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Volume 2 Edição 10

Outubro 2012

astroPT magazine


ASTROFOTOGRAFIA

Aurora na Islândia

Aurora em Jökulsárlón, na Islândia, a 1 de Outubro de 2012. Crédito: Tony Power

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ASTROFOTOGRAFIA

Via Láctea nos EUA

Via Láctea sobre Monument Valley. Crédito: Wally Pacholka

Mais Auroras Anchorage, Alaska, na noite de 12 de Outubro de 2012 .Crédito: Carl Johnson

Via Láctea e Aurora na Austrália Aurora no Canadá. Crédito: Sharleen Chao Página 3


ASTROFOTOGRAFIA

Mosaico de fotografias O “nosso” Miguel Claro, utilizou 170 das suas astrofotos para criar este belíssimo mosaico (LPOD). Carlos Oliveira

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Outubro 2012


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ASTROFOTOGRAFIA


Outubro 2012

EDUCAÇÃO

Portugal reluziu a ouro e prata nas Olimpíadas Ibero-Americanas de Matemática Portugal acaba de conseguir o melhor resultado

medalha de ouro e três medalhas de prata.

de sempre nas Olimpíadas Ibero-Americanas de

Temos aqui jovens com enorme potencial e futu-

Matemática (OIAM) de 2012, que decorreram

ro!

entre 29 de setembro e 6 de outubro em Cocha-

Medalhas ganhas por aluno/ano:

bamba, na Bolívia.

David Martins (11ºano) – medalha de ouro

Através de uma equipa composta na íntegra por

Luis Duarte (12ºano) – medalha de prata

alunos do Ensino Secundário, de Escolas Públicas

Miguel Moreira (11ºano) – medalha de prata

de norte a sul do país, Portugal arrecadou uma

Miguel Santos (12ºano) – medalha de prata

Da esquerda para a direita: Miguel Santos (estudante do 12º ano, em Alcanena), Miguel Moreira (estudante do 11º ano, em Lisboa), Luís Duarte (estudante do 12º ano, em Alcains), David Martins (estudante do 11º ano, em Mirandela) e Paulo Antunes (professor do Departamento de Matemática da FCT da U. de Coimbra).

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OLIMPÍADAS

Na classificação por países (18 no total), Portugal

Mar da Prata

conseguiu um extraordinário segundo lugar o

na Argentina,

que lhe garantiu a suamelhor pontuação de sem-

uma equipa

pre, e lhe valeu a distinção com a Copa Puerto

portuguesa

Rico, que é atribuída ao país com a melhor evo-

conseguiu o

lução na classificação nos últimos três anos.

melhor resul-

Como curiosidade destaco que foi precisamente o aluno mais novo deste grupo, David Martins, o responsável por trazer para terras lusitanas uma medalha de ouro, um feito extraordinário tendo

tado de sempre em Olimpíadas Internacionais de Matemática (OIM): uma medalha de ouro, uma de prata, duas de bronze e uma menção honrosa.

em conta que todos os participantes concorrem

Pessoalmente, estou muito contente e satisfeito

em pé de igualdade.

com esta e outras notícias que têm saído sobre o

Esta foi a 27ª edição das OIAM, onde Portugal obteve 136 pontos tendo superado largamente o recorde nacional anterior, que era de 108 pontos. O nosso país participa desde 1990 neste evento, e as equipas nacionais já arrecadaram duas medalhas de ouro, em 2007 e 2012, 11 medalhas de prata, 30 de bronze e 10 menções honrosas. De realçar que a participação da delegação portuguesa nas competições internacionais é organizada pela Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) e que a preparação e seleção dos alunos estão a cargo do Projecto Delfos da Universidade de Coimbra, liderado pela professora Joana Teles, que tem efetuado um excelente e rigoroso trabalho. O ano de 2012 continua a ser profícuo para os nossos jovens alunos matemáticos, como já havia sido noticiado na Imprensa Regional por António Piedade, pois entre 8 e 15 de julho deste ano, em Página 7

potencial científico dos nossos jovens. Dêem-lhes condições, acreditem neles, e verão que o limite é o céu! Isto vale tanto para a Matemática como para outras áreas do conhecimento humano. Pena que as condições que atualmente o país oferece a estes, e outros jovens de valor, sejam muito abaixo do que deveriam e poderiam ser! Quem estiver interessado em saber mais detalhes pode ler o comunicado de imprensa da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM). —————————————————————— Este é um artigo do autor-convidado, João Pedro Cesariny Calafate: Professor do Ensino Básico de Matemática e Ciências da Natureza, criador, coordenador e editor do projeto de educação/ divulgação de ciência e tecnologia – Ciência com Todos. —————————————————————— Manel Martins


Outubro 2012

LITERACIA CIENTÍFICA

Os chemtrails sob análise De quando em vez, surgem referências ou comentários, no AstroPt, sobre os chemtrails. Aliás, foi aqui mesmo, neste site, que tive conhecimento de tal fenómeno. Questionei as pessoas à minha volta sobre tal assunto, e, recorrentemente, respondiam-me que não sabiam do que eu estava a falar. Concluí que se deveria tratar de um tema isolado geograficamente nas Américas, e que ainda não havia chegado a Portugal. Acabei por não dar grande importância ao assunto, até há pouco tempo, quando voltei a deparar-me, nas redes sociais, com um documentário que abordava esta temática. Com o burburinho que se começava a formar, decidi averiguar do que se tratava. Da pesquisa efectuada, resultou um texto que escrevi para o site da COMCEPT – Comunidade Céptica Portuguesa, e que partilho hoje aqui no AstroPT. O que são os chemtrails? O que tentam esconder de nós? Qual a gravidade da situação? Devemos ficar preocupados? Espero que as respostas que encontrei tragam alguma luz sobre este assunto: Há umas semanas, apercebi-me que andava a circular na internet um (pseudo)documentário sobre os Chemtrails que deixou nos espectadores um misto de indignação e de preocupação. Num próximo texto analisarei esse filme. Por agora, procurarei entender o que são os chemtrails, e se nos devemos preocupar com isso. I – Definições: Contrails – Abreviatura de “Condensation Trails” (rastos de condensação). São os rastos normalmente formados na traseira dos aviões. Como produto da combustão, forma-se vapor de água que congela a grandes altitudes, onde as temperaturas são negativas, gerando cristais de gelo. O resultado é a formação de nuvens cirrus (1). Chemtrails – Abreviatura de “Chemical Trails” (rastos químicos). Segundo os Adeptos das Página 8

Teorias da Conspiração, os chemtrails são criados intencionalmente por pessoas desconhecidas, com objectivo de envenenar a população através de produtos químicos libertados pelos aviões. (2) II – O que se diz sobre os Chemtrails (2), (3), (4), (5), (6): Tendo definido e distinguido os contrails dos chemtrails, vamo-nos agora debruçar sobre estes últimos. O que são: De acordo com os defensores destas ideias, os chemtrails são o resultado de substâncias nocivas libertadas intencionalmente pelos aviões para a atmosfera, formando uma grande quantidade de nuvens que fica nos céus durante imenso tempo, ao contrário dos vulgares contrails. Essas substâncias são identificadas, pelos mesmos proponentes, como alumínio, estrôncio, bário, entre outras. Onde: Esta ideia surgiu nos Estados Unidos da América e, posteriormente, terá sido disseminada pelo resto do mundo. Desde quando: a origem da primeira observação dos rastos nebulosos no céu é vaga, mas parece haver observações desde a segunda guerra mundial, período em que os aviões conseguiram atingir elevadas altitudes. (7), (8), (9), (10) O consensual é os rastos terem aumentado em quantidade desde a década de 1990. De acordo com a minha pesquisa, em 1996 começa a surgir a teoria da conspiração de que o governo pretende alterar o clima, com base no estudo “Owning the Weather”, mas só em 1999 começam a surgir referências aos chemtrails. Quem são os responsáveis: não é bem certo, havendo dedos acusatórios que apontam em diferentes direcções: o governo, as companhias farmacêuticas, os cientistas, os Illumminati, os Bilderberg, os “Donos do Mundo”, (…) Porquê: Existem duas vertentes independentes:


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LITERACIA CIENTÍFICA

Rasto de um contrail no céu. Autoria: João Monteiro

uma ambiental e outra social. Por um lado diz-se que os cientistas e o governo têm uma política deliberada de criar estes rastos no céu para diminuírem o aquecimento global, através da reflexão da luz; ou, em alternativa, porque pretendem controlar o clima, pulverizando as nuvens com reagentes que contribuam para a condensação, criando chuva – a estes processos dá-se o nome de Geoengenharia. Por outro lado, fala-se da existência de responsáveis ocultos que pretendem libertar as substâncias nocivas sobre os campos agrícolas e as pessoas para que estas adoeçam e sejam facilmente manipuláveis. III – Análise crítica: - Alumínio – Assim na Terra, como no Céu: Durante a guerra do Vietname foram utilizadas várias tácticas para iludir os radares inimigos, sendo uma delas a libertação de reduzidas fibras Página 9

de alumínio (Chaff, em inglês), que reflectiam o sinal de radar. Se os aviões comerciais estivessem na actualidade a libertar deliberadamente alumínio, estariam a confundir os radares de controlo de tráfego aéreo que os orientam, o que seria impraticável. (11), (12) Análises que têm sido realizadas detectam de facto Alumínio e Bário na água, no gelo e no ar, mas sempre dentro dos níveis padrão. No entanto, estas observações estão dentro do esperado, uma vez que estes elementos ocorrem naturalmente na Natureza. Por exemplo, 7% da crosta terrestre é constituída por Alumínio. (13) - Mais rastos no céu. Linhas paralelas e cruzadas: Vêem-se mais rastos no céu, porque aumentou o tráfego aéreo. (14) Os voos a grande altitude na vizinhança dos aeroportos têm trajectos coin-


LITERACIA CIENTÍFICA

cidentes. É frequente que aviões diferentes se desloquem numa mesma direcção com um certo intervalo de tempo entre eles. Os aviões da frente deixam um contrail atrás de si, mas quando os próximos passarem pelo mesmo local deixando também um rasto, o contrail anterior já se deslocou com o vento, reproduzindo rastos paralelos. Ocasionalmente, pode haver aviões com rotas perpendiculares a rastos anteriores, dando a sensação que se está a formar uma grelha. (15), (16) - Estará a população a ser envenenada? Os contrails são formados naturalmente a uma certa distância da traseira do avião e não logo a seguir aos motores, acabando por formar uma espécie de nuvem persistente. Pelo contrário, se os aviões estivessem a libertar substâncias (líquidas ou em pó), o rasto seria visível mais perto dos motores e a nuvem dissipar-se-ia com a distância, como nos aviões pulverizadores de culturas. (15) Contudo, os agentes biológicos podem ser libertados de um avião e apresentar a forma de um contrail. Mas para isso acontecer, o meio onde estaria o agente biológico, teria de ser aquecido a elevadas temperaturas até ficar no estado gasoso, o que iria matar os agentes nocivos. Mas se, mesmo assim, alguns subsistissem, teriam ainda de sobreviver às temperaturas extremamente baixas do exterior. (15) Ainda para mais, devido ao reduzido tamanho das partículas, estas seriam dispersas e não aterrariam no local onde foram libertadas. Portanto, a probabilidade de haver agentes microbianos ou químicos a serem lançados da troposfera, deliberadamente com o intuito de envenenar a população, é praticamente nula. - Estarão a controlar o clima? Geoengenharia é o nome dado ao processo de modificação deliberada do ambiente na Terra. Neste sentido têm sido realizadas várias experiências, mas ainda sem resultados definitivos. Foi em 1996 que surgiu um rumor que associava a libertação de partículas de alumínio dos aviões militares para reflectir a luz solar e assim amenizar a temperatura do planeta. Este rumor baseou Página 10

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-se num estudo académico que saíra nesse ano, “Weather as a force multiplier: Owning the weather in 2025” (1996), e acabou por dar origem, mais tarde, à Teoria da Conspiração dos Chemtrails, o que mereceu um comunicado da Força Aérea a explicitar os factos. (17), (18) Outro exemplo de modificação do ambiente é o da semeadura de nuvens (cloud seeding), que consiste em libertar reagentes nas nuvens, como o iodeto de prata, que as farão condensar, produzindo chuva. Também neste caso, ainda não há resultados definitivos, pois não se sabe se choveria se não tivessem sido lançados os produtos, não se conseguindo estabelecer ainda uma relação causa-efeito directa. (19) Em qualquer caso, isto são experiências científicas em que se pretende testar a hipótese de alteração do ambiente, para contornar situações de seca, por exemplo. Daí a pegar nisto e dizer que há conspirações governamentais em prática com a intenção de envenenar as pessoas, vai um grande salto. - Quem está por detrás dos chemtrails? Como veremos de seguida, os chemtrails são atribuídos a diversos agentes, de acordo com a variante da teoria que nos é proposta. Há até versões em que os diferentes responsáveis se juntam para conspirar contra a Humanidade. A sensação de conspirações dentro do governo para prejudicar os cidadãos é uma ideia que se encontra frequentemente no pensamento popular norte-americano. Mas porque quereria um governo envenenar os membros da sociedade, fazendo-os ficar doentes? Segundo os adeptos desta versão, o governo pretende ter cidadãos enfraquecidos para serem facilmente manipulados. A esta ideia juntam-se outras, como a indústria farmacêutica pretender adoecer pessoas para vender mais medicamentos; ou ainda grupos secretos que pretendem eliminar as pessoas mais vulneráveis, preservando as elites e os militares, com o intuito de reduzir a população do planeta. Mas fará isto sentido? A verdade é que estas afirmações não pas-


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sam de meras especulações, sem qualquer prova apresentada. O que temos assistido nos países ocidentais, principalmente na Europa, é exactamente o contrário: um investimento nos cuidados de saúde e de saneamento, uma aposta na longevidade e na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Apesar de estarmos próximos de um nível preocupante de sobrepopulação humana no nosso planeta, a solução passa, no meu entender, pelo controlo da natalidade em vez da eliminação de indivíduos. E quando falo em controlo de natalidade, não me refiro a um programa governamental, mas a uma decisão pessoal por parte de cada cidadão, que ocorrerá naturalmente. Com o aumento da qualidade de vida de uma sociedade, aumenta a capacidade de sobrevivência e diminui o número de filhos por casal. O que se verifica em populações do terceiro mundo é que estas famílias têm muitas crianças para compensar as que vão morrendo de várias doenças e de desnutrição. No entanto, ao dar cuidados de saúde a essas famílias, e ao incluí-las no mercado laboral, elas vão ter maior capacidade de cuidar da sua prole, aumentando a sua probabilidade de sobrevivência, tendendo a ter menos filhos, como está relatado no livro “O Fim da Pobreza”, do economista Jeffrey Sachs. (20) Se esta política está a ser aplicada em países do terceiro mundo com o apoio dos países desenvolvidos, porque é que estes países ricos iriam fazer o oposto à sua população? Ao contrário do que é propagado pelas teorias da conspiração, um governo tem todo o interesse em que os seus cidadãos sejam saudáveis, pois deste modo podem trabalhar e contribuir para a economia nacional. Se a maioria da população adoecesse, acabaria por ser um peso enorme para o próprio Estado que não só teria indivíduos que necessitariam de cuidados de saúde, como não estariam aptos a contribuir para a economia. Ou seja, não só não estariam a gerar riqueza, como ainda trariam custos acrescidos. Aliás, uma estratégia de guerra entre países passa por mutilar os adversários em vez de os matar, pois os países com soldados feridos têm Página 11

LITERACIA CIENTÍFICA

mais encargos, não só porque ficam com operacionais inactivos, como ainda tem de disponibilizar tratamentos e deslocar pessoas para cuidar dos doentes, que doutro modo poderiam ser utilizadas na guerra. Deste modo, porque é que qualquer governo quereria adoecer deliberadamente a população? Além do mais, se houvessem químicos a serem libertados de aviões na troposfera (altitude onde se forma os contrails), eles não cairiam no local de onde foram lançados. Aliás, não haveria qualquer controlo do local onde poderiam assentar, pelo que afectariam indiscriminadamente qualquer indivíduo da sociedade, mesmo os membros do governo, militares, ou seus familiares. É possível eliminar os chemtrails? Quando se pensa que a ficção não consegue ir mais longe do que meras especulações sem provas, eis que surgem dois exemplos de como a imaginação humana não pára de nos surpreender: Alguns adeptos dos chemtrails alegam que os silfos ou sílfides (Sylphs) irão aspirar e transformar os chemtrails em substâncias inofensivas. (6) Ora bem, os silfos são Elementais do Ar, criaturas etéreas mitológicas identificadas pelos gregos. O que é curioso, é que aquilo a que os proponentes desta ideia chamam de silfos, são na realidade nuvens que, com um pouco de imaginação, parecem dragões, gatos, aves, etc. (21) Posto isto, creio que qualquer pessoa sensata sabe responder à pergunta sobre o que é mais provável, as fotografias (22) representarem criaturas mitológicas, ou a imagem de nuvens normais? A este fenómeno de reconhecer padrões familiares em imagens abstractas dá-se o nome de pareidolia. (23), (24) Outra ideia que está a ser propagada na internet é que ao borrifar vinagre para o céu, isso fará os chemtrails desaparecerem, como se vê neste filme (25). Alguém deve explicar a essas pessoas que os borrifos de vinagre não vão mais longe que alguns centímetros e a troposfera, onde se formam os contrails, fica a cerca de 8 mil metros de altitude. Como já se explicou, os rastos dos


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LITERACIA CIENTÍFICA

aviões podem durar algumas horas, acabando por desaparecer passado algum tempo, sendo que a sua duração depende das condições atmosféricas. Conclusão: Olhemos para os factos: tudo indica que o os rastos que vemos nos céus após a passagem de aviões são contrails, um fenómeno natural, na sua maioria constituídos por minúsculos cristais de gelo; não há indícios de mais libertações químicas do que aquelas libertadas por um motor; as substâncias, que se dizem ter sido identificadas, como o alumínio, encontram-se espontaneamente na Natureza; o número de contrails no céu aumentou na última década devido ao aumento de voos comerciais; devido às instáveis condições atmosféricas e à altitude, não há controlo do local onde os alegados químicos poderiam cair, afectando qualquer indivíduo indiscriminadamente; a probabilidade de um governo, ou uma entidade secreta, querer adoecer deliberadamente a população é reduzida; até ao momento, não há confirmação científica que apoie a existência de chemtrails (26), (27); o facto de as pessoas desconhecerem os contrails e a sua formação, levou a várias interpretações erradas já no passado. (28) Assim, com base nos dados disponíveis, concluo que os chemtrails não passam de mais uma teoria da conspiração, como muitas outras que pululam na internet. Notas e Referências: (1) Existem vários tipos de nuvens que podem ser distinguidas quanto ao aspecto. As nuvens cirrus são formadas na alta troposfera, a cerca de 8 mil metros de altitude, em temperaturas negativas. (2) Chemtrails no Skepdic (3) Rense.com (4) Chemtrails na wikipedia portuguesa (5) Chemtrails na wikipedia britânica (6) Chemtrails no Educate-yourself (7) A primeira descrição científica sobre contrails em inglês parece datar de 1953 (H. Appleman, Página 12

