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Estação Uruguai será a mais moderna da cidade Com previsão de conclusão para 2013, terminal terá tecnologia avançada para maior conforto

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Foto: Lara Goulart

Maio de 2012

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Ano 4 | Nº 15

Universidade Veiga de Almeida | Comunicação Social Curso de Jornalismo | Nota 4 no MEC

Simples vencedor

Foto Lara Goulart

Mesmo com a modernização em boa parte da Grande Tijuca, é possível encontrar lojas tradicionais, como a Pharmácia Granado e o Café Palheta, que, ao contrário dos cinemas, sobreviveram aos 8 novos tempos

A rotina dos exercícios ao ar livre na Tijuca

Foto: Fernanda Paschoal

Foto: Sara Vilela

Tradição sobrevive na Saens Peña

Conheça Carlos Henrique Marques, trabalhador mais antigo da Rua das Flores, uma das mais tradicionais da 7 região

Novo rumo para terceira idade Programa da UVA incentiva idosos e promove 2 aulas em busca da longevidade Região oferece várias opções para a realização de atividades físicas. Idosos e jovens são os 5 que mais aproveitam os espaços

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Projeto presta serviço no Borel Alunos de Direito da Universidade Veiga de Almeida 3 oferecem auxílio jurídico gratuito aos moradores

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Maio de 2012 | Ano 4 | Número 15

Carta ao Leitor Esta edição do Esquina Grande Tijuca traz a você, leitor, tudo aquilo que representa o local nos dias de hoje: um novo reduto do samba, obras de modernização e melhorias em diversos lugares, além dos já conhecidos pontos tradicionais do bairro, como a Rua das Flores, a P r a ç a Va r n h a g e n e Café Palheta. O jornal também vai explorar temas como responsabilidade social, educação e assuntos atuais de interesse público, referentes às ações do governo, como o choque de ordem e a UPP. Aproveite mais essa oportunidade de saber e conhecer tudo o que acontece na região, com o prazer que o Esquina Grande Tijuca pode proporcionar.

Envelhecimento mais saudável UVA aposta em ações de integração para o público sênior Isabela Vidal

Terceira idade não é mais sinônimo de doença, indisposição e limitação. Mas, para isso é preciso garantir uma velhice saudável, cuidando do corpo e da mente com antecedência. Para estimular esse processo, a Universidade Veiga de Almeida desenvolve uma ação chamada Universidade Aberta à Terceira Idade ( U N AT I ) p r o j e t o s d e extensão cultural para idoso. Lá, os participantes realizam atividades semanais, como Yoga, aulas de canto e oficina de dança e participam de palestras voltadas para saúde e cidadania, o que ajuda a abrir as portas para uma vida mais sadia. Criado em 1991, o projeto voltado para a melhor idade, que não existe somente no Rio de Janeiro,

como também no exterior, vem trabalhando com o caráter preventivo. O professor Dimas Silveira, orientador e fundador do curso e autor do livro “Amor e vivência na terceira idade”, esclarece que pode participar do grupo quem já passou dos 50 anos. Esse período não significa o início da velhice, mas é preciso aprender desde já formas de alcançar a longevidade. “Quando se tem essa ideia, é possível aproveitar a terceira etapa da vida da forma que ela merece”, garante Silveira. Um exemplo de quem se preocupa com a saúde física e mental é Leda Lyra, 90 anos. Participante do grupo desde que começou, ela diz que fez amizades por conta da vivência que encontra ali. “Passei por uma fase ruim na minha vida e estar aqui com minhas amigas me ajudou a superar. Isso aqui é

muito bom!”. Maria Dalva Delcastro, 74 anos, que entrou com Leda no projeto, também encontrou no elo que existe entre os colegas uma ajuda para aliviar a dor da perda do marido. “Estar aqui me deu forças e muito apoio”, relata a viúva. Dessa forma, a ação vem cumprindo com seus principais objetivos, que são o resgate da identidade cidadã do idoso, a ampliação dos seus horizontes, a autoestima e o seu retorno aos bancos escolares. Foi- se o tempo em que velhice era para ser o tempo da espera da morte. Atualmente, o idoso pode se ver como um jovem há mais tempo e não mais como um ser descartável, velho. Projetos como esse garantem que envelhecer com saúde e dignidade é possível.

