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PUBLICAÇÃO MENSAL | JULHO 2012 | EDIÇÃO 05/ANO 01

AGRO EVENTOS Expointer, Interconf, Agrinsumos & Induspec e Congresso Mundial de Avicultura AGRO ENTREVISTA Walter Horita, presidente da Aiba, fala sobre a evolução do oeste baiano

AGRO PERFIL

Uma vida entre o campo e os grandes centros de decisões João Sampaio Filho, empresário rural, presidente do Cosag/Fiesp e vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Marfrig

Agro Guia | Julho 2012

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Informe Publicitário

Índice 6

Agro Agenda

Agro Mensagens

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Agro Datas Comemorativas

(11) 3063.1899 / Al. Itu. 1063 - 2° andar CEP: 01421-001 - Jardins - São Paulo/SP www.publique.com | publique@publique.com

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PRESIDENTE E FUNDADOR: Carlos Alberto da Silva Editor-Chefe Carlos Alberto da Silva MTB 20.330 Redação Béth Mélo beth@publique.com

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Agro Eventos

André Casagrande andre@publique.com Paulo Roque pauloroque@publique.com Simone Rubim simone@publique.com

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Agro Entrevista

Colaborador Nathã Carvalho Apoio Comercial Carlos Alberto da Silva

Twitter @GRUPOPUBLIQUE Facebook facebook.com/gpublique Slideshare slideshare.net/grupopublique You Tube youtube.com/GrupoPublique

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Agro Lavoura

Agro Artigo

Diagramação e Vinicius Gallo Balsys Edição de Imagens Capa Foto Carlão da Publique

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Agro Pecuária

Agro Perfil

Projeto Editorial Gutche Alborgheti Vinicius Gallo Balsys Juliana Vizzáccaro Maria Teresa

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Agro Agricultura

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PARA ANUNCIAR NO GUIA Gerente Comercial Marcela Marchi marcela.marchi@grupofolha.com.br (011) 3224-4546

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Informe Agro Econômico

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Contato Comercial Larissa Ayumi Yokomizo larissa.yokomizo@grupofolha.com.br (11) 3224-4545 Representante Comercial Sonia Maciel soniamaciel@novojeito.net

Agro Educação

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Mirian Domingues miriandomingues@novojeito.net tel: (11) 3021-1644


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Agro Agenda

Confira os eventos de 29 de julho a 2 de setembro 7 a 9/8 Agrinsumos & Induspec Expo&Business – São Paulo (SP), tel. (11) 3017-6807 www.agrinsumoseinduspec.com.br

30/8 Simpósio SAE Brasil de Máquinas Agrícolas 2012 – Porto Alegre (RS), tel. (54) 3223-8677 – www.saebrasil. org.br

7 a 9/8 II Congresso Andav (Fórum de Distribuição de Insumos Agropecuários) – São Paulo (SP), tel. 3017-6888 andav@informagroup.com.br

30 a 31/8 Simpósio de Fruticultura: Oportunidades e Desafios no Setor – Piracicaba (SP) www.fealq.org.br / www.gelqesalq.com.br

7 e 8/8 IX Congresso Brasileiro de Marketing Rural e Agronegócios – São Paulo (SP), tel. (11) 3812-7814 - www.abmra.com.br

30/7 a 2/8 6ª Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale – Londrina (PR), tel. (43) 3025-5223 www.rtrigo2012.com.br

7 a 11 Agroleite 2012 – Castro (PR), tel. (42) 3234-8084 www.agroleitecastrolanda.com.br Foto Banco de Imagens Publique

29/7 a 03/8 19ª Reunião Brasileira de Manejo e Conservação do Solo e da Água – Lages (SC) - www.rbmcsa.com.br

1 a 3/8 4º Simbras - Simpósio Brasileiro de Agropecuária Sustentável / 1º Congresso Internacional de Agropecuária Sustentável – Porto Alegre (RS) - www.simbras-as.com.br

Foto: Banco de Imagens Publique

3º Simpósio sobre Sanidade em Citros – Unesp Jaboticabal (SP), tel. (16) 3209-1303 – www.funep.org.br

14 a 16 6º Simpósio Nacional do Morango e 5º Encontro de Pequenas Frutas Nativas do Mercosul – Pelotas (RS), tel. (53) 32758208 – www.cpact.embrapa.br

5 a 9/8 24º World´s Poultry Congress (WPC 2012) – Salvador (BA), tel. (19) 32436555 - www.wpc2012.com.br 6/8 Congresso Brasileiro do Agronegócio – São Paulo (SP), tel. (11) 3854-8060 www.abag.com.br

16 a 26/8 57ª edição da Festa do Peão de Boiadeiro – Barretos (SP), tel. (17) 3321-0000 www.independentes.com.br/festadopeao 17 a 19/8 4ª Exposição Ouro Minas do Cavalo Árabe – Araxá (MG), tel. (11) 3674-1744 www.abcca.com.br Foto Rogério Santos / ABCCA

3 a 5/8 Agrifam 2012 – Feira da Agricultura Familiar e do Trabalho – Lençóis Paulista (SP), tel. (14) 3262-9990 – www.agrifam.com.br

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9 a 12/8 40ª Exposul – Rondonópolis (MT), tel. (66) 3423-2990 www.exposuleuvou.com.br


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Agro Agenda

18 a 26/8 Expogenética – Uberaba (MG), tel. (34) 3319-3900 - www.abcz.org.br/ expogenetica 25/8 a 2/9 35ª Expointer - Parque de Exposições Assis Brasil – Esteio (RS) tel. (51) 3288-6223 - www.expointer. rs.gov.br/siteexpo

26 a 30/8 Congresso Nacional de Milho e Sorgo – Águas de Lindóia (SP), tel. (19) 3202-1754 27/8 Congresso Brasileiro de Fertilizantes – São Paulo (SP) – www.anda.org.br 28 a 31/8 Fenasucro e Agrocana – Ribeirão Preto (SP) - www.fenasucroeagrocana.com.br

Caros Leitores, Acompanhe, nesta edição, várias matérias interessantes sobre o Agro. Na capa, trazemos um grande amigo: João Sampaio Filho, empresário rural, presidente do Cosag/Fiesp e vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Marfrig, um dos líderes da ala jovem do agronegócio que se divide entre o campo e os grandes centros de decisões. Também destaco a entrevista de Walter Horita, presidente da Aiba, que fala sobre a evolução do oeste baiano. Boa leitura a todos. Carlos Alberto da Silva Editor

Agro Mensagens

Tomamos conhecimento do Informe Publicitário Agro Guia e temos interesse em receber o informativo. Representamos o setor de Suínos e Aves, ligados à agroindústria, através do Sindicarne (Sindicato da Indústria da Carne de Santa Catarina) e da Acav (Associação Catarinense de Avicultura). Cinthya Mônica da Silva Zanuzzi, engenheira agrônoma Florianópolis (SC)

Perdi a edição do Agro Guia de junho 2012, como posso conseguir um exemplar, se possível por algum link, ou mesmo impresso? Joaquim de Oliveira Mattosinho, Lins (SP) O Agro Guia circula no último domingo de cada mês, encartado na Folha de São Paulo. A próxima edição, que será publicada dia 29 de julho, poderá ser encontrada nas grandes bancas de jornais e revistas de Florianópolis. Quanto às edições anteriores, enviaremos o pdf. 8

Foto: Zzn Peres

Agro Editorial


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Agro Datas Comemorativas

12/8 Dia do Cortador de Cana Instituído em 2007, a data é uma homenagem à atividade dos trabalhadores do corte de cana, que ajudou a projetar a cultura no noroeste paulista e no Brasil. 18/8 Dia Nacional do Campo Limpo Criado pela Lei nº 11.657/16.4.2008, reconhece a importância da mobilização dos envolvidos no programa de logística reversa das embalagens de defensivos agrícolas pela conscientização ambiental na agricultura. O InpEV (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias), ONG responsável pela destinação final do material, recolhe 94% do total descartado. Nos últimos dez anos foram mais de 202 mil toneladas recicladas. 19/8 Dia Nacional da Aviação Agrícola Foi criado pelo Decreto N° 97.669/19.4.1989. A atividade, presente em todo território nacional, tem muitas utilidades, com destaque nas pulverizações, em especial nas culturas de soja, arroz, algodão, milho, cana, banana e pastagens.

