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UNIVERSIDADE DE ÉVORA DEPARTAMENTO DE PAISAGEM, AMBIENTE E ORDENAMENTO

RELATÓRIO DE ESTÁGIO MESTRADO EM ARQUITETURA PAISAGISTA

EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA PAISAGISTA Ana Manuel Sobral Caetano Mestre

Orientador: Professora Dra. Maria da Conceição Martins Lopes de Castro Co-orientador: Professora Dra. Maria da Conceição Marques Freire

Fevereiro 2012

ESTE RELATÓRIO DE ESTÁGIO NÃO INCLUI AS CRÍTICAS E SUGESTÕES DO JÚRI. 


ESTE RELATÓRIO DE ESTÁGIO NÃO INCLUI AS CRÍTICAS E SUGESTÕES DO JÚRI.       

   


Quero  agradecer,  em  primeiro  lugar,  ao  Arquitecto  Paisagista  João  Ceregeiro  e  à  Arquitecta  Paisagista  Marta  Francisco  que  tão  bem  me  receberam  na  equipa  e  me  apoiaram  durante  todo  o  estágio.  Agradeço  também  a  todos  os  professores  que  fizeram  parte  do  meu  percurso  académico por me transmitirem os seus conhecimentos e por me fazerem  apaixonar  pela  Arquitectura  Paisagista,  em  especial  à  Professora  Conceição  Castro  e  à  Professora  Conceição  Freire  por  me  orientarem  durante  a  realização  deste  relatório.    Um  agradecimento  muito  especial  aos meus colegas de turma com quem criei verdadeiras amizades e com  quem partilhei os bons e maus momentos da vida de estudante.   Por  último  quero,  também,  agradecer  à  minha  família  pelo  apoio  que  sempre me deram.                                            III 

AGRADECIMENTOS                                                                     

 


EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA PAISAGISTA 

RESUMO                                                    

Neste relatório é apresentado o trabalho desenvolvido durante o estágio  realizado  no  atelier  de  Arquitectura  Paisagista  Ceregeiro,  Arquitectura  Paisagista  Lda.  –  Projecto  de  espaços  exteriores  para  a  residência  de  estudantes  do  Tagus  Park;  Projecto  de  espaços  exteriores  da  Quinta  de  S.José  de  Ribamar;  Projecto  de  espaços  exteriores  da  moradia  do  bairro  da  Martinha;  Projecto  de  espaços  exteriores  para  a  área  envolvente  ao  Palacete  do  Campus  do  Lumiar;  Projecto  de  espaços  exteriores  para  a  moradia privada da Av.Tenente‐Coronel José Pessoa; Projecto de espaços  exteriores para a moradia Gonçalo Corrêa D’Oliveira; Projecto de espaços  exteriores  para  a  parcela  148C  da  herdade  da  Comporta  e  Plano  de  plantação  da  moradia  Clara  Chambel.  Juntamente  com  a  exposição  dos  diferentes  trabalhos  é  feita  uma  reflexão  crítica  sobre  as  metodologias  utilizadas  e  as  dificuldades  sentidas  durante  o  desenvolvimento  dos  mesmos,  bem  como  a  forma  como  estes  vieram  complementar  as  aprendizagens  adquiridas  durante  o  percurso  académico  e  como  me  valorizaram enquanto profissional da área de Arquitectura Paisagista.                                   IV 

 

 


EXPERIENCES IN THE FIELD OF LANDSCAPE ARCHITECTURE 

ABSTRAT                                                        

  This  report  presents  the  work  developed  during  the internship in  the  studio Ceregeiro, Landscape  Architecture Ltd.  –  Outdoor  Landscape  Project  for  the  students  residence in Tagus  Park;  Outdoor  Landscape  Project of Quinta de S.José de Ribamar; Outdoor Landscape Project of  a  private  villa  in  Bairro  da  Martinha;  Outdoor  Landscape  Project  of  Palace   Campus do  Lumiar;  Outdoor  Landscape  Project  of  private  villa  in  Av.Tenente‐Coronel  José  Pessoa;  Outdoor  Landscape  Project  of  private  villa of Gonçalo Corrêa D’Oliveira; Outdoor Landscape Project of lot 148C  in  Herdade  da  Comporta  and  Planting  Plan  in  private  villa  of  Clara  Chambel.  Along  with the  exposure  of different  studies is  carried  out a critical  reflection on  the  methodologies  used and  on the  difficulties  experienced throughout their  development,  as  well  as how  they came to  complement  the learning  acquired during  my academic  career  and  how  am I valorized as a professional in the area of Landscape Architecture.   

                            V 


RELATÓRIO DE ESTÁGIO  

ÍNDICE  

 

 

        EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA  PAISAGISTA 

 

       AGRADECIMENTOS .....................................................................................III         RESUMO...................................................................................................IV       ABSTRAT ...................................................................................................V        1. INTRODUÇÃO .............................................................................................4        2. BREVE CARACTERIZAÇÃO DA ENTIDADE ONDE FOI REALIZADO O ESTÁGIO...............5        3. EXPERIÊNCIAS ...........................................................................................10    3.1. PROJETO DE ESPAÇOS EXTERIORES PARA A RESIDÊNCIA DE         ESTUDANTES DO TAGUS PARK .........................................................10    3.2. PROJETO PARA OS ESPAÇOS EXTERIORES DA QUINTA DE S. JOSÉ DE    RIBAMAR.....................................................................................13      3.3. PROJETO DE ESPAÇOS EXTERIORES DA MORADIA DO BAIRRO DA    MARTINHA  .................................................................................20      3.4. PROJETO DE ESPAÇOS EXTERIORES PARA A ÁREA ENVOLVENTE AO    PALACETE DO CAMPUS DO LUMIAR ..................................................30      3.5. PROJETO DE ESPAÇOS EXTERIORES PARA A MORADIA PRIVADA DA    AV.TENENTE‐CORONEL JOSÉ PESSOA ...............................................40    3.6. PROJETO DE ESPAÇOS EXTERIORES PARA A MORADIA GONÇALO CORRÊA      D’OLIVEIRA .................................................................................46    3.7. PROJETO DE ESPAÇOS EXTERIORES PARA A PARCELA 148C DA HERDADE      DA COMPORTA .............................................................................53    3.8. PLANO DE PLANTAÇÃO DA MORADIA CLARA CHAMBEL ........................60      4. CONSIDERAÇÕES FINAIS..............................................................................64        5. BIBLIOGRAFIA ...........................................................................................65                                                                                                                                                                                                                                                               1  MESTRADO EM ARQUITETURA PAISAGISTA                ANA MANUEL MESTRE 


RELATÓRIO DE ESTÁGIO  

 

ÍNDICE DE FIGURAS    Fig.1 Esquiço (da autoria do Arq. Paisagista João Ceregeiro)  ............. 7   

 

        EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA  PAISAGISTA 

  Fig.19 Plano Geral da Proposta para os espaços exteriores da  moradia do Bairro da Martinha ......................................................... 20  Fig.20 Levantamento da situação existente/corte ............................ 22 

Fig.2 Localização Tagus Park ................................................................ 8 

Fig.21 Levantamento da situação existente/corte ............................ 22 

Fig.3 Corte da fase I ‐ Proposta para os espaços exteriores da residência  de estudantes no Tagus Park ............................................................. 10 

Fig.22 Aditamento do Plano de Plantação e Sementeiras –  Cobertura Plantada ............................................................................ 24 

Fig.4 Corte da fase II ‐ Proposta para os espaços exteriores da residência  de estudantes no Tagus Park ............................................................. 10   

Fig.23 Pavimento e escada ‐ Pormenor da construção...................... 26 

Fig.5 Localização da Quinta da S.José de Ribamar ............................. 11  Fig.6 Limite exterior sul (Quinta de S.José de Ribamar)..................... 12  Fig.7 Dragoeiros (Quinta de S.José de Ribamar) ................................ 12  Fig.8 Plano geral da proposta para os espaços exteriores da Quinta  de S.José de Ribamar.......................................................................... 13 

Fig.24 Base de Guarda‐Sol junto da piscina ‐ Pormenor de  construção ......................................................................................... 26  Fig.25 Fotografia do Pátio em fase de obra ....................................... 27  Fig.26 Fotografia da estrutura de ensombramento do  estacionamento em fase de obra ...................................................... 27    Fig.27 Localização do IAPMEI ‐  Palacete do Campus do Lumiar ....... 28 

Fig.9 Maqueta .................................................................................... 14 

Fig.28 Setor Poente ‐ Fotografia do espaço original.......................... 29 

Fig.10 Fotografia do espaço original .................................................. 14 

Fig.29 Setor Nascente ‐ Fotografia do espaço original ...................... 29 

Fig.11 Corte – Jardim da Borracheira e Jardim da Pimenteira........... 15  Fig.12 Corte – Pátio Central ............................................................... 15 

Fig.30 Plano Geral da Proposta para os espaços exteriores do  Palacete do Campus do Lumiar.......................................................... 30 

Fig.13 Elemento de água – Pormenor de construção ........................ 16 

Fig.31 Pérgola ‐ Fotografia do espaço original................................... 31 

Fig.14 Elemento de água – Pormenor de construção ........................ 14 

Fig.32 Setor Poente ‐ Fotografia do espaço original.......................... 31 

Fig.15 Plano de Adução e Recirculação de água ................................ 17   

Fig.33 Imagem do espaço original em 1960 ...................................... 33 

Fig.16 Localização da moradia do Bairro da Martinha....................... 18 

Fig.35 Setor Nascente ‐ Fotomontagem da proposta........................ 33 

Fig.17 Zona da piscina (fotografia do espaço original)....................... 19 

Fig.36 Corte da proposta para os espaços exteriores da área  envolvente ao Palacete do campus do Lumiar – Setor Nascente...... 34 

Fig.34 Setor Nascente ‐ Fotografia do espaço original ...................... 33 

Fig.18 Acesso principal (fotografia do espaço original) ..................... 19                                                                                                                                                                                                                                                               2  MESTRADO EM ARQUITETURA PAISAGISTA                ANA MANUEL MESTRE 


RELATÓRIO DE ESTÁGIO  

 

Fig.37 Corte da proposta para os espaços exteriores da área  envolvente ao palacete do Campus do Lumiar – Setor Nascente...... 35  Fig.38 Bancada – Pormenor em 3D...................................................  36  Fig.39 Bancada – Pormenor de construção ....................................... 36  Fig.40 Banco em bloco de pedra – Pormenor de construção ............ 36  Fig.41 Palacete do Campus do Lumiar/Limite exterior sul  Fotomontagem................................................................................... 37    Fig.42 Localização da Moradia da Av. Tenente‐Coronel José Pessoa 38 

 

        EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA  PAISAGISTA 

Fig.55 Localização da parcela 148C da Herdade da Comporta .......... 51  Fig.56 Herdade da Comporta – Fotografias do espaço original......... 52  Fig.57 Plano Geral da Proposta para os espaço exteriores da  parcela 148C da Herdade da Comporta............................................. 53  Fig.58 Corte da proposta para os espaços exteriores da parcela  148C da Herdade da Comporta.......................................................... 54  Fig.59 Passadiço em madeira (deck) – Pormenor de construção ...... 55  Fig.60 Degraus rampeados – Pormenor de construção..................... 55 

Fig.43 Fotografias do espaço original................................................. 39 

Fig.61 Plano de rede de rega automática para os espaços exteriores  da parcela 148C da Herdade da Comporta ........................................ 57 

Fig.44 Plano geral da proposta para os espaços exteriores da  Moradia da Av. Tenente‐Coronel José pessoa ................................... 40 

 

Fig.45 Plano Prévio de rede de rega automática ............................... 43    Fig.46 Localização da Moradia Gonçalo Corrêa D’Oliveira ................ 44  Fig.47 Fotografias do espaço original................................................. 45  Fig.48 Plano Gera da Proposta para os espaços exteriores da  Moradia Gonçalo Corrêa D’Oliveira ................................................... 46  Fig.49 Perfis de modelação do terreno .............................................. 47  Fig.50 Plano de Implantação Planimétrica......................................... 48  Fig.51 Recorte dos degraus em bloco de pedra – Pormenor em 3D . 49  Fig.52 Estrutura de ensombramento ‐ Pormenor em 3D .................. 50  Fig.53 Pormenor de encaixe das pranchas de madeira da pérgola ... 50  Fig.54 Pormenor de fixação dos painéis de madeira da guarda ........ 50   

Fig.62 Localização da moradia Clara Chambel................................... 58  Fig.63 Plano de plantação para a moradia Clara Chambel ................ 59  Fig.64 Fotografia do espaço original .................................................. 60  Fig.65 Legenda do plano de plantação para a moradia Clara  Chambel – Módulos ........................................................................... 61   

                     

                                                                                                                                                                                                                                                             3  MESTRADO EM ARQUITETURA PAISAGISTA                ANA MANUEL MESTRE 


RELATÓRIO DE ESTÁGIO  

 

1. INTRODUÇÃO     Pretende, este relatório, dar a conhecer o percurso seguido ao longo de  sete  meses  de  um  estágio  curricular  na  área  de  projeto  de  Arquitetura  Paisagista  no  Atelier  Ceregeiro,  Arquitetura  Paisagista  Lda.  É  aqui  apresentada  uma  reflexão  sobre  toda  a  experiência  adquirida  e  sobre  o  meu  crescimento  enquanto  profissional,  bem  como,  a  forma  como  essa  experiência  complementou  as  aprendizagens  e  competências  adquiridas  ao longo de cinco anos de realização da componente académica do curso  de Arquitetura Paisagista.     Entre as expectativas que tinha ao iniciar o estágio salientam‐se: adquirir  experiência  profissional  e  organizacional  na  minha  área  de  formação  e  noutros  temas  relacionados  com  a  mesma;  procurar  a  oportunidade  de  desenvolver  competências  num  ambiente  profissional  e  técnico  que  me  permitisse  a  aplicação  prática  de  temas  abordados  durante  o  curso  e  a  oportunidade  de  utilizar  alguns  desses  conhecimentos  em  situações  específicas;  terminar  o  estágio  com  a  capacidade  de  continuar  a  desenvolver o meu trabalho como Arquiteta Paisagista da melhor forma,  tornando‐me capaz de o fazer por iniciativa própria; ampliar a minha rede  networking  de  contactos  pessoais  e  profissionais;  melhorar  as  minhas  competências  comportamentais  como  relacionamento  interpessoal,  autoconfiança,  disciplina,  método  de  trabalho,  e,  principalmente,  capacidade de integração em organizações e equipas de trabalho.     Tive  a  felicidade  de  integrar  a  equipa  do  Arquiteto  Paisagista  João  Ceregeiro, que me recebeu com imediatas propostas de participação em   diversos  projetos  e  com  a  preocupação  de  responder  às  minhas  expectativas  relativamente  ao  estágio  que  me  propus  realizar.  Circunstâncias  que  muito  me  motivaram  no  inicio  do  percurso  como  estagiária.       

