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Ditos à mão | Escritos à língua de zonda bez antaserra

“Eu sou outro você” I Escrevo das alturas para manter a cabeça em terra firme. II Como se estivesse de cara lavada pronta para makeup. O que se diz não é a Verdade do que se pensa. Seleciono realidades distintas apelando ao bom senso de um dos meus indivíduos. Mas a água....sobrou por ser tanta e gostar imenso. O fluxo é constante disso já sabia. das poucas certezas que carrego numa bolsa leve de mão só. Assovia. cotovia.


numa via de mão dupla traçada à lápis de cor. Memória tem seu peso, seu preço. Tudo que disse acima parece distante demais visto daqui de baixo. III Escrevendo em linhas tortas suavizo a estranheza do agora. Dizer o que for é quase nada. a clareza do que digo é um enigma por si só. IV O céu está como só ele sabe ser: inteiro e úmido. A maciez de cada novo dia confirma o que achava ser possível. V De olhar tanto nos olhos já quase nada posso ver. VI Aqui sentado involuntariamente diante de mim mesmo uma imagem filtrada luz, sombra, vermelho e reflexos. VII As palavras daqui partem. têm razões tantas.


VIII O verde é a base onde assento meus ossos moídos pelo ar. IX As cigarras ensaiam uma peça do teatro natural. X Riso do meu dos outros alheios ao tráfego incessante. XI Contemplo a inexatidão. Será sempre assim ou ainda haverá sobre a terra uma certeza que seja? XII Azul no branco do papel. já não é o que era. nem a tinta nem o papel. XIII Verbo: a poesia da morte do sonho. agora vivo emitido sonoro: emudece. O amor de que dependo põe-se a marchar para fora do recinto. XIV O filme sou eu mesmo A constância das cenas não me deixa descansar. importa pouco quando a sala está cheia de si mesma.


XV O canto nunca acaba se o vendaval que assoma das palavras inteiras de Mr.Whitman logo se confunde com a paisagem do povo. Sabendo do pouco que sei arquejo estratégias para mandíbulas sonoras.

XVI O verde rebusca expectativas por horas inteiras esquecidas. É porque o ar aqui é tão transparente que até deixo de sentí-lo. Flashes de azul espocam por entre dentes abertos ao sol. XVII Cai! ah, chuva de tantas eras! Cai! testemunha da vida e morte dos homens! Cai! O teu caminhar é reza para pés de vidro e olhos de embaço perpetrante. XVIII Deixar-me-ei estar envolto em teus braços úmidos vindos até mim porque o céu pesa sobre nossas cabeças.


Apalpo tua teoria. na raiz dos teus cabelos reina um estado de melancolia. XIX O que dizer quando nada parece uma palavra dita. XX O que poderia ser insondável se a suavidade da pele e dos pêlos não cria barreira alguma. Cospe a cólera a ti rondar. retoma o tempo das coisas até onde se saiba. XXI Caio e recaio no esquecimento comum aos homens de minha idade. Caminho por entre ossos do ofício e outros mais frágeis como gardênias dadas a ti. Mas já agora é apenas uma gota desequilibrada em si mesma. XXII Seres complacentes cravejados de compaixão alinham pedras de brilho intenso safiras, rubis, diamantes recortados de satisfação. XXIII O céu, poço infinito.


XXIV Embora casto é cheio de possibilidades. Escrever é o que sintetiza a sombra posta em castiçais furtivos. XXV Amor vindo indo sendo porque eu crio assumo infinitude sentimento. XXVI Desejo caminha por estrada de ferro. a poeira sobe. Deitar as palavras no papel e uma a uma cobri-las impetuosamente com uma fina camada de azul-caneta. Não! Há um rosto novo na multidão olhos que percebem metade da razão apenas. XXVII Hoje, podes escolher. O mercado está aberto As portas já não são tão duras. Ta tudo aqui junto papel, traça, livro, sabão, borrifador tábua de passar e passado que encontra presente na porta de casa. XXVIII As palavras conhecidas resumem-se ao meu vocabulário quase vulgar. nem tantas nem tão poucas


assim vou escrevendo vivendo no gerúndio. Durmo o sono de homens quase justos vestidos de branco em sextas-feiras de santos pacíficos. XXIX Reciclo um estado imaginado depois de consumida a existência. Vem cobrir-me as cavidades salientes superfícies expostas a quase tudo. XXX A alquimia dos elementos do meu lado ocidental acontece em um trem veloz de respiração compassada. Éramos só eu e Walt naquele resquício selvático de terra úmida. XXXI Recinto a imagem mal dormida na noite passada a pena da arara que do seu rabo arrancaram. Deixaste cair a máscara?! Rasque-a Pouco irá servir-te agora. XXXII Assomo vestido de branco porta à dentro de mim mesmo para fora da margem já a caminho do centro.


XXXIII Sonhos não sonhados ficam melhor trajados. A hora do homem brilhar como a luz que de si mesmo salta. Foi o céu que recortei outro dia. esparramo os pedaços sobre todos sem cabeças. Mantenho o tempo a correr nos relógios. apenas um deles não funciona agora. És démodé para tempos hardcore. Põe aquele amarelo ali pr'eu te ver melhor.

Brasil, 2008 zondabez@gmail.com


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