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27/8 Dia do Peão de Boiadeiro Inspirado no trabalho de manejo do gado nas fazendas, o rodeio esportivo surgiu como evento há mais de 50 anos no Brasil. As primeiras festas do peão aconteceram em Paulo de Faria e Barretos (1956). O que era um desafio virou passatempo e transformou-se em festa do peão. 28/8 Dia da Avicultura (avicultor) Responsável pela criação de aves para produção de alimentos, desponta na agropecuária por ser considerada a mais dinâmica e tecnificada. Seu desenvolvimento começou no final dos anos 50, na Região Sudeste, principalmente, em São Paulo. Em 1970 houve o deslocamento para a região Sul. 29/9 Dia Nacional do Vaqueiro Criado o Projeto de Lei nº 11.7979/09, a data comemora a primeira passeata de vaqueiros realizada no Brasil, em União (PI). Figura representativa da cultura brasileira, especialmente do sertão nordestino, é formada pela fusão de diversas raças.


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Agro Eventos/Balanço

Megaleite: recordes e leilões em alta cimento de 27,6%, mesmo com um leilão a menos em relação a 2011. O torneio leiteiro reuniu mais de 100 animais das raças Girolando, Gir Leiteiro, Holandês, Guzerá e Sindi. A Megaleite 2012 registrou três recordes nacionais no 23º Torneio do Girolando. Botique JM Monte Alverne, alcançou média diária de 86,850 quilos de leite, a novilha BB Milk Emerson Nugget Jaguar FIV registrou média diária de 59,733 kg e a vaca ¾ Girolando Josimar M. obteve média de 78,273 kg. Foto: Pitty

A Megaleite (9ª Exposição Brasileira do Agronegócio do Leite), realizada de 1º a 8 de julho, em Uberaba (MG), foi palco de debates sobre os desafios do setor e mostrou o avanço genético das principais raças leiteiras do país. A estimativa é de que passaram pela feira cerca de 40 mil pessoas. Participaram da pista de julgamento mais de mil animais das raças leiteiras. Os 12 leilões de animais e genética Girolando, Gir Leiteiro e Holandês movimentaram R$ 9.221.580, cres-

Expo Araçatuba fatura 50 milhões Os organizadores da 53ª Exposição Agropecuária de Araçatuba, realizada de 6 a 15 julho, em Araçatuba (SP), estimam faturamento de R$ 50 milhões com a venda de animais em leilões, negócios nos estandes e eventos de entretenimentos paralelos. O evento reuniu cerca de 2 mil animais das raças de corte e de leite. A Rural Eventos estima a presença de 300 mil visitantes, 70% atraídos pelos shows, seguido pelo rodeio e atrações paralelas. Em razão dos resultados deste 12

ano, os organizadores da Expo Genética, feira de animais elite, prenhezes, sêmen e aspirações, realizada pelo segundo ano consecutivo, planejam aumentar a quantidade de pavilhões em 2013. “Praticamente todos os criadores que participaram este ano confirmaram presença no que vem. Temos de aumentar o espaço para receber novos interessados”, informa Manoel Afonso de Almeida Filho, vice-presidente do Siran (Sindicato Rural da Alta Noroeste) e organizador dessa mostra.


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Agro Eventos/Balanço

Foco no consumidor Foto: Divulgação

De 4 e 5 de julho, a 7ª Suinfest (Feira Mineira de Suinocultura), reuniu em Ponte Nova (MG), polo nacional de criação de suínos, 2 mil visitantes. Com foco no consumidor, a proposta do evento foi traçar seu perfil, estimular reflexões para o futuro e colaborar com a busca de novas oportunidades de mercado para o produto da região. Cerca de 60 empresas expositoras apresentaram novidades em produtos, serviços e tecnologias. Além disso, a feira mineira propiciou a realização de contatos e negócios, oportunidades de conhecimento e trocas de experiências com o setor.

Recorde de visitantes A 83ª Semana do Fazendeiro teve avaliação positiva da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da Universidade Federal de Viçosa (MG), onde o evento foi realizado. O pró-reitor e coordenador da Semana, Gumercindo Souza Lima, estima faturamento de R$ 4 mi-

lhões, recorde de visitantes – 100 mil – e mais de 2000 mil pessoas do meio rural: 1080 agricultores em 210 cursos, 320 na Troca de Saberes, 250 jovens na 4ª Semana da Juventude Rural e cerca de 350 mulheres no workshop A Mulher Rural.

Balanço positivo O maior evento indoor da cadeia pecuária de corte do mundo, a Feicorte (Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne) encerrou sua 18ª edição com balanço positivo. Recebeu cerca de 30 mil pessoas, reuniu 250 empresas expositoras e abrigou mais de 4 mil animais. Contou com a participação de 25 raças bovinas, além de ovinos, gado

Gir Leiteiro e equinos Mangalarga. A venda de animais nos 13 leilões realizados (ante 8 de 2011), bateu recorde de faturamento e quantidade de lotes comercializados. Foram 8974 lotes arrematados e movimento de R$ 17.571.435,00. Uma novidade foi a venda virtual de animais de produção, de criatórios consagrados. (SR)

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Agro Eventos/Destaques

Vem aí a a Expointer 2012 Em 2011, a Expointer reuniu mais de 4.000 animais de 150 raças, cerca de 3000 expositores, mais de 390 eventos paralelos e o faturamento superou R$ 850 milhões, segundo a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio do Rio Grande do Sul, organizadora da mostra. Foto: Banco de Imagens Grupo Publique

Mais uma vez, o Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), será palco da 35ª Expointer, que este ano ocorrerá de 25 de agosto a 2 de setembro. Uma das principais atrações é o Concurso Freio de Ouro (dias 25 e 26), a mais disputada prova funcional entre as raças equinas, a Crioula, tradicional do Rio Grande do Sul. A mostra de 2012 terá mais de 400 eventos, entre exposições de 151 raças (bovinos de corte e de leite, gado misto, bubalinos, equinos, ovinos, suínos, caprinos, pássaros, aves, chinchilas e coelhos.), além de julgamentos e leilões de animais. Também estão programados show de máquinas, Feira de Agricultura Familiar, Expoargs (Exposição de Artesanato do Rio Grande do Sul), Prêmio Gerdau Melhores da Terra, palestras técnicas, cursos, fóruns e seminários.

De 7 a 9 de agosto, ocorrerá em São Paulo, no Transamérica Expo Center, a 2ª Agrinsumos & Induspec Expo&Business. Estão previstos estandes de mais de 35 marcas expositoras em uma área de 3.000 metros quadrados. Estima-se a presença de cinco mil profissionais do setor e do agronegócio. Os destaques da programação são os debates de assuntos estratégicos sobre o setor, no II Congresso Andav (Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários), e sobre marketing rural, no IX Congresso da ABMR&A, realização da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio. 14

Foto: Banco de Imagens Grupo Publique

Agrinsumos & Induspec


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Agro Eventos/Destaques

Avicultura em pauta

Maior rodeio da América Latina De 16 e 26 de agosto de 2012, Barretos (SP), receberá a 57ª edição da Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, maior evento do gênero da América Latina. A festa terá competidores do mundo inteiro, os principais músicos do cenário sertanejo universitário e de raiz, além de atividades culturais – como concurso de berrante e Queima do Alho (prato típico dos tropeiros) –, além de outras atrações.

