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ranking das 100 maiores empresas portuguesas exportadoras

Nº 113 › Mensal › Fevereiro 2012 › 2.20# (IVA incluído)

Miguel Anacoreta Correia Secretário-Geral da UCCLA

José Pavão Cônsul da Guiné-Bissau no Porto

Paulo Pereira Presidente Câmara Portuguesa do Rio Grande do Sul – Brasil

Turismo a Norte Melchior Moreira, Presidente da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal, sublinha que a região está aFevereiro crescer na atração 2012 | País €conómico › 1 turística nacional e internacional


› Head

Ficha Técnica

Editorial

Propriedade Economipress – Edição de Publicações e Marketing, Lda.

Sócios com mais de 10% do capital social › Jorge Manuel Alegria

Contribuinte 506 047 415

Director › Jorge Gonçalves Alegria

Conselho Editorial: › Bracinha Vieira › Frederico Nascimento › Joanaz de Melo › João Bárbara › João Fermisson › Lemos Ferreira › Mónica Martins › Olímpio Lourenço › Rui Pestana › Vitória Soares

Redacção › Manuel Gonçalves › Valdemar Bonacho › Jorge Alegria

Fotografia › Rui Rocha Reis

Grafismo & Paginação › António Afonso

Departamento Comercial › Valdemar Bonacho (Director)

Direccção Administrativa e Financeira › Ana Leal Alegria (Directora)

Serviços Externos › António Emanuel

Morada Avenida 5 de Outubro, nº11 – 1º Dto. 2900-311 Setúbal

Telefone 26 554 65 53

Fax 26 554 65 58

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Delegação no Brasil Aldamir Amaral NS&A Ceará Av. Santos Dumont, 3131-A-SL. 1301 Torre del Paseo – Aldeota CEP: 60150-162 – Fortaleza – Ceará – Brasil Tel.: 005585 3264-0406 • Celular: 005585 88293149

e-mail aar@terra.com.br

Pré-impressão e Impressão Lisgráfica Rua Consiglieri Pedroso, 90 Queluz de Baixo 2730-053 Barcarena

Tiragem 30.000 exemplares

Depósito legal 223820/06

Distribuição Logista Portugal Distribuição de Publicações, SA Ed. Logista – Expansão da Área Ind. do Passil Lote 1-A – Palhavã – 2890 Alcochete Inscrição no I.C.S. nº 124043

2 › País €conómico | Fevereiro 2012

Prioridade ao reforço da capacidade empresarial

O

ano de 2012 começou com a implementação de medidas duras por parte do Estado, das empresas e das famílias, para reduzirem as suas dívidas e encontrarem um novo ponto de equilíbrio, antes de poderem avançar para um novo período de crescimento e expansão. No plano do Estado, os acordos de concertação social com os parceiros sociais, bem como o acordo para plano de resgate da dívida da Região Autónoma da Madeira, constituíram elementos estruturantes para a estabilidade política e social, embora seja também necessário proceder a um acordo com as autarquias portuguesas de modo a que estas possam sair do espartilho financeiro extremo em que se encontram e possam entrar num outro ciclo de vida. Porventura com muito menos ambições de fazerem obra pública desnecessária e redundante, mas ainda assim, na medida em que constituem elementos fundamentais na estruturação do estado democrático e na fundamentação da vida em colectividade das populações locais, é preciso encontrar um plano financeiro que lhes permitam virar a página e seguir em frente. No entanto, como dizia antigamente o ex-presidente Jorge Sampaio “há vida para além do défice”, pelo que em 2012 e anos seguintes, também haverá vida para além da dívida e do défice, e não se pagam dívidas nem se reduzem défices sem crescimento económico e reforço da coesão social. Os três desafios mais importantes do governo liderado por Pedro Passos Coelho em 2012 são, respetivamente, cumprir os objetivos de redução do défice definido no acordo com as instituições internacionais, implementar um importante conjunto de reformas estruturais no estado e na sociedade portuguesa e, finalmente, implementar um conjunto de medidas claramente de encontro à viragem da economia portuguesa para prepará-la para entrar numa nova fase de crescimento. Qualquer um dos três objetivos enunciados é de enorme importância e decisivos para o futuro do país. Avançar com políticas e medidas de apoio ao reforço do tecido empresarial português, tanto em termos estruturais como na capacidade financeira das empresas portuguesas, constituem acções de curto prazo que as políticas governamentais não poderão deixar de atuar decisivamente. Jorge Gonçalves Alegria

Fevereiro 2012 | País €conómico › 3


Índice Grande Entrevista Miguel Anacoreta Correia é o Secretário-Geral da UCCLA – União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, e em entrevista à País €conómico refere que está por apurar o quanto a língua contribuirá para o PIB português, mas assegura que será certamente um valor bastante significativo. As cidades são cada vez mais importantes, e o histórico dirigente português que agora lidera os destinos da UCCLA no quotidiano, sublinham que a organização vai reforçar a cooperação entre os seus membros e continua aberta a receber mais cidades no seu seio.

pág. 24 a 28

Ainda nesta edição…

12 22 23 32 33 34 35 44 48 58 58

Grande Plano

Sofid apoia a internacionalização das empresas portuguesas EPUL é a melhor empresa de construção em Portugal

Porto de Sines com mais contentores

Comércio luso brasileiro atingiu valor recorde Américo Amorim entrou no Banco Luso Brasileiro

Bordallo Pinheiro acelera internacionalização

Empresários mineiros vêem a Portugal

Redtel cresce em tempo de crise

Câmara de Castro Marim aposta no turismo

Empresários de Viana do Castelo apostam na Bahia Semana da Comunidade Portuguesa em Porto Alegre

As exportações constituem uma peça chave para Portugal na ultrapassagem da crise económica e recessiva que atravessamos. Nesta edição apresentamos o ranking das 100 Maiores Empresas Portuguesas Exportadoras com dados de 2010, numa parceria que estabelecemos com a Coface. O ano de 2010 não foi particularmente brilhantes para as exportações portuguesas, embora o 2011 tenha permitido um forte crescimento nas nossas exportações, com a ajuda na balança de pagamentos da diminuição das importações. Realce para o fato da TAP ter constituído a principal empresa exportadora em 2010, uma empresa que este ano deverá ser privatizada, e onde importa que não seja apenas o puro encaixe financeiro a determinar a decisão de quem atribuir a venda da empresa.

pág. 06 a 21

4 › País €conómico | Fevereiro 2012

Fevereiro 2012 | País €conómico › 5


› grande plano

Empresas exportadoras aumentaram vendas em 2010, ainda assim insuficiente para os objetivos estabelecidos

Exportar para salvar o país

A

s exportações estão a constituir a alavanca que está a permitir a Portugal conseguir manter níveis de desenvolvimento, que apesar de sofríveis, ainda assim permitem que não haja uma autêntica hecatombe empresarial e social. O ano de 2010, conforme o ranking das 100 maiores empresas portuguesas exportadoras, mostra-nos um conjunto de empresas que na sua maioria conseguiu aumentar as suas exportações ao longo desse ano, embora o ritmo de crescimento tenha acabado por ser mais evidente já no ano de 2011, onde apesar das dificuldades de alguns dos principais mercados para as exportações portuguesas, ainda assim, foi possível apresentar níveis de crescimento muito interessantes, como foram os casos de Espanha, Angola ou do Brasil. Aliás, apesar de se verificar a consolidação da tendência de exportar para os países da União Europeia, particularmente para os cinco maiores mercados de destino das exportações portuguesas, como são a Espanha, Alemanha, França, Reino Unido e Itália, é de

6 › País €conómico | Fevereiro 2012

sublinhar o retomar do nível de crescimentos do mercado norte-americano, e o forte impulso dado pelos mercados dos países de língua portuguesa, naturalmente com Angola e Brasil na liderança desses fluxos de exportação. E aqui encontra-se um tema recorrente mas que deve ser aprofundado e desenvolvido. Ou seja, o alargamento dos mecanismos de integração e fluidez económica entre os países de expressão portuguesa, que não encerram apenas potencialidades fortes de crescimento no comércio e no investimento entre os países integrantes da CPLP, mas constituem igualmente, ou sobretudo, plataformas de enorme importância para a penetração das empresas portuguesas, bem como dos seus produtos e/ou serviços, nos países limítrofes. E se os países da CPLP no seu conjunto albergam cerca de 250 milhões de consumidores, se juntarmos todos os que envolvem os países que falam português, então esse número crescerá para cerca dos dois mil milhões de potenciais consumidores. ‹

Fevereiro 2012 | País €conómico › 7


› grande plano › 100 maiores exportadoras NOME

LOCALIDADE

CAPITAL

EMPREG. 2010

VOLUME NEGÓCIOS 2010

VALOR EXPORTACAO 2010

NOME

LOCALIDADE

CAPITAL

TRANSPORTES AÉREOS PORTUGUESES, S.A.

Aeroporto De Lisboa

41,500,000.00 €

7018

2,122,903,680.00 €

1,949,448,013.00 €

DEFIANTE FARMACÊUTICA, S.A.

PETRÓLEOS DE PORTUGAL - PETROGAL, S.A.

Lisboa

516,750,000.00 €

1869

8,252,916,144.00 €

1,795,370,665.00 €

GROHE PORTUGAL, COMPONENTES SANITÁRIOS, LDA.

Quinta Do Anjo

200,000,000.00 €

3365

1,646,507,871.00 €

1,550,440,772.00 €

GALP - GÁS NATURAL, S.A.

WELLAX FOOD LOGISTICS

Funchal

50,000.00 €

60

1,536,796,299.00 €

1,530,686,851.00 €

PREH PORTUGAL, LDA.

Santiago Do Bougado

NAMISA EUROPE, UNIPESSOAL, LDA.

Funchal

5,000.00 €

8

1,268,600,268.00 €

1,268,600,268.00 €

UNICER - BEBIDAS, S.A

Leça Do Balio

EDP - ENERGIAS DE PORTUGAL S.A

Lisboa

3,656,537,715.00 €

33

2,003,510,515.00 €

1,250,893,220.00 €

LFP - LOJAS FRANCAS DE PORTUGAL, S.A.

Aeroporto De Lisboa

ARCELORMITTAL TRADING, UNIPESSOAL, LDA.

Funchal

2,000,000.00 €

4

1,218,280,142.00 €

1,218,280,142.00 €

SONAE INDÚSTRIA - PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DERIVADOS DE MADEIRA, S.A

THE SWATCH GROUP (EUROPA) - SOCIEDADE UNIPESSOAL, S.A.

Funchal

24,140,000.00 €

15

707,825,492.00 €

707,825,492.00 €

REPSOL PORTUGUESA, S.A

8863

1,168,376,670.00 €

636,345,394.00 €

OGMA - INDÚSTRIA AERONÁUTICA DE PORTUGAL, S.A.

597,237,055.00 €

581,491,983.00 €

JP SÁ COUTO, S.A

VOLKSWAGEN AUTOEUROPA, LDA

MOTA-ENGIL - ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO, S.A CONTINENTAL MABOR - INDUSTRIA DE PNEUS, S.A. SOPORCEL - SOCIEDADE PORTUGUESA DE PAPEL, S.A SOMINCOR - SOCIEDADE MINEIRA DE NEVES - CORVO S.A. ZAGOPE - CONSTRUÇÕES E ENGENHARIA, S.A SOCIEDADE DE CONSTRUÇÕES SOARES DA COSTA, S.A.

EMPREG. 2010

VOLUME NEGÓCIOS 2010

VALOR EXPORTACAO 2010

Funchal

1,000,000.00 €

12

131,905,073.00 €

129,968,305.00 €

Albergaria-A-Velha

4,987,979.00 €

582

132,274,262.00 €

127,182,572.00 €

Lisboa

66,593,634.00 €

11

1,395,492,140.00 €

126,962,112.00 €

2,763,000.00 €

477

125,571,154.00 €

123,663,793.00 €

38,500,000.00 €

1011

458,856,997.00 €

123,303,351.00 €

550,000.00 €

349

134,056,333.00 €

117,876,247.00 €

Maia

17,898,430.00 €

585

216,507,985.00 €

112,944,397.00 €

Lisboa

59,000,000.00 €

233

1,843,489,137.00 €

109,740,701.00 €

Alverca Do Ribatejo

34,000,000.00 €

1516

120,376,452.00 €

109,400,280.00 €

Perafita

2,500,000.00 €

206

222,300,514.00 €

108,149,815.00 €

Vale De Estrela

2,000,000.00 €

229

121,381,020.00 €

104,664,333.00 €

Porto

100,000,000.00 €

Lousado

31,275,000.00 €

Lavos

123,450,000.00 €

747

635,188,519.00 €

548,291,249.00 €

COFICAB PORTUGAL - COMPANHIA DE FIOS E CABOS, LDA

S. Barbara Padrões

104,391,080.00 €

896

413,834,249.00 €

413,134,375.00 €

FISIPE - FIBRAS SINTÉTICAS DE PORTUGAL, S.A.

Lavradio

15,500,000.00 €

329

110,313,616.00 €

104,449,841.00 €

Porto Salvo

50,000,000.00 €

6112

625,234,881.00 €

406,155,062.00 €

LUSOSIDER - AÇOS PLANOS, S.A

Paio Pires

17,500,000.00 €

200

151,530,097.00 €

102,195,537.00 €

Porto

50,000,000.00 €

2224

626,544,465.00 €

396,423,638.00 €

MSF - ENGENHARIA, S.A.

Lisboa

28,067,480.00 €

2149

265,732,506.00 €

99,600,667.00 €

Paço De Arcos

499,000.00 €

448

393,462,595.00 €

393,117,074.00 €

COMPANHIA INDUSTRIAL DE RESINAS SINTÉTICAS CIRES, LDA.

Avanca

15,000,000.00 €

119

151,610,454.00 €

99,188,197.00 €

PERDIGÃO EUROPE - SOCIEDADE UNIPESSOAL, LDA.

Funchal

82,924,953.00 €

8

375,773,245.00 €

375,755,245.00 €

GENERAL CABLE CELCAT - ENERGIA E TELECOMUNICAÇÕES, S.A.

Morelena

13,500,000.00 €

304

165,441,177.00 €

96,659,881.00 €

PORTUCEL EMPRESA PRODUTORA DE PASTA E PAPEL, S.A.

Setúbal

767,500,000.00 €

886

602,056,716.00 €

356,616,743.00 €

MARTIFER SOLAR S.A.

Oliveira De Frades

50,000,000.00 €

179

110,289,084.00 €

95,572,065.00 €

Mangualde

75,000.00 €

846

351,194,035.00 €

337,886,126.00 €

MOUTINHO & ARAUJO-JOIAS, LDA.

Aguas Santas

50,000.00 €

5

94,253,319.00 €

94,225,891.00 €

Funchal

305,096,088.00 €

13

324,838,981.00 €

324,838,981.00 €

SANTOS BAROSA - VIDROS, S.A.

Lisboa

7,500,000.00 €

549

122,732,666.00 €

93,680,833.00 €

Guardeiras

17,750,000.00 €

1137

361,686,405.00 €

93,142,059.00 €

Setúbal

5,000,000.00 €

334

102,509,657.00 €

92,581,972.00 €

Aldeia Nova

71,594,440.00 €

683

133,360,153.00 €

92,525,782.00 €

NETJETS - TRANSPORTES AÉREOS,S.A.

PEUGEOT CITROEN AUTOMÓVEIS PORTUGAL, S.A. CSN EUROPE, LDA TEIXEIRA DUARTE - ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES, S.A.

Porto Salvo

210,000,000.00 €

4619

727,550,047.00 €

319,594,043.00 €

EFACEC - ENGENHARIA E SISTEMAS, S.A.

NOVELIS MADEIRA, UNIPESSOAL, LDA

Funchal

5,000.00 €

3

316,885,020.00 €

316,885,020.00 €

LISNAVE - ESTALEIROS NAVAIS, S.A.

CENIBRA - INTERNACIONAL - SERv. E COM. SOC. UNIPESSOAL LDA

Funchal

15,606.00 €

269,609,996.00 €

269,609,996.00 €

SOGRAPE VINHOS, S.A.

ABOUT THE FUTURE - EMPRESA PRODUTORA DE PAPEL, S.A

Setúbal

500,000,000.00 €

282

295,481,940.00 €

269,111,929.00 €

CONTINENTAL TEVES PORTUGAL - SISTEMAS DE TRAVAGEM, LDA.

Palmela

9,000,100.00 €

275

94,698,025.00 €

91,855,716.00 €

CELULOSE BEIRA INDUSTRIAL (CELBI), S.A.

Marinha Das Ondas

77,500,000.00 €

240

330,296,587.00 €

261,171,283.00 €

SONACERGY - SERVIÇOS E CONSTRUÇÕES PETROLÍFERAS, LDA

Funchal

6,073,894.00 €

11

88,882,266.00 €

88,882,266.00 €

SN SEIXAL - SIDERURGIA NACIONAL, S.A.

Paio Pires

10,000,000.00 €

372

350,870,638.00 €

260,138,616.00 €

FARRUGIA - COMÉRCIO INTERNACIONAL E SERVIÇOS, LDA.

Funchal

5,000.00 €

88,148,732.00 €

88,148,732.00 €

CACIA - COMP. AVEIRENSE DE COMPON. IND. AUTOMÓVEL, S.A.

Cacia

9,980,000.00 €

978

251,675,553.00 €

250,924,262.00 €

SECIL - COMPANHIA GERAL DE CAL E CIMENTO, S.A.

Lisboa

264,600,000.00 €

381

305,310,157.00 €

85,473,130.00 €

FAURÉCIA - SISTEMAS DE ESCAPE PORTUGAL, LDA

Baçal

1,000,000.00 €

172

220,317,098.00 €

220,276,407.00 €

CABELTE - CABOS ELÉCTRICOS E TELEFÓNICOS, S.A.

Arcozelo

13,850,000.00 €

548

207,633,024.00 €

85,329,048.00 €

DELPHI AUTOMOTIVE SYSTEMS - PORTUGAL, S.A

Lisboa

10,973,954.00 €

2050

386,574,911.00 €

216,525,959.00 €

BOSCH SECURITY SYSTEMS - SISTEMAS DE SEGURANÇA, S.A.

São João

100,000.00 €

417

91,208,161.00 €

84,657,440.00 €

SONASURF INTERNACIONAL - SHIPPING,LDA

5,000.00 €

6

205,963,410.00 €

205,963,410.00 €

DALPHI - METAL PORTUGAL, S.A.

Campos

1,496,400.00 €

331

84,732,836.00 €

84,448,613.00 €

FAURÉCIA - ASSENTOS DE AUTOMÓVEL, LDA

São João Da Madeira

14,975,000.00 €

1632

237,279,896.00 €

197,704,017.00 €

COLEP PORTUGAL, S.A.

Vila Chã

27,000,000.00 €

932

132,036,905.00 €

82,954,336.00 €

CHARVILLE - CONSULTORES E SERVIÇOS, LDA

Funchal

5,000.00 €

5

197,668,558.00 €

197,668,558.00 €

GLOBAL BEEF TRADING, SOCIEDADE UNIPESSOAL, LDA

Lisboa

5,000.00 €

82,300,438.00 €

82,300,438.00 €

Santa Maria De Lamas

18,800,000.00 €

1237

212,189,069.00 €

195,662,739.00 €

MAHLE - COMPONENTES DE MOTORES, S.A.

