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Internet

Jon Lee Anderson Uma Biógrafo de Che caderneta muito prática Guevara faz oficina no Rio Página 8 Página 2 www.adufrj.org.br

Assembleia elege PNE volta delegados ao à Câmara Congresso do Andes-sn Página 2

Divulgação Coppe/Carlos Ribeiro

Coppe 50 anos

Jornal da Seção Sindical dos Docentes da UFRJ

Entrevista exclusiva com Alberto Luiz Coimbra

Andes-SN Ano XII no 831 20 de dezembro de 2013 Central Sindical e Popular - Conlutas

Ebserh fecha o ano com mais uma derrota

Marco Fernandes - 16/12/2013

Foi vencida a tentativa do reitor da UniRio, Luiz Jutuca, de levar à votação uma eventual adesão daquela universidade à Ebserh, na última semana letiva do ano. Em setembro, a ideia de trazer a empresa para a UFRJ foi neutralizada pelos movimentos. Página 3

UniRio. Galerias lotadas do Conselho Universitário dizem não à Ebserh Marco Fernandes - 19/12/2013

Levi cumprimenta Côrtes. Ledo aplaude

Fatos que marcaram 2013 20 de dezembro de 2013

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Ebserh na UFRJ

Fotos: Marco Fernandes - 26/09/2013

Côrtes toma posse no HUCFF

O professor Eduardo Côrtes assume a direção do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho em clima de expectativa. Ele reafirmou posicionamento contrário à Ebserh durante a cerimônia.

em 26 de setembro, para protestar

contra a Empresa Brasileira de Serviços

Hospitalares

É assim que se faz!

maior Uma multidão compareceu ao

N

auditório do Centro de Tecnologia,

O dia em que a massa expulsou a

a baa manhã de quinta-feira, 26 de setembro, auditório talha de todas as batalhas se deu no do do CT – para onde foi transferida a sessão lotou Conselho Universitário. Um mar de gente uma formando A bloco do auditório o imenso não conseguia universitária comunidade a anos há que imagem o modelo de gestão produzir na UFRJ. No centro da disputa, lado, forças conservapara os hospitais universitários. De um uma massa de prodoras, aliadas à lógica privatista. Do outro, cerrando fileiras fessores, técnicos-administrativos e estudantes Neste embauniversitária. autonomia pela saúde pública e pela neutralizada a proposta te, venceu a força da mobilização e foi hospitais universitários que queria entregar a gestão de quatro de Serviços Hosda rede da universidade à Empresa Brasileira pitalares, a Ebserh. momento maior de uma O que aconteceu naquela manhã foi o aquele momento. Para queda de braço que atravessara o ano até o Sintufrj e o escrever o capítulo em questão, a Adufrj-SSind, de articulação que espaço um procuraram Prata DCE Mário como há muito não permitiu a aproximação dos três segmentos sessões do Consuse via. Foram vários embates em seguidas caminho autônomo para ni. No confronto, a proposta por um (entre os quais, enfrentar a crise dos hospitais da universidade sua característica) foi se o HUCFF, um dos maiores do país na é uma ideia fora de consolidando. E, neste momento, a Ebserh foi a recente eleição mobilização desta político pauta. Um saldo HUCFF (leia matéria na de Eduardo Côrtes para a direção do página 5)

Ebserh da agenda da UFRJ

União dos três segmentos: Francisco de Assis (Sintufrj), Julio Anselmo (DCE) e Roberto Leher (conselheiro da Adufrj-SSind)

da da Adufrj-SSind, e Maria Malta, conselheira Na época, Mauro Iasi, presidente de gestão autônoma dos HUs pela UFRJ Seção Sindical, defenderam proposta

A Adufrj-SSind afirma seu compromisso com um Brasil mais justo e deseja a todos um 2014 de conquistas. Comunicado: a Seção Sindical entrará em recesso a partir desta segunda-feira, 23 de dezembro. Voltaremos às atividades na segunda-feira, 6 de janeiro de 2014.


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sEGUNDA pÁGINA

PNE retorna para a Câmara

Substitutivo do Plano Nacional de Educação aprovado no Senado não atende às reivindicações do Andes-SN Marco Fernandes - março de 2013

Sindicato quer aplicação imediata de 10% do PIB no setor

O

Senado aprovou, no último dia 17, o projeto (PLC 103/2012) que estabelece o novo Plano Nacional de Educação (PNE). O substitutivo do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) retoma a proposta original do governo com poucas alterações. O texto, que prevê metas para o período de 2011 a 2020, tramita há três anos no Congresso e ainda terá de voltar à Câmara dos Deputados. O PNE possui 14 artigos, 21 metas e 177 estratégias que buscam, entre outros objetivos, erradicar o analfabetismo e universalizar o atendimento escolar, com o aumento de vagas em creches, ensino médio, profissionalizante e universidades públicas. Além da ampliação do acesso à educação básica e ao ensino especial, preferencialmente nas escolas regulares.

Proposta não resolve problemas da Educação

O plano ainda prevê a destinação de 10% do produto inter-

Marinalva Oliveira, presidenta do Andes-SN, critica PNE no bruto (PIB) para a educação, mas de uma forma distinta da reivindicada pelo Andes-SN. No Senado, estavam em debate o relatório do senador Álvaro

Adufrj-SSind

Brinde para os sindicalizados Junto desta edição, todos os professores filiados à Adufrj-SSind irão receber uma caderneta de anotações para uso em 2014. A publicação traz uma breve saudação política da diretoria da Seção Sindical para o próximo ano (que promete muitas lutas). Entre suas folhas, também poderá ser consultado o calendário acadêmico da UFRJ recentemente aprovado pelo Conselho Universitário.

Dias (PSDB-PR) e o substitutivo apresentado pelo Senador Vital do Rêgo (PMDB-PB): “Do ponto de vista da discussão política, tanto a proposta do

senador Álvaro Dias quanto a do senador Eduardo Braga estão aquém de um compromisso com a educação pública para a população brasileira. Não encaminham recursos adequados e suficientes para que a sociedade consiga enfrentar os graves problemas que a educação brasileira tem”, já apontava Rubens Luiz Rodrigues, 1º vicepresidente da Regional Leste do Andes-SN e integrante da coordenação do Grupo de Trabalho de Políticas Educacionais da entidade, antes da decisão do último dia 17 . O diretor do Andes-SN destacava que, além de preverem a aplicação escalonada de 10% do PIB até 2020 – para o Sindicato Nacional seria necessário o investimento imediato deste montante para se iniciar o resgate da educação pública no país –, as propostas favorecem os setores privatistas e facilitam a transferência de recursos públicos para as empresas que lucram com a oferta de ensino.