O grupo os Independentes, organizador da festa, estima público de, aproximadamente, um milhão de pessoas.

Foto: Divulgação

de ovos e frangos e pintos de corte serão debatidos por especialistas em avicultura técnica e científica mundial.

Foto: Os Independentes/Divulgação

De 5 a 9 de agosto, será realizado no Centro de Convenções de Salvador (BA) o 24º Congresso Mundial de Avicultura, o WPC 2012, que deverá reunir 9 mil pessoas. O evento comemora os 100 anos da WPSA (World’s Poultry Science Association) e contará com exposição de produtos e serviços de grandes empresas do setor avícola de todos os continentes. Temas das principais áreas da produção

Interconf 2012 De 11 a 13 de setembro, Goiânia (GO) sediará a Interconf – Conferência Internacional de Confinadores, iniciativa da Assocon (Associação Nacional dos Confinadores) e o Canal Rural. O evento discutirá a evolução da cadeia da carne e seus impactos nos processos produtivos. A palestra de abertura terá Mailson da Nóbrega. O setor frigorífico e produtivo no Brasil e no mundo, tema o painel do dia 11, terá, com a participação de Nancy Morgan (EUA) e Claus Deblitz (Alemanha).

O segundo painel debaterá O mercado consumidor de carne no Brasil e no Mundo. No dia 12, o tema será Relação Produtor/ Frigorífico. À tarde, ocorrerá a Mesa Redonda Final da Interconf 2012. Com mediação do jornalista Mauro Zafalon, participarão do debate Antônio Jorge Carmadelli, presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), Eduardo Biagi, presidente da ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu), e Sussumo Honda, presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados). (AC) Agro Guia | Julho 2012

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Fotos Ricardo Prado

Agro Entrevista

A conquista do oeste baiano Por Paulo Roque

Nos últimos 30 anos, o oeste baiano passou da condição de uma nova fronteira agrícola para uma das regiões mais produtivas do País, graças ao esforço de agricultores que souberam tirar proveito do seu enorme potencial. Entre esses pioneiros estava a família Horita, que emigrou do norte do Paraná em busca de novos horizontes. Em 1984, os irmãos Walter, Wilson e Ricardo adquiriram 1.210 hectares de terras em São Desiderio e, gradativamente, transferiram seus negócios e a própria família para a Bahia. O Grupo Horita é composto de seis fazendas, localizadas em quatro municípios, com uma área total de 150 mil hectares, dos quais, 85 mil culti16

vados com soja, algodão e milho. É presidido por Walter Horita, o quarto dos cinco filhos de Satoshi e Ayako Horita. Além de dirigir os negócios da família, ele também preside a Aiba (Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia) e a Copagro (Cooperativa dos Produtores Agrícolas de Roda Velha), e já presidiu a Abrapa (Associação Baiana dos Produtores de Algodão) e a Fundação Bahia. “Nossa família se dedica à agricultura há muito tempo, antes mesmo de emigrar do Japão para o Brasil. Para se ter uma ideia de como a atividade agrícola está arraigada em nossa família, em japonês, Horita significa algo próximo a ‘cultivar a terra’”, explica.


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Agro Entrevista

Agro Guia – Por que a família Horita escolheu o oeste baiano? Walter Horita – Nós viemos para cá por causa da fartura de terras baratas e das condições naturais. A região tem um regime de chuvas muito bem definido e uma localização estratégica, no coração do Brasil. A luminosidade também é espetacular, favorecendo muito o cultivo. O risco de geada é zero e muitos rios e lençóis freáticos banham a região. Tudo isso compensa com folga o fato de a terra aqui não ser naturalmente fértil. Hoje, não há melhor lugar para plantar, simultaneamente, soja, algodão e milho do que o oeste da Bahia, que é líder mundial de produtividade nessas três culturas. O mercado já percebeu isso, o que tem sido provado pela valorização das terras. A primeira vez que pus os olhos no cerrado baiano, no início dos anos 1980, não tive dúvida de que esta região – então desacreditada – um dia se notabilizaria como o grande celeiro do Brasil. Era jovem e estudava engenharia de produção mecânica na Universidade de São Paulo, em São Carlos (SP), e não pensei duas vezes para traçar o meu destino aqui. Esse sentimento era dividido com os meus irmãos, Wilson e Ricardo, e o

meu pai, o mais entusiasta de todos, que vislumbrava uma grande revolução na região no prazo de 20 anos. Agro Guia – Atualmente, qual é a estrutura com que conta o Grupo Horita? WH – O Grupo Horita compreende seis principais unidades produtivas, localizadas no cerrado da Bahia, que, juntas, totalizam 150 mil hectares de área e 85 mil hectares de lavouras. As fazendas Acalanto, Sagarana, Ventura, Querubim, Timbaúba e Centúria, que produzem, simultaneamente, soja, algodão e milho em sistema de rotação de culturas, estão localizadas nos municípios de São Desidério, Correntina, Luís Eduardo Magalhães e Formosa do Rio Preto. Da área total cultivada, a soja ocupa 46 mil ha, o algodão, 30 mil ha, e o milho, 9 mil ha. Na safra 2012 / 2013, pretendemos plantar 42 mil ha de soja, 34 mil ha de algodão e 10 mil ha de milho. As fazendas contam com estruturas de beneficiamento e armazenamento de grãos de última geração. Somadas, têm capacidade de armazenar 150 mil t de grãos e beneficiar até 180 mil t de algodão em caroço.

“Não há melhor lugar para plantar, simultaneamente, soja, algodão e milho do que o oeste da Bahia, que é líder mundial de produtividade nessas três culturas”

Agro Guia | Julho 2012

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Agro Entrevista

Agro Guia – Quais foram as melhorias que o agronegócio levou para o oeste baiano e para o Estado da Bahia como um todo? WH – Os municípios do oeste baiano cresceram em função do agronegócio. Quando chegamos aqui, Barreiras era a principal cidade da região, mas não tinha nem 50 mil habitantes – hoje tem 130 mil. Alguns municípios, como Luís Eduardo Magalhães, nasceram justamente por causa desse movimento e, mesmo sendo o mais novo, já tem 60 mil habitantes e é um dos que mais cresce no Brasil. São Desidério é o maior produtor de soja do Norte e Nordeste, o maior produtor brasileiro de algodão e o maior PIB agrícola do Brasil. Tudo isso se reflete em saúde, infraestrutura, educação empregos, enfim, em qualidade de vida. A região deve seguir a mesma tendência do agronegócio brasileiro e continuar como um dos principais polos agrícolas do País.

