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Persono | White-paper

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Sono A nova fronteira para o desenvolvimento humano.

Versão 2.


SUMÁRIO INTRODUÇÃO

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O DESAFIO

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Hormonais

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Neurológicos

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Dermatológicos

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Cardiovasculares

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Sistema imunológico

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Socioeconômicos

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Profissional e interpessoal

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A SOLUÇÃO

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OPORTUNIDADE DE MERCADO

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Alimentação em primeiro lugar

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Saúde e estética andando juntas A hora e a vez do sono

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PERSONO Conteúdo

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Marketplace

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Dados

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POR QUE AGORA?

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SONO | A nova fronteira para o desenvolvimento humano

A TECNOLOGIA E O ECOSSISTEMA

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A era do monitoramento

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O desafio da fricção

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Descentralização de dados

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Tecnologia simples, segura e acessível

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Acurácia da actimetria

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Segurança e privacidade

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Código aberto

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Interoperabilidade

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Sono e performance

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Mudança de comportamento

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O QUE É O SONO? Fases do sono

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Ciclos do sono

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Cronotipos O ciclo circadiano

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COMO DORMIR BEM?

43

EVOLUÇÃO

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FONTES E REFERÊNCIAS

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INTRODUÇÃO Escrevemos este white paper por acreditar que a sociedade se encontra diante de um enorme desafio e, em consequência disso, de uma oportunidade de dimensão equivalente.

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SONO | A nova fronteira para o desenvolvimento humano


Como detalharemos no decorrer das próximas páginas, hoje somos confrontados por uma terrível e menosprezada pandemia que aflige a absoluta maioria da população mundial: a má qualidade de sono. Ao mesmo tempo, nunca na história houve tantas possibilidades para reinventarmos todos os aspectos da nossa vida para melhor. Sabemos que a falta do sono causa prejuízos pessoais, sociais e econômicos, enquanto sua rotina disciplinada só traz benefícios: ativa a memória; estimula a criatividade; acelera a velocidade de raciocínio; melhora o sistema imunológico; aumenta a disposição para atividades físicas e a propensão para se alimentar melhor e muito mais. Hoje, a maioria da população afligida por distúrbios do sono convive com problemas física e cognitivamente limitantes, além

de cansaço que leva à queda da produtividade, enquanto uma privilegiada minoria goza da plenitude de suas capacidades e viverá com qualidade por muitos anos. É alarmante constatar que muitos desses casos são gerados por problemas comportamentais, que poderiam ser simplesmente remediados com conscientização e mudanças de hábitos. Durante muitas décadas, convivemos com a crença equivocada de que, para haver uma melhoria da condição socioeconômica, deveria se trabalhar à exaustão. Hoje, a ciência comprova de modo inequívoco que, ao preterir o sono, a pessoa não só terá prejuízos socioeconômicos, mas também terá sua saúde severamente comprometida.

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PROPÓSITO A convergência de tecnologias de Internet das Coisas (Internet of Things, ou IoT), a alavancagem de cadeias de distribuição existentes e importantes mudanças de paradigmas no setor da saúde possibilitarão a criação de um novo ecossistema de soluções para o sono, que representará uma enorme oportunidade para que vários setores criem ou adaptem produtos e serviços focados nesta visão. Para fomentar a criação desse ecossistema, estamos desenvolvendo iniciativas com o objetivo de conscientizar a população sobre a fundamental importância do dormir e de entender melhor sua rotina de sono a fim de discipliná-la, para, então, democratizar o acesso a produtos e serviços. A verdade é que, no dia a dia, todos nós utilizamos apenas uma pequena fração de nossa potencialidade física e mental. No entanto, por meio de uma rotina de sono regrada, é possível atingirmos uma parte maior desse potencial. Antagônicos na percepção e complementares de fato, segundo a mitologia chinesa, o yin e o yang formam um par de forças ou princípios fundamentais do Universo. O mesmo se deve pensar sobre os períodos em que estamos dormindo e acordados. Os estados de vigília e de sono formam um só conjunto harmônico e equilibrado de garantia de saúde, bem-estar e da plena capacidade humana. A ciência comprova, a cada dia, a dualidade inclusiva desses dois períodos e, principalmente, de como devemos dar importância crescente ao sono para termos uma vida plena e produtiva.

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O conjunto dessas iniciativas, denominamos “Persono”, que terá como princípios:

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ACESSIBILIDADE

Oferecer produtos e serviços para a maioria que, até então, eram privilégio de uma minoria.

TRANSPARÊNCIA

Criar soluções que minimizem qualquer fricção para sua adoção e uso.

CONFIANÇA

Ter sempre embasamento científico em todas as nossas informações e iniciativas.


“Durma bem, viva melhor” O propósito de Persono é ajudar as pessoas a alcançarem todo o seu potencial por meio de uma vida equilibrada, na qual uma noite bem dormida seja o início de uma vida plena. Nossa visão é a de uma sociedade com menores níveis de estresse, mais descansada, alerta e atenta, vivendo no momento presente a experiência completa que a vida tem a oferecer. Consequentemente, temos uma oportunidade histórica para contribuir para a evolução da nossa espécie. Gostaríamos que toda a sociedade se juntasse a esta causa, que será norteada por um transcendental propósito de melhorar a qualidade de vida das pessoas, aumentar a produtividade das organizações e ampliar a prosperidade da sociedade.

“Não durmo para descansar... simplesmente durmo para sonhar.” Walt Disney

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O DESAFIO Tanto a Organização Mundial da Saúde quanto a National Sleep Foundation, dos EUA, recomendam uma média de 8 horas de sono por noite para indivíduos adultos.

Pode parecer exagerado quando Matthew Walker — professor de neurociência e psicologia da Universidade da Califórnia em Berkeley e autor do best-seller Por que nós dormimos — diz que “O sono é o melhor esforço da Mãe Natureza para combater a morte”. Mas já está mais do que provado que a privação de sono ou a falta de qualidade no repouso diário traz enormes prejuízos ao organismo.

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É fundamental entender que uma noite mal dormida NUNCA será recompensada com horas adicionais aos finais de semana. Não funciona como uma conta bancária. Dentre os principais distúrbios que a privação de sono gera, destacam-se:


HORMONAIS A primeira consequência da privação de sono é o estresse de todo o relógio biológico. O cérebro humano, assim como a engrenagem de um relógio complexo, precisa diferenciar o ciclo dia/noite e acionar comandos para liberar diversos hormônios. Com a falta de sono, aumentamos o risco de diabetes, hipertensão (das consequências mais simples até um AVC), obesidade (gerada pelo desequilíbrio grelina/leptina, que nos leva a consumir alimentos mais gordurosos), além de alteração dos níveis de colesterol (1,2).

Mas os distúrbios hormonais vão além: homens que dormem de 4 a 5 horas/noite têm diminuição de testosterona comparáveis a homens 10 anos mais velhos (1). Outro aspecto importante é a diminuição ou a ausência de libido devido à reserva de energia que o cérebro faz para priorizar atividades mais importantes. Ao ser menos estimulada, a hipófise afeta a produção de testosterona, hormônio fundamental tanto para a libido masculina quanto para a feminina (1,2).

NEUROLÓGICOS Ao dormirmos pouco, a privação de sono leva também à diminuição da memória, reduz a velocidade de raciocínio e produz lentidão dos pensamentos. Também ocorre aumento de irritabilidade, com perda da paciência nos eventos mais simples de nosso cotidiano (2,3,4,5). Só com uma boa noite de sono e percentual adequado de sono REM, temos a melhoria da fixação da memória e sedimentação do aprendizado (2,3,4,5). Se isso não ocorre, a capacidade de apreensão e compreensão é severamente prejudicada. Em função disso e após estudos comprobatórios da Academia Americana de Pediatria e da Associação Médica da Califórnia, foi determinado o início das aulas às 8h para o ensino fundamental

e às 08h30 para o ensino médio. Essa acertada prática está agora sendo replicada em Israel e na Inglaterra. Experimentos com grupos privados de sono comparados a grupos com sono normal demonstraram 40% de redução na capacidade do cérebro de criar memórias novas. Nestes grupos, o hipocampo (área cerebral responsável pelo fluxo de entrada de informações) demonstrou graus próximos da inatividade (6). A ciência vem evoluindo também na descoberta de uma relação cada vez mais próxima entre envelhecimento, demência e Alzheimer, diretamente ligados à má qualidade e quantidade de sono (2,3,5-7,9).