“The formation of exhaust condensation trails by jet aircraft”, Bulletin of the American Meteorological Society, 34, pp. 14-20), e em alemão de 1941 (E. Schmidt, “Die Entstehung von Eisnebeln aus den Auspuffgasen von Flugmotoren”, Schriften der Deutschen Akademie der Luftfahrtforschung Vol. 44, pp. 1-15). Ver aqui. (8) Sobre a história dos Chemtrails. (9) Fotos onde se observam contrails desde a década de 1940 (10) Fotos de contrails durante a Segunda Guerra Mundial (11) NMSR, na secção Other metals in the air. (12) contrails facts (13) Análises químicas aos chemtrails (14) 30 anos de viagens aéreas (15) NMSR, explicado pelo piloto Ian Wickson. (16) Contrail grids (17) “Weather as a force multiplier: Owning the weather in 2025” (18) Comunicado da Força Aérea Americana relativamente aos chemtrails. (19) Scientific American (20) Jeffrey Sachs, “O Fim da Pobreza – como consegui-lo na nossa geração”, Casa das Letras, Cruz Quebrada, 2006 – Tradução de Paulo Tiago Bento (21) Imagens de Silfos (22) Mais imagens de silfos (23) Pareidolia facial (24) A pareidolia mata (25) Parar chemtrails com vinagre (26) Resposta do Governo a uma petição da Canadian House of Commons. (27) Publicação do parlamento britânico (28) Confusões relativas aos contrails João Monteiro


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BIOLOGIA

Um Par Diferente I: Características O nosso genoma apresenta 23 pares de cromossomas. Como pares que são deverão apresentar alguma semelhança. No entanto há um par que difere e que insiste em ser cada vez mais diferente. O par XY tem um elevado heteromorfismo. O X tem muito mais genes que o Y, no entanto, este último, tem funções mais específicas no genoma, entre elas a determinação do sexo. Sabemos que os nossos ancestrais têm alguns cromossomas mesclados. O par XY surgiu de um par de autossomas que adquiriu a capacidade de determinar o sexo. Ainda nos dias de hoje este “cromossominha” continua a degenerar até, um dia, se extinguir. Para termos noção da mediocridade do Y vejamos a quantinade de unidades codificadas entre o X e o Y: O Y tem 178 genes, é um deserto genético. O X, por sua vez, tem uns magníficos 1098, identificados por cientistas do “Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha que o analisaram em pormenor” (Ciência Viva) Comecemos, então, por perceber que cromossomas existem no Homo Sapiens Sapiens. Temos os autossomas, que constituem o património genético do indivíduo; e os cromossomas sexuais que determinam o sexo do indivíduo. No par de cromossomas sexuais temos, em média, os que

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são XX (fêmeas) e os XY (machos). “As mulheres têm vindo a conquistar as mais diversas áreas da sociedade. Contudo, se antes havia 7 mulheres para cada homem, hoje há 1,07″ (uma nota). Esta é uma frase de um texto meu do dia da Mulher deste ano, que deixa em aberto algo de interessante: Podemos, os homens, estar a perder genes de um cromossoma essencial mas continuamos a ter grande importância. A Natureza não perde nada, transforma. Veremos qual o truque que irá fazer. Talvez um outro cromossoma adquira as competências sexuais. Um dia, quando formos para o espaço, será que os resquícios do cromossoma Y se tornarão essenciais? Quanto mais pequena a estrutura genética mais instável e mais mutagénica se torna. É imprevisível saber o que irá ocorrer. Podese desintegrar ou não. Cá continuaremos para continuar a estudar este par… Dário Codinha


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FÍSICA

Bosemon—O jogo de Física de Partículas O jogo também possui cartas especiais!

Bosemon!

O que se pretende é que o jogo seja

Sim, parece um jogo de crianças, uma mistura entre cartas Pokemon e o tradi-

aplicado pelos professores a alunos do secundário e queremos um feedback

cional jogo do Peixinho.

para melhorar o jogo ou a documentação. Para obter o guia do professor e do aluno (em português) ir aqui: http:// portal.discoverthecosmos.eu/en/ node/187729

Basicamente os alunos (ou adultos, visto que está a viciar também professores, catedráticos, etc.) terão que formar a família, a geração, o protão ou o átomo de hidrogénio. Para isso terão que pedir uma carta usando duas características e não o nome da partícula que pretendem a outro jogador. Se o segundo jogador tiver a carta entrega ao jogador que a requisitou. Se não tem a carta diz ao outro jogador “Go Field!” de modo a que este pesque uma das cartas espalhadas pela mesa.

Para obter uma versão melhorada das cartas para impressão, ir aqui: https://www.box.com/s/q1lriszsnbbavafzziwj Agradeço a divulgação e feedback que possam dar. José Gonçalves

Algumas das cartas do jogo. Crédito: Jay Dornfeld , José Gonçalves, Daniela Marconi, Chuleenee Pahurat , Tahiana Razafintsalama, Kobi Shvarzbord , Kevin Wolf. Página 14


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FÍSICA

Pode o CERN produzir um perigoso buraco negro?

Vista simulada dum buraco negro defronte da Grande Nuvem de Magalhães. Note-se o efeito de lente gravitacional, que produz 2 vistas ampliadas mas muito distorcidas da Nuvem. Ao cimo, o disco da Via Láctea aparece distorcido num arco.

A resposta simples é Não. Chegar a essa resposta é que foi um tudo nada mais complexo. A segurança do LHC.

(Nota: Hadrões são partículas constituídas por Quarks) pode alcançar energias que nunca foram antes atingidas por aceleradores de partículas, mas a natureza, por rotina, produz energias mais eleva-

O Large Hadron Collider (LHC), ou Grande Colisio-

das em colisões de raios cósmicos. Durante mui-

nador de Hadrões

tos anos houve preocupações sobre a segurança

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Outubro 2012

FÍSICA

do que quer que possa ser criado em tais colisões

perto de 70 anos. Ao longo dos últimos milhares

de alta energia de partículas. À luz dos novos

de milhões de anos, a Natureza já gerou na Terra

dados experimentais e da compreensão teórica,

muitas colisões, tantas como cerca de um milhão

o Grupo de Avaliação de Segurança do LHC (com

de experiências do LHC – e o planeta ainda exis-

as siglas LSAG) actualizou uma revisão da análise

te. Os astrónomos observam um número enorme

feita em 2003 pelo Grupo de Estudos de Seguran-

de grandes corpos celestes em todo o Universo,

ça do LHC, um grupo de cientistas independen-

os quais também são atingidos por raios cósmi-

tes.

cos. O Universo como um todo realiza mais de 10

O LSAG reafirma e alarga as conclusões do relató-

milhões de milhões de experiências do LHC por

rio de 2003 que concluía que as colisões do LHC

segundo. A possibilidade de quaisquer conse-

não apresentam perigo e que não há motivos

quências perigosas contradiz o que

para preocupação. Seja o que for que o LHC nos

os astrónomos vêem – já que as estrelas e as

vai fazer, a natureza já o fez inúmeras vezes

galáxias ainda existem.

durante a vida da Terra e durante a vida doutros

Buracos negros microscópicos

corpos celestes. O relatório LSAG foi analisado e

A Natureza faz buracos negros quando certas

aprovado pelo Comité de Política Científica do

estrelas, muito maiores do que o nosso Sol,

CERN, um grupo de cientistas externos que acon-

colapsam sobre si mesmas no final das suas

selha o órgão de Administração do CERN, o seu

vidas. Concentram uma grande quantidade de

Conselho.

matéria num espaço muito pequeno. As especu-

O documento abaixo resume os principais argu-

lações sobre buracos negros microscópicos no

mentos apresentados no relatório LSAG. Quem

LHC referem-se a partículas produzidas nas coli-

estiver interessado em mais detalhes é incentiva-

sões de pares de protões, em que cada uma des-

do a consultá-lo directamente, e aos trabalhos

sas partículas tem uma energia comparável à de

técnicos científicos a que se refere.

um mosquito em voo. Buracos negros astronómi-

http://lsag.web.cern.ch/lsag/LSAG-Report.pdf

cos são muito mais pesados do que qualquer coi-

Os raios cósmicos. O LHC, como outros aceleradores de partículas, recria os fenómenos naturais de raios cósmicos em condições controladas de laboratório, permitindo serem estudados com mais detalhe. Os raios cósmicos são partículas produzidas no espaço exterior, alguns dos quais são acelerados a energias muito superiores às do LHC. A energia e a velocidade com que eles atingem a atmosfera da Terra têm sido medidas em experiências há já Página 16

sa que poderia ser produzida no LHC. De acordo com as propriedades bem estabelecidas da gravidade, descritas pela relatividade de Einstein, é impossível produzir buracos negros microscópicos no LHC. Existem, no entanto, algumas teorias especulativas que predizem a produção de tais partículas no LHC. Todas estas teorias predizem que estas partículas se desintegrariam imediatamente. Os buracos negros, portanto, não teriam tempo para começar a acreção da


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FÍSICA

matéria envolvente a fim de causarem efeitos

colisões de raios cósmicos com astros como as

macroscópicos.

estrelas de neutrões e as estrelas anãs brancas

Embora a teoria preveja que os buracos negros

não os afectam. A existência de tais corpos den-

microscópicos decaiam rapidamente, mesmo os

sos, assim como a da Terra, exclui a possibilidade

hipoteticamente estáveis buracos negros resul-

de o LHC produzir quaisquer buracos negros peri-

tam inofensivos, como demonstram os estudos

gosos.

das consequências na sua produção pelos raios

Strangelets.

cósmicos. Apesar das colisões no LHC diferirem

Strangelet é o termo dado a um pedaço micros-

das colisões de raios cósmicos com corpos celes-

cópico da hipotética “matéria estra-

tes como a Terra, dado que as novas partículas

nha” contendo números quase iguais de partícu-

produzidas em colisões no LHC tendem a mover-

las chamadas Up, Down ou Strange quarks. De

se mais lentamente do que as produzidas pelos

acordo com a maioria do corpo de trabalho teóri-

raios cósmicos, ainda assim pode-se ainda

co, os strangelets deverão mudar para a matéria

demonstrar a sua segurança. As razões específi-

normal num período de tempo de 1 nano-

cas para isso dependem dos buracos negros esta-

segundo. Mas poderiam os strangelets coalescer

rem electricamente carregados, ou de serem

com a matéria normal e mudá-la para matéria

neutros. Será expectável que muitos buracos

estranha? Esta questão foi levantada pela primei-

negros estáveis

ra vez antes do arranque do Relativistic Heavy

sejam electricamente carregados, uma vez que

Ion Collider, (siglas RHIC), em 2000, nos Estados

eles são criados por partículas carregadas. Neste

Unidos. Um estudo realizado nesse tempo

caso, eles poderiam interagir com a matéria

demonstrou que não havia motivo para preocu-

comum e serem parados ao atravessarem a Terra

pação, e o RHIC já está ligado há oito anos, em

ou o Sol, quer fossem produzidos por raios cós-

busca de strangelets, sem até hoje os detectar.

micos ou pelo LHC. O facto de que a Terra e o Sol

Por vezes, o LHC trabalhará com feixes de

ainda estão aqui exclui as possibilidades dos os

núcleos pesados, assim como o faz o RHIC. Os

raios cósmicos ou do LHC poderem produzir peri-

feixes do LHC terão mais energia do que os do

gosos buracos negros microscópicos. Caso os

RHIC, mas isso torna ainda menos provável que

estáveis buracos negros microscópicos não

os strangelets se possam formar. É difícil para a

tenham carga eléctrica as suas interacções com

matéria estranha continuar formada às altas

a Terra seriam muito fracas. Aqueles produzidos

temperaturas produzidas por estes aceleradores,

por raios cósmicos iriam passar sem causar

tal como o gelo não se forma em água quente.

danos através da Terra para o espaço, enquanto

Além disso, os quarks estarão mais diluídos no

os outros produzidos pelo LHC poderiam perma-

LHC do que no RHIC, sendo assim mais difícil

necer na Terra. No entanto, existem corpos

gerar-se a matéria estranha. Produzir Strangelets

celestes muito maiores e muito mais densos do

no LHC é, portanto, menos provável do que no

que a Terra. Os buracos negros produzidos em

RHIC, e a experiência já validou o conjunto de

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Outubro 2012

FÍSICA

argumentos que demonstram que os strangelets

doutros corpos celestes, portanto, exclui a exis-

não podem ser produzidos.

tência de perigosos protões comedores de mono-

A análise dos primeiros dados do LHC das coli-

polos magnéticos suficientemente leves para

sões de iões pesados confirma agora os principais

poderem ser produzidos no LHC.

ingredientes utilizados no relatório LSAG para

Outros aspectos de segurança do LHC:

avaliar o limite superior para a produção de

Foi recentemente expressa a preocupação de

strangelets hipotéticos. Para mais detalhes veja

que uma ‘reacção de fusão descontrolada

estaadenda ao relatório LSAG: Implicações dos

“poderia ser criada pelo dispositivo de carbono

dados do LHC iões pesados para multi-estranha

que absorve o feixe do LHC. A segurança da des-

produção de bariões (2011)

carga do feixe do LHC já havia sido revista pelas

Bolhas de vácuo

autoridades reguladoras competentes dos países

Houve especulações de que o Universo não está

hospedeiros do CERN, a França e a Suíça. As

na sua configuração mais estável, e que as per-

preocupações específicas expressas foram abor-

turbações causadas pelo LHC poderiam incliná-lo

dados num memorando técnico por Assmann et

para um estado mais estável, chamado de bolha

al.

de vácuo, em que não poderia existir. Se o LHC

http://lsag.web.cern.ch/lsag/

pudesse fazer isso, então também o poderiam as

BeamdumpInteraction.pdf

colisões de raios cósmicos. Desde que as bolhas

Como ali se aponta, as reacções de fusão apenas

de vácuo não tenham sido produzidas em qual-

podem ser mantidas em material comprimido

quer lugar do Universo visível, também o não

por uma pressão externa, como a que é forneci-

serão pelo LHC.

da pela força gravítica no interior duma estrela,

Monopolos Magnéticos

ou por uma explosão de fissão num dispositivo

Monopolos magnéticos são partículas hipotéticas com uma única carga magnética, ou um pólo norte ou um pólo sul. Algumas teorias especulativas sugerem que, se existem, os monopolos magnéticos podem causar o decaimento dos protões. Essas teorias também dizem que esses monopolos seriam pesados demais para serem produzidos no LHC. No entanto, se os monopolos magnéticos fossem suficientemente leves para apare-

termonuclear, ou por um campo magnético num Tokamak, ou por um laser isotrópico contínuo ou ainda por feixes de partículas no caso da fusão por inércia. No caso da descarga do feixe do LHC, uma vez que o dispositivo é atingido pelo feixe vindo duma única direcção, não há nenhuma pressão de compensação, de modo que o material de despejo não é comprimido, o que impossibilita a fusão.

cerem no LHC, os raios cósmicos que atingem a

Foi expressa a preocupação de que uma

atmosfera da Terra já os estariam a produzir, e a

‘reacção de fusão descontrolada “poderia ser

Terra seria um corpo muito eficaz para os parar e

criada num tanque de Azoto no interior do túnel

prender. A continuação da existência da Terra e

do LHC. Não existem tanques de azoto no LHC.

Página 18


Volume 2 Edição 10

FÍSICA

Além disso, os argumentos no parágrafo anterior

sia que trabalham em Astrofísica, Cosmologia,

provam que nenhuma fusão seria possível mes-

Relatividade Geral, Matemática, e ainda em Físi-

mo se estes existissem.

ca de Partículas e em análise de risco, incluindo

Por fim, também foi expressa a preocupação de

vários vencedores do Prémio Nobel de Física.

que o feixe do LHC poderia desencadear de algu-

Todos concordam que o LHC é seguro.

ma forma um ‘Bose-Nova “no hélio líquido usado

http://arxiv.org/abs/0806.3381

para refrigerar os ímanes do LHC. Um estudo rea-

http://iopscience.iop.org/0954-

lizado por Fairbairn e McElrath demonstrou cla-

3899/35/11/115004

ramente que não existe a possibilidade do feixe

O artigo de Giddings e Mangano tem sido revisto

do LHC poder provocar uma reacção de fusão de

por pares que são especialistas anónimos em

hélio.

astrofísica e física de partículas e foi publicado na

http://arxiv.org/abs/0809.4004

revista científica profissional Physical Review D. A

Lembramos que os ‘Bose-Novae “são conhecidos

Sociedade Americana de Física optou por desta-

por estarem relacionados com reacções químicas

car este paper como um dos trabalhos mais

que libertam uma quantidade infinitesimal de

importantes que publicou recentemente, comis-

energia pelos padrões da Física nuclear. Lembra-

sionando ainda um comentário do Prof. Peskin

mos ainda que o hélio é um dos elementos mais

do Laboratório do Acelerador Linear de Stanford

estáveis conhecidos, e que o hélio líquido tem

em que ele endossa as suas conclusões.

sido utilizado em muitos aceleradores de partícu-

O Comité Executivo da Divisão de Partículas e

las anteriores sem se assinalarem contratempos.

Campos-forças da Sociedade Americana de Física

O facto de o hélio ser quimicamente inerte e não

emitiu uma declaração endossando o relatório

ter spin nuclear implica que nenhum “Bose-Nova

LSAG.

‘pode ser accionado no hélio superfluido usado

O relatório LSAG foi publicado pelo Instituto de

no LHC.

Física do Reino Unido (Institute of Physics, IoP)

(Nota: “Visto que explosões de supernovas são

na sua publicação Revista de Física G (Nota: do

implosões, a explosão de um condensado de

Grupo de Física Gravítica . As conclusões do rela-

Bose-Einstein em colapso foi baptizada de

tório LSAG foram aprovadas num comunicado de

“bosenova”).

imprensa que anunciou esta publicação.

Comentários sobre os artigos de Giddings e

As conclusões do LSAG também foram aprovadas

Mangano, e pelo LSAG

pela Secção de Física de Partículas e Física

Os trabalhos de Giddings e Mangano e do LSAG que demonstram a segurança do LHC foram revistos pelos pares, analisados e aprovados pelos principais especialistas dos estados membros do CERN, dos Estados Unidos, Japão e RúsPágina 19

Nuclear (KET), da Sociedade Alemã de Física. Uma tradução para o alemão do relatório LSAG completa pode ser encontrada no sítio web do KET, bem como aqui. (A tradução para o francês do relatório LSAG completo também está disponível.)


