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Preรงo: R$ 11,90 NOVEMBRO de 2011 - ano 1 n o 11


EDITORIAL

O diferente como o caminho Existem empresas que inauguram novas formas de se relacionar e que aplicam esse tipo de postura na cultura corporativa. Elas são diferenciadas, pois, além do produto que oferecem, agregam ideias e práticas inovadoras que fogem ao senso comum e estimulam uma nova modalidade de comportamento empresarial. Na Google, por exemplo, é possível observar essa “atitude diferente” enraizada nas próprias instalações de seus escritórios, com direito a sala de relaxamento, escorregador e tantas outras opções. A Apple, por sua vez, tem revolucionado o mundo da tecnologia e das ideias, conquistado mercados de maneiras distintas e personalizadas. Tem até brasileiro que virou referência nas revistas de negócios internacionais quando o assunto é gestão inovadora. O executivo Ricardo Semler, na década de 1980, trouxe uma forma não-convencional para a administração da Semco S/A. Para você ter ideia, ele criou na empresa, dentre outras coisas, um comitê chamado “C tá loko”. O princípio era bem simples: um fórum de discussão do qual só poderia sair alguma coisa aprovada se alguém falasse a frase “Você está louco!”. São pessoas e empresas que pensam diferente, buscam estar fora do quadrado e fogem do tradicional. Inclusive, a revista que você está lendo neste momento nasceu e busca veementemente essa proposta: ser uma revista sobre Administração e Negócios, mas que seja

totalmente diferenciada das que já circulam por aí. E é exatamente nessa linha que vamos apresentar, em nossa matéria de capa, detalhes sobre como implementar ideias malucas dentro da organização. São propostas, à primeira vista, que parecem loucura, mas que já são muito bem-sucedidas por diversas organizações que abraçaram a ousadia de fazer seu caminho de forma diferente. Em outras editorias, você poderá conhecer melhor o novo conceito de negócios colaborativos, aprender como registrar uma marca, os valores na empresa familiar e o movimento Occupy Wall Street, que mobilizou milhares de pessoas no mundo. No cunho comportamental, a descolada jornalista Mayara Emmily (que se junta à equipe Administradores de forma permanente nesta edição) perguntou a vários consultores em etiqueta como agir e evitar gafes naquelas chatas e inusitadas situações que o ambiente profissional pode nos proporcionar. Imperdível! Esperamos que curta esta edição na mesma proporção que gostamos de prepará-la para você. Boa leitura!

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ambiente externo

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ONLINE

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MARKETING

O caminho das marcas indianas

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estratégia

Os valores na empresa familiar

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artigo

- A última palavra hoje é: “sim, senhora” - Quando a casa não está arrumada, o mundo parece uma bagunça - (Des)Atendimento ao Cliente

Fábio Bandeira de Mello Editor @fabiobandeira_

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ADMINISTRADORES NA HISTÓRIA

Charles Chaplin, o humanista, empreendedor e artista

facebook CARLA VELLOSO GIANNI GE-NI-AIS as páginas centrais da revista Administradores. Eber Freitas e João Faissal arrasaram no layout e na interação de “Como mandar bem na apresentação”. Chega a ser um sonho

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TWITTER criar um projeto que instrua, principalmente os professores, a fazerem apresentações que sigam, no mínimo, uma identidade visual, porque do jeito que está, é bem fácil ter um ataque no meio da aula. O próprio Power Point oferece

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modelos prontos, mas as pessoas insistem em interferir, trocar a cor e a fonte. Aí não dá! Como bem colocaram, “sem letras girando, sem som e sem imagens toscas”. Quem assiste, agradece!

ELIANA LEMOS Muito importante essa matéria, pois nos conta toda a trajetória do homem que mudou o mundo. Serve para ser usada nas escolas como material didático! Parabéns, Administradores!

@RafaelROS A edição da revista Administradores deste mês da @ admnews com Jobs na capa está D+, parabéns à equipe! @OsmarSantini Recebi hoje a nº 10, está muito boa. Valeu a pena parar

as máquinas pra mandar essa edição com #SteveJobs na capa. Parabéns! @helderejc Recebi minha revista Administradores, quando vi Steve Jobs na capa quase choro.


CONTATOS

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QUIZ

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entrevista

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acadêmico

Howard Gardner: o psicólogo que mudou a forma de pensar a inteligência

AGENDA

28 capa

- Por que a maioria dos estudantes de Administração teme cálculo? - Livro voltado para estudantes de Administração desvenda os mistérios da área

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INFOGRÁFICO

Os 4Ps do Marketing e os 4Cs do cliente

carreira

Saiba como agir para evitar gafes e saias-justas no ambiente profissional

Publisher Leandro Vieira leandro@administradores.com.br

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Redação

MUNDO

Ideias Malucas: como o diferente pode ser o caminho para o sucesso nos negócios

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Afinal, o que é esse tal de Occupy Wall Street?

PEI, BUF!

Dicas rápidas e diretas para registrar uma marca

Editor Fábio Bandeira de Mello fabio@administradores.com.br Repórteres Eber Freitas eberfreitas@administradores.com.br, Fábio Bandeira de Mello, Mayara Emmily, Iago Bolívar e Simão Mairins simao@administradores.com.br Revisão Allana Dilene COLABORADORES Leonardo Lanzetta, Lucia Ceja, Marcelo Toledo, Mestre Yoda,

NEGÓCIOS

FORA DO QUADRADO

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Josep Tàpies, Laercio Pimentel,

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Roberto Recinella, Stephen Kanitz e

Negócios colaborativos: a wikieconomia já começou

Willem Smit ARTE DIREçÃO João Faissal joaofaissal@

PAPO COM YODA

As dúvidas dos leitores tiradas pelo mestre jedi

Assinaturas www.administradores. com.br/revista PUBLICIDADE comercial@administradores.com.br +55 (83) 3247 8441 correspondência Av. Nossa Senhora dos Navegantes, 415 / 304 - Tambaú - João Pessoa - Paraíba CEP 58039-110 redação revista@administradores.com.br

administradores.com.br Design e ilustração Thiago Castor thiago@administradores.com.br COMERCIAL

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ADMINISTRADOR DO FUTURO

Versatilidade e vontade de vencer fazem parte do perfil de Kelly Campolongo

Diretor Comercial Diogo Lins diogo@administradores.

ENTRE TENIME NTO

- Curiosidades e Humor - Ações para um mundo melhor - Leitura: Soluções Enxutas – Lean solutions - Cinema: O Poderoso Chefão 1

com.br Atendimento ao Leitor Anna Valéria Vita annavaleria@ administradores.com.br Impressão Gráfica Moura Ramos www.mouraramos.com.br

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ponto final

Stephen Kanitz fala sobre a ilusão do poder

E-MAILS NA SALA DE AULA Resolvi dar um pulo em casa no intervalo da especialização para almoço. Quando chego ao prédio, o carteiro estava distribuindo as correspondências na caixa. Peguei a revista e fui folheando na volta para

a aula. Na página “artigo do professor”, de Wagner Siqueira, o 5º parágrafo tinha tudo haver com o conteúdo ministrado naquela manhã. Mostrei ao professor e foi quando ele fez absoluta questão de ler todo o artigo em sala. Em tempo, listei

ainda cópias e passei aos gerentes aqui na empresa o artigo seguinte do Sergio Ditkun, simplesmente esclarecedor. Parabéns pelas matérias. Fico com a certeza de ter aplicado muito bem o meu dinheiro. valter ernesto da silva

FUSÕES Recebi a revista Administradores - Outubro 2011, nº 10 - e existe uma reportagem - “Fusões que gostaríamos (ou não) de ver” - que pretendo usar nas minhas aulas dentro de um programa de Jovem Aprendiz. Vou

propor aos jovens que criem novas fusões. luís antônio oliveira abreu O papel ultilizado nessa revista possui certificado internacional FSC - nossa prova de responsabilidade ambiental

Mande também seu recado para a Administradores através do revista@administradores.com.br

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| rápidas foto Washington Alves/Inovafoto/COB

ambiente externo

O ETA acaba de anunciar que decidiu pelo fim definitivo de sua atividade armada

Brasil faz bonito no Pan 2011

Chegou ao fim, em 31 de outubro, a XVI edição dos Jogos Pan-Americanos, realizada em Guadalajara, no México. O tamanho da delegação brasileira foi o maior em competições fora do país, com 522 atletas em 40 esportes. E eles não decepcionaram. Ao todo, foram 48 medalhas de ouro, 35 de prata e 58 de bronze, sendo a 2ª melhor colocação do país na história da competição. Agora, os jogos embarcam na cidade de Toronto, Canadá, entre os dias 10 e 26 de Julho de 2015.

Fim da era Gaddafi

O ex-ditador líbio Muammar Gaddafi foi morto no dia 20 de outubro pelas tropas do Conselho Nacional de Transição (CNT). Após o cerco ao último reduto das forças aliadas, em Sirte, Gaddafi foi atingido por alguns disparos não-letais, capturado e depois morto pelos opositores de seu regime. A morte do ditador significa o fim de um período de 42 anos dele à frente da Líbia e pode frear uma violenta guerra civil que se instalou recentemente na região. Por enquanto, o país não tem governante, de modo que os membros do CNT (formado por representantes locais e estrangeiros) ficaram encarregados das tarefas administrativas durante período indeterminado.

Cristina Kirchner é reeleita presidente da Argentina

A peronista Cristina Kirchner venceu mais uma vez as eleições para a presidência da Argentina. A reeleição, no dia 23 de outubro, que contou com 53,8% dos votos contra 16,9% de Hermes Binner, pode fazer do governo Kirchner o mais longo da história (12 anos e meio). Durante o discurso para partidários, a presidente relembrou o seu falecido marido, ex-presidente Néstor Kirchner, e agradeceu as ligações de presidentes de países vizinhos, entre eles Dilma Rousseff, após a vitória.

Wikileaks suspende atividades temporariamente

Com suas contas sob um bloqueio impetrado por empresas de crédito norte-americanas, como o Bank of America, Visa, MasterCard, Paypal e Western Union, o Wikileaks anunciou a suspensão temporária das suas atividades. Em comunicado divulgado no mês de setembro, o portal, que despertou a fúria de grandes companhias e governos poderosos por ter publicado comprometedores documentos sigilosos, anunciou que iniciará uma forte campanha de arrecadação para financiar a continuidade do projeto. Segundo Julian Assange, idealizador do Wikileaks, 95% das receitas do site foram comprometidas devido ao bloqueio.

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Jornal basco Gara sobre o anúncio do grupo terrorista ETA de abandonar a luta armada.

Como prometido, o restante de nossas tropas no Iraque voltará para casa até o final do ano. Após quase nove anos, a guerra da América no Iraque estará acabada Barack Obama, presidente dos EUA, ao anunciar o fim da ocupação no Iraque.

Estou livre da doença Hugo Chávez, presidente da Venezuela, anunciando ter realizado exames que comprovam estar curado de um câncer.

Espero que este acordo leve à paz entre palestinos e israelenses e que isso ajude na cooperação entre os dois lados Gilad Shalit, soldado israelense sequestrado pelo Hamas durante cinco anos e que foi trocado por 400 prisioneiros palestinos.


online

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istockphoto

FOI DESTAQUE NA WEB

Sete dicas para quem quer se tornar um bom empreendedor Um bom empreendedor precisa ter iniciativa para criar um novo modelo de negócio, já que o empreendedorismo é uma característica do administrador que tem por objetivo o sucesso. adm.to/dicas_empreendedor

ARTIGOS

“Stay hungry, stay foolish” Rodolfo Araújo destrincha pontos da marcante palestra de Steve Jobs no encerramento do ano letivo de 2005, na Universidade de Stanford. adm.to/palestra_jobs

Você faz parte do problema ou da solução? Cinco maneiras infalíveis de se tornar um líder odiado

Entrevista de emprego: os sete erros comuns na dinâmica de grupo

Lideranças ditatoriais existem em todos os lugares e utilizam mecanismos que podem levar uma empresa - e o líder - à ruína. adm.to/lider_odiado

Saiba quais são os principais fatores que prejudicam o candidato nesta fase do processo seletivo. adm.to/entrevista_grupo

ENQUETE

#FICADICA

APP

Qual é o principal motivo pelo qual as empresas não inovam?

Não há interesse de fazer o novo, apenas repetir o que já é produzido

33,62%

Medo de arriscar

13,89% 12,46% 2,90% Outro

Faltam ideias

Falta de suporte financeiro

entrevista Participe dos fóruns de discussão e leia as entrevistas feitas com os executivos.

Comunidade Administração Sugestões de temas de monografia e TCC. adm.to/temas_tcc

ENTREVISTA CAM CARD READER

37,13%

Rogério Martins mostra até que ponto a forma como encaramos as situações do nosso dia a dia determinará nosso futuro. adm.to/problema_solucao

Programa feito para quem precisa organizar os cartões de visitas recebidos semanalmente em inúmeras reuniões. Você tira uma foto do cartão e o aplicativo adiciona os dados nele contidos à agenda.

PFINANCE Confira como andam suas ações, dicas de investimentos, o ranking de melhores negócios do dia, as notícias sobre as empresas onde você faz investimento e muito mais.

O apresentador Max Gehringer fala sobre carreira, mercado, perspectivas de futuro para os jovens profissionais e ainda guarda um espaço para declarações polêmicas sobre a geração Y. adm.to/entrevista_max Luiz Sebastião Sandoval, ex-presidente do grupo Silvio Santos, fala sobre os 28 anos à frente do holding e acusa a Record de concorrência desleal contra o SBT. adm.to/sandoval_sbt

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adm.to/orkutadm Novembro 2011

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QUIZ

provavelmente já ouviu falar na Teoria das Gerações. Se V ocê sim, tenho certeza que já calculou a data de seu nascimento

para entender em qual delas você se encaixa, certo? Mas nem sempre é a idade que faz essa marcação. A capacidade que você tem de estar aberto a novas informações, de se renovar, é o que realmente define sua posição em relação às

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Quando me imagino em um ambiente de trabalho, a alternativa que mais se aproxima mais do meu modo de pensar e agir em relação ao meu chefe/gestor é: a) Acho que se ele conquistou esse cargo é porque devo respeitá-lo e seguir seus passos; b) Penso que ele tem o conhecimento necessário para estar ali e, se erra, deve reconhecer e dar a volta por cima; c) Respeito o meu chefe/gestor, mas questiono quando não acho certo o que ele está propondo ou fazendo; d) Admiro meu chefe/gestor quando percebo que ele faz aquilo que fala e serve de exemplo para mim e para os demais colaboradores da equipe. Em relação ao meu trabalho: a) Busco estabilidade e segurança no trabalho; b) Sou workaholic e preciso me realizar no trabalho; C) Gosto de ter flexibilidade de horários, mas não é isso que me mantém em um emprego/ carreira; d) Flexibilidade de horário e qualidade de vida são itens fundamentais ao buscar um emprego/ carreira. Na minha infância, eu: a) Criava meus próprios brinquedos, como peão, pipa, bonecos e os usava para me divertir; b) Brinquei muito na rua, com amigos e sem a supervisão direta dos meus pais; c) Tinha interesse por alguns brinquedos tais como quebra-cabeças e jogos. d) Adorava jogar video game ou brincar de Barbie. Quando compro um aparelho eletrônico novo, eu normalmente: a) Peço ajuda a alguém para instalá-lo, pois sei que terei dificuldades; b) Sigo o passo-a-passo do manual de instruções e consigo me virar com ele; c) Tento utilizá-lo da melhor forma, mas mantenho o manual de instruções do meu lado, caso tenha alguma dúvida; d) Vou fuçando e me virando sozinho, testando a utilização no próprio aparelho.

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Qual geração você mais se encaixa?

gerações. Muitos de nós podemos ser “um ponto fora da curva” e não estarmos realmente encaixados na geração na qual nascemos. Podemos sim ter crenças e estilos diferentes das pessoas que nasceram na mesma época que nós. Por isso, faça o teste para ver com qual das gerações você mais se identifica.

Trabalho ideal para mim é aquele que: a) Oferece estabilidade e segurança, possibilitando-me, assim, dar um futuro seguro à minha família. b) Proporciona um salário que compense o meu esforço e dedicação, possibilitando-me, assim, manter a minha família reunida e feliz; c) Possibilita que eu me realize profissionalmente e que ofereça alternativas de desenvolvimento e crescimento na carreira. d) Está relacionado com quem eu sou e quero ser e me possibilite, assim, conciliar vida pessoal e profissional. Acredito que um bom tempo para estar em uma mesma empresa é: a) Mais de 10 anos; b) Entre 5 e 10 anos; c) Entre 2 e 5 anos; d) Até 2 anos. Sobre trabalhar em um mesmo projeto sem me dispersar: a) Posso ficar um dia todo trabalhando em uma mesma atividade; b) Por volta de cinco horas e ainda consigo render novas ideias; C) No máximo três horas; d) Por volta de duas horas seguidas. Depois disso, preciso fazer uma pausa. Quando quero me atualizar sobre um assunto, eu: a) Leio a teoria sobre o tema, busco referências de leitura e pessoas que conheçam a respeito e busco me aprofundar em minhas análises; b) Leio sobre o tema em livros ou revistas e caso aquilo me interesse, me aprofundo buscando outras referências confiáveis; c) Busco sites especializados na internet sobre o assunto e faço minhas análises acerca do tema; d) Busco um site que já englobe informações diversas sobre assuntos diferentes do meu interesse.

De uma forma geral, a frase que melhor me define é: a) Sou paciente; b) Sou otimista; c) Sou prático; d) Sou ansioso.