Repasse de recursos para o setor privado

Na avaliação do Sindicato Nacional, as medidas emergenciais definidas nos cinco pactos, sobretudo a destinação

Unimed: carência zero em fevereiro As adesões para o convênio firmado entre a Unimed e a Adufrj-SSind terão carência zero para o mês de fevereiro. As inclusões (para fevereiro) serão feitas nos dias 26 e 27 de dezembro.

Nova tabela A nova tabela, com o reajuste anual da operadora, pode ser conferida em http://migre.me/g4qXL. O próximo aumento só vai ocorrer em dezembro de 2014.

Informações Faça seu agendamento e tire suas dúvidas sobre o plano de saúde pelo telefone 97686-6793 ou pelo e-mail convenio.unimed@adufrj.org.br.

SEÇÃO SINDICAL DOS DOCENTES DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO DO SINDICATO NACIONAL DOS DOCENTES DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR

Sede e Redação: Prédio do CT - bloco D - sala 200 Cidade Universitária CEP: 21949-900 Rio de Janeiro-RJ Caixa Postal 68531 CEP: 21941-972

de royalties de petróleo para a educação e saúde, são uma forma dissimulada de o governo repassar mais dinheiro público para o setor privado. “Recursos públicos são aqueles que são arrecadados pelo Estado, por meio do sistema tributário e de outros instrumentos democraticamente estabelecidos, que estejam transparentemente previstos e explicitados nos orçamentos públicos e que no processo de planejamento e de execução orçamentária sejam destinados ao atendimento das prioridades sociais correspondentes às reais necessidades da maioria da população”, assegura a presidenta do Andes-SN, Marinalva Oliveira. Ela lembra que, nas Jornadas de Junho, a população questionava a falta de investimento público em educação, saúde e moradia, além do transporte público. “Foram manifestações contra esta política que degrada direitos sociais e precariza o serviço público. O questionamento do povo nas ruas foi contra a política econômica que repassa dinheiro para o grande capital e não investe em direitos sociais básicos”, acusa. (Fontes: Agência Senado e AndesSN. Edição: Adufrj-SSind)

Aviso aos professores novos quanto ao desconto para a AdufrjSSind

Os professores filiados à Seção Sindical são descontados também no 13º salário, como acontece em todos os anos. Aqueles que tomaram posse ao longo de 2013 e desejarem ressarcimento da parcela proporcional ao seu 13º deverão entrar em contato com a Secretaria da Adufrj-SSind, informando seus dados.

Tel: 2230-2389, 3884-0701 e 2260-6368

Diretoria da Adufrj-SSind Presidente: Cláudio Ribeiro 1ª Vice-Presidente: Luciana Boiteux 2ª Vice-Presidente: Cleusa Santos 1º Secretário: José Henrique Sanglard 2º Secretário: Romildo Bomfim 1º Tesoureiro: Luciano Coutinho 2ª Tesoureira: Regina Pugliese CONSELHO DE REPRESENTANTES DA ADUFRJ-SSIND Escola de Serviço Social Mauro Luis Iasi; Luis Eduardo Acosta Acosta; Henrique Andre Ramos Wellen; Lenise Lima Fernandes Faculdade de Educação Claudia Lino Piccinini; Andrea Penteado de Menezes; Alessandra Nicodemos Oliveira Silva; Filipe Ceppas de Carvalho e Faria; Roberto Leher Escola de Comunicação Luiz Carlos Brito Paternostro Faculdade de Administração e Ciências Contábeis Vitor Mario Iorio Instituto de Economia Alexis Nicolas Saludjian Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional Cecilia Campello do Amaral Mello Faculdade Nacional de Direito Mariana Trotta Dallalana Quintans; Vanessa Oliveira Batista Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Eunice Bomfim Rocha; Luciana da Silva Andrade; Sylvia Meimaridou Rola; André Orioli Parreiras Escola de Belas Artes Patrícia March de Souza; Carlos de Azambuja Rodrigues; Rogéria Moreira de Ipanema Faculdade de Letras Gumercinda Nascimento Gonda; Vera Lucia Nunes de Oliveira Escola de Educação Física e Desportos Luis Aureliano Imbiriba Silva; Alexandre Palma de Oliveira; Marcelo Paula de Melo; Michele Pereira de Souza da Fonseca Escola de Enfermagem Anna Nery Walcyr de Oliveira Barros; Gerson Luiz Marinho Coppe Vera Maria Martins Salim Escola Politécnica José Miguel Bendrao Saldanha; Coordenador de Comunicação Luiz Carlos Maranhão Editor Assistente Kelvin Melo de Carvalho Reportagem Silvana Sá e Elisa Monteiro Projeto Gráfico e Diagramação Douglas Pereira Estagiários Darlan de Azevedo Junior e Guilherme Karakida Tiragem 4.000 E-mails: adufrj@adufrj.org.br e secretaria@adufrj.org.br Redação: comunica@adufrj.org.br Diretoria: diretoria@adufrj.org.br Conselho de Representantes: conselho@adufrj.org.br Página eletrônica: http://www.adufrj.org.br Os artigos assinados não expressam necessariamente a opinião da Diretoria.