Outubro 2012

FÍSICA

http://physics.aps.org/articles/v1/14

- Prof. Sheldon Glashow, vencedor do Prémio

http://www.aps.org/units/dpf/governance/

Nobel de Física, Universidade de Boston, Prof.

reports/upload/lhc_saftey_statement.pdf

Frank Wilczek, ganhador do Prêmio Nobel de Físi-

http://iopscience.iop.org/09543899/35/11/115004 Assim, a conclusão de que as colisões do LHC são completamente seguras foi aprovado pelas três respeitadas sociedades profissionais de físicos que fizeram a sua avaliação, e que estão entre as sociedades profissionais mais respeitadas do mundo. Especialistas de renome em astrofísica, cosmologia, relatividade geral, matemática, física de par-

ca, Massachusetts Institute of Technology, Professor Richard Wilson, Mallinckrodt professor de Física da Universidade de Harvard “O mundo não chegará ao fim quando o LHC é ligado. O LHC é absolutamente seguro … Colisões libertando mais energia ocorrem milhões de vezes por dia na atmosfera da Terra e nada de terrível acontece”. -Prof. Steven Hawking, professor Lucasiano de Matemática, da Universidade de Cambridge

tículas e análise de risco, incluindo vários vence-

“A natureza já fez essa experiência …. Os raios

dores do Prémio Nobel de Física, também

cósmicos têm atingido a Lua com mais energia e

expressaram opiniões individuais claras de que

ainda não produziram um buraco negro que

colisões do LHC não são perigosas:

engoliu a lua. O universo não anda por aí a verter

“Pensar que colisões de partículas no LHC a ener-

enormes buracos negros”.

gias elevadas possam originar buracos negros

-Prof Edward Kolb, astrofísico da Universidade de

perigosos é lixo. Tais rumores foram espalhados

Chicago

por pessoas não qualificadas que procuram sen-

“Eu certamente não tenho preocupações sobre a

sação ou publicidade.”

suposta possibilidade do LHC produzir buracos

- Académico Vitaly Ginzburg, vencedor do Prémio

negros microscópicos capazes de devorar a Terra.

Nobel de Física, Instituto Lebedev, de Moscovo, e

Não há qualquer base científica para tais especu-

da Academia de Ciências da Rússia.

lações.”

“O funcionamento do LHC é seguro, não só no

-Professor Sir Roger Penrose, Professor Bola Ex

sentido antigo da palavra, mas no sentido mais

Rouse de Matemática, da Universidade de

geral dos nossos cientistas mais qualificados

Oxford

terem cuidadosamente considerado e analisado

“Não há risco [de colisões no LHC, e] o relatório

os riscos envolvidos na operação do LHC.

LSAG é excelente.”

[Quaisquer preocupações] são meramente hipo-

-Prof Lord Martin Rees, astrónomo real britânico

téticas e especulativas, e estão contrariadas por

e presidente da Royal Society de Londres.

muitas provas e análise científica. ”

(Academia das Ciências).

Declaração subscrita pelos Professores: Página 20

“Aqueles que têm dúvidas sobre a segurança do


Volume 2 Edição 10

FÍSICA

LHC devem ler o relatório LSAG onde todos os

documentada pelos Dr. Koch, Prof. Bleicher e

riscos possíveis foram considerados. Podemos

Prof. Stoecker da Universidade de Frankfurt e

ter certeza de que as colisões de partículas no

GSI, Darmstadt, que concluem:

LHC não podem levar a consequências catastrófi-

“Discutimos os caminhos de evolução logicamen-

cas”.

te possíveis do buraco negro. Então, discutimos

-Académico V.A. Rubakov, Instituto de Pesquisa

cada simples resultado desses caminhos e essa

Nuclear, de Moscovo, e da Academia Russa de

discussão demonstrou que nenhum dos cami-

Ciências

nhos fisicamente sensatos pode levar a um

“Apoiamos inteiramente as conclusões do relató-

desastre dum buraco negro no LHC.”

rio LSAG: não há base para preocupações sobre

O Professor Roessler (médico e teórico do caos

as consequências derivadas de novas partículas

em Tuebingen) também levantou dúvidas sobre

ou novas formas de matéria que possam ser pro-

a existência de radiação de Hawking. As suas

duzidas no LHC.”

ideias foram refutadas pelos Profs. Nicolai

-R. Aleksan et al., Os 20 membros externos do

(Diretor do Instituto Max Planck de Física Gravi-

Comité de Política Científica do CERN, incluindo o

tacional – Albert-Einstein-Institut – em Potsdam)

Prof Gerard ‘Hooft, Nobel de Física.

e Giulini, cujo relatório apontam para a sua inca-

A esmagadora maioria dos físicos concordam que buracos negros microscópicos seriam instáveis, como previsto pelos princípios básicos da mecânica quântica. Como foi discutido no relatório

pacidade de compreender a relatividade geral e a métrica de Schwarzschild, e sua dependência duma teoria alternativa da gravidade que foi refutada em 1915. O seu veredicto:

LSAG, se os buracos negros microscópicos pudes-

“O argumento [Roessler] não é válido, o argu-

sem ser produzidos pelas colisões de quarks-

mento não é auto consistente.”

gluões / ou dentro de protões, eles também

O paper do Prof Roessler também foi criticado

deveriam ser capazes de se decomporem de vol-

pelo Prof Bruhn, da Universidade Técnica de

ta em quarks e / ou gluões. Além disso, a mecâni-

Darmstadt, que conclui que:

ca quântica prevê especificamente que devirão

“(A) Má interpretação de Roessler da métrica de

decair através da radiação de Hawking.

Schwarzschild [torna as] suas considerações …

No entanto, uns tantos papers têm sugerido que

nulas e sem efeito. Estes são os trabalhos que

os buracos negros microscópicos podem ser

podem ser tomados em conta quando os proble-

estáveis. O artigo de Giddings e Mangano e o

mas de buracos negros são discutidos.”

relatório LSAG analisam muito conservadora-

Um cenário hipotético para possivelmente peri-

mente o caso hipotético dos estáveis buracos

gosos e meta estáveis buracos negros foi recen-

negros microscópicos e concluiu que, mesmo

temente proposto pelo Dr. Plaga. As conclusões

neste caso, não haveria perigo concebível. Outra

deste trabalho têm-se mostrado inconsistentes

análise com conclusões semelhantes tem sido

num segundo artigo científico (paper), por Gid-

Página 21


Outubro 2012

FÍSICA

dings e Mangano, onde é também afirmado que

produção de buracos negros no LHC

a segurança dessa classe de cenários de meta

http://environmental-impact.web.cern.ch/

estáveis buracos negros já está estabelecida pelo

environmental-impact/Objects/LHCSafety/

seu trabalho original.

NicolaiComment-en.pdf

Comentários sobre os reclamados riscos dos

Mais comentários dos especialistas em especula-

metaestáveis buracos negros

ções levantadas pelo professor Otto Roessler

http://arxiv.org/PS_cache/arxiv/

sobre a produção de buracos negros no LHC.

pdf/0808/0808.4087v1.pdf

http://environmental-impact.web.cern.ch/

Declaração da Comissão Executiva da Divisão de

environmental-impact/Objects/LHCSafety/

Partículas e Campos da American Physical Society

NicolaiFurtherComment-en.pdf

(APS)

Outra avaliação independente da segurança dos

http://www.aps.org/units/dpf/governance/

cenários de buracos negros no LHC.

reports/upload/lhc_saftey_statement.pdf

http://arxiv.org/pdf/0807.3349.pdf

Resumo do relatório LSAG

Original do CERN

http://environmental-impact.web.cern.ch/

http://public.web.cern.ch/public/en/lhc/safety-

environmental-impact/Objects/LHCSafety/

en.html

LSAGSummaryReport2008-en.pdf

Outro cálculo informal estima que necessitaría-

Relatório LSAG (2008)

mos dum acelerador com um diâmetro de mil

http://lsag.web.cern.ch/lsag/LSAG-Report.pdf

anos-luz para produzirmos um micro buraco-

Adenda ao relatório LSAG: Implicações dos dados

negro, e que este levaria cerca de 3 vezes a idade

de iões pesados no LHC para multi-estranha pro-

do Universo para devorar o equivalente a uma

dução de bariões (2011)

casca de noz, mas só o interior , para a casca não

http://public.web.cern.ch/public/downloads/

chegaria este inusitado período de tempo.

LSAG/LHCaddALICE2011.pdf

Por outras palavras, não há perigo.

Relatório especializado publicado na Europa

O CERN mantém igualmente uma rigoro-

(2003)

sa política de segurança no trabalho, e ainda

http://cdsweb.cern.ch/record/613175/files/

coordena com as autoridades das regiões onde

CERN-2003-001.pdf?version=1

está instalado o uso de energia eléctrica a fim de

Relatório especializado publicado nos Estados

não interferir na rede de distribuição que serve

Unidos (1999)

as populações, a indústria e o comércio dessas

http://cdsweb.cern.ch/record/403566/

zonas da Europa.

files/9910333.pdf

Mais um mito desclassificado pela ciência.

Comentário especialista sobre as especulações

Alguns advogados mais histéricos nos EUA tenta-

levantadas pelo professor Otto Roessler sobre a

ram abrir um caso contra o CERN com o intuito

Página 22


Volume 2 Edição 10

FÍSICA

de impedir a sua inauguração, em sede de Justiça

esta decisão marcou um limite bem delineado:

a sua pretensão não foi sequer acolhida para ir a

O do bom senso contra o absurdo e contra a

julgamento, dado tratar-se dum absurdo. No

cupidez dos interesses escondidos.

entanto a razão para este não acolhimento foi de técnica jurídica e relacionava-se com a área geográfica de jurisdição. Numa época em que a litigância de má fé contra a Ciência parecia querer fazer escola nos círculos da pseudociência e das seitas religiosas norteamericanas, sem dúvida a quererem colher clientes entre os seguidores da facção anti-ciência do

De facto, o que se pode concluir é que ganancia, sede de protagonismo, cupidez e fanatismo são sinónimos, mas que felizmente Justiça, bomsenso e Ciência também o podem ser. Nota de tradução: Este relato do CERN foi uma tradução científica da minha inteira responsabilidade, incluindo eventuais erros e/ou omissões.

actual Partido Republicano (um tendência que no

[NR: ver vídeos aqui]

fundo é anti-americana), a chamada Tea Party,

Manel Martins

Página 23


Outubro 2012

NOBEL 2012

Prémio Nobel da Medicina não ia seguir ciência

Sir John Bertrand Gurdon nasceu em 1933 na

ser militar.

Inglaterra.

Quando entrou para a escola, continuou a ser o

O miúdo era bastante irrequieto e teimoso, que-

miúdo que não queria seguir o que os professo-

ria fazer sempre as coisas à maneira dele.

res diziam.

O pai queria que ele tivesse disciplina, por isso

Apesar de ser bastante curioso com o mundo à

ambicionava que ele fosse militar. Mas quando

sua volta, nomeadamente insectos, o certo é

ele foi fazer os testes, o médico do exército diag-

que não prestava qualquer atenção na escola, e

nosticou-lhe uma bronquite quando ele só esta-

resolvia os exercícios como queria e não como

va meio constipado. Conclusão: não conseguiu

os professores pretendiam que os exercícios fos-

Página 24


Volume 2 Edição 10

ATUALIDADE

sem resolvidos.

colocou-o como candidato à Faculdade de Ciên-

Assim, não é surpreendente que neste boletim

cias.

escolar de 1949, o professor diga que as notas dele são más, e que apesar de ele querer ser cientista isso seria uma tre-

Após uma licenciatura em Biologia, e doutoramento em Biologia Celular, Gurdon foi considerado o padrinho da clona-

menda perda de tempo.

gem e este ano recebeu,

Quando acabou a escola,

juntamente com Shinya

Gurdon candidatou-se à

Yamanaka, o Prémio

Faculdade de Letras da

Nobel da Medicina, devi-

Universidade de Oxford

do à investigação que

para estudar Literatura

levou à conclusão que

Clássica.

“células maduras e espe-

Por um daqueles acasos do destino que ninguém

cializadas podem ser reprogramadas para se tor-

consegue explicar, a administrativa que estava

narem células estaminais, capazes de formarem

na secretaria da Universidade a registar os pedi-

qualquer tecido do corpo“.

dos de matrículas, cometeu o erro de em vez de o colocar como candidato à Faculdade de Letras Página 25

Carlos Oliveira


Outubro 2012

NOBEL 2012

Prémio Nobel da Física 2012 O Prémio Nobel da Fìsica 2012 foi atribuído a Serge Haroche e David J. Wineland pelos “métodos que permitem a medição e manipulação de sistemas quânticos individuais”. Serge Haroche e David J. Wineland, de forma independente, inventaram e desenvolveram métodos inovadores que permitiram medir e manipular partículas individuais, preservando o seu estado quântico. (ver infor-

mação para o público aqui) Destaca-se no artigo científico do comité (ver aqui), o controlo individual de sistemas quânticos, o aprisionamento de iões (íons), os fotões numa cavidade, a investigação do paradoxo gato de Schrödinger, os computadores quânticos e os relógios ópticos.

Serge Haroche Photo: © CNRS Photothèque/Christophe Lebedinsky (à esquerda) David J. Wineland. Photo: © NIST (à direita) Página 26

José Gonçalves


Volume 2 Edição 10

ATUALIDADE

Nobel da Física 2012 consagra Física quântica Na verdade, a disciplina que ganhou o Prémio deste ano foi a óptica quântica, e a metodologia chama-se “das cavidades quânticas cromo-dinâmicas.” Mas, pergunta muita e boa gente, afinal o que quer dizer isso de quântica, de quantas? Muito boa pergunta, pois os quantas são as quantidades mínimas de espaço, portanto onde cabem, os fenómenos da energia. Vamos lá agora ver o que quer dizer energia, energia quer dizer trabalho, acção, portanto os quantas são umas quantidades mínimas abaixo das quais não é possível somar 1 mais 1, porque não cabe lá dentro.

E o que é que define esse mínimo, essa entidade tão pequenina? Muito bem, isso é o comprimento de Planck, um grande cientista que foi buscar Albert Einstein ao seu emprego de funcionário de escritório e o convidou para os trabalhos da Ciência. Vejam lá no que deu, como Einstein percebeu tão bem como trabalho é Energia! E o comprimento de Planck é 1,60 cm, um metro e sessenta centímetros. Esperem lá, isso começa bem mas não chega, isso ainda é muito grande. Ah, pois, desculpem, divide-se esse metro e ses-

Armadilha de Paul à esquerda, para Iões de Berílio e Cavidade quantum cromodinâmica para Fotões, à direita.

Página 27


Outubro 2012

ATUALIDADE

São utilizados feixes de Laser para suprimir a deslocação térmica dos iões dentro da armadilha, e com o intuito de se medir e de se controlar o ião aprisionado. Os eléctrodos mantêm os iões de Berílio dentro da armadilha de Paul

senta por 10 e dá 16 centímetros. Depois outra vez e dá 1,6 centímetros. Bem, para ser um pouco mais breve e claro, divide-se 1,60 metros por 10 consecutivamente 35 vezes, e já fica mesmo muito pequenino.

Para ser sincero não fiz estas contas de forma apurada, mas assim informalmente julga-se que quando dobram a folha pela 11ª vez vão precisar da energia duma bomba atómica para a dobrar outra vez.

Mas que raio tem isso que ver com Energia?

O que, convenhamos, não seria muito prático.

Bem, se tiverem uma folha de papel com 1,60 m (pode ser de celofane) e dobrarem pela metade isso é fácil, requer pouca energia, os braços chegam.

Então como conseguem os cientistas observar e manipular estas “dobras” tão pequeninas, estes fotões, estes átomos, estes quantas?

Depois se a dobrarem outra vez pela metade precisam de aplicar mais força, e assim sucessivamente quando a dobram mais vezes. Podem experimentar com uma simples folha de A4. Digam depois nos comentários quantas vezes, ou quantas interacções, conseguiram dobrar a folha. Página 28

De facto é muito difícil, tanto assim que os seus descobridores (e as suas equipas) ganharam o Premio Nobel da Física de 2012. Sejamos desportivos, muita gente pensava que seria Peter Higgs a vencer já este ano, mas o Nobel não premeia descobertas muito recentes, faz bem que é para dar tempo para se confirmar os dados todos dessas descobertas. –


Volume 2 Edição 10

ATUALIDADE

Nascimento dos átomos no Universo, uma estimativa calcula este número de átomos: 1.43×10^53 kg

Os dois cientistas conseguiram capturar e manipular partículas quânticas de forma muito precisa. Conseguiram isolar estes sistemas (um átomo é um sistema) do mundo do muito pequeno, afim de manterem – durante muito pouco tempo – estas partículas e os ambientes pristinamente quânticos para se poder estudar as suas propriedades. Pois é, caso um simples e tão pequeno fotão fugisse do aparato o sistema colapsava para aquilo que vemos no nosso dia a dia, para o mundo do muito grande, e a Física quântica, coitada, ficaria apenas a ser um edifício teórico muito bonito. Mas eles, cheios de coragem e de determinação, baseando-se em muitos estudos e muitas descobertas suas e dos seus colegas, lograram trazer a Página 29

Física dos Quantas para a experimentação verificável. Tão bem o fizeram que são as descobertas com maior precisão de todas, uma precisão que ultrapassa a dum relógio atómico de Césio! E como o fizeram? Se bem que se encontrem semelhanças nas 2 abordagens e nas suas técnicas, em termos práticos e experimentalistas foram observados 2 sistemas muito diferentes. 1) David J. Wineland e os Iões numa armadilha. Não se refere na literatura quanto tempo se consegue manter os iões neste estado quântico muito bizarro , mas como osiões são átomos electricamente carregados e o Berílio só é atraído por um campo magnético externo e não acumula o magnetismo é o elemento ideal para


Outubro 2012

ATUALIDADE

este átomo electrificado se manter isolado das próprias ferramentas de manipulação dos cientistas.

Haroche e a sua equipa na Universidade de Yale usaram 2 espelhos muito sofisticados* para capturar um fotão.

Outros colegas, baseados na sua experimentação semelhante, referem que o ião de Be se manterá nesta superimposição digna do gato de Schroedinger (vivo e morto ao mesmo tempo) durante 1/10 de segundo.

nota* vejam na hiperligação o “tipo de espelho primário.”

