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O OCIOSO QUE FICARÁ MODERNO E DESENVOLTO DISTRITO DE INOVAÇÃO DE ITAJAÍ PROMETE COLOCAR A CIDADE EM OUTRO PATAMAR

PRA JAPONÊS COMER... OFICIALIZADA A PARCERIA ENTRE SANTA CATARINA E JAPÃO PARA EXPORTAÇÃO DE CARNE SUÍNA

Flávio Tin

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JUNHO HISTÓRICO O BRASIL ERGUEU A VOZ, MAS E DAQUI PARA FRENTE ALGUMA COISA VAI MUDAR?

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ÍNDICE

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ANÁLISE ECONÔMICA ECONOMIA AQUECIDA DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ É DESTAQUE EM PESQUISA SOBRE AS PERSPECTIVAS DO MUNICÍPIO

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BONS VENTOS SANTA CATARINA É O SEGUNDO MAIOR PRODUTOR DE BARCOS DE LAZER DO BRASIL

www.revistaportuaria.com.br Revista Portuária também está na web com informações exclusivas Duas vezes por semana, a Revista Portuária atualiza o blog da publicação, que tem sempre informações exclusivas sobre tudo o que acontece no mundo dos negócios no Brasil. O informativo jornalístico é encaminhado duas vezes por semana para uma base de dados segura e criteriosamente construída ao longo de 15 anos de mercado, formada por mais de 90 mil empresas. Composto por notícias econômicas de interesse de empresários, políticos e clientes, o blog trata de todo e qualquer tema que envolva economia, especialmente aqueles voltados aos terminais portuários de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. Se você souber de alguma novidade, tiver informações relevantes sobre temas econômicos e quiser contribuir com o trabalho da Revista Portuária, entre em contato com a reportagem no endereço eletrônico: jornalismo@revistaportuaria.com.br 4 • Julho 2013 • Economia&Negócios


EDITORIAL

ANO 15  EDIÇÃO Nº 161 JULHO 2013 Editora Bittencourt Rua Jorge Matos, 15 | Centro | Itajaí Santa Catarina | CEP 88302-130 Fone: 47 3344.8600 Diretor Carlos Bittencourt direcao@bteditora.com.br Jornalista responsável: Leonardo Thomé – DRT SC 04607 JP jornalismo@revistaportuaria.com.br Diagramação: Solange Alves solange@bteditora.com.br Contato Comercial Rosane Piardi - 47 8405.8776 comercial@revistaportuaria.com.br Impressão Impressul Indústria Gráfica Elogios, críticas ou sugestões direcao@bteditora.com.br Para assinar: Valor anual: R$ 180,00 Foto de capa: Flávio Tin A Revista Portuária não se responsabiliza por conceitos emitidos nos artigos assinados, que são de inteira responsabilidade de seus autores. www.revistaportuaria.com.br twitter: @rportuaria

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Das manifestações pelo Brasil aos destaques da economia catarinense

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omo diria um ex-presidente da República, nunca antes na história deste país um mês foi tão conturbado. Junho de 2013 passou, mas as lições que esse período deixou ainda repercutirão na política e na economia do Brasil por um bom tempo. Talvez a lição mais importante tenha sido a de que unido, o povo brasileiro pode conseguir coisas antes inimagináveis, como foi a redução nas tarifas de ônibus e a votação em tempo recorde de projetos que estavam engavetados há mais de duas décadas. Ponto positivo para as manifestações que sacudiram o Brasil. Entretanto, pontos negativos de tudo o que ocorreu nas ruas também devem ser ressaltados, como, por exemplo, o vandalismo e a violência que alguns grupos de pessoas realizaram nas grandes cidades, tentando manchar uma página única da nação. Nesta edição da Revista Portuária – Economia & Negócios, uma reportagem traz o que políticos, empresários e especialistas acharam das manifestações de junho no Brasil, bem como a expectativa de diferentes segmentos para os próximos meses. Além do destaque nacional aos protestos, a publicação faz um raio-x de como será o futuro Distrito de Inovação da Itaipava, em Itajaí. Um projeto ousado, complexo e que deve expandir a cidade para sua área oeste, trazendo empregos de melhor qualidade, desenvolvimento

sustentável e geração de riquezas no município, tudo isso com o aporte de empresas que trabalhem com tecnologia de ponta. Falando em tecnologia, não perca a entrevista pingue-pongue com Cidemar Luiz Dalla Zen, executivo da Arxo, empresa do ramo metal mecânico. Como tem sido tradição na Portuária, o mundo náutico catarinense também é destaque nas páginas da revista, desta vez com o fato de que Santa Catarina é o segundo maior fabricante de embarcações de lazer no Brasil. Não bastasse isso, Itajaí é o berço da Fibrafort, conceituada empresa que vem ganhando espaço no mercado náutico nacional e internacional. De Itajaí para Balneário Camboriú, a Portuária expõe como anda a percepção de moradores e empresários com relação às perspectivas de crescimento na cidade do Litoral Norte. Mais para o final da revista, o leitor encontrará o já tradicional perfil de uma figura importante da economia regional. O entrevistado da vez é Osmari de Castilho Ribas, diretor-superintendente administrativo da Portonave, executivo percursor no sonho de erguer o terminal, que conta isso tudo e muito mais. A publicação ainda tem as secções já conhecidas dos leitores e outras pequenas matérias dos assuntos que foram destaque dos últimos 30 dias. Depois desse resumo da edição de julho, desejamos uma boa leitura a todos. •

Economia&Negócios • Julho 2013 • 5


O ocioso que ficará

moderno e desenvolto DISTRITO DE INOVAÇÃO DE ITAJAÍ PROMETE COLOCAR A CIDADE EM OUTRO PATAMAR A Revista Portuária, antes de entrar no assunto da reportagem, vai fazer um exercício de imaginação com o leitor...

Esse é o projeto de como ficará o futuro Distrito de Inovação de Itajaí.

O empreendimento dará prioridade também à acessibilidade e mobilidade urbana

Observe na imagem o tamanho da área do futuro Distrito de Inovação de Itajaí

6 • Julho 2013 • Economia&Negócios

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magine uma área que hoje é ociosa em investimentos e, num futuro próximo, deve abrigar um moderno distrito de inovação tecnológica que pode gerar até 30 mil empregos em Itajaí. Agora vislumbre essa mesma área, que atualmente é apenas a zona rural da cidade, se transformar num centro urbanístico e empresarial, abrigando até 100 empresas especializadas em inovações tecnológicas no Brasil e no mundo. Estamos falando de toda a região do bairro Itaipava, que será o palco de um projeto ousado, complexo e que deve expandir a cidade para sua área oeste, trazendo empregos de melhor qualidade, desenvolvimento sustentável e geração de riquezas no município. A criação do distrito de inovação tecnológica da Itaipava tem o objetivo de fomentar a vinda de grandes e importantes empresas que trabalhem com tecnologia de ponta. Para tocar o projeto foi constituída a empresa Itajaí Participações, que tem entre as suas atribuições a implantação do Distrito de Inovação de Itajaí. Mas de que forma se dará esse processo? O advogado Marcelo Fett,

da secretaria de Estado de Desenvolvimento Sustentável, foi escolhido como presidente da Itajaí Participações, uma empresa municipal criada para atuar no mercado e atrair parcerias privadas. Os trabalhos da Itajaí Participações já estão a todo vapor e, em breve, o terreno onde o empreendimento se localizará será cercado de tapumes e todo identificado em seu entorno. “O distrito parte, primeiro, da premissa que tem de ser sustentável economicamente. Em segundo, o poder público – governos municipal, estadual e federal – tem limitações financeiras, por isso a participação da iniciativa privada naquilo que ela tem interesse e que não seja prioridade do Estado. Em terceiro, a gente precisa respeitar a característica local, respeitar a vocação tradicional do município e criar um ambiente que permita se renovar em cima daquela vocação original”, explica Fett. A economia dinâmica de Itajaí, a disposição política por parte da prefeitura em implantar o projeto e uma área grande o suficiente para testar o apetite da iniciativa privada em relação a algo de tanta magnitude, foram pre-


A inovação tecnológica de Santa Catarina é um dos focos do trabalho do secretário

O projeto é uma parceria entre o governo estadual e a prefeitura municipal, mas que tem o aporte da iniciativa privada

ponderantes para a cidade sair na frente de outros municípios na criação do distrito. Fett revela que a Itajaí Participações será o veículo de investimento do município. É ela que irá monetizar o terreno, viabilizar com a iniciativa privada os investimentos necessários e facilitar a vinda de empresas para dentro do distrito. O secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável de Santa Catarina, Paulo Bornhausen (PSD), o Paulinho, lembra que o projeto é uma parceria entre o governo estadual e a prefeitura municipal, mas que tem o aporte da iniciativa privada. O Distrito de Inovação, explica Paulinho, pode representar o fim da dependência que a cidade tem do porto, alavancando oportunidades em outras áreas da economia. “Aquela área da Itaipava vai representar um salto à frente para Itajaí, porque a cidade vai para o rol de lugares que Serviços Contábeis – Abertura de Empresas - Planejamento Tributário Se você pretende abrir sua empresa, venha para OCIL. Rua Dr. Pedro Ferreira nº 155 – Cjto. 400 – Itajaí-SC www.ocilcontabil.com.br – Fone: (47) 3348-1787

DESTAQUE DA CONTABILIDADE EM SC – EDIÇÃO 2011 DO CRC-SC Economia&Negócios • Julho 2013 • 7


DISTRITO DE INOVAÇÃO

Nelson Robledo

Diversas palestras sobre o Distrito de Inovação foram feitas nos últimos anos em Itajaí

têm projetos de tecnologia de ponta”, afirma o secretário. Dos cerca de R$ 105 milhões previstos para primeira fase de implantação, que é de infraestrutura básica, 70% serão bancados pelos cofres públicos estaduais e o restante sairá do município. Paulinho reitera que a área de ocupação do distrito terá 2,3 milhões de metros quadrados e ele poderá gerar até 30 mil empregos quando estiver totalmente implantado. “Em 10 anos, nós teremos um distrito pronto, empregando até 30 mil pessoas e trazendo benefícios na saúde, na educação e na qualidade de vida”, promete Paulinho. Conforme o secretário, o Distrito de Inovação de Itajaí traz o conceito da tríplice hélice, que norteia os distritos de inovação no mundo: universidade, iniciativa privada e governo. Em Itajaí, informa Paulinho, foi incluída mais uma hélice - a sociedade. “O trabalho é para ser feito em conjunto com todas 8 • Julho 2013 • Economia&Negócios

Dos cerca de R$ 105 milhões previstos para primeira fase de implantação, que é de infraestrutura básica, 70% serão bancados pelos cofres públicos estaduais e o restante sairá do município.

essas esferas, para que cada um colabore à sua maneira com o distrito”. A criação do Distrito de Inovação de Itajaí é uma iniciativa que faz parte do programa Inova@SC, com a pretensão

de estimular a implantação e o fortalecimento de empresas voltadas ao desenvolvimento tecnológico no Estado. O empreendimento, que terá parceria com a iniciativa privada para financiamento de projetos, dará prioridade também à acessibilidade e mobilidade urbana, sendo planejado para uma convivência respeitosa entre pedestres, automóveis, bicicletas e meios alternativos de locomoção. Ou seja, priorizando as pessoas. “Podemos oferecer aos investidores este endereço exclusivo, que antes nem imaginávamos, mas que será, sem dúvida, algo inovador no Brasil”, comemorou o prefeito de Itajaí, Jandir Bellini (PP). Ele disse que está otimista com o caminhar do projeto, já que a empresa Itajaí Participações já está trabalhando com todo gás no processo de implantação do distrito. Em Itajaí, onde a atividade portuária é a força motriz da economia, a expectativa é que a maioria das em-


DISTRITO DE INOVAÇÃO

Paulinho participa ativamente da implantação do Distrito

presas que receberão auxílio através do Inova@SC sejam da área de logística. Mas também deve haver desenvolvimento tecnológico na área náutica, de biofármacos e de saúde. “Cada distrito vai se concentrar na vocação da região onde está inserido. Em Itajaí, não será diferente. Priorizaremos aquilo que já é inerente à cidade, como a logística e a área náutica”, resume Marcelo Fett, presidente da Itajaí Participações.

A universidade A Univali entrou no projeto pela sua capacidade de conhecimento científico, com a intenção de atuar nas definições do setor produtivo e industrial, além de prospectar empresas interessadas em atuar no distrito. “Universidades são fundamentais na criação de distritos de inovação, pois elas detêm o intelecto e são facilitadores da vinda de empresas”, avalia o professor José Roberto Provesi, ex-reitor da Univali e atualmente diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia da secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e Sustentável. •

Em Itajaí novo endereço: Avenida Coronel Marcos Konder, 789 - Centro - Itajaí - SC Curitiba - Joinville - Blumenau - Navegantes - Itajaí - Balneário Camboriú - Florianópolis

Economia&Negócios • Julho 2013 • 9


ENTREVISTA Para Cidemar, crescimento sempre é uma questão de empreendedorismo, de nada adianta o mercado estar a favor, se o empresário não consegue antecipar este movimento

Cidemar Luiz Dalla Zen

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iretor comercial e de marketing da Arxo, empresa do ramo metal mecânico com sede em Balneário Piçarras, Litoral Norte de Santa Catarina, Cidemar Luiz Dalla Zen é dono de um vasto currículo em diferentes companhias nacionais. Graduado em Contabilidade, ele chegou na Arxo, a maior fabricante de taques para armazenar combustíveis na América Latina, em setembro de 2009. Cidemar é pós-graduado em Controladoria e Finanças, pela Unoesc/USP, bem como em Comércio Exterior pela Fundação Getúlio Vargas.