 

        EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA  PAISAGISTA 

    O relatório foi organizado de modo a sublinhar os vários trabalhos em que  tive oportunidade de participar no âmbito do estágio. Após um pequeno  enquadramento  e  análise  do  local  de  intervenção,  é  depois  apresentada  uma  reflexão  sobre  todo  o  trabalho  desenvolvido  e  sobre  a  experiência  ganha, assim como uma visão crítica em relação à forma como o processo  se desenvolveu e à metodologia e técnicas de trabalho utilizadas.     Todos  os  projetos  apresentados  tiveram  a  participação  ativa  de  toda  a  equipa de Arquitetos Paisagistas, Arquitetos e Engenheiros. Uma especial  referência  deve  ser  feita  ao  Arquiteto  Paisagista  João  Ceregeiro,  e  à  Arquiteta Paisagista Marta Francisco, que constituem a equipa residente  do atelier e que coordenam e desenvolvem os projetos ali realizados, para  os quais contribuí com o meu trabalho e conhecimentos.  

                                 

   

                                                                                                                                                                                                                                                             4  MESTRADO EM ARQUITETURA PAISAGISTA                ANA MANUEL MESTRE 


RELATÓRIO DE ESTÁGIO   2. ENTIDADE                                                                   

 

 

        EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA  PAISAGISTA 

    BREVE CARACTERIZAÇÃO    A  entidade  onde  realizei  o  estágio  é  uma  empresa  com  cerca  de  vinte  anos de trabalho na área de projeto de arquitetura paisagista. A equipa é  coordenada  pelo  do  Arquiteto  Paisagista  João  Ceregeiro,  licenciado  pela  Universidade  de  Évora,  que  conjuntamente  com  a  Arquiteta  Paisagista  Marta  Francisco  (licenciada  pela  mesma  universidade),  constituem  os  elementos que asseguram a continuidade dos trabalhos.   Sedeada  em  Lisboa,  tem  tido  ao  longo  do  tempo,  a  colaboração  de  diversos  Arquitetos  Paisagistas,  assim  como  outros  técnicos,  entre  os  quais  se  salientam  o  Engº  António  Magalhães  de  Carvalho,  o  Arquiteto  Alexandre Berardo e o orçamentista António Pereira.   Salienta‐se  a  presença  permanente  dos  jardins  históricos,  intervenções  que abrangem tanto o setor público como privado.   De  entre  os  diversos  projetos  realizados  por  este  atelier,  destacam‐se  a  proposta  para  os  espaços  exteriores  da  Quinta  de  S.José  de  Ribamar;  Palácio  de  Estói  e  os  espaços  exteriores  da  Praça  de  Touros  do  Campo  Pequeno.     

                                                                                                                                                                                                                                                             5  MESTRADO EM ARQUITETURA PAISAGISTA                ANA MANUEL MESTRE 


RELATÓRIO DE ESTÁGIO  

 

METODOLOGIA DE TRABALHO    Quando  os  projetos  entram  no  atelier,  a  todos  é  atribuída  uma  referência1.  Embora  possa  haver  uma  alguma  variação,  os  trabalhos  são,  normalmente, divididos em várias fases. Na maior parte das vezes temos  três fases distintas que são:     ‐  Estudo  Prévio  –  Fase  em  que  o  trabalho  passa,  de  modo  mais  significativo,  pelo  processo  criativo  e  em  que  é  apresentado  ao  cliente,  para  que  seja  discutida  e  decidida  a  proposta.  Nesta  fase  são  normalmente entregues as peças desenhadas e escritas suficientes para a  compreensão  da  proposta,  podendo,  por  vezes,  haver  peças  que  acrescentam,  já,  alguma  informação  que  remete  para  o  projeto  de  execução.  Esta  fase  pode  ser,  também,  referida  como  projeto  de  licenciamento,  nos  casos  em  que  a  proposta  é  apresentada  à  Câmara  Municipal para ser licenciada.     ‐  Projeto  de  execução  –  Fase  em  que  é  decidida  toda  a  informação  que  será  necessária  apresentar  para  uma  correta  leitura  do  projeto  e  execução  da  proposta,  em  fase  de  obra.  Nesta  fase  são  apresentados  todos  os  pormenores  técnicos,  materiais  utilizados  e  técnicas  de  construção.  São  elaboradas  várias  peças  desenhadas  e  escritas  que  servem de guia para a equipa de profissionais que irá executar o projeto.  Esta  fase  é  bastante  mais  complexa  que  a  anterior,  o  que  a  leva  a  requerer mais tempo e maior cuidado.     ‐ Obra/execução – Esta é a fase em que se inicia a execução da proposta.  Com  base  nas  peças  desenhadas  e  escritas  apresentadas,  uma  equipa  especializada, executa o projeto. Apesar de não ter intervenção direta, o  Arquiteto Paisagista deve acompanhar esta fase até ao final.    

   

 

        EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA  PAISAGISTA 

    Em  alguns  casos,  e  por  diversas  razões,  o  projeto  necessita  de  algumas  correções  e/ou  ajustes  das  peças  que  foram  entregues.  Outras  vezes,  é  pedido  que  se  acrescente  alguma  informação  que  complementa  o  projeto.  Estas  situações  surgem,  normalmente,  na  fase  de  obra  ou  na  análise  das  peças  antes  do  início  desta.  Isto  pode  ser  resolvido  de  duas  formas,  dependendo  da  complexidade  das  correções  ou  da  informação  que se pretende adicionar: quando são casos mais complexos é feita uma  revisão ao projeto (fase em que são revistas todas ou algumas peças que  foram  elaboradas,  identificam‐se  os  erros,  as  omissões  e/ou  os  ajustes  que são necessários fazer e corrigem‐se; nos casos mais simples e em que  basta  acrescentar  novas peças  com  a  informação  necessária,  é  chamado  aditamento.     Face  à  evolução  do  processo,  à  identificação  geral  do  projeto,  é  introduzida  uma  nova  referência  que  indica  qual  a  fase  a  que  pertence  cada peça desenhada e escrita2.     O Estudo Prévio/Licenciamento e o Projeto de execução são divididos em  três  desenvolvimentos  específicos  do  trabalho  –  Construção  Geral;  Plantações e Sementeiras e Rede de Rega Automática. Cada uma das três  é  composta  por  várias  peças  desenhadas  e  escritas.  Dependendo  da  frente de trabalho a que se referem, é acrescentada, aos desenhos, mais  uma referência3.     A  esta,  é  acrescentado,  por  fim,  um  número  que  identifica  cada  um  dos  desenhos, atribuindo‐lhes uma ordem4.              

                                                                                                                                                                                                                                                             6  MESTRADO EM ARQUITETURA PAISAGISTA                ANA MANUEL MESTRE 

1 Definida pela ordem de entrada e pelo ano em que o projeto é entregue à equipa para se iniciar o trabalho (ex. 05/10, neste caso seria o quinto projeto do ano 2010). 2 3

 EP para Estudo Prévio; PL para Projeto de Licenciamento; PE para Projeto de Execução e AD para Aditamentos. No caso das revisões, é apenas referido por extenso na legenda/rótulo da folha.   CG para Construção Geral; PS para Plantações e Sementeiras e AGR para Rede de Rega Automática. 4 Ex: 05/10‐PE‐CG01 ‐ Primeira peça (01) da construção geral (CG) do projeto de Execução(PE) do quinto projeto de 2010.(05/10). 


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Um projeto finalizado pode então ser composto pelas seguintes peças:     Construção geral    ‐  Levantamento  da  situação  existente  –  Apresenta  o  espaço    original.  Nesta  peça  deverá  ler‐se  a  distribuição  das  áreas    plantadas  e  pavimentadas  bem  como  elementos  presentes,    edifícios e a topografia do terreno antes  da intervenção.         ‐ Plano de Amarelos e Encarnados – Apresenta a sobreposição das    linhas  principais  do  espaço  original  e  da  proposta.  As  linhas  do    espaço  original  são  representadas  a  amarelo  (cor,  normalmente,    atribuída  a  elementos  que  serão  demolidos)  e  as  linhas  da    proposta  a  encarnado  (cor  atribuída  a  elementos  que  serão    construídos.       ‐ Plano Geral – Apresenta o plano geral da proposta. Nesta peça    deverá  ser  legível  a  distribuição  das  áreas  plantadas  e    pavimentadas,  a  localização  de  edifícios  presentes  no  espaço,  os    principais  equipamentos  propostos  e  a  modelação  do  terreno.  É    nesta  peça  que  se  faz  o  zonamento  do  espaço  de  intervenção,   atribuindo nomes às diferentes áreas propostas, por uma questão    de organização e leitura de todo o projeto.         ‐  Cortes  /alçados    –  São  uma  peça  essencial  para  o  estudo  da    modelação  de  terreno  proposta.  É  também  importante  para    uma visão diferente da organização do espaço e pode ser útil no    cálculo  de  movimentações  de  terra.  No  caso  dos  cortes    apresentados  nas  peças  do  projeto  de  execução  e  apresentam    alguns pontos   que remetem para os pormenores de construção.         ‐  Plano  de  Modelação  do  terreno  ‐    Peça  onde  se  sobrepõem  as    curvas  de  nível  e  pontos  cotados  do  espaço  original  com  a    modelação  do  terreno  proposta,  para  melhor  compressão  das    alterações a efetuar. Poderão também ser apresentados os perfis 

 

        EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA  PAISAGISTA 

de modelação, a partir dos quais se calculam os valores de movimentação  de terras.     ‐ Plano de Implantação planimétrica  – É uma peça essencial no início da  fase de obra por ser com esta que se fazem as marcações no terreno para  se  iniciarem  as  construções.  Deve  ser  legível  e  indicar  todas  as  medidas/cotas  necessárias  à  localização  dos  elementos  propostos  e  dos  limites principais do espaço (pavimentos, lancis, etc.).     ‐ Plano de pavimentos, drenagem e equipamentos ‐  Esta peça apresenta  vários  “sub‐temas”:  o  plano  de  pavimentos,  que  apresenta  a  localização  dos vários pavimentos propostos; a drenagem, que indica a localização de  todas as estruturas e elementos necessários é boa drenagem do terreno;  e ainda a localização de todo o mobiliário e elementos de iluminação ou  outros elementos mais específicos.     ‐  Pormenores  de  construção  –  Estas  peças  são  essenciais  na  fase  de  projeto de execução. Apresentam todos os pormenores técnicos relativos  aos  materiais  e  técnicas  de  construção  propostos.  Estas  especificações  são  apresentadas  em  forma  de  cortes  de  pormenor  em  escalas,  normalmente entre 1/50 a 1/10 ou até 1/5.       ‐ Memória descritiva e justificativa ‐  Peça escrita que descreve de forma  clara todas as opções da proposta relativas à construção geral e as razões  dessas opções.     ‐ Caderno de encargos – Indica, de forma escrita, todas as especificações  técnicas  dos  materiais  a  utilizar  e  descreve  todas  as  ações  relativas  às  técnicas de construção propostas. Na fase de   obra,  o  empreiteiro  é  obrigado a cumprir todas as condições  especificadas nesta peça.     ‐ Medições e orçamentos – Apresenta todas as quantidades (de materiais  de  construção,  de  terras  e  de  mobiliário  e  equipamentos)  necessárias  para  execução  da  proposta  e  o  respetivo  preço,  indicando‐se  também 

                                                                                                                                                                                                                                                             7  MESTRADO EM ARQUITETURA PAISAGISTA                ANA MANUEL MESTRE 


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possíveis empresas fornecedoras do material. Esta peça é essencial visto  que o fator económico é uma das maiores condicionantes à execução de  qualquer projeto. Nesta peça é apresentado o valor total, aproximado, da  obra.     Plantações e Sementeiras    ‐  Plano  de  Plantação  –  Esta  peça  pode  ser  divida  em  várias  (por    exemplo  Plano  de  plantação  de  árvores  e  arbustos  e  plano  de    plantação de herbáceas e sementeiras). Apresenta a localização, a    quantidade e o nome de todas as espécies propostas.       ‐ Memória descritiva e justificativa ‐  Peça escrita que descreve de    forma   clara  todas  as  opções  da  proposta  relativamente  às    plantações e sementeiras e as razões dessas opções.      ‐  Caderno  de  encargos  –  Indica,  de  forma  escrita,  todas  as    especificações das espécies vegetais a utilizar e descreve todas as    ações  relativas  às  técnicas  de  plantação  e  sementeira  propostas.    Na  fase  de  obra,  o  jardineiro/empreiteiro  é  obrigado  a  cumprir    todas as condições especificadas nesta peça.       ‐  Medições  e  orçamentos  –  Apresenta  as  quantidades  de    elementos  vegetais,  das  diferentes  espécies  necessárias  para    execução da proposta e o respetivo preço, indicando‐se também    os possíveis viveiros onde estas poderão ser adquiridas.                     

 

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Rede de Rega Automática5    ‐ Plano de rede de rega automática – Apresenta a localização de    todos  os  equipamentos  necessários  ao  bom  funcionamento  do    sistema de rega.       ‐ Memória descritiva e justificativa ‐  Peça escrita que descreve de    forma   clara  todas  as  opções  da  proposta  relativamente  ao    sistema de rega automática e as razões dessas opções.    ‐  Caderno  de  encargos  –  Indica,  de  forma  escrita,  todas  as    especificações  técnicas  dos  equipamentos  a  utilizar  e  descreve    todas  as  ações  relativas  às  técnicas  de  implementação  do    sistema de rega.       ‐  Medições  e  orçamentos  –  Apresenta  as  quantidades  de    equipamentos e tubagens necessárias para execução da proposta    e  o  respetivo  preço,  indicando‐se  também  a  marca  de  todos  os    equipamentos.                                    

                                                                                                                                                                                                                                                             8  MESTRADO EM ARQUITETURA PAISAGISTA                ANA MANUEL MESTRE  5 

Estas peças são, na maior parte das vezes, desenvolvidas pelo Eng. António Magalhães de Carvalho e posteriormente passadas para um ficheiro autocad pela equipa de Arquitetos Paisagistas. 


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EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA PAISAGISTA

A ordem das peças poderá variar de projeto para projeto, embora, no geral, seja semelhante à apresentada. Todo o trabalho é normalmente distribuído pela equipa, ficando cada pessoa responsável por algumas é desenvolvido pelo peças. Na maior parte das vezes, o processo Arquiteto Paisagista João Ceregeiro (fig.1), que coordena a equipa e a execução dos projetos. Uma vez definida a proposta, as peças técnicas são realizadas pela restante equipa. Inicialmente são definidos os desenhos necessários e a metodologia a o que é delineado através da elaboração de alguns esquemas e esquiços. Passa-se depois à produção das peças. A metodologia de trabalho apresentada levou-me a compreender a importância da criteriosa organização das peças desenhadas e escritas que compõem um projeto de Arquitetura Paisagista. É dada grande importância à componente gráfica de todas as peças, onde se destaca a simplicidade e legibilidade das mesmas.

