EVENTOS MUSICAIS
Música e Vida Quando Cage, através de "4' 33", chamou a atenção para o silêncio, nada mais fez do que provar a sonoridade da vida_ Por outro lado, a vida que pressupõe o movimento e inclui o gesto pode através dele materializar-se no traço visual ou sonoro. Alguns destes conceitos podem, talvez, explicar o nascimento das obras interdisciplinares onde gesto, traço e som guardam uma equivalência de valores tão grande a ponto de fazê-los se fundirem entre si. São obras que suportam leituras gestuais e/ou visuais, sonoras e poéticas como "Mesostics" de John Cage, "Código" de AugustodeCampos ou as Partituras Musicais e Coreográficas de Paulo Gomez Garcez. As obras interdisciplinares diferem sutil.mente dos eventos multimídia. Nestes últimos, a criação artística utiliza também uma multiplicidade de meios que se completam mas não se fundem uns nos outros. É o caso da Ópera em geral, das obras de Teatro Musical de Gilberto Mendes, dos Audiovisuais vivos, das Obras para Meios Visuais, Eletrônicos e Dança de Rodolfo Caesar. Éclaro que esses dois tipos de eventos não são a única tendência da vida musical contemporânea. Um século não está isoladodoseu precedente e compositores de vanguarda, como Boulez, Berio e Xenakis, ( ,1põem obras de música pura concebidas a executadas segundo uma tradição que nos chega a partir da Pós-Renascença, sobretudo no que se refere à notação e ao tipo de instrumental utilizado. É o caso das composições dos italianos Goffredo Petrassi, Luca Lombardi e Giacomo Manzoni. AAmérica Latina, por sua vez, procura unir uma estética de vanguarda com as raízes de sua própria cultura. Obras para Orquestra de Percussão do cubanoAmadeo'Roldán, do mexicano Carlos Cháves, do brasileiro Camargo Guamieri; eventos onde arte, tecnoiogia e vida se fundem, como o Quarup eletrônico de Conrado Silva ou o Concerto para o Inconsciente de Emanuel de Mello Pimenta. Por fim, abrindo e fechando o círculo, as obras precursoras de Ives e Satie e o expressionismo revivido nos espetáculos do Núcleo Música Nova de São Paulo. Anna Maria Kieffer Diretora de Música
Música na Bienal - Programação 4 de outubro: Abertura 16 hs, no Espaço da Bienal Orquestra Sinfônica Municipal Regente: Júlio Medaglia (Brasil)
Charles Ives (EUA): Pergunta sém resposta (1907) Erik Satie (França): Parade (1916) Louis Gottschalk: Marcha Solene Brasileira Patrocínio Secretaria Municipal de Cultura - Dep. de Teatros 17:30 hs, no Espaço da Bienal Círculo Mágico Ritual de Camada Silva (Uruguai/Brasil) Quarup Eletrônico com a participação de 20 músicos manipulando ao vivo 20 sintetizadores de diferentes origens.
5 de outubro: 14 hs, 16 hs e 18 hs no Espaço da Bienal Círculo Mágico Ritual de Camada Silva (Uruguai/Brasil)
20 hs, no teatro do MAC "Cage-Campos" Obras de John Cage (EUA) e Augusto de Campos (Brasil) Espetáculo para 2 cantores / atores, meios visuais e instrumentos convencionais ou não, de várias procedências. Intérpretes: Anna Maria Kieffer, meio-soprano Theophil Maier, tenor Caio Gaiarça, meios visuais Obras de Augusto de Campos: Eis os amantes / Ovonovelo / Tensão (1953-56) /Terremoto / Sem um número / Cidade / Uma vez / Vida (1957 -63). Código, Viva Vaia, Profilograma 1-Pound / Maiakovski / Pentahexagrama para John Cage (1966-77) Obras de John Cage Mesostics re Merce Kunningham / Aria / Song Books
6 de Outubro: a partir das 15 hs no Espaço da Bienal
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Happening· Cage O Happening Cage é um evento que propõe uma mostra sonora das obras do compositor realizadas por vários grupos musicais, num total de cercade 50 músicos espalhados no espaço da Bienal. As obras serão executadas por justaposição, dando ao ouvinte a oportunidade de ouvi-Ias individualmente e/ou acopladas a outras, de forma organizada ou espontânea, deixando o acaso fazer seu jogo.
As obras programadas e seus intérpretes são: Cartão Postal do Paraíso - para 12 harpas/coordenação de Abel Rocha; Aria - para voz sozinha/ Anna Maria Kieffer; Forever in Sunsmell- para soprano e grupo de percussão/Martha Herr e GrupoPIAP; Música Para Mareei Duchamp - para piano preparado e Suite Para Piano de Brinquedo / Beatriz Román; Mesotics - Theophil Mayer; Palestra para 4 Conferencistas - e Variações - para Grupo Instrumentai/ Gonrado Silva e Núcleo Música Nova de São Paulo; A Viúva de 18 Primaveras - para voz e piano fechado e She is Asleep - para voz e piano preparado/Claudia Matarazzo e Alvaro Guimarães; Quarteto de Cordas/Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo; Song Bookes/Anna Maria Kieffer e Theophil Mayer. 20 hs, no teatro do MAC "Cage-Campos" (Obras de John Cage - (EUA) e Augusto de Campos (Brasil).
8deoutubro às 21 h~ no teatro Sérgio Cardoso, com a presença de John Cage_ Cartão Postal do Paraíso - para 12 harpas Harpistas: Délcia Pereira Coelho; Henriqueta Ricardino; LedaGuimarães Natal; Maria Teresa Coelho Akamine; Naomi Munakata; Norma Holtzer Rodrigues; Santa Borrei i Talentoni; Sueli Nunes Cacita; Silvia Ricardino; Ivony Pereira de Azevedo; Silas Marques de Lima. Coordenação de Abel Rocha. Music For-para instrumentos/Grupo Nexus; Muoyce - (Música Joyce)/ Performance de John Cage Renga - para 78 instrumentistas/Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, coordenação de Júlio Medaglia.
9deoutubro 20 hs, no Teatro do MAC Grupo PIAP (Orquestra de Percussão da UNESP) Regente: John Boudler (EUA-Brasil)
13 músicos e cerca de 50 instrumentos de percussão abordando, especialmente, o repertório latino-americano do século XX e obras para percussão de John Cage Programa: Camargo Guarnieri (Brasil) Estudo (1953) Amadeo Roldán (Cuba)Ritmica 5 e 6 (1930) Edgar Varése (França) lonisation (1931)