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Dock | Estudo "Terras de Oportunidades"

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EDIÇÃO 1.1: MARÇO 2022

Terras de Oportunidades Um mapa para os meios de pagamentos e digital banking na América Latina


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Introdução A América Latina sempre foi vista como um mercado de enorme potencial para o setor de meios de pagamento e banking. Com essa visão, aqui na Dock procuramos entender cada vez mais as diferenças e similaridades dos vários mercados que compõem esse incrível território, muitas vezes incompreendido em todas as suas particularidades. Já há tempos temos pesquisado, vivenciado e pilotado projetos em diversos países da região, acumulando experiência sobre a evolução das legislações, maturidade do mercado de meios de pagamento e comportamento do consumidor de cada diferente nação. Todo esse conhecimento está agora aqui: neste documento que a área de Research da Dock, voltada a pesquisa e inteligência de mercado, consolidou para que pudéssemos compartilhar com você. Como latino-americano, acostumado a conviver com pessoas de todas as nações aqui apresentadas, tenho certeza de que se trata de um estudo realista e inspirador, para quem deseja conhecer e investir no mercado de pagamentos e banking latino-americano, sejam bancos, fintechs, varejistas, instituições de pagamento ou empresas de qualquer segmento que queiram ir além. Desejamos boas-vindas às nossas Terras de Oportunidades. Ótima leitura!

ANTONIO SOARES | CEO DA DOCK 3


Sobre o estudo

Na mesma América Latina, um mundo de oportunidades “Terras de Oportunidades - Um mapa para os meios de pagamentos e digital banking na América Latina” representa o resultado de um amplo trabalho de pesquisa realizado pela área de research da Dock junto aos principais mercados de pagamentos e banking da América Latina. Neste estudo, foram realizadas análises aprofundadas em 6 países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru. Estes países são os mais populosos da região, assim como os que têm os maiores valores absolutos de PIB (Produto Interno Bruto).

Assim, a representatividade tanto de perfil do consumidor, hábitos de consumo e tamanho de mercados abrange mais de 75% dos latinos-americanos. Tratando-se de tecnologia, estes países serão responsáveis por mais de 440 milhões de conexões de smartphone na América Latina em 2025, segundo estimativas da GSMA2. FONTES: 1. WORLD BANK, 2022 | 2. GSMA, 2021 4

FOTO: NATHAN DUMLAO NO UNSPLASH

Em relação ao crescimento percentual de seus respectivos PIBs, são previstas variações positivas nestas nações entre os anos de 2021 e 2023, segundo estimativas do Banco Mundial em janeiro de 20221.


Comparação entre o PIB e o contingente populacional das nações

FONTE “PIB”: WORLD BANK, 2020

FONTE “POPULAÇÃO”: WORLD BANK, 2020

O estudo apresenta ainda informações específicas e detalhadas sobre cada um dos países analisados, num detalhado mergulho em dados e indicadores, apontando: • Dados macroeconômicos e perspectivas para 2022

• Evolução dos meios de pagamentos

• Visão sobre o consumidor local

• Presença e evolução dos pagamentos instantâneos

• Estágio de digitalização e acesso a serviços financeiros

• Perspectivas para o mercado de pagamentos

• Panorama de negócios e cenário fintech

e banking do país

Para a realização deste material, foram adaptadas diferentes fontes do mercado e, quando necessárias, realizadas traduções livres. A exatidão e acurácia das informações fornecidas neste estudo foram plenamente verificadas pelo time da Dock. No entanto, não devem ser utilizadas para atos e tomadas de decisão de qualquer natureza, seja formal ou informal, eximindo assim a Dock de qualquer responsabilidade. Lembramos que o acesso a este material implica a total aceitação deste termo de uso. 5


Sumário Transações pelo continente

07

Desbancarização e dependência do dinheiro como meio de pagamento Digitalização à frente da bancarização Boom das fintechs E-commerce em ascensão Como os latino-americanos pagam nas compras online Fazendo negócios na LatAm

Terras de oportunidades 1. Cidadania financeira para todos 2. O “Buy Now, Pay Later” movimenta a economia 3. Dinheiro na vitrine e crescimento do “As A Service” 4. Cartões no e-commerce 5. Alternativas digitais de pagamento online 6. Os promissores pagamentos instantâneos 7. Pista livre para fintechs gringas 8. México, Chile e Colômbia bons de negócio 9. Peru em lua de mel com os bancos digitais 6

21 22 24 25 26 27 28 29 30 31

08 10 12 14 16 18

Entendendo os sotaques

32

Argentina Brasil Chile Colômbia México Peru

34 48 64 78 92 110

Fim. Ou só o começo.

124


Transações pelo continente Questões como bancarização, digitalização, fintechs e e-commerce estão tomando conta das discussões do mercado de pagamentos e banking na América Latina. A diversidade de estágios de desenvolvimento dificulta o desenho de um panorama uniforme, mas algumas características podem ser consideradas constantes, apesar da grande fragmentação cultural, econômica e política da região. 7


Desbancarização e dependência do dinheiro como meio de pagamento

¿Dónde está la plata? • 54% da população latino-americana ainda não utiliza meios de pagamentos digitais ou serviços bancários • 70% das transações realizadas na América Latina utilizam dinheiro como método de pagamento1

PRINCIPAIS RAZÕES DA DESBANCARIZAÇÃO DOS LATINO-AMERICANOS2,3 • Fundos insuficientes • Alto custo dos serviços financeiros

• Falta de documentação necessária (exigência de histórico de movimentação financeira, comprovante de residência, etc.) • Distância para acessarem as agências (muitos bancos ainda requerem presença física do cliente para procedimentos)

FONTES: 1. EUROMONITOR, 2021 | 2. MASTERCARD, 2021 | 3. PYMNTS, 2021 8

FOTO: EMIL KALIBRADOV NO UNSPLASH

• Falta de confiança nas instituições financeiras


Dinheiro em espécie ainda é a forma de pagamento dominante na América Latina. Além de ser um indicativo de baixa bancarização e inclusão financeira, o método incorre em custos diretos e indiretos aos governos, organizações e à sociedade. Tais custos não são apenas financeiros, mas envolvem evasão fiscal, crime e mecanismos de crédito minorizados. Afinal, para ter um histórico de crédito, é necessário ter registro de transações e produtos financeiros contratados. Mesmo com o avanço da digitalização, que será tratada com mais atenção na próxima seção, o ritmo de adoção de métodos de pagamento alternativos é mais lento na América Latina do que em outras regiões do mundo, guiado pela desbancarização e pela baixa educação financeira da população.

