Revista do Consumidor do Circuito das Compras #6

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Circuito das compras Outubro e Novembro 2020 – Edição 6

www.apecc.com.br

Crônica

Liberdade é não ter medo

Especial Beleza

O paraíso dos cabeleireiros

Bom Retiro

O mais descolado do Brasil

De volta à vida, de volta às vendas Reabertura do comércio no Circuito das Compras de São Paulo após o fechamento por conta da pandemia da Covid-19


SHOPPING 25 DE MARÇO: TUDO QUE VOCÊ PROCURA EM UM SÓ LUGAR. Para que bater perna? No Shopping 25 de Março você encontra os melhores preços e a maior diversidade de produtos. São mais de 1.000 lojas espalhadas em seus três endereços onde seu dinheiro vale mais! Unidade 1 Rua Barão de Duprat. 181 - Sé - São Paulo/SP Funcionamento Segunda à Sexta-feira, das 7:00 às 18:00. Sábados, das 7:00 às 17:00. Domingos e feriados, das 8:00 às 14:00. Unidade 2 Rua 25 de Março, 1.081 - Sé - São Paulo/SP Funcionamento Segunda à Sexta-feira, das 7:00 às 18:00. Sábados, das 7:00 às 17:00. Domingos e feriados, das 8:00 às 14:00. Unidade 3 Rua Barão de Ladário, 402 - Brás - São Paulo/SP Funcionamento De Segunda à Sábado, das 5h às 17h. Domingos e feriados fechado.


sumário

editorial

5 Editorial PRESIDENTE Ademir Antônio de Moraes

6 De volta à vida, de volta às vendas

CONSULTOR JURÍDICO DA APECC Armando Luiz Rovai

12 Liberdade é não ter medo

CONSELHO DIRETIVO Thomas Law

14 Guia de compras 16 O paraíso dos cabeleireiros 18 Hora de meter a colher: evento online debate propostas para acabar com as agressões no lar 20 Ibrachina e APECC fazem doação de totens de álcool-gel para GCM de São Paulo 21 Especialistas em atrair clientes 22 O mais descolado do Brasil 24 Ramen Ikkousha: o sabor original de Haraka na Liberdade 25 De volta ao kibe e à mussaká 4

DIRETORA FINANCEIRA Ana Law

Saiba quem está ao seu lado Saber quem está ao nosso lado é mais importante do que saber o caminho. A pandemia mostrou que essa frase é sábia. As sucessivas mudanças nas “soluções” mostraram que ninguém sabia qual era o caminho a seguir. Nem para as pessoas, nem para as empresas, incluindo o comércio. Atravessamos as fases vermelha, laranja e amarela até chegarmos na atual, a verde. Passamos por grandes dificuldades para superar um caminho indefinido, mas voltamos às atividades. Durante toda a travessia, a APECC soube qual era o seu lugar: junto de seus associados. Promovemos uma série de webinars em parceria com o Sebrae para orientar os comerciantes. Oferecemos um conteúdo de alto valor gratuitamente. Informamos sobre as medidas de segurança. Atuamos junto ao setor público na criação das normativas para o comércio. E procuramos ajudar para que os comerciantes preservassem o mais importante para nossa sociedade: os empregos. A APECC fez parcerias, foi criativa e ativa na defesa dos nossos associados. Estamos de braços abertos para quem quiser somar conosco nesta caminhada. Ademir Antonio de Moraes Presidente

Rua Treze de Maio, 650, Bela Vista CEP: 01327-000 - São Paulo - SP www.apecc.com.br E-mail: contato@apecc.com.br Telefone: +55 11 3148-0299 EDITOR Felipe Agne REPORTAGEM Isabela Barros DIREÇÃO DE ARTE Débora de Bem FOTOS Helcio Nagamine IMPRESSÃO E ACABAMENTO maistype Tiragem: 10 mil exemplares Distribuição gratuita Reproduzir o conteúdo total ou parcial da revista em qualquer plataforma (digital ou física) é proibido por lei. O direito autoral é protegido por lei específica (lei nº 9.610/98) e sua violação constitui crime, respondendo judicialmente o violador. Os artigos assinados nessa edição são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não expressam necessariamente a opinião desse veículo.

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capa

De volta à vida,

Funcionários e clientes de máscaras: o novo normal do Circuito das Compras

de volta às vendas

Reabertura do comércio no Circuito das Compras de São Paulo após o fechamento por conta da pandemia da Covid-19 oferece oportunidades para vendedores e compradores que estejam em sintonia com as necessidades dos seus clientes

A

em seus cafés e lojas. O Brás mais parecendo um bairro fantasma... Como lamentos não mudam a vida de ninguém, é hora de arregaçar as mangas e trabalhar para voltar à ativa. Nos polos do Circuito das Compras de São Paulo, que incluem os endereços acima, empreendedores dos mais variados perfis fazem o seu melhor, diariamente, para seguir oferecendo variedade e preço baixo. Os consumidores, do seu lado, têm respondido à altura, uma prova da força do comércio popular de São Paulo. A seguir, histórias de persistência, empreendedorismo e amor ao que se faz direto das ruas da maior cidade

do Brasil. Uma inspiração para superar as dificuldades de tempos tão desafiadores. OTIMISTAS Desafio, aliás, que vem sendo vencido com muito trabalho. “Em julho de 2020, logo após a reabertura do comércio, tivemos vendas maiores do que no mesmo mês do ano passado”, explica o presidente da Associação Paulista dos Empreendedores do Circuito das Compras (APECC), Ademir Antônio de Moraes. “Estamos otimistas”. Segundo Moraes, as perdas médias estimadas para a pandemia da Covid-19 no Circuito das Compras de São Paulo foram de 50% de queda

