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TRABALHOS ACADÉMICOS E CIENTÍFICOS

Advertência: -O estudo dos diapositivos que se seguem não dispensa os alunos da consulta frequente a obras, como por exemplo: •Manual APA (2007, 5.ª ed.); Eco (1998); Pereira & Poupa (2004) -Aconselha-se todos aqueles que frequentam uma academia que adquiram um livro sobre elaboração de trabalhos Isabel Costa (isacosta@utad.pt) Nota: Agradeço os contributos da Prof. Cristiana Soveral 2


SUMÁRIO Trabalhos académicos e científicos: • Modalidades e finalidades • Estruturas e conteúdos básicos • Tipos de portefólios • Tipos de fichas de leitura • Aspectos formais • Como tratar um tema • Modelo de índice • Modelo de capa 3


MODALIDADES DE TRABALHOS ACADÉMICOS E CIENTÍFICOS  Doutoramento:  tese  Mestrado:  Dissertação  Projeto de investigação  Relatórios fundamentados/dissertativos  Trabalhos audiovisuais

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MODALIDADES DE TRABALHOS ACADÉMICOS E CIENTÍFICOS  Trabalhos de unidades curriculares  Monografias  Dossiês  Fichas de leitura  Relatórios fundamentados/ dissertativos  Portefólios  Projetos de investigação  Projetos de intervenção  Trabalhos audiovisuais  Maquetes / partituras/ teatro / dispositivos vários  Outros 5


FINALIDADES DOS TRABALHOS ACADÉMICOS DE LICENCIATURA 1) Permitir que os alunos: • penetrem na linguagem e nos métodos da ciência • desenvolvam capacidades de análise de textos conotados com a ciência • reflictam sobre aqueles textos • estruturem adequadamente os conhecimentos que vão adquirindo • desenvolvam capacidades de escrita fundamentada e prudente • desenvolvam e sistematizem as suas ideias pessoais 2) Contribuir para a avaliação dos alunos 6


ESTRUTURA BASE DE UM TRABALHO ACADÉMICO  PÁGINAS PRELIMINARES (parte pré-textual) Capa; página de rosto; índice (Facultativo: errata; dedicatória; agradecimentos; resumos; pensamentos; prefácio,…)  CORPO DO TRABALHO (texto) Introdução Desenvolvimento (tipologia muito variável) Conclusões  PÁGINAS PÓS-TEXTUAIS (parte pós-textual) Bibliografia (Facultativo: anexos; outros índices) Notar: dependendo da sua envergadura, os trabalhos estruturam-se geralmente em partes, capítulos e secções. 7


INTRODUÇÃO: ELEMENTOS BÁSICOS • A introdução de um trabalho deve esclarecer o leitor sobre os principais conteúdos do mesmo • Assim, e independentemente de os itens que se seguem poderem figurar mais desenvolvidos noutra parte do trabalho, a introdução deve esclarecer o leitor, de forma sucinta e clara, sobre os: – âmbito do trabalho – objectivos – métodos (plano de desenvolvimento) – principais conteúdos 8


INTRODUÇÃO: OUTROS ELEMENTOS  Se for caso disso, a introdução também deve indicar os: – contextos do trabalho – justificações – importância – limitações

 A introdução não deve incluir: - pormenores ou desenvolvimentos históricos ou conceptuais (estes deverão figurar no desenvolvimento, se for caso disso). 9


O DESENVOLVIMENTO É a parte mais extensa do trabalho e é aqui que se expõem com detalhe os objectivos, as leituras, os métodos, os resultados, ou seja, é o fulcro do trabalho. Difere bastante consoante o tipo de trabalho (monografia, ficha de leitura, relatório, portefólio, …), por isso, deve ter-se em conta a especificidade do tipo de trabalho a realizar.

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A CONCLUSÃO…

 Deve sintetizar o trabalho de forma clara e breve. De preferência, relembrando os objectivos (constantes na introdução ou em espaço próprio) e fazendo um breve roteiro do início do caminho até ao final (ou ao ponto da situação, se for o caso).  Deve mencionar os objectivos não alcançados; mencionar aspectos ou objectivos não previstos, mas alcançados; considerar, principalmente, tudo aquilo que se alcançou ou que se concluiu.  Também pode mencionar perspectivas para o futuro, ou seja, como dar continuidade ao trabalho (se for caso disso). 11


A CONCLUSÃO…  Num trabalho académico (até licenciatura) é na conclusão que devem ser apresentados de forma clara os pontos de vista do autor.  Sugestão: sendo certo que a redacção da conclusão só ocorre na fase final do trabalho, desde o início devem ser anotados tópicos para figurar na conclusão; isso facilita que não sejam esquecidos tópicos importantes e a imprescindível reflexão.

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MONOGRAFIAS Trabalhos de desenvolvimento sobre um tema determinado, escolhido pelo professor ou pelo aluno.

Exemplos de temas de monografias: • Animação turística • Espaços e materiais no 1.º ciclo • Educação e cidadania • Modelos de organização do trabalho individual e do trabalho com grupos na educação física • Modelos de supervisão na formação profissional • Evolução da educação de adultos em Portugal 13


RELATÓRIOS • Finalidade: relatar (descrever) um determinado processo (estágios, viagens, práticas profissionais, investigações, assistência a aulas, conferências, tarefas,…) • Geralmente, têm uma estrutura sintética e por tópicos • Incluem itens como título, local, data, tempos, momentos, intervenientes, âmbito, descrições de contextos/ observações/ intervenções, planos, outros • Podem incluir enquadramentos teóricos e/ou legais e reflexões • Relatórios fundamentados/ dissertativos: incluem fundamentação/teorização sobre as práticas/processos descritos. 14


PORTEFÓLIO: ORTOGRAFIA • Questões de ortografia:

- segundo o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea (2001), da Academia das Ciências de Lisboa: portefólio, admitindo também o anglicismo portfolio; - segundo o dicionário Houaiss da Língua Portuguesa: portefólio e porta-fólio.

- segundo o Dicionário da Língua Portuguesa (2003), da Porto Editora: portfólio, admitindo também porta-fólio e portefólio. 15


TIPOS DE PORTEFÓLIO Portefólio do tipo A – Revelador do percurso (profissional, de aprendizagens,…) • Contém os trabalhos, a evolução, as reflexões, os comentários do professor, que acompanharam o aluno ao longo de um amplo período de tempo (geralmente de um ou dois semestres); Portefólio do tipo B – Organizador de vários trabalhos • Quando me trabalhos conjuntos, podem ser requeridos portefólios, não tanto pelo pendor reflexivo, mas para facilitar a estruturação dos trabalhos 16


PORTEFÓLIOS • Em âmbitos académicos , os portefólios são um caso particular de trabalho académico, devido à especificidade das suas finalidades e ao modo como são construídos. Têm cabimento em qualquer tipo de unidade curricular, mas justificam-se melhor nas unidade curriculares de forte componente prática. • O portefólio deve conter o essencial, dispensando o acessório; é fundamental que o encadeamento seja lógico e que seja fácil de consultar.

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FICHAS DE LEITURA: PARA QUE SERVEM? • Para ajudar a guardar, de forma organizada e de fácil consulta, as leituras feitas. • São “ferramentas” indispensáveis, bases de dados fundamentais em qualquer trabalho académico ou de investigação. • São instrumentos que devem servir principalmente quem os elabora, pelo que cada um deve procurar a forma mais adequada; contudo, a observação de certas regras facilita o seu uso. • Ajudam destacar informação com vista a ser facilmente localizada posteriormente (na redacção do trabalho). 18 • Usadas também como trabalho para avaliação


TIPOS DE FICHAS DE LEITURA a)

a) Segundo o tipo de suporte: - Ficha de leitura em papel – fácil de elaborar, mas menos prática para consultar, especialmente em grandes projetos ou a longo prazo; -Ficha de leitura informatizada – no início, mais difícil de construir, mas mais produtiva, rápida e prática. Justifica-se para quem pretenda dar continuidade aos estudos. 19


TIPOS DE FICHAS DE LEITURA b) b) Segundo o conteúdo:  FL de catalogação – “B. I” da obra  FL de resumo - Síntese de um texto, mantendo as ideias essenciais  FL de citações curta – predomínio de citações formais e conceptuais; breves comentários  FL de citações alargada – idem, mas com mais detalhes; pode incluir resumos no final de cada capítulo e mais comentários 20


TIPOS DE FICHAS DE LEITURA c)  FL de citações orientada – idêntica à FL alargada, porém com indicação, em coluna própria, das páginas onde são tratados determinados temas (aos quais é previamente atribuído um número de código)

 FL esquemática – os conteúdos principais do texto são apresentadas de forma esquemática.  FL de análise – os conteúdos principais do texto são apresentadas de forma analítica e, por vezes, hermenêutica. Nota: qualquer um destes tipos de FL pode, e deve, conter citações, com indicação de página. 21


FL DE CATALOGAÇÃO O que contém? • referências bibliográficas completas, de acordo com as normas (é de grande utilidade começar por este passo). • assuntos/ palavras-chave • local onde encontrar a obra Pode conter também: • utilidade • data aproximada da leitura 22


FL DE CATALOGAÇÃO: exemplo

BARDIN, L. (1979). Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70.

Assunto: investig., análise de conteúdo Local: biblioteca do Pólo, Luísa, Meu Utilidade: disciplina de métodos, projecto de investigação, análise de textos Data: Setembro de 2001

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FL DE CITAÇÕES: O QUE CONTÉM?  Fundamentalmente, diversos tipos de citações e respetivas páginas  Eventuais ligações com outros textos  Eventuais comentários pessoais NÃO ESQUECER - em coluna bem visível, indicar sempre as páginas de referência das citações ou dos comentários - distinguir bem: as citações formais; as citações conceptuais; as citações mistas; as citações de citações; os comentários. -indicar os capítulos, se for caso disso 24


FICHA DE LEITURA: Citações curta ( ); citações longa (x ); citações orientada ( ); resumo ( ); análise ( ); esquemática ( ). BARDIN, Laurence (1979). Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70.

Pags.

Citações e comentários

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Cap. I

14

“A atitude interpretativa continua em parte a existir na análise de conteúdo mas é sustida por processos técnicos de validação.”

14-25

Evolução histórica da análise de conteúdo

16

Ignorância mútua da análise de conteúdo e da sociologia, apesar dos pontos em comum

19

Definição célebre de Berelson: “A análise de conteúdo é uma técnica de investigação que tem por finalidade a descrição objectiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto da comunicação.” 25


(cont.) Pags.

Citações e comentários

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Referindo-se à querela entre a abordagem quantitativa e a abordagem qualitativa: “Na análise quantitativa, o que serve de informação é a frequência com que surgem certas características do conteúdo. Na análise qualitativa é a presença ou ausência de uma dada característica de conteúdo ou de um conjunto de características num determinado fragmento de mensagem que é tomado em consideração.” Coment.: essa querela permanece ainda hoje (cf. Smith, 1998:76-98)

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Importância do computador Comentário: este tema está mal abordado

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…… 26


FL ORIENTADA Exemplo de identificação de temas específicos N.º de código:

Tema a assinalar:

• 1----------------

• Definições

• 2----------------

• História

• 3----------------

• Tecnologias

• 4----------------

• Polémicas

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FICHA DE LEITURA: Citação curta ( ); citação longa ( ); citação orientada ( X ); resumo ( ); análise ( ); esquemática ( ). BARDIN, Laurence (1979). Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70.

Pags. Tema

Citações e comentários

12

Cap. I

14

“A atitude interpretativa continua em parte a existir na análise de conteúdo mas é sustida por processos técnicos de validação.”

14-25

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16

19

Evolução histórica Ignorância mútua da análise de conteúdo e da sociologia, apesar dos pontos em comum

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Definição célebre de Berelson: “A análise de conteúdo é uma técnica de investigação que tem por finalidade a descrição objectiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto da comunicação.” 28


FL DE RESUMO • Um resumo pode conter citações formais, com indicação da página • O resumo de qualquer texto deve ser SEMPRE fiel ao pensamento do autor do texto objecto do resumo • O resumo não deve conter opiniões, críticas ou interpretações • No resumo, o mais relevante não é a qualidade da escrita, mas sim a forma como se é fiel na síntese das ideias de um determinado texto (autor) • No resumo de um texto, e se for caso disso, pode seguir-se uma “cheklist” (guia) com aspectos como: conceitos, modelos, teorias, contributos e ideias mais relevantes,… 29


• • •

• • •

TRABALHOS ACADÉMICOS - RECOMENDAÇÕES Começar por fazer um índice provisório O índice definitivo deve evidenciar com clareza a estrutura do trabalho Elaborar também um calendário com as etapas e as datas previstas Capa transparente, de preferência (excepto para os trabalhos volumosos) Folha de rosto (seguir os modelos da instituição) Mancha de página (lateral esq.: 3,5; lateral dir.:2; sup.: 4; inf.: 3,5) 30


TRABALHOS ACADÉMICOS - RECOMENDAÇÕES • Tipo de letra (times new roman, tamanho doze, está mais em uso); outros tipos e tamanhos podem ser usados nos títulos • Espaçamento entre linhas: 1,5; texto: justificado • Nas fichas de leitura, pode usar-se espaçamento entre linhas simples • Em certos trabalhos, é de muita utilidade o recurso ao uso de separadores, salientes e identificados, para separar as várias partes. • Evitar o uso de micas, excepto em determinados tipos de trabalhos muito volumosos (ex: alguns portefólios) 31


TRABALHOS ACADÉMICOS - RECOMENDAÇÕES • Evitar as encadernações com régua, pois dificultam o manuseamento • Não esquecer os títulos e as legendas das coisas (de grelhas, fotos, gráficos, etc.). • Índices de grelhas, fotografias, gráficos, etc., se os houver, logo a seguir ao índice geral • Ter o cuidado de mostrar que leram algo da bibliografia recomendada na UC, ou outra, citando-a no texto e incluindo-a na lista bibliográfica final • Elaborar a lista bibliográfica à medida que se vai fazendo o trabalho 32


TRABALHOS ACADÉMICOS - RECOMENDAÇÕES • Todas as citações do texto devem apresentar uma referência bibliográfica breve que remeterá para a referência bibliográfica completa que deverá constar na lista bibliográfica final • Na lista bibliográfica final apenas devem figurar as referências bibliográficas completas dos textos que foram efectivamente citados ao longo do trabalho. • O bom uso da língua portuguesa é indispensável para um trabalho de qualidade • O trabalho deve mostrar uma boa apresentação, com clareza e sobriedade

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TRABALHOS ACADÉMICOS - RECOMENDAÇÕES • Evitar os excessos de fotografias, trabalhos de crianças ou materiais estranhos. • Cabeçalhos e rodapé: não os usar se tiverem sempre a mesma expressão, pois contribuem para adensar inesteticamente a mancha de página. Usar só se justificados. Ex: em trabalhos grandes, para facilitar a leitura, cabeçalhos diferentes consoante os capítulos. • Não incluir cópias de histórias ou outros materiais escritos, especialmente se já divulgados e longos • Cabeçalho e rodapé, apenas se justificado • Os anexos devem ser numerados e identificados • Se anexarem CD, deve estar bem ancorado no portefólio. 34


TRABALHOS ACADÉMICOS - RECOMENDAÇÕES • Nos trabalhos (especialmente trabalhos de grupo), caso haja alguma informação de última hora a incluir, colocar um “post it” manuscrito, entre a capa e a folha de rosto. • Atenção às questões éticas da investigação. • Fotos e filmes: de crianças, esbatidas, ou então, com autorização; fotos de adultos, só com autorização. • Evitar os elogios as críticas ou quaisquer apreciações de tipo avaliativo. • Evitar as referências ao papel desempenhado pelos docentes da disciplina. As opiniões sobre o papel dos docentes, embora úteis, devem surgir num contexto de, por exemplo, reflexão sobre a disciplina. 35


TRABALHOS ACADÉMICOS - RECOMENDAÇÕES • De modo algum fazer referência a nomes ou outros dados susceptíveis de fornecer pistas sobre as identidades de crianças ou de adultos. Lembrem-se que todos os dados, particularmente sobre crianças, são confidenciais e não devem ser divulgados, muito menos em qualquer trabalho académico. • Isto não significa que não possam, ou não devam, se for justificado, fazer referência às crianças ou aos adultos na sua globalidade, caracterizando-os do ponto de vista socioeconómico ou da formação profissional, por exemplo. 36


ESTRUTURA PROVISÓRIA DE TRABALHO CURSO:

DATA: NOME/GRUPO: TÍTULO PROVISÓRIO

ÍNDICE PROVISÓRIO 1….. 2….. 3….. n… 37


PASSOS PARA TRATAR UM TEMA • • • • • • • • • • •

Reunir toda a bibliografia Leitura “em diagonal” de todos os textos Elaborar um índice provisório Ler os textos com atenção, elaborando fichas de leitura Elaborar correctamente a bibliografia desde o início Rever o índice Discutir com o professor o índice Começar a escrever Nunca deitar fora os rascunhos Ir fazendo cópias de segurança do trabalho A escrita é uma tarefa morosa e que só se aperfeiçoa escrevendo… 38


COMO ABORDAR UM TEMA Ao abordar uma questão teórica, situar o conceito nas suas coordenadas: QUEM – Autores de referência, incluindo as opiniões contrárias ONDE – Onde começa o movimento, como progride, até onde vai QUANDO – Génese, sentido da evolução, emergência de novos desenvolvimentos; respeitar ordem cronológica, evitar andar a “saltitar”. COMO – explicação de contextos sociais, culturais e/ou físicos que ajudem a perceber a evolução 39


TRATAR UM TEMA: (UM) MODELO DE ÍNDICE • • • • • • • • • • • •

Introdução Clarificação de objectivos Definição de conceitos Autores de referência Perspectiva histórica/explicação de contextos sociais/físicos Diversidade de perspectivas teóricas Tipologias Características /processos/ modelos Métodos/ técnicas/ instrumentos Vantagens e desvantagens Exemplos Conclusões

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INSTITUIÇÃO/POLO ESCOLA DEPARTAMENTO CURSO Ano do curso/semestre

TITULO DO TRABALHO (Claro e sucinto)

UC: zzzzzzzz Docente: ggggggggg Número e nome completo do(s) aluno(s): yyyyy Grupo n.º:

LOCALIDADE MÊS/ANO 41


CIÊNCIA E ESCRITA • Advertência: • O estudo dos diapositivos que se seguem não dispensa os alunos da consulta frequente a obras, como por exemplo: • Azevedo & Azevedo (1994) • Eco (1998) • Pereira & Poupa (2004) • Sousa (1998)

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RECURSOS • B-on • Endnote • Outras ferramentas de ajuda à pesquisa, à organização e à escrita.

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INTRODUÇÃO

• A maioria dos trabalhos académicos exige demonstração de leituras e reflexões acerca de autores salientes na área de estudo em que se inserem. • Só após a apresentação de tais provas (geralmente, sob a forma de citações) se justificam opiniões próprias de quem assina o trabalho, então aceitáveis porque devidamente fundamentadas nos escritos de autores destacados.

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DISTINÇÃO BÁSICA

Para interpretar ou escrever um texto académico, é essencial saber distinguir entre dois tipos de discurso, que nunca devem ser confundidos e que coexistem geralmente dentro do mesmo texto: •

Discurso próprio: integralmente pensado e escrito pelo autor que assina o trabalho

Discurso com origem directa noutrem (citação): discurso elaborado com base noutros autores, nos quais o autor que assina o trabalho fundamenta os seus pontos de vista. 45


DEMARCAÇÃO DE CITAÇÕES Regra básica: Qualquer tipo de citação obriga à indicação da fonte, usando símbolos que comuniquem ao leitor a origem daquelas palavras ou ideias. As citações devem ser devidamente demarcadas do texto próprio de quem assina o trabalho. Se assim não acontecer, ou seja, quando alguém usa as palavras ou as ideias de outrem sem indicar a fonte, incorre em plágio, acto totalmente condenável em qualquer âmbito, mais ainda em âmbitos académicos.

Plagiar: apresentar como seu aquilo que copiou ou imitou de obras alheias. 46


TIPOS DE CITAÇÕES • Citação formal (direta, textual: quando são transcritas as palavras de outrem – Citação formal curta (3 a 4 linhas) – Citação formal longa (mais do que 4 linhas)

• Citação conceptual: quando são citadas as ideias de outrem por outras palavras • Citação de citação: quando outrem é citado, não diretamente, mas indiretamente através da leitura de um outro autor. Ou seja, quem assina o trabalho não leu o autor x, cujas palavras ou ideias cita, mas leu o autor y, que cita o autor x. Estas citações também podem ser formais ou conceptuais. 47


NORMAS E CRITÉRIOS • A Norma Portuguesa 405-1 e a APA oferecem alguns esclarecimentos sobre citações, mas não responde a todas as dúvidas, pelo que se torna necessário examinar também a escrita de autores consagrados, bem como a consulta frequente a obras sobre este assunto. • Particular atenção às normas das publicações de referência de cada área disciplinar (turismo, educação,…) • Todos aqueles que pretendem realizar trabalhos académicos devem adquirir uma ou mais obras sobre o assunto para consulta ao longo da sua vida académica e profissional. • Como critérios de escolha face às opções de citação sugere-se a economia e a facilidade de uso. 48


ESTILOS DE CITAÇÃO • A regra básica que preside ao estilo de citação seguido nos exemplos destes diapositivos é a seguinte: no texto, indicar apenas os mínimos elementos indispensáveis para identificar a obra cuja referência completa deverá figurar na lista bibliográfica no final do trabalho. • A indicação da fonte e da página pode surgir antes ou depois da citação. Também pode surgir em nota de rodapé ou de fim. Contudo, o procedimento da nota de rodapé não obedece aos critérios de economia e facilidade, já que não dispensa que a referência completa figure na lista bibliográfica do fim, pelo que ocorre duplicação de informações sobre as referências. 49


CITAÇÃO FORMAL CURTA

Qualquer citação formal deve ser demarcada através de aspas e/ou itálico e obriga à indicação da fonte e da página. De preferência, usar ambos os sinais (aspas e itálico) como modo de evitar dissabores provocados, por vezes, pela edição em computador Se se tratar de uma citação formal de menos de três linhas, ela segue no correr do discurso. Ex.: Como afirmou Clifford (1973: 2) uma das esperanças da investigação era o “seu poder para profissionalizar o ensino, garantindo maior autonomia profissional”. 50


CITAÇÃO FORMAL LONGA Se se tratar de uma citação de mais de três linhas, deve figurar como parágrafo independente, separado por uma linha e em itálico (com letra mais pequena, de preferência). Ex.: Nas conclusões, Pinto (2003:72) reconheceu que “influência dos factores económicos e sociais no sucesso escolar foi colocada em causa com este estudo, pois encontram-se escolas de meios claramente desfavorecidos que obtém resultados significativamente superiores aos de escolas de meios favorecidos.”

Nota: este formato também pode ser usado para citações formais curtas, se se pretender destacá-las.

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CITAÇÃO CONCEPTUAL Nas citações conceptuais, usa-se o estilo normal (sem itálico ou aspas), bastando mencionar a obra de origem daquelas ideias, sem obrigatoriedade de indicação do número de página. Ex.: Santos (1998) destacou a necessidade de procurar lidar com a tensão decorrente de se enfrentarem aspectos muitas vezes conflituais de duas culturas. Recorrer mais às citações conceptuais do que às citações formais. A citação formal deve ser usada quando se pretende vincar uma ideia. Advertência: à cautela, é melhor deixar sempre o número da página, pelo menos até à penúltima versão do trabalho, porque pode ser necessário rever a citação. 52


CITAÇÃO DE CITAÇÃO

• Devem ser dadas, com clareza, as referências da fonte que foi efectivamente consultada por quem escreve. Há várias formas de referenciar este tipo de citações. Algumas delas: Ex.: Sobre as vantagens do uso dos computadores, Pinto defendeu que “as modernas tecnologias informáticas são um instrumento indispensável” (Pinto; cit. por Vasconcelos, 2002:7). Ou: Ex.: Sobre as vantagens do uso dos computadores, Pinto defendeu que “as modernas tecnologias informáticas são um instrumento indispensável” (Pinto; apud Vasconcelos, 2002:7). 53


CITAÇÃO DE CITAÇÃO Ou: Vasconcelos (2002:7; citando Pinto), e sobre as vantagens do uso dos computadores, afirmou que “as modernas tecnologias informáticas são um instrumento indispensável”.

