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Bacia do Piracicaba, Dezembro de 2019 / Edição 258 – Ano XXVI / Distribuição Dirigida Gratuita / Nas bancas: R$ 2,00

ATÉ QUANDO? Com barragens, toda Bacia do Piracicaba vive em risco permanente Páginas 2, 3, 4 e 5

Expedição Piracicaba lança documentário Página 8

Aves do Piracicaba Conheça as mais ameaçadas de extinção Páginas 4 e 5


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Mineração X água X desenvolvimento X degradação X barragens X vida Enquanto a cidade de Rio Piracicaba no dia 30 de novembro acabava de concluir um simulado de fuga de emergência de barragem, no dia 2 de dezembro a cidade de São Gonçalo do Rio Abaixo já recebia um alerta que uma das barragens da Mina de Brucutu, pela segunda vez, apresentava problemas e entrava em nível 1 de emergência. Estamos vivendo tempos tumultuados que nos enchem de dúvidas sobre o futuro e qual caminho tomar. Idiota aquele que não tem dúvida diante tantos caminhos. Alguns destes caminhos, a princípio, nos apresentam como os mais atrativos – muito dinheiro, retorno de investimento rápido, enchem os olhos e os bolsos. Entretanto, a vida, principalmente em Minas, nos ensina que caldo de galinha e precaução não faz mal a ninguém. Só esse ano cerca de 10 cidades tiveram simulados de fuga de emergência de barragens. Portanto, hora de parar e tentar ver o mais longe possível para, depois de pesar todos os prós e contras, definir o que realmente é bom para nossa região, para nossa população e para o nosso futuro. Ganhar um dinheirinho? morrer na lama? ou rever todo processo buscando mais segurança, produtividade e mais qualidade de vida e renda para todos. Idiota 1 Acho que ninguém é idiota o bastante para ser contra a mineração. Não existimos sem a mineração. Você sabia que a maioria dos produtos

res – entre eles – a concorrência desleal nos impostos e na obtenção da matéria prima. Mineração X propriedade

Eustáquio e Fernanda, retirados de casa na Comunidade de Tabuleiro, em Barão de Cocais

de beleza contém minerais como ferro, talco, bismuto, zinco e sílica? Os minerais são usados em vitaminas, sabonetes, creme dental, shampoo, remédios comuns e em praticamente todos os produtos que você compra e usa. A comida que você compra e come é produzida em massa com o uso de fertilizantes que contêm minerais, tais como fosfato, enxofre, cádmio e fósforo – que são subprodutos da mineração. E não nos esqueçamos dos equipamentos em academias. Eles contêm uma grande mistura de metais, tais como ferro, alumínio, titânio e cobre. E os equipamentos de academia que são eletrônicos? Eles também contêm cobre, chumbo, quartzo, tântalo, mica, germânio e samário. Joias, relógios e telefones celulares não são cultivados organicamente, eles são feitos de ouro, prata, platina, cádmio, quartzo, ligas e podem conter pedras preciosas. Práticas médicas, tais como próteses de articulação, marca-passos, cirurgias de pequeno ou grande porte: todos exigem equipamentos que contêm uma grande variedade de minerais. Sim, todos os minerais mencionados acima são obtidos por meio da mine-

ração, e muitos deles por meio da mineração a céu aberto. Então, do momento em que você acorda até o momento em que você toma seu café da manhã, a mineração já esteve presente em parte importante em seu dia. Portanto, não tem como existir sem existir a mineração. Mineração X desenvolvimento Como já foi dito, é inegável a necessidade da mineração para nossa vida e também para o desenvolvimento econômico e social das pessoas, empresas, cidades, estados e país. Com a mineração os municípios arrecadam mais impostos, geram empregos, geram renda e faz a máquina da economia girar - entretanto essa máquina não distribui renda com equidade – mesmo porque o imposto que a mineração paga por retirar o minério gira em torno de 3%. Bom lembrar que mineração, além de dar apenas uma safra, mesmo que dure por tempo considerável, gera desenvolvimento mas também degradação. Outro detalhe é que com a atividade da mineração, raramente outras atividades conseguem se desenvolver paralelamente – a mineração não permite devido a diversos fato-