A partir dos anos 2000, foi a vez dos MBAs. Cidemar tem dois, um em Gestão Estratégica em Agribusinnes pela Fundação Getúlio Vargas, e outro internacional em Planejamento Estratégico na Universidade de Ohio, nos Estados Unidos. O dono do currículo tem 43 anos e, em meio à apertada agenda de executivo, concedeu por e-mail esta entrevista exclusiva para a Revista Portuária – Economia & Negócios.

Revista Portuária - Solda e serralheria. Estas eram as especialidades da Arxo quando de sua fundação, no distante ano de 1967. A empresa sempre teve uma base de atuação no Litoral Norte de Santa Catarina. Como você avalia o crescimento industrial da região nestas últimas décadas? Cidemar - Nesta ultima década, nós da Arxo tivemos o privilégio de estar inserido em uma região que avançou a passos largos no segmento metal mecânico. Com certeza isto proporcionou para a empresa uma vantagem de mercado. Por outro lado, neste momento estamos sentindo uma deficiência de mão de obra, que pode comprometer o ritmo de crescimento da região. Portuária - E o crescimento da Arxo, quais etapas dele foram decisivas para a consolidação da empresa no mercado industrial? Cidemar - Crescimento sempre é uma questão de empreendedorismo, de nada adianta o mercado estar a favor se o empresário não consegue antecipar esse movimento. Justamente esse foi o ponto decisivo para a Arxo ter consolidado suas atividades na região. Podemos verificar outras empresas que tiveram o mesmo ambiente, porém não tiveram o mesmo desempenho. Nossa empresa antecipou com investimentos em estrutura, implantação de equipe de engenharia qualificada e profissionalizando a gestão da empresa, dessa forma sempre 10 • Julho 2013 • Economia&Negócios

Solda e serralheria. Estas eram as especialidades da Arxo quando de sua fundação, no distante ano de 1967


ENTREVISTA

A Arxo é a maior fabricante de taques para armazenar combustíveis na América Latina

andando a frente dos concorrentes.

Portuária - A Arxo expandiu, ultrapassou fronteiras e ganhou a América Latina. O que fazer para seguir numa toada ascendente? E o mercado internacional, Ásia e Europa, por exemplo, é possível produzir e negociar aço para outros mercados globais? Cidemar - Penso e acredito que sim, é possível avançar mais para manter o ritmo. Nosso planejamento no momento, porém, é consolidar a marca Arxo na América Latina. Isso não impede de alçarmos vôos para outros mercados como Estados Unidos e União Européia. Falando de Ásia a situação é muito mais de o Brasil ser comprador de produtos ao invés de fornecedor, pelos mercados e pelo volume de investimentos que teremos nos próximos 10 anos em exploração de petróleo no Brasil, vamos ter trabalho de sobra. Portuária - Qual o faturamento da Arxo em 2012? E a previsão para 2013? Cidemar - A Arxo faturou em 2012 mais de R$ 106.000.000,00, e previsão de aproximadamente R$ 130.000.000,00 para 2013. Somente com os contratos já firmados estamos dentro deste objetivo. Portuária - A Arxo ingressou no mercado de fabricação de partes de equipamentos para navios de apoio 12 • Julho 2013 • Economia&Negócios

offshore. Que equipamentos seriam esses? Cidemar – Começamos a trabalhar no mercado offshore em 2012, traçando um plano estratégico para isso em 2011. Assim nos habilitamos a participar ativamente no fornecimento de equipamentos para movimentação de onshore para offshore. Temos linhas de fabricação de container, frames, cestas. Assim são conhecidos os produtos que fabricamos, que são utilizados para movimentação de brocas, ferramentas e outros equipamentos das bases até as plataformas de petróleo. Foi um trabalho duro de qualificação, certificação e de estruturação física para produção, mas superamos... Nosso desafio para 2013 é passarmos a produção de módulos e estruturas para FPSO (Unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de óleo). Portuária - Quais as características e particularidades do processamento de aço para os equipamentos de auxílio à exploração de petróleo e gás na camada do pré-sal, há 200 quilômetros da costa e 7000 metros da superfície? Cidemar - O mercado é extremamente exigente, assim como a atividade requer. A grande barreira para produzir para este fim é principalmente qualificação e certificação de profissionais e de processos. Como a Arxo é fornecedora da Petrobras há mais de sete anos, foi apenas um incremento no

fator risco e segurança de produto. Capacitamos profissionais para a fabricação destes produtos, capacitamos nosso corpo de engenharia para projetar e até desenvolver necessidades especificas de alguns clientes, daí para frente foi uma curva de aprendizagem normal. Hoje somos um player com todos os requisitos que este mercado exige.

Portuária - A Arxo iniciará a montagem de Caminhões Tanques de Abastecimento de Aeronaves, os chamados CTAs. Um mercado restrito e exclusivo no país. Por que essa área é tão limitada? Cidemar - Mais uma vez na linha de planejamento, onde estamos sempre focados nas necessidades do mercado, vislumbramos a partir da definição da Copa do Mundo que teríamos uma necessidade de melhoria do sistema aeroportuário brasileiro. Juntamente com esse movimento tivemos a surpresa agora com a implantação de 270 aeroportos regionais, o que facilitou ainda mais a implementação do projeto. O mercado é restrito pela qualificação e tecnicidade dos equipamentos, quase todos importados, mas nós fizemos uma parceria com a BAE (Bosserman Aviation Equipament), segunda maior empresa de equipamentos para aviação do mundo. Isso nos credenciou a fazer parte do seleto grupo de fornecedores para aviação. Teremos o suporte técnico da Bosserman e a robustez da indústria Arxo para fabricação. •


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Pra japonês comer...

OFICIALIZADA A PARCERIA ENTRE SANTA CATARINA E JAPÃO PARA EXPORTAÇÃO DE CARNE SUÍNA

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Além do sushi, os japoneses agora vão poder se deliciar com a qualidade da carne suína catarinense 14 • Julho 2013 • Economia&Negócios

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japonês é um povo esbelto, que tem como tradição o apreço por arroz e peixe cru, entre outras delícias. De tão gostosa, nutritiva e saudável, a culinária japonesa é sucesso no mundo inteiro. Mesmo assim, e talvez por ter a décima economia do planeta, os nipônicos são o maior importador de carne suína do planeta, comprando o equivalente a 1,2 milhão de toneladas por ano (em equivalente a carcaça), com o diferencial de que pagam melhor do que os outros países porque compram cortes específicos e de valor agregado (sem osso) e fazem contratos de longo prazo, o que garante estabilidade para a suinocultura que negociar com eles. E, depois de longos sete anos de negociações, enfim, foi oficializada no fim de junho a parceria entre Santa Catarina e Japão para exportação de carne suína barriga-verde para o oriente. Para selar a parceria histórica, uma comitiva do governo do Estado viajou para o Japão na última semana de junho. Por lá, políticos e auto-


Pra japonês comer...

ridades deram o tom oficial que o ato exigia. O governador Raimundo Co“A carne suína lombo (PSD) assinou e entregou docucatarinense vai se mento confirmando que Santa Catarina somar à parceria do atenderá as exigências necessárias para agronegócio brasileiro dar início às exportações. Os primeiros com o Japão, que em embarques comerciais da carne suína 2012 movimentou cerca catarinense devem deixar o Estado em de US$ 3,5 bilhões em julho e chegar aos compradores japoexportações” neses em agosto. Marcos Galvão O governador Raimundo Colombo destacou a força do agronegócio catarinense, lembrando que mesmo com apenas 1,1% do território nacional, o Estado é o maior produtor de carne suína do Brasil, o segundo maior produtor de carne de frango e o quarto maior produtor de leite. “Santa Catarina tem uma tradição muito forte no agronegócio, com os pequenos produtores rurais mantendo uma relação especial com as nossas indústrias pelo sistema de produção integrada. E esse trabalho é aprimorado por um serviço público de controle muito preciso e diferenciado e que continuará tendo nossa atenção e dedicação”, afirmou o governador. Colombo ressaltou, ainda, a participação da comunidade japonesa em Santa Catarina no início do plantio de maçã no Estado, que hoje lidera a produção da fruta no país. O embaixador do Brasil em Tóquio, Marcos Galvão, lembrou que a liberação do mercado japonês foi um longo trabalho, iniciado em 2006, e que, nos últimos anos, contou com o empenho do governador Raimundo Colombo nas negociações, em parceria com os órgãos do governo Federal e das próprias indústrias. “Agora, Santa Catarina está plenamente habilitada para iniciar as exportações. A carne suína catarinense vai se somar à parceria do agronegócio brasileiro com o Japão, que em 2012 movimentou cerca de US$ 3,5 bilhões em exportações”, comemorou. Oito frigoríficos foram habilitados a exportar carne suína ao mercado japonês nesta etapa: BRF (com as unidades de Campos Novos e de Herval D’Oeste), Seara (frigoríficos de Seara e de Itapiranga), Pamplona (Rio do Sul e de Presidente Getúlio), Aurora (Chapecó) e o Sul Valle (São Miguel do Oeste). Galvão ressaltou que o Brasil já é o principal fornecedor de carne de frango para o Japão, respondendo por 90% do abastecimento do mercado japonês, sendo que o frango catarinense é responsável por 60% dessa fatia. E a expectativa do secretário de Estado da Agricultura e da Pesca, João Rodrigues, é de que os atuais compradores do frango catarinense também passem a comprar a carne suína produzida no Estado. 16 • Julho 2013 • Economia&Negócios

Fotos: Antonio Carlos Mafalda

A visita da comitiva catarinense ao Japão duroun quase uma semana

Depois de longos sete anos de negociações, enfim, o Japão vai exportar carne suína catarinense

Em agosto, os japoneses já deverão estar se deliciando com a carne suína exportada de Santa Catarina

Os nipônicos são o maior importador de carne suína do planeta, comprando o equivalente a 1,2 milhão de toneladas por ano


Pra japonês comer...

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Os suínos catarinenses serão estrelas nas mesas do Japão O presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Glauco José Corte, também destacou a grande parceria comercial já existente entre Santa Catarina e Japão. Em 2012, o Japão foi o quinto principal destino das exportações catarinenses, movimentando US$ 500 milhões. Em contrapartida, o Estado importou US$ 235 milhões dos japoneses, principalmente insumos e matérias-primas. Ou seja, somando exportações e importações, a parceria movimentou US$ 735 milhões. Com

a entrada da carne suína na lista dos produtos exportados, a expectativa da Fiesc é atingir a marca de US$ 1 bilhão de corrente comercial entre Santa Catarina e Japão até 2015. A abertura do mercado japonês é um incentivo também para o aumento da produção catarinense, concentrada no oeste do Estado. Hoje, Santa Catarina é líder nacional em produção de carne suína, com a média de 800 mil toneladas por ano. Projeção apresentada pelo diretor do Sindicato das Indústrias de Carnes

Oito frigoríficos foram habilitados a exportar carne suína ao mercado japonês nesta etapa: BRF, Seara, Pamplona, Aurora e o Sul Valle

Economia&Negócios • Julho 2013 • 17


Pra japonês comer...

Antonio Carlos Mafalda

O governador Raimundo Colombo destacou a força do agronegócio catarinense e Derivados em Santa Catarina (Sindicarne), Ricardo Gouvêa, indica que a produção catarinense de carne suína passará para 1,065 milhão de toneladas em 2017, um ganho da ordem de 30%.

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A importância do Japão Trata-se de um mercado que é referência internacional no setor da suinocultura. Ou seja, o aval dos japoneses deve agilizar a negociação para venda de carne suína catarinense para novos destinos, como Coreia do Sul e União Europeia, que já estão em negociações com o governo do Estado. Historicamente, os japoneses só importavam carne suína quando todo o país de origem possuía o status de área livre de aftosa, mas foi aberta uma exceção para os catarinenses, diante da qualidade do trabalho sanitário – Santa Catarina é o único Estado brasileiro livre de febre aftosa sem vacinação e o governo catarinense mantém uma barreira sanitária em cada fronteira do Estado (são 67 em operação atualmente). • 18 • Julho 2013 • Economia&Negócios

Glauco José Corte, presidente da Fiesc, também destacou a grande parceria comercial já existente entre Santa Catarina e Japão


Análise

econômica ECONOMIA AQUECIDA DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ É DESTAQUE EM PESQUISA SOBRE AS PERSPECTIVAS DO MUNICÍPIO 20 • Julho 2013 • Economia&Negócios


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epois de centenas de entrevistas, muita análise e tanto cruzamento de dados, um levantamento analítico de Balneário Camboriú mostrou o que muitos imaginavam ou desconfiavam: a economia da cidade anda bem, com empregos e investimentos que alcançam boa parcela da população. A pesquisa, inédita, foi encomendada pela Tear Escola de Negócios. Aplicada em março pela Litz Estratégia, o levantamento aponta a impressão de moradores e empresários sobre Balneário Camboriú, tanto em aspectos sociais como econômicos. O que fica dos números é a certeza de que a cidade ainda tem muito a melhorar, porém, bastante coisa já vem sendo feita para desenvolver o município. Nas duas pesquisas feitas (uma só com pessoa física e outra com pessoa jurídica), o índice com pior avaliação foi a saúde, enquanto a economia e os negócios apresentaram índices positivos no que se refere à confiança dos entrevistados. Ou seja, as necessidades básicas, como saúde e educação, são os maiores problemas de quem vive na cidade. Por outro lado, a economia agrada os moradores, que não sentem falta de emprego e observam um vasto universo de negócios se descortinar diariamente no município. A pesquisa mostra que o maior sonho de 30,8% da população de Balneário Camboriú é a melhoria da saúde. Outra aspiração é em relação à segurança pública, visto que 24,8% querem a redução da violência. No que tange à economia, 79,7% dos entrevistados considera que Balneário é uma cidade que oferece boas opções de emprego. Já 64,2% das pessoas ouvidas na pesquisa acredita que existem boas condições para se crescer na carreira no município. “Eu acho que emprego e bom salário, em Balneário Camboriú, não é algo tão difícil, porque aqui os empregadores valorizam o serviço e costumam dar uma remuneração acima da média