Notar: As citações de citações devem ser usadas com parcimónia. Na bibliografia final, deve surgir a referência completa da obra que foi efectivamente lida e não daquela que se cita em segunda mão pois, na bibliografia, só devem figurar as obras efectivamente consultadas por quem assina o trabalho. Para o presente exemplo, deve figurar apenas a referência completa de Vasconcelos (2002). 54


REPETIÇÃO DE CITAÇÃO DE AUTOR OU OBRA • Quando, num texto, um autor é citado mais do que uma vez, de preferência, repetir o nome do autor ou a referência da obra. • Também se pode recorrer às expressões Idem (o mesmo nome que o precedente) ou Ibidem (no mesmo lugar), seguido do número de página, se for caso disso. No entanto, este procedimento torna a leitura do texto menos fluida, porque obriga o leitor a voltar atrás, à procura da referência no corpo do texto ou em nota de rodapé. • Por vezes, quando se fazem citações muito próximas da mesma obra (na mesma página ou em páginas sequentes), apenas se acrescenta o número da página entre parêntesis. 55


PRIMEIRA PESSOA OU PLURAL MAGESTÁTICO? • É uma decisão pessoal. • Até há poucos anos, estava mais em voga o uso do plural majestático (Ex: Pretendemos elaborar um trabalho…) • Actualmente, tendência de aumento do uso da primeira pessoa. Para detalhes ver Costa (2005:xxiv-xxvii). • Costa (2005:29): “A postura do pesquisador não tem que ser necessariamente de afastamento. Pelo contrário, ele pode demonstrar, através de sinais mais ou menos explícitos, a sua intervenção nos projectos.” • Denzin (1998): A intervenção do autor do texto é real, mesmo quanto se resume às interpretações que o investigador veicula através dos textos que apresenta. 56


PRIMEIRA PESSOA • Popkewitz (1988): o estilo impessoal, juntamente com o uso das matemáticas, pretendem conferir às investigações uma aparência de neutralidade. Tal careceria de justificação, segundo Popkewitz, devido a que a ciência social é um conjunto de conhecimentos próprios de um grupo social determinado. • Usher (1996:criticou, de um modo geral, os textos académicos, quando observou que eles se apresentam como se não pertencessem a nenhum contexto em particular, aparentando assim ser um veículo perfeito para a divulgação de conhecimento descontextualizado. 57


PRIMEIRA PESSOA • Richardson (1998): argumentou que forma e conteúdo são inseparáveis, que a escrita científica também reflecte os contextos sócio-históricos e que o uso de formas impessoais é mais uma forma de pretender vincar a autoridade científica de quem escreve. • Contudo, sempre que possível, usar formas impessoais.

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Verbos Ăşteis Abordar Abranger Aduzir Alargar Alegar Aludir Alvitrar Analisar Anotar Apensar Apontar

Argumentar Assinalar Atribuir Citar Classificar Comentar Comparar Conceptualizar Criticar Cumprir Dar seguimento

Delimitar Desenvolver Designar Destacar Determinar Distinguir Elucidar Englobar Esclarecer Escrever Especificar

Executar Exemplificar Explanar Explicar Expor Falar Glosar Ilustrar Implementar Implicar Indagar 59


Verbos úteis Indicar Inquirir Interpretar Interrogar Lembrar Mencionar Narrar Notar Observar Oferecer

Particularizar Pensar Propor Prosseguir Qualificar Questionar Realçar Referir Reforçar Relatar

Reportar Reprovar Salientar Sintetizar Subscrever Sugerir Vincar

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EXPRESSÕES ÚTEIS De acordo com Bernardes & Silva (1995:7), … Tal como afirmaram Duarte et al (1986), … Tal como foi evidenciado por Guimarães (1878:65), … Morais (1995:8) sugeriu que … Ao contrário de Santos (2000), Lopes (2002:5) defendeu que… De modo idêntico a Lapa (1987), também Matos (1999) sustentou … Também Serra & Miranda (1998:25) esclareceram que Comentando esta posição, Roldão (1995:97) concluiu que … Nota: usar o verbo sempre no mesmo tempo verbal, evitando, nas citações dentro de um mesmo texto, o uso do presente e do passado. 61


SEM PRATICAR, POUCO SE APRENDE… 1. Identificar, em textos científicos:

– – – – – –

3 exemplos de citação formal curta 3 exemplos de citação formal longa 3 exemplos de citação conceptual 3 exemplos de citação de citação 3 exemplos de texto próprio do autor dos textos em análise verbos e expressões usadas para integrar as leituras que são citadas, de diferentes formas, pelos respectivos autores 2. Comparar os diferentes modos de referenciar a fonte (no corpo do texto, em notas, na bibliografia). 3. Escrever textos, tentando praticar estas aprendizagens (textos sobre qualquer matéria, numa primeira fase sem preocupação com o rigor dos conteúdos, apenas com a correcção formal). 62


COMO TRATAR UM TEMA • • • • • • • • • • •

Reunir toda a bibliografia Leitura “em diagonal” de todos os textos Elaborar um índice provisório Ler os textos com atenção, elaborando fichas de leitura Elaborar correctamente a bibliografia desde o início Rever o índice Discutir com o professor o índice Começar a escrever Nunca deitar fora os rascunhos Ir fazendo cópias de segurança do trabalho A escrita é uma tarefa morosa e que só se aperfeiçoa escrevendo…

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TRATAR UM TEMA: (UM) MODELO DE ÍNDICE (que pode ser adaptado a cada tema) • • • • • • • • • • •

Introdução Clarificação de objectivos Definição de conceitos Perspectiva histórica Diversidade de perspectivas teóricas Tipologias Características /processos/ modelos Métodos/ técnicas/ instrumentos Vantagens e desvantagens Exemplos Conclusões 64


NORMALIZAÇÃO DOCUMENTAL: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS • Advertência: a consulta dos presentes diapositivos não dispensa a consulta regular a obras como: • -APA, 6ª ed.; - Pereira & Poupas (2003); - Freixo (2011)

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INTRODUÇÃO

• A interpretação e a elaboração de textos de índole científica é um dos requisitos básicos para quem queira alcançar qualquer grau académico superior. • A referência das obras consultadas, ou seja, das obras nas quais se apoia a nossa argumentação, é uma das características básicas de qualquer trabalho de índole científica. • É necessário conhecer as normas que condicionam os modos de referenciação bibliográfica 66


NORMAS DE REF. BIBLIOGRÁFICA

• De uma forma geral, em Portugal, e no âmbito das Ciências Humanas, são seguidas as normas: – American Psychological Association (APA), NP-405, MLA ou outras. • As normas portuguesas são as aprovadas pelo Instituto Superior da Qualidade (ISQ). São as normas seguidas pelos bibliotecários, arquivistas e em algumas instituições. • As normas da APA são mais completas e estão muito bem apresentadas e divulgadas. São normas muito seguidas também em Portugal e em muitos países. São atualizadas frequentemente. 67


NORMAS • Por vezes, alguns grupos disciplinares ou algumas instituições optam por outras normas. Sempre que se inicie um trabalho numa determinada área disciplinar, tomar conhecimento das normas seguidas (ex: turismo, normas de Annals of Tourism Research. • Com alguma frequência, opta-se por uma mistura de normas, ou cada um faz como bem entende. • Aos alunos, pede-se que aprendam uma destas normas e que passem a aplicá-la de forma coerente. • Princípio fundamental adoptado para os exemplos que se seguem: seguir o mais possível a norma APA, justificando as excepções. 68


MONOGRAFIAS Publicação contendo texto e/ou ilustrações apresentados em suportes destinados a leitura visual, completa, num único volume, ou a ser completada num número determinado de volumes Autoria

(data)

P Título

P

.

.

n.º da edição

P Local da P edição . :

Editora

P .

69


EXEMPLOS DE REFERÊNCIAS: MONOGRAFIA • Batista, A. (2002). O discurso pós-moderno contra a ciência: obscurantismo e irresponsabilidade. Lisboa: Gradiva. • Bogdan, R., & Biklen, S. (1994). Investigação qualitativa em educação. Porto: Porto Editora. • Winn, S. (1995). Learning by doing (3.ª ed.). Nova York: MacMillan. • Booth, David et al (1984). Studying research methods. S. l.: Falmer Press. • Campos, B. (Org.). (1996b). Investigação e inovação para a qualidade das escolas. Lisboa: IIE. 70


EXEMPLOS DE REFERÊNCIAS: CONTRIBUIÇÃO EM MONOGRAFIA • Joshua, S. (2001). Será possível a experimentação e em que condições?. In C. Hadji & J. Bailée (Orgs.), Investigação e educação: para uma "nova aliança" (pp. 103-112). Porto: Porto Editora. • Jesuíno, J. (1986). O método experimental nas Ciências Sociais. In A. S. Silva & J. M. Pinto (Orgs.), Metodologia das ciências sociais (5ª ed., pp. 215-249). Lisboa: Afrontamento.

71


EXEMPLO DE: ARTIGO DE PUBLICAÇÃO EM SÉRIE

• Alarcão, I., & Moreira, A. (1993). Technical rationality and learning by reflecting on action in teacher education: dichotomy or complement? Journal of Education for Teaching, 19 (1), pp. 31-40. ou: • Alarcão, I., & Moreira, A. (1993). Technical rationality and learning by reflecting on action in teacher education: dichotomy or complement? Journal of Education for Teaching, vol. 19, n.º1, pp. 31-40. 72


EXEMPLO DE PUBLICAÇÃO EM SÉRIE, TOTALIDADE Título. Numeração (volume e n.º). Local de publicação: Editor, data. Revista Aquae Flaviae. N.º 34. Chaves: Grupo Cultural Aquae Flaviae, 2005.

73


AUTORIA: SITUAÇÕES MAIS USUAIS • • • • • • • • •

1 a 3 autores Mais de 3 autores Dois apelidos Autor espanhol Autor – nome composto Autor desconhecido Autoria: colectividade - instituição Autoria: colectividade – grupo eventual Organizadores, compiladores, editores literários

75


ATÉ 3 AUTORES • Apelido, Nome • Apelido, Nome, Apelido, Nome • Ex.: Ribeiro, Alice, & Guedes, Francisco • Apelido, Nome, Apelido, Nome, & Apelido, Nome • Nota 1: em certos casos, a entrada faz-se por dois apelidos Ex.: Castelo Branco, Camilo • Nota 2: se se tratar de um autor espanhol, o apelido a ter em conta é o que está a seguir ao nome. 76


MAIS DE TRÊS AUTORES • Segundo a NP 405-1, indicar apenas o primeiro autor, ou aquele que parece mais em evidência, seguido da expressão [et al.] Ex.: Campos, Bártolo [et al] • Notar que, na prática, os parênteses costumam ser dispensados ou, até, o correspondente em português “e outros” Ex.: Estrela, Albano et al Alarcão, Isabel e outros

77


AUTOR DESCONHECIDO • Neste caso, o título deve figurar em primeiro lugar • Se houver fundadas razões para supor que se sabe quem é o autor através de fontes exteriores ao documento, tal deve ser referido entre parênteses rectos

• Ex.: [Caetano, Luís] (1875). A flora da serra de Sintra.

78


AUTORIA: COLECTIVIDADE-INSTITUIÇÃO • O nome da colectividade transcreve-se tal como aparece na fonte. • Quando a colectividade autora é subordinada a uma outra colectividade, esta deve ser referida em primeiro lugar. • Assim, ministérios, órgãos legislativos, civis, religiosos, administrativos, judiciais devem figurar subordinados à circunscrição territorial a que dizem respeito Ex.: Câmara Municipal de Chaves Ministério da Economia Universidade do Porto. Faculdade de Letras

79


AUTORIA: COLECTIVIDADE GRUPO EVENTUAL (congressos, exposições, jornadas, etc.) • Nome, número, local de realização e data Ex.: Congresso nacional de professores, 2, Braga, 1983 Jornadas da alimentação saudável, 1, Beja, 1998.

80


ORGANIZADORES, COMPILADORES, EDITORES LITERÁRIOS • Podem ser tratados como autores, desde que apareçam destacados na página de título. • O nome do organizador apenas deve ser seguido de vírgula e abreviatura da função correspondente. • Notar que, se o organizador não aparecer destacado, o primeiro elemento da referência deve ser o título. Ex.: Carvalho, Adalberto (Org.) Almeida, Fernando (Ed. lit.) 81


TÍTULO • Pontuação que precede o título • Destaque gráfico para o título • Título simples

• Título e complemento do título • Supressões • Pontuação que indica o final do título 82


TÍTULO E COMPLEMENTO DE TÍTULO • O título deve ser reproduzido como aparece na fonte • Pode ser transcrito qualquer complemento do título ou informação relativa ao título • A pontuação entre título e complemento é “dois pontos” (mesmo que tal não conste na fonte), excepto se a fonte explicitar outra pontuação • A pontuação que indica o final do título é o ponto final • O itálico é o mais comum • Ex: Carvalho, João (1994). A metodologia nas humanidades: subsídios para um trabalho científico. 83


TÍTULO: SUPRESSÕES • Títulos ou complementos do título longos podem ser abreviados, desde que não se perca a informação essencial. A supressão não deve ser feita no início do título e deve ser indicada por reticências Ex.: Rocha, Alberto, & Pinto, Luísa (1976). Estudo do comportamento das focas…

84


NÚMERO DA EDIÇÃO • Se se tratar de uma primeira edição, não é necessário mencionar o número da edição • Se se tratar de uma reedição, tal deve ser mencionado a seguir ao título, de forma abreviada • Ex.: Guedes, Marina et al (1987). A escola é para todos (2.ª ed.)

Nota: Quando se trata de uma reimpressão, não é necessário mencionar.

85


LOCAL DA EDIÇÃO • Deve ser sempre indicado o local da edição Ex.: Silva, Manuela, & Tamen, Isabel (Coord). (imp. 1981). Sistema de ensino em Portugal. Lisboa: F. C. Gulbenkian. • Se se tratar de uma localidade pouco conhecida ou que se possa confundir com outra, indicar a circunscrição territorial à qual pertence que seja mais conhecida Ex: Scheurich, James (1997). Research method in the postmodern. Cambridge, Mass.: Falmer.

86


EDITOR • Transcrever o nome do editor tal como consta na fonte. Também pode ser abreviado, desde que isso não suscite ambiguidade Ex.: Porto: Porto Editora Coimbra: Almedina (em vez de Coimbra: Livraria Almedina) • Se constarem vários editores, menciona-se apenas o mais destacado ou o que surge em primeiro lugar seguido de Ex.: Paris: PUF

87


INFORMAÇÕES DESCONHECIDAS a) Com frequência, os documentos não incluem todas as informações necessárias para uma completa referência bibliográfica. Nesses casos, procede-se assim: • Desconhecimento do local de edição: (S.l.) (abreviatura de sine loco)

• Desconhecimento do editor: (s.n.) (abreviatura de sine nomine) • Desconhecimento do ano da publicação, sem informações adicionais: (s.d.) 88


INFORMAÇÕES DESCONHECIDAS b) Sobre as situações em que o ano de publicação não está mencionado no documento, mas se conhecem outras informações, indicar as datas de impressão, copyright, depósito legal ou a data presumíveis, conforme os exemplos:     

imp.1987 cop. 1979 D.L. 1987 (1876?) (197-?)

89


LEMBRAR QUE… • A indicação do número de páginas, obrigatória nas referências bibliográficas de artigos em publicações periódicas ou em monografias, pode ser dada através do recurso mais económico, ou seja, apenas um p seguido de ponto, como no exemplo: – Correia, A. P., & Dias, P. (1998). A evolução dos paradigmas educacionais à luz das teorias curriculares. Revista Portuguesa de Educação. Braga: Universidade do Minho. Vol.11, n.º 1, p. 113-122.

• ISBN – Número internacional normalizado do livro (International standard book number). A NP 405-1 diz que é obrigatória a sua indicação. Contudo, pelo menos nos escritos académicos, tal não tem sido seguido, pelo que se dispensa nas listas bibliográficas.

90


CIÊNCIA: - INTRODUÇÃO

-CONCEITOS BÁSICOS

91


A CIÊNCIA E OS PROFISSIONAIS

• Para quê necessitam os profissionais (professores, animadores, tec turismo,… de estudar a ciência? • Que ciência estudar? Ou, que ciências? • Que aspectos da ciência? • Estudar ou também praticar? • Como, quando, porquê? • O que podem os profissionais fazer com a ciência? • E a ciência, também se interessou pelos profissionais? • Que ciência(s)? Quando, como, porquê? • Por onde começar, então? 92


FUNÇÕES DOS PROFISSIONAIS EM TEMPOS DE INCERTEZA Actualmente, os profissionais desenvolvem o seu trabalho em situações de caracterizadas pela singularidade, complexidade, instabilidade e conflito de valores • Eles: - Observam – Elaboram reflexões – Diagnosticam – Decidem – Avaliam – Adequam, modificam, criam e investigam… 93


OS PROFISSIONAIS‌ Pensam Reflectem Analisam Modificam Ensinam Aprofundam Gerem Filosofam Constroem conhecimento Quantificam

Observam Praticam Escrevem Investigam Colaboram Planificam Conversam Criticam Interpretam Compreendem 94


CIÊNCIA E PROFISSÕES

• As disciplinas e as profissões desenvolvem-se melhor quando apoiadas também no conhecimento científico. • As práticas profissionais tendem a apoair-se, cada vez mais, em fundamentos teóricos construídos com recurso ao método científico

95


Algumas questões sobre a ciência • O que é a ciência? • O conhecimento adquire-se só através da ciência? • O conhecimento científico conduz-nos à verdade?

• Existem outros tipos de conhecimento? • Qual a relação entre a ciência e os outros tipos de conhecimento?

96


TIPOS DE CONHECIMENTO: CONHECIMENTO VULGAR Designado também por “senso comum”; refere-se ao conjunto de conhecimentos adquiridos por via da experiência individual e/ou colectiva, que caracteriza os grupos sociais e que os seres humanos utilizam no seu quotidiano para resolver ou explicar aspectos da vida prática. Costuma ser caracterizado como: superficial; sensitivo; subjectivo; assistemático; acrítico;

Baseado na intuição, autoridade, tradição, experiência pessoal 97


CONHECIMENTO VULGAR: EXEMPLOS • “A minha experiência diz-me que sempre que vou ao dentista fico com dor de cabeça” • “Catos em casa trazem azar” • “Todos sabemos que turmas homogéneas são menos produtivas que as turmas heterogéneas” • “Quando cozinhamos, devemos retirar sempre as pontas do loureiro” • “Eu sei o que devo fazer perante este tipo de situações” 98


CONHECIMENTO FILOSÓFICO

Baseia-se na reflexão sistemática para descobrir e explicar as razões dos fenómenos. Entra nos campos não imediatamente verificáveis.

(Adaptado de Lakatos & Marconi, 1989)

99


CONHECIMENTO RELIGIOSO

• • • • • •

Apoia-se na fé Doutrinas que contêm proposições sagradas (valorativo) Revelado pelo sobrenatural (inspiracional) Verdades infalíveis e indiscutíveis (exactas) Conhecimento sistemático do mundo Evidências não verificadas

100


MEIOS DE OBTENÇÃO DE CONHECIMENTOS Meios de obtenção de conhecimentos

Método científico

Métodos não científicos experiência

razão

autoridade

intuição

superstição •(Adapt. de Helmstadler) 101


CIÊNCIA • A ciência conjuga o sentido comum e o pensamento reflexivo com a contrastação empírica, originando o conhecimento científico (Arnal, 1992:11). • A ciência é um conjunto de conhecimentos racionais, certos ou prováveis, obtidos metodicamente, sistematizados e verificáveis, que fazem referência a objectos de uma mesma natureza (AnderEgg, 1978) • Conjunto de conhecimentos objectivos acerca da natureza, da sociedade, do homem e do seu pensamento, obtidos através do método científico. (Bunge, 1975) 102


Características do conhecimento científico a) 1- Racional (é constituído por conceitos, juízos e raciocínios e não por sensações, imagens). 2- Objectivo (busca a verdade factual por meio da observação ou da experimentação). 3 – Factual (parte dos factos e sempre retorna a eles). 4 – Transcendente aos factos (controla-os, replica-os e infere outros). 5 – Analítico (decompõe o todo em partes). 6 – Claro e preciso (define com precisão os conceitos). 7 – Comunicável (linguagem informativa e não expressiva). 8 – Verificável (está sujeito à experimentação ou à demonstração). 9 – Dependente da investigação metódica (é planeado com normas e técnicas pré-estabelecidas). 103


Características do conhecimento científico b) 10 – Sistemático (é constituído por um sistema de ideias logicamente correlacionadas). 11 – Acumulativo (incorpora conjuntos de hipóteses aceites às teorias existentes). 12 – Falível (não é definitivo, pode alterar-se mesmo nos pressupostos básicos). 13 – Geral (o particular é estudado na medida em que pertence a espécies ou classes). 14 - Explicativo (explica os factos em termos de leis e as leis em termos de princípios).

104


Características do conhecimento científico c) 15 – Preditivo (através da indução probabilística prevê ocorrências). 16 – Aberto (porque é falível e, em consequência, capaz de progredir). 17 – Útil (mesmo quando não o procura ser no imediato, acaba por ser aplicável).

(Bunge, 1975, cit. por Marconi & Lakatos, 1989, adaptado)

105


MÉTODO CIENTÍFICO • É um conjunto de procedimentos pelos quais se colocam os problemas científicos e se põem à prova as hipóteses e os instrumentos de trabalho investigativo (Tamayo e Tamayo, 1981). • É a aplicação persistente da lógica, para pôr à prova as nossas impressões, opiniões ou conjecturas, examinando as melhores evidências disponíveis a favor ou contra elas (Cohen e Nagel,1973). • É a forma de proceder ao longo de um caminho. Na ciência, os métodos constituem os instrumentos básicos que ordenam de início o pensamento em sistemas e traçam de modo ordenado a forma de proceder do cientista ao longo de um percurso para alcançar um objectivo (Trujillo, 1974). 106


CONCEITOS BÁSICOS NO ÂMBITO DA CIÊNCIA

107


TEORIA, MODELO, MODELO CONCEPTUAL TEORIA • A teoria refere-se a relações entre factos ou à ordenação significativa desses factos (Goode & Hatt, 1969:12) • É uma generalização abstracta que representa uma explicação sistemática das relações entre os fenómenos (Fortin, 1999:19). MODELO Configuração ideal que representa, de modo simplificado, uma teoria. Ajuda a compreender a teoria ou a pô-la em prática. • Ex: mapas, diagramas MODELO CONCEPTUAL Mais abstractos do que as teorias; fornecem uma perspectiva geral e filosófica de um fenómeno. Ex: o aluno deve ser o guia do seu próprio percurso de aprendizagem. 108


TEORIA: exemplos

• • • • •

Teoria geocêntrica (Ptolomeu) Teoria heliocêntrica (Copérnico, Galileu) Teoria da relatividade (Einstein) Teoria do desenvolvimento cognitivo (Piaget) Teoria dos códigos sociolinguísticos (Bernstein)

109


ELABORAÇÃO DE TEORIAS

110


ALGUMAS FUNÇÕES DA TEORIA

a) Organizar e integrar o conhecimento b) Identificar factos c) Clarificar fenómenos d) Formular construções lógicas e) Resumir dados f) Predizer acontecimentos g) Identificar áreas que requerem investigação.

111


LEI, FACTO

• LEI – Relação constante entre duas ou mais variáveis. As leis formulam-se a partir da análise de dados. • Ex: O ouro tem um ponto de fusão de 1063º. • FACTO – Observação empiricamente verificada. • Ex: Observação de que o fungo da penicilina inibiu o crescimento das bactérias. 112


CONCEITO, CONSTRUCTO • CONCEITO – Construção lógica criada a partir de impressões dos sentidos ou de percepções e experiências. – Abstracção construída a partir de conhecimentos específicos observáveis • Ex: etnia • CONSTRUCTO – Espécie de conceito que representa uma categorização ou classificação de uma série de factos sob um único símbolo. Ex: inteligência (Kerlinger, 1973) – Abstracção ou conceito deliberadamente construído ou inventado pelo investigador, com um objectivo preciso. Por vezes, difícil de observar e quantificar Ex: suporte social (Fortin, 2003) (Adaptado de Visauta, 1989)

113


OBSERVAÇÃO

• Observar é prestar atenção com vista a compreender melhor uma realidade. • Não há ciência sem observação • A observação é um elemento fundamental em todo o processo de investigação científica. • Pode partir-se da observação para a teoria ou da teoria para a observação

114


NÃO ESQUECER…

• Não se faz ciência para provar aquilo que já sabemos. • Faz-se ciência para procurar criticamente o que não sabemos.

115


PERSPETIVAS DA INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA EM EDUCAÇÃO

116


PERSPETIVAS DA INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA • A pesquisa científica faz-se apenas a partir de uma ou de várias perspectivas? • Que concepções da realidade social estão na base das distintas perspectivas de fazer ciência? • Quais as caraterísticas das distintas perspetivas de fazer ciência em educação?