Uma pergunta que poucos fazem – minério é um produto que se encontra no solo. Quem é dono do solo? Pela constituição brasileira, as riquezas minerais do país pertencem à União e não ao proprietário da terra onde elas se encontram. Portanto, se é da união, é do povo – a empresa mineradora tem apenas a concessão para exploração. Mas o povo mesmo não tem nenhum ganho direto com a mineração, muito pelo contrário. Essa conta tem sido bem negativa para o povo, já que enquanto as mineradoras nadam nos bilhões de lucro – as cidades e as populações onde são exploradas ficam com a poluição do ar, das águas, com os impactos ambientais, sociais e a maioria das populações das cidades mineradoras são pobres – algo está errado. Mineração X água O indústria da mineração aponta o setor agropecuário como o maior consumidor de água no mundo, e isso é uma verdade. Entretanto, o problema é que o setor da mineração vem operando, na maioria das vezes – justamente nos berçários das águas – ou seja, nos nascedouros dos rios, córregos, ribeirões, riachos. Além de interferir diretamente nas nascentes, as mineradoras ainda, mesmo que usando apenas

um percentual bem menor que o setor agropecuário, coloca em risco toda segurança hídrica de uma região, com o modelo arcaico de depósito de rejeito em barramentos gigantes que ameaçam a vida em todas as suas formas. Mineração X degradação X barragem As barragens de contenção de rejeitos – sistema arcaico – já foi abolido em diversos países. Como o próprio nome já diz – rejeito – é algo que a empresa mineradora e o mercado não quer – e sobra pra quem? Até então tem ficado para as populações que convivem com esse inimigo até então silencioso – dando sinal de estar sempre prestes a destruir tudo, como as tragédias de Mariana / Fundão / Bento Rodrigues e Brumadinho. A população adormece e acorda com o inimigo. Idiota 2 Mineração X Vida Idiota seria também aquele que pensa que, diante a situação exposta, o certo seria acabar com a mineração. Ao contrário, temos que torcer para que ela continue progredindo, avançando, implementando novas tecnologias em busca de produzir mais, com mais qualidade e mais segurança. A verdadeira discussão, o debate que urge é outro: E o tema é: - É preciso acabar com todas as barragens e esse modelo de mineração. - É preciso definir onde pode e onde não pode minerar – se afeta um fio d´água, não pode.

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*Por Dindão

- É preciso rever os impostos, taxas, contrapartidas, medidas mitigatórias, condicionantes entre outras formas das mineradoras deixarem mais um pouco de seus bilionários lucros onde elas extraem o seu motivo de ser – ou seja – o minério – que é da união – do povo. ENFIM – NÃO QUEREMOS ACABAR COM A MINERAÇÃO – SÓ NÃO QUEREMOS QUE ELA ACABE COM A VIDA EXPEDIENTE

Tribuna do Piracicaba • Diretor Responsável: Geraldo Magela Gonçalves • Diretor Geral: Rafaela Iara Pantuza Gonçalves • Comercial: dindao@bomdiaonline.com (31) 9 9965-4503 • Diagramação/Arte: Sérgio Henrique Braga • Impressão: Gráfica Bom Dia • Representante Comercial: Super Mídia Brasil - BH Geraldo Magela Gonçalves Bacia do Piracicaba Redação e Administração Rua Lucindo Caldeira, nº 159, Sl. 301, Alvorada, CEP.: 35930-028 João Monlevade / MG / Brasil (31) 3851.3024 • A Voz do Rio Online: www.tribunadopiracicaba.com Circulação: Bacia Hidrográfica do rio Piracicaba FUNDADO EM FEVEREIRO DE 1994 Razão Social : Drielle Pantuza GonçalvesMEI CNPJ 31.569.299/0001-23 Todos os Direitos Reservados contato@tribunadopiracicaba.com


