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espaรงo arte por Rafael Beck www.2beck.com

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Sumário

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Monique Peres

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Mike Rubendall

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Maurício Tadashi

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Sérgio Pisani


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Lelo

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Victor Portugal

31 Referências 44 Desenhando 46 Tatuando 60 Eis a Questão 61 Du Peixe 62 Sonora 63 Visitando 64 Artisticamente

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Galeria Vip

Pit Stop by Zupi 5 • TattooArt


Editorial Diretor-Executivo: Helcio de Carvalho Diretor-Financeiro: Dorival Vitor Lopes Revisão: Regina Pereira Produtor Gráfico: Ailton Alipio Gerente de Vendas/Livros: Adriana Ferreira S. Costa Coordenação de Consignação: Mônica A. Silva (monica@mythoseditora.com.br) Números Atrasados: Bárbara Lopes Circulação: Antonia B. Coelho Impressão: Gráfica São Francisco Distribuição Nacional: Fernando Chinaglia

TattooArt Editora Responsável Daniela Carrara Editor de Conteúdo Alessandro Carvalho Arte Daniela Carrara Revisão René Ferri Colaboradores de Texto: Marcelo Galega,André Peixe, Edu Marron, Maurício Tadashi, Mauricio Bastos Jr. Colaboradores de Arte Rafael Cassaro, Mauricio Bastos Jr. Colaboradores de Fotografia Rafael Beck, Maurício Tadashi, André Peixe, Ricardo Kafka Contato Pixel Art tattoodigital@gmail.com

TATOOART é uma publicação da Mythos Editora Ltda. Redação e Administração: Av. Diógenes Ribeiro de Lima, 753, São Paulo - SP - CEP. 05458-001. Fone: (11) 3024-6600 Visite nosso site: www.mythoseditora.com.br Os artigos aqui publicados, quando não assinados, seguem a licença de Creative Commons, sendo vedada, no entanto, qualquer reprodução ou uso que se faça deste material para fins de lucro ou financeiros. Quando o artigo for assinado, seu © Copyright pertence ao autor e é dele a total e completa responsabilidade sobre o mesmo. Fica proibida a reprodução total ou parcial de qualquer foto ou artigo desta revista sem autorização por escrito da editora. A revista não se responsabiliza por conceitos emitidos em artigos assinados. Números Atrasados: temos estoque limitado de nossas publicações. Se deseja alguma edição anterior de nossas publicações, entre em contato com Bárbara Lopes pelo e-mail barbara@mythoseditora.com.br, pelo telefone (11) 3021-7039 ou enviando uma carta para NÚMEROS ATRASADOS: Av. Diógenes Ribeiro de Lima, 753 - São Paulo - SP - CEP 05458-001. © 2012 Mythos Editora Ltda.

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ais um ano se passou e com as novas perspectivas e idealizações para 2012, começamos com o pé direito, apresentando uma nova publicação impressa - TattooArt. Um novo trabalho que vem sendo concretizado desde antes mesmo da publicação impressa existir, pois através da sólida base apresentada pelo Almanaque Digital de Tatuagem (publicação on-line produzida pelos mesmos idealizadores do TattooArt), foi possível criarmos o conceito da publicação, buscando um layout visual que fosse mais agradável aos leitores valorizando a maior estrela da publicação, a tatuagem. Outra preocupação não menos importante é apresentar os tatuadores que fazem a diferença seja em qual parte do mundo eles estejam e contribuem para o crescimento artistico da arte na pele, e não menos importante levar informação, seja através de nossos colunistas, seja através do que vem acontecendo no cenário da tatuagem através de nossas coberturas, seja lá como for, mantendo viva a arte da tatuagem.

Capa: Monique Peres Foto: Nathaly Guzman


Nesta Edição

André Peixe / skatista, fotógrafo e colunista

Ricardo Kafka / skatista e fotógrafo no segmento skate, tatuagem e hip hop. www.ricardokafkafotografia.blogspot.com

Marcelo Galega / empresário tatuado, escritor do livro Tattoo Your Soul. www.tattooyoursoul.com.br

Zupi / A Zupi é uma marca criada pelo artista gráfico Allan Szacher. www.zupi.com.br

Maurício Bastos / Radicado em Brasília, é

Edu Marron / músico, compositor e multiinstrumentista. www.edumarron.com

Rafael Cassaro / tatuador e grafiteiro. Fez

Mauricio Tadashi / dono da marca Original Urban Style e nosso correspondente em LA. www.originalurbanstyle.com

Rafael Beck / fotógrafo e diretor de criação.

de sites de skate. www.skateafas.blogspot.com

o passo a passo de tatuagem desta edição. www.rafaelcassaro.com.br

tatuador e professor de desenho. www.mauriciobastos.com

www.2beck.com

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pelo mundo

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Mike

Rubendall N

ascido e criado em FernanPor Maurício Tadashi • Foto: Dustin do Cohen Valley, no sul da Califórnia, Mike fez sua primeira tatuagem quando tinha Antes de se tornar um dos tatuadores conceituados apenas mais 16 anos de idade. Issodo abriu uma para um com mundo totalmundo, Mike Rubendall começou seujanela aprendizado Frank mente novo para ele, que desde cedo Romano, proprietário do Da Vinci Tattoo, em Nova Iorque. Passou já tinha um humilhantes, enorme carinhomas pelo espor muitas situações complicadas e até tilo realista e depois de ver algumas foi isso que contribuiu para consagrar o seu estilo dentro do revistas de tatuagem, ficou impresmercado da sionado tatuagem. com alguns artistas que tatuavam no preto & cinza. Dono do MD Tattoo Studio, em Northridge, Mike coleciona centenas Você passou por um aprendizado difícil, tatuagem, exceto como realmente aplicá-la.de prêmios nos sete anos como profissional, com Frank Romano. O que você diria sobre Comecei a fazer tatuagens gratuitas em homens, as adquais isso? consistiam em em contornos apenas abaixo daao cintura. Frankdo não quiridos convenções redor Em 1995, comecei meu aprendizado com Frank Romano, achava justo mas estragarseu a pelemaior de uma mulher, mas aépele de mundo, orgulho sua que é o proprietário do DaVinci Tattoo, em Wantagh, Nova um homem não teria problema. Fui me adaptando lentamenlinda esposa Serena e seu filho Kyle. York. Eu tinha 17 anos. Começar este tipo de processo ainda jovem foi benéfico e importante para mim naquele momento da minha vida. Por outro lado, eu era muito ingênuo, por isso a atividade me ajudou a crescer como pessoa. Além disso, se eu começasse mais velho, não teria tolerado metade das besteiras e abusos que passei. Fui rejeitado três ou quatro vezes e passei por uma série de obstáculos antes que Frank permitisse que eu ficasse na loja. Logo depois, ele me deu pequenas tarefas como varrer a loja, levar o almoço e café para ele e o pessoal da loja, enviar cartas etc. Basicamente, trabalhei de graça durante um ano e meio. O trabalho eventualmente consistia na limpeza dentro e fora da loja de tatuagem, incluindo banheiros, e limpar uma série de hot rods de Frank. Também incluía reservar horários, fazer estênceis, atender clientes, além de receber abusos verbais, mentais e físicos, junto com todos os outros detalhes envolvidos nas operações diárias da loja. Eu sabia tudo sobre

te, à minha maneira, até fazer tatuagens coloridas, e fazia as linhas e sombras com uma máquina não muito funcional. Frank dizia que se eu aprendesse a tatuar com aquele “pedaço de merda”, eu poderia tatuar com qualquer coisa. Eventualmente, eu fazia tatuagens cobrando metade do preço, somente quando todas as outras tarefas da loja estavam em ordem. A partir daí, fui evoluindo até poder cobrar um valor melhor. Todas as dificuldades pelas quais passei eram muito desanimadoras e, às vezes, eu sentia que teria um colapso nervoso, mas a consistência que eu tinha foi muito importante nesse processo de aprendizagem. Eu tinha que conquistar os segredos comerciais. Frank guardava estes segredos muito bem guardados, e fez a sua parte na proteção do comércio. Ele me fez trabalhar e provar que eu era feito para tatuagem. Foi incrível aprender com ele. Ele sempre teve essa presença confiante, como um general. Ele era como um líder de uma sociedade secreta. Sentia que poderia ter dificuldades e que