Boa leitura!

Foto: Isabela Vidal

Quer ler mais?

As aulas de canto promovem uma maior integração entre os participantes da ação desenvolvida pela UVA

Curso de Comunicação Social reconhecido

Reportagens

AgênciaUVA

pelo MEC em 07/07/99, parecer CES 694/99

Fernanda Paschoal, Fernanda Spiaggia,

Redação: Rua Ibituruna 108, Casa da

Isabela Vidal, Henrique Araujo, Lara

Comunicação, 2º andar. Tijuca, Rio de

Goulart, Sarah Vilela

Janeiro - RJ 20271-020

Coordenador: Prof. Luís Carlos Bittencourt

Telefone: 21 2574-8800 (ramais: 319 e 416)

Coordenador de Publicidade:

Edição

Site: www.agenciauva.com.br

Prof. Oswaldo Senna

Leandro Lainetti

e-mail: agencia@uva.br

O Esquina Grande Tijuca é um produto da

Diagramação

Oficina de Jornalismo, em um trabalho

Frederico Menna

Oficina de Propaganda

conjunto realizado junto à AgênciaUVA. UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA Jornal Laboratório Esquina Grande Tijuca Maio de 2012 | Ano 4 | Número 15

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e-mail: criativo@uva.br Tiragem

Projeto gráfico

1.000 exemplares

Professor-orientador

Desenvolvido pela turma de Oficina de

Todos as edições estão disponíveis no

Érica Ribeiro

Jornalismo de 2009.1.

site da AgênciaUVA

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Maio de 2012 | Ano 4 | Número 15

UVA realiza projeto social no Morro do Borel Comunidade recebe ajuda jurídica em parceria da universidade com a UPP Henrique Araujo

Um dos locais mais violentos da Grande Tijuca, marcado pelas guerras promovidas pelo tráfico, a Comunidade do Morro do Borel foi contemplada com uma UPP em 2010. Hoje, ela recebe alguns trabalhos sociais, como o Núcleo de Prática Jurídica (NPJ) da

Universidade Veiga de Almeida. O projeto leva alunos da universidade para prestar consultoria jurídica gratuita aos moradores. Um dos coordenadores, o professor Sergio Nogueira, comenta que os alunos são sempre muito bem recebidos Foto: Divulgação

Alunos de Direito da Universidade Veiga de Almeida visitam a UPP do Borel

pelos moradores da comunidade e que o retorno é gratificante. “Na última visita foram 30 alunos, que atenderam dez famílias”. Ele enfatiza que o atual clima de tranquilidade do Borel facilita a entrada de projetos sociais como esse. Para a aluna Tatiana Coscareli, do 7º período do curso de Direito, esse é um projeto muito válido. “É uma oportunidade maravilhosa. Além de estarmos aprendendo na prática, também estamos ajudando quem precisa e não pode pagar”. Nogueira acredita que o projeto é essencial na formação dos estudantes. “É com atividades assim que a UVA busca preparar seus

Os estudantes têm bons exemplos... Isso acrescenta não só na formação profissional Sérgio Nogueira

alunos. Os estudantes têm bons exemplos para observar e aprender. E isso acrescenta não só na formação profissional, como também na pessoal”, conclui.