Isso é uma eternidade, uma verdadeira idade geológica em Física de partículas. “Os iões podem ser observados através de transições ópticas que resultam numa forte dispersão da luz quando eles são excitados por um laser. Podem ser vistos a olho nu ou através duma máquina fotográfica digital (CCD). E o que é mais, o estado interno do ião (isto significa por exemplo saber se há electrões desemparelhados) pode ser estabelecido pela observação dos saltos quânticos (por exemplo se os electrões vão para as posições orbitais muito especificas que a teoria prevê, e vão).” É fundamental e incontornável também arrefecer-se o sistema para o mais baixo nível de energia do aparato da armadilha de Paul ( é o nome desta armadilha) e isso implica o que parece um paradoxo. É que o preceito técnico exige que o ião seja excitado, aumentando a sua energia interna e diminuindo a sua energia vibratória. Por simples contas de somar e de diminuir apuram-se com extrema precisão as propriedades físicas do sistema, com um bónus maravilhoso disso poder vir a ter aplicações muito práticas. Mantém-se a assim a coerência de todo o sistema. Atentem nesta palavra, coerência, (link em inglês, mais completo), o mundo do dia a dia é por natureza incoerente, e aqui no muito pequeno esta metodologia permitiu finalmente observar um sistema totalmente coerente. Esta metodologia e a dos 2) Fotões numa cavidade Página 30

De seguida, enviaram átomos entre esses espelhos para sondar o comportamento dos fotões. Reparem neste detalhe, átomos e fotões, o mesmo que dizer matéria e energia, e apuraram com tremenda acuidade as características de ambos, do sistema, e das interacções que nele ocorrem. De novo, afinando meticulosamente os comprimentos de onda dos fotões, da cavidade onde estes estavam isolados e a dos átomos utilizados na sua sondagem comportamental, conseguiram não perturbar o sistema – no sentido de não colapsar a sua coerência – e obter: a) Um tempo de vida do sistema assombroso para esta dimensão, cerca de 130 ms (millisegundos). b) Uma medição da oscilação da cavidade que regista um factor Q de 10 elevado a 13, 10^13. Aqui um explicação mais detalhada do Factor Q, também conhecido como factor de selectividade. Atentem na segunda definição. Por comparação um diapasão de afinação musical oscila a menos de 1000 Hz, 10^3. Podem por aqui ir afinar o som: http://www.onlinetuningfork.com/ Vejamos então bem visto, Diapasão = 1000 (10^3) Relógio atómico de césio = 100 000 000 000 (10^11) Cavidade quanto cromo dinâmica = 10 000 000 000 000 (10^13) significa que se pode contar o tempo 100 vezes melhor do que com um relógio atómico! Como se não bastasse, observaram assim um emaranhamento entre a cavidade (digamos


Volume 2 Edição 10

o ambiente, ou este pequeno universo) e as partículas estudadas, os fotões. esta simples palavra, fotões, tem implicações tremendas. Fotões bem conhecidos com este nível de precisão e entrelaçados com o próprio sistema onde evoluem significa: Melhores raios x (menos intrusivos, com radiações muito mais baixas e imagens muito melhores). E, tremendo feito, fizeram o primeiro passo fundamental para o futuro computador quântico. Construíram 2 qubits. – O que nos reserva o futuro? Pois vamos usar a excelente análise do The Economist sobre este passo, e cito, com a devida autorização: Babbage The economist Um computador digital vulgar manipula a informação sob o formato dos bits, que satisfazem o valor 0 ou 1. Estes valores são representados dentro do computador por voltagens eléctricas diferentes. Os trabalhos dos Doutores Haroche e Wineland possibilitam a utilização doutras propriedades das partículas, como os níveis de energia dos iões, para construírem uma entidade semelhante (análoga, embora digital) ao bit tradicional – o qubit. Por seu turno, o emaranhamento permite que sejam adicionados mais qubits. Cada qubit extra dentro duma máquina quântica duplica o número de operações que podem ser realizadas em simultâneo. Dois qubits emaranhados permitem 4 operações, três permitem oito; e assim sucessivamente. (Nota- O máximo que neste momento se atingiu são 16 operações.) Teoricamente, um computador quântico com Página 31

ATUALIDADE

capacidade de processamento de 300 qubits poderá desempenhar mais operações em simultâneo do que o número de átomos existentes no Universo. Ainda estamos longe desse feito, mas estes dois grandes cientistas construíram os 2 primeiros alicerces desta tecnologia. Para eles, com todo o mérito, o Prémio Nobel da Física de 2012. — Podem verificar a literatura do comité do Nobel: Popular Avançada Dar os parabéns aos laureados — Nota final: hoje é um dia emocionante para todos os que gostam de Física Quântica. A título pessoal o que mais me impressionou nestes trabalhos foi a questão do diapasão musical, porque ela prova que a Música é matemática, como o disseram Leibniz ou Espinoza, como o formularam Pitágoras, e Bach com a sua notação. Por aqui se vê bem e sem margem para hesitações como os Professores e o Ensino de Música são essenciais para um bom ensino de Ciências. Como nós todos quando estamos a cantar estamos a exclamar formulas matemáticas extremamente complexas sem sequer darmos por isso. Por esse ratio, por essa razão, e para extravasar, confesso, a minha alegria, deixo-vos com uma canção que nos diz que quando conhecemos as notas podemos cantar tudo. Fica como justíssima homenagem a todos os Professores e Professoras de Música, neste dia muito feliz para a Física dos Quantas. Do Ré Mi

Manel Martins


Outubro 2012

COSMOLOGIA

Perguntas Cosmológicas que existe mais massa para uma das fronteiras do nosso Universo Observável. Pergunta: Temos sorte de vermos o Extreme Deep Field (XDF) por estarmos num local em que o inicio de tudo está dentro do nosso universo observável?

Há dias atrás, tive uma pequena sessão de perguntas e respostas sobre cosmologia com o nosso leitor e habitual comentador Jonas. Achei o tema e as perguntas tão interessantes, que resolvi reproduzi-las em post, porque outros leitores poderão ter o mesmo género de dúvidas. ~ Pergunta: Onde está a Via Láctea em relação à fronteira da expansão do Big Bang? Há algo à nossa frente? Estamos longe da “borda” da expansão ou estamos na ponta? Resposta: em principio estaremos naquilo que nos parece o centro do nosso Universo Observável. Não quer dizer que estejamos no centro do Universo, quer só dizer que onde quer que estejamos no Universo, estaríamos sempre no centro do nosso raio de observação para qualquer lado. O Universo poderá ter 156 mil milhões de anosluz, mas o nosso Universo Observável é de 93 mil milhões de anos-luz. Como se pode ver na imagem seguinte, parece

Resposta: Sim, mas, o “início” mesmo, o momento do Big Bang, não conseguimos ver. No futuro, talvez percebamos tudo até ao Tempo de Planck, ou seja, até 0,00000000000000000000000000000000000000 00001 segundos após o Big Bang – o que naqueles tempos era uma eternidade! É só a partir daí que a Teoria do Big Bang tenta explicar os aconteci-

mentos, a evolução do Universo. Perceber e “ver” são coisas diferentes, porque “ver” só dá até ao momento em que passou a haver radiação visível… com estrelas. Antes disso, é a chamada “Idade das Trevas”. Pergunta: Seria possivel saber se o Big Bang se expandiu na direcção oposta ao nosso movimento? Ou ainda estou com uma ideia errada, não foi só de um ponto inicial, o universo “apareceu” criando “bolsões” de espaço x tempo x materia aos borbotoes, em espaços gigantescos por todos os lados de um ponto central, ao mesmo tempo, mesmo assim impulsionados para irem adiante a

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partir de uma onda de um ponto central? Ou toda a matéria conhecida realmente saiu de um ponto e foi gerando as galáxias e se deslocando? Resposta: agora estamos a movimentar-nos numa direcção, devido ao Great Atractor que nos está a atrair – a tal enorme massa que existe para lá do nosso Universo Observável, como se percebe na imagem da resposta à primeira pergunta. No entanto, o Universo não se expandiu a partir de um ponto nesse espaço-tempo. Imagine o espaço-tempo como a superfície de um balão… e você é uma formiga andando em cima dessa superfície do balão. Se o balão for aumentando de tamanho, a sua superfície vai aumentando de tamanho, vai sendo cada vez maior, mas você, formiga em cima do balão, só se apercebe que a sua superfície fica sendo maior, mas nunca se apercebe onde é que passa a existir mais superfície. É por todo que fica maior, mas não existe um sítio donde brota mais superfície. Porquê? Porque ele está a aumentar a partir de um sítio fora do seu universo, fora do seu espaçotempo. Afecta o seu Universo de uma forma que você não pode ver a origem (porque é “dentro do balão”, não na sua superfície, fora do nosso espaço-tempo). Pergunta: Se estamos vendo o passado tão distante de galáxias de 500 milhões de anos depois do início da expansão, com o Extreme Deep Field (XDF), que antiguidade mesmo é essa? Na

COSMOLOGIA

Láctea se formou naquelas proximidades, ou mesmo longe de lá, em outro “borsão” do espaço, mas se sabe que foi perto daquele tempo pela idade que tem, deslocando-se com a expansão e o tempo correndo e a luz saindo do ponto onde aquelas galáxias vistas pelo XDF estaria, aquela luz já passou por nós faz tempos, pois a velocidade da luz é obviamente muito maior do que a velocidade de expansão. Resposta: Só agora estamos vendo essa luz tão longe, porque essa luz nunca tinha chegado até

nós, porque não tínhamos capacidade para vê-la. Imagine que você tem telescópios para ver até 100 kms de distância. No dia seguinte você consegue criar um telescópio que vê até 200 kms de distância. Nesse momento você vai ver mais longe. Por outro lado, essa luz não tinha chegado ainda até nós, porque o Universo está-se expandindo a velocidades aceleradas superiores à velocidade da luz. Foi assim no início, durante a chamada Inflação, e tem sido agora gradualmente. Ou seja, o Universo expande-se a velocidades superiores à que a luz pode chegar a si. Ou você cria telescópios melhores, ou então o que você vê hoje, já não haverá à mesma distância amanhã. Carlos Oliveira

minha cabeça essa luz dos primeiros 500 milhões de anos já “passou” por nós faz tempo. Se a Via Página 33


COSMOLOGIA

Outubro 2012

Até onde vêem os grandes telescópios?

Nesta imagem da NASA vemos uma comparação da distância a que vamos vendo o Universo ao longo do tempo. Quanto mais longe vemos, mais no passado vemos. Neste momento, o Telescópio Espacial Hubble vê até cerca de 500 milhões anos após o Big Bang: eXtreme Deep Field. O próximo Telescópio Espacial (James Webb) deverá ver ainda mais longe, e consequentemente mais próximo do evento a que se convencionou chamar Big Bang. Carlos Oliveira

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COSMOLOGIA

Par de anãs vermelhas bate recorde de proximidade da outra, mas as suas órbitas foram ficando mais curtas ao longo do tempo, estando agora bastante próximas… mas ainda não se fundiram.

Crédito: J. Pinfield

Enquanto o nosso Sol é uma estrela solitária, a maior parte das estrelas na Galáxia fazem parte de sistemas binários ou múltiplos, em que várias estrelas se orbitam mutuamente. Teoricamente, pensava-se que se as estrelas se formassem perto uma da outra, então rapidamente se fundiriam. Durante décadas as observações mostraram-nos isto mesmo. Nunca se tinham encontrado sistemas binários em que as estrelas tivessem períodos inferiores a 5 horas, porque se pensava em sistemas binários com estrelas como o Sol. No entanto, uma equipa de astrónomos utilizou o Telescópio Infravermelho do Reino Unido (UKIRT) e encontrou quatro sistemas binários (duas estrelas) de anãs vermelhas (as estrelas mais comuns no Universo) com órbitas inferiores a 5 horas. Provavelmente elas formaram-se mais longe uma Página 35

O recorde de proximidade está neste momento em duas anãs vermelhas (tipo M4) que se orbitam a cada 2,5 horas. No futuro irão colidir e unir-se numa única estrela. Podem ler o artigo original, na Royal Astronomical Society, onde obviamente a referência de que são estrelas “impossíveis” está entre aspas. Podem ler em português o artigo no Portal do Astrónomo, onde obviamente mantiveram as aspas na palavra “impossíveis”. Já este jornal informa logo em título que estas estrelas violam as leis da física, o que é um grande disparate sensacionalista. Percebe-se que o marketing está acima da informação credível. Ao contrário do sensacionalismo, não foram violadas quaisquer leis da física, sendo que a Lei da Gravidade continua a funcionar como sempre, até que o Limite de Roche faça o resto (quando o atingirem, as estrelas irão destruir-se, e formar um disco compacto de matéria que irá condensar numa única estrela). Carlos Oliveira


Outubro 2012

COSMOLOGIA

NASA detecta um novo buraco negro na nossa Galáxia

A NASA, por intermédio do seu satélite Swift, detectou recentemente uma “explosão” em raios -x. A fonte desse pico de raios-x estava na direcção do centro da nossa Via Láctea. Essa explosão breve de raios-x deu-se a 16 e 17 de Setembro de 2012, e é evidência de um buraco negro estelar, que era desconhecido. O buraco negro com massa estelar (resultado após uma supernova de uma estrela bastante massiva) recebeu o pomposo nome Swift J174526, e encontra-se a quase 30.000 anos-luz de distância da Terra. O buraco negro deverá ter uma companheira, muito provavelmente uma estrela similar ao Sol. A explosão de raios-x que foi detectada, deveuse a alguma da massa da estrela, que já tinha Página 36

sido “roubada” à estrela e encontrava-se a orbitar o buraco negro, a ser “sugada” por este. Leiam o artigo original e completo, na NASA. [NR: veja o vídeo aqui] Carlos Oliveira


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COSMOLOGIA

Buraco Negro Monstruoso encontrado nos “confins” do tempo Cientistas da Universidade de Cambridge, utilizando os dados dos telescópios UKIRT e WISE, conseguiram descobrir um buraco negro gigantesco localizado a 11 mil milhões de anos-luz de distância. O buraco negro supermassivo recebeu o nome ULASJ1234+0907. A detecção do buraco negro foi feita em infravermelho (calor). Na imagem, o objecto está avermelhado, devido a toda a poeira que rodeia o buraco negro, que absorve a luz azul e esconde o buraco negro em luz visível (daí não ter sido detectado até agora). Este buraco negro supermassivo tem 10.000 vezes mais massa que o buraco negro supermas-

Leiam mais detalhes, aqui.

sivo que está no centro da nossa Galáxia. Este é

Carlos Oliveira

assim um dos buracos negros mais massivos alguma vez detectados. No Universo Observável existem provavelmente 400 buracos negros tão massivos como este. Este estudo mostra que os buracos negros supermassivos formaram-se rapidamente e cresceram bastante naquela altura. Provavelmente formaram-se após colisões entre galáxias.

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Simulação de um buraco negro.


SISTEMA SOLAR

Outubro 2012

Poderá a cintura de asteróides transformarse num planeta?

Comparação entre os menores planetas e as maiores luas

Já no passado, tive uma interessante e espontânea sessão de perguntas e respostas, a partir de perguntas que me fizeram no facebook sobre perigo de asteróides. Leiam aqui. Mais recentemente houve uma nova e espontânea sessão de perguntas e respostas no Facebook do astroPT, que por ter sido tão interessante reproduzo aqui um resumo dela: Pergunta: Tenho uma dúvida acerca da Cintura de Asteróides. A teoria mais aceite diz que a gigantesca gravidade de Júpiter impede a acreção. Se a força gravitacional de Júpiter é assim Página 38

tão grande, não devia ter já pulverizado as luas Io e Europa? Resposta 1: Pode-se dividir isto em vários pontos: - A massa da cintura de asteróides é muito baixa. Segundo a Wikipedia, situa-se nos 3×10^21 kg, pouco mais de 4% da massa da Lua. - Durante a formação do Sistema Solar, os planetas gigantes, que se terão formado mais próximos do Sol, migraram para as posições que ocupam hoje. - Júpiter ter-se-á formado muito rapidamente, tendo por isso uma enorme força gravitacional


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quase desde o início do Sistema Solar. - Essa gravidade terá puxado e empurrado os planetésimais que compunham a órbita da cintura de asteróides, dotando-os de velocidades muito elevadas. Com a migração de Júpiter, esse “puxão” deverá até ter sido amplificado. - Como os planetésimais eram pequenos, e no total pouco massivos, ganharam demasiada velocidade. Assim, quando iam na direção uns dos outros, em vez de acretarem, chocavam com tanta velocidade que simplesmente se desfaziam.

SISTEMA SOLAR

ampliado devido à conservação do momento angular. A maior parte da matéria aglomerou-se no centro, formando o Sol e, no disco protoplanetário, foram-se formando os planetas. Os próprios planetas também estavam envoltos num disco de gases e poeiras em rotação que, em alguns casos deram origem a satélites.