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aquilo poderia ser uma coisa muito complicada de aprender, mas sabia que estava fazendo a coisa certa. Por algum motivo louco, eu sinceramente confiava nos ensinamentos não ortodoxos de Frank. Eu estava decidido a me tornar um tatuador, por qualquer meio necessário. Tive muita garra e tenho orgulho do que fiz, porque a cada dia que tatuava eu sabia que este dom não foi entregue facilmente a mim, trabalhei muito por ele. Se você trabalha duro em alguma coisa, você obtém os resultados. Devo ao Frank muito por isso e o respeito tremendamente. Antes de abrir o Kings Avenue, em 2005, eu trabalhei para ele por dez anos e, ainda hoje, ele é uma das pessoas mais importantes na minha vida. Hoje em dia, estes tipos de aprendizagem são raros e isso reflete na indústria como um todo. Sinto que há uma falta de respeito, integridade e paixão pela arte. Tatuar sempre foi muito mágico para mim e através da tatuagem conheci algumas das melhores e mais interessantes pessoas que eu poderia imaginar. Mas nos últimos anos, a tatuagem tornouse um pouco diluída, na minha opinião. Tenho certeza que é uma combinação de coisas, como ter todas as informações

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facilmente acessíveis via internet, como vídeos, livros e TV; dessa forma, tesouros tendem a não ser mais tão especiais quando você não tem de cavar por eles. Você já teve a oportunidade de trabalhar com muitos dos melhores tatuadores do mundo. Foi divertido, o que você aprendeu com essas experiências? Algumas das pessoas com quem tive a sorte de trabalhar com o passar dos anos, não são apenas alguns dos melhores tatuadores do mundo, mas meus amigos mais próximos. Acho que trabalhar com estes artistas de alto calibre sempre teve uma vibração muito positiva. Ainda sinto, até hoje, que sou desafiado artisticamente pelo grupo em que estou trabalhando. Todos eles produzem algo excepcional diariamente, é muito motivador sentir que ainda estou aprendendo e crescendo como tatuador. Sinto que você precisa fazer malabarismos, pois são muitas ocupações diferentes simultaneamente. Você tem de ser um artista, um médico, um fisiologista e tem de criar essas obras de arte com ferramentas relativamente primitivas.


Você faz parte de um movimento que mistura design tradicional e agressivo com influência japonesa. Como isso aconteceu e como o seu estilo emergiu? Não estou realmente certo de como surgiu o meu estilo. No início da minha carreira, estava em uma loja de rua e tatuava qualquer coisa que passasse pela porta. Isso me fez explorar muitos estilos diferentes. Sempre me senti atraído por imagens asiáticas, então, passei a acreditar que meu estilo é o resultado dos artistas e inspirações que tenho trabalhado e admirado em todos esses anos. Pego os diferentes aspectos da tatuagem e da arte que me comoveram e tento incorporá-las em minha arte, com o melhor do meu talento. Em quais artistas você se inspira? Existem diferentes inspirações e motivações em minha vida. Primeiro e mais importante seria a minha família. Tenho dois filhos muito novos que tomaram o primeiro lugar na minha lista de prioridades. Nunca pude imaginar o impacto positivo que meus filhos poderiam ter em minha

vida. Tudo o que faço, cada decisão que tomo, é baseado na minha família. Até a forma de comer corretamente e exercitar-me é devido a querer estar em torno dos meus filhos e desfrutar mais tempo com eles. Acredito que é extremamente importante cuidar de si mesmo em primeiro lugar, a prática da boa saúde, manter a cabeça erguida e o resto parece se encaixar. Sou muito grato por ter uma coisa tão grande na minha vida e isso me motiva a trabalhar duro e fazer a coisa certa. Sinto que se você colocar para fora esta energia e plantar boas sementes em toda a sua vida, coisas boas voltam para você e para as pessoas ao seu redor. Parece que nunca é o momento certo para começar uma família, mas quando acontece é realmente o momento perfeito. Outra influência importante seria os meus colegas que eu admiro e valorizo. Eles mantêm-me motivado a passar pelos obstáculos. Sou uma pessoa muito competitiva por natureza, e ver os meus colegas trabalharem duramente e produzirem, me incentiva a fazer o mesmo. Sempre achei que o fato de ser tatuado e ver o trabalho de diferentes artistas abriu minha mente e me ajudou a me desenvolver como tatuador.

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pelo mundo

Você tem uma coleção impressionante de tattoos. Quem já te tatuou? Minha primeira tattoo foi feita por Frank Romano, no meu aniversário de 18 anos. Tenho uma grande parte do meu braço feita por Mike Ledger e, depois, Filip Leu completou as minhas duas mangas em 1997. O’Donnell e Grime fizeram alguns desenhos aleatórios, Chris Trevino fez as minhas costas e Horitomo fará meu peito. Com relação ao seu trabalho, quais são as coisas mais importantes para você? A parte mais importante é fazer um produto de qualidade e bem acabado. É fundamental dar ao meu cliente uma boa experiência e uma tatuagem ainda melhor. É um diário permanente para essas pessoas. Cada vez que olhar para a sua tatuagem, vai lembrar a sua experiência naquele momento, sendo boa ou ruim. Você tem uma loja de tatuagem com grandes artistas e convidados incríveis. Como

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é administrar um negócio e torná-lo bemsucedido? Devo dizer que é muito difícil conciliar os obstáculos do dia a dia e tatuar ao mesmo tempo, mas, neste caso, eu não consigo vê-lo de outra maneira. Tenho sorte suficiente para criar e desfrutar de um ambiente agradável e com energia positiva. Os artistas que trabalham comigo desempenham um papel importante, contribuindo para essa equação; todos nós amamos a tatuagem. Sinto que somos legais com as pessoas e criamos por amor, não por dinheiro. Isso faz uma enorme diferença. Nunca pensei na tatuagem como um veículo para ser bem-sucedido. O sucesso vem naturalmente e indiretamente ao se fazer a coisa certa produzindo um produto de qualidade. Nunca acreditei muito em redes de lojas de tatuagem. Eu não conseguiria gerenciar mais do que uma loja sem tornar meu produto diluído. Possivelmente, eu ganharia mais dinheiro, mas tudo tem um custo. Gosto de colocar toda a minha energia em uma loja. Tenho uma grande equipe com grande harmonia e realmente gosto de trabalhar em torno


desses artistas pelos quais tenho grande respeito, e isso me motiva artisticamente. O que é o Tattoo Elite International? Tattoo Elite International é uma empresa de distribuição e venda de séries que Henning Jorgensen e eu começamos em 2003. A ideia começou por sabermos que muitas pinturas e desenhos acabam ficando guardados e somente são mostrados em convenções. Nossos amigos criavam obras de arte brilhantes que, em seguida, eram guardadas em uma gaveta para nunca mais serem vistas. Então, criamos um veículo para esses artistas venderem suas obras de arte em todo o mundo, via internet. Felizmente, tivemos uma oportunidade única para formar uma empresa constituída de obras de arte de alguns dos nossos amigos mais próximos e tatuadores tops do mundo inteiro. Todos os artistas alcançaram o status internacional e são responsáveis por levar a tatuagem a um nível mais elevado.