Fotos Ricardo Prado

Agro Guia – Em sua opinião, quais ainda são os grandes gargalos que prejudicam o agronegócio na região? WH – Os gargalos regionais são, basicamente, os mesmos que os nacionais,

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como muitas coisas que ainda faltam ou que poderiam melhorar, tais como um modelo mais eficiente de logística, com melhores estradas e mais investimentos em portos e em novos modais. Mas, sobretudo, os produtores precisam de segurança jurídica. O Brasil tem algumas leis que servem como referências mundiais, mas que estão descoladas da realidade do campo. São leis que se sobrepõem e que, em sua execução, dependem da subjetividade de cada agente fiscalizador. É preciso ter maior clareza, porque o produtor quer e precisa trabalhar em conformidade com a legislação. Agro Guia – Qual é o balanço que você faria sobre a Bahia Farm Show? WH – A Bahia Farm Show já é uma das quatro maiores feiras agropecuárias do País – e isso é algo para se comemorar. Ela cresce e se consolida a cada nova edição. Neste ano, apesar das expectativas pouco positivas provocadas pela estiagem no Estado, o público cresceu 32% e a estimativa de negócios captados foi de R$ 597 milhões. A explicação para isso é que o produtor do oeste baiano conhece bem as “regras do jogo” do agronegócio. Ele sabe que


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Agro Entrevista

é preciso investir em tecnologia para reduzir o impacto dos problemas climáticos em suas lavouras. Sabe que a atividade agrícola é feita a céu aberto e, portanto, envolve fatores sobre os quais ele não tem nenhum controle. E também entende que, se quiser continuar na atividade, vai ter de fazer o necessário para isso. Hoje, a Bahia Farm Show é a grande vitrine de tecnologia agrícola das Regiões Norte e Nordeste e, desde que ela deixou de ser uma franquia da Agrishow, tem sido organizada pela Aiba. Agro Guia – Considerando a tendência atual, que cada vez mais aponta para a sustentabilidade, o que tem sido feito na região nesse sentido? WH – O produtor agrícola tem uma consciência ambiental e social muito apurada, e entende que os seus maiores ativos são sua terra e sua reputação, e que o mercado globalizado não aceita mais determinadas falhas, tanto no exercício da agricultura, como no relacionamento com os seus empregados e as comunidades no entorno. Hoje, utilizamos boas práticas agronômicas, como plantio direto e rotação de culturas, que impactam positivamente na produtividade das nossas lavouras e nos alinham à tendência mundial da agricultura de baixo carbono. Exemplo disso é que nossa região é líder nacional em recolhimento de embalagens vazias de agroquímicos, o que denota uma forte consciência ambiental. Mas, a grande demonstração da preocupação do produtor do oeste baiano com a sustentabilidade ambiental é a marcha rumo à adequação e à regularização ambiental na região. Graças

à iniciativa da Aiba, a Bahia deu um grande salto, com o Plano de Adequação e Regularização Ambiental dos Imóveis Rurais, que nasceu de uma demanda da entidade junto às secretarias de Meio Ambiente e de Agricultura do Estado. Foi uma tarefa hercúlea, cuja elaboração do arcabouço legal demandou três anos de trabalho intenso. Esse plano serviu de modelo para outras iniciativas semelhantes no Brasil, contribuindo para o programa nacional “Mais Ambiente” e para a inclusão do CAR (Cadastro Ambiental Rural) no texto do novo Código Florestal. Foi graças a ele que o governo entendeu que precisava modernizar a legislação estadual para dar mais qualidade à gestão ambiental, e reviu a legislação no fim do ano passado. Hoje a Aiba participa, junto à Secretaria do Meio Ambiente do Estado da Bahia, da elaboração de um estudo piloto visando ao desenvolvimento de um modelo de licenciamento e regularização ambiental de propriedades rurais, tendo como meta a qualidade ambiental por bacia hidrográfica.

“Hoje o produtor agrícola tem uma consciência ambiental e social muito apurada, e entende que os seus maiores ativos são sua terra e sua reputação” Agro Guia | Julho 2012

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Agro Agricultura/Commodities

CAFÉ Vendas externas em baixa Segundo balanço do CeCafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), em junho foram exportadas 1.881.914 de sacas de 60 kg de café, volume 31 % (848.091 sacas) inferior ao do mesmo mês de 2011 e 11% (229.908 sacas) abaixo do registrado em maio. A receita alcançou US$ 407,785 milhões, queda 43,3% no comparativo. Os embarques brasileiros do ano-safra 2011/2012 totalizaram 29.768.744 sacas, 15% inferior (-5.241.753 sacas) às 35.010.497 sacas embarcadas no ano-safra anterior. Já a receita, totalizou US$ 7,841 bilhões, crescimento de 5,6% (US$ 417,551 milhões) no comparativo. Levantamento da Safras & Mercados estima que, até 12 de julho, foram colhidos 46% da safra, cerca de 25,31 milhões de sacas. CANA-DE-AÇÚCAR Moagem menor Segundo a Unica (União da Indústria de Cana de Açúcar), do início da safra 2012/2013 até 1º de julho, a moagem totalizou 128,31 milhões de t, ante 177,70 milhões de t no período anterior. No acumulado, a produ20

ção de açúcar alcançou 6,69 milhões de t, ante 9,40 milhões de t no mesmo período de 2011. Já a produção de etanol, somou 4,82 bilhões de litros (3,36 bilhões de litros do hidratado e 1,46 bilhão de litros anidro). A Copersucar estima a produção de açúcar, na safra 2012/2013, na região centro-sul (que responde por cerca de 90% da moagem total), em 30,5 milhões de t. E prevê a produção de etanol em 21,5 bilhões de litros, ante 20 bilhões de litros no mesmo comparativo. Em junho, as exportações do complexo sucroalcooleiro renderam US$ 15,42 bilhões, segundo a Secex (Secretaria de Comércio Exterior). SOJA Bom desempenho externo No acumulado de 12 meses, o complexo soja obteve o melhor desempenho nas exportações do agronegócio, com US$ 27,37 bilhões, contribuindo com 28,3% das vendas externas. Com a colheita praticamente encerrada, a cultura da soja apresentou queda de 8,95 milhões de t: de 75,32 milhões de t colhidas na safra 2010/2011 para 66,37 milhões de t na atual safra. A redução, segundo a Conab, é atri-

buída às condições climáticas adversas causadas pelo fenômeno “La Niña”. MILHO Exportações em baixa De acordo a Secex, em junho, o Brasil registrou baixo desempenho nas exportações. No período, foram embarcadas 134,4 mil toneladas, queda de 18% em relação a maio. No acumulado do ano (janeiro a junho), as vendas externas de milho totalizaram 1,8 milhão de t, ante 2,8 milhões de t, no mesmo período de 2011. O maior importador foi a Tunísia, com 29,4 mil toneladas, seguido por Marrocos (27,2 mil t) e Costa Rica (27,0 mil t). ALGODÃO Colheita em ritmo lento Segundo levantamento da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), divulgado no começo de julho, a colheita de algodão prossegue em ritmo lento nas principais regiões produtoras, em razão do excesso de chuvas anormais neste período do ano. Até a data, teriam sido colhidos 5,0% a 8,0% da área total cultivada, consolidada em 1.396,0 mil ha, ante 1.400,3 mil há na safra anterior, queda de 0,3%.


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Agro Pecuária/Commodities

SUÍNOS Mercado em queda Em junho, segundo a Abipecs (Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína), o Brasil exportou 43.913 toneladas e faturou US$ 108,40 milhões. No mês, as vendas externas caíram 16,76% em volume e 28,75% em receita, na comparação com junho de 2011. A Ucrânia, com 11.938 t, passou a ocupar a posição de primeiro importador da carne suína brasileira, seguida pela Rússia (11.623 t) e Hong Kong (7.313 t). De janeiro a junho, o País exportou 268,78 mil t, crescimento de 0,72% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita caiu 6,52%, ficando em US$ 687,35 milhões.

FRANGOS Volume aumenta e receita cai De janeiro a junho, as exportações brasileiras de carne de frango totalizaram 1,987 milhão de toneladas, 3,07% de crescimento em relação ao mesmo período de 2011, que foi 1,928 milhão de t. Segundo a Secex (Secretaria de Comércio Exterior), a receita caiu 4,51%: US$ 3,8 bilhões, ante US$ 3,999 bilhões na mesma comparação. Em junho, foram exportadas 307,1 mil t, 7,28% inferior ao mesmo mês de 2011. Já a receita, totalizou US$ 551,8 milhões, queda de 21,25% em relação ao mesmo mês do anterior. As previsões da Ubabef (União Brasileira de Avicultura) apontam para exportações de 4 milhões de t em 2012.

