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DEUS EXISTE

No final do século passado, a ciência acreditava ter todas as chaves do conhecimento: decifrar os últimos mistérios da natureza era só uma questão de tempo. Agora, na entrada de um novo milênio, as certezas mais claras agonizam e os cientistas se perguntam Deus existe ? P. 08

MACONHA TATOO A droga ilegal mais consumida do mundo. P. 03

Arte à flor da pele. P. 04

SONHOS

FACEBOOK

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Por que sonhamos?

Por trás da rede.


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tecnologia por Felipe Van Deursen e Bruno Garattoni

24 regras de etiqueta da vida digital Você fala mais com os dedos do que com a boca. Tem mais amigos no Facebook do que na faculdade. Conta mais piada no Twitter que no bar. A tecnologia está no centro das relações sociais. Mas como se comportar? 1. Amo meu smartphone. Mas ele é meio grande, aperta o bolso da minha calça - e não consigo ouvi-lo quando está dentro da minha mochila. Posso colocá-lo sobre a mesa do bar ou do restaurante? Se for um almoço ou jantar formal, nem pensar (compre uma calça maior, um aparelho auditivo ou então, melhor ainda, desligue o aparelho). Quando você estiver no bar com seus amigos, vá lá. Mas é meio brega. Faz tempo que celular não é mais símbolo de status - e, a menos que a mesa seja formada por programadores, ninguém está interessado nos aplicativos que você baixou. 2. Liguei para uma pessoa e ela não atendeu. Deixo recado ou mando SMS? Mande SMS. As estatísticas mostram que, desde 2009, as redes de celular têm mais tráfego de dados que de voz. Ou seja, a caixa postal é um artefato do século 20: lento, caro e invasivo. Só use em último caso, em recados formais (para seu chefe, sogro, médico etc.). Ou se você quiser dar uma de stalker. 3. Choque elétrico, arrancamento de unhas, afogamento simulado. Nenhuma dessas torturas se compara às reuniões da minha empresa: estou preso numa há 3 horas, e quero me matar. Posso buscar alegria no mundinho mágico do meu smartphone? Não busque alegria. Busque conhecimento. Brincadeira. Bem, se os outros estiverem usando seus aparelhos, pode até ser. Tudo depende da idade média das outras pessoas. “Se para os chamados babyboomers (pessoas

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com mais de 45 anos) isso pode ser grosseiro, para os membros da geração Y (gente com menos de 30 anos) o indelicado é não responder um SMS em 5 minutos”, afirma Marcelo Coutinho, diretor do Terra América Latina. 4. Ligam pra mim no meio dessa reunião super¬legal. É impor¬tante. O que faço? A. Ignore a chamada e desligue o celular. B. Saia para atender, mas volte rapidinho. C. Saia para atender, mas fique meia hora enrolando.

mensagens no celular? Quando você for a um programa potencialmente chato, tipo palestra motivacional ou peça do Gerald Thomas, tome as precauções necessárias: coloque o brilho do visor no mínimo, para poder ligá-lo sem dar muita bandeira. Se você tiver seguro do aparelho, melhor ainda - Thomas já chegou a arrancar o celular da mão de um espectador. 6. Quero dar unfollow em alguém. Como fazer isso sem criar um clima ou ganhar um inimigo? Se você der unfollow, a pessoa vai

Não entro no Orkut há um tempão. Devo me suicidar?

D. Coloque no viva-voz e peça a outra pessoa para dar pitaco na reunião. Se você respondeu A, ganhou pontos com o chefe - mas perdeu a chance de recuperar a sanidade mental por alguns minutos (o que seria proporcionado pela opção B). A alternativa C só serve para pessoas folgadas extremamente criativas: se você voltar do passeio com uma boa ideia para apimentar a reunião, por que não? Opção D? Prepare-se para ser tachado de louco - ou gênio das estratégias corporativas (qual patrão não adoraria os insights do seu tio do interior?). 5. Estou numa peça de teatro insuportável. Tudo bem passar o tempo respon¬dendo umas

perceber - existem plug-ins para Twitter e Facebook que alertam sobre esse gesto inamistoso. Existe uma solução melhor. Instale o Tweetfilter, que é um acessório para o navegador Google Chrome e permite ocultar os tweets de uma pessoa sem dar unfollow nela. No Facebook, clique no pequeno “X” que é exibido ao lado do comentário mala - e aparecerá uma opção que permitirá ocultar todas as atualizações daquela pessoa. 7. Posso usar ringtones personalizados? Pode, desde que você evite o ridículo do óbvio (ou o óbvio do ridículo). Como lembra Luiz Yassuda, colaborador do site de tendências Brainstorm #9: “Colocar o tema do plantão da Globo como toque personalizado para a mulher é

muito manjado”. Também não valem: - Funk, Charm e pancadões do tipo. - Clássicos de Justin Bieber, como “Baby”. - Música-tema de Super Mario Bros. Ser nerd é legal, mas sem exageros. - Coisas tipo “Ô ADRIANO, TÁ ME OUVINDO?” ou qualquer piada ligada ao Pânico na TV e similares. Prefira A Praça é Nossa. 8. Posso escutar música no trabalho como se não houvesse amanhã e o chefe estivesse em Aruba (mesmo ele estando do meu lado)? Claro. Um estudo da Universidade de Illinois constatou que ouvir música no trabalho aumenta a produtividade média das pessoas em 6,3%. Mas, para não ficar totalmente alheio ao que se passa no escritório, instale o aplicativo Awareness (leia mais na página 86). 9. Meu colega não tira os fones de ouvido. Só que eles vazam o som e sou obrigado a ouvir as músicas dele, na forma de chiadinho, o dia inteiro. Descubra a data de aniversário da pessoa e presenteie-a com um fone do tipo in-ear - são aqueles modelos com ponta de borracha, que ficam enfiados no canal auditivo e por isso não deixam o som escapar. Custam em média R$ 60. 10. Assinei um plano de internet mega rrápido. Posso compartilhar a conexão com o pessoal do meu prédio? Por mais que você esteja com megabytes sobrando, é melhor não. Em fevereiro, a Anatel (Agência


