6 | cidades | 10 a 16 de agosto/2013 MARCUS VINICIUS BATISTA
Boqnews
Ideias & Distrações
Quem matou Ricardo? Estudantes e professores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) saíram em passeata na última sexta-feira, em protesto contra a morte de Ricardo Ferreira Gama, de 30 anos. Ele foi executado com oito tiros na madrugada de 2 de agosto, na porta de casa, na rua Silva Jardim, na Vila Mathias, em Santos. Os assassinos eram, segundo testemunhas, quatro homens, em duas motos. Ricardo trabalhava como auxiliar de limpeza na Unifesp, que fica na mesma rua. Ele foi abordado por policiais militares quando acompanhava um protesto de estudantes em frente ao campus, dois dias antes da execução. Muitos alunos faziam imagens dos PMs. Um deles teria xingado Ricardo, que devolveu a ofensa e, por conta disso, passou a ser agredido pelos policiais. O problema é que os estudantes registraram a agressão com seus celulares. Como Ricardo acabou na viatura, muitos universitários resolveram segui-lo, inclusive por causa da repetição do caso Amarildo, pedreiro que foi detido por PMs no Rio de Janeiro e desapareceu em 14 de julho. Os universitários peregrinaram por dois distritos policiais até encontrarem os PMs na Santa Casa de Santos. Ricardo teria sido liberado por negar a agressão. Em 1º de agosto, Ricardo pediu que os estudantes saíssem da história porque foi ameaçado em casa. O abuso de poder teria outros desdobramentos. Sem identificação, pessoas entraram na universidade para pedir as imagens do dia 31 de julho. E novas ameaças foram feitas contra universitários. Depois da morte de Ricardo, muitos estudantes estão com medo. Um deles passou a dormarcus@boqnews.com
MIGUEL ROLLO
mir na casa de uma professora porque foi ameaçado de morte. Outros estudantes evitam se identificar em entrevistas ou nas redes sociais porque temem ser perseguidos quando estiverem sozinhos. A Polícia Civil não viu ou ouviu nada. Em entrevista ao repórter Bruno Lima, de A Tribuna, o delegado-titular do 4º DP, Rubens Nunes Paes, disse que “desconhece as agressões físicas e as ameaças feitas pelos PMs”. Já a Polícia Militar se apoia na velha tática de desqualificar a vítima. Para a PM, Ricardo estaria envolvido com tráfico de drogas. A resposta oficial toma como base o relato de policiais, que teriam atendido denúncia de tráfico na rua Silva Jardim, perto da casa da vítima. Como se não houvesse várias bocas de fumo no bairro, um dos mais pobres da cidade. Além disso, o comando da PM abriu investigação preliminar, já concluída por falta de provas contra os policiais que abordaram Ricardo. Até quando a Polícia Militar será rigorosa somente para resolver com velocidade espantosa as suspeitas que envolvem seus membros? Ricardo possuía quatro passagens pela polícia, duas por tráfico e duas por receptação. Vizinhos e colegas da universidade dizem que o auxiliar de limpeza tinha mudado de comportamento. Pela lógica da execução, o passado assegurava o direito à aplicação de sentença de morte. Até quando a PM vai conviver, como se não fosse com ela, com as denúncias de atos de grupos de extermínio, que julgam, condenam e executam em seus tribunais da informalidade? Ou a ordem é aceitar, como lei do cão, que toda sociedade seja obrigada a ter seus Amarildos e Ricardos? @casadomedo
Seu Direito
Esclarecendo dúvidas Estou atrasado com as despesas condominiais no prédio onde resido. Gostaria de saber o que pode ser cobrado além dos valores lançados no demonstrativo de débito? Alberto Soares – Boqueirão – Santos
Prezado Alberto, De acordo com o §1º do artigo 1.336 do Código Civil poderá ser cobrado do condômino inadimplente multa moratória de 2% sobre o débito, juros moratórios de 1% ao mês ou outro patamar estipulado pela Convenção do Condomínio, desde que inferior a 1%; além disso, caberá atualização monetária conforme índice previsto na Convenção, ou conforme o índice praticado pelo Judiciário. Colaboração do advogado Aldo dos Santos Pinto e pesquisa no site www.jurisway.org.br. miguel@boqnews.com
ENTREVISTA COM... José Aníbal, secretário de Energia do Estado de São Paulo