Você viaja muito, isso o ajuda na profissão? Acho que é importante para meu trabalho viajar, embora eu tenha diminuído o fluxo de viagens. Existe um mundo enorme lá fora para todos nós aprendermos e seria pena não experimentar. Estou antenado com o mundo da tatuagem, e para mim é muito inspirador ver os artistas que mais trabalham duro conseguir resultados impressionantes em um curto espaço de tempo; isso é o que acontece nas convenções. Além disso, viajar é uma forma de rever os amigos que normalmente não conseguimos encontrar no cotidiano. Considerações finais. Sinto-me muito feliz e grato por ser um tatuador. Isso aconteceu ao longo dos anos e tem sido uma trajetória de mudança de vida constante. www.tattooeliteinternational.com

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mundo afora

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maurício

tadashi Por Daniela Carrara • Foto: Masaki Miyagawa

Nascido e criado em São Paulo, no bairro da Liberdade, Maurício resolveu ganhar o mundo e viver a experiência de morar fora do Brasil. Passou pelo Japão, Londres, até chegar a Los Angeles, onde vive e trabalha em seu próprio negócio como consultor de merchandising para artistas. Há quanto tempo você está morando fora do Brasil? Estou morando em Los Angeles há dois anos. Antes disso, tive a oportunidade de viver em Londres por um ano e no Japão por seis meses. Onde você morava no Brasil? Nasci e cresci em São Paulo, no bairro da Liberdade, quando era criança, e vivi minha adolescência no lado oeste da cidade, no bairro do Butantã. Como era sua vida antes de se mudar para Los Angeles? Minha vida em São Paulo foi bem confortável. Formei-me em Comunicação Social, trabalhei durante a faculdade na rádio Transamerica, nas áreas de promoção, produção, sonoplastia e apresentei o programa de bandas independentes “TerçaPirata”, ao vivo para todo o Brasil, ao lado de Henrique Braga. Sempre fui envolvido com criatividade, na escola tocava em uma banda punk, a Zero Negativo, e mais tarde me juntei à banda Fora de Foco. Durante um tempo, após o termino da universidade, decidi fazer uma reciclagem criativa e com a ajuda de alguns amigos montamos um bar, na Praia da Ferrugem, chamado “Maria Tonteira”. O negócio era apenas

de temporada e logo após fiz a viagem para o Japão, onde vivi por seis meses. Algum tempo depois, conheci a Camila Rocha e surgiu a oportunidade de viajar para Londres, onde me envolvi com a cena break, participando da mais premiada estação de rádio do mundo voltada a esse estilo musical, a NSB Radio (Nu Skool Breaks Radio), apresentando um programa semanal com duração de duas horas; a rádio é ouvida mundialmente pela internet. Continuo apresentando o programa até hoje. Após um ano em Londres, decidi retornar ao Brasil. Chegando no Brasil, comecei a investir em tatuagem, porém a música sempre falou mais alto. Decidi apenas colecionar tattoos e voltei para o meio musical, produzindo eventos e trabalhando na Rede Bandeirantes como coordenador de rádios on-line do grupo, considerado o maior do Brasil, com mais de 142 estações. Além disso, me envolvi com projetos web, criação de sites, aplicativos para Iphone, vídeos on-line e novos projetos; trabalhei por dois anos, tive uma experiência incrível trabalhando ao lado de grandes nomes do mercado. Foi durante essa época que a Camila recebeu o convite para trabalhar no High Voltage e decidimos nos mudar para os Estados Unidos. Qual foi o motivo que te impulsionou a fixar residência nos EUA?

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mundo afora

tatuagem feita por Camila Rocha

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A segurança, o acesso à informação e o modelo de negócios americano foram fatores importantes para decidir fixar residência na Califórnia. Além disso, Camila tem investido muito na sua carreira de artista plástica, com uma bolsa de estudos em uma renomada escola de artes de Los Angeles e trabalhando ao lado de grandes nomes da tattoo. Outro fator importante foi o fato de sempre gostar da cena californiana, das bandas e do lifestyle. Como você leva a vida aí? Trabalhei por um tempo no estúdio High Voltage Tattoo, na área de merchandising. O estúdio da Kat Von D é muito famoso e respeitado, eu comparo a experiência de visitar o estúdio como a Disneylândia da tattoo. A loja tem uma decoração bem rock ‘n ‘ roll, com guitarras de artistas como Dave Grohl, skateboards do Mike V, posters do Eagles of Death Metal, e pinturas do Henri Lewis, Kevin llewellyn e Shawn Barber. A loja está sempre ocupada por turistas e fanáticos pelo show L.A. Ink, além dos colecionadores sérios de tattoo. Trabalhar no estúdio ajudando a criar a área de merchandising foi o que me deu a grande inspiração para montar minha empresa aqui. Isso aconteceu após um ano aprendendo e ganhando experiência no negócio. Hoje, tenho um print studio, faço consultoria de merchandising para artistas, empresas e organizações, e tenho uma marca própria que divulga a arte de artistas por meio de peças de vestuário e outros produtos, chamada Original Urban Style. Com a plataforma da internet, temos a possibilidade de atingir um público maior; ao invés de focar somente aqui nos Estados Unidos, fazemos vendas para o Brasil, e também para outros países. Além de cuidar dos negócios, continuo investindo na minha carreira com música, fazendo o show da rádio e discotecando em alguns eventos, aprimorando meu networking com os artistas locais de LA. Nos tempos vagos, ajudo com o management da artista Camila Rocha, com quem sou casado há oito anos. Quais foram as dificuldades que você encontrou para se adaptar? O começo em um lugar novo é sempre um desafio. Alugar um apartamento sem ter histórico de crédito é bem complicado, assim como adquirir um plano de telefone, habilitar o gás, energia, internet etc. A cultura americana é bem diferente da nossa, mas foi fácil me adaptar, pois tive a ajuda de um grande amigo, Masaki, também conhecido como Akaida. Quais são as diferenças culturais entre brasileiros e americanos? É difícil generalizar, conheço pessoas no Brasil que não pensam como a maioria da população pensa; e o mesmo acon-

tece aqui. Porém, aqui, existe um sentimento de que tudo é possível. Acho que é o que conhecemos como “American Dream” ou sonho americano. Mas isso não quer dizer que todos na América pensam do mesmo modo. Tive a sorte e o prazer de me envolver com pessoas criativas por aqui também e isso me motiva bastante. Acredito que se você realmente quer algo e acredita que pode alcançar, tudo é possível. Foco, planejamento, determinação, estudo e trabalho são alguns elementos que levam ao sucesso. Fazer o que gosta, ter ao seu redor pessoas que você admira e que contribuem para o seu desenvolvimento são fatores importantes para a realização dos seus objetivos. Estas são algumas coisas que passei a perceber melhor aqui nos Estados Unidos, apesar de colocar em prática no Brasil. Os brasileiros são bem recebidos nos EUA? Os brasileiros são bem recebidos nos EUA. Nós somos conhecidos por trabalhar bem, sermos amigáveis e muito festivos. A comunidade brasileira é bem grande, porém, aqui na Califórnia, tive pouco contato com brasileiros. Já pensou em voltar a morar no Brasil? Sempre penso em voltar a morar no Brasil; sem dúvida alguma eu amo esse país. Porém, quero aproveitar ao máximo minha estadia por aqui, aprender, desenvolver e evoluir. Aqui, tenho acesso a livros, materiais e produtos que não existem, demoram muito tempo para chegar ou são muito caros no Brasil. No entanto, sinto muitas saudades da família e dos amigos que tenho no Brasil. Los Angeles é vista como a cidade mundial do entretenimento. O que as pessoas costumam fazer aí? Los Angeles tem várias tribos, assim como toda grande cidade. Tive contato com artistas independentes, que estão sempre na ativa para divulgar seus trabalhos, participando e organizando eventos que misturam música, arte, dança e cultura. O último evento de que participei foi o UNFAMOUS, criado e dirigido pelo multiartista Anacron, na edição especial de Natal. O evento contou com diversas atrações musicais, bandas, DJs, MCs e performances, além das exposições de arte e com direito à tenda de comida com Beef Curry, comandada pelo chef Masaki, aka Akaida. Esses eventos são muito interessantes, incentivando o networking de pessoas criativas e criando o apoio à arte. Parte dos lucros do evento é direcionada a instituições como Free Arts For Abused Children, que promove programas de arte para crianças menos afortunadas.  www.originalurbanstyle.com

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Moniqu

Fotos: Nathaly Guzman

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ue Peres 26 anos 6 anos como tatuadora