Murtede

9,456,050.00 €

482

81,607,610.00 €

81,553,520.00 €

Funchal

27,200,000.00 €

194,991,137.00 €

194,612,398.00 €

COINDU - COMPONENTES PARA A INDÚSTRIA AUTOMÓVEL, S.A.

Joane

5,000,000.00 €

1103

80,857,953.00 €

80,843,536.00 €

Ermesinde

10,000,000.00 €

1809

244,564,863.00 €

190,470,200.00 €

HI FLY - TRANSPORTES AÉREOS, S.A.

Lisboa

6,000,000.00 €

71

80,624,111.00 €

80,426,059.00 €

AMORIM & IRMÃOS, S.A UNITED EUROP. CAR CARRIERS, UNIPESSOAL LDA (ZONA FRANCA DA MADEIRA) CONDURIL - ENGENHARIA, S.A. SN MAIA - SIDERÚRGIA NACIONAL, S.A.

São Pedro Fins

22,000,000.00 €

283

310,206,105.00 €

184,163,500.00 €

SUGALIDAL - INDUSTRIAS DE ALIMENTAÇÃO, S.A

Fazendas Novas

13,358,215.00 €

342

87,958,618.00 €

79,639,560.00 €

GALP - EXPLORAÇÃO E PRODUÇÃO PETROLIFERA, S.A

Funchal

24,939,895.00 €

38

184,084,196.00 €

184,084,196.00 €

FERPINTA - INDUSTRIAS DE TUBOS DE AÇO DE FERNANDO PINHO TEIXEIRA,S.A.

Vale De Cambra

10,000,000.00 €

309

145,606,494.00 €

79,193,453.00 €

FRATELLI COSULICH - CONSULTADORIA E PARTICIPAÇÕES, LDA

Funchal

10,000.00 €

1

182,055,369.00 €

182,055,369.00 €

SPDAD - SOC.PORTUGUESA PROD.DISTRIBUIÇÃO ARTIGOS DESPORTO, UNIP.LDA.

Portela Carnaxide-Carnaxide

150,000.00 €

1137

224,454,123.00 €

78,498,365.00 €

BOURBON OFFSHORE INTEROIL SHIPPING - NAVEGAÇÃO, LDA.

Funchal

5,000.00 €

4

172,485,358.00 €

172,485,358.00 €

TABAQUEIRA EMPRESA INDUSTRIAL DE TABACOS, S.A.

Albarraque

2,000,000.00 €

499

78,886,208.00 €

77,865,413.00 €

São Mamede De Infesta

16,800,000.00 €

1112

296,305,123.00 €

171,375,378.00 €

FAPRICELA - INDÚSTRIA DE TREFILARIA S.A.

Ançã

27,500,000.00 €

303

104,069,015.00 €

76,328,928.00 €

Cacia

2,500,000.00 €

1101

240,807,206.00 €

166,567,918.00 €

ACESITA - IMPORTS & EXPORTS - SOCIEDADE UNIPESSOAL, LDA

Funchal

5,000.00 €

2

76,180,415.00 €

76,180,415.00 €

EFACEC ENERGIA - MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS ELÉCTRICOS, S.A BOSCH TERMOTECNOLOGIA, S.A. SOMAGUE - ENGENHARIA, S.A.

Linhó

58,450,000.00 €

1916

311,252,084.00 €

157,541,720.00 €

LACTOGAL - PRODUTOS ALIMENTARES, S.A

Porto

150,150,000.00 €

1715

682,195,712.00 €

75,779,611.00 €

LALIB - GESTÃO E INVESTIMENTOS LDA

Funchal

400,000.00 €

4

156,941,917.00 €

156,178,110.00 €

SOVENA PORTUGAL - CONSUMER GOODS, S.A.

Miraflores

5,810,000.00 €

263

238,764,775.00 €

74,317,830.00 €

SAFEBAG - INDÚSTRIA COMPONENTES SEGURANÇA AUTOMÓVEL, S.A.

Gemieira

200,000.00 €

228

155,479,337.00 €

155,456,670.00 €

GABOR PORTUGAL - INDUSTRIA DE CALÇADO, LDA.

Rio Covo

4,239,882.00 €

1110

75,384,399.00 €

74,007,214.00 €

EDP SERVIÇO UNIVERSAL, S.A

Lisboa

10,100,000.00 €

23

4,099,832,000.00 €

151,684,000.00 €

KOUTADLY - CONSULTADORIA ECONOMICA E PARTICIPAÇÕES, S.A.

Porto

50,000.00 €

4

86,756,642.00 €

73,982,583.00 €

TALTA - TRADING E MARKETING, SOCIEDADE UNIPESSOAL, LDA.

Funchal

5,000.00 €

5

150,531,346.00 €

150,531,346.00 €

MARTIFER - CONSTRUÇÕES METALOMECÂNICAS, S.A.

Oliveira De Frades

1,885,000.00 €

868

147,381,309.00 €

72,582,243.00 €

EUROPA&C KRAFT VIANA, S.A

Deocriste

45,000,000.00 €

304

193,267,594.00 €

149,363,089.00 €

CELTEJO - EMPRESA DE CELULOSE DO TEJO, S.A.

Vila Velha De Ródão

37,500,000.00 €

186

91,786,256.00 €

71,265,310.00 €

BOSCH CAR MULTIMEDIA PORTUGAL, S.A.

Ferreiros

7,044,300.00 €

2001

586,897,199.00 €

147,947,825.00 €

INTRAPLÁS - INDÚSTRIA TRANSFORMADORA DE PLÁSTICOS, S.A.

Rebordões

10,000,000.00 €

292

86,867,375.00 €

69,797,241.00 €

Aldeia Nova

37,500,000.00 €

648

257,808,266.00 €

147,679,019.00 €

HUF PORTUGUESA - FÁBRICA DE COMPONENTES PARA O AUTOMÓVEL, LDA.

Adiça

1,500,000.00 €

346

70,463,700.00 €

69,404,886.00 €

Lisboa

1,150,000,000.00 €

6383

1,797,273,768.00 €

144,257,948.00 €

MONTEADRIANO - ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO, S.A

Póvoa De Varzim

20,000,000.00 €

471

193,638,705.00 €

69,197,778.00 €

Qta. Do Carvalhal

50,000.00 €

307

136,153,821.00 €

136,153,821.00 €

ADP FERTILIZANTES, S.A.

Alverca Do Ribatejo

35,050,000.00 €

236

175,204,924.00 €

68,420,839.00 €

BA VIDRO, S.A. PT COMUNICAÇÕES, S.A PONTICELLI ANGOIL-SERVIÇOS PARA A INDUSTRIA PETROLIFERA, S.A.

8 › País €conómico | Fevereiro 2012

Fevereiro 2012 | País €conómico › 9


› grande plano

TAP eleita a Companhia Aérea Líder para a África e América Latina

É uma empresa portuguesa, concerteza

E

m cerimónia realizada no Qatar, no âmbito dos World Travel Awards, a TAP foi eleita como a Companhia Aérea Líder Mundial para África e para a América Latina, neste último caso, pela terceira vez consecutiva. O processo de eleição cobriu na edição de 2011 mais de 160 países, registando a votação de 213 mil profissionais do setor das viagens, designadamente agentes de viagens, operadores e organizações de turismo. Luiz da Gama Mór, Administrador Executivo da TAP, sublinhou ao receber as duas distinções, que «é uma enorme honra e uma imensa satisfação para a TAP receber hoje estes dois cobiçados prémios dos WTA, que nos reconhecem agora como a companhia aérea líder mundial para África e reafirmam a nossa liderança também na América do Sul».

Para África, a TAP serve presentemente 13 destinos, operando até 75 frequências semanais, tendo transportado em 2011 617.100 passageiros nas suas rotas com o continente africano. Já no que respeita ao Brasil, a companhia portuguesa opera em 10 destinos, também com 75 frequências semanais, e transportou em 2011 um número que ultrapassou pela primeira vez 1,5 milhões de passageiros. Aliás, no balanço global do ano transacto, a TAP ultrapassou os 9,7 milhões de passageiros. A TAP vai aproveitar a realização da BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa, para reunir na capital portuguesa todos os seus diretores espalhados pelo mundo, ao mesmo tempo que aproveita o facto do Brasil ser o país convidado especial deste ano na BTL para organizar no evento um grande encontro com cerca de 400 compradores dos países europeus para o destino Brasil. ‹

Portucel marcou presença na Paperworld O Grupo Portucel Soporcel marcou presença no final de Janeiro na Paperworld, a maior feira mundial do setor do papel que decorreu na cidade alemã de Frankfurt, num registo já habitual do maior produtor europeu de papéis finos de impressão e de escrita não revestidos. Na cidade alemã, o grupo aproveitou para apresentar as suas mais recentes novidades das suas marcas líderes de mercado Pioneer, Navigator, Inacopia, Explorer e Multioffice. De referir que a marca Navigator está presente em mais de 90 países

10 › País €conómico | Fevereiro 2012

tendo atingido um crescimento de 5% nos primeiros onze meses de 2011, enquanto no mesmo período, a marca Discovery registou um crescimento de 19%, a Inacópia cresceu 30% e finalmente o Explorer aumentou as vendas em 53%. De salientar, segundo informação do grupo, a Portucel Soporcel registou entre Janeiro e Novembro de 2011, no seu mix de produtos Premium a representar 60% do volume vendido na Europa. De igual forma, no domínio das marcas próprias, no mesmo período, o incremento no volume

de vendas de 13% permitiu que as marcas de fábrica do grupo representem 59% das vendas de produtos transformados em folhas. Ainda segundo o Grupo Portucel Soporcel, no período compreendido entre Janeiro e Setembro de 2011, as suas vendas para o exterior representaram 2,9% do total das exportações portuguesas de bens com incorporação de um elevado coeficiente de Valor Acrescentado Nacional. O Grupo Portucel Soporcel é o maior grupo europeu e o sexto a nível mundial na produção de papéis de escritório. ‹

Autoeuropa com melhor produção em 5 anos A Autoeuropa atingiu em 2011 uma produção global de 133.100 viaturas, um acréscimo significativa face ao volume de produção verificado em 2010 quando atingiu as 101.284 unidades, e foi mesmo a melhor performance da fábrica de Palmela desde 2011, quando então atingiu uma produção de 136.758 viaturas. Os números de 2011 não escondem alguma preocupação pelo facto da produção em Dezembro ter atingido apenas as 6.844 unidades, menos três mil unidades que em igual período do ano anterior. No entanto, segundo os responsáveis da Autoeuropa, o início das exportações para a China, que no final do terceiro trimestre do ano passado já constituía o terceiro principal destino da produção da Autoeuropa, e já então ameaçava o segundo lugar ainda então

ocupado pelo Reino Unido, constituiu a principal novidade entre os destaques dos mercados externos. A produção atingida pela Autoeuropa foi fundamental para os números atingidos pela indústria automobilística portuguesa em 2011, que atingiu no final do ano uma produção global de 192.242 viaturas, um acréscimo de 21,1% face às 158.729 unidades que as cinco fábricas existentes em Portugal produziram em 2010. De referir que a fábrica de Palmela da VW Autoeuropa contribuiu com 78,7% da produção nacional, enquanto a PSA de Mangualde contribuiu com 26,2% da produção automóvel no país, ou seja, produziu 50.290 viaturas. Já as três restantes – Mitsubishi Fuso Truck, Toyota Caetano e V.N. Automóveis – registaram quebras na sua produção. ‹

Porto de Setúbal também bateu recorde de viaturas O número de viaturas embarcadas em 2011 no porto de Setúbal – o principal porto português no segmento roll on roll off – superou as 115 mil unidades, número que é o melhor registado no porto sadino desde 2006. De referir que de Janeiro a Novembro, o porto já tinha movimentado 104 mil viaturas, um acréscimo de 44,5% face às 72 mil registadas em igual período do ano anterior. Segundo fonte da administração portuária sadina, o aumento deveu-se essencialmente ao aumento de exportação originado pela Autoeuropa, cujas viaturas seguem da fábrica de Palmela por comboio até ao porto de Setúbal, onde são embarcadas para vários destinos internacionais, avultando neste último ano, o início da exportação de viaturas para o mercado chinês, facto que acontece com as escalas quinzenais da NYK Line. ‹

Fevereiro 2012 | País €conómico › 11


› GRANDE PLANO Diogo Gomes de Araújo, Presidente da Comissão Executiva da Sofid, realça capacidade de apoiar a internacionalização das empresas portuguesas

Temos instrumentos financeiros para apoiar os empresários Numa altura em que as empresas portuguesas procuram internacionalizar-se para olvidar ao arrefecimento do mercado interno, Diogo Gomes de Araújo, CEO da Sofid, aponta os países emergentes como uma boa opção de internacionalização, mas adverte que as empresas que queiram ir lá para fora têm de possuir uma estrutura interna sólida. E sublinha a disponibilidade e capacidade da Sofid em apoiar projetos de internacionalização empresarial das empresas portuguesas, apontando os Palops como uma área muito interessante para apostar no exterior. Texto › JORGE Alegria

Com a crescente crise e asfixia do mercado interno, cada vez mais empresas portuguesas empreendem o caminho da internacionalização? Esta deverá ser uma oportunidade ou é apenas uma necessidade?

Na SOFID temos sentido claramente um interesse crescente de empresas que querem apostar em países emergentes como forma de compensar a estagnação dos mercados tradicionais. No entanto, a internacionalização só constitui uma “oportunidade” para aquelas empresas que tenham estrutura e condições para enfrentar as dificuldades de investir num país terceiro. A mentalidade do empresário, a sua capacidade de gestão, a situação financeira e o conhecimento que tem do seu próprio negócio e do mercado para onde se pretende internacionalizar são fatores determinantes para o sucesso do seu investimento no exterior. Se, por outro lado, o empresário não tem capital, não tem experiência, não conhece o mercado de destino, não tem uma gestão e um planeamento modernos, então o melhor é não sair para outros mercados. A “necessidade” que refere pode funcionar como um

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| FOTOGRAFIA › RUI ROCHA REIS

pau de dois bicos: pode aguçar o engenho dos empresários com mais condições para terem sucesso ou pode refletir o desespero daqueles que já enfrentam demasiadas dificuldades e que, por isso, já não têm condições para fazer face aos desafios da internacionalização. O que é a internacionalização empresarial?

É muito comum a confusão entre “exportação” e “internacionalização”, parecendo-me importante clarificar a diferença entre os dois conceitos. Uma empresa que coloca produtos num contentor e os vende para um outro país é, definitivamente, uma empresa exportadora. Já aquela empresa que, aproveitando o potencial de crescimento de um determinado mercado, decide abrir um escritório ou uma pequena unidade industrial, então, já estamos perante uma empresa internacionalizada, que, inserida num outro país, tem imbuído na sua cultura corporativa o conceito de globalidade. Em suma: exportar é vender para o exterior, enquanto internacionalizar é estar no exterior. O que deve levar uma empresa a internacionalizar-se? E que precauções e que

instrumentos deverá accionar para concretizar uma internacionalização bem sucedida?

Como disse há pouco, a internacionalização é um processo difícil, que requer planeamento adequado e esforço financeiro. Por essa razão, as empresas devem decidir internacionalizar-se apenas quando estão preparadas para o efeito. Além disso, convém que conheçam os mercados nos quais pensam investir, sendo para isso importante ouvirem o maior número de opiniões possível. Preferencialmente, devem já ter um historial de exportações para esse mercado, onde já estabeleceram contatos com empresários locais com quem podem vir a fazer parcerias para investimentos. A identificação de uma oportunidade de negócio credível e sustentável, um conhecimento adequado do negócio e do mercado, assim como robustez financeira para aguentar eventuais choques, como atrasos na implementação de um projeto, são alguns dos aspetos que uma empresa deve ter em atenção antes de avançar com um processo de internacionalização. Quando o empresário já está seguro de que quer investir num determi-

Fevereiro 2012 | País €conómico › 13


› GRANDE PLANO nado mercado, então, deve seguir todos os preceitos regulamentares e avançar com a obtenção de licenças e autorizações, nomeadamente ao nível do registo do investimento estrangeiro que permita posteriormente o seu repatriamento. Para esta fase é aconselhável a contratação de profissionais que, estando no terreno, possam aconselhar a empresa ao nível legal e fiscal. Nesta fase, ou mesmo numa fase mais inicial, também aconselho o contato com a AICEP e com as câmaras de comércio, as quais podem dispor de informação de grande utilidade para os empresários portugueses. Quando há já uma ideia mais madura do que se pretende fazer e chegou a hora de pensar no financiamento, então os empresários são muito bem-vindos à SOFID. O facto de, em pouco mais de ano e meio, já termos reunido com mais do que 500 empresários e de termos mais do que duplicado a nossa carteira de operações, dá-nos um conhecimento profundo sobre projetos de investimento em países emergentes e em desenvolvimento, sendo o aconselhamento prestado às empresas altamente apreciado, particularmente na estruturação financeira da operação e na identificação de soluções ou outros parceiros de financiamento. Em seu entender, as empresas portuguesas que pretendem seguir o caminho da internacionalização deverão apostar essencialmente nos mercados mais desenvolvidos, mas também mais maduros, ou devem antes procurar sobretudo os mercados emergentes, que mais crescem no presente? E nestes, quais deverão os mais prioritários?

As empresas devem investir nos mercados onde existam as melhores condições para o seu negócio ter sucesso, numa base caso-a-caso. Para umas pode ser um mercado avançado como os EUA e para outra pode ser um país em desenvolvimento, como Moçambique. No entanto, é natural que, no atual contexto de recessão e estagnação das economias mais maduras, as empresas se voltem para mercados com maior potencial de crescimento, que é o mesmo que dizer para os países emergentes e em vias de desenvolvimento.

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Mobiliário português Maison & Objet

Classe e distinção Enquanto a Europa tem perspetivas de crescimento próximas de zero para os próximos dois anos, estima-se que países como Angola e Moçambique possam continuar a crescer a taxas de 8% ao ano, mesmo num contexto de algum arrefecimento económico. Devem ser as empresas e não o estado a determinar quais os países prioritários para a internacionalização. O mais importante é que o investidor reúna as condições necessárias para mitigar riscos para potenciar o seu negócio e que os instrumentos colocados ao serviço da internacionalização funcionem quando é preciso, nomeadamente ao nível do financiamento. No caso da SOFID, só atuamos em países de elevado potencial, tendo neste momento projetos aprovados em Angola, Moçambique, Marrocos e São Tomé e Príncipe, e em pipeline, em análise para aprovação, operações em Cabo Verde, Guiné-Bissau, África do Sul, Marrocos, Brasil, México, Chile, Costa Rica e Timor-Leste. Estes são os mercados que refletem as preferências das nossas empresas e para os quais temos de estar preparados para apoiar. O que é que a Sofid pode fazer para contribuir no processo de internacionalização das empresas portuguesas? São esperadas novidades no que respeita a apoios a projectos concretos a curto prazo?

