni no que diz respeito à atemporalidade do design minimalista. Ao longo desse artigo, tentou-se argumentar a favor da contraposição entre o design das décadas de 1980 e 1990 que tinham esse caráter limpo e de desenho mínimo, com as outras correntes do design que


TÉCNICA APURADA

A impressionante arte vetorial de Cristiano Siqueira Arte Digital e Ilustração são minha paixão e meu trabalho está criado nesses formatos. Cristiano Siqueira, artista gráfico. Imagem vetorial é um tipo de imagem gerada a partir de descrições geométricas de formas, diferente das imagens chamadas mapa de bits, que são geradas a partir de pontos minúsculos diferenciados por suas cores. Uma imagem vetorial normalmente é composta por curvas, elipses, polígonos, texto, entre outros elementos, isto é, utilizam vetores matemáticos para sua descrição. A ilustração vetorial de Cristiano Siqueira, vulgo Crisvector, é composta de muita dramaticidade, realismo e uma miscelânea de linhas que se cruzam formando desenhos simplesmente espetaculares. Acompanhe nas próximas páginas um pouco da vida e do trabalho surpreendente de Cristiano Siqueira.

Cristiano Siqueira por Cristiano Siqueira: Um cara de hábitos simples, que gosta de andar por São Paulo e observar as pessoas. Um curioso que gosta de novidades e um inconformado que não se cansa de tentar melhorar o próprio trabalho e aprender a viver melhor.


Ilustrações digitais feitas através de fotos. Trabalho criado para ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção). 2010-2011 Campanha Publicitária Institucional. Auto-retrato ilustrado de Cristiano Siqueira.

Artista de mão cheia, Cristiano Siqueira é respeitado internacionalmente e possui trabalhos importantes para editoras brasileiras como Editora Globo e Editora Abril. Com uma veia artística desenvolvida desde criança na escola infantil com as suas aulas de Educação Artística, Cristiano apreciava a liberdade em de poder registrar seus pensamentos e o mundo ao seu redor em formas e cores, mesmo antes de saber escrever.

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Antes de optar definitivamente pela carreira artística, certamente por não acreditar que esta fosse uma carreira “promissora”, ele se aventurou por alguns cursos da moda, como o popular técnico em processamento de dados. Porém, depois de algumas indecisões decorrente do período da adolescência, aprendeu a racionalizar toda a vontade de pintar e desenhar, aprendeu e aperfeiçoou algumas técnicas, encontrou pessoas com que pudesse compartilhar a mesma paixões e a brincadeira acabou se tornando trabalho profissional.

NIKE • T-SHIRTS T-shirt design de trabalhos criados para a Nike. Uma coleção de retratos feitos para clientes ao redor do mundo


Retratos de lendas brasileiras de esportes feito para ESPN Magazine - Brasil. Trabalho encomendado por André Diniz, da URBANARTS.

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A inspiração para seus trabalhos vem de observações do mundo, das pessoas e das coisas. Quando o trabalho não possibilita experimentações, acaba se inspirando mesmo é nas estratégias de comunicação, briefings e prazos dos clientes. Pelo fato de acreditar que arte pode influenciar positivamente jovens artistas, Crisvector afirma que o papel de aprendizado do senso crítico exercido nas escolas tem sido fundamental para contribuir na formação da personalidade destes jovens.


IDEIA PROJETADA

Alunos do IED elevam seus projetos além das fronteiras acadêmicas


Milhares de estudantes sonham em se destacar no mercado de design, seja na moda, gráfico ou interiores. Para os alunos que conseguiram concluir seus projetos no Instituto Europeo de Design, o IED, grande parte do caminho já foi trilhado. Conheça alguns dos projetos de alunos formados no IED e que conseguiram notoriedade no cenário nacional e internacional do mundo do design.

BRUNO ROBERTI, designer gráfico, projetou carros conceitos em argila demostrando como poderiam ser os carros da Nissan em 2025.

CAMILA BETTI, designer de moda, cria acessórios para Donna Doida com destaque no editorial da Revista Vogue!