Nacional de Telecomunicações) multou em R$ 3 mil um internauta de Teresina que compartilhava sua conexão com mais 3 pessoas. Os contratos dos serviços de banda larga proibem o compartilhamento. 11. Adoro encaminhar correntes de e-mail e arquivos de PowerPoint com mensagens edificantes. Posso? Se você tem mais de 50 anos, pode mandar para seus filhos e sobrinhos. Se não, não. 12. Meu vizinho deixou A rede Wi-Fi abertA sem querer. Oba! Posso usar? Se a sua vida depender disso... Mas não digite senhas de sites como Gmail, Twitter ou Facebook. E não baixe nada: fazendo downloads, você poderá estourar a cota de tráfego (limite imposto por serviços como o Vírtua) do vizinho. 13. Como devo batizar a minha rede? O nome da sua rede Wi-Fi pode ser visto por todo mundo num raio de até 100 metros. Não use seu próprio nome ou sobrenome, pois é exposição demais. E evite termos relacionados a futebol, pois eles podem atrair hackers que torçam para outros times (invadir uma rede Wi-Fi é muito mais fácil do que você imagina). Use um nome neutro, que não chame a atenção. 14. E a senha? Um dia, as visitas vão querer usar o Wi-Fi na sua casa - e você terá de compartilhar a senha com elas. Não repita as senhas que você já utiliza

para outros serviços, como Gmail e Facebook, e evite coisas que possam ser constrangedoras (na linha “rickfofucho33”). 15. Escrevi uma grande besteira no Twitter. Apago ou ignoro? Se você se der conta rapidamente, apague. Mas, se o tuit foi escrito há mais de 10 minutos (ou se você tem muitos seguidores), não adianta deletá-lo: com certeza alguém já viu, e sua tentativa de eliminar a mensagem chamará mais atenção para ela. Escreva 4 ou 5 tweets sobre outros assuntos, para que a mensagem infeliz seja jogada para a parte de baixo da tela. Se mesmo assim der confusão, peça desculpas e siga em frente. 16. DM or not DM? “@rogério Vamos nos encontrar no bar hoje?” Twitter não é lugar de chat. Se você quer falar com uma só pessoa, use o recurso de Direct Message (ou serviços como o Twee.li, que adiciona um mensageiro instantâneo no Twitter). Não atormente seus seguidores com mensagens que não dizem respeito a eles. 17. “Fulano convidou você para fazer parte do Sonico/Hi5/ Quora (ou qualquer outra rede social que você não usa nem quer usar)”. E agora? Se o autor do convite é seu amigo, e se deu ao trabalho de escrever uma mensagem personalizada, é de bom tom adicioná-lo. Já se você receber apenas um convite padronizado, gerado pelo próprio site, pode ignorá-lo (seu amigo

provavelmente convidou dezenas de pessoas e nem vai perceber). 18. Passei Photoshop na foto do meu perfil no Facebook. Pode, Arnaldo? Dar um tapa no contraste e nas cores não vai matar ninguém. Só não faça como Paula Leite, a participante do BBB 11 que afinou a própria cintura numa foto de praia. “Quem abusa ganha o apelido de “beleza thumbnail”, diz Vitor Guerra, da agência Ideia S/A. Também não coloque uma foto em que o seu rosto aparece meio de lado. Todo mundo sabe que isso é um truque para parecer mais magro. 19. Devo preencher campos como esportes, filosofia e religião no perfil do Facebook? Sim. Mas evite coisas radicais ou polêmicas - 70% das empresas olham o Facebook dos candidatos a emprego. 20. Meu amigo está entulhando meu Facebook com atualizações de Mafia Wars, Farmville e outros joguinhos. Instale o Facebook Purity (www. fbpurity.com), que elimina automaticamente todas as menções a esses games. 21. Quero ver um filme muito raro, que não existe em DVD só nos downloads ilegais. Posso baixar? Não deveria. Mas, ao fazer isso, você não está roubando dinheiro do artista (pois o filme não está à venda). E até ajuda, pois chama atenção para a obra dele.

22. Não entro no Orkut há um tempão. Devo me suicidar? Não! A vida sempre vale a pena. Agora, se você está se referindo a seu perfil no Orkut: deletar a conta dá mais trabalho do que simplesmente deixá-la parada lá. E, segundo o Ibope, o Brasil ainda tem 43 milhões de usuários no Orkut sempre pode aparecer um amigo ou conhecido por lá. 23. Amo minha cara-metade. Estamos juntos na foto do perfil. Tudo bem? Não. A não ser que vocês queiram ser vistos como se fossem gêmeos siameses na rede social, é melhor cada um ter seu perfil. Sempre haverá assuntos a ser tratados só com o Michel, não com o “Michel & Vania Forever <3”. 24. Estou fazendo o upload das fotos da festa de ontem. Devo ou não taguear (marcar) meu amigo numa foto em que ele está desmaiado de tanto beber? Melhor não. Se a foto for mesmo embaraçosa, nem publique: mande antes por e-mail para o seu amigo e peça permissão a ele. Também cheque o que você realmente está subindo. “Uma conhecida postou uma foto de suas cachorras e digitou a legenda “Os dois monstrinhos”. Mas, na verdade, era uma imagem das nádegas dela”, diz Gil Giardelli, coordenador da ESPM e especialista em redes sociais.

O que há por trás do Facebook ?

Por trás da rede social de A Rede Social há 60 mil servidores. E muita fé também: Se você comprasse o Facebook hoje teria que esperar 100 anos para o investimento dar retorno. 1 BILHÃO DE PESSOAS O Facebook ganha 8 novos membros por segundo. Se continuar nessa toada, deve saltar dos 500 milhões de usuários de hoje para 1 bilhão no começo de 2013

60 MIL SERVIDORES Essa é a quantidade de máquinas que guardam o conteúdo da rede social - segundo estimativas da indústria, porque o Facebook não revela o número exato.

55 BILHÕES DE FOTOS A graça do Facebook são as fotos. Não é a gente que está dizendo, mas Mark Zuckerberg, o chefe. São 55 bilhões delas ali. Só na noite de Ano Novo entraram 750 milhões de fotos.

O 10º HOMEM MAIS RICO DO BRASIL Eduardo Saverin, o brasileiro cofundador do Facebook que foi passado pra trás por Zuckerberg. LUCROS MIÚDOS O Facebook divulgou que teve

lucro de US$ 355 milhões nos primeiros 9 meses de 2010 - o que leva a uma estimativa de US$ 473 milhões no ano.

Temendo problemas com pirataria, a dupla eliminou a função em 2006. Mas o Wirehog serviu como base do sistema de fotos que o site usa hoje.

UM PÉ NO NAPSTER O The Facebook, primeira versão do site, permitia o compartilhamento de qualquer arquivo entre amigos - de fotos a músicas ou textos. Desenvolvido pelo próprio Mark Zuckerberg e por Sean Parker (que também é cofundador do Napster), o serviço foi lançado em 2004. Chamava Wirehog.

tecnologia por Vinícius Cherobino e Alexandre Versignassi

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Fontes Consultorias Pingdom e Candytech; revista Forbes


religião por Marlene Jaggi

Seitas ufológicas Grupos messiânicos movidos pela crença na vida extraterrestre arrebanham seguidores mundo afora. Alguns tiveram fim trágico No dia 27 de março de 1997, nada menos do que 39 pessoas foram encontradas mortas numa mansão ao norte de San Diego, na Califórnia, Estados Unidos. Elas haviam cometido suicídio coletivo, levadas pela crença cega em Marshall Applewhite, líder de uma seita denominada Heaven’s Gate (literalmente, “Portal do Paraíso”). Applewhite fez seus seguidores acreditarem que alcançariam a vida eterna se morressem no momento da passagem do cometa Halle-Bopp pela Terra, pois o astro abrigaria em sua cauda uma nave espacial. Fundada em 1970, a Heaven’s Gate é só uma das muitas seitas que se espalharam pelo mundo ancoradas em elementos ufológicos. Na maior parte das vezes, seus líderes se dizem pessoas eleitas por “forças extraterrestres” para cumprir alguma missão na Terra. O ufólogo Vanderlei D’Agostino diz que existem três tipos de líderes de seitas: os bem-intencionados, os que têm algum desvio de conduta (eventualmente patológico) e os literalmente charlatães. Ou seja, não dá para generalizar. Nem todos, é claro, levam a um final trágico quanto o do Heaven’s Gate. A seguir, conheça mais algumas seitas que arrebanharam seguidores com base em crenças e dogmas ligados à ufologia. Movimento Raeliano Fundado em 1975 pelo jornalista francês Claude Vorilhon, que se autodenomina Rael, prega que o ser humano foi criado em laboratório