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DERMATOLÓGICOS

SISTEMA IMUNOLÓGICO

A privação de sono leva ao envelhecimento precoce e, em nosso cotidiano, a uma aparência “cansada”, devido à ausência ou à diminuição de hormônios como a melatonina (produzida durante a noite), que acalma e descansa a pele, inibe a queda de cabelo e melhora a saúde das unhas (10).

Como se não bastassem todos os distúrbios anteriormente abordados, o próprio sistema imunológico também sofre com a privação de sono. As células NK/T, denominadas NATURAL KILLERS, atuam na defesa do organismo, destruindo as células “desprogramadas”. A simples redução para 4 horas em apenas uma noite de sono gera uma queda de 70% nas atividades de defesa do organismo, propiciando aumento das taxas de câncer de próstata, intestino e mama (7, 8) . Esse tema tem se tornado tão relevante que a própria OMS define atividades laborais noturnas como eventuais agentes carcinogênicos. Para completar esse quadro, dores em todo o corpo também podem ser sentidas devido à diminuição de serotonina e endorfina, dificultando a realização de atividades esportivas (10).

CARDIOVASCULARES A privação de sono crônica está ligada a inúmeras cardiopatologias, incluindo hipertensão, colesterol alto, ataque cardíaco e arterosclerose. A elevação da pressão sanguínea, mesmo em pessoas normais, leva a vários distúrbios cardiovasculares, com consequências imediatas e futuras. De acordo com a OMS, tendo como exemplo o Horário de Verão (DST — Daylight Saving Time), adotado globalmente por 1,6 bilhão de pessoas em 70 países, duas vezes ao ano, somente o atraso em uma hora de sono amplia os ataques cardíacos em 24%. Durante o outono, com uma hora de sono a mais, por outro lado, ocorre uma diminuição sensível de acidentes automobilísticos e até mesmo de taxas de suicídio (3).

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É importante ressaltar que, neste documento, iremos nos ater a alguns espectros do problema, conforme a representação abaixo.

MAPA DO CONHECIMENTO: MULTIDIMENSIONAL, DINÂMICO E INTERCONECTADO

Benefícios

Conscientização

Impactos

Diagnóstico

Tratamento

“O sono é o melhor esforço da Mãe Natureza para combater a morte.” Matthew Walker - Professor, pesquisador e autor do livro “Por que Nós Dormimos”

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SOCIOECONÔMICOS Além de consequências físicas e psicológicas, a privação de sono traz fatores adicionais prejudiciais à sociedade como um todo. Nos últimos anos, o índice de fatalidades em decorrência de sonolência ao volante já supera o de direção embriagada e sob influência de drogas juntos (11). São centenas de milhares de mortes em acidentes de trânsito por ano atribuídas à privação de sono.

Além da tragédia social, a privação de sono também gera prejuízos do ponto de vista econômico. De acordo com estudo do centro de pesquisa norte-americano Rand Corporation, que avaliou os impactos econômicos do cansaço por privação de sono em cinco países, os índices de perda no Japão, por exemplo, chegam próximos a 3% de seu PIB (12).

IMPACTOS ECONÔMICOS DO CANSAÇO POR PRIVAÇÃO DO SONO

Fonte: Why sleep matters — the economic costs of insufficient sleep: A cross-country comparative analysis Rand Corporation | 2016.

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Ainda segundo o relatório da Rand, estudos clínicos em todo o mundo mostram que cada vez mais a privação de sono tem sido relacionada com a tomada ruim de decisões e com o prejuízo no desenvolvimento de habilidades na adolescência, o que provavelmente irá se refletir no mercado de trabalho. E no Brasil a situação não é muito melhor: recente levantamento publicado na revista Science Advances mostra que somos uma das sociedades que menos dorme no planeta (13). No início do século passado, apenas 2% da população mundial dormia menos de 6 horas; hoje esse número saltou para mais de 30%. As populações de Singapura, Japão e Brasil têm, em média, as noites de sono mais curtas do mundo (7 horas e 24 minutos, 7 horas e 30 minutos e 7 horas e 36 minutos, respectivamente). E três em cada dez pessoas têm algum distúrbio do sono. COMO O MUNDO DORME

Fonte: A global quantification of “normal” sleep schedules using smartphone data | Science Advances 06 May 2016: Vol. 2, no. 5, e1501705.

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PROFISSIONAL E INTERPESSOAL A ciência vem comprovando que a falta de sono pode afetar o bem-estar emocional de uma pessoa. Segundo estudos europeus, não dormir o suficiente sufoca as emoções positivas (14). As pessoas não apenas se tornam mais impulsivas e propensas a erros no dia seguinte, como também experimentam uma diminuição em sentimentos normalmente agradáveis. Também segundo pesquisa norte-americana, dormir pouco intensifica o sentimento de raiva (15) . Os resultados do trabalho indicam fortes evidências de que a restrição do sono aumenta a raiva e a frustração ao longo do tempo. E as pesquisas sobre os efeitos da privação do sono no relacionamento interpessoal vão bem além, indicando inclusive que pessoas privadas de sono são mais propensas a trapacear. É o que nos mostra matéria publicada na Harvard

Business Review (16), citando quatro estudos em contextos laboratoriais e de campo em que a falta de sono levou a altos níveis de comportamento antiético, a partir da diminuição do chamado autocontrole. Tendo em vista todas essas gravíssimas consequências da privação de sono, é estarrecedor constatar que os cursos de formação médica deem tão pouca ou nenhuma atenção ao estudo do sono, que corresponde a praticamente ⅓ do tempo de vida de todos nós. Hoje, a Medicina do Sono é área de atuação de seis especialidades médicas: Neurologia, Otorrinolaringologia, Pneumologia, Clínica Médica, Pediatria e Psiquiatria, mas qualquer médico, independentemente da especialidade, deve buscar saber como vai o sono do paciente, para poder correlacioná-lo com seu problema clínico.

“A privação de sono gera uma tendência de repetir decisões passadas. O sono chega e a inovação vai embora.” Jeff Bezos - Fundador da Amazon

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A SOLUÇÃO Para todos os males descritos nos tópicos anteriores, existe uma solução capaz de resolvê-los: dormir bem. Um sono reparador é condição indispensável para uma vida plena, produtiva e restauradora. Dormir bem revitaliza, revigora, rejuvenesce, ativa o sistema imunológico em sua plenitude, melhora a memória, otimiza a libido e traz EQUILÍBRIO pleno ao ser humano. Por isso tudo, sono não pode ser artigo de luxo opcional ao estilo de vida; é uma necessidade biológica “não negociável”, que se traduz pelo esforço diário da Mãe Natureza na revitalização cotidiana do organismo.

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OPORTUNIDADE DE MERCADO O sonho de todo investidor é ganhar dinheiro enquanto dorme. Mas, melhor do que isso, é ganhar enquanto os outros dormem.

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O trilionário mercado global de soluções para o bem-estar reúne produtos e serviços voltados à alimentação, ao condicionamento físico e também ao sono. Iremos aqui analisar os segmentos de alimentação e atividade física, a fim de compreender seu desenvolvimento, fazendo um

paralelo para obter aprendizados e identificar as oportunidades e os desafios que se apresentam especificamente ao que chamamos de “mercado da busca de qualidade de sono”.

