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Introdução

A sociedade atual está passando por uma crise de valores e precisa rever questões essenciais para a vida e para a formação das crianças. Os princípios e os valores humanos como bases para uma boa educação, são insuficientes. O contexto de hoje tem bombardeado a mente das crianças através da mídia com conceitos fúteis e passageiros, fruto de uma vida livre e sem compromisso com Deus. Dentro desta perspectiva, destaca-se a necessidade de ensinar a criança no caminho correto em que deverá seguir. A contação de história é uma boa ferramenta para ensinar e formar o caráter cristão. Nosso objetivo é verificar, constatar e analisar as contribuições entre a arte de contar história e o evangelismo infantil, relativas às duas diferentes áreas de atuação, quais sejam da teologia e da educação, e neste sentido o livro se organiza em torno de quatro capítulos. O primeiro capítulo apresenta a criança e o seu desenvolvimento Integral, destacando os aspectos do seu desenvolvimento, tanto intelectual, quanto social e da sua personalidade, envolvendo também os principais problemas e características infantis. Outro importante ponto abordado é a vida espiritual 1


da criança a qual tem peculiaridades próprias muito pouco comuns à dos adultos. Em seguida será apresentado um estudo sobre o evangelismo Infantil, com considerações gerais sobre o evangelismo e seus tipos, onde é efetuada uma verificação e análise das bases bíblicas para a evangelização de crianças, bem como quais são as estratégias e forma de se fazer evangelismo infantil. Num terceiro momento, é apresentado o tópico relativo à arte de contar história para crianças no evangelismo infantil, onde é estudado o aspecto da narrativa, do contador de histórias, bem como os métodos e a relação que há no ato de contar histórias com o evangelismo infantil. Por fim, numa última etapa será fornecida uma coletânea de “Histórias Práticas”, com várias sugestões e orientações, onde serão tratadas as formas de se contar histórias, o porquê de onta-las, como onta-las, que tipo de material deve ser usado e como deve ser usado para atingir o coração da criança levando esta a ter um encontro pessoal com Jesus Cristo.

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Capítulo 1

A CRIANÇA E O SEU DESENVOLVIMENTO INTEGRAL

Para falar a respeito da arte de contar história como estratégia de evangelismo infantil faz-se necessário inicialmente discorrer sobre a natureza e as peculiaridades da criança em formação. Para tanto, serão abordadas questões sobre o desenvolvimento da criança, suas principais características, seus problemas e necessidades, e ainda seus relacionamentos na sociedade, a fim de mostrar quem é a criança e como atingi-la em seus aspectos espirituais, através da estratégia artística de contar história. Durante os primeiros anos de vida a criança passa por diversas fases distintas, nas quais os interesses, pensamentos e sentimentos são marcados por situações do cotidiano. Nesta fase de desenvolvimento, a criança aprende muitas coisas por meio da observação e repetição como, por exemplo: andar, falar, comer 3


e beber, pedir para fazer necessidades fisiológicas, vestir-se lavar-se, escovar os dentes, guardar as roupas e os brinquedos, etc. Ao realizar alguma atividade, sente-se satisfeita e por isso desejará tornar a fazê-la. Constata-se então, que o sentimento de satisfação é importante fator na aprendizagem infantil. A criança sente grande prazer em ser objeto de atenção dos outros, um sorriso, um aceno da cabeça, uma expressão de aprovação, um simples “muito bem” A criança sente grande prazer geralmente bastam para satisfaem ser objeto de atenção dos zê-la. A criança aprende por expeoutros, um sorriso, um aceno riência, o que ela vê ouve, ou sente da cabeça, uma expressão de aprovação, um simples “muia cada dia, serve-lhe de referência to bem” geralmente bastam para ampliar progressivamente o para satisfazê-la. seu conhecimento de mundo.

Principais Características da Criança No trabalho com crianças é importante que o educador ou líder entenda as principais características e necessidades infantis por faixa etária, para elaborar atividades de interesse e que sejam de acordo com a maturidade das respectivas faixas etárias. Desta forma, destacam-se a seguir algumas das principais características físicas, mentais, sociais, emocionais e espirituais de cada faixa infantil.