A 25 de Março vazia quando o comércio ficou fechado: o que parecia impossível virou realidade

ROVENA ROSA-AB

humanidade ainda vai precisar de um bom tempo para, de fato, ter noção do impacto da pandemia da Covid-19 na vida das pessoas, na saúde, no trabalho, na economia, nos relacionamentos, no jeito como fazíamos tudo o que fazíamos todos os dias. Parece que, de uma hora para a outra, tudo virou de cabeça para baixo. A ponto de vermos, em plena segunda-feira, em horário comercial, imagens da 25 de Março vazia. Ou da José Paulino sem ninguém caminhando em direção à Estação da Luz com sacolas nas duas mãos. A Santa Ifigênia sem nenhuma porta aberta. A Liberdade sem qualquer movimento

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Mascarados: consumidores entendem e aceitam a nova rotina do comércio de rua

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capa

Máscaras para que te quero: acessório vai fazer parte definitivamente da vida de todo mundo daqui por diante

nas vendas. Na chamada fase vermelha, com o comércio fechado, foram de 100% para aqueles que não trabalham com vendas online. “Voltamos cheios de expectativas”, diz. “E estamos trabalhando da melhor forma para seguir vendendo e, ao mesmo tempo, ajudar na prevenção da Covid-19”. A APECC orientou seus associados a retomarem as atividades “preservando e acompanhando a saúde de todos”. “Os empresários precisam estar seguros do uso da máscara de proteção por funcionários e consumidores, além de medir a temperatura dos frequentadores dos shoppings e galerias e garantir o distanciamento nesses ambientes”, afirma Moraes. A retomada foi impulsionada ainda pelo fato de a maioria dos empresários trabalhar no Circuito “há muitos anos”. “Como associação, temos divulgado como os nossos polos de comércio são importantes e devem ser valorizados”, explica Moraes. De acordo com o presidente da APECC, o atendimento presencial “ainda impera, mas os lojistas são cada vez mais orientados a investir em outras alternativas”. “Recomendamos as vendas pelos sites e aplicativos, por exemplo, é preciso descobrir novas opções”.

e as dificuldades por parte das importadoras em fazer a reposição”, diz. “Vamos precisar de paciência para voltar a atingir os patamares anteriores”. FAÇA VOCÊ MESMO Gestora de Negócios da rede Via Vintage, de itens de decoração na região da 25, Vanessa Silva explica que, além de paciência e criatividade, as empresas precisaram ter muita sensibilidade para entender o momento e seguir oferecendo os produtos de que os seus clientes

RUMO A 2021 No ritmo em que está o comércio, segundo Moraes, as expectativas para 2021 “são boas, mas com os pés no chão”. “Estamos sendo muito responsáveis”, afirma. “A nossa missão é valorizar cada vez mais o Circuito das Compras, de modo que ele se fortaleça, e ajudar a revitalizar o Centro de São Paulo”. PACIÊNCIA E CRIATIVIDADE Supervisor de Vendas da Menina Mimada, especializada em capas e acessórios para celular, Flavio Cazarine destaca que tudo aconteceu muito rápido. “Todo o mercado foi pego

de calças curtas”, diz. “Ninguém nunca tinha vivido nada parecido”, explica. “Depois do choque, começamos a observar o mercado e a buscar formas de continuar vendendo”. Num primeiro momento, segundo Cazarine, o movimento se manteve com os pedidos pelo aplicativo WhatsApp. “Foi sem dúvida uma modalidade de compra que ajudou muito”. Atualmente, a Menina Mimada está num patamar de 70% das vendas em relação ao desempenho antes do coronavírus. “A recuperação é bem lenta e provavelmente vai se estender até 2021, com todas as restrições do mercado, com a falta de produtos

precisam. “É preciso se reinventar e olhar diretamente para a necessidade do consumidor a fim de dar a volta por cima nesse cenário de crise”, explica. “O varejo vai sobreviver desse modo nos próximos anos”. No caso da Via Vintage, segundo Vanessa, a aposta no faça você mesmo foi certeira. “A crise do coronavírus resgatou antigos hábitos, como o faça você mesmo. Em casa, as pessoas estão usando o tempo livre para redescobrir o lar como o melhor lugar do mundo”, diz. Conforme Vanessa, a hora é de “resgatar os laços familiares, o aconchego de estar perto de quem você ama”. “Todo mundo quer deixar o ambiente mais agradável, já que agora ficamos mais tempo em casa”. Nesse cenário, explica a gestora, tudo que passava despercebido começou a incomodar. “Um quadro antigo, a varanda sem floreira, a falta de organizadores modernos, tudo que pode tornar o ambiente mais agradável para o bem estar da família”, diz. “Como fabricantes de decoração, estamos inovando em tudo que há de melhor e mais atual para tornar esse ambiente mais leve e mais bonito”. Al é m d o al i n h a m e n to com as demandas dos

Consumidores na Ladeira Porto Geral: de volta à 25 de Março

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capa

À direita, consumidores na loja Menina Mimada, na 25: distanciamento onde antes todo mundo ficava tão próximo

consumidores, manter as vendas em tempos de comércio fechado exigiu empenho da equipe no sentido de buscar alternativas de atendimento. “Levamos o nosso varejo para o mundo digital”, conta Vanessa. “Trabalhamos com WhatsApp, Instagram, Facebook”, diz. “Passamos a oferecer delivery”. Para ela, a fidelidade dos clientes foi mantida, acima de tudo, pelo atendimento humanizado, atencioso. “Foi assim que seguimos vendendo”, diz.

