Page 1


IDA GUILHERME

saberes e sabores DA TERRA E DO MAR

PENICHE 2012


DEDICATÓRIA À minha querida terra - PENICHE

AGRADECIMENTOS

Comendador Rogério Cação - Presidente da A.M. da C.M.P. Dr. António José Correia - Presidente da C.M.P. Jorge Amador - Vice Presidente da C.M.P. Drª Teresa Perdigão Profª Helena Gil Dr. Mariano Calado Ana Salomé Sousinha Drª Ângela Malheiros Profª Julieta Amado Gomes Maria Angelina Seia Conchita Santana José Carlos Garcia António Rodrigues Aos meus Professores A meus Pais A minha irmã Graciete


MAR, O MEU PRIMEIRO AMOR

MAR, foste o meu berço, quase em ti nasci e até o amor que sinto por tudo quanto é mar, a ti te devo, mar, e só a ti. Que saudades vou ter, quando partir pró outro lado que não sei onde é, ensina-me o caminho, mar, e leva-me na tua maré. Contigo, fui sempre feliz, em ti, uma sereia me julguei, um fantástico peixe, um simples camarão. Sem ti seria um ser com menos coração, porque foste tu, mar, que me ensinaste aquilo que hoje sei. E o que eu sei é amar!... É o que sei melhor e do que vivo. A ti o devo, mar que sempre estou contigo. Não há palavras para descrever tanta beleza e tanto encantamento, fascinada por ti, meu querido mar, assim se deu o nosso casamento. E hoje, todos os dias te vou ver, vou-me sentir junto de ti em paz a olhar e sem saberes, amor, quanto amor vai nesse meu olhar. E vai ser, mar, com muita dor e muita pena, por te querer, que, ao fechar para sempre meus olhos, mar, eu, vou deixar de te ver.


Natal 2011 Uma estrela, a mais brilhante desce do Céu a correr, é o menino Jesus que vem à Terra descer. Sentado num raio de Sol vem o mundo iluminar, Ele, a Estrela mais bonita, está mesmo quase a chegar. Vem trazer Paz e Amor os corações inspirar: Natal é todos os dias, é isso que vem lembrar. Ser Natal não é só prendas á amor, fraternidade, salvar o mundo que resta de tanta calamidade.

Menino Jesus: Profª M. Julieta Amado Gomes


Oferta de um Presépio em Renda de Peniche a S. Ex.ª a Prof.ª Dr.ª Maria Cavaco Silva, por M. Graciete Guilherme e Ida Guilherme. Presentes S. Exª. o Sr. Presidente da República Prof. Dr. Anibal Cavaco Silva e o Sr. Presidente da C.M.P Dr. António José Correia.

Foto de: Luís Catarino


Abafador de bule em execução


Divulgação das Rendas de Bilros de Peniche nas Escolas do 1º Ciclo do Concelho de Peniche Na foto o Sr.º Jorge Amador Vice-Presidente da C.M.P. e o Sr.º António Filipe, Presidente da Junta de Freguesia de Serra D´El Rei


Pique para babete Renda de Bilros de Peniche Tipo Popular


Babete em Renda de Bilros de Peniche Renda de Ida Guilherme


Pique para botinha em Renda de Bilros de Peniche


2012 - Cortina para o Sacrรกrio da Igreja de S. Pedro de Peniche | Desenho de Ida Guilherme e renda de M. Graciete Guilherme


Nome da Renda: Caracóis 3º Prémio - Concurso de Rendas de Bilros da C.M.P. Desenho de: Ida Guilherme Renda de: Maria Graciete Guilherme ANO 2011


Nome: Carac贸is


Forte de S. Jo茫o Batista - Berlenga - Pintura a 贸leo de Ida Guilherme


O MAR

Trago sempre rasos de água os meus olhos cor do Mar. Não é de dor, nem de mágoa, mas sim de tanto o olhar. Mar de sonhos, mar de lendas, mar de barcos, caravelas, na espuma, às vezes, tem rendas, outras vezes, aguarelas. Mar, misterioso, tristonho, riqueza verde de esperança azul, às vezes, risonho, que brinca como criança. Mar, que namora sereias que encantam meu pensamento, corre mar nas minhas veias a toda a hora e momento. Mar, é tema do meu canto, eterno irmão dos Céus, que cobre a Terra, é seu manto é uma bênção de Deus. Mar, que seríamos sem ti? Em toda a beleza te revejo o teu paraíso já vivi e, deixo-te, Mar o meu último beijo.