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Luta contra a Ebserh

Mobilização impede golpe

Reitor da UniRio, Luiz Jutuca queria votar, na última semana letiva do ano, adesão à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, modelo de gestão privatizante para os HUs proposto pelo governo federal Fotos: Marco Fernandes - 16/12/2013

Reunião, no último dia 16, f oi suspensa

Relato sobre HU de Brasília esquentou a sessão

Elisa Monteiro

elisamonteiro@adufrj.org.br

O

reitor da UniRio, Luiz Pedro Jutuca, tentou levar ao Conselho Universitário local a votação sobre a adesão à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) no dia 16 de dezembro. Mas a mobilização dos três segmentos (estudantes, professores e técnico-administrativos) barrou a entrega do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle à gestão privada. O dirigente, que chegou a abrir a sessão, na marra, com o som do microfone disputando com as palavras de ordem da manifestação, voltou atrás e suspendeu a reunião em seguida. Não há previsão de quando será realizado o próximo colegiado sobre o tema. O Consuni, na última semana de aula, causou indignação na comunidade. A reunião, extraordinária, foi convocada 48 horas depois de uma sessão ordinária, realizada na quintafeira (12): “A reitoria colheu o que plantou, convocando um Conselho em período esvaziado. Ela apostou no esvaziamento político do fim de ano para um cenário favorável à aprovação da Ebserh e teve como resposta a mobilização dos três segmentos dizendo que a Ebserh não vai passar”, disse Viviane Narvaes, presidenta da Adunirio (seção sin-

Comunidade da UniRio disse “não” à tentativa de votação da Ebserh no fim do ano letivo dical dos docentes da UniRio). Não bastasse o período do ano bastante inadequado para uma questão dessa importância, a comunidade reclama que o reitor descumpriu um acordo: o de não convocar a deliberação sobre o tema Ebserh antes da realização de pelo menos três debates públicos na universidade, uma audiência pública com o Ministério

Público Federal (MPF) e uma sessão prévia (não deliberativa) sobre o tema no Consuni.

Não deu para ele

Jutuca deixou a sessão, anunciando o fechamento de mais um setor do HU (ele já havia encerrado as atividades de algumas enfermarias), o internato: “Não é possível que, a cada movimento

da universidade no sentido de uma proposta autônoma, um setor do hospital seja fechado”, criticou a dirigente da Adunirio em referência à pressão da reitoria para aprovação da Ebserh a todo custo. O reitor se retirou também sem esclarecer quais seriam os próximos passos da administração. Estudantes e servidores, que cobraram o

Quem permaneceu no auditório ouviu o depoimento da estudante Camila Damasceno, aluna de Medicina da Universidade de Brasília (UnB), sobre a experiência de implantação da Ebserh naquela universidade há mais de um ano. Camila, que participou da sessão do Consuni da UFRJ que rechaçou a Ebserh (em 26 de setembro de 2014, conforme noticiado no Jornal da Adufrj nº 819), falou novamente sobre o desrespeito às condicionantes estipuladas pelo Hospital Universitário de Brasília (HUB) para contratualização com a empresa: “Ensino, pesquisa e extensão foram completamente afetados. E, um ano e meio depois, ainda não foi cumprido o acordo de participação da universidade nas decisões da empresa sobre o Hospital”, reafirmou.

reagendamento da discussão para março, ficaram alertas para uma possível convocação do conselho, sobre o tema, em janeiro, período de férias: “Dada a postura autoritária e inábil nessa sessão, os setores estarão mobilizados para impedir que seja feita uma adesão via assinatura em gabinete”, disse Viviane Narvaes.

Revolta no plenário A comunidade lotou o auditório do HU, questionando o método do dirigente máximo da UniRio: “O decidido pelo Conselho é que a comissão formada pelos três segmentos chamaria a sessão deliberativa. E o que houve foi uma convocação pelo reitor a pedido da Ebserh”, afirmou Oscar Gomes da Silva, coordenador geral da associação dos técnicos-administrativos da Unirio (Asunirio). Segundo ele, a reitoria não compareceu à agenda preparatória acordada com a comunidade: “Estamos preocupados com o que parece ter sido uma orientação oculta, pois a maioria dos conselheiros e a própria reitoria não compareceram aos debates. Nem mesmo à audiência pública com o Ministério Público”, explicou. Lara Sartório, estudante de

Ciências Políticas e integrante do DCE, afirmou que o colegiado do dia 16 “não tinha legitimidade”. Ela informou ainda que “muitos conselheiros” novos não haviam tomado posse. “O Conselho está defasado”, argumentou.

Alternativa autônoma

Antes da suspensão da reunião, representantes dos três segmentos entregaram ao Consuni uma contribuição para construção de uma solução própria da universidade para o HU da UniRio. Segundo a presidenta da Adunirio, Viviane Narvaes, a proposta “não estava fechada”, mas “algo a ser desenvolvido e ampliado não apenas pelos conselheiros, mas pelos setores da sociedade interessados em construir uma saída que respeite a autonomia da universidade e a saúde pú-

blica via SUS”.

Reforços

Em solidariedade à luta contra a Ebserh, diversas entidades ligadas à Educação e à Saúde pública marcaram presença na UniRio. Pela Adufrj-SSind, Romildo Bomfim saudou o cancelamento da reunião: “Foi muito positivo que o reitor não seguisse o conselho de alguns assessores de ‘votar na marra’, como ouvimos aqui”, ponderou. Maria Malta, representante dos professores Adjuntos do CCJE no Consuni da UFRJ, destacou a importância de que a proposta da universidade para suas unidades de saúde preserve os aspectos do tripé ensino, pesquisa e extensão: “É o diferencial entre uma unidade de saúde simplesmente de assistência e um Hospital Universitário”, disse.

O reitor Luiz Jutuca (à direita) precisou suspender a sessão do Consuni, diante da força da mobilização universitária


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20 de dezembro de 2013

Adufrj-SSind

Assembleia define delegação para Congresso do Andes-SN Encontro nacional da categoria acontece de 10 a 15 de fevereiro, em São Luís, no Maranhão. Reuniões preparatórias da Seção Sindical estão agendadas para o período de 20 a 24 de janeiro Silvana Sá - 19/12/2013

Próxima AG deve ser convocada para 27 de janeiro Silvana Sá

silvana@adufrj.org.br

A

Assembleia Geral da Adufrj-SSind, ocorrida em 19 de dezembro, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), elegeu os delegados e observadores que participarão do 33º Congresso do Andes-SN (confira nomes no quadro). A máxima instância deliberativa do Sindicato Nacional será realizada de 10 a 15 de fevereiro, em São Luís (MA). Entre os dias 20 e 24 de janeiro, haverá reuniões abertas a todos os sindicalizados para discussão dos temas e apresentação de novas contribuições para o encontro do Maranhão. A princípio, a Adufrj-SSind convocará uma AG no dia 27 de janeiro para aprovação das propostas que serão encaminhadas ao Sindicato Nacional para constar do Anexo ao Caderno de Textos (documento que guia os trabalhos do evento).