Funcionário mede temperatura de cliente na entrada de loja: unidos na prevenção contra a Covid-19

‘TÍNHAMOS QUE VIR’ Se os empreendedores baseados no Circuito das Compras seguiram vendendo, aqueles que moram fora, mas se abastecem aqui, continuaram chegando. Microempresária do ramo de confecções, com lojas em Salvador, Bahia, Poliana de Lima Melo veio fazer compras no Brás, na capital paulista, em setembro. Ela viajou na companhia do marido, Marcio, e dos filhos, Marcio Filho e Maria Clara, de 6 e 10 anos, respectivamente, em setembro. “Uma vez por ano viajamos para renovar os nossos contatos de fabricantes no Brás”, conta. “Esperamos o comércio reabrir e viemos: para sair na frente da concorrência em termos de 10

variedade, qualidade e preço, é preciso vir para São Paulo”. Além das vantagens comparativas citadas por Poliana, a empreendedora quis conferir, na maior cidade do Brasil, se a falta de matéria-prima como tecidos e aviamentos ou a queda na oferta de importados era uma problema geral ou localizado no Nordeste, onde ela também compra peças de roupas para revender. “Fomos direto na fonte”, diz. “E vimos que, de fato, nem todos os produtos importados estão chegando”, conta. “O que chega, ainda vem mais caro. Mesmo assim, tínhamos que ter vindo”. Ela conta que a decisão de trazer os filhos em plena pandemia foi para “mantê-los sob a nossa vigilância”. “Me

senti segura ao fazer compras aqui”, diz. “Tomamos todos os cuidados e encontramos vendedores de máscara e álcool gel nas lojas, sem aglomerações”, conta. “Viemos porque precisamos trabalhar, mas tivemos mais medo do aeroporto que do comércio”. PARA FAZER A DIFERENÇA Assim como Poliana, Michelle Barboza foi outra microempresária a encontrar no, Circuito das Compras, boas oportunidades. Para incrementar a renda, ela passou a comprar lingerie para revender em Diadema, na Grande São Paulo, onde mora. “Comecei a vender as peças há três meses, compro tudo de fornecedores da

região do Brás, para onde vou a cada 15 dias”. Segundo Michelle, a oportunidade de empreender na pandemia fez toda a diferença. “Tem me ajudado muito a complementar a minha renda”, diz. “Vendo as peças pelas redes sociais e providencio a entrega”. Em termos de medidas de prevenção à Covid-19, ela diz só entrar em lojas com as mãos limpas e o rosto protegido, além de observar o controle do número de clientes por vez. “Mantenho sempre distância”. Sem dúvida uma prova de que, com máscara, álcool gel e vontade de prosperar, não há vírus que impeça o crescimento de vendedores e compradores do Circuito das Compras de São Paulo. 11


crônica

DIVULVAÇÃO

Liberdade é não ter medo

F

oi no minuto 53 da live do cantor italiano Andrea Bocelli que eu comecei a chorar. Naquele ponto da apresentação, realizada ao vivo em 12 de abril, data do domingo de Páscoa deste ano, o artista já se encontrava sozinho, na porta da Catedral de Milão, o Duomo, cantando Amazing Grace , de John Newton. A música, sobre fé e superação, saía com força e doçura da boca do tenor enquanto eram exibidas imagens de Paris e de outras cidades europeias completamente vazias. Em pleno isolamento por conta da pandemia

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da Covid-19, doeu nos olhos, no coração e na alma, ver cenários como os arredores da Torre Eiffel sem um turista ou parisiense sequer. Chorei. Libertei as minhas lágrimas abraçando o meu filho de seis anos, Joaquim, que há algum tempo já sabe que a gente chora por motivos variados, até por uma mistura de tristeza e emoção. Dias depois, vi uma foto da 25 de Março com todas as suas lojas fechadas. Mais exatamente na esquina com a Ladeira Porto Geral. Uma rua fantasma, sem movimento algum. Na hora, lembrei de Paris

e entendi porque havia ficado tão mexida pouco tempo antes: ver locais de tanta vida sem vida alguma é de uma crueldade sem fim. Cadê aquele monte de gente carregando sacolas a caminho do metrô? Como assim não dá para ver o colorido das vitrines? Onde estão as bijuterias, as fantasias, as peças de tecidos, as bolinhas de sabão flutuando de algum brinquedo, as capas para celular? Onde estava a tradicional 25 de Março como ela é naquele momento, naquela imagem tão fria? Não chorei, mas me senti paralisada. Confusa e mexida,

vendo o mundo virar de cabeça para baixo na tela do computador. Se a rua comercial mais famosa e amada do Brasil estava completamente fechada, estávamos vivendo tempos realmente difíceis. Tudo estava fora de lugar. A edição dessa revista que sairia em maio, cheia de reportagens lindas sobre o Dia das Mães, data mais importante para o comércio do Circuito das Compras de São Paulo e de todo o país, estava suspensa. Não haveria ninguém na rua para recebê-la. Antes disso, não haveria ninguém, em lugar nenhum, para entrevistar. Em 2020 não teve 25 para comprar o presente das mães. Nem José Paulino, nem Santa Ifigênia, na região central, nem Galvão Bueno, lá na Liberdade. Doeu ver aquela foto. Mas foi um tipo de dor daquelas que nos fazem despertar, que nos alertam para cuidar da gente, que nos obrigam a ouvir o corpo, a mente, as emoções. Naquela etapa do caminho, ninguém sabia ainda quando o comércio de rua da maior metrópole brasileira seria reaberto, o que só aconteceria em junho. Era realmente o tempo de parar tudo em nome da vida, da consciência de que precisamos cuidar de nós mesmos e dos outros, do fato simples e objetivo de que não