Crianças de 0 a 3 anos: Características Físicas – São continuamente ativas, têm reação espontânea e impulsiva, sistema nervoso sensível, saúde delicada, resistência limitada, diferença de amadurecimento, os Como Contar Histórias

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músculos pequenos não têm coordenação. Pernas mais curtas em proporção ao corpo, que mede cerca de 60 cm de altura. Com estas características físicas as crianças nesta faixa etária necessitam de: 1. Oportunidade e espaço para suas atividades. 2. Materiais que possam ver, ouvir, tocar, cheirar, sentir o gosto. 3. Descansos durante as atividades, o programa para elas deve ser tranquilo e sem pressa, bem como utilizar matérias, cadeiras e brinquedos adequados e dentro do alcance. Características Mentais – Gosto pela repetição e rotina, imaginativas e sugestionáveis, sua experiência e conhecimento e vocabulário são limitados, habilidade musical pouco desenvolvida, prestam atenção durante dois a três minutos, memória não confiável, são curiosas e fazem inumeráveis perguntas. Para trabalhar com esta faixa etária em relação às características mentais faz-se necessário o uso da família e conhecido, contar histórias, sugerir meios e modos, evitar abstrações e simbolismo, fazer uso de gravuras e objetos, utilizar vocabulário adotado pela criança, ter programas e atividades variadas fornecendo materiais que despertem a curiosidade e repetir o essencial que se quer transmitir muitas vezes. Características Sociais – São individualistas e egocêntricas, dependentes, exigem atenção. São imitantes, negativas, ansiosas em satisfazer o “não” aprendido anteriormente. As brincadeiras energéticas lhes são interessantes. Para trabalhar o aspecto social da criança nesta faixa etária é necessário dar cuidado individual, fornecendo tempo para brincadeiras livres, sabendo que elas precisam de vigilância constante, pois não são responsáveis. É importante o adulto que está trabalhando com ela mostrar-se positivo e, como elas são imitantes, é necessário dar exemplos apropriados de conduta, ter consistência de vida e palavra.

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Características Emocionais e Espirituais – São tímidas e emocionalmente sensíveis, carinhosas, despertando-se espiritualmente, estimulando a confiança natural. São capazes de adorar, cheias de surpresa e admiração. São medrosas. Tem sensibilidade a atmosfera espiritual. São maleáveis, impressionáveis, susceptíveis ao ensino. Estão em crescente sentimento do que é certo e errado. Sendo assim, trabalha-se o emocional e o espiritual criando atmosfera permissiva e segura. Desenvolvendo uma consciência de Deus e do seu amor por elas e ensinando-lhes o hábito de oração. Tendo em vista que elas são medrosas, faz-se necessário conta-lhes histórias de outras crianças que superaram o medo, mostrando-lhes que Deus as protege. É necessário contar sempre a verdade, nunca ensinar algo que venha a desaprender e distinguir o que é certo e o que errado

Crianças de 4 a 5 anos: Características Físicas – Rápido crescimento, extrema atividade, músculos pequenos com habilidades motoras incompletas, não estando totalmente desenvolvidas. Estão aprendendo hábitos de saúde e assim aumentando a responsabilidade por sua própria pessoa. A saúde é ainda delicada, cansando-se com facilidade. Os processos sensoriais estão ativos e as reações motoras são espontâneas. Para trabalhar com crianças nesta faixa etária são necessários programas alternados de atividades e descanso, fornecendo-lhes materiais abundantes, robustos e criativos como tintas, lápis de cera, massa de modelar, etc., tendo espaço suficiente para que elas possam locomover-se. Usar nas ilustrações figuras grandes e duráveis, pois esta é a oportunidade para aprenderem ao ver e fazer coisas, para tanto, direcione as atividades, não as reprima.