117


PERSPETIVAS… • • • • • • • • • • •

ENFOQUES… PARADIGMAS… TRADIÇÕES…. MODOS…. ABORDAGENS… MODELOS… TIPOS… MODALIDADES… MÉTODOS… EPISTEMOLOGIAS… POSIÇÕES.. 118


INVESTIGAÇÃO…

• Investigação filosófica: investigar de modo directo e imediato, pela intuição; e investigar de modo indirecto pela razão. • Investigação histórica: análise crítica de dados históricos, apresentando uma coerência interpretativa. • Investigação comparativa:compara sistemas diferentes, oferecendo uma perspectiva global. • Investigação empírica • Investigação-acção 119


CONCEPÇÕES DA REALIDADE SOCIAL(1) (Cohen & Manion, 1990, adpt. de Greenfield) Dimensões de comparação

Base filosófica

O papel da ciência social

Unidades básicas da realidade social

Métodos de entendimento

Objectivista

Subjectivista

Realismo: o mundo existe e é cognoscível como realmente é. As organizações são entidades reais com vida própria.

Idealismo: o mundo existe mas pessoas diferentes explicam-no de maneiras muito diferentes. As organizações são realidades sociais inventadas.

Descobrindo as leis universais da sociedade e da conduta humana dentro dela.

Descobrindo como as pessoas interpretam de modo diferente o mundo em que vivem.

A colectividade: sociedade ou organizações.

Indivíduos actuando sós ou em grupo.

Identificando condições ou relações que permitem que a sociedade exista. Concebendo quais são essas condições ou relações.

Interpretação dos significados subjectivos que os indivíduos aplicam à sua acção. Descobrindo as regras subjectivas para tal acção. 120


CONCEPÇÕES DA REALIDADE SOCIAL(2) Dimensões de comparação

Objectivista

Subjectivista

Um edifício racional construído por cientistas para explicar o comportamento humano.

Conjuntos de significados que as pessoas usam para dar sentido ao seu mundo e ao comportamento dentro dele.

Convalidação experimental ou quasi-experimental da teoria.

A busca de relações com sentido e o descobrimento das suas consequências para a acção.

Abstracção da realidade, especialmente através de modelos matemáticos e análises quantitativas.

A representação da realidade com fins de comparação. Análise da linguagem e do significado.

Teoria

Investigação

Metodologia

121


CONCEPÇÕES DA REALIDADE SOCIAL(3) Dimensões de comparação

Sociedade

Organizações

Patologias organizativas

Prescrição para a mudança

Objectivista

Subjectivista

Ordenada. Governada por um conjunto uniforme de valores e tornada possível só por aqueles valores.

Em conflito. Governada pelos valores das pessoas com acesso ao poder.

Orientadas para um fim. Independentes das pessoas. Instrumentos de ordem na sociedade servindo tanto a sociedade como o indivíduo.

Dependentes das pessoas e dos seus fins. Instrumentos de poder que algumas pessoas controlam e podem usar para alcançar fins que lhes parecem bons.

Organizações desajustadas com valores sociais e necessidades individuais.

Dados fins humanos diversos, há sempre conflito entre as pessoas que os perseguem.

Muda a estrutura da organização para satisfazer os valores sociais e necessidades individuais.

Descobre que valores se incorporam na acção organizativa e de quem são esses valores. Se puder, modifica as pessoas ou os seus 122 valores.


PREDISPOSIÇÕES DOS MODOS DE PESQUISA QUANTITATIVO E QUALITATIVO (Glesne & Peshkin, 1992:7) Modo quantitativo

Modo qualitativo PRESSUPOSTOS

Os factos sociais têm uma realidade objectiva Primazia do método As variáveis podem ser identificadas e as relações medidas Etic (ponto de vista de alguém do exterior)

A realidade é construída socialmente Primazia do conteúdo As variáveis são complexas, interligadas e difíceis de medir Emic (ponto de vista de alguém do interior). FINALIDADE

Generalização Predição Explicações causais

Contextualização Interpretação Compreensão das perspectivas dos actores (dos investigados) ABORDAGEM

Começa com hipóteses e com teorias

Termina com hipóteses e com teorias contextualizadas (“grounded theory”) Emergência e representação MANIPULAÇÃO E CONTROLE

Usa instrumentos formais Experimentação Dedutivo Análise de componentes Procura o consenso, a norma Reduz os dados a índices numéricos Linguagem abstracta

O investigador como instrumento Naturalista Indutivo Procura padrões Procura o pluralismo, a complexidade Usa índices numéricos com parcimónia Linguagem descritiva PAPEL DO INVESTIGADOR

Distanciamento e imparcialidade Descrição objectiva

Envolvimento pessoal e parcialidade Compreensão empática

123


PARADIGMAS: SÍNTESE (Arnal et al, 1992) (1) Positivista (racionalista, quantitativo)

Paradigma /dimensão

Interpretativo (naturalista, qualitativo)

Sociocrítico

Positivismo lógico. Empirismo

Fenomenologia. Teoria interpretativa

Teoria crítica

Natureza da realidade

Objectiva, estática, única, dada, fragmentável, convergente

Dinâmica, múltipla, holística, construída, divergente

Compartilhadahistórica, construída, dinâmica, divergente

Finalidade da investigação

Explicar, predizer, controlar os fenómenos, verificar teorias. Leis para regular os fenómenos

Compreender e interpretar a realidade, os significados das pessoas, percepções, intenções, acções

Identificar potencial de mudança, emancipar sujeitos. Analisar a realidade

Independência. Neutralidade. Não se afectam. Investigador externo. Sujeito como “objecto” de investigação

Dependência. Implicação do investigador. Inter-relação

Relação influenciada pelo compromisso. O investigador é um sujeito mais

Neutros. Investigador não influenciado por valores. O método é garantia de objectividade

Explícitos. Influenciam a investigação.

Partilhados. Ideologia partilhada

Fundamentos

Relação sujeito/ objecto

Valores

124 •[1]

Supõe-se que a investigação-acção também deveria estar explicitamente incluída nesta categoria.


Paradigma /dimensão

Positivista Interpretativo (racionalista, quantitativo) PARADIGMAS: SÍNTESE (naturalista, (Arnal et qualitativo) al, 1992)

Sociocrítico

(2)

Dissociadas, constituem entidades distintas. A teoria, norma para a prática

Relacionadas. Retro alimentação mútua

Indissociáveis. Relação dialéctica. A prática é teoria em acção

Critérios de qualidade

Validez, fiabilidade, objectividade

Credibilidade, confirmação, transferibilidade

Inter subjectividade, validez consensuada

Técnicas: instrumentosestratégias

Quantitativos. Medição de testes, questionários, observação sistemática. Experimentação

Qualitativos, descritivos. O investigador é o principal instrumento. Perspectivas participantes

Estudo de casos. Técnicas dialécticas[1]

Quantitativo: estatística descritiva e inferencial

Qualitativo: indução analítica, triangulação

Inter subjectivo. Dialéctico

Teoria/ Prática

Análise de dados

•[1] Supõe-se que a investigação-acção também deveria estar explicitamente incluída nesta categoria.

125


CONFIGURAÇÕES DOS PARADIGMAS (Com base em Habermas, 1978)

•POSITIVISTA: •Os factos sociais têm uma realidade objectiva •-quantificação •-objectividade •-generalização •-hegemonia no séc. XIX e 1.ª metade do séc. XX

•INTERPRETA-TIVO: •A realidade é construída socialmente •-ponto de vista do investigado •-cada situação é única •-desde meados do séc. XX

•SOCIO-CRÍTICO: •A realidade é construída socialmente •-identificar potencial de mudança •-emancipar sujeitos •-desde dec. de 70

126


ESTATUTO DO CONHECIMENTO •Que tipo de conhecimento SE SUPÕE que é produzido em cada um dos paradigmas?

•POSITIVISTA

•INTERPRETATIVO

•SOCIO-CRÍTICO:

•-quantificável •-objectivo •-generalizável (se cumpridas todas os critérios de validade)

•-objectividade relativizada •-generalização relativizada •-serve para a compreensão de outras situações, e não é necessariamente transferível

•-semelhante a interpretativo •-contudo, mais do que o conhecimento em si, importa a mudança e a emancipação que, através dele, se pode conseguir 127


O PROTAGONISMO DO INVESTIGADOR Que tipo de papel SE SUPÕE que o investigar assume?

•POSITIVISTA:

•INTERPRETATIVO:

•Supremacia

•Supremacia

•Poder

•Poder

•Distanciamento

•Proximidade

•SOCIO-CRÍTICO:

•Paridade •Partilha

128


PERMEABILIDADE Contudo…. • Os paradigmas não são inalteráveis nem estanques • Eles são dinâmicos

129


Posições face aos paradigmas • Competição; oposição • Cooperação, em algum tipo de supremacia; • Unicidade

• As fronteiras são, muitas vezes, ténues

130


Perspectivas face aos enfoques qualitativo e quantitativo: a) Oposição e diferenciação entre eles. b) Falsa dicotomia. Interligação e enfoque misto em função dos problemas, os contextos e as situações de investigação. Complementaridade nalguns casos. • Os dois enfoques, no seu extremo, partilham a ideia de que os factos sociais são como são, independentemente de quem e como os observe (PRINCÍPIO DE NEUTRALIDADE COGNITIVA). •

CRÍTICA DA NEUTRALIDADE COGNITIVA: A ciência depende das relações sociais no campo, não é uma tarefa formalista e asséptica. 131


A PARTIR DO PARADIGMA… Decide-se: - a metodologia em geral - o tipo de estudo - as técnicas Sendo que: - as mesmas técnicas podem ser usadas em diferentes estudos e paradigmas

132


HISTÓRIA DA CIÊNCIA: INVESTIGAÇÃO EDUCACIONAL

133


ANTECEDENTES CHINA: bússola, pólvora, papel, papel-moeda, tipografia, relógio, medicina... • CIVILIZAÇÕES DA AMÉRICA: biologia, astronomia, medicina, geologia... • ÁFRICA: biologia, medicina, astronomia... • INDIA: numerais, álgebra, biologia, geologia... • ISLÃO: química, matemática, astronomia, óptica... 134


CONTEXTO DE DESENVOLVIMENTO DA CIÊNCIA (EXPANSÃO MARÍTIMA EUROPEIA: CONSEQUÊNCIAS ECONÓMICAS) • O Médio Oriente e Norte de África perdem influência comercial • As repúblicas mediterrâneas (Veneza, Génova, Constantinopla) perdem influência comercial • As cidades atlânticas (Lisboa, Sevilha, Antuérpia,…) ganham importância • Ou seja, os centros económicos deslocam-se do Mediterrâneo para o Atlântico • A agricultura perde o lugar central na economia • Desenvolvimento do capitalismo (os bancos 135 financiavam as viagens marítimas e o comércio)


CONTEXTO DE DESENVOLVIMENTO DA CIÊNCIA (EXPANSÃO MARÍTIMA EUROPEIA: CONSEQUÊNCIAS SOCIAIS)

• A aristocracia feudal entra em decadência • A burguesia comercial e financeira torna-se poderosa economicamente • Os burocratas da corte ganham protagonismo

136


CONTEXTO DE DESENVOLVIMENTO DA CIÊNCIA (EXPANSÃO MARÍTIMA EUROPEIA: CONSEQUÊNCIAS POLÍTICAS) • Fortalecimento do Poder Real até chegar ao Absolutismo Monárquico

• Os países envolvidos no comércio marítimo tornam-se em potências coloniais • Desenvolvimento do colonialismo europeu • As potências coloniais europeias lutam pela supremacia • Até ao século XX, notória supremacia da Europa sobre os restantes continentes 137


CONTEXTO DE DESENVOLVIMENTO DA CIÊNCIA (EXPANSÃO MARÍTIMA EUROPEIA: CONSEQUÊNCIAS RELIGIOSAS)

• Expansão do Cristianismo (alguma adaptação do cristianismo à nova mentalidade provinda do Iluminismo) • Supremacia do Cristianismo sobre o Islão (alguma estagnação do Islão, não integração do Iluminismo)

138


CONTEXTO DE DESENVOLVIMENTO DA CIÊNCIA (EXPANSÃO MARÍTIMA EUROPEIA: CONSEQUÊNCIAS CULTURAIS E CIENTÍFICAS)

• • • •

Conhecimento da esfera terrestre Conhecimento de fauna e flora exóticas Conhecimento de culturas diferentes Desenvolvimento do espírito científico que dá primazia à experiência (observação, análise) como base para o conhecimento • Progresso das ciências e da técnica • Expansão e enriquecimento das línguas europeias • Desenvolvimento da mentalidade aberta da cultura moderna 139


CONTEXTO DE DESENVOLVIMENTO DA CIÊNCIA (OUTROS FACTORES) • Revolução Francesa – os ideias de Liberdade, Igualdade e Fraternidade não eram propícios aos argumentos da autoridade, mas sim da razão • A Enciclopédia (França, século XVII) fazia a síntese do espírito moderno, difundindo a ideia de “progresso” • Fracasso das tentativas de hegemonia política na Europa (constituída por vários países relativamente pequenos). Em caso de regime ditatorial, os pensadores, os filósofos, os cientistas, podiam sempre fugir para algum país europeu. • Diversidade e conflitos religiosos • Sec. XIX - desenvolvimento de máquinas e do capitalismo; auge da colonização. 140


CONTEXTO DE DESENVOLVIMENTO DA CIÊNCIA (OUTROS FACTORES) Principalmente a partir do século XVIII, começa a difundir-se a ideia de que a natureza pode ser compreendida sem o recurso ao sobrenatural O saber não imediatamente enfeudado aos poderes políticos ou religiosos foi ganhando cada vez mais prestígio e força Na procura do conhecimento, desenvolveu-se o método científico, apoiado fundamentalmente na razão, na observação, na experimentação, em oposição a outros métodos apoiados na autoridade ou apenas na razão A mensuração das variáveis identificadas tornou-se na “regra de ouro” caracterizadora do método científico 141


PRIMEIROS CIENTISTAS MODERNOS (Ciências Naturais) Copérnico (sec. XVI) - astronomia Kepler (séc. XVI) - astronomia Galileu (séc. XVII) - astronomia, física Newton ( sec. XVII) - física, óptica Descartes ( sec. XVII) - matemática, filosofia Bacon (sec. XVII) - filosofia Lavoisier (sec. XVIII)- química

142


AS CIÊNCIAS SOCIAIS Estudo do social: • Tradição grega – Filosofia • Tradição medieval – Teologia • A partir do século XVIII – Ciência (que ciência?)

143


AUGUSTO COMTE (1798-1857) Concepção idealista da evolução social: as ideias dominantes determinam a realidade social A. Comte (1798-1857) explicou a evolução do pensamento humano, exemplificando com a compreensão do fenómeno vento, através da Lei dos Três Estados. É possível obter níveis de inteligibilidade dos fenómenos sociais comparáveis aos das ciências naturais. (Adpt. de Pité, 1997:83)

144


Desenvolvimento histórico do método (Comte) Lei dos três estados: Estado teológico – os fenómenos são explicados como produzidos pela acção directa e contínua de agentes (seres e forças) sobrenaturais e invisíveis. Aqui, o vento é compreendido como resultado da acção do deus Éolo. Estado Metafísico – as forças e seres sobrenaturais e invisíveis são substituídas por forças ou entidades abstractas, na explicação dos fenómenos. O vento é explicado como resultado de uma virtude inerente ao próprio ar – a dinâmica do ar. Estado positivo ou científico – em que, através do raciocínio e da observação, o espírito humano descobre as leis efectivas dos factos. O vento é compreendido como consequência da deslocação do ar das altas para as baixas pressões atmosféricas. 145


EMILE DURKHEIM (1858-1917) • Concepção realista: as mudanças socioculturais têm como causa os factos sociais, a realidade social; existe uma “consciência colectiva” (espécie de tipo psíquico de sociedade) que resulta da amálgama das “consciências individuais”. • Sociedades de coesão mecânica (primitivas) e sociedades de coesão orgânica (modernas, divisão do trabalho e especialização) • Avanços no método sociológico; • É possível obter níveis de inteligibilidade dos fenómenos sociais comparáveis aos das ciências naturais. • Socializar é modelar; o Estado deve controlar a acção pedagógica; a escola deve adoptar modelos autoritários de transmissão de conhecimento • Funcionalismo - herdeiros intelectuais: Malinowski (todas as instituições têm uma função social) e Merton (“função social 146 manifesta” e “função social latente”, vinda de Freud?)


KARL MARX (1818-1883) – Materialismo dialético • Concepção materialista: a realidade social (principalmente económica) determina as ideias dominantes • Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; é o ser social que determina a sua consciência • Ideologia; classes sociais; infraestrutura ou base económica; superestrutura (organização social, política e jurídica) • O Estado é uma instância reguladora em nome dos interesses das classes dominantes • É possível obter níveis de inteligibilidade dos fenómenos sociais comparáveis aos das ciências naturais. • Herdeiros intelectuais – Althusser (escola: instrumento de reprodução das desigualdades das classes); Bernstein (os códigos linguísticos e culturais da escola vão de encontro aos das classes 147 dominantes, logo menos acessíveis aos restantes)


MAX WEBER (1869-1920) • A unidade de base da sociologia só podia ser indivíduo isolado e a sua actividade, embora o indivíduo actue em contextos colectivos • Sensível ao movimento intelectual de ruptura com o positivismo (o filósofo Dilthey); insuficiência das estratégias metodológicas baseadas nas manifestações exteriores e que procuram relações causais entre fenómenos sociais; aprender os factos sociais por compreensão • Se não está excluída a necessidade de objectivação e “imputação causal” na análise dos fenómenos sociais, também não se deve ignorar que os actores sociais têm as suas próprias ideias e explicações sobre porque se comportam assim; as explicações são elas próprias parte indispensável de qualquer interpretação das condutas; ter em conta as motivações e finalidades subjectivas do indivíduo (adpt. de Pinto, 1994)

148


WILHELM DILTHEY (1833-1911) • Filósofo alemão, propulsionador da distinção entre ciências do espírito e ciências da natureza; esforçou-se pela autonomia das ciências do espírito, que têm por objecto a realidade história e social e excluem as metodologias próprias das ciências da natureza (distinção erklären/verstehen) • Quanto aos factos que a sociologia trata, eles têm como principal característica o serem significantes, devendo por isso procurar-se a compreensão desses fenómenos, mais do que as suas causas • A epistemologia da compreensão apoia-se no aspecto individual e específico da relação entre um sujeito e um objecto, cuja existência é interdependente e se afirmam numa mutualidade existencial, portanto única para cada situação concreta (adpt. de Soveral, 1997) 149


INVESTIGAÇÃO EDUCACIONAL • Começou por se designar pedagogia experimental. • Os manuais de pedagogia experimental do início do séc. XX citam pedagogos anteriores, mais para os criticar, do que para concordar com eles • Fundamenta-se epistemologicamente nas Ciências Naturais

150


A PSICOLOGIA EXPERIMENTAL • Psicologia experimental – estudar por observação e experimentação os organismos no seu meio, fazendo variar as condições de forma a encontrar as leis que regem os organismos • A psicologia experimental surge na base de uma epistemologia das Ciências Naturais. • A psicologia experimental esteve na origem da investigação educacional (controvérsia)

151


A PSICOLOGIA EXPERIMENTAL • Habitualmente é referido o nome de Wundt como fundador, em 1879, do primeiro laboratório de psicologia experimental, em Leipzig • Wundt fundou revistas, orientou doutoramentos, divulgou amplamente os objectivos e os métodos da psicologia experimental, pessoalmente e através dos seus muitos alunos.

152


EVOLUÇÃO DA INVESTIGAÇÃO EDUCACIONAL ÉPOCA

OBJECTO

Finais do séc. XIX Criança até anos 60 do séc. Programas de ensino XX Professor (características ) Princípios anos 70 Sala de aula, escola até actualidade Professor (pensamento) Criança Contexto social Finais anos 70 até Sala de aula, escola actualidade Professor (actor social) Criança Contexto social

PARADIGMA

MÉTODOS E TÉCNICAS

Positivista

Questionário Observação Ênfase na medição

Positivista Interpretativo

Questionário Entrevista Observação Caso Etnografia... Investigação-ação Inquéritos Observação…

Positivista Interpretativo Sociocrítico …..

153


MODELO DE ANÁLISE DE TEXTOS SOBRE INVESTIGAÇAO DIVERSIDADE DE “PARADIGMAS”/MÉTODOS

Sem supremacia Com supremacia Asseveração de um PADRÃO de um de unicidade, “paradigma”, “paradigma”, na em algum tipo em luta ou não diversidade de equilíbrio SNN

Sim

Não

Não

NSN

Não

Sim

Não

NNS

Não

Não

Sim

EXEMPLOS

-La Orden (1985a) -Carr & Kemmis (1986) -Tuckman (2002) -Cohen & Manion (1990) -Arnal et al (1992) -Mateo Andrés (2000) -Bell (2004) -Not (1984d) -Walker & Evers (1988) -Keeves & Lakomski 154 (1999a e b)


EVOLUÇÃO DA INVESTIGAÇÃO EDUCATIVA

155


INVESTIGAR A EDUCAÇÃO… • Investigação filosófica: investigar de modo directo e imediato, pela intuição; e investigar de modo indirecto pela razão. • Investigação histórica: análise crítica de dados históricos. Deve apresentar um sentido de coerência interpretativa. • Investigação comparativa: compara sistemas diferentes, oferecendo uma perspectiva global. • Investigação empírica; Investigação-acção 156


PRIMEIROS CIENTISTAS MODERNOS (Ciências Naturais) Copérnico (sec. XVI) - astronomia Kepler (séc. XVI) - astronomia Galileu (séc. XVII) - astronomia, física Newton ( sec. XVII) - física, óptica Descartes ( sec. XVII) - matemática, filosofia Bacon (sec. XVII) - filosofia Lavoisier (sec. XVIII)- química

157


AS CIÊNCIAS SOCIAIS Estudo do social: • Tradição grega – Filosofia • Tradição medieval – Teologia • A partir do século XVIII – Ciência (que ciência?)

158


CIÊNCIAS SOCIAIS Diferentes teorias:     

August Comte Karl Marx Emile Durheim Max weber Wilhelm Dilthey

……. 159


INV. EMPÍRICA: INVESTIGAÇÃO EDUCACIONAL Segunda metade do século XIX, num contexto de: • Pujança económica, política económica e cultural da Europa e dos EUA. • Grande desenvolvimento do método científico -Ciências naturais -Ciências sociais -As ciências naturais como modelo de todas as áreas de estudo que pretendiam cientificar-se

160


INVESTIGAÇÃO EDUCACIONAL • Começou por se designar pedagogia experimental. • Os manuais de pedagogia experimental do início do séc. XX citam pedagogos anteriores, mais para os criticar, do que para concordar com eles • Fundamenta-se epistemologicamente nas Ciências Naturais

161


A PSICOLOGIA EXPERIMENTAL • Psicologia experimental – estudar por observação e experimentação os organismos no seu meio, fazendo variar as condições de forma a encontrar as leis que regem os organismos • A psicologia experimental surge na base de uma epistemologia das Ciências Naturais. • A psicologia experimental esteve na origem da investigação educacional (controvérsia)

162


A PSICOLOGIA EXPERIMENTAL • Habitualmente é referido o nome de Wundt como fundador, em 1879, do primeiro laboratório de psicologia experimental, em Leipzig • Wundt fundou revistas, orientou doutoramentos, divulgou amplamente os objectivos e os métodos da psicologia experimental, pessoalmente e através dos seus muitos alunos.

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EVOLUÇÃO DA INVESTIGAÇÃO EDUCACIONAL ÉPOCA

OBJECTO

PARADIGMA

MÉTODOS E TÉCNICAS

Finais do séc. XIX Criança até anos 60 do séc. Programas de ensino XX Professor (características )

Positivista

Questionário Observação Ênfase na medição

Princípios anos 70 até actualidade

Sala de aula, escola Professor (pensamento) Criança Contexto social

Positivista Interpretativo

Questionário Entrevista Observação Caso Etnografia...

Finais anos 70 até actualidade

Sala de aula, escola Professor (actor social) Criança Contexto social

Positivista Interpretativo Sociocrítico …..