10 A melhor contribuição que eu posso oferecer para um mundo melhor:

a) Votar nas pessoas certas que irão dirigir o país; b) Ir pra rua e fazer uma manifestação de conscientização; c) Organizar um grupo de pessoas com os mesmos interesses que o meu e, juntos, partir para a ação; d) Compartilhar nas redes sociais campanhas e ações em que acredito.

resultados Se você respondeu a maioria A – Veteranos: Você está mais próximo da Geração de Veteranos! Eles são práticos, dedicados, gostam de hierarquias rígidas, ficam bastante tempo na mesma empresa e se sacrificam para alcançar seus objetivos, pois foram pessoas que, em sua maioria, enfrentaram uma grande guerra e passaram pela Grande Depressão. Com os países arrasados, precisaram reconstruir o mundo e sobreviver. Se você respondeu a maioria B – Baby Boomers: Você se encaixa na Geração dos Baby Boomers, aqueles filhos do pós-guerra que romperam padrões e lutaram pela paz. Já não conheceram o mundo destruído e, mais otimistas, puderam pensar em valores pessoais e na boa educação dos filhos. São focados e preferem agir em consenso com os outros. Valorizam títulos, status e, consequentemente, crescimento profissional. Se você respondeu a maioria C – Geração X: Você está entre as pessoas da Geração X, aquelas que se permitem pensar em qualidade de vida, liberdade no trabalho e nas relações. Como enfrentaram crises como a do desemprego na década de 80, também se tornaram céticos e superprotetores. Buscam por seus direitos e valorizam a liberdade e qualidade de vida. Se você respondeu a maioria D – Geração Y: Você faz parte da Geração Y. Por definição, esta geração desenvolveu-se numa época de grandes avanços tecnológicos e prosperidade econômica. São pessoas que cresceram vivendo em ação, estimulados por atividades diversas. Possuem certa dificuldade de exercerem tarefas subalternas de início de carreira e lutam por salários ambiciosos desde cedo. Algumas características atuais são a utilização de aparelhos de alta tecnologia, sede por desafios e busca de constantes feedbacks.

Teste elaborado pelo Blog Chega+ da Cia de Talentos, consultoria especializada no recrutamento e na seleção de pessoas. adm.to/chegamais


| CAPACITE-SE

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EVENTOS

Agenda Início:

17 NOV 2011 Início:

19 NOV 2011 Início:

20 NOV 2011 Início:

22 nov 2011 Início:

29 NOV 2011

Curso de Formação e Certificação Internacional em Coaching Responsável: ABC Local: Vitória – ES Info: adm.to/coaching_11

Euro Pós Responsável: CampusFrance Local: São Paulo – SP Info: adm.to/euro_pos

EnGPR 2011 Responsável: Anpad Local: João Pessoa – PB Info: adm.to/engpr11

Indicadores de Desempenho em RH Responsável: Informa IBC Local: Curitiba – PR Info: adm.to/desempenho_rh

Fórum Brasil Anticorrupção Responsável: Marcus Evans Local: São Paulo – SP Info: adm.to/anticorrupcao

Início:

18 NOV 2011

Início:

20 NOV 2011 Início:

22 nov 2011 Início:

24 NOV 2011 Início:

30 NOV 2011

3ª AESTHETIC FAIR Responsável: Homo Sapiens Instituto Local: São Paulo – SP Info: adm.to/aesthetic_11

EnEPQ 2011 Responsável: Anpad Local: João Pessoa – PB Info: adm.to/enepq

1ª Semana de Desenvolvimento Profissional Responsável: EJA Consultoria Local: João Pessoa Info: www.sdprofissional.com

Avaliação de Desempenho Responsável: Bernardo Leite Consultoria Empresarial Local: São Paulo – SP Info: adm.to/avaliacao_11

Seminário: William Ury Responsável: HSM Local: Porto Alegre - RS Info: adm.to/ury_11


| Howard Gardner

divulgação

entrevista

Howard Gardner o psicólogo que mudou a forma de pensar a inteligência

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Novembro 2011


Professor da Universidade de Harvard e da Boston School of Medicine, Gardner balançou as bases da Educação ao defender um método novo e ousado para medir o grau de inteligência nas pessoas. Seus mais de vinte livros e centenas de artigos vêm, ao longo de décadas, influenciando acadêmicos e educadores de todo o mundo. E ele não quer parar... por fábio bandeira de mello

O

s critérios para determinar se alguém é inteligente mudaram radicalmente nos últimos 20 anos. E um dos responsáveis por essa transformação, sem sombra de dúvida, foi o psicólogo americano Howard Gardner. Ele desafiou a sabedoria convencional sobre a compreensão da inteligência humana ao concluir que a mente Em sua teoria das Inteligências Múltiplas, você destaca que cada pessoa possui uma mistura singular de vários tipos de inteligência. Mas como exatamente funciona esse processo?

Se pensarmos nos administradores pelo mundo e nos tipos de inteligência que descreve, quais seriam as inteligências mais necessárias para saber administrar? Por quê?

é composta de múltiplas capacidades independentes entre si, ao invés de apenas uma. Para Gardner, a inteligência não pode ser medida só pelo raciocínio lógico-matemático, geralmente o mais valorizado na escola. Porém, seus estudos vão além. Gardner desenvolveu uma tese daquilo que chama de “Cinco mentes para o futuro”, ao demarcar os tipos de competências que são necessárias para alcançar o sucesso pessoal e pro-

Todos os seres humanos possuem oito ou nove inteligências principais - linguística, lógica, musical, espacial, corporal, interpessoal, intrapessoal e naturalista. Além disso, existe a possibilidade de possuirmos uma inteligência existencial - a inteligência de refletimos sobre grandes questões. No entanto, duas pessoas não possuem exatamente o mesmo perfil de inteligências - nem mesmo gêmeos idênticos. Isso acontece porque nós temos experiências e motivações diferentes, e não queremos ser como os outros. Conhecidas essas diferenças, educadores e pessoas de negócios têm uma escolha. Cada um de nós pode tentar fazer o mesmo, ou podemos celebrar a diferença e tentar ajudar indivíduos a encontrarem seu próprio nicho, de acordo com seus potenciais e interesses.

fissional no século 21. Ele promove, ainda, o grupo de pesquisa Good Work Project, com atuação pelo mundo, que defende o comportamento ético e a melhora na autoestima profissional. O psicólogo conversou com a Administradores sobre o seu trabalho realizado desde meados de 1980, e também sobre os novos caminhos da sociedade para a educação e para o trabalho.

uma companhia manufatureira, financeira ou tecnológica. É claro que o papel que você exerce na organização também importa. Se você trabalha com cálculo e orçamento, a inteligência lógica é importante. Caso a pessoa trabalhe na área de recursos humanos, as inteligências pessoais se tornam mais relevantes. Já para quem pretende atuar com comunicação, a inteligência linguística é crucial. É claro que cada gestor precisa ser capaz de trabalhar com diferentes indivíduos e, neste caso, ambas as inteligências - a interpessoal (compreender os outros) e a intrapessoal (compreender a si mesmo) são vitais.

Você tem uma análise bem crítica sobre os testes padronizados e os famosos testes de QI.  Qual seria o motivo?

Isso depende da natureza do trabalho. Se você trabalha em algum tipo de organização artística (museus ou moda), você lida com inteligências diferentes das quais lidaria se trabalhasse em

Novembro 2011

Há 100 anos, os testes de QI tinham o objetivo de predizer quem melhor se encaixaria em um determinado tipo de escola. Eles fazem isso muito bem, mas eu tenho um preditor muito melhor - a performance no último ano de escola. O problema com testes de QI é que eles fazem um trabalho racional de análise das inteligências linguística e lógica, mas não testam as outras inteligências que, inclusive, são muito

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entrevista

| Howard Gardner

Muito do que é errado nos Estados Unidos, e em países influenciados pelos Estados Unidos, é que estamos preparando nossos jovens para os séculos 19 ou 20

importantes para o trabalho no século 21. Quanto a testes padronizados, o que realmente contesto são as respostas curtas e opções de múltipla escolha, que primeiramente observam o conhecimento factual. A vida não consiste em testes de múltipla escolha - você precisa decidir o que é importante e como lidar com isso. Usar padrões é muito bom, mas padrões precisam ser apropriados às tarefas imediatas. Agora com computadores, podemos olhar diretamente para as performances, através de simulações diretas das capacidades que são necessárias. Essa é uma maneira muito melhor de avaliar competências que um teste de múltipla escolha. Além disso, não existe mais a necessidade de memorizar fatos. Eles podem ser rapidamente obtidos em computadores pessoais e smartphones. Precisamos de pessoas para entender como aqueles fatos são apurados - os métodos que são usados por diferentes disciplinas e diferentes profissões... e que se alega não terem nenhum mérito.

Você acredita que a educação ao longo do tempo vem sofrendo problemas pela maioria das escolas tratarem todos os alunos da mesma maneira?

Sim, mas quando você tem aulas extensas e professores que não são versáteis, isso é inevitável. No passado, apenas um grupo tinha educação individual - os muito ricos, que podiam contratar tutores. Agora, vivemos pela primeira vez na história da humanidade um tempo em que educação individual pode ser amplamente distribuída, através dos computadores. Se existem dez maneiras de se aprender álgebra, ou como consertar uma máquina, ou como dar sentido a uma guerra civil, todas essas respostas podem ser obtidas on-line ou por aprendizado a distância. A perspectiva é muito animadora!

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Analisando os países emergentes, como o Brasil poderia melhorar a educação nas escolas para potencializar as habilidades e os tipos de inteligências dos nossos alunos?

A teoria das inteligências múltiplas recomenda dois passos: individuação e pluralização. Individuação significa que devemos ensinar a cada indivíduo de modo que ele possa aprender facilmente, e avaliar esta pessoa de maneiras que sejam cômodas. Pluralização significa que devemos ensinar assuntos importantes de mais de uma maneira. Se você pode lecionar um assunto de diferentes modos, você recebe duas recompensas importantes: 1) você alcança mais estudantes, porque alguns aprendem melhor através de histórias, outros por meio da lógica, ou trabalhos artísticos, ou esquemas; 2) você tem uma demonstração do que significa compreender bem alguma coisa. Se você compreende bem qualquer assunto ou ofício, você pode apresentá-lo de diferentes maneiras. Nós temos uma vasta experiência em treinar a mente disciplinada, muito menor que nas mentes sintética ou ética. E então aqueles países que podem buscar esses tipos de mentes com êxito terão uma grande vantagem. Muito do que é errado nos Estados Unidos, e em países influenciados pelos Estados Unidos, é que estamos preparando nossos jovens para os séculos 19 ou 20.

Você também desenvolveu a tese das “Cinco mentes para o futuro”, na qual ressalta como essenciais para o século 21 a mente sintética, disciplinada, criativa, respeitosa e ética. Quais foram as razões que o levaram a escolher essas cinco abordagens como fundamentais? 

Em meu trabalho com inteligências, eu operei como um pesquisador, tentei definir as inteligências humanas essenciais. Quando recomendo cinco mentes para o futuro, estou agindo como um diplomata. Não existe nada mágico sobre as cinco mentes. Eu poderia ter escrito sobre a ‘mente tecnológica’ ou ‘a mente digital’ ou ‘a mente intercultural’. Escrevi sobre mentes que considerei importantes e acredito que contribuí para coisas importantes.


Mas qual delas é a mais importante?

Acredito que todas elas são necessárias, mas a respeitosa e a ética são as mais importantes. Se não tivermos respeito pelos indivíduos, particularmente aqueles aparentemente diferentes de nossas famílias, e se não nos comportarmos de um modo ético, o planeta que conhecemos não existirá. As pessoas no Brasil têm a imensa vantagem de viver em uma cultura muito diversa. Isso é muito mais difícil para pessoas que vivem em uma cultura mais homogênea, como na área agrária da China, ou Escandinávia. Quanto às outras três mentes, existem mais opções: algumas pessoas serão peritas sintéticas e algumas serão criativas/empresariais. Mas todas as pessoas precisam ter habilidade em alguma área, e esse é o aspecto onde a mente disciplinada se torna crucial.

Ainda sobre as cinco mentes, você poderia nos apontar pessoas que seriam excelentes exemplos por possuírem com desenvoltura uma dessas mentes? 

Existem exemplos em abundância de indivíduos com mentes disciplinadas - bons estudiosos, artistas, profissionais. Como um grande sintético, menciono o biólogo Charles Darwin. Na era contemporânea, dois grandes biólogos sintéticos são E. O. Wilson e Stephen Jay Gould, ambos colegas em Harvard. Eu escrevi um livro chamado Criando mentes, sobre sete grandes criadores da era moderna: o físico Albert Einstein, o poeta T. S. Eliot, o pintor Pablo Picasso, o músico Igor Stravinsky, o psicanalista Sigmund Freud, a dançarina Martha Graham, e o líder religioso-político Mahatma Gandhi. O presidente Barack Obama exemplifica uma mente respeitosa, enquanto o presidente Abraham Lincoln tinha uma mente ética. Desculpem-me por esses exemplos não incluírem indivíduos do Brasil, pois tive que mencionar pessoas que conheço bem.

Quais são seus próximos passos em relação a pesquisas? No momento, está trabalhando alguma nova pesquisa que poderia nos contar?

Meu trabalho atual representa um esforço em dar condições ao meu país e a outras localidades. Nos últimos cinquenta anos, os mercados também se tornaram poderosos em demasia nos Estados Unidos e acabaram trazendo uma situação em que a maioria da população é impulsionada pelo medo, de um lado, ou pela ganância, por outro. Então, colegas e eu temos tentado promover o bom trabalho, ou seja, o trabalho que é excelente, engajado e ético. Além disso, pregamos a boa cidadania, que consta em membros que conhecem as leis e regulamentos de uma sociedade, preocupados com eles e que tentam fazer o que é certo para uma convivência mais plena. Nós também estamos empreendendo esforços para aumentar a incidência do bom trabalho nos Estados Unidos. Você pode aprender mais sobre esse projeto nos sites goodworkproject.org e hgoodworktoolkit.org.

Gardner é autor de diversos bestsellers como Responsabilidade no trabalho (2008), Cinco mentes para o futuro (2007), Mentes que mudam (2005) e Inteligências múltiplas (1995). Novembro 2011

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ACADÊMICO

| CÁLCULO

Lidar com números: difícil para uns, essencial para todos Os dilemas e a inegável importância das disciplinas exatas para o estudante e o profissional de Administração. por mayara emmily

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rimeiro período. É o segundo dia de aula no curso quando Anna Valéria recebe a ementa e já sabe quais disciplinas irá cursar no semestre. Duas em especial chamam sua atenção: Matemática I e Contabilidade. Como nunca teve tanto domínio de cálculo, Anna fica receosa de como serão essas aulas. Sua impressão negativa fica pior do que imaginava. As aulas se afastam do assunto do restante do curso, além de serem bem cansativas. Resultado: o desinteresse foi grande e o aprendizado ficou a desejar. A dificuldade no aprendizado de disciplinas exatas entre alguns estudantes universitários da área de humanas não é novidade. O problema, no entanto, não começa no ensino superior. De acordo com o professor Antonio Carlos Branco, da área de Matemática Aplicada da Fundação Getúlio Vargas (FGV), as reprovações em matérias como Cálculo se devem à ausência de alicerce em Matemática na escola. “O principal motivo das dificuldades é a total falta de base da Matemática do ensino médio com que esses alunos chegam ao ensino superior. Alunos que aprenderam bem a Matemática do ensino médio não têm, em geral, qualquer dificuldade no aprendizado do Cálculo”, aponta. Outro aspecto proeminente é a relevância dada pelo estudante. Nicolau Reinhard, professor da área de Métodos Quantitativos e Informática da Universidade de São Paulo (USP), afirma que o bom rendimento do aluno depende da importância dada às discipli14

nas quantitativas durante sua trajetória, em especial no ensino médio. “Ao reconhecer o mérito destas disciplinas, o aluno lhes dará o valor devido e terá um desempenho adequado. A motivação e habilidade dos alunos na área quantitativa também são desenvolvidas na sua formação básica, principalmente no ensino médio”, explica Reinhard.

Mas e as aulas dinâmicas? Quando se trata do curso de Administração, geralmente, as salas de aula que possuem mais reprovações são aquelas que precisam de algum tipo de cálculo. E os estudantes se defendem: para muitos deles, isso ocorre devido à não-aplicabilidade imediata dos conhecimentos quantitativos e por muitos dos professores se afastarem de assuntos relacionados ao curso. “O problema, muitas vezes, é a didática adotada. Muitos conhecem bastante a parte técnica, conceitual, mas não sabem transmitir o assunto de forma adequada”, afirma a estudante Ana Beatriz. O professor Antonio Carlos Branco destaca que a diferença no método de avaliação de exatas - que é focado em testes e provas - em relação às matérias de humanas - que tem os trabalhos como métodos avaliativos fundamentais - é um ponto que contribui para o baixo desempenho dos estudantes. Mas ele assume que muitos docentes precisam buscar novas formas de ministrar suas aulas. “As aplicações de disciplinas quantitativas no curso dependem das metodologias utilizadas no ensino e na utilização do conhecimento exato”, comenta.

E essa relação da disciplina com o cotidiano do estudante deve ser desenvolvida pelos bons profissionais do ensino, segundo Nicolau Reinhard. “O bom professor sempre procurará relacionar o assunto a ser apreendido com conhecimentos anteriores do aluno, o que fará com que ele ilustre as suas aulas com exemplos de uso em outras áreas da vida profissional ou cotidiana. Já que Administração é um curso profissionalizante, o professor também demonstrará a importância e possibilidade de aplicação do instrumental nas várias áreas da Administração. Deste modo, o aluno compreenderá melhor a relevância do assunto para a sua formação e ficará mais motivado para se dedicar ao processo de aprendizagem”, destaca o professor da USP.

Pré-requisito obrigatório: dedicação O estudo de matérias exatas no curso não deve ser uma surpresa para os alunos de Administração, já que na vida profissional eles vão lidar com esse tipo de conhecimento. A professora Perla Calil explica o caso da área de Finanças: “não é algo estranho para quem escolheu o curso de Administração. Os ingressantes devem saber que todas as decisões tomadas pela empresa - seja na área de Marketing, de Recursos Humanos, de Operações, de Logística, de Estratégia culminam numa decisão financeira, que gerará investimentos, proporcionará retornos e que precisa ser avaliada quanto ao benefício financeiro”. Aldery Júnior, professor da Universi-


Professores explicam a importância das disciplinas exatas nas organizações Solução de problemas reais

thinkstock

As disciplinas instrumentais como Cálculo e Estatística são fundamentais para a solução dos problemas “reais” e para subsidiar tomadas de decisão. Algumas matérias podem propor modelos que precisam ser testados. Por exemplo, o impacto de uma ação de marketing pode ser modelado como uma função com um pico seguido de uma queda. Diferentes estratégias, com custo diferenciado, podem levar a diferentes impactos. A Estatística pode estimar a razão custo/benefício entre elas. Kaizô Beltrão professor de estatística da fgv

Base do gerenciamento financeiro

Ambos devem cumprir seus papéis: o docente de ensinar o conteúdo da maneira mais clara possível e o aluno de estudar e praticar o assunto dade de Brasília (UnB), ressalta bem essa ponte com a profissão. “A Matemática está inserida no contexto dos administradores. Os que não sabem matemática financeira não têm como administrar”, enfatiza. Para o professor de Estatística da FGV Kaizô Beltrão, os alunos devem largar essa visão inicial de inaplicabilidade das disciplinas e pensarem como elas serão positivas mais à frente. “É possível que haja mais reprovações [em disciplinas com cálculos], principalmente por uma atitude imediatista dos alunos, que não veem como aquela disciplina pode afetar a aquisição de conhecimento das que a seguem na grade curricular e na profissão”. Por isso, a performance do estudante, como acrescenta Perla Calil, vai depender do seu empenho. “O estudo de Finanças

requer o desenvolvimento de exercícios, o que exige tempo de dedicação, e, muitas vezes, isso os alunos não querem”. E dedicação parece ser a chave para a solução do problema do ensino e aprendizado de matérias exatas no curso de Administração. No entanto, essa não deve ser uma ação unilateral. Ela não pode depender unicamente da postura do professor e nem apenas do esforço do estudante. Ambos devem cumprir seus papéis: o docente de ensinar o conteúdo da maneira mais clara possível e o aluno de estudar e praticar o assunto. Assim, a dedicação conjunta é transformadora, pois qualquer matéria, seja ela ou não de exatas, pode deixar de ser vista pelo futuro administrador como um obstáculo para ser uma verdadeira ferramenta que possibilita uma formação profissional mais completa.