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capa

E

u tinha 17 anos quando fiz minha primeira tatuagem. Comecei a gostar de tatuagens devido ao estilo musical que gostava e ainda gosto, o thrash metal e o hardcore, porque todos os caras das bandas tinham tatuagens e completavam um visual bem interessante. Não era por rebeldia, mas sim como liberdade de expressão, de poder fazer o que quiser com seu corpo, sem se prender a nenhum padrão exigido pela sociedade ou pela religião. Ser tatuado é ser livre! O que mais me fascinou ainda, foi quando me interessei em estudar a tatuagem. Sou graduada em História, e logo comecei a fazer várias pesquisas em antropologia sobre tribos primitivas de diversas partes do mundo, o seu valor, as suas mensagens, o que eram essas marcas dentro de uma tribo. E realmente a tatuagem extrapola os campos de estudo. Ea é arte, é história, é cultura, é símbolo, e também é estética. Hoje em dia, tenho meu estúdio, e tenho trabalhos todos os dias, graças aos deuses (risos)! Só que acontece que tatuar não é moleza! Não vivencio meu trabalho apenas quando estou no estúdio tatuando, tatuagem é um aprendizado constante; chego em casa, faço desenhos, pinturas, estudo outros artistas, seja do meio da tatuagem ou pintores e grandes desenhistas em geral. Sempre buscando mais! Felizmente, é algo que gosto muito, então, não me canso disso. Nos tempos de hoje, em que o meio da tatuagem está crescendo cada vez mais, é comum surgir uma nova geração de tatuadores. Acredito que me enquadro nessa nova geração. Antes disso, havia profissionais com no mínimo 20 anos de experiência, como Horiyoshi, por exemplo. E, nessa nova geração estão surgindo excelentes tatuadores e artistas. Mas, é claro, que também surgem vários péssimos profissionais, não só na questão da qualidade de trabalho como na própria ética profissional. Pessoas que querem crescer tentando diminuir os outros. Se você é um bom artista, mostre os seus trabalhos e não critique os dos outros! Sobretudo como profissional mulher, eu fico muito satisfeita em ter conquistado meu espaço. Para mim não foi difícil pois nunca vi isso como empecilho. Quando a gente tem confiança e garra suficientes, tudo se torna possível. E fico muito contente em ver a quantidade de tatuadoras que estão surgindo no mercado. Ao longo da história, a mulher foi subjugada e desvalorizada, essa era a tradição desde os tempos em que a sociedade era paternalista e machista. No entanto, a mulher já conquistou alguns direitos e vem conquistando cada vez mais. É um processo longo, mas ainda mais gostoso, pois foi conquistado por mérito. Faço todos os estilos de tatuagens: oriental, tradicional, preto e cinza, realismo, este no qual sou apenas uma iniciante. Na verdade, acredito que eu não tenha um estilo definido ainda, talvez o estilo possa se encontrar nos meus traços, nas minhas cores e, principalmente, nas minhas criações, que muitas vezes nem sei rotulá-las. No entanto, meu estilo favorito e inspirador é o oriental. Quando vou

a museus, a arte que mais me arrepia são os grandes woodblocks prints, os landscapes de Hiroshige, Hokusai e os prints de Kunioshi. Faço coleção de livros desses grandes artistas. E na tatuagem, o meu tatuador Ivan Szazi, que para mim é um mestre na tatuagem oriental, foi quem me fez me interessar ainda mais por essa arte, e, inclusive, meu body suit está quase pronto! Há muitos outros artistas que me trazem inspiração, difícil nomeá-los agora, porém, gosto muito  de artistas com traços fortes e uma pintura bem profunda e, até mesmo, escura, como Caravaggio, por exemplo. Acredito que ir às convenções seja muito interessante do ponto de vista de conhecer o trabalho de outros tatuadores, de poder conversar e partilhar informações a gente sempre sai com algo mais. Mesmo que hoje em dia convenção de tatuagem seja igual à feira, toda semana tem uma, nós podemos tirar proveito delas. Sigo minha vida de maneira honesta e humilde. Estar num meio como esse, para mim, não é só o trabalho, nós podemos incentivar e passar muitas coisas boas às pessoas. Sou humanista, ambientalista e protetora dos animais. Ser vegetariana para mim é algo grandioso; lutar pelos animais, questionar a vida, a sociedade em que vivemos e denunciar tudo que seja hipócrita e cruel são algumas das minhas tarefas neste mundo! CONTATO www.moniqueladyink.com ladyinktattoo@yahoo.com.br www.facebook.com/moniqueladyink

“Não é demonstração de saúde ser bem ajustado a uma sociedade profundamente doente.” — Jiddu Krishmamurti 20 • almanaquedigital.com.br


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destaque

SÉRGIO

PISANI Por Daniela Carrara e Alessandro Carvalho • Foto Ale Marques

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F

ui convidado pelo Leds para trabalhar no (estúdio) Tattoo You e ali fiquei por um bom tempo; o estúdio, na época, estava, digamos, abandonado, porque o Leds já tinha o estúdio dele concretizado, o Leds Tattoo, que era sua menina dos olhos, enquanto o Tattoo You ele apenas ficou tocando, sem estar muito

satisfeito com ele. Naquela época, o Leds foi viajar para a Itália, e me lembro de que o estúdio estava um tanto decadente, faltava um monte de coisas, quem cuidava era um rapaz que fazia piercing para ele, e eu tinha praticamente um estúdio inteiro na minha casa, porque minha meta era montar, com o tempo, meu próprio estúdio. Então, eu tinha maca, piso, quadros — o que fosse necessário —, e carreguei aquilo tudo para o Tattoo You. Assim, quando o Leds voltou, tinha um monte de coisa nova, e ele até questionou quem havia comprado, eu disse que aquele material era meu e que levei ao estúdio, porque para mim é importante investir no local onde trabalho. Acredito que isso o tenha sensibilizado, pois, mais tarde veio me oferecer o estúdio, o que para mim foi uma realização. Sou eternamente grato ao Leds por essa oportunidade. Ele me deu uma pérola, o Tattoo You, que, para mim, é uma joia da qual eu cuido com muito carinho. Mudanças básicas Assumi o estúdio em 1996 e nele fiz três mudanças básicas: Estrutura: Trocamos toda a decoração funérea e decadente por outra mais leve e contemporânea. Qualidade de tatuagem: Antigamente, eram tantas as tatuagens feitas que o estúdio acabou perdendo a qualidade. Optei por trocar os tatuadores, mudar a equipe inteira e investir nos novos, para aprimorar a atenção na qualidade dos trabalhos produzidos. Atendimento ao cliente: O atendimento tem de ser personalizado, você tem de dar o máximo de atenção. É importante levar em consideração que a tatuagem é um sonho. Todos que entram no estúdio tentam transformar sonhos em realidade, não em pesadelos, portanto, é fundamental que o cliente saia feliz. O tatuador é quem faz o atendimento, acho isso importante e, mais do que isso, a preocupação com um trabalho único e exclusivo. Apesar de ser um estúdio grande, fiz questão de nunca perder esse contato do tatuador com o cliente. A exclusividade é muito valiosa também, aboli as pastas de desenhos do meu estúdio para que o tatuador faça um esboço para cada cliente para que ele desenvolva o trabalho, um trabalho único e exclusivo, até porque quem quer

ter uma tatuagem não deseja ver alguém com uma mesma tatuagem igual à sua. Os profissionais do Tattoo You O Tattoo You passou por vários endereços, pela Vila Madalena, Pinheiros, Jardim Paulistano, e, por último fomos para a rua Tabapuã, em 2001, e ter vindo para o Itaim foi a melhor mudança de todas, pois o bairro estava em expansão na época — foi um ótimo negócio. Pelo Tattoo You passaram tantos tatuadores que não vou lembrar o nome de todos, mas vou citar alguns que me honram ter trabalhado com eles, pessoas dignas e que saíram pela porta da frente — tive o prazer de trabalhar com Mauro Nunes, Gu, Camila Rocha, Carlos Cabral, André Fernandes (piercer), Oderus (de Minas Gerais), Teco (um tatuador que faz excelentes máquinas para tatuar) – e, atualmente, tenho