Grande Tijuca é referência na educação pública Fernanda Paschoal

Depois de anos de sucateamento, as escolas municipais da cidade têm elevado suas médias no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Em 2005, elas alcançaram 4,5, já no ano de 2011, esse número subiu para 5,1. O Rio inteiro comemora, mas os tijucanos têm um motivo especial. Após atingirem metas que ultrapassam as estabelecidas pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), pontuação de 6,0, os colégios da Grande Tijuca mostram que também são a força do ensino pela redondeza, e não somente as escolas técnicas e federais,

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Escola Municipal que são vistas como referências. Anteriormente, essas escolas não se enquadravam no que se dizia respeito ao aprendizado, mas devido aos diversos programas e projetos implantados pela Secretaria de Educação, esse quadro está mudando. O programa de meritocracia, por exemplo, que premia as melhores instituições e professores com o 14º salário, tem sido uma grande motivação. Para pais e alunos, o estímulo vem por meio de projetos sociais, como bolsa-família. A pedagoga Urssula Nogueira acredita que esse bom resultado está atrelado à maior participação dos responsáveis na vida escolar das crianças. Para ela,

Média

Bairro

Barão Homem de Mello

6.8

Vila Isabel

Friedenreich

6.2

Maracanã

Azevedo Sodré

6.1

Praça da Bandeira

Afonso Penna

6.1

Tijuca

Menezes Vieira

5,9

Alto da Boa Vista

Benedito Ottoni

5,7

Praça da Bandeira

Francisco Cabrita

5,0

Tijuca

essa presença só se fez mais forte por meio de projetos que cancelam os benefícios oferecidos caso não haja a interação dos pais. “Antes desses projetos, a presença deles na escola era

inimaginável”, afirma a pedagoga. Seja qual for o motivo, a realidade é que hoje a Tijuca pode ser comtemplada com uma educação pública de excelente qualidade.

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Pelo fim dos alagamentos, começam as obras Bairro da Grande Tijuca é o primeiro a receber reformas para controle de enchentes Fernanda Spiaggia

vamos ter galerias e um túnel de escoamento das águas até a Baía de Guanabara”, garante. A capacidade total dos quatro reservatórios atingirá uma marca de aproximadamente 280 mil metros cúbicos. Quando começarem as chuvas, os

reservatórios irão acumular a água e, com isso, impedirão o transbordamento dos rios e o alagamento dos bairros. O projeto custará, aproximadamente, 161 milhões de reais, e o prazo da obra está estimado em dois anos e meio. A expectativa da Foto: Fernanda Spiaggia

A Praça da Bandeira é uma área em que os alagamentos são comuns. Não é de agora que a cidade assiste aos rios da região transbordarem. Essas enchentes causam prejuízos aos comerciantes, transtornos ao meio ambiente, trânsito e até mortes. Mas o ano de 2012 começou com novidade para os moradores. As obras para acabar com o problema já começaram. O projeto é simples. No local, será colocado um reservatório com capacidade para receber 18 mil metros cúbicos de água. De acordo com o engenheiro responsável pela obra, Paulo Oliveira, há um planejamento para a construção de mais três reservatórios semelhantes nos bairros da Tijuca, Vila Isabel e Grajaú. E não para por aí. “Também

Praça da Bandeira vira canteiro de obras para solucionar problemas antigos

prefeitura é que o escoamento dos rios resolva os históricos alagamentos em vias da Grande Tijuca. Para Daniel Guedes, um dos engenheiros da obra, é uma boa oportunidade para mostrar que o problema tem solução. “São obras de dois anos e meio, no máximo, mas esse caos não vai durar a vida inteira, esse sempre foi um problema tratado como insolúvel para a cidade, vamos provar que tem solução sim”. As promessas feitas são aguardadas com muita ansiedade pelos moradores. O advogado Wilson Pereira, 88 anos, vive há 50 no local e ainda tem um escritório no bairro. “Eu devo ser o morador mais velho daqui, por isso posso afirmar que quero estar vivo para ver o dia em que a Praça da Bandeira não vai mais alagar”, afirmou.