A Matemática Financeira é um facilitador. Qualquer organização, pública, privada, com ou sem fins lucrativos tem que gerir seus recursos. Se existem recursos, tem que se saber administrar o financeiro e para isso é preciso Matemática Financeira, base para qualquer gerenciamento financeiro. Aldery Júnior professor de matemática financeira da unb

Conhecimento para a tomada de decisões Com a crescente globalização e integração dos negócios, aumenta a quantidade e a complexidade de informações que o administrador precisa tratar para tomar suas decisões. Torna-se cada vez mais difícil fazer escolhas apenas com base na intuição. Uma resposta a esses problemas tem sido a crescente formalização dos processos de análise e decisão, como, por exemplo, o uso de modelos matemáticos para “program trading” e “dynamic pricing”. Para fazer um uso efetivo destas ferramentas, o administrador precisa ter firmeza nos conceitos de ferramentas matemáticas e estatísticas que estão na base destes modelos. Nicolau Reinhard professor da área de métodos quantitativos e informática da usp

Analisar e lidar com fatores dentro da empresa O Cálculo Diferencial e Integral é uma das ferramentas matemáticas mais poderosas e importantes para a análise do comportamento das diversas grandezas com que uma organização lida no seu dia a dia. Não é nenhum “bicho de sete cabeças”! Ao contrário, é uma arma poderosa para lidar com eles e transformá-los em “bichos normais”. Antonio Carlos Branco professor da área de matemática aplicada da fgv

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| LIVRO divulgação

ACADÊMICO

Seu futuro em Administração Lançado livro voltado exclusivamente para estudantes da área. Jovens e futuros administradores ganham aliado para extrair o melhor da vida acadêmica e alavancar sua carreira.

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hegam a ser surreais os dilemas dos jovens nos dias atuais. O universo dessa turma carregada de contradições, valores, profundo senso crítico e genialidade em excesso está movido de certezas e incertezas todo o tempo. Essa geração, nascida e criada na era digital, que vive sem fronteiras para dialogar, é a mesma que também rói as unhas por conta das perspectivas futuras, das prioridades e dos anseios nos estudos, na profissão e na vida. Não há como fugir à transição mais emblemática e mística da passagem colégio-universidade-trabalho. É o momento da definição profissional (do curso que seguirá ao longo do tempo), de ganhar bagagem acadêmica na graduação e de seguir a carreira pretendida. E hoje, a escolha mais comum dos préuniversitários é a Administração. São mais de três mil faculdades e mais de 1,1 milhão de alunos no Brasil. Para se ter uma ideia, o número de estudantes matriculados nessa área chega a ser 69% superior comparado à graduação de Direito, segundo maior curso. Percebendo a inexistência de leituras que possam ajudar nessa trajetória, o administrador Leandro Viera acaba de lançar, pela editora Campus, o livro Seu futuro em Administração. Munido de um tom informal e uma abordagem sem rodeios, Leandro penetra na realidade cotidiana dos estudantes da área desmistificando conceitos enraizados nas instituições de ensino superior. Ele apresenta caminhos e dicas que vão desde a fase da escolha do curso, a melhor forma de aproveitar ao máximo a profissão, até atingir a tão desejada carreira de sucesso. 16

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“A Administração é a profissão de maior concorrência da atualidade. Com tantos administradores por aí (já representamos 20% da população com nível superior), você não pode se conformar em ser apenas mais um. Meu principal objetivo com este livro é inspirá-lo a ser um administrador fora de série, o tipo de profissional necessário em qualquer tipo de organização, alguém que, de fato, faz a diferença”, ressalta Leandro.

A necessidade de administrar A Administração, certamente, é uma área privilegiada. Ela está presente em todas as organizações, independentemente de sua natureza ou de sua dimensão. Seja nos setores de eletrônicos, automotivo, farmacêutico, agronegócio, construção civil etc. Até na moda, no esporte e no cinema há uma pitada generosa da Administração. Falou em uma pequena mercearia no interior do Brasil, ou no modelo de gestão das principais multinacionais do mundo, os princípios da área estão presentes. Com um campo de atuação bem vasto e que compreende todas as atividades, a Administração abre um leque imenso de possibilidades de carreira e permite “mergulhar” em diversas áreas do conhecimento, aumentando as chances de descobrir sua aptidão. Para Gustavo Cerbasi, considerado o principal especialista em finanças do Brasil, “é esse conhecimento que encontramos nesta obra cujo propósito não é outro a não ser o de ajudar a formar melhores administradores”. Cerbasi ressalta que “a essência da Administração está em saber agregar diferentes áreas, no sentido de refinar as decisões e conduzir em-

Livro: Seu futuro em Administração Reflexões, dicas e conselhos para você se tornar um administrador fora de série Autor: Leandro Vieira Editora: Campus Número de páginas: 162 Valor: R$ 39,90 Onde encontrar: Livrarias de todo o Brasil

presas e vidas por caminhos melhores na busca de seus objetivos”. Segundo Leandro Vieira, “vivemos em uma sociedade de organizações, e nossa vida é profundamente afetada por elas. Nenhum outro curso prepara tão bem para essa nobre e vital atividade quanto o curso de Administração. São mais de três mil horas apenas em sala de aula, em disciplinas planejadas especificamente para formar um administrador”. Seu futuro em Administração, lançado nesse mês de novembro, é repleto de exemplos e provoca importantes reflexões sobre o processo de formação e o exercício da profissão de administrador.

QUEM É O AUTOR? Leandro Viera é o criador do portal Administradores.com e também da revista Administradores. Ele é mestre em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, certificado em Empreendedorismo pela Harvard Business School e possui MBA em Marketing, pelo Instituto Português de Administração e Marketing (IPAM). É empreendedor por excelência, característica que o fez quebrar paradigmas e transformar um despretensioso grupo de discussão no maior canal on-line do seu segmento na América Latina.


CARREIRA

| COMPORTAMENTO

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m comentário íntimo feito a colegas da empresa que acaba se espalhando ou o constrangimento de beber além da conta na festa da empresa são alguns exemplos de deslizes possíveis quando há descuido na postura profissional. Diferentemente de ambientes informais, o comportamento no escritório deve ser sempre guiado pelo bom senso, que inclui cuidado no uso de palavras, boa educação, vestimenta de acordo com o ambiente, discrição e outras atitudes afins. No entanto, nem sempre o uso do bom senso encarrega-se de banir a possibilidade de algum erro. Em alguns casos, como no uso correto da roupa ou no relacionamento amoroso entre colegas da mesma empresa, existe a necessidade de seguir “regras” que variam dependendo do estilo da organização. Para quem quer fugir de armadilhas dentro e até mesmo fora da empresa, a Administradores selecionou situações e soluções para cada uma delas, sugeridas por consultores especialistas em etiqueta e comportamento. Será que você está andando na linha?

Situação 1

Durante uma conversa, colegas criticam outro funcionário ou o chefe e perguntam a minha opinião sobre ele. O que fazer?

Thinkstock

Eu fugiria desse assunto, porque é fofoca. Deixa de ser fofoca quando a crítica acontece diante do criticado. Com esta característica não é nem deselegante e nem falta de educação, pois acho que você está criticando um colega com a intenção de fazê-lo melhorar. Falar do outro pelas costas ou falar do chefe é, de fato, fazer fofoca e isso é meio caminho andado para confusão. Eu não falaria nada e diria que nunca havia pensado sobre o assunto. Acho que é uma boa saída.

Célia Leão

Se vira nos 30

Saiba como agir para evitar gafes e saias-justas no ambiente de trabalho e também fora dele. por mayara emmily

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consultora de empresas na área de etiqueta empresarial e marketing pessoal, etiqueta social e cursos de atendimento ao público

Situação 2

Como evitar aquele chefe ou colega que tenta ajudar no trabalho mas acaba atrapalhando? Marque um horário para conversar com a pessoa. Explique como se sente e solicite a ela que mude o seu comportamento.

Maria Aparecida Araújo e Cláudio Pelizari consultores de comportamento profissional, etiqueta social e internacional e marketing pessoal. atuam no etiqueta empresarial executive manners consulting


Situação 3

Situação 6

Fui ao cinema e vi um(a) colega de trabalho, que é casado (a), fazendo par romântico com outra pessoa. O que fazer?

O que fazer se sou alvo de inveja de um (a) colega, que faz de tudo para me prejudicar no trabalho?

Discrição acima de tudo. Evite ser visto pelo colega, assim evitará maiores constrangimentos.

Sofia Rossi consultora de etiqueta e de boas maneiras

Situação 4

O que fazer se eu recebo outra proposta de trabalho e a notícia acaba se espalhando na minha empresa atual? Em primeiro lugar, receber uma proposta de trabalho de outra empresa é uma coisa muito natural. É lógico que antes de se decidir, a pessoa não quer que ninguém saiba e, portanto, deve ficar calada. Nada de “confidenciar” isso a alguém em quem confia. Mas, se a notícia vazar, deve-se imediatamente conversar abertamente sobre o assunto com o gerente, supervisor, diretor ou até o presidente da empresa, se for caso. Essa atitude é muito poderosa e estanca qualquer possibilidade desse assunto continuar se desenvolvendo subterraneamente.

Bruna Gasgon

consultora em comunicação, palestrante e autora de oito livros, entre eles vendas cinematográficas

Situação 5

O que fazer quando tenho um relacionamento com um (a) colega? Procure manter o relacionamento fora do horário de trabalho. Evite que a paixão atrapalhe a boa conduta profissional. Comunique o namoro ao chefe, antes que os colegas fiquem sabendo. Evite conversas demoradas e ausência prolongada de ambos durante o expediente e atrasos no retorno do almoço.

Pesquisas recentes concluíram que as pessoas invejosas aceitam melhor as ideias que vêm de fora da empresa do que as que vêm dos colegas, demorando a resolver problemas e impactando negativamente nos lucros. A inveja ganha solo fértil quando a cobrança e a exagerada disputa por reconhecimento não têm regras claras e definidas. Quem se julga prejudicado e alvo da inveja de colegas deve conversar com o gestor, com o objetivo de estabelecer regras de avaliação das contribuições de cada um e de desenvolvimento de carreira. Se o problema ultrapassar os limites do tolerável, pode-se conversar com a pessoa – caso haja clima – e, se isto não resolver, levar o assunto à gerência.

Maria Aparecida Araújo e Cláudio Pelizari consultores de comportamento profissional, etiqueta social e internacional e marketing pessoal. atuam no etiqueta empresarial executive manners consulting

Situação 7

Quais dicas você daria para um funcionário ou chefe evitar saias-justas dentro ou fora da empresa? Quando a pessoa está trabalhando numa empresa nova, deve tomar conhecimento de suas regras de conduta e procedimentos a fim de evitar maiores constrangimentos. De qualquer forma, evite: - falar dos outros funcionários; - dividir sua vida pessoal com todos; - usar roupas, maquiagem e cabelos que não combinem com o ambiente funcional; - manter a estação de trabalho bagunçada; - atender frequentemente telefonemas pessoais durante o horário de trabalho; - usar sempre o e-mail corporativo para envio de mensagens pessoais; - usar material da empresa para uso pessoal (impressoras, papel etc.). Lembre-se que durante o happy hour, aniversário de colega ou festa de confraternização de fim de ano deve-se manter a mesma postura utilizada durante o ano.

Sofia Rossi consultora de etiqueta e de boas maneiras

Maria Aparecida Araújo e Cláudio Pelizari consultores de comportamento profissional, etiqueta social e internacional e marketing pessoal. atuam no etiqueta empresarial executive manners consulting

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PEI, BUF!

| MODELO DE NEGÓCIOS Quem pode requerer uma marca

Como registrar uma marca? por eber freitas

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1. Busca Antes de tudo, é necessário saber se você não está se apropriando da marca de outra pessoa ou empresa. O próprio site do INPI fornece uma base onde o usuário pode realizar uma pesquisa dessa natureza. O advogado João Paulo Bettega, especialista em Direito Empresarial, lembra que “o princípio da anterioridade e a validade do registro concedido perante o INPI respaldam a exclusividade do direito de uso da marca”.

2. Registro

m dos procedimentos necessários para a criação de uma empresa ou lançamento de um novo produto ou serviço é o registro da marca. Esse é um processo que deve ser bem conduzido, sob pena da não conclusão do próprio registro. No Brasil, a lei que regulamenta direitos e deveres referentes à propriedade industrial (inclusive a concessão de registro de marca) é a Lei Nº 9.279, instituída em 14 de maio de 1996. O Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), órgão responsável pelo registro, define que a marca é “todo sinal distintivo, visualmente perceptível, que identifica e distingue produtos e serviços de outros análogos, de procedência diversa, bem como certifica a conformidade dos mesmos com determinadas normas ou especificações técnicas”. Na prática, a marca é útil para diferenciar produtos, empresas e serviços, além de fornecer uma identidade visual no mercado, tornando-os facilmente identificáveis. O processo para registro de marca pode parecer simples, mas é delicado. Não é à toa que existem empresas e consultorias especializadas nesse tipo de serviço. Entidades como o Senai e o Sebrae também podem ser parceiras do empresário nessas horas. Veja as etapas essenciais e informações necessárias para que você entenda melhor o processo de registro legal de marcas. 20

Qualquer pessoa que exerça alguma “atividade lícita e efetiva” pode ser dona de uma marca. As exigências com relação à documentação e preços variam conforme as particularidades, tipo de marca, origem, apresentação ou natureza. Após o requerimento, o INPI irá avaliar, publicar em um veículo específico, julgar e aguardar manifestações de plágio ou uso indevido. Se todo o processo correr normalmente, o registro pode ser concedido dentro de 4 a 5 meses, com um prazo posterior para revisão administrativa. Mas se houver algum entrave, a coisa toda pode virar uma dor de cabeça interminável. Por isso é necessário atender a todas as exigências do Instituto e não prestar informações incorretas ou inconsistentes.

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Desde 2005, o INPI recebe pedidos de registro através do serviço e-Marcas, pela internet (www6.inpi.gov.br). No último mês de outubro, o órgão lançou o e-Marcas 2.0, para estender a certificação digital para diversos serviços. Os pareceres acerca dos pedidos, que devem chegar a 150 mil em 2011, também são emitidos eletronicamente. Se o titular quiser fazer o registro pessoalmente, deve preencher uma Folha de Petição em duas vias originais informando os dados da marca (que devem estar anexados) e os documentos pessoais ou jurídicos (CPF ou CNPJ).

3. Valores Os valores cobrados pelo órgão para o registro de marcas variam entre R$ 130 e R$ 260 (pessoas físicas, microempresas, entidades sem fins lucrativos e órgãos públicos) e R$ 260 e R$ 520. A tabela com todos os valores pode ser conferida em adm.to/valores_inpi

4. Vencimento Uma armadilha que pode colocar em risco uma marca é o prazo de vencimento. Uma vez registrada, a marca pertence a um titular por um prazo de dez anos, depois disso é necessário prorrogar o prazo, e repetir o processo a cada decênio. O perigo: o INPI não vai lhe lembrar quando o prazo do registro estiver vencendo.

As marcas se distinguem quanto à sua... Origem Brasileira: depositada legalmente em território nacional por um responsável brasileiro Estrangeira: depositada em um país que participe de algum acordo ou tratado internacional ao qual o Brasil também esteja ligado

Apresentação Nominativa: a própria denominação da marca Figurativa: logotipo, imagem, tipologia ou figura estilizada que identifica visualmente a marca Mista: a denominação unida à arte gráfica, formando uma logomarca única Tridimensional: qualquer marca disposta em três dimensões (altura, largura e profundidade)

Natureza Produto: serve para fazer a distinção de um produto em relação aos demais Serviço: idem, quando se trata de serviços e não de produtos Coletiva: identifica produtos ou serviços de membros pertencentes a um coletivo, grupo ou entidade Certificação: utiliza-se para informar ao consumidor que determinado produto ou serviço está em conformidade com alguma norma técnica ou de acordo com outros padrões especificados


| COLABORAÇÃO

istockphoto

Negócios

Negócios colaborativos: a wikieconomia já começou Uma rede global que decifrou todo o DNA humano, uma enciclopédia virtual escrita continuamente por milhões de pessoas, um grupo de profissionais independentes que se juntaram em um mesmo espaço para reduzir custos, um projeto financiado por quem vai usufruir dele. Afinal, por que ficar aí sozinho, se juntos podemos mais? por simão mairins

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divulgação

m 2006, os pesquisadores Don Tapscott e Anthony D. Williams – com o livro Wikinomics: how mass collaboration changes everything (no Brasil, Wikinomics: como a colaboração em massa pode mudar o seu negócio) – chamaram para si a atenção do mundo ao afirmarem que a colaboração estava transformando profundamente a forma como as economias funcionam, mesmo sem nós percebermos claramente. Na época, houve quem visse com descrença ou sequer conseguisse compreender o significado daquilo. Naquele mesmo momento, entretanto, algumas das maiores empresas do mundo já estavam testando o modelo, que hoje é o motor do sucesso de grandes companhias, como Google e Facebook. A colaboração na economia é mais antiga do que se pensa. Com origens na pré-história, ela atravessou milênios e hoje está presente de forma muito orgânica. Os chamados softwares livres, por exemplo, nasceram sob uma bandeira libertária e acabaram conquistando até mesmo as grandes empresas, como a IBM, que atualmente trabalha fortemente baseada em sistemas operacionais Linux, que têm código aberto e podem ser manipulados independentemente dos seus desenvolvedores. Na internet, a iniciativa colaborativa mais conhecida é a Wikipedia, uma grande enciclopédia virtual multilíngue atualizada diariamente por pessoas de todas as partes do mundo e que, em algum momento da sua vida, você já deve ter utilizado. Há ainda casos emblemáticos, como o do Projeto Genoma Humano, que decifrou o nosso DNA reunindo pesquisa-

dores de vários países, e o da Procter & Gamble, que resolveu criar um centro de pesquisas virtual em que pede a colaboração de profissionais e estudantes do mundo todo e, caso as ideias sejam aproveitadas, remunera seus autores. O potencial da colaboração para os negócios, entretanto, não é exclusividade de grandes companhias ou dos grandes projetos. Na verdade, muito pelo contrário. É através das pequenas iniciativas que a ideia tem se difundido e ganhado adeptos em todo o mundo.