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Crise hídrica: população permanece adormecida Apesar dos termos mais usados nos últimos anos serem, em primeiro lugar: “Emergência Climática” e em segundo “Crise Hídrica”, a maioria das populações da Bacia do Piracicaba se mostram indiferentes e parecem adormecidas diante esse grave problema. Essas mesmas populações, que permaneceram durante décadas dormindo com o inimigo – debaixo das barragens de rejeito de mineração agora acordam, muitas vezes sob o som das sirenes de alerta de rompimento de barragem, que diante o fim da vida útil das mesmas, ameaçam toda a bacia. A tendência é essa crise hídrica se agravar, sendo um dos complicadores a mineração junto aos berçários de água – nas cabeceiras das nascentes de cursos d´água que abastecem as populações logo abaixo bem como mantêm a bacia. O Tribuna do Piracicaba – A Voz do Rio, vem informar e alertar sobre o risco iminente para a falta de água, objetivando conscientizar a todos – antes que amanhã o cidadão abra a torneira e dela saia apenas ar. Para tanto, vamos esclarecer alguns pontos: O que é um recurso hídrico? A água é o recurso natural que garante a sobrevivência de todas as espécies, sendo utilizada tanto para consumo humano e também para o desenvolvimento de atividades econômicas, tais como agricultura, pecuária e geração de energia. Por que este tema está aqui? A discussão sobre Gestão de Recursos Hídricos ou da Água ganhou força nos setores público

e privado nos últimos anos. Os vários eventos de escassez registrados em diversas regiões do Brasil são indicadores de como a má gestão, os impactos ambientais e as mudanças climáticas podem afetar a disponibilidade de água. Assim, é necessário conhecer as leis que regulam, controlam e protegem os recursos hídricos. Conheça a lei atual Em Minas Gerais, a principal legislação sobre os recursos hídricos diz respeito à Política Estadual de Recursos Hídricos (Lei 13199/99). Alinhado com a política nacional, a legislação mineira prevê o gerenciamento dos recursos hídricos de curto, médio e longo prazo, com horizonte de planejamento compatível com o período de implantação de

seus programas e projetos, devendo ser acompanhados de revisões periódicas. No Estado de Minas Gerais, o planejamento e o gerenciamento dos recursos Hídricos são elaborados e implantados em dois níveis, o Plano Estadual de Recursos Hídricos (PERH-MG) e os Planos Diretores de Recursos Hídricos de Bacias Hidrográficas (PDRH’s). Estes planos estabelecem as diretrizes para a implementação dos demais instrumentos de gestão, como outorga do direito de uso dos recursos hídricos, enquadramento dos corpos de água e cobrança pelo uso dos recursos hídricos, entre outros, nas bacias hidrográficas. Outorga A Outorga é o instrumento legal que assegura ao usuário o direito de

utilizar os recursos hídricos. No entanto, essa autorização não dá ao usuário a propriedade da água, mas, sim, o direito de uso. Portanto, a outorga poderá ser suspensa, parcial ou totalmente, em casos extremos de escassez, de não cumprimento pelo outorgado dos termos de outorga, por necessidade premente de se atenderem aos usos prioritários e de interesse coletivo, dentre em outras hipóteses previstas na legislação vigente. A partir da Lei nº 21.972 de 21 de janeiro de 2016, a operacionalização da outorga retornou a cargo do Instituto Mineiro de Gestão das Águas, regulamentado pelo Decreto 47.343 de 23 de janeiro de 2018. De acordo com ele, cabe ao Igam a análise das outorgas vinculadas aos processos Licença

Ambiental Simplificada – LAS – ou de empreendimentos ou atividades não passíveis de licenciamento, ainda que com análise iniciada. Ainda de acordo com o decreto, a formalização e análise das outorgas vinculadas às demais modalidades de licenciamento ambiental foram de competência das Suprams, com apoio técnico do Igam, até 31 de julho de 2019. O Igam realiza a análise das outorgas por meio da Unidades Regionais de Gestão das Águas – Urgas. As Urgas possuem sua localização e área de abrangência equivalentes às das Superintendências Regionais de Meio Ambiente – Suprams – definidas no Decreto nº 47.042, de 6 de setembro de 2016. A outorga deve ser solicitada antes da implantação de qualquer

intervenção que venha a alterar o regime, a quantidade ou a qualidade de um corpo de água. Quando já estiver ocorrendo o uso do recurso hídrico, o processo de solicitação de outorga para a regularização da intervenção é o mesmo, sem o qual o usuário estará sujeito às sanções previstas em lei. Cabe informar que a Outorga de Lançamento de Efluentes será aplicada aos empreendimentos passíveis de Licenciamento Ambiental, previstos pela Deliberação Normativa COPAM nº 217/2017, e que sejam convocados por meio de portaria específica pelo órgão gestor de recursos hídricos, conforme estabelece o Art. 8º da Deliberação Normativa CERH nº 26/2008 com nova redação posta pela Deliberação Normativa CERH nº 47/2014.