Reativação dos GTs

A AG discutiu e aprovou a reativação dos grupos de trabalho de Comunicação e Artes (GTCA); de Carreira; de Política e Formação Sindical (GTPFS); de Política Agrária, Urbana e Ambiental (GTPAUA); de Seguridade Social (GTSS); de Política Educacional (GTPE); e de Ciência e Tecnologia (GTC&T).

Monitorias em janeiro

Um tema que gerou preocupação na assembleia foi o agendamento de provas de monitoria para o período de férias dos professores (no mês de janeiro). O problema tem ocorrido em algumas unidades. Por isso, a AG aprovou uma moção de repúdio ao fato de os professores serem obrigados a abdicarem do direito coletivo de férias para trabalharem.

Assembleia discutiu e aprovou a reativação de alguns grupos de trabalho locais

Moção de repúdio A Assembleia Geral da Adufrj-SSind, reunida em 19 de dezembro, tendo tomado conhecimento de que em algumas unidades da UFRJ, o calendário das provas de monitoria foi marcado para o mês de janeiro, repudia qualquer tipo de imposição aos docentes de interromperem suas férias para este fim. Deve ser garantido pela universidade o direito dos docentes, como de todos os demais trabalhadores, a férias remuneradas, e agendadas as atividades a partir do mês de fevereiro.

Delegação da Adufrj-SSind Delegados: Cláudio Ribeiro (FAU); Cleusa Santos (ESS); Luciana Boiteux (FND); Luciano Coutinho (FACC); José Henrique Sanglard (Poli); Regina Pugliese (Aposentada CAp); Fátima Siliansky (IESC); Roberto Leher (FE); Renata Flores (CAp); Cristina Miranda (CAp); Eduardo Serra (Poli); Vera Salim (Coppe); Maria Malta (IE).

Aldeia Maracanã

Observadores: Claudia Piccinini (FE); Elídio Marques (NEPDH); Janete Luzia Leite (ESS); Eunice Bomfim (FAU).

Tomaz Silva/ABr - 16/12/2013

Foi aprovada, ainda, uma moção de apoio à Aldeia Maracanã e em repúdio à invasão dos organismos repressores do Estado ao imóvel. Veja a íntegra: Moção de apoio à Aldeia Maracanã e de repúdio à truculenta e ilegal invasão do Estado A Assembleia Geral da Adufrj-SSind, de 19 de dezembro, repudia a invasão truculenta e ilegal, pela Polícia Militar, da Aldeia Maracanã, no dia 16 de dezembro. Repudia as agressões ao índio Urutau Guajajara, liderança da Aldeia, que, imbuído de seu direito à resistência e subindo numa árvore, lá ficou com pouca água e sem comida, sendo diabético, por 24 horas, mas depois foi ilegalmente retirado à força e levado para a 18ª DP. Apoiamos a justa reivindicação de transformação do espaço em Universidade Indígena, sob controle da Associação Indígena da Aldeia Maracanã e que não seja entregue à gestão privada por Organizações Sociais, Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público ou Fundações.

Índio detido em ônibus da PM


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HUCFF

Agora sob nova direção

Emoção e expectativa marcam posse do professor Eduardo Côrtes como dirigente máximo do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho. Ele reafirmou posicionamento contrário à Ebserh durante a cerimônia Marco Fernandes - 19/12/2013

Evento ocorreu no último dia 19 Elisa Monteiro

elisamonteiro@adufrj.org.br

“E

xcelência, é lá aonde chegaremos”, disse Eduardo Côrtes, durante a cerimônia de posse no cargo de diretor do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), dia 19. Na ocasião, o novo dirigente reafirmou sua visão estratégica sobre as unidades de ensino e saúde do país. “O MEC tem, talvez, a maior rede de hospitais universitários do mundo, construída ao longo de décadas por vários governantes. É um patrimônio singular, espalhado pelo território nacional e de grande utilidade, representando um cenário único para pesquisas na área de saúde, desenvolvimento de novas tecnologias de ensino, criação de estudos de caráter nacional e internacional e que pode, sem dúvida, prestar serviço à nação”, afirmou. Côrtes confirmou seu posicionamento firme em relação à autonomia universitária como pilar da gestão recém-iniciada: “Não posso aceitar que UFRJ, que tem a Coppead, a melhor pós-graduação em finanças e administração, não possa se autogerir, incluindo seus hospitais. Não vejo como solução uma empresa estatal de direito privado criada pelo MEC para gerir hospital. Antes de tudo, temos que respeitar a Constituição que deu autonomia às universidades, certamente por entenderem os constituintes de

Descontraído, o professor Eduardo Côrtes assina termo de posse observado por Antônio Ledo e um sorridente Carlos Levi então que a autonomia conquistada ao longo dos séculos de vida das universidades ainda é a melhor forma de gerir essa casa de ciência e saber”.

Novos rumos

Bastante emocionado, Côrtes fez um histórico da mobilização que o levou até a candidatura: “Desde o início, tínhamos um lema inspirado em Mário Quintana: ‘Não venci todas as vezes que lutei, mas perdi todas as vezes que deixei de lutar’”, contou . “Decidi aceitar e aqui estou com uma enorme responsabilidade, aumentada pela vitória com mais do triplo de votos que o outro candidato (Luiz

Mutirão faz 20 cirurgias

Inaugurando sua gestão com pé direito, Côrtes anunciou a realização, no sábado 21 (após o fechamento desta edição), de um mutirão voluntário de oftalmologistas, residentes e equipes de enfermagens e outros técnicos-administrativos do HUCFF: “Será a operação ‘enxergue no

Natal’”, anunciou Côrtes. Ele explicou que a iniciativa é uma política que deve se repetir para outras especialidades. “A ideia é aproveitar as salas de cirurgias também nos finais de semana para diminuir a fila de centenas de pacientes que aguardam para serem operados”.

Feijó), e ganhando em todas as categorias votantes. Essa significativa vitória nos enche de coragem e determinação de dar o melhor que temos para reerguer

esse hospital. Mas nos enche também de legítima representatividade para lutar”, analisou.

