Page 1

América se destaca no futebol de mesa do Rio de Janeiro 7

Foto: Rodrigo Martins

Tradicional clube dos gramados cariocas disputa a hegemonia do esporte com o Vasco da Gama

Novembro de 2013 | Ano 5 | Nº 17 Universidade Veiga de Almeida | Comunicação Social Curso de Jornalismo | Nota 4 no MEC

Carnaval carioca tem quatro escolas tijucanas Foto: Reprodução Foto: Rodrigo Martins

Obras dos piscinões alteram infraestrutura

Foto: Pedro Drago

Prefeitura constrói cinco reservatórios para melhorar p escoamento das águas de chuvas que causam transtornos para moradores e comerciantes 4

Em 2013, a Império da Tijuca leva o troféu do Grupo de Acesso e vai desfilar na elite do carnaval carioca no Sambódromo. A escola é quarta da Tijuca no Grupo Especial, junto com Vila Isabel, Unidos da Tijuca 3 e Salgueiro

Fé nas alturas Patrimônio Cultural da Cidade, Igreja de Santo Antônio de Lisboa faz parte do roteiro turístico do bairro de Vila

Foto: Rodrigo Martins

Escola de Circo volta ao seu local de origem Após dois anos longe do lugar onde foi consagrado como berço do circo nacional, a Escola Nacional retorna a Praça da Bandeira com nova estrutura para formação de artistas circences 2

Isabel

6

Alvo certo Aulas de tiro com arco no Club Municipal atraem diversos interessados pela prática do esporte 8 olímpico


2

Novembro de 2013 | Ano 5 | Número 17

Carta ao leitor Nesta edição do Esquina Grande Tijuca, a publicação abordará temas variados do bairro da Tijuca e adjacências. Para abrir esta edição, daremos destaque à Império da Tijuca, agremiação vencedora do Grupo de Acesso do carnaval carioca. Em relação à cultura, esta edição visitou as novas instalações da Escola Nacional de Circo, localizada na Praça da Bandeira. Vila Isabel também foi retratada. A Igreja de Santo Antônio de Lisboa e Bom Jesus do Monte, mais conhecida como capelinha, atrai fiéis de todo o Rio de Janeiro. A paróquia, um Patrimônio Cultural da Cidade, já se tornou um ponto turístico obrigatório do tradicional bairro. Na área de esportes, o Esquina visitou o tradicional América para conhecer uma modalidade esportiva de destaque do clube: o futebol de mesa. Além disso visitamos o Club Municipal, local onde é oferecido aulas de Tiro com Arco. O bairro de São Cristóvão não foi esquecido. Esta edição apresenta dois pontos turísticos do bairro: a Feira Nordestina e o Rio Zoo. E p a r a f i n a l i z a r, falaremos sobre as diversas intervenções de infraestrutura na região da Grande Tijuca.

Praça da Bandeira volta a ser o grande palco circense do Brasil Escola Nacional de Circo reinaugura com infraestrutura ampla, moderna e sofisticada Rodrigo Martins e Priscila Rodrigues

Famosa por ser palco de picadeiros no século XIX, e no início do século XX, a Praça da Bandeira volta a ser vitrine do “mundo circense” com a reinauguração da Escola Nacional de Circo. Após afastar-se três anos, por conta das obras do metrô, do local que foi fundada em 1982, a ENC voltou ao lugar de origem em dezembro de 2012 e conta agora com uma infraestrutura de primeiro mundo. para formação de artistas. De acordo com coordenador pedagógico da escola, Carlos Eugenio Leite, essa nova estrutura favorece o aprendizado e por isso se tornou um referência para os jovens artistas de todo o Brasil. “Dos 120 alunos que estudam aqui hoje, a maior parte não é do Rio. Até porque disponibilizamos uma quantidade de vagas para cada região do país com o intuito de distribuir melhor o acesso ao ensino no território nacional”, explica o coordenador que ainda adiantou que este ano haverá um aumento de seis para dez vagas oferecidas para cada região do país. Ele conta também que o valor total da bolsa é de R$ 20 mil e contribui