Fig. 1 Esquiço exemplificativo (da autoria do Arq. Paisagista João Ceregeiro)

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EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA PAISAGISTA

3. EXPERIÊNCIAS 3.1. PROJETO DE ESPAÇOS EXTERIORES PARA A RESIDÊNCIA DE ESTUDANTES DO TAGUS PARK CLIENTE Instituto Superior Técnico

TERCENA

EQUIPA TÉCNICA AT93- Arquitetura Ceregeiro, Arquitetura Paisagista Lda. – Arquitetura Paisagista PECS – Instalações hidráulicas TIPO DE PROJETO Estudo Prévio LOCAL Tagus Park, Oeiras

COLINAS DE BARCARENA

TALAIDE

ÁREA TOTAL 7.250 m2 ÁREA DE ESPAÇOS EXTERIORES 5.700 m2

LEIÃO Fig.2 Localização Tagus Park

DATA DE INICIO Outubro 2010

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ENQUADRAMENTO E CARACTERIZAÇÃO    A  área  de  intervenção  deste  projeto  situa‐se  no  Tagus  Park,  em  Porto  Salvo, concelho de Oeiras (fig2).   O Tagus Park é uma área de cerca de 200 hectares com um conjunto que  compreende diversos edifícios. Estes apresentam diversas funções desde  apoio  a  actividades  desportivas,  actividades  de  produção  e  redes  de  transportes até restauração, lazer e serviços culturais.  O projeto envolvia a intervenção para a envolvente ao futuro edifício com  funções de residência de estudantes do Instituto Superior Técnico.     Como  conteúdo  programático  foi  apenas  apresentada  a  necessidade  da  articulação  dos  espaços  exteriores  com  a  área  edificada  definida  pela  arquitetura, dando resposta aos novos usos e funções daquele espaço.                                          

 

        EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA  PAISAGISTA 

REFLEXÃO/CONSIDERAÇÕES PESSOAIS     Apesar  da  mínima  participação  que  tive  neste  projeto,  durante  os  primeiros  dias  de  estágio,  acompanhei  a  fase  final  do  mesmo  de  forma  ativa. Apesar do susto inicial devido à repentina entrada no atelier e num  projeto em fase final, a minha participação facilitou a familiarização com o  funcionamento do atelier, com as metodologias de trabalho e com todo o  processo  burocrático  e  intensivo  que  está  associado  a  qualquer  projeto,  numa fase final.      No  primeiro  dia  de  estágio  fiquei  responsável  pela  realização  de  três  cortes,  que  envolvia  a  exportação  para  Adobe  Photoshop  CS6  do  ficheiro  com as linhas básicas do desenho e consequente desenvolvimento a nível  gráfico,  colorindo‐os  e  inserindo  a  vegetação  de  acordo  com  o  plano  de  plantação (fig.3 e 4).      Este  trabalho,  obrigou‐me  a  analisar  antigos  projetos,  facilitou  a  minha  compreensão  de  todo  um  conjunto  de  grafismos  e  formas  de  representação  utilizadas,  normalmente,  no  atelier.  Desenvolvi  competências ao nível do trabalho em Adobe Photoshop e apurei o meu  sentido  de  compreensão  gráfica,  aliado  à  simplicidade  e  fácil  perceção  que se exige em desenhos técnicos.  

  Além das peças já referidas, participei em todo o processo de impressão,  dobragem, rotulagem e arquivamento, envio, bem como a elaboração de  fichas  técnicas,  arquivamento,  atualização  de  listas  de  contactos  e  de  bases  de  dados.  Com  isto  aprendi  rapidamente  todo  um  conjunto  de  técnicas  de  trabalho  associadas  à  finalização  dos  trabalhos  e  à  organização  e  gestão  do  atelier.  Esta  experiência  acabou  por  se  mostrar  bastante  útil  ao  longo  de  todo  o  estágio,  em  todos  os  projetos  que  se  seguiram.   

                                                                                                                                                                                                                                                             11  MESTRADO EM ARQUITETURA PAISAGISTA                ANA MANUEL MESTRE  6  

Software de edição de Imagem que permite aplicar várias opções para elaboração e retoque de imagens e fotografias. 


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Fig.3 Corte da fase I – Proposta para os espaços exteriores da residência de estudantes, no Tagus Park - Realizado à escala 1:200 (imagem apresentada sem escala)

Fig.4 Corte da fase I e II – Proposta para os espaços exteriores da residência de estudantes, no Tagus Park - Realizado à escala 1:200 (imagem apresentada sem escala)

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3.2. PROJETO PARA OS ESPAÇOS EXTERIORES DA QUINTA DE S.JOSÉ DE RIBAMAR CLIENTE RAR Imobiliária, SA EQUIPA TÉCNICA GB Arquitetos Lda. - Arquitetura Ceregeiro, Arquitetura Paisagista, Lda. – Arquitetura Paisagista Eng.º José Almeida – Geodesenho Lda. António Pereira – Orçamentista Eng.º. António Magalhães – Rede de Rega automática Arbocare – Engª Carla Abrantes – Vegetação e Fitossanidade Engº José Rui Mascarenhas – Estruturas Dr.Henrique de Menezes Augusto – Azulejos TIPO DE PROJETO Projeto de Execução LOCAL Alameda Hermano Patrone, Algés, Oeiras

Fig.5 Localização da Quinta de S.José de Ribamar

ÁREA TOTAL 17.250 m2 ÁREA DE ESPAÇOS EXTERIORES 16.150 m2 DATA DE INICIO Novembro 2010

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ENQUADRAMENTO E CARACTERIZAÇÃO A área de intervenção situa-se junto da Alameda Hermano Patrone, em Algés, concelho de Oeiras (fig.5). O sítio encontra-se classificado como imóvel de interesse Municipal, no âmbito do Plano de Salvaguarda do Património Construído e Ambiental do Concelho de Oeiras7. A unidade da Quinta é composta por vários jardins e pomares e que são acompanhados por diversos elementos arquitetónicos e florísticos, conjunto que lhe confere um especial valor paisagístico que, naturalmente, contribui para a sua classificação (fig.6). Os jardins apresentam-se com uma ambiência informal, em que a vegetação, mais do que o desenho do espaço, é a protagonista (fig.7). O conjunto de edifícios que compõem a Quinta é constituído pelo Convento e Igreja e Jardins. Todos adquirem grande valor, não só pelo valor arquitetónico intrínseco mas também por toda a carga histórica que traz consigo, testemunhado pela presença de construções associadas a um universo de materiais de revestimento e decorativos (fig.10). O objetivo da intervenção envolveu a adaptação do conjunto edificado a um condomínio residencial e a requalificação dos espaços abertos envolventes respondendo aos novos usos e funções. Considerando as características do espaço, o projeto de arquitetura paisagista foi pensado de forma a respeitar um património de grande importância e não foram propostas ações ou programas que pudessem comprometer ou alterar a sua essência - seja no plano de plantação ou na introdução de novas construções que pudessem comprometer ou desvirtuar as características do espaço original (fig.8 e 9). A intervenção contemplou, em si, um trabalho de conservação e restauro (muito significativo) e outro de obra nova.

Fig. 6 Limite exterior sul (Quinta de S.José de Ribamar)

Fig. 7 Dragoeiros (Quinta de S.José de Ribamar)

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Instrumento urbanístico orientador da defesa e valorização dos seus valores patrimoniais, ambientais e construídos do concelho de Oeiras, em vigor desde 1997. Aprovado pela Assembleia Municipal sob a forma de Regulamento Municipal e foi posteriormente publicado no Diário da República a 19 de março de 2004.


RELATÓRIO DE ESTÁGIO 2 Jardim dos Dragoeiros 3 Talude Sul 4 Jardim da Pimenteira 5 Jardim do Pomar 6 Pomar 7 Jardim da Borracheira

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22.50

8 Jardim do Buxo 9 Passeio dos Ciprestes 10 Rua da Quinta 11 Travessa da Quinta 12 Piscina/Spa 13 Coberturas Plantadas 14 Quintais

23.18

22.49

12 26.22

AS

22.00

21.49

10

21.49

21.40

19.87

23.21

19.87

23.21

23.21

19.87

19.87

23.21

19.87

17.00

23.21

A 16.31

18.97

10

16.50

24.68

21.00 20.80

24.11

8

D

23.21

13

21.49

9

19.87

22.51

21.71

20.80

23.21

14

12

13

22.50

23.21 22.51

21.01

24.00

22.86

22.51

7%

24.44

21.00

21.22

20.88

22.88

10

20.75

17.84 17.84

14 16.51

20.50

11

16.51

16.51

16.51

16.51

20.75 20.80

20.00 17.50 20.07

20.75

1

18.50

27.83

19.50

7

20.80

19.25 19.00

B

19.35

14.50

17.10

13.50

14.00

18.30 19.26

6

21.21

18.50

17.00

18.00

14.00 10.00

15.00

17.00

18.00

16.00

C

12.50

16.50

2

13.50

15.50

17.50 17.00

16.00

16.50

5

13.00

4

13.00

A - Moradias AS - Piscina/Spa B - Convento C - Palacete D - Sala de Condomínio E - Plataforma panorâmica

14.00

18.50

16.50

16.00 15.50

17.50 17.00 16.50

13.50

16.00

16.50 16.00

13.50

13.00

12.50

3 E

Fig. 8 Plano geral da proposta para os espaços exteriores da Quinta de S.José de Ribamar - Realizado à escala 1:200 (imagem apresentada sem escala)

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REFLEXÃO/CONSIDERAÇÕES PESSOAIS O projeto de espaços abertos da Quinta de S.José de Ribamar começou a ser desenvolvido no atelier no ano de 2007. Devido à dimensão e complexidade do mesmo, quando iniciei o estágio, em outubro de 2010, o trabalho estava em fase de projeto de execução, já bastante adiantada. Comecei por fazer alguns reajustes que foram necessários devido a pequenas alterações conceptuais da proposta. Foi preciso acertar a modelação, refazer as medições das áreas pavimentadas e dos elementos vegetais. Foi-me também pedido que melhorasse a apresentação do Plano Geral (fig.8) da proposta dando-lhe alguma expressão com sombras, substituição de alguns grafismos e melhoramentos ao nível da cor. Este último trabalho levou-me a aprender novas técnicas de representação que podem ser usadas em projetos elaborados apenas em AutoCAD, ou seja, sem recurso a qualquer outro software de desenho e/ou edição de imagem. Realizei, ainda, uma nova peça desenhada com cortes referentes à área de intervenção onde se indicavam alguns pontos que remetiam este desenho para o pormenor construtivo correspondente (fig. 11 e 12). A elaboração desta peça exigiu-me uma melhor compreensão dos pormenores construtivos que estavam a ser desenhados pela Arquiteta Paisagista Marta Francisco.

Fig. 9 Maqueta

Fig.10 Fotografia do espaço original

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EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA PAISAGISTA

18.00 17.00 16.00 15.00 14.00 13.00 12.00 11.00 10.00 09.00

P11

P10.2

P10.1

P08

P09

Fig.11 Corte - Jardim da Borracheira e Jardim da Pimenteira - Realizado à escala 1:200 (imagem apresentada sem escala)

17.00 16.00 15.00 14.00 13.00 12.00

P07.3

P07.1

Fig.12 Corte - Pátio Central - Realizado à escala 1:200 (imagem apresentada sem escala)

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EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA PAISAGISTA

Mais tarde, já depois do projeto de execução entregue, este foi avaliado por uma equipa especializada que desenvolveu um relatório de erros e omissões, donde decorreram algumas reformulações. Foi nesta fase que a minha participação neste passou a ser muito mais ativa. No relatório foram referidos vários pequenos erros, na sua maioria corrigidos pela Arquiteta Paisagista Marta Francisco. Além destes, foi pedido, que se acrescentasse ao projeto uma peça que permitisse uma melhor leitura do circuito hidráulico relativo ao sistema de adução e recirculação dos elementos de água propostos e restaurados (fig 13 e 14). O Plano de adução e recirculação de água (desenhado por mim, com a orientação da Arquiteta Paisagista Marta Francisco) exigiu um conhecimento mais profundo dos elementos de água da proposta e de todo o sistema de circulação de águas, bem como o estudo de várias formas de representação, para encontrar aquela que tivesse melhor leitura, visto que, até aí, não tinha sido ainda elaborada, no atelier, nenhum desenho deste tipo (fig.15). A peça apresentava uma representação de toda a tubagem do circuito bem como as respetivas ligações de cada elemento de água às redes de abastecimento e recolha de águas.

Bica em pedra existente (ver capítulo Conservação e Restauro ) Capeamento a cantaria de pedra

Conservação e Restauro )

Nível da água

Estrutura em cantaria de pedra Conjunto azulejar

Gravilha tipo Grauwacke da Citrus-paisagismo Lda, ou equivalente (esp.: 0.07m) Manta geotêxtil (180gr/m²)

Fig.13 Elemento de água - Pormenor de construção- - Realizado à escala 1:20 (imagem apresentada sem escala)

A participação neste projeto foi uma mais valia por me dar a conhecer a metodologia de trabalho inerente a intervenções paisagísticas em áreas que exigem diversificadas ações ao nível da conservação e restauro devido ao seu valor histórico e patrimonial. Em consequência da complexidade e da grande variedade de materiais e técnicas de construção explorados e utilizados na execução da proposta apresentada, o projeto de espaços abertos da Quinta de S.José de Ribamar revelou-se uma referência, sendo este muitas vezes consultado em peças de execução que se seguiram. Fig.14 Elemento de água - Pormenor de construção- - Realizado à escala 1:20 (imagem apresentada sem escala)

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EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA PAISAGISTA

Sistema de adução e recirculação: Tubo de abastecimento PEAD 20d - PN6

Tubo de recolha PEAD 20d - PN6

Tubo de alimentação PEAD 20d - PN6 23.27

23.27 Cabo eléctrico

23.27

23.27

23.27

Caixa de secção quadrada (600x600) com tampa revestida com pavimento envolvente (gravilha com resina á base de poliuretano incolor) tipo RRC - C250 EN124 da Norinco, ou equivalente

Sistema de escoamento:

Descarregador de superfície em tubo de aço inox (Ø 32mm) com filtro de malha metálica

16.50

21.54 21.54

21.00

17.94

17.94

Descarregador de fundo em válvula de pé com filtro em inox

17.94 17.69

Tubo de escoamento PEAD 20d - PN6

Caixa de visita de águas pluviais de secção quadrada com tampa revestida com pavimento envolvente tipo RRC 650 - C250 EN124 da Norinco, ou equivalente

17.69

DF DS

20.88

17.69

21.40

17.69

17.69

DF DS

17.69

19.26

17.92

17.95

DF DS DF DS

Fig. 15 Plano de Adução e Recirculação de Água - Realizado à escala 1:100 (imagem apresentada sem escala)

19

MESTRADO EM ARQUITETURA PAISAGISTA

ANA MANUEL MESTRE

23.27


RELATÓRIO DE ESTÁGIO

EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA PAISAGISTA

3.3. PROJETO DE ESPAÇOS EXTERIORES PARA A MORADIA DO BAIRRO DA MATINHA CLIENTE Leonor e Ricardo Saragga EQUIPA TÉCNICA Ceregeiro, Arquitetura Paisagista Lda. (Arquitetura Paisagista) Eng.º António Magalhães de Carvalho (rede de rega automática) Arq. Alexandre Berardo (estrutura de ensombramento) António Pereira (orçamentista) ARTRADI (Arquitetura) TIPO DE PROJETO Projeto de execução LOCAL Estrada do Golfe, Bairro da Martinha, Cascais ÁREA TOTAL 2.700 m2 ÁREA DE ESPAÇOS EXTERIORES

2.385 m

2

Fig. 16 Localização da moradia do Bairro da Mar

DATA DE INICIO Fevereiro 2011

20

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EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA PAISAGISTA

ENQUADRAMENTO E CARACTERIZAÇÃO A moradia do Bairro da Martinha situa-se numa área limítrofe, a norte da Vila de Cascais, onde se sente a transição entre uma zona urbana e o espaço rural circundante, fortemente marcado por uma ocupação florestal (fig.16). Esta Paisagem é marcada pela presença de inúmeras moradias unifamiliares que se distribuem de modo disperso cuja imagem é de recintos vedados que encerram extensas áreas de jardim.

solução para os diversos usos que se pretendiam para aquele lugar (fig.19). Os projetos de arquitetura e de arquitetura paisagista foram desenvolvidos isoladamente, tendo apenas havido cruzamento de dados aquando do fornecimento das bases de trabalho. Metodologia esta que trouxe alguns problemas durante todas as fases deste trabalho.