Barreiras para inclusão financeira Dependência de dinheiro (espécie)

Falta de suporte regulatório e institucional

Falta de opções de pagamentos alternativos

Desbancarização

México

Alta

Alta/Média

Alta

Alta

Argentina

Alta

Alta

Média

Média

Peru

Média

Média

Alta/Média

Alta/Média

Colômbia

Média

Média

Alta/Média

Média

Alta

Média

Alta/Média

Média/Baixa

Brasil

Média

Alta

Média/Baixa

Baixa

Uruguai

Média

Média

Baixa

Média/Baixa

Chile

Baixa

Baixa

Média/Baixa

Baixa

Costa Rica

FONTE: BIS, 2020

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Digitalização à frente da bancarização

Muita tecnologia para pouco uso • 71% de penetração de smartphones (2020) • Apenas 20% usam a internet para serviços financeiros • Somente 12% usam a internet para vender produtos ou serviços

A digitalização na América Latina é maior e cresce a passos mais largos do que o processo de bancarização. Um dos aspectos que contribui para essa expressiva adesão ao digital é a distribuição etária da população: 58% da população adulta (acima de 18 anos) têm até 44 anos, parcela maior do que na Europa, América do Norte e ÁsiaPacífico. Essa parcela mais jovem encabeça o aumento do uso de dispositivos tecnológicos que, para smartphones, foi de 9,2% de 2015 a 2020, uma das maiores taxas do mundo, atrás apenas do bloco do Oriente Médio e África (12,1%). No entanto, a internet ainda é pouco utilizada pelos latino-americanos para serviços financeiros ou compras, o que demonstra grande potencial: muitas pessoas com dispositivos em mãos, mas subutilizando-os. A digitalização é um fator de apoio à inclusão financeira, mas não determinante. Para incluir pessoas no ecossistema financeiro, deve-se torná-lo competitivo (a fim de promover serviços mais acessíveis e centrados no cliente), incentivar inovação, expandir a infraestrutura de pagamentos e recebimentos e, principalmente, promover na população educação financeira e confiança nas instituições. FONTES: MASTERCARD, 2021 | PYMNTS, 2021 | EUROMONITOR, 2021 | BIS, 2020 | IDC, 2021. 10


FOTO: JULIAN GENTILEZZA NO UNSPLASH

Têm-se observado movimentos de governos e players financeiros para promover inclusão financeira fazendo uso de meios digitais, o que também é vantajoso para essas personagens, devido à redução de custos que novos métodos digitais proporcionam. A população também se mostra aberta: segundo o “Mastercard New Payments Index”, 83% dos latinoamericanos tendem a usar pelo menos um método de pagamento emergente nos próximos anos, como criptomoedas, tecnologias biométricas, pagamentos sem contato ou QR Codes.

“

Atualmente, clientes e consumidores aumentaram suas habilidades digitais na América Latina. As empresas que se adaptarem e investirem em novas experiências de clientes e inovarem mais rápido, serão as que evoluirão e se manterão à frente nos mercados. São essas empresas que priorizam o cliente em seus processos operacionais e inovam para oferecer experiências únicas aos usuários para crescer no novo normal de hoje.” PAOLA SORIANO, DIRECTOR CONSUMER & RESEARCH DEVICES LATIN AMERICA - IDC, DEZEMBRO 2021 11


Boom das fintechs

Berçário de Unicórnios A América Latina fechou o ano de 2021 com nada menos do que 41 “Unicórnios”, sendo 14 deles do universo financeiro.

Unicórnios por país

FONTE: STARTUPS, 2022 12


FOTO: JAVIER ESTEBAN NO UNSPLASH

Top Segmentos de Unicórnios na LatAm

Tanto em 2020, quanto em 2021, as fintechs latinoamericanas foram o principal alvo de investimento de venture capital, com crescimento recorde neste último ano.

• 2020: 40% do VC destinado à LatAm foi para fintechs, totalizando US$ 3,1 bi. • 2021: Apenas nos 3 primeiros trimestres de 2021, foram investidos US$ 9,7 bi em fintechs latino-americanas, representando um aumento de 313% em relação ao ano de 2020.

FONTES: BELVO, 2022 | GSMA 2021 OBS: 1. RAPPI E IFOOD ESTÃO INCLUSOS COMO FOODTECH. 2.FINTECH INCLUI AS STARTUPS DE CRIPTO.

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E-commerce em ascensão

Comprando online, mas local Assim como em todo mundo, a pandemia da Covid-19 acelerou o crescimento do e-commerce na América Latina e não há expectativa de regressão com o fim da crise: em estudo, a AMI projeta que o crescimento deste mercado até 2024 será de 29% na região, atingindo o valor de US$580 bilhões, liderado por Brasil e México.

FOTO: CRISTIAN TARZI NO UNSPLASH

Apesar disso, a revolução das compras online na América Latina ainda é bastante localizada, com 86% de todas as transações de comércio eletrônico na região sendo feitas internamente, com a maioria dos consumidores latino-americanos mais interessada em comprar itens online de marcas locais.

FONTE: AMERICAS MARKET INTELLIGENCE, 2021

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Participação do e-commerce nas vendas totais do varejo

FONTE: AMERICAS MARKET INTELLIGENCE, 2021

Valores dos mercados locais de e-commerce (2021) e previsão de crescimento até 2024 (em bilhões de dólares)

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FOTO: NICO CHAMORRO COSCIA NO UNSPLASH

Como os latino-americanos pagam nas compras online

O papel mantém sua força Mesmo realizando compras online, 14% dos latino-americanos ainda efetuam os pagamentos dessas compras em dinheiro, seja por meio de vouchers (gerados pelo e-commerce e pagos em lojas de conveniência ou bancos), ou pagamento direto na entrega. A tendência é a de que essa porcentagem caia pelo avanço acentuado dos meios de pagamento digitais, impulsionado principalmente pela pandemia, pela manutenção e expansão de hábitos online, observadas mundialmente, e pelos estímulos à inclusão financeira que muito países anunciaram nos últimos anos.

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Meios de pagamentos utilizados em e-commerce na América Latina

“

Até 2024, 75% das compras em e-commerces na América Latina serão feitas com um dispositivo móvel.” AMERICAS MARKET INTELLIGENCE

FONTES: PYMNTS, 2021 | AMERICAS MARKET INTELLIGENCE, 2021

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Fazendo negócios na LatAm

Difícil, mas compensa Segundo o ranking Doing Business, do Banco Mundial1, as economias são classificadas entre 1 e 190 em termos de facilidade em fazer negócios. Melhores classificações significam que as regulações do ambiente de negócios da economia são mais propícias à abertura e às atividades de uma empresa local. As classificações gerais são determinadas com base na média entre as pontuações de 10 tópicos que compõem o ranking, todas com o mesmo peso de classificação*.

FONTE: 1. WORLD BANK, 2020

Este ranking apresentado foi analisado e concluído em maio de 2019.

*A ÁREA DE RESEARCH DA DOCK OPTOU POR CONSIDERAR 7 DOS 10 TÓPICOS, PORÉM CONSIDEROU A CLASSIFICAÇÃO GERAL DE CADA PAÍS ANALISADO. ESTE RELATÓRIO FOI O ÚLTIMO DIVULGADO PELO BANCO MUNDIAL. EM 16 DE SETEMBRO DE 2021, O BANCO COMUNICOU QUE DAQUI PARA FRENTE, TRABALHARÁ EM UMA NOVA ABORDAGEM PARA AVALIAR O CLIMA DE NEGÓCIOS E INVESTIMENTOS.