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por extraterrestres. Rael, hoje com 59 anos, afirma ter sido contatado e abduzido em 1973 por um ET, que lhe pediu para construir uma “embaixada” na Terra, para receber de volta os alienígenas. O francês teria sido escolhido como o “messias”, destinado a conscientizar a humanidade sobre a necessidade de evolução. A seita tem 70 mil seguidores no mundo. Nos últimos anos, tem chamado a atenção por sua defesa da clonagem humana – tida como um meio de atingir a imortalidade. Há rumores de que a Clonaid, empresa criada por Rael em 1997, já teria conseguido gerar uma menina, clone de uma mulher de 31 anos. Comando Ashtar Baseia-se em supostos contatos realizados entre humanos e um extraterrestre chamado Ashtar Sheran, que seria o grande “comandante intergaláctico”, incumbido de promover a regeneração da Terra. É um movimento forte na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil. A figura de Ashtar estaria ligada a mensagens de alerta à humanidade. Nos anos 50, segundo seus seguidores, Ashtar teria entrado em contato com a Terra para evitar que bombas atômicas destruíssem nosso planeta e colocassem em risco o equilíbrio intergaláctico. Projeto Portal A seita foi fundada há dez anos em Corguinho (MS) por Urandir Fernandes de Oliveira, que se considera um representante dos ETs na Terra. “Tem causado grandes

estragos na vida de inúmeras pessoas que o procuram na busca de curas e contatos com ETs”, diz Rafael Cury, presidente da Associação Nacional dos Ufólogos do Brasil. Urandir chegou a ser preso, sob acusação de participar de um esquema de venda ilegal de lotes de terra em Corguinho. Segundo Urandir, o mundo será castigado por uma grande inundação, mas o lugar que ele chama de “A Cidade dos ETs” – onde ficam os tais lotes de terra – estaria imune à tragédia. Lineamento Universal Superior (LUS) Criado pela vidente brasileira Valentina Andrade e por seu marido, o argentino José Teruggi, em Buenos Aires. Segundo eles, só os seguidores da seita seriam salvos do apocalipse, resgatados por naves espaciais. Nos anos 80, Valentina e outros membros do grupo foram acusados de castrar nove meninos de 8 a 14 anos e assassinar seis deles, em rituais satânicos, entre 1989 e 1993, em Altamira, no Pará. “Quando invadiram sua residência em Londrina, no Paraná, encontraram várias fitas de vídeo em que ela, em transe, dizia: ‘Matem criancinhas’”, conta Rafael Cury. Presa em 2003, Valentina foi julgada e absolvida por falta de provas. Outros quatro acusados foram condenados a penas de 35 a 77 anos de prisão. Grupo Rama Começou no Peru, com os irmãos Sixto e Carlos Paz. Após se desentender com o irmão, Carlos

mudou-se para o Brasil e criou um braço da seita, o Grupo Amar (Rama ao contrário). Os irmãos organizavam vigílias para aguardar a chegada de naves alienígenas. Afirmavam viajar com freqüência à Constelação de Órion, onde eram recebidos por ETs. Após denúncias sobre a falsidade desses contatos, a seita caiu no ostracismo. Carlos acabou mudando de sexo e Sixto perdeu credibilidade depois de participar de um programa de TV e ser reprovado por um detector de mentiras. As duas vertentes da seita deixaram de existir no início dos anos 90. Cultura Racional Foi criada por Manoel Jacinto Coelho em 1935, no Rio de Janeiro, num centro espírita no bairro do Méier. Nos meios usados para sua divulgação, a Cultura Racional cita com freqüência discos voadores e seres extraterrestres. Considera-se um movimento cultural, não uma seita. Nos anos 70 e 80, atraiu milhares de seguidores, entre eles o cantor Tim Maia, que acabou deixando o movimento. Seus princípios se baseavam em um conjunto de livros denominado Universo em Desencanto, considerado por muitos um instrumento de lavagem cerebral.


tecnologia

curiosidades

Segurar o xixi ajuda a tomar decisões.

Psiquiatras da Universidade de Twente, na Holanda, demonstraram que ter bom controle da bexiga ajuda a evitar atitudes impulsivas. Numa experiência, pessoas que tomaram 5 copos de água fizeram escolhas menos imediatistas e mais vantajosas. Isso supostamente acontece porque segurar a vontade de urinar estimula o autocontrole.

O FUTURO Projeto chinês propõe ônibus que anda por cima dos carros, Um ônibus suspenso que anda por cima dos carros. Já imaginou? Uma equipe de pesquisadores chineses colocou a ideia no papel e defende que o projeto pode ser parte da solução para o trânsito terrível das grandes cidades. Quando parado, o Land Airbus, como é chamado, não interrompe o trânsito, pois a parte inferior funciona como um túnel, “vazada”, em formato de arco – o que os inventores chamaram dedesign oco. O veículo ocupa duas pistas e permite que carros de até dois metros de altura passem por baixo. Cada “vagão” comporta até 300 pessoas. Os passageiros entram no ônibus via elevador lateral e também são previstas estações fixas de parada.

Movido por painéis solares e eletricidade, o veículo chega a 60 km/h. Há ainda um sistema que freia o veículo automaticamente em caso de emergência (se houver um acidente à frente, por exemplo). Os criadores dizem que o ônibus suspenso pode diminuir em 30% o trânsito nas ruas e avenidas. Outra vantagem destacada é que a construção da estrutura para suportar esse tipo de transporte levaria três vezes menos tempo que a construção de metrôs, com custo 10% menor. O projeto é apresentado como “o futuro das cidades”. Você acha que a solução parece viável? Veja o vídeo do projeto e entenda melhor o funcionamento do ônibus:

Mulheres canhotas são mais egoístas.

Cientistas holandeses criaram um jogo em que os voluntários eram agrupados em pares. Uma pessoa recebia dinheiro, e tinha que decidir quanto iria compartilhar com o colega. O estudo constatou que os homens canhotos são mais generosos do que os destros. Já entre as mulheres é diferente: as canhotas retêm mais dinheiro para si.

Dinheiro na mão é vendaval?

