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anos Ano XXV- nº 267 - Saquarema, Araruama e Região dos Lagos - setembro de 2018

25 anos de dedicação à arte e à cultura Fotos: William Brasil e Regina Mota

Coral Encanta Saquarema

Fulô de Saquá

Daumas Academia

Grupo D‘Lunas Jane Pessanha e Claudia Bispo

Hannah Hadassah

Fernando e Solange

Zadack Vicente

O Jornal Poiésis está comemorando 25 anos de fundação, e a celebração não poderia ser diferente, com muita música, poesia e dança. O Teatro Municipal Mario Lago, em Saquarema, sediou o evento comemorativo no dia 25 de agosto, com participação de artistas de Araruama, Saquarema e Petrópolis. Foram arrecadados mais de 100 quilos de alimentos não perecíveis, que foram doados a entidades filantrópicas, como a Associação Pestalozzi. Página 3.

Regina Mota e Viviane Reis


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nº 267 - setembro/2018

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Psicanalista e Terapeuta Holístico

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O Jornal Poiésis - Literatura, Pensamento & Arte é uma publicação da Mota e Marin Editora e Comunicação Ltda, CNPJ 07.546.414/0001-60. Editor: Camilo Mota. Diretora Comercial: Regina Mota. Conselho Editorial: Camilo Mota, Regina Mota, Fernando Py, Sylvio Adalberto, Gerson Valle, Marcelo J. Fernandes, Marco Aureh, Francisco Pontes de Miranda Ferreira, Charles O. Soares. Jornalista Responsável: Francisco Pontes de Miranda Ferreira, Reg. Prof. 18.152 MTb. Av. John Kennedy, 121 sala 13 - Centro - Araruama-RJ CEP 28970-000

m algum lugar bem escondido. O fato é que ele anda desaparecido. No entanto, este verbinho, de aparência tão humilde - três letras apenas e um chapeuzinho - é de suma importância. Só ele e seus compostos integram a quarta conjugação ou quarto grupo. E ele ocupa no dicionário toda uma coluna, com as diversas acepções. Na sua evolução etimológica para o português, do latim “ponere”, já foi poer. Agora, tudo se coloca, muitas vezes mal. Colocar em ordem, em risco, em dúvida, colocar para fora, abaixo, colocar fogo! Até as galinhas colocam ovos. Como ficam, então, expressões consagradas, tais como: pôr os pingos nos is, pôr as manguinhas de fora, pôr as barbas de molho, pôr água na fervura? E pôr as cartas na mesa? E o rei morto não é mais rei posto? Camões, nos Lusíadas, diz sobre uma nuvem: “... Tão temerosa vinha e carregada que pôs nos corações um grande medo...” O colocar, neste caso, comprometeria irreparavelmente o decassílabo camoniano heróico. Ora, colocar é pôr, mas pôr nem sempre é colocar. Este último supõe certa precisão. Coloca-se uma porca num parafuso, ou um componente numa engrenagem. Também se coloca uma mesa num determinado lugar, mas não se coloca a mesa para o jantar. Um vitrinista coloca um chapéu numa vitrine, mas não o coloca em sua cabeça. Essa mania inadequada talvez reflita certa tendência para o “falar difícil”. Por que essa birra contra o po-

bre verbo? Por sua irregularidade incômoda? Ponho, pões, punha, pus, porei, pondo, posto. O que produz, nos compostos, formas como: dispunha, se eu dispusesse de, quando ele transpuser... E termos derivados como: recomposição, pressuposto, supositório, expoente, depósito, imposto... Já o colocar é bem mais acessível. Apenas um Q em coloquei, por exigência ortográfica. Por essas e outras, para evitar tropeços com o verbo pôr e o colocar mal colocado, sugiro o verbo “ponhar”, como no samba do Arnesto, de Adoniran Barbosa: “Mas você devia ter ponhado um recado na porta.” Julia de Mello e Souza (Rio de Janeiro, 1930; Petrópolis, 2012), cursou a PUC do Rio em Línguas Néo-latinas, vindo a lecionar francês no Colégio Pedro II do Rio, sob orientação de Paulo Ronai. Casou em 1966 com Luiz de Mello e Souza, médico radiologista então residente em São Paulo. Mudou-se para Nogueira, Petrópolis, em 2010, onde faleceu repentinamente em janeiro de 2012.