Ponte - Berlenga - Pintura a 贸leo de Ida Guilherme


Rebentação - Barra do vestido


Atadeiras de Redes - pintura a 贸leo de Ida Guilherme


REDES E RENDAS

Rede de pescador feita de sonhos, tecida de acalmias e de amor, de sofrimentos, de mar e ventos, bem medonhos. Herdeira da rede, a renda de bilros de Peniche é tecida de fios, em bilros de madeira enrolados, que docemente se vão entrelaçando em permanentes desafios de mão em mão saltando. Redes e Rendas, música que nasce do nada, como a rosada arméria, urdida com fios de Sol, que nasce e cresce, descuidada, nas Berlengas, nas bermas do caminho do farol. E, nas almofadas, à luz do dia, da noite ou do arrebol, vai nascendo como a rede nas mãos das atadeiras, outra flor, outro sol, tecida em branco, - ou negro de azeviche-, outra música, tocada por mãos de rendilheiras, a bela Renda de Bilros de Peniche.


Homenagem ao Mar Desenho de Ida Guilherme e Renda de M. Graciete Guilherme 4Âş PrĂŠmio Renda popular - Concurso de Renda de Peniche da C.M.P. 2011


DIA DO PESCADOR 2011

Ala - arriba, ala - arriba ó pescador. No mar espera o cardume, o peixe que enriquece o teu amor ao qual tens que manter aceso o lume. Mar, grande seara azul onde, com amor navega de norte a sul, ceifando o mar, o nosso pescador. E quando o vento sopra em todas as cores e direcções, em terra ficam mulheres apertando os corações. Chegam barcos ao cais, já cheira a peixe lá vem uma gaivota esfomeada sinal de pescaria, sinal de mais sardinha, carapau ou peixe - espada. A azáfama começa em alegria na lota espera gente, os compradores e em casa espera-se o homem que arrisca a vida pelos seus amores. E a poesia acorda em nós sentimentos que o amor nos dita e o peixe salta, brilha, até tem voz, a noite é de luar, pesca bendita. Quanto de sofrimento o mar encerra no seu seio de um azul profundo, nele labutam, pescadores da nossa terra, dos mais audazes pescadores do mundo.


Na faina - pintura a 贸leo de Ida Guilherme


ESTALEIRO DA GAMBOA Últimos barcos

E só o Mar, eterno amante, que recebia no seu seio, alegre e ondulante, a arte e a riqueza que naquele estaleiro se construía, - motivos de orgulho e de vaidade só o mar, saudoso, por ele vai chorar eternamente de saudade.


HISTÓRIA DA RENDA DE PENICHE Renda de bilros, enleio, com fio branco ou de cor, bicos por fora, no meio. por fora bicos de amor. Já não há tempo a perder, Já está a morrer a esperança de a bailar os bilros ver nas mãos de qualquer criança. Dão vontade de chorar mãos que tecem com amor rendas que vão acabar se não lhes dermos valor. É pois altura de pôr as crianças a aprender porque se assim não for nossa renda vai morrer. E quantas noites cantaram os bilros nas almofadas e os pescadoras esperaram que passasem as nortadas. Eram noites, eram dias, de trabalho duro, insano, dar aos filhos, à família, alimento todo o ano. Foram naufrágios, doenças, algumas dores de morrer, foram as mágoas, imensas, num triste sobreviver. Pescador e rendinheira são gente para não esquecer: fizeram Peniche inteira com seu trabalho e saber. Esta história é tua, é minha, penicheiro e penicheira. As rendas e a sardinha, eram a nossa bandeira. O futuro está na criança, nos jovens, já se adivinha. Trabalho de mãos é esperança num mundo que se avizinha.