Investigação-ação Questionários Entrevistas Observação… 164


MODELO DE ANÁLISE DE TEXTOS SOBRE INVESTIGAÇAO DIVERSIDADE DE “PARADIGMAS”/MÉTODOS

Sem supremacia Com supremacia Asseveração de um PADRÃO de um de unicidade, “paradigma”, “paradigma”, na em algum tipo de em luta ou não diversidade equilíbrio SNN

Sim

Não

Não

NSN

Não

Sim

Não

NNS

Não

Não

Sim

EXEMPLOS

-La Orden (1985a) -Carr & Kemmis (1986) -Tuckman (2002) -Cohen & Manion (1990) -Arnal et al (1992) -Mateo Andrés (2000) -Bell (2004) -Not (1984d) -Walker & Evers (1988) -Keeves & Lakomski 165 (1999a e b)


FASES E ETAPAS DO PROCESSO DE INVESTIGAÇÃO (Modelo simplificado e adaptável)

1) FASE CONCEPTUAL •PRIMEIRA ABORDAGEM AO PROJECTO DE INVESTIGAÇÃO •(preferências; áreas problemáticas; exequibilidade; …) •1.º ENQUADRAMENTO EM TEORIAS •(reflexão sobre tipo de pesquisa, paradigmas…) •DEFINIÇÃO DO PROBLEMA •(clareza; relevância; geralmente sob a forma de pergunta; …)

•REVISÃO LITERATURA/ ENQUADRAMENTO TEÓRICO •(limitada, credível, recente; quadro de referência/ paradigmas)

•OBJECTIVOS/ (SUB)QUESTÕES DE INVESTIGAÇÃO/ CONSTRUÇÃO DE HIPÓTESES •(algumas correntes metodológicas não consideram essenciais as hipóteses) •Cont.

166


FASES E ETAPAS DO PROCESSO DE INVESTIGAÇÃO

2) FASE METODOLÓGICA O DESENHO DO PROJECTO

(tomar decisões sobre…) -Paradigma (consolidação) -Nível de investigação, formas de controlo, tipo de estudo (descritivo, experimental, quase-experimental, investigação-ação, de massas, estudos transversais, de caso, inquérito, etnográfico, …) -População, amostra, contextos, período cronológico (unidade de análise) -Variáveis -Técnicas de recolha e de análise de dados: inquéritos, observação, análise documental, testagens, estatística, análise de conteúdo… -Ética (reflexões e decisões sobre as questões éticas que atravessam todo o processo de pesquisa) 167


FASES E ETAPAS DO PROCESSO DE INVESTIGAÇÃO

3) FASE EMPÍRICA (ACÇÕES VÁRIAS, DEPENDENDO DO TIPO DE ESTUDO)

RECOLHA DE DADOS

ANÁLISE DE DADOS

CONCLUSÕES (implicações e recomendações)

DIVULGAÇÃO DO ESTUDO 168


CLASSIFICAÇÕES DE ESTUDOS DE INVESTIGAÇÃO

169


INVESTIGAÇÃO… • Investigação filosófica: investigar de modo directo e imediato, pela intuição; e investigar de modo indirecto pela razão. • Investigação histórica: análise crítica de dados históricos. Deve apresentar um sentido de coerência interpretativa. • Investigação comparativa: compara sistemas diferentes, oferecendo uma perspectiva global. • Investigação empírica • Investigação-acção 170


DIVERSIDADE DE CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO • O estudos de investigação empírica pode ser classificada de acordo com diversos parâmetros. • Distintas concepções da realidade social (objectivista ou subjectivista) estão na origem de distintos paradigmas de investigação (positivista, interpretativo, sociocrítico).

171


CRITÉRIOS PARA CLASSIFICAR OS ESTUDOS DE INVESTIGAÇÃO • São várias as tentativas de classificar os estudos de investigação. • Os estudos de investigação podem ser classificados segundo os seguintes critérios: As questões-pivô e os níveis de investigação O grau de abstracção (fundamental ou básica; aplicada) O grau de generalização (fundamental; acção) O grau de abstracção (dedutiva; indutiva A natureza dos dados (quantitativa; qualitativa) A manipulação de variáveis (descritiva, “es post facto”, experimental) O lugar (de laboratório; de campo) O alcance temporal (transversal; longitudinal) O número de indivíduos (grupo; sujeito único) 172


CRITÉRIOS PARA CLASSIFICAR OS ESTUDOS DE INVESTIGAÇÃO A concepção do fenómeno em estudo (nomotética; ideográfica) A dimensão cronológica (histórica; descritiva; experimental) O objectivo (métodos descritivos; explicativos; experimentais; preditivos) As fontes (bibliográfica; metodológica; empírica) A orientação (orientada para a comprovação; para a descoberta; para a aplicação) 173


DUAS GRANDES CATEGORIAS DA INVESTIGAÇÃO

• ESTUDOS EXPLORATÓRIOS-DESCRITIVOS

• ESTUDOS EXPLICATIVO-PREDITIVOS

(Fortin, 2003:135)

174


HIERARQUIA DOS NÍVEIS DE INVESTIGAÇÃO (Fortin:53) Nível

Questão-pivô

Bases dos conhecimentos

Objectivo

Tipos de estudo

1

Quê? Quem? Qual? Quais são os factores?

Poucos ou nenhuns escritos no domínio Domínio com fraca base teórica ou conceptual

Reconhecer Descrever Descobrir

Descoberta e exploração de factores (descritivo, exploratório, formulação)

2

Existem relações entre os factores? Que factores estão ligados a…?

Existem escritos no domínio Variáveis definidas Quadro conceptual

Descrever as variáveis e as relações

Descoberta de relações possíveis entre variáveis (descritivo/ correlacional, inquérito, estudo de caso)

3

Se tal relação existir, Escritos que fazem o que acontece? supor associação entre Porquê? variáveis Quadro conceptual ou teórico

Explicar a força Verificação de hipóteses de ou a direcção associação entre variáveis das relações (correlacional, explicativo)

4

Porquê? Que acontece se tal tratamento for aplicado?

Predizer uma relação causal. Explicar. Controlar

Numerosos escritos no domínio Quadro teórico

Verificação de hipóteses causais (experimental, quase-experimental) 175


COMENTÁRIOS À CLASSIFICAÇÃO POR “NÍVEIS DE INVESTIGAÇÃO” (1) • Distintos níveis de investigação não representam, de forma alguma, uma hierarquia de “qualidade da investigação” (discordo mesmo, neste ponto, do uso do termo “hierarquia” adoptado por Fortin). • Ou seja, não se pode dizer que os estudos nos níveis 1 ou 2 sejam “inferiores” aos estudos nos níveis 3 ou 4. Daí a minha discordância quanto ao uso do termo “hierarquia”. • Estudos nos níveis 3 ou 4 não passarão de meros exercícios de técnicas estatísticas avançadas se não surgirem apoiados em estudos relevantes dos níveis 1 e 2. 176


COMENTÁRIOS À CLASSIFICAÇÃO POR “NÍVEIS DE INVESTIGAÇÃO” (2) • Do mesmo modo, não deve ser esquecido que um bom estudo descritivo pode aportar mais conhecimentos sobre uma problemática do que muitos estudos experimentais, particularmente nas ciências sociais. • Podem sempre realizar-se estudos de nível 1, mesmo que as bases dos conhecimentos já sejam substantivas: uma área nunca está suficientemente descrita, seja qual for o ponto de vista.

177


COMENTÁRIOS À CLASSIFICAÇÃO POR “NÍVEIS DE INVESTIGAÇÃO” (3) • Independentemente dos níveis de investigação, o que importa é que a investigação seja levada a cabo com o máximo de rigor e de criatividade. • Estudos de todos os níveis são necessários ao desenvolvimento das áreas disciplinares; notar que os estudos experimentais são de difícil uso na maioria das ciências sociais (embora sejam usados com frequência na Psicologia).

178


TIPO DE ESTUDO SEGUNDO A MANIPULAÇÃO DA V. I. CONCLUSÕES PERMISSÍVEIS QUASE-EXPERITIPO DE ESTUDO V. I. NÃO MANIPULÁVEL

V. I. MANIPULÁVEL

DESCRITIVO

MENTAL OU ASSOCIATIVO

EXPERIMENTAL

X

NÃO MANIPULA-DA

X

MANIPULA-DA

X

CONCLUSÕES DE: ASSOCIAÇÃO CAUSALIDADE

X

X

X X 179


ESTUDOS DE MASSAS (OU DE GRUPO) • Baseiam-se em amostras representativas, seleccionadas por um método de amostragem, de preferência probabilístico. • Métodos e técnicas quantitativas (inquéritos, dados estatísticos,...) • Procuram regularidades, explicações, leis. Ex: sondagens, estudos experimentais, estudos correlacionais.

180


ESTUDOS DE CASO • Analisam um só indivíduo, ou um grupo reduzido de indivíduos, sem preocupações de representatividade. • Métodos e técnicas qualitativas (entrevistas, semiestruturadas, observação participante, histórias de vida, análise documental…) • Procuram compreender em profundidade o que se passou, ou passa, tendo geralmente em consideração as perspectivas dos sujeitos investigados Ex.: estudo prolongado no tempo e em profundidade do comportamento de um adolescente; estudo de uma turma; estudo de uma pequena aldeia; estudo de uma casa de turismo rural. 181


INVESTIGAÇÃO FUNDAMENTAL, BÁSICA OU PURA Busca de novos conhecimentos, com o fim de desenvolver a teoria, sem preocupação de aplicações práticas (pelo menos imediatas). Exemplos: • Piaget desenvolveu a sua teoria do desenvolvimento cognitivo observando crianças e adultos sem referir grandes preocupações com as suas aplicações (em educação, por exemplo.) No entanto, é hoje um dos teóricos mais citados pelos educadores. • Teorias dos gases, que ajudaram ao lançamento dos foguetões. 182


INVESTIGAÇÃO APLICADA • Modo resolver problemas práticos, através de métodos científicos. • Não há preocupação com as possibilidades de generalização ou com os aumentos do conhecimento científico. • Embora não seja esse o seu principal objectivo, pode contribuir para o incremento da ciência, o que acontece com muita frequência. • Grande parte da investigação em educação é aplicada. 183


INVESTIGAÇÃO DE LABORATÓRIO (Segundo o lugar) • O investigador cria intencionalmente as condições em que o estudo vai decorrer, ou porque pretende realmente o máximo controlo da situação, ou porque, por qualquer razão, não pode efectuar o estudo em situação real. • Usa-se mais com métodos experimentais, quantitativos. Ex.: experiências com ratos em laboratório; estudo de um novo método de ensino da matemática, com grupo experimental e grupos de controle, numa situação de máximo controle da validade interna 184


INVESTIGAÇÃO DE CAMPO • Desenvolve-se em contextos o mais reais possível • Não permite controlos rigorosos dos factores intervenientes. • Ex: A maior parte da investigação na sala de aula Investigação etnográfica (não confundir com trabalho de campo)

185


ESTUDOS ANALÍTICOS • Estudos de literatura • Análise de currículos • Análise de textos Ex: Analisar um texto escolar ou um folheto turístico para tentar perceber mais sobre o seu conteúdo escondido. Por exemplo, os seus preconceitos (sobre as raças, o sexo, o rural, etc.). • Estudos filosóficos • Análise de conceitos; Análise teórica Ex: Tentar perceber as raízes filosóficas. “Este currículo vem de correntes francesas? Que movimentos havia em França que sustentaram este currículo, ou esta organização do sistema educativo?”; Que conceitos estão na base destes pacotes turísticos? Comparar duas teorias de aprendizagem Comparar os fundamentos de duas teorias 186


DELINEAMENTOS EXPERIMENTAIS • UMA EXPERIÊNCIA: “É um estudo no qual uma ou mais variáveis independentes são manipuladas para ver o seu efeito sobre a variável independente] e no qual a influência de todas ou quase todas as variáveis relevantes possíveis não pertinentes ao problema da investigação é reduzido a um mínimo.” (Kerlinger, 1979:125) • “É uma observação objectiva de fenómenos que são forçados a ocorrer numa situação rigorosamente controlada e em que um ou mais factores são manipulados enquanto os restantes são controlados ou mantidos sob condições constantes.” (Zimney, 1961, cit. por Pinto, A., 1990:74) • “Tem a função de ajudar a recolha de evidências de forma tal que as inferências de uma relação causal entre as variáveis dependente e independente possam ser deduzidas legitimamente.” (Selltiz, 1965:119) 187


DELINEAMENTOS…

• DELINEAMENTOS PRÉ-EXPERIMENTAIS, QUASE-EXPERIMENTAIS E EXPERIMENTAIS PUROS • Legenda: • A - Selecção aleatória dos sujeitos para os grupos • X - Exposição de um grupo a uma variável experimental (V. I.) • C - Exposição de um grupo à condição de controlo ou placebo • O - Observação ou teste 188


DELINEAMENTOS PRÉ-EXPERIMENTAIS

a) O estudo de um grupo simples X O b) O estudo de um grupo com pré-teste e pós-teste O1 X O2 c) O estudo de dois grupos sem aleatorização e sem préteste X O1 C O2 189


DELINEAMENTOS EXPERIMENTAIS PUROS O estudo pré-teste pós-teste a grupos equivalentes A O1 X O2 A O3 C O4 O ganho do grupo experimental é = O2 - O1 O ganho do grupo de controlo é = O4 - O3 O estudo Solomon de quatro grupos A O1 X O2 A O3 O4 A X O5 A O6 190


ESTUDO PÓS-TESTE E GRUPO DE CONTROLO

A

X A

O1 O2

191


ESTUDOS FACTORIAIS • Só diferem dos anteriores porque incluem mais variáveis independentes ou tratamentos manipulados simultaneamente. • A grande vantagem é que oferecem, para além dos efeitos principais, efeitos de interacção das diferentes variáveis independentes.

192


ESTUDOS QUASE-EXPERIMENTAIS • Não há aleatorização dos sujeitos pelas condições; logo, a validade interna é posta em causa. • Nas ciências sociais é mais frequente o uso deste tipo de estudos pelas dificuldades em manipular as variáveis independentes.

193


ESTUDOS DESCRITIVOS • Descrevem e interpretam aquilo que é. • Apreciam as condições ou relações que existem, as opiniões que se têm, os processos que decorrem, os efeitos que são evidentes, as tendências que se desenvolvem. • Não é possível a manipulação de variáveis, por razões objectivas ou por razões éticas.

194


ESTUDOS EXPLORATÓRIOS

“Têm um carácter provisório visto que se realizam para obter um primeiro conhecimento da situação onde se pensa realizar uma investigação posterior” (Arnal, 1992:44)

195


FUNÇÕES DOS ESTUDOS EXPLORATÓRIOS • • • • •

Obter a experiência que será útil para a formulação de hipóteses relevantes para uma investigação posterior, mais estruturada. Evocar, mais do que comprovar, hipóteses. Aclarar conceitos. Reunir informações sobre as possibilidades práticas de realizar determinados projectos. Proporcionar um censo de problemas de uma determinada área que possam vir a ser estudados pelo investigador. São muito frequentes nas Ciências Sociais, porque escasseiam os estudos em algumas áreas. As teorias existentes são muitas vezes insuficientes para suportar sozinhas os estudos que se mostram necessários face às áreas problemáticas. Nos casos de problemas acerca dos quais existe muito pouco conhecimento utilizável, recorre-se normalmente a um estudo exploratório, para conseguir perspectivas, directrizes, ideias, vislumbrar hipóteses. Correspondem, de certa forma, uma etapa inicial num qualquer 196 processo de investigação. (Adapt. de Selltiz et al, 1965:69)


EXEMPLOS DE ESTUDOS EXPLORATÓRIOS • O que pensam os mineiros do seu trabalho? (no caso de não haver estudos sobre o pensamento dos mineiros e de não haver indícios de possíveis variáveis) • Razões que os funcionários públicos apresentam para gostarem ou não gostarem do seu trabalho (no caso de não haver estudos sobre o tema ou de não haver indícios de possíveis variáveis) • O que fazem nos tempos livres os jovens de ambos os sexos, com e sem emprego estável? (idem) • Que actividades preferem os idosos nos lares do concelho de Chaves, quando não acompanhados por animadores? 197


INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA OU HISTORIOGRAFIA • “É um acto de reconstrução empreendido com espírito de estudo crítico, delineado para conseguir uma representação fiel de uma época anterior.” (Cohen e Manion, 1990:76) • “Examina o passado com o fim de descrever e interpretar os acontecimentos relevantes” (Bisquerra, 1989:144)

198


UTILIDADE DA INVESTIGAÇÃO HISTORIOGRÁFICA “A capacidade da história de usar o passado para prever o futuro

e de usar o presente para explicar o passado, proporciona-lhe uma qualidade dupla e única que a torna especialmente útil para todo o tipo de investigações escolares.” (Hill & Kerber cit.por Cohen & Manion, 1990:77) “A investigação histórica sobre educação contribui para um mais completo entendimento das relações entre política e educação, entre escola e sociedade, entre governo central e local e entre professor e aluno.” (Cohen & Manion, 1990:78) Qualquer que seja o interesse principal de uma investigação histórica, ele nunca se poderá separar de outros temas 199


MÉTODOS DA INVESTIGAÇÃO HISTORIOGRÁFICA As fontes de informação são os documentos, mais do que as pessoas, se bem que possa utilizar também testemunhos presencias. Fontes primárias: Documentos originais, testemunhos orais ou escritos, uma acta do Parlamento, leis, diários, cartas, facturas, filmes, inscrições, fósseis, objectos, construções (usar este tipo de fontes sempre que possível). Fontes secundárias: Enciclopédias, resumos posteriores, um artigo de jornal sobre uma jornada no Parlamento (mais facilmente podem induzir em erro). 200


PROCESSOS E TEMAS DA INVESTIGAÇÃO HISTORIOGRÁFICA ... recolha de dados, ordenar, classificar, sintetizar, avaliar, interpretar A investigação historiográfica é essencialmente interpretativa; há sempre novas leituras do passado. Por vezes, também se fazem inferências causais, embora sem a possibilidade da prova. Temas: O objecto de uma investigação histórica pode ser um personagem, um movimento, uma ideia, uma instituição. Mas nenhum pode ser considerado isoladamente. Tudo está relacionado com tudo. O que pode variar é o enfoque. Qualquer que seja o interesse principal de uma investigação histórica, ele nunca se poderá separar de outros temas . (Adapt. de Best & Kahn, 1993:85) 201


EXEMPLO DE ESTUDOS HISTORIOGRÁFICOS (A revisão de literatura pode ser, de certa forma, investigação histórica). • As ideias de Salazar sobre a educação. - um homem • Educação e sociedade no Portugal de Salazar. - sociedade, ideias • As escolas de formação de professores primários em Portugal da década de 30 à década de 70. – instituições • A educação da infância em Portugal: o caso dos Jardins de Infância João de Deus. • As escolas particulares em Chaves a partir da década de 40. • Movimentos estudantis nas escolas secundárias no pós-25 de Abril. • Evolução dos interesses dos movimentos estudantis universitários da década de 50 até à actualidade. 202


Exemplo de estudos historiográficos:

• • • • • •

Papel das escolas profissionais no progresso da indústria e da sociedade suíça a partir do sec. XIX. Evolução das atitudes acerca dos castigos corporais no Portugal da 2ª metade do sec. XX. Arquitectura escolar em Portugal. A formação de animadores socioculturais, em Portugal: o caso das associações promotoras de escolas de formação. Temáticas dos projectos de investigação dos alunos finalistas dos cursos de ASC, em Chaves. Evolução das atitudes face aos turistas estrangeiros, em Braga, na Páscoa. 203


ESTUDOS LONGITUDINAIS, TRANSVERSAIS E TRANSVERSAIS-LONGITUDINAIS CURTOS • •

• • • •

Cf segundo ficheiro word sobre longitudinal A investigação educacional ocupa-se especialmente com os processos de mudança (repare-se em qualquer definição de “Educação”). Ora, para podermos apreciar mudanças, temos que dispor de observações de, pelo menos, dois pontos no tempo. Explica-se então que os estudos sobre a “passagem do tempo”, ou longitudinais (ou também transversais, ou “tracer”), sejam muito comuns em investigação educacional. O desenvolvimento humano opera em três conjuntos de influências, as quais interagem umas com as outras de variadíssimas maneiras: Factores biológicos Factores ambientais Intervenções de aprendizagem planeada 204


ESTUDOS LONGITUDINAIS • • •

Estudam os alterações que ocorrem com a passagem do tempo. Segue o mesmo grupo de indivíduos ao longo do tempo, para observar as mudanças em determinadas variáveis. Idade do grupo AmostraPonto no tempoVariáveis obser.Idade 1Amostra 1P. no Tempo 1V1, V2, VnIdade 2Amostra 2P. no Tempo 2V1, V2, VnIdade nAmostra nP. no Tempo nV1, V2, Vn

205


ESTUDOS LONGITUDINAIS curtos e longos •

LONGITUDINAIS CURTOS: Duram cerca de um ano ou menos; usam-se muito em Educação, por exemplo, estudos de implementação de um método numa disciplina. LONGITUDINAIS LONGOS: Prolongam-se no tempo. Ex: Em Educação, estudos sobre a implementação de programas; em Psicologia, estudos sobre o desenvolvimento de crianças sobredotadas. PROBLEMAS: Muito difícil controlar as fontes de invalidade (História, maturação, mortalidade, testagem, efeito Hawthorne, etc.). 206


ESTUDOS TRANSVERSAIS •

Têm o mesmo objectivo dos estudos longitudinais (seguir as mudanças no tempo). Mas, em vez de estudarem os mesmos indivíduos ao longo de uns certos anos, estudam indivíduos de idades diferentes simultaneamente. PROBLEMAS: • Se queremos saber a evolução que acontece no tempo relativamente a determinadas variáveis, e utilizarmos este delineamento, é difícil descobrir se as diferenças encontradas são devidas realmente à passagem do tempo ou a diferenças já existentes entre os grupos de cada estratificação.

207


ESTUDOS LONGITUDINAIS CURTOS •

Semelhante ao transversal simples, mas cada um dos estratos é seguido, longitudinalmente, durante um certo período de tempo.