O espaço de intervenção tem, como elemento central, uma moradia de 2 dois pisos com uma área de implantação de cerca de 300m (existente e em processo de requalificação) e um jardim com cerca de 2.385m2, também a requalificar. O espaço apresentava-se dividido em diversos subespaços: a zona da piscina (fig.17), uma área de relvado e uma área pavimentada para acesso e estacionamento automóvel, limitada por diversos canteiros, junto da entrada principal da moradia (fig.18). Apesar do visível bom estado de conservação, tanto da vegetação como de todos os elementos construídos presentes, a sua organização funcional era pouco eficaz. O objetivo da intervenção consistia na requalificação global do conjunto e mais especificamente de alguns aspetos dos espaços exteriores envolventes. Foi solicitado um espaço mais funcional, onde pudesse receber grupos de pessoas em pequenos eventos privados; um espaço para o estacionamento de vários automóveis; espaços de estadia para ocasiões mais familiares e a requalificar de toda a área envolvente à piscina tornando-a esteticamente mais apelativa.

Fig. 17 Zona da piscina (fotografia do espaço original)

Como resposta ao conteúdo programático referido, foi elaborado um projeto de requalificação de toda a área de espaços exteriores, redesenhando-se o espaço de forma a torná-lo mais funcional, confortável e onde se pudessem sentir diferentes ambiências, como Fig. 18 Acesso principal (fotografia do espaço original)

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21

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Via Principal Áreas exteriores de acesso à casa Acesso ao Núcleo Poente Estacionamento Acesso à Garagem Escadas do jardim / Zona de Estadia Núcleo da piscina Jardim Sul Canteiro do Terraço Terraço Jardim Interior da Biblioteca Jardim da Sala de Jantar Floreiras - Terraços/Varandas Floreiras - Áreas de Estacionamento

81.37

11 79.50

81.50

11

82.30 79.50

79.50

81.00

82.30

9

79.50

80.50

79.87

79.50

79.75

80.00

80.12

3 76.50

5

3

14

76.00

76.52

76.38

14

2

79.00

77.52

80.00

6

76.80

78.51

13

79.50

78.51

7

80.12

12

79.43

8

80.00

79.50

80.12

79.50

80.00 79.75 79.50

81.00

81.00

13

79.75

82.30

81.50

82.00

10

79.50 75.50

75.75

79.00

75.00

4 77.00

77.50

78.00

78.50

Limite da área de intervenção Acesso principal Ligações interior/exterior

74.50

74.75

79.30

78.96

4

74.50

74.90 74.00

77.10 73.50 72.00 71.50

1

71.00 70.50 70.00 69.50

69.50 69.00

69.00

Fig. 19 Plano Geral da Proposta para os Espaços Exteriores da moradia do Bairro da Martinha - Realizado à escala 1:200 (imagem apresentada sem escala)

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REFLEXÃO/CONSIDERAÇÕES PESSOAIS    O  projeto  para  os  espaços  exteriores  da  Moradia  do  Bairro  da  Martinha  foi  o  primeiro  no  qual  participei  ativamente  em  todas  as  fases.  Este  projeto  fez  parte  de  um  conjunto  de  outras  intervenções  de  caráter  privado  onde  participei,  mas  foi,  de  todos,  aquele  que  mais  experiência  me deu.     O processo iniciou‐se com uma visita ao local com o objetivo de realizar  um  levantamento  e  análise  detalhada  daquele  lugar.  Fiz  um  trabalho  minucioso  (apesar  de  algumas  dúvidas  que  surgiram)  relativo  a  toda  a  vegetação e aos elementos construídos presentes. Já no atelier, elaborei  seis  peças  desenhadas  com  pormenores  de  todos  os  muros,  escadas,  lancis  e  pavimentos  existentes,  de  forma  a  entender  os  materiais  e  técnicas de construção daqueles elementos (fig.20 e 21).     Para  a  elaboração  destas  peças  de  análise,  foi  necessário  uma  pesquisa  sobre  os  materiais  e  técnicas  de  construção  que  se  pensou  terem  sido  utilizadas.  Esta  experiência  levou‐me  a  recordar  alguns  conceitos  aprendidos durante o curso e, principalmente, algumas espécies vegetais  já  esquecidas.  As  maiores  dificuldades  sentidas  neste  trabalho  foram,  principalmente de nível técnico e gráfico. Foi, primeiramente, complicada  a identificação das técnicas utilizadas em elementos já construídos e bem  conservados. Em segundo lugar, foi neste trabalho que precisei entender  melhor  a  linguagem  gráfica  e  estética  aliada  aos  desenhos  de  projeto  (daquele  atelier)  para  poder  utiliza‐la  de  forma  eficaz  Entendi,  também,  que  é  necessário,  em  alguns  projetos,  uma  compreensão  mais  profunda  das preexistências do local de forma a que estas possam ser modificadas  da  melhor  forma  e  com  total  conhecimento  do  que,  de  facto,  se  está  a  propor, fazendo‐se um melhor e maior reaproveitamento de materiais.     Estas  peças  foram  essenciais  na  fase  inicial  do  projeto  de  execução,  no  capítulo relativo à demolição e/ou restauro dessas mesmas estruturas. No  que toca à vegetação juntou‐se às peças de levantamento da situação  

 

        EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA  PAISAGISTA 

    existente  um  desenho  com  a  localização,  identificação  e  classificação  fitossanitária de todas as espécies.     Mais  à  frente,  na  fase  de  projecto  de  execução,  estes  desenhos  foram  revistos  e  melhorados.  A  peça  referente  à  vegetação  existente  foi,  também,  revista,  referenciando‐se,  nesta,  quais  as  espécies  a  manter,  a  retirar e a transplantar.    Após  a  conclusão  da  análise  da  área  de  intervenção,  o  Arquiteto  João  Ceregeiro iniciou o processo de criação das novas linhas projectuais para  aquele espaço. Com base nos esboços, elaborei, em conjuntamente com a  Arquiteta  Paisagista  Marta  Francisco,  todas  as  peças  desenhadas  e  escritas referentes à execução do jardim proposto.                                        

                                                                                                                                                                                                                                                             23  MESTRADO EM ARQUITETURA PAISAGISTA                ANA MANUEL MESTRE 


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EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA PAISAGISTA

Fig.20 Levantamento da situação existente/corte realizado à escala 1:100 (imagem apresentada sem escala)

Fig.21 Levantamento da situação existente/corte realizado à escala 1:100 (imagem apresentada sem escala)

24

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RELATÓRIO DE ESTÁGIO  

 

A  exigência,  por  parte  do  cliente,  de  ter  um  espaço  amplo  que  pudesse  albergar  vários  automóveis  dificultou  a  organização  da  área  de  jardim,  tendo  sido  impossível  convencer  a  Dra.  Leonor  Sarraga  que  haveriam  soluções mais viáveis. Assim, o desenho de projeto apresentava uma área  ampla,  pavimentada  onde  se  propôs  uma  estrutura  de  ensombramento  para estacionamento de automóveis. O projeto da estrutura foi elaborado  com  a  ajuda  do  Arquiteto  Alexandre  Berardo,  tendo  resultado  num  elemento  esteticamente  apelativo,  que  respondia  ao  uso  pretendido  e  perfeitamente  adaptado  às  morfoligia  do  terreno,  visto  este  ter  que  ser  colocado numa área com algum declive.   Outra  condicionante  ao  projeto  foi  o  facto  do  cliente  possuir  alguns  materiais de construção que pediu que fossem aproveitados, alguns deles  nada  adequados  à  imagem  que  se  pretendia  daquele  lugar.  Destes  materiais  é  de  referir  a  pedra  usada  no  revestimento  das  escadas  propostas e as lajes, também em pedra, propostas para o pavimento de  um dos pátios. Os dois tipos de pedra em nada se assemelhavam, embora  tivessem  que  ser  utilizados  no  mesmo  local.  O  pavimento  em  laje  mostrou‐se  completamente  inadequado  para  uma  área  de  espaços  exteriores  relativamente  perto  da  área  da  piscina.  Além  destes,  foi  proposto  o  reaproveitamento  de  algumas  sulipas  de  caminho  de  ferro,  estas  sim,  corretamente  colocadas  em  áreas  plantadas  como  forma  de  pontuar  os  espaços  e  utilizadas  para  a  construção  de  alguns  bancos,  em  zonas de estadia.   Além  dos  materiais  armazenados,  todo  o  projeto  foi  desenhado  com  a  intenção de reaproveitar grande parte dos materiais pré‐existentes como  as  calçadas,  devido  ao  bom  estado  de  conservação  que  estes  apresentavam.     A  proposta  procurava  unificar  o  espaço,  mantendo  os  usos  e  funções  pretendidos nas diferentes áreas do mesmo. Redefiniu‐se o desenho dos  canteiros; requalificou‐se toda a área da piscina e envolvente de forma a  tornar  esta  área  esteticamente  mais  apelativa  e  confortável  e  foram  demolidos  alguns  muros  e  muretes  que  compartimentavam  o  espaço. 

 

        EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA  PAISAGISTA 

Além das ações já referidas, foi proposto também a redefinição de alguns  acessos.     Relativamente  às  plantações  e  sementeiras,  fiquei  responsável  pela  escolha das espécies a utilizar e a distribuição das mesmas. Devido à boa  manutenção  do  espaço  original,  tentou‐se,  tanto  quanto  possível,  transplantar o máximo de espécies de forma a aproveitar aquelas que se  adequavam  à  leitura  pretendida  do  novo  espaço  e  que  apresentavam  ótimas  condições  fitossanitárias.  Houve  especial  cuidado  nesta  fase,  de  forma a criar diferentes ambiências, de acordo com a vontade do cliente e  sempre  com  a  atenção  de  utilizar  espécies  adaptadas  ao  contexto  geográfico da área de intervenção e que se conjugassem com as espécies  pré‐existentes.   Propôs‐se  uma  considerável  variedade  de  espécies,  entre  vegetação  autóctone e exótica que caracterizavam os diferentes espaços (fig22).      A  elaboração  do  Plano  de  Plantação  da  moradia  do  bairro  da  Martinha,  fez‐me crescer enquanto Arquiteta Paisagista, numa área tão importante  desta  profissão  que  é  a  vegetação.  Este  trabalho  exigiu  pesquisa  de  espécies,  vários  esboços  e  experiências  de  diferentes  conjugações  de  elementos  vegetais  bem  como  algumas  discussões  com  o  Arquiteto  Paisagista João Ceregeiro para chegar à melhor solução.          

                                                                                                                                                                                                                                                             25  MESTRADO EM ARQUITETURA PAISAGISTA                ANA MANUEL MESTRE 


RELATÓRIO DE ESTÁGIO

EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA PAISAGISTA

78.50

79.00

MANUTENÇÃO DE CANTEIRO EXISTENTE 78.00

79.50

77.50

7Ec

79.70

79.50

80.00

79.60

2Hag

80.54

12Mc

5Hag

32Tc

79.50

19Aa

56Fg

16Sa

9Hag

14Mc

3Fm 23De 79.60

79.50 79.50

4Aj

80.81

76.80

630Cd

6Fm

45On

79.50

79.50

2Gj

79.60

79.70

84Fo

79.50

Fig. 22 Aditamento do Plano de Plantações e Sementeiras - Cobertura Plantada - realizado à escala 1:100 (imagem apresentada sem escala)

MESTRADO EM ARQUITETURA PAISAGISTA

26

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RELATÓRIO DE ESTÁGIO  

 

O  projeto  de  execução  foi  dividido,  como  a  maioria  dos  projetos  realizados no atelier, em três capítulos – Construção geral, Rede de Rega  Automática e Plantações e Sementeiras.     No conjunto das peças desenhadas relativas à Construção Geral incluíram‐ se:  as  peças  de  análise  elaboradas  na  fase  inicial  do  projeto  e  posteriormente  revistas  (pormenores  de  construção  e  uma  planta  de  levantamento da situação existente); o Plano de Amarelos e Encarnados,  o  Plano  Geral  e  cortes;  o  Plano  de  Pavimentos  e  Iluminação  e  as  peças  com  todos  os  pormenores  construtivos  necessários  è  correta  leitura  e  aplicação do projeto (fig.23 e 24). Todos estes desenhos foram elaborados  pela  Arquiteta  Paisagista  Marta  Francisco,  tendo  ficado  a  meu  cargo  as  peças  escritas  que  os  acompanham  –  Memória  descritiva  e  justificativa,  Caderno  de  Encargos  e  Medições  e  Orçamentos.  Neste  processo  fui  acompanhada  e  orientada  pela  Arquiteta  Paisagista,  tendo  efetuado  a  análise de projetos anteriores bem como a procura de valores atualizados  de  preços  e  de  quais  as  unidades  de  medida  a  utilizar  em  cada  material  utilizado.  Precisei  também  compreender  os  pormenores  de  construção  que  estavam  simultaneamente  a  ser  desenvolvidos,  o  que  aumentou  o  meu conhecimento relativo a materiais e técnicas de construção.    O pedido por parte do cliente para se aproveitarem alguns materiais que   tinha  armazenado,  dificultou‐nos  o  trabalho,  uma  vez  que  não  nos  foi  dada  a  informação  das  quantidades  e  medidas  reais  dos  materiais  referidos. Foram necessárias algumas alterações ao projeto, já depois da  obra  iniciada,  devido  a  algumas  incompatibilidades  entre  os  desenhos  e  os  materiais  que  se  pretendiam  aproveitar.  Foram  posteriormente  entregues ao cliente alguns aditamentos ao projeto que resolveram essas  mesmas incompatibilidades.          