FILHA DO MAR

Corre nas minhas veias sal do mar. Dos meus olhos as lágrimas são salgadas. Rodeada de mar eu me transformo em rio e num rio de amor ao mar eu vou voltar. O mar que me embalou e que me espera e com amor recebe sempre o rio que eu sou não feito de água doce mas salgada na minha alma guardada pois do mar a trouxe. A minha pele de seda o mar abraça e beija com beijos ensopados de emoção sempre com rendas um amor de espuma com vozes de ternura e de paixão. Sou mar da minha terra que me viu nascer um dia. Feita de areia e de mar sou um pedaço de rocha desta terra já remota e que um dia o vento norte com salpicos de maresia fez soltar da penedia nas asas de uma gaivota.


OS DOCES DE MINHA MÂE

Os doces de minha mãe de maná tinham sabor, eram feitos com doçura, eram feitos com amor. Nos gestos, elegância e devoção, doçura no sabor. O açúcar, a farinha, os ovos e o limão, tinham as cores do sol, do trigal, da terra, o vegetal e tinham coração. E a massa? Grávida, a levedar como um sol crescente, redonda no alguidar, prenhe de aromas naturais, para ser por Deus abençoada levava na sua curva a cruz gravada. Que saudades da doçura que minha mãe punha em tudo, com ternura, mesmo sem açúcar.


PASTÉIS DE PENICHE Receita Conventual Ingredientes: ......................................................................................... Para a espécie: (creme) 125 gr. de miolo de amêndoa ralada; 250 gramas de açúcar branco; 10 gemas de ovos; raspa de limão q.b.; canela q.b.; água 3 a 4 dcl. ............................................................................................ Para a massa envolvente: 300 gramas de farinha de trigo; 40 gramas de banha; 30 gramas de manteiga; meia colher de chá de sal refinado, água q.b. Confecção do creme ....................................................................................... Prepara-se num tacho 3 a 4 dcl. de água com 250 gr. de açúcar que se deixam ferver até obter um ´ponto´ fino. (basta que pegue aos dedos ligeiramente). No mesmo recipiente deita-se a amêndoa depois de ralada e deixa-se ferver 10 minutos, mexendo sempre. Retira-se do lume e deixase esfriar um pouco. ....................................................................................... Batem-se muito bem 10 gemas de ovos e deitam-se algumas colheres do conteúdo do tacho no recipiente das gemas mexendo bem (para não tramar). Em seguida junta-se tudo no mesmo tacho, volta ao lume, mexendo sempre, até engrossar. Retira-se o tacho do calor, junta-se raspa de limão q.b., mexe-se bem para espalhar o sabor e passa-se para uma travessa polvilhando com bastante canela e deixa-se esfriar. ...................... Confecção da massa envolvente: ................................................................. Sobre a tábua de cozinha faz-se um monte com a farinha e no meio abre-se uma cova para aí juntar a liga da banha e manteiga derretidas e já frias. Amassa-se com as mãos acrescentando água morna. Depois de muito bem amassados, todos os elementos, forma-se uma bola. ................................... Confecção do pastel ..................................................................................... Aos pedaços, a massa é retirada da bola e estendida com o rolo sobre a tábua, (polvilhada com um pouco de farinha). Depois da massa bem rolada, fina, coloca-se uma colher da chá do creme de ovos (espécie) no centro da massa rolada e dobra-se a massa sobre o creme sem deixar ar dentro e recorta-se com a recartilha, em forma de rissol. .......................................... Vão a fritar em pouco óleo e, com a ajuda de uma escumadeira vão-se voltando os pasteis e calcando com a escumadeira para não empolarem. Deixam-se arrefecer sobre papel absorvente ou um pano e envolvem-se em açúcar branco e decoram-se com canela, 3 a 4 pintas, formando meiasluas, do seguinte modo: aperta-se a canela entre o polegar e o indicador e vai-se deixando cair sobre o pastel, aliviando a pressão dos dedos. ............


PastĂŠis de Peniche e Renda de Bilros de M. Graciete Guilherme


ESSES DE PENICHE Receita Conventual Original

Ingredientes: 250 gr. de amêndoa pelada, não muito moída; 250 gr. de açúcar pilé; quatro claras de ovos; 50 gr. de manteiga; 65 gr. de farinha; canela q. b.; raspa de limão q.b

