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Reunir trinta anos de uma história carregada de muitas outras histórias define o desafio de editar a trajetória profissional de Arnaldo Danemberg. Personalidade de biografia talhada em inúmeros relevos e que o tempo só fez aprimorar.

Fotos Marco Antonio Rezende

editorial

Uma tarefa estimulante, gratificante em toda a sua dimensão, que resultou da confiança mútua e de pontos em comum que interligam nossos trabalhos. “Nada é por acaso” é uma frase recorrente de Arnaldo, e esta publicação se enquadra no conceito. Tenho o mesmo tempo de profissão de Arnaldo Danemberg, e sou publisher de uma revista carioca que me levou a conhecer mais de perto o universo de excelência construído com o selo AD. Escrever sobre o antiquário cujo nome é referência no mercado sempre esteve na minha pauta. E, de matéria em matéria, chegamos aqui. O convite para compor a edição foi uma honra, na mesma proporção da responsabilidade que a função requereu. Foram meses ao lado de Arnaldo selecionando textos, fotos, memórias... Um trabalho minucioso, conduzido por ele com o mesmo rigor pela qualidade que aplica às peças de antiquariato que compõem seu rico acervo. Percorri de forma imaginária seu Le Grand Tour, revivendo passagens memoráveis pelo mundo em busca da matéria-prima essencial ao seu trabalho. Observei o arquivo bem organizado de seus muitos projetos, mostras, exposições. Presenciei seus amigos e parceiros receberem esta publicação de braços abertos, contribuindo com generosidade e talento para o enriquecimento do conteúdo. Da mesma forma, compartilhei seu entusiasmo e sua emoção diante deste mosaico autobiográfico que ganhou forma nas 112 páginas que compõem a revista. Resumo de três décadas de conquistas, mas que certamente renderiam outros inúmeros volumes. Começa, então, a viagem de volta ao passado de Arnaldo Danemberg, que reflete na expertise do seu tempo presente. Parabéns pelo trintenário, e que façamos juntos os próximos capítulos de uma longa trajetória.

EDITORA Kathia Pompeu kathia@rioconceitoa.com.br Jornalista Responsável (17812-81)

DIREÇÃO DE ARTE Cristiana Ribas cristiana@rioconceitoa.com.br

REVISÃO EDITOR DE FOTOGRAFIA Ana Grillo Marco Antônio Rezende marco.rezende@rioconceitoa.com.br IMPRESSÃO BURTI Gráfica PROJETO GRÁFICO Conceito A

Kathia Pompeu, editora

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anos

30 de

antiquariato “Que sorte você teve!”, exclamou minha mestra, a pes-

mas não amava – iria se tornar não apenas uma profissão

quisadora e autora Tilde Canti, papisa do mobiliário bra-

como outra qualquer, uma compra e venda, mas sim um

sileiro, ao ver as duas cadeiras Sheraton Brasileiro, pe-

caminho a seguir, um norte de vida.

ríodo Dona Maria I, em jacarandá, recém-adquiridas por mim e uma delas capa desta revista. Tais quais aqueles

Daí para o aprendizado técnico foi um pulo, depois as aulas com

exemplares a que meses antes eu havia sido apresenta-

minha mestra, a pesquisa. “Vá aos museus...”, aconselhou-me

do por Tilde nos museus das Minas Gerais. E ainda por

ela. E assim fiz, sempre aos sábados. Mais tarde, pesquisando

cima o par! Sorte dupla.

o móvel brasileiro do século XIX, percorremos juntos o Vale do Paraíba, as Minas Gerais, nossos museus cariocas. E dali a

Neste ano em que festejo trinta anos de antiquariato, meu

Salvador, onde pesquisei o acervo de toda a arquidiocese.

trintenário, celebro aqueles que me ajudaram a percorrer este caminho. Levado pelas mãos de meu pai, lembro-me

Contando com o apoio do nosso então cardeal primaz, Dom

perfeitamente do que senti em um leilão no Cosme Velho,

Lucas Moreira Neves (“só pode ser paixão o que move esse

realizado por Affonso Nunes Leiloeiro, amigo da família,

rapaz”, afirmou), percorri conventos, igrejas, mosteiros;

quando constatei que poderia adquirir as toalhas de mesa

enriqueci-me de informação e experiência. O gosto pela

em linho com o dinheiro da minha mesada.

pesquisa já estava impregnado em mim. Mais tarde a pesquisa se estendeu a Portugal, nossa pátria mãe. E não pa-

Lembro-me também de quando, ainda bem pequeno, em

rei mais. A cada aula, a cada curso, em palestras diversas,

outro leilão, sugeri a meu pai a compra de um conjunto de

nas exposições realizadas, continuo mostrando a todos o

sala estofado e em alguns dias estava em nossa casa o mo-

resultado de minhas buscas – os móveis históricos. É como

biliário Leandro Martins. Recordo ainda o acervo do Lloyd

falar dos filhos... sempre um motivo de júbilo e orgulho.

Brasileiro, arrematado por meu pai e por ele revendido; as faianças; o chute de bola que dei, não a gol, mas direto num

Mais tarde, a mudança para o AD/Chopin. Meu pai pen-

prato de parede francês da nossa casa... e meu pai me ensi-

durando as chuteiras, se recolhendo e, em sua quietude

nando o caminho, desde cedo, pela convivência.

e discrição, colecionando recortes de jornais sobre a vida profissional do filho, que ali no Chopin trocou a Antigua-

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Quando muito mais tarde ele me convidou para juntar-

lha por Arnaldo Danemberg Antiquário, numa merecida

me a ele na futura Antigualha, na hoje famosa Rua do

homenagem a ele – o Arnaldo original, já que sou o filho.

Lavradio, jamais imaginei que o que inicialmente seria

Filho que se fazia maduro, adulto e pai. Tornei-me então,

apenas uma alternativa à advocacia – da qual eu gostava

sem perceber a princípio, o Arnaldo Danemberg. Prazer!

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Impossível festejar o antiquariato e o mobiliário sem mencionar e louvar o trabalho de nossos restauradores. Sempre acompanhei de perto, com grande alegria e prazer, essa tão nobre arte, assim como a habilidade, o esmero e a paciência de nossos humildes mestres. Agradeço a eles por estarem comigo neste caminho. Restaurando nossos móveis, nosso pequeno jardim, a gente se restaura junto. Acreditem. Na foto que ilustra este texto, volto à Bica da Rainha, no Rio de Janeiro, onde, no início do século XIX, Dona Maria I ia “com as outras” beber em sua fonte... passando pelo histórico bairro das Laranjeiras, onde nasci e estudei, onde minha família sempre esteve. Pois bem ali, na mesma fonte, já no início do século XX, um imigrante português, Sr. Antônio Gomes, homem de braço forte, aguadeiro, com sua pipa puxada a burrico, se abastecia daquela água e a distribuía nas residências do Cosme Velho. Esse homem mal podia imaginar que seu neto, o “homem de estudo”, sonhado e educado por sua filha Alzira, minha mãe, justamente um século depois, percorreria seu país de origem e boa parte da Europa num caminhão – não distribuindo, mas em busca de tesouros... – com o mesmo braço forte e valente herdado do avô português e extremamente feliz. Assim inicio a revisão dos meus trinta anos de ofício. Compartilhei excelentes momentos com nossa editoria, a quem agradeço de coração pelo trabalho realizado.

De um lado, a família de Antônio, Maria da Conceição, Mario, Manoel, Antoninho, João e Alzira. De outro, a família

Recebi com grande alegria os textos dos meus convi-

de Henrique, Deína, Teócrito, Teophilo, Auristela, Osíria,

dados – amigos queridos e parceiros de trabalho, de

Sidney, Oswaldo, Henrique e Arnaldo.

trajetória –, que muito me emocionaram. A eles, meu profundo agradecimento.

E hoje Katia, minha grande companheira e incentivadora nesta caminhada e também coautora desta história;

Passamos pelo Profissionalizando o Futuro, gratíssima

Paloma e André; Nicole, Gabrielle (de saudosa memória),

experiência; pelo meu Le Grand Tour; pelas exposições

Oncle Marcel, Tante Fernande, Claire, Celine e quem mais

realizadas – uma mostra dos trabalhos de meus queri-

o futuro nos trouxer. Que sejam todos bem-vindos.

dos parceiros arquitetos e decoradores, aos quais sempre agradeço a distinção.

E vamos em frente. Temos certamente mais trinta anos para viver, trabalhar e festejar. Mais trinta anos

Estou agora no AD/Chopin, bem ao lado do Copacabana

para ficar na memória.

Palace, onde meu outro avô, Henrique Danemberg, trabalhou durante muitos anos como gerente-geral. Homem elegante, de seriedade extrema e discrição ímpar, exemplo para os netos Danemberg, agora homens feitos.

Com a minha alegria. Arnaldo Danemberg Rio de Janeiro, agosto de 2011

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perfil // arnaldo danemberg

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D evoto

DA FORMA ESTÉTICA

ELE NASCEU EM UM 19 DE MARÇO – MESMO DIA EM QUE CATÓLICOS FIÉIS CELEBRAM SÃO JOSÉ, O SANTO CARPINTEIRO E PADROEIRO DOS TRABALHADORES. DATA QUE ARNALDO DANEMBERG ENCARA COMO BÊNÇÃO PROTETORA AO SEU TRABALHO COMO ANTIQUÁRIO, QUE ALCANÇA TRINTA ANOS MUITO BEM-SUCEDIDOS

POR KATHIA POMPEU FOTOGRAFIA MARCO ANTONIO REZENDE

Devoção explícita em seu escritório, através da tela sacra de procedência espanhola evocando a imagem do santo: “Identifico na fé uma beleza tão intensa quanto a que contemplo na arte”. É nesse espaço que Arnaldo Danemberg administra negócios com zelo admirável, o que só justifica seu prestígio no mercado. A começar pelo endereço elegante do antiquário, há 18 anos instalado na galeria do Edifício Chopin, na Avenida Atlântica, vizinho do Copacabana Palace. Lá, em 300 metros quadrados, tudo corresponde a bom gosto, em apresentação pensada em detalhes para reiterar o valor artístico e estético das peças com a chancela AD. São móveis e objetos originais de época dispostos com estilo pelo interior da loja, formando vitrines dinâmicas, em constante mutação, conforme o entra e sai do acervo. Uma das estratégias adotadas por Arnaldo nessa configuração é convidar arquitetos ou decoradores parceiros para assinarem as ambientações. Nomes tarimbados como Paola Ribeiro, Márcia Müller, Dado Castello Branco e Lia Siqueira já exploraram o potencial da grandiosa coleção de cadeiras brasileiras do século XIX, exemplares ingleses do Arts & Crafts, clássicos austríacos com assinatura Thonet, mobiliário em

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É um exercício do olhar reconhecer a nobreza e o valor de uma peça através de suas características materiais.