para que os artistas consigam manter-se estudando. Mas para fazer parte da Escola de Circo, que pertence a Fundação Nacional de Artes (Funarte), os alunos devem ser selecionados por meio de concurso público. E para fazer o curso técnico em arte circense, é preciso que os alunos tenham idade mínima de 14 anos e estejam cursando o ensino médio. A seleção dos alunos é rigorosa. Segundo a professora de trapézio aéreo e equilíbrio, Ângela Cericola, os candidatos que unem técnica e disciplina são escolhidos para participarem das audições. “Não adianta saber dar saltos ornamentais e não ter postura, afinal, eles irão representar a Escola”, explica Ângela. “Difícil mesmo são eles conseguirem terminar o curso. Muitos, quando a gente dá conta, já foram embora trabalhar no exterior”, brinca a professora. Foi o que aconteceu com Pedro Paulo Silva de Arruda, o Pepe, de 22 anos, que foi aprovado para o Ringling Bros, and Barnum & Bailey Circus, companhia tradicional dos Estados Unidos. Ele também se apresentou por um ano em

um resort na Turquia. “Cheguei aqui na ENC em 2008 e até hoje não consegui terminar o curso básico”. E ainda não vai ser dessa vez. Pepe já está de malas prontas para embarcar rumo ao Egito. “Cresci aqui dentro. Hoje vivo a realização de um sonho, que seria quase impossível conquistar sem a estrutura da escola”, comemora o acrobata natural de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. A Escola Nacional de Circo é famosa por revelar nomes importantes para o circo nacional como o ator Marcos Frota e os acrobatas Carlos Márcio, Júlia Parrot e Kátia Thompson, que fazem parte do tradicional Cirque du Soleil. E uma escola circense que se preze precisa se apresentar ao público. E é o que acontece com a ENC que abre suas portas para ao público duas vezes no ano. Em maio, comemorando seu aniversário, e em dezembro, para a formatura dos alunos. Além de ser uma oportunidade para os estudantes mostrarem seus conhecimentos é o momento para o público apreciar um verdadeiro show de arte e talento. E o melhor: totalmente gratuito.

Reportagens

AgênciaUVA

Aline Gonçalves, Bruna Azevedo,

Redação: Rua Ibituruna 108, Casa da

Chico Souza, Felipe Stefanon,

Comunicação, 2º andar. Tijuca, Rio de

Lucas Portacio, Rodrigo Pereira,

Janeiro - RJ 20271-020

Pedro Drago e Suzane Meratti

Telefone: 21 2574-8800 (ramais: 319 e 416) e-mail: agencia@uva.br

Jornal Laboratório Esquina Grande Tijuca | Novembro de 2013 | Ano 5 | Número 17

Edição

Oficina de Propaganda

Lucas Portacio e Rodrigo Pereira

e-mail: criativo@uva.br

Curso de Comunicação Social reconhecido

O Esquina Grande Tijuca é um produto da

Diagramação

pelo MEC em 07/07/99, parecer CES 694/99

Oficina de Jornalismo, em um trabalho

Lucas Portacio

Coordenador:

conjunto realizado junto à AgênciaUVA.

Tiragem: 1.000 exemplares Impressão: WalPrint

Projeto gráfico

Prof. Luís Carlos Bittencourt Coordenador de Publicidade:

Professor-orientador

Desenvolvido pela turma de Oficina de

Todos as edições estão disponíveis em

Prof. Oswaldo Senna

Érica Ribeiro

Jornalismo de 2013.1.

http://www.issuu.com/agenciauva.


Novembro de 2013 | Ano 5 | Número 17

3

Império da Tijuca: campeã do Grupo A de 2013 Escola homenageia às mulheres negras com “Negra, Pérola Mulher” Bruna Azevedo Foto: Chico Souza

“No morro vem rompendo o dia. Na escola também vem raiando o samba. A pastora amanhece cantando e a turma desperta, entoando, um hino de harmonia”. E como na marchinha de carnaval, a comunidade do Morro da Formiga, sede da G.R.E.S.E. Império da Tijuca, acorda feliz. Isso porque a escola é a grande campeã do grupo de acesso de 2013 e, no próximo ano, entrará na disputa pelo título com agremiações como Beija-Flor, e Salgueiro. Mas não pense que este fato intimida a escola, muito pelo contrário. É o que afirma o Presidente Antônio Marcos Teles, o Tê. “Estamos montando uma grande estrutura e certamente vamos brigar para ter uma boa colocação e nos manter no Grupo Especial”. E quem duvida deste fato?! Por esta razão, a escola apresentará a logomarca oficial do próximo carnaval e tem grandes expectativas para o espetáculo. Este ano, traz para a avenida o Baruk, um ritmo originado na África, que signifca tocar, bater. “Somos a primeira escola a desfilar no domingo e abriremos o carnaval de 2014 com este enredo muito forte e, com certeza, com um grande samba”, explica Tê. E de samba ele entende. Em 2013 a escola abordou o tema “Negra, Pérola Mulher”, do carnavalesco Junior