Confecção: Numa vasilha (tacho) vão ao lume os seguintes ingredientes: açúcar, claras e amêndoa moída. Vai-se mexendo sempre durante a cozedura, ligando bem os três elementos até se ver o fundo do tacho na passagem da colher. Tira-se do lume e junta-se a manteiga, a farinha, uma pitada de canela e raspa de limão. Volta ao lume até cozer a farinha, mexendo sempre para ligar bem todos os ingredientes. Retira-se a vasilha do lume, deixa-se arrefecer e com a ajuda de uma colher de chá deitam-se pequenas doses sobre a tábua de cozinha, previamente polvilhada de açúcar pilé. .............. Rolam-se com a mão os pequenos bocados de massa que se vai alongando com os dedos e rolando sobre a tábua dando-lhe a forma de esse: S .................................................................... Vão a cozer em tabuleiro untado com um pouco de azeite, e polvilhado de farinha, em forno previamente aquecido (150º). Cozedura aprox. 25 minutos. ................................................... Na década de 30 do Séc. XX Maria Isabel Roque era detentora das receitas dos esses de Peniche, dos pasteis de Peniche e do pão de ló de Peniche desde o Séc. XIX. ................................... Receitas cedidas a minha mãe, na década de 30 do Séc. XX.


Esses de Peniche com Renda de Bilros em fio dourado Esses de: M. Graciete Guilherme | Renda de: Ida Guilherme


Autor desconhecido


CALDEIRADA À PESCADOR

Para fazer a boa caldeirada peixe fresco bastava: o peixe, a salsa, tempero e a batata e pouco mais que nada. Nos barcos dos antigos pescadores era assim que se fazia a caldeirada: o azeite, os temperos e a cebola, todo o peixe do mar e pouco mais que nada. Safio, sargo, robalo, tamboril, moreia, pargo, cancarro e bodeão, abrótea, sardinha e até lagosta, que a saltar, rosada, cheia de frescor entrava logo no tacho com todo o seu sabor. Era esta mistura bem temperada, cozinhada em lume brando, com toda a frescura e com algum amor. E com alegria quase louca, à volta da bandeja, os pescadores, já estavam de colher na mão e alguns deles com água na boca. Depois de uma noite de trabalho, em que a rede quase pescava nada, era do mesmo alguidar que os pescadores, comiam a sua caldeirada. E na rodada alegre, acompanhada da pinguinha, a conversa era sempre o mar, ou a sardinha e a melhor caldeirada, de pouco mais que nada. ´Função´ de homens cheios de bonomia tinham como cenário de fundo, a Berlenga, que nas águas límpidas via crescer o peixe e, depois, via comê-lo com tanta alegria na melhor caldeirada de pouco mais que nada, que acabava com fado... ou lenga-lenga. Ai leva ó leva ai ripileva Ó ripileva ai leva leva Ai leva ai leva ai leva ó ripileva Ó ripileva ó leva ai leva ó vai!.


CALDEIRADA BERLENGUEIRA

Peixes variados frescos: pargo, robalo, tamboril, cação, safio, alfaquique, lulas pequenas, patarroxa, sardinhas, navalheiras, amêijoas ou berbigão, camarões, badejo, cherne moreia, corvina, abrótea... ................................ Podem aproveitar-se as ovas e os fígados dos vários peixes. .................... Ingredientes: 4 cebolas grandes; 4 tomates maduros grandes; um ramo de salsa; 2 pimentos, 1 verde e um vermelho às tirinhas; uma folha de louro; 2 ou 3 dentes de alho; 1 dcl. de azeite; colorau q.b; uma vagem de piripiri; sal, q.b; um golpe de vinagre; brandy e um dcl de água. ............................ Preparação: Primeiro colocam-se no fundo do tacho algumas amêijoas ou berbigões para evitar que os ingredientes peguem durante a cozedura. ...... Corta-se às rodelas bastante cebola e cobre-se o fundo do recipiente, acrescentando todos os temperos, bem espalhados e vai ao lume com 1.dcl. de água até ferver, sem deixar refogar. ......................................................... Retira-se para uma tigela parte da cebolada e colocam-se no tacho as batatas às rodelas, não muito grossas; sobre elas alguma cebolada. Deita-se água até cobri-las e quando levantarem fervura cobre-se com água (a necessária para cobrir também o peixe) que se coloca no tacho, em postas, depois de amanhado, escamado e lavado do sal. ............................................................ Sobre o peixe, depois de passado por água, coloca-se ainda o resto da cebolada e tempera-se de sal, se necessário. Coze em lume brando em aproximadamente 25 minutos. ....................................................................... Cozido o peixe, prova-se de sal, deita-se um golpe de vinagre, ou mais picante, a gosto. Dá bom paladar um pouco de brandy. ................................ As navalheiras, colocam-se ao mesmo tempo que o peixe. .......................... Não convém mexer o tacho com colher; deve agitar-se para não pegar e para misturar melhor os sabores, sem danificar as postas do peixe e as batatas. Serve-se colocando no meio do tacho ou travessa um bom ramo de salsa. .....