Arnaldo Danemberg

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Identifico na fé uma beleza tão intensa quanto a que contemplo na arte.

Arnaldo Danemberg

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interpretações campesinas ou citadinas francesas e seus “Luíses”, entre muitos itens catalogados com critério, compondo interessantes arranjos visuais. Complementando essas cenas, nunca faltam flores naturais, especialmente lírios, cujo simbolismo remete à monarquia francesa, impregnando toda a loja de um perfume adocicado e marcante. Ares de Europa que faz rima com as relíquias garimpadas graças ao faro experiente do antiquário, que viaja em média quatro vezes ao ano para o Velho Continente com fins de pesquisas e estocagem, na maioria das vezes por pequenas cidades interioranas. “É um exercício do olhar, identificar a nobreza e o valor de uma peça através de suas características materiais”. Habilidades do ofício passado de pai para filho. Foi com o patriarca Danemberg que o caçula Arnaldo aprendeu desde muito garoto a traduzir o belo em madeiras, formas e cores, frequentando leilões ou no exercício prático de apuração artística na loja da família, na antiga Rua do Lavradio. Percurso sólido que lhe confere excelência em nicho seleto, no qual cada peça disponibilizada com seu aval reitera o conceito de ser um dos mais credenciados antiquários do país.

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convidados // hildegard angel

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Primeira linha

do antiquariato brasileiro

J

FOTOGRAFIA MARCO ANTONIO REZENDE

Já lá se vão 25 anos. Na Rua do Lavradio não tinha samba,

char e chegar ao preço desejado. Mesmo assim, bobeei,

havia lojas com móveis velhos, numa sucessão de porti-

não comprei a cadeira, e até hoje me arrependo, apesar de

nhas e portonas, que, se garimpadas direitinho, escon-

não ter a mínima ideia de onde iria colocá-la.

diam alguns tesouros fabulosos. Mas tinha que procurar mesmo, muito, olhar debaixo dos tampos das mesas, abrir,

A cada ida minha à Antigualha, novas descobertas. Lá

fuçar e até cheirar as gavetas, pra não levar gato por lebre,

no fundo, ele mantinha um marceneiro, para pequenos

as habituais "antiguidades" saídas de fábrica. Nesse con-

reparos. Mas o grande achado foi o segundo andar, onde

texto, uma loja com fachada estreita, onde se lia, com le-

havia praticamente uma oficina de restauro e uma pare-

tras brancas, na placa azul esmaltada, o nome Antigualha,

de que era um verdadeiro mostruário de cadeiras, todas

era praticamente um oásis. Nem acreditei quando entrei

lindas, das mais variadas épocas. Ah, teve uma vez que

naquela loja profunda e encontrei tudo arrumado, móveis

eu também descobri a Katia, aquela que, com Arnaldo,

lustrados e limpos, diferente de todo o comércio da rua,

forma um par adorável...

lhor". Sabia, por uma das "antiquárias" da região, que aquela

Não demorou para aquele jovem sabe-tudo alçar outros

bagunça era uma tática comercial para dar ao cliente a im-

voos. Em pouco tempo estava na mídia. Em alguns anos

pressão de que ali ele poderia fazer grandes descobertas,

trocou a Lavradio pelo mais nobre dos endereços: a gale-

que sequer os donos haviam percebido. Mas na Antigualha

ria do Edifício Chopin. Vieram as mostras Casa Cor, com

era diferente. Além do bom estado de todos os móveis, o

os móveis de Arnaldo sempre se destacando de modo

atendimento era especial. Um senhor, senhor Danemberg,

admirável. Vieram os projetos desenvolvidos por ele,

muito educado, gentil, estava pronto a conversar e dar

formando jovens restauradores. No contexto do Profis-

informações sobre as peças, enquanto seu filho, Arnaldo,

sionalizando o Futuro, houve até uma exposição inacre-

mais do que isso, desfiava conhecimento sobre estilo, épo-

ditável, no BNDES, em que o curador Arnaldo Danemberg

ca, origem de cada um dos móveis à venda.

ilustrava com um mobiliário precioso as maravilhas que um trabalho criterioso de restauro pode produzir. Havia

A sala de jantar pela qual me encantei, ele informou, era

um espaço para a restauração de tecidos, que exibia al-

da primeira metade do século XX, estilo art déco; e o ve-

guns clássicos da Coleção de Moda Zuzu Angel, inclusi-

ludo velho cor de mostarda que estofava as cadeiras de-

ve os vestidos do famoso desfile de protesto político, de

veria ser mantido, caso eu a adquirisse, aconselhava, pois

1971, que emprestei com prazer.

conferia antiguidade à peça. O quarto, com direito a penteadeira e muitos metais dourados como detalhes, era do

O projeto foi depois levado até Brasília, com a bênção da pri-

mesmo período, e esta era uma boa oportunidade, pois os

meira-dama Marisa Letícia, não tivesse sido também o Ar-

móveis daquela época estavam com ótimos preços, já que

naldo quem expertisou os móveis do Palácio da Alvorada!...

havia grande oferta. O armário inglês tinha um restauro no florão (praticamente imperceptível), porém as prate-

Somos amigos, e é com alegria que, a cada dia, vejo o nome

leiras eram novas, envelhecidas. Enfim, um comerciante,

Arnaldo Danemberg consolidar-se na primeira linha do

além de expert, honesto. Que preciosidade!

antiquariato brasileiro, respeitado, elogiado e aplaudido pelos colecionadores, decoradores, arquitetos de interio-

Tornei-me cliente. E quando eu desejava algum móvel

res. Prova de que a soma do trabalho com o conhecimen-

que ele não tinha, levava-me à loja próxima, onde eu po-

to, o empenho e os princípios éticos também dá certo em

deria encontrá-lo, ou simplesmente me indicava o ende-

nosso país. Do Arnaldo só reclamo de uma coisa: não ter

reço. Durante muito tempo namorei uma cadeira antiga

guardado a antiga placa esmaltada da Antigualha, como

de barbeiro da loja ao lado, contando até com o empenho

um recuerdo de seus primeiros passos nesse mundo de

de meu recente amigo Arnaldo para me ajudar a pechin-

madeiras nobres, porcelanas e cristais delicados...

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Hildegard Angel

que praticava a filosofia do "quanto mais bagunçado me-

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convidados // maur铆cio n贸brega

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Fala,

Arnaldão

Q

Quando eu mando um “Fala, Arnaldão” e a resposta

Mas coube a mim a feliz incumbência de comentar seu

“Fala, bacana” aparece no visor do celular é como uma

lado amigo e brincalhão. Todos sabem do patrão exigen-

senha para o início de uma conversa franca e cheia de

te que ele é, mas poucos sabem do zelo e da preocupa-

humor. Certamente observações irônicas e pertinen-

ção que ele tem pelo José, pelo Ribamar, pelo Nilton, pelo

tes, comentários engraçados e piadas vão me fazer rir

Chiquinho, pelo Leandro, pela Monica, pela Claudia, pelos

por alguns bons momentos no meio da minha rotina

dois Rodrigos, pelos dois Jorges e agora, por sua filha Pa-

de visitas a obras, reuniões de apresentação de proje-

loma. Todos conhecem sua capacidade de explicar didati-

tos e filas na ponte aérea. Este “Fala, bacana” mostra

camente cada detalhe de cada um dos móveis que possui,

bem quem é o Arnaldão.

mas poucos veem sua vibração interna ao fazê-lo.

O Danemberg que agora comemora trinta anos de anti-

Todos sabem o valor de cada expertise que assina de suas peças

quariato todos conhecem: profissional sério, competen-

ao mandá-las para a casa de mais um felizardo, mas poucos per-

te, capaz de descobrir tesouros a cada viagem à Europa.

cebem a perda que ele sente ao preencher aquele certificado.

Volta com peças únicas, lindas, todas com uma história para contar. São todas peças e móveis de trabalho, de

O convívio com o lado íntimo, pessoal, do pai de Paloma

ofício, peças fortes e com alma, porque o Arnaldo não

e André, marido de Katia, amigo dos amigos, poucos têm

perde tempo com móveis sem vida. Dono de um olhar

a felicidade de privar. Incrível é que esta faceta é bem

preciso, busca e encontra raridades que fazem de seu

parecida com suas descobertas: homem do trabalho, do

negócio o mais bacana do gênero no Rio.

ofício, da labuta, forte, com alma e histórias para contar. Parabéns, Danemberg!

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Maurício Nóbrega

FOTOGRAFIA MARCO ANTONIO REZENDE

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convidados // samira leal

Vitrine por Samira Leal, AD / Chopin

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&intuição Sensibilidade

A

FOTOGRAFIA MARCO ANTONIO REZENDE

Algumas das catedrais mais antigas do mundo levaram

sil colonial existia uma palavra com o mesmo significa-

séculos para serem concluídas. Quando as contempla-

do: dizia-se que tal arquitetura de igreja ou escultura

mos, mal nos damos conta de que, por terem atravessado

era do risco do Mestre tal. Do risco, não do rabisco.

muitas épocas, acabaram combinando partes de diferentes estilos. E o mais impressionante é que nelas podemos

Se f izer mos u ma pesqu isa pa ra ver como u m jo-

apreciar um conjunto inteiro, acabado.

vem, u m ca sa l ou u ma pessoa que mora sozi n ha na r mos seus a mbientes, sem que con heça mos os

arte é boa quando a ela não se pode acrescentar nem tirar

usuá r ios, é ma is do que cer to logo ad iv i n ha r mos

nada: é digna de ser apreciada do jeito que é, sem mais

quem habita o quê. É isso mesmo; aqueles que se

nem menos. Boa sobretudo quando sentimos o ar mais

per m item a r r u ma r sua s ca sa s, mesmo sendo de

cheio de oxigênio ao contemplá-la.

poucos rec u r sos, sempre encont ra rão u m meio de ex ter ior iza r seu mu ndo i nter ior.