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Percebe-se que, dentre os países analisados, México e Chile são considerados os melhores para se fazer negócios, o que não significa que detenham as melhores posições para cada critério utilizado no ranking. Mas sim, que de forma geral ofereçam condições mais facilitadas para se manter um negócio local ou abrir novos empreendimentos, sejam locais ou estrangeiros. O Chile é, inclusive, o país com menor variação entre as colocações de diferentes critérios: estando em 51º no critério “Proteção aos investidores minoritários” e em 94º no “Obtenção de crédito”.

Colômbia e Peru, apesar de não serem os líderes, ainda estão acima da média da América Latina, valendo mencionar que contam com variação expressiva entre as classificações de diferentes critérios. Por exemplo, a Colômbia encontra-se na posição 11º no quesito “Obtenção de crédito” e na 177º em Execução de contratos.

FONTE: WORLD BANK, 2020

FOTO: SUPER STRAHO NO UNSPLASH

Enquanto isso, Brasil e Argentina estão nas piores posições. O que os puxa para tais classificações são, principalmente, as dificuldades decorrentes do pagamento de impostos (mais altos dos analisados), para a abertura de empresas e obtenção de crédito nestes países.

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20 FOTO: LEON OVERWEEL NO UNSPLASH

AMÉRICA LATINA


FOTO: JEFFERSON SANTOS NO UNSPLASH

As oportunidades A partir da análise das diversas fontes pesquisadas foi possível à área de Research da Dock estabelecer um panorama realista do mercado financeiro latino-americano e, a partir dele, identificar 9 oportunidades que se apresentam a empresas e investidores, sejam locais ou internacionais.

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1. Cidadania financeira para todos

Educação financeira e estratégias offline permitindo inclusão financeira e expansão da base de clientes Para atrair populações sem ou com pouquíssimo acesso a serviços financeiros e à internet, é necessário que fintechs e empresas do comércio varejista considerem e adotem estratégias offline: seja em lojas físicas ou em meios e técnicas de comunicação e marketing. Foram identificadas iniciativas de players cujos serviços são parcial ou totalmente digitais, utilizando métodos de atração de clientes offline: seja por meio de banners, outdoors e painéis eletrônicos, ou até por abordagens pessoais, propagando a marca, educação financeira e construindo confiança. Também já se observa produtos que nasceram no digital, sendo oferecidos também de forma presencial, como o “Buy Now, Pay Later” (BNPL) em maquininha, incentivando a adesão de clientes que poderiam não utilizá-lo no formato tradicional 100% online. O tema de letramento financeiro não pode ser esquecido: disponibilizar conteúdos de educação financeira de forma online não é o bastante para atingir as populações mais vulneráveis. A abordagem offline faz parte da inclusão para que, em médio ou longo prazo, o meio digital seja suficiente para atingir a grande maioria das pessoas.

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FOTO: POLOX HERNANDEZ NO UNSPLASH

FOTO: MAX BOHME NO UNSPLASH

FOTO: SPENCER WATSON NO UNSPLASH

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FOTO: ALEXANDER SCHIMMECK NO UNSPLASH

FOTO: CARLOS ARANDA NO UNSPLASH

FOTO: EDUARDO SANCHEZ NO UNSPLASH


2. O “Buy Now, Pay Later” movimenta a economia

Crescimento da concessão de crédito na inclusão econômica de bancarizados ou não O BNPL permite o parcelamento de bens de valor baixo e médio o que viabiliza, por exemplo, que em países com taxas de desemprego que chegam a 15%, pessoas de baixa renda, bancarizadas ou não, obtenham bens duráveis e movimentem a economia. Esta solução promete crescer em toda América Latina, atrelada ao boom do e-commerce e à expansão mundial do modelo, abrindo portas, inclusive, para o uso de serviços financeiros de forma digital, lembrando que 20% dos latino-americanos já usam a internet para este fim. Apesar de ser um produto de crédito e, portanto, exigir análise de risco, já existem players (principalmente no México) que realizam tal análise sem examinar apenas dados bancários ou de serviços financeiros, mas utilizando também os de telecomunicações e outras informações abertas. Assim, indivíduos não bancarizados ou atuantes no mercado informal, sem comprovação de renda, podem ser aprovados para utilizar o BNPL. Mais um argumento em relação à inclusão dos desbancarizados é a possibilidade de pagamento com dinheiro em espécie das parcelas, nas lojas físicas em que se fez a compra ou em lojas de conveniência, que permitem pagamentos de faturas semelhantes a boletos.

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3. Dinheiro na vitrine e crescimento do “as a Service”

Consumidores habituados a serviços financeiros oferecidos por varejistas impulsionam a digitalização do setor Em todos os países analisados, os grandes varejistas (que também atuam em e-commerce) já ofertam produtos financeiros sob suas marcas, principalmente cartões (private label).

FOTO: CHRISTIANN KOEPKE NO UNSPLASH

Dado o costume do cliente com esse modelo de oferta, pode-se inferir a oportunidade tanto de fornecer produtos “as a Service” para players do segmento, quanto de prover melhorias nas ofertas e análises já existentes. Por exemplo: na maioria dos casos, para se obter um cartão de um varejista, deve-se apresentar o histórico de crédito. Soluções de análise de risco como mencionadas para o BNPL, que não dependam de um passado com instituições financeiras, podem ser uma saída para inclusão de mais clientes. Assim como qualquer solução tecnológica que viabilize maior agilidade para emissão e recebimento do cartão, ou outras melhorias para a jornada do cliente. A maioria desses grandes varejistas se restringem à oferta de cartão com descontos e programas de fidelidade e, em menor número, outros produtos de crédito. Enxerga-se aí a oportunidade de oferecer uma experiência mais abrangente de serviços financeiros.

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4. Cartões no e-commerce

Segurança de crescimento de utilização nos próximos anos Com a previsão de crescimento de 29% do e-commerce, entre 2020 e 2024, e do aumento na utilização de cartões neste meio de 68% para 73% entre 2020 e 2023, entende-se que abrirão lacunas para ofertas deste meio de pagamento, tanto por quem já oferece este produto quanto para novos players deste setor. O preenchimento destas lacunas gerará maior competitividade, resultando numa busca por destaque neste cenário, melhoria da experiência do cliente e inovação.

FOTO: GILLES LAMBERT NO UNSPLASH

Fomentar o uso de soluções para e-commerce que passem 100% pelo digital é um potencial caminho para trazer novos entrantes para o setor financeiro. E isso se dará através de carteiras digitais, contas de pagamento, etc.