( (22) 99982-4039 E-mail: jornalpoiesis@gmail.com Site: www. jornalpoiesis.com.br. Facebook: www.facebook.com/jornalpoiesis. Edição digital: www.issuu.com/jornalpoiesis Distribuição dirigida em: Saquarema, Araruama, São Pedro da Aldeia, Iguaba Grande, Cabo Frio, Arraial do Cabo e Petrópolis. Fotolito e Impressão: Tribuna de Petrópolis. Os textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Jornal Poiésis.


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nº 267 - setembro/2018

Jornal Poiésis comemora 25 anos

Idealizado pelo poeta e escritor Camilo Mota em 1993, o Jornal Poiésis é um projeto voltado para a difusão da cultura e da educação, tendo como base valores estéticos e progressistas, visando a valorização dos artistas locais e promovendo a difusão da literatura de diversas regiões do país. Há mais de 15 anos estabelecido na Região dos Lagos, expandiu sua atuação de modo a se aproximar mais da sociedade na busca de fomentar boas ideias e pensamentos, trazendo reflexões e orientações que cumpram de maneira plena a filosofia e a ética de seus realizadores. No dia 25 de agosto, dezenas de artistas se apresentaram no Teatro Municipal Mario Lago, em Saquarema, num grande show comemorativo aos 25 anos de fundação do Jornal. O evento contou com apoio de O Queijão, Clarícia Flores, Dra Renata Alvarenga, Neo Mídia, Vereador Amigo Walmir, Supermercado Quali Preço (antigo Coquito), Green Fruit, Prefeitura Municipal de Saquarema, Movimento Articulado de Mulheres Amigas de Saquarema (MAMAS).

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Regina Mota, Camilo Mota e o diretor do Teatro, Raphael Tavares

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nº 267 - setembro/2018

Style Beleza e Saúde está em novo endereço

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Setembro Amarelo: a vida que continua Camilo Mota

Saúde, bem estar, beleza, com terapias realizadas através de medicina tradicional chinesa, tudo para proporcionar o equilíbrio físico e emocional dos clientes, com profissionais altamente qualificados e serviços diferenciados. É com esses objetivos que o Salão Style Beleza e Saúde inaugurou seu novo espaço no centro de Bacaxá, Saquarema, sob a direção de Neu Baptista, onde várias

especialidades podem ser encontradas como: barbeiro, podóloga, manicures, reflexoterapeuta, terapeuta holístico, cebeleireiras, especialista em sombrancelhas, fotodepilação, medicina estética e nutricionista. O Salão Style Beleza e Saúde encontra-se agora na rua Professor Francisco Fonseca, 249, sobrado, próximo ao DPO. Telefone: (22) 99241.2021 WhatsApp.

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Criada em 2014 pela Associação Brasileira de Psiquiatria, a campanha Setembro Amarelo tem como objetivo conscientizar a população sobre os fatores de risco para o comportamento suicida, apontando a importância de busca do tratamento adequado. De acordo com a entidade, transtornos mentais são responsáveis por 96,8% dos casos de morte por suicídio no país. Estados de depressão e ansiedade são marcados por atitudes (muitas vezes inconscientes) que demonstram o quanto nosso Ego está lidando com as diversas pressões que sofre no dia a dia. Nem sempre é possível lidar com isso sozinho e um dos obstáculos para procurar auxílio é justamente o preconceito. Vivemos numa sociedade marcada por uma obsessão em querer ser normal, perfeito e feliz. Qualquer coisa que fuja a esse padrão acaba sendo encarada como uma deficiência. Quando a pessoa começa a sentir desconforto emocional que a leva, por exemplo, a querer se isolar dos outros, a ficar extremamente triste por longos períodos, ou mesmo a perceber que está perdendo o controle de si mesma (taquicardia, suores, respiração ofegante, etc.), é sinal de que alguma coisa está em desequilíbrio e precisa