O que se percebe com muita clareza em todas as magníficas peças do antiquário, além de todo o conhecimento

Encontrei no Antiquário AD o que buscava para transmi-

e cultura que o Arnaldo possui, é a elegância do olhar,

tir essa leveza de formas, relações, cores, conforto e luz

do escolher. Sua sensibilidade e intuição. Procura justa-

que dá vontade de simplesmente “estar”.

mente a arte de combinar o passado com o presente. E o resultado são ambientes aconchegantes. Já com uma

E que pertence a um público habituado a certo tipo

atmosfera de vivência. De paz.

de lapidação do gosto, cujas ambiências causam um conforto muito especial – mesmo pessoas que nunca

O verdadeiro e o moderno são decididamente a melhor

refletiram sobre a importância da arquitetura de in-

forma de como o passado chegou até nós. Passado e pre-

teriores percebem que nela existe qualquer coisa de

sente têm muito a nos dizer.

admiravelmente universal.

Quando olhamos para as melhores expressões de cada

As peças do Arnaldo Danemberg ficam bem de qual-

cultura, vemos que nativos asiáticos ou índios da Ama-

quer ângulo, porque é esta coisa intangível que nos

zônia possuem verdadeiros artistas do design. No Bra-

transmite alma e vida.

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Samira Leal

d ispõem a a rqu itet u ra e o mobi l iá r io e exa m i-

Talvez por isso alguns estudiosos digam que uma obra de

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convidados // patricia mayer

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Andarilho

inquieto

sagaz &

O

FOTOGRAFIA MARCO ANTONIO REZENDE

O Le Grand Tour de Arnaldo Danemberg vai mais longe do

Suas mesas, cadeiras, cômodas, baús, caixas, estantes,

que ele mesmo planeja. Além de suas incontáveis viagens

de procedências variadas, em geral de madeiras nobres e

mundo afora – de onde saem garimpos fascinantes – e das

com interessantes formatos e detalhes, têm a rara quali-

ambientações criadas por profissionais parceiros divulgadas

dade de – apesar de complementar com leveza qualquer

à exaustão em belos postais colocados em redes sociais, esse

ambiente, do mais clássico ao supercontemporâneo –

tour passa a ser quilométrico de verdade quando se conta-

conseguir dar peso, conteúdo e referência ao espaço. Pa-

biliza o impacto dessas ações nos leitores de revistas e jor-

recem até livros.

visitantes dos eventos em que ele participa com cuidadosa

Não é à toa que Arnaldo tem, entre seus muitos arquite-

seleção de peças, nos ouvintes de suas palestras e, last but

tos parceiros, profissionais com trabalhos arrojados e de

not least, nos seus alunos, os aprendizes de restauração.

vanguarda, além dos mais tradicionais. E uma clientela no eixo Rio-São Paulo da elite cultural brasileira.

Arnaldo sabe ir longe. É um andarilho inquieto e sagaz. E tem a plena noção de que não basta ser um (bom!) comer-

Acaba sempre agradando a todos. Isso se torna mais fla-

ciante – é preciso cultura e conhecimento, curiosidade e

grante numa Casa Cor, por exemplo. Nas edições cariocas,

empenho, amizades e boas parcerias para percorrer esse

não é exagero afirmar que seus móveis e objetos, presen-

Grand Tour, seu projeto de vida.

tes em muitos espaços, sempre são dos mais comentados pelos visitantes da mostra, e também pelos profissionais

Particularmente acho que Arnaldo, nessa sua trajetória

e pela imprensa. É sempre um prazer, numa visita aos am-

que começou há trinta anos, vai se realizando a cada eta-

bientes decorados do evento, poder mostrar e comentar

pa. Dele emana uma tranquilidade típica de quem ama o

as mesas de ofício, os armários de farmácia, os bancos de

que faz. Estar em sua presença é motivo de alegria para

carteiro, as escadas e chaises de barcos, os antigos berços

quem a compartilha. Está sempre de bom humor. E trans-

de ninar... enfim, das “descobertas” de Arnaldo pelo seu

mite o muito que sabe com segurança, mas com sutileza

Grand Tour pelo mundo.

e discrição. A qualquer hora, receber no antiquário do Edifício Chopin é motivo de satisfação para ele, oferecer um

Vá, amigo, siga em frente. Mas mantenha esse dom que

café e mostrar uma peça surpreendente, peculiar, que ele

lhe permite enxergar nos seus achados muito mais do

descobriu numa viagem tal, restaurou... Sabe vender, mas

que os olhos podem ver, e depois ainda nos encantar com

às vezes nem parece que quer vender de tanto que ele

uma mágica interferência, seja esta apenas um polimen-

gosta e se apega ao seu acervo.

to ou uma informação relevante sobre a peça.

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Patricia Mayer

nais onde Arnaldo comumente é citado e fotografado, nos

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acervo // le grand tour

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ENTREMEADO ÀS PEÇAS QUE ATRAVESSAM SÉCULOS DA HISTÓRIA DO MOBILIÁRIO, O SELO DA MARCA AD AGRUPA VIVÊNCIAS NO ACERVO OBTIDO EM MUITAS VIAGENS PELO TEMPO E PELO MUNDO POR KATHIA POMPEU FOTOGRAFIA MARCO ANTONIO REZENDE

Tudo é informação no espaço capitaneado por Arnaldo

se deixar levar pela narrativa empolgante quando conta,

Danemberg. Loja com alinho parisiense, envolvida pela

por exemplo, sua disposição em percorrer quilômetros

atmosfera copacabanense da galeria no Edifício Chopin,

conduzindo um caminhão em busca do pitoresco pelo

é endereço chancelado no mercado de antiguidades. O

interior da França; ou a vibração de identificar no burbu-

que não impede o investimento em novidades, mesmo

rinho de feiras e empórios, que visita por ofício acrescido

que apoiadas na passagem dos séculos. Assim surgiu a

da curiosidade pessoal, a diferença entre o raro e o banal.

coleção denominada Le Grand Tour.

Com retórica embasada, os contornos materiais do mais simples objeto são conduzidos ao status da arte quando

São objetos inusitados recolhidos ao longo de três décadas

descritos pelo antiquário.

de antiquariato, comemoradas este ano por Arnaldo. O olhar maturado, somado a muitas idas e vindas – especial-

Faz todo o sentido. Afinal, a grife AD é a exata ex-

mente pelo território europeu –, recolheu caixas, baús, bi-

tensão da personalidade de seu criador – um gentle-

cas de barris de vinho, azulejos pintados à mão... Bagagens

man ao modo antigo, com a permissão do trocadilho

que ocupam os dois andares da loja e que, agrupadas com

– em que o requinte flui com a descontração inerente

estilo, formam instalações carregadas de valor histórico,

ao que é autêntico.

combinando tamanhos, funções e procedências. Não à toa, itens do seu acervo, em constante movimento Apreciar os pedaços de mundo trazidos por Arnaldo é, de

com o entra e sai das peças, certificadas na autenticidade,

fato, uma viagem de ricas percepções. Apresentados por

comparecem na maioria dos projetos de interiores com

ele, então, ganham ainda mais interesse. Impossível não

autorias consagradas.

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Ambientação com caixas de correio francesas, em carvalho, Paris, cerca de 1900. Trio de panteras em faiança francesa, Paris, cerca 1930. Em destaque, os vasos em opalina francesa, anos 1940/50

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Ao lado coleção de miniaturas francesas em “bois fruitier”, França, cerca de 1900. Acima, braseiro francês, século XIX. Abaixo, baú francês em pinho acetinado e couro – móvel campesino, cerca de 1900, e, vaso em opalina francesa translúcida, Paris, cerca de 1900

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À direita, azulejos portugueses e caixa de chá inglesa neoclássica, em marchetarias diversas, Londres, século XIX

Acima, escritório francês, em “bois fruitier”, com tampo em esteira rolante, escaninhos e gavetinhas – espelho de fechadura em metal, é móvel citadino, França, cerca de 1900

Ao lado, caixa francesa em thuya, “bois fruitier”, metal e marfim, e tampo com centro em embutidos de inspiração fitomorfa. Interior original. França, Napoleão III, século XIX À direita, boucheuse francesa em madeira torneada – utensílio relacionado ao vinho, França, Bordeaux, cerca de 1900

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Prestígio apoiado na seriedade com que conduz seu trabalho. O zelo no tratamento prestado aos produtos sob a sua chancela, o que inclui técnicas de restauração e manutenção, é uma das características marcantes do selo. E como dita a linguagem contemporânea, que funde épocas e estilos, Le Grand Tour evoca memórias nas ambientações, sugerindo novas funcionalidades para antigos objetos. Nada mais atual.

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Caixa francesa em palissandre e marchetarias diversas, em decoração romântica, França, Napoleão III, do século XIX segunda metade

Bonbonnes francesas em vidro, utilitário de vinhedo, Bordeaux 2011

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fotos // meu trabalho

antiquário ÁLBUM do

Celeb ra vinte ndo an antiqu os de a com o riato, s D an em b er g.

te, na À la rou , ia n â it u Aq . Fr a n ç a Embaixador e Sra. De Vicenzi, RJ.

Maitê Proença, Lais Gouthier e o casal Danemberg.

Dom Antônio e dona Christine de Orleans e Bragança e o casal Danemberg.