Modo de preparar o peixe Todos os peixes se amanham da mesma forma, salvo algumas excepções. Para facilitar esta operação deixa-se o peixe em água fresca durante meia hora. Começa por se escamar o peixe pegando sempre do lado do rabo e escamando do rabo para a cabeça. Seguidamente abre-se pela barriga e retira-se-lhe o bucho, as tripas e as guelras. Com uma tesoura aparam-se todas as barbatanas. Lava-se o peixe em água fresca, corta-se em postas e tempera-se com sal. ....


LAGOSTA SUADA Berlenga

Uma Lagosta viva: 1,5 Kg ......................................................................... Temperos: 4 cebolas; pimenta q.b.; colorau q. b.; 3 dentes de alho; 1 folha de louro; salsa picada q. b.; sal a gosto; 1 dcl. de azeite; um cálice de aguardente ou de conhaque; um golpe de vinagre e um dcl. de água. Preparação. ................................................................................................... Retiram-se as pernas e as pinças da lagosta e colocam-se no fundo do tacho. Sobre a tábua de cozinha corta-se a lagosta viva, aos bocados, para dentro do tacho com a ajuda de um pano para não magoar as mãos. Aproveita-se todo o molho que a lagosta deita e onde já se encontram as pernas e os seguintes temperos: bastante cebola bem picada, pimenta, colorau, alhos picados, uma folha de louro, salsa picada, sal, e um dcl. de azeite. Sobre estes temperos colocam-se as partes da cabeça, cortada em quatro, e, em seguida, os bocados da cauda, cortados pelas articulações. ........................ Deita-se outra camada de temperos, um golpe de vinagre e um pouco de água (um dcl.). ............................................................................................... Vai a cozer em lume brando em tacho tapado e à maneira que se vai processando a cozedura vai-se desandando o tacho semi-circularmente para não pegar e cozer por igual. ........................................................................... Quando a lagosta estiver cozida (meia hora aprox.) e ainda ao lume, deitase-lhe um cálice de aguardente ou de conhaque. Quem gostar, pode acrescentar um pouco de manteiga. Deixa-se ferver um pouco. ................. Prova-se para avaliar de sal e dos temperos e retira-se do lume. ................ Para enfeitar a travessa salpica-se com um pouco de salsa picada ou outra erva aromática, a gosto. ............................................................................... Serve-se com arroz branco e pequenos palitos de pão frito, ou pequenas tostas. ............................................................................................................. Preparação da lagosta .................................................................................. Lava-se a lagosta, viva, em água fresca e estende-se sobre a tábua de cozinha. Esticada a cauda da lagosta, com a ajuda de um pano colocado sobre a mesma (para não magoar as mãos) dá-se um golpe de cada lado do leque da cauda (sem a separar). Torce-se com cuidado até sentir que a tripa está solta e em seguida puxa-se. Sai a tripa inteira. ...................................................................


Grupo de alunas da Escola Industrial Josefa de Ă“bidos de Peniche em fĂŠrias nas Berlengas, 1947


MÃE

Só minha Mãe me queria sem rodeios só ela me compreendia sem reservas só a ela me aconchegava sem receios. Há uma eternidade que te não vejo Mãe mas sinto-te em mim todos os dias como tu me sentias no teu ser sem tempo sem idade como uma Estrela que irradiava amor no seu viver. Já secaram as lágrimas nos meus olhos mas diz-me o tempo o meu grande inimigo que também foi teu que vou nascer em ti de novo mas aí no Céu. Esta esperança afasta os meus receios e fico à espera com calma e sem temor porque de ti herdei o sangue que me transmite inspiração para rendilhar força para viver e amar e por ti e meu pai sentir um grande e eterno Amor.