Pernambucano e, segundo Tê, foi o ponto alto da Império da Tijuca e, principalmente, uma forma de agraciar as mulheres negras em vários momentos da história de nosso país. “Tivemos um enorme prazer em homenageá-las por tudo que elas representam, por serem discriminadas e uma forma de falar também de Nossa Senhora Aparecida, uma santa milagrosa”. Devota de São Jorge e de Nossa Senhora, Cristina Teles, responsável pelas fantasias, relata sobre as dificuldades que passam para realizar o carnaval. “Não possuímos uma quadra que comporte a quantidade de pessoas que comparecem à nossa escola. Tentamos melhorar a estrutura mediante a ajuda da Prefeitura”. Porém, nem mesmo tais obstáculos acabam com sua fé e força. “O trabalho é árduo, mas é infinitamente prazeroso ver a minha escola entrando na avenida”. Quem compartilha da mesma opinião é Antônio Martins, mais conhecido como Mestre Capoeira. Ele é o comandante da bateria e acredita que quando se faz o que se gosta, o trabalho se torna mais satisfatório. “É sempre um prazer atuar com o que se ama. E a Império da Tijuca é uma escola que quando conhecemos nos apaixonamos. E essa vitória é um reflexo de nosso trabalho”. Foto: Chico Souza

Presidente Antônio Teles, o Tê, esbanja otimismo com futuro da escola

Fundada em 8 de dezembro de 1940, a agremiação ganhou seu primeiro campeonato em 64, com o enredo “O Esplendor do Rio de Janeiro Imperial”. E desde então, a Império da Tijuca é uma escola que coleciona diversos títulos como, por exemplo, o Estandarte de Ouro como o melhor samba enredo, em 2010, melhor escola do grupo de acesso, em 2011 e, em 2012, levou o título de melhor Mestre-Sala e Porta-Bandeira com o casal Peixinho e Jaçanã.

E no próximo carnaval a Império promete brilhar na Sapucaí. Superando as adversidades e contando com o apoio de toda a comunidade do Morro da Formiga. “Sempre soubemos que não seria fácil. Mas o amor que sentimos pela escola supera todas as dificuldades, além do desejo de criar um belo carnaval. Não existe sensação mais gratificante do que sacudir o povo na avenida. Este é o nosso objetivo”, afirma Tê.

Confira a classificação do Grupo A/2013 1 – Império da Tijuca 2 – Unidos do Viradouro 3 – Império Serrano 4 – Estácio de Sá 5 – Acadêmicos da Rocinha 6 – Caprichosos de Pilares 7 – Unidos de Padre Miguel 8 – Renascer de Jacarepaguá 9 – Unidos do Porto da Pedra 10 – Acadêmicos de Santa Cruz 11 – Acadêmicos do Cubango 12 – União Parque Curicica 13 – Paraíso do Tuiuti 14 – Alegria da Zona Sul 15 – União de Jacarepaguá 16 – Tradição 17 – Sereno de Campo Grande 18 – Unidos do Jacarezinho 19 – Unidos da Vila Santa Tereza Apenas a campeã garantiu acesso para o Grupo Especial. As três últimas colocadas foram rebaixadas para o Grupo B.