Reitor promete apoio

“Eu e o professor Eduardo

Côrtes, embora estivéssemos defendendo posições divergentes em um ponto, sempre estivemos convictos de que atuávamos na defesa, cada um a seu modo, dos interesses maiores da nossa universidade”, contemporizou o reitor Carlos Levi. Segundo ele, “ultrapassada a disputa eleitoral e as diferenças circunstanciais, precisamos agora nos unir com o mesmo objetivo central, de construir um HUCFF cada vez mais forte e qualificado”. “Nesse cenário, fique certo, para usar uma expressão da minha área, a Engenharia Naval, estamos no mesmo barco”, brincou.

UFRJ

Congregação da Medicina mantém segundo edital Eleições de representantes docentes acontecerão no fim de março

A

Congregação da Faculdade de Medicina negou os recursos dos professores Romildo Bomfim e Fátima Siliansky. Ambos reivindicavam a anulação da abertura de novas inscrições para representação docente naquela instância deliberativa da Unidade. As normas foram

republicadas após o término das inscrições do primeiro edital (26 de novembro). O novo documento também prorrogou as candidaturas até o dia 3 de dezembro. A Comissão Eleitoral alegou ter encaminhado um “rascunho” do edital para publicação, em vez do documento oficial e que o erro foi detectado após o primeiro dia das inscrições. “Como reenviamos o documento, já que tínhamos que editar com as correções de números de vagas, achamos por bem adiar o período de inscrição. En-

tendemos que ampliar as inscrições não prejudica os candidatos (Fátima e Romildo), porque eles permaneceriam inscritos”, afirmou Maria Cristina Ribeiro, da Comissão. As mudanças no número de vagas para as classes de Associado e Adjunto (de um para dois de cada) também foram justificativas para a publicação do novo edital. Porém, não houve mudanças para a classe de Auxiliar/Assistente, que permaneceu com uma vaga para titular e uma vaga para representante su-

plente. Na data-limite para inscrições de chapas do primeiro edital, apenas Romildo candidatou-se para a classe Auxiliar/Assistente. E Fátima, para a classe de Adjunto. Após a republicação das normas e prorrogação dos prazos, outras chapas se inscreveram para o pleito. Apesar de nominalmente citado, o professor Romildo Bomfim, da Faculdade de Medicina e diretor da Adufrj-SSind, não teve direito à defesa. A Comissão Eleitoral sequer leu o recurso apresen-

tado pelo docente à Congregação. O professor afirma que a manobra ocorreu em função de perseguição política, pelo fato dele e da professora Siliansky terem participado ativamente da campanha contra a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) na UFRJ: “Estamos dispostos a recorrer da decisão da Congregação e levar o caso a outras instâncias da UFRJ, como a decania do CCS, a Procuradoria e o Consuni, caso seja necessário”. (Silvana Sá)


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20 de dezembro de 2013

COPPE – 50 ANOS Divulgação Coppe/Carlos Ribeiro

Professor conta um pouco da história do instituto que leva seu nome Rodrigo Ricardo

Especial para o Jornal da Adufrj

A

os 90 anos, os olhos de Alberto Luiz Galvão Coimbra enxergam com dificuldade, mas não perdem de vista o horizonte da universidade. “Ela deve ser pública, gratuita e de excelente qualidade, a melhor que pudermos ter”, defende o professor aposentado que fundou, em 1963, o que é hoje considerado um dos maiores centros de ensino e pesquisa na área das Engenharias, a Coppe. “Começou pequenino, no campus da Praia Vermelha, com apenas duas salas, uma para aula e outra que servia ao mesmo tempo para grupos de estudos, aos professores e como secretaria”, explica. Recorda, ainda, que, no ano seguinte, com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), houve obras de ampliação. “A verba do então Instituto Nacional de Química (de onde surgiu o primeiro programa da Coppe, o de Engenharia Química) era reduzida. Agora, além do pouco dinheiro, a nossa maior dificuldade era ligada à novidade do assunto (cursos de pós-graduação). Precisamos fazer uma espécie de catequese para atrair os alunos”. Mestre em Engenharia Química pela Universidade de Vanderbilt, nos EUA, Coimbra enviava missões de recrutamento a cidades onde havia graduações de engenharia. Eram colocados anúncios na mídia local, convidando os formandos para uma entrevista em um hotel, onde eram avaliados. Cada selecionado recebia a informação de que, no Rio, receberia uma bolsa de estudo do CNPq ou da Capes para se dedicar ao curso. Receber para estudar era outra originalidade, o que acabou facilitando a vinda de alunos de outros municípios brasileiros, do México e de outras nações sul-americanas.

Dedicação exclusiva

Lição da experiência Fundador da Coppe, Alberto Luiz Coimbra defende a universidade pública, gratuita e de excelente qualidade

“Eles podem atuar como uma espécie de convidados, mas sem as atribuições do cotidiano de assistir o aluno, preparar aulas, dar notas”. Para Coimbra, não é o mesmo caso dos demais: “Enfim, a esse convém que atue em tempo integral, como qualquer operário. Por que o professor universitário seria diferente dos outros trabalhadores?”, indaga. Ele reivindica um salário de topo aos colegas que “queimam as pestanas” em estudos e pesquisas por décadas, em atividades que requerem curiosidade para investigar e gosto para ensinar. “Ter um espírito amador faz bem, porém, deve-se pagar bem ao professor, porque é esta gente

que provoca o desenvolvimento e a criação de tecnologias novas”.

Soberania

A reportagem do Jornal da Adufrj seguia em direção à residência do entrevistado e de sua esposa Marlene, na Barra da Tijuca, quando o rádio anunciou que o lançamento do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS-3) havia falhado e os engenheiros, chineses, ainda procuravam as causas do problema. “O país precisa ter foguetes, viajar pelo espaço. Demos um salto, mas ainda não alcançamos nossa independência tecnológica”, acredita Coimbra.