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destaque uma equipe que é um time dos sonhos, tenho muito orgulho de trabalhar com todos eles: Victor Montaghini, Mario, João Chavez, Melissa e o Molina, conhecido como Bolívia, e a Fabi, que trabalha com piercing. O que fazemos no Tattoo You é bem simples, tento me colocar no lugar do cliente, imaginando o que ele gostaria de ter como trabalho, o que ele gostaria de ver, como ele gostaria de ser atendido; essas preocupações acabam gerando uma inovação natural que simplesmente acontece. Na parte artística, a grande inovação no estúdio é a exclusividade. Mudança no visual do estúdio Quanto à mudança atual na parte visual do estúdio, foi porque percebi, principalmente por meio das ferramentas sociais da internet, que os estúdios estão todos muito iguais, brancos, parecendo clínicas de estética, e aquilo começou a me incomodar porque sou um tatuador, não sou médico, tem até tatuador que usa avental, como se fosse um cirurgião. Estúdio de tatuagem é underground na sua concepção não precisa ser underground propriamente, mas tem isso como base. Outro fato que ocorreu é que eu estava atendendo um cliente que era tatuador, e ele havia alugado uma casa que tinha sido um endereço antigo do Tattoo You, daí, colocou uma decoração idêntica a nossa, inclusive copiou o nome do estúdio. Toda vez que eu entrava no lugar, eu me lembrava daquilo; daí, eu pensei o que podia fazer para ninguém mais me copiar, então, resolvi jogar tudo fora, comprar tudo novo, pintar tudo de preto. Mudei toda a iluminação, coloquei iluminação cenográfica. Agora, é esperar para ver o que isso vai refletir no mercado, na tatuagem; sei que no estúdio vai refletir bem, porque meu cliente vai se sentir mais à vontade. O profissional Fico feliz de saber que o pessoal me cita como referência, isso muito me honra. Minha trajetória foi como qualquer outra. Acho que falta muito ainda para eu aprender a verdadeira arte da tatuagem, mas para eu chegar onde estou foi muita luta, muita batalha e muito estudo, batendo muito a cabeça. Escutei coisas de um cara que eu tenho uma tremenda admiração — ele me falou umas coisas na época em que eu me achava muito, e na verdade não sabia nada de tatuagem, e ele me colocou no lugar, com a devida classe; ele me disse que eu não sabia nada de tatuagem e graças às palavras dele eu consegui evoluir como artista e como pessoa. Foi o Hercule que me disse umas coisas que eu não esqueço e precisava ouvir. Na época, não conseguia nem dormir de tanta raiva, mas fui digerindo a raiva até virar admiração, e resolvi aprender. Até hoje, todos os dias eu me lembro da frase dele, mas

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vou guardá-la para mim e deixá-los na curiosidade. Defino meu trabalho como um trabalho honesto, limpo, que vem do coração e da alma. É a mais pura e sincera verdade, só isso. Convenções de tatuagem Acho que todo mundo tem o direito de fazer uma convenção de tatuagem, todos têm o seu direito de expor, de competir ou não competir em uma convenção; a convenção muda de organizador para organizador, ela não tem regras fixas. Muitos anos atrás, em 2004, eu fiz uma convenção de tatuagem que se chamou Black Sheep, eu a fiz para mim, como eu gostaria que fosse uma convenção desse tipo, algumas pessoas devem se lembrar. O que eu acho é que agora ocorre uma briga entre as pessoas em relação a colocar ou não uma premiação. Acho que o mais importante é o respeito, competir não vai denegrir a imagem de ninguém. Compete quem quiser, se você é um artista e acha que à tatuagem não se dá nota, legal, deixa quem quer competir — é muito simples. A convenção nada mais é que um encontro de tatuadores e eles ficam preocupados com a competição. Eu adoro ir a convenções e encontrar os amigos, uma galera que você vê, na maioria das vezes, só em convenção, como o Polska, o Ticano, por exemplo. Deixem quem quiser competir! Viagens Quando viajo para fora o que trago são muitas saudades do Brasil. O Brasil é o melhor país do mundo para comer, ter amigos, para ir à praia. O Brasil para mim é o lugar, e o que eu trabalho aqui, trabalho na mesma proporção lá fora. Quando viajo, tento aprender sobre a cultura do país, tento conhe-

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cer o lugar para onde estou indo, a culinária do lugar, coisa de que gosto muito. Também aprendo um pouco das técnicas dos tatuadores com quem convivo, porque viajar é se reciclar, porque você vê um monte de coisas novas lá fora, como tintas, máquinas, diluentes, e tento trazer na bagagem esse aprendizado, indo a outros lugares e a estúdios de tattoo. Sou uma esponja, absorvo tudo que vejo, às vezes, vejo uma peça de decoração que tem um arabesco entalhado que uso como influência no meu trabalho, um dragão que um amigo faça, até uma curva que vejo eu passo a usar. Não fico limitado somente à tatuagem, tenho muitos livros de desenho, de escultura e tudo que possuo uso como referências. Hoje em dia, o Brasil tem muita gente boa na tatuagem, não vou citar os nomes de todos porque são muitos, mas vou mencionar aqueles que tocam meu coração: Polska (Santos), Ticano (ES), Verani (RS), Hercule, Sergio ‘Leds’ Maciel, o pessoal que trabalha comigo, João, Mário, Melissa. www.tattooyou.com.br

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Marcelo Smash Dermografite - SC

referências

Referências é o espaço que utilizamos dentro de nossa publicação para apresentar esboços de desenhos, que servem para criações de tatuagens baseadas na ideia do rascunho. Nessa primeira edição, apresentamos referências de tatuadores dos mais variados estilos e regiões, esperando que o conteúdo auxilie nos estudos de outros artistas.

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referĂŞncias

Gilliano Paduan SP

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Leandro Fleck Bola Tattoo - RS

Mauricio Huber Old Friends - SC

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referĂŞncias

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Leandro Fleck Bola Tattoo - RS

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referĂŞncias

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Marcelo Smash Dermografite - SC


Anderson Anju Tattoo - PR

Jander Rodrigues Jander Tattoo - GO

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referências

Maurício Bastos MJR Tattoo - DF

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perfil Marco Ogg (Lelo) 23 anos de profissão 39 anos de idade

lelo Por Daniela Carrara

Marco Ogg, o Lelo, como é mais conhecido em sua profissão, conta como se tornou um tatuador, sua rotina de trabalho, projetos paralelos e as experiências que obteve tatuando no exterior 37 • TattooArt


Como foi seu primeiro contato com a tatuagem? Morava no Rio de Janeiro, na Ilha do Governador, e conheci por meio do caratê, que pratiquei por vários anos, um aluno excepcional chamado Wagner Gorni. Eu o admirava muito, tanto na arte marcial quanto em seus trabalhos como tatuador; foi ele quem me inspirou a começar. Na época, o estúdio mais legal no Rio de Janeiro era o Bansai Tattoo, na Tijuca, com Jorge e Marcos Davies, que tinham um estilo que simplificava os traços, era incrível. Também, nesse período, surgiram na Ilha o Lango, que mora nos Estados Unidos, e o Marcos Ribeiro. Todas essas pessoas, além do Caio, do Arpoador, e da Eliana Zica, da Ilha, me ajudaram a começar essa jornada. Antes de fazer parte do Gatto Matto, em quais estúdios já trabalhou? Com 17 anos, ainda estudando em um colégio militar, matava

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as aulas e ia à Cinelândia, no centro do Rio, aprender como era o ofício com os caras que faziam tattoo na rua. Em troca de desenhos que eu fazia, eles me ensinavam o que eu quisesse. Nesse estágio, uma amiga, a Eliana Zica, viu que eu levava jeito e abriu na garagem de sua casa um estúdio para mim. Não demorou muito, fui assaltado no mesmo dia em que havia sido expulso do colégio. Estava bem nervoso, preocupado com a possível reação de meu pai, que era diretor de ensino de uma companhia aérea. Sendo assim, eu reagi contra ele, e isso foi a gota d’água — havia muito preconceito nessa época contra a tatuagem, minha família achou melhor eu me pirulitar para outra cidade, então, fui para São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Lá, abri, junto com Mauricio, um estúdio (Under Skin Tattoo Studio), fiquei lá quatro anos. Com 22 anos, saí de São José e fui para Ibiza, na Espanha, e trabalhei num estúdio na Caie Maior, no porto; também abri um estúdio na Bahia (em Arraial