Instrumentos utilizados pela ala de bateria do Mestre Capoeira


4

Novembro de 2013 | Ano 5 | Número 17

Obras de infraestrutura pretendem acabar com as recorrentes enchentes na região da Tijuca A construção de cinco “piscinões” tem como objetivo escoar a água que normalmente causa alagamentos nos bairros da região Foto: Pedro Drago

Pedro Drago

Enfrentar problemas no trânsito na volta para a casa não é novidade para os tijucanos. Retenções, principalmente próximas a Praça da Bandeira são comuns. A novidade é que, hoje, muitos moradores estão satisfeitos ao se depararem com os transtornos que as obras causam para solucionar outro problema da região. Essas intervenções têm como objetivo a contenção de enchentes na Grande Tijuca. Desde o início do ano passado, as obras dos piscinões, como vêm sendo chamados os reservatórios de armazenamento de água para prevenir enchentes, movimentam áreas importantes da Tijuca. A mais importante delas é a Praça da Bandeira. Lá está sendo instalado um piscinão com capacidade para 19 mil metros cúbicos, que catalizará a água dos canais que transbordam quando há um grande volume de chuvas. O fluxo de água será automaticamente direcionado ao reservatório quando os rios ameaçarem transbordar e, quando o nível da chuva diminuir, a água será bombeada de volta aos rios. Pa r a q u e m m o r a n o entorno da Praça, o cenário da vizinhança onde vive mudou radicalmente, e alguns transtornos são motivos de reclamações como as da estudante, de 22 anos, Bruna dos Santos, que mora em um prédio em frente à praça há três anos. Ela reclama que desde que foi montado o canteiro da obra, tem que dar um desvio maior para chegar em casa, o que ela considera perigoso de noite. “Às vezes tenho que dar uma volta maior de noite, e me sinto insegura, mesmo sabendo

Praça da Bandeira sofre diversas intervenções para Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016

que a iluminação no local é boa”, afirma. Apesar de conviver com uma nova rotina, há um consenso sobre os benefícios causados pela intervenção entre quem está acostumado a passar pela região e que já sofreu com os problemas causados pelas enchentes que se tornaram frequentes no local. Marcus Vinícius Modesto, de 23 anos, lembra da última enchente que presenciou ao tentar chegar na faculdade onde estuda e projeta um futuro mais tranquilo. “Aquela última grande enchente, em janeiro de 2011, foi uma das piores coisas por que passei. Só de saber que essa obra vai impedir episódios como aquele já dá uma aliviada”, comenta. Além da obra na Praça da Bandeira, outros quatro piscinões estão sendo construídos em diversas regiões da Grande Tijuca e do Rio Joana, próximo à Radial Oeste. O objetivo é criar um túnel que desemboque na Baía de Guanabara. As obras foram orçadas em R$ 292 milhões e a previsão da Prefeitura é que as obras dos cinco piscinões e

do desvio do Rio Joana fiquem prontas até meados de 2014.

Obra fecha praça recém reformada

As obras de contenção deixarão o bairro sem três praças por pelo menos um ano. Além da Praça da Bandeira, a prefeitura fechou em março a Praça Niterói, na Avenida Professor Manoel de Abreu e a Praça Varnhagem, ao lado da Avenida Maracanã. As áreas de lazer estão sendo usadas como canteiros de obras da construção de dois dos reservatórios. O piscinão da Praça Niterói terá 25 metros de profundidade e capacidade para 75 milhões de litros d’água. Para a construção do mesmo, diversas árvores tiveram que ser removidas. Mas há a promessa da Prefeitura que as áreas serão entregues reurbanizadas. Contudo, moradores e passantes se dividem entre o benefício das intervenções e os transtornos causados. Alguns reclamam do fechamento simultâneo das duas praças, outros questionam

o fechamento da Praça Niterói, que foi reformada em julho de 2011 por cerca de R$ 200 mil. Rosemery Martins, de 50 anos, que trabalha cuidando de crianças em uma casa de família próxima a área de lazer, reclama das obras: “Essa obra atrapalhou muito quem, assim como eu, usava a Praça para o lazer. As obras são recentes e eles resolvem, sem avisar muito antes, derrubar tudo. A gente entende que é para um bem maior, mas acho que deveria ter um planejamento melhor”, diz Rosemery Martins. A decisão de construir o reservatório na Praça Niterói foi tomada no fim de 2012, devido dificuldades encontradas para a desapropriação do estacionamento de um supermercado no Boulevard 28 de Setembro, local onde originalmente seria construído o piscinão. A Secretaria de Obras argumenta que o valor pedido pela empresa teria sido R$ 20 milhões, 100 vezes mais que os R$ 200 mil gastos na reforma da Praça e que foi considerado alto demais pelo poder público.