Claro que, com tanto planetésimal a “flutuar” naquela zona, lá houve um ou outro que conseguiu crescer mais um bocado. Mas mesmo Ceres, que sozinho tem 1/3 da massa da cintura de asteróides, tem cerca de 9×10^20 Comparação entre Ceres, a Lua, e a Terra kg. Comparando com as luas galileanas de Júpiter, mesmo a mais Os satélites principais de Júpiter, provavelmente “levezinha” (Calisto) tem uma massa de 10^23 formaram-se a partir desse disco de matéria que kg, ou seja, 1000x mais que Ceres, e quase 100x deu origem a Júpiter (os mais pequenos terão mais que toda a cintura de asteróides. tido uma formação independente e foram posteriormente capturados por Júpiter). Para o caso das luas mais pequenas, há que ter em conta o número. Muito provavelmente em Quanto à área de influência do Sistema Joviano órbita de Júpiter nunca terá havido tantos plane(Júpiter e os satélites que o orbitam), essa área é tésimais como na cintura de asteróides, por isso, muito mais vasta. Júpiter ao deslocar-se em torchoques catastróficos entre eles seriam muito no do Sol, desestabiliza, com a sua gravidade, menos prováveis. um grande volume de espaço, onde não foi possível formar-se um outro planeta ou, se se forResposta 2: mou, tinha uma órbita tão instável que acabou A formação dos satélites de Júpiter ou a formapor cair no Sol, ser expulso do Sistema Solar ou ção de um planeta com uma órbita próxima de migrado para outro local do Sistema Solar. Júpiter são coisas completamente distintas. Os satélites principais de Júpiter estão numa Vejamos cada uma das duas situações: situação muito diferente. Estão em órbitas estáO Sistema Solar formou-se a partir de uma nebuveis e só seriam destruídos pela gravidade de losa que se foi contraindo por ação da gravidaJúpiter se por qualquer motivo se aproximassem de. Qualquer pequeno movimento de rotação demasiado do planeta, caso em que o efeito de que ela tivesse inicialmente foi largamente maré poderia fragmentá-los. Página 39


SISTEMA SOLAR Comparação do tamanho de vários asteróides

Pergunta: Será que há condições para existir um único planeta entre Marte e Júpiter? Resposta: Como disse acima, a gravidade de Júpiter imprime demasiada velocidade aos objetos da cintura de asteróides para eles poderem acretar. As colisões entre eles são sempre demasiado violentas. Por isso, na minha opinião, nunca existirá um planeta principal naquela órbita (a não ser que alterem a definição de planeta, de modo a que objetos como Ceres possam ser considerados planetas principais). Pergunta: Aqui pode-se ver que Vesta é muito maior que Itokawa. É estranho/interessante que Vesta não consiga atrair e “engolir” Itokawa,

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Outubro 2012

devido à força gravitacional de Júpiter que está milhas e milhas de distância. Basicamente o que quero saber é se daqui a centenas ou milhares de anos vai existir UM planeta (anão ou não) entre Marte e Júpiter. Haverá possibilidades do planeta-anão Ceres se juntar (acrecionar?) por exemplo a Vesta? Resposta: As perturbações gravitacionais mútuas entre Ceres, Vesta, Palas e outros grandes objectos da Cintura de Asteróides induzem um comportamento caótico nas suas órbitas, tornando-as imprevisíveis em escalas de tempo relativamente curtas (na ordem das centenas de milhares de anos). Num trabalho recente, astrónomos franceses descobriram que a probabilidade de colisão entre Ceres e Vesta atinge 0,2% em apenas mil milhões de anos, uma probabilidade relativamente elevada! No entanto, penso que a velocidade destas colisões seria demasiado elevada para que estes objectos se acrecionassem. A altas velocidades a acreção é difícil. O desfecho


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mais provável de tal catástrofe seria a sua fragmentação em inúmeros pequenos asteróides. Pergunta: Os anéis de Saturno formaram-se porque uma lua se aproximou demasiado do planeta e a gravidade a desfez em pedacinhos. O processo foi o mesmo? Anéis de Saturno

Resposta: No caso dos anéis de Saturno, essa é uma das teorias propostas para a sua formação. Segundo essa teoria, uma lua saturniana com um tamanho ligeiramente superior a Mimas terse-ia aproximado demasiado do limite de Roche

SISTEMA SOLAR

de Saturno (por colisão com outro corpo?), o que teria provocado a sua fragmentação pela acção da força de maré. No caso da Cintura de Asteróides, a perda de massa causada pela migração de Júpiter no início da formação do Sistema Solar terá inviabilizado a formação de um objecto massivo na região, restando apenas alguns planetésimais. A perturbação gravitacional de Júpiter foi provocando a colisão entre estes objectos, o que causou a fragmentação de muitos dos planetas embriões originais. Vesta, Ceres e Palas terão sido os grandes sobreviventes desse processo. Ou seja, no caso dos anéis de Saturno teríamos a fragmentação de uma lua. Na Cintura de Asteróides, os acontecimentos tiveram contornos diferentes. Júpiter acabou por impedir o crescimento dos planetas embriões aí formados. As perturbações gravitacionais geradas pela sua migração (ver modelo de Nice) ejectaram muito do material aí existente e aceleraram o que restou, interrompendo o processo de acrecção e provocando colisões disruptivas.

Carlos Oliveira

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Outubro 2012

Beleza gelada na ilha de prata

Gelo de dióxido de carbono em Argyre Planitia. Composição em cores naturais construída com imagens obtidas a 08 de Junho de 2012 pela High-Resolution Stereo Camera da Mars Express. Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum).

quilómetros de diâmetro e cerca de 5,2 quilómetros de profundidade, Argyre é a segunda maior bacia de impacto do planeta vermelho. O seu nome deriva da mitologia grecoromana, que descrevia Argyre como uma ilha de prata (árgyros, em grego) situada junto à costa ocidental da actual Birmânia. No século XIX, a palavra Argyre figurava pela primeira vez num mapa de Marte criado pelo astrónomo italiano Giovanni Schiaparelli,

sobre uma região brilhante

superfícies mais abrigadas do

situada nas proximidades do

Sol.

pólo sul do planeta. A imagem de cima mostra uma porção da região mais setentrional da gigantesca bacia vista durante o Inverno. A paisagem é dominada pela metade ocidental de Hooke, uma profunda cratera com cerca de 138 km de diâmetro, e pelas terras baixas ajdacentes moldadas pelo vento e por processos glacio-lacustrinos. Nestes terrenos é possível observar finas camadas de gelo de dióxido de carbono cobrindo as

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Sérgio Paulino

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Com aproximadamente 1.800


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SISTEMA SOLAR

Trajeto do Curiosity ceptam três

Há dias atrás, a NASA publicou o caminho que o rover Curiosity já percorreu

tipos de terrenos.

na superfície Marciana, até ao Sol 56 (2 de Outubro de 2012), em direcção à área

Carlos Oliveira

Glenelg que é onde se inter-

Crédito: NASA/JPL-Caltech / Universidade do Arizona

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Outubro 2012

Mais uma rocha espacial a rasar a Terra Diagrama da órbita do asteróide 2012 TC4. Crédito: JPL’s Small Body Database.

No passado Domingo, o aste-

de recém-descoberto fará

2012 TC4 foi descoberto a 04

róide 2012

uma passagem ainda mais

de Outubro, em imagens obti-

TV cruzou tranquilamente o

próxima da Terra na madruga-

das pelo telescópio Pan-

interior do sistema Terra-Lua,

da do dia 12 de Outubro.

STARRS. Com um tamanho

passando a uma distância

Designado provisoriamen-

inferior a 30 metros, o peque-

mínima de cerca de 249 mil

te 2012 TC4, este novo objecto

no visitante deverá brilhar a

quilómetros da superfície ter-

atravessará os céus a uma dis-

uma magnitude máxima de

restre. Neste momento, a

tância de 88 mil quilómetros

13,76 nas horas que precedem

pequena rocha espacial afasta

da superfície terrestre, cerca

o momento de maior aproxi-

-se do nosso planeta, estando

do dobro da altitude a que se

mação ao nosso planeta.

já demasiado distante para

encontram os satélites geosta-

poder ser observada através

cionários. Algumas horas mais

dos maiores telescópios ama-

tarde fará uma nova passagem

dores.

rasante, desta vez a 115 mil

Entretanto, um outro asterói-

quilómetros da Lua.

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Sérgio Paulino


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SISTEMA SOLAR

Curiosity encontra objecto invulgar no solo marciano No passado Domingo, o Curiosity preparava a primeira amostra de regolito marciano para análise, quando os cientistas da missão repararam num pequeno objecto brilhante, com cerca de 8 mm de comprimento, repousando no solo junto ao braço robótico. Seria um pedaço de um dos componentes do robot? Ou um fragmento do skycrane? Ou, quem sabe, talvez algo mais exótico? Para determinar a natureza do objecto e possíveis impactos da sua presença na colheita e análise de amostras, a equipa cancelou as actividades programadas para o sol seguinte, e comandou a captação de imagens adicionais com a ChemCam. Após uma primeira análise das imagens

Um estranho objecto brilhante no solo marciano junto ao braço robótico do Curiosity. Imagem obtida pela MastCam-34 a 07 de Outubro de 2012 (sol 61 da missão). Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS.

da ChemCam, a equipa da missão anunciou que o misterioso objecto aparenta ser um fragmento de plástico ou de material isolante proveniente do robot, talvez libertado durante a preparação da amostra de regolito. A equipa vai, no entanto, continuar com a investigação por mais um sol, antes de decidir se retoma as actividades anteriormente programadas. Entretanto, o Curiosity irá fotografar o solo em seu redor e alguns componentes dos seus instrumentos, em busca de mais pistas que possam conduzir os cientistas a uma identificação definitiva. O enigmático objecto da imagem de cima visto pela ChemCam a 08 de Outubro de 2012 (sol 62 da missão). Crédito: NASA/JPL-Caltech/LANL. Página 45

[NR: veja o vídeo aqui] Sérgio Paulino


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Outubro 2012

Primeira colherada do Curiosity A 7 de Outubro de 2012 (Sol 61), com a ajuda do seu braço robótico, o rover Curiosity recolheu a sua primeira amostra de areia e poeira da superfície marciana. Agora é só analisar essa amostra do solo, com os instrumentos: SAM (Análise de amostras em Marte) e CheMin (Química e Mineralogia).

Carlos Oliveira

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Huygens poisou numa superfície arenosa ressequida De acordo com os investigadores, a sonda parou de deslizar devido à Representação artística da chegada da sonda Huygens à fricção superfície de Titã. Crédito: ESA. com a superfície, balançando cinco vezes antes Apesar de terem passado mais de se imobilizar por completo de 7 anos sobre a chegada da cerca de 10 segundos após o sonda Huygens à superfície de primeiro contacto. “Um pico Titã, os cientistas continuam a nos dados da aceleração sugeextrair dos dados recolhidos re que, quando a sonda balanpela missão valiosas informaçou pela primeira vez, enconções acerca do ambiente titatrou provavelmente um pequeniano. Recentemente, uma no seixo saliente 2 cm acima da equipa internacional de investisuperfície” afirmou Stefan gadores reconstruiu o moviSchröder do Max Planck Instimento da sonda após o primeitute for Solar System Research, ro impacto no solo, ao compaprimeiro autor do artigo onde rar as leituras de três instruforam publicados estes novos mentos com os resultados obtiresultados (ver aqui). O movidos em simulações computorimento oscilatório da sonda zadas e num teste com um “deverá ter pressionado o seimodelo daHuygens desenhado xo contra o solo, o que sugere para replicar a alunagem. A que a superfície teria a consisanálise revelou que tência de areia fina e húmida.” a Huygens abriu uma depressão com 12 cm de profundidade no primeiro contacto com a superfície, e que depois ressaltou para uma área plana, deslizando com uma inclinação de 10º na direcção do movimento, ao longo de 30 a 40 cm. Página 47

A depressão criada pelo impacto inicial da Huygens mostra que o solo era macio e deformável no local da alunagem. No entanto, a superfície deveria ser também dura o suficiente para permitir o movimento

oscilatório detectado após a imobilização, um movimento impossível de reproduzir caso o solo fosse lamacento. A Huygens detectou ainda evidências da formação de uma nuvem de partículas de poeira em seu redor logo após o primeiro contacto com o solo, o que sugere que a superfície se encontrava seca na altura da alunagem. As propriedades ópticas destas partículas são semelhantes às dos aeróssois de compostos orgânicos observados em suspensão na atmosfera titaniana. Este resultado contrasta com outros anteriormente publicados, que revelam a detecção de vapores de metano libertados do solo por contacto com as superfícies quentes da sonda (recordemse que em Titã chove metano e etano). Na presença destes resultados aparentemente discordantes, Schröder e colegas concluem que, apesar da superfície estar coberta por uma camada de poeira seca, o solo subsuperficial encontravase húmido quando a Huygensalunou, o que sugere um episódio recente de seca na região. [NR: veja o vídeo aqui] Sérgio Paulino


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Outubro 2012

Surpresas na rocha Jake

A rocha Jake Matijevic numa versão contrastada de uma imagem obtida pela MastCam do robot Curiosity, a 21 de Setembro de 2012. Na imagem estão assinalados os locais onde foram apontados dois instrumentos diferentes para estudar a composição da rocha. Os pontos a vermelho são os locais onde a ChemCam disparou o seu laser a 21 e a 24 de Setembro de 2012 (sóis 45 e 48 da missão). Os círculos a preto e branco são imagens captadas pela ChemCam para observar os orifícios criados na superfície da rocha pelo laser. Os círculos a roxo indicam os locais onde o instrumento APXS realizou as suas primeiras análises em Marte. Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS.

No caminho para Glenelg, a equipa da missão Curiosity seleccionou uma rocha com uma curiosa forma piramidal como primeiro alvo científico para o instrumento APXS (Alpha Particle XPágina 48

Ray Spectrometer). Denominada Jake Matijevic, em honra ao engenheiro da NASA Jacob Matijevic, falecido a 20 de Agosto de 2012, a rocha era aparentemente um vulgar exemplar dos basaltos estuda-

dos em Marte pelas missões Spirit e Opportunity, pelo que os cientistas saberiam à partida o que esperar nestas primeiras análises. Para sua surpresa Jake revelou ser um tipo de rocha ígnea nunca


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antes encontrada no planeta vermelho. “Esta rocha tem uma composição muito semelhante a invulgares, mas muito conhecidas, rochas ígneas encontradas em regiões vulcânicas na Terra”, afirmou Edward Stolper, um dos investigadores da missão, na conferência de imprensa da passada quinta-feira. Os espectros obtidos pelo APXS mostram que, comparativamente aos basaltos encontrados pelos robots Spirit e Opportunity na cratera Gusev e em Meridiani Planum, Jake é pobre em magnésio e ferro, mas rica em elementos como o sódio, o alumínio, o silício e o potássio, elementos típicos dos feldspatos

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alcalinos, minerais nunca antes observados em Marte, porém vulgares nos granitos terrestres. Na Terra, este tipo de composição química resulta de processos ocorridos no manto, em magma relativamente rico em água, cristalizado a elevadas pressões. Os investigadores da missão vão, no entanto, aguardar por novos dados antes de se pronunciarem sobre os processos que estiveram na origem de Jake. Os resultados do APXS parecem confirmar as observações realizadas pela ChemCam na rocha Jake e noutros alvos anteriores. “A ChemCam tem observado composições sugestivas de feldspato desde Agosto, e ago-

ra estamos perto de confirmar essas observações com os dados do APXS, embora existam ainda mais testes adicionais a realizar”, afirmou Roger Wiens, investigador principal da ChemCam. O estudo da composição química de Jake é apenas uma pequena amostra das capacidades do robot Curiosity e das muitas surpresas que estão reservadas no caminho até o monte Sharp. Aconselho-vos a leitura adicional do artigo da Emily Lakdawalla sobre este assunto (ver aqui), onde encontrarão uma análise mais aprofundada destes fabulosos resultados. Sérgio Paulino

Tempestade de Meteoros Sim, leram bem. Todos os meses temos chuvas de meteoros: as famosas chuvas de estrelas em que vemos mais estrelas cadentes do que na maioria das noites. E, como temos alertado em alguns posts, durante o ano existem chuvas de estrelas que realmente nos fazem ficar de nariz no ar toda a noite. Mas para 2014 espera-se não uma mera “chuva”, mas sim uma enorme tempestade de meteoros. Página 49

O responsável será o cometa 209P/LINEAR. A 24 de Maio, este cometa estará bem perto da Terra. Na verdade, a órbita deste cometa fá-lo cruzar-se com a Terra a cada 5 anos. Em 2014, após a passagem pelo periélio, o cometa atravessará a órbita da Terra e espera-se que deixe bastante poeira. Os modelos de computador dizem que a Terra, ao passar por esse ponto da órbita onde o cometa deixou tanta poeira, será

banhada por uma enorme quantidade de partículas, que, ao imergirem na atmosfera terrestre, darão aos humanos um enorme espectáculo de estrelas cadentes. Esta poderá ser a maior tempestade de meteoros deste século, com um máximo de 1000 meteoros por hora (17 por minuto). Leiam este artigo. E marquem no vosso calendário: 24 de Maio de 2014. Carlos Oliveira


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Outubro 2012

Um antigo dínamo em Vesta

Vesta num mosaico de imagens obtidas pela sonda Dawn em Setembro de 2012. Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA.

Em Maio passado, cientistas da missão Dawn anunciaram a descoberta de indícios da presença de um núcleo metálico no interior de Vesta, uma característica partilhada pela Lua e pelos quatro planetas telúricos do Sistema Solar. Um novo artigo, publicado na semana passada na revis-

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ta Science, vem agora desvendar o passado impressionante desta pequena estrutura. Durante os primeiros 100 milhões de anos após a sua formação, o núcleo de Vesta manteve activo um dínamo capaz de gerar um campo magnético forte o suficiente para magnetizar as rochas da

crusta. As evidências encontram-se no registo paleomagnético de um dos meteoritos HED (howarditos–eucritos– diogenitos), objectos cujas assinaturas espectrais denunciam a sua origem vestiana. Neste trabalho, os autores analisaram um total de 13 amostras de ALHA81001, um


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meteorito com excepcionais propriedades magnéticas recolhido em 1981, em Allan Hills, na Antártida. Estudos petrológicos anteriores sugerem queALHA81001 terá tido origem na parte superior da crusta de Vesta. Depois de examinarem os pequenos cristais ferromagnéticos encontrados nas amostras e medirem cuidadosamente o seu alinhamento, os investigadores procederam a progressivas desmagnetizações até encontrarem o mais antigo vestígio de um campo magnético. A determinação da razão entre isótopos de Ar permitiu à equipa concluir que a mais recente magnetização térmica deALHA81001 terá ocorrido há 3,69 mil milhões de anos, ou seja, muito depois do desaparecimento de um dínamo no interior do jovem Vesta. Para explicar esta aparente contradição, Roger e colegas sugerem que, nos primórdios, o dínamo criado pelo núcleo metálico de Vesta terá gerado na superfície um campo magnético com magnitudes entre 10 a 100 μT (para comparação, o campo magnético na superfície terrestre alcança magnitudes entre 25 a 65 μT). Este forte campo magnético global terá perpetuado a sua assinatura na crusta vestiana, persistindo em algumas regiões da Página 51

SISTEMA SOLAR

Secção do meteorito ALHA81001 visto através de um microscópio electrónico. Crédito: Roger Fu (MIT).

superfície ao longo de milhares de milhões de anos. Esta hipótese está em concordância com algumas observações realizadas pela Dawn durante a sua missão em Vesta. Análises espectrais conduzidas pela sonda mostraram que o vento solar tem um efeito muito limitado nos minerais da superfície de Vesta, comparativamente ao

observado na Lua. De acordo com os autores deste estudo, esta anomalia poderá ser explicada pela actual presença de campos magnéticos remanescentes com força suficiente para deflectir grande parte das partículas solares. Podem encontrar uma análise mais aprofundada a este artigo aqui. Sérgio Paulino