EXEMPLO DE ESTUDO LONGITUDINAL: – Desenvolvimento da moral nos indivíduos dos 15 aos 35 anos – 356ªmedição2017315ªmedição274ªmedição233ªmedição192ªmedição (4anos) Anos: 15 1ªmedição 1997

EXEMPLO DE ESTUDO TRANSVERSAL: • 1997 - Medição simultânea em todas as amostras: • 15anos

208


ESTUDOS PILOTO Miniatura do (ou de parte do) estudo real, realizado com sujeitos retirados da população a que pertence a amostra mas não pertencentes a esta. Objectivos – testar técnicas e e instrumentos de recolha de dados – testar procedimentos de recolha de dados (tempo, instruções, etc.) – Obter dados piloto para análise de dados (criar e/ou testar um conjunto de categorias) – Adquirir experiência na implementação do estudo – Aperfeiçoar os procedimentos 209


VERIFICAÇÃO PRELIMINAR • É mais formal do que o estudo-piloto. • É uma espécie de ensaio geral, para verificar se as técnicas escolhidas irão ser correctamente aplicadas e se há algum desvio, ou algum imprevisto. Por exemplo, se se fizerem observações não participantes, devem-se realizar ensaios, com os mesmos observadores, os mesmos guiões, em situações retiradas da mesma população a estudar (mas não da mesma amostra). O objectivo é aferir todos os procedimentos, incluindo a análise dos dados, ou acontecimentos imprevistos. 210


PREDIÇÃO

• “Pela predição podemos prever o desempenho de um indivíduo em uma variável dependente com base em uma ou mais notas em certas variáveis dependentes.” • “As predições são assim de natureza estatística. Têm probabilidades maiores ou menores ligadas a elas. Não são ... predições individuais, mas antes predições para classes de indivíduos que obtiveram as notas dadas X1 e X2.” (Kerlinger, 1979:307) 211


PREDIÇÃO (2) Predição representa um esforço para descrever o que se encontrará no que respeita a um acontecimento não observado ainda, na base de informação que se considera ser relevante para esse acontecimento. Preditor é a informação que se usa para fazer a predição. Em qualquer estudo de predição existe, pelo menos, uma variável de predição (v. preditoras). Criterion (critério) é o acontecimento ou resultado a predizer. As variáveis preditoras podem ser quantitativas (ex: resultados de um teste), ou qualitativas (ex: tipo de curso escolhido). 212


PREDIÇÃO (2) E predição envolve sempre incerteza. Um estudo de predição é realizado com uma determinada amostra. Num estudo de predição, tipicamente, os resultados obtidos na variável preditora (ex. os resultados num teste) são usados para predizer um determinado perfil. Mas a verdadeira finalidade é poder usar esses resultados para fazer previsões com outras amostras. Muitas instituições da área da educação usam com frequência resultados de estudos de predição para seleccionar, por exemplo, candidatos. Precisamente, esse é um dos grandes objectivos deste tipo de estudos: ajudar a tomar decisões com base em evidência empírica. (Adpt. de Keeves, 1988:566-570) 213


REPLICAÇÃO • •

Uma combinação dos termos repetição e duplicação. É um método de verificar as conclusões de um estudo prévio, usando sujeitos diferentes, em lugares diferentes, investigadores diferentes. Se se chegarem a conclusões semelhantes, então o estudo anterior terá mais força. A replicação é essencial para o desenvolvimento e verificação de novas generalizações e teorias. (adapt. de Best e Kahn, 1993:124) Significa repetir um estudo, mas quase sempre com variações: os sujeitos são outros, modifica-se uma variável, o estudo desenvolve-se noutro local, etc. É mais fácil fazer estudos de replicação em ciências exactas do que em ciências sociais; é mais fácil replicar experiências do que não 214 experiências. (adapt. de Kerlinger, 1979:128)


ANÁLISE SECUNDÁRIA • • •

Consiste na reanálise de dados já colhidos por outro investigador. Pode envolver hipóteses diferentes, ou diferentes métodos de análise. ALGUMAS VANTAGENS DA ANÁLISE SECUNDÁRIA: – Um novo investigador pode trazer um ponto de vista diferente. Pode gerar novas maneiras de perceber o problema ou as hipóteses. – A reanálise dos mesmos dados para investigar outros aspectos pode significar poupança de dinheiro e tempo. – Pode ser uma boa maneira de os estudantes do método científico ganharem experiência com dados reais. (adapt. de Best e Kahn, 1993:124) 215


MÉTODOS BIOGRÁFICOS • Pretende-se descrever e explicar uma determinada realidade social (grupos, acontecimentos, contextos,…) através, principalmente, da reconstrução das histórias de vida de um ou mais indivíduos, na sua singularidade. • Os relatos das histórias de vida podem basear-se em: autobiografias, biografias, diários, cartas, portefólios, entrevistas ao próprio ou a outros, cadernos de notas e outros escritos, fotografias, filmes, objectos pessoais, relatórios médicos ou judiciais, testes psicológicos,… • História oral (Adapt. de Poirier e outros, 1983; Ferrarotti, 1888; Bertaux, estória de vida; história de vida; Ascanio Sánchez, 1995). 216


INVESTIGAÇÃO QUALITATIVA (INTERPRETATIVA)

• Estudos fenomenológicos: compreender um fenómeno, para dele extrair a essência do ponto de vista daqueles que viveram a experiência. • Grounded theory: gerar uma teoria a partir dos dados colhidos no terreno e junto das pessoas. • Etnografia: tenta descrever um sistema cultural do ponto vista das pessoas que partilham a mesma cultura; a cultura; a cultura dos grupos; temas culturais. (Fortin:158 )

217


ESTUDOS FENOMENOLÓGICOS

• Filósofos existencialistas alemães sec XIX e XX (Husserl) • Grego: gr: phainomenon;, aquilo que se mostra a si mm; logos (ciência, estudo) estudo do fenómeno, como aquilo que se revela por si mesmo • Descobrir a essência dos fenómenos, a sua natureza intrínseca e o sentido que os humanos lhe atribuem 218


ESTUDOS FENOMENOLÓGICOS (2)

• Descobrir como o mundo é construído e como o ser humano o experiencia através de actos conscientes • Conhecer a realidade do ponto de vista das pessoas que a vivem • Implica uma descrição fina, densa e fiel da experiência relatada • Técnicas: entrevistas exploratórias preliminares, diário, observação directa e participante (Adapt. Rousseau & Saillant, in Fortin, 2003; Martins & Teophilo:45)

219


GROUNDED THEORY

• Glaser & Strauss, 1967 • Método de investigação indutiva para gerar teoria a partir dos dados colhidos, mais do que os analisar em função de uma teoria existente • Útil para o estudo de fenómenos instáveis e dinâmicos, implicando a interacção entre diferentes actores e observação fina de fenómenos característicos destas interacções. • Útil para análise de interacções investigadoresutilizadores (profs., enfermeiros, animadores, …220


ETNOGRAFIA

• Serve para explicitar os modos de vida e as visões do mundo dos grupos culturais • Método descritivo da antropologia • Distingue-se da fenomenologia e da teoria fundamentada porque se apoia no conceito de cultura

221


ESTUDOS DE CASO

222


ESTUDOS DE CASO • Advertência • O estudo dos diapositivos que se seguem não dispensa a consulta a obras, como por exemplo: • YIN, R. (1988). Case study research: design and methods. Newbury Park: Sage. • PÉREZ SERRANO, G. (1994). Investigación cualitativa: retos e interrogantes. I. Métodos. Madrid: La Muralla. • LATORRE, A., del RINCÓN, D., & ARNAL, J. (1996). Bases metodológicas de la investigación educativa. Barcelona: Hurtado Ediciones. • STAKE, R. (1995). The art of case study research. Londres: Sage. 223


INTRODUÇÃO • O desenvolvimento das áreas do saber e das profissões tem passado, frequentemente, pelo método de estudo de casos – medicina, direito, gestão, psicologia, educação, urbanismo, administração pública, ciências em geral. • Assim, o estudo de casos pode ser: meio de formação de profissionais ou de estudantes; modalidade de investigação educativa; instrumento de conhecimento de um sujeito ou realidade únicos com a finalidades de diagnóstico, terapia e orientação (P. Serrano, 1994:86) • Nas ciências sociais, em particular, o estudo de caso assumiu frequentemente um papel de relevo na construção de novas teorias • O estudo de caso está no oposto do estudo de massas (que estuda amostra de uma determinada população) • Com frequência, têm um carácter exploratório 224 • Geralmente, insere-se na investigação qualitativa


CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS • Descrição e análise detalhadas de unidades sociais ou entidades educativas únicas (Yin, 1989) • Exame intensivo e em profundidade de diversos aspectos de um mesmo fenómeno (Anguera, 1987) • Estudo intensivo e profundo de um ou poucos casos de um fenómeno (Latorre e outros, 1996) • Exame detalhado de uma situação, de um sujeito único, de um depósito de documentos, de um evento particular (Bogdan & Biklen, 1982) • Estudo de caso é uma expressão abrangente que engloba uma família de estratégias de pesquisa (Adelman e outros, 1980). 225


CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS • Diversidade no objecto dos estudos de casos: indivíduo, instituição, grupo, programa, bairro, modelo de gestão, associação, evento…) • Particular, descritivo, heurístico, indutivo (Merrian, 1988) • Descrição densa; fundamentado na situação; esclarece significados; perspectiva holística (Guba & Lincoln, 1981) • Não é tanto para verificar hipóteses, pois os resultados dos estudos de caso, em ciência, tendem a gerar hipóteses que virão a ser testadas em estudos de outra índole

226


QUANDO OPTAR PELO ESTUDO DE CASO • Situações singulares e ou complexas • Desenvolver uma compreensão profunda sobre um determinado fenómeno • No início de novas linhas de pesquisa, pois é necessário aprofundar e conceptualizar a partir, também, da observação directa e da interpretação dos sujeitos • Na formação de profissionais de áreas complexas, como modo e conjugar o treino da investigação e o treino profissional

227


TIPOS DE ESTUDO DE CASO Para Yin (1989), o estudo de caso deve partir da teoria; contudo, outros autores identificam 3 tipos de estudo de caso: DESCRITIVO – Relata com detalhe o caso, sem fundamentação teórica, nem qualquer tipo de hipóteses; aptos para práticas inovadoras ou casos sem explicações inicialmente plausíveis; recolhe informações básicas INTERPRETATIVO – Reúne informações com a finalidade de interpretar e teorizar; análise indutiva; desenvolve categorias conceptuais para desenvolver teorias. AVALIATIVO – descreve, explica e emite juízos; aplica-se, por exemplo, na avaliação de programas, escolares ou de outra índole (Merrian, 1988, cit. por Latorre, 1996) 228


ESTUDOS DE CASO ÚNICO E ESTUDOS MULTICASO - “Estudo de caso único” – um estudo de caso que engloba um único sujeito ou um único grupo - “Estudo multicaso” – um estudo que engloba mais do que um estudo de caso A lógica da replicação (e não alógica da amostragem): Um estudo multicaso não segue a lógica da amostragem (com vista a permitir generalizações a partir de uma amostra); segue antes a lógica da replicação, ou seja, a lógica presente nos estudos de experiências múltiplas; assim, se se conseguirem resultados similares em todos os casos incluídos num estudo multicaso, pode dizer-se que ocorreram replicações. Destacar a importância do desenvolvimento de um enquadramento teórico adequado que permita posteriores generalizações Yin (1989:52) 229


GENERALIZAÇÃO ESTATÍSTICA E GENERALIZAÇÃO ANALÍTICA -Generalização estatística – é obtida através de amostras representativas e de procedimentos de análise estatísticas, aplicados tendo em conta a observação de determinados critérios. Usado nos estudos de massas, sondagens. -Generalização analítica – é obtida a partir de casos particulares, possibilitando generalizações no sentido do desenvolvimento de uma teoria. Esta generalização não é automática, pois implica replicações em mais do que um caso Yin (1989:43)

230


O PROCESSO DO ESTUDO DE CASO -O objecto vai sendo delimitado e focalizando à medida que o processo avança; nas fases iniciais, começa-se por realizar explorações com vista a identificar contextos e sujeitos susceptíveis de se adequarem às finalidades da investigação -Seguidamente, seleccionam-se as unidades, os sujeitos, as estratégias e técnicas de pesquisa, a duração, as parcerias,… -Só depois se passa à fase prática do estudo (frequentemente com imersão no contexto) de recolha e posterior, ou concomitante, análise de dados -Terminada a interpretação da informação, elabora-se o relatório final da pesquisa. A conceptualização é uma meta a atingir. -Este processo não é linear; à medida que decorre, o investigador vai incorporando novas ideias e perspectivas, por vezes alterando as perspectivas e as finalidades iniciais 231


TÉCNICAS DE RECOLHA DE DADOS No estudo de caso, geralmente obtém-se muita informação, com as dificuldades inerentes para a tratar e interpretar. Entre outras, destacam-se as seguintes técnicas: OBSERVAÇÃO (participante, directa, indirecta) NOTAS DE CAMPO, DIÁRIO – complementam a observação ENTREVISTAS – para complementar os dados da observação e para dar voz às perspectivas pessoais dos participantes; entrevistas a outras pessoas DOCUMENTOS (pessoais ou não, escritos, diários, cartas, fotografia, música, registos informáticos, objectos) AVALIAÇÕES (psicológicas, físicas,…) QUESTIONÁRIOS

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O PAPEL DO INVESTIGADOR Há muitas semelhanças com o processo de pesquisa etnográfica: O investigador é a peça decisiva para o êxito no estudo de caso; é o principal veículo, o “instrumento” chave, aquele que está sempre no cerne do processo. Por isso, ele deve clarificar bem qual é o seu papel em todas as fases e deve estar aberto e disponível para realizar as alterações que forem necessárias. Assim, o investigador: escuta, observa, faz perguntas, realiza vários tipos de registos, identifica informantes-chave, estabelece relações diversificadas, tem vivências, desenha genealogias e outros tipos de mapas… exige-se sensibilidade para reconhecer os momentos certos para perguntar ou agir. Admite a sua subjectividade e a dos participantes Se os etnógrafos são “observadores, narradores e escritores” (Wallcott, 1975), o mesmo poderemos dizer de quem realiza estudos de caso 233


VANTAGENS E DESVANTAGENS VANTAGENS: -permite aprofundar o conhecimento sobre uma situação -pode ser o primeiro passo, ou mesmo um forte pilar, no desenvolvimento de novas teorias (Yin, 1989) -é apropriado, tanto para pesquisas de pequena escala (recursos, espaço) como para pesquisas de largo alcance temporal (estudos longitudinais) -é mais concreto, sensorial, contextualizado DESVANTAGENS (Kratochwill, cit por Latorre, 1996): -muito vulnerável pelas questões da validade interna e externa -opções de desenho muito limitadas -não permite generalizações (contudo, Yin, 1989, explica como se pode generalizar) 234


EXEMPLOS DE ESTUDOS DE CASO • • • • • • • • • • •

uma escola uma câmara municipal uma associação cultural agências de viagens de uma cidade/região (multi-caso) uma comunidade de e-learning um hotel bem sucedido um conjunto de pequenas empresas numa dada região (multi-caso) os utentes de um centro comercial uma aldeia/vila muito procurada pelos turistas aldeias em aumento ou em queda demográfica (multi-caso) crianças sobredotadas (multi-caso) 235


INVESTIGAÇÃO ETNOGRÁFICA • Advertência: • O estudo dos diapositivos que se seguem não dispensa a consulta a obras, como por exemplo: • PÉREZ SERRANO, G. (1994). Investigación cualitativa: retos e interrogantes. I e II. Madrid: La Muralla. • AGUIRRE, A. (Ed.) (1995). Etnografía: metodología cualitativa en la investigación sociocultural. Barcelona: Marcombo. • LATORRE, A., del RINCÓN, D., & ARNAL, J. (1996). Bases metodológicas de la investigación educativa. Barcelona: Hurtado Ediciones. • GOETZ, J. P., & LeCOMPTE, M. D. (1988, 1984). Etnografia y diseño qualitativo en investigación educativa. Madrid: Morata. • HAMMERSLEY, M., ATKINSON, P. (1994/1983). Etnografia. Barcelona: Paidós. • LATORRE, A., del RINCÓN, D., & ARNAL, J. (1996). Bases metodológicas de la investigación educativa. Barcelona: Hurtado Ediciones. • TAFT, R. (1999). Ethnographic research methods. In J. KEEVES, & G. LAKOMSKI . Issues in educational research. Oxford: Pergamon, 113-120. 236


INTRODUÇÃO • A diversidade metodológica das Ciências Sociais – A etnografia como uma das metodologias de pesquisa nas Ciências – Enquadrada no paradigma interpretativo • Em alternativa (complementar ou não) à investigação tradicional, quantitativa (paradigma positivista)

237


CONCEITOS • Etnografia: do grego éthnos (povo, o outro povo) e graphé (descrição). (o mm. q. etnologia) Etnografia: -”é uma descrição ou uma reconstrução analítica de cenários e grupos culturais intactos” (Goetz & LeCompte (1988:28) - “é a descrição de um sistema de significados culturais de um determinado grupo” (Martins & Teóphilo, 2007:74) - “apoia-se no conceito de cultura e procura compreender um sistema cultural do ponto de vista daqueles que partilham essa cultura (Aamodt; cit. por Fortin, 2003:153). • A Investigação Etnográfica é, por vezes, referida como trabalho de campo, observação participante ou investigação qualitativa, pesquisa em contexto, naturalista, mas deve-se procurar ser preciso nas denominações. 238


PERSPECTIVA HISTÓRICA -Finais do século XIX, inícios do século XX -Antropólogos -Estudo de culturas primitivas, como forma de não as deixar perder face à influência da cultura europeia -Antropologia cultural – Malinowski estudo das culturas desde o seu interior - Viver no seio dos grupos estudados, aprender as línguas e os costumes e ser aceite -Com base neste enquadramento, realizar observação participante, entrevistas e análise de documentos, dando origem a descrições e sistematizações.

239


PERSPECTIVA HISTÓRICA -A partir dos anos 50, Antropologia Educativa – estuda a influência da cultura na educação -Antropologia e sociologia (Escola de Chicago) – aplica as técnicas etnográficas ao estudo de grupos marginais urbanos (Adapt. de Latorre, 1996)

240


CARACTERÍSTICAS -Descreve o que acontece no seio dos grupos observados, as estruturas sociais, o papel de cada um elementos, as formas de conduta, a diversidade de interpretações, os significados por cada um atribuídos -Pretende compreender em profundidade -Exige longa e intensa imersão no contexto em estudo -Destaque para os compromissos éticos -Não há lugar a experimentação (manipulação de variáveis), pois isso iria modificar o contexto natural a estudar -Reconhece a complexidade dos contextos humanos -Principalmente, pretende captar os pontos de vista dos membros do grupo estudado, o mais possível de dentro -Procura padrões, mas também irregularidades, idiossincrasias -Destaque para a reflexividade. A pesquisa não se faz de longe, de forma (pretensamente) objectiva, faz-se de perto e de dentro. - O relatório pode não ser convencional: filme, texto com poesia… 241


O PROCESSO ETNOGRÁFICO: ÁREAS DE DECISÃO O processo etnográfico, embora tendo uma aparência mais difusa do que o modelo de investigação tradicional, não deixa de seguir fases específicas que implicam decisões fundamentadas. Implica sete áreas de decisão: a) Foco e finalidade do estudo; enquadramento teórico inicial; questões de pesquisa b) Desenho da pesquisa e sua justificação c) Participantes e contextos ou cenários d) Experiência e papéis do investigador e) Estratégias de recolha de dados f) Técnicas de análise de dados g) Conclusões do estudo (implicações e aplicações) (Adpt. de Denzin, 1989 e de Goetz & LeCompt, 1988)

242


TÉCNICAS DE RECOLHA DE DADOS OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE – é a técnica principal dos estudos etnográficos OBSERVAÇÃO DIRECTA NOTAS DE CAMPO, DIÁRIO – complementam a observação ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADAS – para complementar os dados da observação e para dar voz às perspectivas pessoais dos participantes DOCUMENTOS (ESCRITOS, FOTOGRAFIA, MÚSICA, OBJECTOS…) HISTÓRIAS DE VIDA QUESTIONÁRIOS (MENOS) -Ver Perez Serrano (1994) 243


ASPECTOS DO PROCESSO ETNOGRÁFICO: O PAPEL DO INVESTIGADOR O investigador é a peça decisiva para o êxito da pesquisa etnográfica; é o principal veículo, o “instrumento” chave, aquele que está sempre no cerne do processo. Por isso, ele deve clarificar bem qual é o seu papel em todas as fases e deve estar aberto e disponível para realizar as alterações que forem necessárias. Assim, o investigador: escuta, observa, faz perguntas, realiza vários tipos de registos, identifica informantes-chave, estabelece relações diversificadas, tem vivências, desenha genealogias e outros tipos de mapas… exige-se sensibilidade para reconhecer os momentos certos para perguntar ou agir. Admite a sua subjectividade e a dos participantes (não dizemos “sujeitos”, mas “participantes”) Os etnógrafos são “observadores, narradores e escritores” (Wallcott, 1975). 244


ASPECTOS DO PROCESSO ETNOGRÁFICO a) Acesso ao cenário: … reconhecer o cenário, passear pelo cenário, explorar, familiarizar, procurar informações para conhecer e para superar as dificuldades… Através de: relacionamentos, ajudas, benefícios, alguém que avalize, que tenha autoridade para tal… a) Informantes ou actores chave: relativamente aos objectivos da pesquisa têm conhecimentos, informações e habilidades fulcrais para a compreensão do contexto em estudo. No entanto, é preciso ter cuidado para não generalizar a partir das suas opiniões e atitudes, pois, embora relevantes, as suas opiniões podem ser enviesadas. 245


ORIENTAÇÕES PARA A I. ETNOGRÁFICA a) Distinguir entre o acto de descrever, o acto de fazer inferências e o acto de fazer juízos de valor b) Recorrer a transcrições literais dos relatos dos participantes c) Recolher a informações de distintas perspectivas d) Triangular; efectuar validações cruzadas e de diferentes tipos de dados (observações, entrevistas, arquivos…) e) Ser disciplinado e ir realizando sínteses f) Oferecer feedback formativo e estar atento ao seu impacto g) Nas notas de campo e no relatório, incluir pensamentos e impressões próprios, pois também são considerados notas de campo. (Adapt. Patton, 1987, e de Latorre et al, 1996) 246


EXEMPLOS • • • • • • • • • • •

os auxiliares de acção educativa numa comunidade escolar um grupo de peregrinos regulares Professores de uma aldeia, vila uma associação cultural estruturas de gestão de um agrupamento escolar uma comunidade de e-learning um conjunto de pequenas empresas numa dada região os utentes de um centro comercial grupos de turistas regulares aldeias em queda demográfica uma organização de educação de adultos 247


Estudos Experimentais

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Estudos Experimentais Conceito e Características - os estudos experimentais propõem-se testar hipóteses. A hipótese descreve em termos concretos a expectativa do investigador acerca da relação entre as variáveis do problema - estudos experimentais são os estudos em que o investigador manipula a variável independente para observar se o efeito da sua intervenção (tratamento) na variável dependente corresponde à hipótese formulada - o estudo experimental é uma investigação cujo principal objectivo é o estabelecimento de relações de causa-efeito - a investigação é conduzida por forma a confirmar ou rejeitar as hipóteses relativas à relação causa-efeito 249


Estudos Experimentais Conceito e Características (continuação) - o investigador identifica, manipula e controla variáveis - variável independente: é a variável controlada pelo investigador, através da exposição a tratamentos diferentes - variável dependente: variável que o investigador está interessado em medir para saber até que ponto diferem os grupos sujeitos a tratamentos diferentes - variável de controlo: variável que é controlada pelo investigador para neutralizar, fazer desaparecer ou minimizar qualquer efeito que possa ter na relação entre a variável independente e a variável dependente

250


Estudos Experimentais Conceito e Características (continuação) - o investigador utiliza técnicas para manipulação e controlo de variáveis: o grupo experimental e o grupo de controlo - grupo experimental: é o grupo que é sujeito a um determinado tratamento cujos efeitos se pretendem medir (fármacos, programas de formação...), é o grupo onde o investigador testa os efeitos da variável independente - grupo de controlo: é o grupo constituído por indivíduos com características idênticas às do grupo experimental, mas a quem não é administrado o tratamento - população: grupo de sujeitos a que o investigador quer aplicar os resultados - amostra: grupo representativo escolhido para efectuar a investigação 251


Exercício Prático 1. Existe alguma relação entre a profissão dos pais e o rendimento escolar das crianças dos 10 aos 12 anos na região do Alto Tâmega? Hipóteses: • Na Região do Alto Tâmega, as crianças dos 10 aos 12 anos cujos pais têm certas profissões (liberais, professores,...) têm melhor rendimento escolar.(H1) • Na Região do Alto Tâmega, as crianças dos 10 aos 12 anos cujos pais têm certas profissões (liberais, professores,...) têm pior rendimento escolar. (H2) • Na região do Alto Tâmega, não se observa qualquer relação entre as profissões dos pais e o rendimento escolar. (H0 - hipótese nula) Variável Independente: Variável Dependente: 252


Exercício Prático 2. A interacção entre crianças e idosos, em lares do concelho de Murça, tem alguma relação com os níveis de auto-estima dos idosos? Procedimentos: • - através de testes estandardizados mediram-se os níveis de autoestima dos idosos dos lares. • - promoveu-se a interacção entre crianças e idosos, durante um ano, num dos lares • - efecturam-se novas medições dos níveis de auto-estima dos idosos dos lares.

253


Exercício Prático • • • • • • •

Hipóteses: Variável independente: Variável dependente: Grupo experimental: Grupo de controlo: População: Amostra:

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ESCOLHER UM PROBLEMA DE INVESTIGAÇÃO

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INVESTIGAR PARA CONHECER Situação problemática… -Desconhecimento -Melhorar algo -Modificação -Supressão de um desvio … conseguir aumentar os conhecimentos com vista a melhorar a situação problemática

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A ESCOLHA DE UM DOMÍNIO DE INVESTIGAÇÃO Na escolha de uma área de pesquisa, ponderar: • Preferências • Observações e experiências pessoais • Trabalhos anteriores • Quadros teóricos e conceptuais • Prioridades (ou modas?) • Circunstâncias facilitadoras • Exequibilidade 257


PASSOS PARA A ESCOLHA DE UM PROBLEMA 1. Escolha de um domínio (área de pesquisa) 2. Enunciar uma questão de investigação preliminar 3. Considerar os tipos de questões pivô 4. Determinar o tipo de questão de investigação em relação ao estado dos conhecimentos no domínio escolhido 5. Proceder a uma análise crítica da questão que conduzirá ao resultado final (Fortin, 2003)

258


1.ª ABORDAGEM AO PROJECTO DE INVESTIGAÇÃO Domínios/ Áreas problemáticas Preferências pessoais

Exequibilidade

Esboços de problemas 259


1º ENQUADRAMENTO EM TEORIAS • Identificação breve das teorias nas quais se circunscrevem os primeiros esboços de problemas • Nota: Este passo pode ser muito abreviado nos trabalhos de menor envergadura. • Em metodologias qualitativas pode também ser abreviado, considerando que a teoria se pode construir à medida que a investigação se desenrola.