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Alerta: Aves do Piracicaba, assim Caríssimos leitores, nesta edição resolvemos fazer uma retrospectiva reapresentando as aves mais ameaçadas de extinção, por ordem de risco, da bacia do Piracicaba. Assim como o Piracicaba, que corre o risco de deixar de ser perene, caso não sejam tomadas medidas emergentes e urgentes, inúmeras aves também podem desaparecer. Quando se mata um rio, já mataram as árvores, as montanhas, as aves. Todos estão ligados. Precisamos retomar o equilíbrio urgente.

Mutum-do-sudeste Fotos: João Sérgio

A ave mais ameaçada da bacia do Piracicaba, originalmente o mutum-do-sudeste ou mutum-de-bico-vermelho (Crax blumenbachii) habitava a Mata Atlântica do sul da Bahia até o Rio de Janeiro, porém, com a destruição desenfreada do seu bioma, aliado à caça ilegal, essa bela ave extinguiu-se em quase toda sua área de ocorrência, e, atualmente, encontra-se globalmente em perigo de extinção, conforme levantamento realizado pela respeitada IUNC (União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais). Alguns projetos visando sua reintrodução na Natureza, em locais onde fora extinto, como em Minas e no Rio de Janeiro, foram realizados. Em 1.999 um desses projetos foi implementado na bacia do castigado Piracicaba, mais especificamente na Estação Ambiental de Peti, em São Gonçalo do Rio Abaixo. Inicialmente 7 casais foram soltos na área, porém, dez anos depois, somente 3 fêmeas eram avistadas. É que para sobreviver, o mutum-do-sudeste necessita de matas primárias, ou seja, florestas que o homem ainda não explorou.

Pela bela cantoria, o “Catatau” corre risco Conhecido na nossa região como Catatau (Sporophila frontalis), o Pixoxó ou Chanchão é o maior representante de um gênero que se destaca pela cantoria. O canto do Catatau, que muitos comparam a um forte pulso elétrico, se destaca pela potência, sendo ouvido a grande distância. Tal talento, porém, fez o homem arcaico, aquele que não possuía o adiantamento e nem a tecnologia atuais, a aprisioná-los. A nefasta prática foi passando de geração em geração até que a extinção rondasse o Catatau. Atualmente se encontra mundialmente vulnerável à extinção (VUL). No nosso estado encontra-se ainda mais ameaçado, na categoria “em perigo de extinção” (EN). Encontrar um Catatau na Natureza é tarefa difícil, pois fora a caça ilegal, a espécie vem perdendo seu habitat natural, principalmente as florestas que possuem grandes taquarais, de onde vem seu alimento preferido, o “arroz-de-taquara”.


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como o rio, em risco de extinção Águia Cinzenta

Fotos: João Sérgio

A águia-cinzenta (Urubitinga coronata), que com seus 3 kg de peso e 85 cm de comprimento é a maior e também a mais rara águia encontrada na nossa bacia hidrográfica. Essa magnífica águia está em perigo de extinção (EN) devido principalmente à destruição do habitat, à caça ilegal e ao uso desregrado de pesticidas que acabam por contaminar suas presas e, por conseguinte, as próprias águias. Para se ter uma ideia de quão rara e difícil é encontrar essa espécie, nas últimas estimativas havia cerca de 1.000 aves adultas distribuídas em toda sua área de ocorrência, que abrange o centro-sul do Brasil, além de países como Argentina, Bolívia e Uruguai (acredita-se que neste último país esteja provavelmente extinta). * Textos João Sérgio

Papagaio-de-peito-roxo

Uma das espécies mais ameaçadas de extinção que ocorre na bacia do rio Piracicaba, o papagaio-de-peito-roxo. O papagaio-de-peito-roxo está na categoria “em perigo” de extinção, sendo uma das espécies mais ameaçadas que podemos encontrar na nossa região. As causas de seu desaparecimento são mais uma vez a caça e a destruição do seu habitat. Praticamente é a única espécie de papagaio que ocorre na bacia do rio Piracicaba, pois só temos o papagaio-moleiro que na nossa região se restringe ao interior das grandes florestas do Parque Estadual do Rio Doce, em Marliéria.