Rua Brusque, 337 - Itajaí - SC Economia&Negócios • Julho 2013 • 21


Análise

econômica

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O comércio é um dos pontos fortes da economia de Balneário Camboriú, cidade que tem suas ruas tomadas de turistas o ano todo

do que em outros lugares”, entende o porteiro Fladimir Correia, 39 anos, sete deles no mesmo emprego, num edifício do Centro. Já o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Balneário, José Roberto Cruz, avalia que o comércio e a construção civil são atualmente os maiores empregadores da

A pesquisa mostra que o maior sonho de 30,8% da população de Balneário Camboriú é a melhoria da saúde. cidade. Para ele, soma-se a isso o turismo, a gastronomia e os serviços para o resultado ser o exposto no levantamento. “Sem dúvida, as melhoras na infraestrutura e no sistema viário do município vão potencializar ainda mais a economia de Balneário, que já vem numa crescente desde o início dos anos 2000”, garante Cruz. 22 • Julho 2013 • Economia&Negócios

Entre os empresários entrevistados, 88,5% considera que falta mão de obra qualificada na cidade e 62,5% avaliam que a segurança é a maior preocupação do setor. A margem de erro da pesquisa é de 4% e o nível de confiança de 95%. Apesar de alguns números negativos, na perspectiva dos cidadãos de Balneário Camboriú, a cidade cresce, acolhe e tem futuro. Entre trabalhadores, autônomos, aposentados, donas de casa e profissionais liberais, a maioria vivendo há vários anos no município, Balneário melhora dia após dia na economia e na qualidade de vida em geral. “Numa palavra, a cidade lhes tem sido um lar – num sentido muito mais amplo do que um simples lugar para trabalhar e morar; a cidade lhes aparece como um lugar para de fato viver e caminhar”, analisa o sociólogo Marcos Antônio Rossi, que também é professor universitário.

Metodologia O resultado da pesquisa “Balneário Camboriú em Perspectivas 2013” – que ouviu 600 pessoas distribuídas em cotas por faixa etária, sexo e local de moradia sobre itens como


Análise

Leonardo Thomé

econômica

Porteiro, Fladimir tem emprego consolidado, bom salário e benefícios necessidades urbanas, qualidade de ensino e grau de orgulho de quem mora na cidade – tem o objetivo de apresentar aspectos relacionados ao cotidiano do morador, através de abordagens que avaliam Balneário Camboriú em diferentes características sociais. A consulta também incluiu a fase quantitativa, mediante

24 • Julho 2013 • Economia&Negócios

a aplicação de um questionário em diferentes regiões da cidade, por técnicos especializados no segmento. De acordo com o doutor Mário Nei Pacagnan, um dos coordenadores da pesquisa, pode-se considerar que o conjunto de dados possibilita identificar o comportamento do cidadão de Balneário Camboriú e suas principais demandas em relação à cidade. “Mais do que isso, busca um maior engajamento de diversos públicos no desenvolvimento da cidade, com um vasto número de informações para o planejamento de ações estratégicas locais”, acrescenta Pacagnan. Segundo a avaliação do professor, a partir do resultado de uma pesquisa como esta, é possível considerar a necessidade de ações específicas para o desenvolvimento de Balneário Camboriú, como a melhoria da segurança, da saúde e da educação. “Além disso, preocupações com alagamentos e infraestrutura também devem ser prioridades para ações de melhoria e desenvolvimento local”, disse.

Entre os empresários entrevistados, 88,5% considera que falta mão de obra qualificada na cidade e 62,5% avaliam que a segurança é a maior preocupação do setor.


Análise

econômica

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Os números da pesquisa indicam também que 68% dos pesquisados sentem orgulho de morar em Balneário Camboriú e fazem questão de demonstrar esse sentimento

Classe Pontos

Renda Média

ABEP

ABEP

Familiar (em R$) - 2011

A1

42 - 46

A2

35 - 41

9.100

B1

29 - 34

4.900

B2

23 - 28

2.750

C1

18 - 22

1.650

C2

14 - 17

1.100

D

8 - 13

710

E

0 – 7

490

13.100

Fonte: ABEP – Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa

Residências de médio e alto padrão Se um desavisado sair a caminhar por Balneário Camboriú, ele certamente se espantará com a grande quantidade de imóveis luxuosos e com padrão acima da média nacional. De um total de 40.477 residências na cidade, a pesquisa mencionou que 18.199 destas moradias são de pessoas abastadas financeiramente, que se inserem entre as classes sociais B2 e A1 (Renda média entre R$2.750 e R$ 13.100). O número totaliza dessa maneira 46,1% das residências da cidade. O técnico em eletrotécnica Kenner Lopes, 45 anos, tem incontáveis clientes espalhados pelos mais de 2.000 edifícios de Balneário, muitos outros nas casas de bairro da cidade. Segundo Kenner, sua equipe de mais duas pessoas chega a fazer cinco serviços por dia, por vezes, trabalhando até nos

Economia&Negócios • Julho 2013 • 25


Análise

econômica

Mário Nei, Renato e Alvaro Zambom dos Santos domingos. O trabalho é puxado, mas o retorno é garantido. O profissional acredita que os números da pesquisa refletem a realidade de Balneário, porém, na parte de prestadores de serviços, ele afirma, existe muita gente praticando preços abaixo do mercado. “A concorrência, às vezes, é desleal, mas serviço tem de sobra”, garante. Kenner diz que os melhores serviços são nos maiores apartamentos, bem como em empresas. “A maioria dos edifícios de Balneário são maiores que casas, mais modernos, funcionais e, isso, traz bastante trabalho. Então, como temos uma gama de serviços variada, cliente é o que não falta. Nos apartamentos do centro, nas casas de bairros e nas empresas de todos os tipos”, explica Kenner, gaúcho que mora há 16 anos em Balneário. Sobre trocar de cidade, ele é rápido como a eletricidade. “Não!”, sentencia. • 26 • Julho 2013 • Economia&Negócios

:: Alguns resultados da pesquisa: 

30,8% da população sonha com melhoria na saúde

24,8% quer redução da violência

68% dos pesquisados sentem orgulho de morar em Balneário Camboriú

53% considera que existe corrupção no setor público

70,4% da população acha que a cidade está mudando para melhor

30,6% não conhece o trabalho realizado pela Câmara de Vereadores

32,7% da população pretende comprar um imóvel nos próximos 12 meses

88,5% dos empresários considera que falta mão de obra qualificada

62,5% dos empresários avalia que a segurança é a maior preocupação do setor

65% da população aprova o trabalho da Guarda Municipal


Economia&Negócios • Maio 2013 • 27


PORTOS

DO BRASIL

De propriedade do armador Evergreen, ele têm aproximadamente 335 metros de comprimento e capacidade para 8.000 TEUs (contêiner de 20 pés de comprimento)

COMPETITIVIDADE Maior navio em operação na América do Sul aportou no Porto Itapoá

C

aracterizado como um terminal portuário apto a receber os grandes navios de contêineres, o Porto Itapoá recebeu no dia 2 de julho o porta-contêineres Ital Contessa, considerado o maior navio (pelo critério comprimento) em operação na costa sul-americana. De propriedade do armador Evergreen, ele têm aproximadamente 335 metros de comprimento e capacidade para 8.000 TEUs (contêiner de 20 pés de comprimento). O supernavio passa a escalar em Itapoá pelo serviço ESA, do joint entre os armadores Evergreen/Cosco/Zim, cobrindo a linha da Costa Leste da América do Sul e Ásia, tendo como rotação os portos de Santos, Paranaguá, Montevidéu, Buenos Aires, Rio Grande, Itapoá, Santos, Cingapura, Hong Kong, Xan-

28 • Julho 2013 • Economia&Negócios

gai, Ningbo, Yantian, Hong Kong, Cingapura, e Santos. O Ital Contessa é um dos 10 navios de 8.000 a 9.000 TEUs de capacidade que compõem o novo serviço ESA, em substituição aos 11 navios de 3.400 TEUs que compunham a frota da linha até então. Essa mudança resultará em algumas vantagens competitivas, como maior capacidade de transporte, menor transit time, mais força de vendas nos mercados asiáticos, além de cobertura mais abrangente de portos brasileiros e do Mercosul. :: Ital Contessa Dimensões: 335x42m Armador: Evergreen Linha: Ásia Serviço: ESA Capacidade: 8.084 teus


PORTOS

DO BRASIL

Portonave recebeu cerca de 1 mil contêineres por dia nos últimos dois meses Cerca de 1 mil contêineres circularam por dia pelos gates da Portonave nos últimos dois meses. Os números são reflexo da movimentação do Terminal, que bateu recordes nos meses de maio e junho. Ao todo, 59.578 contêineres entraram ou saíram do porto no período. A Portonave possui 10 gates, 5 para entrada e 5 para saída de contêineres do Terminal. A empresa vive

uma crescente na movimentação de mercadorias e para atender à demanda investiu em novos equipamentos, que chegaram no mês de abril. Dois dos três portêineres já estão em operação. “Os oito RTGs adquiridos entrarão em operação em breve e irão contribuir com a qualidade dos serviços prestados”, comenta o gerente comercial da Portonave, Juliano Perin. •

Portonave conquista Prêmio Empresa Cidadã ADVB/SC 2013 A Portonave foi uma das vencedoras do Prêmio Empresa Cidadã 2013, na categoria Preservação Ambiental, com o case Ecoponto. A premiação é oferecida pela Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil em Santa Catarina (ADVB/SC) Os Ecopontos são centrais móveis de recebimento de resíduos recicláveis e perigosos que estão à disposição da comunidade de Navegantes para segregarem adequadamente seus resíduos como pilhas, baterias, lâmpadas florescentes e óleo de cozinha. Todo o gerenciamento dos Ecopontos é realizado pela Portonave que mantém convênios com empresas de reciclagem e destinação final ambientalmente adequada dos resíduos perigosos. A Portonave tem seis ecopontos espalhados por Navegantes: Na Praça da Praia Central, no pátio da Prefeitura Municipal, na Delegacia de Polícia Civil, na Praça do Gravatá, no pátio do Supermercado TOP de São Domingos e no Fórum de Navegantes. Além dos Ecopontos a empresa aplica um programa de gerenciamento de coleta de resíduos em duas escolas públicas de Navegantes para incentivar a reciclagem e a educação ambiental desde cedo. As escolas Rosa Maria Xavier de Araújo (700 alunos) e Eni Erna Gaya (280 alunos) receberam contentores e miniecopontos para a coleta de resíduos perigosos. Uma cartilha educativa e um jogo de tabuleiro sobre o projeto foram elaborados especialmente para ensinar as crian-

ças a separar o lixo reciclável. Desde a implantação dos Ecopontos, em 2011, segundo a Portonave, mais de 15,6 mil quilos de resíduos foram destinados à reciclagem. Em 2011 foram recolhidos 3.132 kg; em 2012, 5.949 kg e em 2013, nos cinco primeiros meses o montante já ultrapassou o total de 2012, sendo recolhidos 9.166 kg. Este é o terceiro prêmio da ADVB conquistado pelo Terminal Portuário de Navegantes, mas o primeiro na categoria ambiental. Na área de responsabilidade social, a Portonave já recebeu dois troféus Empresa Cidadã, em 2009 e 2012. Há quinze edições, a ADVB/SC reconhece os melhores projetos nas áreas de Preservação Ambiental, Participação Comunitária e Desenvolvimento Cultural de empresas e instituições catarinenses. Em 2013 foram 15 projetos premiados entre as três categorias. •

Economia&Negócios • Julho 2013 • 29


PORTOS

DO BRASIL

O

A nova bacia de evolução é fundamental Complexo Portuário precisa crescer ainda mais para impulsionar economia da região

Complexo Portuário do Itajaí vive um momento de crescimento e excelente competitividade no mercado nacional e internacional de movimentação de mercadorias. Para se ter uma ideia, abril de 2013 apresentou um aumento de 21% de toneladas por atracação em relação ao mesmo mês de 2012. Esse aumento ocorreu em decorrência do crescimento dos navios operados no complexo. “O aumento no tamanho dos navios que trafegam na costa brasileira acaba gerando uma grande preocupação para nós. Se não iniciarmos o mais breve possível as obras de uma nova bacia de evolução para o complexo, deixaremos de receber esses cargueiros”, explica o engenheiro Antônio Ayres dos Santos Júnior, superintendente do Porto de Itajaí. Esse aumento de movimentação reflete em toda a cadeia de serviços que envolvem toda a economia da região, tais como despachantes, transportadores, empresas de comércio nacional e internacional, outras atividades ligadas ao setor, e mesmo fora dele, como restaurantes, mercados, postos de gasolina... Além disso, a atividade portuária é responsável pelo maior número de empregos gerados na região e lidera na arrecadação de impostos aos cofres municipais, além de movimentar toda a economia local.