Novembro de 2013 | Ano 5 | Número 17

5

Zoológico do Rio é opção de lazer para cariocas Foto: Chico Souza

Suzane Meratti

Encravado no bairro de São Cristóvão, o Jardim Zoológico do Rio de Janeiro é uma ótima opção de lazer na Zona Norte da Cidade. A paisagem, as dezenas de espécies de animais e o contato com a natureza chamam a atenção das pessoas que frequentam o parque. Mariana Figueiredo é uma delas. Ela levou o seu sobrinho, Pablo, para passear no zoológico pela primeira vez. “Acho importante esse contato com os animais. Temos que usufruir da beleza do lugar e explorar todos os espaços”, disse, informando que o sobrinho adorou o passeio e, por isso, pretende visitar o lugar mais vezes. Mariana não é a única que pensa assim. O Rio Zoo, inaugurado em 18 de março de 1945 na Quinta da Boa Vista, pelo então presidente Getúlio

no país. São cerca de 400 espécies, muitas ameaçadas de extinção como a arara azul, o jacaré de papo amarelo, o urubu rei, o lobo guará e micoleão-dourado.

Informações

Atração do Zoológico, o macaco-prego faz a diversão do público

Vargas, recebe cerca de 70 mil visitantes por mês e conta com 2.100 animais. O zoológico, desde a sua fundação, sempre foi uma boa opção de lazer, principalmente para as crianças que costumam se divertir com os animais, como a filha de Ana Paula Martins, Isabelle, que se diverte no Zoo. Ana Paula acredita que o passeio vale muito a pena por causa da interação com os bichos.

“A exposição dos animais é importante para que possamos admirá-los e despertar nas crianças a compreensão de manter seu habitat natural”. Este contato, mesmo que restrito ao recinto dos animais, constitui, portanto, uma das principais formas de entretenimento do Jardim Zoológico, que se destaca pela maior coleção de primatas brasileiros e aves expostas

O Zoológico fica no Parque da Quinta da Boa Vista, São Cristóvão. Fu n c i o n a d e t e r ç a a domingo, das 9h às 16h30. O ingresso custa 6 reais. Estudantes, idosos a partir de 60 anos e crianças até 12 anos pagam meia. Há ainda gratuidade para crianças de até 1 metro, pessoas com deficiência com direito a um acompanhante, guardas municipais do Rio, policiais e escolas da rede municipal do Rio de Janeiro.

Centro Municipal de Tradições Nordestinas é destino obrigatório para moradores do Rio Foto: Aline Gonçalves

Aline Gonçalves

“Hoje longe muitas léguas, numa triste solidão. Espero a chuva cair de novo para eu voltar pro meu sertão”. O verso do Rei do Baião, o saudoso Luiz Gonzaga, resume o sentimento de muitos migrantes nordestinos que hoje vivem no Rio de Janeiro, mas sonham em voltar um dia para sua terra natal. Só que na metrópole do sudeste há um “cantinho” onde esta saudade pode ser reduzida. Trata-se do Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, mais conhecido como Feira de São Cristóvão. O local reúne milhares de pessoas todas as semanas, que usufruem de comidas e bebidas típicas, artesanato, além da musicalidade local. As batalhas de repentistas, por exemplo, dá aos visitantes uma mostra de toda a riqueza

cobertura, o que afugentava um pouco as pessoas quando estava chovendo”, lembra o vendedor de redes que veio do estado da Paraíba.

Saiba Mais

Palco principal do Centro de Tradições Nordestinas é um dos atrativos

cultural da região Nordeste. No pavilhão, o visitante encontra quase de tudo nas quase 700 barracas organizadas em formato de quarteirão. “A feira é o nordeste fora de casa, e o que mais atrai as pessoas é essa vasta cultura representada mais pela dança e pelas comidas”, conta o cearense Márcio da Costa, que trabalha no local há dez anos. No ano de 2003, o antigo pavilhão foi reformado pela

Prefeitura do Rio e ganhou um formato de chapéu. Este novo modelo proporcionou o resgate da cultura nordestina e aumentou o número de turistas de todas as partes do Brasil e do mundo. Homero Rodrigues é um dos que ajudam a manter a tradição nordestina na cidade, já que trabalha no Centro de Tradições desde 1968, e ressalta a melhoria na estrutura do local. “A feira era lá fora não tinha

A Feira de São Cristóvão fica localizada no próprio bairro, local de fácil acesso, com estacionamento para 800 veículos. O reduto funciona como ímã para mais de trezentas mil pessoas todo mês.