poderíamos adoecer todos ao mesmo tempo, sob pena de colapso na saúde pública e privada. Não havia nada a fazer a não ser….parar. Parar e esperar. Enfrentar o momento e se adaptar como fosse possível, dentro de um contexto totalmente novo. A s si m foi feito d e nt ro de cada casa, na dinâmica de cada família, com novos modelos de rotina e de relacionamento. Nossos lares agora são também escritório, escola, centro de recreação infantil 24 horas, academia, estúdio de ioga. Todo mundo teve que reorganizar tudo e sobreviver a uma rotina multiplataforma e multitarefa. Mesmo aqueles que em razão de suas funções, não puderam parar, tiveram que passar por alguma espécie de adaptação. Para quem ficou em casa, a ordem era seguir com o trabalho, assumir o acompanhamento das aulas dos filhos, brincar com eles, cuidar da faxina, preparar todas as refeições. E recomeçar tudo no dia seguinte. Pa ra m u it a g e nte ai n da houve o dilema da queda brusca na renda, do desemprego, do agravamento dos problemas emocionais, dos conflitos que ficaram ainda mais evidentes. Contas atrasadas, falta de perspectiva, divórcio, pais cansados, filhos

presos e cheios de energia acumulada. Como você lidou com esse caldeirão? Penso que cada um de nós teve a sua cota de desafio nesta pandemia. E que á todos foi dada, de algum modo, a oportunidade de evoluir. A minha revolução pessoal envolveu o olhar para dentro, o entendimento de quem eu sou, o reforço do meu amor-próprio para assim me relacionar melhor com o meu marido e com os meus filhos. Crescemos todos, seguimos avançando. A revista que você lê agora traz muitas histórias de crescimento também. E mostra como tantos homens e mulheres sobreviveram a esse turbilhão. Histórias de força, resiliência, coragem, resistência e reinvenção. Se você ainda não se sente evoluindo, inspire-se neles e nelas ao mesmo tempo em que começa a olhar generosamente para si mesmo e para aqueles que estão perto de você. Assim como a 25 de Março não é mais um cenário de portas fechadas, a sua vida também não precisa refletir estagnação e medo. Como disse a cantora, pianista e compositora norte-americana Nina Simone (19332003) e m u m a d a s s u a s frases mais famosas, “liberdade é não ter medo”. Livres, acima de tudo, sejamos. 13


guia de compras

Guia de compras

Kit Maquiagem SLUG grande: R$ 43,80 cada. Festas e Fantasias

Baleiro Caveira: R$ 59,00. Fantasias Radicais

Boo! Está chegando a hora de espantar todos os fantasmas para ver se o astral do ano finalmente melhora! O fato de termos que evitar aglomerações não quer dizer que o Halloween ou Dia das Bruxas não deva ser celebrado. Aproveite para decorar a casa e pintar as unhas de preto, por que não? Comemore com aqueles que moram com você. A seguir, as nossas dicas de produtos para o dia 31 de outubro:

Frankenstein e Bruxa, cabeça articulada: R$ 85,00. Fantasias Radicais

Esqueleto no Caixão: R$ 35,00. Fantasias Radicais

Chapéu bruxa vermelho e preto com véu preto: R$ 12,00. Fantasias Radicais

Caneca Caveira: R$ 9,00 cada. Fantasias Radicais

Crânio plástico: R$ 15,00 cada. Fantasias Radicais Caldeirão Abobora: R$ 6,75. Fantasias Radicais 3 batons + lápis roxo dark purple da Klasme: R$ 39,90. Diva

Caveira Death Dance: R$ 45,00. Fantasias Radicais

Zumbi bebê: R$ 165,00. Fantasias Radicais

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especial beleza

O paraíso dos cabeleireiros Uma das estrelas do Circuito das Compras de São Paulo, o bairro da Liberdade é famoso pela quantidade de lojas de artigos para beleza, com muitos estabelecimentos especializados

E

m todo o Brasil não há lugar melhor para os empreendedores dos salões de beleza se abastecerem de bons produtos. Uma das estrelas do Circuito das Compras de São Paulo, a Liberdade, no Centro da capital, é sede de casas tradicionais na área, atraindo clientes em busca de variedade e preços baixos.

Há nove anos à frente do seu espaço, o Edna Cabeleireira, na Vila Mariana, Edna Sousa vai ao bairro no mínimo duas vezes por mês para comprar esmaltes, pentes, tesouras, toucas de cabelo, capas, tinturas e os mais variados cremes para cuidar do visual dos seus clientes. “Quando fui montar um salão, comprei tudo na mesma loja, até as cadeiras e o lavatório”, explica. A empreendedora ainda aproveita essas oportunidades para passear na região. “Amo a Liberdade”, diz. “Sempre dou uma volta, como um pastel, compro alguma coisa para a casa”.

Uma das características do bairro que mais chamam a atenção dos empresários do setor é exatamente aquela apontada por Edna, a oportunidade de encontrar tudo o que é preciso para tocar um salão, até mesmo num único lugar. Uma dessas referências é a Ikesaki, maior loja de produtos de beleza da região e uma das maiores do país. A empresa, hoje com cinco unidades na maior metrópole brasileira, sendo duas no bairro japonês, foi inaugurada em 1964 com a proposta de ser um supermercado de artigos do tipo. Naquela época, o atendimento era tradicionalmente feito no balcão. Nos anos 1980, a empresa já tinha um mix de produtos que incluía móveis e equipamentos para os salões. A marca oferece ainda serviços de formação profissional em seus centros técnicos.