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D’Ajuda) e fiquei alternando, trabalhando e vivendo somente no verão. Na Bahia, conheci o Marco, do Gatto Matto, e fui convidado a integrar a equipe do estúdio, nos tornamos muito amigos. Estamos há 14 anos trabalhando juntos. Também trabalhei por períodos na Austrália (Kalaydoscope) e na Itália (Body Markings). Quais são as diferenças de tatuar no Brasil e no exterior? Acho que são básicas. Lá fora, você tem mais acesso a materiais de excelente qualidade, megaconvenções, e tem contato com muitos bons artistas de diversos estilos. Particularmente, gosto muito do Brasil e acho que depois de muito viajar não há lugar melhor no mundo; quebrei muito a cabeça, mas no final tenho a convicção de que é possível ganhar bem, fazer a vida e todo ano dar um pulinho em convenções e, quem sabe, trabalhar por uns poucos meses. Aqui no Brasil, temos artistas incríveis que superam ou se igualam a artistas de todos os países, excluindo os Estados Unidos. Para mim, hoje os EUA são a Meca da tattoo. Encontrou alguma dificuldade no percurso? Você só se sente parte de algum lugar, aprende a língua e se sente em casa depois de três anos. Nos períodos em que trabalhei fora mudei como pessoa, a dificuldade de me expressar me tornou mais introspectivo, foi difícil fazer o social, como no Brasil. Fora isso, trabalhar no exterior me abriu os olhos para coisas que vemos como “normais”, mas não são,

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por exemplo, o valor que o ser humano tem — se você mata, rouba ou comete outro delito, você realmente paga por isso, se você é corrupto no governo, as pessoas organizam passeatas e tiram o cara de lá, se alguém fala “vou ao banco tirar o dinheiro e volto para pagar a tattoo”, a pessoa volta mesmo. Além de tatuar, trabalha em algum outro projeto? Faço um curso de pintura japonesa há quatro anos com o mestre Kaoro Ito, da escola Shunkun. Toda segunda-feira vou a Sampa e fico o dia todo com ele. Também temos um tattoo blog, com a direção do Adriano Chapelera, que é o nosso gerente. Lá, ele desenvolve e apresenta muitos temas, tendências e novidades. Como é a rotina do estúdio e quem são os tatuadores da equipe? Abrimos das 10 às 20h00, de segunda a sábado. O mo-

vimento é intenso, os boxes são em fileira e todo mundo participa do que está fazendo, dando opiniões e ajudando, se necessário. Todo mundo se esmera muito no desenho. A equipe de tatuadores são Bacon, que faz realismo, Zóio, oriental, Marcelo, pontilhismo e tribais, e Wally, oriental. Temos também o João Paulo, que é atendente e aprendiz de tattoo. Por incrível que pareça, ele é formado pela Unicamp em arte. Era diretor de arte numa das melhores agências de publicidade de Campinas e largou tudo pra aprender a tatuar com a gente. A nossa filosofia de trabalho não tem frescura. Como você se especializou no estilo oriental? O que esse estilo tem de especial para você? Gosto muito do estilo oriental, desde sempre me identifico com ele, como ele se encaixa na pele — o efeito que ele dá de longe é magnífico. Gosto de fantasia, tribais, pontilhismo, biomecânico, acredito que quase tudo, com um pouco de empenho, pode ficar anatômico e bonito no corpo. Quais são suas influências? Tenho sido influenciado por Filip Leu, Mauricio Teodoro, Shige, Andrea Pallocchine e Junior. Contato: Gatto Matto Tattoo www.gattomatto.com.br Tel. (19) 32534348

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desenhando com MaurĂ­cio Bastos


1 – Tudo começa pela criação de linhas de ação. Assim, a área a ser trabalhada e a composição vão se harmonizando para o início do desenho. 2 – Depois, vou criando as partes individualmente. Neste caso, comecei pela cabeça, dando expressão ao desenho e já criando mais movimentos com as penas do pescoço. 3 – Usando linhas-guias, traço o corpo e as penas menores. As linhas de ação iniciais já servem para definir o caimento das penas maiores das asas. Traço uma a uma, de um lado e de outro. 4 – Parto para a parte inferior. Vou criando as penas da cauda. Começo pelas pequenas, no fim do corpo, e depois crio as maiores, dando bastante volume e movimento.

5 – Com a parte do lápis concluída, agora é finalizar com a tinta nankin. Neste caso, resolvi usar pincel número zero. O pincel possibilita traços mais artísticos e enriquece visualmente o trabalho. 6 – Vou pintando as linhas principais começando pela parte superior. Pinto todo o corpo da mesma forma. Finalizo criando partes chapadas de preto para acrescentar contraste. 7 – Com a aquarela, pinto o fundo do desenho, uso apenas cinza e dois tons de azul, deixando sempre o mais suave possível. 8 – E assim vou continuando, usando muitas cores, criando dégradés e procurando combinar bem as cores quentes e frias. Vou indo assim até concluir a ilustração inteira.

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tatuando com Rafael Cassaro

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1. Uma vez escolhidas a forma/imagem que vamos inserir o efeito pedra fazemos a impressão do desenho e produzimos o decalque. 2. Feito o decalque com a utilização de um estêncil o aplicamos na pele. 3. Aplicado o decalque é necessária uma marcação bem suave nas linhas do desenho e também aplicamos alguns efeitos de rachadura, para dar um efeito mais rústico (petrificado) ao trabalho. 4. Iniciamos o trabalho de sombra e luz para dar o efeito de profundidade ao desenho. 5. Definidos os pontos de sombras, iniciamos o preenchimento das partes que serão mais escuras. 6. Então, fazemos sombras sobrepostas, e através desse efeito conseguimos reproduzir a sensação de relevo na pele, utilizando também um meio-tom para desvencilhar a luz. 7. Aplico o branco em algumas rachaduras para dar um efeito de luzes. Material usado Agulha de linha 7 e Agulha de pintura 9


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do lado de lá A primeira pergunta é muito simples e clichê: há quanto tempo você segue a carreira de tatuador, de onde é e onde está trabalhando no momento? Sou tatuador há 13 anos e sou uruguaio. No momento, você pode me encontrar na Cracóvia (Polônia), no 9th Circle Tattoo. Trabalho lá com meus amigos. Seu estilo black and gray, biomecânicos, realistas e coisas sombrias é um dos melhores no mundo! Quanto tempo você se dedica ao estudo desse estilo de desenho e desde quando vem essa paixão por temas sombrios? Tenho essa paixão por coisas sombrias desde que vim ao mundo! (risos). Tento esse tipo de coisa desde que toquei numa máquina de tatuagem pela primeira vez. No começo, estraguei um monte de gente! (risos).

Por Dorme

Nascido no Uruguai, Victor começou sua profissão em 1998. Mudou-se para a Polônia e tatua no 9th Circle Tattoo juntamente com alguns amigos. Sua lista de referências é longa, vai desde Maurício Teodoro, Guy Aitchinson até Paul Booth e Filip Leu. 46 • almanaquedigital.com.br

Em um dia normal de trabalho, quais músicas usa como inspiração? Música é uma das coisas mais importantes para criar uma boa atmosfera quando estou trabalhando. Mas a lista de minhas bandas favoritas é muito longa. A música que escuto depende do meu humor e pode variar do black metal ao hip hop britânico. Sobre inspiração, qualquer coisa pode inspirar meu trabalho, filmes, pinturas, quadrinhos etc. Manter-se motivado nem sempre é fácil, mas sinto que tatuar é uma grande responsabilidade, então, tento dar o melhor de mim, em cada tattoo.