BOVINOS Fase positiva Segundo a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), no acumulado de janeiro a junho o Brasil embarcou 557,395 mil toneladas, aumento de 2,5% em relação ao mesmo período de 2011, que foi 543,78. Já o faturamento, alcançou US$ 2,641 bilhões, ante os US$ 2,595 bilhões, no mesmo comparativo, crescimento de 1,78%. A Abiec prevê ampliação da vendas para o mercado asiático, em especial para Hong Kong, cujos embarques totalizaram 103,033 mil toneladas e renderam US$ 393,035 milhões, aumento de 18,26% em volume e 31,94% em faturamento, no comparativo entre o período analisado nos dois anos.

US$ 40 bilhões é o faturamento da avicultura brasileira que responde por 10% da renda do agronegócio nacional.

R$ 18,2 BILHÕES foi o faturamento do mercado pet, em 2011. que responde por cerca de três milhões de empregos.

R$ 200 MILHÕES é o valor anunciado pelo Mapa para financiar a suinocultura (produtor agroindústria, cooperativa e varejo)

R$ 53 bilhões foi o movimento do setor de florestas plantadas, em 2011. No período, as exportações brasileiras

renderam US$ 7,6 bilhões. No total, o Brasil possui 6,6 milhões de hectares cultivados com eucaliptos, pinus

e teca. Atividade emprega 4,7 milhões de pessoas de forma direta e indireta, segundo o Mapa. (BM)

AGRO NÚMEROS

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Agro Pecuária/Nutrição

Suplementação do gado na seca

A oferta de minerais, proteína, e energia evita perda de peso nessa época do ano Por Simone Rubim

A adubação e o manejo corretos das pastagens trazem grandes melhorias nos índices de produtividade. Mas, essas estratégias não resolvem o problema de alimentação do gado durante a seca, porque, nesse período, as gramíneas estão com baixo nível de proteína (menor 4%) e baixa digestibilidade (menor 50%), e o consumo de nutrientes insuficiente para o ganho de peso. Segundo Haroldo Pires de Queiroz, difusor de Tecnologia da Embrapa Gado de Corte, os criadores têm muitas dúvidas sobre a importância da suplementação mineral para o gado, no período da seca. “O pecuarista deve se conscientizar que é necessário e imprescindível suplementar o animal”, orienta. 24

No período de seca, a pouca disponibilidade de pasto de qualidade e em quantidade adequada afeta o crescimento dos bovinos, muitas vezes até regredindo de peso, o chamado efeito sanfona. A reprodução das fêmeas é também diminuída pela fraca nutrição, segundo Stefan Mihailov, presidente da Phibro no Brasil. “Por isso, é necessário e essencial a suplementação com proteinados, para complementar o que o capim não oferece durante a seca”, explica. A mineralização é essencial para os bovinos e deve ser feita durante os 365 dias do ano, esclarece Juliano Sabella, zootecnista e gerente de Marketing da Tortuga. “O que varia é o tipo de suplemento mineral a ser utilizado nas diferentes fases


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Agro Pecuária/Nutrição

de vida do animal, época do ano e objetivos de produtividade que se deseja alcançar”, observa. É importante garantir a produção e qualidade das forragens, que depende do gênero, espécie e cultivar, idade fisiológica, propriedades químicas e físicas do solo, condições climáticas e manejo submetido. Deficiências de nutrientes específicos podem limitar o ganho de peso do animal. Segundo pesquisa da Embrapa, é necessário manter a oferta de minerais, e ainda suplementar com proteína e

energia, que não estão disponíveis na pastagem, na época seca. Uma das opções mais econômicas para o pecuarista é vedar o pasto, entre fevereiro e março, para utilizar nos meses de maio e junho. O criador tem algumas opções para manter o peso do animal criado a pasto com até mesmo pequenos ganhos. Uma delas, sugerida pela Embrapa Gado de Corte, consiste na suplementação do gado, durante 150 dias, período médio da seca. Confira na tabela.

Peso do animal (período de seca) até abate

Tipo de Suplementação

Ganho peso

400 – 450 kg

Mistura mineral completa + ureia (proporção 1x1)

Insignificante: 0,33 gr/ dia. Manutenção de peso

400 – 350 kg

Mistura mineral completa (sal proteico + farelos de soja + milho)

Pequeno ganho de peso: 100 a 200 gr/dia

300 – 350 kg animais mais jovens

Mistura balanceada completa + ração (sal mineral + farelo de soja + milho)

Ganho de peso – quase 1 kg/dia

Outra opção, segundo Queiroz,, é produzir forragem para o animal confinado. O produtor deve ter uma área isolada e começar a prepará-la no verão. O início do plantio deve ser realizado entre os meses de setembro e outubro, e as culturas utilizadas podem ser milho, sorgo, cana ou capim (Tanzânia ou Mombaça), para colheita em maio. Essa silagem deve ser oferecida para o gado com o complemento de sal mineral. Ainda em confinamento, a segunda opção é fornecer a silagem mais ração (4 kg/dia/cabeça), neste caso o animal

ganhará 1 kg/dia. “Estas condições permitem que o animal não perca peso e o produtor possa ter custo x benefício favorável”, afirma o pesquisador. A integração lavoura/pecuária é mais uma tecnologia disponível para os pecuaristas. É uma maneira tão eficaz quanto os processos de feno em pé e confinamento, porém, o custo é mais mais alto, porque o criador deve ter, além das condições utilizadas na pecuária, o domínio da técnica, além de mão de obra, necessária para o processo na lavoura. Agro Guia | Julho 2012

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Agro Produtor/ Agro Perfil

Entre o campo e a cidade Assim é a vida de João Sampaio Filho, estar próximo aos centros de decisões relacionados à negociação dos produtores rurais e administrar os negócios da família Por Paulo Roque

Ele é considerado um dos mais atuantes entre os que integram a jovem liderança do agronegócio brasileiro. Aos 46 anos de idade, o paulistano João de Almeida Sampaio Filho, além de produtor rural, já esteve à frente de diversas entidades ligadas ao agronegócio. Descendente de famílias de produtores rurais, do lado da mãe, pecuarista e, do pai, produtor de café e de cana-deaçúcar, com propriedades no Paraná, São Paulo e Mato Grosso, sempre teve contato com o campo. Estudou em São 26

Paulo – Colégio Santo Américo (ensino médio) e Economia nas Faculdades Associadas Álvares Penteado (Faap) –, mas passava as férias no interior. “Sempre tive consciência que o meu futuro profissional estaria ligado ao agronegócio. E isso não apenas porque minha família é do setor rural, mas por convicção e prazer em estar envolvido com as coisas do campo. Tanto que fiz estágio na Bolsa de Mercadorias do Estado de São Paulo, particularmente no pregão de boi e café. Formado, fui morar e trabalhar em