de cuidado. Permanecer em estado prolongado de sofrimento mental leva a pensamentos suicidas, pois o ato de tirar a própria vida aparece como uma solução para eliminar de vez a dor interior que se está sentindo. Iniciar uma psicoterapia com psicanalista ou psicólogo é essencial para que o problema não se agrave e se consiga alcançar novamente algum bem estar. E se necessário for, procurar auxílio de um psiquiatra para uma orientação adequada quanto à necessidade de medicação. Portanto, é sempre importante dar atenção aos seus estados emocionais, aos sintomas de desarmonia que você esteja percebendo em si ou mesmo em parentes e amigos próximos que possam estar passando por algum tipo de sofrimento mental. Pensar em morrer não é sinal de fraqueza, mas o sintoma de uma dor ainda maior que precisa de cuidado e atenção profissional. Para saber mais, acesse o site: https://www.campanhasetembroamarelo.com.br/

Camilo Mota é psicanalista e terapeuta holístico, atende em consultório em Araruama e Saquarema. Contatos: (22)99770-7322 e www.camilomota. com.br. Siga-nos no Facebook: @camilomotapsicanalista


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nº 267 - setembro/2018

Alimentação e Amor A polêmica dos ovos O ovo tem fãs que o defendem com unhas e dentes. Para não entrar em questões éticas ou obscuras, vamos falar somente de aspectos negativos do ovo relacionados a saúde física e que foram comprovados por pesquisas independentes: colesterol, câncer, doenças cardiovasculares e diabetes. 
 É indiscutível e cientificamente comprovado que o ovo é um dos grandes vilões alimentares quando o assunto é colesterol. Por ser considerado pela Associação Americana para o Coração como o “alimento” com a maior concentração de colesterol ruim, não há quantidade segura para seu consumo, seguro mesmo é não consumi-lo.
Além do colesterol, há nos ovos, assim como nas carnes, uma substância chamada colina. Essa substância está diretamente associada ao desenvolvimento do câncer, especialmente de próstata, assim como à capacidade do câncer se espalhar pelo corpo. Pessoas com câncer, que consomem ovos tem o risco de morte aumentado em incríveis 70%!!! O consumo de ovos, devido a presença da colina, também aumenta o risco de infarto do miocárdio. Hoje se sabe que nem mesmo a indústria do tabaco age de maneira tão desonesta quanto a de ovos, criando propagandas falsas, negando os resultados de estudos independentes e confundindo os consumidores. Para finalizar, o consumo de um ovo por semana pode aumentar em 76% a possibilidade de uma pessoa desenvolver diabetes tipo 2 e um ovo por dia pode reduzir a vida de uma mulher tanto quanto fumar 25 mil cigarros.
 Quando descobrimos tudo isso e re-

Arte & Beleza Um novo conceito em beleza

A linhaça dourada é uma boa alternativa para substituir ovos em receitas

solvemos parar de consumi-lo, dois pensamentos vieram: como fazer um bolo sem ovos?! Como vou viver sem meu omelete?!?!?!?! Para ajudar quem pensou o mesmo, hoje vamos dar substitutos para os ovos nas receitas e já fica a promessa de na próxima edição darmos uma receita de omelete que fica idêntico ao de ovos, sabor, cheiro, textura e aparência! Há algumas opções para substituir os ovos nas receitas e mante-las com aquela liga que o ovo dá: purê de maça, banana, chia, ágar-ágar, pasta de amendoim… São muitas, mas a que elegemos como a melhor é a linda e poderosa linhaça dourada. Para cada ovo da receita coloque:

1 colher de sopa de linhaça dourada inteira ou batida no liquidificador(farinha) 3 colheres de sopa de água Como fazer - Bata os ingredientes por 1 a 2 minutos no liquidificador ou deixe a linhaça mergulhada na água por cerca de 5 minutos. Você verá que formará um gel muito similar ao do ovo.
Agora é só adicionar à sua receita e pronto, ela ficará idêntica a receita com ovos porém mais saudável! [Fonte das informações: http://veganize.com.br/5-fatos-que-apontam-como-o-consumo-de-ovos-pode-te-matar]

Após 4 anos em Araruama, o casal Wellington Rodrigues e Quezia Carvalho reinauguram o novo WR Hair Studio no Center Shopping Araruama, trazendo o que há de mais atual em conceito de moda e beleza, com técnicas européias, através da experiência do seu Master Hair stylist WR. Eleito como um dos melhores cabeleireiros do RJ no segmento noivas, Wellington Rodrigues é educador e especialista também em cortes e coloração, com formação nas melhores academias no eixo Europa e EUA. O novo espaço também servirá de lugar de reciclagem de conhecimento aos profissionais de beleza de toda a região, com agenda de cursos e workshops planejados pelo casal que viaja pelo Brasil, ministrando na área de beleza e gestão com sua Academia itinerante: a WR Academy. Confira mais em: www.wellingtonrodrigues.net Instagram @wrararuama

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nº 267 - setembro/2018 CONTO

MARAMOR

Gerson Valle Ao amigo José Mariano d’Almeida e Silva, como presente de aniversário em 2018. “Querida Fulustreca: eu amo você por ser minha querida Fulustreca”. O bilhete de Blumarino não foi enviado a seu destino. Ficou em seu bolso de difícil alcance. Engordara tanto que a mão quase não conseguia entrar nele, de tão apertada que a calça ficara. Depois, o raciocínio também parecia ter embotado com a gordura, e assim aquilo que lhe parecera uma declaração amorosa, a primeira de sua vida, e já com atraso de muitos anos com relação à pessoa de quem desejava uma aproximação mais íntima, poderia ser encarado só como um esboço. Mesmo assim não muito claro para ele mesmo. Para começar a dama nunca lhe fora companheira. Talvez nem tivesse imaginado alguma aproximação senão amigável. Ambos compartilhavam leituras em uma biblioteca da cidade. De início somente compartilhavam, aliás, a presença na biblioteca, mas acabaram se cumprimentando, puxando um dedinho de prosa, vindo a vislumbrarem pontos de encontro nas margens dos livros, quando se iniciou o compartilhamento propriamente das leituras. Cada um fazia o elogio do que lia, e trocavam-se os livros. O marido dela a vinha encontrar quando saia do trabalho. Não parecia ter a mesma afinidade que ele no que diz respeito à literatura. Isto fez crescer em Blumarino a ilusão de que a pobre Fulustreca não se completava naquele casamento, e poderia ser que consigo... Desejava-a como uma sobremesa

gostosa. E como não a tinha, apelava para a ingestão de muitos doces mesmo, o tempo todo, o que o foi engordando. Não se reconhecia mais no espelho com a ligeireza do rapaz capaz de roubar raparigas... Talvez por isto mesmo a ideia da petição amorosa fora sendo postergada até só se manifestar no bilhete largado no bolso. Aliás, não só por isto. Seria sua amada suscetível de amá-lo com os excessos de banha que ela mesma lhe provocara, e ao ponto de largar e/ou trair o marido? Com que direito ele se achava merecê-la mais que o outro? Porque, em duas ou três palavras que trocara com o sujeito, julgou-o de caráter fraco... Julgamento precipitado? Uma frase qualquer de que já nem se lembrava qual fora, lembrou-lhe o “eterno marido” de Dostoiévski. E isto o fez cogitar. Antes de mais nada no próprio Dostoiévski. A novela em questão sempre lhe causava indagações. Difícil é traduzir para si o enunciado de um autor. E quando de cultura tão distante, no tempo e no