Fortalecendo a energia renovável Com o objetivo de ampliar as matrizes energéticas do Estado de São Paulo, o secretário de Minas e Energia, José Aníbal Peres de Pontes (PSDB), apresenta o Plano Paulista de Energia e explica como o investimento em energia renovável pode ajudar a região. NATASHA GUERRIZE DA REDAÇÃO
FERNANDO DE MARIA
Apenas 1% da energia renovável é aproveitada no mundo. Por que investir é preciso? Nosso estado possui a matriz energética mais limpa do mundo. Se pegarmos um parâmetro mundial, a exploração desse tipo de energia se dá por 12%. No Brasil, são 45%. E aqui em São Paulo, exploramos 55%. Na prática, temos grande potencial para investir nas energias solares e eólicas, que são inesgotáveis. Atualmente, temos cinco regiões no estado com condições propícias para instalações de parques eólicos. Quais são elas? Na lista, estão principalmente as cidades de Sorocaba, Campinas e São Carlos, além de Piedade, Jundiaí, Bauru e Jaú. E como é possível dar continuidade ao processo de exploração às energias renováveis? O objetivo é projetar a longo prazo, para 2020, uma exploração de 69% do total da matriz energética do estado, principalmente no consumo e produção de etanol e biodiesel. Isso será possível porque nosso primeiro objetivo será a ampliação dos produtos da cana. Ou seja, todos os seus derivados, como o etanol, que é menos poluente que a gasolina. Aliás, até 2030, é possível dizer que a produção do etanol possa crescer mais 3%. Em São Paulo, a concentração de exploração de petróleo e gás ainda é o grande carro-chefe do estado - corresponde a 36%, somente 1% a menos comparado ao restante do País. Como as universidades públicas estão se renovando quanto a isso? A Universidade de São Paulo (USP) já está investindo nisso bem com as politécnicas. Na região da Baixada Santista, a base do Petróleo e Gás já reflete pesquisas importantes e junto com o próprio
36% corresponde ao potencial explorado de petróleo e derivados no Estado de São Paulo, segundo Balanço Energético de 2010 investimento do Plano Paulista de Energia, tudo isso integra para que haja geração de emprego. Mas a geração de emprego é uma preocupação direcionada para os moradores da região? É direcionada a todos. Não se pode fazer reserva de mercado. Quais outras energias também estão sendo consideradas para mapeamento no nosso estado, de forma a melhorar a qualidade do consumo de derivados de combustível e energia? Também estamos contando com a energia fotovoltaica. Trata-se da energia solar. É muito comum na Europa, apesar da incidência menor de raios solares.
69%
é a expectativa de renovação da Matriz Energética Paulista para 2020, com uma participação maior do etanol e do biodiesel na substituição de combustíveis fósseis na frota de veículos
Uma vez estive assistindo a uma entrevista com o jornalista André Trigueiro (TV Globo) onde ele contava que os especialistas alemães ficaram impressionados com a potência de exploração do nosso país e do nosso estado (A Alema-
nha representa 44% da energia solar produzida na Europa). Os
estacionamentos de São Paulo estão sendo cobertos por placas solares, que captam esses raios e transformam em corrente elétrica. Mais que isso, elas também são reservadas, podem se acumular. A energia não termina. Se uma cidade, como Santos, apostar nesse tipo de energia elétrica, até a quantidade de cabos elétricos seriam reduzidos consideravelmente. Mas quanto custaria esse tipo de energia? Ainda está um pouco acima da média. Cada megabyte custa uns R$ 170,00. Mas deve ser reduzido a R$ 130,00. Na pauta do Plano Paulista de Energia, ainda consta o investimento do gás na Bacia de Santos. Além das questões que envolvem o meio ambiente, o que pode se esperar para a região em outros setores? Santos e a região como um todo ganha no aspecto dos modais. A expectativa é aumentar a produção e o transporte do açúcar (cana), que não depende do modal viário. Isso ajuda a reduzir gargalos de acesso ao Porto de Santos, ainda muito concentrado nesse tipo de transporte. Vamos fazer a seguinte suposição: em um trem com 100 vagões vindo para Santos, sendo que cada vagão tem capacidade para armazenar mais 100 toneladas de açúcar. Imagine trazer 100 toneladas de açúcar para Santos neste modal, que é mais barato e rápido? E dessa forma, você consegue substituir 300 caminhões que poderiam contribuir para diminuir esse atual gargalo.