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5. Alternativas digitais de pagamento online

O e-commerce da América Latina indo além dos cartões Apesar da predominância do uso de cartões de crédito e o alto uso de cartões de débito no comércio eletrônico, outras formas de pagamento também se destacam entre os principais meios de pagamento nos países analisados. Uma alternativa que ganhou espaço no Brasil, além de cartões, é a integração do sistema de pagamentos instantâneos no check-out ou a geração de faturas das compras com QR Codes a serem pagos através deste sistema. Tecnologias que promovam essa integração da melhor maneira para o negócio e para a jornada do cliente podem ganhar espaço, especialmente em países como Colômbia, que ainda lançará QR Codes para o Transfiya, sistema de pagamentos instantâneos do país. A população demonstra interesse: como mencionado, 83% dos latino-americanos tendem a usar métodos de pagamentos emergentes, dentre eles QR Code, o que indica receptividade. Vale destacar que já existem recursos de QR Code que exigem a associação de um cartão para cobrança, aqui propomos o uso dessa tecnologia para além do cartão.

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6. Os promissores pagamentos instantâneos

Diferentes níveis de adesão e tecnologia, mas sempre com grande potencial Em uma ponta tem-se o Brasil - um case de sucesso de implementação, adesão e volume transacionado pelo Pix - em outra está o Chile com promessas de estabelecimento de um sistema semelhante, enquanto conta apenas com transferências 24/7 com compensação quase imediata, mas sem avanços tecnológicos nos últimos anos, ou seja sem uso de chaves (como número de celular) ou QR Codes interoperáveis. Os demais países estudados encontram-se em estágios evolutivos intermediários: com menor popularização do que a do Brasil, mas com maior evolução tecnológica e interoperabilidade do que a do Chile. Um grande destaque e oportunidade recente é a Argentina, que implementou o Transferencias 3.0 em novembro de 2021 e vem conquistando grande adesão. Peru e Colômbia são casos em que as iniciativas dos sistemas são privadas e, assim, não operacionalizados pelos bancos centrais. Em todos os casos, os países prevêem ou apresentaram recentemente, crescimento de adesão e evoluções em seus sistemas e, assim, o fornecimento de tecnologia que viabilize a entrada de mais players ou beneficiem a experiência do cliente final são certamente bem-vindas.

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7. Pista livre para fintechs gringas

Bom momento para novos entrantes estrangeiros Além da evolução tecnológica nos serviços financeiros e do aumento no número de fintechs nos últimos anos, destacamos também a atuação de empresas estrangeiras neste segmento, indicando oportunidades para novos entrantes na região. Para enfatizar esta oportunidade, vale destacar a estimativa de que um terço das fintechs no Peru serão estrangeiras em 20221 juntamente com o alto número absoluto de empresas estrangeiras deste segmento no México (91 empresas)2 e a presença de 8% de Fintechs internacionais na Colômbia3.

FONTES: 1 PQS, 2022 | 2 3 FINTANK, 2020

EL ECONOMISTA, 2021 |

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8. México, Chile e Colômbia bons de negócio

Crescentes vantagens para empreender Considerando os critérios analisados pelo Banco Mundial, México, Chile e Colômbia se destacam em tópicos importantes, que podem ser considerados benefícios na realização de negócios em cada país. As principais oportunidades presentes no México, por exemplo, contemplam o desenvolvimento de setor financeiro na obtenção de crédito em comparação com os demais países analisados, além da rapidez e agilidade na execução de contratos (cerca de 350 dias). Sua “Lei Fintech” está trazendo visibilidade e potencial para a geração de novos negócios. Já no Chile, reforçamos sua eficiência na abertura de empresas no país, com destaque na redução de burocracia ao permitir o registro online de empresas fechadas. Além disso, o país possui 82% de penetração em contas bancárias e fintechs. Por último, entendemos que a variedade de bancos e instituições financeiras para acesso ao crédito são vantagens competitivas na Colômbia, além de leis de proteção de acionistas minoritários, aumentando a atratividade para entrada no país.

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9. Peru em lua de mel com os bancos digitais

O ponto de virada no mercado financeiro peruano Uma das principais oportunidades analisadas em relação ao surgimento de novas empresas e acesso de novos entrantes no Peru é o plano de incentivar a concorrência no setor financeiro do país, removendo a exigência de infraestrutura física para que se possa ofertar serviços financeiros. Com isso, se permitirá o surgimento ou entrada de bancos 100% digitais no país, criando um cenário mais atrativo a esse modelo de negócio e a fornecedores de tecnologias que o viabilizem.

FOTO: WILLIAN JUSTEN DE VASCONCELLOS NO UNSPLASH

Uma vez vigente, o desafio destas empresas será o estímulo à inclusão financeira, já que apenas 52% das pessoas possui contas em bancos e fintechs.

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FOTO: JEREMY LWANGA NO UNSPLASH

Entendendo os sotaques A diversidade de hábitos, costumes e linguagem existente nos países latino-americanos leva à formação de um mosaico cultura extenso, que por vezes exige foco para que se possa compreender todas as nuances de cada mercado específico, antes da tomada de decisões que envolvam investimentos.

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FOTO: EDGARDO IBARRA NO UNSPLASH

ARGENTINA

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Argentina

Na brava luta contra a inflação Depois do Peru, a Argentina foi o país com maior taxa de queda no PIB em 2020 devido ao impacto da pandemia, aprofundando a recessão do país1,2. Segundo dados do Banco Mundial, há previsão de crescimento de 2,6% no PIB em 2022 como reflexo do alto crescimento em 2021, ano em que teve início o processo de vacinação da população. Já as previsões para 2023 são de um crescimento reduzido do PIB (2,1%), porém com alta inflação anual juntamente com políticas de controle de preços e expectativa de desaceleração no consumo privado1,2.

Taxa de inflação, preços ao consumidor (% variação anual)3,4

FONTES: 1 WORLD BANK, 2021 | 2 WORLD BANK, 2022 | 3 IMF,2020 | 4 G1, 2022 35


Consumo das Famílias Argentinas Os períodos de recessão no país, juntamente com a pandemia da Covid-19 também podem ser considerados fatores determinantes para a queda no consumo das famílias nos últimos anos. Especificamente em 2020, o país apresentou a maior queda de consumo familiar entre os países analisados (-13,8%). Apesar da queda, a Argentina manteve os valores absolutos de consumo (US$ 316,57 bilhões) acima de países como Colômbia, Chile e Peru. Estes números impactaram também o consumo per capita das famílias, diminuindo o valor de US$ 8.233 em 2019 para US$ 7.087 em 20204.

FOTO: JONATAS TINOCO NO UNSPLASH

No período compreendido de 2021 a 2023, o crescimento previsto do PIB indica que pode haver crescimento do consumo, porém com menores ritmos ao longo dos 3 anos.

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Por outro lado, o nível de confiança dos argentinos com o governo do país e seu Banco Central é considerado baixo, entre outros fatores, por conta da inflação e dinâmicas cambiais5.