A SOFID pode ajudar a dar resposta ao que eu chamo o “dilema do empresário”: aparecem-nos muitos empresários com boas ideias de negócio, com algum capital para investir e com conhecimento do seu mercado-alvo mas que têm

um problema: falta financiamento. A SOFID, além de ser a única instituição financeira com instrumentos concretos para financiar a internacionalização da economia portuguesa – não confundir com a exportação –, é especialista em três coisas: produtos financeiros para o investimento; países emergentes e em desenvolvimento; e em parcerias capazes de ajudar a concretizar projetos levados a cabo por promotores portugueses. Enquanto que a banca comercial tem ao dispor dos seus clientes uma panóplia de produtos financeiros, como o crédito hipotecário, as contas correntes, os cartões de crédito, etc., a SOFID só se preocupa com uma coisa: financiar projetos em países intermédios e menos avançados, contribuindo para a internacionalização das empresas portuguesas e para o desenvolvimento sustentável nos países alvo desse investimento. Numa altura em que a falta de liquidez da banca portuguesa está a criar constrangimentos sérios às empresas portuguesas, em que as descidas do rating da república começam a causar danos reais às empresas é importante aproveitar a rede que a SOFID tem em conjunto com outras instituições financeiras de desenvolvimento, para encontrar soluções financeiras que possam ajudar a dar resposta às necessidades das nossas empresas e da nossa economia. É esta a proposta da SOFID para resolver problemas a curto prazo: procurar financiamento fora para apoiar as empresas portuguesas que tenham projetos em países com boas perspetivas de crescimento. ‹

M

ais de meia centena de empresas portuguesas de mobiliário estiveram na Maison & Objet, que decorreu em Paris e constitui uma das principais vitrenes a nível europeu do que de melhor se produz no mobiliário mundial. Empresas como a Jetclass, Fenabel, Boca do Lobo, GlammFire, Mocape, Munna,

Móveis Carlos Alfredo, Homes in Haven, entre muitas outras, marcaram assinalável presença na Cidade Luz, mostrando a força e a modernidade do mobiliário português, que atualmente exporta o equivalente a mais de 900 milhões de euros e constitui um dos poucos setores da economia portuguesa com um saldo comercial positivo.

De realçar o quanto foi apreciado o móvel Higt Tech da Jetclass, que incorpora domótica com tecnologia de ponta, permitindo o controlo de múltiplas funcionalidades através de um comando, unindo luxo e a inovação ao conforo. Também para a peça da Brabbu, que em parceria com a Boca do Lobo apresentou um peça bem original na área dos estofos. ‹

Portugal Brands na Fitur Um conjunto de empresas portuguesas do setor do mobiliário e decoração, marcaram presença no final de Janeiro na Fitur, um dos maiores eventos turísticos mundiais que decorre em Madrid. Em articulação com o Turismo de Portugal, as marcas do espaço Portugal Brands estiveram na capital espanhola a mostrarem a qualidade do design nacional, além de dar a conhecer um Portugal inovador, criativo e positivo nas mais diversas áreas. As marcas portuguesas presentes na Fitur foram a Boca do Lobo, Bra-

bbu, Corque, Juva, Luzza, Myface, Renova, Riluc e Tema Home. Ao longo de quatro anos, a Portugal Brands promoveu mais de 40 marcas, a maioria desconhecidas do mercado internacional até então. Presentemente, algumas delas, estão estrategicamente posicionadas no mercado internacional de designa e conquistaram os seu lugar, dando um forte contributo para a promoção do designa português a nível mundial. ‹

Capital do Móvel A AEPF – Associação Empresarial de Paços de Ferreira vai levar uma missão empresarial do setor do mobiliário à China, iniciativa que deverá ocorrer entre Março e Abril do presente ano. Segundo informação da associação empresarial da Capital do Móvel, a deslocação concentrar-se-á na região de Guangzhou, que é um importante centro económico da China, e palco de uma das maiores feiras mundiais, mas passará também pelas cidades de Pequim, Xangai e Macau. O programa da deslocação será articulado com a Liga dos Chineses em Portugal e com empresários potencialmente interessados em trabalhar com o mercado chinês. Por outro lado, a AEPF também tem realizado várias outras iniciativas relacionados com os mercados externos, desde a realização de feiras em cidades da vizinha Galiza, assim como tem realizado encontros sobre potencialidades de vários países, como sejam os casos do Brasil e de Angola. ‹

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› GRANDE PLANO Nelson Pires, Director-Geral da Jaba Recordati

«Estamos a intensificar as exportações para os Palop’s» Em entrevista que concedeu à País €conómico, Nelson Pires, Director-Geral da Jaba Recordati aponta a importância dos Palop’s na estratégia das exportações desta prestigiada empresa farmacêutica que presentemente ocupa o 16º lugar no ranking das maiores empresas deste importante sector de actividade. «O 15º lugar neste ranking está nos nossos objectivos, e isso acontecerá (estamos convictos) muito brevemente)», referiu Nelson Pires que na altura desta entrevista tinha acabado de chegar de Moçambique onde se deslocara com o objectivo de ultimar o processo de internacionalização com aquele país da África Austral.

A

Texto › VALDEMAR BONACHO

Jaba Recordati está decididamente com os olhos postos nos mercados dos Palop’s. A justificar isso mesmo esteve a visita que Nelson Pires acabou de realizar a Moçambique com o propósito de definir as regras que ditarão a presença desta farmacêutica naquela ex-colónia portuguesa. «Todo o nosso negócio de exportação é feito através da nossa sede em Milão. Curiosamente e por proposta da filial portuguesa, aqui em Lisboa, e até por afinidade cultural e algum benefício económico pois há a necessidade das embalagens dos medicamentos estarem em português, propusemos internacionalizar a empresa portuguesa para os mercados Palop’s.», referiu o Director-Geral da Jaba Recordati, que aproveitaria desde logo para dar conta das acções que estão a ser levadas a cabo nos países onde a Jaba Recordati já está presente nos Palop’s, nomeadamente em Cabo Verde, Angola e Moçambique. «Em Cabo Verde, que é um mercado estatal, o que temos é uma parceria de venda e de distribuição de medicamentos, portanto sem interacção. O que fazemos é concorrer a concursos. Estamos neste momento a tentar ir um bocadinho mais além com o lançamento de um produto inovador na área cardiovascular (hipertensão). Temos já um registo local e estamos agora na fase de comparticipação. Mas continuamos a fazer algum investimento local em Cabo

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| FOTOGRAFIA › RUI ROCHA REIS

Verde, mais a nível da formação do que a nível da actividade promocional. A título de exemplo direi que em Cabo Verde realizámos o ano passado umas jornadas de formação sobre a área cardiovascular em que estiveram presentes 180 técnicos de saúde cabo-verdianos, e este ano vamos repetir essas jornadas, mas enquanto o mercado estiver assim paralisado não haverá interesse desenvolver actividade promocional», esclareceu o Director-Geral da Jaba Recordati. Cabo Verde e Angola são mercados prometedores Nelson Pires debruçar-se-ia em seguida sobre o mercado de Angola. «É um mercado diferente, Em Angola já temos neste momento um delegado de informação médica que representa a Jaba Recordati através de um parceiro local, já temos um volume de negócios que em 2001 fechou com 1,2 milhões de euros, onde na maior parte dos casos estamos a falar de produtos não diferenciados, portanto não inovadores, mas que começam a ser muito procurados. O nosso enfoque são os produtos nas áreas da Cardiologia e Urologia, mas também temos os genéricos que ainda é uma área importante em Angola e temos os OTC´s (Over-the-counter) que é também outra área importante em Angola. A grande questão tem sido até agora desenvolver o negócio da inovação, isto é: Permitir

aos angolanos que tenham os mesmos produtos que são vendidos em Portugal e na Europa, e que possam ser igualmente vendidos em Angola. E isso, sim, vai ser já trabalho do delegado de informação médica. É um delegado angolano que esteve aqui na Jaba Recordati em formação durante três meses e que hoje, em Angola, está a realizar um trabalho bastante positivo», sublinhou Nelson Pires que questionado sobre os objectivos estratégicos da sua empresa em relação a Angola, foi peremptório: «Para já temos um objectivo qualitativo que é a informação e através dela conseguir cobrir todo o painel médico que existe em Angola. Nós estamos ainda muito focados na cidade de Luanda, embora tenhamos acompanhado o nosso distribuidor na abertura que ele tem feito. Ele é farmacêutico e neste momento tem 7 farmácias em Luanda e 3 fora de Luanda, uma delas numa das províncias que mais têm crescido: Benguela. E o que vamos fazer é há medida em que ele vai abrindo farmácias fora da cidade de Luanda, o nosso representante e o nosso delegado vão fazer visita e informação médica aos médicos das províncias e tentar puxar para fora de Luanda o interesse pelos nossos produtos. Isto embora o nosso enfoque seja naturalmente Luanda», destacou Nelson Pires. Embora não esteja posta de parte a hipótese da Jaba Recordati vir a manter num

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› GRANDE PLANO futuro próximo relações comerciais com outros países dos Palop’s, cenário que mesmo assim nos parece improvável nos próximos anos, o início do processo de internacionalização com Moçambique já aconteceu. Moçambique é um mercado interessante Nelson Pires acabou de realizar uma visita àquele país da África Austral e regressou muito animado com o que viu. «Moçambique é o nosso terceiro projecto em termos de internacionalização com os Palops e por ai nos ficaremos neste processo de internacionalização. A minha ida a Moçambique consistiu numa prospecção

de mercado, tentar entender como é que o mercado se comporta em relação aos produtos e foi tentar perceber qual a receptividade das instituições, dos médicos e do mercado à entrada em Moçambique de produtos inovadores que não existem neste país e que não podem ser importados. Por aquilo que me foi dado ver, estamos perante um mercado muito relevante para o futuro, embora signifique um terço ou um quarto do mercado angolano, mas com uma perspectiva de crescimento muito elevada, e com necessidades muito prementes de satisfazer. Os médicos têm cla-

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ramente muita necessidade de formação e de informação e constatei que gostariam de conhecer mais outros produtos novos», refere o Director-Geral da Jaba Recordati. Que a propósito de Moçambique disse ainda que este é um mercado que já está muito regulamentado, «o que significa que as companhias para poderem vender os seus produtos aí têm de ter registo local. Este atraso burocrático tem provocado um constrangimento no fornecimento de medicamentos. Não havendo registo esses medicamentos não se vendem. Mas nós já temos registos locais de medicamentos o que significa que temos já cinco moléculas que podem ser vendidas, produtos das áreas da cardiologia e generalista., nomeadamente um produto que é o Microlax, uma espécie de laxante. Durante este ano contamos fazer o registo de todas as moléculas. Perante a escassez de medicamentos tivemos uma autorização especial de importação e a partir de 2 de Fevereiro vamos ter autorização para exportarmos para aquele país algumas marcas nossas para serem vendidas naquele mercado. Entretanto vamos continuar a tratar dos registos, porque estas vendas vão processar-se ao abrigo desta autorização especial e deste modo poderemos alargar os nossos negócios de acordo com as normas moçambicanas. No segundo semestre deste ano esperamos já ter o nosso representante local (o nosso delegado de representação médica) e durante a apresentação da companhia será levado a cabo um grande simpósio sobre as áreas cardiovascular e urologia», anunciou Nelson Pires, que ainda em relação às expectativas pelo mercado moçambicanos. «Se numa primeira fase viermos a facturar 700 a 800 mil euros já será muito bom, já será um negócio interessante», referiu. Nelson Pires fez questão de salientar as preocupações da Jaba Recordati com tudo o que se prende com as normas da

qualidade. E dá um exemplo que define isso mesmo. «Ao contrário dos chineses, vietnamitas e indianos, a Jaba Recordati garante que os nossos medicamentos são transportados em contentores refrigerados». Para o Director-Geral da Jaba Recordati o Brasil, pela sua grande dimensão, também é um mercado a levar em consideração, «mas qualquer decisão sobre esta matéria será de passar sempre pela nossa sede em Milão. «Mas reconheço que é um mercado com enormes potencialidades», relatou Nelson Pires, que sobre os índices que prevê facturar este ano no que concerne às exportações, disse: «Contamos facturar este ano 2 milhões de euros. Quer isto dizer que 5 da nossa facturação virá das exportações. No futuro próximo, em 2013, já contamos facturar para cima dos 4 milhões de euros, até porque aqui teremos de somar os resultados de Moçambique», esclareceu o Director-Geral da Jaba Recordati. A tendência é para algumas companhias acabarem Sobre os sucessivos abaixamentos no custo dos medicamentos, Nelson Pires teceria algumas considerações. «Sobre tudo isto digo-vos já qual é o problema eminente para a indústria farmacêutica, que é a Tesouraria. Nós neste momento vivemos com um constrangimento financeiro elevado, embora da nossa parte todo o nosso financiamento seja externo, via Recordati. Por isso não temos esse problema. A médio prazo o que me parece é que se está a levar a instabilidade ao mercado, e a tendência é que algumas companhias desaparecerem. O mercado vai-se reduzir. Na área dos genéricos está-se a criar um pequenino monstro, porque neste momento vendem-se produtos a preços muito baratos. É impossível sustentar esta situação e não me surpreenderia que 80 por cento das companhias de genéricos desaparecessem a médio prazo. Chegará o momento em que 10 ou 15 irão dominar o mercado e se vão tornar monopolistas em algumas moléculas. E o Estado afinal é que vai perder…». ‹

Agap2 comprou empresa francesa A agap2 anunciou a aquisição da empresa Delane (Delane SI e Delane Banque et Finance), considerada uma referência no mercado IT em França e altamente especializada no setor financeiro. A agap2 é uma empresa fornecedora global de serviços de consultoria tecnológica, sedeada em Portugal, e tomou a resolução de adquirir a empresa francesa na medida em que, segundo Franck Deschodt,

administrador da agap2, «encontrámos nesta empresa valores que partilhamos diariamente na agap2, como o empreendorismo, a criatividade, a transparência e o respeito, daí termos avançado para a sua aquisição». A Delane possui cerca de 100 colaboradores e atingiu uma faturação de 10 milhões de euros. A empresa gaulesa possui entre os seus principais clientes, o BNP Paribas,

BNP Paribas arbitrage, Allianz e Allianz Global Investors, VNP, Caisse d’épargne, Dexia, Société Général, Axa Corporate Solutions ou o HSBC. A nível global, contabilizando todos os países em que está presente (sede em Portugal e escritórios em França, Espanha, Suiça e Alemanha), a agap2 prevê atingir em 2012 os 100 milhões de euros de faturação. ‹

Millennium Angola em todo o país

Pereira Coutinho desinveste no Brasil

O Banco Millennium já cobre as 18 províncias de Angola, após ter inaugurado o balcão N’dalatando na Província do Kwanza Norte, passando a partir de agora a disponibilizar 61 balcões em todo o país. O banco luso-angolano já tinha aberto recentemente uma nova agência em Luanda, localizado no Lar do Patriota. Deste modo, o Millennium Angola encerrou o ano de 2011 com 36 balcões em Luanda e 25 balcões nas restantes 17 províncias do país. ‹

O empresário português João Pereira Coutinho, anunciou recentemente a alienação da sua subsidiária Pargim no Brasil, dedicada aos centros comerciais para a brasileira Aliansce, num valor de 257,2 milhões de euros, e que abrange uma carteira de ativos que inclui participações em cinco shopping centers. Operando no mercado brasileiro através da SGC, o grupo liderado por João Pereira Coutinho detém a locadora automóvel Unidas, mas está também em processo de alienação da Acom (telecomunicações) que será adquirida pela Sky. ‹

Roff investe em Marrocos A Roff investiu recentemente na abertura de uma nova filial na cidade marroquina de Casablanca, visando a cobertura de todo o norte de África. O investimento da empresa portuguesa líder de mercado na implementação de soluções SAP, vem reforçar a estratégia de internacionalização da empresa, que espera atingir uma faturação de cerca de um milhão de euros no seu primeiro ano de operações em Marrocos e tornar-se desse modo no maior parceiro SAP a operar no Magreb até 2014. A filial de Casablanca, que é liderada por Fayçal Chraibi, vai abordar todo o mercado do norte de África, mas terá uma articulação estreita com os escritórios da Roff em Paris e em Luanda, pelo que poderá igualmente trabalhar os países francófonos da África Ocidental e Central. Segundo Francisco Febrero, CEO da Roff, «o trabalho permanente que temos vindo a desenvolver no continente africano, nomeadamente na região Norte, deu-nos uma experiência reforçada e uma visão alargada sobre o potencial destes mercados». A Roff é uma empresa 100% de capitais portugueses, integrada no Grupo Reditus, e possui escritórios em Lisboa, Porto, Covilhã, Luanda, Paris, Estocolmo e Casablanca. A empresa possui atualmente 500 colaboradores. ‹

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A Importância dos Parceiros de língua Portuguesa para a Internacionalização da Economia Portuguesa

P

ortugal aderiu à União Europeia em 1986, 10 anos após a restauração da democracia. Ao longo dos últimos 25 anos, o país prosperou e se modernizou, experimentando um período de convergência de renda aos níveis médios da União Europeia, mas este processo estancou a partir de 2001, com a introdução da moeda comum. Com um PIB de 171,6 bilhões de euros, o País representa hoje apenas 1,4% da economia da União Europeia. Entre as principais causas para a desaceleração esteve o amortecimento da procura interna, principalmente como resultante dos altos níveis de endividamento do setor privado (empresas e famílias) contraído na década de 1990, assim como do menor crescimento na produtividade e na renda pessoal disponível. Desde 2001, a economia experimentou duas recessões, antes da recessão da Zona do Euro como um todo, e desde então tem havido tentativas mal-sucedidos de recuperação. O desempenho do investimento, que caiu no período 2001-06, e na crise de 2008-2009, corroeu substancialmente a capacidade produtiva. Em 2011, o PIB teve queda de 1,9%. A economia portuguesa também revela tendência declinante de crescimento das exportações no longo prazo, apesar do bom desempenho em 2011. Isso evidencia sua baixa competitividade externa em face de competidores das nações emergentes da Ásia e outros países menos desenvolvidos. Além disso, países do Leste Europeu já produzem bens de tecnologia média, de modo que a economia portuguesa enfrentará concorrência internacional cada vez mais acirrada a menos que possa realizar reformas destinadas a liberalizar setores-chave (como serviços e telecomunicações), aumentar a eficiência produtiva, bem como tornar o seu mercado de trabalho mais flexível. A deterioração na produtividade do trabalho resulta de baixa aplicação de tecnologias de informação (TI)