Informações

Campo de São Cristóvão, de terça a quintafeira, das 10h às 18h, e aos fins de semana, das 10h de sexta às 21h de domingo, sem interrupção. Para mais informações: 2580-5335.


6

Novembro de 2013 | Ano 5 | Número 17

Fé alcança o céu no bairro de Vila Isabel Igreja do bairro foi construída no topo do morro de Santo Antônio Foto: Victor Brasil

Rodrigo Martins

Conhecido por ser um dos berços do samba carioca, o bairro de Vila Isabel também chama atenção pela quantidade de bens tombados pelo Patrimônio Cultural da Cidade, como por exemplo, o conjunto arquitetônico da antiga Companhia de Fiação Confiança, o antigo Jardim Zoológico e o Convento de Nossa Senhora da Conceição da Ajuda. Só que além desses monumentos há uma atração que se destaca no cenário da região, trata-se da Igreja de Santo Antônio de Lisboa e Bom Jesus do Monte.

Tombada pela Lei N.º 2.650 de 3 de junho de 1998 do vereador Paulo Cerri, a Igreja, inaugurada em 1902 pela paróquia portuguesa de Vila Isabel, foi construída a 71 metros de altitude, em um morro da região. E, por isso, para se ter acesso ao local é preciso que o visitante suba a escadaria construída na Rua Teodoro da Silva, ao lado do Shopping Iguatemi. Mas encarar as escadas vale a pena, já que o lugar tem uma das vistas mais privilegiadas da Grande Tijuca. Foto: Victor Brasil

Vista do Morro de Santo Antônio é mais um atrativo da “capelinha”

Igreja centenária é um dos cartões postais da famosa Vila Isabel

A cada ano, no dia 13 de junho, há a festa de aniversário da paróquia, que atrai dezenas de fiéis, lotando a pequena praça em frente da igreja. A moradora do bairro, Wanda Nunes, de 80 anos, conta que sempre que há festividades na “capelinha”, como também é conhecido o local, os moradores e visitantes não arredam o pé do lugar. ”Faz dois anos que não vou à capela, mas sempre que ia em alguma cerimônia, só ia

embora depois que o padre liberava. Ficava o dia inteiro lá”, disse a senhora, que devido ao estado atual de saúde, não tem ido ao local. A Igreja de Santo Antônio de Lisboa e Bom Jesus do Monte, abre suas portas somente aos domingos e em datas especiais. O Pároco da Capela é o Padre Waltemario, que também celebra missas na Basílica Nossa Senhora de Lourdes, outro bem tombado em Visa Isabel como Patrimônio da Cidade.

América se moderniza mantendo a tradição Reformas no teatro e no salão nobre ajudam as finanças do clube Foto: Divulgação

Felipe Stefanon

O tradicional clube do América realizou recentemente reformas em suas instalações no qual ocorrem eventos que o ajudam a estabilizar sua situação financeira. O teatro, por exemplo, que é considerado um dos maiores da cidade, e o salão nobre, foram suas principais mudanças. Segundo Ronaldo Souto, supervisor geral da sede, as reformas são de extrema importância e valor para a cidade. “Além do cunho cultural, esses espaços servem hoje como agregadores de valor financeiro para o clube. É através da locação dos dois que conseguimos respirar financeiramente”. O América investe também nos esportes amadores, como o futebol de 7, beach soccer, futebol de

mesa, entre outros. Além de contar com um time feminino de futebol de campo. Há seis meses no clube, Pedro Werneck, 17 anos, praticante de beach soccer, diz que jogar significa um grande sonho realizado. “O América tem uma grande história no futebol. É uma alegria muito grande estar aqui e espero que possa dar muitas alegrias com o meu rendimento”. O futebol de campo, que sempre foi o grande chamariz do América, passa por grandes problemas. O time encontrase na segunda divisão do campeonato carioca, mas acredita que com um novo elenco, poderá voltar à elite do futebol do Rio. Jorge Fernandes, de 53 anos, torcedor do clube desde criança, afirma que

Instalações foram recentemente reformadas na sede do América F.C.

nunca irá abandonar o time. “Acho uma grande injustiça o América ficar no lugar onde está atualmente. Como americano, torço para ele voltar logo para a série A do futebol carioca. Além do que, todos temos um pouco de América no coração”. Para os interessados em fazer parte do quadro social

do América, basta preencher um relatório encontrado no site oficial do clube. Os preços variam de R$100 a R$900 , além de uma taxa de mensalidade. Os benefícios para sócios são duas piscinas olímpicas, quadra de areia, ginásio poliesportivo, churrasqueiras e uma sala para jogos de carteado.