ALIMENTAÇÃO EM PRIMEIRO LUGAR O segmento de nutrição/alimentação é responsável pela maior parte desse mercado e hoje é formado por um intrincado ecossistema de milhões de produtores, fornecedores, processadores e distribuidores. Apesar de reunir tantos players, um número reduzido de empresas multinacionais controla parte expressiva do mercado mundial de alimentos. Segundo a ABIA - Associação Brasileira da Indústria de Alimentos, o setor de alimentos e bebidas é o maior do Brasil: processa 58% de tudo o que é produzido no campo, reúne mais de 37 mil empresas, gera 1,6 milhão de empregos diretos e representa 9,6% do PIB do País. Entretanto, seus associados são tão somente 105 empresas produtoras de alimentos, bebidas, tecnologias e ingredientes que, juntas, representam cerca de 80% do setor, em valor de produção. Do ponto de vista de oferta de produtos, o setor de nutrição/alimentação vem, desde os anos 1950, diversificando enormemente as opções oferecidas ao consumidor, baseando-se no tripé saudabilidade/comodidade/sensorialidade. Atualmente, o segmento de produtos alimentí-

cios pode ser dividido nas seguintes categorias: Alimento Infantil; Suplementos; Bebidas; Biscoitos, Bolos e Bolachas; Carnes; Congelados; Conservas; Doces, Balas, Chocolates e Confeitos; Farinhas, Cereais e Complementos; Fast-Food, Aperitivos e Petiscos; Frios e Embutidos; Frutas; Legumes, Verduras e Grãos; Manteiga, Óleos e Cia; Massas; Molhos, Caldos e Condimentos; Ovos, Leite, Queijo e Cia; Pães; Sopas e Cremes. E além de todas essas categorias, o setor ainda se subsegmenta em grande variedade de especialidades como alimentos funcionais, probióticos, prebióticos, simbióticos, produtos diet/light, fortificados, orgânicos, energéticos, isentos ou com teores reduzidos, minimamente processados, com propriedades cosméticas ou para dietas específicas.

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SAÚDE E ESTÉTICA ANDANDO JUNTAS O segundo maior segmento do mercado de soluções para o bem-estar é o de condicionamento físico. Na Pré-História, o homem já praticava exercícios físicos. Com a evolução da civilização, a ginástica foi se transformando em atividade esportiva e em método de condicionamento físico — como na Idade Média, durante as Cruzadas, quando se tornou a base da preparação militar dos soldados. Apenas na Idade Moderna foi reconhecida como agente de educação, tendo início, aí, as pesquisas em Educação Física. Sua prática como terapia para correção de posturas e como condicionamento físico só surgiu no início do século XX. Mas foi só a partir de 1968, com a criação do Teste de Cooper, idealizado pelo médico e preparador físico norte-americano Kenneth H. Cooper para ser usado pelas forças armadas para verificar o nível de condicionamento físico, que começou a surgir uma enorme variedade de soluções para a manutenção de um corpo forte, saudável e atraente. Fato que comprova o poder do monitoramento e das métricas para a mudança de comportamentos e criação de novas necessidades. Hoje, com amplo mix de negócios, que reúnem academias, boxes de crossfit, estúdios de pilates, equipamentos, cosméticos, alimentação, suplementação, vestuário, acessórios e prestado-

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res de serviços, a receita desse mercado cresce a uma média anual de 8,7% no mundo, segundo dados de 2020 da International Health, Racquet & Sportsclub Association (IHRSA). O Brasil é o segundo mercado em quantidade de academias no mundo, ficando somente atrás dos EUA. São mais de 33 mil unidades e com tendência de crescimento, segundo a Associação Brasileira de Academias (ACAD Brasil). Em termos de faturamento, entretanto, os norte-americanos seguem muito à frente, detendo a maioria das grandes marcas do segmento, como Planet Fitness, Orangetheory Fitness, Anytime Fitness, Life Time, 24 Hour Fitness e The Bay Club Company. No segmento da moda fitness, a pluralidade de marcas de destaque é ainda maior. Além das gigantes globais Adidas, Nike, Puma e Under Armour, e de outras relativamente conhecidas como Champion, Patagonia, Reebok e New Balance, o mercado vem sendo invadido por grande variedade de novas grifes especializadas que vêm conquistando a preferência do consumidor em todo o mundo.


MERCADO GLOBAL DE BEM ESTAR

A HORA E A VEZ DO SONO Respondendo por cerca de 25% do total movimentado pelo mercado global de soluções para o bem-estar, o chamado “Mercado Global de Sono” reúne diversos segmentos, como o de móveis para dormitórios; roupas de cama; colchões; travesseiros; sleepwear; acessórios para sono em viagens aéreas; gestão de sono para pets; produtos de conforto ambiental; serviços para o sono; dispositivos para apneia do sono; serviços médicos; suplementos para o sono; além dos recentes sleep trackers. A resposta do mercado às doenças e aos pro-

blemas relacionados à privação do sono foi a criação de uma indústria que ataca a questão por todos os lados: além de medicamentos para indução do sono (só no Brasil, mais de 11 milhões de pessoas usam medicamentos para dormir, segundo Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE), há uma vasta gama de produtos, serviços, remédios naturais, terapias alternativas e, mais recentemente, um grande número de aplicativos e dispositivos digitais para ajudar na qualidade do sono.

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Mapeamento realizado em 2016 pela Shasta Ventures (03/2016) junto a especialistas e empresários do setor mostra que o mercado da busca por qualidade do sono vem se sofisticando e se subdividindo em soluções para diversos momentos do sono, 24 horas por dia: • Adormecer: aplicativos mobile com conteúdos sonoros para relaxamento, terapias de luz, máscaras de dormir sensorizadas, tiaras de neuroestimulação e diversos suplementos naturais para indução do sono. • Durante o sono: equipamentos para apneia do sono, apps e dispositivos wearables e contactless para monitoramento do sono e suas fases, programas integrados de acom-

• • • • •

panhamento e coaching do sono, colchões, travesseiros e capas especiais. Despertar: apps com despertadores inteligentes, sistemas de iluminação sensorizados e dispositivos IoT. Cochilos diurnos: cabines em aeroportos e coworkings, spas de sono, apps de monitoramento de sonecas. Energização e desempenho: patches neuroestimulantes, programas antijet-lag, proteínas estimulantes, sprays energizantes. Meditação: apps com exercícios de respiração e meditação guiada Saúde Mental: serviços online de apoio psicológico, hipnoterapia e meditação, programas online de relaxamento e bem-estar.

ANÁLISE DO MERCADO GLOBAL DE BEM ESTAR

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De acordo com outro estudo produzido pelo instituto Frost & Sullivan dos Estados Unidos, esse mercado, em nível global, deve movimentar cerca de US$ 432 bilhões que estarão acessíveis de alguma forma a soluções ligadas à marca Persono, como travesseiros, produtos para conforto ambiental, serviços e suplementos para o sono, sleep trackers e, mesmo que parcialmente, dispositivos para apneia do sono e serviços médicos. E essa estimativa pode ser ainda conservadora, se considerarmos que podemos estar diante de uma “explosão cambriana” de desenvolvimento de mercado, uma vez que isso já tem ocorrido no mercado de bem-estar, sempre que um método de mensuração de índices de saúde passa a se tornar popular. Foi o que ocorreu, por exemplo, com os testes glicêmicos e o teste do Cooper, que desencadearam o lançamento de inúmeros produtos light/ diet e academias de ginástica em todo o mundo. Diante desses dados, identificamos a oportunidade de desenvolver um ecossistema de produtos, serviços e soluções que poderá se tornar referência no “mercado mundial da busca da qualidade de sono”.

“Muitas vezes as pessoas não sabem o que querem até que você mostre a elas.” Steve Jobs - Fundador da Apple

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PERSONO Estruturamos o Persono em três diferentes pilares de atividades complementares e sinérgicas.