Sós, porém juntos Todos juntos, mas cada um no seu lugar. É mais ou menos essa a ideia dos chamados coworkers - profissionais que se unem para dividir um mesmo espaço, como em uma empresa comum, mas todos são, na verdade, autônomos. “Em uma descrição mais formal, coworking é um espaço físico para trabalho onde as pessoas compartilham toda a estrutura e recursos disponíveis no local, como mesas, cadeiras, computadores, impressoras etc.”, explica Jadson Costa, integrante da agência Usina Interativa, que adota essa proposta. O fato de cada profissional realizar o seu trabalho de forma independente, entretanto, não significa isolamento. “Se fizéssemos uma tradução livre, quase literal, poderíamos dizer que coworking é ‘trabalho em conjunto’. Só que, na prática, esse conceito não para por aí. Coworking agrega a ideia de convívio em grupo, troca de experiências, descoberta de afinidades, união, interação entre pessoas que compartilham não só seu espaço de trabalho, mas também ideias, projetos, conquistas”, complementa Jadson. Reunidos, todos reduzem custos e, principalmente, viabilizam a interação entre pessoas de áreas distintas que acabam compartilhando experiências e aprendizados de fora da própria área de atuação. “A interatividade e o networking são os pontos mais importantes do coworking. Eles tornam a experiência muito válida, afinal, somos seres sociais e precisamos interagir com outros”, destaca Karin Keller, outra integrante da Usina.

Jornalismo colaborativo Inicialmente um perfil no Twitter, o Ajude um Repórter se tornou uma das ferramentas mais utilizadas por jornalistas e assessores de imprensa no Brasil

Você nunca parou para se perguntar sobre como os repórteres encontram, por exemplo, pessoas que possam falar acerca da experiência de ficarem presas no elevador

para uma matéria sobre Síndrome do Pânico? Pois bem. Isso não é mesmo tarefa fácil e, muitas vezes, demanda até alguns meses de pesquisa. Mas isso ficou mais simples depois do Ajude um Repórter, um perfil no Twitter que virou site e hoje une jornalistas e fontes numa mesma base mediante um cadastro simples. “O Ajude um Repórter surgiu após observar iniciativas semelhantes de crowdsourcing (algo, mais ou menos, como “trabalho em massa”) nos Estados Unidos. O que me impressionou é que uma ideia tão simples, de unir o jornalista à fonte, poderia fazer uma enorme diferença para diversos profissionais”, conta Gustavo Carneiro, idealizador do projeto. Para a jornalista Melina Pockrandt, a plataforma tem sido uma grande aliada. “Sou de Curitiba e escrevo para uma revista nacional de educação. Então, preciso de fontes de todo o Brasil. Mas, a cada edição, eu entrevisto pelo menos duas escolas e não posso ficar repetindo fonte. Em determinado momento, nossos contatos se esgotam e o Ajude um Repórter ajuda a encontrar novas fontes”, afirma Melina.

Disso uso, disso cuido A migração do Ajude um Repórter do Twitter para uma plataforma própria, com funcionalidades mais eficientes se deu com a ajuda de uma outra iniciativa colaborativa, o Catarse.me. Nessa outra plataforma, é possível apresentar projetos e tentar angariar apoios financeiros de pessoas que você nem conhece para torná-los realidade. É o chamado crowdfunding. Fundado por dois estudantes de Administração da FGV de São Paulo, em parceria com uma empresa de softwares gaúcha, o portal foi inspirado em modelos da wikieconomia já implementados no exterior e que vinham dando certo. “Ficamos encantados pelo modelo, pois tinha tudo a ver com a forma que pensávamos que um negócio deveria ter: colaborativo, conectado às mídias sociais e capaz de promover mudanças na sociedade”, conta Diego Reeberg, um dos sócios do Catarse.me. “Diversas iniciativas estão sendo realizadas com dinheiro coletivo, recolhido de suas comunidades e potencializadas pelas redes sociais. São projetos que talvez não conseguissem recursos de outras formas e a tecnologia diminuiu as barreiras para a arrecadação, tornando possível o que era

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| COLABORAÇÃO divulgação

Negócios

Fundado por dois estudantes de Administração, o Catarse.me já ajudou a concretizar vários projetos, literalmente, mobilizando multidões

impossível no cenário anterior”, afirma Gustavo Carneiro, do Ajude um Repórter. “No crowdfunding você testa uma ideia, se arrisca antes, tem o dinheiro com rapidez na mão e realiza já alguma coisa do seu trabalho. É uma maneira diferente de se produzir e de se pensar o seu próprio mercado”, explica Vanessa Oliveira, coordenadora de outro site de financiamento colaborativo, o Movere.me.  “Os financiadores são, na maioria, pessoas da rede do autor do projeto. Mas, lógico, muitas outras pessoas que apoiam são desconhecidos do realizador que acabaram se identificando com a ideia, com a causa daquele projeto e resolveram apoiar. Outra razão para colaborar são as recompensas (obrigatoriamente, o autor de um pedido de financiamento tem de oferecer contrapartidas aos apoiadores)”, complementa Diego. A educomunicadora Evelyn Araripe é uma financiadora assídua do Catarse.me e diz que apoia projetos com os quais tem algum tipo de aproximação. “Até agora apoiei quatro projetos, todos porque eu tinha alguma relação com a temática e conhecia participantes. Dos que apoiei, em todos eu vi possibilidades de transformação social e pessoal, tanto minha quanto dos envolvidos no projeto. Por isso me motivei a ajudar”, conta. A relação, entretanto, nem sempre é tranquila e, assim como em negócios tradicionais, há sempre espaço para a frustração e negócios mal feitos. Evelyn, por exemplo, conta que nunca recebeu as recompensas de um dos projetos que apoiou. “Dá a impressão de que eles ‘se aproveitaram’ das pessoas, que fizeram uma super mobilização para arrecadar o dinheiro e depois sumiram. Nesse caso parece que a grana era o mais importante e não o projeto em si, ou as pessoas”, conta.

A massa vai às compras A ação em grupo tem se mostrado uma forte arma também para quem consome. Febre no Brasil, as compras coletivas, mesmo dividindo opiniões quanto à sua real eficiência e a durabilidade do seu modelo, têm movimentado o mercado e criado novos hábitos de consumo junto ao público que utiliza o serviço. Compra coletiva, entretanto, não significa apenas adquirir um produto com baixo custo em um dos tantos sites de ofertas existen24

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tes por aí. Um pouco menos populares, as mobilizações para consumo por demanda têm ganhado espaço, abrindo mercados antes vistos como inviáveis. O funcionamento é simples e bem parecido com o de sites como o Peixe Urbano e o Groupon. A diferença é que, em vez de o site mobilizador negociar primeiro com a empresa fornecedora e em seguida divulgar uma oferta, ele abre espaço para os usuários demandarem um produto ou serviço e, em seguida, negocia com a outra parte. No Brasil, um exemplo desse tipo de iniciativa é o Mobz, site voltado para o mercado de cinemas. Nele, os usuários se cadastram e podem votar em filmes que querem ver na sua cidade. Caso o público mínimo estipulado seja atingido, as salas integrantes do circuito são contatadas e a exibição é negociada.

Mudança de hábitos na grande feira virtual Uma grande feira, onde há gente vendendo, comprando e trocando produtos. Poderia ser um mercado de escambo na Europa medieval. Mas é a internet mesmo. Afinal, não é isso que fazemos em sites como Mercado Livre e eBay? Iniciativas como a desses dois sites são a materialização mais clara do que é o chamado consumo colaborativo, uma forma de reduzir custos e mudar hábitos. “O consumo colaborativo permite que as pessoas, além de perceberem os benefícios enormes do acesso a produtos e serviços em detrimento da propriedade, economizem dinheiro, espaço e tempo”, destacam Rachel Botsman e Roo Rogers no livro “O que é meu é seu – Como o consumo colaborativo vai mudar o nosso mundo”. “Redes sociais, redes inteligentes e tecnologias em tempo real também estão conseguindo superar modos ultrapassados de hiperconsumo, criando sistemas inovadores baseados no uso compartilhado”, complementam os autores. Enfim, o mundo mudou e, mesmo que muita gente ainda não tenha percebido como estão se dando as transformações, elas parecem irreversíveis. Pode até ser que algumas dessas novas ideias não durem muito e algumas se tornem obsoletas em pouco tempo. Mas uma coisa é certa: há cada vez menos espaço para as velhas maneiras de se fazer negócios.


MUNDO

| MANIFESTAÇÕES

Afinal, o que é esse tal de Occupy Wall Street? Eles estão nas redes sociais, nos noticiários de todo mundo, nas ruas de centenas de cidades e prometem manter - indefinidamente - atos contra o sistema financeiro. por fábio bandeira de mello

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udo começou quando alguns estudantes norte-americanos insatisfeitos com a crise econômica e o sistema protecionista do governo perante Wall Street resolveram sair às ruas para exprimir sua indignação. Mas esse pequeno grupo, em um rápido e espantoso processo de multiplicação ajudado pela internet, transformou-se em um fenômeno global que se espalhou para mais de 100 cidades nos Estados Unidos e obteve ações em 82 países. Batizado de “Occupy Wall Street” (Ocupem Wall Street) e organizado nas redes sociais, o movimento ganhou corpo com protestos contra o capitalismo, a desigualdade e a crise econômica em praticamente todos os continentes. Os manifestantes entoavam frases de efeito como “o capitalismo é o câncer”, “Eu sou os 99%” e “Nós fomos vendidos, bancos foram resgatados” enquanto marchavam e ocupavam espaços próximos aos centros financeiros de 951 cidades pelo mundo. “Occupy Wall Street representa algo muito maior do que uma política partidária. Somos um movimento de pessoas empowerment, uma compreensão coletiva de que nós mesmos temos o poder de criar uma mudança de baixo para cima, porque nós não precisamos de Wall Street e não precisamos de políticos”, relatou um dos manifestantes pelo Facebook. Inspirado por revoltas populares no Egito e na Tunísia, as manifestações vêm em um momento crítico que atormenta, principalmente, os norte-americanos e a Europa. A partir da crise financeira de 2008 ocorreu um excessivo endividamento dos países  desenvolvidos e uma maior absorção de dívida privada pelo setor público. Foram as populações dessas nações que começaram a sentir  na pele os efeitos da econo-

mia desarrumada - com mais desemprego e pessoas endividadas. E as perspectivas não são tão animadoras. No final de outubro, o FED, banco central dos Estados Unidos, divulgou em relatório que “o investimento das empresas aumentou um pouco em setembro, mas se observa em numerosas regiões que as contratações e os projetos de investimento foram reduzidos”. Todo esse desencadeamento da crise e das manifestações pelo mundo vem chamando atenção das lideranças mundiais e gerando um amplo debate sobre o problema. Em pronunciamento, o presidente Barack Obama declarou que o protesto é o “reflexo das frustrações que o povo sente” e prometeu continuar lutando para proteger os consumidores americanos. George Papandreou, Primeiro Ministro da Grécia, um dos países mais afetados pela crise, colocou-se a favor dos protestos. “Nós lutamos para mudar o sistema econômico global, como muitos cidadãos anti-Wall Street, que justamente protestam contra as desigualdades e injustiças do sistema”, declara. Em Pequim, o porta-voz do governo chinês também afirmou posição favorável ao debate. “Acreditamos que esta reflexão pode favorecer um desenvolvimento saudável e sólido da economia mundial”, afirmou Liu Weimin. Até a presidente Dilma Rousseff se mostrou favorável à manifestação e criticou as medidas impostas pelo FMI quando o Brasil precisou recorrer aos recursos do Fundo. “Concordamos com algumas das palavras que alguns movimentos têm feito ao redor do mundo. Manifestação como a que a gente vê nos Estados Unidos e outros países”, declarou a presidente. No entanto, sem exigências claras, o movimento corre o risco de ficar apenas no discurso. Inclusive, não faltam pessimistas e críticos para declará-lo com falta de lide-

rança e de foco. “Occupy Wall Street é um protesto Monet: quanto mais perto você olha, menos sentido faz. O protesto em si é o ponto. Para ele ter foco, corre o risco de diluir, ou de fragmentar o grupo, ou abri-lo à cooptação por interesses políticos arraigados”, questiona o jornalista especializado em economia Jim Tankersley no jornal The Atlantic. William Hague, ministro das Relações Exteriores britânico, também está nessa lista de não entusiastas. “É verdade que muitas coisas devem ser enfrentadas no mundo ocidental e tem havido muitas dívidas construídas pelos estados e, claramente, muita coisa saiu errada no sistema bancário. No entanto, o protesto não será a resposta para isso. A resposta será o controle de suas dívidas e déficits pelo governo. Eu sinto que os protestos nas ruas não vão resolver o problema”, disse o ministro ao canal de TV britânico BBC. Porém, seus idealizadores acreditam que o caminho do Occupy Wall Street está apenas começando e rebatem os críticos. “À medida que o inverno se aproxima haverá diferentes fases e ideias. O que eles chamam de ‘confuso movimento’ lançou um debate nacional que não tivemos em 20 anos. Isso é muito bom”, argumenta o ativista Kalle Lasn ao Washington Post. Para ele, “nem tudo precisa ter um líder com exigências claras. Essa era a velha maneira de lançar revoluções. Esta revolução é executada pela geração internet, com as formas igualitárias de olhar as coisas, e um processo inclusivo de obter todos os envolvidos. Essa é a nossa mágica”. As redes sociais foram os grandes propulsores do Occupy Wall Street e não é difícil achá-los:

Facebook: adm.to/ows_facebook Twitter: @OccupyWallSt Tumblr: adm.to/ows_tumblr Live stream: adm.to/ows_livestream Novembro 2011

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Como enlouquecer sua empresa Numa época de profundas mudanças econômicas e sociais, incentivar a criatividade e a inovação em todos os setores se torna cada vez mais fundamental. E por incrível que pareça, quando se trata da implementação de uma ideia maluca, o resultado pode ser bem positivo. Elaboramos um guia com práticas que fogem do comum e não são nada convencionais. Surpreenda-se e veja como o diferente pode ser o caminho para o sucesso. por iago bolivar

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odo funcionário ou administrador sabe que, de perto, as empresas são como as pessoas: nenhuma é totalmente normal. Em meio ao planejamento e às hierarquias florescem disfunções, desvios de finalidade e comportamentos que fogem à lógica. Não são necessariamente defeitos, mas rupturas de padrões que surgem em tudo o que é humano. Um desafio (quase sempre vão) da administração tem sido instrumentalizar essa “loucura” inerente às organizações. O objetivo não é enjaulá-la, mas domá-la em algum nível. A ideia, inclusive, se manifesta nas mensagens do renomado conselheiro dos negócios Tom Peters. “Você não deveria se levantar para ir trabalhar de manhã se o que você tem a fazer não é algo novo; sempre há mais de uma maneira de se fazer as coisas”, declara Peters em palestra na sua última visita ao Brasil. Esse pensamento que para alguns pode parecer muito ousado, e até mesmo reacionário, rendeu o livro Crazy times call for crazy organizations (Tempos loucos exigem organizações malucas no Brasil), escrito em 1994. Mas ele está longe de ser um militante solitário a favor da loucura coorporativa. A ideia de trabalhar com o não convencional vem conquistando cada vez mais adeptos e essa nova filosofia se expressa bem no pensamento de Linda Rottenberg, fundadora do Instituto Endeavor: “se ninguém está lhe chamando de louco, provavelmente você não está pensando grande o suficiente”. Marcus Bucllinham e Curt Coffman - executivos do instituto de pesquisa Gallup, que entrevistou 80 mil executivos sobre práticas gerenciais, e autores do livro Quebre as regras - relatam na obra que é comum as empresas estipularem algum tipo de script. “Muitos gerentes parecem achar que a única maneira de garantir que seus funcionários produzam um nível consistente de serviços seja colocar palavras na boca deles. Mas não se trata de um bom artifício”. Para eles, com esse método é bem difícil conseguir convencer um cliente de que você está sendo sincero e autêntico, mesmo se estiver. Os consultores citam o exemplo dos comissários de bordo da companhia aérea Southwest Airlines¹, que utilizam maneiras não convencionais de se comunicar com os passageiros e procuram

transmitir a mensagem de forma divertida. “Na Southwest, o foco é a ‘diversão’. É claro que a segurança é importante, todos os comissários têm de seguir os regulamentos da FAA. No entanto, a meta global é ajudar os clientes a se divertirem. Como fazer isso está a cargo de cada comissário”, destacam no livro. No Brasil, um dos casos mais conhecidos é o do empresário Ricardo Semler², autor, nos anos 90, de Virando a própria mesa, talvez o mais célebre livro de administração escrito no país. Uma das criações de Semler é exatamente o comitê “C Tá Loko” para a apresentação de propostas tão malucas que não sejam apropriadas para as reuniões. Aparentemente são ideias e cases que dão bons títulos de palestras, mas que muitos administradores em sã consciência preferem ver na empresa do concorrente, enquanto eles próprios podem se sentir seguros em uma organização que funciona como um relógio (muitas vezes atrasado). O guia a seguir lista princípios para tentar injetar alguma insanidade sadia nas empresas. Não é um “elogio à loucura”, mas um convite para que se encare o desvario cotidiano como um traço da capacidade humana de fazer diferente – e melhor.

1 A companhia americana Southwest Airlines conquistou por seis anos seguidos o Triple Crown Award, tendo o menor índice de reclamações, o melhor serviço de bagagem e o melhor desempenho sem atrasos.

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2 Ricardo Semler virou referência internacional ao adotar um modelo de gestão diferente do padrão. A revista Time o elegeu um dos “100 Futuros Líderes do Mundo” e o Financial Times o elegeu como um dos “gurus mundiais do business”.