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Organização e sirenes com baixo volume marcam simulado em Rio Piracicaba Evento de treinamento para fuga de caráter preventivo, envolveu moradores de 1.587 residências e 234 unidades comerciais e reuniu 1.774 pessoas em 45 pontos de encontros distribuídos na cidade Rio Piracicaba – No dia 30 de novembro, um sábado, a cidade de Rio Piracicaba, após mais de 25 anos convivendo com os perigos das barragens, foi contemplada com um treinamento de evacuação e salvamento conforme prevê a legislação federal. A lei que obriga a realização de simulados de auto salvamento data de setembro de 2010, promulgada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas só após as tragédias de Mariana, com rompimento da barragem de Fundão em Bento Rodrigues em 2015 e em janeiro desse ano com o rompimento da barragem

da Mina do Córrego do Feijão em Brumadinho, as autoridades passaram a cobrar da vale a realização dos exercícios. No caso de Rio Piracicaba, desde 2016 o Tribuna do Piracicaba – A Voz do Rio, vem cobrando tanto da Vale, quanto das autoridades, as providências necessárias para garantir a segurança e um mínimo de tranquilidade aos moradores. Após diversas matérias e cobranças, em 2017 foi iniciado um longo processo que culminou com o simulado. Objetivo O objetivo da atividade

foi informar a população residente nas Zonas de Autos salvamento (ZAS) e de Segurança Secundária (ZSS) das barragens Diogo, Monjolo e Porteirinha sobre como proceder em caso de emergência de barragem. O treinamento teve duração de uma hora, das 15h às 16h. Foram instalados, na ocasião, 45 pontos de encontro em áreas seguras do município. O simulado faz parte do Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PAEBM) e do Plano de Contingência e Evacuação de Rio Piracicaba, este último elaborado por uma equipe multidisciplinar formada

por representantes das Defesas Civis Estadual e Municipal, Prefeitura de Rio Piracicaba, Vale, polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros Militar e Ministério Público. Os pontos de encontro (PE) são locais onde as pessoas devem se dirigir quando ouvirem as sirenes alertando pra uma situação de emergência. Esses pontos serão onde as equipes de resgate seguirão também caso ocorra um desastre, por isso a importância do treinamento para que as pessoas saibam como proceder e para que as autoridades envolvidas possam verificar o funcionamento da evacuação e corrigir possíveis falhas. O simulado

Um dos pontos de encontro da área central da cidade, a Estação Ferroviária, foi um dos mais procurados

Após uma campanha de comunicação e uma grande mobilização que deixou a cidade preparada, às 15 horas em ponto as 12 sirenes instaladas no município foram acionadas dando início ao exercício que

segundo o levantamento da Defesa Civil 1.774 moradores atenderam ao chamado e participaram do treinamento. Esse número corresponde a 38% da população que reside na Zona de Auto Salvamento (ZAS). A ação, por força de lei, teve caráter preventivo e foi realizada pelas Defesas Civis Estadual e Municipal, Prefeitura de Rio Piracicaba e pela mineradora Vale, com apoio das Polícias Civil e Militar, do Corpo de Bombeiros Militar. A Vale, além de ser a responsável por custear toda a operação, participou da atividade prestando o apoio logístico aos órgãos, além de, utilizando seus funcionários, acolher e orientar a população nos 45 pontos de encontro distribuídos pela cidade. Os pontos de encontros foram preparados para receber a população, com tendas, água, banheiros e toda uma estrutura de recepção, com os participantes sendo recebidos

por funcionários da Vale e da prefeitura. O ponto de encontro que mais recebeu proporcionalmente moradores foi o PE 13, onde era esperado apenas um morador mas apareceram 15. Já o com menor participação foi o PE 29, onde apenas 8% do esperado compareceu. Polícia Militar e Bombeiros Militar Enquanto a população participava do simulado, a Polícia Militar que contou com reforço mantinha a segurança das vias, que foram interditadas, promovendo operação presença nas localidades evacuadas. Já o Corpo de Bombeiros Militar, com equipes distribuídas ao longo da Zona de Auto Salvamento permaneceu de prontidão objetivando atender qualquer ocorrência que exigisse socorro imediato. As 16 horas foi dado encerrado o treinamento com os moradores retornando às suas residências quando todas as vias foram liberadas.