7

Novembro de 2013 | Ano 5 | Número 17

Hei de torcer, campeões com a pelota nas mãos Futebol de mesa resgata tradição esportiva no América Football Club Lucas Portacio

As pessoas jogam pelo prazer de competir. Este é o sentimento compartilhado pelos atletas do futebol de mesa. Conhecido na infância de muitos como jogo de botão, o esporte possui um departamento próprio no América Football Club. No espaço cedido pelo alvirrubro da Tijuca, cerca de 50 jogadores treinam em um espaço que cumpre todas as exigências da federação fluminense desta modalidade. Nos primeiros anos, o esporte sofreu com um certo preconceito no clube, porém, o respeito e o elogio surgiu por meio dos resultados positivos obtidos pela equipe alvirrubra. Em onze campeonatos estaduais da modalidade bola 12 toques, o América conquistou cinco torneios por equipes no Rio de Janeiro. Outro clube carioca que conseguiu o mesmo número de campeonatos foi o Vasco da Gama. De acordo com o Rodolfo Castelo Branco, ex-atleta do América e atual jogador da equipe cruz-maltina, este é o grande clássico do futebol de mesa. “Com certeza, a principal rivalidade no futebol de mesa é América e Vasco, pois cada time já conquistou cinco campeonatos estaduais”.

Foto: Rodrigo Martins

Apesar do crescimento do esporte, os praticantes ainda encontram dificuldades em conseguir patrocínios para profissionalizar o futebol de mesa. No clube da Rua Campo Salles, a sala de futebol de mesa foi construída pelos próprios praticantes da modalidade esportiva. Desde 2004, o espaço abriga competidores que treinam em seis mesas, sendo três para a categoria dadinho e o mesmo número para a bola 12 toques.

Bola 12 Toques é uma das categorias disputadas pelo América F. C.

A principal rivalidade no futebol de mesa é América e Vasco, pois cada time já conquistou cinco campeonatos estaduais Rodolfo Castelo Branco

Para o diretor de futebol de mesa do América, Milton Pedreira, o esporte já chegou ao ápice do amadorismo. “Os Foto: Rodrigo Martins

campeonatos são realizados por pessoas que se dedicam na organização. Tudo isso de forma amadora. Acredito que atingimos o nosso patamar como amador. Daqui pra frente, se não existir um apoio de alguma forma, o esporte não irá se desenvolver mais”. As dificuldades na profissionalização do esporte podem ser muitas, porém a facilidade de formar novos atletas é um passo importante no futebol de mesa. A prática desta atividade não requer um grande preparo físico, possibilitando a acessibilidade de atletas cadeirantes e deficientes auditivos. Além disso, um laudo médico da federação do Rio de Janeiro aponta que a modalidade esportiva ajuda desenvolver a sintonia fina dos praticantes. Este esporte de precisão contém diversas modalidades

disputadas pelo Brasil. O América compete em duas categorias: bola 12 toque e dadinho. Existem várias diferenças entre os dois estilos, como o tamanho da trave, as regras e o formato da bola. Na modalidade dadinho, o clube alvirrubro foi o primeiro campeão brasileiro no ano de 2009. Segundo Milton Pedreira, o clube tijucano é a principal referência carioca no esporte. “Em termos de futebol de mesa, o América é o top. No campeonato individual adulto, conquistamos os últimos quatro da modalidade bola 12 toques. Desde o início foram onze torneios cariocas, ganhamos oito títulos. Nos dois últimos anos, a equipe também foi vice-campeã brasileira de Dadinho”.

