ALIMENTAÇÃO ANIMAL TEMA DE CAPA
SUSTENTABILIDADE E BEM-ESTAR ANIMAL NA SUINICULTURA
António Tavares
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ALIMEN TAÇÃO AN IMAL
O mercado da carne de porco a nível europeu tem-se caracterizado nos últimos meses por preços muito elevados, talvez os mais altos de sempre que compensam os elevados preços das matérias-primas para rações. Pensemos um pouco nos motivos para esta situação. As exportações para países terceiros sofreram uma descida significativa com a China a praticamente só comprar subprodutos e não a carne. O Vietname deixou praticamente de importar uma vez que neste momento está a ser abastecido pela Rússia. Por outro lado as Filipinas têm vindo a aumentar as suas compras devido à diminuição da produção interna com a Peste Suína Africana. O consumo interno tem vindo também a baixar não só devido às pressões mediáticas sobre o consumo da carne mas também devido ao grande aumento do preço da carne. Por outro lado, a diminuição da produção na UE baixou muito significativamente cobrindo largamente os aspetos negativos e levando a um desequilíbrio do mercado com a consequente subida dos preços. Em 2022 tivemos uma quebra de produção europeia superior a 5% devido sobretudo à Alemanha (2º produtor europeu) com cerca de – 12% seguida da Polónia com igual valor, da Dinamarca com – 10% e da Bélgica com menos de 10%. Na Alemanha regista-se um grande desalento entre os produtores que consideram que o seu governo está a tomar medidas contra a produção. Esta politica tem tendência a continuar pelo que podemos facilmente antever uma continuação da descida da produção. Em Espanha a doença de Pierce tem provocado perdas muito significativas nas explorações o que levou a inverter a tendência de subida de uma média de 5% nos últimos anos para uma estabilização e mesmo com uma ligeira descida. Apesar de todos estes fatores que conjugados são positivos para o mercado continuamos com uma grande atividade de abertura e consolidação de mercados de países terceiros. Sem a China e as Filipinas seria praticamente valorizarmos subprodutos do porco que não consumimos. Estamos assim numa posição comoda para os produtores não se esperando uma baixa de preços do porco e no momento em que as matérias-primas para as rações têm tendência a baixar de preço, bem como a energia. Não nos podemos esquecer o que sofremos em 2021 e nos primeiros meses de 2022 e bem se pode utilizar a expressão popular "não há fome que não dê em fartura" e estamos a enfrentar neste momento em Bruxelas as propostas de alteração legislativa que podem vir a condicionar a nossa atividade. A nossa boa situação está a provocar posições de políticos em Bruxelas que não percebem nada do setor, só querem ser notícia ao escolherem o nosso setor para ser o seu alvo potencial.
Vejamos as propostas que podem vir a prejudicar a nossa atividade
AMBIENTE
Neste capitulo as decisões mais importantes passam pela proposta para a nova diretiva das emissões que prevê fixar os limites mínimos tara isenção de LICENÇA AMBIENTAL as explorações de engorda para 666 porcos de engorda ou 400 porcas em produção de leitões. Como sabem hoje em dia estes valores situam-se nos 2000 porcos de engorda e 700 reprodutoras. Neste caso as grandes explorações não vão ser atingidas mas as pequenas e médias vão ter um encargo adicional com a elaboração dos estudos para a licença ambiental e estes custos que são iguais para uma exploração de 3000 porcos de engorda implica um aumento real do custo de produção uma vez que são a dividir por menos animais. Em relação aos limites para exigir um estudo de impacto ambiental ainda não temos os valores mas irão sempre nesta linha de descida dos limites.
MEIO AMBIENTE
Este tema é o mais problemático de todos uma vez que deixou de ser um tema técnico-cientifico para passar a ser um tema politico. Pode parecer bizarro o que estou a dizer mas eu passo a explicar: Neste último mandato da Comissão tivemos várias correntes politicas para limitar e diminuir a produção animal. Começou logo no ínicio do mandato com o nosso Comissário da Agricultura a publicar nas redes sociais a sua posição contra as grandes explorações de pecuária intensiva e também contra a concentração da produção. Isto apesar de grave foi algo de menor importância, porque o grave têm sido as posições do Comissário Timmermans que começou com as estratégias "FROM FARM TO FORK" e "GREEN DEAL" onde se pretende defender uma agricultura sustentável. No COPA-COGECA também defendemos uma produção sustentável e que vá no sentido dos anseios do consumidor. O problema está na tentativa de aplicação de medidas que têm pouco de sustentável e muito mais de ataque direto ao setor, como é o caso do bem-estar animal. O grupo de trabalho do COPA-COGECA tentou tomar uma posição construtiva neste sentido em vez de criticar as propostas. Assim em Outubro de 2021 apresentamos à Comissão um documento com uma proposta concreta para a revisão do bem-estar animal dos porcos. Esta proposta tinha três pontos fundamentais: o fim das jaulas nas maternidades, a castração e o corte de rabos. No que diz respeito às jaulas foi decidido aceitar o fim das jaulas nas maternidades, mantendo um período de confinamento de 5 dias após parto, uma medida de parque que torne possível as alterações nas explorações