MARINA SENATORE, designer de interiores, confecciona maquete para loja de roupas juvenis.


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Pela primeira vez o IED SP conta com programa inédito focado na indústria automotiva; alunos irão sugerir como serão os carros da Nissan em 2025. A Nissan do Brasil está apoiando o primeiro curso de design automotivo do Istituto Europeo di Design São Paulo. Os oito alunos do programa de pós-graduação Transportation Design foram desafiados a criar os carros da linha Nissan em 2025, com a supervisão de designers da Nissan Américas. Os projetos finais dos subcompactos, utilitários esportivos, picapes médias, sedãs e esportivos do futuro foram apresentados no dia 19, no próprio IED SP, para Shiro Nakamura, vice-presidente Sênior/ diretor de Criação de Design e Gestão de Marca da Nissan, e Alfonso Albaisa, vice-presidente do estúdio Nissan Design América (NDA). Profissionais do NDA mantiveram, desde setembro, estreita colaboração com os estudantes, oferecendo-lhes uma visão profissional no período de pesquisas de mercado, que indicou o perfil do futuro consumidor brasileiro, e também no desenvolvimento dos desenhos conceitos e na criação das maquetes ¼ em clay (argila), que estão na fase final de preparação. “O saber fazer é uma marca do IED. Esta parceria com a Nissan agrega experiência profissional ao estudante e proporciona um trabalho direto de interação com a realidade do mercado”, afirma Marco Lorenzi, diretor-geral do IED SP. “Já o interesse da Nissan em conhecer e atuar com o novo profissional brasileiro de design está focado no ambiente de experimentação e criatividade que só uma colaboração entre uma instituição de ensino e uma empresa de ponta poderia proporcionar. É o olhar técnico aliado à antecipação de tendências”, afirma Alfonso Albaisa, vice-presidente da Nissan Design América.

Conjunto de imagens com detalhes sobre os projetos.


Com o tema “O Brasil e suas Inspirações” a empresa Donna Doidacolaborou com as aulas de Projeto de Coleção I (bijouterias) do cursoProdução Joalheira do Istituto Europeo di Design, ministradas pela professora, designer e artista plástica Sônia Miraglia, fornecendo um briefing para a coleção de verão 2012. Esta parceria possibilitou aos alunos a experiência de participar do processo de criação e desenvolvimento de produto de uma marca estabelecida no mercado no segmento de acessórios. Com um tema bastante desafiador, que “passeava” pelas nossas matas, mares, fauna e flora, em direção aos grandes artistas da “Semana de Arte de 22”, todos os alunos se sairam muito bem, compreendendo o tema, as tendências e o foco da marca, elaborando peças muito interessantes. Carol Arbex, diretora de estilo da marca, escolheu 3 trabalhos para fazerem parte da coleção, reforçando o caráter profissional com que os alunos encararam o projeto. As alunas Camila Vieira Betti, Isabella Nishioka e a dupla Flavia de Toledo Piza e Flavia Carrara Sambuy, têm hoje seus trabalhos no mix de produtos da Donna Doida para a próxima estação. Abaixo, fotos das 3 peças escolhidas que também podem ser vistas na página da Carol Arbex/Donna Doida no Facebook e no video do making of no site da Vogue e em breve no site da marca. Parabéns, alunas e professora!

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Conjunto de imagens com detalhes sobre os projetos.


No intuito de desenvolver os conceitos de representação no espaço e de leitura e interpretação de planta, elevação e desenho técnico na execução de modelos e protótipos, as alunas do 3º semestre da escola de Design de Interiores do Istituto Europeo di Design realizaram maquete de loja de roupas juvenis, com área aproximada de 70m2, junto com a profa. Claudia Haynol. A disciplina Laboratório Integrado III tem como objetivo ainda fomentar o levantamento de dados; a seleção de materiais e técnicas de corte, colagem e revestimento; a montagem e execução de peças volumétricas bem como exercitar as técnicas de acabamento e apresentação das maquetes.

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Conjunto de imagens com detalhes sobre os projetos.


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