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“Alguns dos bons momentos ao longo dos meus trinta anos de profissão, que incluem grandes parcerias e eventos marcantes.” da S ã o Fazen o, intend a n r Fe Rio, em rior do ta para is v en t r e al. T V loc

Pales tr Em b a a n a ix Brasil ada do , em Pa ris.

Salão do Antiquário, RJ, com Patricia Mayer.

ição E x p o s ur ata “A Res rasil”, B ção no RJ. , S E D N B

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convidados // lia siqueira

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mestre Um

G

FOTOGRAFIA MARCO ANTONIO REZENDE

Gosto do olhar do Arnaldo na madeira, admiro a manei-

ra didática e vigorosa como ele fala de cada encaixe, cada entalhe. As mãos explicativas deslizam sobre as curvas trabalhadas do mobiliário como se revelando a metodologia construtiva. Arnaldo associa as características de cada móvel às épocas, aos costumes, às culturas. Nos faz perceber tornam as peças – através das mãos dos artífices, dos artesãos – únicas. Nos ensina que o mobiliário conta a nossa história e nos permite perceber e compartilhar dela através do seu conhecimento. Nos revela que as madeiras frutadas, utilizadas nos móveis campesinos, são trabalhadas e entalhadas naturalmente e com simplicidade, como na arte naïf. Coleciona ferramentas que permitiram o desenvolvimento e evolução de técnicas mais sofisticadas e transformaram o ofício da arte do mobiliário na arte da perfeição. Lembro-me da alegria com que compartilhou sua conquista quando se tornou responsável pela classificação do mobiliário do Palácio da Alvorada a convite do Iphan. Com a mesma alegria e entusiasmo criou o curso Profissionalizando o Futuro, formando jovens nas oficinas de marcenaria, viabilizando o ofício e o conhecimento da história do mobiliário através da conservação e do restauro. Um mestre para todos nós.

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Lia Siqueira

que esses elementos juntos, traduzidos na execução,

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acervo // cadeiras

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cadeiras AS

SENTE-SE, FIQUE À VONTADE. CONFORTO, BEM-ESTAR, DESCANSO. ASSIM VIVENCIAMOS A CADEIRA, MÓVEL ONIPRESENTE EM TODOS OS ESTILOS E ÉPOCAS, TRADUZINDO SUAS CARACTERÍSTICAS ESTILÍSTICAS, ESTRUTURAIS E DECORATIVAS. ANTERIORMENTE SÍMBOLO DE EXCLUSIVIDADE E PODER – VIDE O TRONO COM SEU IMPONENTE ESPALDAR (AS “COSTAS LARGAS” DE CADA UM...) –, O TEMPO FEZ COM QUE A CADEIRA SE DEMOCRATIZASSE, ATINGINDO TODAS AS CLASSES, DIVERSIFICANDO SEU USO.

Cadeira francesa em madeira clara, “faux bambou”, palhinha no assento. França, século XIX.

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Cadeira brasileira em jacarandá e palhinha, Hibridismo Brasileiro, dita “Mineira”. Móvel citadino. Brasil, Rio de Janeiro, terceiro quarto do século XIX.

Cadeira francesa em “bois fruitier/ cerejeira” e palha rústica. Manufatura campesina, numa interpretação rural do estilo Diretório. França, primeira metade do século XIX.

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Cadeira francesa em “bois fruitier/ nogueira” e palhinha, espaldar curvilíneo, pernas torneadas. Manufatura campesina, período Luiz Felipe. França, meados a terceiro quarto do século XIX.

Cadeira francesa em “bois fruitier/nogueira” e palhinha, espaldar em forma de violão, pernas curvilíneas. Manufatura campesina, período Luiz Felipe. França, meados do século XIX.

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Cadeira brasileira em vinhático e palhinha. Hibridismo Brasileiro, Escola Pernambucana, Beranger. Entalhes fitomorfos. Móvel citadino. Brasil, terceiro quarto do século XIX.

Cadeira francesa “bois fruitier/merisier” (árvore da cereja selvagem) e palhinha, espaldar em violão, pernas curvilíneas. Móvel campesino. França, período Luiz Felipe, meados do século XIX.

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Cadeira brasileira em jacarandá e palhinha, neoclássica, Império Brasileiro, estrutura curvilínea. Móvel citadino. Brasil, primeira metade do século XIX.

Cadeira francesa em “bois fruitier/ cerisier/cerejeira” e palha rústica, espaldar em arcos, dita “Catedral”. Móvel campesino. França, primeira metade do século XIX.

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O restauração // ofício

r estaurador OFÍCIO FUNDAMENTAL À HISTÓRIA, A RESTAURAÇÃO PRESERVA MEMÓRIAS E TRANSPORTA A NOBREZA DAS PEÇAS ATRAVÉS DO TEMPO

POR ARNALDO DANEMBERG FOTOGRAFIA MARCO ANTONIO REZENDE

Como antiquário e pesquisador, o mobiliário sempre foi

necessário, restaurá-los. Importante perenizar nos-

minha paixão, meu norte de estudos e pesquisas. Ex-

sos bens e transmitir tais conhecimentos e técnicas

pressão direta da vida cotidiana, dos hábitos de cada

às novas gerações.

povo, o móvel reflete a sua maneira de ser e se exprimir através de seus mestres artesãos. Conserva em si a his-

Ao me deparar com cada móvel tratado em nosso estú-

tória, transmite memória, já que vivemos nossas vidas

dio de restauração, lembro-me de quando, no primeiro

rodeados por ele: mesas, cadeiras, berços, camas etc.

dia de aula do Profissionalizando o Futuro, mostrei aos jovens um antigo baú em três fases diferentes: como

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Para manter viva a memória histórica, precisamos

eu o encontrei, bastante castigado por sinal; numa fase

trabalhar na conservação do mobiliário assim como

intermediária de restauração; e finalmente já restau-

em todos os nossos demais bens artísticos. E, quando

rado. Tudo na mesma peça.

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Mostrei a eles que o tempo não fora favorável àquele móvel,

no amanhã”. Este jovem hoje está estabelecido no Espíri-

que ele havia sido negligenciado, mas que, daquele momen-

to Santo, trabalhando numa marcenaria e se aperfeiço-

to em diante, um novo tempo começava para ele, uma nova

ando em restauração.

experiência, um tempo de restauração e futura conservação, e não mais o tempo que negligencia e destrói. E pouco a

Ele, como outros jovens aprendizes, vive agora esse

pouco, passo a passo, à medida que móveis são restaurados

“amanhã”, esse futuro já presente, inserido no mercado

e o bom tempo passa, restauramos a nós mesmos.

de trabalho e ajudando na preservação de nossos valores, de nossa história, de nossa memória. É esse pensamento

Ao final do curso, recebi de um dos alunos uma carta rela-

que norteia a restauração. O sentimento de aproximação

tando que, depois da primeira aula, foi dormir “pensando

com o passado, no presente, visando o futuro.

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convidados // mary del priore

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O

futuro presente

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FOTOGRAFIA MARCO ANTONIO REZENDE

Arnaldo Danemberg tem dois compromissos: valorizar o mobiliário brasileiro e tudo o que ele significa como com o Brasil, na forma de responsabilidade social. Em ambos os casos, ele é um exemplo incomparável de como articular centros de interesse até então desconectados: a atenção ao detalhe e às situações concretas do cotidiano, o interesse pelas questões humanitárias e humanísticas, a exigência ética. Sua coragem em propor soluções individuais a problemas coletivos, sua disposição em reunir pessoas em torno de interesses comuns, sua generosidade em oferecer, permanentemente, igualdade de oportunidades àqueles que lhe solicitam, fazem dele um amigo, cidadão e profissional incomparável. Seu trabalho à frente do projeto Profissionalizando o Futuro é uma resposta ao desafio lançado pelo poeta francês, Rimbaud, quando nos propôs “Mudar a vida!”. Longe de diagnósticos céticos frente a um mundo em plena transformação, Danemberg nos convida a amar a vida, a amar o belo, amar a história, pois esses sentimentos são uma força vital que nos regenera. E tudo o que não se regenera, degenera. A lição que ele nos passa é que são necessários novos encontros com o passado (o mobiliário) e o futuro (os jovens artesãos) para nos iluminarmos e nos revigorarmos. Vida longa a tão bom mestre e amigo!

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Mary Del Priore

história e memória de nosso passado, e o compromisso

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Fotos: Divulgação // Acervo Danemberg

ação social // profissionalizando o futuro

Turma de Brasília, 2009

o

futuro profissionalizando

PROJETO DE INCLUSÃO SOCIAL, CAPITANEADO PELO SELO AD, DESENVOLVIDO EM BRASÍLIA E NO RIO DE JANEIRO

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Profissionalizando o Futuro é um projeto que se destina a

A restauração e a conservação do mobiliário histórico,

promover cursos de auxiliar de restauração e de conser-

inclusive molduras, são objeto de aprendizado, através

vação de bens artísticos nacionais, através da capacita-

de oficinas de marcenaria, lustração, empalhação e esto-

ção de jovens de baixa renda, de 15 a 19 anos, de ambos

faria. Além da transferência de conhecimentos técnicos

os sexos, em oficinas técnicas com professores e mestres

específicos da área de restauro, também são ministradas

artesãos especializados, gerando, desta forma, a recupe-

aulas de conteúdos complementares, tais como inglês e

ração de valores históricos e a formação de restaurado-

francês técnicos, postura profissional, ética, informática,

res-cidadãos para o mercado de trabalho.

história da arte, contabilidade, direito e cidadania.