Mercado internacional exige adaptação

Por isso a necessidade da realização da obra de uma nova bacia de evolução no leito do Rio Itajaí-Açu. “Os investimentos no Complexo Portuário do Itajaí são de grande importância para que os terminais da região possam receber navios de grande porte, que estão dominando o mercado. Sem esta atualização, os portos de Itajaí e Navegantes perdem competitividade. Esses investimentos aumentarão consideravelmente a capacidade de operação e modernizarão os terminais da região”, avalia o secretário de Desenvolvimento Econômico e Sustentável de Santa Catarina, Paulo

Sem a nova bacia de evolução, prejuízos podem somar R$ 33 milhões por mês com a lacuna que ficará 30 • Julho 2013 • Economia&Negócios

Bornhausen. O impacto da não realização da obra será brutal para toda a região que envolve o Complexo Portuário. Estima-se a perda de R$ 30 milhões mensais a partir do próximo ano, com a queda de aproximadamente 75% no movimento de entrada e saída de navios e a debandada dos armadores para outros portos que comportem embarcações maiores.

Gigantes do transporte já navegam na costa brasileira Segundo um levantamento feito pelo Complexo Portuário, a não ampliação da bacia de evolução coloca em risco 20 mil empregos, causando um grande problema social em toda a região. As estatísticas dos terminais já estão sentindo os reflexos da não conclusão da obra, pois alguns contratos não foram renovados para o próximo ano. A situação é irreversível, segundo Osmari de Castilho Ribas, diretor-superintendente administrativo da Portonave, pois os armadores estão atuando com navios maiores. Já são 22 deles, com 334 metros de comprimento, circulando pela costa brasileira e, a partir de 2014, os de 366 metros chegarão aos portos nacionais. Esse parâmetro é dado pela reforma que está sendo feita no Canal do Panamá, que comportará embarcações deste tamanho. “O Complexo Portuário do Itajaí vem crescendo de maneira consistente e superando as suas limitações ao longo dos anos. Neste momento, precisamos de um esforço ainda maior para continuarmos sendo competitivos e não comprometermos todo o investimento feito até o momento. A nova bacia de evolução significa aumentar a produtividade dos terminais, redução de custos e aumento de competitividade. Significa estabelecer as condições necessárias para o crescimento sustentável de longo prazo”, afirma Castilho. •


PORTOS

R

DO BRASIL

EXIGÊNCIAS Ibama vistoriou Porto de Paranaguá para emitir a licença de operação para ampliação do terminal

epresentantes do Ibama, das sedes nacional, estadual e municipal, estiveram no Porto de Paranaguá, no dia 2 de julho, para realizar uma vistoria técnica. Foi mais uma etapa do processo de obtensão da licença de operação, documento exigido para a realização de diversas obras dentro do porto. Desde 2009, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) trabalha para conseguir a licença. Com a visita dos representantes do Instituto, a expectativa é que o processo ganhe celeridade e a licença seja emitida. Diversas exigências têm sido feitas pelo Ibama. Algumas dessas são inéditas no país, como a demanda de haver uma empresa que possa atender eventuais emergências de fauna. Como não existe nada semelhante no Brasil, a Appa firmou um convênio com a Universidade Estadual do Paraná (Unespar) para atender a demanda. “Seremos o primeiro porto do Brasil a atender esta demanda. Apesar das grandes dificuldades impostas, estamos trabalhando ao máximo para atender as exigências do governo federal”, explica o superintendente da Appa, Luiz Henrique Dividino. No entanto, a falta de licença continua impondo prejuízos aos portos paranaenses e aos usuários do porto, além de prejudicar diretamente o próprio meio ambiente, uma vez que a Appa só saberá quais as exigências finais deverá seguir quando a licença for finalmente emitida. Um exemplo dos problemas causados pela demora na emissão da licença

Porto de Paranaguá precisa da licença do Ibama para dar início as obras de ampliação do terminal 32 • Julho 2013 • Economia&Negócios

de operação é a obra de aprofundamento dos berços de atracação. A obra já tem projeto executivo pronto e não pode ser realizada porque o porto não possui a licença de operação. O mesmo ocorre com a regularização de dragagem dos Portos, dificultando os projetos de modernização previstos pelo Governo do Paraná. De acordo com o superintendente do Ibama no Paraná, Jorge Callado, o que está sendo vistoriado é se o que foi solicitado pelo órgão está sendo cumprido. “No processo para receber a Licença de Operação do Porto de Paranaguá, a Appa protocolou o Plano de Emergência e esse documento precisou de algumas alterações. O Ibama veio aqui para verificar se as revisões recomendadas estão sendo cumpridas, além de verificar com mais propriedade o convênio de fauna e a revisão de alguns equipamentos de atendimento de emergência”, explica. Para aferir a prontidão dos equipamentos de segurança, o Ibama solicitou a simulação de um atendimento de emergência para demonstrar em quanto tempo daria conta de fazer o primeiro atendimento à uma ocorrência com prováveis danos ambientais. O exercício foi realizado em frente ao berço 201, no cais oeste. “Demonstramos hoje que nossos equipamentos estão em constante manutenção e prontos para atuar a qualquer momento. Agora, nos resta a expectativa de obter a Licença de Operação para darmos ainda mais agilidade e segurança às operações”, afirma Dividino. •


PORTOS

A

DO BRASIL

INDÚSTRIA NAVAL Plataforma P-63 foi concluída no Porto do Rio Grande e já seguiu para o Rio de Janeiro

plataforma P-63 deixou, na manhã do dia 18 de junho, o Porto do Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul. A P-63 foi conduzida até a entrada dos Molhes da Barra por seis rebocadores. Após, dois rebocadores oceânicos assumiram o transporte da plataforma, que tem 340m de comprimento, 58m de largura e 70m de altura. Vindo da China, o casco da P-63 atracou, no cais do Porto Novo, em janeiro deste ano. Neste período, o consórcio formado pela Quip e a BWOffshore realizou os serviços de integração dos módulos e comissionamento da plataforma. A FPSO (unidade flutuante de armazenamento e transferência) irá atuar no Campo de Papa-Terra, na Bacia de Campos (RJ). De acordo com o Superintendente do Por-

to, Dirceu Lopes, o serviço realizado na P-63 gerou muitos resultados para a cidade do Rio Grande. “A conclusão dos serviços da P-63 na cidade é mais uma prova da consolidação do Polo Naval do Rio Grande do Sul. Rio Grande já é uma referência na indústria naval. Agora estamos na expectativa para a construção das plataformas P-75 e P-77 também no município”, destacou. Conforme a Petrobras, a plataforma tem acomodação para 110 pessoas, capacidade de produção de Petróleo de 140 mil barris por dia, capacidade de compressão de Gás de 1 milhão de m3 por dia e injeção de água de 340 mil barris por dia. O investimento é de US$ 1,3 bilhão. O peso total do topside (convés/módulos) é de 18.500 toneladas. •

Economia&Negócios • Julho 2013 • 33


PORTOS

DO BRASIL

CONQUISTA TESC São Francisco do Sul é recomendado para certificação ISO 14001

N

o mês de junho, o Grupo TESC, formado pelo TESC - Terminal Portuário Santa Catarina e a WRC Operadores Portuários, recebeu a última visita de auditoria da norma ISO 14001. E, após a visita, foi recomendado pelo grupo auditor da BRTÜV que o TESC estava apto a receber a certificação. A norma ISSO 14001 define os requisitos para estabelecer e operar um Sistema de Gestão Ambiental (SGA), pelo qual as organizações passam a controlar sistematicamente os impactos de suas atividades ao meio ambiente e a melhorar

36 • Julho 2013 • Economia&Negócios

continuamente as operações e negócios. “Para a conquista desse resultado foram necessários investimentos e, principalmente, o envolvimento e dedicação de todas as áreas da organização. Com isso, reforçamos o compromisso do Grupo TESC com a sustentabilidade e com qualidade dos serviços oferecidos”, afirma Roberto Lopes, diretor superintendente do Terminal. As empresas do grupo já são certificadas na ISO 9001, norma relacionada à gestão da qualidade, desde 2005. E agora passam a contar com Sistema de Gestão Integrado (SGI), qualidade e meio ambiente. •


PORTOS

DO BRASIL

REFORÇO APM Terminals Itajaí reforça programa de preservação ambiental

A

APM Terminals – empresa arrendatária de dois berços no Porto de Itajaí – acaba de dar um reforço no programa de preservação ambiental, com o fechamento de parcerias com a Recicla Vale, Cooperfoz e instituições de caridade. A iniciativa consiste em incentivar o descarte correto de eletroeletrônicos, materiais recicláveis e desenvolver um programa de educação ambiental para os diferentes públicos do terminal. Com a parceria com a Recicla Vale, por exemplo, todo o material eletroeletrônico descartado pelo terminal será recolhido pela cooperativa que se compromete a dar um destino correto. A intenção é de desenvolver ainda mais o compromisso ambiental na APM Terminals. Os colaboradores também são incentivados a trazer esse tipo de material de casa e depositar no ponto de coleta instalado no terminal, para que sejam descartados segundo a legislação ambiental. A primeira coleta foi realizada na Semana do Meio Ambiente, quando foram recolhidos 430 quilos de resíduo eletroeletrônico, com a expectativa de recolher

entre 50 e 100 quilos todos os meses. Todo o material recolhido terá os componentes separados e o material destinado à reciclagem. A renda gerada pela reciclagem é dividida entre as famílias conveniadas e para a manutenção de um centro comunitário, mantido pela própria cooperativa. Pelo convênio assinado com a Cooperfoz, todo o resíduo reciclável produzido pela APM Terminals é recolhido duas vezes por semana, para ser segregado pela cooperativa e destinado à reciclagem. A iniciativa está inserida na estratégia de incentivo à preservação ambiental desenvolvida pela empresa. Em média, a cooperativa recolhe cerca de 4,7 toneladas de resíduos/mês no terminal. Já na parceria com algumas instituições de caridade, o terminal fará a doação de uniformes descartados pelos funcionários para que as peças de roupa sejam transformadas em estopas e outros materiais que gerem renda. A intenção é que, em breve, estes materiais sejam adquiridos pela própria APMT para utilização em serviços de manutenção e limpeza. •

Economia&Negócios • Julho 2013 • 37


A Avenida Atlântica ficou tomada pelos manifestantes, que de forma pacífica percorreram a orla

Junho histórico O BRASIL ERGUEU A VOZ, MAS DAQUI PARA FRENTE ALGUMA COISA VAI MUDAR?

D

ia 17 de junho de 2013, segunda-feira. A partir do meio da tarde, em diferentes capitais, milhares de pessoas ganharam as ruas do Brasil com um único objetivo: protestar. Protestar contra o quê? Naquele momento, talvez pela origem das manifestações uma semana antes ter sido o preço da passagem de ônibus em São Paulo (SP), o foco era o transporte público nas grandes cidades. Entretanto, já com a noite caindo

às vésperas do inverno no Hemisfério Sul, o que se viu nas ruas dos municípios tupiniquins foi uma diversidade imensa de reclamações e desabafos que escancarava o descontentamento de grande parte da população para com a classe política, a corrupção, os gastos estratosféricos com a Copa do Mundo, o descaso com a saúde, educação e segurança, entre outras mazelas do povo brasileiro. Um dia depois, 18, as manifesFlávio Tin

Em Balneário Camboriú, a manifestação do dia 18 de junho reuniu mais de 10 mil pessoas pelas ruas da cidade 38 • Julho 2013 • Economia&Negócios


Flávio Tin

Jovens de Balneário Camboriú protestaram contra as obras na Estrada da Rainha

tações chegaram à Santa Catarina e, a partir daí, cada vez mais novas reivindicações coloriam os cartazes carregados por jovens, crianças, idosos e pessoas feitas, que imaginavam não ter mais motivos para irem às ruas protestar. Mas, naqueles dias de junho, todo brasileiro tinha motivos para se manifestar. E foi exatamente o que o povo fez, inclusive em Itajaí, Balneário Camboriú e quase todas as cidades do Litoral Norte de Santa Catarina. Cidades que presenciaram, em dias chuvosos e frios, massas humanas se deslocando pacificamente pelas ruas. Afinal, enquanto são gastos bilhões na organização de eventos midiáticos planetários, milhões de pessoas passam fome, não têm acesso à saneamento básico, educação de qualidade, saúde e, não bastasse tanto problema, ainda temos que ver a corrupção tomar conta das esferas de poder, a carga tributária ser cada vez mais excruciante e parlamentares defenderem projetos ridículos, como o da “cura gay” – que menos mal, foi arquivado no dia 2 de julho, muito em função da pressão popular. E a pressão popular deu certo, pois nas semanas seguintes as tarifas de ônibus diminuíram em diversas cidades, o projeto da PEC 37 – que tirava o poder de investigação do Ministério Público caiu -, o dinheiro dos royalties do petróleo será destinado integralmente à saúde e educação, e o governo prometeu que trará médicos do exterior para atender o povo nos confins do país. Existem outras demandas, que vem sendo discutidas entre o Executivo, Legislativo e diferentes setores da sociedade.

“Os políticos, os sindicatos e muitos veículos de comunicação perderam credibilidade, então, está se questionando tudo isso” Governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo Economia&Negócios • Julho 2013 • 39


E a pressão popular deu certo, pois nas semanas seguintes as tarifas de ônibus diminuíram em diversas cidades, e o projeto da PEC 37 – que tirava o poder de investigação do Ministério Público – caiu

Para aprofundar ainda mais o debate, a Revista Portuária – Economia & Negócios entrevistou empresários, políticos e estudiosos para tentar entender que Brasil emergirá após as manifestações? O que das reivindicações é factível? O que é utopia? Será que, 20 anos depois das últimas manifestações massivas no Brasil, conseguiremos agora dar um novo rumo ao país? Nas páginas seguintes você verá o que ficará de positivo dos protestos e de que forma a economia nacional tende a reagir neste momento histórico.