FONTES: 4 WORLD BANK, 2020 | WORLD BANK |

5 INFOBAE, 2021


Colocando a razão à frente do desejo

FOTO: KAI PILGER NO UNSPLASH

Comportamento de Consumo

Segundo estudos realizados durante 2020, os sentimentos dominantes entre os argentinos frente à recuperação econômica do país eram de incerteza e pessimismo. Em pesquisa feita pela McKinsey1 em setembro daquele ano, 45% dos pesquisados responderam que a economia ainda seria impactada por mais 6 a 12 meses antes de iniciar uma recuperação lenta, enquanto 35% acreditavam em um cenário mais pessimista, com a economia regredindo e o país entrando em uma longa recessão. Considerando o contexto de crise econômica do país, os consumidores argentinos são mais racionais e contidos, orientando seu consumo por custo-benefício. Por isso, preço é um dos principais fatores de decisão de compra, e existe uma priorização por produtos nacionais. Para alguns setores específicos, como o de alimentos, não existe fidelização por marcas: a preferência é pelas melhores ofertas e preços. Contudo, também valorizam produtos saudáveis, mais saborosos e fáceis de preparar. Para consumidores com poder aquisitivo maior, outros fatores são importantes na hora de comprar, como a experiência da compra envolvendo o atendimento e a facilidade. A qualidade do produto também importa, e por isso acabam adquirindo produtos mais caros de marcas mais conhecidas, por associarem a segurança. As compras por e-commerce estão crescendo no país e foram alavancadas com a pandemia, conforme apresentaremos na próxima seção. Contudo, os consumidores argentinos ainda preferem comprar direto nos pontos de venda, especialmente considerando produtos como alimentos, utensílios domésticos e artigos de higiene pessoal, como mostra a pesquisa da McKinsey1. Assim como em outros países, produtos de entretenimento, comida por entrega e eletrônicos começaram a ser mais comprados online.

FONTE: 1 MCKINSEY & COMPANY, 2020 | SANTANDER TRADE MARKETS, 2021

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Digitalização e acesso a serviços financeiros na Argentina

De celular em mãos e com dinheiro no banco

FONTE: 1 AMERICAS MARKET INTELLIGENCE, 2021

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GIAN CESCON NO UNSPLASH

De acordo com dados divulgados pela AMI1 em março de 2021, o acesso a contas em banco e fintechs na Argentina aumentou entre 2017 e 2021, atingindo 60% de penetração no último ano e representando a terceira maior penetração entre os países pesquisados, juntamente com Colômbia e atrás de Chile e Brasil.


Em relação à internet móvel e em comparação com os demais países analisados, projeta-se 74% de penetração em 2025, sendo o segundo país com melhor adoção deste tipo de tecnologia, atrás somente do Chile. Juntamente com o aumento da penetração em internet móvel, estima-se 5 milhões de novos usuários de linhas móveis no país, número que equivale a mais de 10% da população argentina em 20202. Já tratando-se de e-commerce, dados divulgados pela AMI1 em agosto de 2021 indicam que este mercado vale US$ 17,1 bilhões, sendo este o quarto maior valor entre os países analisados neste estudo. Por outro lado, o país apresenta o segundo maior crescimento projetado para os anos de 2020 e 2024 com 32%, atrás somente do crescimento no Peru3.

• 74% de penetração da internet móvel (2025)2 • 5 milhões de novos usuários de linhas móveis (2025f)2 • 32% de crescimento do mercado de e-commerce (2020-2024f)3.

FONTES: 1

AMERICAS MARKET INTELLIGENCE, 2021 | 2 GSMA, 2021 | 3 AMERICAS MARKET INTELLIGENCE, 2021

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Negócios e cenário fintech na Argentina

Ambiente difícil para o empreendedor Segundo o relatório Doing Business 2020 do Banco Mundial1, a Argentina representou o 126º melhor país para se fazer negócios no mundo e o 6º entre os países analisados nesta pesquisa. Ao contrário de outras nações, a Argentina não se destaca de forma positiva em nenhum tópico, mas sim por possuir a menor colocação em diversos deles. Entre outros quesitos, os seguintes indicadores representaram as piores colocações da Argentina no ranking: obtenção de crédito, resolução de insolvência e abertura de empresas, sendo:

1.

2.

3.

Obtenção de crédito: possui procedimentos complexos e alto custo de obtenção de crédito. Além disso, segundo o Banco Mundial, a Argentina possui baixo grau em leis de garantias e falências que protejam os direitos dos credores e facilitem empréstimos.

Resolução de insolvência: cerca de até 2,5 anos entre o pedido de insolvência e as resoluções, enquanto este tempo na Colômbia, melhor colocado neste ranking, é de 1,7 anos.

Abertura de empresas: alto número de procedimentos para a abertura de empresas e, entre outros fatores, a introdução de processo burocrático adicional para a contratação de mais de 10 funcionários por parte das empresas.

FONTE: 1 DOING BUSINESS, 2020 40


Distribuição das principais verticais em fintech (considerando análise de 200 empresas em junho de 2020)3

Cenário fintech 20212

300 empresas

Embora o país não tenha leis específicas para fintechs, suas verticais possuem regulamentações próprias, como é o caso de serviços de pagamento e crédito não financeiro. Também é possível dizer que a expansão das fintechs trouxe rapidez e maior competitividade entre players do sistema de finanças, fazendo com que empresas tradicionais acompanhem o processo de inovação.

FONTES: 2 BANCO INTERAMERICANO DE DESAROLLO, 2021 | 3 IPOUP, 2021 41


Meios de pagamento na Argentina

As inovações começam a aparecer Mix de métodos de pagamento no PDV X Comércio Eletrônico em 20201

FONTE: 1 FIS, 2021 42

* : “DINHEIRO PARA PDV = PAGAMENTO NO ATO COM DINHEIRO EM ESPÉCIE” | “DINHEIRO PARA E-COMMERCE = PAGAMENTO NO MOMENTO DA ENTREGA”


É possível verificar que:

81%

81%

dos pagamentos no comércio eletrônico está concentrado em cartões de crédito, carteiras digitais e cartões de débito.

dos pagamentos em PDV se concentra em dinheiro, cartões de débito e crédito. Em relação aos países pesquisados, a representatividade percentual do uso de dinheiro em PDV é a terceira maior, atrás somente de México e Peru.

Apesar da alta representatividade destes meios de pagamentos mais conhecidos, novas formas estão despontando como inovações no país. Neste caso, o método de pagamentos via QR Code apresentou altos números de operações diárias desde o lançamento das Transferências 3.0 no final de novembro de 20212.