Campeões Estaduais por Equipes Modalidade 12 Toques 2002 América FootBall Club 2003 Clube de Regatas Vasco da Gama 2004 América FootBall Club 2005 América FootBall Club 2006 Clube de Regatas Vasco da Gama 2007 Clube de Regatas Vasco da Gama 2008 Clube de Regatas Vasco da Gama 2009 Clube de Regatas Vasco da Gama 2010 América FootBall Club 2011 América FootBall Club 2012 Ginástico Desportivo Mascote do América brilha nas quadras adversárias no Rio de Janeiro


8

Novembro de 2013 | Ano 5 | Número 17

Tiro com arco atrai praticantes no Club Municipal Retratada pelos longa-metragens de história, a modalidade esportiva lota aulas oferecidas pelo clube da Rua Haddock Lobo Fotos: Lucas Portacio

Lucas Portacio

Cada arqueiro é um arqueiro, todo aluno tem seu tempo para aprender a a t i r a r. I s t o é o q u e acredita o instrutor de tiro com arco Wilson Jorge, 82 anos, conhecido com senhor Wilson. No Club Municipal, a modalidade é oferecida aos seus sócios como mais uma opção de esporte e lazer. Além dos associados, alguns atletas profissionais treinam no clube para disputar torneios estaduais, nacionais e internacionais.

O tiro com arco cura a lordose e, também, é ótimo para melhorar a coordenação motora Wilson Jorge

Na região metropolitana do Rio de Janeiro, o esporte possui quatro centros de treinamentos: no Clube Ginásio Português,

Barra da Tijuca; na Assossiação Atlética Portuguesa, Ilha do Governador; no Centro de Treinamento de Tiro com Arco, Macaé; e no Club Municipal, Tijuca. Na última agremiação citada, os atletas profissionais também utilizam um campo em Deodoro para aprimorar tiros de longa distância. No clube tijucano já treinaram atletas históricos em seu estande de tiro, como Arcy Kempner. A arqueira foi a primeira atleta brasileira a participar das Olímpiadas na modalidade. Ela também foi a pioneira em medalhas nos Jogos Pan-Americanos, bronze em San Juan – 1979. Lecionando há mais de 30 anos no Club Municipal, senhor Wilson foi aluno junto com a medalhista panamericana. Em 60 anos de sócio na agremiação, ele pratica o esporte há 49 anos. Atualmente, o Club Municipal possui 38 pessoas inscritas no esporte. O senhor Wilson comenta que vários de seus alunos disputam em torneios pelo país. “Hoje em dia, oito estão competindo. Porém, muita gente sai, como uma menina que foi campeã

Estudante prepara o arco para acertar a primeira distância do estande

Alunos em posição de tiro no Club Municipal, localizado na Tijuca

brasileira, a Claudia Pasqualini. Eu mesmo incentivo pois ela morava longe e existem outros centros de treinamentos em nossa cidade”. Além da questão esportiva, a modalidade também é uma ótima atividade para curar males físicos e mentais. “O tiro com arco cura a lordose e, também, é ótimo para melhorar a coordenação motora. Além de ser uma excelente higiene mental. Quando você começa a atirar, esquece de todas as coisas fora do estande”, explica o instrutor de 81 anos que ainda pratica o esporte. No Club Municipal, as aulas de tiro com arco são realizadas nas segundas, quartas e sexta-feiras, das 9h às 12h e de 18h às 20h. Outra opção da modalidade é o Kyudo, o arco e flecha

japônes, praticado nas terças e quintas, das 19h às 21h. O instrutor explica que a principal diferença é o tamanho do arco. Na versão oriental, a peça tem três metros de comprimento, perdendo a velocidade no tiro. Apesar da pouca popularidade do esporte no Brasil, as aulas no Club Municipal estão sempre lotadas. A tijucana Priscila Rodrigues explica o motivo para a escolha da modalidade. “Foi por interesse próprio, você assiste muito nos filmes. Quando descobri que tinha perto de casa, resolvi me inscrever. O tiro com arco é ótimo para desestressar. Precisa de muita concentração para atirar ”, comenta a estudante de Relações Internacionais.

Kyudo – Tiro com Arco Japonês Terça Quinta

Noite 19h às 21h 19h às 21h

Tiro com Arco Segunda Quarta Sexta

Tarde/Noite 18h às 20h 18h às 20h 18h às 20h

Manhã 9h às 12h 9h às 12h 9h às 12h

Esquina Grande Tijuca n° 17  

Novembro de 2013. Ano 5, número 17.

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you