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Recebendo dona Marisa Letícia, madrinha da turma de Brasília, 2009. Abaixo, a turma de 2005, no Rio

Os

alunos

recebem

acompanhamento

psicológico

pontual, como forma de proporcionar o suporte indispensável de integração, tanto ao ambiente quanto ao grupo de trabalho de que farão parte, pela coordenação psicológica do projeto. Participam também de palestras sobre diversos temas, dentro da necessidade cultural do curso dos jovens aprendizes, ministradas por profissionais notáveis em suas áreas de atuação. Os alunos fazem, ainda, visitas técnicas ilustrativas a diversas entidades culturais do Rio de Janeiro, tais como: Museu Casa do Pontal, Museu Internacional de Arte Naïf do Brasil, Museu Nacional de Belas Artes, Museu Histórico Nacional, Museus Castro Maya, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e Sítio Burle Marx. Nos meses finais do curso os alunos, orientados por seus professores, participam de restauração de mobiliário histórico do acervo de notória entidade pública a ser escolhida. No curso ministrado no Rio de Janeiro em 2005, patrocinado pela Prefeitura da Cidade, através da Secretaria de Desenvolvimento Social, o Convento de Santo Antonio teve significativos itens de seu acervo histórico restaurados pelos alunos. Nessa época o curso teve o seu mérito reconhecido pela Unesco, órgão das Nações Unidas responsável pela Educação, Ciência e Cultura, passando assim a ser chancelado por essa organização.

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Em 2009, o Profissionalizando o Futuro desenvolveu em Brasília o Projeto Alvorada, patrocinado e chancelado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional/Superintendência do Distrito Federal, onde trinta jovens aprendizes entraram em contato com técnicas em restauração de mobiliário, sobretudo o mobiliário moderDiplomação da turma de estofaria, em 2005, no Rio. Oficina de trabalho, praticado por alunos de Brasília, em 2009

nista da época da inauguração da Capital Federal. Para exames de avaliação, móveis da Câmara dos Deputados e do Palácio da Alvorada foram restaurados com o auxílio dos jovens aprendizes. Como madrinha do curso tivemos a primeira-dama da República, Sra. Marisa Letícia Lula da Silva. Formatura oficializada em agosto de 2009. O Profissionalizando o Futuro também tem por finalidade gerar novas oportunidades, acompanhando o desenvolvimento dos jovens no mercado de trabalho, buscando a sua inclusão efetiva, resgatando e valorizando profissões quase extintas, ligadas às artes e ofícios, dando aos aprendizes a oportunidade de entrar em contato com técnicas preciosas no exercício de seu aprendizado, elevando, desta forma, sua autoestima, fazendo deles cidadãos e contribuindo, simultaneamente, para o bem-estar da comunidade e de sua própria cidade. Ao aprender o uso adequado de técnicas de conservação e de restauração de objetos, o jovem aprendiz estará preservando o patrimônio histórico do país e sua própria memória, intrínseca em tais manifestações artísticas.

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Aprendiz carta ao jovem

Aqui está você, jovem aprendiz, diante de um novo caminho, para um encontro com a História – o passado histórico, hoje lembrado, revivido, restaurado.

Os móveis que lhe são confiados dão testemunho do cotidiano de cada família, cada povo, cidade, região, país.

Agora, jovem aprendiz, você passa a fazer parte do mundo daqueles que conhecem o tempo, que acreditam nele; o tempo que se restaura, o tempo restaurado.

Seja valente: persevere, aplique-se, dê ao tempo o seu tempo.

Conheça seus deveres e direitos, reconheça seus limites. Seja fiel aos compromissos assumidos.

Seu empenho e sua fé hão de levá-lo a um bom porto.

A você, jovem aprendiz, nossos votos de êxito e nossa melhor acolhida a todos os seus sonhos.

Arnaldo Danemberg e companheiros

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convidados // maria josĂŠ de queiroz

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D

A defesa da memória

Diante das mil e uma sutilezas que envolvem a amizade,

Ao divisar o vulto de um jovem no fundo de um cor-

nada mais inapreensível que sua definição, justamente

redor, decidimos entrar para ver o que havia na loja:

porque obriga a situar e conceituar, na trivialidade do co-

sua pronta e amável acolhida nos levou a descobr ir

tidiano, o enigma do afeto.

seu inato don de gentes do fidalgo, apenas iniciado no mercado da ar te...

Buscar nas palavras toda uma coletânea de gestos, de caráter e sensibilidade do amigo, ou de um amigo, significa

Assim é que, uma semana depois, minha mãe via realiza-

sacrificar o inefável à rotina social e às convenções que

do o seu maior desejo: ter em casa a bela imagem da “tan-

regem, à luz da necessidade, o comportamento humano.

to gentile e tanto onesta” Beatrice, musa e inspiradora da Divina Commedia.

É, pois, à revelia dos riscos que tal desafio implica que tentarei escrever sobre Arnaldo Danemberg, meu amigo, que

O tempo, que de si mesmo faz mudança, ir ia per mitir

comemora, neste ano, o trintenário de seu empenho na

que melhor conhecêssemos o bacharel de Direito, e

defesa e preservação da memória.

pude então solicitar ao estudioso do móvel brasileiro que me enviasse colaboração para o Suplemento

Entenda-se: intimamente associado aos usos e costumes,

do Minas Gerais.

o mobiliário integra a essência mesma da vida doméstica, na dimensão das relações do homem com o meio e com o

Isso, já em 1990. Não tivemos a ocasião de lê-lo em nos-

Outro, sublimadas no convívio e na partilha.

sas páginas. Mas o correr dos anos viria a emendar essa falha: pude convidá-lo a ministrar, em Paris e adjacências,

Eis, portanto, a hora e a vez do antiquário.

uma série de conferências sobre o mobiliário brasileiro.

Infatigável, Arnaldo converte em vocação o domínio do

E agora? O trintenário.

marketing, juntando as astúcias do garimpeiro ao olhar do especialista, e, à paixão do colecionador, a perspicácia

Num constante ir e vir do transitório ao permanente,

e a competência do marceneiro... Tudo isso passado a lim-

Arnaldo capta no que busca, vê e descobre, no baú do

po no repertório do memorialista.

passado como no living da casa modernista, o código de costumes, tempo em devenir, contra o efêmero do ser e

E dizer que essa minuciosa metamorfose teve início em

do estar, de herdeiros do factício e do perene...

meados da década de 80, no século passado, quando nos mudamos — minha mãe e eu — para o Rio de Janeiro: pre-

Pouco a pouco, em suas “expôs” e “instalações”, nos ofe-

tendíamos, mineiras que somos, dar à nossa casa um toque

rece o quadro visível e palpável do gosto, do conforto e

carioca, elegante e, se possível, muito antigo e moderno...

do progresso, que se desvelam no espelho cambiante de modas e modus vivendi.

Não, não era pedir demais. Arnaldo Danemberg. Bacharel? Decorador? Antiquário? Amadora de antiguidades, minha mãe logo rumou à

Ou garimpeiro do raro, reinventor do espaço e do habitat

Rua do Lavradio.

com uma mesa, uma cadeira, uma caixa...

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Maria José de Queiroz

FOTOGRAFIA MARCO ANTONIO REZENDE

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convidados // ivan rezende

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casa, abrigo,

sonhos

U

FOTOGRAFIA MARCO ANTONIO REZENDE

Um convite, a princípio simples, me faz ficar olhando para a tela em branco: escrever um texto sobre o projeto desenvolvido para Katia e Arnaldo Danemberg. Tantos projetos e tantos memoriais descritivos, justificativos ou conceituais escritos e eu aqui, diante da tela, um branco.

jeto foi sedimentado em muitos valores aprimorados por anos de amizade, sendo que a sutileza, a discrição, o refinamento do menos foram normas naturais, e eu aqui, a ponto de macular a tela branca. Porém, por esses cruzamentos que a vida nos propõe, eu iniciava o texto quando meus olhos esbarraram em um livro de Louis Kahn, arquiteto nascido na Estônia, naturalizado americano. Minhas primeiras palavras − casa, abrigo, sonho − vagas como ideias que vão se construindo, concretas como premissas urgentes para uma vida, encontraram substância neste texto de 1960, “Forma e design”: Sentimento e sonho não têm medida, não têm linguagem, e o sonho de cada um é único. Tudo que é feito, no entanto, obedece à lei da natureza. O homem é sempre maior do que seu trabalho, porque ele nunca pode expressar completamente suas aspirações.

Ivan Rezende

Nosso envolvimento para elaboração e execução do pro-

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Estava tudo ali. Já havia sido escrito. A confiança não fora

enf i m, c hega r à mater ia l ização da s possibilidades.

traída. A tela toda escrita relatava nosso processo.

Si mples a ssi m, como si mples na sua ma ior d i mensão é a ca sa.

Du ra nte nossos d ia s de projeto, t rata mos do men-

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su rável e do i mensu rável. Tatea mos ent re pro-

(...) é bom para a mente voltar ao começo, porque o co-

gra ma s a rqu itetôn icos e conf igu rações espac ia is.

meço de qualquer atividade estabelecida do homem é

Pat i na mos em meio a c roqu is e projeções pa ra ,

o seu melhor momento.

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Então fomos para a essência e encontramos convívio. Abrigo para quem está, para quem chega e para quem vai. Afastamo-nos da sedução, trazer do antiquário o lírico empilhar de anos, a ampulheta revertida que não esvai o tempo, mas acumula e sobrepõe épocas anarquicamente poéticas. Lá (ou aqui?), o tempo passa; porque o tempo, vive-se. Aproximamo-nos das vontades e das diferenças, porque esta casa não é de um, ampla e generosamente pretensiosa como os cimos do céu de Paul Éluard; é, para além da forma e do design, o Lar segundo Kahn: "O Lar é a casa e seus ocupantes. O Lar se torna diferente com cada pessoa que nele vive." Grafite, tijolo, papel, concreto, borracha, paisagem. De que matéria são feitos os sonhos? A resposta eu agradeço a Katia e Arnaldo Danemberg.