Questionar é saudável O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD), no seu programa semanal de rádio, no fim de junho, comentou a onda de manifestações que tomou conta do Brasil. Segundo ele, nem todos acessam a democracia no Brasil, pois muitas vezes o Estado vira as costas para o povo. “Eu não falo governo, eu falo Estado porque incluo aí todos os poderes. Os políticos, os sindicatos e muitos veículos de comunicação perderam credibilidade, então, está se questionando 40 • Julho 2013 • Economia&Negócios

Flávio Tin

Junho histórico tudo isso. O que é muito positivo para o Brasil, um país que está buscando um novo rumo”, avalia Colombo. O governador diz que o processo de democracia pressupõe mobilização, organização e conscientização. Mesmo que os protestos tenham sido difusos, Colombo salienta que o importante foi pessoas terem exposto o desejo de mudança do país, de aperfeiçoar o sistema político e democrático. “O Estado brasileiro é muito caro, e devolve muito pouco para o cidadão. Mas é importante que o movimento seja autêntico, independente, fiscalizador. Ele não pode se contaminar, ter radicalismos, não podemos deixar que anarquistas se infiltrem nesses grupos que protestam de forma pacifica”, analisa o chefe do Poder Executivo estadual, dizendo que com o povo na rua é mais fácil mudar o país. Colombo observa que as manifestações de junho são uma página inédita da democracia nacional. Sua justificativa baseia-se no fato de que, em 1984 – ano das Diretas Já – e 1992 – ano do impeachment de Collor –, os protestos eram por algo específico, circunstâncias que praticamente obrigaram o povo a ir às ruas. Em junho de 2013, foi diferente, o clamor das ruas é por uma série de mazelas que engasgam o país, sua economia e seu futuro. E até o mês passado, tudo parecia seguir seu curso normal, até que, como diz Colombo “o povo deu uma bela lição de democracia”. No lado empresarial, o presidente da Coopercentral Aurora Alimentos, Mário Lanznaster, entende que as manifestações são positivas, porém, isoladamente, não conseguirão mudar o Brasil do dia para a noite. Para isso acontecer, ressalta, é preciso vontade e ação política, não apenas discurso. Conforme o empresário, muito do protestado em cartazes vai contra a realidade que temos aí. Um exemplo citado por Lanznaster é os pedidos pelo fim dos par-

As máscaras do filme V de Vingaça eram dos itens mais usados pelo povo nas manifestações


Junho histórico

tidos políticos, algo que ele considera inconcebível. Mesmo assim, o empresário afirma que a maioria das reivindicações são justas e urgentes. Tanta urgência, ele destaca, que o Congresso e o Executivo estão se mexendo como há muito tempo não faziam. “Isso já é um sinal positivo do que aconteceu nas ruas, porque sabemos como são lentas as decisões em Brasília. Eles estão se mexendo, mas precisamos de reformas mais amplas, principalmente política e tributária, pois os impostos são demasiados pelo

retorno quase inexistente que temos desse dinheiro”, aponta Lanznaster.

Correram atrás do prejuízo Na busca de atender a “voz das ruas” e reduzir o desgaste provocado pelas manifestações na imagem do governo e do país, a presidente Dilma correu atrás dos prejuízos para tentar fechar um pacote de medidas nas áreas da saúde, educação, transporte público, transparência e até uma reforma política através de Constituinte exclusiva que,

menos de 24 horas depois, caiu de madura. Toda essa mobilização por parte dos governantes ainda está acontecendo, no entanto, na economia a onda de protestos pelo país trouxe forte deterioração na percepção dos comerciantes em relação ao atual momento. Segundo o economista da Federação do Comércio de Bens e Serviços de Santa Catarina (Fecomércio-SC), Maurício Mulinari, a situação anterior aos protestos já era de pessimismo, associado ao alto patamar inflacionário, ao baixo crescimento do primeiro trimesEconomia&Negócios • Julho 2013 • 41


Junho histórico tre, à desaceleração do ritmo de vendas e à elevação dos juros. Com o adicional das manifestações que tomaram conta do país, a percepção do empresário deteriorou-se ainda mais, trazendo o índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) catarinense para a casa dos 124,2 pontos. Uma queda 0,4% na comparação com maio deste ano. Segundo a análise de Mulinari, para os empresários do comércio catarinense, o momento atual da economia é preocupante e desperta pessimismo, cenário contraposto à visão de futuro que os mesmos têm. “Entretanto, no geral, o que os empresários do comércio esperam é que, passado o momento atual de incerteza econômica, a economia brasileira volte a apresentar crescimento, com consequente aumento da renda e do consumo. Cenário que parece bastante incerto e, se ocorrer, tende a ser apenas a partir do último trimestre do ano”, explica o especialista. Na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), prevalece a cautela em traçar cenários depois de junho, com o argumento de que faltam dados. No mercado, contudo, a percepção é de que as produções de junho e julho sejam influenciadas pelos protestos, principalmente por conta das paralisações de caminhoneiros, que dificultaram o transporte de produtos nas estradas, causando prejuízos milioná-

“O recado das ruas é claro: a agenda dos Executivos e dos Legislativos de todo o país, a começar pelo poder central, não resolve os problemas do habitante das cidades brasileiras” Paulo Bornhausen 42 • Julho 2013 • Economia&Negócios


Flávio Tin

Junho histórico “O que os empresários do comércio esperam é que, passado o momento atual de incerteza econômica, a economia brasileira volte a apresentar crescimento” Maurício Mulinari

rios para a indústria, especialmente o agronegócio. O secretário de Estado Paulo Bornhausen, respondeu alguns questionamentos da Revista Portuária sobre as manifestações e seu possível reflexo na economia.

Revista Portuária - O que esperar do Brasil pós-manifestações? Paulo Bornhausen - Tenho convicção que a democracia brasileira sai fortalecida desse movimento. O povo foi às ruas com bandeiras claras e muito objetivas. Claro, tivemos a presença triste do vandalismo, que também deve ser analisado pela ótica das reivindicações por mais educação, saúde e, no caso específico, segurança. Flávio Tin

Portuária - Essas mudanças desejadas pelo povo, como poderiam ser viabilizadas? Paulinho - Agora, as mudanças necessárias que o povo apontou, serão viabilizadas na medida em que os políticos, do Executivo e do Legislativo, passarem a se pautar pela Agenda da Sociedade. O recado das ruas é claro: a agenda dos Executivos e dos Legislativos de todo o país, a começar pelo poder central, não resolve os problemas do habitante das cidades brasileiras. Hoje, a agenda política – e repito, tanto do Executivo, como do Legislativo – é pautada pelos interesses dos políticos. É isso que tem que mudar, já. Revista Portuária - Para a economia nacional, já um pouco abatida por conta da inflação, os protestos e manifestações podem atrapalhar o cenário de negócios? Paulinho - Se o governo federal, ao invés de transferir responsabilidades, agir no sentido de atender a Agenda da Sociedade, a nossa economia pode até melhorar. A questão econômica está muito presente nas manifestações. Só que o povo não usa o economês, ele vai direto ao ponto: preço de tarifas; má aplicação de recursos públicos no transporte público, nos hospitais, nas escolas; a inflação sentida no mercado, na feira, na padaria. A inversão de prioridades ao gastar bilhões para construir estádios, deixando estradas esburacadas, postos de saúde sem médicos e sem remédios. Por tudo isso que o brasileiro foi para as ruas. Para ser atendido, a política econômica tem que mudar. E, aí, o país todo ganha. • Economia&Negócios • Julho 2013 • 43


Reflexos

da Lei dos

Portos

INVESTIMENTOS NOS PRIMEIROS PORTOS PRIVADOS DEVEM GERAR R$ 11 BILHÕES Ronaldo Silva Jr

N

o dia 3 de julho, o governo federal fez o primeiro anúncio público de pedidos de autorização para construção de portos privados no país após a sanção, em junho, da nova de Lei de Portos, pela presidente Dilma Rousseff (PT). O primeiro anúncio compreendeu 50 pedidos para construção de TUPs, como são chamados os terminais privados. A estimativa do governo é que esses empreendimentos somem investimentos de cerca de R$ 11 bilhões. Dos 50 pedidos, cinco foram feitos para instalação

44 • Julho 2013 • Economia&Negócios

de terminais privados no Sul (R$ 150 milhões), inclusive um em Porto Belo (leia nesta matéria). O Norte do país recebeu 27 pedidos para construção de TUPs na região, num investimento total previsto de R$ 1,8 bilhão. Para a região Sudeste, são 12 solicitações prevendo aplicação de R$ 4,6 bilhão. Para o Nordeste, foram pedidas três autorizações, com investimentos somados de R$ 4,5 bilhões. Por último, outros três pedidos foram para o Centro-Oeste, que devem gerar gastos de R$ 43 milhões. O ministro da Secretaria de Portos da Presidência da República, Leônidas Cristino, disse que, quando


entrarem em operação, esses 50 terminais devem elevar a capacidade de movimentação de carga no país em 105 milhões de toneladas por ano, o equivalente a um porto de Santos, o maior do país.

TUPs movimentarão cargas de terceiros

Dentre tantas mudanças contidas na nova Lei dos Portos, uma delas foi permitir que os terminais privados movimentem carga de terceiros. Pela antiga legislação, empresas eram autorizadas a construir TUPs para movimentar apenas carga própria. Com a permissão para que TUPs transportem carga de terceiros, o governo pretende dar mais competição ao setor portuário. Hoje, uma empresa que quer exportar um produto – e não dispõe de terminal próprio - só pode fazê-lo via portos públicos, que estão saturados. Os efeitos dessa medida, na expectativa do governo, devem ser a redução de custos para os exportadores e a maior eficiência dos portos. Hoje, o preço alto cobrado pelo serviço de movimentação de carga e a demora para embarcar mercadorias nos navios são algumas das principais reclamações de empresas brasileiras.

Quatro meses para liberação

A medida, além de remover os entraves do setor, vai aumentar a capacidade portuária e elevar a concorrência, com mais eficiência e menor custo logístico. Os projetos serão construídos, principalmente, na região Norte, fronteira agrícola mineral. Os novos TUPs movimentarão cerca de 105 milhões de toneladas de cargas por ano, entre granéis sólidos, granéis líquidos, carga geral e contêineres. O processo para a liberação efetiva da construção dos TUPs deve durar 120 dias. Dada a autorização para a construção dos terminais, o empreendedor terá até três anos para começar a operar. Os terminais anunciados no dia 3 já possuem toda a documentação necessária para iniciar a construção. Entretanto, se mais empresas mostrarem interesse nas mesmas áreas, o governo poderá incluí-las no processo. O prazo para submissão das propostas segue até o dia 5 de agosto. A emissão das autorizações será iniciada no dia 21 de setembro. As regras foram definidas no Decreto 8.033/2013, publicado no Diário Oficial da União, no dia 28 de junho. •

Porto Belo é a primeira cidade do Brasil autorizada a ter um terminal privativo de passageiros A Lei dos Portos já mostrou a que veio. Nesse momento, isso é bom para Porto Belo. A cidade, no Litoral Norte de Santa Catarina, será o primeiro município brasileiro a ter um TUP (Terminal de Uso Privativo) Turístico. O município figura na lista de 50 terminais que poderão ser abertos no Brasil. O anúncio foi feito pela presidente Dilma Rousseff. As estruturas já obedecem às novas regras da Lei dos Portos. A área escolhida para o empreendimento é a Fundação Municipal de Turismo de Porto Belo, que já possui estrutura física para o projeto. Assim como há problemas nos terminais de cargas, há na estrutura para atender os navios de cruzeiros. A regulamentação do TUP de Porto Belo vai incrementar a oferta de destinos turísticos para as companhias de cruzeiros. O prefeito Evaldo Guerreiro (PT) acredita que a implantação de terminais turísticos poderá reverter a tendência de queda no número de passageiros de navios no país. “Esperamos que isso aumente a competitividade do país e, principalmente, de Santa Catarina no setor”, destacou. O presidente da Fundação Municipal de Turismo, Antonio Carlos Lopes, o Cacau, explica que a regulamentação poderá atrair novos navios e companhias. “A legislação é complexa e nova. Porto Belo fez um grande esforço para se adequar, pois não tínhamos outros terminais turísticos para servir de exemplo. Agora, novas cidades poderão seguir o nosso modelo”, enfatizou. •

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Com sede em Itajaí, um dos polos nacionais do segmento, o sucesso da Fibrafort é notório

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VENTOS SANTA CATARINA É O SEGUNDO MAIOR PRODUTOR DE BARCOS DE LAZER DO BRASIL

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ão são apenas regatas internacionais que expõe Santa Catarina e, especialmente, Itajaí como polos náuticos brasileiros, quiçá mundiais. Além das competições, os estaleiros do litoral são sinônimos de qualidade e eficiência no que se refere à construção e manutenção de embarcações, tanto de lazer como voltadas à indústria naval. Qualidade que navega junto com quantidade, uma vez que o Estado é o segundo maior produtor de barcos de lazer do Brasil, com 22% dos estaleiros de todo o país. Somente em 2011, o segmento faturou R$ 1 bilhão, e em 2012, até novembro, os números indicavam


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VENTOS movimentação de cerca de US$ 800 milhões, ou em moeda nacional algo como R$ 1 bilhão e 600 milhões. Com tantos predicados fica fácil entender porque o Sistema de Inteligência Setorial (SIS) do Sebrae/ SC criou um relatório com projeções do setor náutico, informações de incentivo governamental e sugestões de investimento visando criar oportunidades para os pequenos negócios moveleiros de Santa Catarina devido Valdir Cobalchini ressalta a posição geográfica e econômica do estado como preponderante para a ascensão do mercado náutico

à expansão desta área. Área considerada estratégica e de muito futuro para a economia barriga-verde. Conforme dados do Sebrae SC, a indústria náutica catarinense cresce em média 10% ao ano. “O governo do Estado tem incentivado a participação dos pequenos negócios nesse setor. O polo náutico do litoral catarinense é considerado estratégico pelo programa Nova Economia@SC, desenvolvido pela secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico Sustentável”, destaca Marcondes da Silva Cândido, gerente da unidade de Gestão Estratégica do Sebrae/SC.