“Nossa programação é gastar mesmo - fazer vendaval. Só que essa lógica pré-histórica não faz mais sentido. Se antes os recursos eram perecíveis, hoje podem ser conservados e até render juros. Melhor não fazer vendaval.” Philipe Maciel, professor da Escola de Governo da Fundação João Pinheiro Ô SE É “Sua conta aumentou em US$ 1 milhão: você irá conhecer o mundo, viver nos melhores hotéis, pegar caminhões de mulheres, certo? Certo, por 6 meses, se tanto. Depois disso você estará na pior, rezando por outro milhão pra pagar as dívidas.” Carlos Cardoso, do Blog do Cardoso NÃO PRECISA SER “Há dois modos de ver o futuro: o vidente e o previdente. Quem prefere a opção vidente, se consulte com um deles e torça para ouvir ‘você vai ficar rico!’. A quem opta pelo caminho previdente, aconselho a iniciar um bom plano de previdência privada.”

Thiago Perin

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Flávio de Oliveira, consultor financeiro


saúde por Salvador Nogueira e Bruno Garattoni

Obesidade causa danos ao cérebro Estudo revela que comer demais provoca inflamação cerebral e pode deixar a pessoa neurologicamente incapaz de controlar seu apetite.

Todo mundo conhece os riscos trazidos pela obesidade - diabetes, doenças cardiovasculares, menor expectativa de vida. Mas uma nova descoberta está surpreendendo a comunidade científica: a gordura também causa danos ao cérebro. Pesquisadores da Universidade de Nova York estudaram o cérebro de 63 pessoas - 44 delas tinham sobrepeso ou obesidade e as demais eram magras. A experiência constatou que, nos indivíduos obesos ou acima do peso, o cérebro apresentava duas alterações importantes: tinha níveis mais altos de fibrinogênio, uma proteína que causa inflamação, e menor córtex orbitofrontal - região cerebral que coordena a tomada de decisões. Os cientistas ainda não sabem explicar exatamente como esse processo se desenrola. Mas apostam no seguinte: obesidade gera fibrinogênio, que gera inflamação, que gera danos ao córtex. E tudo isso gera consequências permanentes - e terríveis. “Essa inflamação, ao afetar a integridade do córtex orbitofrontal, pode reduzir o controle da pessoa sobre seus hábitos alimentares”, afirma o estudo, coordenado pelo psiquiatra Antonio Convit. Ou seja: indivíduos acima do peso poderiam se tornar neurologicamente incapazes de comer menos. Escravos do próprio apetite. E com dificuldade para se lembrar das coisas. Uma pesquisa recém-publicada nos EUA constatou que a obesidade afeta a capacidade de memorização. A diferença é que, nesse caso, a sequela não é permanente (perder peso reverte o efeito).

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ciências por José Augusto Lemos

DEUS EXISTE? No final do século passado, a ciência acreditava ter todas as chaves do conhecimento: decifrar os últimos mistérios da natureza era só uma questão de tempo. Agora, na entrada de um novo milênio, as certezas mais claras agonizam e os cientistas se perguntam...

Existe uma luz no fim do túnel? Eu sinceramente espero que sim. Afinal, faz várias semanas – meses talvez – que estou perdido nesse labirinto escuro. Eu não sei o que fiz para merecer tamanho castigo. De todos os trabalhos que poderiam me dar nesta vida de jornalista, não deve ter abacaxi mais cascudo que esse: uma reportagem sobre Deus... e justo numa revista científica! Mecânica quântica e matemática do caos a gente até entende – com a ajuda de um bom professor, claro. Deus é outra história. É o infinito imponderável: aquilo que não dá para se pensar nem imaginar. É o infinito inefável: aquilo que não dá para se falar. Ou pelo menos essa é a maneira mais segura de abordar – e encerrar – o assunto sem cair no ridículo nem ofender ninguém. Mas são os próprios cientistas que não param de falar em Deus. Os últimos dez anos em especial viram

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nascer um novo filão literário dedicado a discutir o Divino – aquele mesmo, um Criador Onipotente e Onisciente! – à luz da física e da matemática, da química e da biologia. O culpado, ao que tudo indica, é o físico inglês Stephen Hawking, ocupante da cadeira que foi de Isaac Newton na ultra-prestigiosa Universidade de Cambridge e um dos principais teóricos dos buracos negros. Hawking, todo mundo sabe, realizou um milagre digno do Grande Arquiteto Celestial ao vender mais de dez milhões de cópias de um tratado de cosmologia e astrofísica, denso o suficiente para fritar o cérebro do público leigo. Publicado em 1988, Uma Breve História do Tempo tornou-se o mais inesperado best seller da história e até filme virou – não sem antes deixar no ar, bem no parágrafo final, uma sedutora insinuação de casamento entre ciência e religião:

“Se chegarmos a uma teoria completa, com o tempo esta deveria ser compreensível para todos e não só para um pequeno grupo de cientistas. Então, todo mundo poderia tomar parte na discussão sobre por que nós e o Universo existimos... Nesse momento, conheceríamos a mente de Deus.” Aviso importante: Hawking nunca se declarou religioso e usa essa idéia mais como uma frase de efeito, uma metáfora do conhecimento total do Universo. Mas não demorou para outro cientista inglês do alto escalão, o físico Paul Davies, extrair todo um livro – e mais um sucesso comercial de arromba! – levando ao pé da letra as palavras do colega. Acolhido com uma chuva de prêmios destinados à divulgação científica, A Mente de Deus (1992) passa em revista a história da ciência e da filosofia para afirmar, com convicção, que tudo no cosmo revela intenção e consciência.

Como o próprio Davies resumiu em uma entrevista: “Acredito que as leis da natureza são engenhosas e criativas, facilitando o desenvolvimento da riqueza e da diversidade na natureza. A vida é apenas um aspecto disso. A consciência é outro. Um ateu pode aceitar essas leis como um fato bruto, mas para mim elas sugerem algo mais profundo e intencional.” Estava dada a deixa para uma verdadeira enxurrada de físicos-teólogos atacar o assunto em dezenas de publicações semelhantes, como Ian Barbour, Arthur Peacocke, Hugh Ross, Frank Tipler e Gerald Schroeder. Dessa turma, o mais ativo é o também inglês John Polkinghorne, colega de Hawking no departamento de Física de Cambridge, que – depois de 25 anos de carreira acadêmica brilhante – largou tudo para se ordenar pastor anglicano e escrever seus livros de “cristianismo quântico”.