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convidados // paloma e andrĂŠ danemberg

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O maestro

F

FOTOGRAFIA MARCO ANTONIO REZENDE

Fomos educados ao som de uma canção rara e nobre. As notas vinham do palpável, do concreto, da matéria-

A melodia, resultado da união de sabedoria, bom gosto e zelo, foi cuidadosamente composta por um maestro único, que descobriu na história um ofício. O carvalho claro ecoava notas em “lá”; o mogno, madeira escura, em “dó”; a peroba, em “si”; e a madeira frutífera, em “sol”. Essa combinação de sons, além de compor uma belíssima música, conta a trajetória de quem chegou primeiro. Aquilo que se passou e que se mantém presente até hoje, na vida de cada um de nós, através dos móveis de nossa casa. A história europeia e a história brasileira sempre nos acompanharam; na hora do almoço, nos momentos de leitura nas aconchegantes espreguiçadeiras, nas caixas de charuto onde colocamos nossas miudezas, nos baús – lugar perfeito para guardar casacos de inverno – e em tantos outros móveis que fazem parte de nosso ambiente. Aplaudimos de pé a orquestra que o nosso Pai Maestro vem regendo durante esses trinta anos. Música para os nossos ouvidos, para os nossos olhos; música que envolve nossos sentidos.

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Paloma e André Danemberg

-prima mais pura: a madeira.

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fotos // minha família

família ÁLBUM de

e Almoço d o ,a domingo ha in lado da m . ole ic N ra g so

Os prim os Dan emberg e Se Correia rzedelo , no bail e de carnav al d década o Copa, de 196 0.

nto, C as ame . e m 19 8 4 54

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Bu en o s Aires , co m m eu André. filho

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a Minha filh , a m lo Pa ascida. recém-n eau x Em Bord ue q e cidad . amam o s

,

“Lembranças de vida e pessoas queridas fundamentais a minha plena felicidade” o no CoGraduaçã ente Vic o légio Sã , RJ, com lo u a P e d , ãe Alzira minha m 960 1 e d a d déca

a m in h . Eu e e r K a t i a h m ul

Famí lia Danemberg, na casa dos meus pais. MInha mãe grávida de mim.

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projeto // fazenda s達o sebasti達o

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Uma viagem ao

século XIX

PRESERVADA NO INTERIOR PAULISTA, A FAZENDA SÃO SEBASTIÃO É CONSTRUÇÃO HISTÓRICA QUE ABRIGA UM ACERVO EM SINTONIA COM O BRASIL CAFEEIRO, ONDE PREDOMINA O MOBILIÁRIO DE ESTIRPE COM CHANCELA ARNALDO DANEMBERG

POR KATHIA POMPEU

Vai-se o tempo, ficam as memórias. Erguida na segunda metade do século XIX, época ascendente da aristocracia do café no país, a propriedade resgata um modo de viver no passado através da ambientação reconstruída com requinte e respeito histórico. Imponente testemunha do passar dos anos, a sede de 1.200 metros quadrados passou por algumas restaurações, revivendo todo o seu esplendor. Adquirida pelos atuais proprietários na década de 1980, da arquitetura e paisagismo à concepção de seus interiores, o projeto de reforma buscou conservar ao máximo a linguagem do

Fotos: Divulgação // Acervo Danemberg

período monárquico. E o resultado é admirável. Na entrada da fazenda, dezenas de palmeiras-imperiais foram replantadas, propiciando um cenário de beleza exuberante. Da mesma forma, na parte interna da casa, cuja planta original foi mantida, apesar de alguns cômodos receberem novas funções − como os quartos frontais, transformados em convidativas salas de convivência social −, a atmosfera nostálgica domina em toda a sua concepção.

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Um resgate de memórias que recebeu a curadoria de Arnaldo Danemberg na reconstrução dos ambientes, através de mobiliário datado em acordo com a época de construção da casa: “Todas as peças são relacionadas ao ciclo do café.” Preciosismo do antiquário e historiador, que fez o caminho de volta ao período monárquico para imprimir com autenticidade o estilo da, então, casa brasileira. Entre as peças selecionadas impera o estilo neoclássico − um modismo em ascensão naquele período dentro das moradas de estirpe, iniciado com a chegada da corte por estas terras, em 1808. Sobre o piso antigo de tábuas de peroba, que predomina na sede, a linhagem e o apuro podem ser identificados, por exemplo, nas cadeiras neoclássicas Dona Maria I/ Sheraton Brasileiro, nos canapés Império Brasileiro, nas mesas Regência Inglesa no Brasil, nos louceiros ecléticos de final do século XIX, nas cadeiras de balanço em jacarandá... “Elementos vividos que enriquecem a cena, ao mesmo tempo que reiteram a personalidade de uma era de grande importância na trajetória cultural-econômica do país”, sublinha o antiquário.

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Deferência também encontrada nos painéis pintados

dos portugueses percorre o longilíneo corredor da casa,

sobre as paredes internas do casarão, assinados por

onde baús de vários formatos compõem a decoração –

Lelli de Orleans e Bragança, Pimpa e Gogó Alcantara.

afinal, foi o primeiro móvel multiuso trazido com a ba-

Com técnica de trompe l’oeil, recurso artístico que no

gagem dos viajantes lusitanos. “Preciosismo estético na

século XIX conquistou o gosto da elite, na fazenda São

reconstrução dos ambientes, tal e qual foi nos primór-

Sebastião retrata os ciclos econômicos do Brasil, em

dios da fazenda, que gratifica o meu ofício no antiqua-

traços infundidos na obra do pintor alemão Rugendas e

riato, resultado de um vasto trabalho de pesquisa e es-

suas famosas paisagens. Entre as imagens, a chegada

pecialização”, encerra Arnaldo Danemberg.

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exposições // móvel brasileiro

Aquarela de Dom Antônio João de Orleans e Bragança ilustrando o convite. Produção Suraya Burlamaqui

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Móvel brasileiro SÉCULOS XVI A XIX

BNDES, RIO DE JANEIRO, 1998

O estudo do móvel brasileiro reserva para cada um de

tendo sempre como meta mostrar ao público exemplares

nós, eternos e persistentes observadores, uma série

que melhor exprimam os estilos abordados.

de gratas surpresas e constantes desafios. Híbrido por si só, vindo ao Brasil pelo colo de nossa pátria mãe Portugal,

O móvel no Brasil tornou-se arte decorativa independen-

daí a princípio luso-brasileiro, passa a ter feições próprias,

te, com características próprias e marcantes. Um estudo

incorpora em si características ímpares que o distinguirão

apurado e paciente nos leva a reafirmar cada vez mais a

para sempre. Reflexo do cuidadoso trabalho de artífices

sua irreverência, a sua força instigadora. O móvel brasi-

em nossa terra continental, o móvel brasileiro sintetiza em

leiro surpreende, desafia.

si toda a mescla de etnias que compõem nosso país, resultando em um conjunto de extrema peculiaridade, além dos

Neste agradável passeio pela evolução do nosso móvel,

naturais regionalismos.

dos seus primórdios indígenas ao ecletismo do final do século XIX, constatamos a sempre presente exube-

Pesquisar tão instigante arte tem sido motivo de imen-

rância de nossas riquezas naturais aliada ao talento

sas alegrias. Nessa inesgotável empreitada vejo agora,

de nossos artífices. O móvel brasileiro reflete em si

com entusiasmo, concretizada nesta exposição que ora

valores fundamentais do homem desta terra brasilis: a

lhes apresento, a oportunidade de mostrar a todos os

liberdade e a alegria.

estudiosos e atentos interessados a história do móvel no Brasil. Os móveis objeto da presente mostra abrangem os

Arnaldo Danemberg Filho

estilos havidos neste país, obedecendo a sua cronologia e

Curador

Esta exposição conta com peças do acervo das seguintes instituições: • Museu Histórico Nacional / Iphan / MinC – Rio de Janeiro, RJ

• Museu da República / Iphan / MinC – Rio de Janeiro, RJ

• Museu Nacional de Belas Artes / Iphan / MinC – Rio de Janeiro, RJ

• Museus Castro Maya / Iphan / MinC – Rio de Janeiro, RJ

• Museu da Cidade / Secretaria Municipal de Cultura / Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, RJ • Museu do Índio – Funai – Rio de Janeiro, RJ • Museu Imperial / Iphan / MinC – Petrópolis, RJ

• Irmandade do Divino Espírito Santo da Matriz de Santo Antonio Além do Carmo, Salvador, BA • Palácio Episcopal da Arquidiocese de São Salvador, BA • Irmandade da Conceição da Praia, Salvador, BA

Coleções particulares: • Ana Heloisa Pascoli e Augusto Pascoli

• Lily de Carvalho Marinho

• Constança Burity de Carvalho

• Arnaldo Danemberg Filho

• Cristina Burlamaqui

• entre outros

Agradecimentos especiais: • Dom Lucas Moreira Neves

• Dom Antônio João de Orleans e Bragança

• Srª Lily de Carvalho Marinho

• Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro

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exposições // paralelos

Um paralelo entre o móvel histórico brasileiro (séculos XVII a XIX) e o mobiliário do século XX

“O resultado dessa exposição foi tão bom e importante, que sinto não termos feito um livro. Seria muito útil para todos os que gostam do mobiliário brasileiro.” Chicô Gouvêa 64

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Paralelos

ARNALDO DANEMBERG CHICÔ GOUVÊA

RIO DESIGN CENTER, RJ, 1999

O encantamento, a paixão pelo mobiliário, feliz parceria, em torno de tão instigante arte decorativa – o móvel brasileiro. Híbrido por si só, de profunda personalidade e apuro, austero e exuberante, o móvel histórico brasileiro vem agora, nesta exposição, ao encontro de seu par, o moderno século XX, cuja história começa a se esboçar, indo um pouco além do nosso tempo, através da arte de nossos designers de agora, os quais escreverão a história do século XXI.

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exposições // a restauração no brasil

Produção Paluana Comunicação. Uma homenagem de Arnaldo Danemberg aos nossos restauradores. BNDES, Rio de Janeiro, 2002

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A Restauração no Brasil A R T I S TA S , A R T Í F I C E S , A R T E S Ã O S A cultura brasileira muito tem a dever aos nossos

diversos módulos, os bens móveis que são parte inte-

conservadores e restauradores que, incansáveis, vêm

grante do acervo de respeitadas instituições brasileiras,

realizando, silenciosa e prosseguidamente, o trabalho

às quais agradeço a fé nesta iniciativa de vasta abran-

de conservação e restauração do nosso patrimônio.

gência interdisciplinar.