´Moira´ branca Desenho de: Ida Guilherme Renda de: M. Graciete Guilherme


DADOS BIOGRÁFICOS

Ida Guilherme nasceu em Peniche, na Freguesia de S. Pedro. .............................. Frequentou a Escola Primária N.º 1, a Escola Industrial Joséfa de Óbidos de Peniche e a Escola de Artes Decorativas António Arroio, em Lisboa. ................ Exerceu a profissão de Professora de Lavores Femininos dos Liceus, de Mestra de Formação Feminina do Ensino Técnico Profissional e de Professora de Trabalhos Oficinais do Curso Unificado do Ensino Secundário. ......................... Dedicada, desde criança, à Renda de Bilros de Peniche, acompanhou a sua evolução e lutou pela manutenção do ensino da Renda na Escola Secundária de Peniche. ................................................................................................................ Foi coordenadora do Núcleo de Renda de Bilros do Museu de Peniche e interessou-se pela criação da oficina anexa ao Museu, hoje Escola de Rendas da Câmara Municipal de Peniche. ............................................................................. Foi uma das fundadoras da Associação Peniche-Rendibilros da qual foi Presidente e acompanhou os Cursos de Formação de Rendilheira. ..................... É membro da Comissão de Peritos do Selo de Garantia e Autenticidade da Renda de Bilros de Peniche. ................................................................................. Divide o seu tempo pela criação de desenho de rendas, execução de renda de bilros moderna, poesia e pintura. ......................................................................... Foi premiada em várias edições dos Jogos Florais da Renda de Bilros de Peniche com vários 1º 2º Prémios e Menções honrosas. ...................................... Participou em várias exposições de Pintura e de Rendas de Bilros e em seminários sobre a Renda de Peniche, tanto em Portugal como no estrangeiro. Em 2002, a Câmara Municipal de Peniche atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Municipal da Cultura. ........................................................................................... Em 2005, a 102 FM Rádio atribuiu-lhe o Prémio Cultura e Prestígio. ................ Em 2007, a Junta de Freguesia de S. Pedro considerou-a uma das Mulheres que fizeram a diferença. .............................................................................................. Em 2009, recebe uma Menção Honrosa do IEFP pelo seu trabalho em Renda de Peniche Moderna, ´A Árvore da Vida.` ................................................................. Em 2010, por feliz iniciativa da Câmara Municipal de Peniche, dá a sua colaboração no evento `As Rendas de Bilros vão à Escola. ................................. Como aluna de U.S.P., foi premiada com Menção Honrosa na modalidade de Quadra nos Jogos Florais da U.S.O.A, no ano 2011. ............................................. Em 2012 é premiada nos Jogos Florais da U.A.T.I., com a primeira Menção Honrosa na modalidade ´Quadra´ .......................................................................... Continua a dar apoio às rendilheiras que a ela recorrem tanto na feitura dos desenhos como no acompanhamento da execução das Rendas de Bilros. ...........


OBRAS DA AUTORA RENDAS E RENDILHEIRAS - Edição do Pelouro da Cultura da C.M.P. 1985. PIQUES E RENDAS DE PENICHE - Memórias de uma vida, 2004. O MAR O AMOR E O TEMPO - Poesia, 2005. POESIA RENDILHADA - Rendas de Bilros de Peniche e Poesia, 2008. AMAR PENICHE - Rendas de Bilros, Pintura e poesia, 2010. SABERES E SABORES DA TERRA E DO MAR - Renda de Bilros, Poesia, Pintura, Culinária e Doçaria de Peniche, 2012. FICHA TÉCNICA Título: Saberes e sabores da terra e do mar Autora: Ida Guilherme Capa: Composição: Profª Helena Gil Renda: M. Graciete Guilherme Desenho: Ida Guilherme Foto de: José Carlos Garcia Foto de: Luís Catarino (pg. 7 ) Fotos de: António Rodrigues (pg. 20 e 22 ) Poesia e Pintura: Ida Guilherme Composição Gráfica: Ana Salomé Sousinha Ida Guilherme Revisão: Drª Teresa Perdigão Profª Helena Gil Dr. Mariano Calado Edição: Autora 1.ª Edição: 2012 Impressão e acabamento: Gráfipolar, Lda - Peniche Depósito legal n.º


Livro  

Livro - Saberes e Sabores