260


DEFINIÇÃO DO PROBLEMA • • • • • • •

• • •

Claro, preciso, sem ambiguidades Verificável/demonstrável Geralmente, sob a forma de pergunta Suficientemente relevante para justificar o seu estudo Suficientemente reduzido para possibilitar o seu estudo Questionar sobre a relação entre duas ou mais variáveis (est. quantitativos) Ter fundamentos de compreensão ou explicação, e não moralizadores ou filosóficos. NUMA FASE POSTERIOR, IDENTIFICAR: Sub-questões de investigação (geralmente, após a revisão de literatura) Conceitos-chave 261


FONTES DE DETERMINAÇÃO DE PROBLEMAS • As teorias ou o conjunto de conhecimentos acumulados • A prática social (aspirações, necessidades dos grupos sociais) • Nota: Algumas metodologias qualitativas admitem que o problema possa não ficar completamente clarificado nesta fase

262


ALGUNS ERROS MAIS FREQUENTES (Quivy & C. 1992) • Definir o problema de investigação em termos tão gerais e ambíguos, que as análises e as conclusões só poderão ser arbitrárias e incoerentes. • Pretender fazer futurismo, em vez de investigar problemas concretos. • Colocar “falsas” perguntas, isto é, fazer afirmações disfarçadas de perguntas. • Deixar-se levar por preconceitos. O espírito investigativo é aquele que sabe questionar os preconceitos. • Pensar que, com “aquele” projecto de investigação se vão resolver todos os problemas daquela área. • Fazer recolha de dados (sem passar devidamente pelas fases anteriores), supondo que, no final, algumas conclusões interessantes surgirão. • Utilizar conjuntos de dados já existentes e tentar acomodar as questões de investigação a esses dados. • Delinear o projecto sem ter feito uma boa revisão de literatura. 263


EXEMPLOS DE PROBLEMAS DEFICIENTEMENTE DEFINIDOS 1. Qual o impacte das mudanças na organização do espaço urbano sobre a vida dos habitantes? 2. Em que medida o aumento das perdas de empregos no sector da construção explica a manutenção de grandes projectos de trabalhos públicos, destinados não só a manter este sector, mas também a diminuir os riscos de conflitos sociais inerentes a esta situação? 3. A forma como o fisco está organizado no nosso país é socialmente justa? 4. Quais são as finalidades da vida em sociedade? 5. Será que os patrões exploram os trabalhadores? 6. Que mudanças afectarão a organização do ensino nos 264 próximos vinte anos? (extraído de Quivy, 1992)


REVISテグ DE LITERATURA

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REVISÃO DE LITERATURA • Revisão sistemática da literatura científica relevante para o tema em estudo. • Pode, eventualmente, incluir literatura não científica. • Fornece a fundamentação teórica do estudo porque a partir dela se constrói: – O marco teórico. – A compreensão do “estado da arte”. – A perspectiva, o método e os instrumentos a utilizar no projecto. – Indicação das probabilidades de êxito, do significado e da utilidade dos resultados. – Informação necessária para formular definições, pressupostos, limitações e hipóteses. 266


MARCO TEÓRICO • O marco teórico expõe e analisa as teorias ou grupos de teorias que servem de fundamento para explicar os antecedentes e interpretar os resultados da investigação. (Münch & Angeles, cit. por Arnal et al, 1992:58) Também designado: enquadramento teórico; referencial teórico; revisão de literatura, enquadramento conceptual,…)

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PASSOS DA REVISÃO DE LITERATURA • Identificar as palavras-chave ou descritores • Procurar em Indexes ou Abstractos, revistas da especialidade, manuais, dicionários, b-on, teses, bases de dados, etc., os títulos ou resumos que parecerem relevantes. • Seleccionar os textos: clássicos; os mais actuais; os mais relevantes. • Localizar e obter cópias dos documentos mais pertinentes. • Ir lendo, primeiro “em diagonal”, depois em leituras cada vez mais aprofundadas 268


PASSOS DA REVISÃO DE LITERATURA • Ir fazendo sempre anotações em fichas de leitura. • Logo que haja matéria, começar a escrever a secção “revisão de literatura”. • Ir preparando a lista bibliográfica final. Nota: Na fase das leituras, isto é, na fase de aprofundamento das questões, podemos realizar também, por exemplo, entrevistas exploratórias ou observações.

269


ALGUNS ERROS FREQUENTES NA REVISÃO DE LITERATURA Fazer RL demasiado rapidamente. • Usar fontes secundárias em excesso. • Concentração excessiva nos resultados das investigações, sem olhar aos processos. • Não definir satisfatoriamente os limites da RL. • Não copiar as referências bibliográficas correctamente, o que impedirá o uso dos textos da RL. • Fazer excesso de anotações nas fichas bibliográficas. (Adpt. de Borg & Gall, 1983) 270


REVISÃO DE LITERATURA • Donde... – A redacção do conteúdo da Revisão de Literatura deve explorar criticamente os dados e as ideias dos investigadores anteriores referidos, indicando os seus méritos e contributos, bem como os seus erros e limitações, relacionando-os também entre si. • Notar: A RL deve ser limitada, importante e recente. (adpt. de Fox, 1980)

271


HIPÓTESES VARIÁVEIS MANIPULAÇÃO DE VARIÁVEIS

272


HIPÓTESES • São respostas prováveis ao problema, elaboradas (fundamentadas) depois da Revisão de Literatura. • São conjecturas sobre as possíveis relações entre variáveis (Kerlinger, 1985:18) • Orientam a pesquisa do investigador na descoberta dos caminhos mais adequados para resolver o Problema. • A formulação de uma hipótese é, frequentemente, mais essencial que a sua solução, que pode ser meramente uma matéria de destreza experimental ou matemática (Einstein) • Algumas correntes metodológicas não as consideram essenciais. • FONTES DE HIPÓTESES • Teoria; dados; outras investigações; intuição; imaginação 273


AS HIPÓTESES CIENTÍFICAS DEVEM... • Estar bem fundamentadas teoricamente. • Ser formuladas claramente e sem ambiguidades (geralmente sob a forma de uma frase declarativa). • Conjecturar sobre a relação entre duas ou mais variáveis (nem sempre). • Ser o mais simples possível. • Poder ser analisadas empiricamente (estar relacionadas com técnicas disponíveis). • Se possível, indicar a população de referência. • Não conter posições morais. 274


VARIÁVEIS • Alguma coisa que pode ser classificada em duas ou mais categorias (Kerlinger, 1980:23). • São classes de valores, isto é, são valores exaustivos e mutuamente exclusivos (Galtung, 1978)

275


RELAÇÕES ENTRE VARIÁVEIS A) Relação simétrica: nenhuma das variáveis exerce influência sobre a outra. Ex.: Nas aldeias do Norte de Portugal, encontrou-se uma relação entre as cores (geralmente escuras) que as viúvas usam e a frequência das idas à missa. B) Relação recíproca: as variáveis interagem e reforçam-se mutuamente. Ex.: Estatuto social baixo pode levar a desinteresse pela escola; desinteresse pela escola pode levar a estatuto social baixo. C) Relação assimétrica: uma variável produz algum efeito noutra. Ex. 1: O abandono das aldeias (X) provoca o encerramento das escolas (Y). (relação causal determinista) E. 2: O nível académico (X) está ligado à participação activa em associações culturais (Y). (relação causal probabilística)

276


VARIÁVEL INDEPENDENTE (X)

É aquela que influencia, determina, ou afecta uma outra variável; é factor determinante, condição ou causa para determinado resultado, efeito ou consequência; é o factor manipulado (geralmente) pelo investigador, na sua tentativa de assegurar a relação do factor com um fenómeno observado ou a ser descoberto, para ver que influência exerce sobre um possível resultado.

277


VARIÁVEL DEPENDENTE (Y) Valor (fenómeno, factor) a ser explicado ou descoberto, em virtude de ser influenciado, determinado, ou afectado pela variável independente; é o factor que aparece, desaparece ou varia à medida que o investigador introduz, tira ou modifica a variável independente; a propriedade ou factor que é efeito, resultado, consequência ou resposta a algo que foi manipulado (variável independente)

278


VARIÁVEL MODERADORA (M) É um factor, fenómeno ou propriedade, que também é condição, causa, estímulo ou factor determinante para que ocorra determinado resultado, efeito ou consequência, situando-se, porém, em nível secundário no que respeita à variável independente (X), apresentando importância menor do que ela; é seleccionado, manipulado e medido pelo investigador, que se preocupa em descobrir se ela tem influência ou modifica a relação da variável independente com o factor ou fenómeno observado (Y). 279


VARIÁVEL DE CONTROLE (C)

É aquele factor, fenómeno ou propriedade que o investigador neutraliza ou anula propositadamente no seu estudo, com a finalidade de impedir que interfira na análise da relação entre a VI e a VD. (Adapt. de Lakatos & Marconi, 1989)

280


VARIÁVEL INTERVENIENTE (ESTRANHA)

É um factor que teoricamente afecta um fenómeno observado mas que, por qualquer razão, não pôde ser medido ou manipulado num determinado estudo. O seu efeito deve ser inferido a partir dos efeitos das variáveis independentes e moderadoras nas variáveis dependentes.

281


“CAUSAS”

“EFEITOS”

V. I.

V. M.

V. INT.

V. D.

V. C.

282


OPERACIONALIZAÇÃO DE VARIÁVEIS • “É o processo que sofre uma variável (ou um conceito) a fim de se encontrar os correlatos empíricos que possibilitem a sua mensuração ou classificação” (Gil, 1989:81) • Baseia-se em critérios observáveis, mensuráveis e que excluam outros objectos ou estados, mas incluam características consideradas importantes do definido. • As definições operacionais exprimem-se através de dimensões, indicadores (e respectiva escala) e índices de forma a que se possa medir empiricamente o que se entende exactamente por essa variável. 283


EXEMPLOS DE OPERACIONALIZAÇÃO DE VARIÁVEIS • Exemplo: Estatuto socioeconómico pode ser operacionalizado através de: • profissão? prestígio? • renda mensal? • habitação (própria? local? tamanho?) • automóvel? modelo? • nível académico?

284


MANIPULAÇÃO DE VARIÁVEIS • VARIÁVEL INDEPENDENTE MANIPULÁVEL Factor possuidor de propriedades ou valores diferentes pelos quais se podem distribuir aleatoriamente os sujeitos, num estudo de investigação. • VARIÁVEL INDEPENDENTE NÃO MANIPULÁVEL Factor com propriedades ou valores diferentes pelos quais os sujeitos não podem ser aleatoriamente distribuídos. 285


MANIPULAÇÃO DE VARIÁVEIS – EXEMPLOS (1) Sinalizar, conforme se trate de uma variável manipulável - M - ou não manipulável - N: 1. M_ Métodos de ensino da Matemática 2. N_ Profissão dos turistas 3. __ Posse de automóvel 4. __ Idade 5. __ Género 6. __ Convivência entre idosos e crianças em Instituições 7. __ Viagens de longa duração ao estrangeiro 8. __ Formação profissional 9. __ Vídeos sobre atracções turísticas no hall dos hotéis 286


MANIPULAÇÃO DE VARIÁVEIS – EXEMPLOS (2) 1. 2. 3. 4. 5.

__ Uso de materiais audiovisuais nas aulas __ Crianças sós em casa ou acompanhadas __ Grau académico em turismo __ Nível académico __ Frequência de sessões planeamento e reflexão com os supervisores 6. __ Participação em actividades culturais 7. __ Frequência de debates na sala de aula 8. __ Número de irmãos 9. __ Condução de actividades de animação sociocultural 10. __ Estilos de supervisão 287


V. I. MANIPULÁVEL E MANIPULADA • Quando o investigador, na presença de uma variável independente, a manipula, ou seja, distribui os sujeitos aleatoriamente pelo grupo experimental – que recebe o tratamento (V.I.) – e pelo grupo de controle – que não recebe o tratamento

288


TIPO DE ESTUDO SEGUNDO A MANIPULAÇÃO DA V. I. CONCLUSÕES PERMISSÍVEIS TIPO DE ESTUDO

DESCRITIVO

QUASEEXPERIMENT EXPERIMENTAL AL

MANIPULAÇÃO DA V. I. MANIPULÁVEL

NÃO MANIPULÁVEL NÃO MANIPULADA

X X

MANIPULADA

CONCLUSÕES DE ASSOCIAÇÃO CAUSALIDADE

X

X

X

X X 289


MANIPULAÇÃO DE VARIÁVEIS – EXEMPLOS (3) 1. __ Idade dos participantes 2. __ Tipo de programa de lazer 3. __ Uso de materiais audiovisuais nas instruções e explicações 4. __ Crianças sós ou em grupo 5. __ Género dos guias turísticos 6. __ Estatuto sócio-económico 7. __ Nível académico 8. __ Número de saídas ao estrangeiro 9. __ Experiências prévias de participação em torneios 10. __ Tipo de divulgação dos eventos 11. __ Formação académica dos supervisores 290


MANIPULAÇÃO DE VARIÁVEIS – EXEMPLOS (4) 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8.

__ N.º de anos de experiência profissional do supervisor __ Tipo de experiência profissional do supervisor __ Estilos de organização da instituição __ Número de elementos das famílias __ Participação em actividades culturais __ Turistas em grupo /sós __ Experiência profissional __ Origem geográfica

291


CONTROLO DE VARIÁVEIS

292


GRUPO DE CONTROLO “A essência da experimentação é o controlo” É um grupo de indivíduos cuja selecção e experiência são o mais possível idênticas ao grupo experimental, excepto no facto de que não recebem o tratamento (i. é., a V. I. está ausente).

293


EXPECTATIVAS DO SUJEITO Pelo facto de saber que está a participar numa experiência, o sujeito tem tendência a esforçar-se para que os resultados sejam de acordo com as suas próprias expectativas. • COMO CONTROLAR? Utilizando diversas técnicas, como o “placebo” (“experiência cega”)

294


EXPECTATIVAS DO EXPERIMENTADOR O experimentador também pode ter tendência a influenciar os resultados de modo a provar a hipótese em que acredita. COMO CONTROLAR? Utilizando técnicas como a “experiência duplamente cega”. EXPERIÊNCIA DUPLAMENTE CEGA • Nem os sujeitos, nem os experimentadores, sabem qual é a droga real ou o placebo (podem até nem saber que existe um placebo), pelo menos até a colheita dos dados ter terminado. 295


EXEMPLO Um investigador tem boas razões para pensar que encontrou uma substância química que poderá melhorar muito determinados tipos de úlcera do estômago. Concebe então uma “experiência” na qual a dita substância é a variável independente e os resultados da evolução da úlcera a variável dependente. Se ele simplesmente administrasse a droga a 50 sujeitos e depois medisse a evolução da úlcera, como poderia interpretar os seus dados se encontrasse melhoras significativas nas úlceras? Tratar-se-ía de um delineamento pré-experimental, deste tipo: O1

X

O2 296


EXEMPLO O1 X O2 O investigador não poderia afirmar que as melhoras nas úlceras haviam sido causadas pela variável independente. Razões: ele nunca saberia se as melhoras aconteceriam de qualquer modo, mesmo sem a aplicação da droga. É possível que os sujeitos estivessem mais motivados na segunda medição do que estavam na primeira medição. Também é possível que todo o grupo tivesse sido alimentado com uma dieta melhor; ou que tivesse sido exposto a um ambiente mais favorável; ou que os cuidados médicos tivessem sido melhores, por se saber que estava a decorrer uma “experiência”. Qualquer uma destas condições, e muitas mais, poderia ter sido responsável pelas melhoras dos doentes e não a variável independente. (Adapt. de Tuckman, 1978: 95, citando Towsend, 1953:62)

297


FACTORES DE AMEAÇA À VALIDADE INTERNA A validade interna corresponde ao controlo daquelas condições sem as quais qualquer experiência não é interpretável. Responde à seguinte questão: As diferenças observadas são verdadeiramente o resultado do tratamento aplicado ou são antes o resultado de qualquer outro factor escamoteado, variáveis intervenientes não identificadas? Factores de ameaça à validade interna: HISTÓRIA; MATURAÇÃO; TESTAGEM; INSTRUMENTAÇÃO; SELECÇÃO; MORTALIDADE; REGRESSÃO ESTATÍSTICA; INTERACÇÕES COM A SELECÇÃO 298


HISTÓRIA Acontecimentos específicos que ocorrem entre a 1ª e a última medições relativas ao tratamento e que se vêm juntar à variável experimental. Os sujeitos que sofrem o tratamento X, podem sofrer os efeitos simultaneamente de outros acontecimentos, dentro ou fora do ambiente experimental, que vão afectar os resultados da V. D. COMO CONTROLAR? Assegurando que o grupo de controlo passou pela mesma “história”, de modo que a influência desse factor se torna menos importante.

299


SELECÇÃO - AMOSTRAGEM -Probabilística Aleatória simples Por cachos Estratificada Sistemática -Não probabilística De conveniência De casos (extremos, típicos, muito semelhantes ou muito diferentes)

300


INSTRUMENTAÇÃO Mudanças (distorções) nos instrumentos de medida, nos observadores, entrevistadores ou avaliadores que podem provocar variações nas medidas ou observações obtidas. Por exemplo, à medida que uma experiência avança, os entrevistadores são susceptíveis de sofrer algumas mudanças: acharem mais monótono o trabalho; realizarem-no mais rapidamente; inadvertidamente, dar pistas aos entrevistados. COMO CONTROLAR? • Quer os instrumentos, quer as pessoas que colhem os dados numa experiência, deviam ser os mesmos no tempo e nos grupos; as pessoas deviam estar conscientes destes factores. 301


AMEAÇAS À VALIDADE EXTERNA Condições que afectam a representatividade ou generalização dos resultados de uma investigação. O estudo pode cumprir todos os critérios de validade interna, mas, geralmente devido a todos os controlos exercidos, pode não haver garantias de que aqueles resultados obtidos com aqueles grupos, com aquelas condições, se possam generalizar à população a que pretendem dizer respeito. • • • •

Inferência de tratamentos anteriores Artificialidade dos contextos experimentais Efeito da interacção de testagens Interacção da selecção e do tratamento 302


TÉCNICAS DE AMOSTRAGEM

303


DEFINIÇÕES • POPULAÇÃO ALVO OU UNIVERSO: • Todos os membros de um conjunto, real ou hipotético de pessoas, grupos de pessoas, eventos ou objectos, para o qual nós desejamos generalizar os resultados da nossa investigação.”(adapt. De Borg & gall, 1989: 216). • AMOSTRA: • “Selecção de um dado número de sujeitos de uma população definida, como representativa (ou não) dessa população.”

304


TÉCNICAS DE AMOSTRAGEM: ALEATÓRIA SIMPLES Amostra aleatória simples: Todos os indivíduos da população definida têm iguais e independentes possibildades de serem selccionados para a amostra. “independente” quer dizer que a selecção de um indivíduo não afecta a selcção de outro. Borg & gall:220 Tabela de números aleatórios; meios informáticos (random) Objectivo: os resultados podem ser generalizados à população, dentro das margens de erro estimadas estatisticamente. 305


TÉCNICAS DE AMOSTRAGEM: SISTEMÁTICA Amostra sistemática: Colocar todos os indivíduos numa lista e numerá-los; escolher, por exemplo, de 7 em 7. A diferença da aleatória é que não é independente, pois ao escolher o primeiro, todos os restantes estão automaticamente escolhidos Borg & gall:224

306


TÉCNICAS DE AMOSTRAGEM: POR CONGLOMERADOS Amostra por grupos, cachos ou conglomerados: A unidade da amostra não são indivíduos, mas grupos de indivíduos Amostragem por grupos multifásica: Ex: de uma população de 40 turmas, seleccionar 10 turmas e , delas, entrevistas todos os alunos?? Borg & gall:224

307


TÉCNICAS DE AMOSTRAGEM: no local

Amostra no local: bomba de gasolina, abordar cada 5 condutores Ghiglione:42

308


TÉCNICAS DE AMOSTRAGEM: ESTRATIFICADA Amostra estratificada Quando se pretende que certos subgrupos de uma população integrem a amostra, de forma proporcional ao seu número na população. Assegurar-se que a amostra é representativa da população em termos de certos factores críticos que foram usados como base da estratificação. Usadas quando se requer comparação entre vários subgrupos Borg & Gall:224 Quotas?):ghiglione:48 309


TÉCNICAS DE AMOSTRAGEM:VÁRIOS GRAUS E FASES Amostra com vários graus: A uma 1ª triagem, probabilística ou não, segue-se uma segunda, uma 3ª ou mais, mas de tipo probabilístico, listas sobre as quais incidirão as análises Amostra com várias fases: Combinação de várias sondagens; 1ª fase, uma gd amostra; 2ª fase: uma amostra mais pequena que é objecto de um inquérito aprofundado Por aglomerados: cunjunto de undiades vizinhas, fisica ou geografica Deshaies: 325 310


TÉCNICAS DE AMOSTRAGEM: não probabilística Intencional, por quotas, acidental Escolhida pelo investigador Voluntárias: muito usada em psicologia; o individuo tende a agradar ao investigador

311


TEORIA E MÉTODOS DE OBSERVAÇÃO

312


OBSERVAÇÃO - DEFINIÇÕES • OBSERVAR – Olhar, considerar atentamente, examinar minuciosamente, sobretudo com a intenção de conhecer melhor. • OBSERVAÇÃO – Fase do método de investigação científica que consiste no exame atento e minucioso dos fenómenos, sem intervenção activa por parte do sujeito no sentido de os modificar ou provocar (Estrela, 1994). • OBSERVAÇÃO – Fase do método de investigação científica que consiste no exame atento e minucioso dos fenómenos, com ou sem intervenção activa por parte do investigador (Isabel Costa)

313


OBSERVAR PARA QUÊ? • Para investigar (conhecer) • Para formar (experienciar) • Para avaliar (decidir)

314


OBSERVAÇÃO • Observar é prestar atenção com vista a compreender melhor uma realidade. • Não há ciência sem observação • Não há formação profissional sem observação • A observação é um elemento fundamental em todo o processo de investigação científica. • A observação é um elemento fundamental em todo o processo de formação profissional • Pode partir-se da observação para a teoria ou da teoria para a observação 315


A OBSERVAÇÃO COMO ESTRATÉGIA DE FORMAÇÃO Observar para formar e/ou avaliar o futuro profissional 1. 1 Observação sobre o futuro profissional: • -professor • -animador • -profissional do turismo • -formador • -gestor • -médico • -psicólogo • -jornalista • -….. 316


A OBSERVAÇÃO COMO ESTRATÉGIA DE FORMAÇÃO 1.2 Observação feita pelo futuro profissional – Reconhecer e identificar fenómenos – Aprender relações sequenciais e causais – Ser sensível às reacções de todos os intervenientes nas situações observadas – Pôr problemas e verificar soluções – Recolher objectivamente a informação, organizá-la e interpretá-la – Situar-se criticamente face aos modelos existentes – Realizar a síntese entre a teoria e a prática (Adapt..de Estrela, 1994:58) 317


TÉCNICAS DE PESQUISA (RECOLHA DE DADOS) a) • Documentação indirecta (pesquisa documental: fontes escritas e não escritas; pesquisa bibliográfica) • Documentação directa; pesquisa de campo; de laboratório. • Outras técnicas: testes; sociometria; análise de conteúdo; histórias de vida; técnicas mercadológicas

318


TÉCNICAS DE PESQUISA (RECOLHA DE DADOS) b) • Observação directa intensiva – Observação – Entrevista • Observação directa extensiva

– Questionário – Formulário – Medidas de opinião e atitudes (Adaptado de Marconi e Lakatos, 1988)

319


IDEIAS-CHAVE SOBRE A OBSERVAÇÃO • Do ponto de vista da ciência, a caracterização do real constitui a primeira etapa • A observação sistematizada deve ser a base da ciência • Se não conhecermos as situações, não poderemos tentar a sua modificação • A formação dos profissionais com fundamentos científicos inclui sempre observação • Observar ==> Problematizar ==> Intervir ==> Avaliar (Adaptado de Estrela, 1994, 1984:26)

320


ASPECTOS DA CONSTRUÇÃO DO PROJECTO DE OBSERVAÇÃO • Delimitação do campo de observação (situações, comportamentos, actividades, tempos, espaços, materiais, interacções verbais e não verbais, documentos…)• Definição de unidades de observação (turistas, hotéis, ruas; turmas, salas, escola, recreio, professores, alunos, reuniões; associações, lares, ATLs; …) • O estabelecimento de sequências comportamentais (o continuum dos comportamentos,…) (Adaptado de Estrela, 1994:29)

321


DECISÕES ESTRATÉGICAS • Escolher formas e meios de observação (processos, técnicas, instrumentos) • Escolha de critérios e de unidades de registo dos dados • Elaboração de métodos e técnicas de análise de tratamento dos dados recolhidos (fidelidade, variáveis, modelos,…) • Preparação dos observadores (treino) (Adaptado de Estrela, 1994, 1984:29)

322


FORMAS DE OBSERVAÇÃO a) Na perspectiva da situação ou na atitude do observador - Observação participante/ obs. não participante - Distanciada e participada - Intencional (ou orientada) e espontânea - Implicada - Hetero-observação e auto-observação

323


FORMAS DE OBSERVAÇÃO b) Segundo o processo de observação – Observação sistemática e ocasional – Armada (ou instrumental) e desarmada – Contínua e intermitente – Directa e indirecta

324


FORMAS DE OBSERVAÇÃO c) Segundo características do campo de observação – Observação molar e molecular – Verbal e gestual

– Individual e grupal (Adaptado de Estrela, 1994, 1984:30)

325


OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE E OBSERVAÇÃO NÃO PARTICIPANTE • OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE “Investigação que envolve a interacção social entre o investigador e os informantes no milieu destes últimos e durante a qual recolhem dados de forma sistemática e não intrusiva” (Taylor & Bogdan, 1994). • OBSERVAÇÃO NÃO PARTICIPANTE Não há interacções entre o observador e o observado. Distanciamento, não intrusão. No limite, o observado pode nem saber que está a ser observado.

