ALIMENTAÇÃO ANIMAL INVESTIGAÇÃO
AS ESTRATÉGIAS DE SAÚDE PREVENTIVAS PARA LEITÕES BEM-SUCEDIDAS Eric N’guetta, Valentine Van Hamme, Ricardo Neto Kemin Animal Nutrition & Health, EMENA
Substituir doses farmacológicas de ZnO sem aumentar o uso de antibióticos é uma tarefa complexa. Em vez de focarem uma única abordagem, os resultados dos ensaios sugerem que as estratégias bem-sucedidas sem antibióticos dependem de uma abordagem holística que efetivamente aborda os diversos modos de ação do ZnO. Vejamos como com o uso de ß-(1,3)-glucanos derivados de algas, Bacillus sp. PB6 e ácidos orgânicos encapsulados.
Os desafios da era pós-óxido de zinco O período de desmame é uma fase particularmente stressante para os leitões devido às alterações sociais e de gestão que podem resultar em diarreia pós-desmame (DPD) e ganho médio diário deteriorado. A DPD, que é um problema que ocorre frequentemente durante o desmame, está associada à infeção por E. coli enterotoxigénica (por exemplo, K88 ou F4), causa enormes perdas económicas para a indústria da suinicultura todos os anos e leva ao aumento do uso de antibióticos. O tratamento da DPD depende frequentemente de antibióticos. Embora o uso de antibióticos obviamente varie de região para região, uma revisão científica do uso de antibióticos na Bélgica observou que uma grande maioria (93% do total de antibióticos) administrados foi para profilaxia, ao mesmo tempo que a metafilaxia ou uso em tratamento foi muito inferior (7% do total de antibióticos) (Lekagul et al., 2017). Na mesma revisão, os antibióticos foram vulgarmente usados durante a amamentação e pós-desmame e as infeções gastrointestinais foram o motivo mais comum para o uso de antibióticos. A aplicação de doses farmacológicas de óxido de zinco (ZnO) em dietas de leitões pós-desmame – geralmente, a um nível de 2.500 ppm de zinco – era comum na indústria para controlar a DPD. Porém, desde 26 de junho de 2022, o uso de doses elevadas
de ZnO passou a ser proibido na União Europeia. Para enfrentar o desafio da substituição farmacológica do ZnO, primeiro, é preciso identificar como este ingrediente funciona. Embora o mecanismo exato do ZnO contra a DPD ainda não tenha sido totalmente esclarecido, já conseguimos identificar alguns efeitos do ZnO. Em primeiro lugar, o uso de ZnO não se resume apenas a tentar controlar a E. coli patogénica. O ZnO tem efeitos anti-inflamatórios que ajudam a aliviar os desafios do trato gastrointestinal e reforçam o sistema imunológico dos leitões jovens. O ZnO também suporta a estrutura e função das vilosidades intestinais, que são deterioradas pela transição de uma dieta líquida para uma alimentação mais complexa e pelo aumento do nível de stress. Além do mais, demonstrou-se que o ZnO melhora a digestão dos nutrientes. Dados os diversos modos de ação dos níveis farmacológicos de zinco, a implementação de estratégias alternativas livres de antibióticos é um esforço complexo para o qual uma abordagem multifatorial é de importância crucial.
Um exemplo de estratégia multifatorial vencedora Realizou-se um ensaio em leitões desmamados com idades entre os 28 dias e os 70 dias em condições semicomerciais no Reino Unido com vista a avaliar a eficácia da substituição dos níveis farmacológicos de ZnO por uma solução que cubra os modos de ação do ZnO. Aleta™ é uma solução alimentar altamente concentrada que contém mais de 50% de ß-(1,3)-glucano linear derivado de algas (Euglena gracilis). O mecanismo de ação destes ß-glucanos promove suporte imunológico e aumento da resistência a doenças. O CLOSTAST®, que contém esporos de Bacillus sp. PB6 (ATCC PTA-6737), originário de animais que resistiram a um surto de enterite, foi utilizado para Dieta experimental
Etapa Pré-inicial (dia 28-42)
Starter (dia 43-70)
Ingredientes utilizados
Controlo
Tratamento
Óxido de Zinco (ppm) ß-glucano (g/ton) Bacillus sp. PB6 (CFU/kg) Ácidos fórmico e cítrico (kg/ton)
Dieta basal 2500 ppm 0 0 0
Dieta basal 0 300 2 x 108 4
Óxido de Zinco (ppm) ß-glucano (g/ton) Bacillus sp. PB6 (CFU/kg) Ácidos fórmico e cítrico (kg/ton)
Dieta basal 0 0 0 0
Dieta basal 0 200 1 x 108 1
Tabela 1: Desenho experimental
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ALIMEN TAÇÃO AN IMAL