BNDES, RIO DE JANEIRO, 2002

Num desvelo aturado e discreto, jamais pouparam sacrifícios para transmitir às gerações futuras o rico

A Imaginária, a Talha, a Indumentária, as Coleções

legado dos nossos antepassados.

Etnográficas, o Papel – Obras Raras, Gravuras e Desenhos, Manuscritos e Álbuns –, a Fotografia, a Pintura, a Cerâmi-

Mercê desta rara e tão propícia ocasião, empenhei-me,

ca, o Gesso, as Molduras e o Mobiliário foram os módulos

por isso, em apresentá-los ao público. No exercício do

escolhidos para divulgar e suscitar a conservação e a res-

antiquariato, tenho tido a alegria, e mesmo a surpresa,

tauração do nosso patrimônio cultural. Para completar a

de acompanhar, na sua áspera rotina, o renascimento

mostra, um ateliê de conservação e restauração é teste-

de peças fadadas à destruição, não fossem a habilidade

munho atual de nosso passado recente.

e a sensibilidade dos artistas, artífices e artesãos anônimos, os nossos Josés e Marias.

Durante a preparação deste projeto presenciei, com crescente apreço, o trabalho solitário, abnegado, e nem sempre

Visto que a preservação do patrimônio passa, necessa-

reconhecido, dos nossos mestres humildes. Dedico-lhes

riamente, pela pesquisa, cabe ao pesquisador informar

esta exposição, na esperança de que recebam o merecido

ao conservador e ao restaurador, ou ao conservador-res-

reconhecimento de quantos hoje podem recuperar, num

taurador, que por obra e graça das artes da restauração

olhar retrospectivo, este passeio pela nossa História.

se incumbem da difícil tarefa de resgatar o passado no presente, afeiçoando ao meio e à circunstância de origem

Arnaldo Danemberg

os bens fadados à ruína. Nesta exposição alinham-se, em

Curador

Esta exposição conta com peças do acervo das seguintes instituições: • Arquivo Nacional / Presidência da República / Casa Civil – Rio de Janeiro, RJ

• Museu Casa de Benjamin Constant / Iphan / MinC – Rio de Janeiro, RJ

• Centro de Conservação e Preservação Fotográfica / Funarte / MinC – Rio de Janeiro, RJ

• Museu Bispo do Rosário – Rio de Janeiro, RJ

• Fundação Casa de Rui Barbosa / MinC – Rio de Janeiro, RJ • Instituto Feminino da Bahia – Salvador, BA • Igreja do Santíssimo Sacramento da Rua do Paço – Salvador, BA • Instituto Zuzu Angel de Moda – Rio de Janeiro, RJ • Irmandade da Ordem Terceira do Carmo da Cachoeira – Cachoeira, BA • Ordem de Malta de Brasília e Brasil Setentrional – Salvador, BA

• Museus Castro Maya / Iphan / MinC – Rio de Janeiro, RJ • Museu Histórico Nacional / Iphan / MinC – Rio de Janeiro, RJ • Museu do Índio / Funai – Rio de Janeiro, RJ • Museu Nacional de Belas Artes / Iphan / MinC – Rio de Janeiro, RJ • Museu Zuzu Angel de Moda – Rio de Janeiro, RJ • Venerável Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula / Arquidiocese do Rio de Janeiro, RJ

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A Restauração no Brasil

A R T I S TA S , A R T Í F I C E S , A R T E S Ã O S

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“Quando Arnaldo nos convidou para trabalharmos nesta exposição, percebemos imediatamente que tínhamos em mãos um grande projeto. Um tema que foi se revelando abrangente e confirmando a sua importância tanto na área social quanto na cultural. Antes de mais nada, foi um aprendizado que envolveu os aspectos mais profundos da compreensão da arte dos artífices e artesãos. Artistas silenciosos que, através de seu talento e técnica, dedicam seu tempo à preservação de obras que falam da nossa memória cultural. Esse cuidado e respeito foram a base por onde nosso trabalho se desenvolveu, numa tentativa de retribuir este aprendizado e dar visibilidade a esses artistas profissionais. O trabalho de Arnaldo Danemberg, amigo e parceiro, é exatamente assim, um profissional repleto de talento e conhecimento, responsável fundamental pelo sucesso deste projeto. Tínhamos a tarefa de criar a forma de uma exposição que representasse essa grande diversidade de técnicas e materiais utilizados. Foram muitos desafios, mas, talvez, criar a unidade que estivesse à altura dos produtos expostos tenha sido o maior. ‘A Restauração no Brasil’ apresentou ao público a riqueza das diferentes formas e técnicas do restauro, integrada à valorização dos artistas, artífices e artesãos.” Por Patricia Sobral e Roberto Lacerda / Paluana Comunicação

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convidados // clarissa schneider

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Histórias de bom

gosto

A

FOTOGRAFIA MARCO ANTONIO REZENDE

Algumas pessoas surgem na vida da gente e, assim como vêm, vão sem deixar vestígios. Outras ficam uma temporada e, de repente, sem aviso prévio, desaparecem. Mas há aquelas figuras que um dia conhecemos e sentimos imediatamente uma afinidade de energia e de gosto, um olhar parecido que vibra numa certa direção, o sentimento por alguma coisa em comum e, assim, sem programaum carinho bonito vai surgindo e os caminhos andam paralelos, repletos de trocas intelectuais e uma cumplicidade na aventura que o trabalho vai desenhando. Assim foi o encontro com Arnaldo Danemberg. A princípio eu o conhecia de nome, sempre com ótimas referências. Não lembro o que veio primeiro, se a troca de e-mails ou os papos nos eventos de decoração. Mas lembro perfeitamente a primeira vez que entrei em seu antiquário no Rio de Janeiro. Minha reação foi instantânea: “Nossa, aqui tem tudo o que eu gosto!” A madeira lavada pelo tempo, a cor de mel em todos os móveis, cadeirinhas de todos os tamanhos sempre com aquele ar de vividas, texturas cruas transformadas em almofadas e forro para poltronas despretensiosas e lindas. Muito lindas! E um excesso de conforto provocado por um colecionismo rico de histórias de bom gosto. Peças que cruzaram a história do mobiliário, objetos recolhidos de muitas andanças pelo mundo, o olhar sofisticado e despretensioso, a verdade de um amor maduro por um ofício exercido ao longo de três décadas de antiquariato em território europeu. “Este Arnaldo Danemberg é um luxo!”, pensei eu, já refeita, tocando, sentando e experimentando cada objeto escolhido a dedo por este mestre do garimpo. Associado a tudo isso, a figura amável, elegante e generosa de Arnaldo, um amigo muito querido que veio para ficar na vida daqueles que, como eu, conhecem as seduções dos caminhos da estética.

t

Clarissa Schneider

ção, uma amizade afável e natural vai se desenvolvendo,

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arquitetos // design de interiores

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residência | SP

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Fotos: Divulgação // Acervo Danemberg

bernardes jacobsen

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“ “

A simplicidade e a sofisticação dos móveis do Antiquário Arnaldo Danemberg são complementos naturais e indispensáveis aos interiores da nossa arquitetura.

Eza Viegas, designer de interiores

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cadas abranches

arquitetos // design de interiores

residĂŞncia | RJ

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“ “

Fotos: Divulgação // Acervo Danemberg

Ter um antiquariato com o nível do Arnaldo Danemberg é uma honra para qualquer arquiteto. Além de ser um homem superengajado no que faz, tem talento de sobra para a escolha dos inúmeros itens que vende em seu antiquário no Rio. São peças que ele garimpa cuidadosamente por aí, mundo afora, contribuindo de uma forma singular para o enriquecimento do meu projeto!

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arquitetos // design de interiores

dado castello branco Fotos: Divulgação // Acervo Danemberg

residência | SP

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“ “

Ele é o melhor do Brasil. O Arnaldo faz viagens pelo interior da França e compra móveis que ninguém viu e jamais achou que poderia ter alguma utilidade. Ele restaura, traz de volta essa madeira linda e as coisas ganham vida.

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arquitetos // design de interiores

erick figueira de mello

Fotos: Divulgação // Acervo Danemberg

sala do viajante | casa cor, RJ

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“ “

Certa vez, ao ler o livro do marchand europeu Joseph Duveen, percebi que ele não citava os quadros pelo nome dos artistas, que logo iam formando as mais belas coleções dos Estados Unidos, mas sim como ‘Duveen’s’: este Duveen aqui, aquele Duveen ali, e por aí ia. O mesmo digo dos móveis do Arnaldo: um Arnaldo ali, um Arnaldo aqui... A seleção é fantástica e o olhar do Arnaldo ao garimpar verdadeiras joias é como o olhar de um marchand!

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arquitetos // design de interiores

fernanda pessoa de queiroz suĂ­te do hotel | casa cor, RJ

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“ “

Fotos: Divulgação // Acervo Danemberg

É uma honra conhecer e conviver com o antiquário Arnaldo Danemberg. Estar ao seu lado é viajar no tempo... Conseguimos sentir o sabor, o cheiro, a cultura e a história de cada cantinho por onde ele passa nos seus garimpos...

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arquitetos // design de interiores

gisele taranto residĂŞncia | RJ

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Fotos: Divulgação // Acervo Danemberg

“ “

Trabalhar com Arnaldo Danemberg é certeza de profissionalismo e parceria de sucesso. Especialmente em peças de antiquário, pois cada uma tem sua história e Arnaldo consegue transmiti-la de forma encantadora, envolvendo cliente e profissional.

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ivanrezende

arquitetos // design de interiores

estufa | casa cor, RJ

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Fotos: Divulgação // Acervo Danemberg

“ “

Trabalhar com antiquariato é usar a minha história dentro de um projeto.

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joygarrido

arquitetos // design de interiores

family room | casa cor, RJ

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Fotos: Divulgação // Acervo Danemberg

“ “

Para ambientar meus projetos, procuro mostrar aos clientes o grande valor de colocar peças de antiquário. No caso dele, então, ficam claras a categoria e a autenticidade que sua expertise dá ao móvel. Solidez e garantia de investimento certo.