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nas indústrias, bem como de uma taxa decrescente de utilização da mão-de-obra. No entanto, também se deve ao “inchaço” do Governo central - que detém proporção muito grande da força de trabalho (10,4% da população empregada) e, portanto, é responsável por elevados gastos - embora reformas destinadas a reduzir o número de servidores públicos e limitar despesas tenham sido implementadas nos últimos dois anos. Apesar de déficit fiscal ter caído para 2,6% do PIB em 2007, de 3,9% em 2006, e manteve-se inalterado em 2008, subiu para mais de 5,85% do PIB em 2010, ficado em torno de 4,49% do PIB em 2011. No entanto, a gravidade da crise grega levou o contágio a outros países da Zona Euro com finanças públicas fracas e elevada dívida. Isto forçou o Governo português anunciar planos para reduzir o déficit fiscal para 2,8% em 2013, embora muitas das medidas só tenham começado a ter impacto em 2011. No entanto, tentativas anteriores de consolidação fiscal foram abortadas devido à pressão de grupos de interesse bem organizados. Por causa disso, a situação fiscal se deteriorou levando à crise de confiança nos mercados internacionais de capitais e ao aumento dos juros sobre os títulos portugueses, o que obrigou Portugal a negociar um pacote de ajuda junto à União Europeia e ao FMI. Tendo em vista a necessidade de restabelecer a governabilidade, o Governo português firmou, em Maio de 2011, um pacote de ajuda de 78 bilhões de euros em troca de um programa de reformas económicas, financeiras e estruturais. O Governo tem agora como tarefa a realização de um conjunto de reformas com ênfase nos seguintes objetivos: a) gerir e resolver a grave situação financeira, assumindo os custos e as condicionalidades inerentes à estabilização, executando um plano de ajuste finan-

José Nelson Bessa Maia

(*) José Nelson Bessa Maia é mestre em Economia pela Universidade de Brasília (UnB); ex-secretário de assuntos internacionais do Governo do Ceará; especializado em diagnóstico macroeconômico pelo FMI e doutorando em relações internacionais na UnB.

ceiro e um plano de emergência social, que proteja os mais vulneráveis; b) criar condições para acelerar a retomada do crescimento económico e a geração de empregos, por meio do aumento na produtividade e competitividade como vias para o crescimento sustentado e ativação do mercado de trabalho; c) garantir a continuidade do Estado do Bem-Estar Social através de condições para a sua sustentabilidade económica, financeira e intergeracional, evitando a exclusão social e assegurando repartição mais justa dos sacrifícios, protegendo os grupos mais frágeis da sociedade, em especial os aposentados e pensionistas; d) implementar transformações estruturais requeridas pelo crescimento sustentado, reduzindo o endividamento público e a sua despesa, especialmente via diminuição do tamanho do Estado; assegurando o não aparelhamento dos órgãos e empresas públicas e propiciando uma cultura de mérito e excelência, com foco na qualidade dos serviços prestados ao cidadão; f) aumentar a poupança nacional, reduzindo o endividamento externo, exportando mais e melhor e dependendo menos das importações, através de políticas adequadas de ajustamento macroeconómico e reforço ao empreendedorismo; da ação externa coerente e de uma nova política energética; g) valorizar os novos setores estratégicos, em particular os que têm maior impacto nos bens exportáveis, dando a devida prioridade à agricultura, às pescas, ao turismo e à cultura, promovendo o desenvolvimento sustentado do território; e, por fim, mas não menos importante, h) remover bloqueios e constrangimentos à recuperação económica, com especial destaque para as reformas da concorrência; do mercado de trabalho; do mercado imobiliário; do sistema fiscal, e da segurança social. Tratam-se de reformas ambiciosas e até então sempre adiadas. No entanto, a gravidade da crise exige. O seu cumprimento imporá sacrifícios no curto prazo, porém, no médio e longo prazo, a economia Portuguesa superará seu

limitado potencial de crescimento e de geração de empregos, ampliando a internacionalização de suas empresas e a competitividade de seus novos setores produtivos. A atual crise Europeia passará e Portugal deve preparar-se para competir num espaço continental ainda mais exigente do que o de pré-crise. Apesar dos sacrifícios impostos pelo ajustamento, esta é a oportunidade que os Portugueses têm para executar um programa de reformas que faça o País crescer de forma sustentada e competir nos mercados externos. Mas além da frente europeia, Portugal conta com um trunfo: a auspiciosa exposição ao dinâmico mundo emergente da Lusofonia, os países da CPLP. Os fatores culturais influenciam as relações comerciais de várias maneiras e a língua é o exemplo mais óbvio. O uso de um idioma comum como o Português, falado por 253 milhões de pessoas, em todos os rincões do mundo, é um ativos valioso para estreitar laços de comércio e negócios. Neste sentido, países como o Brasil e Angola, não apenas mais resilientes à crise financeira global, como caracterizados por promissoras expectativas de crescimento e consolidação de seus mercados internos, poderiam contribuir para superar a crise Portuguesa e alavancar a internacionalização das suas médias empresas. Diante da crise em curso, o momento requer tanto o empenho dos Portugueses nas reformas internas quanto o aprofundamento de seus laços económicos, políticos, comerciais e de cooperação com seus parceiros de língua portuguesa. (*) José Nelson Bessa Maia é mestre em Economia pela Universidade de Brasília (UnB); ex-assessor especial para assuntos internacionais do Governo do Ceará; servidor público federal e doutorando em Relações Internacionais na UnB. ‹

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› NOTÍCIAS

› A ABRIR

Subindo na Pirâmide

Pedro Passos Coelho

José Castro É o novo Presidente da AGAP – Associação de Ginásios de Portugal para o biénio 2012/2013. A Associação representa ginásios e health clubs em Portugal, integrando 775 ginásios associados, além de integrar também nas duas maiores organizações internacionais do setor. ‹

Teresa de Freitas Aluna de Mestrado Integrado de Engenharia Civil do IST – Instituto Superior Técnico. Elaborou e apresentou um trabalho que venceu o Prémio “Logística do Porto de Setúbal”, intitulado “Análise da Capacidade do Terminal Roll-On Roll-Off”. ‹

EPUL é a Melhor da Construção A EPUL foi considerada pela revista Exame a melhor empresa do país no setor da Construção, onde foram considerados os indicadores e rácios nas seguintes componentes: crescimento das vendas, crescimento dos resultados líquidos, rentabilidade do activo, rentabilidade do capital próprio, rentabilidade das vendas aferida pelos resultados operacionais, valor acrescentado bruto por vendas, solvabilidade e liquidez geral. Esta distinção foi conseguida depois de um intenso programa de regeneração da empresa empreendido pelo actual Conselho de Administração presidido por Luís Sequeira e empossado em 2009, que possibilitou à empresa sair de uma situação praticamente de falência técnica. A EPUL registou já em 2010 um volume de negócios superior a 60 milhões de euros, e um crescimento de cerca de 100% face a 2009. Mais significativa ainda foi a subida dos resultados líquidos para 5 milhões de euros no mesmo período. A empresa estima ter atingido novamente resultados positivos em 2011. ‹

Audax/Iscte lançou programa de gestão Raul Azevedo É o novo Presidente do Grupo de Gestão de Fraude do TM Forum, uma organização sem fins lucrativos focada em simplificar a complexidade associada ao negócio das operadoras. Este responsável é também Diretor de Desenvolvimento de Produto da Wedo Technologies. ‹

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O Audax – Centro de Empreendorismo da ISCTE Business School, lançou a segunda edição do Programa de Especialização em Gestão de Empresas Familiares. Este programa visa proporcionar formação adequada em Gestão aos proprietários e gestores de empresas familiares, sendo o curso enriquecido com a contribuição de profissionais com vasta experiência de gestão e apoio técnico a empresas familiares, bem como da investigação feita por docentes da ISCTE Business School e da atividade do Audax. De referir que o programa em apreço foi desenvolvido em parceria com a Sociedade de Advogados Vieira de Almeida & Associados (VdA) que tem desempenhado as suas competências na assessoria jurídica a empresas familiares nas diversas áreas em que atua, designadamente laboral, fiscal, governance, reorganização de participações ou de sucessão empresarial, e a Grundfos, multinacional dinamarquesa de origem familiar, e que atualmente é um dos líderes mundiais no fabrico de bombas de água. ‹

Lisnave com menos actividade em 2011 A Lisnave recebeu 101 navios em 2011, número inferior ao registado no ano anterior, sinal de uma quebra registada no mercado internacional da reparação naval e que a empresa portuguesa não deixou de ser afectada. Os 101 navios que passaram pelos estaleiros da Mitrena em Setúbal foram originários de 59 clientes (armadores), tendo sido os navios de bandeira grega os que mais demandaram os estaleiros portugueses, com 25 navios. Seguiram-se por ordem nacional, os navios oriundos de Singapura (16), Alemanha (12), Chipre e Dinamarca (ambos com seis) e o Japão e o Mónaco também ambos com cinco navios. Quanto à categoria de navios que passaram pelas docas da Lisnave, destaque para os petroleiros (55) e para os navios de contentores (17). ‹

Porto de Sines cresceu nos contentores O Porto de Sines fechou o ano de 2011 com um novo recorde no movimento de contentores ao atingir 447.495 TEU, correspondendo a um crescimento de 17% nesta unidade de carga e a um crescimento de 25% na tonelagem de mercadorias movimentadas por contentor face a 2010, totalizando 5,5 milhões de toneladas. O crescimento verificado, segundo comunicado da administração portuária de Sines, decorreu essencialmente da consolidação da rede de serviços globais durante o ano transacto no terminal de contentores de Sines, sendo os principais países de origem e destino das mercadorias movimentadas por contentor os Estados Unidos, a China, a Espanha, o Brasil, o Canadá, o México e Singapura. Aliás, o Brasil, que passou a estar ligado a Sines através de um novo serviço direto, foi o país com a maior taxa de crescimento em 2011. De referir, ainda, o contributo do porto de Sines para as exportações portuguesas, que aumentaram em 8% no movimento deste porto, com destaque para os novos destinos que emergiram no ano passado, e que foram o Brasil, Arábia Saudita, Egipto e Emirados Árabes Unidos. Por outro lado, na qualidade de maior porto intermodal ferroviário, é igualmente de destacar o aumento de 28% na carga movimentada por ferrovia. ‹

O Primeiro-Ministro conseguiu neste mês duas importantes vitórias políticas, a primeira ao estabelecer um importante acordo de concertação social com entidades patronais e uma central sindical, e depois conseguindo arrancar praticamente “a ferros” o acordo de resgate financeiro com a Madeira. Agora segue-se o desafio de relançar a economia. ‹

Rodolfo Lavrador O administrador da Caixa Geral de Depósitos responsável pela operação do banco filial brasileiro, acabou de concretizar uma importante operação financeira no Rio de Janeiro, demonstrando que a estratégia escolhida para a atuação da instituição no mercado brasileiro foi adequada e está já a dar bons frutos à instituição. ‹

Miguel Horta e Costa É o Comissário português responsável pelo Ano de Portugal no Brasil que vai decorrer de 7 de Setembro de 2012 a 10 de Junho de 2013. Pesada responsabilidade para mostrar o Portugal moderno e inovador, mas para a qual um dos mais experientes e capacitados gestores portugueses possui todos os atributos para lavar a cabo a missão a bom porto. ‹

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› grande entrevista Miguel Anacoreta Correia, Secretário-Geral da UCCLA

«Ainda não determinámos o valor económico da Língua Portuguesa» Numa entrevista à País €conómico, Miguel Anacoreta Correia, Secretário-Geral da UCCLA – União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, abordou o papel da UCCLA no Mundo Lusófono. Neste encontro que decorreu na sede da organização em Lisboa, esta figura relevante da vida portuguesa abordou diversas questões relacionadas com o trajecto da sua instituição. E a determinada altura foi acutilante ao afirmar que neste momento ainda não está determinado qual é o valor económico da Língua Portuguesa, «mas ele representará com toda a certeza um valor considerável do PIB». Miguel Anacoreta Correia acredita que em Portugal vamos ter surpresas quando este valor for determinado, e lamenta que uma boa parte das grandes empresas portuguesas ainda não tenha percebido que existem fora do país (no Brasil e nos Palops) oportunidades importantes, porque a Língua Portuguesa está em forte expansão e cada vez mais viva.

M

Texto › VALDEMAR BONACHO

iguel Anacoreta Correia é um defensor acérrimo da Lusofonia, e a sua vivência simboliza um pouco aquilo que nós próprios pensámos encontrar no encontro que com ele tivemos no passado dia 17 de Janeiro na sede da UCCLA, na Rua de São Bento, em Lisboa, precisamente dezasseis dias depois desta figura ilustre ter comemorado o seu 67º aniversário. Na altura, não conseguimos esconder uma onda de felicidade por finalmente conhecermos pessoalmente um homem cuja experiência de vida é vasta e invejável, e que em Março de 2009 decidiu assumir o cargo de Secretário-Geral da UCCLA. Como o próprio Miguel Anacoreta Correia fez questão de nos dizer, preferia que esta conversa com o País €conómico saísse um pouco do rigor da pergunta e resposta, e caminhasse mais para um diálogo aberto e descomplexado, que explicasse o que é a UCCLA, que lembrasse o que a UCCLA fez em acções de cooperação em geral nas suas cidades e nas suas empresas e, finalmente, dedicasse um es-

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| FOTOGRAFIA › RUI ROCHA REIS

paço a Timor onde a UCCLA tem as Jóias da Coroa. «Nós fizemos ali a recuperação do Liceu (hoje é a Universidade), o processo de execução do Palácio Presidencial em Dili é quase cem por cento nosso, é da nossa autoria o projecto de saúde primária que atingiu cerca de 150 mil pessoas…» recordou Miguel Anacoreta Correia, para nos segredar que a nível empresarial o Encontro de Turismo é a grande ambição. «Em 2012 estamos completamente tapados e rejeitámos propostas de colaboração, sobretudo aquelas que implicariam despesa. As pessoas só em Janeiro é que se lembraram que estavam em 2012, quando nós já estávamos em 2012 em Setembro», faz questão de não esconder. Nesta conversa com os jornalistas da P€, Miguel Anacoreta Correia recorda que a UCCLA não tem um plano voluntarista, «porque como não temos fundos próprios que nos permitam fazer isto ou aquilo, estamos dependentes do ganhar ou não ganhar cojcursos internacionais. Em larga medida somos uma agência de execução», ilustra o Secretário-Geral da UCCLA, um

homem cujo percurso académico passou pela Engenharia Civil, tendo-se especializado no sector dos Transportes. Aliás, Miguel Anacoreta Correia fez parte como deputsado e Secretário de Estado dos Transportes no VI Governo Constitucional chefiado por Franscisco Sá Carneito, e foi convidado também para incluir o VII Governo Constitucional como Secretário de Estado da Defesa Nacional. A UCCLA está rodeada de 39 empresas amigas que com ela colaboram em diversas áreas. E será que a tendência de adesão de cempresas à UCCLA é para aumentar? Miguel Anacoreta Correia diz que sim. «Vamos com toda a certeza continuar a aumentar esse número de empresas. Ainda hoje de manhã estive a trabalhar aqui com o nosso Vice-Presidente para a Área Empresarial, Dr. Carlos Bayan Ferreira que também é o Paresidente da Câmara de Comércio e Iandústria Portugal-Angola (CCIPA) a vermos processos de meia dúzia de empresas que vamos convidar para participarem na UCCLA. Mas nós não te-

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› grande entrevista mos muita pressa...», exemplificou o nosso entrevistado. A UCCLA foi oficialmente constituída a 28 de Junho de 1985. Fará este ano 27 anos de existência. E Miguel Anacoreta Correia exerce o cargo de Secretário-Geral desde Março de 2009. «Estou aqui há três anos e não espero estar muito mais, diz meio a sério e meio a brincar. «Espero é deixar a UCCLA com sustentabilidade financeira».. Trabalhar para a Lusofonia Assumiu o cargo por missão? Anacoreta Correia não hesita na resposta. «Foi um bocado por missão. Não o nego. Tenho os quatro filhos criados, cada um deles no seu continente. Aqui há um mês tinha uma filha a trabalhar para a Cruz Vermelha que já fez uma missão no Paquistão e no Afeganistão. Tenho outra a trabalhar nos EUA, outro a trabalhar em Angola e outro em Portugal . Tenho, portanto, os quatro filhos criados, não precisaram de “cunhas” para arranjarem emprego, e agora estou a fazer o que gosto, que é trabalhar para a Lusofonia», faz questão de nos contar. Sendo os mandatos na UCCLA de dois anos, perguntámos a Miguel Anacoreta Correia se não se sentia com “forças” para fazer mais um mandato à frente dos destinos da UCCLA. «Termino o meu mandato para o ano e estou a pensar não parar porque ainda não está conseguída a sustentabilidade financeira da UCCLA. Estamos agora mais próximos dessa sustentabilidade, mas ainda não a atingimos. Até lá penso ficar...», garantiu Anacoreta Correia que no seu vasto curriculo também desempenhou os cargos de Alto Funcionário da União Europeia, no quadro das relações com os países ACP (África, Caraibas e Pacífico e Director para a América Latina, chegando, a ser igualmente Conselheiro de Estado a convite do Presidente Cavaco Silva. Um reconhecimento à CPLP A Lusofonia pairava nesta conversa com Miguel Anacoreta Correia, até que o nome de Malangatana Valente, prestigiado artis-