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espaço, então... O que o título significa? Sempre desconfiou que “eterno marido” podia ser uma expressão comum na sociedade russa de Dostoiévski para sujeitos que abrem as asas para ser traídos, por uma necessidade mórbida, docilidade bovina que põe a cabeça com chifres... E aí metade da novela poderia ser entendida como uma leitura de viés não bem conforme o original, se bem que na linguagem paralela, tradução das expressões e costumes similares no ser humano em todos os tempos, mares e lugares... E, diga-se de passagem, que as mudanças temperamentais dos personagens e bruscos golpes das ações às vezes lhe faziam pensar num surrealismo “avant la lettre”... Sim, como pode haver tantos porres e agressões e perdões (como crimes e castigos, impulsos e arrependimentos...) meio inverossímeis numa novela realista? Talvez o frio russo impusesse os álcoois aceitos pela sociedade e as pessoas agissem na imprudência dos arroubos descarados, inconsequentes, sempre úteis à colocação dos caracteres psicológicos nos romances perquiridores da alma? Mas, isto tudo está longe do marido de Fulustreca. Ele, Blumarino, é que surfava num surrealismo pós-moderno, no desejo de se desfazer da gordura incômoda que o afastava do exercício do sexo... E era amor, mais que sexo, o mar em que navegava? Como amar a alma de alguém senão pelo corpo, sexo? Passou a chamá-la, nadando solitário em seu mar de estima, Fulustreca. Nem tinha intimidade para tratá-la assim. Porém, em sua mente, era-lhe irmão gêmeo. Aproveitou para, intelectualmente, questionar o próprio conceito de amor. O que ama o amor se ele não se conforma

com as diferenças personalistas, nem se encontra na traição com uma nova afirmação contrária e igual à de todo casamento conveniente, como a de sua amada, supunha... Suposição tétrica, devia saber o intelectual, pois o aparente “eterno marido” podia dar à sua Fulustreca a necessidade da cama que ela necessitava como amor mais que seu intelecto... Ora, o amor é a identidade. Por mais variadas que sejam as pessoas, só se ama a si mesmo. Ele estava amando o amor em seu mar constante, sem tirar a roupa ou mergulhar? Necessidade de mudança de vida na impossibilidade de emagrecer? “Psicologismos”, torcia o nariz... Porém, a gordura dificultaria uma relação sexual, pelo peso e proporção da barriga, e o coração, tão sujeito a contorções circenses sentimentais, deixava-o sem fôlego, piorando a respiração até o ataque fulminante, tendo o bilhete ainda no bolso... Sua morte explica a frase tautológica em face da vida, em face do amor. Sua redundância amorosa... Querida Fulustreca... Etc. Jamais declararia de novo de o amor desejado ser amor, na frustração trazida na barriga que o distancia do abraço, dois seres impossibilitados de se tocar, longe da sociedade russa de Dostoiévski, mesmo sabendo que lhe veio também de lá a margem a muitas penetrações dentro d’água, lá e de outras plagas, nos livros compartilhados com Fulustreca, tão querida Fulustreca, que lhe fizeram pensar amar o amor, pensar, amar, mar, amor...

Gerson Valle é poeta, escritor, atual presidente da Academia Petropolitana de Letras, membro titular da Academia Brasileira de Poesia.