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do lado de lá Como você vê a evolução técnica da tatuagem ao redor do mundo e a rápida evolução dos artistas da nova geração? Esse é um ponto extenso, porque muita gente confunde verdadeiros artistas de tatuagem com pintores que compram uma máquina de tatuar. Ser um tatuador de verdade é um longo caminho. Essas imagens sombrias e coisas realistas ficam muito bem no seu trabalho, mas muitos artistas tentam fazer igual e as coisas dão errado! O que tem a dizer em relação a isso? Qual o segredo para equilibrar as coisas? O problema é quando eles tentam copiar meu estilo. Seria o mesmo se eu tentasse copiar Guy Aitchison ou Robert Hernandez. Isso seria apenas uma cópia. Eles precisam tentar ser originais, fazer algo no seu próprio estilo. Para mim, o mais importante são a prática e a perseverança. Você conhece alguns artistas do Brasil? O que acha dos tatuadores brasileiros em geral e de sua evolução técnica? No começo de minha carreira eu trabalhei no Brasil. Então, sim, conheço um monte deles. Eles têm um estilo próprio, que é reconhecido no mundo todo. Maurício Teodoro é um dos maiores representantes do estilo brasileiro. É claro que lá tem muitos outros artistas brilhantes. A quais outras artes você dedica seu tempo? Como você divide seu tempo entre diferentes trabalhos? Gosto de desenhar, pintar e fazer música — tocar a minha guitarra. Quando acabo as tattoos, então, eu faço alguma dessas coisas. Deixe uma mensagem a todos os tatuadores, iniciantes ou profissionais, que admiram e se inspiram nos seus trabalhos. Obrigado pelo seu apoio todos esses anos, e eu espero visitar o Brasil o mais breve possível. É um dos meus países favoritos. www.victorportugal.com

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do lado de lรก

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galeria vip

Jander Rodrigues

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m dos tatuadores goianos mais conceituados da cena nacional e, pode-se dizer, mundial. Seu trabalho pode ser comparado a de qualquer profissional de nome conhecido, não deixando a desejar em nenhuma de suas criações. Deixa registrado no corpo, um estilo próprio, marcante, fácil de reconhecer. Quem conhece, admira, e quem não conhece, certamente vai querer saber a autoria.

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galeria vip

robert

Cooper

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atua há mais ou menos vinte anos e começou sua profissão tatuando soldados britânicos na Alemanha. Viveu e passou por muitas cidades, o que acabou ajudando a desenvolver habilidades de desenho e linguística. Suas influências são Shige, Filip Leu e Chad Tintin.

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galeria vip

Camilo

Tuero

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atural do Peru, Camilo Tuero Martinez é daqueles tatuadores que desenvolveu uma técnica apurada e peculiar, em particular no estilo realista colorido. Sua técnica foi formada com o passar do tempo, adquirida através da experiência de seus anos como profissional da tatuagem, e observando tantos outros artistas com modos distintos.

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pit stop by Zupi Fernando Chamarelli e a pangeia cultural

Nunca

Abasteça com ideias A busca pela criatividade é o que nos move, por isso, a Zupi sempre mostra o que de melhor acontece nas artes, design e tendências. A partir de agora, deixamos dicas inspiradoras também neste espaço. 58 • almanaquedigital.com.br

nenhum cientista revelou que talento é transmissível, mas para o artista Fernando Chamarelli a convivência com pessoas admiráveis e a rotina rodeada de arte, durante uma viagem ao nordeste, foram um divisor de águas na carreira do paulista. Ele começou a desenhar na adolescência, liberando sua criatividade, a princípio, nas histórias em quadrinhos e, mais tarde, viajando pelo universo da tatuagem e arte de rua. “Eu fiz uma maquininha caseira de tatuagem [não faça isso em casa!] com agulha de costura, colher, tubo de caneta e motor de carrinho de brinquedo”, revela Chamarelli. Com 14 anos, seu corpo foi sua cobaia: “Na época, eu não tinha conhecimento sobre o risco, só queria ter uma tattoo louca e ser um tatuador profissional”. Depois da experiência, o cara acabou visitando convenções sobre o assunto, comprou equipamento e trabalhou por um tempo em estúdio. Ele conta que aprendeu muito com os contornos pretos e finos que estampava na pele, estética visível nos trabalhos atuais do artista. Após a formação em design gráfico, Fernando percebeu que seus rabiscos combinavam com tinta acrílica. E não é que ele estava certo?! A real é que ele gosta de fazer arte. Se o dia tivesse mais de 24 horas, ele experimentaria as diversas vertentes criativas, mas como o tempo é curto, acabou escolhendo prioridades – no caso, a pintura. Suas telas são como um mosaico multicultural. A principal influência é a cultura popular brasileira. Lendas, mitos, símbolos e religiões são explorados


“Eu fiz uma maquininha caseira de tatuagem [não faça isso em casa!] com agulha de costura, colher, tubo de caneta e motor de carrinho de brinquedo” na temática das criações: “O Brasil apresenta uma diversidade cultural enorme, há muito para explorar”, afirma. As formas geométricas também ganham destaque no conjunto e a aparência orgânica surge das referências do design. Quando questionado sobre seu processo criativo, ele contou que só precisa de uma folha em branco, um lápis e boa música para liberar o excesso de ideias presas na cabeça. Fernando Chamarelli é a primeira intervenção da Zupi por aqui. Aguarde as próximas. Enquanto isso, você pode acessar outras ideias no www.zupi.com.br e, para saber mais sobre o artista, entre no www.chamarelli.com.br.

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eis a questão

ESCONDER TATUAGENS PODE ESTAR CONTRIBUINDO para O PRECONCEITO Por Marcelo Galega • Foto Rafael Beck

O tatuado sofre preconceito e isso não é novidade para ninguém. Porém, essa discriminação não é à toa. Existem muitas atitudes de tatuados que contribuem para o preconceito. Acho, até mesmo, que muitos tatuados gostam desse preconceito.

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ensando nisso, comecei a analisar alguns comportamentos que levam a essa atitude dos “destatuados” contra os tatuados. Dentre vários comportamentos, um dos principais é esconder as tatuagens. Quase sempre ouço pessoas dizendo que tatuaram um lugar no corpo que dá para esconder, mas que a vontade era fazer em outra parte do corpo. Aí, eu pergunto: Por que esconder algo que acreditamos não ter problema nenhum? Ou você acredita que existe algum problema se tatuar? Se você está se tatuando, é porque acredita que um desenho na pele não pode mudar seu caráter nem sua competência. Certo? Então, por que esconder tatuagem? Afinal, só escondemos aquilo que acreditamos ser errado. Sei que “certo” e “errado” são relativos, mas, quando acreditamos que aquilo que estamos fazendo é certo e não vai prejudicar ninguém, continuamos fazendo, pois aquele é nosso ideal. Agora, quando temos alguma dúvida, aquilo não se torna mais certo e, então, outros também ficam na dúvida. O mais curioso é que só os tatuados (ou futuros tatuados) têm essa preocupação, pois eu nunca ouvi uma pessoa “destatuada” dizer algo sobre fazer tatuagens

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escondidas. Essa história só existe na cabeça dos tatuados e é sempre divulgada por eles. E o que conseguimos é o resultado contrário: divulgamos justamente aquilo que queríamos que não acontecesse. Não existe lei que proíba ninguém de se tatuar*, o que existem são algumas teorias (furadas) de que tatuados têm dificuldade para arrumar emprego, têm problemas com a polícia, são discriminado por médicos e outros. A grande verdade nisso tudo é que muita gente se apoia em uma falsa ideia de que a tatuagem foi fator determinante para o próprio fracasso, quando o real motivo é a atitude da pessoa, geralmente negativa, assim como a ideia de tatuar uma parte do corpo que possa esconder por medo de sofrer preconceito. É claro que muitas pessoas preferem fazer tatuagem onde elas mesmas não consigam ver, para que não enjoem do desenho ou qualquer outro motivo particular. Mas, a pessoa que tatua parte do corpo de que não gostaria, apenas para poder esconder, além de contribuir para o preconceito está deixando de lado uma vontade particular, com medo do que os outros podem achar. Meu objetivo com este texto não é fazer com que as pessoas se tatuem mais ou em lugares “visíveis”, e sim mostrar que se existe esse preconceito é pelo motivo de que nós tatuados aceitamos, acreditamos e, o pior, concordamos, escondendo nossas tattoos. Tatue-se, expresse-se, seja você mesmo! O mundo dá mais valor às pessoas verdadeiras e autoconfiantes.   * No Brasil, pela legislação, tatuagem só pode ser feita em maiores de 18 anos. Menores não podem ser tatuados nem com a autorização dos pais ou responsáveis.