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ta plástico moçambicano de renome mundial, falecido recentemente, veio à baila. E Quando o tema Malangatana foi abordado o Secretário-Geral da UCCLA teve uma reacção muito interessante. «Sabe, eu acredito nos espíritos, fruto da minha quota parte africana». Será que o Poder instalado reconhece o esforço do trabalho que a UCCLA e a própria CPLP têm desenvolvido ao longo de todos estes anos? Um breve olhar, uma breve pausa, para uma resposta clarividente. «Acho que o reconhecimento é competente, é mais recente que antigo. Mas nós só beneficiamos que o ranking da CPLP suba no número dos países que a constituem. Eu devo-lhe dizer que o Secretário-Geral da CPLP, O Dr. Domingos Simões Pereira tem tido um trabalho extraordinário, e por isso aproveito o ensejo para o cumprimentar efusivamente. É um homem completamente articulado e verticalizado, e um grande amigo de Portugal», referiu Anacoreta Correia. Escutaramos estas palavras do Secretário-Geral da UCCLA e lembramo-nos de imediato que a UCCLA foi em certa medida percursora nas relações inter-municipais no vasto e pluricontinental espaço Lusófono, e que nesse sentido constitui um estímulo gerador da grande realidade emergente que é hoje a CPLP. UCCLA nos 50 anos de Lichinga Hoje a UCCLA engloba 36 cidades e. segundo o seu Secretário-Geral está limitada estatutariamente a 40 cidades. «E isto porque nós entendemos que a partir desse número é difícil termos uma atenção e uma relação personalizada com cada uma destas cidades. Era fácil criar uma associação com centenas de cidades (outro tipo de associações que não é a nossa), mas o tipo de relações nunca poderia ser tão intenso», diz Miguel Anacoreta Correia para acrescentar, a propósito, «que há cidades que querem ser membros, há cidades que temos aconselhado a que mantenham connosco uma relação, e temos hoje actividades que são abertas para cidades não UCCLA, que é o caso das Redes Temáticas. Um exemplo de uma cidade que eu sei

que o meu amigo tem um grande carinho por ela, e eu também, e que gostaria de ser da UCCLA mas que eu julgo que não tem grande vantagem nisso, é Lichinga (Moçambique), antiga Vila Cabral. As relações vêm da simpatia do Presidente do Conselho Municipal e eu pessoalmentetenho tenho uma razão especial: As minhas primeiras memórias são da antiga Vila Cabral porque vivi lá dos dois aos quatro anos de idade, e como sabe bem, em Africa estas coisas marcam muito mais. Mas nós estamos neste momento a fazer com Lichinga muitas sugestões sobre coisas concretas da vida municipal de natureza técnica. Por exemplo, acabámos de elaborar (e eu até dei o visto e o acordo do Presidente do Conselho Municipal) uma brochura sobre os 50 anos de Lichinga que são comemorados este ano. Foi a UCCLA que arranjou o financiamento para esta publicação e, portanto, muita gente que em Lichinga não conhecia a verdadeira história da terra, fica a conhecê-la. Nessa altura pretendemos dar um sinal de que não temos nada contra as cidades não UCCLA, o que temos é aquela nossa família que, inclusivamente, prevê fazer a nossa Comissão Executiva (que é uma cerimónia que tem lugar duas vezes por anos, em Lichinga. Temos estado em contactos com o Presidente do Conselho Municipal de Maputo, David Simão, para que façamos essa reunião do Conselho Executivo nos primeiros dias de Outubro e, concerteza, que para Lichinga não deixará de ser um evento por ter a presença do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, a presença do Governador ou do Vice-Governador da Província de Luanda, ou ter o Perfeito ou o Vice-Perfeito de Salvador da Baía. E como temos uma excelente relação com a Fundação Malangatana, pedimos para fazermos uma exposição em Lichinga, e nós também estamos neste momento a pensar, inclusivamente num espectáculo. Portanto, Lichinga é uma cidade que não é membro da UCCLA, a quem de repente levamos visitantes ilustres que podem dar uma mostra das realidade das suas cidades. Eu não queria que eles fossem a Lichinga, ir e voltar. Queria que eles lá fos-

sem conhecer Metangula, o Lago Niassa, a Reserva do Niassa e outros locais de grande significado», comentou o Secretário-Geral da UCCLA. Chamar outras cidades à UCCLA Referindo-se às cidades membros da UCCLA, Miguel Anacoreta Correia lembrou que a UCCLA tem todas as capitais lusófonas, «temos todas as ex-capitais lusófonas com a excepção de duas: Angra do Heroísmo que foi capital portuguesa nos tempos de D. António Prior do Crato, e Goa, que hoje não é país lusófono mas que está numa situação de ter sido uma grande capital lusófona. E temos, portanto, que deixar lugar para estas...», sublinhou o Secretário-Geral da UCCLA. Para o Secretário-Geral da CPLP a Língua Portuguesa é o cimento agregador e sublinha que a lusofonia é um espaço cada vez mais integrado e solidário. A UCCLA compartilha com estes ideais? O valor económico da Língua Portuguesa «Nós partilhamos inteiramente esses ideais», diz Anacoreta Correia, para acrescentar a este propósito que não temos ainda neste momento determinado qual é o valor económico da Língua Portuguesa. Há estudos feitos noutros países, designadamente em Espanha, que apontam para valores consideráveis do PIB. O que é que os espanhóis devem aos seus negócios pelo facto de terem uma língua falada por milhões?. Acredito que aqui em Portugal também vamos ter surpresas quando tudo isso ficar determinado. Hoje em dia olhamos para uma série de empresas consideradas muito grandes em Portugal e vemos que os mercados onde elas estão concentradas são os mercados lusófonos: Brasil, África, etc., etc. O que é lamentável é que uma boa parte dessas empresas (não digo a totalidade) ainda não perceberam que existem fora do seu país porque a Língua Portuguesa está em expansão e bem viva», chamou a atenção o Secretário-Geral da UCCLA que aproveitaria para avançar com alguns exemplo sobre esta matéria tão importante.

«O homem que estudou melhor essas questões foi o Prof. Ernani Lopes. Há uns livros muito interessantes publicados por ele sobre a Lusofonia, que não tiveram a difusão que mereciam (foram editados pela Revista SOL), e onde ele dá conselhos muito interessantes. Por exemplo,

o progresso do Português em Moçambique nos últimos dez anos foi qualquer coisa de fantástico. E esse progresso em Moçambique está a passar-se das cidades para o campo, e está a passar-se das faixas mais novas para as faixas mais velhas. Em Maputo (e isto é significativo) cerca de 70

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› grande entrevista

por cento dos mais jovens já afirmam o Português como língua materna. E em Angola mais de 30 por cento das pessoas declaram o Português como língua materna. A UCCLA tem desenvolvido aos longo da sua existência um amplo conjunto de projectos e acções de carácter institucional, de cooperação, e acções empresariais. Em termos de cooperação há que salientar a intervenção da UCCLA em projectos

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sociais, culturais, em infra-estruturas e na reabilitação do património. Seria fastidioso enumerar o número de projectos sob a égide da UCCLA, mas lembramos que foi posto em marcha o Programa “Agir para Prevenir” no âmbito do URBÁFRICA; que a UCCLA participou na concretização da Unidade de Gestão do Plano Director de Águas – Ilha de São Tomé; que em Bissau decorreu um projecto das iniciativas locais de higierne e limpeza no interior dos

bairros da capital; que houve lugar à descentralização e participação comunitária na gestão dos resíduos sólidos na cidade de S.Tomé; que a UCCLA participou no projecto de mobilização da Comunidade para a melhoria das condições ambientais na Ilha de Moçambique; e que em Bafaté e Gabua houve uma intervenção ao nível da Produção, Transformação, e Comercialização. Estas iniciativas entre muitas outras. ‹

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› lusofonia › Brasil Paulo Ferreira, Presidente da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul é a grande porta para o sul do continente americano Eleito no primeiro dia de Janeiro do presente ano, Paulo Ferreira é o novo Presidente da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Rio Grande do Sul. Nesta sua primeira entrevista, em exclusivo à País, o responsável da instituição portuguesa mais ao sul no território português sublinha a firme vontade, e apresenta ideias renovadas, para desenvolver e impulsionar o relacionamento económico e empresarial entre o Rio Grande do Sul e Portugal. De referir que Paulo Ferreira apresentou o programa do seu mandato que prevê a ampliação e o dinamismo das ações da entidade, através da criação de uma nova equipa de trabalho coordenada por Walter Montalvão, experiente gestor que dirigiu a Câmara da Bahia no seu período áureo, e leva agora todo o seu conhecimento e vasta experiência internacional para o Rio Grande do Sul. Aproveitar o Ano de Portugal no Brasil, e o Ano do Brasil em Portugal, assim como a inserção do estado mais ao sul do Brasil no âmbito mais vasto da Lusofonia, constituem objetivos a prosseguir pela Câmara Portuguesa do Rio Grande do Sul. Texto › JORGE Alegria

Assumiu a presidência da Câmara de Comércio Brasil-Portugal no Rio Grande do Sul agora em Janeiro do presente. Em que situação tomou posse dos destinos da instituição e como está a sua capacidade de relacionamento e influência no estado mais ao sul do Brasil?

Assumi a CCBP-RS no último dia 01 de Janeiro com um desafio de suceder um Presidente que esteve a frente da Câmara por 6 anos e fez um excelente trabalho criando a instituição e fazendo uma boa rede de relacionamentos. Ao final do último mandato criamos um processo de transição de modo a poder assumir com totais condições de não apenas dar continuidade aos feitos exitosos, como reestruturar a CCBP-RS e inserir novo método de gestão e criar novos meios de relacionamento

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| FOTOGRAFIA › Cedidas pela CCBP-RS

entre associados, formas de se fazer negócios e o próprio papel de uma Câmara de Comércio, tendo como instrumento a diplomacia económica para o estreitamento e trabalho conjunto com o governo do Rio Grande do Sul e de Portugal. Hoje, criamos um excelente relacionamento com o governo do Estado do Rio Grande do Sul, associações empresariais, Federação das Indústrias e com outras câmaras europeias. Esse trabalho que criou um relacionamento estreito entre a CCBP-RS e as instituições citadas e fez com que hoje tenhamos plenos acessos a todos os canais necessários para o bom desenvolvimento de negócios no RS e Cone Sul, servindo de influência positiva para a assessoria e apoio às empresas portuguesas que buscam se inserir no estado e no Cone Sul.

Quais são os principais objetivos estratégicos do mando da nova Diretoria?

Com a nova Diretorira trabalharemos baseados em três programas de trabalho: Portugal: nação do mundo, coração do Brasil; RS no Mundo; Economia. O primeiro visa utilizar a Câmara e a diplomacia económica para a internacionalização das empresas portuguesas e desenvolvimento de negócios no mundo por meio da capilaridade da língua portugesa. O segundo, visa promover, divulgar o Rio Grande do Sul no mundo através de Portugal e CPLP, de modo a comercilizar produtos/ serviços, atrair investimento, desenvolver parcerias estratégicas entre empresas gaúchas, portuguesas e da CPLP, bem como colocar o Rio Grande do Sul como ponto de inserção no mercado brasileiro e estra-

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› lusofonia › Brasil tégico de atuação no Cone Sul, região que abrange os estados brasileiros de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e países como o Uruguai, Argentina, Chile e Paraguai. O terceiro e não menos importante é o fomento e desenvolvimento de negócios em sustentabilidade e energias renováveis no RS e Cone Sul. Esses programas foram criados como meio inserir um novo método de gestão e objetivos de trabalho de uma Câmara de Comércio, não servindo apenas de fonte de dados, mas principalmente de instrumento de fomento, desenvolvimento e apoio efetivo na inserção do mercado e construção de relacionamento firmes, seguros e rentáveis, resultando em negócios economicamente viáveis, ecologicamente corretos e socialmente justos. Outro fator também importante é o uso de tecnologia da informação e das mídias sociais como meio de aproximação e proximidade com todos os associados e parceiros. É necessário utilizarmos os meios tecnológicos não apenas para o desenvolvimento de negócios, mas também para o estreitamento dos relacionamentos e atingimento das demandas, anseios e desejos de todos na CCP-RS. De que modo, o início em Junho do ano passado das ligações aéreas diretas entre Porto Alegre e Lisboa, através da TAP, estão a incrementar as relações económicas e empresariais entre o Rio Grande do Sul e Portugal?

De modo muito intenso. A abertura do voo direto de Porto Alegre a Lisboa pela TAP fez com que muitos negócios fossem realizados em virtude da criação desse meio de ligação. Antes de existir esse voo, tínhamos muita dificuldade de atrair empresários para reuniões e visitar o RS, em virtude da inexistência dessa ligação. A abertura do voo nào apenas facilitou o conhecimento de que no extremo sul do Brasil existe um estado rico, próspero, altamente desenvolvido com IDH compatível com o padrão europeu, com indústria forte, agronegócio líder no país, maior parque de tecnologia da América Latina, enfim, atraiu e continua a atrair cada vez mais um grande número de turistas, em-

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presários e profissionais, o que movimenta a economia, as transações comerciais e o aperfeiçoamento dos relacionamentos. Acreditamos que a abertura desse voo serve de marco histórico nas relações económicas, diplomática, culturais e sociais entre o Rio Grande do Sul/Mercosul e Portugal/União Europeia. Rio Grande do Sul é dos mais desenvolvidos do Brasil Quais as principais potencialidades e oportunidades de negócios do Rio Grande do Sul que possam ser interessantes para investidores portugueses? Existem inúmeras oportunidades de negócios, como referido anteriormente. O que se destaca mais, em princípio, é a indústria naval, infraestrutura, construção civil, tecnologia da informação e softwares, indústria metal-mecânica, energias renováveis, agronegócios, turismo, entre outras. As universidades e centros de pesquisas de tecnologia são outras fontes de captação de mão-de-obra altamente especializada, o que se constitui outra vantagem competitiva importante para o bom andamento dos negócios. O fator que nos fez criar o programa RS no Mundo foi justamente a necessidade de promover o estado naquilo que é excelente e um facilitador para que os investidores estrangeiros, portugueses em particular, possam não apenas tomar conhecimento do que cá existe, mas principalmente perceber que o Rio Grande do Sul é uma das referências de desenvolvimento económico e de negócios entre empresas locais e estrangeiras, o que cria uma segurança institucional fundamental para o sucesso de qualquer negócio. O ERACS poderá constituir um espaço importante para a amostragem das empresas portuguesas do setor energético a respeito das oportunidades de todo o espaço sul do continente sul-americano?

Sim. O ERACS já na sua primeira edição consolidou-se como uma referência em eventos de negócios por criar um espaço específico e destinado àquelas empresas, empreendedores, investidores e profissionais interessados não apenas no conhe-

cimento, mas principalmente em estar frente a frente com os tomadores de decisão das empresas do setor. Pelo seu perfil abrangente onde aborda os oito principais setores de energias renováveis, mostra-se como instrumento ímpar na América Latina para o desenvolvimento de parcerias, negócios e promoção de empresas portuguesas. Para as empresas portuguesas e para Portugal, o ERAC serve como ponte de desenvolvimento de negócios, promoção do marketing de Portugal como uma das referência no mundo do setor e atuação em todo o Cone Sul, utilizando-se das excelentes relações económicas e diplomáticas entre o estado e os países do sul do continente sul-americano e como facilitador geográfico, em virtude do RS encontrar-se no centro da região, tendo portos de referência na América do Sul, excelente malha viária e logística intermodal. Ampliar conhecimento recíproco O comércio bilateral sempre tem atingido uma expressão pouco relevante. O que pode e deve ser feito para incrementar o comércio entre os dois lados do Atlântico?

Primeiramente a divulgação das potencialidades entre os dois países, já que o desconhecimento entre os dois lados é notório e nocivo ao desenvolvimento dos negócios. Em geral, tanto os brasileiros desconhecem Portugal, quanto os portugueses desconhecem o Brasil. É preciso compreender as gigantescas distâncias no Brasil, não apenas geográficas, mas principalmente culturais e económicas. É imperativo que busquemos o estreitamento dos relacionamentos, seja através de missões específicas, eventos de intregração ou comités de trabalho conjunto entre as Câmaras portuguesas, as intituições e associações empresariais e os governos, de modo a construirmos um caminho de desenvolvimento de negócios, não apenas pontuais e efêmeros, mas duradouros e contínuos, visando a complementariedade entre os produtos e serviços ofertados pelos dois países.

Vejo hoje muito importante o Brasil como instrumento de mudança do paradigma económico e social que Portugal enfrenta, seja através de negócios, interfaces culturais e parcerias estratégicas entre empresas, estados e governos. É preciso ampliar divulgação turística O estado possui vários pontos turísticos de interesse, de que Gramado é um dos expoentes máximos. Agora com os voos diretos, como é que se poderá dinamizar o turismo em ambos os sentidos?

Principalmente através de divulgação e o uso do marketing como instrumento de criação de valor para ambos os lados. O Rio Grande do Sul possui inúmeros pontos turísticos que são, em geral, desconhecidos pela grande parte dos portugueses. Mas, isso acontece muito em decorrência

da ausência de investimento por parte do RS em marketing e divulgação do estado em Portugal e no mundo, o que nós da CCBP-RS procuraremos fazer em parceria com o governo do estado por meio do programa RS no Mundo, assim como o mesmo por parte de Portugal. É preciso fazer conhecer aos portugueses que o Rio Grande do Sul é o estado mais europeu das Américas e que junto a isso vivem pessoas e povos de todo o mundo em convivência pacífica e próativa. É premente fazer mostrar que mais de 80% da população do RS é descente de portugueses e que isso faz-se uma vantagem competitiva gigantesca com relação a outros estados brasileiros. Quais as próximas iniciativas para divulgar Portugal e as suas potencialidades no Rio Grande do Sul, e vice-versa a respeito de divulgar o RGS em Portugal

O primeiro passo será a participação efetiva da CCBP-RS na semana lusobrasileira junto à Assembléia Legislativa do RS com palestras, workshops acerca do Portugal contemporâneo e o turismo. Outro meio será a realização de eventos que promovam a cultura e negócios portugueses utilizando-se do fato facilitador e promotor que será o ano de Portugal no Brasil, o que se constitui num ano ímpar para todos os portugueses, empresas e investidores que se interessam em inserir suas famílias e negócios no Brasil. No sentido inverso, faremos eventos de negócios em Portugal que promovam as potencialidades económicas, sociais e culturais do Rio Grande do Sul aos portugueses, assim como a utilização da cultura e do turismo como instrumento excelente e efetivo de divulgação e desenvolvimento de negócios entre os dois países. ‹

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› lusofonia › Brasil Comércio entre Portugal e Brasil atingiu volume recorde em 2011

Quase nos 3 biliões de dólares O comércio bilateral entre Portugal e o Brasil atingiu em 2011 o valor global de 2,89 biliões de dólares, um recorde absoluto nas trocas comerciais entre os dois países, superando os 2,09 biliões atingidos em 2010 e superando igualmente o anterior máximo que tinha atingido os 2,3 biliões de dólares, ocorrido em 2008. Segundo os dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, os dados confirmam igualmente que as vendas de cada um dos países ao seu parceiro atingiram níveis recorde no ano passado. O

Brasil vendeu a Portugal um total de 2,05 biliões de dólares em 2011, um acréscimo de 36% em relação a 2010, enquanto no mesmo período Portugal vendeu ao Brasil 835,6 milhões de dólares, um aumento de quase 44% face a 2010. As principais vendas do Brasil a Portugal incidiram principalmente no petróleo (55%), seguindo-se o açúcar (6,6%). Já no que respeita aos produtos mais vendidos por Portugal ao Brasil, realce para o azeite que atingiu uma quota de quase 20%, seguido do bacalhau, com aproximadamente 10%. ‹

Turistas brasileiros aumentam em Portugal O número de dormidas de turistas brasileiros nos hotéis portugueses registou um crescimento de 17,9% em Novembro de 2011 face ao período homólogo do ano anterior. O número de turistas brasileiros foi mesmo o que mais cresceu em termos de origem na hotelaria portuguesa. Neste mês, destaque para o aumento das dormidas dos turistas alemães e dos franceses, ao invés dos espanhóis que decresceram 1,6% e dos italianos que diminuíram em 3,1%. ‹

Francisco Ribeiro Telles é o novo embaixador em Brasília O diplomata Francisco Ribeiro Telles será o novo embaixador de Portugal em Brasília, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros português no início de Janeiro, no âmbito do mais vasto movimento diplomático de que há memória na diplomacia portuguesa. No caso brasileiro, além do novo embaixador, que veio da embaixada de Luanda (Angola) foi também designado como novo cônsul-geral no Rio de Janeiro Nuno Bello, que estava em Roma, ao passo que para novo cônsul-geral em São Paulo, foi designado o diplomata Paulo Lourenço, que estava na embaixada de Portugal em Luanda. Ainda no campo dos países lusófonos, de destacar que o novo embaixador em Luanda será o diplomata João Câmara, enquanto para Bissau, capital da Guiné-Bissau, foi designado Manuel de Jesus. A diplomata Paula Cepeda é a nova embaixadora portuguesa em S. Tomé e Príncipe, enquanto Maria Clara Borja de Freitas passa a ocupar o cargo de embaixadora junto da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. ‹

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Américo Amorim entrou no capital do Banco Luso Brasileiro O empresário português Américo Amorim concretizou a entrada no capital do Banco Luso Brasileiro, com sede em São Paulo, tomando uma posição de cerca de um terço do capital do banco liderado por Manuel Tavares de Almeida Filho, representante da família fundadora e que lidera a instituição financeira paulista. Segundo notícia avançada pelo Jornal de Negócios, o Banco Luso Brasileiro efetuou um aumento de capital de 100 milhões de reais, subscrito em partes iguais por Américo Amorim e pela empresa brasileira Caio Induscar, ficando agora cada um dos três grupos com cerca de um terço do capital do banco. O Banco Luso Brasileiro foi criado em 1989, sendo detido até agora na totalidade pelo grupo de origem portuguesa Tavares de Almeida, o qual para além do banco possui outros negócios no estado de São Paulo, como sejam as bebidas (com destaque para a conhecida marca de cachaça “Velho Barreiro”), a agroindústria e a hotelaria no litoral do estado. ‹