SISTEMA SOLAR

Outubro 2012

Antigos grandes mares no hemisfério sul de Titã? Cientistas da missão Cassini sugerem que o hemisfério sul de Titã poderá ter albergado num passado recente vastos mares pouco profundos. Num trabalho apresentado esta semana na 44ª Reunião da Divisão de Ciências Planetárias da Sociedade Americana de Astronomia, Ellen Stofan descreveu como a análise de imagens de radar obtidas pela sonda entre 2008 e 2011 conduziu a equipa à descoberta de duas extensas regiões escuras delimitadas pelo que aparenta ser uma antiga linha de costa. Uma das regiões encerra no seu interior Ontario Lacus, a maior massa de hidrocarbonatos líquidos actualmente existente no hemisfério sul de Titã. Recentemente, um outro grupo de investigadores da missão, liderado por Oded Aharonson, sugeriu que processos semelhantes aos ciclos de Croll -Milankovich (variações a longo termo na órbita da Terra que se pensa estarem relacionadas com mudanças climatéricas cíclicas, como por exemplo, as glaciações) provocam a transferência cíclica de hidrocarbonatos entre os dois pólos de Titã. De acordo com este modelo, há menos de 50 mil Página 52

anos, o pólo sul estaria coberto por extensas massas líquidas com aspecto e extensão semelhantes aos grandes mares observados actualmente no pólo Ontario Lacus numa composição de imagens de radar obtidas pela sonda Cassini. A linha a vermelho desenha os limites de um antigo norte. Os leitos mar com pelo menos 475 km de comprimento e 280 km de largura. Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASI/Proxemy Research. secos agora descritos pela equipa de Stofan parecem facto tudo o resta de um confirmar a presença de tais extenso mar, então poderá ter ciclos climatéricos. acumulado ao longo desse “Os mares de Titã são albertempo uma verdadeira sopa gues temporários para expede compostos orgânicos preriências de química prebiótica, bióticos! e sabemos que vão alternando Leiam aqui o resumo deste e de um hemisfério para outro de outros trabalhos apresentaem ciclos de mais de 100 mil dos na Reunião da DPS deste anos” afirmou Stofan na confeano. rência. Se Ontario Lacus é de Sérgio Paulino


Volume 2 Edição 10

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Eclipse solar total de 13 de Novembro de 2012 Antárctida neste eclipse solar total. A totalidade ocorre numa faixa estreita que atravessa a superfície da Terra, ao passo que num eclipse solar parcial será visível numa maior extensão da ordem de milhares de quilometros. Só a parte Nordeste da Austrália será a única parte terrestre na qual a faixa da totalidade passará. O eclipse central (o mesmo que dizer na faixa Por terras australianas e mares vizinhos decorrerá um eclipse solar total no próximo mês de Novembro no dia 13. E NÃO SERÁ possível observá-lo em terras europeias pois o eclipse terá início pouco depois das 19 h 30 min (hora portuguesa) na zona Nordeste da Austrália, como se pode ver no gráfico animado a seguir. Haverá fora da faixa da totalidade (grosso modo com pouco menos de 200 quilometros) por uma extensão até cerca de pouco mais de quatro Página 53

mil quilometros, zonas de

da totalidade) começará no

eclipse parcial do Sol, e assim

parque nacional Garig Ganak

poder haver eclipse parcial na

Barlu National Park


SISTEMA SOLAR

Outubro 2012

no Northern Territory a cerca de 250 quilometros a Este de Darwin às 20 h 35 min portuguesas. Viajando na direcção Sudeste, a umbra rapidamente atravessará o golfo da Carpentária e chegará à Península do CaboYork às 20 h 37 min portuguesas. A primeira e única região habitada na faixa da totalidade situa-se na costa Este deQueensland. Trata-se de Cairns que ficará a cerca de 30 quilometros a Sul da linha central da faixa da totalidade. Para os humanos que lá estiverem poderão apreciar um eclipse de 2

Figura 2 – A imagem representa a orientação do plano orbital da Terra e do plano orbital da Lua. O nodo representa o ponto de intersecção do plano da órbita da Terra com o plano da órbita da Lua. O eclipse de 13 de Novembro de 2012 ocorrerá no nodo ascendente já que a Lua passará para Norte da eclíptica (quase, grosso modo, coplanar com o do plano orbital da Terra). É preciso notar que a eclíptica corresponde ao plano MÉDIO das órbitas do Sistema Solar e que não será totalmente correspondente ao plano orbital da Terra. Não esquecer que o Sol se encontra a cerca de 1 UA do nodo. É apenas por efeito de perspectiva que parece estar no mesmo plano onde se encontra a Lua e, com isso, parecer próximo do nodo. Escusado dizer que tal nodo não se manifesta fisicamente no céu. Esquema da autoria de Jorge Almeida.

minutos de totalidade. Os habitantes de Cairns que se

ganharão mais 5 segundos de

home.cc.umanitoba.ca/

dirigirem para a linha central

totalidade. Tudo terá de ser

~jander/tot2012/

conjugado com os dados climatéricos oferecidos por Jay Anderson http://

tse12intro.htm. Após deixar a Austrália, a umbra seguirá pelo oceano e não haverá qualquer zona terrestre que terá à sua passagem a faixa da totalidade. O máxi-

Figura 1 – Animação do eclipse solar total de 13 de Novembro de 2012 a decorrer na Australásia. O ponto a negro representará a indicação da faixa da totalidade. O grande círculo que se move, a azul mais escuro relativamente à dos oceanos, será a zona de umbra mais a zona de penumbra da Lua projectada na superfície da Terra. Créditos da imagem: A. T. Sinclair, retirado do sítio da NASA.

mo do eclipse – com duração máxima do mesmo – terá lugar no Pacífico Sul às 22 h 11 min e 48 s. Nesse instante, o prolongamento do eixo da umbra lunar passará muito próximo do centro da Terra. O Sol esta-

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Volume 2 Edição 10

SISTEMA SOLAR

Figura 3 – A imagem ilustra a sequência dos contactos numa situação de uma localidade que esteja precisamente na faixa central (quase próximo do meio dessa faixa central). A fase da totalidade inicia no contacto II e termina no contacto III. O contacto I inicia quando o bordo Oeste da Lua “toca” no limbo Oeste do Sol (note que o Sol está cerca de 400 vezes mais distante de nós do que a Lua, e que por coincidência, o seu diâmetro também é 400 vezes maior, o que faz com que, para um observador na Terra, os diâmetros aparentes dos dois astros sejam tão semelhantes). O contacto II sucede quando todo o disco solar está sob o disco lunar e o bordo Oeste da Lua “toca” no limbo Este do Sol. Depois no máximo, o centro do disco da Lua poderá coincidir ou não com o centro do disco do Sol (no caso ideal, isso acontece precisamente no meio da faixa central do eclipse.) No contacto III, o bordo Este da Lua toca no limbo Oeste do Sol; no final do eclipse, o bordo Este da Lua contacta com o limbo Este do Sol. Nota importante: A Lua, da imagem à direita, nos contactos II e III e no máximo foi propositadamente tornada transparente para se ver o disco do Sol que está ATRÁS do disco lunar. Nos contactos II e III sobressai um pouco do disco lunar para a direita no contacto II, e para a esquerda no contacto III. No máximo, o disco lunar sobressai um pouco mais em torno do disco solar que está em segundo plano. A convenção usada para as direcções da Lua foi a estipulada pela IAU em 1961. Esquema da autoria de Jorge Almeida. Página 55


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Figura 4 – Explicitação do parâmetro gamma de um eclipse solar total. O gamma representa-se com a letra grega ɣ. Destaque-se que há duas Luas que NÃO REPRESENTAM o mesmo eclipse! Serviu-se de duas Luas apenas para ilustrar dois valores distintos de gamma. O C a vermelho representa o centro geométrico da Terra que está assinalado com ponto de igual cor. O ponto B aponta para a intersecção entre o raio da Terra com o prolongamento do eixo da umbra lunar da Lua de cima. O ponto C aponta para a intersecção entre o raio da Terra com o prolongamento do eixo da umbra lunar da Lua de baixo. A distância entre este ponto de intersecção até ao ponto C é definida como AC (com traço por cima de AC) e esse segmento de recta AC é o gamma! É claro que esse gamma será negativo e é menor em relação ao outro gamma que é o segmento de recta BC. NOTA IMPORTANTE: A distância Terra-Lua está fora de escala, e tem mesmo que estar, senão ogamma seria impossível de ser marcado. Contudo pode haver um problema de interpretação da geometria da figura que pode criar um conceito errado na cabeça do leitor. Repare que na situação B, o centro de massa da Lua está numa posição que não poderia estar, pois não pertence à sua órbita. Deve ser entendido isso como um caso do gamma deslocado. Para ser mais preciso, seria necessário preservar os ângulos e não fazer caso dos diâmetros da Terra e da Lua. E, como tal, não se respeitou os ângulos na totalidade. Para tentar perceber melhor dou estas indicações: O plano da órbita da Lua está inclinado de 5 graus em relação à eclíptica. Recomendo que se adopte o plano horizontal do desenho como sendo a eclíptica. Então estabeleçam as duas situações A e B da Lua, de modo que a linha centro da Terra / centro da Lua esteja inclinada, no máximo, de 5 graus em relação à horizontal (nem é preciso deixar essa linha no esquema, é só para garantir). Pode-se diminuir o diâmetro da Lua, mas manter grande o da Terra, para o gamma ficar bem fácil de se ver. Claro, “estenda-se” mais o cone de umbra, para ele tocar na superfície da Terra. Esquema da autoria de Jorge Almeida.

rá a uma altitude de 68º

se terminará às 23 h 48 min a

metro aparente da Lua é maior

(imagine-se o ângulo formado

800 quilometros a Oeste do

do que o do Sol. Para essa

desde o horizonte até ao zéni-

Chile.

interposição ter lugar é neces-

te que são 90º, o Sol estará em relação ao “ponto mais alto” do céu a 90º-68º=32º). O eclipPágina 56

Um eclipse solar total ocorre quando a Lua se interpõe entre o Sol e a Terra; e o diâ-

sário que a Lua esteja num dos dois nodos, ou seja, o ponto de intersecção da órbita da Lua


Volume 2 Edição 10

com a da Terra – ver também

SISTEMA SOLAR

perguntar sobre o que é

esta magnitude, o gamma e o

figuras 2 e 3. Além disso é necessário que o Sol, do ponto de vista da Terra, esteja também perto ou coincidente com a projecção de tal nodo. Não esquecer que o Sol está, grosso modo, a 1 UA de tal nodo. A totalidade corresponde ao intervalo de tempo que decorre desde o início do contacto II até ao contacto III (vide figura 3 para maior esclarecimento). A duração máxima teórica de um eclipse solar total na totalidade é de 7 min 31 s. A duração máxima deste eclipse é de 4 min 2,1 s em pleno Pacífico a Este da Nova Zelândia. A magnitude deste eclipse será de 1,0500 e o seu gamma será de -0,3718. O eclipse faz parte do ciclo Saros 133. Para os leitores que já andam a puxar os cabelos a Figura 5 – Ordem de acontecimentos de um eclipse solar total momentos antes do contacto I e após o contacto IV. Nota importante: Há alguma controvérsia sobre a ordem das contas de Baily e do anel de diamante. No entanto, dependendo da configuração do anel de diamante, que varia de eclipse para eclipse, mesmo perante uma fotografia duas pessoas podem ter percepções diferentes sobre como se parece um anel de diamante. Parece que tudo depende de qual seja o instrumento usado (olho nu – com o devido uso de óculos de protecção especial, binóculos e telescópio – ambos com filtro solar) poder resolver as contas de Baily. Se há apenas uma conta de Baily, ou se todas as contas de Baily surgem como apenas uma devido ao intenso brilho do Sol, ou se o Sol é ainda um fino decrescente (antes do contacto II) ou crescente (após contacto III) as pessoas podem interpretar como estando perante um anel de diamante. Contudo, as contas de Baily são um fenómeno mais objectivo, isto é, se consegue resolver múltiplas contas, sem margem para dúvidas, estará a olhar para as contas de Baily. O anel de diamante é mais subjectivo e depende da forma como vê o eclipse. Daí não se admire em ver noutras páginas sobre o eclipse uma ordem distinta da apresentada. A queda de luminosidade antecede a totalidade e prossegue durante a dita, o mesmo acontecendo com a temperatura. O vento de eclipse ocorre normalmente depois da totalidade. A visualização da umbra lunar precede a totalidade e prossegue após o fim da mesma. A visão de planetas e estrelas, bem como possibilidade de visualização de cometas e/ou asteróides terá ocorrência apenas na faixa da totalidade (salvo raras excepções). Poderá haver a hipótese de não se verem as contas de Baily bem como o anel de diamante dependendo do rebordo lunar. É provável que a coroa solar, dado que o Sol está no mínimo solar, não tenha uma dimensão angular apreciável. Panfleto da autoria de Jorge Almeida. Página 57


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Outubro 2012

ciclo Saros aqui segue uma sin-

umbra da Lua passa próximo

após o contacto III, reside na

gela explicação:

do centro da Terra, que vai

formação de bandas de som-

A magnitude de um eclipse é a

desde o raio da Terra e o pro-

bra. Notam-se bandas alterna-

fracção do diâmetro do Sol

longamento do eixo do cone

das de luz difusa com zonas

oculta pela Lua. É estritamente

da umbra (ver figura 1). O sinal

mais sombrias em superfícies

uma razão de diâmetros e não

de gamma define para um

claras e planas. Daí aconselha-

se deve confundir com obscu-

eclipse solar se o eixo da

se o uso de folhas ou de toa-

recimento do eclipse, o qual é

umbra da Lua passa a NORTE

lhas brancas estendidas ou

uma medida da área superfi-

ou a SUL do centro geométrico

então a observação de pare-

cial ocultada pela Lua.

da Terra. Um valor positivo

des alvas. De notar que estas

A magnitude de um eclipse

significa que o eixo da umbra

bandas, numa fase inicial,

pode ser expressa tanto por

da Lua passa a NORTE do cen-

manifestam-se de forma alea-

percentagem como por frac-

tro geométrico da Terra. No

tória as quais, à medida que se

ção decimal (exempli gratia –

caso do eclipse solar de 13 de

aproxima o segundo contacto,

com o Sol oculto em metade

Novembro de 2012 o eixo pro-

se vão organizando e tornando

do seu comprimento, a magni-

longado do cone da umbra da

lineares bem como devida-

tude do eclipse será 50% ou

Lua passa a SUL do centro geo-

mente alinhadas. Acompa-

0,5). A magnitude no ponto

métrico da Lua, daí o sinal

nhando estas mudanças, à

máximo do eclipse

negativo no valor de gamma.

medida que o segundo contac-

(coordenadas geográficas: 39º

O ciclo de Saros nada mais é

to se avizinha, nota-se invaria-

56,9′ S e 161º 19,8” O) é de

do que uma família de movi-

velmente um incremento de

1,0500, o que significa que a

mentos lunares, que no decor-

contraste, ao contrário do

Lua além de ocultar os 100%

rer de 18 anos, 11 dias e 8

espaçamento entre as bandas

do diâmetro aparente do disco

horas, com a repetição da

que vai decrescendo. As ban-

do Sol, oculta mais cerca de

posição da relação Sol – Lua –

das de sombra são a expressão

5,0% do diâmetro aparente do

Terra, verifica-se o mesmo

da cintilação do Sol, que não

disco do Sol. No concernente

padrão das mesmas sombras

são vistas no dia-a-dia dado o

ao gamma de um eclipse tal

lunares sobre a superfície ter-

considerável diâmetro aparen-

serve para descrever quão

restre. Cada eclipse é, de fac-

te da estrela Sol assim como o

central a umbra (=sombra) da

to, único. Nunca há dois eclip-

intenso brilho que emana. Ao

Lua atinge a Terra ou então a

ses iguais. Para mais pormeno-

contrário do que se vê em

umbra da Terra atinge a da Lua

res sobre o ciclo de Saros,

muitos livros, as bandas de

(este último caso é durante o

leiaSaros, que saros?.

sombra ainda carecem de um

eclipse lunar – parcial ou total). O gamma é a distância, quando o eixo do cone da Página 58

Um acontecimento muito curioso, que ocorre alguns minutos antes do contacto II e

modelo científico que as explique satisfatoriamente, embora já se saiba que são afectadas


Volume 2 Edição 10

SISTEMA SOLAR

pela turbulência da atmosfera,

zação do anel. Mas antes deste

coroa solar começará a emer-

entre outros factores. Tam-

último suspiro dos raios do Sol

gir um minuto antes da totali-

bém é falso afirmar que um

tocarem no limbo lunar – anel

dade (obviamente a coroa

céu limpo é sinónimo de

de diamante – geram-se as

solar está sempre presente, no

garantia de visibilidade destas

famosas contas de Baily que

entanto, o forte brilho do Sol

bandas. Uma boa estabilidade

não são mais que o resultado

impede a visualização da páli-

atmosférica, a inexistência de

de irregularidades no relevo

da coroa solar no dia-a-dia, e

ventos até 2 km de altura bem

lunar nas quais as montanhas

que só emergirá visivelmente

como ventos fortes impossibi-

bloqueiam a luz vinda do Sol e

aquando um eclipse solar

lita ou, pelo menos, dificulta

os vales lunares deixam passar

total) e tornar-se-á invisível

sobremaneira a visualização de

os raios luminosos formando

poucos segundos após a mes-

bandas de sombra.

então pequenas esferas de luz

ma. Contudo, aconselha-se

intercaladas vistas aqui da Ter-

apenas a apreciá-la entre o

ra. Conforme o perfil do bordo

contacto II e o contacto III,

da Lua, podem destacar-se

uma vez que ainda fora desse

muitas ou poucas contas de

intervalo da totalidade é visível

Baily. Assim que fica somente

a fotosfera cuja observação a

uma conta de Baily, forma-se o

olho nu reveste-se de grande

anel de diamante. Após desa-

perigo para a retina.

parecer o anel de diamante,

Assim que a totalidade está

neste instante, dá-se o contac-

prestes a terminar com início

to II e entra-se na fase da tota-

do contacto III ( Nota impor-

lidade. Só a partir deste con-

tante: Aconselha-se vivamente

tacto, é perfeitamente seguro

a colocar os óculos de protec-

olhar para o Sol sem óculos de

ção especial alguns segundos

protecção especial (logo

antes do contacto III ) todo o

depois de desaparecer o anel

eclipse solar total segue a

de diamante e as contas de

inversão dos acontecimentos,

Baily). E se já imaginava estar

acrescentando um fenómeno

na apoteose final, desengane-

que ocorre quase sempre a

se pois em redor da Lua dife-

seguir à totalidade: vento de

rencia-se a famosa coroa solar

eclipse. Outros aspectos

que tem um brilho aparente

meteorológicos do eclipse

similar ao da Lua cheia, a qual

relacionam-se com as nuvens…

faz vibrar mesmo o mais

Normalmente as nuvens

impassível ser humano. A

cumulus desaparecem durante

A par de todos os eventos já descritos, assim que está iminente o segundo contacto, acontece algo de único… surge uma “[...] jóia de luz maior que o próprio mundo [...]“, ou seja, forma-se o anel de diamante. A observação do anel de diamante a olho nu sem uso de filtros adequados – óculos de protecção especial – deve ser considerada perigosa já que estamos a ver luz vinda da fotosfera do Sol que emite radiação ultravioleta e infravermelha nocivas para a retina do olho (lembre-se que a queimadura da retina é indolor). As dimensões do anel de diamante variam consoante o perfil do limbo lunar, podendo ser possível destacar desde um grande anel a um pequeno ou mesmo suceder a não visualiPágina 59