 

        EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA  PAISAGISTA 

A  maior  dificuldade  que  senti  nesta  fase  deveu‐se  às  medições  e  orçamentos relativos às demolições, recortes e restauro de alguns muros  pré‐existentes  na  área  de  intervenção.  Este  trabalho  exigiu‐me  um  esforço extra e uma pesquisa minuciosa acerca deste tema, que me levou  a  adquirir  conhecimentos  mais  profundos  na  área  de  conservação,  requalificação  e  restauro,  muito  pouco  ou  nada  explorada  durante  o  percurso académico.     As  peças  desenhadas  relativas  ao  capítulo  das  plantações  e  sementeiras  foram  da  minha  responsabilidade,  desde  o  processo  criativo  até  aos  desenhos  técnicos,  bem  como  medições  e  orçamentos  dos  mesmos.  Devido à grande variedade de espécies utilizadas, reforcei enormemente  o meu conhecimento nesta área. O grande valor que a vegetação possuiu  nesta  intervenção,  devido  às  diferentes  ambiências  que  se  pretendiam  para  aquele  espaço  e  à  existência  de  zonas  plantadas  muito  distintas  como  relvados,  canteiros,  floreiras,  pátios  interiores  e  uma  cobertura  plantada,  exigiu  uma  intensa  procura  e  compreensão  dos  elementos  vegetais.  O  cliente  mostrou‐se  bastante  satisfeito  com  a  proposta  apresentada  sendo  apenas  necessária  a  substituição  das  Gramíneas,  propostas  para  a  cobertura  plantada,  devido  a  doenças  alérgicas  na  família.    O  capítulo  referente  à  Rede  de  Rega  Automática  foi  realizado  pelo  Engenheiro  António  Magalhães,  que  frequentemente  colabora  com  o  atelier.                    

                                                                                                                                                                                                                                                             27  MESTRADO EM ARQUITETURA PAISAGISTA                ANA MANUEL MESTRE 


RELATÓRIO DE ESTÁGIO

04 05

P08.1a

EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA PAISAGISTA

06

0.02

0.15

03

01 02

0.10

Estrutura em barrote de de pinho tratada tipo Banema, ou equivalente, assente betão da base

PORMENOR - 1:5 0.10

0.02

0.08

0.10

01 - CUBO DE GRANITO CINZA 0.10X0.10 02 - SAPATA EM BETÃO ARMADO 03 - CANAL DE DRENAGEM 04 - LAJE EXISTENTE 05 - ARGAMASSA DE ASSENTAMENTO 06 - ESTRUTURA EM BETÃO ARMADO

Prancha de madeira natural tipo IPÊ (1500x95x20mm) com acabamento anti derrapanete e fixação oculta a barrotes da BAHAMA ou equivalente

Poste do guarda-sol Base de fixação

Tampa de protecção em metal

Parafuso Chave

Base em maciço de betão

Parafuso

Brita 3 (25cm)

Base de fixação do poste à base em maciço de betão 0.03

0.08

0.12

0.48

P08.1a

Base em maciço de betão ref: BAB1(0.50x0.50X0.77m) da BAHAMA, ou equivalente Gato de fixação

0.02

Canal de drenagem (cofragem da estrutura em betão armado) Sapata em betão armado Betão de limpeza (esp.:0.04m)

PORMENOR 08.1

Fig. 23 Pavimento e Escada - Pormenor de construção Realizado à escala 1:10 (imagem apresentada sem escala)

0.47

0.15

Areia / Pó de pedra com traço seco1:6 nas juntas Areia (esp.: 0.05m) Tout-venant (esp.: 0.10m) Brita 4 (esp.: 0.07m) Manta geotêxtil (180gr/m²)

0.04

Focinho do degrau chanfrado Alheta no espelho do degrau, cofragem da estrutura de betão armado com as dimensões 0.02x0.02m

Pavimento em cubo de pedra de granito cinza (0.10x0.10x0.10m)

Prumo em alumumínio lacado a branco

Base sem guarda-sol

Base com guarda-sol

PORMENOR 01.2

Fig. 24 Base de Gua rda-Sol junto da Piscina - Pormenor de construção Realizado à escala 1:10 (imagem apresentada sem escala)

28

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RELATÓRIO DE ESTÁGIO A fase de obra foi aquela que mais problema trouxe à equipa de Arquitetura Paisagista. Como já referido, foram necessários diversos aditamentos ao projeto, uns por incumprimento do mesmo por parte da equipa de construtores civis, que foi preciso corrigir, outros por mudanças de ideias por parte do cliente, e outros ainda por alterações no projeto de arquitetura (durante a obra de requalificação da moradia) que interferiam nos espaços exteriores. O acompanhamento da obra foi realizado pelo Arquiteto João Ceregeiro, de modo a garantir o cumprimento da proposta. A equipa de pedreiros mostrou-se muito pouco experiente na leitura de projetos de execução o que levou a alguns desentendimentos de difícil resolução. As estruturas e os materiais seguidos na construção decorriam muitas vezes das opções dos trabalhadores com despropósito das peças desenhadas e caderno de encargos que compunham o projeto (fig.25 e 26). Acresce o facto do cliente consultar o projeto e, não impedir tal ação. Mais, com frequência, o cliente adquiria equipamentos ou materiais semelhantes com os propostos mas de menor qualidade ou mesmo diferentes dos indicados em caderno de encargos (o que era efetuado sem qualquer consulta prévia ou comunicação à equipa de Arquitetos Paisagistas.

EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA PAISAGISTA Devido ao inicio do projeto de Arquitetura Paisagista numa fase em que o projeto de Arquitetura já se encontrava em execução e à falta de contacto entre as duas especialidades, estas trabalharam de forma isolada o que levou a algumas incompatibilidades que foram necessárias corrigir, prevalecendo sempre a vontade do cliente. A equipa de Arquitetos Paisagistas foi forçada a modificar o desenho do espaço em resposta a constantes alterações no projeto de requalificação da moradia que apresentavam repercussões nos espaços exteriores. Além dos problemas já referidos, a recorrente mudança de ideias do cliente e o incumprimento da proposta, aquando da fase de obra, tornou, ainda mais complexo o desenvolvimento deste trabalho.

Para execução das plantações, foi contactada pelo Arquiteto João Ceregeiro, em concordância com o cliente, um técnico de jardinagem. Infelizmente, grande parte das espécies que se pretendiam manter ou transplantar haviam sido completamente destruídas ou retiradas e deitadas para o lixo durante a obra de requalificação da moradia, iniciadas algumas semanas antes da elaboração do projecto de espaços exteriores. Este facto levou à necessidade de novos aditamentos de forma a ocupar o lugar das espécies destruídas com novos elementos.

Fig. 26 Fotografia da estrutura de ensombramento em fase de obra

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3.4. PROJETO DE ESPAÇOS EXTERIORES PARA A ÁREA ENVOLVENTE A PALACETE DO CAMPUS DO LUMIAR CLIENTE IAPMEI – Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação EQUIPA TÉCNICA ROTH Projetos – Arquitetura/Coordenação Ceregeiro, Arquitetura Paisagista Lda. – Arquitetura Paisagista Eng.º António Magalhães de Carvalho – Rede de rega automática Ligthpart – Design de iluminação Eng.º João Guilherme Raimundo Garcia – Instalações técnicas especiais TIPO DE PROJETO Estudo prévio Projeto de execução LOCAL Área das duas Quintas, Estrada do Paço do Lumiar, Lumiar, Lisboa. ÁREA TOTAL 3.750m2 ÁREA DE ESPAÇOS EXTERIORES 3.300m2

Fig. 27 Localização do IAPMEI, Área das Duas Quintas

DATA DE INICIO Março 2011

30

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ENQUADRAMENTO E CARACTERIZAÇÃO O conjunto que constitui a área de intervenção insere-se num contexto urbano e arquitetónico de especial valor (fig.27). Consta da Carta do Património (Câmara Municipal de Lisboa, 1991) e é classificada como zona a preservar pelo Guia Urbanístico e Arquitetónico de Lisboa (1987). Classificações justificadas pela presença de um conjunto de imóveis de interesse público (IPPC – Igespar, 1977). Diretamente ligado ao Palacete, existe um jardim onde se salienta a existência de espécies arbóreas de grande porte que marcam, significativamente, todo o setor poente (fig.28). Toda a área apresentava marcas de cuidados de manutenção recentes (fig.29).

Fig. 28 Setor Poente - Fotografia do espaço original

Para o Palacete foi prevista a instalação de novos gabinetes de trabalho do IAPMEI bem como uma área para realização de eventos. A proposta para os espaços exteriores procurou responder de forma articulada aos novos usos e funções do Palacete e às qualidades existentes de toda a área envolvente. Além de aspetos funcionais positivos, a proposta foi conduzida no sentido de uma aproximação ao desenho original. O processo envolveu uma ação projectual conjunta entre a Arquitetura e a Arquitetura Paisagista, articulação que resultou, não somente da necessária conjugação entre espaço edificado e espaço exterior, como também da própria importância histórica que o local reservava (fig.30).

Fig. 29 Sector Nascente - Fotografia do espaço original

31

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EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA PAISAGISTA

C3

C1

2 1

3

6

2 M2

4

7

5

1 Jardim (sector poente) 2 Área de acesso principal 3 Área de esplanada 4 Eixo Principal 5 Jardim (sector nascente) 6 Bancada e escadas 7 Talude nascente

M2 Palacete C1 Anexo 1 (Bar/Quiosque) C3 Anexo 2 (sanitários) Limite da área de intervenção Acessos

Fig. 30 Plano Geral da Proposta para os espaços exteriores do Palacete do Campus do Lumiar - Realizado à escala 1:100 (imagem apresentada sem escala)

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REFLEXÃO/CONSIDERAÇÕES PESSOAIS O projeto para os espaços exteriores da área envolvente ao Palacete do Campus do Lumiar revelou-se, desde o início, um trabalho com interesse singular. O caráter histórico do espaço e as modificações sofridas ao longo de anos exigiu uma pesquisa profunda. Esta foi realizada juntamente com a equipa de arquitetura que coordenou o projeto. Procurou-se entender quais as linhas originais do desenho do espaço, uma preocupação que se sustentava na vontade de aproximação à organização original, agora adaptada a novos usos e funções. O projeto foi dividido em duas fases distintas – Estudo Prévio e Projeto de Execução. Durante o desenvolvimento do trabalho, contactei diretamente com profissionais de várias áreas de formação. A coordenação das diferentes especialidades não decorreu da melhor forma, resultado da pouca experiência da Arquiteta Diana Roth em tais funções.

Fig. 31 Pérgola - Fotografia do espaço original

Num primeiro momento, analisou-se a proposta prévia da Arquitetura, fez-se um levantamento da vegetação existente e identificaram-se os valores e condicionantes mais salientes. Esta análise resultou um conhecimento mais profundo do espaço, momento em que começaram a surgir algumas ideias a considerar na proposta. Neste trabalho, senti maior segurança devido à experiencia já adquirida nos projectos anteriores.

Fig. 32 Setor Poente - Fotografia do espaço original

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Na  fase  de  elaboração  do  Estudo  Prévio,  foram  delineados,  os  passos  a  seguir  –  esboços  da  proposta  e  discussão  da  mesma  pela  equipa  de  Arquitetura  Paisagista,  focando  já  alguns  pontos  relativos  à  execução  da  mesma.  Seguiu‐se  a  elaboração  das  peças  desenhadas  e  escritas  e  posterior  apresentação  das  mesmas,  em  reunião  com  a  coordenação  do  projeto.     O processo criativo iniciou‐se, sob orientação do Arquiteto Paisagista João  Ceregeiro,  centrado  em  antigas  imagens  do  local,  fornecidas  pelo  gabinete  de  Arquitetura(  fig.33).  A  partir  de  algumas  ideias  iniciais,  discutidas  em  equipa,  coube‐me  a  mim  o  desenvolvimento  das  mesmas  através de alguns esboços. Os esquiços de trabalho  realizados acabaram  por ser bastantes criticados pelo Arquiteto Paisagista João Ceregeiro, não  pelas  opções  em  si  mas  pela  fraca  qualidade  gráfica  e  de  apresentação  que  estes  apresentavam.  As  críticas  resultaram  em  orientações  de  trabalho  que  compreenderam  materiais  e  técnicas  de  representação  diferentes  da  prática  a  que  estava  acostumada,  requeria‐se  um  trabalho  limpo  e  com  grande  clareza,  independentemente  das  opções  e  decisões  não  estarem  ainda  confirmadas  (trabalho  com  minas  de  espessura  fina,  régua  e  borracha,  bem  como  folha  e  mesa  de  trabalho  criteriosamente  limpas  e  arrumadas).  Esta  troca  de  opiniões  veio  pôr  em  causa  alguns  aspetos  associados  ao  ato  de  projetar  (processo  criativo),  adquiridos  no  meu  percurso  académico.  Passei  então  a  trabalhar  como  me  foi  exigido,  sentindo,  porém,  algumas  dificuldades  em  colocar  em  papel  algumas  ideias  desenvolvidas  em  projetos  que  se  seguiram,  uma  vez  que  a  legibilidade requerida e imagens cuidadas e tecnicamente sustentadas se  afastarem  de  uma  metodologia  que  havia  seguido  ao  longo  da  minha  reduzida experiência.  Entre  as  dificuldades  que  decorreram  durante  o  desenvolvimento  da  proposta,  sublinha‐se  a  identificação  do  limite  da  área  de  intervenção.  Como  se  previa  que  o  trabalho  fosse  dividido  em  duas  fases  (que  resultaram  em  dois  projetos  distintos),  cabia  à  coordenação  a  definição  dos  limites  da  fase  I  e  da  fase  II.  Por  falta  de  experiência,  a  equipa  de  coordenação não definiu os limites da área de espaços exteriores para as 

 

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duas  fases,  o  que  acabou  por  ser  definido  pela  equipa  de  Arquitetura  Paisagista,  sem  certeza  quanto  á  conveniência  da  opção,  dado  o  que  se  pretendia para a primeira fase. Esta questão veio criar alguns problemas,  na  fase  de  Projeto  de  Execução,  que  se  mostraram  de  impossível  resolução  e  resultaram  em  más  opções  projectuais,  como  mais  á  frente  será explicado.     No setor poente, o desenho do espaço apresentava‐se pouco modificado,  em  comparação  com  o  original  (fig.31  e  32),  o  que  resultou  numa  proposta  com  alterações  mínimas.  Nesta  área,  propôs‐se  apenas  a  substituição  de  alguns  materiais,  como  lancis  e  remates  de  canteiros,  devido  ao  estado  de  degradação  que  apresentavam;  o  ajuste  de  alguns  percursos e a substituição, remoção e plantação de material vegetal.     No  setor  nascente,  o  espaço  encontrava‐se  bastante  alterado,  em  comparação  com  o  traçado  original  apresentado  nas  fotos  e  desenhos  datados  de  1960.  Do  desenho  antigo,  resgataram‐se  as  linhas  principais  de  organização  do  espaço,  o  que  resultou  num  traçado  geométrico,  definido  por  um  eixo  central  e  duas  áreas  distintas  (a  Norte  e  a  Sul  do  mesmo),  de  formato  aproximadamente  retangular.  A  área  a  Norte,  que  originalmente recebia hortas e pomares (fig.33), veio, na nova proposta,  albergar  uma  área  ampla  de  esplanada,  com  revestimento  em  saibro  e  pontuada  com  algumas  espécies  arbóreas  de  grande  porte.  Esta  área  encontra‐se  associada  à  requalificação  de  um  dos  anexos,  definido,  pela  Arquitetura, como um pequeno quiosque. Para Sul propôs‐se uma área de  estadia,  relvada  e  algumas  árvores  de  grande  porte.  O  relvado  culmina  numa área pavimentada, proposta conjuntamente com a Arquitetura, que  se liga com o terraço do Palacete, permitindo, assim, uma mais eficiente  circulação entre o edifício e os espaços exteriores.  