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Contrate pessoas que você não precisa A maioria das em presas contrata apenas quando existe uma demanda de serviço e seleciona candidatos que possuam perfis muito parecidos das pessoas que já fazem parte da empresa. Resultado: esses novatos aprendem a fazer as tarefas da “forma certa” e a empresa mantém, geralmente, a mesma linha de atuação. Agora, imagine contratar profissionais quando não se precisa e que fogem completamente do perfil das empresas? Loucura? Exatamente. E é uma insensatez que pode trazer muitas ideias inovadoras. Algumas organizações americanas como a Xerox, Homestead, 3M e IDEO estão contratando pessoas que não possuem habilidades relacionadas ao que a empresa faz ou que ignoram e rejeitam o ritmo dos restantes - inclusive médico para atuar ao lado de programador e advogado para a área de recursos humanos. A mistura dessas aptidões, a partir da experimentação com muitas coisas diferentes, está acarretando em novas conquistas para as organizações.

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Não ligue tanto para o que o público quer Todo dono de empresa sabe que “o cliente sempre tem razão” apenas no ditado. É daquelas coisas ditas porque parecem ser educadas - como elogiar a concorrência. Mesmo assim, na prática, render-se ao desejo imediato do cliente (ou ao que parece ser o seu interesse imediato) é o primeiro impulso – afinal, qual a aposta mais certeira que focar naquilo que está sendo pedido? O problema é que as coisas nem sempre são tão cartesianas. Por exemplo, você já ouviu falar no Cyworld? Se todos os planos de atender aos clientes tivessem dado certo, você certamente teria uma conta lá. Lançado em 1999, o site é uma espécie de Facebook ou Orkut, que rapidamente se tornou o mais acessado e importante da Coreia do Sul. Depois de dominar o mercado em seu país, a empresa lançou sites nos EUA, Japão e Europa, com a ideia fixa de agradar a cada um dos mercados com serviços personalizados, desenvolvidos de acordo com o gosto do público em cada país. O resultado é fácil de saber pela resposta que você deu à pergunta ali em cima. Mais que ter um site desenvolvido especialmente para si, os internautas de cada país queriam participar de uma rede global, simples e única, não de mini-redes personalizadas. Hoje o Cyworld se limita à própria Coreia do Sul e a poucos países próximos, como o Vietnã, e está sob cerco do crescimento do Facebook, que nunca se preocupou tanto com as particularidades da cultura de cada usuário, mas em oferecer um serviço simples, eficiente e viciante. E o cliente que se adapte (e bata o pé a cada mudança feita sem consulta prévia).


Fuja de clientes Esqueça um pouco os lucros (e os bônus) Do ponto de vista do dono, uma fábrica de parafusos e uma padaria servem para fazer a mesma coisa: lucro. E sem receita suficiente, não há como manter qualquer negócio por muito tempo. Até parece lógico. No entanto, negócios bem sucedidos estão longe de focarem nos lucros e nos grandes bônus. Executivos e empreendedores que enfocam apenas em dinheiro têm menos chances de darem certo comparados àqueles que colocam paixão no que fazem, possuem “brilho nos olhos” e buscam sempre apresentar o melhor. E engana-se aquele que considera essa premissa de esquecer o lucro apenas uma balela para empresas iniciantes. A Harley-Davidson conseguiu uma verdadeira comunidade em volta de sua marca pregando a liberdade, a rebeldia e o “andar de bicicleta” como diversão para a família e uma maneira de conhecer o mundo. Em 1983, seus donos fundaram o Harley Owners Group (HOG), uma instituição com o objetivo de reunir pessoas que compartilhavam esse mesmo estilo de vida e o amor pela motocicleta. A fidelidade desse grupo e o crescimento da Harley-Davidson são tão impressionantes que a marca virou objeto de desejo, símbolo de status e até tatuagem em muitos braços pelo mundo. Do outro lado dessa ponta - e que definitivamente não esqueceu os lucros - está o caso do banco Lehman Brothers. A centenária empresa global de serviços financeiros faliu depois de dar bônus recordes aos seus executivos. O problema é que esses bônus e o lucro só foram possíveis por manobras que acabaram com a empresa e ajudaram a pôr em risco a economia mundial. Então, na hora de traçar as metas e contar seus ganhos, lembre-se de pensar no que é certo (e no que lhe convém).

Se você já tem um cliente fiel, o mais lógico é paparicá-lo um pouco para manter as vendas. Mas às vezes é exatamente esse cliente que mais traz problemas. E podemos estar falando tanto de um comprador isolado como de um cliente corporativo importante para o faturamento da empresa. A questão é que, às vezes, o trabalho e a energia gastos para atender certos clientes não compensam o custo. O caso clássico é o de clientes em estados distantes dos locais de distribuição, o que reduz a margem de lucro na venda. Mas há também o de redes varejistas que fazem tantas exigências para distribuir um produto que pode valer a pena sofrer uns meses de encalhe em busca de novos canais de distribuição a ter que se submeter ano após ano às requisições exacerbadas que trazem mais custo do que receita para a empresa. Há alguns anos, uma fábrica brasileira de papel higiênico que estava com sua capacidade de produção toda ocupada devido, em parte, às vendas para uma rede de supermercados decidiu arriscar. Era tamanho o desconto exigido e tantas as cobranças de taxas de promoção que a fábrica deixou de vender para seu principal cliente. Houve uma imediata queda das vendas e máquinas paradas, mas em poucos meses novos varejistas preencheram o vazio, com rentabilidade maior. A recompensa para a ousadia foi que, depois de um tempo, o antigo cliente procurou a fábrica, propondo contratos de venda mais amigáveis. Nós até gostaríamos de colocar o nome da fábrica e da rede aqui, mas vocês sabem bem que quem reata relacionamentos não gosta que sejam divulgadas as pequenas loucuras feitas no pequeno intervalo do rompimento. Esse desprendimento com a clientela convive com sua faceta contrária: o apego a certos compradores que, mesmo não tão lucrativos, são importantes estrategicamente. Assim, jornais e revistas vendem seus exemplares em pequenas cidades do interior, mobilizando uma operação logística complicada e cara, para poderem dizer que atingem a opinião pública em todo o país. Da mesma forma, fábricas de eletrônicos dizem não a ofertas de venda direta para segmentos importantes (como entidades de aposentados), porque esses clientes deixariam de comprar seus produtos em lojas, diminuindo assim a participação de mercado de sua marca no segmento de varejo.

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Dê pequenos poderes com grandes visibilidades Esqueça de uma vez por toda a ideia de organizar a empresa apenas como uma pirâmide de dinheiro e poder. Além da óbvia consequência de que haverá mais gente insatisfeita (base) que satisfeita (pico), essa forma não garante nem mesmo que os que estão por cima se sintam motivados e reconhecidos. Lembre-se de que esta é uma reportagem sobre “loucura”, então devemos prestar um pouco de atenção ao que dizem os psicólogos. Estudo publicado no Journal of Experimental Social Psychology mostra que pessoas que não têm status dentro de organizações, mas ocupam posições de mando, tendem a maltratar aqueles sob sua responsabilidade. O artigo, chamado “ The destructive nature of power without status” (A natureza destrutiva do poder sem status, em tradução livre), mostra aquilo que muita gente já havia sacado como “síndrome dos pequenos poderes”. O estudo se baseou no seguinte experimento: um grupo de pessoas foi dividido aleatoriamente em dois grupos menores, com as mesmas funções. Mas para um foi dito que eles seriam “formuladores de ideias”, enquanto os outros foram informados de que seriam simplesmente “trabalhadores”. O trabalho, no fim, era o mesmo: escolher tarefas para outros fazerem em uma lista que tinha atividades que iam de neutras a desagradáveis. O grupo dos “pensadores” escolheu principalmente as mais inofensivas para seus comandados: contar uma piada, escrever um texto pequeno contando as atividades do dia, bater palmas 50 vezes. Já os “trabalhadores” preferiam passar para os outros as atividades mais desagradáveis: fazer contagem regressiva a partir de 500, pulando de sete em sete, dizer cinco vezes “eu sou sujo” ou “eu não sou digno”, latir três vezes. Embora não seja algo automático, o estudo mostra que é preciso melhorar a percepção de importância das funções, não apenas a quantidade de poder e de remuneração. Os funcionários precisam saber que não são apenas cumpridores de tarefas automáticas, mas que contribuem para a empresa com sua capacidade de criação. Uma antiga pesquisa inglesa já tinha demonstrado que as pessoas preferiam um nome mais legal para suas funções que pequenos aumentos de salário. Mas, para que a empresa não saia da loucura e entre na hipocrisia, isso não pode ser tratado como uma mera questão de nomenclatura – é preciso que haja uma verdadeira preocupação com as capacidades de cada um e a transmissão disso pra todos. 32

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Todo o poder aos sovietes! Enquanto a “Primavera Árabe” leva a democracia a países sob décadas de ditadura, as empresas estão cada vez mais longe das “diretas já” prefiguradas no século passado para o mundo corporativo. Até parece que, apesar de todo o desenvolvimento teórico recente, o último livro colocado em prática nas organizações é a “República”, de Platão, com 2.500 anos: uma elite de pensadores e iluminados conduz a massa rumo ao sucesso (no caso de Platão era rumo ao bem, mas estamos falando das empresas, não das fundações que dizem que vão salvar o mundo). Não se trata aqui de sugerir uma administração plebiscitária nem sindical das empresas. Exemplos como o da Varig, administrada por uma fundação controlada pelos funcionários, mostram que os interesses corporativos acabam se impondo à eficiência – antes de falir, a empresa tinha mais que o dobro de funcionários por avião que suas concorrentes. No outro extremo está a maioria das empresas: pequenas estruturas autocráticas, impermeáveis à crítica e estruturadas hierarquicamente de forma quase militar, apesar dos sorrisos, tapinhas nas costas e da camisa aberta até o peito na “casual friday”. Se na sua empresa a palavra da direção é cláusula pétrea e a única lei é a meta estabelecida pela alta gestão, talvez seja hora de uma pequena revolução. Para começar, delegue a definição de algumas metas, não apenas dos caminhos para chegar até elas. No momento em que as equipes podem definir parte do que elas vão fazer, a motivação pode se espalhar para todo o trabalho. Esses passos são em direção não à dissolução da cadeia de comando, mas a uma divisão mais fluida entre posições de planejamento e execução. Pode ficar mais difícil culpar uns aos outros por eventuais fracassos, mas fica mais fácil oxigenar o ambiente de discussão em busca de soluções de sucesso para a empresa.


Chame os estranhos Para tomar as grandes decisões em uma empresa é preciso alguém que a conheça bem, mas também pessoas que conheçam bem o mercado e os concorrentes. Enfim, é preciso ter um conjunto de características difíceis de reunir em uma só pessoa, ou em pessoas que tenham o mesmo tipo de cotidiano. Por isso, tem crescido a prática de chamar “estranhos” para ajudar nas decisões estratégicas. Uma das formas de fazer isso é chamando profissionais independentes para os conselhos de administração, o que é incentivado por entidades como o IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa). O instituto sugere que parte dos conselheiros sejam externos.  São pessoas pagas não para trabalhar cotidianamente pela empresa, mas apenas para ajudar a decidir suas metas mais importantes. Exemplos no Brasil são Eternit, Cyrela e Totvs. Mesmo em setores vistos normalmente como panelas fechadas, os estranhos já estão sendo incorporados. Algumas prefeituras estão contratando secretários municipais não pelos gloriosos critérios da afiliação política ou apadrinhamento, mas, veja só, por capacidade – anunciando a vaga e buscando profissionais no mercado. É claro que a sua empresa já faz isso para os cargos operacionais. Mas e para o comando?

Libere geral É claro que seus funcionários querem passar parte do tempo no Twitter, no Facebook e (alguns demoram a perceber as tendências) no Orkut. E é claro que o firewall que você mandou instalar é bom e mantém um monte de gente ocupada na área de TI. Depois das premissas claras, vem a conclusão lógica: é inútil bloquear o acesso. Você já ouviu falar em smartphones? Além disso, seus funcionários, para entrar nas redes, podem comprar aqueles aparelhos “MP12” para acompanhar a vida alheia. A não ser que você queira instaurar uma Gestapo, como nos tempos do nazismo, ou incentivar a delação, comece a dar importância aos resultados de cada funcionário, não à capacidade deles de fingirem que estão olhando uma planilha oito horas por dia. Em 2000, por exemplo, a Ford supriu a paranoia e o controle pela permissão incondicional do acesso à internet. Ela ofereceu computadores e acesso em casa para seus 350 mil funcionários em todo o mundo. Esses microcomputadores não estavam sob controle corporativo ou monitorados de alguma forma, pelo contrário. Através deles, a Ford permitiu que 350 mil pessoas se tornassem agentes independentes para falarem em seu nome. São pessoas que contarão suas próprias histórias, com suas vozes, do jeito que julgarem adequado. A Ford não apenas abriu caminho, mas forneceu as ferramentas e o incentivo para usá-las. Novembro 2011

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| EMPRESA FAMILIAR

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estratégia

Os valores na empresa familiar O desejo de manter o negócio em funcionamento para as gerações futuras e os valores que, geralmente, praticam em sua rotina, transformam os negócios familiares em modelos inspiradores de gestão. por lucia ceja e josep tàpies*

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crise financeira global de 2008 expôs algumas realidades desagradáveis sobre o funcionamento dos sistemas financeiros. O grande acúmulo da dívida governamental fez estourar a capacidade de endividamento de diversas nações e causou uma enorme turbulência financeira pelo temor de um calote coletivo da dívida. As demissões decorrentes da crise também têm gerado reações desesperadas em diversos países. Com isso, as empresas de todo o mundo, financeiras e não financeiras, continuam a enfrentar esses efeitos, e seus dirigentes se veem diante de pressões cada vez maiores para repensar a forma como operam seus negócios. 34

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Talvez tenha chegado a hora de os gestores mudarem seu foco sobre os valores capazes de inspirar e servir como fonte de identidade e orgulho para funcionários e clientes. Assim, através de um trabalho de pesquisa e estudo intenso, examinamos os valores que orientam as maiores empresas familiares e não familiares do mundo, tentando descobrir se faz sentido manter o negócio dentro da família.

Gente em primeiro lugar Há muitos anos as empresas familiares ocupam posição de destaque com relação à administração baseada em valores. Devido ao entrelaçamento de parentesco, direção e propriedade nessas empresas, os valores familiares fortes - mantidos pe-

los administradores - são muitas vezes transferidos para o negócio. Para os membros da família, essa situação pode criar um sentimento de respeito à herança, que, por sua vez, ajuda a estabelecer um sentido de identidade e compromisso. No fim, não existe nada como o fato de ter seu nome como marca para criar uma sensação de orgulho e responsabilidade. Mas quais são esses valores? Pesquisas anteriores (Ward, 2008) mostraram que, ao contrário do que ocorre nas empresas convencionais, os valores corporativos das empresas familiares tendem a ser mais orientados para as pessoas. Empresas familiares são normalmente mais interessadas no desenvolvimento de seus funcionários e das comunidades nas


quais atuam e promovem, de forma ativa, o comportamento positivo. Essa diferença é provavelmente muito importante na formação da abordagem para as pessoas.

valores básicos mantidos com frequência pelas empresas familiares, a generosidade e a humildade.

“Nossos valores”

Generosidade

De acordo com uma pesquisa publicada em 2005 por Van Lee et al, 90% das empresas têm declarações de valores escritas e a maioria as publica em seus sites na internet. Um caso a ser considerado: a Ikea, uma empresa familiar muito grande, declara em seu código de conduta que acredita firmemente ser capaz de fazer bons negócios sem deixar de ser uma boa empresa. “Isso”, afirma, “é uma precondição para nosso crescimento futuro, um crescimento que será conquistado ao lado de fornecedores que partilham da mesma visão e ambição”. Outro exemplo é a Samsung, empresa de artigos eletrônicos coreana de propriedade familiar que, em 2009, se tornou a maior fabricante de produtos de TI do mundo. A filosofia da empresa está claramente exposta em seu site corporativo na: “Acreditamos que a chave para fazer bons negócios está em viver de acordo com fortes valores. Na Samsung, um rigoroso código de conduta e esses valores básicos estão no centro de cada decisão que tomamos”. Essas mensagens declaradas não só sublinham quais são os comportamentos aceitáveis pela organização, mas também servem como fonte de identidade, inspiração e orgulho para os funcionários.

A família é um grupo social geneticamente orientado para cuidar de seus membros. Em consequência, as empresas de propriedade familiar têm tendência a cuidar de outras pessoas. As famílias podem cultivar nos negócios a generosidade pelo estímulo à empatia e ao pensamento positivo, e pelo desenvolvimento de um senso de responsabilidade social em todos os níveis. Uma advertência, porém: se a empresa declarar a generosidade como um de seus valores básicos, precisa agir altruisticamente. Um sistema de recompensas ligado a indicadores estritos de desempenho de curto prazo, por exemplo, vai estimular de forma mais provável a ambição do que a generosidade.

A importância da integridade Para preparar a pesquisa, consultamos os sites das 100 maiores empresas do mundo, de propriedade familiar ou não. Buscamos documentos informando quais eram seus valores básicos e nos concentramos naqueles mencionados com maior frequência. Descobrimos que os três valores mais mencionados, independentemente de sua localização, propriedade (familiar ou não), são integridade, respeito e clientes. Desde os dias em que Aristóteles ponderou a natureza da bondade, as virtudes da integridade e do respeito são vistas como nobres. Por outro lado, uma empresa sem clientes não pode existir. Assim, não chega a ser surpresa encontrar esses valores no topo da lista.