du peixe

AOS AMIGOS LEITORES! A evolução das máquinas e dos materiais desde 1985, quando fiz minha primeira tatuagem, até os dias de hoje. Por André Peixe • Ilustração Leandro “Bola” Fleck

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aquela época, era tudo muito difícil, não se tinha acesso a máquinas e materiais para tatuar como hoje, porém, eu tinha uma vontade grande de saber como fazer, se doía, como ficaria, e claro, eu me perguntava se conseguiria. Chamei um amigo da rua onde eu morava e, juntos, montamos uma máquina caseira. Usamos um motor de carrinho de autorama, uma caneta tipo ‘Bic 4 cores’ larga, um pedaço de arame duro, uma agulha de costura pra lá de grossa (rsrsrs) e um tubo de nanquim. Tudo pronto, começamos a sessão de tatuagens, que mais parecia uma sessão de horror (rsrsrs)... Tatuei na mão do meu amigo o símbolo da anarquia e ele uma teia de aranha na minha perna; era tão sinistro o esquema que, primeiro, precisávamos fincar a agulha na pele e depois acionar o motor, era, no mínimo duas vezes mais dolorido que atualmente. O resultado foram duas tatuagens verdes e horríveis (rsrsrs)... A minha, cobri alguns anos depois, porém, meu amigo manteve a dele até hoje. Hoje em dia, tudo mudou muito, qualquer pessoa pode comprar uma máquina ou um kit tatuagem que são vendidos até mesmo pela internet. São máquinas poderosas, silenciosas, tintas de alta qualidade, agulhas pré-

Andre Peixe tem os apoios: Rcsskt, Midia Skate e Esze

soldadas, enfim, quem está querendo começar tem tudo na mão e a preços acessíveis. Talvez, por esse motivo, o número de tatuadores cresceu tanto no Brasil nesses 15 últimos anos e, como consequência, temos uma quantidade imensa de maravilhosos trabalhos, artes da mais alta qualidade, verdadeiras obras-primas eternizadas na pele das pessoas. Mesmo com toda essa mudança na cena da tatuagem e na qualidade dos materiais, ainda precisamos ficar bem atentos na escolha da tatuagem e do profissional para nos tatuar, para depois não nos arrependermos.

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sonora tância para a cena do rap paulistano, o projeto denominado Central Acústica, onde muitos MCs de hoje, atuantes da cena do rap, iniciaram suas carreiras, quando foram residentes em diversos lugares na região do centro de São Paulo, entre eles a Galeria Olido. Atualmente, Negrito é residente há mais de um ano na festa Black Devassa, em São Caetano do Sul, anexa ao bar Cubanos. Negrito está em processo de criação na Banda Punho, atuando como DJ, e também com Edú Marron, multi-instrumentista e produtor musical, que juntos produziram o álbum Algum Lugar e a trilha sonora do filme Retratum, da marca Oakley, lançado na revista Fluir.

DJ Negrito Marron• Foto • Fotos Ricardo Kafka PorPor Marrom Ricardo Kafka

DJ Negrito, um artista que domina a arte do scratches, mas que também atua na militância de romper com o cinza presente nos muros da cidade.

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ntegrante da crew (grupo de escritores de graffiti) que atende pelo nome de N.E.V (Novo Estilo de Vida crew), desde meados de 1997, trabalha em prol da arte de rua e para as ruas, no empenho de mostrar sua arte, colorir e ressignificar os espaços públicos para aqueles que o compõem. Negrito é presença fundamental em eventos que promovam a arte e cultura no lado leste da cidade de São Paulo; figura atuante deste segmento junto com sua crew, é de fundamental importância ao incentivo da arte e cultura em uma região que oferece pouco e precário acesso à arte a seus moradores. No universo da música, DJ Negrito atua desde 1998, tendo tido oportunidade de apresentar-se com artistas de renome como Thaide e Záfrica Brasil. Trabalhou como DJ no grupo de rap Apocalipse 16 durante três anos, quando fez diversos shows pelo Brasil afora; em 2005, foi indicado ao prêmio Hutúz na categoria de melhor DJ de grupo e, em 2009, como melhor DJ de grupo do século. Também trabalhou com Sombra, Poetiza, Flora Matos, entre outros. Participou desde o início de um projeto de rap, com banda de fundamental impor-

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visitando

Localizado em um bairro nobre de São Paulo, o Led’s Tattoo é um dos estúdios mais renomados do Brasil. Liderado pelo tatuador e empresário Sérgio ‘Leds’ Maciel, o estúdio conta com uma equipe de tatuadores do mais alto gabarito, profissionais consagrados no cenário da tatuagem, como Nani, Akemi e Átila. Além do estúdio oferecer serviço de tatuagem, o local disponibiliza, igualmente, outros tipos de serviços, como colocação de piercing, retirada de tatuagem por meio de laser e venda de produtos que levam o nome da marca Led’s Tattoo. O estúdio também oferece um espaço com cafeteria e galeria de arte, para apreciação de pinturas, esculturas etc. Não é por acaso que Led’s é um dos maiores tatuadores de nosso país, pois além de seu conhecimento e talento como tatuador, há de se destacar, da mesma forma, a sua veia empreendedora e visão para negócios voltados à tatuagem. www.ledstattoo.com.br

O Tattoo You, primeiro estúdio de tatuagens de São Paulo, foi criado em 1979 por Marco Leoni, um tatuador italiano que chegou ao Brasil para divulgar seu trabalho artístico. A inspiração para o nome do estúdio veio do disco homônimo dos Rolling Stones. Em São Paulo, decidiu se estabelecer na Vila Madalena, bairro que concentrava diversos artistas de áreas diferentes, onde poderia exercer sua arte sem tanto preconceito. A pintura viva da tatuagem não poderia ter outro lugar mais acolhedor naquele momento, onde foi recebida com enorme aceitação. Surgiu, então, a ideia de formalizar um evento totalmente voltado para a tatuagem, o que levou os organizadores do Tattoo You a criar a 1ª Convenção Internacional de Tatuagem no Brasil que, na época, aconteceu no Projeto SP. Sérgio Pisani reformulou e devolveu ao Tattoo You o seu estilo inovador e a qualidade de seus trabalhos. Desde setembro de 2001, o Tattoo You está localizado na Rua Tabapuã, em um novo espaço, moderno e com grande infraestrutura. Porém, o projeto de Pisani foi além das novas instalações e, hoje, o Tattoo You conta novamente com tatuadores excelentes, como João Chavez, Mário Artes, Molina, Melissa,Victor Montaghini, Fabiana Leite, e o próprio Sérgio Pisani. Recentemente, o estúdio passou por uma reforma e o resultado é um local de extremo bom gosto, sem exageros, com um toque sofisticado mesclado ao estilo vintage, mantendo a tradição do nome Tattoo You. www.tattooyou.com.br

Fotos: André Peixe

Tattoo You

Fotos: Ricardo Kafka

Led’s Tattoo

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artisticamente

Era uma v

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vezM um poeta... ichel Ramalho nasceu em 1992 na cidade de Foz do Iguaçu no estado do Paraná. Aos 6 anos de idade interessou-se realmente pelo desenho após ganhar um pequeno concurso na sala de aula da escola onde estudava. Cursou diversas escolas em diferentes cidades, destacando-se sempre por conta dos seus desenhos. Aos 15 anos de idade, aprofundou-se em livros e mais livros, o que aumentou seu interesse pela escrita. Escreveu diversos textos e então, aos 17 anos, decidiu colocar seus pensamentos de forma escrita, resultando no pequeno projeto que batizou de “Pergaminho dos Sonhos”. Atualmente, vive na cidade de Lençóis Paulista no estado de São Paulo. Michel é designer gráfico, ilustrador digital, desenhista artístico, escritor, músico e compositor.

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anuncio Mythos

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TattooArt01  

Capa: Monique Peres Matérias: Victor Portugal, Sérgio Pisani, Lelo