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Agro Produtor/ Agro Perfil

Jaciara (MT), em uma propriedade rural da família, onde desenvolvemos pecuária e o cultivo de seringueira”, conta Sampaio. Hoje, mantém as seringueiras e dá continuidade às tradições familiares com negócios na pecuária de corte, cana-de-açúcar e laranja. Trajetória Sua trajetória em entidades ligadas ao agronegócio foi bastante intensa e o envolvimento com as entidades associativas foi rápido. “Meu objetivo era estar mais próximo dos centros de decisões relacionados às condições de negociação dos produtores e também estar bem informado sobre as atividades.” Atuou como presidente da Associação dos Produtores de Borracha de Mato Grosso, entre 1994 e 1998, ano em que se mudou para Barretos, São Paulo. Fez parte da Comissão Nacional da Borracha da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), da Câmara Setorial de Borracha Natural do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Em 2002, passou a ocupar a presidência da Sociedade Rural Brasileira, cargo do qual se afastou ao aceitar o convite do governador José Serra para assumir a cadeira de secretário de Agricultura do Estado. Atualmente, é vicepresidente da Associação Comercial de São Paulo (desde 2004), vice-presidente da Associação Paulista dos Produtores

de Borracha, conselheiro da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio) e preside o Cosag/Fiesp (Conselho Superior do Agronegócio da Federação das Indústrias de São Paulo). Além disso, é membro do conselho de administração de algumas empresas e participa de outras entidades do setor rural. Quando secretário paulista de Agricultura mereceu destaque seu trabalho focado na defesa sanitária animal e vegetal, com o objetivo de buscar o risco sanitário zero. À época, enfatizava a instalação de um projeto de emissão de guias de trânsito animal por computador e outro abrangendo a criação de corredores sanitários que interligassem São Paulo com os Estados de Mato Grosso do Sul, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Vale destacar que, no último mês de junho, assumiu a vice-presidência de Relações Institucionais do Grupo Marfrig, uma das maiores empresas globais de alimentos à base de carnes bovina, suína, de aves e peixes, presente em 22 países nos cinco continentes. Seus produtos são consumidos, hoje, em mais de 140 países. “No Marfrig , meu empenho é contribuir para ajudar a empresa a ser reconhecida pela seriedade com que trata a produção, o relacionamento com os produtores e o mercado, a preocupação ambiental e o respeito aos clientes e aos fornecedores”, descreve o seu novo desafio.

“O investimento em genética também é uma prioridade, hoje, com o objetivo de produzir mais e melhor em menos tempo e a custos inferiores”

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Agro Produtor/ Agro Perfil

Agronegócio e pecuária Sampaio encara o agronegócio brasileiro com otimismo moderado, em função dos grandes desafios do setor produtivo e, também, porque tais desafios não dependem exclusivamente dos produtores para ser vencidos. “O Governo tem participação decisiva nessa questão”, enfatiza. E destaca a pecuária de corte como uma atividade que, segundo ele, passa por um momento de transição, em que o ganho de eficiência é essencial, envolvendo desde ganhos de qualidade em termos de pastagens, como nas técnicas de criação – confinamento, integração lavoura pecuária, etc. “O investimento em genética também é uma prioridade hoje, com o objetivo de produzir mais e melhor em menos tempo e a custos inferiores. O setor enfrenta, atualmente, custos elevados e o aumento de produtividade é a chave para o crescimento. Isso é importante até porque a carne bovina concorre com outras atividades e é preciso ser rentável para valer o investimento”, diz Sampaio, ressaltando que considera o momento atual de um grande salto de competitividade e expansão. “Temos totais condições para isso, porém, sem esquecer as dificuldades ligadas aos custos elevados. O mercado também precisa ser mais bem trabalhado pelo setor produtivo.

Sustentabilidade Para ele, sustentabilidade é fundamental. E explica: “não é um modismo, mas uma prática, e nisso o Brasil tem grandes oportunidades para oferecer ao mundo produtos sustentáveis. Considero esse aspecto um diferencial único, que temos de utilizar mais e melhor”. Prova disso, segundo Sampaio, foi a realização da Rio+20 e a participação brasileira. “A sensação geral é de que se esperava mais da Conferência. Porém, ressalto que o País conseguiu mostrar os avanços em produção agropecuária sustentável, em relação ao bioma amazônico, energias renováveis, queima da cana, plantio de florestas. Talvez o Brasil seja o único, na Rio+20, que mais tenha feito a lição de casa em termos de sustentabilidade. Se não, um dos mais”, enfatiza. E destaca o exemplo do Brasil para o mundo, com a criação e aprovação do Código Florestal. E acentua que “claramente não é o código dos sonhos do setor produtivo, mas foi o possível e necessário para o agronegócio assumir o desafio de produzir mais alimentos e de maneira mais sustentável. Os próximos anos serão vitais para colocar a legislação em prática e trabalhar para a revisão dos excessos”.

“Talvez o Brasil seja o único, na Rio+20, que mais tenha feito a lição de casa emtermos de sustentabilidade. Se não, um dos mais”

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Foto: Divulgação Embrapa Algodão

Agro Lavoura/Sanidade

Infestação de curuquerê

Os inimigos do algodão

O controle das pragas e doenças representam os maiores custos de produção da cultura

O algodão é cultivado em todo o País, com área total de 1.401.004 de hectares e produção de 5.059.618 toneladas. O Brasil é o quinto maior produtor de algodão em pluma e detém o quarto maior parque produtivo de confecção do mundo. Em 2011, a cadeia produtiva do algodão mobilizou 30 mil empresas, responsáveis por 1,7 milhão de empregos diretos e indiretos. As exportações brasileiras de pluma, de US$ 548 bilhões, propiciaram um saldo na balança comercial nos dois primeiros meses do ano de US$,545 bilhões. Aqui, são cultivadas duas espécies. O her30

báceo Gossypium hirsutum L. var. latifolium Hutch, de ciclo anual, responsável por mais de 90% da produção nacional, plantado nas regiões Norte-Nordeste (Tocantins, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Bahia), Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás) e Sudeste (São Paulo, Paraná e Minas Gerais). E o algodoeiro arbóreo Gossypium hirsutum L. var. Marie-Galante Hutch, conhecido regionalmente como algodão mocó e cujo plantio é restrito a alguns Estados do Nordeste.

Pequenos e grandes A Região Nordeste foi grande produtora até meados de 1980, porém, com a introdução da praga conhecida por bicudo (Anthonomus grandis Boheman), o sistema de produção, que era frágil, sucumbiu e o algodoeiro deixou de ser cultivado na maioria dos municípios produtores. Atualmente, é cultivado por pequenos produtores em sistema agroecológico ou orgânico, colhido a mão, e tem mercado garantido, em razão da elevada qualidade de fibra e preço. É comercializado por empresas da Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco e


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Agro Lavoura/Sanidade

São Paulo, e exportado principalmente para a Europa. No Sudeste e Centro-Oeste, o sistema de produção caracteriza-se pelo uso intensivo de insumos modernos (fertilizantes, defensivos agrícolas, etc.), emprego de maquinários da semeadura à colheita, comercialização da pluma diretamente com as indústrias têxteis e de óleo, exigindo cultivares de alto rendimento de pluma e com características tecnológicas que atendam às exigências das indústrias do Brasil e dos mercados importadores da América Latina, Ásia e Europa. Pragas O controle de pragas do algodoeiro é um dos fatores que mais onera os custos de produção. Em muitas situações são registradas 12 a 16 pulverizações ou mais nas lavouras, o que corresponde a um consumo anual de cerca de 10 toneladas de inseticidas. No Brasil, estima-se que a fauna de artrópodes associada à cultura do algodão inclua 259 espécies, mas somente 12 de insetos e três de ácaros assumem o status de praga. Dentre as espécies de insetos, apenas o pulgão, Aphis gossypii Glover (Hemiptera: Aphididae); o bicudo, Anthomonus grandis Boheman (Coleoptera: Curculionidae), e o curuquerê, Alabama argillacea (Hübner) (Lepidoptera: Noctuidae), são pragas-chave, porque exigem a adoção de medidas de controle para contenção dos surtos populacionais. No Centro-Oeste, os percevejos castanhos, Scaptocoris castanea Perty e Atarsocoris brachiariae Becker (Heteroptera, Cydnidae), e a lagarta-das-