                                                                                                                                                                                                                                                             34  MESTRADO EM ARQUITETURA PAISAGISTA                ANA MANUEL MESTRE 


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Fig. 34 Setor Nascente - Fotografia do espaço original

Fig. 33 Imagem do espaço em 1960

Fig. 35 Setor Nascente - Fotomontagem da proposta

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RELATÓRIO DE ESTÁGIO O estudo prévio apresentado pela equipa de Arquitetura, antevia, para a fase II do projeto, dois campos de jogos, a nascente da área intervencionada na fase I. Como resposta a esta previsão, propôs-se, no limite nascente, e ainda no estudo prévio da fase I, uma bancada que viria, futuramente, a servir a área desportiva prevista. A proposta da bancada, seguiu, como condicionante, o estudo prévio da Arquitetura, para esta área, não tendo sido alteradas as cotas previstas no projeto. Na fase de projeto de execução, veio comprovar-se que as cotas apresentadas pela arquitetura não eram as corretas, estando, os campos de jogos, cerca de um metro abaixo das cotas originais do terreno. Este erro, tanto da equipa de Arquitetura como da equipa de Arquitetos Paisagistas, resultou numa enorme incompatibilidade nas cotas altimétricas do terreno na área intervencionada em ambas as fases. O problema foi resolvido com a proposta de um talude, uma opção que constituiu uma mera forma de adiar o problema para a fase II do projeto.

EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA PAISAGISTA O estudo prévio, compreendeu sete peças desenhadas – Levantamento da Situação Existente; Plano de Amarelos e Encarnados; Plano Geral; Cortes; Plano Prévio de Modelação do Terreno; Plano Prévio de Pavimentos, Mobiliário e Iluminação; Plano Prévio de Plantações e Sementeiras – e a memória descritiva e justificativa. Esta fase foi temporalmente curta, tendo abraçado a sua responsabilidade conjuntamente com a Arquiteta Paisagista Marta Francisco.

Fig. 36 Corte - Proposta para os espaços exteriores da área evolvente ao Palacete do Campus do Lumiar - Setor Nascente - realizado à escala 1:100 (imagem apresentada sem escala)

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RELATÓRIO DE ESTÁGIO Resultado da dinâmica do atelier, o projeto de execução não foi iniciado logo após a aprovação do estudo prévio. A entrada de novos projetos que requeriam maior urgência, adiaram a continuação do trabalho em alguns meses. Este afastamento permitiu uma análise e postura crítica mais clara da intervenção proposta, quando se iniciou a fase de execução, permitindo corrigir pequenos erros e fazer ajustes que facilitaram a elaboração do projeto. A última fase do projeto foi, sem dúvida, a mais conturbada, devido à maior exigência que se colocava, globalmente, a uma equipa técnica vasta, bem como pela inexistencia de uma coordenação eficaz. A deficiente coordenação exigiu maior número de contactos nomeadamente com os responsáveis pela iluminação para que houvesse um entendimento e um cruzamento de dados entre o projeto de iluminação de exteriores e o projeto de Arquitetura Paisagista.

EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA PAISAGISTA Também a falta de compreensão do projeto de espaços exteriores por parte da Arquiteta levou a algumas incompatibilidades no que toca a espaços onde os dois trabalhos se cruzavam, nomeadamente no prolongamento do terraço do Palacete, no setor nascente e na cobertura plantada que se pretendia para um dos anexos (fig.30). Entre as peças desenhadas do projeto de execução, realizei os pormenores de construção (fig.38, 39 e 40), assim como o Plano de Amarelos e Encarnados, o Plano Geral, os cortes (fig.36 e 37) e as três peças relativas ao Plano de Plantações e Sementeiras. Como foi o primeiro projeto, durante o estágio em que contactei diretamente com os pormenores construtivos, foi fundamental o apoio da Arquiteta Paisagista Marta Francisco e do Arquiteto Paisagista João Ceregeiro.

Fig. 37 Corte da proposta para os espaços exteriores da área envolvente ao Palacete do Campus do Lumiar - Setor Nascente - Realizado à escala 1:100 (imagem apresnetada sem escala)

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Fig. 38 Pormenor em 3D da bancada realizado à escala 1:20 (imagem apresentada sem escala)

Fig. 39 Pormenor de construção da bancada - realizado à escala 1:10 (imagem apresentada sem escala)

Fig. 40 Pormenor de construção de banco em bloco de pedra - realizado à escala 1:10 (imagem apresentada sem escala)

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RELATÓRIO DE ESTÁGIO Esta foi, para mim, uma experiência extremamente enriquecedora, Foi o primeiro projeto onde desenvolvi todo o processo criativo, onde executei os pormenores de construção, onde, mais ativamente, participei nos contactos com toda a equipa técnica e de coordenação, bem como com várias empresas fornecedoras de todo o tipo de equipamentos; e ainda onde tive a oportunidade de confrontar com alguns problemas e propor soluções mais adequadas para os mesmos. Todas as confusões em volta deste processo aumentaram a minha capacidade de decisão na resolução de problemas e conflitos. O trabalho com uma equipa multidisciplinar bastante alargada permitiu-me o contacto com áreas, até aí, praticamente desconhecidas que me transmitiram conhecimentos em diversos setores. Esses conhecimentos levaram a um aperfeiçoamento do meu sentido crítico relativamente a outras áreas que não a Arquitetura Paisagista.

EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA PAISAGISTA Além de todas as mais valias já referidas, foi bastante importante a exigência gráfica que envolveu. O trabalho com programas como Adobe Photoshop e Indesign foi essencial para responder eficazmente aos pedidos feitos pela arquitetura no sentido de completar algumas fotomontagens elaboradas pela equipa daquela especialidade (fig.35). Apesar da Arquiteta Paisagista Marta Francisco também possuir conhecimentos na área de edição e manipulação de imagens e de me ter transmitido novos conhecimentos acerca dos programas referidos, a experiência que eu possuía, de trabalho com os mesmos, foi uma mais valia para o atelier, naquele momento.

Fig. 41 Foto-montagem - Palacete do Campus do Lumiar/ Limite exterior sul

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3.5. PROJETO DE ESPAÇOS EXTERIORES PARA A MORADIA DA AV.TENENTE-CORONEL JOSÉ PESSOA CLIENTE Ângelo de Castro, Arquitetura e Desenho Lda. EQUIPA TÉCNICA Ceregeiro, Arquitetura Paisagista Lda. – Arquitetura Paisagista Ângelo de Castro, Arquitetura e desenho Lda. - Arquitetura TIPO DE PROJETO Projeto de Licenciamento LOCAL Av. Tenente-Coronel José Pessoa, Outeiro da Vela, Cascais ÁREA TOTAL 1.170 m2 ÁREA DE ESPAÇOS EXTERIORES 805 m2 DATA DE INICIO Janeiro 2011

Fig. 42 Localização da moradia da Av. Tenente-Coronel José Pessoa

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ENQUADRAMENTO E CARACTERIZAÇÃO A área de intervenção do projeto de espaços exteriores para a Moradia da Av. Tenente-Coronel José Pessoa, localiza-se no Outeiro da Vela, Cascais (fig.42). Trata-se de um lote, com cerca de 1.170m2 de área total, de configuração aproximadamente retangular. O espaço encontrava-se ocupado apenas por manchas de vegetação e algumas estruturas residuais de antigas construções no local, das quais se destacam muros e escadas em alvenaria. Relativamente à vegetação é de destacar a existência de exemplares de Phoenix canariensis (fig.43)., espécie protegida no âmbito do Regulamento Municipal dos Parques, Jardins e espaços verdes e Proteção de Árvores do Município de Cascais8 O projeto de Arquitetura compreendia uma moradia unifamiliar de dois pisos, com uma área de implantação de cerca de 365 m2. O trabalho foi entregue à equipa de Arquitetura Paisagista já numa fase final do estudo prévio, daí que o desenho de espaços exteriores tenha sido baseado nas linhas principais e orientadoras já definidas pela Arquitetura.

Fig. 43 Fotografias do espaço original

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Proíbe o abate, transplante ou poda de qualquer espécie de palmeira com altura de tronco (espique) superior a 1,5m. Estas ações só poderão ser realizadas com autorização expressa do Presidente da Câmara Municipal ou de quem este delegar.


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3 1 2

2

9 4

9 6 8

7

5

1 Área de recepção 2 Acesso principal 3 Estendal 4 Jardim poente 5 Jardim Sul

6 Núcleo da piscina 7 Terraço do jacuzzi 8 Acesso secundário 9 Patamares Acessos ao lote Acessos à moradia

Fig. 44 Plano geral da proposta para os espaços exteriores para a moradia da Av. Tenente Coronel José Pessoa - Realizado à escala 1:100 (imagem apresentada sem escala)

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REFLEXÃO/CONSIDERAÇÕES PESSOAIS    O  presente  licenciamento  reflete  a  realidade  vivida  em  grande  parte  dos  ateliers de Arquitetura Paisagista, em projetos coordenados por gabinetes  de  Arquitetura  que  apenas  recorrem  a  equipas  de  Arquitetos  Paisagistas  em  fases  finais  do  trabalho.  Apercebi‐me,  durante  o  estágio,  que  a  circunstancia é recorrente neste tipo de projetos, devido às exigências de  alguns  Municípios.  Decorrente  desse  processo  avançado,  os  documentos  desenhados  chegaram  ao  atelier  já  com  alguma  definição  das  linhas  orientadoras do desenho dos espaços exteriores. A proximidade do prazo  de  entrega  não  nos  permitiu  avançar  para  a  reformulação  dessas  orientações  já  estudadas,  ainda  que  tivéssemos  vontade  de  apresentar  outra solução.     A  área  destinada  à  implantação  da  moradia  situava‐se  numa  posição  central do lote, distribuindo‐se os espaços exteriores em volta desta.   A organização do espaço, a norte9, já se encontrava definida pelo projeto  de arquitetura, apresentando‐se como uma zona de acessos à moradia e  ao  jardim,  através  de  uma  rampa  e  escada.  Junto  ao  limite  norte  deste  mesmo espaço, a arquitetura propôs a construção de alguns canteiros em  patamares  de  diferentes  cotas,  para  os  quais  se  propôs  a  plantação  de  espécies arbóreas e arbustivas da flora local.     Para o jardim poente propôs‐se, a construção de um talude plantado, com  muretes  de  suporte  em  sulipas  de  madeira.  Ao  longo  do  murete  de  cota  mais  baixa,  as  sulipas  seriam,  em  algumas  zonas,  dispostas  de  forma  diferente  das  restantes,  transformando‐se  em  bancos.  Na  área  restante,  propôs‐se  uma  área  livre  de  relvado.  Relativamente  à  vegetação  para  o  jardim  poente,  propôs‐se  o  revestimento  do  talude  com  espécies  herbáceas e arbustivas da flora local, surgindo, em alguns pontos, algumas  árvores, para criar zonas mais sombrias.        

 

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    Na área sul, o projeto de arquitetura previa a construção de uma piscina.  Devido  à  incompatibilidade  entre  esta  construção  e  a  manutenção  das  espécies  de  Phoenix  canariensis  presentes  (espécies  protegidas),  propôs‐ se  a  transplantação  destas  para  uma  área  adjacente.  Além  desta  ação,  o  projeto  de  arquitetura  paisagista  propunha,  também,  uma  área  de  estadia,  pavimentada,  que  faria  a  ligação  entre  a  piscina  e  a  área  pavimentada, junto ao limite sul. Devido ao caráter exótico das palmeiras  transplantadas,  propôs‐se,  para  junto  destas,  espécies  de  características  semelhantes como plantas suculentas, yucas sp., e cordylines sp.   Preconizou‐se,  também,  para  esta  zona,  uma  escada  em  sulipas  de  madeira,  para  acesso  ao  exterior  do  lote,  que  funcionaria  como  acesso  secundário e/ou de serviço.     A Nascente da moradia, e para os terraços plantados, planeou‐se o uso de  espécies exóticas, mantendo o mesmo caráter da zona da piscina (fig.42).                                    

                                                                                                                                                                                                                                                             43  MESTRADO EM ARQUITETURA PAISAGISTA                ANA MANUEL MESTRE  9

Por uma mera questão de organização do projeto, dividiram‐se os espaços exteriores em quatro áreas distintas – área norte, área sul, jardim poente e terraços. 

 


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Todas as peças desenhadas e escritas que compuseram o trabalho ficaram  a  meu  cargo,  nomeadamente,  o  Levantamento  da  Situação  Existente,  Plano  de  Amarelos  e  Encarnados,  Plano  Geral,  Cortes,  Plano  Prévio  de  Modelação  do  Terreno,  Plano  Prévio  de  Pavimentos,  Plano  Prévio  do  Sistema  de  rega  automático  (fig.45)  e  Plano  Prévio  de  Plantações  e  Sementeiras. Foi na peça referente ao sistema de rega que senti maiores  dificuldades.  Foi  necessária  a  consulta  de  projetos  de  licenciamento  anteriores  para  melhor  compreensão  do  que  se  pretendia.  Tanto  em  projetos  de  licenciamento  como  em  estudos  prévios,  o  plano  do  sistema  de  rega  automática  pretende  mostrar  a  organização  geral  do  mesmo  (tubagens)  e  os  tipos  de  rega  a  utilizar  nas  diferentes  áreas  plantadas  (gota‐a‐gota em arbustos, anel em árvores e aspersão em áreas relvadas),  de  forma  simples  e  sem  qualquer  referência  mais  pormenorizada  e  ou  técnica relativa aos materiais que o compõem.     Durante o desenvolvimento do projecto, tentei, sem sucesso, contactar o  arquiteto  responsável  pelo  projeto  para  esclarecimento  de  algumas  dúvidas  relativas  à  Arquitetura.  Esta  falta  de  informação  dificultou  a  ligação  entre  os  espaços  exteriores  e  a  moradia  em  termos  de  usos  e  funções e de materiais de construção utilizados.     Após  a  finalização  dos  desenhos  e  da  memória  descritiva,  e  antes  da  entrega  destes,  marquei,  por  sugestão  do  Arquiteto  Ângelo  de  Castro,  uma reunião com a Arquiteta Paisagista da Câmara Municipal de Cascais.   Esta reunião teve como objetivo a apresentação e discussão da proposta,  de forma a compreender os critérios a que esta seria sujeita no processo  de licenciamento.              