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VENTOS

O mercado de embarcações de lazer existe para proporcionar momentos descontraídos

Números Impressionantes Os números comprovam o sucesso da Fibrafort:  Está presente no mercado há 24 anos.  11.000 barcos já produzidos.  20% de crescimento médio ao ano.  300 colaboradores diretos.  49,15% da produção brasileira, sendo o maior player da categoria.  32 revendas nacionais.  Presença em mais de 30 países.

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As ações previstas ao longo da execução do programa voltadas ao polo náutico do litoral têm como objetivo a qualidade, produtividade e a inserção das empresas em novos mercados. Com o apoio e auxílio da Associação Catarinense de Marinas, Garagens Náuticas e afins (Acatmar), pequenos negócios de diversos segmentos que integram a cadeia produtiva do setor poderão participar de duas ações do projeto até 2014. “Esse é o momento de os empresários moveleiros investirem em ações que possam contemplar esse setor, que anualmente gera muita renda e empregos. Buscar orientações no Sebrae, por meio de seus agentes, visitar feiras ligadas, pesquisar e prospectar potenciais clientes pode se tornar uma excelente estratégia de novos e bons negócios para 2013”, destaca o gestor do SIS, Douglas Luis Três.

O secretário de Infraestrutura de Santa Catarina, Valdir Cobalchini, ressalta a posição geográfica e econômica do Estado como preponderante para a ascensão do mercado náutico. Ele justifica isso citando a importância do setor náutico para o desenvolvimento da economia. “O Estado localizase em uma posição privilegiada no Mercosul (Mercado Comum do Sul), entre os dois principais centros industriais do continente, São Paulo e Buenos Aires. Santa Catarina também é o estado brasileiro com o maior número de portos distribuídos ao longo dos mais de 500 km de costa. Cinco portos bem equipados (São Francisco do Sul, Itajaí, Imbituba, Navegantes e Itapoá) fazem do Estado o segundo polo náutico do Brasil”, salienta Cobalchini. Amílcar Gazaniga, presidente do Comitê Organizador das


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VENTOS Regatas em Itajaí, destaca que o segmento náutico vem trazendo impactos bastante positivos para toda a Costa Verde & Mar. “São impactos na economia, turismo, desenvolvimento e, principalmente, a quebra de paradigmas, pois esse tipo de evento nos coloca em pé de igualdade com importantes municípios do Brasil e Exterior”, diz.

Itajaí é o berço da Fibrafort

Ao longo de mais de duas décadas de atuação, a Fibrafort se transformou de uma pequena empresa de acessórios à base de fibra náutica, no maior estaleiro de lanchas da América do Sul em unidades produzidas, com mais de 11 mil lanchas da marca navegando atualmente nas águas do Brasil e do mundo. Com sede em Itajaí, um dos polos nacionais do segmento, o sucesso da Fibrafort acompanhou a prosperidade da indústria náutica brasileira, alcançada a partir de 2004 com a estabilidade econômica e o aumento do poder aquisitivo da população. As duas unidades de produção da marca vem mantendo um crescimento anual constante, de cerca de 20%. Com 850 unidades vendidas em 2012 e faturamento de R$ 60 milhões, a empresa trabalha para manter o crescimento de 20% em 2013.

No cenário internacional, a Fibrafort hoje está presente em 32 países, exportando cerca de 25% de sua produção mensal de até 100 lanchas, em países como Holanda, Rússia e Alemanha. No âmbito nacional, o segmento de navegação de interior em represas representa um mercado em forte expansão para a marca, que aposta no gigantesco potencial de navegação do território brasileiro para conquistar cada vez mais clientes em todas as regiões do país, tanto no litoral como nos recantos do interior, onde se navega na água doce. Cerca de 70% das receitas da Fibrafort vieram de longe do litoral — os principais clientes da empresa são empreendedores, executivos e profissionais liberais que vivem no interior do Brasil e usam os barcos para navegar em rios, lagos e represas para pescar ou passear nos dias de folga. Mesmo com um leque de embarcações para atender todos os gostos, a Fibrafort dá uma atenção especial a todo tipo de clientes. “Os clientes que se iniciam no mercado náutico adquirindo embarcações menores são muito importantes, pois normalmente tornam-se fiéis à marca na hora de trocar a sua lancha por um modelo maior”, explica o fundador da Fibrafort, Márcio Ferreira, itajaiense que possui mais de 50 mil clientes cadastrados no Brasil e no exterior. •

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PERFIL OSMARI DE CASTILHO RIBAS

Sonhos e trabalho UM POUCO DA HISTÓRIA DE QUEM AJUDOU A ERGUER A PORTONAVE

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ntes de sentar-se para o começo da entrevista, um forte aperto de mão seguido de palavras simpáticas e amáveis. Osmari de Castilho Ribas, diretor-superintendente administrativo da Portonave, foge ao estilo sisudo característico de alguns executivos. Atencioso com todos à sua volta, ele angaria cada vez mais apreço dos funcionários da Portonave e da própria comunidade de Navegantes. Natural de Lapa, pequena cidade perto de Curitiba, no Paraná (PR), Castilho é economista

por formação e gestor por vocação. Aos 54 anos, parece ter encontrado na margem direita do Rio Itajaí-Açu a combinação de trabalho com qualidade de vida tão almejada nos dias de hoje. Sua trajetória no Litoral Norte catarinense, porém, nem sempre foi tranquila e estável, como atualmente. Nesta entrevista perfil, você vai descobrir como se deu o nascimento do projeto Portonave, as dificuldades surgidas no caminho e o que foi feito pelos percursores para transformar o sonho em realidade.

Divulgação Portonave

Um gigante que há 10 anos só existia no papel hoje é referência em operação portuária qualificada e confiável

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Também vai conhecer um pouco mais do paranaense que, apesar de ainda ter muito a colaborar com a economia e o lado social da região, já vislumbra a aposentadoria na tranquilidade de Navegantes, apreciando o que o município tem de melhor: sua gente e suas praias.

Os primórdios Em 1981, Castilho concluiu a graduação em Economia na Faculdade Católica de Administração e Economia (FAE), em Curitiba, depois de ter feito vários estágios durante a universidade, já se ambientando ao mercado e suas exigências. Após a formatura, o jovem da Lapa paranaense ganhou o país, sendo contratado para trabalhar numa empresa de engenharia em Santa Cruz do Sul (RS). À época com 22 anos, Castilho logo foi ser gerente na área de custos, permanecendo na empresa por 13 anos. “Na filial gaúcha fiquei cinco anos. Depois, na mesma empresa, passei pelo oeste catarinense, em Concórdia, ajudando na realocação da cidade de Itá, por conta da usina hidrelétrica por lá construída”, recorda, acrescentando que sua primeira experiência em portos se deu em Rio Grande (RS), mas não na operação, faz questão de frisar. “Trabalhei na parte de gestão, na duplicação do terminal de contêineres de Rio Grande”. Em suma, Castilho andou pelos locais citados mais São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Curitiba (PR) antes de desembarcar em Navegantes, em 2001, sem nenhuma experiência em operação portuária. “Depois das andanças, surgiu o projeto do terminal privado em Navegantes. Recebi um convite para ajudar a estruturar isso. E encarei o desafio. Que lá no início, era algo muito abstrato, pois não existia nada parecido no Brasil”, observa o homem que em 1991 concluiu a especialização em Engenharia Econômica, também pela FAE.

2001: o ano que tudo começou Simples, afável, atencioso, persistente, perfeccionista. Sobram adjetivos para Osmari de Castilho Ribas

Castilho e uma mulher que atendia ao telefone. Esse era o staff da Portonave, em Navegantes, quando do início do projeto. Esqueça a imponência e grandeza do terminal hoje. Naquele tempo, 12 anos atrás, um pequeno escritório no segundo andar da padaria Santa Catarina, que fica Economia&Negócios • Julho 2013 • 51


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A Portonave é uma empresa preocupada com o meio ambiente. Certificações e ações concretas de sustentabilidade confirmam esse objetivo

na Avenida João Sacavem, no centro da cidade, era o quartel general da equipe que tinha outros integrantes espalhados por Curitiba e Florianópolis. “Contratávamos estudos de viabilidade, engenharia, meio ambiente, tudo a partir do escritório. Ficamos de 2001 a 2005 trabalhando nessa estruturação, buscando parceiros, procurando viabilizar financiabilidade, afinal, era um projeto que nascia ser ter nenhum recebível, nenhuma estrutura, era o primeiro no Brasil no modelo privativo”, destaca.

“O início não foi fácil, pois havia certa desconfiança no projeto. Não nossa, mas o segmento não via isso com bons olhos, até porque era uma área de terra e nada mais... Então, exigiria um grande investimento” Pioneiro, as dificuldades andavam em paralelo aos trabalhos de estruturação do porto, apesar do suporte do Grupo Triunfo, que também fazia sua estreia na área portuária. Esse período foi decisivo para a Portonave porque ali se construiu a base do projeto, a aquisição de terrenos e a concessão de licenças. Enfim, o terminal começava a sair do papel. “O início não foi fácil, pois havia certa desconfiança no projeto. Não nossa, mas o segmento não via isso com bons olhos, até porque era uma área de terra e nada mais... Então, exigiria um grande investimento”, conta, dizendo que nesses primeiros anos os avanços eram imperceptíveis a olho nu, 52 • Julho 2013 • Economia&Negócios

uma vez que as conquistas aconteciam na privacidade de gabinetes, onde a Portonave ganhava forma na teoria. Em 2005, Castilho lembra, o cenário começou a mudar. Foi quando os financiamentos viabilizaram-se, as licenças ambientais e de operação – por parte da Agência Nacional dos Transportes Aquaviários (Antaq) – foram concedidas, a estrutura estava pronta, a equipe nascia, e a margem direita do rio começava uma transformação que mudou a cara de Navegantes e o coração de Castilho. “Naquele ano começamos a construir, formar uma equipe, fazer contratações e dar forma ao projeto. Estruturamos a equipe, o empreendimento e a empresa. Criamos todos os procedimentos, todos os controles, desenvolvemos a cultura da empresa. A obra durou 18 meses, andou bem, e ao fim de 2005 já tínhamos estruturado o empreendimento”, expõe, citando a grande valorização dos terrenos adquiridos no entorno da Portonave como fator complicador desse início de funcionamento.

Numa pousada, longe de casa... Grandes projetos exigem desprendimento. Castilho sabe disso. Durante os primórdios do projeto Portonave, ele morava sozinho numa pousada de Navegantes. A família, em Curitiba. Menos mal que a distância nunca foi empecilho para o executivo estar perto da esposa e dos dois filhos. “A estrutura de família estava lá, a minha esposa com a atividade profissional dela, os filhos na universidade... acho que hoje as atividades profissionais forçam a gente a, muitas vezes, ter que


Depois de rodar por diversos estados brasileiros, Castilho jogou âncora em Navegantes atrás de um sonho

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conviver com essa distância. A dinâmica do mercado atualmente também faz com que suas relações familiares sejam dinâmicas. É normal”, avalia Castilho, que possui ainda especialização em Administração de Recursos Humanos pela UFPR (Universidade Federal do Paraná). Castilho, no entanto, diz que ora ele ia para Curitiba, ora a esposa e os rebentos o visitavam no litoral catarinense. Dessa forma, às vezes longe em outras por perto, o trabalho de Castilho foi se solidificando, aprumando e dando resultados. Tanto que ainda hoje a família está separada, com uma diferença: o primogênito mais velho do executivo mora em Itajaí, pertinho do pai, enraizando por aqui mais um pouco da família. “O meu filho mais velho já está morando em Itajaí. Ele, como eu, gosta muito daqui. Depois de me aposentar pretendo construir minha casinha na praia e ficar por aqui, junto da minha esposa”, planeja.