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Características Mentais – Pouco tempo de atenção (cinco a dez minutos), imaturidade mental, elas querem fazer mais do que são capazes. O vocabulário é pequeno, mas está em rápido crescimento. São curiosas, fazendo incontáveis perguntas para obter informação, pensamento inicial desafiado. Têm limitados conceitos de espaço e tempo, sendo o “eterno agora”. O pensamento é concreto e literal, fazendo imagens mentais das coisas. São altamente imaginativas. Nesta faixa etária suas necessidades são brincadeiras, jogos, histórias e programas, que não passem de cinco a dez minutos, e que sejam explicados lenta e claramente. É também necessário responder-lhes todas as suas perguntas com honestidade, procurando razões por detrás das perguntas e encorajando-as a pensarem por si mesmas. Em relação ao espaço e tempo, refreie-se a referir à história ou cronologia, enfatize o presente. Explique em termos do que é conhecido. Aumente a experiência da criança. Incentive a imaginação distinguindo o fato da imaginação. Características Sociais – São individualistas e negativas, imitam línguas, modos, hábitos, etc. São conformistas, pois o que o professor é tem muita influência. Já têm consciência de grupo, sendo extremamente sociais, pois querem estar e fazer coisas com as pessoas, estão aprendendo a liderar atividades, há um aumento da independência. São pensativas e têm instintos maternais. Interessam-se por jogos energéticos. Desejam aprovação dos adultos com forte desejo de agradar-lhes. Para trabalhar nesta faixa etária é necessário ensinar a obediência e a alegria em fazer a coisa certa, sendo exemplo consistente para elas. É importante promover oportunidades para atividades em grupo ensinando-lhes responsabilidades e espírito de cooperação. Características Emocionais e Espirituais – Intensas, mas com emoções passageiras. Forte desejo de amar. São crédulas, cheias de admiração, estão ansiosas em serem ensinadas e A Criança e o seu Desenvolvimento Integral

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aprender. Com relação as suas necessidades deve-se evitar despertar emoções negativas e aprovar a expressão emocional positiva. Também, deve-se frisar o amor e cuidado de Deus por elas e a certeza do amor e afeto dos pais. Ensinar a verdade sempre para que nada precise ser desaprendido. É necessário encorajar a confiança no Senhor e também estimular o desejo dela à adoração.

Crianças de 6 a 8 anos: Características Físicas – Crescimento mais lento, sendo que os músculos pequenos das mãos não estão completamente coordenados. A energia e a vitalidade flutuam. São susceptíveis a doenças. Período de doença contagiosa. Estão em alto nível de atividade, falta de sossego. Os sentidos aguçados. Nesta faixa etária suas necessidades são usar os músculos grandes e para isso é preciso designar tarefas simples, que sejam fáceis de fazer. Ter um programa equilibrado e proporcionar oportunidades para atividades variadas. Usar métodos de exploração. Fornecer objetos para serem vistos e manuseados junto com o ensino. Características Mentais – Rica extensão de habilidades de leitura. Interesses variados. Estão ampliando experiências, aumentando habilidades e precisão, desenvolvendo o poder de argumentar. Têm pensamento concreto e literal com inicio do pensamento abstrato. Estão aprendendo maior autocontrole e empregando mais auto-avaliação. A memória está melhorando, embora ainda não seja de confiança, tem um crescimento do interesse na realidade presente e imediata para o interesse pelo passado. O tempo de atenção aumenta (sete a quinze minutos). São extremamente sociáveis e cada vez mais comunicativas. São curiosas e desejosas de aprender. Para trabalhar com esta faixa etária se faz necessário utilizar materiais segundo a idade. Como Contar Histórias

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As classes precisam ser divididas. É preciso ensinar a ler a bíblia, desenvolver o prazer de canções, ritmos, histórias real e da natureza bem como histórias em quadrinhos; também rádios filmes etc., enfim é preciso empregar técnicas de ensino variadas. Fazer uso de argumentações nas soluções dos problemas dela, confrontar e defender questões. É importante ensinar a alegria do autocontrole (fruto do Espírito Santo) e de confiar nisso. Deve-se promover a expressão dos próprios sentimentos e ideias delas. Características Sociais – Crescimento contínuo da dependência para a independência assumindo maiores responsabilidades. São imitantes e inventivas, gostam da arte dramática, fazem amigos com maior facilidade e estão preocupadas com status no grupo. Simpatia facilmente despertada. São fáceis a agradar e fazer bem feito, estão sensíveis aos sentimentos dos adultos. São imaturos emocionalmente, também egoístas e individualistas. São amigáveis e cooperativas. Têm forte senso de justiça. Exigem a vez e os direitos delas e são altamente competitivas. Para trabalhar com estas características nesta faixa etária é necessário dar responsabilidade por meio de trabalho grupal supervisionado, encorajando a combinação adequada da independência com a dependência. É bom representar situações, imitando os grandes personagens da bíblia e suas características e incentivar o companheirismo cristão. É pertinente ajudar no desenvolvimento gradual de modos e hábitos aceitáveis. Encorajar e dar bastante elogios. Estimular o trabalho delas em conjunto com entusiasmo contagiante. Características Emocionais e Espirituais – Emoções facilmente despertadas e usadas. Estão preocupadas com o certo e o errado. São crédulas e tem duvidas, devido a vozes contraditórias. Já têm consciência de salvação, por causa da consciência do pecado. Estão fascinadas com o céu e com Deus. Apreciação A Criança e o seu Desenvolvimento Integral