Portos de Portugal e do Ceará se articulam A Companhia Docas do Ceará (CDC), que administra o Porto do Mucuripe, na cidade brasileira de Fortaleza, está fechando um acordo com a Associação dos Portos de Portugal (APP), tendo por objetivo levar para Portugal produtos cearenses, que neste momento já vão para a Europa através dos portos a Holanda e da Bélgica. Os produtos cearenses mais passíveis de exportação serão o pescado, castanha, têxteis, materiais de construção civil, petróleo e frutas. Segundo Paulo André Holanda, presidente do CDC, «a distância menor entre o Ceará e Portugal traz vantagens logísticas mais competitivas diante de outros portos do Sudeste do Brasil. Até porque eles (portugueses) ficaram impressionados com as obras que estão acontecendo no Ceará». O presidente do CDC estava a referir-se certamente à visita que o presidente da APP fez a Fortaleza em Dezembro passado, tendo então ficado agendado um novo encontro para o próximo mês de Março. Por outro lado, O CDC firmou já um acordo com Cabo Verde, pelo que o Porto do Mucuripe se vai ligar ao Porto da Praia e ao Porto Grande, em linha direta. O objetivo é levar mercadorias brasileiras para vários países africanos utilizando para o efeito os portos de Cabo Verde, ao invés da anterior utilização dos portos das Ilhas Canárias. ‹

Nanium arranca no Brasil A empresa portuguesa Nanium, criada em 2009 para recuperar a operação da alemã Qimonda, prevê arrancar com as atividades no Brasil agora neste início de Fevereiro, indicou o presidente da empresa, Armando Tavares, no final da reunião com o secretário de Inovação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Nelson Fujimoto. A sede da Nanium no Brasil ficará localizada em Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais, começando na primeira fase

a operar apenas na prestação de serviços, como consultoria de tecnologia aplicada. Na fase seguinte, está prevista a instalação de uma fábrica de semicondutores no país em parceria com uma empresa brasileira. Entre os estados que poderão receber o investimento estarão Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. De referir que a Nanium possui know how na fase de “packaging” (ou encapsulamento) de “chips”, os cérebros dos equipamentos eletrónicos. A escolha deverá ser definida até Março deste ano. ‹

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› lusofonia › Brasil

Vik Muniz apoia internacionalização da Bordallo Pinheiro O artista plástico brasileiro, Vik Muniz, visitou em Janeiro a fábrica das Faianças Artísticas Bordallo Pinheiro, nas Caldas da Rainha, e vai passar a integrar o projeto de internaionalização da marca para o mercado brasileiro, denominado “Bordalinhos do Brasil”. O artista esteve na fábrica a desenvolver o protótipo de uma peça da sua autoria para a marca centenária de faianças, tendo como ponto de partida a sua reinterpretação do riquíssimo legado artístico da Bordallo Pinheiro. A iniciativa vai culminar com a criação de uma edição limitada de 250 exemplares, peças que serão lançadas no final de 2012 em duas exposições – em Lisboa e em São Paulo – em espaços de referência museológica de arte moderna e contemporânea de Portugal e do Brasil. Está ainda prevista a itinerância da exposição por várias cidades brasileiras, como serão Brasilía, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, entre outras. Este projeto com artistas brasileiros é apoiado pela TAP e pelo Sana West Coast Hotel. Segundo Nuno Barra, Diretor de Marketing e Design Externo da Bordallo Pinheiro, «2012 é o ano da internacionalização da Bordallo Pinheiro para o Brasil. Vamos entrar neste mercado, cujo potencial é enorme, ancorados no projeto artístico “Bordalinhos do Brasil”, que pretendemos que itenere pelo Brasil inteiro, levando a obra e a arte da marca centenária Bordallo Pinheiro a escrever um novo capítulo da sua história». As Faianças Artísticas Bordallo Pinheiro, recorde-se, existem desde 1884, nas Caldas da Rainha, registando-se a entrada do Grupo Visabeira em 2008, que permitiu viabilizar uma empresa histórica mas que atravessava sérias dificuldades financeiras. ‹

Feevale parceira da UTAD A Feevale, universidade brasileira com sede em Novo Hamburgo, no estado do Rio Grande do Sul, fechou um acordo de cooperação com a portuguesa UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, tendo por objetivo o de ampliar e consolidar parcerias na Europa. Além da UTAD, a universidade brasileira efetuou também um convénio com a espanhola Universidad del Pais Vasco, de Bilbao. O acordo com a UTAD foi assinado pelo reitor da Feevale, Ramon Fernando da Cunha, perspectivando-se ações de cooperação em áreas como a mobilidade de alunos e professores, projetos conjuntos de pesquisas, além de cursos de pós-graduação com dupla titulação. Entre os projetos já realizados, destaque para o de Jornalismo Cidadão, que contou com a participação da Prefeitura de Canoas, Universidad del Pais Vasco e a Feevale. ‹

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Flávio Saraiva na Unilab O Professor José Flávio Saraiva, que leciona no Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), apresentou no passado dia 26 de Janeiro na Universidade de Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), localizada em Redenção, no estado brasileiro do Ceará, o seu novo livro com o título “África parceira do Brasil Atlântico: Relações Internacionais do Brasil e da África no início do século XXI”. A obra “África parceira do Brasil Atlântico” é um livro contemporâneo, escrito numa linguagem direta, onde o autor exploca as relações do Brasil com a sua fronteira oriental, e Flávio Saraiva desenvolve a tese de que o Brasil global neste século XXI coincide com uma nova África, nomeadamente nas vias que unem as margens ribeirinhas do Atlântico Sul. Com efeito, o autor propõe na sua obra o conceito de atlantismo brasileiro, no que será uma via própria de construir relações internacionais com os africanos, diferente do que fizeram os colonizadores no passado ou atualmente os chineses na África. Ainda segundo Flávio Saraiva, esse atlantismo brasileiro, será enfocado na cooperação, trocas materiais e paz no grande oceano que une o Brasil ao continente africano. ‹

Empresas de construção em São Paulo Numa organização da AICCOPN – Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas e o apoio da Martetaces International Business, várias empresas portuguesas farão no final de Março uma deslocação à cidade de São Paulo, tendo por objetivo efetuar uma prospecção de oportunidades de negócio no mercado brasileiro do setor. A missão sairá da cidade do Porto no dia 27 de Março rumo a São Paulo, onde já no dia seguinte marcarão presença no seminário “O mercado da construção no Brasil”, e depois numa vasta ronda de contatos. A iniciativa terminará no último dia de Março com a participação num workshop intitulado “Como fazer negócios no Brasil”, seguindo-se uma visita a algumas obras a decorrer em São Paulo. A missão organizada pela AICCOPN pretende assim fazer com que os empresários portugueses possam conhecer as instituições e os seus congéneres brasileiros com quem possam estabelecer relações e parcerias empresariais. ‹

Empresários de Minas Gerais vem a Portugal Uma Missão Empresarial de Minas Gerais estará em Portugal entre os dias 20 e 28 de Abril do presente ano, marcando presença nas cidades de Lisboa e do Porto, e tendo por objetivo desenvolver parcerias estratégicas entre empresas e instituições mineiras e de Portugal, bem como de prospectar novos mercados. A Missão é organizada conjuntamente pela Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais, pela Associação Comercial e Empresarial de Minas e pela Funsoft, e terá o seu ato de lançamento já no dia 6 de Fevereiro no Auditório da ACMinas. Em Portugal, os principais parceiros desta missão de empresários brasileiros serão a AIP, a AEP e a ACL. ‹

Master Turismo contrata A empresa Master Turismo, presidida pelo empresário Fernando Meira Dias, também presidente da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais, anunciou a contratação de Rodrigo Santos como novo diretor de negócios. Com esta contratação, a Master Turismo, que atua tanto no mercado corporativo, quanto no lazer, incentivos e eventos, é a de trazer novas possibilidades comerciais para todas as duas unidades de negócio. ‹

Seo com a Vivo A empresa portuguesa de marketing e vendas online Sales Engine Online (SEO) avançou para o mercado brasileiro, e já conseguiu os seus primeiros clientes, como são os exemplos da Vivo e da Cathos, estando quase a fechar contrato com um grupo segurador e com uma livraria. A Seo possui 16 colaboradores e espera alcançar em 2012 um volume de negócios de três milhões de euros, dos quais 60% serão gerados no Brasil e em Espanha. ‹

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› lusofonia › Brasil

Paulo Portas defendeu diplomacia económica no CIEP O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, aproveitou a presença em Lisboa de vários presidentes de câmaras portuguesas de comércio espalhadas em vários países e continentes, para abordar mais uma vez a questão da diplomacia económica que o atual governo português pretende levar à prática. Depois de abordar as causas que levaram o país à situação presente de dificuldade económica, Paulo Portas sublinhou que o país precisa de uma nova diplomacia, mais enfocada no apoio à realização de negócios e na atracção de investimentos externos para Portugal, pelo que defendeu a «conjugação de esforços dos diplomatas, da rede comercial da Aicep e dos promotores do Turismo de Portugal». Mas, o ministro também não se esqueceu dos seus

Elísio de Souza reeleito no Rio Paulo Elísio de Souza foi reeleito como Presidente da Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro, em evento que ocorreu no passado dia 10 de Janeiro. A acompanhar o presidente reeleito na direcção da centenária instituição luso brasileira, estão José Câmara Graça (vice-presidente), Alberto Távora, Abílio Martins, Agostinho Branquinho, Frederico da Cunha, Pedro Reimão, entre outros. Para Presidente do Conselho Consultivo foi eleito Ricardo Coelho, e para Presidente do Conselho Fiscal Manoel Domingues. Para o novo mandato, Paulo Elísio de Souza pretende profissionalizar a gestão da Câmara e incentivar parcerias entre empresas brasileiras e portuguesas, alem de identificar oportunidades de negócios e de investimento. Para o efeito, o presidente da Câmara Portuguesa do Rio de Janeiro adiantou que «estamos trabalhando para a realização de dois encontros entre empresários de ambos os países, já neste primeiro semestre de 2012». ‹

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interlocutores que se reuniram na sede da Associação Comercial de Lisboa, sublinhando a importância das câmaras portuguesas de comércio espalhadas pelo mundo, enquanto agentes que poderão influenciar e informar sobre o que melhor Portugal poderá oferecer aos mercados internacionais, bem como de como o Portugal moderno é um país atractivo para receber investimentos. Acompanhado por Miguel Horta e Costa, Comissário Português responsável pelas comemorações do Ano de Portugal no Brasil (que em conjunto com o similar Ano do Brasil em Portugal, decorrerá entre o 7 de Setembro de 2012 e o 10 de Junho de 2013), o ministro Paulo Portas sublinhou a grande importância que o governo dá às relações com os países de expressão portuguesa, e em particular com o Brasil. ‹

Curso de vinhos portugueses em São Paulo O Consulado Geral de Portugal em São Paulo acolherá entre 8 de Fevereiro e 30 de Junho do presente ano, um curso sobre vinhos portugueses, que será ministrado pelo especialista português José Carlos Santanita, com as aulas a se realizarem uma vez por semana. O curso contempla as 20 castas consideradas elite em Portugal, de todas as regiões produtoras, bem como a relação a relação dos vinhos portugueses e a gastronomia internacional, além de técnicas de serviço e vendas. De realçar, ainda na capital paulista, o destaque dado à gastronomia portuguesa pelo jornal “Folha de S. Paulo”, um dos principais diários do país, que apresentou um roteiro seleccionado com cinco restaurantes portugueses em São Paulo, onde os brasileiros poderão provar diversos pratos de bacalhau, mas também outras iguarias lusitanas. ‹

António Coradinho – Bahia

Caio Torrão – São Paulo

Jorge Chaskelmann – Ceará

Fernando Dias – Minas Gerais

Fernando Brites – Brasília

Paulo Elísio – Rio de Janeiro

Arménio Diogo – Pernambuco

Rômulo Soares – Conselho das Câmaras Brasil

Jorge Rocha de Matos – Presidente da AIP

AIP reuniu câmaras de comércio no Brasil Numa sala repleta de empresários, vários presidentes das câmaras portuguesas de comércio no Brasil realizaram uma apresentação das potencialidades para investimentos, parcerias e negócios potenciais de empresários portugueses nos seus respetivos estados. Na sessão organizada em Lisboa pela AIP, além do Presidente do Conselho das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil, Rômulo Soares, estiveram presentes os presidentes das câmaras portuguesas do Rio de Janeiro (Paulo Elísio de Sousa), Bahia, (António Coradinho), Minas Gerais (Fernando Meira Dias), Pernambuco (Arménio Diogo), Ceará (Jorge Chaskelmann), Brasília (Fernando Brites) e o Secretário Executivo da Câmara de São Paulo (Caio Torrão). Naturalmente, cada um dos representantes das câmaras portuguesas de comércio no Brasil apresentou as potencialidades do seu próprio estado, sublinhando o seu conhecimento da realidade económica do próprio estado e sobretudo a capacidade de articulação com as autoridades estaduais e locais, podendo assim constituir elementos facilitadores do diálogo e de promoção do investimento e de negócios dos empresários portugueses nos respetivos estados brasileiros. O fato de se comemorar este ano o Ano de Portugal no Brasil e o Ano do Brasil em Portugal, o que ocorrerá entre 7 de Setembro de 2012 e 10 de Junho de 2013, constituirá certamente oportunida-

des propícias ao aprofundamento do conhecimento e do relacionamento económico e empresarial entre os dois países. Foi precisamente isso que pontuou a intervenção de Rômulo Soares, o Presidente do Conselho das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil, que sublinhou para a importância das câmaras possuírem um ampla e privilegiada rede de contatos no Brasil, que muito poderão ajudar os empresários portugueses com interesse no país. O líder das câmaras incentivou mesmo os empresários lusos a procurarem as câmaras de comércio sempre que pretenderem fazer algum negócio em território brasileiro. Numa sessão onde também intervieram por parte da AIP, Jorge Rocha de Matos e Jorge Pais, tendo ambos sublinhado a importância que o Brasil poderá ter para as empresas nacionais, mas também enfatizando para o papel que devem procurar junto das câmaras portuguesas de comércio no país além Atlântico, realce para a divulgação por parte do principal organismo representativo dos empresários em Portugal no que respeita à organização de missões empresariais ou presenças em feiras no Brasil. Assim, no que respeita a missões empresariais, estão neste momento previstas a Minas Gerais e Espírito Santo, em Junho, e uma segunda ao Rio Grande do Sul, em Outubro. Já quanto à presença em feiras, saliência para a Sial Brasil 2012 (São Paulo, em Junho) e para a Culturália 2012 (São Paulo, em Novembro). ‹

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› lusofonia › Guiné-Bissau José Manuel Pavão, Cônsul Honorário da Guiné-Bissau na cidade do Porto, destaca papel do Clube de Negócios Luso Hispano Guineense e sublinha o papel do país na costa ocidental africana

Guiné-Bissau é porta de entrada na região É desde há onze anos o Cônsul Honorário da Guiné-Bissau na cidade do Porto. José Manuel Pavão, médico de profissão, que durante vários anos ocupou o cargo de director do Hospital de Crianças Maria Pia, no Porto, referiu em entrevista à País €conómico que está a tentar contribuir para um projecto hospitalar sustentável na cidade guineense de Bafatá, e refere que está a desenvolver um forte trabalho para atrair os empresários nortenhos e da vizinha Galiza a olharem com atenção para a Guiné-Bissau, tanto pelas potencialidades próprias que alberga, mas também como importante plataforma empresarial para chegar aos países vizinhos da costa ocidental africana. Texto › JORGE Alegria

| FOTOGRAFIA › arquivo

Qual é a actividade desenvolvida pelo Consulado da Guiné-Bis-

É preciso estabilidade e segurança

sau na cidade do Porto?

Essa sensação de insegurança é mais visível nos contactos que

É preciso referir que um consulado honorário, como o nosso, possui um estatuto próprio e competências definidas, no caso, o de representar um país africano (Guiné-Bissau) de língua portuguesa. O Consulado possui uma função prática de carácter administrativo, sobretudo na ajuda à comunidade guineense na região norte do país, nomeadamente no que respeita ao reconhecimento de documentos, e neste caso com especial saliência aos que se referem a habilitações escolares ou académicas. Por outro lado, desenvolvemos igualmente uma actividade regular de apoio a pessoas que pretendem se deslocar à Guiné-Bissau, seja por motivos turísticos ou empresariais e de negócios.

mantém com empresários portugueses?

Quantos guineenses estão registados no Consulado do Porto?

São cerca de quatro centenas de pessoas, embora acreditamos que existem muitos mais, e gostaríamos que se registassem, pois todos beneficiam com esse estatuto de regularidade. No entanto, gostaria de sobremaneira de sublinhar o papel que enquanto cônsul no Porto tenho desempenhado na procura de recuperar a imagem da Guiné-Bissau, sobretudo em termos de mostrar que é um país digno e que merece ter no estrangeiro uma imagem de estabilidade e de credibilidade.

Realmente, existe um nível do nosso empresariado que apesar desses acontecimentos ocorrerem, continuam a mover-se e a deslocarem-se, no fundo, a concretizarem negócios com a Guiné-Bissau, mas muitos outros, e sobretudo na questão do movimento turístico, nota-se uma clara retracção. Realmente, o turismo entre Portugal e a Guiné-Bissau ainda não é muito significativo, ao contrário do que acontece por exemplo com Cabo Verde. Mas, as potencialidades da Guiné estão lá.

Pois estão, indiscutivelmente. O potencial turístico da Guiné-Bissau é gigante. É um país bonito, com uma costa encantadora e todas essas potencialidades estão lá, como bem referiu. Pessoalmente tenho mantido contactos com agentes de turismo do Porto e todos nos confirmam a mesma opinião, mas também sublinham o entrave que é o de não encontrarem do lado guineense interlocutores ao mesmo nível que apresentem garantias de bom funcionamento de acordos e projectos que viessem a serem estabelecidos neste sector. O Consulado tem sido procurado – ou tem ele próprio tomado a iniciativa – por entidades ligadas aos sectores sociais, nomea-

Mas, reconhece que isso nem sempre tem acontecido.

damente nas áreas da educação, saúde e cultura e desporto,

Não, não tem, e por culpa própria. Veja os acontecimentos que se verificaram na última meia dúzia de anos e que muito tem atormentado a imagem do país na cena internacional. Eu diria que existe, sobretudo em Portugal, país onde os acontecimentos nos países que falam a mesma língua possuem uma repercussão acrescida, um comportamento psicológico de retracção sempre que algum episódio de instabilidade na Guiné é noticiado.

visando estabelecerem alguma colaboração com entidades si-

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milares da Guiné-Bissau?

Essa procura tem existido em todos os sectores que mencionou. Talvez devido à minha formação profissional, deixe que aponte em concreto apenas a questão da saúde, área onde começo a definir ideias diferentes em relação àquilo que tem sido prática na cooperação desde há cerca de 20 anos.

