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18ª Bienal de São Paulo (1985) - Catálogo geral

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GRAVURAS DOCABICHUi

Cabichuí

Sobotítulo "Cabichuí" estão reunidas na 18.0 BISP trezentas gravuras utilizadas como ilustração do periódico paraguaio de mesmo nome, publicado em 1867, durante a guerra travada entre Paraguai e a Tríplice Aliança (Brasil, Uruguai e Argentina) de 1865 a 1890. A imprensa paraguaia teve uma posição atuante durante a chamada "Guerra Guasú", mesmo antes do início do conflito. Já em 1864, o "Seminário de Avisos y Conocimientos Útiles" começava a se manifestar, mas ainda de modo formal e bastante distanciado da linguagem popular. O anode 1867 assistiu ao surgimento de jornais com o objetivo de ser um meio eficiente de informação, propaganda, doutrinação e, principalmente, de levantar o ânimo dos soldados paraguaios. Pelo fato do exército paraguaio contar com alta porcentagem de alfabetizados, esses periódicos eram lidos pela maioria dos soldados, colocando as tropas paraguaias numa posição de vantagem em relação aos seus opositores quanto a atualidade da informação recebida. Usando títulos como "EI Centinela", "Cabichuí", "Cacique Lambaré, e "La Estrella", essas publicações eram, sobretudo, uma estratégia usada por Solano López para aumentar a resistência moral de seus comandados. Todos os jornais apresentam características comuns. Escritas em guarani e castelhano, numa linguagem simples, adequada ao público, reuniam artigos breves e versos

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irônicos, satirizando os oponentes e exaltando o sentimento patriótico. As gravuras que ilustravam e reforçavam os textos também seguiam o mesmo padrão e eram concebidas de modo a possibilitar uma comunicaçãodireta e eficiente. As ilustrações, de caráter popular, eram feitas em xilogravura e próximas dos resultados gráficos da antiga tradição das imagens para baralhos, produzidas desde a época colonial o Paraguai. Estas gravuras ostentam traços da expressividade primitiva, emergente da arte popular, e o tipo de humor ácido que propõem perm ite aproximá-Ias das intenções da charge. "Cabichuí", em guarani significando abelha, veio a público em 10 de maio de 1865, com publicação semanal. Apresentava-se especialmente mordaz e cáustico em suas colocações e imagens, dado sua própria proximidade com a linha de fogo. Sua atividade ao mesmo tempo desenrolava-se e era di rigida à frente de batalha. Por ser Impresso na Oficina do Exército em Paso Pucu, dentro da zona de conflito vivo, participava ativamente da luta e por isso conseguia imagens de resultado muito vibrante. Esta mesma proximidade explica as dificuldades e condições muito precárias das instalações, processos e fornecimento de material, pois o bloqueio imposto pelo Brasil, Uruguai e Argentina impedia a chegada de papel e tinta. A solução encontrada para suprir esta falta foi explorar os recursos locais, de maneira a obter papel de fibra de caraguatá e de ybirá e, em alguns casos, a extração da tinta de algumas espécies de legumes. As gravuras do Cabichuí são um conjunto mais ou menos homogêneo e em sua iconografia percebem-se elementos próprios que se repetem com freqüência, tais comooleão, a tartaruga, oCabichuí, o Du-

F. OCAMPO - "Caxias domando su nuevo Carumbé"i Xilografia publicada no semanário "Cabichuí': 1867-70

que de Caxias e o globo, ao lado das alegorias acadêmicas da Pátria, Justiça, Liberdade e deuses grego-romanos, reinterpretados segundo uma óptica popular. Mesmo assim, é possível distinguir as características pessoais de cada um dos gravadores quanto à composição, deformações da figura e tratamento das superfícies. Estes gravadores eram nove a saber: Saturio Rios, Ignácio (ou Inocêncio) Aquino, M. Perina, Francisco Ocampo, Gregório Cáceres, Baltazar Acosta, Juan Bargas, Francisco Velazco e J. B. S. Acredita-se também que os xilógrafos gravavam além de seus próprios desenhos, os originais feitos por outros, inclusive por soldados presentes no campo de luta. A proximidade e envolvimento com a linha de frente talvez expliquem a vivacidade e o combate e emoção com que o eram retratados no , enquanto que a representação segundo uma tradição academicista, baseada em alegorias de símbolos nacionais, resultava fria e distante. As do Cabichuí são consideradas dentro das artes paraguaias até o século XIX e ocupam uma posição de importância no panorama das artes gráficas latino-americanas do período.

OBS. texto baseado nas págs. 276 a 294 de Ticio Escobar - Una Interpretación de las Artes Visuales en el Paraguay. Assunção, Centro Cultural ParaguayoAmericano, 1982.


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