“Eu não abandonei a física porque estava desiludido com ela, muito pelo contrário: continuo acompanhando o assunto com o máximo interesse. Só não faço mais pesquisa científica. Mas boa parte dos meus livros consiste em ensinar física quântica aos leigos”, disse ele à SUPER. “Acredito que precisamos de ambas as perspectivas, a científica e a religiosa, para compreender esse mundo admirável em que vivemos.” Alguma transformação radical deve ter ocorrido para que a crença em Deus, assunto que havia se tornado tabu em laboratórios e universidades, renascesse com tanta força. Cem anos atrás, a ciência se projetava como a própria imagem do progresso e da civilização: decifrar todos os mistérios da natureza era só uma questão de tempo. Era como se estivéssemos em um trem, atravessando planícies ensolaradas, com uma visão cada vez mais ampla de tudo que nos cercava. Nós mesmos havíamos nos tornado os senhores do universo. Ninguém necessitava mais de fantasias como “providência divina”. Conceitos desse tipo – e entidades sobrenaturais em geral – passaram a ser considerado ou uma infantilização neurótica (Freud) ou um meio das classes dominantes subjugarem os pobres e oprimidos (Nietzche e Marx). De repente, sumiram de vista as planícies, a luz do sol e os próprios trilhos do trem. Um terremoto, depois outro, haviam nos atirado dentro de um túnel escuro, onde as velhas certezas voltavam a se converter em mistérios. Esses dois cataclismas eram justamente a física quântica e a matemática do caos. “Ambas teorias mostravam que existe uma imprevisibilidade inevitável espalhada por toda a natureza. Não acho que isso deva ser interpretado como uma infeliz ignorância de nossa parte e sim como sinal de que os processos físicos são muito mais abertos do que a mecânica de Newton sugeria. Quando falo ‘abertos’, estou querendo dizer que existem outros princípios causais em ação, acima e além das trocas de energia que a física descreve”, afirma Polkinghorne. O físico brasileiro Ricardo Galvão, da Universidade de São Paulo – que se diz “bastante religioso” – completa o quadro: “A partir das equações da mecânica de Newton e da teoria do eletromagnetismo de Maxwell, a ciência clássica dava a impressão de que, conhecendo essas leis matemáticas, conseguirí-

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amos descrever todo o Universo. É o que se chama de conceito determinístico, segundo o qual se acreditava que, conhecendo as condições iniciais de um evento ou sistema, poderíamos prever toda sua evolução futura. Mas já no final do século passado, o matemático e físico francês Henri Poincaré (1854-1912) tocou no problema de que essas condições iniciais nunca são bem conhecidas. Ele mostrou que mesmo a mecânica de Newton não era determinística no sentido que se pensava. Aí, veio a mecânica

mente existe um Deus. Só que é emocionalmente frustrante: afinal, não faz muito sentido rezar para a lei da gravidade!”, disse o famoso astrônomo americano. Sagan foi um dos raros cientistas a se declarar ateu. A grande maioria prefere o termo “agnóstico”, criado em 1869 pelo biólogo inglês Thomas Huxley – apelidado “buldogue de Darwin” pela sua incansável defesa da teoria da evolução em um dos maiores conflitos da história entre ciência e religião. Há uma grande diferença

Os físicos são unânimes em dizer que é impossível saber. quântica e introduziu o conceito de que é impossível se conhecer simultaneamente a posição e o movimento de uma partícula. Esse é o Princípio da Incerteza de Heisenberg, que realmente derrubou aquela atitude científica do tipo ‘conhecemos tudo e podemos prever o futuro’ ”. Foi justamente o Princípio da Incerteza que fez Einstein soltar, em protesto, sua frase mais famosa: “Deus não joga dados!”. A imprevisibilidade quântica era demais para ele aceitar. Einstein, como se sabe, falava o tempo todo em Deus – até o dia em que o encostaram na parede e perguntaram se ele acreditava mesmo no Dito Cujo. “Acredito no Deus de Spinoza, que se revela na harmonia e na ordem da natureza, não em um Deus que se preocupa com os destinos e as ações dos seres humanos”, respondeu o criador da teoria da relatividade, citando o filósofo holandês do século XVII para quem Deus e o Universo seriam a mesma “substância”. Tal entidade, para Spinoza, só poderia ser acessível à mente humana em dois de seus infinitos atributos: o pensamento consciente e o mundo das coisas materiais. A definição de Einstein decepcionou muita gente – John Polkinghorne, inclusive – por excluir o que costuma se chamar de “Deus pessoal”. Assim, até um ateu convicto como Carl Sagan aceita a divindade. “A idéia de Deus como um gigante barbudo de pele branca, sentado no Céu, é ridícula. Mas se, com esse conceito, você se referir a um conjunto de leis físicas que rege o Universo, então clara-

entre as duas posições: dizer-se ateu é recusar a existência de um Deus, enquanto o agnóstico (“sem conhecimento”, em grego) admite que nada sabe sobre dimensões sobrenaturais no Universo – e que o mais provável é que seja impossível superar tal ignorância. É essa combinação exemplar de humildade e a diplomacia – nada a ver com o cão-de-guarda que usaram para batizar Huxley! – que define até hoje a postura de quase todos os cientistas não-religiosos. Mesmo assim, o americano Allan Sandage – um dos astrônomos mais respeitados mundialmente, hoje com 74 anos – considerava-se ateu com todas as letras, até os 50 anos. Sua conversão ao cristianismo veio de repente, provocada pelo “simples desespero de não conseguir responder só com a razão perguntas como ‘por que existe

bem específicas, do tipo ‘o que?’, ‘quando?’ e ‘como?’. O seu método de investigação, por mais poderoso que seja, não pode responder ao ‘por que?’.” Enxergar Deus na inteligência com que a natureza se organiza – manifesta através de leis matemáticas – não é só a porta de entrada da religião para contemporâneos como Sandage e John Polkinghorne, como uma tradição que vem desde a própria a raiz do conhecimento científico. Nem o ateísmo confesso de Bertrand Russell – lógico, matemático e filósofo reconhecido como um dos pensadores mais brilhantes do século XX – o impediu de valorizar essa linha peculiar de devoção: “A combinação de matemática e teologia, que começou com Pitágoras, caracterizou a a filosofia religiosa na Grécia Antiga, na Idade Média e chegou à modernidade com Kant. Tanto em Platão como em Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Descartes, Spinoza e Leibniz há essa ligação íntima entre religião e razão, entre aspiração moral e admiração lógica do que é atemporal.” Para quem compartilha desse espírito pitágorico, o melhor retrato de Deus já não está nas pinturas de Miguelângelo e sim nas fractais – aquelas imagens geradas por equações matemáticas que estão entre as mais incríveis descobertas relacionadas à teoria do caos. Essa nova geometria, até então oculta na natureza, apareceu – entre as décadas de 60 e 70 – tanto nos estudos de variações climáticas realizadas pelo metereologista Edward Lorenz, quanto nas estatísticas visualizadas em computador pelo matemático Benoit Mandelbrot. O que as fractais tanto mostram que, para alguns, adquire um caráter de