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Imagem meramente ilustrativa

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CONTEÚDO Conteúdo de qualidade, com embasamento científico e distribuído por meio de diversas plataformas, para que possa impactar o maior número de pessoas, conscientizando-as para as questões do sono. Neste sentido, Persono vem alinhando parcerias de alta credibilidade, em diversas áreas do conhecimento, para que possa reunir máxima autoridade sobre o assunto. Médicos, psicólogos, nutrólogos, preparadores físicos, atletas de alta performance, economistas, sociólogos, cientistas de dados, entidades e especialistas de destaque em suas áreas de atuação vêm se aliando a esse movimento em favor do sono, contribuindo com seu conhecimento na elaboração de conteúdos em texto, áudio e vídeo. E todo esse riquíssimo conteúdo será divulgado por meio de redes sociais, blogs, podcasts, webinares, eventos presenciais e todos os mais eficientes meios disponíveis, dando origem a séries documentais, aplicativos mobile, programetes de rádio e TV e até cursos de ensino a distância, com formação técnica de “sleep coaches” ou “sonólogos”, como preferimos chamar.

MARKETPLACE No domínio persono.com.br, a população poderá encontrar um “marketplace do sono”, que disponibilize os mais diversos produtos e serviços em favor da melhoria do sono. Além dos travesseiros e outros produtos “empowered by Persono” de diversas marcas licenciadas, o marketplace deverá comercializar livros sobre o tema, produtos para iluminação e climatização de ambientes, nebulizadores e aromatizadores, soluções de automação residencial, cursos online, serviços profissionais correlatos, entre outros itens, testados e homologados por um comitê de especialistas.

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O conceito é criar um “hub de soluções” em que fabricantes de produtos, prestadores de serviços e consumidores se conectem no intuito de oferecer e encontrar soluções para um sono melhor e mais saudável.

DADOS O Persono: tecnologia que integra Internet das Coisas, Big Data e Inteligência Artificial, para ajudar as pessoas a disciplinarem sua rotina de sono, a partir do monitoramento constante. De forma resumida, o processo se dá a partir de um pequeno sensor, que fica instalado de forma imperceptível no interior do travesseiro. Este sensor foi calibrado em institutos de polissonografia para capturar o comportamento do usuário ao longo da noite, e processar e enviar os dados, na manhã seguinte, para um app instalado em seu smartphone. A partir da análise de dados em massa, comparando usuários de diversos perfis etários, atitudinais e biométricos, o usuário recebe informações e notificações personalizadas, relevantes para a melhor qualidade de seu sono. Em um primeiro momento, os travesseiros “empowered by Persono” estarão disponíveis no portfólio das marcas mais sofisticadas do mercado, mas, com a redução dos custos da tecnologia, também farão parte das coleções de marcas mais populares, num volume de milhões de travesseiros sensorizados por ano. Além disso, como forma de disponibilizar a tecnologia Persono ao maior número possível de pessoas, prevê-se também seu desenvolvimento para outros produtos, como colchões e cobertores, em um processo de licenciamento da tecnologia para várias marcas do mercado.


POR QUE AGORA? Por uma série de fatores, vivemos agora o momento mais propício para o lançamento de um projeto como Persono. São diversos os indicadores que embasam nosso entusiasmo.

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VELOCIDADE DA EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA Já está mais do que provado que, a cada dia, o custo da tecnologia se torna mais acessível. Componentes de memória, conectividade e processamento vêm tendo seus custos de produção e distribuição reduzidos de forma consistente, permitindo o desenvolvimento de novas tecnologias de monitoramento verdadeiramente globais e democráticas. Sistemas biométricos, sensores de som e movimento, identificadores de localização e temperatura são algumas das tecnologias já acessíveis para o desenvolvimento de produtos e serviços que permitirão um monitoramento do sono mais simples e preciso. Em outra frente, a Internet das Coisas estabelece uma mudança de paradigma ao integrar com-

putação, comunicação, sensoriamento e controle, em um único arcabouço tecnológico. Segundo o Ericsson Mobility Report, o número de conexões de dispositivos IoT chegou a 10,7 bilhões em 2019, com crescimento previsto para 24,6 bilhões até 2025 (17). Ou seja, em 2019, já havia mais dispositivos conectados e se comunicando pela internet do que pessoas vivas no mundo. A união das tecnologias de Inteligência Artificial e IoT tem sido referenciada como “AIoT”, num modelo em que dispositivos com acesso à internet não apenas enviam e recebem informações dos fabricantes, como também passam a ter a habilidade de se comunicarem entre si, coordenando ações.

$ por MB

Preços de Disk-Drive

Velocidade de conexão de internet

10.000

$ por MB

1.000

Preços médios de transistores

100 10 1 0,1 0,01 0,001 0,0001 0,00001 0,000001

60

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80

90

2000

10

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Fonte: John C. McCallum; Gordon Moore; The Linley Group; Nielsen Norman Croup; The Economist *Nominal prices.

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Escala logarítmica

$ por MB

QUEDA DO CUSTO E A VELOCIDADE DA COMPUTAÇÃO


MUDANÇA DE PARADIGMA NA MEDICINA Já está provado que o custo de se promover saúde é quatro vezes menor do que o de tratar doenças. Estudo realizado na Universidade do Texas, por exemplo, demonstrou que pode haver uma economia de até US$ 4,4 bilhões anuais em atendimentos emergenciais, em sociedades que adotam agentes de saúde e ações de acompanhamento. E, de acordo com o British Medical Journal, 37 milhões de mortes poderiam ser evitadas até 2025, investindo-se em saúde preventiva. Com isso, a Medicina e as Ciências da Saúde têm evoluído seu conceito original de “tratamento” para o da “prevenção”.

Conscientizar as pessoas para a avaliação de indicadores de saúde, a imunização contra doenças e a mudança de hábitos perigosos ou prejudiciais ao organismo tem sido a tônica de campanhas de saúde, desde o início do século passado. Mais recentemente, com a implantação de prontuários eletrônicos globais, com a viabilidade da edição genômica e com o crescimento da adoção de terapêuticas digitais, como a terapia cognitivo comportamental para a insônia, em complementação a terapias farmacêuticas, os investimentos em “prevenção à saúde” vêm crescendo exponencialmente.

ALAVANCAGEM DAS CADEIAS DE DISTRIBUIÇÃO GLOBAIS O problema da privação do sono atinge hoje cerca de 45% da população mundial. Pode-se dizer, sem exageros, tratar-se de uma pandemia silenciosa, que vem provocando prejuízos à vida de indivíduos, à saúde da sociedade e à economia das nações. Para tentar resolver problemas desta magnitude, as soluções precisam estar disponíveis a todos, indistintamente. É preciso que se estabeleça uma imensa cadeia logística e contar com múltiplos canais de comercialização, para que as soluções estejam disponíveis a todas as pessoas. Nesse quesito, a integração com a Coteminas propicia uma rede de distribuição altamente capilarizada no Brasil, fazendo com que suas soluções cheguem a cerca de 30 mil varejistas multimarcas, 240 lojas monomarcas e mais de 50

milhões de visitantes de seus 4 sites de e-commerce. Além disso, a presença internacional da Coteminas, com subsidiárias na Argentina e nos Estados Unidos, faz com que se possa expandir essa capacidade de distribuição em nível global. Acreditamos ainda que inúmeras outras indústrias irão incorporar essas soluções às suas linhas de produtos, fazendo com que a democratização e o acesso sejam uma realidade.

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A TECNOLOGIA E O ECOSSISTEMA O desenvolvimento da tecnologia Persono carrega em si uma série de desafios e oportunidades, que têm sido amplamente analisados.

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Imagem meramente ilustrativa


A ERA DO MONITORAMENTO Com a crescente maturidade das tecnologias de comunicação, gerenciamento de bateria e de computação embarcada, alguns aplicativos inteligentes estão despontando em novos cenários de uso na AIoT. No mercado consumidor, por exemplo, o monitoramento e a automação residencial estão entre os principais casos de sucesso, junto com o rastreamento de aptidão física (18). Se adquirir dados e insights sobre a casa ou os hábitos de atividade física era antes custoso e demandava esforço por parte do usuário, hoje

essa tarefa é facilitada por dispositivos conectados a centrais de dados, utilizados para controle automático de temperatura ambiente ou para notificar uma pessoa que já está há muito tempo sentada, sobre a necessidade de fazer uma pausa para alongamento. Alguns rastreadores de condicionamento físico, inclusive, já estão incorporados a aplicativos voltados para saúde e bem-estar, agregando uma variedade de ofertas de pré-diagnóstico, como previsão de insuficiência cardíaca (19).