Oriundo de uma geração nacionalista, característica dos anos 1940 e 1950 do período de Getúlio Vargas, Coimbra afirma que o Brasil tem que tomar suas próprias decisões, sem depender de pacotes fechados. “O intercâmbio é desejável, mas precisa trazer benefício mútuo. Por enquanto, segue sendo mais unilateral, com a gente exportando muita matéria-prima e pouco produto acabado”, assinala. Ele compreende que seria salutar, às vezes, fechar as fronteiras até se conseguir certo desenvolvimento. “Importar tecnologia não ajuda os mestres e doutores. Pelo contrário, acaba por desmotivá-los”. O diretor da Coppe, Luiz PinAcervo PEQ/Coppe

Nascido na Rua Farani, em Botafogo, numa época em que as pessoas nasciam em casas, Coimbra lembra de uma antiga conhecida dos docentes: Retide (Regime de tempo integral e dedicação exclusiva). Além do gosto pela extinta sigla, realça que deixou seus outros empregos para trabalhar apenas na academia. “Quando fundamos a Coppe, isto era uma raridade. Praticamente não existia entre os professores. A tônica era o tempo parcial e muitos encaravam a profissão como uma honraria, algo pra colocar no cartão de visita, conquistar clientes e ganhar dinheiro”, aponta. Pondera, no entanto, que os dois regimes podem coexistir para permitir que sumidades que gostem de dar aulas estejam na universidade.

Alberto Luiz Coimbra: “Deve-se pagar bem ao professor, porque é esta gente que provoca o desenvolvimento”

Primeira turma de pós-graduação da Coppe, em maio de 1963: Coimbra é o de gravata mais ao centro da foto

guelli Rosa, costuma referir-se à criação da instituição como um ato de desobediência frente ao cipoal de regras sobre a universidade. Coimbra relativiza a rebeldia: “Não é por vontade de transgredir, mas por certa ignorância dos detalhes dos regulamentos. Em alguns momentos, para nós que não somos especialistas em administração pública, certos caminhos são melhores que outros”, avalia. Ele entende que a burocracia deve ser rígida, mas também dispor de flexibilidade para que as coisas funcionem e as pessoas possam se realizar.

Matemática é essencial

Amante da Matemática, Coimbra a indica como essencial para a linguagem científica. Ele observa de que não gostaria de ter muitos cursos na Coppe sem ela como base. “Simplifica, modula, trata-se do tecido fundamental da engenharia”. Questionado sobre o baixo desempenho dos estudantes do Ensino Médio na disciplina, lamenta que o Brasil ainda esteja despertando para muitos pontos. “Existem questões elementares, já resolvidas em outros países, nas quais ainda estamos engatinhando”. No site e nos perfis da Adufrj-SSind nas redes sociais, confira entrevista em vídeo com o professor Alberto Coimbra


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COPPE – 50 ANOS

Vanguardismo e tradição

Novo programa, de Engenharia de Nanotecnologia, terá “pilares básicos” dos antigos cursos da Unidade Primeiras turmas serão em 2014

A

arte de antecipar o futuro encontra-se na criação do mais recente curso da Coppe/UFRJ: o Programa de Engenharia de Nanotecnologia (PENT), que contará com 12 laboratórios, 50 pesquisadores e técnicos, R$ 35 milhões em equipamentos, além de 25 docentes. “É uma proposta que integra diversos grupos e programas, gerando um efeito de sinergia”, analisa a professora Vera Salim, vice-coordenadora da nova pós-graduação e integrante do Programa de Engenharia Química (PEQ). Ela reitera que, entre os desafios da ciência, está o de gerar uma linguagem comum que permeie as diferentes áreas em busca de um caminho transdisciplinar. As primeiras turmas do mestrado e doutorado do PENT entram em sala de aula no primeiro semestre de 2014: “No país, trata-se do primeiro curso na área de engenharia da

nanotecnologia”, aponta Vera. Há 25 anos na instituição, a docente explica que a Coppe tem como filosofia conjugar vanguarda e tradição: “Está sempre procurando inovar, mas sem perder pilares básicos. Acreditamos que os alunos, ao aprenderem determinados fundamentos, poderão se transformar em profissionais criativos”. Além de antever o futuro, Vera defende que a Coppe revisite seu passado. Ela recorda que a instituição foi um dos primeiros grupos acadêmicos a praticar com rigor a atividade docente em tempo integral: “Um diferencial que está sendo negligenciado e mesmo preterido nas propostas dos novos modelos para as universidades públicas brasileiras. Não podemos perder a figura do docente em dedicação exclusiva”, critica a docente, que também atua como representante sindical da Coppe na Adufrj-SSind. Ela indica que prospera uma lógica inversa nas mentes: “Devemos lutar por um plano de carreira e por salários que não necessitem, ou mesmo que tornem uma

Silvana Sá - 11/04/2012

Vera Salim exigência, a busca por complementações”.

Perigo da alienação

A professora também cobra uma preocupação cultural que ultrapasse a visão

tecnicista. “Isto não parece ser uma preocupação para os muitos integrantes da Coppe dos dias de hoje, que já abrigou seminários com renomados pensadores e foi, por exemplo, responsável por trazer ao Brasil o filósofo Noam Chomsky”, relembra. Ela cita o clássico O homem unidimensional, de Herbert Marcuse (1898-1979): “Vivemos esta realidade de uma crescente alienação, motivada pela especificidade do trabalho e do campo de estudo especifico. Na área tecnológica, percebo que a cada geração essa alienação aumenta”. Graduada em Química pela Universidade Federal do Rio Grande dos Sul (UFRGS), mestre pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e doutora pela Universidade de São Paulo (USP), Vera se diz orgulhosa em trabalhar na Coppe. A professora registra que, na sua trajetória como conselheira da Adufrj-SSind, descobriu mais um diferencial: a possibilidade de trilhar sua carreira mesmo não

Termo “Nanotecnologia” nasceu em 1959 Em 1959, o físico estadunidense Richard Feynman conceituou pela primeira vez o termo nanotecnologia. As primeiras descobertas somente acontecem em 1980 e suas aplicações, uma década depois. compartilhando do pensamento hegemônico da instituição, o que nem sempre acontece em outras unidades da UFRJ. “E, sabemos, que o exercício do pensamento único estreita horizontes e enfraquece uma instituição de ensino superior que, necessariamente, deve conviver com o plural”. Rodrigo Ricardo

A Coppe em números Total de títulos concedidos (até junho de 2013)

10.324 mestres

3.453

doutores

172

teses de artigos doutorado s fico cientí (em 2012) (em 2012)

360

13.777

12.700

contratos (até 2012)

disser tações e teses (até junho de 2013)

Divulgação/Coppe

disser tações de mestrado (em 2012)

Muitas realizações. Entre elas, o protótipo do Maglev, trem de levitação magnética desenvolvido pela Coppe

e

dade civil)