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Outubro 2012

um eclipse porque a superfície

observar o eclipse na Austrália

tal como defendia Newton,

terrestre arrefece, no entanto,

ou Pacífico. E para quem pos-

mas que as partículas, ou mes-

nuvens stratus desenvolver-se-

sa, recomendo vivamente e

mo a luz, se deslocam livre-

ão mais uma vez que há arre-

para esses leiam com atenção

mente pelo espaço-tempo,

fecimento da atmosfera.

o Manual de segurança da

segundo geodésicas (isto é,

Nuvens espessas bem como

observação do eclipse solar

linhas segundo as quais a dis-

tempestades dificilmente

total no final do artigo.

tância entre dois dados pontos

sofrerão qualquer mudança mesmo na eminência de um eclipse solar total. A meteorologia ligada ao eclipse é complexa e as mudanças dependem do tipo de clima, da situação meteorológica do dia, localização na Terra, duração do eclipse bem como a altura do dia em que se dá o eclipse. É importante realçar que sendo o eclipse um fenómeno dinâmico é verdadeira a afirmação “cada eclipse é único”. É frequente notar que muitos eventos ligados ao eclipse sucedem em simultâneo. Use de bom senso e tome as providências necessárias para os cuidados a ter, em especial nos contactos II e III. Acima de tudo, saboreie cada momento que o eclipse solar total oferece e junte-se aos “[...] milhões de gritos e aplausos na apoteose final[...]“. Obviamente estas indicações só terão sentido a quem estiver a observar ou pretenda ir Página 60

Para quem tenha mais curiosidade em saber mais sobre os eclipses, continue a leitura que se segue: O eclipse solar total além de ter suscitado muitos sentimentos de medo e admiração ao longo da História, serviu como meio de estudos científicos. Eclipses solares totais já foram e ainda estão a ser usados em várias pesquisas científicas, além da monitorização das vizinhanças do Sol, aproveitando o contraste gerado pela umbra lunar. Através do eclipse solar total foi possível comprovar um dos aspectos da teoria da relatividade de Einstein em que corpos de grande massa como o Sol podem deflectir a luz dado que o Sol cria uma deformação na teia espaço-tempo. A Relatividade Geral de Einstein liga a presença de massa à geometria local do espaço-tempo. Não se diz que a massa “exerce força gravitacional”,

é mínima). O espaço-tempo (que é quadridimensional) sofre uma curvatura, devido à presença da massa, por exemplo, do Sol. Nas proximidades dele, a curvatura é mais acentuada. Isso faz com que a luz das estrelas, ao percorrer a geodésica, se desvie da recta. Devido a este fenómeno, as posições aparentes das estrelas, vistas por um observador na superfície terrestre, são significativamente modificadas, quando estas se encontram próximas do disco solar no céu. Como o brilho excessivo do céu próximo do Sol dificulta a observação dessas estrelas, a situação ideal para fotografálas é a de um eclipse solar total. Comparando as suas posições com as que já se conhecem (ou seja, quando estão longe do disco solar), calcula-se um desvio que concorda excepcionalmente com as previsões teóricas da Relatividade Geral. Actualmente,


Volume 2 Edição 10

SISTEMA SOLAR

imagens em vários compri-

decorrer de um eclipse solar

torna ainda mais difícil a bus-

mentos de onda das coroas

total, cujas causas não estão

ca, além do mais a interacção

internas e externas têm sido

devidamente esclarecidas.

da gravidade de Mercúrio e

usadas para se compreender

Outro aspecto importante e

mesmo de outros planetas

melhor os complexos proces-

que despertará o interesse

poderão deslocar estes aste-

sos magneto-hidrodinâmicos

neste eclipse solar total serão

róides a pouco mais de 10º em

que contribuem para o aqueci-

os hipotéticos… vulcanóides.

relação ao plano da eclíptica.

mento do plasma da coroa

Segundo http://

Já se tentou procurar os vulca-

solar a temperaturas até 1 ou

www.isthe.com/chongo/tech/

nóides em 2000 (a busca é

2 milhões de graus Celsius. Por

astro/SandT-200805-

mais precoce ainda… Suspeitas

sua vez, registos espectroscó-

vulcanoid_v3.pdfo que se pas-

dos asteróides em questão já

picos têm informado os cien-

sa é que nos próximos eclipses

tiveram início em 1859 por Le

tistas sobre a composição e

solares totais vai haver busca

Verrier.. que mais pensava, na

temperatura das regiões mais

por vulcanóides – possíveis

verdade, de um planeta Vulca-

externas do Sol. O “flash spec-

asteróides residentes entre a

no que poderia explicar even-

trum”, por exemplo, obtido

órbita de Mercúrio e a estrela

tualmente o movimento anó-

quando a fotosfera já está

Sol. Recentes modelos elabo-

malo de Mercúrio.) Daí, que a

totalmente ocultada pelo disco

rados por Neil Evans

partir de agora, os eclipses

lunar, mostra a composição da

(Universidade de Oxford) e

solares totais servirão para ir

cromosfera. Alguns pesquisa-

Serge Tabachnik (do Observa-

em busca desses vulcanóides.

dores têm usado mapas da

tório da Universidade de Prin-

É preciso uma câmara CCD e

actividade da fotosfera para

ceton) sugerem que os asterói-

registar por alguns intervalos

prever qual o aspecto da coroa

des vulcanóides, se de facto

de tempo a zona em redor do

solar durante eclipses. Tais

existirem, residirão numa ban-

Sol aquando a totalidade. Con-

correlações são importantes

da estreita e estável entre os

vém usar filtros Wratten para

para determinação dos efeitos

0,08 UA e 0,18 UA. A menos de

filtrar o comprimento de onda

dos buracos coronais, helmet

0,08 UA estariam sujeitos a

verde da coroa, isto porque se

streamers, flares, proeminên-

maior força gravitacional, além

suspeita que os vulcanóides

cias, manchas solares entre

do aquecimento extremo do

sejam um pouco em termos de

outros, sobre as características

Sol, a mais de 0,18 UA seriam

cor tal qual o planeta Mercú-

observadas da coroa solar. Há

ejectados… Vistos da Terrra,

rio… o uso de filtros é com

um fenómeno muito curioso

eles não deverão ter mais de

objectivo de aumentar o con-

conhecido como efeito de

10,5º de separação angular em

traste e facilitar a busca dos

Allais no qual se verifica supos-

relação ao Sol. Suspeitas inci-

asteróides vulcanóides. Além

tamente uma oscilação anó-

dem na maior probabilidade

desta importância, registos

mala num pêndulo aquando o

de residirem a 0,08 UA o que

históricos de eclipses solares

Página 61


SISTEMA SOLAR

Outubro 2012

totais têm sido usados para a

NOTA IMPORTANTE: Em cir-

qual constitui fonte de emis-

determinação de variações na

cunstância alguma, NUNCA

são de radiação infravermelha

velocidade de rotação da Terra

aponte binóculo e telescópio

e ultravioleta que acarretam

e cálculo da diferença ΔT,

sem filtro apropriado para o

perigo para a visão.

entre o Tempo Uniforme (TDT)

Sol, sob grave perigo de ficar

e o tempo baseado na rotação

irreversivelmente com ceguei-

da Terra (TU ou TU1). Os eclip-

ra absoluta. Para sua própria

ses solares já foram usados (e

segurança LEIA TODAS as

ainda continuam a sê-lo) para

regras abaixo indicadas.

a determinação de alguns parâmetros astrométricos, como o raio lunar médio (principalmente durante eclipses onde os raios aparentes do

3ª regra: NUNCA usar óculos escuros, vidros negros de fumo, películas para fotografias a cores, negativos de fotografias, radiografias, disquetes,

O autor não se responsabiliza

CDs, DVDs, filtros de gelatina,

por quaisquer problemas que

polaróides, filtros Wratten,

advenham da má utilização

folhas de alumínio em quais-

das regras deste manual.

quer ocasiões e circunstâncias na observação do Sol. Evite os

Sol e da Lua praticamente

1ª regra: NUNCA observar sem

coincidem ou nas áreas onde o

óculos de protecção especial

eclipse é visto como rasante) e

antes do contacto II e logo

também como teste de pro-

imediatamente ao contacto III.

gramas de previsão desses

Só é absolutamente seguro ver

eventos. Outras pesquisas

o eclipse solar total a olho nu

4ª regra: NUNCA usar os ócu-

focam as mudanças atmosféri-

durante a totalidade que cor-

los especiais de protecção ocu-

cas e meteorológicas, incluin-

responde ao tempo que decor-

lar* combinados com binócu-

do o interessante fenómeno

re entre o contacto II e o con-

los, câmaras fotográficas,

das bandas de sombra e a difu-

tacto III. Aconselha-se viva-

telescópios ou outros instru-

são da luz residual do Sol, e a

mente a colocar os óculos de

mentos ópticos. Os óculos

visibilidade de astros. Biólogos

protecção especial uns segun-

especiais com a norma euro-

têm estudado o comporta-

dos antes da totalidade termi-

peia supracitada apenas SÓ

mento dos animais e plantas

nar, ou seja, antes de se dar o

devem ser usados para obser-

durante a passagem da umbra

contacto III.

vação ocular directa. E deve-se

lunar. E, naturalmente, existem muitos outros estudos mais complexos, relativos a pesquisas de Astrofísica.

2ª regra: NUNCA ver as contas de Baily e o anel de diamante sem os óculos de protecção

filtros Mylar. Não é recomendável o uso de quaisquer filtros de soldador, mesmo o de #14.

fazer intervalos frequentes para descanso a fim de o olho não aquecer demasiado.

especial, ou filtros solares pró-

5ª regra: NUNCA utilizar os

Manual de segurança da

prios, já que são manifesta-

filtros solares** para serem

observação do eclipse solar

ções de eclipse parcial sendo,

colocados na ocular do instru-

total

portanto, visível a fotosfera a

mento óptico, ou seja, a lente

Página 62


Volume 2 Edição 10

SISTEMA SOLAR

onde se encosta o olho para

se, desta forma, a acumulação

ver.

de calor na retina. IMPORTAN-

6ª regra: NUNCA fazer uso de óculos especiais de protecção ocular que já tenham sido utilizados ou que estejam guardados, porque podem ter micro-

TE lembrar que o aquecimento da retina não é sentido por nós como sentimos o aquecimento da pele, UMA VEZ que a queimadura da retina, derivado do

protecção especial. * Os óculos especiais de protecção ocular são vendidos nas farmácias, e devem ter marca CE obrigatória, que cumprem a Norma Europeia EN 169/1992 e a Directiva Europeia CEE

furos, arranhões ou imperfeições que deixem passar mais radiação do que a permitida. Lembre-se que a queimadura do olho é indolor e o perigo é demasiado para arriscar com óculos especiais de protecção ocular pouco fiáveis seja de onde for a sua origem (o mesmo para os filtros solares). Importante testar a segurança do óculo especial de protecção ocular olhando com eles colocados para uma fonte de luz bem forte em casa e procurar por falhas, imperfeições no filtro do óculo.

aquecimento desta, é INDOLOR! Se prolongar demasiado a observação, a retina começa a aquecer e não nos apercebemos desse aquecimento,

89/686), ou então no caso de estar na Austrália desloque-se a uma farmácia e peça por óculos reconhecidos pela autoridade de Saúde do país.

7ª regra: NUNCA exceder

podendo ocorrer lesões irre-

** Os filtros solares para binó-

observação contínua com ócu-

versíveis – a cegueira parcial

culos e telescópios devem ser

lo de protecção especial por

ou total. Além disso evita-se

comprados em lojas especiali-

períodos de mais 30 segundos,

que o filtro aqueça em dema-

zadas de Astronomia.

fazendo sempre intervalos de

sia, reduzindo assim a possibi-

2 minutos de descanso. Evita-

lidade de deteriorar o óculo de

Página 63

Jorge Almeida


TERRA

Outubro 2012

Onde no mundo lusófono – Rio Tejo Domingo é dia de mais um desafio de “Onde no mundo lusófono”. Deixem os vossos palpites nos comentários durante esta semana (os comentários vão sendo temporariamente embargados para não influenciarem os outros leitores). A resposta correcta será divulgada no próximo Sábado, antes da publicação do próximo desafio. Observem com atenção esta imagem:

O Tejo é o maior rio da Península Ibérica, estendendo-se por 1.038 km, desde a nascente em Fuente García, na Sierra de Albarracín, em Espanha, até à foz no Oceano Atlântico, em São João da Barra, a poucos quilómetros de Lisboa. Na imagem são visíveis os depósitos aluvionares da parte inferior da bacia hidrográfica do Tejo, unidades estratigráficas modernas (Holoceno) que ocultam a mais importante falha tectónica da região ocidental da Península Ibérica, a

Qual é o nome deste rio?

Resposta ao desafio: Como quase todos os que comentaram sabiam, esta é uma imagem do troço do Rio Tejo entre Santarém e Alverca (ID da imagem: ISS030-E166767). Página 64

conhecida falha do Vale do Tejo, local onde ocorreu o epicentro do forte sismo que abalou Benavente a 23 de Abril de 1909. Sérgio Paulino


Volume 2 Edição 10

TERRA

Onde no mundo lusófono – Atol das Rocas Aqui está o quarto desafio da série “Onde no mundo lusófono”. Deixem os vossos palpites nos comentários durante esta semana (os comentários vão sendo temporariamente embargados para não influenciarem os outros leitores). A resposta correcta será divulgada no próximo Sábado, antes da publicação do próximo desafio. Observem com atenção a imagem. Resposta ao desafio: Esta é uma imagem do Atol das Rocas obtida a 03 de Março de 2012 a partir da Estação Espacial Internacional (ID da imagem: ISS022-E-79938).

Qual é o nome deste atol?

nha. Na maré alta, apenas duas ilhas arenosas espreitam acima das águas, a ilha do Farol e a ilha do Cemitério (a mais pequena das duas).

Situado no Oceano Atlântico, a cerca de 260 qui-

Nas águas pouco profundas em redor do atol

lómetros de distância da cidade do Natal, no

abriga-se uma ictiofauna muito diversificada,

Brasil, o Atol das Rocas é um recife coralino com

facto que justifica a sua inclusão na lista de

3,5 km de comprimento e 2,5 km de largura, for-

reservas biológicas com inscrição na UNESCO.

mado sobre um antigo vulcão submarino pertencente à zona de fractura de Fernando de NoroPágina 65

Sérgio Paulino


TERRA

Outubro 2012

Onde no mundo lusófono – Albufeira de Cahora Bassa

Qual é o nome da albufeira visível na imagem?

O desafio da semana passada foi, aparentemente, fácil demais e por isso resolvi esta semana trazer-vos algo menos óbvio. Vão deixando os vossos palpites nos comentários durante esta semana (os comentários vão sendo temporariamente embargados para não influenciarem os outros leitores). A resposta correcta será divulgada no próximo Sábado, antes da publicação do próximo desafio. Observem com atenção a imagem. Resposta ao desafio: A imagem de cima mostra a parte mais meridional do Grande Vale do Rift, em África, região onde se implantam os grandes lagos Niassa (ou Malawi) e Tanganica (ambos discerníveis nas proximidades da linha do horizonte). Em primeiro plano, vemos as águas douradas da grande albufeira de Cahora Bassa (ou Cabora Bassa, como era conhecida no período colonial português). Esta imagem foi Página 66

obtida a 27 de Abril de 2012, a partir da Estação Espacial Internacional (ID da imagem:ISS031-E5842). Cahora Bassa é a quarta maior albufeira de África, ocupando uma bacia com cerca de 2.739 km² de extensão e 20,9 metros de profundidade média. Situada no rio Zambeze, na província de Tete, em Moçambique, a barragem que lhe deu origem foi o último grande projecto de desenvolvimento financiado pelo governo português em terras africanas. A sua construção iniciou-se em 1969, em plena guerra colonial, tendo o enchimento da albufeira começado apenas em Dezembro de 1974, cerca de 5 meses após a independência de Moçambique. Actualmente, a barragem produz cerca de 2.400 MW de electricidade, que são repartidos por Moçambique, pela África do Sul e pelo Zimbabué. Sérgio Paulino


Volume 2 Edição 10

TERRA

Besouro do “outro mundo”

Este é o tipo de animal que se fosse encontrado

microscópicas – alteram a cor reflectida pelo ani-

noutro planeta, se fosse extraterrestre, as pes-

mal, que normalmente parece uma joaninha

soas ficavam maravilhadas com ele.

dourada (mas chega a ficar alaranjado no Outo-

Mas este surpreendente “extraterrestre” é na

no e acastanhado no Inverno)”.

verdade um animal bem terrestre.

É um pequeno (6 milímetros) insecto da América do Norte, que até parece ter uma carapaça

É um escaravelho de nome científi-

metálica – se eu fosse conspirador, diria que isto

co Charidotella sexpunctata (antes chamava-se

é um dispositivo de espionagem enviado por

Metriona bicolor) que muda de cor: “a primeira

extraterrestres.

camada da sua cutícula é transparente, tendo por baixo uma camada de líquido; alterações na quantidade do liquido – controladas por válvulas Página 67

Carlos Oliveira


TERRA

Outubro 2012

O Salto de Felix Baumgartner

O austríaco Felix Baumgartner, de 43 anos, irá hoje realizar o salto mais alto que um ser humano alguma vez realizou. Aos 16 anos iniciou-se no skydiving e já fez saltos de 21 quilómetros e a 29,6 km de altitude. Este domingo irá superar o recorde que tem 52 anos, pertencente ao coronel da Força Aérea dos Estados Unidos da América Joe Kittinger. No dia 16 de Agosto de 1960, Kittinger realizou o salto a 31.333 metros. A queda livre durou 4 minutos e 36 segundos a uma velocidade máxima de 988 km/h. Para saltar de grandes altitudes é necessário um fato espacial para evitar problemas com o frio, baixas pressões, raios cósmicos e falta Página 68

de oxigénio. Este será o fato (ver imagem) O senhor Baumgartner irá saltar de 37 Km. Onde fica isso? É perto da Lua? Não. Mas é alto na mesma. Nesta altitude irá enfrentar temperaturas (exteriores ao fato) de entre 0ºC e – 50ºC e com pressões entre 10mb e 1mb (milibares). O salto terá lugar na Estratosfera, onde se situa a camada de ozono. Podem ver o site oficial aqui. Neste site tivemos as imagens em directo. Afinal o salto não foi de 37 mil metros mas de 39


Volume 2 Edição 10

068 metros. Atingiu os 1342 Km/h aos 47 segundos, como se pode ver no vídeo abaixo (a velocidade do som é de 690 mph, ou seja, cerca de 1110 Km/h). Ocorreram, na fase final da subida, uns probleminhas mas nada de mais. A quedalivre durou 4,22 minutos e o tempo total de descida foi de “aproximadamente 15 minutos, sobre o deserto do Novo México, nos EUA”. (Público) No fim para que foi o salto? Para bater apenas um recorde? Tanto financiamento, uma equipa de cientistas e material caro e sofisticado para, apenas, um homem saltar? Não, o “projecto Red Bull Stratos foi financiado pela marca de bebida energética com o mesmo nome e, além de uma tentativa de bater recordes, tinha como objectivo servir de programa de testes de voo e de contribuir para a investigação em fatos especiais.” (Público) Dário Codinha

Página 69

TERRA


EXOPLANETAS

Outubro 2012

Planeta de diamante! O ano passado demos a notícia que o planeta que orbita o pulsar J1719-1438 seria totalmente feito de carbono, e sendo o planeta mais denso até então encontrado, então muito provavelmente o planeta é feito de diamante. Este enorme diamante encontra-se a cerca de 4.000 anos-luz de distância da Terra. Em 2007, demos a fantástica notícia de haver 5 planetas em órbita da estrela 55 Cancri: 55 Cancri b, c, d, e, f. Este sistema planetário com algumas semelhanças ao nosso, encontra-se a somente 41-anos-luz de distância. O ano passado foram detectados trânsitos do planeta 55 Cancri-e, com os dados a revelar que esta super-terra teria uma densidade superior à Terra. Ainda mais recentemente saiu a notícia que este planeta deveria ter água super-crítica e gelo exótico.

mente a seguir uma enorme camada de diamante, com um interior de silício e um núcleo de ferro fundido. Este planeta é uma super-Terra, 2 vezes maior que o nosso planeta e 8 vezes mais massivo que a Terra. A novidade agora prende-se com o facto deste planeta conter provavelmente 1/3 da sua massa feita de diamante. Ou seja, na prática, teremos um enorme diaman-

Agora, cientistas da Universidade Yale, descobri-

te no céu, com 3 vezes mais massa que toda a

ram que o planeta 55 Cancri-e não deverá ter

Terra!

