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19ª Bienal de São Paulo (1987) - Exposição: Marcel Duchamp

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Por Que Não Espirrar, Rose Sélavy?/Why Not Sneeze Rose Sélavy?, 1921, réplica de 1964

erre duplo (adotado pela primeira vez em 1921 no Tumulto em Austerlitz) foi discutido em meu The Complete Works ... , págs. 587-88. Pqr Que Não Espirrar, Rose Sélavy?, de 1921, foi encomendado por Dorothea Dreier, irmã de Katherine S. Dreier. Duchamp recebeu carte blanche, de outro modo não teria aceito a incumbência. Contudo, a gaiola de pássaros não agradou a nenhuma das irmãs Dreier, que pediram a Duchamp que a vendesse. Cerca de três anos depois, Walter Arensberg adquiriu esse item por 300 dólares, soma que havia sido paga por Dorothea Dreier, que recebeu, então, seu dinheiro de volta. Os cubos de mármore parecem torrões de açúcar, de modo a perder-se "a possibilidade de reconhecer dois objetos similares" (nota 31), têm também "densidade oscilante" (nota 130); quando se ergue a gaiola, esta, surpreendentemente, é bem mais pesada do que se teria imaginado, "é verdadeiramente essa densidade oscilante que expressa a liberdade da indiferença" (nota 130). A "liberdade da indiferença" é um tema a que Duchamp retoma com freqüência; nesse caso, é também representado pelo ponto de interrogação ao fim da sentença na base da gaiola. A gaiola incorpora, também, um termômetro, a ser utilizado para medir a diferença de temperatura entre os frios cubos de mármore e os torrões de açúcar, mais quentes. Contém, além disso, um osso de siba (molusco marinho, também chamado sépia, do qual se obtém uma tinta escura usada em artes plásticas), para deixar claro que se trata de uma gaiola onde se colocam passarinhos ou outros animais. Numa entrevista à televisão francesa, Duchamp fez o seguinte comentário acerca de sua obra: "A

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gaiola com cubos de açúcar chama-se Por Que Não Espirrar ... ? e, obviamente, o título parece estranho, na medida em que não há, realmente, relação alguma entre cubos de açúcar e um espirro ... Inicialmente, há o hiato da dissociação entre a idéia de espirrar e a idéia de ... 'Por que não espirrar?' pois, afinal, você não espirra deliberadamente; normalmente você espirra à revelia. Portanto, a resposta à pergunta 'Por que não espirrar?' é simplesmente que você não pode espirrar por querer! E, depois, há o aspecto literário, se é que posso chamar assim ... mas 'literário' é uma .palavra tão idiota ... não quer dizer nada ... mas, de qualquer modo, há o mármore com sua frieza, e isso significa que você pode até dizer que está com frio, por causa do mármore, e todas as associações são permitidas" 49 Em Bom Hálito, Água de Violeta/Veuzinho, de 1921, Wanted/$2000 Reward (Procurado/$2000 de Recompensa), de 1923, e em Compromissos Para a Roleta de Monte Carlo, de 1924, a foto de Duchamp é o ponto de partida para um readymade "retificado" Nos três casos, a referência ao Celibatário de O Grande Vidro é bastante clara. Bom Hálito ... , é um exemplo de combinação de um readymade "assistido" e "retificado" com um "trocadilho tridimensional". O ponto de partida foi o rótulo de um vidro de perfume (Rigaud, Paris), trazendo as palavras un air qui embaume. Quando Duchamp e Man Ray concluíram seu trabalho nesse rótulo, pouco restou do original, exceto o desenho geral. Un air qui embaume foi substituído pelo trocadilho Belle Haleine/Eau de Voilette, e as iniciais de Rigaud pelas de Duchamp (R.S.: Rrose Sélavy) vistas num espelho ("retorno espelhado"), e o


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