103

Produção acadêmica 1.773

Interação com a sociedad

(governos, empresas e socie

47

marcas (até junho 2013)

patentes depositadas (até junho 2013)

18

softwares registrados (até junho 2013)

Infraestrutura e recursos humanos (em 2012)

13 programas de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado)

349

professores doutores

2.910 alunos

1.603 mestrandos e 1.307 doutorandos Sendo 118 estrangeiros no mestrado e 111 no doutorado

124 laboratórios 88 pesquisadores pós-doutores 350 funcionários Uma incubadora tecnológica de cooperativas populares

Uma incubadora de base tecnológica

Um núcleo de atendimento em computação de alto desempenho (Nacad)


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Internacional

Anatomia de uma reportagem histórica sobre Che Guevara Em visita ao Rio, jornalista americano contou como obteve a informação sobre o paradeiro do corpo do guerrilheiro. Os restos mortais do líder, morto na década de 60, só foram localizados em 1997 Fotos: Internet

Jon Lee Anderson escreveu biografia sobre Che

Trinta anos de buscas

Guilherme Karakida Estagiário e Redação

P

rincipal responsável pela descoberta dos restos mortais de Ernesto Che Guevara (veja quadro), o jornalista americano Jon Lee Anderson esteve no Rio de Janeiro recentemente para ministrar uma oficina de reportagem. A atividade foi promovida pela Fundação Gabriel García Márquez para o Novo Jornalismo Iberoamericano. Hoje colaborador da revista The New Yorker, Jon conseguiu a informação histórica enquanto entrevistava o general boliviano Mario Vargas Salinas, em 1995. Este coordenou a operação que massacrou o grupo de Joaquim e Tânia, membros da coluna de Che, que passou onze meses em calvário na Bolívia. Porém, a coluna havia se separado em dois grupos, semanas antes da morte de Guevara. “Então, aparentemente, não havia nenhum vínculo direto entre Vargas e Che”, explicou Jon.

Projeto de biografia

Naquela época, o jornalista coletava dados para escrever a biografia de Che, publicada após seis anos de pesquisa, com direito a acesso a documentos inéditos, como o diário pessoal do guerrilheiro. O trabalho também ganhou peso porque alguns entrevistados aceitaram falar pela primeira vez das suas experiências com um dos líderes da

Vida de Professor

O jornalista Jon Lee Anderson ministrou oficina de reportagem no Rio de Janeiro Revolução Cubana. “Eles falaram comigo porque sabiam que eu entendia aquela realidade”, observou. Jon não esperava, no entanto, que aquela entrevista específica acabaria com um mistério de três décadas (morto em 1967, o corpo de “Che” só foi encontrado em 1997). De personalidade afável e aberto ao diálogo, o general o recebeu em sua casa, uma espécie de fazenda, no final da tarde. “Com o passar da entrevista, me senti confiante para fazer perguntas sobre Che”, explica. Assim, no final dela, Jon decidiu perguntar, como quem não quer nada, “Onde está o corpo de Che? O que aconteceu com ele?”.

Embora desconfiado, o general revelou o paradeiro do líder guerrilheiro. Nos dias seguintes, a matéria foi publicada no The New York Times e reproduzida por meios de comunicação do mundo todo. O então presidente da Bolívia, Gonzalo Sánchez de Lozada, ordenou a constituição de uma comissão para buscar os restos de Che Guevara. Consciente de que havia violado um segredo militar, Mario Vargas escondeu-se e negou tudo. Contudo, a entrevista havia sido gravada

pelo repórter, o que impossibilitou qualquer forma de defesa por parte do militar. “Eu estava em Miami quando recebi em primeira mão a ligação de um médico forense com a notícia (da descoberta das ossadas). Foi muito emocionante”, lembrou.

O interesse

O interesse e curiosidade pela vida do combatente surgiram em função da visão maniqueísta em torno de sua imagem. “Eu queria entender quem ele realmente era, porque os livros sobre a sua figura ou o relatam como anjo ou como demônio”, disse. “Eu queria comparar a mitologia com a realidade”, completa. Além disso, a própria familiaridade do repórter com o tema – Jon se especializou em temas políticos latino-americanos e conflitos

Cerca de 30 anos após a sua morte, o corpo de Ernesto Guevara de La Serna, consagrado como Che Guevara, foi encontrado em um barranco de Vallegrande, uma cidade do sudeste da Bolívia, em 1997. Ao lado dele, cinco cadáveres de outros combatentes. As ossadas estavam próximas a uma pista de aviões. modernos – também favoreceram na decisão de escrever um livro sobre Che. “Passei quatro anos da minha vida convivendo com guerrilheiros de todo mundo. Foi justamente a raiz desta experiência que me despertou o interesse na vida de Guevara”. Durante o processo de composição da biografia, o jornalista descobriu características e curiosidades interessantes sobre Che. Para conhecer o seu passado, Jon viajou com Alberto Granado - companheiro do líder argentino-cubano, em uma viagem pela América Latina em 1952 (retratada no filme Diários de Motocicleta (2004), do brasileiro Walter Salles) - para a Argentina, onde permaneceram por um ano e meio. “Comecei a ver um jovem que era muito distinto dos livros”, contou.

Diego Novaes


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Ebserh na UFRJ

Fotos: Marco Fernandes - 26/09/2013

Uma multidão compareceu ao maior auditório do Centro de Tecnologia, em 26 de setembro, para protestar contra a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares

É assim que se faz!