“...conheceríamos a mente de Deus.” algo ao invés de nada?’.” “Foi o meu trabalho que me levou à conclusão de que o mundo é muito mais complicado do que pode ser explicado pela ciência. Só através do sobrenatural consigo entender o mistério da existência”, afirma ele. “A ciência torna explícita a incrível ordem natural, as interconexões em vários níveis entre as leis da física e as reações químicas encontradas nos processos biológicos da vida. Por que será que os elétrons têm todos a mesma carga e a mesma massa? A ciência só pode responder questões

revelação divina? Que processos aparentemente irregulares como a ramificação de uma árvore, ou o recorte de uma costa marinha, seguem um desenho-padrão que, por sua vez, obedece uma fórmula matemática. Mais ou menos na mesma época – começo dos anos 70 – um jovem físico chamado Fritjof Capra estava sentado na praia quando teve uma espécie de êxtase místico, provocado pela visão das ondas em sincronia com sua respiração. O resultado dessa sua experiência está em O Tao da Física, best seller


que, apesar de desprezado pela comunidade científica, ajudou a lançar o movimento new age, explorando paralelos entre a física quântica e as principais religiões orientais: hinduísmo, budismo e taoísmo. Não faltam no livro citações dos próprios Werner Heisenberg e Niels Bohr – dois dos pais da mecânica quântica – sobre as afinidades entre suas descobertas e a visão de mundo contida nestas tradições religiosas. O conceito chinês do tao, destacado no título do livro – algo como fluxo ou ritmo universal – não espelha apenas a “dança cósmica” que Capra vê na física quântica. Pode igualmente ser associado aos padrões da natureza revelados nas fractais. Mas sua inspiração inicial mostra uma das principais limitações da ciência nesse tipo de comparação: ela não pode depender de experiências pessoais e instranferíveis, como o transe de Capra à beira-mar. O físico Guimarães Ferreira, da Unicamp – outro cientista brasileiro religioso – acredita que esse é um bom motivo para não se misturar as duas coisas: “Deus é um Ser que gosta de ser pessoal”, diz ele. “É muito mais fácil encontrá-lo em nossas experiências de vida do que no laboratório. O maior pensador do mundo ocidental, Santo Agostinho, já dizia que é mais fácil achar Deus dentro de si do que no mundo exterior.” No outro extremo está o físico Frank Tipler, crente de que a ciência pode – e deve – ser utilizada para provar a existência de Deus, como princípio criador, organizador, onisciente, onipotente etc, como rezam as escrituras. Tipler escreveu todo um livro, The Physics of Immortality (1994), apresentando a versão mais radical de uma visão compartilhada com mais cautela por John Polkinghorne, Paul Davies e os cientistas que apóiam o chamado princípio antrópico – a

Para saber mais Na livraria: Deus e a Ciência (Dieu et la Science) Jean Guitton, Nova Fronteira, 1991 Deus e a Ciência (Dieu Face à la Science) Claude Allègre, Edusc, 1997 A Mente de Deus (The Mind of God: The Scientific Basis for a Rational World) Paul Davies, Ediouro, 1992 O Tao da Física (The Tao of Physics) Fritjof Capra, Cultrix, 1975 Espaço-Tempo e Além (Space-Time and Beyond) Bob Toben e Fred Alan Wolf, Cultrix, 1982 Belief in God in an Age of Science John Polkinghorne, Yale University Press, 1998 Na Internet: shaunhenson/theoscience http://www.ctns.org/ http://doesgodexist.org/ http://www.leaderu.com/

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mais surpreendente teoria dos últimos tempos. Para eles, o modo como o caos espontaneamente gera ordem e todo o cosmo parece conspirar a favor da existência de vida revela atributos divinos como consciência e intenção. A vida, assim, deve ser vista como nada menos que um milagre; e a vida consciente, um milagre maior ainda. O princípio antrópico postula que o Universo foi criado da maneira que nós o percebemos justamente para ser observado por criaturas inteligentes (nós mesmos!) e que é nossa conciência que seleciona uma realidade entre todas as probabilidades quânticas. Não custa lembrar que Brandon Carter, que apresentou pela primeira vez o princípio antrópico em 1973,

‘por que existe algo ao invés de nada?’

não é nenhum guru aloprado e sim um cientista respeitadíssimo entre seus pares por suas pesquisas na linha-de-frente da nova física. Tem mais: a teoria mais aceita para explicar a origem do Universo – a explosão de uma bola de energia – também vale para esses estudiosos como sinal de uma criação intencional e inteligente. Como diz o próprio astrônomo que batizou essa teoria de Big Bang, o inglês Fred Hoyle: “Uma explosão num depósito de ferro velho não faz com que pedaços de metal se juntem numa máquina útil e funcional!” E o que teria existido, então, antes do Big Bang? Os físicos são unânimes em dizer que é

impossível saber. Enquanto houver mistérios intransponíveis para a mente humana, idéias de divindade não só sobrevivem, como proliferam – e até são atualizadas cientificamente. Quando Stephen Hawking fala de uma “teoria completa” que nos permitiria conhecer a “mente de Deus”, está se referindo à busca principal da física no século XX: um modelo que unifique a teoria da relatividade, que explica o movimento dos corpos celestes, e a mecânica quântica, que descreve o outro extremo: energia e matéria no nível subatômico. Aqui reside um dos mais chocantes enigmas quânticos: ondas de energia podem se comportar como partículas de matéria e vice-versa. A própria mente humana – acreditam psiquiatras, neurologistas e companhia – guarda talvez mais mistérios que o Universo lá fora. Como afirma o físico brasileiro Newton Bernardes, da Unicamp, sem nenhuma crença religiosa: “A ciência depende da linguagem. A religião, não. Ela está no campo do indizível e aí temos que abandonar a razão: só resta a fé. Mas pode existir, sim, conhecimento sem linguagem. Essa é uma limitação da ciência.” Enquanto isso, no Instituto de Física Aplicada da USP, Ricardo Galvão pondera a localização exata de um conhecimento sem linguagem: a criatividade, presente tanto nas artes como na ciência mais exata. “A própria teoria da relatividade, é difícil imaginar como o Einstein chegou a ela – não foi por dedução. Idéias científicas precisam ser formuladas matematicamente, mas na hora surgem muitas vezes de um estalo.” E de onde, então, vêm essas magias chamadas intuição e inspiração? Existem hipóteses, é claro, como o inconsciente de Freud. Mas, por enquanto, só Deus sabe!


arte por Mariana Mello

Arte à flor da pele A tatuagem pode ser tanto uma manifestação artística quanto de rebeldia. Conheça seus vários significados ao redor do mundo e ao longo dos tempos O lugar é asséptico, limpíssimo. Paredes brancas, espelhos, aparelhos de esterilização, luvas descartáveis, gavetas com seringas lacradas e cadeiras de dentista. Num balcão ficam expostos os tubos de tinta colorida. O ambiente seria tão silencioso quanto um hospital não fosse o som psicodélico que agita os corajosos que circulam pela casa em busca de uma das poucas coisas definitivas na vida: uma tatuagem. No estúdio Led’s Tattoo, do paulista Sérgio Maciel, 38 anos, cerca de 50 pessoas são tatuadas todos os dias. Com o verão, que naturalmente coloca barrigas, costas e pernas de fora, esse número cresce. “Tatuagem hoje é status, como se fosse uma jóia. Significa que você é moderno. É sinônimo de personalidade”, diz Maciel. A tatuagem existe desde que o mundo é mundo. O Homem de Gelo, um corpo congelado encontrado na Itália em 1991, que se supõe ter vivido há cerca de 7 300 anos, tinha vários desenhos sobre a pele. A múmia da princesa Amunet, de Tebas, exibe desenhos feitos

