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28ª Bienal de São Paulo (2008) - Catálogo: Jornal 28B

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1.11.2008 O artista Carlos Navarrete, durante sua visita guiada, aponta para a obra de Iran do Espírito Santo foto Rogério Canella

A primeira visita guiada aconteceu no último sábado, às 17h, saindo da Praça do Pavilhão Ciccillo Matarazzo. Subindo a rampa, do 2º andar para o 3º, o artista chileno Carlos Navarrete aponta a obra do brasileiro Iran do Espírito Santo: “Este trabalho fala do vazio. É uma fechadura cromada, pela qual você não pode ver dentro ou através e ela te fornece um reflexo. O espelho e o reflexo são vazios. A peça é pequena, quase passa despercebida e de repente se nota”. Navarrete nasceu em Santiago do Chile em 1968, e vem ao Brasil desde os 7 anos, quando o irmão de seu pai mudou-se com a esposa para São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. O casal veio para o país devido ao golpe militar que colocou o general Augusto Pinochet no poder, em 1973. Dez anos depois da mudança dos tios, que visitava sempre, o artista começou a juntar um arquivo pessoal de fotografias, cartas e histórias da cidade de São Paulo. Em 1991, já realizando pesquisas na arte, começou a levar os tios Carlos Alberto Navarrete e Florinda Alvarez (ele professor de espanhol, ela enfermeira obstetra) para visitar a Bienal – na 28ª, as visitas guiadas aconteceram nos dias 1º e 2, e prosseguem amanhã e domingo: “Eu mostrava o que gostava, e pulava o que não gostava. Nesta Bienal é diferente: como há menos obras tenho de mostrar tudo, então é a primeira visita completa, por assim dizer”.

O chileno Carlos Navarrete explica aos visitantes as obras da 28ª Bienal; para ele, o projeto é uma oportunidade de oferecer críticas e observações sob o olhar do artista e do público – a um só tempo

A arte do jogo

Por Isabela Andersen Barta

Para o artista, a visita guiada é uma oportunidade de oferecer críticas e observações sob o olhar do artista e do público – a um só tempo. Além das visitas, Navarrete expõe no 3º andar seu “Archivo personal”, uma coleção de lembranças da cidade de São Paulo com mapas recortados, jornais, moedas, fichas e souvenires. “Passei quatro meses trabalhando na apresentação do arquivo que junto há 23 anos, e fiz isso de Santiago do Chile, através da memória e da saudade, como uma homenagem a São Paulo. Ele conta a transformação da cidade, da Bienal e da minha família”.

Retomada Antes de encontrar a obra de Iran do Espírito Santo, Navarrete guiava um grupo (composto de familiares e visitantes) pelo 1º andar, detendo-se no Video Lounge. Subindo ao 2º andar, a Planta Livre, o artista fez uma crítica ao uso do espaço: “Do ponto de vista da arte não há vazio, há arquitetura. Se queriam discutir o vazio, deveriam encher esses 12 mil metros quadrados com obras que tratem do tema”. No Plano de Leituras, o 3º andar, Navarrete ia com seu passo rápido e bom humor discutindo cada obra. Mais visitantes se juntaram ao grupo pelo caminho, e a visita guiada que começou com 7 pessoas terminou com mais de 30. O artista destacou a ligação entre o norte-americano Allan McCollum, a brasileira Leya Mira Brander e o espanhol Javier Peñafiel.


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