N

O dia em que a massa expulsou a Ebserh da agenda da UFRJ

a manhã de quinta-feira, 26 de setembro, a batalha de todas as batalhas se deu no auditório do CT – para onde foi transferida a sessão do Conselho Universitário. Um mar de gente lotou o imenso auditório do bloco A formando uma imagem que há anos a comunidade universitária não conseguia produzir na UFRJ. No centro da disputa, o modelo de gestão para os hospitais universitários. De um lado, forças conservadoras, aliadas à lógica privatista. Do outro, uma massa de professores, técnicos-administrativos e estudantes cerrando fileiras pela saúde pública e pela autonomia universitária. Neste embate, venceu a força da mobilização e foi neutralizada a proposta que queria entregar a gestão de quatro hospitais da rede da universidade à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, a Ebserh. O que aconteceu naquela manhã foi o momento maior de uma queda de braço que atravessara o ano até aquele momento. Para escrever o capítulo em questão, a Adufrj-SSind, o Sintufrj e o DCE Mário Prata procuraram um espaço de articulação que permitiu a aproximação dos três segmentos como há muito não se via. Foram vários embates em seguidas sessões do Consuni. No confronto, a proposta por um caminho autônomo para enfrentar a crise dos hospitais da universidade (entre os quais, o HUCFF, um dos maiores do país na sua característica) foi se consolidando. E, neste momento, a Ebserh é uma ideia fora de pauta. Um saldo político desta mobilização foi a recente eleição de Eduardo Côrtes para a direção do HUCFF (leia matéria na página 5)

União dos três segmentos: Francisco de Assis (Sintufrj), Julio Anselmo (DCE) e Roberto Leher (conselheiro da Adufrj-SSind)

Na época, Mauro Iasi, presidente da Adufrj-SSind, e Maria Malta, conselheira da Seção Sindical, defenderam proposta de gestão autônoma dos HUs pela UFRJ


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Jornadas de Junho

A onda política... O impacto da explosão social que alcançou o Brasil nos levantes de junho – e nos meses subsequentes – na vida do país ainda é imprevisível. Mas o fato é que, desde o movimento pelas Diretas Já (1984) e da mobilização que reuniu milhares de jovens pressionando pelo impeachment de Fernando Collor (1992), não se via tanta gente nas ruas enfrentando a dura repressão policial, brigando por direitos. Como se sabe, tudo começou com o protesto contra o aumento das passagens. Mas logo as manifestações se espalharam país afora, erguendo pautas múltiplas e ganhando fôlego de levante popular. Investimentos em saúde, educação, melhoria dos serviços públicos, mobilidade urbana emergiam como reivindicações nos cartazes. Os gastos superfaturados com a Copa, a violência da polícia e suas ações de extermínio nas periferias, tudo isso fez ferver o caldeirão político numa dimensão impensável poucas semanas antes. A esquerda tradicional foi pega de surpresa, mas logo se incorporou às lutas (até porque, na essência, as bandeiras nas ruas sempre foram erguidas pela esquerda), renovando-se. Já os setores reacionários procuraram surfar nas ondas dos protestos – com a poderosa ação política da mídia – para contrabandear sua agenda. O professor Mauro Iasi, autor de um dos artigos de livro editadao pela Boitempo em busca de interpretação para o fenômeno dos protestos, observou que as múltiplas pautas trazidas às ruas são bloqueadas pela política econômica do governo, com os gastos astronômicos destinados ao financiamento dos juros da dívida pública. O ano de 2014 surge sem que nenhuma das questões fundamentais postas nas ruas tenha sido resolvida – e até aumento de passagens já está sendo anunciado. É ano de Copa do Mundo e de eleições presidenciais, de governadores, Câmara Federal e renovação de um terço do Senado. O que virá?!!

Junho de 2013. Milhares no Centro do Rio em cena histórica de um período que marcou o despertar para a política de gerações de jovens. Samuel Tosta - 07/10/2013

Adufrj-SSind nas ruas. Um momento de solidariedade aos professores das redes municipal e estadual. Eles marcaram 2013 com o movimento grevista, que se estendeu até outubro, o mais vigoroso no estado


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Jornadas de Junho Samuel Tosta -15/10/2013

Os black blocs ressurgiram nos levantes de junho. Em 1999, um grupo com as mesmas características já tinha aparecido em São Paulo. Tânia Rêgo/ABr

Resistência. A luta da Aldeia Maracanã foi incorporada às manifestações. A repressão que destruiu o acampamento repercutiu internacionalmente.

...que agitou o país Samuel Tosta - 07/10/2013

História. Há muito tempo, a mobilização dos professores do município não alcançava tanta gente – e com apoio absoluto dos estudantes.

Massacre. Em julho, uma ação de policiais da PM na favela Nova Holanda, no complexo da Maré, resultou na morte de dez moradores. Uma manifestação de repúdio reuniu centenas de pessoas.

Samuel Tosta - 02/07/2013


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Movimento docente

Fotos: Marco Fernandes - Março 2013

Andes-SN realiza, no Rio, o segundo maior congresso da história

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Representantes do Andes-SN e de outras entidades, na mesa de abertura do 32º congresso da categoria, erguem os punhos ao som de “A Internacional”

Adufrj-SSind foi anfitriã do 32º Congresso do Andes-SN. A reunião do fórum político mais importante do Sindicato Nacional no auditório Roxinho, na Cidade Universitária da UFRJ, no Fundão, atraiu cerca de 700 participantes de todo o país. O vigor do encontro indicou um sindicato forte, preparado para os desafios e que refletiu o saldo orgânico da greve de 2012. Ao fazer o balanço do Congresso, a presidente do Andes-SN, Marinalva Oliveira, observou que “as instituições federais não são mais as mesmas. O mundo do trabalho está diferente e temos mudanças significativas no perfil dos professores”. Marinalva advertiu para a necessidade de o Sindicato Nacional olhar com atenção essas mudanças que ampliam as adversidades para os docentes. “Os professores que ingressam hoje (na universidade) estão diante de uma previdência privada e de piores condições de trabalho”, destacou, na ocasião. O 32º Congresso do Andes-SN definiu como lutas centrais a defesa do caráter público e gratuito da educação, de salários dignos e carreiras com horizonte diverso da imposta pelo atual governo. O Congresso rejeitou a proposta de retorno à CUT e reafirmou a posição de repúdio à homofobia, ao racismo, ao machismo e à xenofobia como parte da luta da classe trabalhadora contra o capitalismo.

Todas as plenárias do evento foram realizadas dentro do auditório Roxinho (CCMN) Marco Fernandes - 16/10/2013

Posse no IFCS Na quarta-feira, 16 de outubro, o Salão Nobre do Instituto de Filosofia de Ciências Sociais (IFCS) serviu de cenário para posse da Direção e do Conselho de Representantes da AdufrjSSind com mandatos até 2015. Pela frente, as novas lideranças terão um ano de agenda específica movimentada e uma conjuntura de Copa do Mundo e eleições presidenciais.

Jornal da Adufrj-SSind - Edição 831 - 20/12/2013  

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