Valores familiares Concentrando a pesquisa nas empresas familiares nas empresas familiares, encontramos cinco valores específicos mencionados frequentemente por elas, mas raramente pelas empresas não-familiares. São eles generosidade, humildade, comunicação, serviço e qualidade. Todos esses valores podem contribuir para a satisfação dos membros da organização. Ao valorizar a generosidade, as empresas de propriedade familiar mostram sua tendência comportamental para cuidar dos outros, enquanto os valores de qualidade, humildade e senso de serviço refletem uma perspectiva a longo prazo, desenvolvida pelo hábito de pensar em termos de gerações. No entanto, as ações de uma organização precisam estar de acordo com seus valores declarados. Inconsistências serão capazes apenas de, provavelmente, causar desconfianças na força de trabalho e entre os envolvidos. Para mostrar isso, vamos examinar dois

Humildade Naturalmente, cada empresa familiar é única e não existem receitas padronizadas para o cultivo da humildade. Mas praticar regularmente o pensamento de humildade e de gratidão – isto é, não buscar os holofotes e apreciando o esforço feito pelas gerações precedentes, que protegeram e ampliaram o patrimônio – vem sendo um elemento forte do sucesso das empresas familiares através de gerações. Emmons e Crumpler (2000) sugerem que a humildade pode ser estimulada por meio de exercícios como o de manter um “jornal de gratidões”, que pode promover um senso de apreciação e gratidão na vida de uma pessoa. Como os autores apontam, a gratidão é uma prática importante, pois pode ajudar a cultivar e transmitir o valor da humildade através de gerações. De forma semelhante, Gottman (1999) notou que famílias felizes e casais de sucesso exprimem regularmente sua gratidão um ao outro. Empresas que apresentam a humildade e a gratidão como valores básicos, no entanto, devem tomar o cuidado de fazer com que a direção da empresa siga este caminho – não só fale sobre ele. Isso significa que qualquer tentativa de se pôr sob os holofotes ou monopolizar as recompensas está destinada a sair pela culatra.

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*Josep Tàpies é professor de Gestão Estratégica da Escola de Negócios IESE, eleita uma entre as dez melhores escolas de negócios do mundo. www.ieseinsight.com.

*Lucia Ceja pesquisadora assistente da Escola de Negócios IESE.

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marketing

| ÍNDIA

O caminho das Índias A Índia vive economicamente o seu melhor momento. Ela se transformou em uma grande produtora mundial de eletroeletrônicos, biotecnologia, agroindustriais e informática. Tais produtos estão transformando algumas marcas do país em exemplos empresariais de sucesso. O IMD realizou um estudo sobre o que essas marcas estão fazendo de diferente. por willem smit*

Tum Tata ho ya Birla?” é híndi para “Você é Tata ou Birla?”. É isso que os jovens indianos perguntam, brincando, quando um amigo da turma se vangloria de suas ambições e aspirações empresariais. Eles são a base dessa economia emergente que vem crescendo a taxas anuais de 7 a 10% nos últimos cinco anos. Tata e Birla são grupos empresariais fundados no século XIX que desempenharam um papel significativo no desenvolvimento do país e suas impressionantes conquistas econômicas. A Índia - maior democracia do mundo com 1,21 bilhão de pessoas - obteve sua independência da Grã-Bretanha em 1947. Inicialmente, a política econômica do governo era socialista e protegia o mercado interno, a fim de fomentar a industrialização que estava em fase inicial. Em 1991, o país caminhava para a liberalização econômica, o que levou ao aumento maciço de investimentos estrangeiros diretos, atingindo um pico de US$ 41,3 bilhões em 2008, antes de cair levemente para US$ 34 bilhões, em 2009, devido à crise financeira. Em 2010, houve uma retomada e a Índia já fazia parte dos planos de corporações transnacionais como o segundo destino mais importante para IED (investimento estrangeiro direto), atrás apenas da China. Com seu mercado interno se abrindo para o exterior, o que está por vir para as empresas indianas em busca de oportunidades para obter fama e fortuna fora do país? 36

O IMD vem pesquisando a competitividade dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e está explorando a ligação entre a competitividade de um país e sua capacidade de gerar marcas globais. A Índia tem tido bom desempenho em termos de crescimento econômico interno, mas isso não tem significado maior competitividade internacional. De acordo com o World Competitiveness Yearbook de 2011 do IMD, o país ocupa apenas o 32o posto de 59 países, e após saltos em 2004 e 2006, sua classificação tem decaído aos poucos. Se uma nação tem pontuação baixa em competitividade, normalmente não significa que suas empresas individuais não possam ser competitivas internacionalmente. Aliás, se forem competitivas, terão contrariado todas as probabilidades e vencido, com sucesso, um contexto institucional desfavorável. Pois bem, é exatamente isso que aconteceu com as marcas Tata e Birla.

Identificando marcas indianas A rede internacional de comércio da Índia tem se expandido por meio de exportações e, cada vez mais, da internacionalização das empresas indianas após a liberalização do mercado, dando às marcas nacionais exposição internacional e a oportunidade de se aventurar no exterior. Para descobrir quais os indianos apoiam e ficariam felizes em recomendar aos estrangeiros e visitantes, realizamos um estudo exploratório. Fomos às ruas e shop-

pings de Mumbai, Calcutá, Cochin e Agra e perguntamos aos consumidores locais: “Quais das nossas marcas indianas são globais?” A maioria dos 107 entrevistados apontou três marcas: Tata - indicado pela maioria dos entrevistados (53,8%), o Grupo Tata, fundado em 1868, é o maior grupo privado empresarial na Índia. A empresa conglomerada multinacional, com faturamento de US$ 71,3 bilhões, por meio de 114 empresas e subsidiárias em oito setores, é sediada em Bombay House, em Mumbai. Sua gama de interesses vai de comunicações e tecnologia da informação a materiais, serviços e produtos de consumo, passando por engenharia, produtos químicos e energia. A maioria dos entrevistados que indicaram a Tata se referiam a todo o conglomerado, enquanto outros mencionaram empresas específicas, como a Tata Motors, conhecida por fabricar o Nano, o carro mais barato do mundo e a Tata Tea, o segundo maior fabricante e distribuidor de chá do mundo. O Grupo Tata já é um player global e, recentemente, adquiriu grandes marcas estrangeiras. Por exemplo, em 2006, a Tata Steel adquiriu a anglo-holandesa Corus - a maior aquisição indiana de uma empresa estrangeira - e dois anos depois a Tata Motors comprou as marcas de luxo britânicas Jaguar e Land Rover. A marca se impulsionou principalmente pelas alianças estratégicas e a ampla rede de contatos em quase todos os países do


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O Tata Nano, como foi batizado, é considerado o carro mais barato do mundo. Ele é produzido pelo holding Tata e custa US$ 2.500, aproximadamente R$ 4.500.

mundo, que reforçou sua capacidade de tramitar em diferentes setores. Reliance - indicado por um terço dos entrevistados (33,8%), o grupo foi fundado por Dhirubhai Ambani, em 1966, como uma fabricante de poliéster cuja marca têxtil, Vimal, logo ficou famosa. Em seguida, o Reliance entrou nos mercados de serviços financeiros, refino de petróleo e energia. Em 2002, já tinha se tornado um conglomerado de US$ 15 bilhões e o maior exportador da Índia. No mesmo ano, seu fundador morreu e deixou os negócios da família para os dois filhos, Mukesh e Anil. Houve uma rixa entre os irmãos, parcialmente resolvida quando a mãe interveio, em 2005, e determinou a divisão do grupo. O irmão mais velho, Mukesh, ficou com a Reliance Industries, que opera nos mercados de petróleo, ciências da vida, solar, logística e infraestrutura industrial, com uma receita de US$ 58,6 bilhões (2010) e 23.400 funcionários. Anil assumiu o recém-criado Reliance Anil Dhirubhai Ambani Group (ADAG). O grupo também entrou no setor de energia com a Reliance Power e no setor de entretenimento, ao adquirir a Adlabs. A receita da ADAG em 2009 foi de US$ 15,4 bilhões. Porém, a hostilidade entre os irmãos - dois dos homens mais ricos do mundo - continua. Birla - indicada por 13,8% dos entrevistados em nossa pesquisa, é um dos grupos empresariais mais antigos da Índia, dirigi-

do por membros da família Birla. Iniciou como comércio em 1857 e hoje opera sob inúmeros nomes, porém ainda conectados por diversas holdings. A Aditya Birla, por exemplo, com receita de US$ 30 bilhões e operações em mais de 27 países, conta com mais de 130 mil funcionários no mundo todo. Essa parte do grupo tem interesses empresariais diversificados, como em fibras de viscose, metais, cimento, fios de filamentos de viscose, vestuário de marca, fuligem, produtos químicos, fertilizantes, isoladores, serviços financeiros, telecomunicações, terceirização de processos empresariais (BPO) e serviços de TI. Uma parte significativa dos entrevistados mencionou pelo menos um desses três grandes nomes. Apenas 30% indicaram marcas indianas totalmente diferentes. Os 107 entrevistados mencionaram 3,67 marcas diferentes em média, compondo uma grande lista de mais de 130 nomes. Essa cauda longa não é nenhuma surpresa, e pode apontar algumas das marcas mais novas e atraentes que podem crescer no futuro da Índia. Estas marcas foram mencionadas várias vezes, como Bajaj Auto, Maruti-Suzuki, Mahindra, Hindustan Lever, Raymond, Godrej, Hero Honda, Kingfisher (United Breweries), Spykar, Videocon, Onida, Airtel, Amul, L&T, Torrent, Arvind Mills, The State Bank of India e o banco ICICI. A Birla tem conquistado admiração por se envolver ativamente em várias iniciativas da comunidade de desenvolvimento - em

particular em torno do seu local de fabricação. O grupo também apoia atividades em áreas como saúde, educação, modo de vida sustentável, infraestrutura e causas sociais.

O diferencial delas? Antecipando a ameaça da concorrência de marcas de outras economias emergentes, como a China, a Índia está escalando a cadeia de valor, longe dos têxteis de baixo valor, para fundar lucrativas indústrias de nicho (tecnologia da informação, energia, infraestrutura). Enquanto o país adentra uma nova fase de desenvolvimento, seu futuro dependerá cada vez mais de sua capacidade de se envolver em atividades inovadoras para criar motores internos de crescimento. Maior foco no estímulo ao empreendedorismo e à criatividade tem impulsionado essas marcas tradicionais e inovadoras, fazendo com que a Índia esteja mais presente no exterior, ao tempo que continua a reinventar-se como uma economia movida pela inovação e pelo conhecimento.

Agradecimentos especiais para Alessandro Ceschel, que conduziu todas as entrevistas; Arti Buxi, que ajudou a analisar os dados; e Alex Thélin do ThierryWeber.com, que editou o filme. *Willem Smit atualmente mora na ÁsiaPacífico, em Cingapura, e é pesquisador da IMD afiliado, uma das principais escolas de negócios do mundo.

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ARTIGO mercado feminino

A última palavra hoje é: “sim, senhora”

Leonardo Lanzetta

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*Leonardo Lanzetta é um transformador incansável que acredita que pode influenciar marcas, empresas e pessoas a construir um mundo melhor e mais inteligente. @lanzatt

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s mulheres estão no comando. Literalmente. Empossadas presidentes das principais economias da América do Sul e, cada vez mais, assumindo cargos de liderança nas empresas, hoje, elas têm o poder. Nos lares brasileiros, a ascensão feminina fica ainda mais evidente: elas já recebem do governo o benefício de ter nos seus nomes a escritura de casas populares destinadas as famílias e têm cada vez mais papéis, como o de esposa, mãe e profissional. Mas será que a indústria e o varejo estão sabendo propor soluções relevantes ao público feminino para satisfazê-lo? No varejo, o consumo das famílias brasileiras movimenta R$ 1,972 trilhão. Deste montante, as mulheres controlam mais de 66%, de acordo com dados da pesquisa realizada pelo instituto Sophia Mind. Juntas, elas movimentam no mundo cerca de US$ 20 trilhões e, especificamente no Brasil, cerca de R$ 1,3 trilhão ao ano. Desta quantia, R$ 799 milhões dizem respeito a consumo direto e R$ 503 milhões estão relacionados à compra de produtos inflluenciados por elas. Os números demonstram a força da ascensão feminina no mercado e sua ação decisiva no consumo do país. Porém, a grande maioria das mulheres ainda está insatisfeita com relação aos produtos oferecidos no mercado. E elas têm razão! Em muitos segmentos considerados essenciais por elas, as opções são limitadas para atender ao público feminino. Com raras exceções, os serviços de saúde, produtos financeiros e fitness estão entre os principais segmentos que ainda não ofertam produtos e serviços planejados especialmente para elas. O primeiro ponto a se entender neste cenário é que as mulheres não trocaram de função ao longo dos tempos, mas acumularam. Com o “dever” de serem profissionais eficientes, mães zelosas, esposas participativas e seres multitarefas, elas não querem abrir mão dos sonhos, dos cuidados com a beleza, com a casa e com os filhos. Tudo isso com cada vez menos tempo disponível. A otimização do tempo é, aliás, o principal trunfo para ser trabalhado pelos serviços que ainda faltam a elas. Por isso, o movimento do mercado deve ser no sentido de desenvolver serviços e produtos customizados para essas necessidades. Para isso, será essencial estudá-las, conhecê-las e entender seu comportamento atual, além disso, desenvolver soluções específicas para cada ocasião de seu dia e para cada uma de suas preocupações. Oferecer conveniência é uma tendência que se fortalece junto às mulheres. Quando se entende este contexto, a solução é natural. Um bom exemplo é o que propõe a rede de academias Curves: resultados em 30 minutos diários de exercícios específicos para o público

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feminino. O programa adapta-se à escassez de tempo das mulheres modernas e promete resultados. Outros exemplos são as companhias que realizam parcerias com manicures, a fim de proporcionar unhas feitas no ambiente de trabalho. A atitude eleva a auto-estima, com um serviço customizado e preço diferenciado. A oportunidade também pode ser aproveitada por salões para oferecimento de serviços específicos. No segmento de tecnologia, um dos poucos em que os homens ainda dominam, as oportunidades também são infinitas. Sendo mais objetivas e práticas, muitas vezes, as  exigências femininas são em torno de programas e equipamentos menos complicados. Nas redes sociais, as mulheres são presença constante, onde consultam e recomendam produtos e serviços. Cerca de 63% delas recorrem às redes para ter informações antes de fechar uma compra, e 70% delas entendem que há maior chance de solicitar um serviço se houver uma recomendação positiva na internet. Aí está mais uma oportunidade. Entender quais são os principais canais de busca de informações e como elas se relacionam neles pode otimizar o contato entre marcas e o público feminino. Verificar os blogs mais acessados e as internautas formadoras de opinião é um caminho prático para fornecer informações de qualidade e construir uma comunicação relevante. As mulheres sempre foram grandes influenciadoras e hoje elas estão no topo em plena era da revolução tecnológica. Muitos acreditam que, genética e culturalmente, elas estão assumindo melhor a realidade moderna e a tendência é que ganhem cada vez mais espaço. A questão agora é como oferecer solução, diferenciação e satisfação para as mulheres. Quem souber entender esse cenário e oferecer as melhores opções, será o pioneiro na cabeça delas.


ARTIGO comunicação interna

Quando a casa não está arrumada o mundo parece uma bagunça

laercio pimentel

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*Laercio Pimentel é jornalista, profissional de comunicação, marketing, publicidade, comunicação digital e consultoria; atua no mercado há 25 anos; é diretor da KFL Comunicações.

e que adiantam produtos de primeira linha, tecnologia de ponta, marketing notório, mercado em ascensão se a mola propulsora para que tudo isso aconteça não está azeitada? Faço referência à comunicação interna das empresas, das instituições, dos clubes de futebol. Quando todos os integrantes de uma organização não estão imbuídos do mesmo pensamento, conhecedores das suas metas e do objetivo almejado pela organização, então tudo parece distante de se tornar realidade. Funcionários que não estão integrados são “zumbis corporativos”; pessoas que fingem trabalhar, diretorias que fingem acreditar. A comunicação interna é tão importante para o sucesso de um projeto e de uma organização quanto qualquer outra atividade da comunicação corporativa (marketing, assessoria de imprensa, redes sociais, relações públicas, propaganda e publicidade). Não é possível existir um grupo coeso quando não há entendimento sobre os rumos que a organização está tomando, onde ela quer estar no tempo futuro, qual é a importância de cada elemento para atingir o objetivo, quais são as etapas para realizar metas. Portanto, é função da liderança agir como se estivesse numa nau, como um capitão que convoca sua tripulação para desbravar oceanos em busca de novas terras, com cada um sabendo o objetivo e suas respectivas responsabilidades, entendendo a importância de cada ação para todos, sabendo que o cumprimento de suas funções individuais será de suma importância para o sucesso coletivo. E se não fosse apenas por todos esses motivos, a importância da comunicação empresarial é entendida como uma ferramenta estratégica para inibir a rádio peão, as fofocas, os boatos, os conflitos de interesses, os mal-entendidos. É o portal para o entendimento

entre chefias e funcionários, para ampliar a simpatia dos familiares pelo mundo da empresa, para favorecer o bom boca a boca, para estimular a participação das pessoas no sucesso de cada projeto, enfim, para melhorar a performance individual e coletiva da organização. Portanto, da próxima vez que tiver de questionar as baixas vendas de sua equipe, o desempenho de qualidade de produtos e serviços, ou a fraca atuação de seu time de futebol, pense se não está faltando um bom programa de comunicação interna para dar sustentação a tudo isso. Afinal, sem entendimento coletivo não há sucesso que perdure e nem mal que se acabe.

Queremos o seu texto publicado na Revista Administradores! Cadastre-se em administradores.com.br e publique artigos em sua conta. Os textos mais interessantes serão selecionados e poderão estar na próxima edição da revista Administradores. Este artigo pode ser conferido no Portal Administradores através do link adm.to/bagunca_empresa

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ARTIGO CONSUMIDORES

(Des) Atendimento ao Cliente

Leandro vieira

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* Leandro Vieira desistiu de ir nessa livraria por um longo tempo após ter pesadelos constantes com o sorriso da atendente inconveniente.