Mais uma estação de metrô para a Tijuca Isabela Vidal

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em um túnel já existente. “O maquinário era muito grande e não cabia lá dentro, tivemos que ter muito cuidado durante todo o processo para não danificar

a natureza. Isso se tornou uma regra e não opção”, explica Carlos Falcão, engenheiro responsável do Metrô Rio na obra. Foto: Lara Goulart

Próxima estação, Uruguai. A partir de 2013, os moradores da Tijuca contarão com mais uma estação de metrô, totalmente modernizada, que estará entre as esquinas das ruas Itacuruçá e Conde de Bonfim. A região já dispõe de três áreas de embarque e desembarque, mas devido ao alto número de usuários do transporte, o Metrô Rio decidiu construir mais uma para atender às necessidades da população. Mas os tijcuanos não precisam se apavorar com longas interdições nas ruas, pois mais nenhuma será feita. Todos os cuidados serão tomados durante a obra com o objetivo de disponibilizar um serviço de qualidade para o público. A partir da ideia principal de não agredir o meio ambiente, as escavações foram feitas com muito rigor. Tal precaução foi tomada também na difícil missão de construir a estação

Em breve, os tijucanos terão mais conforto e nova estação para usufruir

Certificada pelos padrões de qualidade como o ISO 9001 e ISO 14001, a estação Uruguai também passou com sucesso pelo grande desafio de usar estacas-prancha à vibração, que contribuem para que não haja excesso de barulho, o que poderia vir a incomodar os moradores. Tamanho zelo promete trazer benefícios para população, meio ambiente, comércio e para o segmento imobiliário. Neste último, é grande a expectativa de que os imóveis sejam ainda mais valorizados após a obra. Além da modernidade da nova estação, que será totalmente refrigerada e atenderá aos padrões de acessibilidade, Falcão acredita que a Uruguai será mais bonita do que a qualquer outra estação do metrô. Agora resta esperar até lá para poder usufruir da tecnologia e do serviço modernizado.

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Restaurantes e bares tradicionais invadem a Tijuca Sarah Vilela Foto: Sarah Vilela

Em tempos de Lei Seca, a população vem frequentando lugares mais próximos de casa. Pensando nisso, muitos empresários do ramo começaram a investir na região da Grande Tijuca. E de um tempo para cá, moradores foram surpreendidos pela chegada de conhecidos estabelecimentos já conhecidos em outras áreas da cidade. Restaurantes e bares como Koni, Odorico e Devassa chegaram para ficar, poupando uma “viagem”. Situado na Rua Barão de Mesquita, o restaurante japonês Koni facilitou a vida de quem curte esse estilo. De acordo com o gerente Raphael Costa, o local reúne

frequentemente um público variado. “São moradores de São Cristóvão, Grajaú, Vila Isabel e até mesmo bairros mais distantes”, explica. Um dos beneficiados é o universitário Vítor Mendes Ribeiro, de 23 anos. Segundo ele, o bairro da Tijuca é confortável, pois não precisa dirigir para aproveitar as especialidades do restaurante Devassa. “Para me divertir nem preciso mais sair do meu bairro. A feijoada de lá é incomparável”, salienta. O evento mensal Feijoda Devassa é mais um atrativo para o jovem. A estudante Mariana Silveira, de 21 anos, também faz parte do time que comemora a chegada desses bares no bairro. Moradora de Vila Isabel,

Restaurante Koni, um dos novos estabelecimentos frequentados pelos tijucanos

ela frequenta o restaurante Odorico desde sua inauguração, em 2011. “O bar está sempre bem cheio e, além disso, os garçons são muito atenciosos”, elogia. Para ela, Tijuca deveria ter mais investimentos em opções gastronômicas.