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arquitetos // design de interiores

lia siqueira residĂŞncia | RJ

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“ “

Fotos: Divulgação // Acervo Danemberg

Um móvel com história nos faz lembrar e perceber a nossa história.

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arquitetos // design de interiores

lila may bueno hall de entrada | casa cor, RJ

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Fotos: Divulgação // Acervo Danemberg

“ “

Em decoração, a peça antiga de boa qualidade funciona como um bom vinho na gastronomia: ela empresta qualidade, elegância e sabor ao ambiente. A meu ver, fica faltando substância ao espaço onde não exista ao menos um toque de antiquariato.

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arquitetos // design de interiores

luciana kreimer casamento | parque lage, RJ

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Fotos: Marco Antonio Rezende

“ “

Trabalhar com o bom antiquariato cobre de elegância e prestígio meus projetos de decoração.

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arquitetos // design de interiores

márcia müller estúdio sustentável | casa cor, RJ

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Fotos: Divulgação // Acervo Danemberg

“ “

A finalização de um bom trabalho de arquitetura é a escolha de objetos e móveis. O acervo do Arnaldo Danemberg dá a seriedade e a certeza dessa escolha correta e sofisticada!

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maur铆cio n贸brega

arquitetos // design de interiores

lounge | casa cor, RJ

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“ “

Fotos: Divulgação // Acervo Danemberg

As peças de antiquariato têm sempre uma história para contar.

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arquitetos // design de interiores

paolaribeiro estĂşdio de um casal | casa cor, RJ

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Fotos: Divulgação // Acervo Danemberg

“ “

História, charme e personalidade são ingredientes que se tornam presentes através do uso de peças de antiquariato. O espaço ‘vivido’ traz em si essas características, que, acredito, fazem toda a diferença na decoração.

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arquitetos // design de interiores

patrĂ­cia carvalho adriana valle varanda do casal | casa cor, RJ

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&

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Fotos: Divulgação // Acervo Danemberg

“ “

Há alguns anos, chegamos pela primeira vez ao antiquário AD. Procurávamos peças especiais, únicas, para um projeto. Mais do que objetos de sonhos ou a sensação de estarmos na Provence do fim do século XIX, saímos de lá impressionadas com a gentileza, a elegância, o savoir-vivre de uma pessoa muito especial, que, a partir daquele momento, passou a nos acompanhar em todos os nossos passos. Arnaldo é um luxo!

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arquitetos // design de interiores

patrĂ­cia marinho laurent croissandeau

&

sala de leitura | casa cor, RJ

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Fotos: Divulgação // Acervo Danemberg

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A peça de antiquário, sempre única e especial, embeleza o espaço de arquitetura criando a atmosfera perfeita que imaginamos em nossos projetos.

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arquitetos // design de interiores

&

roberto figueiredo

luiz eduardo almeida corredor chopin | galeria tempo

OURIÇO ARQUITETURA

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Fotos: Divulgação // Acervo Danemberg

“ “

O trabalho de Arnaldo vai além da curadoria. Ele restaura e resgata o espírito das peças que seleciona, trazendo história para a casa da gente.

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arquitetos // design de interiores

samiraleal AD | chopin

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Fotos: Marco Antonio Rezende

“ “

Formas, cores, luzes e um não sei quê que é só dele.

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convidados // andrea natal

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Vizinho

chique

C

FOTOGRAFIA MARCO ANTONIO REZENDE

Copacabana é um bairro cheio de histórias, onde sempre tem algo interessante acontecendo. Algumas dessas histórias ocorreram bem perto do Copacabana Palace, contribuindo para a fama de pedaço de Rio chique que cerca o hotel onde trabalho. Temos vizinhos dos bons, e nós do Copa sempre Henrique Danemberg, recebendo, década de 1950, o presidente de Portugal, General Craveiro Lopes, no Copacabana. Meus avós, Henrique e Deina, e meus pais, Arnaldo e Alzira

mantivemos uma ótima relação com todos eles. É o caso da galeria do Edifício Chopin, walking distance

que abriga um comércio voltado para a arte e a história, e destaca o trabalho requintado de Arnaldo Danemberg, instalado numa loja que é pura elegância. Quando preciso reciclar o foco do pensamento, dar uma volta não muito longe, fujo até o antiquário ao lado. Só de olhar a vitrine já fico encantada.

aromas do verniz que lustra as peças e dos lírios que ornamentam os espaços, formando uma provocante sensação olfativa. Uma delícia! O mobiliário de estirpe brilha, seduz, e consigo sempre arrumar um local, mesmo que no meu imaginário, para uma peça ou outra na ambientação da minha casa. Quanto bom gosto! Endereço onde todos os objetos têm uma história própria, uma identidade agregada ao seu valor material. Ao entrar na loja me sinto numa viagem pela França através do tempo. E se o Arnaldo estiver por lá, com seu cavalheirismo e embasamento característicos, a visita se torna ainda mais compensadora. Volto ao trabalho renovada, inspirada pela beleza secular contida naquele mundo de memórias preservado, e permaneço sonhando por algum tempo, com aquelas reminiscências de Napoleão, Luíses e Marias...

hotel, circulava pelos salões do Copacabana Palace dos anos dourados recepcionando as personalidades inter-

Mas o carinho pela vizinhança é recíproco. Arnaldo é um

nacionais que já fizeram check-in no hotel.

grande frequentador da Pérgula. Um hábito que, assim como seu acervo, também vem do passado. Há pouco

Afinidade que justifica, quem sabe, a escolha de Danemberg

tempo fiquei sabendo que o avô dele trabalhou com o Dr.

pelo endereço – onde história e glamour traçam parceria –

Octávio Guinle nos anos 1950 e, como gerente-geral do

para instalar sua loja admirável.

t

Andrea Natal

Tudo está sempre impecavelmente arrumado, com os

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O meu

obrigado

Quero agradecer à minha família, aos amigos e parceiros com quem

Lia Siqueira, por seu amor à madeira, à família, pelo carinho, por sua

convivi e aprendi ao longo desta caminhada que agora festejo. Foi

letra incrível, sua amizade. Tudo isso me enche de alegria e satisfa-

uma sorte poder contar com todos vocês.

ção. Amei o seu texto, obrigado.

Em primeiro lugar a meus pais, Arnaldo e Alzira, pela educação que

Maurício Nóbrega, amigo, parceiro, nosso carioca da gema, mestre

me deram, pela formação do meu caráter, e sobretudo por incutirem

do humor. Meu carinho a você e a sua suave Cecília. Obrigado.

em mim o desejo de sempre ir além. Meu carinho a ambos, assim como à minha querida irmã Deina. Saudade de vocês.

Samira Leal: o tempo só solidifica nossa amizade, assim como minha admiração por você. “Sensibilidade e intuição” é o título do seu texto

À minha mestre, Tilde Canti, por tudo que me ensinou, por me con-

e, sem dúvida, da nossa convivência.

vidar e me acolher em sua pesquisa. Ivan Rezende, arquiteto escolhido por mim e por Katia para o proÀ editora desta revista, Kathia Pompeu, pela agradável convivên-

jeto de nossa casa. Nossa amizade a cada dia fica mais fortalecida.

cia, pelas experiências trocadas, pelo bom tempo juntos. Ela e Marco

Nosso primeiro jantar deste ano foi em sua casa, onde fomos recebi-

Antonio Rezende, com suas fotos e olhar apurado, vieram para acres-

dos pela querida Victoria, uma verdadeira consulesa do bem viver,

centar e juntos temos caminhado.

da boa conversa, da boa amizade. Obrigado aos dois.

Com o mesmo carinho agradeço a todos os meus convidados, pela

Andrea Natal, de gratas vivências e recordações. Aquela que, com

pronta resposta ao nosso pedido para participar desta edição. Vocês

charme, verve e competência, capitaneia o Copacabana Palace.

me emocionaram.

Obrigado por sua sempre gentil acolhida!

Hildegard Angel, amiga de primeira hora, pelas referências presti-

Aos arquitetos aqui retratados, e a todos aqueles com quem durante

giosas e constantes, pela publicidade e pelo incentivo. Merci!

esses anos convivi. Àqueles que me deram a chance de ser ouvido, assim como aos que virão. Muitíssimo obrigado.

Patricia Mayer e sua xará Quentel; vocês fazem um trabalho primoroso pela arquitetura de interiores no Rio de Janeiro. A amizade de

Meus queridos filhos, Paloma e André, que tanto me alegram, com-

vocês, consolidada a cada parceria de sucesso, a cada empreitada,

pletam e enchem de orgulho. Amo muito vocês.

muito me alegra e honra.

W

Meus funcionários, restauradores, equipe administrativa. Fiquem Maria José de Queiroz, que me levou para Paris. Lá, divulgando o mó-

W

vel brasileiro, descobri um novo ângulo da França, encantei-me, e ali

certos de que continuarei não apenas com a mesma exigência, mas admirando-os cada vez mais.

me estabeleci.

cimento àquela que junto comigo sonhou, perseverou e certamente

olhar, pelos ensinamentos que transmite com seu trabalho de su-

colheu frutos. Continuaremos colhendo cada vez mais. Obrigado, Katia,

cesso e por toda a torcida, mútua.

por sempre estar ao meu lado. Para você, meu amor e meu carinho.

Mary Del Priore, que me honrou com sua abordagem sobre o

A todos aqueles que comigo estiveram e aos que virão, pela preser-

Profissionalizando o Futuro, e também pelo interesse comum,

vação da memória. Com a minha alegria.

reforçado e renovado a cada dia: nossa memória, nossa história. Obrigado, Mary, meu carinho sempre.

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E para fechar estes agradecimentos com chave de ouro, meu reconhe-

Clarissa Schneider, minha talentosa amiga, pela cumplicidade de

Arnaldo Danemberg Agosto de 2011.

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2011 Arnaldo Danemberg | Chopin | Avenida Atl창ntica, 1782 Lojas G/H | Copacabana | Rio de Janeiro | 22021.001 | Telefax [21] 2255.0325

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Revista Arnaldo Danemberg