NA GALVÃO BUENO Além da Ikesaki, uma volta pela Rua Galvão Bueno revela outras ótimas opções de lojas. A Diva Cosméticos é uma delas. Lá, é possível levar desde uma pinça por R$ 4 até creme para a pele por R$ 1.800 da marca Shiseido. De acordo com o consultor de beleza do estabelecimento Gerson Crispim, metade do público da loja é formado por cabeleireiros. “Vendemos muitos cremes finalizadores e produtos para tratamentos faciais e corporais”, explica. Vale lembrar que a Liberdade é ainda uma referência para os consumidores de maquiagem, com muitas casas especializadas. Do blush aos secadores

de cabelo, a região é uma vitrine de novidades. Seja qual for o seu interesse nesse campo, vale a pena bater perna por lá. Segundo informações do Sebrae, uma das tendências é de que o setor de beleza cresça principalmente entre aqueles que investirem em diferenciais, que não perderem o foco na diversificação de seus serviços e produtos. Existem hoje, no Brasil, 500 mil salões de beleza formais, dos quais 276 mil estão na região Sudeste. Desse total, 83% são voltados ao público feminino. No Circuito das Compras de São Paulo, além da Liberdade, a 25 de Março é outro ponto importante de venda de itens na área. Nos últimos anos, têm ganhado espaço,

na rua e nas imediações, principalmente artigos de maquiagem e acessórios correlatos, como pincéis, esponjas e maletas daquelas quadradas e grandes, usadas pelos maquiadores para levar seu acervo para lá e para cá. Sendo você um cabeleireiro ou não, bons motivos não faltam para encher as sacolas e praticar o autocuidado e o amor-próprio nos melhores endereços do comércio de rua da capital paulista. Na Diva Cosméticos, na Rua Galvão Bueno, metade do público é formado por cabeleireiros

Consumidoras na Liberdade, bairro que virou referência em produtos de beleza em São Paulo

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violência doméstica

Hora de meter a colher: evento online debate propostas para acabar com as agressões no lar

1º Inovathon contra a Violência Doméstica teve o apoio da APECC e resultou em 14 projetos de ações concretas na área

U Os vencedores do Inovathon receberam os prêmios no gabinete da vereadora Soninha Francine

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m d ra m a q u e n ã o conhece classe social ou perfil socioeconômico. Um problema que afeta mulheres, crianças, jovens, idosos. E que, claro, gera mais danos nos grupos menos favorecidos em termos de renda. A violência doméstica envolve agressões físicas, assédio moral, sexual e tantos outros formatos de manipulação, como o controle do dinheiro. Para apoiar ações de combate a essa prática, foi realizado, em setembro, o 1º Inovathon Contra a Violência Doméstica. O evento, realizado online, teve o apoio d e e nt i d a d es como a Associação Paulista d o s E m p re e n dedores do Circ u i to d a s C o m pras (APECC) e promoveu debates que

resultaram na criação de 14 projetos concretos de ação. A violência doméstica e familiar é a principal causa de feminicídio no Brasil e no mundo. De acordo com informações da Organização das Nações Unidas (ONU), 17,8% das mulheres em todos os continentes sofreram algum tipo de violência física ou sexual em 2019. Em outras palavras, quase uma a cada cinco mulheres foi vítima deste tipo de crime no ano passado. Para uma das organizadoras do evento e fundadora da Hub e Tech, Samanta Lopes, são três os principais desafios quando o assunto é violência doméstica: a prevenção, que envolve cuidar e

educar, a ação emergencial, ligada à proteção e defesa das vítimas e o suporte, que inclui apoio e suporte para reorganizar a vida. “A partir dessas três linhas, todos os 14 projetos elaborados trouxeram alguma proposta”, explica Samanta. Segundo ela, foi uma “jornada intensa”. “Ainda estamos sentindo a energia do evento”, diz. “Foram 232 pessoas inscritas no Brasil inteiro, sendo 77% mulheres e 5% da comunidade LGBTQI+”, conta. Outro dado relevante, conforme Samanta, está no fato de que 35% das pessoas participantes eram negras ou pardas e 0,4% indígenas. “São dois grupos que geralmente não estão em maratonas assim”. As reflexões e propostas seguem sendo feitas em espaços como gru-

pos de conversas no aplicativo WhatsApp, o que mantém vivos os objetivos do Inovathon. “Tudo em menos de dois meses, conseguimos um feito”, diz Samanta. “Unir pessoas com perfis tão distintos de todo o país em prol de pensar soluções por meio de ferramentas para gerar inovação empreendedora resultou em propostas incríveis”. Por falar em transformação, a APECC oferece aos seus associados cursos de empreendedorismo e qualificação, ferramentas para quem quer iniciar um negócio ou aprimorá-lo, torná-lo profissional. E isso com foco em empreendedores de todos os portes, o que pode oferecer oportunidades para que as mulheres tenham independência econômica e não vivam à mercê de companheiros violentos.