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Fotos: Dindão Gonçalves

Vias que foram interditadas durante o simulado: - MG-123 KM 1,5 sentido BR-381 e Jacuí para Rio Piracicaba, próximo ao ponto de ônibus Comunidade de Boa Vista. - MG-123 KM 15,7 próximo da entrada da comunidade do Vilela – sentido Alvinópolis. - Estrada de acesso à Florália e Santa Bárbara para Rio Piracicaba – próximo da Comunidade de Cachoeirinha – Zona Rural. - Bifurcação da entrada do bairro São Sebastião (Estiva) com a estrada de Comunidade do Potreiro.

CADASTRO - Chegando aos pontos de encontro os moradores eram entrevistados, quando relatavam sobre o simulado, objetivando futuras correções e adptações

Avaliação Duas coletivas foram realizadas pela organização do simulado – sendo uma às 11:30 horas, quando foi repassado todo procedimento dos exercícios à imprensa e outra às 17 horas para apresentação do balanço da operação. Diante a imprensa, na Central de Comando da operação instalada no Bairro Mariana de Vas-

concelos (Chacrinha), acima do Clube Campestre, a Defesa Civil Estadual validou o simulado, quando o Coordenador Adjunto da Defesa Civil de Minas Gerais, Tenente-Coronel Godinho falou sobre a participação da população. Conforme o Tenente-Coronel Godinho, “foi um simulado espetacular. Apesar de 38%, nós consideramos como meta cumprida e como missão

Durante coletiva, coordenadores apresentaram o balanço do simulado, que, apesar do índice de 38%, foi dado como satisfatório pelo desenvolvimento dos trabalhos

cumprida, atingimos os objetivos”, comemorou. Continuando prestando as informações sobre o balanço do treinamento ele disse que a primeira pessoa a chegar a um Ponto de Encontro, após acionamento das sirenes, foi aos 5 segundos e o último aos 54 minutos - tempo anormal e considerado preocupante pelo tenente que solicitou à Vale e à Defesa Civil para procurar esta pessoa e investigar o ocorrido. Godinho ainda falou de uma situação apontado pelos controladores dos Pontos de Encontro e também levantada pela imprensa que cobria o simulado – ao som inaudível das sirenes – em todos os pontos verificados pela reportagem do Tribuna – que visitou cinco no total, mas colheu informações de outros 8 pontos, em todos as observações foram as mesmas – som muito baixo: “Não deu para ouvir o áudio e a sirene foi

Um dos pontos de encontro que mais recebeu treinandos foi o do bairro Louis Ensch - Samitri

muito baixa – não escutaria se estivesse dentro de casa com uma chuva, ou dormindo um sono pesado, com um som de televisão ligado”, disse Geraldo Guimarães, morador do bairro Louis Ensch (Samitri). Já o morador do bairro Bom Jesus, mas que se encontrava no centro da cidade, onde tem um comércio, Geraldo dos Reis, disse também que, mesmo esperando o alerta, ficou preocupado com o volume: “Não chama a atenção de ninguém”, questionou. Diante dessas observações o Tenente-Coronel disse que será dado à Vale um tempo para ajustes, um tempo suficiente para identificar os problemas e proceder com os reparos. Continuando o balanço ainda foram registrados três atendimentos médicos, sendo dois no local é um caso que foi hospitalizado, sendo uma senhora de idade avançada que devido a pressão alta e seu histórico médico, foi encaminhada para observação. Ainda durante a apresentação dos resultados o Tenente-Coronel Barcelos, Comandante da 17º Cia de Polícia Militar Independente de João Monlevade, relatou não ter havido nenhuma ocorrência policial em virtude do simulado.

Estatísticas: Neste ano, a Defesa Civil Estadual já realizou 10 simulados de evacuação de emergência. Confira os anteriores: - Barão de Cocais - 25/03/2019 Participantes: 3626 participantes (60% do esperado) - Santa Bárbara - 29/03/2019 Participantes: 834 participantes (50% do esperado) - Itabirito - 31/03/2019 Participantes: 4770 participantes (109% do esperado) - Nova Lima - 31/03/2019 Participantes: 2400 (57% do esperado) - Raposos - 31/03/2019 Participantes: 794 (33% dos esperados) - São Gonçalo do Rio Abaixo - 04/04/2019 Participantes: 2674 (109% do esperado) - Barão de Cocais - 18/05/2019 Participantes: 1600 (27% do esperado) - Conceição do Mato Dentro - 06/07/2019 Participantes: 129 (32% do esperado) - Itabira - 17/08/2019 Participantes: 7.770 (41% do esperado) Novos simulados Durante a coletiva a reportagem do Tribuna questionou sobre os prazos para a realização dos treinamentos e quando deverão ser repetidos. Segundo Godinho, conforme legislação vigente, o prazo é de um em um

ano, portanto um novo simulado deverá ser programado para novembro de 2020 ou data próxima. Aproveitando o questionamento o Tenente-Coronel informou também que irão acontecer simulados específicos para escolas, creches, que estejam na ZAS.