-maçãs, Heliothis virescens (Fabricius) (Lepidoptera: Noctuidae), que atacam respectivamente as raízes e as estruturas reprodutivas do algodoeiro, são também consideradas pragas-chave. As mudanças no sistema de cultivo, nas últimas décadas, têm acarretado o surgimento de outras pragas, como as lagartas do gênero Spodoptera. A Embrapa Algodão sugere a utilização do MIP (Manejo Integrado de Pragas), que consiste na utilização simultânea de diferentes estratégias de forma econômica e harmoniosa com o meio ambiente. Dentre estas, destacam-se: a amostragem de pragas e de seus inimigos naturais; a manipulação de cultivares; o controle biológico por parasitoides, predadores e patógenos; o controle cultural; o controle climático e o controle químico por meio de inseticidas e acaricidas seletivos. Manejo de doenças As doenças consideradas de maior importância são: mancha-de-ramulária, causada pelo fungo Ramularia areola (Atk.); ramulose, pelo fungo Colletotrichum gossypii South. var. cephalosporioides Costa; doença-azul, pelo vírus Cotton leafroll dwarf virus; mofo-branco, pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) de Bary; e meloidoginose, pelo nematoide Meloidogyne incognita (Kofoid & White) Chitwood. Mancha-de-ramulária: Considerada a principal enfermidade da cultura no Cerrado brasileiro, os sintomas iniciais são lesões de formato anguAgro Guia | Julho 2012

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Agro Lavoura/Sanidade

Ramulose: Os primeiros sintomas ocorrem nas folhas mais novas, na forma de manchas necróticas circulares ou alongadas. As principais fontes de transmissão são sementes infectadas e restos de culturas contaminados. O método mais eficaz para o seu manejo é a adoção de sistema de plantio direto, principalmente pela rotação de culturas. Na maioria das vezes, o controle químico a única medida adotada. Doença-azul ou mosaico-das-nervuras: Tem esse nome em razão dos sintomas acentuados nas folhas mais novas, de cor verde-escura a azulada. Para o agente causal desta virose foi proposta a nomenclatura Cotton leafroll dwarf virus, CLRDV. O vírus é transmitido pelo pulgão (Aphis gossypii Hemiptera: Aphididae). Algumas cultivares possuem alto nível de resistência a ambas as viroses, como DeltaOPAL, BRS 286, NuOpal, LDCV 03, LDCV 09 e LDCV 22. Outras cultivares praticamente imunes à doença-azul são sensíveis à virose “atípica”, como FMT 701 e FM 993. Por sua vez, cultivares mui32

to sensíveis à doença-azul podem ter um bom nível de resistência à virose “atípica”, como FM 966. Mofo-branco: Ataca, geralmente, áreas cultivadas com feijão nas safras anteriores, sob irrigação com pivô central. Tem surgido, também, em cultivos de sequeiro. Seu manejo é difícil, não existe cultivares resistentes e o controle químico nem sempre é eficaz. Mas devem ser adotadas integração de medidas, como controle biológico e químico durante a condução da lavoura, rotação de culturas com plantas não hospedeiras, além de outras práticas. Meloidoginose: O algodoeiro é atacado por várias espécies de nematóides. No Brasil, apenas três espécies causam danos, dentre as quais a principal é o nematóidedas-galhas Meloidogyne incógnita. O manejo se baseia no trinômio: rotação de culturas, cultivares resistentes e nematicidas. Texto elaborado a partir de trabalho exclusivo para o Agro Guia, realizado pelos pesquisadores Carlos Alberto Domingues da Silva, Francisco de Sousa Ramalho e Nelson Dias Suassuna, da Embrapa Algodão. Foto: Divulgação Embrapa Algodão

lar com coloração branco-azulada na face inferior das folhas mais velhas. O uso de maneira alternada de fungicidas é fundamental, mas não tem sido suficiente, o que reforçou a busca por cultivares tolerantes ou resistentes a essa doença. A Embrapa Algodão desenvolveu um conjunto de linhagens imunes à ramulária, com destaque para a CNPA GO 2007-419, CNPA GO 2007-423, CNPA BA 2007-3447 e CNPA BA 2007-3601.


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Apesar da necessidade em produzir mais alimentos, a taxa de crescimento da irrigação é considerada muito baixa? A agricultura é a atividade econômica que mais pode ser afetada pelas mudanças climáticas, mas o Brasil pode se ver como líder na busca por soluções. A demanda por alimentos é crescente e a irrigação tem grande possibilidade de expansão, pois apenas 5% das áreas são irrigadas, e, mesmo em tão pouco espaço, é responsável por 35% da produção nacional. A partir de agora, a produtividade apenas não basta, é preciso buscar a sustentabilidade de uma produção agrícola muito maior que a atual. O potencial brasileiro de hectares irrigáveis é de quase 30 milhões. Será necessário ampliar bastante as áreas irrigadas para alimentar a população. Estudos da FAO – Organização para a Alimentação e Agricultura da ONU - indicam que a produção agrícola mundial terá que crescer cerca de 60% para dar conta da demanda de alimentos da população mundial em 2050. Vale lembrar que hoje o agronegócio é responsável por 33% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, 42% das exportações totais e 37% dos empregos brasileiros. A taxa de crescimento de novas áreas irrigadas no Brasil não é compatível com o crescimento da demanda por alimentos. Algumas soluções apontadas pelo Minis-

tério da Integração Nacional visam aumentar o suprimento de água para irrigação, com medidas inovadoras de gestão dos sistemas, com a construção de novos reservatórios de acumulo de água e incorporação ao suprimento dos sistemas das águas de aquíferos subterrâneos e de esgoto (reuso). Ainda assim, será necessária a adoção de ações que aumentem a produtividade da água em áreas irrigadas, a criação e difusão de políticas de fomento, incentivos e certificações. Equacionar produção, recursos naturais e financeiros será o grande desafio para a sustentabilidade dos sistemas agropecuários brasileiros. Evolução do crescimento anual no período de 1970-2006 7

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(34) 3318.9000 | www.pivotvalley.com.br Agro Guia | Julho 2012

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Foto: Divulgação

Agro Artigo

*O autor é professor titular de planejamento e estratégia na FEA/USP, Campus Ribeirão Preto (SP), e coordenador científico do Markestrat.

Sem sustentabilidade econômica não existe sustentabilidade ambiental Por Marcos Fava Neves, especial para o Agro Guia 34

Terminou um dos grandes encontros das organizações mundiais, a conferência Rio + 20, com representantes de diversos países, chefes de Estado, organizações não-governamentais e empresas discutindo as questões de sustentabilidade. No geral, ficam os parabéns ao Brasil e, particularmente, ao Rio de Janeiro, pois o evento funcionou, transcorreu sem grandes sobressaltos, tirando uns poucos problemas até normais considerando o volume de culturas, de grupos exóticos, e as diferenças de interesses existentes. Ao contrário de muitos, houve avanços interessantes, principalmente porque foram plantadas iniciativas que trarão frutos, tanto por organizações privadas quanto públicas, cidades, estados e países. Estas iniciativas se materializaram através de convênios, parcerias, memorandos. E foram muitas. Também pessoas se conheceram e estabeleceram redes de contatos, que resultarão em muitas ações visando ao crescimento da sustentabilidade. Apesar de o documento final ter decepcionado