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omingo à tarde, nada melhor que passear com a família no shopping. Lá estava eu, olhando as vitrines, completamente de bobeira e sem compromisso. Entro na livraria – meu destino favorito – e paro, primeiramente, na seção de revistas. Em menos de dez segundos, uma atendente me aborda com um grande sorriso nos dentes: “Boa tarde, senhor! Está procurando alguma coisa específica?”. Educadamente, respondi com o tradicional “estou apenas olhando, obrigado”. A moça se coloca à disposição e me entrega uma fichinha com o seu nome e um código, algo de extremo mau gosto (a moda nessa livraria é entregar essas fichas para que as vendas sejam computadas ao atendente, independente dele prestar um atendimento ao cliente ou não). Seleciono três revistas, e me dirijo à seção de livros de negócios. Ao me ver, a mesma funcionária me aborda novamente: “chegaram muitas novidades essa semana! Está procurando algum título específico?”. Começo a pensar que ela é dotada de algum tipo de radar, ou sensor de movimento. Dispenso outra vez a sua ajuda com a mesma cordialidade e inicio a leitura da contracapa de um livro de marketing. “Quer uma cestinha pra colocar as revistas?”, quase grita no meu pé do ouvido, sempre sorrindo. “Isso não pode estar acontecendo”, penso eu. Mais uma vez, agradeço à atendente, e me dirijo ao fundo da livraria, com a intenção de me esconder e poder ler em paz a sinopse do livro. “Agora eu me livro dela”, falo com os meus botões. Encontro uma confortável cadeira, sento-me e cruzo as pernas. Acho fantástico esse ambiente que as livrarias modernas inventaram pra nos deixar bastante à vontade. O livro de marketing não era lá essas coisas. Começo a folhear as páginas de um almanaque dos anos 80 que alguém havia deixado na mesa à minha frente. Que interessante! Tinha o Bozo,

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o Ploc Monster, a Turma do Balão Mágico... “O SENHOR JÁ VIU O ALMANAQUE DOS ANOS 70?”, me desperta do transe nostálgico a maldita sorridente. “Não, obrigado!”, respondo já sem paciência. Pior do que a falta de atenção ao cliente, só o excesso de atenção ao cliente. As empresas acreditam que impondo metas ou cotas de vendas a seus atendentes irão vender mais. Ledo engano. Fazendo isso, só conseguem transformá-los em chatos de galochas. É preciso deixar um espaço para os clientes respirarem. O processo de compra não é algo linear que começa com “Olá! Posso ajudá-lo?” e termina com “Muito obrigado e volte sempre!”. Envolve variáveis tão desconexas quanto lembrar a infância (eu estava quase comprando o almanaque dos anos 80!), ou imaginar o que a turma da faculdade vai achar do “meu novo computador”. Empresas, aprendam de uma vez: deixem seus clientes à vontade! Fim da história: despistei a atendente sorridente, deixei as revistas e o almanaque dos anos 80 em uma prateleira e saí da loja de mãos abanando.

| Esse episódio é verídico e ocorreu em uma loja de uma grande rede nacional de livrarias.


plinsta es Chdea Chanirl sta, o empreen dor e o arti O huma

por eber freitas

mundo do introduziu o jovem meio-irmão no O caminho da vida pode ser o anos de 14 de a cerc a teatro, quando este tinh da liberdade e da beleza, poempredo ais teatr s arte idade. A companhia de rém nos extraviamos. A cobiça os dois para polim tram sário Fred Karno foi o envenenou a alma dos homens, do na isita requ era ey atores: enquanto Sydn levantou no mundo as muralhas uma para lado esca foi terra da Rainha, Charles do ódio e tem-nos feito marchar anos dois e, 1910 em os Estados Unid os morticí- turnê nos a passo de ganso para a miséria e arcou novamente para a América emb is, depo mas nos nios. Criamos a época da velocidade, e de comediantes, desta vez para ”. Bem atu- com a trup sentimos enclausurados dentro dela carreira. do discur- construir sua assial, não? O texto, na verdade, é parte Admirado pelo público ianque, o ator cinema, e seem e ston so mais emocionante da história do Key dios com os Estú , escrito, nou contrato ro quat nte saiu do roteiro de “O Grande Ditador” dura u alho trab , onde britânico tembro de 2013 funrles Cha dirigido, estrelado e produzido pelo te, agen anos. Com Syd enquanto Charles Spencer Chaplin em 1940. produtora, a Charles Chaplin Stutraços, dou a própria Não é nenhum desafio encontrar empreendimento responsável pela excelente dios. Mas o competências e habilidades de um maiores sucessos foi a United plicado filmagem de seus administrador em Chaplin. O mais com ), companhia fundada em parceria importante Artists (UA é determinar qual delas foi a mais astas Douglas Fairbanks, Mary apenas um com os cine durante sua carreira. Ele não era David Wark Griffith. A UA era uma alho e em- Pickford e perfeccionista obcecado pelo trab entralizar a produção cinemaa pratica- forma de desc preendedor incansável que dominav rizada por estúdios milionários, seus fil- tográfica pola mente toda a cadeia de produção dos vel por sucessos como “Tempos m cruciais e foi responsá mes - atributos que certamente fora e “O Grande Ditador”, violentas e órfã e pau- Modernos” para o artista superar uma infância sátiras à intolerância, desigualdahumanista comoventes pérrima. Chaplin era, sobretudo, um e correntes políticas e econômicas a si mesmo, des sociais com um senso ético de paz, respeito o o nazi-fascismo e o fordismo. além de do séc. 20, com to esse aos outros e às suas particularidades, Não é necessário lembrar o quan dos Esta nos se considerar um “cidadão do mundo”. r pula impo tornou inter- pensamento o do bre Aos 12 anos, sem pai e com uma mãe céle mais a vítim a foi a maior Unidos. Chaplin agie ta na por insanidade, Chaplin passava unis com ser de acusado ruas, às macartismo, parte do tempo em orfanatos e nas o resto de seus dias com Oona ou Pass r. tado lho. vezes conseguindo algum subtraba ta esposa, e os oito filhos plin O’Neil, sua quar O único familiar próximo de Cha ena cidade na Suíça. ey do casal em uma pequ era o meio-irmão mais velho, Sydn rsos Viveu o suficiente para receber dive John Chaplin, aprendiz de marinheiro mais a sive inclu es, o títulos em várias naçõ que passava a maior parte do temp de Sir. alta horária de seu país natal: o título trabalhando em navios. Foi ele quem

Divulg ação

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dúvidas

| Papo com yoda

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Dúvidas, perguntas ou curiosidades sobre carreira, mundo corporativo, Administração ou desempenho no trabalho? O Jedi mais sábio do cinema responde para você! envie sua pergunta para mestreyoda@administradores.com.br Inglês ou Pós

Competência

A MELHOR Supervisão

Sou formada em Administração há quase um ano, e tenho participado de algumas seleções bem rigorosas de algumas grandes empresas. Tenho observado que existe muita gente preparada, mas eu ainda estou perdida e não sei no que quero me especializar. Hoje é mais importante uma pós ou um curso de inglês? Giseli Santos

Mestre Yoda, tempo de empresa mede competência? Aline Gonçalves

Sou gerente de uma loja de calçados e quero a cada dia melhorar a vida dos colaboradores. Quais seriam as sugestões para eu me tornar um gerente de respeito e sucesso? Sou amigo de todos, porém, às vezes eles não separam isso. Como devo agir? Ricardo Nascimento

Sem a promoção É normal um recém-formado em Administração que tem oito anos de empresa ainda não ser promovido, enquanto um que possui dois anos de empresa já ganhar a promoção de gerente? Isso é frustrante. Fabricio Nunes Revoltado discípulo, a frustração ao Lado Negro conduz. Sua energia para atitudes positivas conduza e o quadro revertido poderá ser.  As promoções normalmente se dão pela percepção dos superiores e não, necessariamente, pela realidade. E postura, muito conta.  Darth Vader, muitos promissores subordinados sufocou - literalmente - por uma percepção momentânea e superficial.   Por isso, desanimar você não deve.  De onde menos se espera, dali é que nada sai, mesmo.   42

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Administração Vs. Publicidade Iniciei esse ano a faculdade de Administração, estou atualmente no 2º período e até o momento estou curtindo a faculdade. Mas tenho uma dúvida, em Administração existe alguma ligação com a Publicidade? Samanta Ornelas Perspicaz Samanta, a Administração e a Publicidade somente se encontram quando uma agência de publicidade administrada precisa ser, ou quando os administradores de uma empresa fazer propaganda precisam.  Muito embora na faculdade de propaganda Kotler se estude, por exemplo, os pontos de intersecção poucos são e os cursos muito diferentes são, bem como suas carreiras.  Por isso, se pensando em mudar você está, mais informações busque.  Que o equilíbrio seu conselheiro seja.

Inseguro Ricardo, como gerente de uma loja de calçados, seus passos muito bem pensados devem ser (sem trocadilho).  A vida dos colaboradores querer melhorar, começar a trilhar o caminho do respeito e do sucesso já é.  O excesso de camaradagem, porém, sim, nocivo à autoridade pode ser.  Aproveitar o seu sobrenome você pode, e inspiração no Capitão Nascimento buscar, para o lado do comando aprimorar.  Afinal, missão dada, missão cumprida é. As ferramentas de RH “saco” e “vassoura”, no entanto, ignorar aconselho... Que a autoridade com você esteja! 

APRENDER A FORÇA JEDI PRECISO É @mestre_yoda

divulgação

Temerosa Giseli, mais importante a pós é, com certeza, pois o inglês no DNA já deve estar. Inglês, o básico passou a ser.  Quando “noções de inglês” perguntarem se você tem, “I have”, a resposta deve ser.  Como diferencial, não mais serve, portanto.  Por outro lado, se esta carência você tem, é justamente por aí que começar seu treinamento você deve, dedicada padawan.  Um curso de inglês faça, bebê (só pra gíria do momento usar...).

De forma alguma, curiosa Aline.   Tempo de empresa um indicativo pode ser, mas a permanência em cargos e empresas, muitos fatores podem ter, além da competência do funcionário. Assim como muitas pessoas muito competentes, meteóricas passagens podem ter.  A competência, de fato, por resultados medida é, em sua essência.  Já eu, competente sou e há muitos anos no cargo estou.  Mas a Força comigo está, e isto muito o trabalho facilita.


por mayara emmily

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acervo pessoal

inâmica e corajosa diante de obstáculos, Kelly Christina Campolongo, de 27 anos, enxerga oportunidades onde poucos encontram. Formada em junho de 2011 pela Faculdade de Administração de Empresas de São Paulo (Faesp), a jovem revela seu empreendedorismo desde a graduação. Um exemplo foi sua atuação na empresa júnior (EJ), ao levar soluções e contribuir para o sucesso do grupo, adequando estratégias de acordo com as possibilidades dos membros e as necessidades dos demais estudantes. O professor Carlos Munhoz, que ministrou aulas das disciplinas Marketing I e II na turma de Kelly, afirmou que a ex-aluna, no quesito entusiasmo, veste a camisa da organização e faz acontecer. “Ela consegue extrair não apenas boas análises das situações, mas enxerga soluções - e consegue, como se não bastasse, concretizá-las. Ademais, a capacidade de mobilizar as pessoas ao longo de todo este processo também é um diferencial fortíssimo que ela possui”.

A dedicação de Kelly lhe rendeu outros frutos fora da faculdade: apaixonada pela disciplina Marketing, conquistou a vaga de Analista de Comunicação & Marketing do Instituto Passadori, empresa do ramo de Educação Corporativa.

Você foi presidente da empresa Junior na Faesp. Como foi essa experiência?  Desde quando entrei na faculdade, sempre tive vontade de colocar todas aquelas teorias em prática. Logo vi a possibilidade com a criação da empresa júnior em 2007/2008. As vagas estavam abertas para alunos que tinham interesse de participar. Não pensei duas vezes e me inscrevi. No início, entrei como coordenadora editorial pelo fato de ter cursado dois anos de jornalismo e, assim, seria mais fácil para tocar o projeto de um jornal que íamos implantar.  Com algumas mudanças de diretoria, acabei tornando-me diretora de projetos, no qual minha primeira missão foi apresentar ao grupo toda uma pesquisa que fiz numa ONG - nosso primeiro cliente. Visitei a ONG, fiz entrevista com a proprietária que tinha uma belíssima história. Foi muito bacana. Os alunos da diretoria iam se formar e seriam necessárias mudanças na EJ, porém

muita gente tinha desistido. Decidi formar uma nova chapa em que assumiria a presidência. Convoquei alguns alunos que já faziam parte da chapa anterior e na reunião deixei claras as expectativas e objetivos que deveríamos alcançar nesse novo mandato. Elaboramos toda a análise SWOT e outras técnicas do curso de Administração na EJ e traçamos estratégias para o longo de um ano de mandato. Enfrentamos algumas dificuldades em relação a projetos, pois todos os alunos trabalhavam e não conseguiam se dedicar totalmente à empresa para prestarmos consultoria ao comércio e empresas locais, já que esse é o principal papel de uma EJ. Mas nem tudo estava perdido.   Vi outra oportunidade bem na nossa cara. Porque não empreender dentro de nossa própria Faculdade, já que não conseguimos sair dela? Começamos por lá! Levantamos quais habilidades e competências cada participante da EJ tinha e

criamos cursos de extensão para os alunos da Faculdade com um valor abaixo do mercado. Cursos de Word, Excel Avançado, PowerPoint e de Qualidade.  Pensamos nesses cursos específicos, pois o corpo estudantil tinha dificuldades ao apresentar um trabalho acadêmico ou em seu ambiente profissional. Foi um sucesso. Depois, resolvemos integrar os estudantes da faculdade com festas temáticas. Fizemos duas, a primeira que se chamava “Churras da Integração”, com o intuito de integrar e proporcionar um networking entre os alunos da faculdade, e a segunda, referente à economia verde, para alertarmos ao aquecimento global e à escassez dos nossos recursos naturais. Foram excelentes! Conseguimos trazer caixa para a EJ, que estava no vermelho. Você acredita que o seu desempenho foi positivo? Essa experiência a ajudou depois de formada? Posso dizer que meu desempenho foi excelente, considerando os aspectos de uma garota que não tinha qualquer noção de empreendimento, me saí muito bem. Aprendi a ser flexível, a gerir pessoas e conflitos. Hoje tenho a plena certeza que muitas das habilidades e competências que adquiri vieram da experiência que tive na empresa júnior, pois nas organizações, os gestores, diretores e administradores de empresa passam por desafios e tomadas de decisões que podem comprometer vidas e o futuro da empresa. É uma responsabilidade enorme.  Você se considera uma administradora do futuro? Sim. Acredito que um administrador do futuro tem que ser dinâmico, curioso, corajoso para assumir riscos calculados, empreendedor, mesmo dentro de sua organização, para atingir objetivos que possam fazer um bem comum e é claro, apaixonado pelo o que faz! Desafio é o seu dilema e ter entusiasmo para concluir e atingir cada objetivo é essencial. Acredito possuir esse perfil e estar aberta a novas possibilidades de aprendizado para poder, também, contribuir com minha experiência aos outros. Assim, o conhecimento será disseminado e a evolução continuará fazendo seu papel.

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fora do quadrado

| inovação

FORA dO QUADRADO

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Nessa edição, há acessórios para as mulheres, crianças, pais, quem quer fazer exercício, apaixonados por música e também outras tribos. Confira alguns produtos inovadores que prometem fazer sucesso no dia a dia das pessoas. por eber freitas e fábio bandeira de mello

1 Sombra adesiva A mulher moderna está cada vez mais atarefada. Ela trabalha, estuda, é mãe, esposa e, claro, manter-se linda nesse cotidiano é essencial. Pensando nisso, a ColorOn lançou um produto que deve economizar alguns minutos preciosos na hora delas se arrumarem. Trata-se da Sombra Adesiva, um produto para as mulheres que gostam de um look bacana e não disponibilizam de muito tempo para se maquiar.

2 Paliteiro Vodu Ao contrário dos paliteiros tradicionais, esse permite que você descarregue um pouco da insatisfação diária em um pobre boneco de vodu inocente. Por outro lado, o Ouch! (interjeição que equivale ao nosso “ai!”) é um bom aliado nas festas e comemorações, uma vez que desobriga o convidado a ficar segurando o palito usado ou descartálo depois de comer apenas uma fatia de salame. Está disponível para venda no site Fred & Friends worldwidefred.com/ ouch.

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3 Cofrinho inteligente Guardar dinheiro em um cofrinho faz parte da vida de muitas crianças (e até adultos). No entanto, uma das comuns frustrações é não saber o quanto já se economizou. Eis que surge o The Pig e Bank. Ele, além de guardar as economias depositadas, mostra o quanto já acumulou. Muito melhor do que ter que agitar o seu porquinho e dar um palpite qualquer. O produto pode ser encontrado no link adm.to/ porquinho e custa U$ 29,90.

Lavadora4 fliperama (de utilidade duvidosa) Essa criação poderia ser genial, mas o seu criador, pelo jeito, não pensou em tudo. O estudante de Design Lee Wei Chen desenvolveu essa máquina de lavar roupa que funciona como um fliperama na parte de cima. O produto seria ótimo para matar o tempo enquanto a roupa é lavada, porém, ele tem um problema. O usuário deve colocar uma moeda na máquina e ter um bom desempenho no game para fazê-lo funcionar, do contrário, tem que repetir o processo para lavar as roupas. Essa bateu na trave.

Mochila para 5 bebê multifuncional Pais que possuem bebê quando saem devem se acostumar logo: levar fraudas, mamadeira, uma segunda roupa, cadeirinha, chupeta... Ufa! Pensando em facilitar a vida do casal durante esse período, uma empresa europeia inventou uma transportadora multifuncional que ajuda, de forma prática, a carregar grande parte desses utensílios. O produto funciona com uma mochila que pode se transformar em uma cadeira-berço com opção de balanço. Ele pode ser encontrado no site www. babyranger.com.

6 Copinhos com personalidade No lugar de copos descartáveis opacos, por que não disponibilizar as bebidas em recipientes mais, digamos, legais? Esses copinhos de papel, conceito criado pelos designers Jason Amendolara e Luke Boggia, vêm com fotografias reais para incrementar a aparência dos convidados de uma forma descontraída. Os acessórios são vendidos em embalagens com 24 unidades por US$ 7,45 no link adm. to/copos_legais

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7 Faça barulho com a camisa Na edição anterior, para você se transformar em um astro do Rock, mostramos uma bolsa que possuía uma guitarra e um mini-amplificador acoplado. No entanto, se você prefere outros ritmos musicais, uma boa pedida é a camiseta com um teclado conectado. Ele permite até oito notas diferentes com som de qualidade. Agora é só demonstrar seu lado musical e colocar o som na caixa (ops, na camisa). O produto também é vendido no Think Geek e custa U$ 29,90.

Teclado 8 wireless para computadores Essa pequena ferramenta pode ser uma aliada poderosa durante apresentações que envolvam projeção de slides. O ProMini, teclado wireless para PCs e notebooks em geral, vem com um trackpad integrado para movimentar o cursor na tela, além de um laser para guiar os olhares dos espectadores na tela. O gadget é compatível com os sistemas operacionais Windows, Mac OS e baseados em Linux. Pode ser adquirido no link adm.to/promini.

9 Azulejos térmicos Essa criação poderia muito bem ter saído de um típico filme de ficção científica para ser uma diferente forma de decorar a sua casa. A cor dos azulejos muda conforme a temperatura ambiente, corporal, da água ou qualquer coisa que encoste neles. O produto, porém, só está disponível para quem tem grana suficiente a gastar com coisas exóticas: cada peça custa US$ 14,88 no site Inventables, o mesmo que desenvolveu o conceito. adm. to/azulejo_diferente.