O DESAFIO DA FRICÇÃO Por outro lado, muitos desses dispositivos apresentam alta fricção de uso, requerendo diversos passos de configuração e de interação, além de constante preocupação com recarga de baterias, para que a geração de insights seja ininterrupta. Esse alto esforço cognitivo de uso acaba por desengajar boa parte dos usuários, antes que possam desfrutar dos benefícios oferecidos. Ademais, tais aplicações são habilitadas por conhecimento médico altamente especializado,

acumulado em milhares de horas de pesquisa e desenvolvimento, investidas por grandes empresas e centros de pesquisa ao longo dos anos, em um ritmo muito lento. Essa velocidade limita severamente a classe de aplicações possíveis e iguala a oferta de valor entre concorrentes, uma vez que apenas uma base única e pouco acessível de conhecimento científico é utilizada pelos desenvolvedores das aplicações.

DESCENTRALIZAÇÃO DE DADOS Da mesma forma, a ciência do sono tem sido tradicionalmente dependente de dados proprietários que, embora de alta resolução, são ainda centralizados e mantidos em departamentos de polissonografia em universidades e unidades médicas, para fins de pesquisa clínica e atendimento a uma parcela ínfima da população, que possa arcar com os custos de exames especializados. Acelerar o progresso tecnológico no campo do monitoramento de saúde e bem-estar passa por

uma mudança de paradigma, na qual ciência e tecnologia dão as mãos, para que o processo de descoberta científica seja rápido, descentralizado, democratizado, e os benefícios de aplicação se tornem imediatamente disponíveis ao usuário final e de forma personalizada. Democratizar o acesso aos dados do sono, mesmo em resolução mais baixa — por meio da realização de estudos longitudinais em uma população grande e demograficamente diversa — é 29


de suma importância para liberar o potencial da análise do sono, baseada em dados para fins de monitoramento e de melhoria dos hábitos de sono da população. Assim, se diagnosticar distúrbios do sono na realidade da rotina diária e de forma não invasiva, antes, parecia uma meta inalcançável, agora, com Persono, estamos muito próximos de um momento de ruptura.

TECNOLOGIA SIMPLES, SEGURA E ACESSÍVEL O Persono Sense estará espalhado por milhões de travesseiros vendidos e distribuídos em todo o Brasil e parte da América Latina e dos Estados Unidos. Com um design simples e barato, um sensor minúsculo é posicionado dentro dos travesseiros de modo imperceptível. Dados de movimentação são registrados e transmitidos de forma segura via Bluetooth Low Energy para o celular do usuário, durante o despertar. Um algoritmo de detecção de análise de sono processa os dados e produz insights importantes sobre a eficiência do período de repouso. A

partir do cruzamento com dados sobre hábitos e estilo de vida do usuário, Persono provê assistência sobre bem-estar, sugestões sobre os melhores horários e hábitos para uma rotina de sono mais saudável. Além disso, os dados analíticos e os insights gerados com a tecnologia Persono podem ser integrados aos dados de ambiente produzidos por termostatos, sensores de luminosidade, cortinas inteligentes e outras entidades e aplicativos AIoT que colaborem para melhorar a qualidade do sono e o bem-estar do usuário.

US$ 900,00

RELAÇÃO FRICÇÃO E PREÇO Sleep Sense

US$ 675,00

Eight Sleep Tracker

Preço

Neuroon US$ 450,00 Philips SmartSleep Deep Sleep Oura Ring

Circular

EverSleep 2 Lumos

Emfit QS

US$ 225,00

Zeeq Smart Pillow Beddit 3 Persono Sense

Withings Sleep

SleepScore Max

Beauty Sleeptracker

Fitbit Ionic Withings Steel HR Garmin VivoSmart HR+

2,5

5

Nível de Fricção Sleep Trackers

30

SONO | A nova fronteira para o desenvolvimento humano Health Trackers

Muse 2 Hexoskin Dreem Beddr Go2sleep

SevenHugs HugOne 0

SleepImage

7,5

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ACURÁCIA DA ACTIMETRIA O problema de detecção automática de sono a partir de actigrafia tem sido, há décadas, alvo de grande interesse médico e comercial, vide o significativo número de publicações científicas e de dispositivos comercialmente disponíveis. Duas medidas de interesse para a comunidade médica com respeito à acurácia da actigrafia são a sensitividade e a especificidade. A sensitividade mede a capacidade de um actígrafo de detectar o sono quando, de fato, o usuário está adormecido. Já a especificidade mensura o quão acurado o dispositivo é em detectar despertares ao longo da noite, quando o usuário estiver de fato acordado. Os valores para essas duas métricas reportadas na literatura médica, para os melhores actígrafos comercialmente disponíveis, variam de 86%–98% e 20%–54%, respectivamente.

Vê-se que detectar o despertar do paciente é um problema significativamente mais complexo do que a detecção do sono em si. A tecnologia Persono de sensoriamento, sem contato direto com o corpo do usuário, emprega um conjunto de técnicas de Inteligência Artificial de estado da arte para inferir o sono e os despertares dos usuários. Isso se dá por meio de transformações de dados de acelerômetros, considerando também os padrões de uso do dispositivo, o perfil do usuário, bem como informações complementares coletadas pelo dispositivo móvel, como luminosidade, temperatura do ambiente e estimativas sobre a poluição sonora na localidade. O resultado é uma tecnologia comparável aos melhores actímetros de contato disponíveis para aplicações médicas.

SEGURANÇA E PRIVACIDADE A segurança da informação tem sido questão crítica para a aceitação de novas tecnologias junto ao mercado consumidor. A visão de Persono é a de que democratizar o acesso a dados para avançar a Ciência e a Medicina do Sono requer o desenvolvimento de tecnologias sofisticadas, para garantir a segurança e anonimização desses dados. É prioritário estabelecer protocolos de autenticação com criptografia e assinatura de código para atualizações de “firmware”, que é o cérebro do dispositivo de monitoramento Persono. Com dados sendo constantemente produzidos, armazenados e transmitidos pelos dispositivos que compõem a AIoT, a governança desses dados passa a ser também o foco. Tecnologias de

armazenamento, compartilhamento seguro e de anonimização de dados entre parceiros confiáveis são prioridades entre as principais empresas de computação em nuvem, como Google, Amazon, Microsoft e IBM. Métodos como privacidade diferencial já estão em uso em aplicações médicas fornecidas por essas empresas. Criando uma comunidade de dados abertos, Persono fomenta a Ciência do Sono, com o uso de privacidade diferencial e geração de dados sintéticos constituindo a espinha dorsal da estratégia de democratização segura dos dados.

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CÓDIGO ABERTO Assim como os Estados Unidos se surpreenderam com o desenvolvimento tecnológico soviético durante a corrida espacial nos anos 1960, a Ciência do Sono ainda precisa do seu “momento Sputnik”. E acreditamos fortemente que aumentar a conscientização, fornecendo insights e fatos sobre os impactos diários dos hábitos de sono, é o que se precisa para gerar uma mudança comportamental. Isso motiva Persono a patrocinar uma comunidade crescente de cientistas e desenvolvedores de

dados do sono, que trabalham em tecnologias de acesso aberto e conjuntos de dados. Esse trabalho é de suma importância para dimensionar e acelerar a mudança comportamental. Fazemos isso de maneira radical, acelerando tecnologias-chave de AIoT por meio da geração e disponibilização de dados abertos e anonimizados, voltados para a comunidade de desenvolvedores de código aberto.