Para me divertir nem preciso mais sair do meu bairro Vítor Mendes Ribeiro

Atividades ao ar livre Grande Tijuca é samba Fernanda Paschoal

Sarah Vilela Foto: Frederico Menna

Pessoas de todas as idades utilizam a ciclovia do Maracanã para se exercitar

A procura por prática de atividades físicas vem crescendo com o passar dos anos, principalmente na terceira idade. Para ter uma vida mais saudável, os integrantes dessa faixa etária realizam exercícios nas ‘Academias ao ar livre’, que possuem de oito a dez equipamentos e estão espalhadas pela cidade. Cada aparelho exercita um determinado segmento muscular do corpo, fortalecendo, relaxando, alongando, dando agilidade e flexibilidade. Outro lugar muito usado para atividades físicas ao ar livre é o entorno do estádio do Maracanã. Durante o início da manhã e começo da noite, é comum encontrar pessoas caminhando ou correndo. Por ser uma região central, praticar esportes na área é fácil para todos os moradores da Grande Tijuca. Uma delas é Nathalia Carvalho, moradora da Praça da Bandeira. Ela afirma que essa é a forma mais barata de se exercitar e que gera resultados. “Me sinto muito mais disposta para trabalhar, além, é claro, de emagrecer”. Segundo ela, o custo da academia é muito alto e a localização do Maracanã facilita a escolha. Mesmo motivo que ajuda os moradores da Afonso Pena na hora de fazer os exercícios. A “Academia ao ar livre”, localizada no centro da praça, está sempre lotada. Cercada pelas ruas Campos Sales, Martins Pena e Doutor Satamini, o local é sucesso entre o público da terceira idade tijucano.

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A Grande Tijuca vem se destacando, ultimamente, pelo bom desempenho no Carnaval carioca. A Unidos de Vila Isabel, que em 2012 ficou com o terceiro lugar, tem uma longa história com o samba. O bairro abrigou o grande compositor e sambista Noel Rosa, o que pode explicar parte da ligação que os moradores têm com o ritmo e com a agremiação, fundada em 1946. Ela surgiu de um time de futebol, que mais tarde se transformou em um bloco carnavalesco, conquistando muitos títulos e prêmios desde então. No bairro ao lado, a Unidos da Tijuca também não fica atrás. A criatividade do carnavalesco Paulo Barros tem garantido boas posições à escola, que foi a grande vencedora do Carnaval de 2012. Desde sua fundação, em 1931, a escola conquistou inúmeros torcedores. Thamires Brito, 18 anos, é uma delas. “Parte do sucesso da Unidos se deve a quem fez e faz parte da história dela. Eles têm muitas coisas pra fazer ao longo do ano, não apenas perto do Carnaval”. Outra agremiação que faz parte do grupo que ficou bem posicionado em 2012 é a Acadêmicos do Salgueiro, que conquistou o segundo lugar. Escola do coração de vários moradores da Tijuca e regiões vizinhas, muitas pessoas garantem que não há rivalidade. “Todos ficamos muito felizes pela boa colocação das escolas da região”, assegura a torcedora Luciana Cezário, 24 anos. Foto: Sarah Vilela

Quadra da Vila Isabel: em dias de ensaio, o local está sempre lotado

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Sustentabilidade na Casa Ronald McDonald Além de tratar o câncer, projeto promove ações de preservação ambiental Foto: Divulgação

Lara Goulart

Há 17 anos atuando no combate ao câncer infantojuvenil, a Casa Ronald McDonald-RJ, pioneira do projeto na América Latina, celebra mais uma conquista; o alcance da meta de uso sustentável de recursos naturais. A iniciativa foi levantada em julho de 2011, quando o edifício sede da Rua Pedro Guedes, 44, no bairro Maracanã, passou por obras de restauração e expansão. Além de garantir o atendimento de duas vezes mais crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer, foram implantados equipamentos que trouxeram uma economia considerável de energia e cerca de 40% a menos no consumo de água. O assessor de projetos e obras da Casa, Carlos Neves, explicou a troca do material

comum por outros mais propícios ao uso racionado de recursos naturais. “Na verdade, aproveitamos a obra da segunda expansão da Casa para revermos nossos equipamentos. Com isso, trocamos todos os chuveiros das 39 suítes. Para se ter uma ideia, os antigos despejavam 22 litros de água por minuto. Os novos, apenas 6 “, esclarece Carlos. Além das obras prediais, a instituição também investe em projetos de conscientização nos gastos de energia, com a participação de hóspedes e familiares. “Todos os nossos funcionários e voluntários explicam para as famílias a importância do uso sustentável da água. A ideia é que essas pessoas possam voltar para casa adotando um novo hábito,