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pelo sobrenatural. Crescente desejo ao amor e segurança. Para trabalhar com o emocional e o espiritual nesta faixa etária é necessário treinar as emoções para amar e odiar as coisas apropriadas. Aplicar a Bíblia para situações da vida real ajudando-as a tomar decisões. Elas precisam aprender a fidelidade em expor o erro. E a direcionar a crença ao Senhor, a andar confiante no Senhor sabendo que Ele é o seu Amigo e Confidente. É necessário apresentar Jesus Cristo para a sua salvação individual e ensinar a verdade espiritual na realidade da experiência delas, falar de milagres e ensinar o cuidado e o amor de Deus para com elas.

Crianças de 9 a 11 anos: Características Físicas – Cheios de energia, crescimento rápido, amam fazer coisas e fazem primeiro e pensam depois. São fortes e saudáveis, barulhentas e gostam de brigar, apreciam fazer o difícil e o competitivo, manifestando diferenças individuais e habilidades. São um tanto curiosas sobre o sexo. Para suprir as necessidades desta faixa etária é necessário fornecer muitas coisas construtivas a fazer, como obras artesanais, trabalhos manuais, representação ativa e dramática, acampamentos, excursões, caminhadas, fazer com que pensem nas consequências de suas ações, além de estimulá-las a ter bom comportamento e a desenvolver hábitos saudáveis. Características Mentais – Forte senso geográfico e histórico, estudos reais sem fantasia. São colecionadores, gostam de ler, escrever e conversar. São críticos e estão desenvolvendo o poder de argumentação lógica, memória de conhecimentos adquiridos por repetição em seu ponto mais alto, mente literal, sendo o simbolismo difícil de entender, desejam fazer as coisas bem feitas, porém perdem o interesse se forem desencorajadas. Para desenvolver trabalhos interessantes nesta faixa etária é Como Contar Histórias

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necessário ensinar cronologia e geografia na Bíblia sempre traçando as viagens, é importante desenhar e usar mapas bem como, linhas do tempo. Desenvolver entre eles coleções relacionadas a missões, selos, moedas e curiosidades. Deve-se fornecer-lhes também um bom material de leitura e fazer uso de materiais que exijam deles escrever algo. Estar sempre incentivando para fazer novas atividades, bem como a terminar empreendimentos iniciados, também é preciso incentivá-los e elogiá-los sempre. Características Sociais – Podem aceitar responsabilidades, mas não gostam de autoridade sobre elas, têm forte senso de justiça e honra, e discutirão acerca do que é justo em clubes e jogos. São patrióticas. Têm forte instinto de turma como, por exemplo, em times e clubes. Neste período são depreciativas em relação ao sexo oposto, porém desenvolvem amizades fortes com colegas do mesmo sexo. São seguidoras de astros populares e de heróis e são indisciplinadas e imprudentes no gastar. Para trabalhar com esta faixa etária é necessário dar-lhes certas responsabilidades e deveres específicos. Não se deve ameaçar ou fazer ultimatos sendo para elas um guia e não um ditador. Sempre que possível separar a classe em meninos e meninas, fazendo da mesma um clube. É importante despertar-lhes o senso de pertencer ao grupo. Desenvolver hábitos disciplinados como, por exemplo, administrar mesada e ter responsabilidades pela higiene pessoal. Como acreditam em heróis, apresente Cristo como heróis delas. Características Emocionais e Espirituais – Têm poucos temores, mas muitos problemas. São irascíveis e egocêntricas, menosprezam demonstrações extremas de afeto e têm desgosto por sentimento na religião. São muito barulhentas, com senso de humor aguçado. Têm perguntas sobre o Cristianismo e reconhecem o pecado como pecado, mas suas emoções representam A Criança e o seu Desenvolvimento Integral