GANHADORES DO PRÊMIO 1º INOVATHON 1º lugar: Violeta | Um jogo para crianças entenderem como agir em caso de risco 2º lugar: Reedukar | Porque os homens também precisam aprender sobre si e sobre masculinidade tóxica 3º lugar: Lutz | Porque um olhar 360º é necessário para apoiar e organizar a vida das pessoas que passam por momentos tão traumáticos

Além das vítimas mulheres, Samanta lembra que precisam de apoio grupos como os idosos, os portadores de deficiência e pessoas LGBTQI. “A violência doméstica não envolve só a mulher que apanha”, diz. “São vários os cenários de abuso, agressão e abandono no lar”. Ela observa que a estimativa de vida dos transsexuais no Brasil é de 35 anos. “É muita pressão”, afirma. “Na

maioria dos casos, os espancamentos começam na infância”, diz. “Mais de 35% dos trans saem de casa até os 24 anos”. DENUNCIE VOCÊ TAMBÉM Para denunciar um caso de violência doméstica, é só ligar para o número 180. Essa central de atendimento recebe denúncias e as encaminha aos órgãos competentes, além de monitorar o andamento dos processos. O s e r v i ço ai n d a te m a missão de orientar pessoas em situação de violência, encaminhando quem precisa para as redes específicas de atendimento. Para ver os debates realizados no evento, basta entrar na página da iniciat i v a n o Yo u Tu b e : I n o v a thon – Inovação e Criat i v i d a d e ( h t t p s : / /w w w . y o u t u b e . c o m /c h a n n e l / UCFCfz_lccsV46d-AEIQGuFQ).

Samanta: articulação para combater a violência doméstica

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totens com álcool-gel

Ibrachina e APECC

fazem doação de totens de álcool-gel para GCM de São Paulo

Estruturas serão espalhadas pela região central da cidade e podem ser usadas pelos guardas e pela população

O presidente da APECC, Ademir Antônio de Moraes, realizou a entrega dos totens para a comandante da GCM, Elza Paulina de Souza, acompanhado por Thomas Law, do Conselho da APECC

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E

m tempos de cuidados mais do que redobrados com a saúde e com a higiene pessoal, uma iniciativa para facilitar a vida de todos. A Associação Paulista dos Empresários do Circui-

to das Compras de São Paulo (Apecc) e o Instituto SocioCultural Brasil-China (Ibrac hi n a ) f i ze ra m u m a d o a ção de totens de álcool-gel para a Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Paulo. O objetivo é contribuir com a proteção destes profissionais na pandemia do coronavírus. Os totens são estruturas verticais nas quais, a partir do acionamento com os pés, o álcool-gel é liberado para a limpeza das mãos sem que o usuário precise tocar em nada. Uma facilidade para os guardas e para a população. O cuidado com a higiene das mãos é, junto com um o uso de máscaras, uma das

principais medidas de prevenção da Covid-19. Assim, se por acaso, algum dia, esquecer de levar o álcool-gel de casa, é possível usar essas estruturas, instaladas em locais públicos, na região central da capital paulista. “O objetivo da Apecc é revitalizar o Centro de São Paulo”, explicou o presidente da associação,Ademir Antônio de Morais. “Nessa missão, precisamos muito da GCM para somar forças”. Para o presidente do Ibrachina e conselheiro da Apecc, Thomas Law, a GCM de São Paulo merece todo “o respeito e o reconhecimento”. “Oferecemos o nosso apoio para que esses profissionais trabalhem com mais segurança”. Inspetora superintendente da GCM-SP, Elza Paulina de Souza agradeceu a doação. “Foi uma demonstração de respeito e compromisso com a cidade, com o cidadão e com a Guarda Civil”, afirmou. Esta foi a segunda doação de totens para higienização das mãos realizada pelo Ibrachina. A primeira foi entregue para a Prefeitura de Foz do Iguaçu, no Paraná, atendendo a um pedido feito pela Diretoria de Assuntos Internacionais da cidade. Lá, foram instaladas 20 estruturas do tipo.

vendedores

Especialistas

em atrair clientes Vendedores do Circuito das Compras se destacam pelo atendimento acolhedor e eficiente, o que faz toda a diferença na experiência de compras no comércio de São Paulo

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uem frequenta alguns dos polos do Circuito das Compras de São Paulo sabe que é muito bom contar com a ajuda dos vendedores dessas regiões. É entrar numa loja de artigos de festa da 25 de Março e ser orientado sobre quantos pacotes de pastilhas de chocolate deve comprar para encher aqueles 20 tubetes de plástico para o aniversário do filho. Ou ter a informação de que as toalhas de banho daquela marca ótima estão em promoção. Ir ao Brás, ou ao Bom Retiro, e descobrir quais são os tecidos mais confortáveis para vestir o filho que está na barriga no momento em que você não sabe absolutamente nada sobre bebês e enxovais. Além da 25 de Março, do Brás e do Bom Retiro, fazem parte do Circuito ainda áreas como a Rua Santa Ifigênia e o bairro da Liberdade. Especialista em Vendas e Negociação, com mais de 20 anos de experiência na área, Rodrigo Pires conta que o melhor curso de reciclagem que conhece é dar uma volta nos endereços do Circuito ou na feira mais próxima. E que

esses profissionais são craques principalmente pela sua capacidade de conquistar a atenção do cliente. “Todos os vendedores precisam estar preparados para resolver os problemas dos consumidores”, explica. “A diferença é que o vendedor do comércio popular precisa desenvolver uma habilidade especial para atrair a atenção, afinal, a loja ao lado vende os mesmos produtos, normalmente pelos mesmos preços”, diz. “É preciso pensar no que fazer para que o cliente se sinta tendo entrado no lugar certo”. Pires conta que ambientes de altíssima competitividade como os polos do Circuito exigem que os profissionais sejam muito preparados. “Ou você é bom ou você morre”, diz. “São vendedores acima de tudo atenciosos, tratam as pessoas de forma humanizada, para mim a habilidade mais importante que se requer de alguém que trabalha com vendas”, afirma. “Ser humano é mais importante do que ser educado”. Pai de dois meninos, um de cinco e outro de sete anos, Pires lembra de quan-

do um vendedor da 25 de Março deu um fantoche de fantasma para que o seu filho brincasse. “Quando me dei conta, ele já estava com o brinquedo nas mãos, pedindo que eu comprasse”, diz. “Esse profissional pode nunca ter feito nenhum curso, mas usou uma técnica de vendas muito eficiente, que é a demonstração”, explica. “Ele sabe que isso ajuda a vender”. Por essas e outras, Pires recorre ao comércio de rua de São Paulo para aprender sempre mais sobre vendas. “Quando quero ter aulas, vou à 25 de Março, à Santa Ifigênia, à feira”, diz. “Os vendedores do comércio popular deveriam dar palestras para as multinacionais”.