Placas de aquecimento solar, uma das formas de economizar energia

e que multipliquem este conhecimento nas suas comunidades”, afirma Sonia Neves, Presidente da Casa Ronald McDonald-RJ. Tanta preocupação com a sustentabilidade promete resultar num certificado de grande importância para a instituição, que também adotou métodos de economia de eletricidade, como a

instalação de placas de aquecimento solar e luzes acionadas por sensor de presença. O selo de edifício verde, LEED, que é consentido pelo U.S. Green Building Council, provavelmente será a próxima conquista relevante do Instituto Ronald McDonald por incentivar a prática sustentável em todo o mundo.

Conheça a Casa Ronald McDonald Somando 18 anos de atendimento à população, a Casa Ronald McDonald-Tijuca já alcança um número superior a dois mil casos de oncologia infantil. Sustentada pelo voluntariado, o número de pessoas que contribuem para a obra ultrapassa 440, o que implica na execução de diversas ações administrativas e

operacionais, bem como atendimento direto aos hóspedes. A filial do Instituto na cidade do Rio de Janeiro diferencia-se das outras – mais de 310 unidades espalhadas pelo mundo – por oferecer, além de assistência e tratamento, acomodação às crianças portadoras de câncer e seus acompanhantes.

Projeto social ajuda a diminuir a população de rua Henrique Araujo

É comum andar pelas ruas da Tijuca e se deparar com moradores que as utilizam como moradia. Mas essa cena está se tornando cada vez mais rara. Devido à ação da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), por meio dos projetos Família Acolhedora e Acolhimento Para Adultos e Família, o problema está sendo solucionado, mas somente pela metade. De acordo com os tijucanos, os menores de rua são recolhidos pelos agentes educadores e, às vezes, retornam em menos de 24 horas para as mesmas ruas. Já alguns moradores, pelo

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contrário, estão satisfeitos com o trabalho que está sendo realizado. Como é caso de Esther Rapahela, moradora da Rua Adolfo Motta. “Isso aqui era um inferno. Eles faziam bagunça, deixavam a rua toda suja e, de vez em quando, assaltavam”, comenta. Conforme ela explica, depois do surgimento do programa de recolhimento a situação está bem melhor. Para o subprefeito da Grande Tijuca, Luiz Gustavo Martins Trotta, o projeto tem sido executado de forma primorosa. E deixa um recado para a população local. “Não posso deixar passar a oportunidade de

solicitar a população da Grande Tijuca que evite os auxílios às pessoas de rua”. Ele acredita que essa atitude pode incentivar

os moradores. “Solidariedade e compaixão são sentimentos nobres, precisamos saber aplicar para não errar”, enfatizou.

Programa Família Acolhedora

O programa Família Acolhedora consiste em cadastrar e capacitar famílias de comunidades da Tijuca para receberem em suas casas, por um período determinado, crianças, adolescentes ou grupos de irmãos em situação de risco pessoal e social, dando-lhes acolhida, amparo, aceitação, amor e a possibilidade de convivência familiar e comunitária. A família de acolhimento representa a possibilidade de continuidade da convivência em ambiente sadio para a criança ou adolescente. Isto não significa que haverá a integração como filho. Na realidade, a família de apoio assume o papel de parceira no atendimento e na preparação para o retorno da criança/adolescente à família biológica ou substituta.