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pouco em termos de religião, são intensamente práticas e precisam de encorajamento e motivação espiritual. Estabelecem altos padrões para si mesmos, mas seus ideais não são fixos. Podem expressar preocupações sobre a vida em casa, sobretudo quando ocorre separação ou divorcio, ou seus relacionamentos com padrasto e madrasta. Para trabalhar com esta faixa etária é necessário aprender com elas como se sentem sobre as coisas e aconselhá-las pessoalmente ensinando o que se deve ou não temer, mostrar-lhes que a vida deve ser centrada em Cristo. Ajudá-los a encontrar sempre as respostas na Bíblia e fixar os padrões bíblicos. Proporcionar-lhes atividades nas quais eles venham a crescer espiritualmente, fazer coisas práticas, haja vista que neste período elas são intensamente práticas, portanto deve-se, evitar histórias, que sejam muito apelativas e que emocionam. Ser compreensível e sensível com a situação das crianças, não as ridicularizando nem fazendo julgamentos, mas sim, mostrando o amor incondicional de Deus e apoiando-as como ser especial.

Problemas Emocionais da Criança A criança, também, apresenta vários tipos de problemas como depressão, ansiedade, medo, insegurança, necessidade de ser aceita, entre outros, os quais elas absorvem desde o nascimento podendo a criança ter vários deles ao mesmo tempo, ou apenas um ou outro. A criança Deprimida: Diagnosticar depressão é mais difícil nas crianças do que nos adultos, pois os sintomas podem ser confundidos com mal criação ou birra, mau humor, tristeza e agressividade. O que diferencia a depressão das tristezas do dia a dia é a intensidade, a persistência e as mudanças em hábitos Como Contar Histórias

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normais das atividades da criança1. Neste sentido, os sintomas de depressão são o: sentimento de desesperança, dificuldade de concentração, memória ou raciocínio, angústia, pessimismo, agressividade, falta de apetite, tronco arqueado, isolamento, apatia, falta de prazer em executar atividades, sono excessivo que não satisfaz ou insônia; desatenção em tudo o que tenta fazer, queixas de dores, baixa auto-estima e sentimento de inferioridade, ideia de suicídio ou pensamentos de tragédias e morte, sensação frequente de cansaço e perda de energia, sentimento de culpa, dificuldade em afastar-se da mãe. Já as causas da depressão infantil podem ocorrer através de alguns aspectos como nascimento não desejado pelos pais e a falta de aceitação posterior; sexo masculino ou feminino não correspondente aos desejos dos pais; educação autoritária ou extremamente tolerante; a situação econômica familiar, e a indigência psíquica coletiva repercutem no desenvolvimento da criança, fazendo-a deprimida2. Ainda pode-se destacar a ausência materna e paterna, bem como a separação do casal, e casos de depressão induzida ou transposição infantil das “distimias” (abatimentos) melancólicas da mãe que passam para o filho. Tudo isso contribui sobremaneira com depressões e neuroses na infância. Por outro lado a depressão infantil é mais difícil e complexa de ser diagnosticada, pois as características específicas de depressão em crianças e adolescentes podem dificultar o diagnóstico. Sabe-se que o humor tende a ser mais irritável, com queixas somáticas frequentes, condutas anti-sociais, e abuso de substâncias ilícitas em adolescentes. Dificuldades escolares e de sociabilização são sugestivas nesta faixa etária3. A Psicoeduca1

BANDIM (1995, p.27-32)

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CARMO (1987, p.70)

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LOPES (2009, p.2491) A Criança e o seu Desenvolvimento Integral