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de pontos e linhas que certamente chamaram a atenção dos egípcios há mais de 4 000 anos. Não se sabe o que aquela tatuagem significava para os nossos ancestrais. Mas é muito provável que ela não tenha sido desprovida de sentido. “O corpo foi um dos primeiros instrumentos manipulados pelo homem para expressar um significado”, afirma a antropóloga Lux Vidal, especialista em pinturas corporais da Universidade de São Paulo. “Tatuagens, pinturas, mutilações e cortes de cabelo são modos de transformar o corpo para que ele comunique códigos, relações sociais e valores.” As motivações que levam uma pessoa a se tatuar são quase infinitas. Índios de vários países costumam se pintar para, entre outras coisas, assinalar classificações de status entre os membros da tribo. Como em seu local de origem, dispensam as roupas com que o homem branco sinaliza seu poder aquisitivo e valores estéticos, é com tinta e formas impressas no corpo que eles se diferenciam. Os peles-vermelhas, da América do Norte, cobriam o

corpo com pinturas em situações de luto ou para ir à guerra. Já na região que hoje corresponde aos países árabes, as tatuagens eram feitas para “proteger” o corpo de doenças e trazer prosperidade. Acreditava-se que a impressão definitiva de desenhos na pele tinha propriedades mágicas. Quando a região foi dominada pelo Islamismo do profeta Maomé, tatuagens e qualquer alteração no corpo passaram a ser vistas como pecado. O primeiro registro literário da tatuagem data de 1769. Trata-se do relato do navegador inglês James Cook sobre o que viu ao chegar ao Taiti, na Polinésia: os nativos usavam espinhas de peixe finíssimas, ou ossos de passarinho, para perfurar a pele e injetar um pigmento feito à base de carvão e ferrugem. Data daí também a palavra tattoo, versão para o inglês do taitiano tatu (pronuncia-se tatau), que quer dizer, adivinhe, desenho na pele. Ao longo da história as tatuagens também têm sido freqüentemente associadas à punição e a comportamentos marginais. Os bretões,

povo bárbaro que habitava a região da atual Grã-Bretanha, pintavam o rosto com várias cores para intimidar invasores. No Império Romano, os escravos eram tatuados. Na França do século XVIII, criminosos ganhavam uma pintura na pele – às vezes uma marca com ferro quente – registrando o crime que tinham cometido. Prostitutas, piratas e marinheiros também se tatuam há séculos, como sinal de valentia e para demarcar seus grupos sociais (na primeira década deste século, todo navio que partia da Europa levava a bordo um tatuador). Sereias, caravelas, mulheres, âncoras e sinais patrióticos sempre foram os desenhos mais escolhidos entre os marinheiros. Era comum também as prostitutas levarem uma marca de seus cafetões, como um atestado de propriedade. Em presídios do mundo inteiro, os próprios detentos se tatuam para diferenciar a facção à qual pertencem. O desenho do punhal cravado num coração significa “assassino”. É comum também os presos marcarem o número do crime que


cometeram (o número 288, por exemplo, é o artigo referente ao crime de formação de quadrilha no Código Penal Brasileiro). Antigamente, era a própria polícia que os tatuava. Na Inglaterra, cravavam-se as iniciais “BC” – bad character, mau caráter em inglês – na pele dos condenados. “Ao longo do tempo, a tatuagem acabou virando a marca de pessoas marginais, diferentes do resto da sociedade”, diz Mirela Berger, mestre em Antropologia pela Universidade de São Paulo. Hoje isso mudou. Alguns grupos marginais ainda utilizam a tatuagem como código, como os mafiosos japoneses da Yakuza, que tatuam grande parte do corpo como prova de coragem e de fidelidade à gangue. Além da tatuagem, é muito comum membros do grupo terem falanges decepadas como punição por traição. Mas a tatuagem, principalmente nas últimas décadas, deixou de significar desencaixe social. Para muita gente – e gente formadora de opinião, com alto poder aquisitivo e boa bagagem cultural –, tatuagem pode ser apenas uma forma de arte e diversão. “Perdi a conta de quantas vezes me perguntaram se eu vendo drogas. Infelizmente a tatuagem ainda é vista como sinônimo de irresponsabilidade”, diz a analista de sistemas Katia Marcolino, 32 anos, toda tatuada. Essa réstia de preconceito em relação a quem se tatua pode explicar a tremenda irritação que análises psicológicas geram na maioria dos tatuados de hoje. Clubbers, roqueiros, skatistas, surfistas, lutadores de jiu-jitsu, ou simplesmente aquela gatinha que tatuou uma flor de lótus no tornozelo, todos eles detestam ser tratados como excêntricos ou anormais. “Não gosto que me rotulem porque não sou lata de óleo nem vidro de maionese”, diz Katia. De todo modo, certamente uma das razões que conduzem à tatuagem hoje é o desejo de

aparecer em público com um visual inusitado. O motorista Luis Cláudio Marangoni, 32 anos, tatuado da cabeça raspada aos dedos dos pés (“Inclusive lá”, afirma), com motivos que vão de mulheres nuas a morcegos, passando por escrita japonesa, adora pôr uma sunga e sair por aí. Ao seu lado, acredite, qualquer modelo de biquíni passaria despercebida. “Por meio da tatuagem, as pessoas procuram ser valorizadas e consideradas bonitas pelo grupo a que pertencem. Trata-se de uma necessidade de parecer igual e, ao mesmo tempo, diferente em relação aos outros”, diz Sandro Caramaschi, professor do Departamento de Psicologia da USP. “A necessidade de se destacar dentro de uma sociedade massificada como a nossa é cada vez maior”, diz a antropóloga Mirela. “Todos queremos chamar a atenção. E cada um

chama a atenção da maneira que mais lhe parece positiva, ainda que isso possa escandalizar quem optou por outros padrões de conduta e de afirmação.” Fazer uma marca definitiva no corpo exige coragem para desafiar normas e encarar preconceitos. Em profissões tradicionais, como advocacia e medicina, braços cheios de desenhos não são vistos com bons olhos. Nem por chefes, nem por pares e nem pelos clientes da maioria das empresas. “Para cargos mais altos, não seleciono pessoas que têm tatuagem. Não soa bem. As empresas sempre dão preferência aos perfis tradicionais”, diz Silvana Case, vice-presidente da Catho, consultoria especializada em selecionar executivos. Em muitas empresas, funcionários tatuados precisam usar roupas amplas e deselegantes para esconder o corpo marcado e

preservar o emprego. “No trabalho preciso usar blusas que cheguem até o cotovelo, cubram o pescoço e não tenham decotes. Nas pernas sempre meias grossas”, afirma Kátia. Mas é preciso coragem também para encarar a dor de uma série de agulhas perfurando 3 mm de pele durante horas. O mecânico Flávio Melanas, 28 anos, levou 15 anos para decidir tatuar um dragão no braço. Sem camisa, no estúdio de Sérgio, disfarçava o incômodo de ver o sangue escorrendo pelo braço, evento normalíssimo do pós-tattoo. “O desenho levou quatro horas para ficar pronto. Arde um pouco. A sensação é a mesma de estar tomando uma série de beliscões ininterruptamente.” Para o tatuador Francisco Russo não há motivo para drama. “Quando se percebe que a vida continua depois da tatuagem, o medo passa”, afirma Russo. E quando o garotão percebe que ter tatuado nas costas o rosto do Axl Rose, líder do Guns n’ Roses, uma banda de rock que fez sucesso no início dos anos 90, foi uma burrada? Segundo Caramaschi, a vontade de chamar a atenção é comum na adolescência, mas isso muda. Depois de um certo tempo, o desenho feito no corpo pode perder o significado: a banda deixa de existir, troca-se de namorada, pode-se até mudar de time. Com o passar do tempo também se desenvolvem padrões pessoais, não mais grupais. E, então, pode bater um arrependimento pesado. “Há uma fila de tatuados arrependidos esperando pelo tratamento de remoção gratuito”, diz Lydia Massako Ferreira, chefe do Departamento de Cirurgia Plástica da Escola Paulista de Medicina (EPM), em São Paulo.