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Trabalho alternativo

7 Foto: Sarah Vilela

Fernanda Spiaggia

Em meio ao constante trânsito da Rua Teixeira Soares com a Rua Pará, entre carros, ônibus e motos, surge um novo ambiente de trabalho. É normal encontrar limpadores de vidros que fazem do sinal vermelho o sustento de sua família. A chamada “informalidade” tem facilitado a inserção desses trabalhadores anônimos nas ruas. Com a crise estrutural do emprego no país, proliferam as estratégias de trabalhos alternativos que garantem a sobrevivência. Quem apelou para essa opção foi o limpador de vidro Lúcio dos Santos, 27 anos, que trabalha desde os nove nos sinais da cidade. Morador de Manguinhos, ele recebe em média 35 reais por dia. Por necessidades familiares, teve que largar os estudos e batalhar para sobreviver. “Sempre quis ser mecânico, mas não tive essa oportunidade. Meus filhos estudam, quero que eles tenham a chance de ter um trabalho mais respeitável do que o meu”. Lúcio precisa matar um leão por dia para sustentar a família. Para isso, trabalha nove horas diariamente. E explica como o serviço é feito. “Não posso ficar parado porque dinheiro não cai do céu. Observo bem para ver se as pessoas são tranquilas. Olho o carro, se estiver sujo, jogo água e começo a limpar. Muita gente fecha o vidro e fala que não quer que limpe”, comenta. Segundo o policial Felix Souza, que trabalha na cabine da Praça da Bandeira, não existem queixas contra trabalhadores que ficam no sinal. “É preciso observar a postura deles antes de intervir em alguma situação, pois essas pessoas na maioria das vezes estão realmente trabalhando, sem praticar nenhum crime”. Casos como este se repetem sempre nos semáforos e ruas Brasil a fora. É no sinal vermelho que os trabalhadores anônimos mostram seu esforço. Algumas vezes são recompensados com agradecimentos calorosos. Em outras ocasiões, nem um olhar recebem. No fim, o importante para eles é ganhar dinheiro de forma honesta e garantir o sustento das famílias. Foto: Fernanda Spiaggia

Carlos Henrique e alguns dos clientes fiéis que possui no estabelecimento

Um rosto na multidão Sarah Vilela

A Rua das Flores é um dos pontos mais conhecidos da Tijuca. Localizada na Praça Saens Pena, ela é um caminho de transição entre as ruas Conde de Bonfim e Santo Affonso. Além disso, é um tradicional ponto da compra e venda de flores. No local, existem diversos quiosques onde funcionam floriculturas. Mas, entre passos e flores, funciona outro tipo de comércio no local. Barraquinhas de conserto de relógios são comuns na rua. Um dos vendedores mais antigos é Carlos Henrique Marques, 49 anos, que trabalha há 28 anos no local. Hoje, além dos relógios, ele faz reparo de celulares com defeito. E conta como essa história começou. “Eu era ajudante de serviços gerais, mas o desemprego estava muito forte e eu precisava sustentar a família”. Como só cursou até a sétima série do ensino fundamental, a solução foi recorrer ao emprego informal. Mas perto de

outros problemas, este foi um obstáculo facilmente superado. “Teve uma época que os guardas passavam aqui para levar a nossa mercadoria e acabavam sendo muito agressivos com o pessoal. Esse foi um grande problema que enfrentamos aqui”, relembra o vendedor. A alegria do dia a dia está nos amigos de profissão e na fidelidade dos clientes. “Tenho muito clientes, e todos fiéis. Eles moram nas redondezas e sempre vêm aqui”. Na descrição dos amigos, Carlos é brincalhão e batalhador. Um deles é Reginaldo Ramos, 49 anos, que foi trabalhar na Rua das Flores com apoio de Carlos. “Ele que me trouxe. Somos amigos desde pequenos. Ele não liga para nada e não se deixa abater por problemas”. De personalidade forte, o comerciante diz uma frase marcante que mostra bem quem ele é e como pensa. “Só paro de trabalhar aqui quando eu morrer”.