Depois de 2007 Divulgação Portonave

Um enorme desafio. Assim Castilho classifica o início das operações da Portonave, em outubro de 2007. Naqueles dias, a desconfiança de muitos, gradativamente, foi se transformando na sensação de que o empreendimento mudaria a cara de Navegantes para sempre. E isso aconteceu. A região, acostumada ao Porto de Itajaí – um porto

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A eficiência operacional da Portonave é o principal atrativo para armadores e clientes

público com terminais privados -, via nascer um concorrente com características totalmente próprias – um terminal privativo na essência. O crescimento se deu com rapidez logo no primeiro ano, mas daí veio a enchente de novembro de 2008. “A enchente, do ponto de vista da estrutura, não trouxe nenhuma alteração. Mas o assoreamento do canal foi muito prejudicial, porque os berços de Itajaí tombaram e praticamente paralisaram as operações. Tínhamos calado de 11 metros e, com os sedimentos dos berços e o assoreamento, a profundidade veio para sete metros. Insuficiente para operação. Então, praticamente paramos a operação, fizemos por alguns dias apenas navios de cabotagem”, recorda Castilho, para ressaltar que a Portonave foi fundamental para que o Complexo Portuário, àquela altura, não deixasse de operar totalmente. “Isso manteve a região aquecida, manteve a carga e os armadores aqui”. Essa grande crise, a das cheias, 54 • Julho 2013 • Economia&Negócios

“Grandes projetos costumam passar por situações delicadas. E não foi diferente com a

Portonave” afetou também a autoestima dos funcionários da Portonave, já que muitos perderam tudo na enchente. Castilho considera aqueles meses decisivos para que a Portonave se consolidasse. Grandes projetos costumam passar por situações delicadas. E não foi diferente com a Portonave. Meses depois da tristeza da enchente, o Porto de Navegantes teve o incêndio na câmara frigorífica recém-construída, em 2009. O sinistro causou perda total na câmara que mal havia começado a funcionar,

tudo virou pó. Pelo menos, reforça Castilho, ninguém se feriu no incêndio. “Não queríamos correr o risco de ficar com câmara que não fosse adequada. Por isso desmontamos tudo que sobrou dela e fizemos uma câmara frigorífica nova, até com algumas alterações no projeto inicial. A enchente e o incêndio foram os momentos mais críticos da Portonave”, atesta. Foi das crises e dias críticos, contudo, que o projeto emergiu mais forte, duro e pronto para encarar o mercado de frente. Conforme Castilho, as crises deixaram lições, uniram a equipe e mostraram que nada seria fácil sem dedicação, união e trabalho. “Ficamos unidos porque sabíamos que o desafio era muito maior. Se implantar um terminal em condições normais já é difícil, imagine implantar um terminal novo, com características diferentes e tendo que superar as crises?”, questiona. Na conversa fica claro que os momentos difíceis foram de


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superação e fortalecimento, com todos dando um pouco a mais. Ou como diria o ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill, com o perdão da hipérbole e guardadas as proprorções, todos deram “sangue, suor e lágrimas”. Em relação aos resultados, Castilho aponta o ano de 2012 como o de melhores frutos para a empresa, pois a Portonave cresceu 13% em termos de movimentação, enquanto no mesmo período o Produto Interno Bruto (PIB) nacional elevou-se a 1%, o que expõe certas dificuldades da economia nacional. O que não respinga na Portonave, afinal, justifica Castilho, o terminal fez 620 mil TEUs (unidade de medida equivalente a um contêiner de 20 pés) em 2012, se consolidou como maior operador de contêineres de Santa Ca-

tarina e como o terminal mais bem equipado do Estado. “Hoje temos seis portêineres, dois guindastes Mobile Harbor Crane (MHC) e 18 transtêineres. Então, em 2013, vamos buscar crescer além dos 13%”, confia. A busca citada por Castilho parece já estar ocorrendo. No acumulado

“As crises deixaram lições, uniram a equipe e mostraram que nada seria fácil sem

dedicação, união e trabalho.”

de 2013, de janeiro até início de junho, o Terminal Portuário de Navegantes movimentou 269.269 TEUs, contra 230.288 TEUs em 2012 – um crescimento de 16,9% no período. “A marca reflete o forte desempenho comercial da empresa e a sua excelência operacional”, avalia o diretor-superintendente operacional da Portonave, Renê Duarte. O crescimento este ano se dá sobre uma base elevada, o que qualifica ainda mais os números. Segundo Castilho, a meta da Portonave é sempre buscar um patamar superior. É nesse sentido que o executivo costuma usar uma analogia no trabalho diário com os colaboradores da empresa. “Eu costumo dizer que ‘camarão que dorme a onda leva’. A gente conduz a empresa com melhoria contínua, inovação e

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produtividade. Só seremos competitivos se buscarmos a excelência de forma incessante”, argumenta.

Um casamento: Portonave e Navegantes A história de Navegantes pode ser dividida em antes e depois da Portonave. Antes, a economia era baseada na pesca e no turismo, mas sem uma gama de empregos muito grande. Depois, veio o porto e a arrecadação do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) deu outra condição para o município. Hoje a Portonave tem uma contribuição de ISS que bate na cada dos R$ 7 milhões. “Eu li uma estatística que a arrecadação de ISS da cidade gira em torno de R$ 13 e R$ 14 milhões. Então, praticamente 50% do ISS direto é arrecadado pela Portonave. Além da 56 • Julho 2013 • Economia&Negócios

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perspectiva de novos negócios e de desenvolver os negócios já existentes por aqui”, enumera Castilho, destacando que houve também uma integração com os aspectos sociais da cidade, um envolvimento grande da parte da Portonave na busca por sinergia entre empresa e município. Basta uma rápida pesquisa nos números do IBGE para perceber o quão importante é o casamento da Portonave com Navegantes. No município, a soma das riquezas saltou de R$ 912,03 milhões, em 2009, para R$ 1,39 bilhão no ano seguinte, um incremento de 53,5%, o maior percentual de aumento em Santa Catarina. “Navegantes passou a ser uma cidade global, passou a se relacionar com o mercado internacional, passou a atrair empresas e investimentos”, conclui Castilho que, não obstante, possui também um MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).


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Outro enlace: Castilho e Navegantes “A minha relação com Navegantes é algo especial. Em todos os lugares que eu passei sempre me identifiquei e sempre me desenvolvi profissionalmente. Mas aqui foi diferente. Fui além. Tudo porque conquistei muitos amigos, desenvolvi um ambiente muito bom de trabalho e sinto que posso contribuir ainda mais para a cidade e sua população”. A frase de Castilho define bem seu apreço por Navegantes. Tanto é que o executivo se desdobra agora na Portonave e na presidência da Associação Comercial e Industrial de Navegantes (ACIN). Ele ressalta que Navegantes e região são lugares fáceis para a pessoa se adaptar e se apaixonar, pois existe simplicidade no povo e muita gana de trabalhar e fazer o melhor. Por essas e outras, Castilho conta que já está, em conjunto com a esposa, planejando e adaptando a vinda em definitivo da família para o Litoral Norte catarinense. “Meu filho mais velho que se formou em Direito e Administração de Empresas, está montando um negócio em Itajaí e vai seguir sua vida profissional por aqui”, reitera, para pensar o futuro: “Os investimentos que temos feito e os investimentos que temos planejado nos levarão muito além. Temos boas condições de crescimento, claro, com muitas coisas para se fazer... como o plano diretor e o saneamento básico. Mas o potencial de crescimento da cidade é óbvio em Santa Catarina”, observa. Antes de terminar, o repórter perguntou para Castilho se ele imaginava, antes de vir para Navegantes, que em tão pouco tempo o sonho se materializaria de forma concreta perante os olhos do Brasil e do mundo. “Eu esperava ajudar a construir um grande empreendimento, mas talvez a dimensão do que nos projetávamos tenha ido além. E isso, devo admitir, me dá um orgulho enorme, de fazer parte desta equipe, de fazer do nosso trabalho na Portonave referência. Muito orgulhoso, é assim que me sinto”, emocionou-se, para em seguida dizer que ainda tem muita coisa para fazer por Navegantes e pela Portonave. “Isso antes de colocar o meu chinelinho, me aposentar e morar aqui pela praia”, conclui Castilho. •

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Coluna Mercado Silvia Bomm

Ademar realiza capacitação sobre Balneário Camboriú

AOS OLHOS DO MUNDO Balneário Camboriú aposta no turista que visitará o país na Copa 2014

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Copa das Confederações, conquistada pelo Brasil após um verdadeiro chocolate na Espanha, e a Copa do Mundo, que acontecerá em 2014, expõem o país ao mundo de forma incisiva, mesmo que as manifestações do mês passado tenham assustado o mundo lá fora. De qualquer forma, é de interesse de todos aproveitarem ao máximo a divulgação proporcionada por esses eventos. Mesmo não sendo sede dos jogos do próximo ano, Balneário Camboriú anseia por inserir-se neste roteiro como destino turístico a ser visitado. ‘’Mesmo que o estado catarinense não receba as partidas, nossa cidade está incluída como destino de visitação, e isso é muito importante para o setor turístico e econômico local’’, avalia o prefeito Edson Renato Dias, Piriquito (PMDB). O Brasil possui grande oferta de atrativos turísticos de Norte a Sul, mas somente 12 cidades receberão o megaevento da Copa do Mundo. Devido à facilidade geográfica existente entre Balneário Camboriú e as capitais paranaense e gaúcha, que sediarão os jogos da Copa, há grandes pos-

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sibilidades de o município se tornar um local de parada dos participantes. ‘’Com o objetivo de atender a mais esse nicho de mercado, planejamos algumas ações específicas para fomentar o setor e fazer com que a nossa cidade esteja preparada para receber esses visitantes’’, ressalta o secretário de Turismo e Desenvolvimento Econômico, Ademar Schneider. De acordo com Schneider, estão previstos cursos como Técnico de Guia de Turismo, de Qualificação e Qualidade no Atendimento, idiomas estrangeiros, dentre outros, todos gratuitos, além de trabalhos voltados à divulgação em países do Mercosul. ‘’Certamente a proximidade geográfica atrairá muitos visitantes do Mercosul para os eventos, por isso, pensamos em atrativos que despertarão ainda mais o interesse por nossa cidade’’, revela. O secretário lembra que em 2014, além de ser o ano da Copa, também será comemorado o cinquentenário de Balneário Camboriú. ‘’O fato das datas dos eventos serem próximas ao aniversário da cidade, faz com que tenhamos


Coluna Mercado ainda mais motivos para celebrar. Estamos preparando um grande acontecimento para o período, com objetivo de atrair este turista em potencial, incrementando ainda mais tudo aquilo que a cidade tem a oferecer’’, salienta. Dirce Fistarol, diretora de hospedagem do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Sindisol), comenta que o fato de Balneário Camboriú ser um destino turístico consolidado e desenvolvido, de gastronomia internacional, de possuir comércio forte e um trabalho incisivo de divulgação de seus atrativos, faz com que seja despertada ainda mais a curiosidade dos participantes dos eventos. ‘’Não há dúvidas que a Copa trará um incremento que refletirá positivamente em nossa cidade, por isso, mesmo não sendo destino alvo, estamos nos preparando para bem

receber os visitantes’’, ressalta Dirce, complementando que os hotéis estão preparando seus colaboradores bilíngues especialmente para este período, uma vez que os profissionais do setor turístico de toda a América já buscam informações do município, que vem se destacando no Estado. Para Olga Ferreira, presidente do Sindicato dos Empregados do Comércio Hoteleiro, Bares, Restaurantes e Similares (Sechobar), não há como Balneário Camboriú ficar fora da rota destes grandes eventos, por isso, a expectativa é grande e as ações de preparação e qualificação no turismo já iniciaram, com o objetivo de proporcionar mais atrativos turísticos neste período. ‘’Acreditamos que, pelo município ser corredor entre duas sedes da Copa, fomentará ainda mais o setor’’, declara. •

Silvia Bomm

Rua: Gil Stein Ferreira, 100 | 7º andar | sala 703 | Itajaí | SC | Fone: 55 47 3344.5852 | Fax: 55 47 3349.8701

Fone: (47) 2104.0900 | Rua Rosa Rossi Dalçoquio, 775 | Bairro Cordeiros | Itajaí | SC Economia&Negócios • Julho 2013 • 59


Coluna Mercado

Consolidado depois de cinco anos de operação, Casa Hall Shopping anuncia expansão com investimentos de R$ 15 milhões

INJEÇÃO DE DINHEIRO Casa Hall Shopping anuncia expansão com investimentos de R$ 15 milhões

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Casa Hall Shopping – maior shopping de decoração do Sul do Brasil - acaba de anunciar um novo plano de expansão em Balneário Camboriú. Os empreendedores investirão R$15 milhões na ampliação do espaço, o que permitirá o aumento do número de lojas das atuais 13 para 24 em no máximo dois anos e a construção de um centro empresarial com capacidade para 25 escritórios comerciais. A expectativa é que as obras de ampliação comecem já neste mês de julho. Segundo a diretora do Casa Hall, Elizabeth Schwarz, com a expansão a Área Bruta Locável (ABL) saltará de 5 mil metros quadrados para 10 mil metros quadrados. O empreendimento está construído em uma área de 15 mil metros quadrados. O projeto de expansão do shopping prevê a construção do “Casa Hall Offices”, um centro empresarial destinado somente à locação de escritórios. A estrutura contará com elevador panorâmico, auditório multiuso, recepção com serviço concierge, pórtico coberto para desembarque de pessoas, além da ampliação do estacionamento e de segurança 24 horas que o shopping já oferece. O projeto prevê ainda dois quiosques no piso das lojas disponíveis para locação e a unificação das construções. “A ampliação veio na hora certa, pois estamos sentindo a necessidade dos nossos clientes e não disponibilizamos de mais espaço”, enfatiza Elizabeth.

Sobre o Casa Hall Inaugurado em 2007, o Casa Hall Shopping atingiu 100% da Área Bruta Locável (ABL) no curto prazo de seis anos. Hoje o shopping é sinônimo de alto luxo e abriga as melhores marcas do setor. Segundo Elizabeth Schwarz, a arquitetura neoclássica e o conceito do empreendimento acabou atraindo operações selecionadas de alto padrão, onde as novas demandas do mercado de luxo se tornaram ainda mais evidente. O mix de marcas é composto por lojas renomadas como Sierra Móveis, Saccaro Móveis e Amazônia Fibras Naturais, algumas destas com filiais em cidades como Dubai (nos Emirados Árabes) e Moscou (na Russia). •

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Coluna Mercado

Secretário da Fazenda apresenta vantagens para investir em Santa Catarina

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m evento promovido pela First S.A. Antônio Gavazzoni falou sobre oportunidades de investimentos e potencial do Estado a executivos e empresários de todo o país. Palestra aconteceu na última semana de junho, no Majestic Hotel em Florianópolis, SC. Santa Catarina, Terra de Oportunidades. Esse foi o tema da palestra, ministrada pelo Secretário da Fazenda do Estado Antônio Gavazzoni, em Florianópolis. O evento foi promovido pela First S.A., uma das maiores e mais respeitadas empresas do país em soluções e planejamento tributário e logístico para importações. Estiveram reunidos cerca de 60 executivos, CEOs e controllers de grandes empresas de outros estados brasileiros como São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, especialmente as que importam e distribuem bens de consumo (autopeças, pneus, aço, eletrodomésticos, alimentos e bebidas, entre outros).