água e terá uma temperatura à superfície superior aos 2000ºC. Mais espectacular é que deverá ter uma superfície coberta por grafite e imediataPágina 70

Carlos Oliveira


Volume 2 Edição 10

EXOPLANETAS

Descoberto planeta sob 4 sóis!

O planeta chamado PH1 orbita duas estrelas, e elas orbitam também em volta de outras duas estrelas. Sendo assim, este planeta, que se encontra a 5.000 anos-luz de distância da Terra, tem 4 estrelas a iluminar o seu céu. Esta é a primeira vez que se detecta um planeta com estas características! Ainda mais surpreendente é que esta descoberta foi feita por dois astrónomos amadores dos EUA, Kian Jek e Robert Gagliano, com o programa Planethunters.org que utiliza dados recolhidos pelo telescópio espacial Kepler. PH1 é um gigante gasoso do tamanho de Neptuno que orbita as duas primeiras estrelas em 138 dias. As outras duas estrelas orbitam este sistema a Página 71

uma distância equivalente a mil vezes a da Terra ao Sol. Até agora, só se tinham descoberto seis outros planetas que orbitam simultaneamente duas estrelas, mas nenhuma dessas descobertas anteriores tinha estrelas binárias com companheiras. Como é que este sistema é estável? Segundo Chris Lintott: “O ambiente do planeta é muito complicado, devido à pressão exercida pelas quatro estrelas. Mas, ainda assim, aparenta ter uma órbita estável. É algo realmente confuso e que torna essa descoberta ainda mais divertida”. Carlos Oliveira


EXOPLANETAS

Outubro 2012

Foi descoberto o sistema solar mais compacto! A estrela KOI-500 tem a mesma massa do Sol, tem 74% do diâmetro solar, tem uma idade de mil milhões de anos (é uma jovem, comparada com os 5 mil milhões de anos de idade do Sol), e encontra-se a 1.100 anos-luz de distância da Terra. Uma equipa de astrónomos descobriu que esta estrela tem 5 planetas na sua órbita! O tamanho destes planetas é bastante parecido ao da Terra (os tamanhos vão de 1,3 a 2,6 vezes o tamanho da Terra; ou seja são planetas como a Terra e super-terras). Poderia-se pensar que é um sistema solar semelhante ao nosso. No entanto, estes 5 planetas estão bastante perto da estrela. Mesmo o que está mais longe, está 12 vezes mais perto da estrela que a Terra está do Sol. Enquanto a Terra demora 365 dias a dar uma volta ao redor do Sol, Mercúrio – o planeta mais próximo do Sol – demora somente 88 dias Página 72

terrestres. Ou seja, Mercúrio já está bastante perto do Sol, daí orbitar em muito menos tempo que a Terra. Estes 5 planetas em órbita de KOI500 estão tão próximos da sua estrela, que as suas órbitas demoram: 1 dia, 3,1 dias, 4,6 dias, 7,1 dias e 9,5 dias! Os planetas não só estão pertíssimo da estrela, mas obviamente estão bastante próximos uns dos outros! Por incrível que pareça, as órbitas parecem bastante estáveis, e por isso os planetas não parecem estar em perigo de colidirem entre eles, de serem expelidos do sistema, nem de caírem na estrela. E ainda existe mais uma característica importante: os 4 planetas mais longe da estrela têm órbi-


Volume 2 Edição 10

tas sincronizadas. A cada 191 dias, estão exactamente na mesma configuração orbital. É a primeira vez que se encontra uma dança de 4 planetas sincronizados! Quase de certeza que os planetas não se formaram onde estão agora. Eles provavelmente estavam muito mais espaçados, mas depois migraram para perto da estrela. Página 73

EXOPLANETAS

Mais um sistema planetário descoberto que nem teoricamente se imaginou nem sequer a ficção científica imaginou! Mais uma vez, prova-se: a realidade é muito mais estranha do que a ficção imagina! Carlos Oliveira


Outubro 2012

ASTRONÁUTICA

Novo satélite de navegação em órbita

Um novo satélite de navegação foi colocado em órbita terrestre por um foguetão Delta-IVM+(4,2) a partir do Complexo de Lançamento SLC-37B do Cabo Canaveral AFS. O lançamento teve lugar às 1210UTC do dia 4 de Outubro. Página 74

O satélite GPS-IIF-3 deverá receber a designação militar USA-239. Rui Barbosa


Volume 2 Edição 10

ASTRONÁUTICA

Pequenos satélites lançados da ISS

Cinco pequenos satélites foram lançados desde a estação espacial internacional. Os satélites foram transportados para a ISS a bordo do veículo de carga japonês HTV-3 Kounotori-3 a 21 de Julho de 2012. O lançamento dos satélites foi feito a partir da secção japonesa da ISS e a partir dos sistemas Página 75

J-SSOD. Os primeiros satéli-

PUB

tes (RAIKO e We Wish) foram ejectados às 1432UTC do dia 4 de Outubro,

A sua

enquanto que os restantes

revista

três satélites (F-1, Niwaka e TechEdSat) foram ejectados

mensal de astronáutica

às 1544UTC.

[clica na

Rui Barbosa

para saber

imagem mais]


ASTRONÁUTICA

Outubro 2012

Um Dragão de novo em órbita – a primeira missão comercial de abastecimento da ISS A SpaceX levou a cabo o lançamento da cápsula Dragon na missão SpaceX-1 (ou CRS-1) tendo por destino a estação espacial internacional na primeira de doze missões de reabastecimento da ISS ao abrigo do programa CRS – Commercial Resupply Services. Com a ausência do vaivém espacial, a cápsula Dragon é agora o único veículo capaz de transportar de volta para a Terra grandes quantidades de carga. O lançamento desta missão teve lugar às 0035UTC do dia 8 de Outubro de 2012 e foi levado a cabo pelo foguetão Falcon-9 (F-4) a partir do Complexo de Lançamento SLC-40 do Cabo Canaveral AFS. O foguetão Falcon-9 é desenhado e fabricado pela SpaceX. Ambos os estágios utilizam oxigénio líquido e querosene, podendo lançar 4.450 kg para uma órbita a 350 km de altitude. A cápsula Dragon, também desenhada e fabricada pela SpaceX, pode transportar até 3.310 kg de carga no lançamento e regressar com 2.500 kg. É composta por três elementos principais: o cone frontal que protege a cápsula e o mecanismo de ancoragem durante o lançamento, sendo ejectado após a ascensão; uma secção pressurizada que é ancorada à ISS e na qual se transporta carga pressurizada, contendo também uma escotilha lateral para a introdução tardia de carga e acesso ao seu interior após o regresso, além de uma secção de serviço que contém os sistemas aviónicos, motores de controlo, pára-quedas e outras infra-estruturas de suporte; uma secção despressurizada que alberga carga que não necessita de pressurização e serve de apoio estrutural aos painéis solares e radiadores térmiPágina 76

cos. Esta secção é ejectada antes da reentrada. O lançamento decorreu sem qualquer problema e a cápsula Dragon ficou colocada numa órbita inicial com um apogeu a 328 km e perigeu a 197 km. A Dragon deverá ser capturada e ancorada à ISS a 10 de Outubro no seu terceiro dia de voo. O acesso ao seu interior terá lugar no dia seguinte. A missão deverá terminar a 28 de Outubro, podendo ser prolongada se necessário. A bordo da Dragon seguem equipamentos necessários para o programa de investigação científica e outras cargas para o dia-a-dia da estação. Ainda a bordo seguiu o satélite Orbcomm-2G que se separou do segundo estágio do Falcon-9 após a separação da cápsula Dragon. Durante o lançamento o computador de bordo detectou uma anomalia num dos seus nove motores do primeiro estágio, levando à sua desactivação. Em consequência, a queima dos restantes oito motores acabou por ser mais longa. Imagem: SpaceX Rui Barbosa


Volume 2 Edição 10

ASTRONÁUTICA

Dois novos satélites Galileo

Um foguetão Soyuz-STB/Fregat-MT ao serviço

de rubídio, uma unidade de monitorização e de

da Arianespace, foi hoje lançado desde o Comple-

controlo dos relógios, uma unidade geradora de

xo ZLS do CSG Kourou, Guiana Francesa, às

sinal de navegação, uma antena de banda L para

1815:01UTC transportando dois novos satélites

a transmissão do sinal de navegação, uma antena

de validação do sistema de navegação e de posi-

de banda C para detecção de sinal, duas antenas

cionamento Galileo.

de banda S para telemetria e telecomandos, e

Este foi o terceiro lançamento de um foguetão Soyuz desde Kourou e todas as fases do voo decorreram como previsto.

uma antena de busca e salvamento. Os painéis solares irão fornecer 1.420 watts de energia em exposição directa e 1.355 watts em eclipse. A vida operacional de cada satélite será superior a 12

Cada satélite tem uma massa de 640 kg tendo as

anos. Os satélites serão controlados a partir do

dimensões 3,02 x 1,58 x 1,59 m (na posição de

Centro de Controlo Galileu em Fucino, Itália.

armazenamento) e 2,74 x 14,50 x 1.59 m (com os painéis solares abertos). A bordo transportam uma carga com dois relógios atómicos PHM (Passive Hydrogen Maser), dois relógios atómicos Página 77

Imagem: Arianespace Rui Barbosa


ASTRONÁUTICA

Outubro 2012

China lança Shijian-9 A China levou a cabo o lançamento da missão SJ-9 Shijian-9 às 0325:05UTC do dia 14 de Outubro de 2012 utilizando um foguetão CZ-2C Chang Zheng-2C/SMA a partir da Plataforma de Lançamento LC9 do Centro de Lançamento de Satélites de Taiyuan. A missão é composta por dois satélites, Shijian-9A e Shijian-9B, que irão também proceder à observação da superfície terrestre. A designação ‘Shijian’ significa ‘Prática’. O foguetão CZ-2C Chang Zheng-2C foi utilizado na sua versão de três estágios utilizando um estágio superior de combustível sólido SMA. Este foi o 55º lançamento orbital de 2012, sendo o 4º lançamento desde Taiyuan e o 14º lançamento da China em 2012. Podem ler mais sobre a missão aqui. Rui Barbosa

Página 78


Volume 2 Edição 10

Proton-M lança Intelsat-23 Numa missão com uma duração de 9 horas e 30 minutos, a ILS (International Launch Services) levou a cabo o lançamento do satélite de comunicações Intelsat-23 às 0837:00UTC do dia 14 de Outubro de 2012. O lançamento foi efectuado por um foguetão 8K82KM Proton-M/ Briz-M a partir da Plataforma de Lançamento PU-24 do Complexo de Lançamento LC81 do Cosmódromo de Baikonur, Cazaquistão. Todas as fases do lançamento decorreram como previsto. Mais informação sobre o lançamento pode ser encontrada aqui. Imagem: Roscosmos Rui Barbosa Página 79

ASTRONÁUTICA


ASTRONÁUTICA

Outubro 2012

Coçar o Nariz – com microfone e com valsalva Este é um desafio diferente. A única pergunta é: Quando estão dentro dos fatos espaciais, como é que os astronautas coçam o nariz? (os comentários vão sendo temporariamente embargados para não influenciarem os outros leitores). Segundo este vídeo da NASA, é possível coçar o nariz contra o microfone que se encontra incorporado no capacete. No entanto, segundo este vídeo, o astronauta Daniel Burbank diz que coçou o nariz contra um pedaço de espuma dentro do capacete (Valsalva). Carlos Oliveira Crédito: astronauta Samantha Cristoforetti

Página 80


Volume 2 Edição 10

ASTRONÁUTICA

Soyuz TMA-06M – Nova tripulação para a ISS A Rússia levou a cabo o lançamento da cápsula espacial tripulada Soyuz TMA-06M às 1051:11UTC do dia 23 de Outubro de 2012 transportando três novos elementos para a Expedição 33 a bordo da estação espacial internacional. O lançamento foi feito desde a Plataforma de Lançamento PU-6 do Complexo de Lançamento LC31 do Cosmódromo de Baikonur, Cazaquistão. Esta é a primeira utilização desta plataforma de lançamento para uma missão espacial tripulada desde 1984 quando se deu o lançamento da Soyuz T-12. O lançamento foi feito por um foguetão Soyuz-FG. A tripulação da Soyuz TMA-06M é composta pelos cosmonautas Oleg Viktorovich Novistky, Yevgeni Igorevich Tarelkin e pelo astronauta Kevin Anthony Ford. Oleg Novisty e Yevgeni Tarelkin realizam o seu primeiro voo espacial enquanto que para Kevin Ford esta será a sua segunda missão. Por seu lado, a tripulação suplente é composta pelos cosmonautas Pavel Vladimirovich Vinogradov e Alexander Alexandrovich Misurkin, e pelo astronauta Christopher John Cassidy. Podem ler mais sobre a missão aqui, sobre a tripulação aqui e sobre a cápsula Soyuz TMA-M aqui. Rui Barbosa Página 81

Imagem: NASA/Bill Ingalls


ASTRONÁUTICA

Outubro 2012

Briz-M explode em órbita e cria dezenas de detritos

Cerca de 80 detritos resultantes da explosão de um estágio superior Briz-M ocorrido a 16 de Outubro de 2012, foram até ao momento catalogados em órbita. Estes detritos são o resultado da explosão do estágio. No dia 6 de Agosto um foguetão Proton-M/BrizM era lançado desde a Plataforma PU-24 do Complexo de Lançamento LC81 do Cosmódromo de Baikonur, Cazaquistão, transportando os satélites de comunicações Telkom-3 e Express-MD2. Devido a problemas ocorridos durante a terceira queima do estágio Briz-M (99532), a missão não foi bem sucedida e os dois satélites foram colocados em órbitas inúteis. O estágio Briz-M permaneceu também em órbita ainda com propolente Página 82

nos seus tanques. Devido à natureza corrosiva dos propolentes hipergólicos, as membranas das respectivas condutas do oxidante e do combustível ter-se-ão degradado permitindo assim o contacto entre os dois líquidos originando uma explosão que destruiu o estágio criando dezenas de detritos em órbita. Os parâmetros orbitais dos detritos detectáveis em órbita estão e serão estudados de forma a determinar potenciais riscos de impacto noutros satélites em órbita. Imagem: Roscosmos Rui Barbosa


Volume 2 Edição 10

ASTRONÁUTICA

China lança novo satélite de navegação

A China levou a cabo o lançamento de um novo

começou a percorrer os vales e a ecoar nas mon-

satélite de navegação. O Compass-G6, que rece-

tanhas adjacentes ao local de lançamento.

beu a designação de ‘Beidou-16′, foi lançado às

Mais informações aqui.

1533:04UTC do dia 25 de Outubro de 2012 por um foguetão CZ-3C Chang Zheng-3C a partir do Centro de Lançamento de Satélites de Xichang. Os habitantes locais, desconhecedores do lançamento, referiram tratar-se de um terramoto quando o som dos motores do foguetão lançador Página 83

Rui Barbosa


astroPT

Facebook do astroPT Como têm andado a reparar, o AstroPT tem melhorado algumas facetas e temse diversificado em diversas actividades e parcerias. Uma das últimas é a campanha de oferta de livros de ciência aos nossos leitores. A mudança mais recente consistiu em transformar o perfil no facebook, numa página institucional. Muitas mais novidades acontecerão nos próximos dias e nas próximas semanas. Iremos dar conhecimento da maior parte delas, uma a uma, gradualmente. Por isso, estejam atentos! Para já, visitem a nossa página, e façam LIKE, aqui. Notem que as páginas agora não aparecem nos feeds do vosso Facebook. Para aparecermos nos vos-

sos feeds, têm que colocar o rato sobre a palavra LIKE e seleccionar “Mostrar no Feed de Notícias” e também seleccionar “Adicionar a Lista de Interesses“. O José Gonçalves adaptou estas imagens para vos ajudar Carlos Oliveira

O astroPT está agora também disponível no G+. Poderá consultar-nos através da sua conta do Gmail clicando no link superior direito (+SeuNome). Ou então poderá seguir esta ligação (ou ver posts). Passem por lá, adicione aos seus círculos e divulgue pelos seus amigos. José Gonçalves

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O astroPT, durante o mês de outubro, obteve: mais de 151 000 visitas.

A TODOS OS INTERESSADOS: As revistas estão disponíveis para download em: http://issuu.com/astroPT Clicar na revista que quer descarregar, ao abrir a nova página e em baixo encontrará uma caixa com uma setinha que irá permitir fazer o download (é necessário ter conta no issuu, mas pode fazer o registo com a conta do facebook.

astroPT magazine, revista mensal da astroPT Textos dos autores, Design: José Gonçalves

astroPT Outubro2012  
astroPT Outubro2012  

AstroPT Magazine. Edição de setembro de 2012. Publicação mensal com os posts relevantes do sítio astropt.org

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