O limpador de vidro Lúcio dos Santos em atividade durante o engarrafamento

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Praça Saens Pena: sinônimo de tradição Lara Goulart Foto: Lara Goulart

Conhecida como um dos locais mais tradicionais do Rio de Janeiro, a Grande Tijuca é cercado de estabelecimentos que, além de caracterizarem o lugar, relembram uma história repleta de detalhes que suavizam a rotina do carioca. Desde a década de 1920, a praça mais famosa do bairro vem somando valores que remetem a cultura e o entretenimento do tijucano. A Saens Pena, que hoje é um dos maiores pólos comerciais da Zona Norte, já obteve a principal concentração de cinemas da cidade, capaz de superar até mesmo a Cinelândia, no

Centro do Rio. Porém, entre 1970 e 1990, o comércio começou a falar mais alto e as cinematecas cederam espaço para conceituadas lojas. Para agrado do público, nem todos os empreendimentos tiveram o mesmo fim que a Cinelândia da Tijuca. O Café Palheta ainda funciona nos dias de hoje. A cafeteria, que chegou à capital fluminense em 1943, instalou sua primeira sede no Largo de São Francisco. Posteriormente, inaugurou a filial da Tijuca, que é ponto de referência entre moradores e visitantes. “Além de um café gostoso e da tradição que Foto: Lara Goulart

Desde os anos 40 no bairro, o Café Palheta é ponto tradicional da Praça Saens Peña

Cinema Olinda, fechado no final da década de 70. Hoje, no local, fica o Shopping 45

todos apreciam, nossa história de dedicação e qualidade tem conquistado clientes para além da redondeza”, garante Alexandre André, de 31 anos, um dos gerentes do Café Palheta-Tijuca. Bem como a famosa cafeteria dos anos 40, outra marca do bairro, também situada próxima à Praça, é a Pharmácia Granado. Isso mesmo; com ph e som de f. Fundada em 1870, a botica mais antiga do Brasil estabeleceu sua franquia na Zona Norte em 1930. O reconhecimento veio a partir dos medicamentos manipulados e com o pioneirismo na fabricação de sabonetes vegetais; “sucesso

até os dias de hoje”, garante Jorge Luiz Melim, de 56 anos e que há 10 trabalha como gerente na loja tijucana. Após três gerações sob o comando da família Granado, a farmácia é presidida pelo inglês, Christopher Freeman, permanecendo com as portas abertas e preservando, além das fachadas e arquitetura, a confiança dos clientes de tantos anos. Cenário de inúmeras referências para o público em geral, a Praça Saens Pena segue na história do Rio de Janeiro, mantendo o renome de pólo comercial e resgatando a cultura que permeia os diversos detalhes da rotina carioca.

Praça Varnhagen é ponto de encontro na Tijuca Sarah Vilela

Crianças. casais, adolescentes, aposentados, bares, chafariz, restaurantes, pagode, sinuca. Se existe um lugar na Tijuca que consegue reunir elementos tão distintos, ele se chama Praça Varnhagen. Mais conhecida pelo nome de seu restaurante mais famoso, o Buxixo, a Praça fica entre os bairros Tijuca e Maracanã, sendo frequentada por diferentes tipos de público. No fim da tarde, é possível encontrar jovens, ainda com uniforme escolar, conversando e se divertindo. Muitos deles não frequentam o local à noite por imposição dos pais. A estudante Laryssa Maia, 15 anos, é uma delas. “Quando eu venho, o que

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tem aqui são alguns senhores jogando e pessoas correndo. É impressionante como o perfil dos frequentadores muda de acordo com o horário”. Ao longo do dia, o cenário realmente é outro: bem mais vazia, a Praça é frequentada por pessoas andando de bicicleta ou passeando com cachorros. Diferentemente da adolescente, Roberta Leite, 32 anos, frequenta o local há cerca de nove anos com o intuito de se divertir. “Geralmente eu como uma picanha no Garota da Tijuca, mas logo depois migro para outro bar para beber algo. Quando não estou com meu namorado, venho com amigos”, diz.

Como se nota, não importa a atividade, a Varnhagen é o lugar ideal. Situado no Baixo Tijuca, a praça possui pólo

gastrônomico com variados estilos e área de entretenimento para todas as idades. Já caiu no gosto dos moradores tijucanos. Foto: Sarah Vilela

Praça Varnhargen, além de pólo gastronômico, é local de lazer para crianças

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Esquina Grande Tijuca n° 15  

Ano 4, nº 15, maio de 2012

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