Vendedores do Circuito das Compras se destacam pela habilidade de atrair a atenção dos clientes

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bom retiro

O mais descolado do Brasil Bairro das boas ofertas e das artes, Bom Retiro foi eleito pela revista britânica Time Out como o mais cool do país e o 25 º no mundo. Saiba porque esse pedaço de São Paulo vale tanto a visita

na região central, o bairro é atendido por várias linhas de ônibus e estações de trem e metrô, sendo a da Luz a mais próxima da José Paulino. ARTE E VESTIDOS DE NOIVA

A rua José Paulino: coração do bairro e paraíso das compras

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N

o começo, era só a Chácara Bom Retiro. Um espaço de descanso para a família de Joaquim Egídio de Sousa Aranha, que morava em Campinas, a 100 quilômetros da capital. Uma história que começou a mudar quando, de olho nas oportunidades, o barão de café loteou sua propriedade para vender terrenos para a construção de casas para os trabalhadores da indústria. Isso ali por volta de 1880, segundo informações do site Cidade de São Paulo, da SP Turis, a empresa de turismo e eventos da

maior metrópole do Brasil, ligada à prefeitura local. O final dessa saga você já conhece: a consolidação de um dos bairros mais conhecidos da capital paulista, um polo importante do Circuito das Compras, onde têm sede mais de 2,5 mil empresas, a maioria de confecção. Tudo isso em pouco mais de 4 mil metros quadrados de área que atraem paulistanos e turistas de todo o país. Principalmente aqueles interessados em encher as sacolas de roupas para uso próprio ou para revender. Um marco que faz aniversário em 10 de

outubro e onde todo dia parece ser de festa, de tanto movimento. A Rua José Paulino, a mais famosa da região, é disputada principalmente aos sábados, quando os clientes do varejo são maioria em relação aos do atacado. Na média, 40 mil pessoas passam por lá todos os dias. No final do ano, esse número chega a 100 mil frequentadores. O motivo de tanta procura se justifica: poucos endereços no Brasil oferecem preços tão competitivos e tanta variedade de peças. Sem falar na facilidade de acesso: localizado

O bairro reserva muitos outros destaques além da via famosa pelas suas lojas de roupas. A São Caetano, conhecida pelas vitrines que exibem vestidos de noiva, é outra referência importante, sendo procurada ainda para a compra de trajes de festa femininos e masculinos e tecidos. Mais para o final do endereço, é possível encontrar ainda estabelecimentos que vendem manequins, cabides e outros produtos do tipo. Outro bom motivo para visitar a região é a possibilidade de encontrar, ali, museus que estão entre os mais conceituados da cidade. A Pinacoteca de São Paulo é focada na produção artística brasileira desde o século 19 até hoje. E ainda há o charme de ser o museu de arte mais antigo da capital, tendo sido fundado em 1905 pelo governo estadual. Atualmente, são 11 mil peças no acervo, entre as quais trabalhos de artistas como Anita Malfatti, Lygia

Clark, Tarsila do Amaral e Candido Portinari, entre outros. O museu ocupa o casarão que foi a antiga sede do Liceu de Artes e Ofícios. E foi projetado no final do século XIX pelo escritório do arquiteto Ramos de Azevedo, tendo sido reformado, no final da década de 1990, com projeto sob o comando de outro arquiteto renomado: Paulo Mendes da Rocha. Outro endereço conhecido é o Museu de Arte Sacra, que ocupa a ala esquerda térrea do Mosteiro de Nossa Senhora da Imaculada Conceição da Luz e a antiga Casa do Capelão do prédio. Lá, é possível conferir um acervo delicado e que inclui presépios e imagens sacras. Vale lembrar que, também no bairro, a Estação Júlio Prestes foi restaurada e atualmente abriga a Sala São Paulo, sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP). Sem dúvida um dos espaços mais bonitos do Brasil para se assistir a um concerto. O MAIS DESCOLADO Parte do charme do Bom Retiro está na sua diversidade cultural e étnica. Os primeiros imigrantes foram os italianos

e os portugueses, seguidos por outros europeus de origens variadas, em sua maioria judeus fugindo do nazismo na Segunda Guerra. Mais recentemente, coreanos e bolivianos se consolidaram como presenças fortes na área. Por essas e outras, esse pedaço de São Paulo foi eleito o bairro mais “cool” ou descolado do Brasil e o 25º do mundo pela revista britânica Time Out. A publicação, especializada em cultura e entretenimento, apontou que o local é, além de um polo de compras e arte, uma espécie de polo gastronômico onde se destacam as casas de gastronomia coreana, judaica e húngara. Precisar, nem preci s ava , m a s , si m , bem que os ingleses nos deram mais um bom motivo para se jogar no bairro, sem dúvida um dos mais cheios de vida e identidade de uma das cidades mais cheias de vida e identidade do Brasil.