326


OBSERVAÇÃO IMPLICADA A obs. implicada, sendo também participante, é mais do que isso, pois, o observador: - Está muito implicado no grupo a observar; pode até já fazer parte do grupo, antes de optar pela observação - Não prescinde da sua qualidade de ator no contexto em observação - Não obstante, procura seguir o mais possível os procedimentos adequados para obter o máximo de rigor nos resultados da sua observação

327


OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE /IMPLICADA Todos estes tipos de observação são adequados à finalidades : -Formação -Investigação

328


DOIS DE REGISTOS DE OBSERVAÇÃO • Exemplo 1: Os alunos estavam em grupos e cada grupo elaborou o plano de um jornal de parede. João interrompia consecutivamente os colegas de grupo que tentavam expor as suas ideias. Daniel chamou-lhe a atenção e acusa-o de não saber trabalhar em grupo e de estar a perturbar. João não responde, abre o livro de Matemática e começa a fazer exercícios. • Exemplo 2: João é um aluno difícil e instável, mal aceite pelo grupo devido à sua instabilidade. Hoje, durante o trabalho de grupo, não tendo conseguido impor os seus pontos de vista, ficou amuado e alheouse do trabalho. (In Estrela, 1994:39) 329


A OBSERVAÇÃO E A INVESTIGAÇÃO DA CLASSE Duas grandes correntes:

• Análise da interação

• Investigação antropológica (Adapt de Estrela, 1994:51)

330


A OBSERVAÇÃO E A INVESTIGAÇÃO DA CLASSE Análise da interacção Análise das interacções na classe, feita por observadores não participantes. Vantagens: simplicidade de aplicação; possibilidade de tratamento estatístico; possibilidade de aplicação extensiva; etc. Desvantagens: ignora contextos da acção; exclui intenções e finalidades; exclui o ponto de vista do observado; categorias distorcedoras da realidade, etc. (Adaptado de Estrela, 1994:51)

331


A OBSERVAÇÃO E A INVESTIGAÇÃO DA CLASSE • Investigação antropológica Observação naturalista e/ou participante Vantagens: começando por ser descritiva, as categorias que emprega são decorrentes da experiência e não de ordem apriorística; a observação pode ser completada com entrevistas; etc. Desvantagens: dificuldades no processo de generalização. (Adapt de Estrela, 1994:51) 332


EXEMPLOS DE ITENS QUE PODEM SER OBJECTO DE OBSERVAÇÃO • Comportamentos (de professores, crianças, turistas, empregados de mesa, anfitriões, animadores, idosos, outros intervenientes, turistas, alunos,…); gestos, discursos, vestuário, atitudes, tarefas, ... • Contextos em geral • Espaços físicos • Materiais

333


EXEMPLOS DE ITENS QUE PODEM SER OBJECTO DE OBSERVAÇÃO • Actividades • Documentos – Escritos (textos legais, textos teóricos, actas, planos,…) – Fotografias – Audio – Video • Outros (todos o tipo de objectos, …)

334


INSTRUMENTOS DE REGISTO • Blocos de notas • Grelhas de registo • Gravadores audio

• Gravadores video • Máquinas fotográficas

335


ORGANIZAÇÃO E TRATAMENTO DOS REGISTOS -Aquando da escolha dos itens a observar e dos instrumentos a utilizar, fazer também a previsão dos modos de organização e tratamento dos dados colhidos. -Pode ser necessário elaborar, por exemplo, novas grelhas de compilação ou síntese dos registos; ou elaborar textos de síntese; ou encontrar formas adequadas de arquivo. Nunca deve deixar de se ter em mente o enquadramento geral e os objectivos das observações efectuadas, ou seja, a observação não é um fim em si mesma, mas uma estratégia para alcançar algo. 336


ANÁLISE DE DADOS ANÁLISE DOS REGISTOS DE OBSERVAÇÃO: • • • • •

Contar Descrever Categorizar Interpretar Ligar com teorias (prévias ou em desenvolvimento)

337


PROJETO DE OBSERVAÇÃO • Definição do problema • Revisão literatura/ Enquadramento teórico • Metodologia – Enquadramento metodológico – Técnicas – Instrumentos de registo (construir) • Descrição da observação • Análise e interpretação dos dados • Conclusão • Bibliografia • Anexos 338


INTRODUÇÃO À TEORIA E PRÁTICA DA REALIZAÇÃO DE INQUÉRITOS Em qualquer trabalho, a parte do trabalho dedicada ao inquérito deverá ter 4 secções: -Fundamentação teórica -Guião do inquérito -Transcrição do inquérito -Breve análise do inquérito e conclusões

339


INTRODUÇÃO À TEORIA E PRÁTICA DA REALIZAÇÃO DE INQUÉRITOS Previamente à realização do inquérito, deverão os alunos informarse sobre questões teóricas sobre esta forma de recolha de dados, respondendo por escrito a um conjunto de questões, elaboradas para facilitar aquela aprendizagem. Na conclusão desta secção, deverão decidir: -quem vão inquirir -os objectivos do inquérito -que tipo de inquérito é o adequado para os vossos objectivos e circunstâncias e como vão proceder.

340


Tema do inquérito: opiniões sobre a regeneração urbana, os estudo de arqueologia e a animação das cidades Deverá ser um inquérito curto (dispensando pretensões de grandes descobertas, já que o objectivo é fundamentalmente treinar técnicas de recolha de dados que os profissionais da animação sociocultural utilizam frequentemente, embora de modo informal). Com vista a uma fundamentação do inquérito, resposta a conjunto de perguntas sobre inquéritos (entre outras que queiram considerar): Definição de inquérito • Caracterização dos tipos de inquérito • Relação entre os tipos de inquérito e as finalidades • Vantagens e desvantagens dos tipos de inquérito 341


• • • • • • • •

Caso façam entrevista: O que é uma boa entrevista? Estratégias para evitar a má entrevista Entrevista qualitativa: o que é? Quando é aconselhada a entrevista qualitativa? Como deve começar a entrevista qualitativa? O que é um “informador-chave”? O que é um guião de entrevista? Como deve ser usado?

342


• Instrumentos de registo da entrevista • Procedimentos para a análise da entrevista • Na conclusão, decidir os objectivos da entrevista que vão efectuar, que tipo de entrevista é o adequado para os vossos objectivos e circunstâncias (entrevista para saber o quê, no âmbito de quê e a quem?) e como vão proceder.

343


• BIBLIOGRAFIA • • • • • • •

FODDY (1996) BOGDAN & BIKLEN (1989) ESTEVES (2006) GHIGLIONE & MATALON (1993) MARCONI & LAKATOS (1989) VALA (1986) LOUREIRO, COSTA E CARIA (2011)

344


A ENTREVISTA

345


RECOLHA DE DADOS -OBSERVAÇÃO (DIRETA, INDIRETA) -INQUÉRITO: QUESTIONÁRIO ENTREVISTA FORMULÁRIO -EXPERIMENTAÇÃO -TESTES -ESTUDO DE VESTÍGIOS (DOCS., OUTROS VESTÍGIOS MATERIAIS 346


INQUÉRITO

QUESTIONÁRIO – perguntas e respostas escritas ENTREVISTA – perguntas e respostas orais FORMULÁRIO – perguntas escritas e respostas orais, registadas por escrito pelo inquiridor

347


ENTREVISTA … … (sentido mais liberal) uma forma de interacção humana e pode variar desde um simples e descontraído “bate-papo” ao mais codificado e sistematizado questionário incluído num guia de entrevista (Portela, 1978: 73) …um processo de investigação científica, utilizando um processo de comunicação verbal, para recolher informações, relativamente a uma finalidade determinada (Grawitz, 1993: 570) .

348


ENTREVISTA COMO TÉCNICA PROFISSIONAL … é usada por muitos profissionais: •Médicos •Psicólogos •Terapeutas •Outros •Potenciais empregadores •Finalidades: terapêuticas; •Médica, promoção, avaliação, aconselhamento (Ander-Egg, 2003:96) 349


TIPOS DE ENTREVISTA • Segundo o grau de liberdade; nível de aprofundamento (Grawitz, 1993:572): – Entrevista clínica – Entrevista em profundidade – Entrevista de respostas livres – Entrevista centrada ou “foused interview” – Entrevista de questões abertas – Entrevista de questões fechadas

350


TIPOS DE ENTREVISTA • • • • •

Estruturada (ou diretiva, ou estandardizada, ou formal) Semi-estruturada (ou semi-diretiva, ou semi-dirigida) Não estruturada (ou não diretiva, ou livre) Clínica (fins terapêuticos) Profissional

351


TIPOS DE ENTREVISTA: ESTRUTURADA • Estruturada – guião estruturado, rígido; – questões colocadas pela mesma ordem e nos mesmos termos – Aqui inclui-se a entrevista extensiva, ou questionário e resposta oral ou formulário; usam-se em estudos de massas (adpt. de Ander-Egg, 1993:90)

352


ENTREVISTA NÃO ESTRUTURADA • mais ambiguidade • Não se apoia num guião pré-estabelecido, embora o entrevistador tenha que ter, nem que seja mentalmente, um conjunto de assuntos sobre os quais quer ter respostas. • Perguntas abertas que fluem na conversa • O entrevistado responde a questões gerais, nos seus próprios termos e com os seus quadros de referência

353


ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA • assume alguma ambiguidade • Parte de uma grelha de temas a bordar, por vezes com perguntas específicas. Se algum dos temas não for abordado espontaneamente, o entrevistador deve procura uma oportunidade para o colocar •

Mas segue, principalmente, um conjunto de temas que serão abordados, de forma que o respondente responda nos seus próprios termos e quadros de referência.

354


TANTO AS ENTREVISTAS ESTRUTURADAS COMO AS SEMI-ESTRUTURADAS PODEM SER: • Entrevista clínica (fins terapêuticos) • Entrevista não dirigida (tentar que o respondente sobre um tema, da forma que queira) • Entrevista focalizada (tem um guião elaborado sobre uma hipótese, em torno de uma situação concreta, tentando perceber razões e motivos) • Entrevista em profundidade (ex: entrevista biográfica)

355


PAINEL

• Repetição das mesmas perguntas, de tempos a tempos, às mesmas pessoas, a fim de estudar a evolução das opiniões. As perguntas devem ser formuladas de forma diferente, para evitar distorções. (adpt. De Marconi e Lakatos , 1989:71)

356


GRUPOS DE DEBATE (FOCUS GROUP) • Entrevista a um grupo de pessoas, em simultâneo, sobre um tópico de interesse para a investigação; pode ocorrer na fase exploratória ou não. • É mais uma discussão para auscultar, recolher informações, pontos de vista, tendências, conflitos, linhas de força. • Os intervenientes são selecionados de acordo com critérios de representatividade social • O investigador tem o papel de promover a discussão • Dificuldades: reunir as pessoas; conduzir a discussão; elaborar sínteses.

357


MOMENTOS NA REALIZAÇÃO DE UMA ENTREVISTA Realizar uma entrevista não é só isso; implica: •Estar diretamente relacionada com o problema/objetivos •Fundamentar teoricamente a escolha daquela técnica •Elaborar o guião da entrevista •Realizar um pré-teste •Realizar a entrevista •Transcrever a entrevista (protocolo) •Analisar e interpretar a entrevista •Concluir, integrando na resposta ao problema, aos objetivos e no quadro teórico da pesquisa 358


FUNDAMENTAÇÃO DAS ENTREVISTAS: UM GUIÃO • • • • • • • • • •

Definir entrevista. Critérios para uma boa entrevista. Tipos de entrevista Quando são aconselhados cada um dos tipos de entrevista? Estratégias para evitar a má entrevista Como devem começar as entrevistas? Como devem terminar as entrevistas? (ex: outros tópicos, votos, manter a ligação) O que é um guião de entrevista? Como deve ser usado? O que é um “informador-chave”? Instrumentos de registo da entrevista Procedimentos para a análise da entrevista. Conclusões 359


LIGAR A FUNDAMENTAÇÃO COM A PRÁTICA Na conclusão da fundamentação teórica, decidir: •quem vai ser entrevistado •os objectivos da entrevista que vai ser efetuada •que tipo de entrevista é o adequado para os objectivos e circunstâncias específicos (entrevista para saber o quê, no âmbito de quê e a quem?) •quais vão ser os procedimentos •que instrumentos de gravação e análise vão ser usados •aonde vai ocorrer a entrevista •quando vai ocorrer a entrevista 360


NÃO ESQUECER • O INQUÉRITO, QUER SEJA ENTREVISTA QUER SEJA QUESTIONÁRIO, É APENAS UM MEIO - ENTRE OUTROS PARA COMPREENDER UMA REALIDADE SOCIAL.

361


ANÁLISE DE CONTEÚDO • Advertência: • O estudo dos diapositivos que se seguem não dispensa os alunos da consulta frequente a obras, como por exemplo: • Bardin (1979) • Ghiglone & Matalon (1993) • Vala, Jorge (1986). análise de conteúdo. In A. Silva, & J. Pinto, Metodologia das ciências sociais. Lisboa: Afrontamento, p. 101128. • Kripendorf (1980) • Miles & Huberman (1991) • Pérez (1994) • Esteves (2007) 362


INTRODUÇÃO  A análise de conteúdo (AC) é, antes de mais, uma análise hermenêutica  Hermenêutica – arte de interpretar textos sagrados ou misteriosos  A atitude interpretativa é crucial na análise de conteúdo (AC) mas, diferentemente daquele conceito de hermenêutica que a precedeu, é apoiada por procedimentos de validação.  A AC é usada na investigação científica como técnica de análise de textos. Não é um método, é uma técnica de tratamento de informação, portanto, pode ser usada em diferentes tipos de investigação  Precursores: análises de textos jornalísticos, propaganda, etc., nos EUA (anos 20); Berelson (1954); (1959)  Críticos: Henry & Moscovici (1968); Pêchaux (1969) 363


O QUE É A ANÁLISE DE CONTEÚDO?  É uma técnica de investigação que permite fazer inferências válidas e replicáveis a partir dos dados relativamente ao seu contexto (Krippendorff,1980:21)  Permite ir além dos níveis de interpretação superficiais, pois inclui processos de categorização, sujeitos a discussão partilhada e a quantificação, susceptíveis de tornar visíveis novas interpretações.  “É um trabalho de economia, de redução da informação, segundo determinadas regras, ao serviço da sua compreensão para lá do que a apreensão de superfície das comunicações permite alcançar” (Esteves, 2007:107). 364


COMO PROCEDER? 1. Delimitação dos objectivos e definição de um quadro de referência teórico orientador da pesquisa. Identificação clara da pergunta. 2. Definição do universo do estudo 3. Constituição do corpus documental (que tipo de textos ou objetos) 4. Leitura flutuante 5. Decisão sobre o tipo de categorização, unidades de registo, de contexto e de enumeração; ex, unidades mínimas que tenham sentido, geralmente, unidades linguísticas: palavras/expressões/frases/temas chave 6. Definição de categorias (pode ser feita a priori ou a posteriori) (palavras-chave relacionadas com os objectivos) 7. Fidelidade e validade 8. A quantificação 9. Interpretação 365


CATEGORIZAÇÃO  A categorização é:  … a operação fulcral na AC  …”uma operação de classificação de elementos constituídos de um conjunto, por diferenciação e seguidamente, por reagrupamento segundo o género (analogia) com critérios previamente definidos” (Bardin, 1977).  …“a operação através da qual os dados (invocados ou suscitados) são classificados e reduzidos, após terem sido identificados como pertinentes, de forma a reconfigurar o material ao serviço de determinados objectivos de investigação” (Esteves, 2007:109). 366


TIPOS DE DADOS E DE PROCEDIMENTOS  Tipos de dados:  Dados invocados pelo investigador – traços de fenómeno que existem independentemente da sua acção. Ex: notas de campo, artigos de jornal, docs. vários.  Dados suscitados pelo investigador – protocolos de entrevistas, relatos de práticas, textos solicitados, etc.  Tipos de procedimentos:  Procedimentos fechados – definição de categorias a priori; o investigador possui uma lista antecipada de categorias adequada ao objecto em estudo, a partir da qual classifica os dados.  Procedimentos abertos ou exploratórios – definição de categorias a ; indutivo no qual as categorias emergem dos dados em análise. A categorização daqui decorrente é sempre provisória, até ao final. Os mais usados, especialmente em estudos da grounded theory.

367


TIPOLOGIAS DE CATEGORIZAÇÃO • • • • • •

Análise categorial (a mais usada) Análise de avaliação Análise de enunciação Análise de expressão Análise das relações Análise de discurso

368


DADOS E CATEGORIAS  Regras de elaboração de boas categorias: - exclusão mútua (mas, “em certos casos, pode pôr-se em causa esta regra, com a condição de se adaptar o código de maneira a que não existam ambiguidades no momento dos cálculos (multicodificação)”, Bardin, p.120) - Homogeneidade - Pertinência - Objectividade e fidelidade - Produtividade Também: princípio da codificação aberta (Maroy, 1995) 369


UNIDADES DE ANÁLISE (1) 1. Unidade de registo: É o segmento de determinado conteúdo que se caracteriza colocando-o numa determinada categoria; “elemento de significação a codificar, a classificar, ou seja, a atribuir uma dada categoria” As unidades de registo podem ser: -formais (palavras, associações de palavras, categorias gramaticais – adjectivos, interjeições,… - a frase, uma personagem, um acontecimento, uma interacção, um item, uma intervenção, …) -semânticas ou temáticas (designadas por “tema” ou “unidade de informação”); “unidades de sentido ou de significado, independentemente das palavras com que foram expressas na mensagem”. ex, pode ser uma palavra ou um conjunto de segmentos de frases. (Adapt. Esteves, 2007). 370


UNIDADES DE ANÁLISE (2) 2. Unidade de contexto: É o segmento mais largo de conteúdo que o analista examina quando caracteriza uma unidade de registo - A sua dimensão depende do tipo de unidade de registo que se escolheu - Quanto mais extensas são as unidades de registo e de contexto, mais dificuldades se levantam à validade interna da análise. Ex: a frase para a palavra; o parágrafo para o tema

371


UNIDADES DE ANÁLISE (3) 3. Unidade de enumeração: É a unidade em função da qual se procede à quantificação. As unidades de enumeração podem ser: - geométricas -centímetro, altura; mais usadas na imprensa - aritméticas – podem ser muito variadas e ter ou não por base directamente as unidades de registo. Permitem contar a frequência de uma categoria, a intensidade de uma atitude, o tempo de antena, o n.º de imagens,… (Adpt. de Vala, 1986:114 e ss.) 372


FIDELIDADE E VALIDADE  A questão da validade atravessa todas as etapas de uma análise de conteúdo, desde a constituição do corpus à escolha das unidades de análise e ao sistema de quantificação. Como em qualquer outro procedimento de investigação, também neste o investigador deve assegurar-se de que mediu o que pretendia medir  A questão da fidelidade tem dificuldades especiais na análise de conteúdo, pois qualquer conteúdo é susceptível de interpretações diversas, diferindo de codificador para codificador (fidelidade intercodificador) ou até no mesmo codificador (intra-codificador) Índices de controlo de fidelidade da codificação – calculam-se dividindo o n.º de acordos entre codificadores pelo total de categorizações efectuadas por cada um. Notar que coeficientes elevados de fidelidade não são sinónimos de validade (Adpt. de Vala, 1986) 373


A QUANTIFICAÇÃO Nem sempre esta fase é necessária na análise de conteúdo (ex., na análise de conteúdo literário, faz-se muitas vezes apenas uma classificação nominal). Mas, a dimensão quantitativa acrescenta geralmente informações relevantes para a compreensão. Pode ser feita manualmente ou com software informático (NVIVO, NUDIST, ATLAS-TI, TRANSANA) Pode fazer-se: -análise de ocorrências – é a análise mais frequente. A hipótese implícita é a de quanto maior for o interesse do emissor por um dado objecto maior será a frequência de ocorrência, no discurso, dos indicadores relativos a esse objecto (nem sempre assim é, pois um indivíduo pode omitir deliberadamente referir aquilo que mais lhe interessa) -análise avaliativa – estudo das atitudes da fonte relativamente a determinados objectos -análise estrutural – é uma técnica muito complexa. Visa permitir inferências sobre a organização do sistema de pensamento da fonte implicado no discurso que se pretende estudar (Adpt. de Vala, 1986) 374


TIPOS DE ENUMERAÇÃO Segundo Bardin (1979), há diversos tipos de enumeração: • • • • • • •

Presença ou ausência Frequência Frequência ponderada Intensidade Direcção Ordem Co-ocorrência

375


UM EXEMPLO • Estudos sobre género: Perspectivas sobre os papéis das mulheres e dos homens em textos científicos sobre a casa – Delimitação dos objectivos e definição de um quadro de referência teórico orientador da pesquisa. – Geralmente, inclui questões e sub-questões de investigação – Pode incluir hipóteses ou não; a AC é uma boa técnica quando não se construíram hipóteses 376


Definição do universo do estudo e constituição do corpus de análise • Textos com as seguintes características: – – – –

Textos sobre a casa Textos sobre a casa sobre a região Norte de Portugal-Galiza Textos da década de 70 em diante Textos descritivos/reflexivos (âmbitos científicos)

377


SUB-QUESTÕES (hipóteses?) • Que perspectivas/concepções/ revelam os textos sobre: – – – – – –

A casa A família Membros da família na família Membros família na esfera social Mulheres Homens

• Posições críticas sobre as descrições apresentadas? • As descrições revelam situações estáticas ou dinâmicas, em mudança? Explicações? 378


Unidades de análise (de registo e de contexto) – Palavras? Expressões? Frases? Temas? Fotos? Objectos? Personagens? Acontecimentos? … • Unidade de contexto – O parágrafo? A frase? • Unidades de registo: Ex: Referências concretas a: – papeis das mulheres – papeis dos homens – papeis das filhas – papeis dos filhos – normas/tradições/símbolos – objectos – tipos de família – casa 379


Definir categorias • Definir categorias (a priori ou a posteriori). Por exemplo, em dicotomias?: – Papéis das mulheres/homens na casa – Papéis das mulheres/homens no social – Passado/presente – Burguesia/campesinato – Rural/urbano – Simbólico/ausência de simbólico – Tradição/modernidade – Conflito /ausência de conflito, bem-estar – Problemas/ problemas-soluções – Mundo social estático/em mudança – Perspectiva fundamentalmente /descritiva/descritiva-crítica – Posição do narrador

380


DEFINIR CATEGORIAS Papéis das mulheres/ na casa Papéis das mulheres no social Passado Casa /Partes da casa Família (nuclear/ alargada) Posição do narrador Ou em dicotomias?? Burguesia/campesinato Rural/urbano Simbólico/ausência de simbólico Tradição/modernidade Conflito /ausência de conflito, bemestar Problemas/ problemas-soluções Mundo social estático/em mudança Perspectiva descritiva/descritivacrítica

Papéis dos homens na casa Papéis dos homens no social Presente

381


Enumeração, quantificação e interpretação • Definir unidades de enumeração das categorias (codificação): – Presença/ausência – Frequência – Intensidade – Direcção Nota: Geralmente, atribui-se um código (n.º) a cada categoria • Quantificar – Análise de ocorrências – Análise avaliativa • Interpretar: a parte mais importante (é necessário ver a validação e a fiabilidade) 382


CATEGO RIA

CÓDIGO Unid. de

Papéis dos homens

100

enumeraçã o (direcção; crítica?)?? +?