 

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A reunião, que inicialmente me preocupou, devido à falta de experiência  neste  campo,  acabou  por  não  ter  significado,  afirmando‐se  mesmo  desnecessária,  devido  à  falta  de  disponibilidade  e  atenção  manifestadas  pela responsável com quem contactei.     Este trabalho deu‐me a conhecer todo o processo inerente a projetos de  licenciamento, bem como as peças que o compõem e como estas devem  ser  apresentadas.  Tal  como  em  estudos  prévios,  este  deve  ser  composto  pelas peças estritamente necessárias à correta compreensão da proposta  e de alguns aspetos técnicos que remetem para o desenvolvimento futuro  do  projeto  de  execução.  É  necessário,  nestes  casos,  a  pesquisa  e  compreensão dos critérios de licenciamento do Município onde se insere a  área de intervenção.     Por todas as tarefas que realizei e por toda a responsabilidade que me foi  dada,  aumentei  a  minha  rede  de  contactos  e  desenvolvi  o  meu  sentido  crítico  relativamente  à  regulamentação  inerente  a  projetos  de  licenciamento.  É  também  de  referir  a  importância  do  meu  crescimento  como profissional e a maior capacidade de comunicação e segurança que  adquiri,  principalmente,  devido  à  oportunidade  de  reunião  com  outros  técnicos a trabalhar em instituições públicas.                            

                                                                                                                                                                                                                                                             44  MESTRADO EM ARQUITETURA PAISAGISTA                ANA MANUEL MESTRE 


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Ponto de adução - Rede pública F Filtro P Programador C Contador GH Bomba/Grupo hidropressor Válvula de seccionamento Rega gota-a-gota Rega por aspersão Camisamento em PVC 5

- Realizado à escala 1:100 (imagem apresentada sem escala)

Anel de gotejadores - rega de árvores

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3.6. PROJETO DE ESPAÇOS EXTERIORES PARA A MORADIA GONÇALO CORRÊA D’OLIVEIRA CLIENTE Gonçalo Corrêa D’Oliveira EQUIPA TÉCNICA Ceregeiro, Arquitetura Paisagista Lda. – Arquitetura Paisagista Eng.º António Magalhães de Carvalho – Rede de Rega Automática ARTRADI - Arquitetura TIPO DE PROJETO Projeto de Execução LOCAL Murches, Cascais ÁREA TOTAL 2.536 m2 ÁREA DE ESPAÇOS EXTERIORES 2.070 m2 DATA DE INICIO Março 2011

Fig. 46 Localização da moradia Gonçalo Corrêa D’Oliveira

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ENQUADRAMENTO E CARACTERIZAÇÃO O estudo consistiu na apresentação do projeto de execução para os espaços exteriores de uma moradia privada, em Murches, Cascais (fig.46). O lote, com cerca de 2.536m2 de área e configuração aproximadamente retangular, compreendia a moradia de um só piso, numa posição central, já em fase de obra. O terreno apresentava-se genericamente plano (variação altimétrica entre a área central e envolvente de cerca de 0,60m, ausente da presença de elementos vegetais ou construídos (fig.47). Salienta-se a presença de afloramentos rochosos, alguns deles já retirados da zona de obra da moradia. Estes, a pedido do cliente, deveriam ser aproveitados no projeto de espaços exteriores (o único aspeto programático sublinhado pelo cliente).

Fig. 47 Fotografias do espaço original

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10

10

2

9

8 6

8

9 8

5

4

11

1

7

8

1 Área Norte 2 Percurso poente 3 Percurso nascente 4 Área relvada 5 Piscina 6 Área de estadia/ zona técnica da piscina 7 Elevação em blocos de pedra

10

3

10

8 Áreas plantadas Limite da área de intervenção 9 Pomar Limite de propriedade 10 Sebe periférica Área de cedência ao espaço público 11 Moradia Fig. 48 Plano geral da proposta para os espaços exteriores da Moradia Gonçalo Corrêa D’Oliveira - Realizado à escala 1:200 (imagem apresentada sem escala)

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EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA PAISAGISTA

REFLEXÃO/CONSIDERAÇÕES PESSOAIS O Projeto de espaços exteriores para a Moradia Gonçalo Corrêa D’Oliveira, foi iniciado alguns meses antes da minha entrada no atelier, tendo sido interrompido devido a algumas indecisões do cliente. As linhas orientadoras do projeto estavam já definidas, assim como alguns pormenores construtivos relativos à zona da piscina. O reconhecimento do espaço de intervenção foi feito apenas por fotografia e por informação dada pelo Arquiteto João Ceregeiro, sem uma visita ao local. Isto dificultou o desenvolvimento do projeto de execução por ser, por vezes, difícil ter uma correta perceção do lugar onde estávamos a trabalhar.

O trabalho iniciou-se com a elaboração do Plano Geral (fig.48), com base nos esquiços da proposta. Seguidamente foram feitas as peças relativas à modelação do terreno, que incluíram alguns perfis para melhor compreensão e cálculo das movimentações de terra necessárias (fig.49). Esta abordagem inicial, levou-me a recordar alguns conceitos aprendidos durante o curso, sobre o cálculo de movimentações de terra com base em perfis topográficos. O trabalho foi facilitado por uma tabela pré-definida que calcula os volumes de terra de escavações e de aterros com base nas áreas calculadas em cada perfil.

Gostaria de salientar ainda, alguns aspetos sobre os quais o desenvolvimento me permitiu tecer algumas considerações/críticas. Penso que a proposta deveria ter uma menor área de impermeabilização e que a solução encontrada para aproveitamento dos blocos de pedra retirados do solo, durante a obra não foi a mais eficaz. A elevação em bloco de pedra, proposta, surge no espaço como algo estranho, que cria uma sensação de tensão e desarmoniza o espaço, principalmente por se encontrar numa área praticamente nivelada que contrasta com a mesma elevação. Poderiam ter-se encontrados soluções mais viáveis para uso da pedra, como por exemplo, colocá-la em áreas plantadas como forma de criar um jardim rochoso, usa-la nas áreas pavimentadas ou mesmo para construção de muretes ou remates de áreas plantadas e/ou pavimentadas.

Além dos dois planos já referidos, desenhei também o Plano de Implantação Planimétrica (fig.50), que, neste caso, se mostrou mais eficaz recorrendo a uma quadrícula para marcação dos pontos de implantação do percurso proposto (solução mais eficaz em projetos com linhas mais orgânicas).

O projeto de execução compreendeu as peças desenhadas – Plano Geral; Plano de Modelação do Terreno I; Plano de Modelação do Terreno II Perfis; Plano de Implantação Planimétrica; Plano de Pavimentos, Drenagem, Equipamentos e Pontos de Luz; cinco peças relativas aos pormenores de construção; e duas peças relativas às plantações e sementeiras; assim como as respetivas peças escritas – Memória descritiva e Justificativa, cadernos de encargos e mapas de medições e orçamentos. A meu cargo ficaram as peças relativas à construção geral.

Fig. 49 Perfis de modelação do terreno (imagem apresentada sem escala)

49

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EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA PAISAGISTA

0.9

0.7

0.7

1

0.8

0.6

0.6

0.3

0.7

0.2

0.4

0.6

0.7

0.7

0.2

0.4

0.4

0.5

0.7

0.7 0.3

0.4

0.5

0.7

0.7

0.3

0.5

0.9

0.8

0.3

0.5

1.6

4.2

0.7 3.6

0.5

0.8 0.6

2.1

2

0.4

1

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4.1

0.5

0.6

0.5

0.2

0.3

0.3

2.2

2

0.9

5.1 4.7 5.5 2.6

0.4

3.8

3.5

0.5

1.9

10.8

1.2

2.3

0.2

0.9

2.9 2.8

1.4

3.9

2.4

1.2

0.9

0.9

1.9

0.9

0.6

0.9

0.7

0.8

0.5

5.8

0.6

0.2

0.2 0.3

0.9

0.9

0.5

0.8 0.2

0.7

0.9

0.3

0.8

0.4

0.4

0.2

0.1

0.7 0.5 0.7

1 0.5 0.6

0.1

0.1 0.7

0.8

0.6

0.4

0.7

0.1

0.7

0.9

0.2

0.5

0.6

0.8 0.2

0.5

0.3

0.3

0.6

0.6

0.7

0.8

0.2

0.8 0.4

Fig. 50 Plano de Implantação Planimétrica - Realizado à escala 1:100 (imagem apresentada sem escala)

50

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RELATÓRIO DE ESTÁGIO Para melhor compreensão da proposta, escolheram-se os pontos que deveriam ser pormenorizados. Foi necessário desenhar e estudar a disposição das lajes do pavimento, definindo assim uma estereotomia, neste caso muito importante nos limites/remates do percurso; Foi pormenorizada toda a área da piscina (incluindo a guarda e a pérgola propostas) e a elevação em bloco de pedra, para melhor leitura da forma como as pedras se dispunham e como se desenhava o recorte dos degraus.

Mais uma vez, a elaboração dos pormenores construtivos foi importante por me trazer mais conhecimentos acerca de materiais e técnicas de construção, até aí não explorados. O contacto com empresas fornecedoras e a procura de soluções adequadas à proposta, levou-me a entender melhor a ligação entre os projetistas e os fornecedores, o que se mostrou bastante importante, em fases de projeto de execução para que não sejam propostos elementos irreais ou com incorretas técnicas de construção, ou ainda, para procurar as soluções menos onorosas. Neste caso, o contacto é, para ambos, vantajoso – Para o projetista porque encontra as melhores e mais baratas soluções e para a empresa por poder vir a ser a fornecedora de equipamento que se está a propor, visto que pode vir a ser sugerida em caderno de encargos e/ou medições e orçamentos.

≈1.30

≈0.15

Os pormenores de construção relativos à piscina (já iniciados pela Arquiteta Paisagista Marta Francisco) foram por mim reformulados e aperfeiçoados no contexto desta fase. Para o trabalho de pormenorização da pérgola (fig.52 e 53) e da guarda (fig.54) foi necessária uma pesquisa de empresas fornecedoras deste tipo de equipamento e alguns contactos com as mesmas para se perceber se alguma poderia fabricar os elementos com as medidas propostas ou se seria necessário conceber outros. Para desenhar a elevação em bloco de pedra, procurei trabalhos anteriores onde fossem usadas construções semelhantes (em blocos de pedra irregulares) para algum tipo de construção semelhante ou para muros e/ou muretes, para entender a melhor forma de ligar os blocos de forma segura, sem que a massa ligante ficasse demasiado visível, mantendo o ar mais natural da elevação. Foram também estudadas as medidas dos degraus a recortar nos mesmos blocos (fig.51).

EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA PAISAGISTA

≈0.4

5

Pormenor em 3D - Recorte dos degraus (esc.:1/10)

Fig. 51 Pormenor em 3D do recorte dos degraus em blocos de pedra - Realizado à escala 1:10 (imagem apresentada sem escala)

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3.96

0.1

2

0.1

2

2.30

Fig. 53 Pormenor de encaixe das pranchas de madeira da pérgola - Realizado à escala 1:5 (imagem apresentada sem escala)

9

0.0 2.32

5.00

0.90

0.09

1.20 0.90

Fig. 52 Pormenor em 3D da estrutura de ensombramento - pérgola Realizado à escala 1:20 (imagem apresentada sem escala)

Fig. 54 Pormenor de fixação dos painéis de madeira da guarda - Realizado à escala 1:5 (imagem apresentada sem escala)

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3.7. PROJETO DE ESPAÇOS EXTERIORES PARA A PARCELA 148C DA HERDADE DA COMPORTA CLIENTE Sofia Magalhães EQUIPA TÉCNICA Ceregeiro, Arquitetura Paisagista Lda. – Arquitetura Paisagista Eng.º António Magalhães de Carvalho – Rede de Rega Automática TIPO DE PROJETO Projeto de Execução LOCAL Herdade da Comporta, Comporta ÁREA TOTAL 90.800 m2 ÁREA DE ESPAÇOS EXTERIORES 90.200 m2 DATA DE INICIO Abril 2011

Fig. 55 Localização da Parcela 148C da Herdade da Comporta

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ENQUADRAMENTO E CARACTERIZAÇÃO O espaço de intervenção situa-se na Herdade da Comporta, numa área com um forte caráter rural e em área protegida (fig.55). A paisagem apresenta um caráter fortemente marcado pela presença de Pinus Pinaster e Pinus Pinea e solo arenoso. Esta moradia é a segunda habitação dos proprietários e funciona também como turismo rural, sendo arrendada em época de férias. A intervenção circunscrevia-se apenas ás áreas envolventes à moradia (fig.56). A cliente pretendia uma área para receber os visitantes da herdade procurando-se manter as características da paisagem daquele local, (vegetação, rede de caminhos e área de estacionamento). Todas as ações propostas pretendiam-se simples e discretas. Foi solicitado a plantação de algumas espécies aromáticas como Lanvandula luisieri (rosmaninhos) e Lavandula angustifolia (alfazemas) na área mais próxima da moradia (fig.57).

Fig. 56 Fotografia do espaço original - Herdade da Comporta

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59

.00

EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA PAISAGISTA

C B

2

4

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.10

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.50

59

.10

D

59

.42 61

62

.07

.65

3

.02

.26

.50

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60

.19 61

62

.07

60

.75

59

.78

A 1 Estacionamento 2 Piscina 3 Campo de jogos

.00

E

.00 58

.00 58

59

.00 60

.00

61

.00 60

59

58

.00

1

57

.00

.00

A - Moradia B - Zona técnica da piscina C - Painel solar D - Telheiro E - Ruína

Fig. 57 Plano geral da proposta para os espaços exteriores da parcela 148C da Herdade da Comporta - Realizado à escala 1:500 (imagem apresentada sem escala)

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REFLEXÃO/CONSIDERAÇÕES PESSOAIS O projeto foi direcionado de forma a respeitar o caráter do lugar e, ao mesmo tempo, responder aos usos e funções associados à utilização prevista. A proposta elaborada pelo Arquiteto Paisagista João Ceregeiro, propôs-se a redefiniu os caminhos pedonais em toda a área de intervenção. Na zona de receção da herdade criou-se uma nova área de estacionamento com espaço para cerca de 10 a 15 automóveis. A partir do estacionamento, o percurso pedonal encaminha na direção da moradia, próximo da qual se transforma numa sequência de degraus rampeados. Desde o acesso principal da moradia até à área da piscina, foi preconizado um passadiço em madeira que culmina por cima do nível da água, marcando este percurso como um dos principais em toda a área de intervenção (fig.57 e 58). Os materiais utilizados tiveram em conta a ruralidade do local tendo sido trabalhadas as madeiras e saibros. Procurou-se assegurar revestimentos e pavimentos que mantivessem a total permeabilidade do solo. Relativamente às plantações e sementeiras, propôs-se a plantação de uma grande variedade de espécies aromáticas da flora local, a delimitar os percursos e a área envolvente á moradia. Como elementos arbóreos, foi reforçada a presença de Pinus pinastea.