• 56,3 milhões de cartões de débito (2020)3 • Média de 1,6 cartão de débito por pessoa acima de 15 anos (2020)3,4 • 41,6 milhões de cartões de crédito (2020)3 • Média de 1,2 cartão de crédito por pessoa acima de 15 anos (2020)3,4

FONTES: 2 LA NACIÓN, 2021 | 3 IMF, 2020 | 4 WORLD BANK, 2020 | WORLD BANK 43


Pagamentos instantâneos na Argentina

À procura do modelo ideal PEI e DEBIN A Argentina conta com dois sistemas apartados de pagamentos instantâneos, ambos operando 24/7 e suportados por todos os bancos argentinos, mas ainda em desenvolvimento e representando relativa baixa adesão, em comparação a outros métodos. O “Pago Electrónico Imediato” (PEI), primeiro a ser lançado, em 2016, permite pagamentos por terminais POS móveis (mPOS), botões de pagamento e carteiras digitais. O sistema funciona nas plataformas de pagamento digital fornecidas pelas redes de ATM Banelco e Link. Pode-se realizar pagamentos P2P e C2B. Já em setembro de 2017, foi lançado o DEBIN, descrito como um sistema de débito direto instantâneo, com pré-requisição do recebedor e autorização do pagador. Um diferencial em relação ao PEI é o fato de permitir pagamentos B2B. Transferencias 3.0 Mais recentemente, em outubro de 2020, foi anunciada a aprovação do programa de implementação do sistema Transferencias 3.0, que objetiva impulsionar pagamentos digitais e promover inclusão financeira no país, mirando atingir, em maior prazo, um ecossistema digital de pagamentos abertos e universais. A implantação foi iniciada em 07 de dezembro de 2020 e se deu de forma gradativa. Dentro da iniciativa, foi criada a “Interface Estandarizada de Pagos” (IEP), que permite compatibilizar pagamentos de todas as contas, bancos e carteiras digitais. O principais drivers foram: compensação imediata, economia (por não incidir os custos por trás do dinheiro, como transporte, armazenamento e riscos de segurança), competitividade (por incluir players minoritários no mercado) e flexibilidade.

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Em 29 de novembro de 2021, foi anunciado o pleno funcionamento dos QR Codes interoperáveis. Assim, os usuários portando um telefone móvel e qualquer aplicativo de banco ou carteira digital podem ler qualquer QR Code e realizar uma transferência instantânea. O usuário não paga qualquer taxa ou comissão e o comércio paga comissão, limitada a 0,8%. Após 23 dias de operação, alcançou-se a marca de 50 mil operações diárias, um total de mais de 786 mil transações e um montante de ARS 1,284 bilhões (US$12,2 milhões).

“

O lançamento completo dos pagamentos com transferência demonstrou um alto grau de integração. Este esquema permitirá que tanto empresas (comércios) como usuários obtenham vantagens muito tangíveis em pagamentos eletrônicos: segurança, imediatismo, irrevogabilidade e custos mais baixos. E, ao mesmo tempo, uma maior inclusão financeira será alcançada” MIGUEL PESCE, PRESIDENTE BCRA

2016

2017

2019

Lançamento PEI

Lançamento DEBIN (com todos os bancos argentinos habilitando o serviço)

Pagamentos recorrentes são habilitados pelo DEBIN

2020

2021

[Outubro]

[Dezembro]

[Novembro]

Aprovação Transferencias 3.0 (com foco em QR Codes interoperáveis)

Início da Implementação do sistema Transferencias 3.0

Anúncio do pleno funcionamento dos QR Codes interoperáveis)

FONTES: ACI WORLDWIDE E GLOBALDATA, 2021 | BCRA, COMUNICAÇÃO OFICIAL (30.10.2020) | BCRA, 2020 | LA NACIÓN, 2021 | FORBES, 2021 | ARS 1 = US$ 0,0095

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Perspectivas para o mercado financeiro argentino

Open Banking embrionário, mas com potencial O país não conta ainda com regulações voltadas especificamente ao Open Banking, porém o banco central do país (BCRA) tem promovido discussões sobre a temática assim como, juntamente à Unidade de Informação Financeira (UIF) incorporou algumas disposições às regulações para suportar o sistema. Estas incluem permitir que os bancos compartilhem informações de clientes a seu pedido para processos de onboarding digital, assim como elaborar legislação sobre o direito de os consumidores transferirem seus dados.

FOTO: SUPER STRAHO NO UNSPLASH

Em 2018, o Banco Industrial (BIND) lançou sua plataforma API Bank em parceria com o Poincenot Technology Studio, sendo pioneiro no país a oferecer APIs abertas ao mercado.

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Desde então, além do nível regulatório, vários bancos e fintechs estão desenvolvendo APIs para operar de forma mais integrada e eficiente. Isso demonstra um ecossistema que tem grande potencial para estabelecimento do Open Banking oficialmente.


Misiones: pontapé inicial para um peso digital? Em agosto de 2021, houve certo atrito de ideias entre o presidente argentino e o presidente do BCRA a respeito de criptomoedas e o desenvolvimento de uma moeda digital nacional. O presidente demonstrou apoio às criptomoedas, ressaltando inclusive as vantagens da anulação do efeito inflacionário, assim como afirmou não haver motivos para dizer “não” a uma possível moeda digital. Em contrapartida, o líder do banco central afirmou ter preocupações em relação ao uso de criptomoedas e acreditar que uma CBDC poderia ser prejudicial à estabilidade econômica do país. Frente a isso, Misiones, uma província argentina, aprovou em julho do mesmo ano o “Programa Misionero de Innovación Financiera con Tecnología Blockchain y Criptomoneda”, iniciativa para implementação de uma criptomoeda estável que permita à província ter outra ferramenta de financiamento e transação com entidades privadas ou públicas do país e do mundo. Segundo o Ministro da Fazenda de Misiones, o programa estabelece três prioridades: implementar blockchain na gestão da informação, dentro e entre as diferentes áreas da administração pública; criar uma criptomoeda estável para Misiones e a criação de um título ou certificado verde. Na data, a tecnologia blockchain já estava sendo implementada na ferramenta “Cidadão Digital”, que permite que contribuintes sejam identificados digitalmente e que será expandida a outras instâncias. Além disso, a província já vinha trabalhando no projeto de criptomoedas desde 2020, na avaliação das alternativas, mas ainda busca-se maturidade para levar o projeto ao governador.