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ção familiar é essencial para o sucesso do tratamento. O uso de medicamentos deve ser feito sempre que necessário, em doses adequadas para essa população e a critério médico, bem como a associação de psicoterapia mais diretiva é recomendada na maioria dos casos por especialistas. Quanto ao sentimento de incapacidade e inferioridade tão universalmente dominantes em todas as idades da vida atual, este é um dos motivos pelo qual os pais desejam proteger seus filhos da agonia da inferioridade, tendo em vista que a atual epidemia de insegurança resultou de um sistema totalmente injusto e desnecessário de avaliação de valores humanos, ora predominante em nossa sociedade, o qual se ensina às nossas crianças que o mérito e a aprovação social estão além do seu alcance. Assim, glorificando um modelo idealizado o qual, poucos conseguem igualar-se. Com isto cria-se um imenso exército de “joões-ninguéns” – que nasceram perdedores e ficam desanimados da vida antes de ela realmente começar. A questão do mérito pessoal não é apenas preocupação daqueles que têm falta dele. Num sentido real, a saúde de toda a sociedade depende da facilidade com que seus membros individuais podem obter aceitação pessoal. Assim, sempre que as chaves do amor-próprio parecem estar fora do alcance de uma grande percentagem de pessoas, há uma ocorrência ampla e certa de “doenças mentais”, neuroses, ódio, alcoolismo, abuso de drogas, violência e desordem social. O mérito pessoal não é uma coisa em que os seres humanos têm a liberdade de pegar ou largar4. Precisamos dele e quando é inatingível, todos sofrem. Os pais podem fornecer aos seus filhos a força interior necessária para sobreviver aos obstáculos que enfrentarão. Os pais podem abrir a estrada do amor-próprio e do mérito pessoal.

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DOBSON (1981, p.12-14)

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A Criança e seus Medos: A sensação de medo desempenha papel danoso na formação da personalidade infantil. O seu reflexo, muitas vezes decisivo, se faz sentir na personalidade adulta. Das atemorizações sofridas nos primeiros anos, há pessoas que, inconscientemente, se ressentem por toda a existência, calando-se na profundeza da sua psique complexos ou fobias que mais tarde concorrem para trazer-lhes timidez, covardia. E, na idade adulta, mostram-se incapazes de tomar atitudes positivas em face de situações de maior ou menor importância. Muitos indivíduos fracassados na vida refletem influências recebidas na infância, na adolescência ou na mocidade. Sobre essa questão, cabe esclarecer que o medo dá origem a vários distúrbios, tais como a ansiedade, a irresolução, o desalento, o acabrunhamento, a covardia, que infundem na criança um complexo de inferioridade. Esse complexo, se não for devidamente estudado e corrigido, poderá prolongar-se por toda a sua infância e ainda acompanhar a vítima através da adolescência, ou mesmo persistir por toda a sua existência. Um fato devidamente constatado é que a conduta de todo o indivíduo reflete a influência por ele recebida nos seus primeiros períodos de vida. Em relação ao medo, não importam quão tolos e ridículos eles possam parecer aos adultos, mas para as crianças são muito reais e, portanto, devem ser tratados com respeito. Tanto as crianças como os adultos têm dois tipos de medo razoável de situações perigosas. O primeiro é o medo normal, que se experimenta ao enfrentar um perigo real. O segundo tipo de medo é chaA Criança e o seu Desenvolvimento Integral

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mado de ansiedade, isso ocorre quando a pessoa sente-se transtornada, e não se sabe o porquê, é uma preocupação sem saber exatamente o que a preocupa. A diferença entre ansiedade e o medo normal é que este é uma resposta ao que está acontecendo no mundo exterior e aquela está relacionada a um mal-estar mais profundo sobre problemas que existem dentro da pessoa. Não é causada por um perigo externo real. Assim, o medo é uma emoção humana universal e, tanto as crianças e adolescentes, quanto os adultos podem e devem experimentá-lo fisiologicamente, pois ele é benéfico na conservação da espécie na medida em que serve de resposta adaptativa em muitas situações diversas. Já a ansiedade é um sentimento vago e desagradável de medo e apreensão caracterizada por tensão, ou estado de alerta contínuo e expectativa de algum perigo. Todas as pessoas experimentam, alguma vez na vida, medo e ansiedade, de uma ou de outra forma e em graus variados. A distinção entre ambas as emoções não é clara. As duas envolvem um padrão fisiológico e outro psicológico de reações incluindo sensações e emoções desagradáveis e de tensão. Embora a ansiedade e o medo sejam frequentemente classificados como afetos ou emoções, desempenham um papel fundamental na motivação humana. À semelhança dos motivos de hostilidade e dependência, o medo e a ansiedade são estados inferidos, mas desagradáveis5. Certas condições ou eventos induzem medo e ansiedade, e subsequentemente, o indivíduo tenta atingir certos objetivos ou fazer alguma coisa que reduza a inquietação e o desconforto que acompanham o medo e a ansiedade. O medo é geralmente considerado a emoção mais específica; é uma resposta a objetos e estímulos especificáveis e particulares, tais como veículos em alta velocidade ou animais selvagens. A ansiedade é um estado emocional mais difuso, desfocado e menos 5