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Cadeira 10 cabide A ideia do Coat Check Chair é bem simples: pegue seus cabides sobrando no armário, monte uma estrutura e pronto uma cadeira diferente e inovadora está finalizada. A ideia surgiu do estúdio de design americano Continuum, que colocou muitos cabides seguidos em uma estrutura de cadeira, fazendo assim um assento maleável e útil. Segundo os idealizadores, o conceito do projeto é trazer elementos do armário para participar do cotidiano das pessoas e resolver o problema de quem tem cabides amontoados.

Agenda 11 prática manual Você finalmente conseguiu aquele contato chave no seu networking, tem a oportunidade de conseguir o número do telefone ou e-mail, e... faltam o lápis e o papel. Com essa tatuagem lavável, as coisas podem ficar mais fáceis. Ela imprime linhas retas na palma da sua mão e vem junto com uma caneta, cuja tinta pode ser facilmente removida. A To-Do Tatoo pode ser encontrada na Amazon por US$ 7,88.

Bicicleta dobrável

Se você é daqueles que sempre disse que não tinha uma bicicleta simplesmente por morar em um apartamento pequeno, suas desculpas irão acabar. Com a bicicleta dobrável One é possível fazer exercícios sem se preocupar onde irá guardá-la depois. Quando dobrada, ela oculta todas as engrenagens e pedais, ficando compacta para ser guardada em qualquer ambiente. A One ainda é um conceito, mas promete fazer sucesso nas ciclovias pelo mundo.

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entretenimento

| curiosidades, humor e sustentabilidade

curi osidades:

Gargalhar faz bem para saúde Colômbia treina ratos salva-vidas Um projeto desenvolvido na Colômbia está dando o que falar. O laboratório da polícia nacional do país está treinando ratos para encontrar minas terrestres, enterradas em áreas que cobrem mais de 70% do território do país. Como os roedores são extremamente leves, eles não detonam os explosivos com o peso do próprio corpo, podendo substituir cães e homens nessa árdua tarefa. A iniciativa surgiu para acelerar o processo de desativação de minas na Colômbia, primeiro colocado no ranking de minas terrestres pelo o mundo.

Uma recente pesquisa da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, revelou uma notícia que, indiretamente, todos já sabiam: dar uma boa risada faz bem para a saúde. De acordo com o estudo, a gargalhada libera substâncias químicas (como a endorfina), que não apenas geram certa euforia como atuam como analgésico. A pesquisa indicou também que uma risadinha contida não basta, é preciso uma boa gargalhada para ter o efeito.

Ciclo energético renovável

Antidepressivo feminino

Cientistas criam capa invisível

Dois engenheiros ambientais norte-americanos desenvolveram uma forma de captar energia elétrica a partir do processamento de matéria orgânica por bactérias, gerando hidrogênio, base para fontes de energia alternativas. A atuação das bactérias tornaria desnecessária a presença de fontes externas e ainda aperfeiçoaria o tratamento de esgotos e água poluída, por exemplo, criando um ciclo sustentável de geração de energia limpa. Vamos esperar que essa iniciativa ganhe respaldo prático e o interesse de investidores éticos.

Mulheres que desejam prevenir a depressão podem ter um novo (e ao mesmo tempo conhecido) aliado: o café. Uma pesquisa da Harvard Medical School realizada com 10 mil mulheres constatou que as que consomem duas ou mais xícaras diárias da bebida têm menor probabilidade de serem depressivas. Segundo o estudo, a cafeína pode alterar a química do cérebro. O estudo ainda constatou que as habituais consumidoras do cafezinho têm menor propensão à obesidade, hipertensão e diabetes. 

A fantasiosa capa de invisibilidade de Harry Potter agora é tecnologicamente possível. Lançando mão de recursos da nanotecnologia, cientistas da Universidade de Dallas demonstraram um exemplo prático de uso da capa, que simularia o efeito visual de uma miragem, fenômeno comum nos desertos, ao conduzir uma grande quantidade de calor ao seu redor. O artefato conta com a espessura de uma molécula, mesma densidade do ar, porém é rígido como aço. Veja no vídeo: adm. to/capa_invisivel

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cash flow – Fluxo de caixa. É o fluxo de entradas e saídas de dinheiro do caixa de uma empresa. Importante medida para se determinar o valor de uma companhia, através do método do fluxo de caixa descontado.

ações para um mundo melhor: Elza Fiúza (Agência Brasil)

descom plicando:

dumping – Exportações com preços inferiores para conquista de mercado. Performance Task Behavior – Comportamentos de desempenho da tarefa. Ações executadas para assegurar que o trabalho do grupo ou das organizações atinja seus objetivos.

humor dormindo em serviço

O patrão flagra o funcionário tirando um cochilo em serviço e questiona: - Bonito hein! Dormindo em serviço? Você não tem medo de perder o emprego? O funcionário rapidamente responde: - Não estou dormindo não, chefia! É que o meu serviço é tão fácil que eu faço de olhos fechados!

Reaproveitamento de madeira e inclusão social por eber freitas

C

ooperativas podem ser instituições altamente benéficas para a sociedade. Elas praticam a cultura da coleta, reutilização e reciclam diversos tipos de materiais que desperdiçamos cotidianamente. Imaginem como deve ser trabalhoso para uma cooperativa encontrar uma nova utilidade para toda a madeira descartada pela construção civil. Conseguiu? E conferir a esse material um valor de mercado, beleza, sofisticação e alavancar o desenvolvimento local? Essa é a proposta de Thiago Lucas dos Santos, aluno recém-formado em Design Industrial pela UnB. No começo, o objetivo do seu projeto, intitulado Linha de Mobiliário com Madeiras Recicláveis, era desenvolver móveis para as famílias de baixa renda que vivem na comunidade Estrutural (Brasília) a partir de madeira recolhida em um lixão próximo à localidade. Porém, misturadas a outros resíduos e sem nenhum tratamento, as ripas coletadas dificilmente tinham a qualidade mínima para serem trabalhadas adequadamente. A solução encontrada é o que

sugere o parágrafo anterior: cooperativas. Uma delas, a Sonho de Liberdade, que trabalha para ressocializar ex-detentos, coleta tanta madeira quanto possível antes que ela seja direcionada para o lixo. A instituição, porém, conseguia um valor muito baixo com a revenda do material. Foi daí que o então aluno resolveu adequar o tamanho das ripas para criar móveis de diferentes tipos e tonalidades, agregando valor de mercado para o produto e gerando o virtuoso efeito colateral de promover o desenvolvimento da cooperativa que, por si só, já executa um trabalho social. “O grupo ainda é carente de recursos e de ferramentas”, afirmou Thiago, que pretende desenvolver cursos de capacitação junto aos cooperados. Os móveis são feitos com a técnica de encaixe para facilitar a confecção pelos catadores e já têm boa aceitação de mercado. O resultado são primorosas peças de decoração sociais e ambientalmente responsáveis, qualidades que faltam a muitos fabricantes comerciais.

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entretenimento

| Leitura e cinema

leitura: O

Soluções Enxutas Lean solutions

por roberto recinella*

consumo é um processo para resolver problemas, ou seja, a venda se estende até o produto apresentar defeitos, o consumidor reclamar na empresa e receber os velhos pretextos das organizações que terceirizam a culpa de algo ter dado errado para outros setores. Neste ponto, nós, míseros consumidores, somos obrigados a “trabalhar para o fornecedor” contra a nossa própria vontade em busca de uma solução. Esta é a espinha dorsal que norteia o livro Soluções Enxutas. Daniel Jones e James Womack mostram que, apesar das promessas das empresas em satisfazer as necessidades de seus clientes, ainda existe muita frustração no processo da compra. Os autores afirmam que são poucas as que entendem o consumo como um processo que vai além da obtenção simplesmente de um produto ou serviço. Atualmente, inclui uma fase posterior, em que as pessoas procuram algum tipo de suporte ou apoio. Através de inúmeros exemplos, os autores desconstroem o modelo fornecedor/consumidor clássico e sugerem os princípios do consumo enxuto, que consiste em mostrar às empresas como eliminar a ineficiência neste processo. Estudos apresentados pelo livro dividem as 24h do dia em quatro categorias: tempo pessoal (dormir, vestir-se, higiene, alimentação), trabalho remunerado, lazer e uma categoria intitulada trabalho não-remunerado. : O estudo revela que o tempo pessoal, nos últimos 200 anos, tem se mantido em cerca de nove horas por dia. Já o tempo gasto com trabalho remunerado tem caído regularmente.

Porém, o que aumentou exponencialmente foi o trabalho não-remunerado, ou seja, aquelas tarefas chatas que não gostamos de executar e principalmente não somos pagos para fazer, mas são necessárias pra resolver problemas diários e conduzir nossas vidas. Por exemplo, tente ligar para o call center de qualquer empresa para reclamar sobre um determinado produto, ou tente se lembrar de quantas vezes você teve que retornar à concessionária ou revenda autorizada, pois seu carro ou eletrodoméstico continua apresentando o mesmo defeito. Viu? Esse é um sinal claro de que os processos nas empresas estão caminhando no sentido contrário aos desejos e necessidades do consumidor. Com base nesses princípios, os executivos e administradores devem estar aptos a fazer com que as organizações provenham o valor desejado pelos clientes, sem perda de tempo ou esforço, construindo, assim, uma empresa mais lucrativa e competitiva. E também um cliente mais feliz. Eu confesso que, na maioria das vezes, me sinto um consumidor incompreendido e mal tratado no momento da compra. E sempre questiono as pessoas: se é tão gostoso comprar, por que parece ser tão difícil vender?

*Roberto Recinella é palestrante, escritor e coach. Tem o sonho de vilão de desenho animado, conquistar o mundo, e faz isso através de suas palavras e exemplos. Sempre bem humorado e irreverente, vive questionando as pessoas ao seu redor perguntando “Por que não dá pra fazer diferente?” www.rrecinella.com.br

estante: Tornar-se chefe: a grande transição De Kevin Eikenberry e Guy Harris Ed. De Boa Prosa, 262p. R$ 48,50

Gratidão De Gary Vaynerchuk Editora Campus, 192p. R$ 21,90

Boom de mídias sociais De Jeffrey Gitomer Editora M. Books, 200p. R$ 45,00

Dividido em seis partes, aborda o grande momento de transição dos profissionais, além de apresentar temas como formação de equipes, feedbacks e resolução de conflitos.

O livro vai além de um sistema de SAC aperfeiçoado para apresentar um conceito chamado economia da gratidão, criado pelo empreendedor Gary Vaynerchuk.

O livro ensina os conceitos, as estratégias e como utilizar o poder e a oportunidade que a mídia social apresenta para os negócios.

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divulgação

cinema: O Poderoso Chefão Quem olha à primeira vista pode até duvidar que seja possível extrair alguma lição sobre a máfia. Porém, a família Corleone mostra que essa probabilidade existe. por marcelo toledo*

V

Dirigido por Francis Ford Coppola e baseado no livro de Mario Puzo, “O Poderoso Chefão 1” conta a história da família mafiosa Corleone e as divergências que ela passa durante o período de 1945 a 1955.

ocê pode até não ter assistido ao filme “O Poderoso Chefão 1” (The Godfather), mas é quase certo que já tenha ouvido falar. Independente de qual seja a sua situação, não precisa se envergonhar, eu mesmo demorei vinte e oito anos para assistir. Hoje, com trinta e dois, aqui estou em um sábado à tarde, sentado no escritório da minha casa, escrevendo com a maior empolgação sobre um filme que conta a história da família mafiosa Corleone. O filme, lançado em 1972, é uma verdadeira obra de arte cinematográfica que parece ter as mesmas características de um bom vinho - amadurece com o tempo e se torna mais aromático e saboroso. Quase quarenta anos após sua estreia, não há tecnologia e produções em 3D que o faça menos interessante. E o que incomoda a todos é que, após assisti-lo, você passa a enxergar os mafiosos com uma certa “admiração”. Claro que não estamos encorajando ou somos a favor do crime, da chantagem ou do suborno, assuntos ligados diretamente à máfia. No entanto, para mim, o real espírito do filme está relacionado aos valores que ele transmite (por incrível que pareça). E é exatamente por isso que ele se torna melhor com o tempo. Valores esses que estamos perdendo. E quer saber? Deveríamos recuperá-los. “O Poderoso Chefão” é uma aula de Administração, de empresas, negócios, amigos, família, amor, ódio, equilíbrio, sabedoria e respeito. Durante todo o filme vemos demonstrações de como a família é importante acima de qualquer coisa. Passar um bom tempo com a família, dar risadas e se divertir são um pré-requisito. Beijos e abraços carinhosos são distribuídos, mesmo entre os homens. Muitas das refeições são feitas com todos à mesa e lá não se fala sobre negócios - é proibido. Tenho certeza que celulares, se existissem na época, também seriam. Este é um momento sagrado para reunir a família, comer bem e relaxar.

Mas a vida dos Corleone não era só diversão. Todos os dias e noites eram de muito trabalho, afinal, eles eram mafiosos extremamente poderosos e tinham muitos negócios e conflitos para gerir. O chefe da família, Don Vito Corleone, inclusive, seria um “perfeito” presidente de empresa. Uma pessoa absolutamente calma e confiante em qualquer situação, mesmo nas mais complicadas. Antes de tomar qualquer decisão, escutava sem interromper todos os seus conselheiros, pensava, refletia e quando saía de sua boca uma voz sempre serena, suas ordens eram cumpridas imediatamente. Para não dizer que sua vida era fácil, os conflitos eram tantos que chegou ao fundo do poço. Mal havia escapado da morte, após levar cinco tiros, descobre que as cinco famílias mafiosas estavam em guerra e seu filho mais velho acabara de ser assassinado. Ao ouvir esta notícia de seu outro filho, ele abaixa a cabeça e começa a chorar. Poucos segundos depois, com uma profunda inspiração, se recupera e diz: “Eu não quero investigações, não quero atos de vingança e quero uma reunião com os chefes das cinco famílias. Essa guerra termina agora!”. Em um primeiro momento talvez você termine o filme querendo ser parte da família Corleone, mas quando o efeito ficcional passar e você voltar à realidade, espero que, assim como eu, você abomine atos ilícitos, e que a única coisa em que deseja copiá-los são seus valores. Faça o que tiver de fazer, mas ame e respeite a sua família em primeiro lugar. Tenha respeito até pelos seus “inimigos”, trabalhe duro, tenha calma, sabedoria, escute, ajude quem precisa. “O Poderoso Chefão 1” tem tudo a ver com Administração, mas espero que ele desperte em você algo diferente e complementar.

*Marcelo Toledo participou da criação de diversos startups. Atualmente é CTO da Vex e mantém o blog marcelotoledo.com para falar sobre empreendedorismo e startups.

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PONTO.FINAL A ilusão do poder por stephen kanitz*

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poder governamental sempre foi considerado afrodisíaco, uma sensação humana que poucos têm o privilégio de desfrutar, mas de efeitos fantásticos sobre aqueles que o detêm. Frequentei por um ano seus corredores quando fui assessor do Ministro do Planejamento, e todos meus amigos querem saber como foi a experiência, como é de fato este tal de “poder”. Eu, honestamente, não sei de onde vem este mito orgástico. Claro, o número de pessoas que lhe tratam com reverência aumenta, o de puxa sacos explode, o telefone não para de tocar com pedidos de audiência. Mas alguém que quer realizar algo de bom e concreto volta absolutamente frustrado. Quem está acostumado a realizar coisas na vida privada fica absolutamente estarrecido com a lentidão e inércia do governo. Ninguém é formado em Administração, não há diálogo, ninguém entende o que é administrar a coisa pública. Infelizmente, nestes últimos 50 anos, nunca tivemos um Presidente da República que tenha trabalhado numa das 500 maiores empresas privadas deste país, e poucos foram os ministros que o fizeram. Executivos acostumados à pressão de gerenciar planos e orçamentos de forma moderna. Profissionais que conhecessem a fundo as dezenas de disciplinas da Administração, gerência de recursos humanos, controladoria, análise de sistemas, gerenciamento do crescimento, administração financeira, apu50

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ração contábil, estratégia e planejamento para disseminá-las aos seus subordinados. E, mais importante, com experiência de implantar aquilo que parece perfeito no papel. Nossos governos, de 1964 para cá, foram administrados por professores universitários, teóricos, bons de fala e bons escritores de artigos em jornal.Quem conheceu no passado as grandes empresas como a Telebrás ou a Matarazzo sabe como elas também eram paquidermes lentos e pesados. Quanto maior a empresa

O poder é afrodisíaco para quem é incompetente ou governo, pior é a sua capacidade de responder às demandas da sociedade. Por isso, não entendo porque tantos intelectuais lutam para ter governos cada vez maiores e máximos, em vez de governos enxutos e eficientes. Se empresas que detêm 1% do PIB tiveram de enxugar e fizeram a famosa reengenharia, tão criticada pelos nossos intelectuais, o que dizer do nosso governo que detém 60% do PIB entre impostos arrecadados e controle de estatais? Se a GM, que tem 0,1% do PIB, está quebrando, o que dizer de quem tem 60%? O poder

é afrodisíaco para quem é incompetente. Eles, que jamais fariam algo na vida, podem agora ficar sentados e ouvir os planos das pessoas competentes que precisam de aprovação do governo para fazer o que precisa ser feito. São os gestores que gesticulam, não administradores que administram. Eles só precisam decidir quem está propondo a melhor ideia, e muitas vezes nem isto sabem fazer. Entreviste os poucos administradores que já trabalharam no governo. Pessoas como o Antoninho Trevisan, Alcides Tapias ou o Furlan, e eles dirão como é frustrante trabalhar no governo. Pergunte para deles se pensam algum dia em voltar ao poder. Por outro lado, pessoas que veem o poder como forma de aparecer, que gostam de ser bajuladas por puxa sacos, que adoram os holofotes do cargo público, estes de fato acham-no afrodisíaco e só pensam em voltar. Vários leitores me perguntam por que não vou para o governo, e esta é a razão. Não se muda o mundo de cima para baixo como antigamente. Um Stalin ou um Mao não conseguiriam fazer nada hoje em dia, especialmente no Brasil. O único poder que temos para mudar o país, não é mais o poder de mando. O poder que funciona no mundo moderno é o das pequenas coisas, do exemplo, das ideias, e é este poder que eu exerço aqui. O poder da persuasão.

* Stephen Kanitz é consultor de empresas e conferencista. Vem realizando seminários em grandes empresas no Brasil e no exterior. Mestre em Administração de Empresas pela Harvard University, foi professor da USP. No Twitter, @stephenkanitz.


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#11 Ideias malucas