INTEROPERABILIDADE Os desafios decorrentes de trazer os habilitadores tecnológicos necessários para desenvolver todo o potencial de Persono são, entretanto, significativos, começando com a interoperabilidade máquina para máquina. De acordo com o Gartner Group, os mercados de AIoT ainda estão fragmentados, sem nenhum fornecedor claro dominando qualquer um deles (20). Embora as possibilidades de integração entre os dispositivos do usuário final e a miríade de aplicativos de bem-estar e saúde que consti-

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SONO | A nova fronteira para o desenvolvimento humano

tuem a Internet das Coisas sejam infinitas, a velocidade com que os usuários de Persono podem se beneficiar dos aplicativos de ambiente inteligente é limitada pela taxa de adoção de linguagens comuns, usadas para mover os dados entre os aplicativos. O ecossistema de desenvolvedores de Persono é, contudo, capaz de atacar com eficácia os desafios de interoperabilidade, por meio de esforços de anotação de dados de crowdsourcing e modelagem de conhecimento de domínio.


SONO E PERFORMANCE Quando se trata de mensurar a qualidade do sono, há muito espaço para adaptar anotações sobre a noite de sono e questionários aplicados no dia a dia, a fim de correlacionar medições objetivas obtidas por meio de soluções de actigrafia — como a fornecida por Persono — com hábitos e problemas específicos da população. Por exemplo: atletas de elite são propensos a

dores musculares e lesões, que podem afetar seu processo de recuperação quando a dor atrapalha sua noite de sono. Ao personalizar esses questionários e aplicá-los periodicamente, por meio de um canal acessível para grandes populações, a pesquisa do sono seguirá um caminho que não existia na era da polissonografia.

MUDANÇA DE COMPORTAMENTO Mudanças sustentadas de hábito passam por um árduo processo de convencimento. Somente medir e monitorar não leva a mudanças de consciência, atitude ou hábitos. Há, infelizmente, um abismo entre como as pessoas percebem a si mesmas, o que elas de fato conhecem sobre si e até o que elas fazem concretamente no dia a dia para viver uma vida plena. Apresentar dados e insights, conectar as pessoas a uma comunidade de usuários engajados e a um ecossistema de profissionais dedicados ao sono, por meio de tecnologia de uso simples, são ações importantes para ajudar nesse processo de conscientização de mentes e transformação de rotinas. Conectar os usuários Persono a uma comunidade de “campeões do sono”, por exemplo, que venceram distúrbios do sono e passaram a priorizar esse importante aspecto da vida, é peça-chave do tabuleiro de conscientização e mudança de hábito. Isso porque as pessoas necessitam de exemplos e de modelos de sucesso como fonte de motivação. Além disso, engajar as pessoas em atividades que gerem novas experiências de conscientização e que as ajudem a construir hábitos saudáveis passa por uma estratégia de recompensar pequenos esforços e avanços, de forma sistemática, por meio de processos de gamificação. Os dados e insights gerados ao longo de toda a jornada de uso de

Persono, aliados a um ecossistema de profissionais dedicados a desenhar programas personalizados de higiene do sono — incluindo exercícios de respiração, meditação, terapia cognitivo comportamental e alongamento para o relaxamento do corpo e da mente — resultarão em possibilidades concretas de conscientização e mudança de comportamento sobre os hábitos de sono. E em breve, com o conceito preventivo da Medicina em convergência com a AIoT, deverá se abrir a possibilidade do desenvolvimento dos chamados Gêmeos Digitais (ou Avatares). Um Gêmeo Digital é “uma representação virtual dinâmica de um objeto físico ou sistema, ao longo de todo o seu ciclo de vida, usando dados em tempo real para habilitar compreensão, aprendizado e raciocínio” (21). Nesta visão, um dia, será possível estimar com boa acurácia os níveis de melatonina, bem como de outros hormônios relevantes, com base no histórico de atividades diárias e em mensurações feitas ao longo do dia, a partir de sensores, como câmeras e oxímetros. Um Gêmeo Digital do sono para cada pessoa no planeta permitirá um futuro no qual o dormir bem passa ser a regra, não a exceção.

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O QUE É O SONO? Do ponto de vista científico, sono é o período de repouso para o corpo e para a mente, caracterizado pela suspensão temporária das atividades perceptivo-sensoriais e motoras voluntárias.(22)

O organismo humano se recupera fisicamente durante o sono, curando-se e removendo resíduos metabólicos que se acumulam durante os períodos de atividade. Essa restauração ocorre durante o sono de ondas lentas, quando a temperatura corporal, a frequência cardíaca e o consumo de oxigênio diminuem. Assim sendo, a taxa de metabolismo reduzida promove mecanismos restauradores compensatórios. (23,24) Embora o corpo musculoesquelético possa se restaurar também durante o período de vigília, desde que em descanso, o cérebro, em especial, requer períodos de sono para sua completa restauração.

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FASES DO SONO O período de sono divide-se em: sono NREM (Non Rapid Eye Movement), que ocorre durante 70% a 75% da noite, e sono REM (Rapid Eye Movement), que dura em torno de 25% a 30% da noite. Por sua vez, o sono NREM subdivide-se em diferentes fases (N1, N2 e N3), cada uma com funções e características distintas, conforme apresentadas no gráfico a seguir.

Comentário dos coautores Representação de um ciclo completo sono, com as suas fases, em um paciente adulto saudável. Ao chegar ao sono profundo, fase N3, retorna-se à fase N2 antes do sono REM. Os padrões de onda de atividades elétricas do cérebro são perceptivelmente diferentes entre cada fase.

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CICLOS DO SONO Normalmente, ao longo de uma noite de sono de 8 horas, tem-se de 4 a 5 ciclos, fluindo por todas essas fases. Os ciclos do sono duram cerca de 90 minutos e diminuem com o avanço da idade. Na primeira metade da noite, o corpo prioriza mais o sono profundo, já na segunda metade, o protagonista é o sono REM. Então, uma pessoa que geralmente dorme 8 horas, se em um dia dormir 6 horas, terá dormido 25% do tempo a menos, mas possivelmente terá 50% ou mais de perda de sono REM. Em bebês (recém-nascidos), o sono dura de 14 a 17 horas. Nos adolescentes, devido à explosão hormonal, há aumento da sonolência diurna e preferência por dormir e acordar tarde. Nos adultos, a média de sono é entre 6 e 8 horas; enquanto nos idosos temos menos horas de sono, complementadas por pequenos cochilos ao longo do dia. (29)

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CRONOTIPOS

CRONOTIPO MATUTINO

Todos temos horários e ritmos biológicos diferentes. O que pode ser bom para uns pode ser ruim para outros. Desde os tempos das cavernas — em que existiam turnos para vigília do grupo, a fim de evitar invasões de predadores ou tribos adversas —, o homem apresenta diferentes horários de otimização de suas atividades e ciclos de sono. Desta forma, a individualização da avaliação médica, com ações distintas para cada pessoa, é prática que tem mostrado resultados efetivos. Diversas terapias têm sido sugeridas com base na individualização do ser humano. Assim, como em dietas alimentares, deve-se conhecer o BIOTIPO (tipo sanguíneo, predisposição genética e metabólica de cada um), segundo o Instituto Internacional de Melatonina (IiMEL), da Universidade de Granada, na Espanha. O CRONOTIPO, por sua vez, é a predisposição natural que cada indivíduo tem de sentir picos de energia ou cansaço, de acordo com a hora do dia. Em linguagem científica, cronotipo é a sincronização dos chamados ritmos circadianos (ciclo fisiológico de aproximadamente 24 horas, que ocorre na maioria dos organismos vivos). É por isso que algumas pessoas são mais ativas durante o dia, e outras, à noite. A melatonina, hormônio que também induz o sono, é responsável por administrar essa energia. Ela é liberada no escuro e determina em que momento do dia estamos mais despertos e, portanto, somos mais produtivos, definindo assim o cronotipo de cada um, entre as seguintes opções:

O pico de produção de melatonina ocorre antes da meia-noite. São indivíduos que precisam ir para a cama cedo e são mais ativos nas primeiras horas do dia. Em geral, dormem das 22h às 6h. De acordo com o IiMEL, 25% da população é matutina (3,4,7).