“

Será uma ferramenta de última geração para fins de transação e entesouramento […] Nossa intenção é fazê-lo com participação público-privada para que seja um projeto sério e responsável.” ADOLFO SAFRÁN, MINISTRO DE FAZENDA DE MISIONES

FONTES: BELVO, 2022 | OPEN BANKING EXCELLENCE, 2021| EL ECONOMISTA, 2021 | BLOOMBERG, 2021 | THE NEWS CRYPTO, 2021 | COINTELEGRAPH, 2021

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BRASIL

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Brasil

Aqui, a briga é pelo PIB Em relação à queda de 3,9% do PIB no ano de 2020, segundo a Coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebecca Palis, “o resultado é efeito da pandemia da Covid-19, quando diversas atividades econômicas foram parcial ou totalmente paralisadas para controle da disseminação do vírus. Mesmo quando começou a flexibilização do distanciamento social, muitas pessoas permaneceram receosas de consumir, principalmente os serviços que poderiam provocar aglomeração”1. Já para 2021, mesmo sem ter ainda a consolidação dos dados pelo Banco Mundial2, estima-se crescimento de 4,9% no PIB, entre outros fatores, pelo avanço da vacinação e retomada de alguns setores de atividade. Por outro lado, na segunda metade do ano, a inflação e problemas de insumo na indústria podem impactar esta previsão de crescimento. Segundo estimativas do Banco Mundial, prevê-se que o crescimento do país desacelere para 1,4% em 2022, com alta inflação, taxa de desemprego acima de 12% e também impactado pela desaceleração econômica da China. Consequentemente, o consumo privado deverá diminuir neste ano.

FONTE: 1. IBGE, 2021 | 2. WORLD BANK, 2022

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Despesas de Consumo Familiar no Brasil

Apesar da estimativa de aumento do PIB em 2021, que por consequência causaria aumento do consumo familiar no país, é importante citar que inflação, juros e taxa de desemprego são fatores que podem impactar, positivamente ou negativamente, a confiança do consumidor, assim como seus gastos para este e os demais anos.

FONTE: 3. WORLD BANK, 2020 | WORLD BANK

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FOTO: RIVAIL JUNIOR NO UNSPLASH

Impactado pelas medidas de distanciamento social para diminuir a disseminação da Covid-19 e seus efeitos no mercado de trabalho, o consumo familiar sofreu queda de 5,5% em 2020 (em comparação ao ano anterior), indo de US$ 1,18 trilhões para US$ 1,12 trilhões respectivamente. Apesar do impacto, o Brasil representou a menor queda entre os países analisados. Dessa mesma forma, o consumo familiar per capita também foi o que menos sofreu alterações, variando de US$ 5.603 em 2019 para US$ 5.260 em 20203. É importante destacar que programas de auxílio Emergencial e saque do FGTS amenizaram as quedas apresentadas no consumo.


O Consumidor Brasileiro

Equilibrando entre o break-even e o endividamento O consumidor brasileiro se mostrou incerto com a recuperação econômica do país pós-pandemia, segundo estudos realizados pela McKinsey¹ ao longo de 2020. Para cerca de 53% dos pesquisados, o sentimento era de incerteza, com a economia sendo impactada por mais 6 a 12 meses antes de iniciar uma recuperação lenta. Por outro lado, 33% demonstraram otimismo, acreditando em uma recuperação em 2 a 3 meses. Em pesquisa sobre saúde financeira, realizada no final de 2020 pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban)² com brasileiros que têm relacionamento com o Sistema Financeiro Nacional, cerca de 70% responderam que empatam ou gastam mais do que ganham, demonstrando que vivem um limite justo entre renda e gastos e que raramente sobra dinheiro no fim do mês. Mais de 58% afirmaram que preocupações com as despesas e compromissos financeiros são motivos de estresse em casa, e mais de 64% não têm segurança sobre o futuro financeiro. A pesquisa resume que os brasileiros têm necessidade de ter mais informações sobre finanças, pois têm incertezas quanto à maneira como lidam com o dinheiro e insegurança quanto ao futuro, admitindo que lidar com o dinheiro de outras formas permitiria aproveitar melhor a vida. Considerando os dados de saúde financeira e o cenário de inflação e juros altos no Brasil, o consumidor brasileiro tenta economizar o máximo possível em suas compras e reduzir os gastos, além de procurar as melhores promoções. Na medida do possível, são fiéis a marcas específicas, quando consideram o preço justo. FONTES: 1 MCKINSEY & COMPANY, 2021 | 2 FEBRABAN, 2021

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Apesar de buscarem preços baixos, os brasileiros não abrem mão da qualidade, e costumam ser exigentes com atendimento e suporte ao cliente. Além disso, a reputação da marca é cada vez mais importante: os consumidores têm o hábito de pesquisar online sobre os produtos em sites de avaliação e redes sociais, se atentando, principalmente, aos comentários de outros clientes. Quando precisam de algum suporte ou solicitam informação, esperam que a resposta da marca seja rápida. Segundo dados do Santander Trade Markets³, o consumidor brasileiro tem forte preferência em pagar as compras de forma parcelada: três quartos fazem a compra em parcelas, com média de 6 parcelas, e um terço dos consumidores não fará a compra no estabelecimento caso ele não ofereça a opção de parcelamento. Tal prática fortalece o poder de compra dos consumidores e aumenta o valor médio das transações por cliente. Seguindo a tendência da América Latina e mundo, os brasileiros estão mais preocupados com o consumo consciente, optando por opções de marcas sustentáveis e saudáveis, quando possível. Em pesquisa sobre tomada de decisões financeiras, realizada em outubro de 2020 pela McKinsey4, o desempenho dos bancos está de acordo com as expectativas da maioria dos consumidores pesquisados (bancarizados) - cerca de 55%. Para outros 22%, o desempenho está acima da expectativa. A mesma pesquisa mostra que o maior desejo dos pesquisados em relação aos bancos é a possibilidade de não ter que pagar as taxas de parcelas atrasadas de cartão de crédito e empréstimos. Cerca de 43% e 46% também afirmaram que pretendem utilizar mais online banking e mobile banking (aplicativo), respectivamente, mesmo quando a pandemia terminar.

FONTES: 3 SANTANDER TRADE MARKETS, 2021 | 4 MCKINSEY & COMPANY, 2020

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Digitalização e acesso a serviços financeiros no Brasil

Ainda falta internet, mas o e-commerce dispara De acordo com dados divulgados pela AMI em março de 2021, o acesso a contas em banco e fintechs no Brasil aumentou entre 2017 e 2021, atingindo 88% de penetração no último ano1. Assim, o país possui a maior taxa de bancarização entre as nações analisadas, ultrapassando o Chile e demonstrando alta inclusão financeira.

Juntamente com o aumento da penetração em internet móvel, estima-se que 13 milhões de pessoas terão novos acessos a linhas móveis no país, número que equivale a mais de 6% da população do Brasil em 20202.

FONTES: 1 AMERICAS MARKET INTELLIGENCE, 2021 | 2 GSMA, 2021

FOTO: RIVAIL JUNIOR NO UNSPLASH

Por outro lado, a adoção de internet móvel é somente a terceira maior entre os países do estudo, atrás de Chile e Argentina, indicando menores níveis de digitalização. Segundo dados da GSMA, a penetração de internet móvel foi de 62% em 2020 e estima-se 69% em 2025.