Uma vez definida a proposta apresentada e discutida com a cliente e consequentemente aprovada, passou-se á elaboração das peças desenhadas e escritas do projeto de execução. De entre as peças referidas, fiquei mais uma vez responsável pelos pormenores construtivos e pela colaboração na execução do Plano de Rede de rega Automática (fig.61). Começou-se por pormenorizar o revestimento em saibro dos caminhos e os degraus rampeados (fig.60). Até esta fase não senti grandes dificuldades por ter, já, noutros projetos, contactado diretamente com estes tipos de materiais e técnicas de construção. A grande novidade, neste trabalho, foi a pormenorização do passadiço em madeira (deck) proposto. Consultei antigos projetos onde se propôs estruturas semelhantes e iniciei um trabalho intensivo de estudo das medidas mais adequadas e de todos os encaixes e ligações entre vigas, pilares e traves de madeira, bem como as respetivas fundações. Os pormenores desta estrutura (fig.59) foram particularmente interessantes de desenhar devido à complexidade do elemento construtivo em questão. Ganhei alguma experiência em técnicas de construção, normalmente aplicadas a estruturas de madeira mais complexas, o que aumentou o meu gosto por este material e por estruturas deste género.

Fig. 58 Corte da proposta para os espaços exteriores da parcela 148C da Herdade da Comporta - Realizado à escala 1:200 (imagem apresentada sem escala)

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P02

Fig. 59 Pormenor de construção do passadiço em madeira - deck Realizado à escola 1:20 (imagem apresentada sem escala)

Fig. 60 Pormenor de construção dos degraus rampeados - Realizado à escala 1:50 (imagem apresentada sem escala)

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O maior desafio foi, no entanto, a elaboração do Plano de Rede de Rega  Automática (fig.61). Forneceu‐se ao Eng. António Magalhães de Carvalho,  que frequentemente colabora com o atelier, os elementos necessários da  proposta (áreas plantadas, o local onde se encontra o ponto de adução, e  qual a origem da água, rede, furos, poços etc.) e ainda outras informações  relativas ao sistema de rega pré‐existente (o qual poderia ter elementos  que  se  pudessem  mater  ou  reutilizar).  O  plano  de  rede  de  rega  automática  e  os  respetivos  cálculos  e  memória  descritiva  foram  então  elaborados  tendo  sido  entregues  à  equipa  de  Arq.  Paisagistas  em  três  folhas  distintas  de  papel  esquiço  –  uma  com  a  conduta  principal,  outra  com  a  conduta  secundária  e  outro,  ainda,  com  a  rede  elétrica,  apresentadas em reunião onde se explicaram os pormenores necessários  à  completa  compreensão  dos  esquiços.  A  partir  destes  desenhos,  é  elaborada, em Autocad, uma peça que sobrepõe os três desenhos iniciais.  A maior dificuldade é construir uma peça perfeitamente legível e, dentro  do  possível,  simples.  A  rede  de  rega  proposta  para  a  herdade  da  Comporta  mostrou‐se  bastante  complexa,  o  que  me  exigiu  um  esforço  extra  na  realização  deste  trabalho,  tendo  contado  com  o  apoio  da  Arq.  Paisagista Marta Francisco e do Eng. António Magalhães de Carvalho.     A  complexidade  deste  trabalho  levou‐me  a  rever  conceitos  abordados  durante o meu percurso académico e a aprofundar outros, de acordo com  a  exigência  da  peça.  Adquiri  também  novos  conhecimentos  técnicos  ao  nível  do  desenho  assistido  por  computador  e  tive  a  oportunidade  de  aperfeiçoar alguns métodos de representação gráfica.   O contacto direto com o Engenheiro alargou a minha rede de contactos e  reforçou a importância do trabalho multidisciplinar.                

 

        EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA  PAISAGISTA 

                                                           

     

                                                                                                                                                                                                                                                             58  MESTRADO EM ARQUITETURA PAISAGISTA                ANA MANUEL MESTRE 


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EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA PAISAGISTA 0.75 1.0 1.0 1.5 0.75 0.75

F

P 1.0

0.75

1.0

1.0

1.0

1.0 4 1.0

3.0 2.0

2.0

2.0

2.0

2.0 2.0 5

4.0

6

1.0

1.0

4.0 2.0

2.0

2.0 4.0 1.0

2.0

Ø75

Ø75 2

8.0

Ø250

2.0

4.0

4.0

2.0 4.0

7 8.0 4.0 2.0 4.0 9

3.0

4.0 4.0

4.0 4.0 8.0 6.0

8

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2.0 3

3.0 Ø63

6.0

4.0

1

MESTRADO EM ARQUITETURA PAISAGISTA

- Realizado à escala 1:200 (imagem apresentada sem escala)

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3.8. PLANO DE PLANTAÇÃO PARA A MORADIA CLARA CHAMBEL CLIENTE Clara Chambel EQUIPA TÉCNICA Ceregeiro, Arquitetura Paisagista Lda. – Arquitetura Paisagista TIPO DE PROJETO Plano de Plantação LOCAL Aldeia do Juso, Malveira da Serra ÁREA TOTAL 4.579 m2 ÁREA DE ESPAÇOS EXTERIORES 4.089 m2 DATA DE INICIO Abril 2011

Fig. 62 Localização da moradia Clara Chambel

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ENQUADRAMENTO E CARACTERIZAÇÃO

REFLEXÃO/CONSIDERAÇÕES PESSOAIS

A área de intervenção situa-se na Aldeia do Juso, Malveira da Serra, no concelho de Cascais (fig.62). Trata-se de um lote com cerca de 4.579 m2 de área, de configuração aproximadamente retangular e com a moradia localizada junto ao canto noroeste do espaço.

No setor Norte, a sebe foi composta por um alinhamento contínuo de Cupressocyparis leylandii e Thuja plicata, com 1.20m de afastamento entre pés para permitir que cada elemento crescesse mais livremente. Este foi acompanhado por outro alinhamento, mais baixo, de Crassula portulacea e Crassula arborescens, com 0,60m de afastamento entre pés. Junto da moradia, o canteiro sofreu um estrangulamento, propondo-se, nesta zona, apenas o alinhamento de elementos arbóreos (Cupressocyparis leylandii e Thuja plicata). Associada ao muro limite que envolve a área da piscina foi proposto um alinhamento contínuo de Melaleuca diosmifolia, com uma distância entre pés de 0,60m. No setor poente e sul propôs-se um módulo de plantação composto pelos mesmos elementos arbóreos da área norte (Cupressocyparis leylandii e Thuja plicata), plantados em quincôncio com um afastamento de 3m entre pés e 1m entre linhas. A poente, foi introduzido também um alinhamento de elementos de porte arbustivo de Cytisus scoparius, Pistancia lentiscus, Prunus lusitanica, Viburnum tinus e Sambucus nigra, com 1,5m entre pés, no alinhamento dos exemplares de Cupressocyparis leylandii. O plano de plantação da herdade Clara Chambel diferenciou-se dos restantes planos de plantação que realizei durante o estágio por utilizar uma metodologia de trabalho diferente. Pela primeira vez, elaborei uma proposta utilizando módulos de vegetação. Este método consistiu em criar grupos de espécies com afastamento e organização criteriosamente estudada, que foram depois distribuídos pelas várias áreas destinadas à plantação. Neste trabalho, foi necessária uma atenção reforçada na escolha do elenco vegetal e na distribuição deste no limitado espaço dos canteiros da herdade. Com este trabalho ganhei uma maior experiência e conhecimentos na área da vegetação e aprendi uma nova metodologia de trabalho que se revelou bastante útil em projetos com extensas áreas plantadas ou para, como neste caso, sebes constituídas por várias espécies.

O projeto compreende o plano de plantação de uma sebe a plantar ao longo do limite do lote, como proteção dos limites do terreno. O projeto decorre da vontade da sebe ser executada numa fase inicial do projeto, de modo a que as suas funções fossem asseguradas com a maior brevidade. Apenas 328,5m2 foram destinados a esta plantação.

Fig. 64 Fotografia do espaço original

61

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EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA PAISAGISTA

73.00

73.00

73.00

Fig. 63 Plano de Plantação para a Herdade Clara Chambel - Realizado à escala 1:200 (imagem apresentada sem escala)

62

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EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA PAISAGISTA

Melaleuca diosmifolia (dist. entre pés = 0.6m)

Árvores existentes

Thuja plicata + Cupressocyparis leylandii (dist. entre pés = 1.20m)

SEBE PERIFÉRICA ÁRVORES Cl - Cupressocyparis leylandii - 65uni

Crassula portucalea + Crassula arborescens (dist. entre pés = 0.6m) * Distância entre linhas = 0.6m

Tp - Thuja plicata (túia-gigante) - 68uni ARBUSTOS Cs - Cytisus scoparius (giesteira-das-vassouras) - 2uni

Thuja plicata (dist. entre pés = 3m) Cupressocyparis leylandii (dist. entre pés = 3m) * Distância entre linhas = 1m

Md - Melaleuca diosmifolia (melaleuca) - 80uni Thuja plicata (dist. entre pés = 3m) Cupressocyparis leylandii + Sambucus nigra (dist. entre pés = 1.5m)

Ple - Pistacia lentiscus (aroeira) - 2uni Pl - Prunus lusitanica (loureiro de Portugal) - 6uni

* Distância entre linhas = 1m

Sn - Sambucus nigra (sabugueiro) - 4uni Crassula portucalea (dist. entre pés = 0.6m) Crassula arborescens (dist. entre pés = 0.6m)

Vt - Viburnum tinus (folhado) - 2uni CARNUDAS Cp - Crassula portulacea - 43uni

* Distância entre linhas = 0.6m

Ca - Crassula arborescens - 40uni Limite da área de plantação da sebe * Distância entre linhas = 1m

Thuja plicata (dist. entre pés = 3m) Cupressocyparis leylandii + Prunus lusitanica +Pistacea lentiscus + Sambucus nigra + Viburnum tinus +Cytisus scoparius (dist. entre pés = 1.5m)

Fig. 65 Legenda do plano de plantação para a moradia Clara Chambel - Módulos

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63

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RELATÓRIO DE ESTÁGIO   4. CONSIDERAÇÕES FINAIS    

 

 

        EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA  PAISAGISTA 

    As tarefas que desenvolvi permitiram‐me desenvolver competências num  ambiente profissional, em que pude aplicar os conhecimentos adquiridos  durante  o  curso  a  situações  específicas  e  reais.  Aumentei  a  minha  capacidade  de  integração  em  equipas  e  aprendi  novos  métodos  de  trabalho.  

Considero, o estágio que realizei, bastante dinâmico e enriquecedor, pela  diversidade  de  tarefas  que  tive  à  minha  responsabilidade  e  pela  oportunidade  de  trabalho  em  variadas  situações,  desde  administrativas  (como  organização  de  arquivos,  realização  de  encomendas  de  material  necessário  e  receção  das  mesmas),  até  todas  as  funções  mais  técnicas    inerentes ao processo de desenvolvimento de projetos.   Relativamente  aos  trabalhos  desenvolvidos,  penso  que  o  atelier  deveria    apostar  ainda  na  apresentação  de  imagens  3D  e/ou  perspetivas  da  De  todos os trabalhos  realizados,  o Projeto  de  Espaços  Exteriores  para  a  proposta.  Este  tipo  de  desenhos  ajuda  à  compressão  da  mesma,  Área Envolvente ao Palacete do Campus do Lumiar e o Projeto de Espaços  principalmente  quando  apresentada  a  profissionais  de  outras  áreas  ou  Exteriores  da  Moradia  do  Bairro  da  Martinha  foram  aqueles  que  mais  aos  próprios  clientes  que,  muitas  vezes,  não  sabem  ler  corretamente  as  dedicação  me  exigiram.  Consequentemente,  foram  aqueles  que  mais  peças  técnicas.  As  imagens  3D  ajudam  a  ter  uma  perceção  da  experiência  me  deram  e  mais  me  fizeram  crescer  enquanto  profissional  espacialidade e da organização da proposta mais próxima da realidade.  da  área  de  Arquitetura  Paisagista.  Neles  tive  oportunidade  de  participar  Salienta‐se,  também,  a  falta  de  disponibilidade  do  Arquiteto  paisagista  ativamente em todas as fases e com eles estabeleci vários contactos com  João Ceregeiro para discutir as ideias conceptuais associadas às propostas  equipas  de  outras  áreas  bem  como  com  empresas  fornecedoras  (o  que  (processo criativo) com a restante equipa de forma a poderem encontrar‐ me permitiu aumentar a minha rede de contactos profissionais).   se outras soluções.     A falta de tempo para o trabalho que era necessário elaborar revelou‐se  No geral, tive a oportunidade de participar com todas as diferentes peças  uma  constante  ao  longo  de  todo  o  estágio,  o  que  se  deve,  na  minha  desenhadas  e  escritas  que  compõem  um  projeto  e  de  consultar  outros  opinião, ao facto da equipa de Arquitetos Paisagistas ser reduzida, face à  trabalhos existentes no arquivo do atelier, de forma a poder aperfeiçoar o  quantidade de trabalho existente.   nível técnico e gráfico.       Este  estágio  foi  uma  fase  vital  do  meu  percurso  académico  que  me  Salienta‐se,  ainda,  a  oportunidade  de  experimentar  diferentes  permitiu conhecer a realidade profissional da Arquitetura Paisagista.  metodologias  de  trabalho  e  diferentes  formas  de  representação  gráfica,  Estou  certa  de  que  a  termino  com  uma  maior  autoconfiança  e  com  a  como  por  exemplo  nos  Planos  de  Plantação.  Isto  permitiu‐me  conhecer  capacidade de continuar a desenvolver trabalho por iniciativa própria.   vários métodos de forma a poder escolher aquele que melhor se adapta a    cada tipo de intervenção.                                                                                                                                                                                                                                                                                  64  MESTRADO EM ARQUITETURA PAISAGISTA                ANA MANUEL MESTRE 


RELATÓRIO DE ESTÁGIO  

 

5. BIBLIOGRAFIA UTILIZADA NA REALIZAÇÃO DOS PROJETOS   

 

        EXPERIÊNCIAS NO ÂMBITO DA ARQUITETURA  PAISAGISTA 

    LIVROS    BLICH,  Michael,  BURNIE,  Geoffrey  –  Gardening  Encyclopedia,  Random  House Australia, 2007    MOREIRA,  José  Marques  –  Árvores  e  Arbustos  em  Portugal,  Lisboa,  Argumentum, 2008    Bambus e Ervas, Civilização Editora, 2008    AYDANO,  Roriz,  Enciclopedia    prática    1001  plantas  y  flores,  Euro  Best,  2005 

CATÁLOGOS    NORINCO IBERICA, Tampas e grelhas em ferro fundido dúctil.    HESS, Iluminação    BEGA, Iluminação    PHILLIPS, Flexible tube, Fev.2008    Viveiros VIPLANT      Viveiro CANTINHO DAS AROMÁTICAS  NEFF, Ludwin, NEUFERT, Peter – Casa, Apartamento, Jardim, Gustavo Gili,    2007  SIGMENTUM, Plantas autóctones      NEUFERT,  Peter  –  Neufert,  A  Arte  de  projetar  em  Arquitetura,  Gustavo  Viveiros PLANTA LIVRE, 2010  Gili, 2004                                                                                                                                                                                                                                                                                               65  MESTRADO EM ARQUITETURA PAISAGISTA                ANA MANUEL MESTRE 


Relatório de Estágio  

Relatório de Estágio - Mestrado em Arquitectura Paisagista - Universidade de Évora

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