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› lusofonia › Guiné-Bissau Ainda há poucos meses, um conjunto de médicos esteve pouco tempo em Bissau para realizarem um conjunto de operações a diversas patologias. E dentro de pouco tempo, outros vão se deslocar novamente, e por um curto período de tempo para realizarem operações similares. Ora, independentemente do mérito e simbolismo de todas estas iniciativas, que como Cônsul procuro apoiar e que tem merecido também e é justo sublinhar o apoio do Senhor Embaixador da Guiné-Bissau em Portugal, mas que beneficiam apenas um pequeno ou grande conjunto de pessoas num curto período de tempo, e que uma vez findada essa permanência, os seus resultados se ficam por aí. O que considero importante alterar é passarmos de uma fase de acontecimentos pontuais para uma outra fase mais de carácter duradouro e estratégico. Com concretizando um pouco mais, a título de exemplo, o Hospital de São João, no Porto, desenvolveu um projecto designado o “Joãozinho”, que gostaríamos de ver implementado no Hospital de Bafatá na Guiné-Bissau, projecto esse que se dirige ao combate à mortalidade materna. No fundo, o que pretendemos, é que além da recuperação e beneficiação da parte física das instalações hospitalares que já existe, que equipas médicas pudessem prestar assistência, não por períodos de tempo curtos, mas mais longos do que acontece actualmente e de forma prolongada, conferindo assim uma grande sustentabilidade à implementação de um projecto desse género.

aos portugueses em geral?

O que vou afirmar é apenas da minha responsabilidade pessoal. O país precisa de estabilidade política, militar e de segurança. Só dessa forma poderá transmitir esse clima de estabilidade e segurança, questões essenciais para atrair investidores internacionais, e também os portugueses, como é óbvio. A Guiné-Bissau é um mercado atractivo, com gente simpática e pacífica, e isto representa a opinião sumária que tenho ouvido na região, pois é um país com atracções importantes para investimentos futuros, como são os casos das pescas e das frutas. Quando refere frutas, quer significar importação de frutas?

Exactamente, importação de frutas para o mercado europeu. Novas iniciativas para mostrar o melhor da Guiné No passado dia 24 de Setembro, data da independência da Guiné-Bissau, realizou uma acção no Palácio da Bolsa do Porto. No que é que consistiu?

De facto, no ano passado, por sugestão de um grande amigo e ilustre advogado portuense, o doutor António Vilar, realizámos uma reunião que designei “Guiné-Bissau Século XXI”, e que foi destinada aos empresários, e perante uma plateia de quase uma centena de pessoas, abordámos as potencialidades do país no contexto africano, as perspectivas de negócios, de como realizar investimentos e os apoios financeiros existentes. Essa iniciativa do ano passado poderá repetir-se novamente no próximo 24 de Setembro?

Concerteza que sim. A Guiné-Bissau põe ser uma plataforma para chegar aos países vizinhos

E quanto a outras iniciativas que aumentem a notoriedade da

Numa recente Missão Empresarial da AIP à Guiné-Bissau, o Pri-

nha Galiza?

meiro-Ministro Carlos Gomes Júnior apelou aos investimentos

Naturalmente que o Consulado poderá ter, em primeiro lugar, um papel cada vez mais importante na componente da informação que habilite os empresários que o desejam a concretizarem investimentos ou a realizarem negócios com a Guiné-Bissau. Como referi anteriormente, criámos o Clube de Negócios Luso Hispano Guineense, e nesse âmbito estamos a pensar realizar nesta Primavera uma conferência na cidade de Vigo (Galiza), que se caracteriza pelo seu enorme dinamismo empresarial, e que assim poderão conhecer melhor as potencialidades da Guiné-Bissau, particularmente evidentes no caso da pesca, e, consequentemente, estarem mais habilitados a fazerem eventualmente investimentos neste país de África.

dos empresários portugueses no seu país. Como vêem em geral os empresários nortenhos a Guiné-Bissau?

Gostaria de informá-lo, em primeiro lugar, de que foi a partir da iniciativa deste consulado que foi criado o Clube de Negócios Luso Hispano Guineense, que já possui algumas dezenas de associados, e que pretende constituir uma plataforma de debate e dinamização das potencialidades de relacionamento económico e empresarial entre os três países. A respeito da pergunta concreta que me colocou, a opinião e a sensibilidade dos empresários que tenho auscultado, a respeito da Guiné-Bissau, é a confirmação de que constitui um país com potencialidades muito animadoras para o desenvolvimento de certas actividades, como são os casos das exportações de vinhos, equipamentos médicos, mas também em áreas como a panificação, construção civil, segurança ou os transportes, onde para além de demonstrarem em muitos casos os resultados positivos dos seus investimentos no país, sublinham também o quão importante constitui como plataforma para atingir os mercados dos países circunvizinhos. Do ponto de vista global, o que é que de melhor a Guiné-Bissau tem para oferecer aos potenciais investidores estrangeiros, e

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Guiné-Bissau junto dos empresários da região norte e da vizi-

Em suma, a Guiné-Bissau é um mercado que deverá merecer uma especial atenção dos empresários nacionais nos seus processos de internacionalização?

Não tenho a mais pequena dúvida. O país constitui um mercado potencialmente importante e será também uma plataforma com importância significativa para chegar aos mercados dos países vizinhos. Logo, penso que os empresários portugueses não só devem olhar com a atenção para a Guiné-Bissau, como lá devem procurar oportunidades e concretizarem negócios e projectos de investimento. ‹

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› empresariado Humberto de Matos, Presidente da Redtel, vai diversificar serviços prestados aos clientes

Somos um parceiro fiável e seguro Sob o lema “Um Parceiro para Sempre”, a empresa Redtel comemora este mês de Fevereiro a sua primeira década de existência. A País€conómico foi ao encontro de Humberto de Matos, presidente da empresa com sede em Lisboa e que se intitula como «uma empresa de engenharia em comunicações», como refere o seu principal responsável. Nascido na Madeira há 42 anos, Humberto de Matos revela que o ano passado constituiu um ano de sustentação, mas 2012, apesar das dificuldades económicas que o país e as empresas atravessam, prepara-se para diversificar a sua atividade, conseguir novos parceiros e desenvolver novos projetos. Para isso vai contratar mais três colaboradores e espera atingir no final do ano uma faturação entre os 5 e os 6 milhões de euros, «voltando assim aos níveis de faturação alcançados em 2010».

E

Texto › VALDEMAR BONACHO

m Fevereiro de 2001 nascia a Redtel, empresa de engenharia de comunicações fundada por Humberto de Matos, cidadão nascido na Madeira e que depois de vários anos em França tinha regressado à sua terra em 1992 para implementar no arquipélago o projeto da rede de tv por cabo e que em vez de voltar novamente para França, antes veio para o continente português em 1994 para ajudar na implementação de igual projeto da tv por cabo. Por cá ficou e em 2000, após uma intensa e fecunda reflexão pessoal, entendeu de que necessitava de novos desafios e decidiu avançar para a constituição de uma nova empresa, tendo então nascido a Redtel em Fevereiro de 2001. Assumindo-se fundamentalmente como uma empresa de engenharia de comunicações, a Redtel começou por oferecer uma primeira fase um trabalho essencialmente de consultoria e apoio às empresas instaladoras e às companhias operadoras de telecomunicações. Mas, a empresa desenvolveu fortes valências de know how tecnológico e começou ela própria a avançar na apresentação de soluções tecnológicas alternativas às que se encontravam disponíveis no mercado.

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| FOTOGRAFIA › RUI ROCHA REIS

A Redtel apostou assim num nicho de mercado que as grandes empresas do setor não consideravam atrativo, sobretudo em projetos cuja dimensão financeira se apresentava inferior a meio milhão de euros. No entanto, segundo Humberto de Matos, a empresa firmou um conjunto de parcerias com empresas de indiscutível gabarito internacional para o desenvolvimento de novas soluções tecnológicas, que depois as apresenta para os seus principais clientes, que em geral são as grandes operadoras de telecomunicações em Portugal, casos da Zon, da Cabovisão e da Sonaecom. Parcerias são fundamentais Para o efeito, adianta Humberto de Matos sublinha que tem sido essas parcerias que em conjunto com as capacidades intrínsecas dos próprios profissionais da Redtel, que tem permitido à empresa conseguir níveis de inovação e de qualidade, de tal forma apreciáveis, que esses grandes clientes da empresa têm reconhecido a fiabilidade das soluções, «que são sempre soluções chave na mão, ou seja, oferecemos ao cliente uma total integração, incluindo naturalmente a parte dos ser-

viços, elaboramos o desenvolvimento do conceito, realizamos o projeto e a respetiva instalação e manutenção», enfatiza o líder da Redtel. Aliás, Humberto de Matos relembra com especial satisfação e carinho, o trabalho desenvolvido para a Sonaecom pela sua empresa entre 2007 e meados de 2008, «quando fomos a primeira empresa a desenvolver o conceito de fibra até à casa do cliente, possibilitando assim aos operadores nacionais do setor na oferta de um novo produto, um novo serviço, no fundo, na oferta de uma solução em termos tecnológicos e comerciais». Foi também em 2008 que a Redtel alargou a sua presença física no território nacional à cidade do Porto, com uma delegação que integra a respetiva estrutura técnica, logística e operacional para responder aos desafios e aos seus clientes no norte do país. Antes, ainda em 2005, foi criada uma empresa para atuar na área das energias renováveis, «área ainda na altura com pouca expressão, mas que considerávamos com grande potencial no futuro», salienta Humberto de Matos. O negócio não se desenvolveu de forma acelerada, mas o empresário acredita plenamente no de-

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› empresariado

Lógica com projeto aprovado

senvolvimento do setor e vai apostar nele, sobretudo no segmento do solar térmico passando a abranger também a componente da energia e da produção elétrica, ou seja, a parte da fotovoltaica, visto que segundo o responsável da Redtel, «o nosso mercado alvo não é o residencial, onde existe uma grande quantidade de empresas no mercado, mas antes será mais o que designamos por industrial, nomeadamente fábricas, indústrias, hospitais, hotéis, entre outras instalações de porte significativo», sublinhou. Diversificar os serviços prestados aos clientes Para responder aos desafios do presente e do futuro de curto prazo, a Redtel vai alargar o seu número de colaboradores dos atuais oito para onze, tendo já identificado e efetuado uma selecção criteriosa das pessoas altamente especializadas que pretende que se juntem à empresa e que serão capazes de trazerem uma mais-valia bastante significativa para os novos projetos que a Redtel pretende implementar já a partir do primeiro trimestre do corrente ano. É que depois de um ano que classifica como «difícil», com uma redução de 16 para apenas 8 colaboradores, mas «onde fomos ainda assim capazes de apresentar ao longo do ano passado entre 50 a 60 projetos, embora infelizmente apenas cerca de 10% é que tenham sido aprovados, não porque os restantes não tivessem elevadas mais-valias técnicas e estivessem muito bem elaborados, mas não tiveram a sua aprovação sobretudo devido às dificuldades de financiamento junto de instituições financeiras por parte de muitos dos nossos clientes ou potenciais clientes». É por isso que Humberto de Matos classificou o ano de 2011 como «um ano de sustentação», onde a faturação desceu cerca de 37% face ao ano anterior, mas que «nos obrigou a continuar a refletir sobre os melhores caminhos a seguir e nos apetrechou de capacidades para agora neste novo ano em que comemoramos os dez anos de atividade diversificarmos e sermos capazes de inovar e de avançar em novos projetos».

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A empresa municipal Lógica de Moura, viu aprovada a operação “Laboratóriio de Energias Renováveis”, candidatada ao regulamento do Sistema de Apoio a Infraestruturas Científicas e Tecnológicas, do Eixo 1 do InAlentejo, no âmbito do programa estratégico do Sistema Regional de Transferência de Tecnologia do Alentejo (SRTT). O laboratório possui valências ao nível de teste e certificação de módulos fotovoltaicos e de investigação em energia solar, constitui-se como pioneiro em Portugal, com tecnologia de ponta na certificação de módulos fotovoltaicos, uma área de mercado em expansão. A criação de um laboratório com estas caraterísticas é uma aposta no desenvolvimento das áreas rurais, em domínios inovadores como é o caso da energia. A sua localização num parque vocacionado para atividades de InvesCom efeito, para além dos projetos na área das energias renováveis já anteriormente referidos, a Redtel vai alargar as suas capacidades de atuação no mercado, procurando ajudar de forma mais significativa os clientes, tanto no encontrar de melhores soluções técnicas para as suas necessidades, e para o efeito já estabeleceu novas parcerias tecnológicas, como também no contributo que pretende oferecer competências e ajuda aos clientes, por exemplo, para se candidatarem a projetos apoiados por fundos comunitários, verbas que no quadro atual do país são essenciais para a modernização empresarial e tecnológica de Portugal e das suas empresas. É por isso que Humberto de

Matos sublinha o foco da Redtel em ser cada vez mais um parceiro fiável e seguro dos seus clientes, desenvolvendo e implementando soluções que sejam adequadas e respondam às necessidades desses mesmos clientes. Para tal constituiu parcerias fortes e tecnologicamente suportadas, e acrescenta agora um conjunto de serviços e de competências mais alargadas para melhor servir e fidelizar os seus clientes. A empresa espera em 2012, segundo o seu principal responsável, chegar aos patamares de volume de negócios atingido em 2010, isto é, «esperamos atingir patamares de vendas na ordem dos cinco a seis milhões de euros no final do presente ano». ‹

tigação e Desenvolvimento (I&D) no domínio da energia e ambiente abre perspetivas para a criação de um cluster no setor. Esta operação é ainda considerada pelos seus responsáveis de grande importância na consolidação do Laboratório de Energias Renováveis, com enfoque para a energia solar, instalado no Parque Tecnológico de Moura (PT Moura) e no conjunto de serviços a prestar pela Lógica no domínio da investigação, da certificação, da relação com a indústria e no apoio às empresas instaladas e a instalar no parque. ‹

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› autarquias José Estevens, Presidente da Câmara Municipal de Castro Marim

«Portagens na “Via do Infante” prejudicam a economia algarvia Embora reconhecendo que o concelho de Castro Marim poderá vir a ter algumas vantagens, o Presidente José Estevens não esconde que a decisão de se colocarem portagens na “Via do Infante” vai prejudicar a Região do Algarve, beneficiando com isso os vizinhos espanhóis. Nesta entrevista à País €conómico, José Estevens aborda outras questões que têm a ver com o desenvolvimento e progresso de um concelho que vê no Turismo uma alavanca fortíssima para se tornar ainda mais competitivo. Texto › VALDEMAR BONACHO | FOTOGRAFIA › arquivo

A

muito comentada aplicação de portagens na Via dio Infante abriria os temas desta entrevista concedida à País €conómico por José Estevens, Presidente da Câmara Municipal de Castro Marim. Segundo o autarca algarvio, «esta medida é prejudicial para a Região do Algarve», mas no que se refere propriamente dito ao concelho de Castro Marim, José Estevens considera que «eventualmente poderemos vir a ter algumas vantagens com esta medida, porque os nossos vizinhos do outro lado do rio podem chegar ao concelho de Castro Marim sem pagar portagens. O mesmo não acontecerá em relação a Tavira, que será para oeste o concelho mais próximo. Isto quer dizer que pode-se de algum modo incentivar ou dinamizar uma actividade local transfronteiriça. Ayamonte, Huelva e Sevilha com este espaço do Baixo Guadiana que ficou livre de portagens em relação aos nossos vizinhos do outro lado do rio. Mas em termos globais tudo isto vai ser mau e vai ser muito negativo para o Algarve e para a economia da Região», referiu o autarca de Castro Marim, avisando desde logo que «este “interland” de Tavira vai ter uma propensão grande para se fazerem compras em Espanha. Já era habitual a pretexto de se ir meter gasolina ou gasóleo nas bombas dos postos de abastecimento espanhóis, agora há ainda mais razões para isso, porque aquelas compras que estes 50 mil habitantes que residem aqui neste

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espaço habitualmente faziam em Faro, por estes motivos que acabei de enumerar irão fazer essas compras a Espanha», salientou José Estevens que, a este propósito sublinhou: «A ilacção que se deve retirar de tudo isto é só uma. É que entre o deve e o haver das portagens, o deve irá ser muito maior do que haver. Portanto, dever-se-ia encontrar uma solução que ditasse um recuo nesta decisão», concluíu o autarca de Castro Marim. Bruxelas continua a aconselhar os municípios a cuidarem os seus indíces de cobertura não só em termos de abastecimento de água comom no que respeita ao saneamento básico. Coloco sobre esta questão José Estevens recordou uma vez mais o esforço que o município de Castro Marim fez nestas áreas desde o início do primeiro mandato deste executivo, lembrando que esse mesmo esforço continua nas localidades mais dispersas e de menor população. «É um processo que não descuramos, que etamnos atentos, e que viremos tentar resolver

o melhor possível», deixou claro o presidente castromarinense, que diria ter em mãos uma tarefa ainda mais importante que é a da justiça social. «Em termos financeiros estamos a fazer um esforço significativo para servir uma pequena percentagem da população que tem todo ondireito de ter acesso ao saneamento básico e ao abastecimento de água. Estamos apostados nisso, temos uma candidatura no âmbito do QREN que está a correr dentro da normalidade e pensamos ver esta situação ultrapassada no mais curto período de tempo possível. As freguesias onde as situações deste tipo são mais frequentes são Azinhal e ainda uma franja populacional de Odeleite. «No nosso ponto de vista não obtivémos (e penso que haverá outros municípios do país que estão nesta situação) o excessionamento ao endividamento municipal do montante que teriamos necessidade de nos financiar para executar esta obra (a parte que nós temos de pagar não é financiada pelo QREN) por erro do Governo.