MUSSEN (1977, p. 31)

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claramente percebido; difere do medo principalmente por sua qualidade “desvinculada”: sua falta de um ou mais focos objetivos e realísticos. É, porém, difícil de manter uma distinção rigorosa entre medo e ansiedade, especialmente no caso de crianças pequenas, porque estas não diferenciam nem entre interior e exterior, nem entre perigos reais e imaginários. É importante mencionar que, se por um lado o medo é prejudicial conforme foi visto acima, por outro, o medo assim como a dor e a febre são mecanismos naturais, instrumentos e componentes que servem para a defesa do ser humano. Nessa linha o medo, no curso da evolução, tem sido fundamental, talvez mais do que qualquer outra emoção, tem sido crucial para a sobrevivência6. É claro que, nas circunstâncias atuais, os sentimentos equivocados são a praga do nosso cotidiano e, por isso, vivemos inquietos, angustiados e com uma série de preocupações ou, no extremo patológico, com crises de pânico, fobias ou desordem obsessivo-compulsiva.

A Criança e suas Necessidades Todo ser humano tem necessidades que são básicas em sua vida. A primeira delas é o amor, pois sem amor ninguém consegue expressar amor. Em relação às crianças, as suas necessidades devem ser supridas de forma constante pelos pais, sendo que o amor pelas crianças não é abstrato e sim concreto, por isso deve ser expresso verbalmente e através de ação. Além de serem amadas as crianças necessitam também de outros atributos entre os quais esclarecendo que as crianças necessitam de carinho, pois elas têm uma capacidade imensa de amar, portanto deve-se demonstrar amor a toda e qualquer crian6

GOLEMAN (1995, p.311) A Criança e o seu Desenvolvimento Integral

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ça, pois elas precisam sentir-se amadas. A falta de amor prejudicará a construção de sua personalidade. As crianças necessitam também de elogios, portanto deve-se demonstrar alegria quando a criança for bem sucedida, por menor que seja o empreendimento. Deve-se ajudá-la a valorizar a persistência e a obter uma sensação de vitória, instituindo pequenas tarefas objetivas que sejam capazes de alcançar. Outro aspecto importante é que toda criança precisa se sentir segura em relação ao amor que as pessoas que a cercam sentem por ela, sabendo assim, que poderá contar sempre com a ajuda e o carinho dessas pessoas cada vez que se encontrar em dificuldades. A criança necessita ainda de orientação, ou seja, direção para saber se portar em relação às pessoas e às coisas do mundo em que vive. Ela também precisa de controle, pois é necessário impor limites às crianças para que cresçam maduras. Precisa de aceitação, não deve existir nenhum tipo de preconceito em relação a sua aparência física, e situação social. Assim, as necessidades das crianças precisam ser supridas por seus pais, professores e por aqueles que com elas trabalham. Para o adulto muitas vezes não é fácil entender a criança e perceber quais são as necessidades. Por isso, o trabalho com elas deve começar conhecendo as suas características, para que a partir daí haja uma interação maior entre o adulto e a criança, e nesta linha, falar da natureza infantil e como deve o adulto agir diante da sua pertinente característica. No geral, as crianças são7: A) Agitadas e irrequietas – Obrigá-las a ficar imóveis e mudas durante muito tempo é algo sacrificante. Logo, utilize sempre atividades objetivas e que não tomem tempo a fim de cansá-las. B) Curiosas – Procure explorar a curiosidade das crianças apresentando materiais didáticos e variados para que possa manusear. C) Imaginativas – Não é só o corpo da criança que se movimenta. 7

COSTA (2000, p.66-69)

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O equilíbrio também tem uma dose de imaginação que faz com que a criança crie um mundo de fantasia. D) Afetivas – A afetividade da criança é passiva e ativa ao mesmo tempo.

A vida Espiritual da Criança Acerca da vida espiritual da criança esclarece-se que num primeiro momento não são dadas as condições para que a religiosidade humana se manifeste, mas pouco a pouco, com as experiências afetivas da primeira infância e os comportamentos imitativos a criança vai se abrindo para o mundo do religioso. Com as experiências básicas da primeira infância, que é a confiança que ela desenvolve em quem cuida dela, em si mesma e nos outros, inicia-se a base para a religião. Assim o amor que receberem fará que se identifiquem com o amor de Deus, e à medida que aprendem a confiar em pessoas, aprendem a confiar em Jesus.