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CRONOTIPO INTERMEDIÁRIO A metade restante da população (50%) apresenta um cronotipo médio, ou seja, o pico de melatonina ocorre às 3h. Dormem geralmente da meia-noite às 8h (3,4,8).

CRONOTIPO VESPERTINO O pico acontece bem mais tarde, às 6h. São aquelas pessoas que rendem melhor à noite, mas precisam prolongar o descanso até o início da manhã. O horário de sono costuma ser das 3h às 11h. Corresponde a 25% dos indivíduos (3,4,7).


A importância de se conhecer o momento em que as funções cognitivas estão no auge reside em determinar os horários de trabalho mais eficientes, permitindo planejar os períodos de descanso mais convenientes. E com o avanço tecnológico aliado à investigação médica, teremos possibilidades cada vez maiores de atingir o cerne de cada indivíduo, determinando a exata e a necessidade terapêutica com máxima acurácia.

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O CICLO CIRCADIANO Nosso corpo é guiado por um relógio interno. Conhecido popularmente como relógio biológico, ele é o ritmo ou ciclo circadiano. Ele é um ciclo que se completa aproximadamente a cada 24 horas e é desta característica que vem o seu nome. O termo circadiano tem origem no latim, nas palavras circa, que significa cerca de, e diem, que pode ser traduzida como dia. Este ciclo não é algo exclusivo dos seres humanos. Na verdade, o ciclo circadiano é comum aos diferentes seres vivos. O abrir e fechar de algumas plantas, os hábitos de caça de determinados animais e muitos outros comportamentos na natureza são determinados justamente pela existência deste ritmo.

causar os chamados distúrbios do ritmo circadiano, que são distúrbios do sono como Transtorno do Sono do Trabalhador em Turnos, cada vez mais comum em uma sociedade na qual muitos serviços funcionam por 24 horas, e Síndrome do Atraso da Fase do Sono, quando o indivíduo demora a adormecer e o faz em horários mais tardios que a maioria da população. O chamado jet lag(31), fenômeno pelo qual as pessoas passam ao viajar para um diferente fuso horário e que pode causar sintomas físicos e psíquicos como desorientação, fadiga e outros, também tem relação com esse ritmo. Tecnicamente o jet lag é conhecido como um distúrbio do sono temporário e ocorre justamente porque, ao viajar de forma rápida para outro fuso, o padrão de sono do indivíduo fica desalinhado com os horários socialmente adotados no destino.

CICLO CIRCADIANO NOS HUMANOS O ciclo circadiano é um fenômeno natural que se repete diariamente e regula principalmente o processo de sono e vigília dos seres humanos(30). É graças a ele que o corpo sabe a hora de sentir fome, dormir e acordar, tem um desempenho melhor no trabalho e nas atividades físicas em determinados períodos do dia e regula a temperatura corporal e a atividade hormonal, entre outros processos fisiológicos. Ao longo de cada ciclo de 24 horas, o cérebro recebe uma série de estímulos diferentes conforme o passar do tempo, o que leva o corpo a produzir hormônios como cortisol e melatonina, regulando o metabolismo para manter o indivíduo dormindo ou acordado. O ciclo circadiano é um fenômeno endógeno, que acontece no próprio organismo, mas que pode sofrer influência do ambiente externo, por fatores como luz e temperatura, por exemplo. Ele é controlado por uma área do cérebro chamada de núcleo supraquiasmático, também chamado de NSQ, e que fica localizada no hipotálamo. Em algumas situações, o ciclo pode se alterar e

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CRONOBIOLOGIA, A CIÊNCIA DO CICLO CIRCADIANO Observado pela primeira vez em 1729, pelo astrônomo francês Jean Jacques d’Ortous de Mairan(32), o ciclo circadiano foi descoberto primeiramente por conta de uma planta. O cientista observou em um vaso de mimosas que elas abriam e fechavam conforme a luminosidade. Ele então levou a planta a um local escuro e percebeu que mesmo na ausência da luz ela continuava abrindo durante o dia e fechando durante a noite. Desde Mairan, este processo tem fascinado e despertado a curiosidade de inúmeros estudiosos. Assim surgiu a Cronobiologia(33), uma ciência dedicada a estudar exclusivamente os ritmos biológicos dos seres vivos. Em 2017, o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina (34) foi concedido aos estudiosos americanos Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W. Young por seu trabalho dedicado a descobrir os mecanismos moleculares que controlam o ciclo circadiano. Hall, Rosbash e Young conseguiram identificar


e isolar o gene que rege este relógio interior e desvendar o mecanismo que o controla, o que torna possível não apenas o avanço no tratamento dos distúrbios do ritmo circadiano, mas também uma melhor compreensão deste mecanismo natural que torna o corpo capaz de adaptar-se ao longo de cada dia.

“Não há dia sem noite. Eles complementam-se.” Ditado Judaico

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“Um grama de prevenção vale por um quilo de tratamento.” Benjamin Franklin - diplomata, escritor, jornalista, filósofo político, cientista e um dos pais da democracia norte-americana.

COMO DORMIR BEM? Uma característica comum aos pacientes com má qualidade de sono é o estabelecimento de um ciclo vicioso que inclui pensamentos pendulares, hábitos prejudiciais ao sono e aumento da tensão. O tão necessário “dormir bem” pode ser alcançado por uma série de bons hábitos e cuidados básicos, envolvendo, entre outras coisas, alimentação regular, respiração adequada e gerenciamento do estresse. A chamada “higiene do sono” representa o conjunto dessas boas práticas, que são as consideradas “padrão-ouro” no tratamento da má qualidade de sono (35). E, caso sua aplicação não apresente resultado satisfatório, deve-se buscar orientação profissional médica para um suporte adequado.

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Mantenha o quarto escuro e com o máximo silêncio. Mantenha a temperatura do quarto entre 18° e 22° C. Evite eletrônicos que emitem luz azul duas horas antes de dormir.

Use colchão e travesseiro de qualidade e roupas de cama confortáveis.

Evite refeições pesadas e de difícil digestão antes de dormir.

Nunca exagere nas bebidas alcoólicas. Atenção ao uso de remédios que possam alterar o sono.

Evite o consumo de estimulantes (cafeína, nicotina) após as 14h.

Procure ter exposição diária à luz por, pelo menos, meia hora.

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Evite ficar muito tempo na cama esperando o sono chegar. Use a cama “quase que” exclusivamente para dormir. Tire cochilos por, no máximo, 30 minutos e somente até as 14h. Não tente compensar o sono perdido aos finais de semana. Procure dormir e acordar sempre no mesmo horário.

Exercícios respiratórios, meditação, yoga e outras técnicas ajudam a desacelerar.

Tome um banho quente e, se possível de imersão, para relaxar. Leia um livro ou ouça música como parte do seu ritual da hora de dormir.

Evite remoer problemas ou ter discussões acaloradas antes de deitar.

Faça exercícios físicos com regularidade, de preferência, pela manhã.

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MONITORAMENTO DO SONO “Se você não pode medir, você não pode gerenciar.” Peter Drucker, pai da administração moderna.