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Agro Artigo

alguns, por não conter metas quantitativas e alocações orçamentárias, vale ressaltar que sua própria existência mostra um consenso e que realmente existe a preocupação na sociedade em caminharmos para um modo mais sustentável de vida e de produção. Elaborar um documento com tantos povos e interesses é um grande desafio. Para dizer qual a mensagem principal que foi tirada da conferência é preciso resgatar um conceito. A sustentabilidade vem sendo tratada num tripé que envolve os três P’s, na língua inglesa. São as palavras profit (lucro) que é a dimensão econômica; people (pessoas), representando a dimensão da inclusão, principalmente; e planet (planeta), representando a preservação ambiental. Recentemente foi adicionadaa palavra proactiveness (proatividade), como uma quarta dimensão, para se ter mais dinamismo e menos discurso. A Rio + 20 deixa uma mensagem de racionalidade muito importante. Se os países ou as organizações privadas e públicas não acertarem o pilar da economia, que é o gerador de renda, os outros pilares, ambiental e de pessoas, que são mais de perfil distribuidor da renda gerada, não acontecerão na magnitude desejada. Ou seja, sem o pilar econômico, os outros caem por terra. No caso do Brasil, tem-se um evidente contraste, pois de um lado o mundo necessita e dá claros sinais para que o país produza muito mais alimentos e biocombustíveis para saciar a demanda crescente vinda da Ásia, abrindo uma grande oportunidade de negócios e de desenvolvimento ao Brasil. Mas outra parte, principalmente a que já usou seus recursos para promover

elevado grau de desenvolvimento, deseja que o País seja o grande pilar ambiental do planeta, uma imensa floresta, deixando de usar seus recursos para o necessário desenvolvimento social. Se for a economia lá e o ambiente aqui, é preciso ter uma grande compensação financeira. A mensagem é que é necessário ser mais racional e menos emotivo e influenciável em questões que coloquem limitações ao crescimento brasileiro, como as grandes restrições ambientais vindas do Código Florestal, as solicitações de demarcações de vastas extensões de terras para minorias, as restrições trabalhistas que se avolumam e outros tipos de restrições colocadas diariamente para quem produz. Esta é a principal ameaça ao desenvolvimento e expansão do agro, o grande gerador de renda do Brasil. Sem racionalidade e levado pela emoção das influências de fora e também de arcaicos grupos internos que pregam a obsolescência, o Brasil corre o risco de não gerar a renda adicional necessária e para promover a distribuição de renda, inclusão e desenvolvimento social e ambiental.

“Se for a economia lá e o ambiente aqui, é preciso ter uma grande compensação financeira.” Agro Guia | Julho 2012

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Financiando a safra 2013

A conclusão do semestre trouxe a divulgação do Plano Agrícola e Pecuário 2012/2013. O financiamento do produtor rural é uma tradição desde os anos 70 e ganhou o formato atual nos anos 90 e, mais recentemente, o aumento dos financiamentos para investimento. A fonte original de recursos foi o direcionamento para o financiamento agrícola a taxas controladas e abaixo do mercado de ¼ dos depósitos a vista nos bancos. Estes recursos receberam vários complementos, como fundos capitalizados por recursos fiscais, cooperativas, poupança rural, BNDES e outros. O crédito rural direcionado também recebe, atualmente, a complementação do financiamento com recursos livres, captados a taxas de mercado, mas cujo custo está se aproximando das taxas subsidiadas na medida em que o custo do dinheiro diminui no Brasil. Os recursos irão financiar o custo da safra a ser plantada a partir de outubro e colhida até meados de 2013. Algumas linhas financiam a aquisição de máquinas agrícolas e outros investimentos, enquanto outras financiam a estocagem da colheita até a comercialização posterior. A novidade foi mais uma redução das taxas. Os créditos mais representativos terão taxas fixas de 5,5% ao ano, uma redução importante em relação ao custo anterior de 6,75%. O financiamen36

to específico para o médio produtor possui taxas ainda menores, de apenas 5,0%, dirigidas para aqueles com renda bruta de até R$ 800 mil por ano. O total de recursos programados para a nova safra cresceu 7,5%, mas esta referência diz pouco, pois o importante é o montante realmente aplicado. O total desembolsado gira em torno de 90%, proporção que caiu este ano e permite ao crédito direcionado expandir acima de 7,5%, caso se aumente a proporção realmente aplicada do plano de safra em 2013. A agricultura como um todo se beneficia do aumento dos recursos e da queda das taxas, mesmo com o limite de R$ 800 mil por produtor para custeio e R$ 1,6 milhão para a estocagem. Este limite permite plantar 400 hectares de milho, ou mais, a depender do custo regional. Somente os produtores acima do porte médio precisam complementar seu financiamento com o crédito rural livre. O crédito rural direcionado cresceu de aproximadamente 35% do PIB agropecuário, em 2000, para mais de 40% após 2005 e passou a oscilar em torno de 50% depois de 2009. O crescimento dos depósitos a vista contribuiu com 5 pontos percentuais do PIB agropecuário e as demais fontes com os 10 pontos restantes, com destaque


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Informe Agro Econômico

para as linhas do BNDES para investimento em máquinas desde 2009. Apesar da maior oferta de crédito, a influência do clima predomina sobre cada safra. Algumas das maiores expansões vieram dos plantios realizados em 2000 e 2002, quando os montantes e o crescimento do crédito rural eram menores, enquanto o pico da expansão do crédito em 2009 coincidiu com a maior quebra de safra em uma década. Em ambos os casos, a expansão e a quebra se concentrou nas grandes lavouras de soja, milho e algodão, culturas empresariais (à exceção do milho) que utilizam maquinário e maiores extensões de terra. Estas culturas usam menos crédito direcionado, dado o limite por produtor, e mais capital próprio ou crédito rural livre bancário. Os recursos a taxas mais baixas vão de encontro às necessidades dos produtores que melhor se enquadram nos limites de crédito. As duas maiores quebras este ano foram justamente nas safras de arroz e feijão (-13% e -16), enquanto apenas a segunda safra de milho mostrou desempenho espetacular. A evolução climática deve ser mais favorável para a próxima safra. A primavera tende a trazer chuvas moderadas e temperaturas em elevação. Um verão potencialmente muito chuvoso coloca riscos, mas a falta de chuvas e temperaturas amenas em algumas regiões na última safra (como no Sul) não deve se repetir. O comportamento dos preços também tende a ser mais favorável. A principal cultura brasileira, a soja, desfruta de preços altos exatamente pela quebra da safra brasileira (e argentina). Outra cultura fundamental, o milho, registrou preços no mínimo justamente pelo sucesso da segunda safra. Porém, o preço internacional do

milho subiu fortemente desde o início de junho pela perspectiva que o clima excessivamente seco e quente atrapalhe a safra americana. Estas duas culturas são mais empresariais e sujeitas ao limite por produtor. Portanto, o complemento virá do crédito rural livre, o qual se tornou mais relevante após 2005 e passou por expressivo crescimento em 2009. O crédito rural livre representa hoje 2% do PIB agropecuário e possui ampla capacidade de expansão. A pecuária teve as suas linhas para aquisição de matrizes prorrogadas. O semestre correspondente à safra da pecuária registrou recuo expressivo de preço pelo fraco consumo doméstico e exportações voláteis diante de uma boa oferta. A entressafra traz a escassez de pastagens e animais terminados e o preço geralmente sobe. O aumento da atividade de confinamento na entressafra gera demanda por financiamentos, o que está fora do foco do plano de safra e, tipicamente, é atendido pelo crédito rural livre. O aumento dos recursos programados para a safra 2012/2013 cresce mais ou menos em linha com o PIB brasileiro, medido em reais, o qual deve se expandir em torno de 8% até meados do ano que vem contra 7,5% do plano de safra. O PIB agropecuário, até pela queda de 8,5% no primeiro trimestre, deve apresentar expansão bem superior ao PIB total. Portanto, o montante de recursos realmente aplicado deve crescer mais que o aumento dos recursos programados, assim como deve crescer o complemento do crédito rural livre. Para outros relatórios e informações acesse: www.bancooriginal.com.br economia@bancooriginal.com.br

Agro Guia | Julho 2012

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Informe Publicitário

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