Um erro porque ainda não cumprimos as exigências de Bruxelas em termos de cobertura de saneamento básico que deve situar-se entre os 80 e 85 por cento. E lembro que é um erro porque vamos perder uma quantidade apreciável de dinheiro da União Europeia com financiamentos em percentagem à rondar os 80 por cento.», sublinhou José Estevens, para lembrar que até havia (e há) uma linha do Banco Europeu de Investimento para apoiar na comparticipação nacional destes projectos. «Em termos de cobertura o abastecimento de água no concelho de Castro Marim andará pelos 85 por cento, mas no que diz respeito ao saneamento essa cobertura ronda os 70 por cento», informou o presidente. Turismo atrai investidores Porque o concelho de Castro Marim é dotado de uma grande beleza paisagística, não espanta que haja em seu redor uma apetência especial por parte de alguns

CONSULTORIA E ENGENHARIA EM TELECOMUNICAÇÕES DESENVOLVIMENTO DE REDES MÓVEIS SISTEMAS PARA ENERGIAS RENOVÁVEIS

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› autarquias

investidores em quererem apostar na vertente do Turimo. Convidado a fazer o ponto da situação sobre este assunto, José Estevens não hesitou. «Os investimentos que estavam previstos para o concelho de Castro Marim estão hoje num ritmo diferente daquele em que se encontravam há dois anos atrás, e isso é a natural consequência da própria crise que afecta o país. Mas são projectos que não estão em causa e que irão avançar. Dois desses projectos continuam em fase de construção. São eles o Castro Marim Golfe e o Verdelago. O Castro Marim Golfe tem já uma parte significativa em funcionamento, e os 3 projectos restantes na área do turismo (resort’s) também são para avançar. A Quinta do Vale tem um campo de golfe e algumas moradias construídas , e com o hotel irão avançar-se com novas construções. Aliás a construção imobiliária está neste momento estacionária, não tem novas construções. Em relação aos outros dois projectos, um deles está com o alvará de loteamento emitido, mas os promotores estão na expectativa esperando que se ultrapasse este

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momento de maior dificuldade para sedar início à obra. O outro também irá avançar na sua construção», referiu José Estevens. O autarca de Castro Marim está a executar o seu quarto mandato. Será que tem um sonho que gostaria de ver concretizado até ao fim deste mandato, que será o último? A reacção à nossa pergunta foi pronta. «Já concretizei muitos projectos, mas a nossa ambição é ir mais além. Há vários projectos que me deram “gozo” em concretizar, e ter feito habitação social foi um desses marcos positivos que me deram imensa satisfação, ter construído uma Biblioteca Municipal deu-me também uma enorme alegria, o ter requalificado o Parque Escolar foi outro projecto quec me satisfez. Fomos pioneiros nesta vertente em Portugal. Mas também me deu uma grande satisfação o facto de ter reconstruído o Forte de São Sebastião em Castro Mariim. Deu-me também um grande prazer ter requalificado a Colina de Santo António, porque são peças de uma memória que é necessário perpetuar, já que ac memória é um elemento muito importante no desenvolvimento bdas comuniudades», descre-

veu o presidentec de Castro Marim, com tempo ainda para falar daquilo que deseja concretizar nestec mandato. «O Parque Desportivo de Castro Marim é necessário iniciar e tornar irreversível a sua execução, mas é absolutamente necessário concluir a obra do saneamento básico. É muito importante na actual conjuntura concluirmos um conjunto de equipamentos de Apoio Social que estão em desenvolvimento. É importante que a Unidade de Trabalhosc Continuados do Azinhal que tem um grande envolvimento da Câmara Municipal chegue ao fim, entre em actividade e possa satisfazer as necessidades para que foi projectada. Será uma unidade que irá integrar a Rede Nacional de Cuidados Continuados. O Lar e Centro de Dia que a Associação Cegonha Branca com o patrocínio da Câmara Municipal seráconstruído na freguesia de Altura é importante que chegue ao fim, assim como é importante que seja executado o projecto que a Associação Comercial da Freguesia de Odeleite que inclui um Lar e Centro de Dia». ‹

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› TURISMO Melchior Moreira, Presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal

«Ganhamos notoriedade em Portugal e no Mercado Externo» Em entrevista que concedeu à País €conómico, o presidente da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP-ER), Melchior Moreira, sublinha a grande notoriedade que o seu organismo vem conquistando em termos nacionsais e no mercado externo, constituindo um mercado turístico consolidado e em expansão. Texto › VALDEMAR BONACHO

Numa altura em que enfrentamos uma crise à escala planetária, que balanço faz da ação protagonizada pela Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal precisamente numa altura em que este órgão assinala os seus três primeiros anos de vida?

Eu diria que, a avaliar pelos resultados, o balanço é absolutamente positivo.Como sabe, o Porto e Norte, é hoje uma importante referência em termos nacionais e um destino turístico com uma “Marca” consolidada que vem ganhando, dia após dia, maior notoriedade junto do mercado externo. Basta para o efeito pensar que, mesmo no seio de uma conjuntura difícil, pautada por uma forte depressão económica internacional, tal facto não impediu que os fluxos turísticos no Porto e Norte continuassem a crescer, ininterruptamente, acima da média nacional, ao longo de todo o ano de 2011.Segundo dados do INE, comparativamente com 2010, as dormidas em 2011 aumentaram em média 2% e os proveitos totais foram de 17,4 milhões de euros, o que corresponde a uma taxa de crescimento na ordem dos 0,7%. Para além disso, o número de dormidas de estrangeiros no Porto e Norte, teve um crescimento, na ordem dos 10,4%, o que por sua vez nos ajuda a confirmar a importância dos resultados obtidos através de vários estudos, apontando para um

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| FOTOGRAFIA › RUI ROCHA REIS

crescimento exponencial em termos de tráfego aéreo, fazendo com que estejamos no momento satisfeitos em termos de ligações para os mercados-alvo. Refira-se no entanto, que o balanço positivo que fazemos, tem naturalmente na sua base um importante fator que contribui grandemente para os resultados alcançados até aqui, ou seja, uma estratégia promocional enquadrada no PENT (Plano Estratégico Nacional do Turismo) e que, no nosso caso, está assente num conjunto de produtos estratégicos e complementares, com um significativo impacto em termos de desenvolvimento turístico, no que ao binómio da oferta e da procura diz respeito. É sobretudo com base no que nos distingue e o modo como fazemos promoção que nos tem permitido obter os resultados de crescimento que referimos, permitindo-nos, em simultâneo, combater a sazonalidade. Exemplo disso, é o projeto das Lojas Interativas que estamos a desenvolver, visando sobretudo potenciar a nossa capacidade de receção e a melhoria da oferta turística global do destino Porto e Norte. Importância turismo na economia Enquanto fator estratégico de desenvolvimento, o Turismo tem um peso fundamental em todas as economias do Mundo. E em Portugal esse fenómeno não é exce-

ção. Como é que a Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal tem reagido a este cenário de crise, de modo a preservar uma marca que desde há uns anos a esta parte é reconhecida e respeitada nacional e internacionalmente? Para nós, a análise dos dados que vamos recebendo é muito importante. E, como sabem, segundo dados da OMT (Organização Mundial do Turismo), apesar da crise internacional, o Turismo continuará a ser um dos mais importantes sectores da economia mundial e a Europa continuará a ser o principal emissor e recetor, embora crescendo a uma taxa inferior à média, e que é de 3,5%. Os segmentos mais relevantes, nomeadamente, com uma repercussão muito positiva em termos da oferta e da procura nacional, aqui com especial impacto para o destino Porto e Norte, são: o Ecoturismo, o Turismo Cultural, o Turismo Temático, os Cruzeiros e o Turismo de Aventura. Quer isto dizer que, sendo o Turismo uma prioridade nacional, por parte do Porto e Norte para Portugal, merece naturalmente uma atenção muito especial, fazendo com que não seja certamente por acaso, conforme já aqui referi, que somos uma importante referência, em temos nacionais e internacionais. Entretanto, não nos podemos esquecer que, apostar na inovação, tem sido uma das mais inteligentes orientações segui-

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› TURISMO das pela política de atuação desta Entidade Regional de Turismo, permitindo-nos trabalhar e apresentar projetos com qualidade, tal como poderá servir de exemplo toda a programação dos “Fins-de-Semana Gastronómicos”, constituindo hoje uma importante referencia, com especial interesse no combate à sazonalidade e na divulgação da nossa oferta, aqui com especial relevância para a riqueza e diversidade do produto “Gastronomia e Vinhos”. Para além disso, nunca é demais lembrar a importância que para nós têm as parcerias que ao longo dos tempos temos vindo a estabelecer, tanto com o setor público, como com o setor privado, traduzindo-se muitas vezes na possibilidade de mais facilmente podermos avançar com ações pautadas fundamentalmente pela qualidade. Balanço positivo apesar das dificuldades Considera mesmo assim positivo o balanço destes três primeiros anos de vida da TPNP-ER?

Atendendo aos diversos cenários de dificuldade financeira, vividos especialmente nestes dois últimos anos, com cortes na ordem dos 30%, consideramos fantásticos os resultados obtidos. Aliás, não só porque a TPNP-ER tem vindo a desenvolver um trabalho sério e empenhado, mas muito, também, pela cooperação estreita que temos vindo a ter com outras importantes instituições que contribuem fortemente para os resultados e a extraordinária performance do destino Porto e Norte, sendo disso exemplo o Aeroporto Francisco Sá Carneiro que não só acaba de alcançar o fabuloso número de 6 milhões de passageiros, como o facto de se ter posicionado como o aeroporto nacional que em 2011 duplicou o número de passageiros, comparativamente com 2010, ou ainda, o Novo Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões constituindo uma outra importante porta de entrada de turistas que, embora com características muito próprias, tem vindo a crescer gradualmente e a acompanhar, não só a atual capacidade de receção de barcos de

grandes dimensões, como a importância crescente do Turismo de Cruzeiros em termos europeus e mundiais. Singularidade na oferta Que pilares fundamentais sustentam este projeto? O que é que diferencia a TPNP-ER das restantes áreas regionais de turismo? O Douro, por exemplo, é um trunfo precioso?

Muito especialmente, aquilo que nos diferencia é a singularidade da nossa oferta. O destino Porto e Norte, é hoje um dos mais importantes e o primeiro pilar diferenciador da oferta turística nacional, não podendo ficar indiferente aos resultados do estudo da Brandia Central, permitindo-nos estar efetivamente muito satisfeitos e motivados para fazer mais e melhor. No primeiro semestre de 2011, tal como já o disse, o aumento da procura global foi de 2,7%. Para além disso, os resultados fabulosos desse estudo encomendado pelo Turismo de Portugal à “Brandia Central”, revelam que o Norte de Portugal é a região turística preferida do país, com um índice

Melchior Moreira saúda reforma do governo para o turismo Relativamente ao recente anúncio de Cecília Meireles, secretária de Estado do Turismo e que tem a ver com a reorganização do sector do turismo em cinco novas regiões com base nas NUT II sem capacidade de endividamento , acabando os organismos anteriores existentes, Melchior Moreira aproveitaria a centrevista à P€ para tecer algumas considerações. Melchior Moreira diz sem rodeios que desde o início afirmou que discordava da reforma de criação de mais de seis pólos de desenvovimento turístico protagonizada pelo governo anterior. «Não faz sentido que queiramos em relação àquele modelo dar mais escala à promoção do território, reduzir as entidades regionais, e o governo anterior apresentar um modelo de cinco entidades regionais e ainda maIs seis pólos de desenvolvimento turístico. Portanto, aquilo que eu sempre defendi foi que

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deveria haver um modelo em que acima de tudo cingisse a que a promoção ficasse numa só entidade dentro do que são as NUT II do território. Foi o que eu defendi sempre desde o início e que este governo veio dizer claramente que houvesse uma entidade regional de turismo em cada NUT II e que tivésse contida a promoção interna, a promoção externa, e que acima de tudo houvesse também a participação do sector privado na estratégia de promoção quer no mercado interno quer no mercado externo. E é isso que eu quero aqui saudar este novo governo por vir ao encontro daquilo que eu vim defendendo ao longo de alguns anos», sublinhou o presidente da Entidade de Turismo do Porto e Norte de Portugal, que terminaria esta sua intervenção com um reparo pertinente. «Não fazia sentido que um território como o nosso tivésse três entidades a fazer a promoção do Porto e Norte de Portugal». ‹

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› TURISMO de atratividade igual a 66,4%, quando a média nacional é de 58,1%. O estudo diz ainda que esta é a região mais atrativa de todas as marcas nacionais, à frente do Algarve, Alentejo ou, até mesmo, Lisboa. Depois, há aqui que considerar a inteligência e a capacidade com que nos temos empenhado em inovar e experienciar todas as formas possíveis de desenvolvimento turístico deste fantástico destino, nomeadamente, através da aplicação das novas tecnologias, cujo projeto das Lojas Interativas de Turismo serão o exemplo maior. O Douro, juntamento com o Minho, o Porto e Trás-os-Montes, são um valioso portfólio que, no seu conjunto, imprimem ao destino Porto e Norte uma especial singularidade, pautada por uma enorme riqueza e diversidade, transformando-o num destino turístico único. E porque seria certamente difícil enumerar aqui todas as razões que nos permitem efetuar tal afirmação, bastará para tanto, e, a título de exemplo, dizer que somos a única região no Mundo que possui 4 sítios classificados como Património Mundial da Humanidade. Com crise ou sem ela, uma das missões da TPNP-ER é congregar esforços para chamar turistas portugueses e estrangeiros a esta região do país. Mas para que isso aconteça é preciso saber proporcionar princípios básicos importantes como por exemplo: uma boa oferta hoteleira, roteiros turísticos apelativos que permitam a quem nos visite conhecer os encantos paisagísticos de uma região ímpar, a sua História, a sua Cultura, a sua Gastronomia, e as suas Gentes. E tudo isto com Qualidade e Inovação. A TPNP-ER está atenta a esta realidade? E trabalha para a manter viva? Naturalmente que sim. Temos em toda a região uma oferta hoteleira diversificada, com unidades que vão desde as 5 estrelas até aos hostels, não esquecendo a muita oferta que em termos de alojamento em Turismo no Espaço Rural é possível encontrar – aliás, um projeto no qual o

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Norte de Portugal foi pioneiro em termos nacionais. Para além disso, não podemos esquecer aqui a importância dos nossos sete produtos estratégicos - Turismo de Negócios, City & Short Breaks, Gastronomia e Vinhos, Turismo de Natureza, Turismo Religioso, Touring Cultural & paisagístico e dos Patrimónios e Saúde e Bem-Estar, acompanhados de mais dois produtos complementares – o Golfe e o Turismo Náutico os quais, no seu conjunto e pela particularidade de cada um deles, nos permitem dizer que somos hoje um destino que se distingue fortemente no seio da oferta turística global nacional.

atravessamos, que espera de 2012 em termos turísticos? Espera uma quebra ou o equilíbrio?

rismo tem de se modernizar para poder

Esperamos sobretudo um bom ano de 2012. Temos projetos em curso e uma estratégia bem definida, com a qual pretendemos fazer face ao momento difícil que todos atravessamos. Somos um destino apetecível e de muita proximidade em termos europeus, esperando podermos continuar a manter e, se possível, aumentar as nossas taxas de ocupação. Mas para além disso, temos que pensar nos bons resultados obtidos já em tempo de crise e que nos dão alguma esperança, nomeadamente, compensando todo um esforço imenso que temos vindo a realizar, acreditando que é sempre possível fazer melhor.

ganhar competitividade. E no país são

A criação da Rede de Lojas Interativas de

muitos os sinais positivos que consta-

Turismo foi uma ideia feliz?

tamos, muitos deles tendo em conta a

Sim. Aliás, julgo mesmo que foi uma das ideias mais felizes da TPNP-ER, não só pelo arrojo do projeto em si, como pela inovação do modo de comunicar que iremos pôr em prática e que é para nós fundamental.

Formação é grande prioridade Hoje em dia ninguém ignora que o Tu-

preparação e a qualificação de quadros técnicos de turismo, formados em Universidades portuguesas e estrangeiras. A TPNP-ER tem sabido aproveitar este potencial humano?

Formação é efetivamente uma das nossas grandes prioridades. Saber receber e dar a conhecer a nossa região é fundamental para a criação de negócio e o consequente desenvolvimento turístico. Para além de considerarmos muito importante a formação de todos os nossos e colaboradores, temos vindo a prestar especial atenção à formação dos diversos profissionais que no terreno trabalham diretamente com o turista, razão pela qual temos vindo a apostar em projetos e parcerias especialmente vocacionadas para a melhoria da preparação de todos os profissionais do setor, constituindo fortes exemplos disso o “Programa Educar para o Turismo” e o ´protocolo que acabamos de estabelecer com o ISAG (Instituto Superior de Administração e Gestão) do Porto. Devido aos tempos menos fáceis que

Será que a imagem exterior que Portugal infelizmente está a ter resultante dos problemas internos que enfrenta, pode por em causa o crescimento do número de turistas que escolhem o nosso País como destino de férias?

Julgo que sim. No entanto, da nossa parte, tudo faremos para que o destino Porto e Norte possa manter o posicionamento que tem tido e, sobretudo, continue a ser acarinhado do mesmo modo, tanto em termos de mercado interno, como de mercado externo. A nossa hospitalidade, a paisagem, a gastronomia e o riquíssimo património que possuímos, constituirão seguramente elementos facilitadores desta nossa vontade. Enumere as principais prioridades da TPNP-ER para 2012.

Manter o crescimento, aumentar a notoriedade do destino, e sermos um dos principais destinos nacionais. ‹

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› A FECHAR

Empresas portuguesas querem instalar-se na Bahia Um grupo de nove empresas de Viana do Castelo assinaram recentemente um protocolo de intenções tendente a instalar as suas empresas no novo pólo industrial do município de Entre Rios, situado no estado brasileiro da Bahia. Após conversações mediadas pela Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Bahia, liderada por António Coradinho, o referido grupo de empresas portuguesas oriundas de Viana do Castelo, e lideradas pela VIV, fabricante de painéis solares fotovoltaicos, si-

nalizou esse interesse ao assinar o protocolo referido. A criação do novo distrito industrial em Entre Rios, surge na sequência de uma descentralização na localização de projetos industriais na Bahia, ainda muito concentrados na Região Metropolitana de Salvador, a capital do principal estado do nordeste brasileiro. António Coradinho referiu à País €conómico que este poderá constitui uma excelente oportunidade para que outras empresas portuguesas se venham a instalar futuramente na Bahia. ‹

Banco Caixa Geral financia no Rio de Janeiro O Banco Caixa Geral Brasil, do universo da Caixa Geral de Depósitos, vai efetuar o financiamento de curto prazo de uma concessão de saneamento na zona Oeste do Rio de Janeiro. A entidade bancária é responsável pelo empréstimo de 98,3 milhões de reais ao consórcio Foz/Saab pelas companhias Foz do Brasil (grupo Odebrecht) e Águas do Brasil. O financiamento de longo prazo será concretizado pelo BNDES. O negócio é considerado como um dos maiores na área das concessões no setor do saneamento do Brasil, onde um responsável do Banco Caixa Geral Brasil sublinhou que «ainda há muito espaço para o setor privado nesta área de atividade. Estamos vendo muita coisa acontecer no Brasil, e a necessidade e investimento é muito grande», sublinhou. Com sede em São Paulo, o Banco Caixa Geral Brasil aposta sobretudo nos segmentos da banca de investimento e de financiamento às empresas. ‹

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Semana da Comunidade Portuguesa no Rio Grande do Sul Por iniciativa da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Rio Grande do Sul (CCBP-RS), decorrerá de 17 a 20 de Abril do presente ano, a Semana da Comunidade Portuguesa no Rio Grande do Sul. O objetivo, segundo adiantou à País €conómico o secretário executivo da CCBP-RS, Walter Montalvão, será o de homenagear a vasta comunidade portuguesa e de luso descendentes, particularmente significativo no caso dos de origem açorianos, começando a Semana com um evento logo no dia 17 de Abril na Assembleia Legislativa do estado, em Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul. Aqui e depois em palestras em duas universidades em Porto Alegre, serão efetuadas palestras sob o tema “Portugal Contemporâneo” e “Açores Contemporâneo”. Aliás, segundo Walter Montalvão, é propósito que o Governo Regional dos Açores esteja presente neste evento, visto que são em grande número os emigrantes ou seus descendentes oriundos dos Açores. É, aliás, histórico que foram seis famílias açorianas que no século XVIII fundaram a atual cidade de Porto Alegre, a capital e principal cidade do Rio Grande do Sul. ‹

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