E o que vale para o mundo dos negócios vale ainda mais no universo da saúde e bem-estar. Termômetros clínicos, medidores de pressão sanguínea (esfigmomanômetro) e balanças são exemplos de instrumentos de medição que já fazem parte, há séculos, do dia a dia das pessoas, como forma de alerta a anomalias de saúde, como febre, hipertensão e obesidade. No que tange ao diagnóstico do sono, especificamente, a ciência vem buscando diversos recursos no intuito de conscientizar para o problema, por meio da mensuração da quantidade e da qualidade do dormir. Questionários de avaliação específica Ferramentas de avaliação pontual do sono a partir da percepção do próprio paciente e com tabulação orientada por valores de referência previamente definidos pela experiência clínica. Existem diversos modelos de questionários, como o de avaliação de apneia (Questionário de Berlim), de severidade de insônia, de perfil de cronotipo, entre outros. Diário de sono (36,37) Instrumento de registro diário de dados sobre o sono, como horários de dormir e despertar, número de despertares durante a noite, tempo acordado na cama, uso de medicamentos, uso de álcool próximo ao horário de ir dormir, cochilos ao longo do dia e percepção da qualidade do sono pelo próprio indivíduo (37). Permite que se perceba o que pode ser feito para melhorar seu “score” de sono (37). O universo pós-digital já oferece uma grande quantidade de aplicativos e devices que colaboram nesta tarefa de registro, automatizando o processo. 46

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Polissonografia (PSG) O “padrão-ouro” para o diagnóstico de sono em adultos e crianças (38-40). Pode ser realizada em ambiente laboratorial e, na atualidade, no domiciliar, para a imensa maioria dos casos. O primeiro manual de polissonografia foi consolidado em 1969. Atualmente, a cada três ou quatro meses, esse manual se atualiza para que se entendam os grafoelementos do sono, importantes para o diagnóstico de afecções neurológicas, respiratórias, cardíacas e transtornos do movimento relacionados ao sono. E tudo isso de forma unificada para todo o mundo. Entretanto, apesar de evoluir na precisão, a polissonografia ainda se ressente de uma interface mais amigável ao usuário, mantendo a mesma experiência ansiogênica de seu início. Actigrafia Método não invasivo para monitoramento do ciclo sono/vigília do ser humano (41). Uma unidade actígrafa, ou sensor actimétrico, é um dispositivo “vestível” para medir as atividades motoras. Pode ser atado ao pulso, peito, calcanhar ou à cabeça dos usuários, para registrar os movimentos corpóreos ao longo da noite. A evolução destes dispositivos vem sendo estudada ao longo dos anos por cientistas do sono, que têm recomendado cada vez mais seu uso para complementar os caros e pontuais exames de polissonografia, por meio de quantidades maiores de coletas de dados em períodos prolongados, que podem chegar a uma semana.


Segundo estudos (42-44), cada um desses métodos tem seu próprio nível de confiabilidade e precisão. A simplicidade do processo de mensuração é outro fator de grande influência nos resultados. Nesse sentido, parece que quanto mais simples a mensuração e mais imperceptível o artefato tecnológico que a realiza, maior a chance de adaptação do usuário ao processo de monitoramento.

MÉTODOS DE MONITORAMENTO DO SONO

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EVOLUÇÃO Precisamos dormir. Mais e melhor. Para despertarmos para uma nova era de evolução da humanidade.

A forma como a humanidade evoluiu no decorrer do tempo, desde o domínio do fogo até chegarmos à era das telas digitais, está intimamente relacionada à nossa capacidade de adaptação para responder às necessidades prementes de sobrevivência, que são próprias de cada conjuntura sócio-histórica. Com isso, nossos hábitos e comportamentos relacionados ao sono também sofreram mudanças e até mesmo ressignificações, conforme os conceitos e entendimentos que cada sociedade atribuiu e disseminou a esse respeito. Ou seja, ao moldar novos hábitos, fatores culturais e tecnológicos também foram responsáveis por modificar a função do sono em nossas vidas.

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Se hoje estamos aprendendo a valorizar um sono profundo e reparador, em tempos pré-históricos, dormir profundamente nos deixava mais expostos ao risco de ataques de predadores. A necessidade de mantermos alguém de confiança alerta enquanto dormimos desenvolveu os diferentes cronotipos humanos, que hoje identificamos nas populações, e fez do ser humano o único mamífero capaz de manter um sono monocíclico. No decorrer do tempo, fomos nos organizando em estruturas sociais mais complexas e sedentárias. Nas civilizações da Antiguidade Clássica, bem como nas fases medievais subsequentes,


o trabalho braçal de guerreiros, camponeses e construtores exigia repouso das atividades físicas e regeneração do corpo para suportar a carga de esforço físico. Na Revolução Industrial, havia a necessidade de trabalhos repetitivos para garantir produção em grandes escalas. O condicionamento mental aos processos de trabalho industriais, por sua vez, exigiu do sono uma função de reparação psíquica e emocional. Mas, assim como nos trabalhos braçais dos tempos predecessores, o esforço repetitivo não oferecia grandes desafios intelectuais, de forma que o repouso também era entendido como uma necessidade de revigorar o corpo. Além disso, os paradigmas industriais estabeleciam que, quanto maior o tempo acordado, maior a produção realizada. E, facilitando as novas necessidades mercadológicas, a luz artificial permitiu o avanço das jornadas laborais noite adentro. Se, por um lado, esse foi o período que contribuiu para consolidar a ideia do sono como “perda de tempo”, que nos persegue e influencia até os dias atuais, foi também um período que favoreceu e valorizou o desenvolvimento das ciências e tecnologias, cobrando cada vez mais esforços intelectuais. Estas novas necessidades contextuais passaram a exigir maior capacidade de absorção e processamento de informações, tornando ainda mais importante a função de limpeza e regeneração dos nossos neurotransmissores.

Na economia atual, boa parte do trabalho braçal foi suprimida, dando cada vez mais lugar ao trabalho intelectual e criativo, no qual a capacidade de fazer sinapses se tornou um diferencial competitivo. Nesse sentido, tornou-se fundamental que as pessoas desenvolvam suas capacidades cognitivas para solucionar problemas. Entretanto, nos tempos modernos, a infodemia, o excesso de processos decisórios e o volume brutal de inputs cerebrais cotidianos criaram um novo limitador para a expansão da capacidade neural. É como se estivéssemos com nosso hard disk cheio e, além de tudo, lotado de lixo armazenado de forma desconexa. Só o sono, com seu efeito restaurador, tem a capacidade de reordenar os inputs cerebrais, limpar as neurotoxinas e preparar o cérebro para a nova carga de informação e sinapses do dia seguinte. Por isso tudo, e por muitas outras razões abordadas neste white paper, o sono ganha importância crescente em toda a sociedade, exigindo que cada um de nós acorde imediatamente para esta pandemia silenciosa caracterizada por sua privação. Só poderemos construir uma sociedade melhor com seres humanos melhores, mais dispostos e capazes de idealizar e realizar o novo. Só teremos futuro se soubermos respeitar, não só o meio ambiente, mas o próprio ecossistema hormonal que existe dentro de cada um.

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FONTES E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Publicado em Agosto de 2021.

FICHA TÉCNICA COAUTORES Carlos Azevedo Josué Alencar Luiz Rangel Roberta Martins Sérgio Salomão Walter Longo Zé Luiz Tavares

PROJETO GRÁFICO Beatriz Lopes Fabrício Lima Priscila Perassi Rafael Gregório Rafael Toledo Rodrigo Chiesa

REVISÃO Hellen Suzuki


CONTRIBUIDORES ESPECIAIS Adriano Vicentini • Albany de Souza Costa • Aline Quirino Xavier • Ayumi Furukawa • Breno de Souza Cavalcanti • Carlos Alberto Tourino • Caroline C. Kanaan • Caroline Dias Rocha Salles • Cláudio Patrus de Campos Bello • David de Almeida Marinho • Dolores Abrahão • Douglas Andrade • Erica Almeida • Filipe Nunes • Frank Koji Migiyama • Henrique Fabricio Gagliardi • Ingrid Morales • Jackson Rodrigues • Janielson Cabral • Jânio Francy de Oliveira • José Helder Colares Leão • Leônidas Oliveira • Lucas Baraças • Marco Aurélio Lemes Nogueira • Mario Cavalieri • Mateus Medeiros de Araujo • Mauro Nogueira Distchekenian • Patrícia Marques • Olivier Capoulade • Paulo Vinicius Teodósio de Sousa • Pedro Junqueira • Pedro Rocha • Polyana Ferreira Souza • Ramon Caldeira Faria • Regina de Lima Saad • Ricardo Diniz Nassif • Rogerio C. Bauer • Sérgio de Almeida Campos • Suely Fernandes • Thais Alves • Tobias Warken • Valéria Vasconcelos • Vanessa Reis


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