Religiosidade Infantil Embora na faixa etária de 0 aos 2 anos, não sejam dados nem sequer os primeiros sinais de religiosidade, ela é crucial para a futura religiosidade da criança, porque nela se constituem as estruturas básicas de sua personalidade, assim informa onde sua inteligência se encontra no período denominado “sensório-motor”. Nesta fase há um rápido desenvolvimento da coordenação motora, o que permite à criança passar de respostas simplesmente reflexas a comportamentos intencionais cada vez mais complexos, nesta passagem de respostas reflexas permite descobrir um progressivo avanço em sua compreensão da realidade. A Criança e o seu Desenvolvimento Integral

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Para alguns estudiosos (Piaget) esta é uma etapa fundamentalmente egocêntrica, na qual a criança é o centro, e todo o avanço em sua compreensão da realidade se dá em função da distinção e consciência do mundo como algo distinto, com existência autônoma e manipulável. Dentro dessa perspectiva, a concepção que a criança faz do outro como uma realidade distinta acontece em torno dos nove meses e isso faz com que ela estabeleça uma relação de apego com o seu cuidador principal; que já é concebido como alguém distinto e será à base de toda a relação afetiva futura com os outros e lugar de aprendizagem da própria auto-estima8. Assim a criação do vinculo está no fundamento de toda a relação afetiva consigo mesmo, com os outros e, portanto, com Deus. Investir tempo na primeira infância da criança significa semeadura com garantia de vitória. É neste período onde ela desenvolve confiança e aonde o calor afetivo, vindo do meio familiar, vai gerar vida segura e uma personalidade saudável. Assim ela aprenderá a amar a si própria, amar quem dela cuida e consequentemente vai amar a Investir tempo na primeira Deus, pois irá aprender que é Ele infância da criança significa quem cuida tanto dela quanto da semeadura com garantia de sua família e como isso ela vai vitória. desenvolvendo assim a sua fé.

Os estágios no Desenvolvimento da Fé: Infância – (0 a 2 anos) – A coisa mais importante no desenvolvimento da fé durante este período é o conceito de confiança básica. Isto quer dizer que a criança está aprendendo a confiar nos outros e em si mesma. É a pedra fundamental da personalidade da criança. Esta habilidade determina como a criança verá 8

AVILA (2007, p. 138-139)

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o mundo e tomará todas as suas decisões importantes. É a base para qualquer religião. Um senso de confiança saudável, que é aprendido através dos pais e outras pessoas importantes, são essenciais para a formação de uma fé saudável. Estágio Um – (Crianças de 2 a 6 anos) – A fé desta criança é caracterizada pela intuição. As crianças não separam os fatos da fantasia, o natural do sobrenatural, o saber do sentir. Elas interpretam os acontecimentos com bastante imaginação porque elas não raciocinam como os adultos. Também a fé é limitada pela dependência dos pais. A autoridade de sua fé está na comunidade e em suas tradições. O conteúdo da fé destas crianças depende do que os adultos falam e vivem, mas elas estarão tentando interiorizar esta fé para si mesma. Estágio Dois – (Crianças de 7 a 12 anos) – Elas estão saindo do período da fé fantasia e tem mais interesses em fatos, personalidades e exemplos concretos. Podem distinguir a realidade da fantasia e juntar logicamente os acontecimentos da tradição cristã, e por isso elas começam a desenvolver uma fé pessoal única. A importância do grupo faz este período importante para a introdução da criança na participação ativa da vida da igreja. A fé é uma questão de convicção pessoal em vez de herança da fé dos pais. É importante usar histórias para que elas possam explorar os possíveis papeis e situações em sua própria vida. O maior problema com este período é que elas podem ser legalistas, enfatizando obras e regras, exigindo perfeição na conduta cristã. Os lideres precisam ajudar estas crianças a serem mais abertas e nutrirem um relacionamento com Cristo.

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Como Contar Histórias – A Arte de Contar Histórias Para o Evangelismo Infantil  

Como cativar e manter a atenção dos pequenos – Qual a melhor maneira de ensinar – Que recurso usar – Qual o melhor tom de voz. Histórias in...

Como Contar Histórias – A Arte de Contar Histórias Para o Evangelismo Infantil  

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