Para saber mais Na livraria: O Brasil Tatuado e Outros Mundos Toni Marques, Editora Rocco

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Na Internet:

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www.tattoo.com


saúde por Flávio Dieguez

Por trás da cortina de fumaça

A Organização Mundial da Saúde publica o mais completo relatório sobre os efeitos da maconha. E afasta a onda de desinformação que cerca a droga ilegal mais consumida do mundo.

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infográficos: João da Silva


ciência por André Santoro

curiosidades

Como é o sonho dos cegos? Quando uma pessoa nasce cega e não tem referências visuais, os sonhos são recheados pelos outros sentidos, como a audição. Mas ela pode formar imagens mentais relativas ao espaço, assim como consegue perceber os caminhos por onde anda durante o dia. Já quem nasce com a visão em ordem e fica cego mais tarde pode ter sonhos com imagens durante a vida toda.

Os sonhos decifrados Por que sonhamos? Para que serve o sonho? Ninguém até hoje matou a charada.

Afinal, por que sonhamos? A resposta mais honesta seria: ninguém sabe ainda. Mas há várias pistas. E uma delas é a relação mais que comprovada entre os sonhos e a memória. Nos últimos anos, vários artigos têm batido na tecla de que o sono REM – durante o qual, sabe-se agora, ocorrem mais de 90% dos sonhos, mas não todos – é importantíssimo no processo de aprendizado. Fazem parte desse time cientistas como Robert Stickgold, de Harvard, e o brasileiro Sidarta Ribeiro, da Universidade Duke, também nos EUA. Este último vem desenvolvendo uma pesquisa que relaciona a expressão de alguns genes ao processo de formação de memórias. Os resultados do estudo indicam que a fase REM ajuda a consolidar memórias recém-adquiridas – sem os sonhos, as informações do dia-a-dia entram por um ouvido e saem pelo outro. Todos parecem concordar que o sonho é essencial para o bom funcionamento do nosso cérebro. “Sonhar é uma ferramenta cognitiva importantíssima”, diz o neurologista Sérgio Tufik, diretor do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo. Mas alguns pesquisadores vão além e

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afirmam que o sonho é fundamental à nossa sobrevivência. Em um artigo que tem o título sugestivo de A Reinterpretação dos Sonhos, o psicólogo Antti Revonsuo, da Universidade de Turku, na Finlândia, afirma que os sonhos parecem simular ameaças reais que ocorrem no nosso cotidiano. E isso, segundo ele, foi vital para a sobrevivência da nossa espécie – ao sonhar com ameaças, o homem primitivo tinha muito mais chances de se defender em um ambiente hostil. A proposta de Revonsuo faz sentido, mas já foi alvo de críticas. Um time de psicólogos da Universidade de Montreal liderado pela psicóloga Anne Germain afirmou, por exemplo, que um dos furos da teoria é a baixa incidência de sonhos com temática negativa. Durante o processo evolutivo, o sonho foi incorporado a algumas espécies, mesmo representando um risco real. “Ao desligar-se do mundo completamente, o homem e outras espécies podem ser atacados. Mas ainda assim o sono REM se manteve, o que é um sinal de que os benefícios dessa fase do sono superaram bastante os riscos”, diz o neurologista Rubens Reimão, da USP. Há indícios de que o sono

REM e os sonhos teriam aparecido há mais ou menos 140 milhões de anos, quando os mamíferos se desenvolveram a partir dos répteis. As aves também têm sono REM, mas com períodos bem mais curtos, de apenas alguns segundos, o que sugere que as espécies de mamíferos – inclusive a nossa – sonham mais do que todas as outras. E para que serve tanto sonho? “O sono REM mais longo nos mamíferos, em especial nos primatas, pode ter relação com a maior plasticidade das idéias”, diz Sidarta Ribeiro. Ou seja, ao sonhar, nos tornamos capazes de fazer novas associações para resolver tarefas simples ou complexas. Um dos desafios atuais das neurociências é o estudo do conteúdo dos sonhos. Afinal, é relativamente fácil colher depoimentos de pacientes, mas olhar o cérebro com uma lupa para descobrir exatamente o que se passa lá dentro ainda é uma utopia. “Não acredito que, nos próximos anos, teremos instrumentos específicos para a análise dos sonhos ou dos pensamentos que ocorrem durante a vigília”, diz o psiquiatra Jerome Siegel, da Universidade da Califórnia em Los Angeles.

Bebês sonham? Como eles não falam, não dá para saber com precisão. O sono REM, um dos principais indícios do sonho, está presente em todas as idades. Mas a experiência deve ser bem diferente da vivida por nós, adultos, pois o bebê tem uma consciência em formação, tem emoções, memória e percepção do mundo, mas ainda não tem uma ferramenta essencial para a construção do sonho como ele ocorre nas pessoas adultas: a linguagem. Sonhamos em cores ou P&B? Nossos sonhos, segundo os neurologistas, têm cores. O que pode causar a sensação de um sonho em preto-e-branco é a dificuldade que temos de manter as imagens oníricas na memória – elas vão, quase literalmente, esmaecendo no decorrer do dia. Esse esquecimento é causado pelo fato de o conteúdo dos sonhos ficar armazenado em nossa memória de curta duração. Para evitar que uma cena sensacional seja perdida, o único jeito é mentalizar o sonho várias vezes ao acordar. Se tomar nota, melhor ainda. Só assim eles ficam guardados em uma memória mais duradoura – e colorida. Existem sonhos premonitórios? Há muitos indícios de que não. Um deles é a inconsistência dos relatos. “Quem acredita nesse tipo de sonho costuma relatar fatos isolados relativos à experiência premonitória, mas quase nunca diz quantos sonhos não correspondem ao que realmente aconteceu depois”, diz J. Allan Hobson em seu livro Dreaming: An Introduction to the Science of Sleep (“Sonhando: Uma Introdução à Ciência de Dormir”, inédito no Brasil). Animais sonham? Sim, com quase 100% de certeza. A ciência já descobriu que os mamíferos – e as aves, em menor escala – têm sono REM, portanto concluiu-se que eles sonham de alguma maneira.

ilustração: João da Silva


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