ÍNDICES/ UNIDADES DE REGISTO

PAG.

Indicado -res (freq.)

“a cozinha é mais pequena. e pouco frequentada pelos homens” “o vinho é um símbolo do orgulho e do valor dos homens da casa” “os homens cortam a lenha”

66

3

67

-?

Perspectiva crítica face ao género

400

0

383


CATEGO CÓDI Unid. de RIA GO enumeraçã

ÍNDICES

PAG.

“…..”

130

o (direcção; crítica?)?? Papéis dos 100 homens

Indicado -res (freq.)

+?

-?

Perspectiv 400 a crítica face ao género

384


MODELO DE PRÉ-PROJETO DE INVESTIGAÇÃO

385


MODELO DE PRÉ-PROJETO DE INVESTIGAÇÃO • • • • • • •

Capa Página de título Índice INTRODUÇÃO DEFINIÇÃO DO TEMA/PROBLEMA ENQUADRAMENTO TEÓRICO SUB-QUESTÕES DE INVESTIGAÇÃO; OBJETIVOS; HIPÓTESES (SE PERTINENTE) • METODOLOGIA

386


MODELO DE PRÉ-PROJETO DE INVESTIGAÇÃO Continuação • • • • • •

CRONOGRAMA *EQUIPA *RECURSOS *ORÇAMENTO BIBLIOGRAFIA *APÊNDICES; ANEXOS

* Nos pré-projetos de investigação para dissertação ou tese, geralmente não se incluem os itens que estão assinalados com asterisco 387


INTRODUÇÃO (menos de uma página) A introdução serve, fundamentalmente, para apresentar o projeto, apresentando uma primeira abordagem ao projeto e a tudo o que o justifica. Pode indicar, também, e de forma sucinta, o conteúdo do projeto. A introdução não deve incluir pormenores históricos ou contextuais.

388


O PROBLEMA (uma a duas páginas) Definir e explicar o problema que se pretende estudar. De forma sintética, informar o leitor sobre aspetos da fase conceptual: • o problema • a origem do problema • as razões para realizar aquela investigação • o contexto do problema (âmbitos, preferências, exequibilidade, espaço, tempo, circunstâncias,…); pode incluir breve historial do processo, incluindo eventuais trabalhos exploratórios • delimitar o problema • relevância e justificações do estudo (oportunidade, interesse, preenchimento de eventuais lacunas) • limitações do estudo 389


ENQUADRAMENTO TEÓRICO (meia a uma página) Referências sucintas aos autores principais e ao referencial teórico em que o projeto se inscreve. Tem por finalidade permitir que o leitor compreenda em que perspetivas e linhas teóricas se enquadra a investigação (2 a 5 autores de referência, podem ser suficientes, nesta fase).

390


SUB-QUESTÕES DE INVESTIGAÇÃO, OBJETIVOS (E HIPÓTESES, SE PERTINENTE) (meia página) Estes itens podem estar aqui, ou estar antes do enquadramento teórico ou não estar. Na fase de elaboração de um pré-projeto de pesquisa, não é obrigatório formular sub-questões e objetivos de investigação; mais difícil ainda é formular hipóteses; verdadeiramente, só há fundamento para tal após a revisão da literatura; contudo, a formulação destes itens pode servir de exercício.

391


METODOLOGIA (meia a uma página) Indicar as decisões já tomadas (ainda que possam ser provisórias) relativamente à “fase metodológica”. De forma sucinta, indicar (já com um ou dois autores de referência): • Enquadramento em paradigma; nível do estudo (ver Fortin, 2003) • Tipo de estudo • Unidades de análise (população, amostra; espaço e período cronológico da investigação) • Variáveis (se pertinente) • Formas de controlo • Técnicas de investigação (técnicas de recolha e análise de dados; não inclui os instrumentos concretos, exceto se já existentes) • Questões éticas Ou seja, o leitor deve poder ficar com uma ideia clara da metodologia escolhida para investigar o problema indicado, sendo que também deve ser clara a lógica da relação entre o problema e a metodologia escolhida. 392


CRONOGRAMA (uma página) • Plano de trabalho; fases; ações; atividades; tempos (em grelha, de preferência).

• BIBLIOGRAFIA

393


MODELO DE RELATÓRIO DE INVESTIGAÇÃO (DISSERTAÇÃO, TESE)

394


PÁGINAS PRELIMINARES (parte pré-textual) • • • • • • • • • •

capa cópia da capa página de rosto legislação que justifica a apresentação do relatório e área científica resumo (s) dedicatória; pensamentos (facultativo) índice geral lista de abreviaturas, siglas e sinais outros índices (de quadros, diagramas, figuras, …) apresentação (ou prefácio, prólogo); inclui os agradecimentos ou certos assuntos que, não cabendo do corpo do relatório, não devam ser omitidos. 395


CORPO DO TRABALHO (texto) • • • • • • • •

Introdução o problema revisão de literatura (enquadramento teórico) sub-questões de investigação; objectivos; hipóteses; metodologia detalhada descrição e resultados do trabalho empírico (acções, recolha de dados) discussão e conclusões Notar: os relatórios estruturam-se em partes, capítulos e secções; os itens listados acima podem dar origem a mais do que um capítulo ou, ao invés, serem condensados em menos capítulos.

396


PÁGINAS PÓS-TEXTUAIS (parte pós-textual) • referências bibliográficas • apêndices (docs. elaborados pelo autor ou comentados pelo autor; ex.: guião de entrevista, carta de apresentação, …) • anexos (docs. auxiliares, mas não elaborados pelo autor; se longos, em volume separado; não constam no índice geral).

397


COMPARAÇÃO DE TRÊS MODELOS PERTINENTES AO PROCESSO DE INVESTIGAÇÃO PROCESSO DE

PRÉ-PROJECTO DE

INVESTIGAÇÃO

INVESTIGAÇÃO

FASE CONCEPTUAL Primeira

abordagem

RELATÓRIO DE INVESTIGAÇÃO Teses

ao

projecto de investigação

Capa

Capa

Página de título

PÁGINAS PRELIMINARES

Índice

Página de título

Definição do problema

• Introdução

Legislação e área científica

Revisão de literatura

• Definição do tema/problema

Resumo (s)

Objectivos; hipóteses

• Enquadramento teórico

Dedicatória; pensamentos (facultativo)

FASE METODOLÓGICA Metodologia FASE EMPÍRICA Acções várias; recolha de dados

• Sub-questões investigação; objetivos; hipóteses

de

Índice geral Listas de abreviaturas, siglas, sinais

• Metodologia

Outros índices (de quadros, figuras…)

• Cronograma

Apresentação

• Bibliografia

CORPO DO TRABALHO

Análise de dados

Introdução; Problema;

Conclusões

Revisão de literatura (quadro de referência) Objectivos; sub-questões; hipóteses Metodologia; Descrição e resultados do trabalho empírico Discussão e conclusões PÁGINAS PÓS-TEXTUAIS Referências bibliográficas; Apêndices; anexos

398


CÓDIGOS DE ÉTICA EM INVESTIGAÇÃO • Ética – Avaliação crítica e a reconstituição dos conjuntos de preceitos e de leis que regem os julgamentos, as acções e as atitudes no contexto de uma teoria no âmbito da moralidade (Fortin, 1999:114).

• • • • • •

Direito à informação – consentimento livre e esclarecido Direito à não participação Direito ao anonimato Direito à confidencialidade Direito à protecção contra o desconforto e o prejuízo Direito a esperar reciprocidade de ganhos (recompensa) reconhecimento • Direito a esperar responsabilidade por parte dos investigadores e de quem mais participe no estudo 399


DESENVOLVER PROJETOS E PROGRAMAS EM EDUCAÇÃO:

O DIAGNÓSTICO – INVESTIGAR, PROBLEMATIZAR, DECIDIR

400


EDUCAR

• • • • • • •

Mudar de forma consciente; transformar Conhecer de onde se parte Determinar onde se pretende chegar Decidir os métodos mais adequados Agir/fazer/implementar/executar Avaliar/refletir (processo e produto) Novo conhecimento (novo processo)

401


PLANIFICAR • PLANO – Planum facere, tornar evidente, apresentar mais claro. Organizar, no tempo e no espaço e em doses de rendibilidade, as linhas estratégicas mais adequadas para as determinantes dos programas consideradas, em função de ambiências e especificidades concretas.

402


OS PLANOS, PROJETOS, PERMITEM… – – – – – – – – –

construir discutir monitorizar regular aperfeiçoar partilhar comparar arquivar refletir

403


O CICLO DO PLANEAMENTO

O PROBLEMA

AVALIAÇÃO

IMPLEMENTAÇÃO

DIAGNÓSTICO

PLANEAMENTO

404


ABORDAGEM: TRADICIONAL

INSTITUIÇÃO

FORMADOR

FORMANDO

FORMANDO

FORMANDO 405


ABORDAGEM: PARTICIPATIVA

FORMA DORES

INSTIT UIÇÃO

PROJETO

CONTEXT O

FORMA NDOS 406


EDUC. DE ADULTOS E METODOLOGIAS PARTICIPATIVAS Educação de adultos Metodologia participativa “visa, empenhadamente, o envolvimento das pessoas na resolução dos seus problemas, deixando de as ver como “público-alvo” ou destinatárias de uma intervenção, para as encarar como sujeitos de um processo, que tem de ser seu, e não o que os técnicos definiram para elas” (In Loco, 2001:16)

407


METODOLOGIA PARTICIPATIVA  A metodologia participativa tem de produzir resultados em dois níveis: - respostas aos problemas enfrentados - crescimento pessoal dos que participam no processo (empoderamento)  A participação não é um dado de partida, é: -um processo dinâmico - uma conquista (adapt. de In Loco, 2001:16). 408


DIAGNÓSTICO • Do grego: discernimento, acção e faculdade de discernir; conhecer • Diagnose: descrição minuciosa que caracteriza uma espécie (biol.) • Diagnóstico: o mm. que diagnose; fase do ato médico que procura a natureza e a causa da afeção (med.)

409


DIAGNÓSTICO NO CONTEXTO DO PLANEAMENTO • DIAGNÓSTICO: Fase do processo de planeamento na qual se procura conhecer (em profundidade) uma situação com vista a fundamentar as decisões conducentes a uma intervenção nessa situação.

410


PAPEL DO DIAGNÓSTICO • Relevância do diagnóstico para todas as etapas sequentes: estabelecimento de metas, de metodologias, uso dos recursos, avaliação,… • Sem um diagnóstico adequado, será difícil estabelecer metas adequadas para levar a cabo programas de intervenção.

• Um diagnóstico mal focalizado poderá conduzir a resultados irrelevantes ou, até, não pretendidos.

411


FACTORES RELATIVOS AOS FORMANDOS

• • • • •

Idade, profissão, género, família, …. Interesses Metas Experiências prévias …..

412


FACTORES RELATIVOS AOS CONTEXTOS DE FORMAÇÃO -

Institucionais (localização, princípios, aspectos funcionais, etc.) Currículo Metas Recursos Tempo Comunidades circundantes Envolvimento de outros elementos das comunidades

413


FACTORES RELATIVOS AOS FORMADORES

 Indivíduos

 Equipas

414


DIAGNÓSTICO E METAS Na fase de diagnóstico, ter como um dos elementos orientadores as metas desejáveis, as quais terão que ir sendo ajustados, à medida que o diagnóstico evolui. METAS DESEJADAS

METAS POSSÍVEIS/REALISTAS/PREVISÍVEIS

415


PAPEL DO FORMADOR Metas desejáveis/possíveis: Papel do formador: Tomar de decisões: que metas perseguir? decidir sobre o que é mais importante, o processo ou o produto? Formador: flexibilidade, conhecimento, autoridade, auto-confiança, auto-controle, empoderamento

416


DIAGNOSTICAR: INVESTIGAR E DECIDIR

OBSERVAR

DESCREVER

PROBLEMATIZAR

DECIDIR

417


TÉCNICAS DE DIAGNÓSTICO • • • • • • •

Observação sistematizada Observação informal e intuitiva Informações de membros das instituições Entrevistas; entrevistas a informantes-chave Questionários; testes Análise de documentos Grupos de debate

(ver textos e docs. de “Métodos de investigação”, 1.º semestre)

418


TÉCNICAS DE DIAGNÓSTICO • • • • • • •

Análise de stakeholders Análise SWOT Análise do grupo alvo Análise de parcerias Árvore de problemas Análise do enquadramento institucional Análise de género

(ver Schiefer et at, 2006; links em “Recursos”, no wiki)

419


EXEMPLOS DE ESTUDOS

420


ESTUDO 1 A utilização do Método K no ensino da leitura e da escrita a adultos tem alguma relação com os resultados da aprendizagem? Hipótese: A utilização do Método K no ensino da leitura e da escrita a adultos não altera os resultados da aprendizagem, quando comparados com os métodos tradicionais F e G. Quadro de desenvolvimento: Compararam-se os resultados da utilização dos métodos K, F e G em grupos experimentais e grupos de controle. Propositadamente, só se investigaram populações urbanas. Os vários grupos foram diferenciados pelo nível etário, porque se admitia que o factor idade pudesse ter alguma influência nos resultados da aprendizagem. 421


ESTUDO 2 Opiniões e atitudes dos Animadores Socioculturais face aos seus contextos de trabalho Objectivo: caracterizar opiniões e atitudes de Animadores face aos contextos de trabalho Quadro de desenvolvimento: Estudo de amostra de Animadores, em contextos de trabalho distintos, com recurso às seguintes técnicas, aplicadas aos Animadores e a outros elementos dos contextos de trabalho: – Observação participante; – Questionários – Entrevistas semi-directivas – Histórias de vida de Animadores 422


ESTUDO 3 Estratégias de fomento da participação do voluntariado em associações de apoio à 3.ª idade, num bairro Objectivo: Fomentar a participação do voluntariado em associações de apoio à 3.ª idade Quadro de desenvolvimento: – Um Animador detectou um défice de voluntariado . – Caracterizou a situação, recorrendo a inquéritos, entrevistas, observação – Em colaboração com outros elementos, elaborou um plano de acções para fomentar a participação – À media que o plano era implementado, ia avaliando os resultados; mais do que uma vez entendeu necessário alterar o plano inicial 423


ESTUDOS DE TURISMO

424


Problema: existe alguma relação entre o rendimento dos idosos e a prática de turismo sénior no concelho de Vila real?

Quadro de desenvolvimento: Listaram-se os idosos do concelho; realizaram-se estimativas dos seus rendimentos; listaram-se os idosos de turismo sénior; estimaram-se os rendimentos desses idosos; efectuaram-se análises estatísticas; F/M; nível académico

425


Problema: existe alguma relação entre o rendimento dos idosos a prática de turismo sénior no concelho de Vila real? Quadro de desenvolvimento: Listaram-se os idosos do concelho; realizaram-se estimativas dos seus rendimentos; listaram-se os idosos de turismo sénior; estimaram-se os rendimentos desses idosos; efectuaram-se análises estatísticas; F/M; nível académico V.I. – Rendimentos dos idosos V.D. – turismo sénior V.C. – origem geográfica (distrito de Vila Real) V. M. – género, nível académico V. Int. – existência, na região, lares de 3ª idade que dinamizam passeios com frequência 426


Problema: Qual a relação entre a origem geográfica dos turistas que visitam o Parque N. Peneda-Gerês e o tipo de actividades que escolhem realizar? Quadro de desenvolvimento: O estudo apenas decorreu nas épocas de Primavera e Outono; os turistas foram caracterizados por género, estatuto socio-económico e visitas prévias ao parque.

427


Problema: Qual a relação entre a origem geográfica dos turistas que visitam o Parque N. Peneda-Gerês e o tipo de actividades que escolhem realizar? Quadro de desenvolvimento: O estudo apenas decorreu nas épocas de Primavera e Outono; os turistas foram caracterizados por género, estatuto socio-económico e visitas prévias ao parque. V.I. – Origem geográfica dos turistas V.D. – Tipo de actividades: passeios a cavalo, passeios pedestres, montanhismos, btt, desp. náuticos, rappel, tiro ao arco, paisagens especiais, participação em actividades tradicionais, participação em actividades das aldeias, observação de aves, observ. de plantas V.C. – estações do ano (Primavera e Outono) V. M. – género, estatuto, visitas prévias V. Int. – uma das aldeias realizou actividades de dinamização das tarefas tradicionais (forno comunitário, pisão, etc), sem que tal tivesse sido 428 previsto.


ESTUDO DESCRITIVO/INTERPRETATIVO Problema: Quais as justificaçþes apresentadas pelos turistas para terem visitado o parque e para terem escolhido aquelas actividades. Quadro de desenvolvimento: O estudo desenvolveu-se com recurso a entrevistas semi-estruturadas.

429


ESTUDOS DE CASO Estudo de uma aldeia especialmente dinâmica e que conseguira atrair mais visitantes do que as restantes aldeias da mesma região. Estudo de uma casa de turismo rural com índices de ocupação média acima dos 80% Estudo de uma associação cultural que conseguiu atrair e manter durante mais de 3 anos actividades com a participação de diferentes níveis etários.

430


ESTUDOS EM ANIMAÇÃO SOCIOCULTURAL

431


Problema: existe alguma relação entre o desenvolvimento dos transportes e a realização de torneios desportivos nos concelhos do distrito de Viana do Castelo? Quadro de desenvolvimento: V.I. – V.D. – V.C. – V. M. – V. Int. – Operacionalizar variáveis: n de kms, n de intrefaces, lugares percorridos, veículos, anos dos veículos conforto dos veículos, preparação dos condutores, preço dos bilhetes

432


Problema 5 • A animação de jardins públicos tem alguma relação com os níveis de frequência desses jardins e com a conservação dos mesmos?

433


Problema 6 • A animação de bibliotecas de cidades pequenas tem alguma relação com os níveis de frequência das bibliotecas por jovens?

434


Problema 4 • A interacção entre crianças e idosos, durante 4 tardes por semana, em Lares concelho de Murça, tem alguma relação com os níveis de auto-estima dos idosos? • Quadro de desenvolvimento: Através de testes estandardizados, mediram-se os níveis de autoestima dos idosos dos lares. Promoveu-se a interacção entre crianças e idosos, durante uma ano Efectuaram-se novas medições dos níveis de auto-estima Conclusões

435


ESTUDOS DE EDUCAÇÃO

436


Problema 1 Existe alguma relação entre a profissão dos pais e o rendimento escolar das crianças dos 10 aos 12 anos na região do Alto Tâmega? Hipóteses: • Na Região do Alto Tâmega, as crianças dos 10 aos 12 anos cujos pais têm certas profissões (liberais, professores,...) têm melhor rendimento escolar.(H1) • Na Região do Alto Tâmega, as crianças dos 10 aos 12 anos cujos pais têm certas profissões (liberais, professores,...) têm pior rendimento escolar. (H2) • Na região do Alto Tâmega, não se observa qualquer relação entre as profissões dos pais e o rendimento escolar. (H0 - hipótese nula) 437


Problema Existe alguma relação entre a autoestima e a taxa de obtenção de emprego? Hipóteses:

438


Problema 1 (cont.) Hipótese: Na Região do Alto Tâmega, as crianças dos 10 aos 12 anos cujos pais têm certas profissões (liberais, professores,...) têm melhor rendimento escolar. Quadro de desenvolvimento: Investigou-se a relação conjecturada, distinguindo os casais conforme um dos membros (mulher ou homem) trabalhavam ou não fora de casa. V.I. - Profissão dos pais V.D. - Rendimento escolar V.C. - Idade (10-12 anos); região V. M. - Trabalho dos homens ou das mulheres fora de casa /em casa 439


Problema 2 • A frequência do Jardim de Infância durante pelo menos dois anos, tem alguma relação com o rendimento escolar das crianças durante o 1º CEB, nas aldeias dos concelhos de Montalegre e Boticas? • Hipótese: A frequência do Jardim de Infância durante pelo menos dois anos tem uma relação positiva com o rendimento escolar das crianças durante o 1º CEB, nas aldeias dos concelhos de Montalegre e Boticas. • Quadro de desenvolvimento: Analisaram-se as correlações entre a frequência do Jardim de Infância e o rendimento escolar. As famílias foram diferenciadas pelo número de filhos. 440


Problema 2 (cont.)

• • • •

V. I. - Frequência do J. I. versus não frequência do J. I. V. D. - Rendimento escolar no 1º CEB. V. C. - Aldeias; idade; concelhos de Boticas e Montalegre. V. M. - Número de filhos.

441


Problema 3 A utilização do Método K no ensino da leitura e da escrita a adultos tem alguma relação com os resultados da aprendizagem? Hipótese: A utilização do Método K no ensino da leitura e da escrita a adultos não altera os resultados da aprendizagem, quando comparados com os métodos tradicionais F e G. Quadro de desenvolvimento: Compararam-se os resultados da utilização dos métodos K, F e G em grupos experimentais e grupos de controle. Propositadamente, só se investigaram populações urbanas. Os vários grupos foram diferenciados pelo nível etário, porque se admitia que o factor idade pudesse ter alguma influência nos resultados da aprendizagem. 442


Problema 3 (cont.)

• • • •

V. I. - Métodos de ensino da leitura e da escrita. V. D. - Resultados da aprendizagem V. C. - Zonas urbanas V. M. - Idade

443


Problema: Existe alguma relação entre o rendimento escolar e o tipo de horário das crianças do 1.ºCEB, do distrito de Vila Real? Quadro de desenvolvimento: foi estudada uma amostra representativa de crianças do distrito de Vila Real, caracterizando as crianças segundo o estatuto socioeconómico das famílias, o género e a frequência de jardim de infância. Apenas se estudaram crianças dos meios urbanos. • Indicar: • V.I. : • V.D. : • V. M. : • V.C. : • V. Intervenientes (possíveis) : 444


Problema: Existe alguma relação entre o tempo de exposição a uma determinada disciplina e as classificações escolares dos alunos? • Quadro de desenvolvimento: estudou-se uma amostra de crianças da região da grande Lisboa. As crianças foram caracterizadas segundo o tipo de escola que frequentavam (pública ou privada), as qualificações académicas dos pais e o nível de ensino (1.º a 3.º CEB). • Apenas foram tidos em conta as disciplinas de Matemática, Ciências e Línguas Estrangeiras Indicar: • V.I. : • V.D. : • V. M. : • V.C. : • V. Intervenientes (possíveis) :

445


Existe alguma correlação entre a quantidade de tempo que uma criança dedica a ver violência na TV e a sua tendência a preferir soluções agressivas para os seus problemas? Significa isto que ver agressões na TV torna as crianças mais agressivas? Não necessariamente. Pode significar também que as crianças agressivas simplesmente gostam de ver agressões e que seriam igualmente agressivos se vissem a Rua Sésamo o dia todo. Alguns investigadores demonstraram que ver violência incrementa a violência. Como? Aleatoriamente, escolheram um grupo de crianças para ver um episódio de uma série de TV, particularmente violenta, em que as pessoas se batiam, matavam e mordiam durante os cinquenta minutos que durava o episódio. Como controlo, escolheram aleatoriamente outras crianças que viam uma prova atlética. Encontraram que as crianças que tinham assistido ao episódio violento mostravam mais agressividade do que as outras. Isto sugere que ver violência na TV pode conduzir à violência. (Trad. e adapt. de Cohen & Manion, 1990).

446


PROBLEMAS • a) Quantos pais participam na vida das escolas de Vila Pouca e de que modo? • b)Qual a relação entre a actividade profissional dos pais, em Vila Pouca, e a sua participação na vida da escola? • c) A realização de acções de sensibilização aos pais de Vila Pouca produz algum efeito sobre a sua participação na vida da escola?

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ESTUDO EXPERIMENTAL: experiência duplamente cega • Problema: A droga misutalix tem algum efeito sobre a úlcera gástrica? V. I. - Misutalix V.D. – evolução da úlcera gástrica V. M. – nível etário e género V.C. – historial de úlcera gástrica na família V. Int -

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ESTUDO EXPERIMENTAL: Quadro de desenvolvimento Foram seleccionados, de forma aleatória, 40 doentes com úlcera gástrica em 3 hospitais do Porto. Apenas foram seleccionados indivíduos com determinado historial de úlcera gástrica na família Esta amostra foi dividida, de forma aleatória, em 2 grupos: o grupo experimental, que recebeu a droga e o grupo de controlo, que recebeu um placebo. Ambos os grupos foram subdivididos por nível etário e por género. Todos os integrantes da amostra assinaram declaração de consentimento informado. Nenhum dos cuidadores (pessoal médico ou enfermeiros) sabia quem integrava o grupo experimental e o grupo de controlo. 449

Metodologias de investigação em educação  

Manual de apoio cientifico didático - Isabel Costa

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