À esquerda, vitrine da José Paulino, referência no comércio de confecção em São Paulo. À direita, detalhe da Pinacoteca, o museu de arte mais antigo da cidade

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gastronomia – por Felipe Agne

Ramen Ikkousha:

o sabor original de Haraka na Liberdade

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fila na entrada do Ramen Ikkousha já anuncia: a espera vale a pena. Inaugurado em 2018 na onda de sucesso das casas de lámen, a rede japonesa de restaurantes presente em 11 países se consolidou na Liberdade, em São Paulo. Tudo para experimentar a especialidade da casa: o tonkotsu ramen. Mas o que torna este prato tão especial? É o que vamos contar para você agora. O tonkotsu é um caldo tradicional do distrito de Haraka, no sul do Japão. É preparado com ossos de porco cozidos por mais de 15 horas, como manda a tradição. Mas e daí? E daí que ele surpreende por não ser gorduroso: a textura é quase cremosa. É uma experiência gastronômica que vale a pena para qualquer paladar. Que o digam as pessoas na fila. Na hora de pedir, é possível escolher o ponto do macarrão (kaedama), que se diferencia dos demais por ser mais fino. As opções são mole, normal, duro e super duro. Solicitei o normal e veio perfeito: al dente. A massa fica resistente, mas não dura. Fazem parte do prato fatias de lombo suíno (chyashu), ovo cozido (ajitama), cogumelo preto (kikurage) e cebolinha (ao-negui). A versão tradicional sai por R$ 35,00 e a completa, R$ 41,00. Há uma versão light,

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com tonkotsu misturado a um molho a base de sal, pelo mesmo preço. Quem estiver aventureiro pode experimentar um com mistura de missô, que é acompanhado de repolho, cenoura, moyashi e milho. Aos corajosos, tem o God Fire: o tonkotsu encontra a pimenta japonesa “ichimi”. A maioria das sobremesas é a base de arroz (mochi) gelado, com uma película que envolve os recheios de chá verde, chocolate ou morango. Experimentamos o Missô Caramelizado, um sorvete que mistura o doce com o salgado. Um encontro feliz, mas exótico. Funciona bem. Todas têm o mesmo preço: R$ 13,00. SERVIÇO Ikkousha Ramen R. Thomaz Gonzaga, 45, Loja E, Liberdade, São Paulo Telefone: (11) 3132-6033 info@ikkousha.com.br https://ikkousha.com.br/ instagram.com/ikkousha_ brasil/ Almoço: Segunda a Sexta: 11:30hs – 15:00hs Sábado, Domingo e Feriados: 11:00hs – 15:30hs Jantar: Segunda a Sexta: 18:00hs – 22:00hs Sábado e Feriados: 18:00hs – 22:00hs Domingo: 18:00 – 21:00hs

delivery

De volta ao kibe e à mussaká Dois clássicos da gastronomia do Circuito das Compras, Monte Líbano e Acrópoles reabrem as portas e prometem investir no delivery para os clientes que preferem ficar em casa

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ue bom que eles voltaram a abrir as portas. A pandemia da Covid-19 afetou a economia como um todo em maior ou menor grau, desafiando empresas de todos os setores. Assim foi com os restaurantes, que tiveram a sua saúde financeira ameaçada com o fechamento aos clientes nos estabelecimentos, mantendo apenas os serviços de entrega. Para os frequentadores de endereços famosos do Circuito das Compras, como a 25 de Março e a José Paulino, no Bom Retiro, ficou a saudade principalmente de casas famosas pela boa comida e pela relação afetiva com os clientes. É o caso do Monte Líbano Gastronomia Árabe, na Rua Cavalheiro Basílio Jafet, quase na esquina com a 25. O local, normalmente lotado na hora do almoço, ficou três meses fechado. Por motivos pessoais, a proprietária da casa, Regina Maatouk, decidiu suspender também o serviço de delivery. Segundo ela, o movimento ainda não é o mesmo de antes, está em torno de 50% do que era antes, mas as entregas ganharam força, subindo

30% em relação ao início do ano. “Vamos reforçar essa parte e começamos a abrir aos sábados”, explica Regina. O Monte Líbano existe desde 1973, primeiro sob o comando da mãe da chef e empresária, Alice Matoouk, e, depois, com a participação da filha. Até hoje, dona Alice prepara ela mesma os principais pratos da casa, entre os quais o kibe michui, assado na brasa.

número de consumidores nas mesas hoje é de apenas 40% do que era antes do coronavírus. “Foi difícil, mas sabemos que não há mal que dure para sempre”. Para animar a vida, garante a empresária, nada como a mussaká servida no Acrópoles, prato feito com fatias de berinjela com carne moída e molho bechamel. “Aos poucos, os clientes começam a voltar”, explica. Saudade por parte dos seus frequentadores fiéis, ela sabe, não falta.

Monte Líbano: relação afetiva com os clientes

Acrópoles: delivery para matar as saudades

MAIS UMA MUSSAKÁ, POR FAVOR Outro clássico do Circuito das Compras é o Acrópoles, restaurante de comida grega na Rua da Graça, no Bom Retiro. O estabelecimento ficou fechado por 110 dias, sem delivery. “Não estávamos acostumados a fazer entrega e os nossos pratos não poderiam ser levados de qualquer jeito”, explica a proprietária, Aglaia Claudia Petrakis. Agora, a casa se prepara para atender em domicílio. “Os frequentadores mais antigos mandavam mensagem no meu celular perguntando pelas entregas”, conta. Claudia explica que não foi fácil sobreviver. E o que o

SERVIÇO Monte Líbano Gastronomia Árabe Rua Cavalheiro Basílio Jafet 38 – 1º andar – Centro, São Paulo, Telefone: (11) 3229-4413 gastronomiamontelibano.com.br/ Restaurante Acrópoles Rua da Graça 364 – Bom Retiro Telefone: (11) 3223-4386

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