Potencial catarinense “Santa Catarina é o 20º Estado em dimensão territorial e o 11º Estado em população. Por outro lado, ocupa o 7º lugar na economia no ranking do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e a quarta posição do PIB per capta, o que demonstra o equilíbrio industrial e seu perfil empreendedor”, destacou Gavazzoni no início da palestra e citou importantes pólos da economia catarinense como o agronegócio, metal mecânica, automotivo, turismo e tecnologia. A ênfase também foi dada ao alto Índice de Desenvolvimento Humano, à mão de obra qualificada, à disponibilidade de fornecedores, ao nível de conhecimento técnico e à concentração de indústrias com tecnologias avançadas. “Hoje temos os maiores programas de desenvolvimento do Brasil para empresas como o Pró Emprego (Programa de Expansão do Emprego e Melhoria da Qualidade de Vida do Trabalhador) e o Prodec (Programa de Desenvolvimento da Empresa Catarinense) que fazem a diferença para a estruturação dos negócios e atraem gigantes de vários ramos ao Estado”, disse. “Somos um Estado industrial, trabalhamos por meritocracia e, em um ano de crise, tivemos um incremento de 16% na arrecadação”, comemorou o Secretário como resultado do empenho do Governo em facilitar a vinda de negócios. 62 • Julho 2013 • Economia&Negócios

Comércio exterior/ logística Durante o encontro, o Secretário da Fazenda apresentou um panorama do setor de importação e exportação no Estado. “Há dez anos, trabalhávamos apenas com plataforma de exportação por força da nossa indústria e, por outro lado, tínhamos uma capacidade logística ociosa. Aperfeiçoamos nossas estruturas, conquistamos o diferencial da competitividade e hoje temos uma plataforma de exportação e também de importação. São cinco grandes portos e um já consolidado. Qual o outro Estado brasileiro que tem essa estrutura portuária?”, questionou. “Santa Catarina é hoje destaque pela agressividade e elevada competitividade. Nossa capacidade logística e eficiência operacional respondem às demandas de custos das empresas”. Em termos de estímulos ao setor logístico do Estado, Gavazzoni citou os 9,4 bilhões que estão sendo aplicados através do programa Pacto por Santa Catarina e, desses, 3 bilhões voltados à melhorias nas estruturas rodoviária, portuária e aeroportuária.

Novos investimentos “A indústria automotiva é bastante exigente e qualificada e a atração da BMW é prova do nosso desejo em tornar o

Secretário de Estado da Fazenda Antônio Gavazzoni falou sobre as vantagens para investir em Santa Catarina


Coluna Mercado Estado pólo de grandes líderes mundiais. Com eles, entram novos fornecedores e geração de grandes oportunidades para empresas catarinenses. O entorno dessas indústrias carrega uma série de vantagens à população”, explica e diz ainda sobre o interesse de outras marcas pelo Estado, como as do setor aeroespacial.

Evento reuniu mais de 50 empresários dos vários estados brasileiros

First S.A. traz soluções para empresas que se instalam no Estado Além da palestra com o Secretário da Fazenda de Santa Catarina mostrando as oportunidades para se investir no Estado, a diretoria da First S.A. – que traz em seu portfólio cerca de 60 grandes clientes de 15 segmentos – fez uma breve apresentação de como traduzir os novos negócios em resultados. “Não basta abrir uma empresa, é necessário um planejamento tributário e logístico eficaz para gerar mais ganhos”, explicou o diretor Fernando Otsuzi. “Planejamos desde uma compra internacional até a entrega, o armazenamento e a distribuição do produto”, contou. Fernando apresentou ainda como diferencial da First S.A. o suporte profissional e estruturas das outras empresas do First Group como é o caso do braço logístico, a First LOG. “Nao adianta pensar em importação com foco apenas em desembaraços, ou operações de vendas. É fundamental a integração de todos os processos”. “Atuamos com modelo de cadeia integrada, o que nos confere um ambiente propício para que façamos operações

Diretor da First S.A Fernando Otsuzi

de alta complexidade com total qualidade. E isso torna o produto do cliente mais competitivo entre 10 a 20%”, exemplificou Fernando. Citou ainda “cases” de sucesso de grandes marcas internacionais que penetraram no Estado como uma de condicionadores de ar. “A empresa começou importando com zero de faturamento e em pouco mais de 3 anos chegou a casa dos 300 milhões. É isso que fazemos: propomos soluções e aplicamos na prática”. Apresentou também as demais empresas do Grupo: a Select Import – que importa e comercializa produtos de alto luxo entre carros, aeronaves, iates e jet skis; a Tiguana – uma das maiores empresas de E-Commerce do país, e a First Yacht revendedora de conceituadas marcas do mercado náutico como Azimut Yachts, Atlantis e Armada.

Sobre a First S.A. Com mais de 13 anos de história, a First S.A. é considerada uma das maiores empresas de outsourcing com foco em soluções tributárias e logísticas a importadores do país e com um faturamento anual na casa de R$ 1 bilhão. Com sede em São Paulo, filiais em Santa Catarina, Espírito Santo, Tocantis, Pernambuco e, em breve, Paraná, se destaca por aplicar estratégias personalizadas para cada tipo de negócio o que resulta em diminuição de custos significativa aos seus clientes e melhoria nas operações. Conta com um time de especialistas capaz de gerenciar todos os processos de importação. A First S.A. é hoje responsável pela gestão de 4 mil processos por ano e movimentação de 12 mil contêiners/ ano.•

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Pela água é mais barato Cabotagem pode desafogar estradas e reduzir custos da indústria brasileira

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cabotagem, que é a navegação feita entre portos brasileiros, é cotada como um modal que pode mudar a distribuição da matriz de transporte do Brasil, contribuindo para a redução do número de caminhões nas estradas e para a diminuição dos custos das empresas. Essa é a constatação de um estudo realizado pela Federação das Indústrias (Fiesc) com 76 empresas de médio e grande porte de 19 setores industriais de Santa Catarina. O levantamento faz parte da primeira etapa do Plano de Mobilidade que a entidade lançou na última semana de junho. O presidente da Câmara de Transporte e Logística da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar, explica que nesta etapa foi selecionado o litoral pelo fato de ser uma região que concentra os maiores gargalos de mobilidade. São 4 milhões de habitantes; 1,3 milhão de trabalhadores e 126 mil estabelecimentos. Nos próximos anos, a previsão é de aumento da população; da

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movimentação de cargas e de passageiros; da corrente de comércio internacional e do consumo interno, além do crescimento das atividades da indústria, setor de serviços; turismo e de petróleo e gás. Essa perspectiva de crescimento vai sobrecarregar ainda mais a mobilidade no eixo litorâneo. Nas próximas etapas do Plano, as demais regiões do Estado serão contempladas. “Por meio do plano, a Federação vai discutir com a sociedade organizada as condições atuais e as ações necessárias para ter mobilidade adequada ao desempenho da economia catarinense”, afirma Aguiar. “Vamos estudar todos os modais possíveis de transporte de passageiros e de cargas para identificar gargalos e solução para a mobilidade. O objetivo é construirmos um planejamento da mobilidade de Santa Catarina”, completa. Quando perguntadas sobre os critérios utilizados na escolha da cabotagem, 70,3% das empresas responderam que


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“O custo do transporte por cabotagem é, em média, 15% mais barato que o realizado pelo modal rodoviário.”

Cabotagem pode desafogar estradas e reduzir custos da indústria brasileira

a opção se deve à economia nos valores dos fretes em relação a outros modais, enquanto 10,8% destacaram que esse meio de transporte reduz avarias e risco de roubo de carga. Em relação às situações em que a cabotagem é competitiva, 50,7% do grupo pesquisado afirmou que sabe exatamente quando e por que este meio de transporte é mais adequado; 42% disseram que sabem em parte, mas querem conhecer mais detalhes; e 7,2% não sabem quando esse modal é mais adequado.

Um navio tem capacidade de transportar quatro mil contêineres. Isso significa quatro mil caminhões a menos nas rodovias. “O custo do transporte por cabotagem é, em média, 15% mais barato que o realizado pelo modal rodoviário. Esse percentual é aplicado para distâncias acima de 1,5 mil quilômetros. Em percursos maiores, o custo do frete pode ser até 40% menor do que transportar produtos por caminhão”, diz Aguiar. Além disso, a cada tonelada transportada por quilômetro, via cabotagem, são emitidos apenas 25% dos gases do efeito estufa que seriam emitidos fazendo esse transporte por modal rodoviário. Apesar dos benefícios desse meio de transporte, 55,3% do grupo pesquisado disse que não utiliza a cabotagem; 23,7% usam; 17,1% utilizam pouco; e 3,9% usam com frequência. A razão pela qual mais da metade das empresas ouvidas não opta pela cabotagem é que o modal não atende os mercados de destino dos produtos; em segundo lugar aparece a burocracia para utilizar; na sequência, as companhias destacam que o tempo de trânsito não atende às necessidades; e, por último, 12,5% delas não conhecem o suficiente para utilizar o modal. “Temos cinco terminais prontos, que podem ser adequados para oferecer mais linhas para atender a demanda da indústria. Mas, para isso, temos desafios estruturais e regulatórios que precisam ser vencidos”, ressalta o presidente da Câmara. Rodovias saturadas: a urgência em se encontrar uma alternativa às rodovias se explica pelos números. O movimento do trecho norte da BR-101 varia de 8 a 80 mil (na alta temporada) veículos por dia. Essa rodovia, considerada a artéria principal da zona litorânea, tem impactos diretos e indiretos em outras BRs que também recebem grande fluxo de veículos, como a 280; 282; 470; 116 e 285. Estudo da Fiesc mostra que em 2010 foram movimentadas 75,7 milhões de toneladas. Para 2020 estima-se 110 milhões de toneladas. •

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Coluna Mercado FEIRA DOS CHINESES Fiesc promove missões à China em setembro e outubro A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) está com inscrições abertas para missões empresariais à China. Em setembro, a entidade levará empresários catarinenses do setor moveleiro à China Internacional Furniture Expo, uma das maiores feiras mundiais do setor de móveis, realizada em Xangai. A missão ocorrerá de 8 a 16 de setembro. A exposição reunirá compradores e fornecedores de móveis personalizados, infantil, para salas de jantar e estar, quarto, escritório e cozinha, além de acessórios decorativos e componentes para o setor. Participarão 3 mil expositores de 140 países. De 10 a 20 de outubro, a Federação lidera missão brasileira à Feira de Cantão, o maior evento de negócios do mundo, realizado em Guangzhou, no Sul do país asiático. A programação também prevê visitas técnicas a empresas locais. A exposição será realizada de 15 a 19 de outubro e reunirá fornecedores de máquinas e equipamentos pesados, pequenos maquinários; hardware; eletroeletrônico; autope-

ças, ferramentas e ferragens. A última edição da feira, realizada em abril, teve quase 25 mil expositores e 202 mil visitantes estrangeiros. Para fazer a inscrição e ver a programação completa, entre no site: http://www2.fiescnet.com.br/web/ pt/site_topo/principal/agenda/anteriores/page/1/id/918 •

EM AGOSTO Executivos das maiores agroindústrias do país têm encontro marcado no SIAV 2013 Os rumos do setor avícola brasileiro e internacional estarão na pauta do 23°Congresso Brasileiro de Avicultura, que acontecerá durante o Salão Internacional da Avicultura, maior e mais importante encontro do setor avícola brasileiro, programado para os dias 27 e 29 de agosto de 2013, no Anhembi, em São Paulo (SP). Entre os destaques da programação está o painel “Competitividade e Sustentabilidade no Mundo Globalizado”, que fará um panorama global dos principais temas que desafiam o dia a dia dos técnicos e dos empresários do setor, e abordará estratégias para ampliar a capacidade competitiva da cadeia produtiva. No painel estarão os CEOs da BRF, Antonio do Prado Fay, da JBS, Wesley Batista, e da JBS e vice-presidente da Tyson Foods, James Young. A jornalista do Valor Econômico Alda Rocha será a mediadora do painel. A questão cambial no Brasil, os impactos da crise por que ainda passa os países da União Europeia e a alta dos insumos (milho e soja) fazem parte da atual conjuntura 66 • Julho 2013 • Economia&Negócios

mundial e causam apreensão ao setor. Durante o SIAV, esses e outros assuntos serão debatidos visando resultados que façam com que a avicultura brasileira esteja sempre bem posicionada dentro do agronegócio brasileiro e se mantenha como maior exportadora e terceira maior produtora de carne de frango do mundo”, informa Francisco Turra, presidente executivo da UBABEF. Com o tema “Valor agregado: novos caminhos para a inovação avícola”, o Salão Internacional da Avicultura (SIAV), o mais importante encontro do setor avícola brasileiro, reunirá durantes os três dias de evento mais de 60 palestrantes, entre presidentes e diretores de empresas, especialistas técnico-científicos nacionais e internacionais e líderes empresariais. O SIAV contará, ainda, com a maior feira do setor avícola brasileiro, com mais de 100 empresas expositoras das áreas de equipamentos, laboratórios, rações, certificadoras, logística, agroindústrias produtoras e exportadoras, entre outras. Saiba mais pelo site www.ubabef.com.br/siav •


Revista Portuária Julho 2013  

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