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Expedição Piracicaba lança vídeo documentário do projeto Fotos: Sérgio Henrique Braga

Membros da Expedição Piracicaba junto à diretoria do CBH Piracicaba durante lançamento do vídeo documentário

João Monlevade – Durante reunião ordinária do CBH Piracicaba, realizada na manhã do dia 12 de dezembro, na sede da AMEPI, em João Monlevade, aconteceu o lançamento oficial do vídeo documentário da Expedição Piracicaba – Pela Vida do Rio. O lançamento do documentário foi transmitido ao vivo pelas redes sociais da Expedição Piracicaba. O projeto Expedição Piracicaba – Pela Vida do Rio, de cunho técnico científico e socioambiental, percorreu durante 11 dias toda a Bacia do Rio Piracicaba, cobrindo os 21 municípios que compõem a bacia, perfazendo cerca de 1.600 km

– desde a nascente do Piracicaba, no complexo da Serra do Caraça em Ouro Preto até a sua foz em Ipatinga. O documentário apresentou uma síntese dessa epopeia que envolveu 16 profissionais diretamente, registros dos principais momentos da expedição, apresentando opinião de doutores, políticos, produtores rurais, população ribeirinha, ambientalistas e historiadores, além de paisagens icônicas da bacia bem como imagens de degradação. Antes da exibição do documentário, o presidente do CBH Piracicaba, Flamínio Guerra, coautor do projeto, convidou o coordenador do projeto, jornalista Ge-

raldo Magela Dindão Gonçalves, a apresentar o documentário. Dindão, ao fazer uso da palavra, informou que o trabalho de mais de 200 horas de filmagens foi sintetizado em pouco mais de 15 minutos: “Não foi fácil comprimir tanta informação importante em tão pouco espaço, mas foi necessário para conseguirmos passar uma mensagem de urgência que o Piracicaba exige”, disse. Na oportunidade o jornalista agradeceu o apoio da diretoria do CBH Piracicaba e dos parceiros e presenteou com camisas da expedição os diretores Ângelo Paganini, Jorge Martins Borges e Vinicius Perdigão.

Desdobramentos O jornalista chamou a atenção também sobre o andamento dos desdobramentos do projeto, que segundo ele estaria apenas no desenvolver da segunda fase, falando sobre a revista Viva Piracicaba, as análises laboratoriais e os livros relatório técnico a serem lançados: “A Revista Viva Piracicaba deveria ter sido lançada no final de novembro, entretanto, devido ao atraso no recebimento das artes e materiais dos parceiros, em respeito aos mesmos, resolvemos aguardar até que todos tenham liberado esses materiais”, informou. Sobre as análises Dindão disse que após a conclusão das mesmas, elas passarão por elaboração de laudos e ainda realizado os comparativos com dados anteriores, criando um considerável banco de dados sobre a situação real do Piracicaba. Vídeo

Conselheiros do CBH Piracicaba assistem atentamente o vídeo documentário em primeira mão

O documentário arrancou aplausos chegando a emocionar alguns presentes. O diretor Jorge Martins parabenizou o trabalho dizendo se sentir muito orgulhoso de estar

apoiando o projeto. Demais membros do comitê se manifestaram elogiando o trabalho: Henrique Savaget, da ArcelorMittal parabenizou – “Parabéns amigos, excelente trabalho. O vídeo sintetizou bem o passado, presente, futuro, comprometimento, esforço, relatos e desafios que temos. Vamos em frente!”. Juninho Starling, representante do SindiExtra no Comitê também teceu elogios pelo esforço e empenho pelas águas:

“Belo trabalhos, vocês realmente estão de parabéns pelo projeto”. Presenças Além dos conselheiros do CBH Piracicaba, marcaram presença os parceiros de expedição, fotografo e cinegrafista da Expedição, Sérgio Henrique Braga, o professor doutor Diego de Souza Lima, os empresários da OAK Energia, João Vitor de Carvalho e Diogo Cota.

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