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nº 267 - setembro/2018 POESIA

[Hoje, atipicamente, fiz risoto] Bianca da Costa Santos Louzada

ÁGUA COTIDIANA Marcio Catunda

A água e seu vetor energético. Dela fomos feitos e precisamos dela dentro e fora do corpo. Pelo olfato, se exercita a estética dos sentidos: Tomar banho é um ato civilizatório. É um pacto com a água No qual nos rendemos à fonte da vida E nos alegramos com os afagos do seu fluxo [transparente e reconfortante, Vocês sabem que na receita leva vinho, né? Sua energia que estimula as substâncias Tradicionalmente branco, mas coloquei rosé. [neurotransmissoras e as enzimas vitais. Subversão é uma das minhas melhores qualidades. Esse bem-estar anímico. Coloquei de olho um pouco na panela. Essa festa de frenesi da água fria Derramei o resto na boca. E revigorante. Cantei sertanejo errando a letra. É preciso render-se à água como quem Me fingi de bêbada numas cenas canastronas e caricatas. [se rende às evidências, Meu filho achou graça e dançou. Como quem aceita a vida e dá mais um passo no dia que avança. Peguei um processador que ganhei no meu casamento. Que a água seja sempre o nosso principal E que ironicamente comecei a usar este ano. [remédio existencial. Tem coisa que mesmo com o passar do tempo funciona. Que possamos sempre nos alimentar Decidi triturar uma cebola. do seu conforto, do seu eflúvio, Fatiei-a em 4. que nutre o ectoplasma Nunca fui chegada a números, mas achava os pares mais poéticos. e nos alivia a sede e nos prolonga a vida. Sempre preferi eles com exceção do 7. Marcio Catunda é natural de Fortaleza-CE, mora no Descasquei-a. Rio de Janeiro. É escritor, poeta e diplomata. Desfolhando-a. Camada por camada. Despetalei-a. Hoje, atipicamente, fiz risoto. Funghi -que é meu preferido. Me perguntei qual seria a origem desse prato. Seria italiano? Não sei! Mas ficou massa! Gostoso igual de restaurante bom. Ornamentado igual de restaurante chique.

O álcool da panela já havia evaporado. O meu ainda não. Achei semelhança entre minha cebola e uma rosa branca. Fiz alusões, criei metáforas, inaugurei trocadilhos. Fiz poema e comi com lirismo. Corpo e alma satisfeitos. O vinho evaporou mas a poesia continuou até agora. Então vim digerir um pouco aqui. Compartilhar meu principal ingrediente: a palavra. Bon Appetit! Bianca da Costa Santos Louzada, formada em Letras e estudante de psicologia, mora em Araruama.

FENÔMENOS SOCIOLÓGICOS Leila Míccolis Desaprendi o que seja falsidade, falcatrua ou verdade nua e crua; já nem sei mais se algum homem chegou um dia na Lua... Brasil, de ti tenho pena: a violência é tamanha diariamente, que a gente infelizmente precisa ver sangue exposto na arena, duvidando a nossa mente que uma hemorragia interna não se mostre externamente. Leila Miccolis é Mestra, Doutora e c/ Pós-Doutorado em Teoria Literária (UFRJ), autora de novelas de TV, livros, teatro, cinema e poesia. Mora atualmente em Candido Mota-SP.

Corpo e alma Camilo Mota Orgasmo é paz: O Sim primordial tocando a pele, Som universal anunciando manhãs. O gozo transpassa o corpo E deixa riscos, traços e tintas. A roupa rota no chão: Outra rota indicando futuros. A tatuagem veste os habitantes De uma cidade antiga Onde a saudade foi abolida Pela presença da vida. Caminho descalço e sem nuvens Com o sol desenhando sombras E transparências. No peito abro-me ao vento, E voo no espaço-tempo Que antecede os frutos Onde a semente da claridade Anunciou auroras. Alma e corpo se abraçam. Camilo Mota é psicanalista, escritor e poeta, membro da Academia Araruamense de Letras, fundador e editor do Jornal Poiésis.

FLASH URBANO Ricardo Alfaya Outro dia, na Rua do Ouvidor, queria tanto alguém me ouvisse. Ricardo Alfaya é autor de “Fronteiras em Liquidação”, de onde extraímos o poema acima. Mora no Rio de Janeiro.


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nยบ 267 - setembro/2018

Jornal Poiésis 267  

Edição de setembro de 2018

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