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16ª Bienal de São Paulo (1981) - Exposição Arte Incomum

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Cores, formas, faturas em perpétua mutação constituem o universo singular de Eli Heil que, desde que descobriu fortuitamente a arte (1962), não consegue refrear sua necessidade criadora, aquele "monstrinho doce" que "constrói e não destrói", aquelas mãos que "trabalham sem parar", aquela inspiração permanente: "( ... ) Sou como um olho de água nos morros, que as pessoas não conseguem contê-lo, tapa um lado, ele aparece noutro lugar; quer dizer, termina uma criação, vem outra, outra, outra sem parar ( ... ) " 15 . A construção constante dum mundo que, para artistas como Antônio Poteiro, Eli Heil, se manifesta sobretudo em estruturas bi e tridimensionais, pode adquirir caracteres arquitetônicos como na Casa da Flor, obra de Gabriel dos Santos, que a construiu entre 1912 e 1923, acrescentandolhe até hoje novos elementos, todos cuidadosamente datados. A partir dum sonho que tivera quando criança, Gabriel dos Santos molda seu universo fantasmático, servindo-se de materiais pobres - detritos culturais (cacos de louças, garrafas), elementos naturais trazidos pelo mar (búzios, conchas), amalgamados em formas plásticas de rara eficácia estética, que mais uma vez vêm confirmar a existência de forças criadoras em todo ser humano. Se não acreditarmos nesse lastro criativo, como poderemos explicar a obra desse humilde salineiro quase iletrado, que se revelou um arquiteto espontâneo de rica inventividade, fugindo do banal com suas combinações cromáticas, com aquela floração de louça que pontilha a casa e o quintal, com as várias soluções construtivas bizarras e ao mesmo tempo funcionais, que transformam um espaço convencional num mundo de faz-de-conta? Enquanto para Gabriel dos Santos a Casa da Flor é uma espécie de retiro, no qual o artista pode ficar só com Deus, para Jakim Volanhuk, o Simitério do Adão e Eva) ambiente dos mais inusitados e provavelmente sem precedentes, parece revestir-se dos caracteres dum ato de expiação em prol da humanidade. Concebido inicialmente como Museu de Jesus (1939), o Simitério do Adão e Eva começa a ser construído em 1952, após uma visão mística de seu autor, que acreditou ter encontrado o corpo de Abel ao deparar com a "terra perfumada" no quintal de sua casa. Guiado por uma leitura original do Gênese, Volanhuk coloca o Paraíso terrestre no Brasil, num território compreendido entre a Amazônia e a Praça da Sé (São Paulo), e dá início à construção de seus túmulos (Adão, Eva, Cristo, Abel - o deste último tem a configuração dum barco tal como o mundo), para os quais usa pedras ritualisticamente purificadas antes da entrada no chão sagrado do "simitério" 16. Ao elemento da criação, contrapõe-se o verdadeiro movente da construção de Volanhuk: a anunciação do Apocalipse, documentada através duma série de pinturas, fruto de visões (Deus e Diabo) e da leitura da Bíblia (a descrição acurada do dragão com sete cabeças e dez chifres; o arcanjo Miguel; Babilônia; a guerra até a destruição final da terra pelo fogo). O "simitério" é um ato de expiação, pois Volanhuk, em sua visão agônica, não chega a entrever a nova Jerusalém, esperando com sua ação deter o fim inevitável da humanidade. Nesta rápida resenha de alguns artistas incomuns brasileiros, resta ainda a referência a dois acervos fundamentais - o do Museu de Imagens do 22


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