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Tratando-se do mercado de e-commerce, dados divulgados pela AMI em agosto de 2021 indicam que este vale US$ 147,6 bilhões, sendo o maior valor entre os países analisados, com crescimento estimado de 30% entre de 2020 a 20243. Segundo estudo da AMI de julho de 2021, o Brasil possui o mercado de e-commerce mais maduro na América Latina, em que os varejistas são capazes de alcançar novos canais de venda como, por exemplo, redes sociais, Whatsapp, além da atuação de marketplaces que impulsionam o crescimento do setor e incentivam novos vendedores4. Como consequência do crescimento e maturidade do e-commerce, sua representatividade no total de varejo no país aumentou entre os anos de 2019 e 2020 e, segundo estimativas, representará 17% em 20244.

• 69% de penetração internet móvel (2025)2 • 13 milhões novos usuários de linhas móveis (2025f)2 • 30% de crescimento do mercado de e-commerce (2020-2024f)3

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FONTES: 2 GSMA, 2021 | 3 AMERICAS MARKET INTELLIGENCE, 2021 | 4 AMERICAS MARKET INTELLIGENCE, 2021


Negócios e cenário fintech no Brasil

A aventura de empreender continua Segundo o relatório Doing Business 2020 do Banco Mundial1, o Brasil representou o 124º melhor país para fazer negócios no mundo e o 5º entre os países analisados nesta pesquisa. O Brasil não apareceu como melhor país em nenhum tópico, e possui a pior colocação em dois. Abaixo, compartilhamos alguns quesitos em destaque no país:

1.

Execução de contratos: tópico de melhor posição do Brasil, porém atrás de México e Chile. Essa distância fica evidente ao analisar, entre outros fatores, que o tempo médio de execução de contratos é o dobro do tempo no México.

2.

Obtenção de crédito: pior colocação entre os países analisados, juntamente à Argentina. Assim como este país, segundo Banco Mundial, o Brasil possui baixo grau em leis de garantias e falências que protejam os direitos dos credores e facilitem empréstimos.

3.

Pagamento de impostos: duração de 1.501 horas por ano é o tempo necessário para preparar, arquivar e pagar (ou reter) três tipos de impostos: imposto de renda corporativo, imposto sobre valor agregado e impostos trabalhistas, incluindo impostos sobre os salários e contribuições para seguro social. Vale citar que, no Chile, melhor classificado, este tempo é de 296 horas por ano.

Apesar das dificuldades, o Banco Central do Brasil (BCB) já autoriza a funcionar no país dois tipos de fintechs de crédito: para intermediação entre credores e devedores por meio de negociações realizadas em meio eletrônico - a Sociedade de Crédito Direto (SCD) e a Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (SEP), cujas operações constarão do Sistema de Informações de Créditos (SCR)2.

FONTES: 1 DOING BUSINESS, 2020 | 2 BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2022

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Cenário fintech 20213

FOTO: MURILO GOMES NO UNSPLASH

Distribuição das principais verticais em fintech3

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FONTES: 3 FINCATCH, 2021


FOTO: GUI FRANÇA NO UNSPLASH

Meios de pagamento no Brasil

O cartão de crédito não para de crescer No Brasil, as proporções do uso de cartão de crédito no comércio eletrônico e PDV são superiores aos demais países analisados, com destaque na alta proporção do uso deste método (34%) em comparação com dinheiro (35%) nas transações presenciais. Por outro lado, a proporção do uso de cartão de débito no e-commerce é a menor entre os países.

Mix de métodos de pagamento no PDV X Comércio Eletrônico em 20201

FONTE: 1 FIS, 2021

* : “DINHEIRO PARA PDV = PAGAMENTO NO ATO COM DINHEIRO EM ESPÉCIE” | “DINHEIRO PARA E-COMMERCE = PAGAMENTO NO MOMENTO DA ENTREGA”

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FOTO: LUCAS MARCOMINI NO UNSPLASH

Segundo pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), no ano de 2021, o cartão de crédito apresentou forte ritmo de crescimento tanto no comércio eletrônico, como pela recuperação das transações presenciais, com destaque para a utilização de tecnologia de pagamentos por aproximação (NFC). Segundo a Associação, a expectativa é que cerca de metade das transações presenciais sejam por aproximação em 20222. Outro meio de pagamento utilizado no país é o Pix, sistema de pagamentos instantâneos, com cerca de 9,5 bilhões de transações no ano de 2021, segundo estatísticas do Banco Central3, e em crescimento de aceitação no e-commerce4.

• 166,9 milhões de cartões de débito (2020)5 • Média de 1,0 cartão por pessoa acima de 15 anos (2020)5,6 • 135,2 milhões de cartões de crédito (2020)5 • Média de 0,8 cartão por pessoa acima de 15 anos (2020)5,6

FONTES: 2 ABECS, 2022 | 3 BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2022| 4 EXAME, 2022 | 5 IMF, 2020 | 6. WORLD BANK, 2020 | WORLD BANK 58


Pagamentos instantâneos no Brasil

O Pix chegou para ficar O sistema de pagamentos instantâneos P2P, C2B, B2B, C2G, G2C, B2G e G2B, 24/7 foi lançado pelo Banco Central do Brasil (BCB) em novembro de 2020. Independe do fornecimento de dados específicos da conta do destinatário: utiliza como chaves número de celular, CPF ou CNPJ (documento de identificação brasileiro de pessoa física ou jurídica), e-mail ou chave aleatória, esta última gerada de forma randômica pelos canais digitais das instituições participantes. Além disso, pode-se pagar por QR Code e pelo recurso “Pix Copia e Cola”, em que uma cobrança particular é gerada com código único alfanumérico e este é utilizado no pagamento.

FOTO: NATHANA REBOUÇAS NO UNSPLASH

Pix

O sistema é um grande case de sucesso de adesão pelo público: desde abril de 2021, o número de transações por Pix ultrapassa a soma das feitas por TED, DOC, boleto e cheques, assim como, em janeiro de 2021, ultrapassou a marca de 50 milhões de transações por dia.

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Além disso, o Pix conta com uma agenda de melhorias e novas funcionalidades. As já implementadas são: Integração do Pix com a agenda de Open Banking, introduzindo os Iniciadores de Pagamentos com Pix: instituições de pagamento reguladas pelo BCB que podem iniciar transferências e pagamentos para clientes, porém não detém a conta financeira do pagador e não participam da liquidação. Pix Saque e Troco: o cliente pode enviar um Pix para um estabelecimento em que faz compras, como supermercados, e a loja repassa o valor integral em dinheiro em espécie para o cliente. Bloqueio Cautelar e Mecanismo Especial de Devolução (MED): features que, em casos de possível fraude, permitem bloqueio de recursos para avaliação da instituição recebedora e, confirmado o golpe, o valor pode ser devolvido ao pagador. Vale destacar que, no primeiro ano do Pix, muitos casos de fraude associados ao Pix foram registrados e viraram notícia. E a agenda ainda conta com três novidades que virão em 2022: o Pix Garantido, que permitirá parcelamento pelo sistema, Pix Cobrança, que possibilitará gerar QR Codes para receber os pagamentos e incluir informações além do valor, como data de vencimento, juros e multa, podendo ser utilizado, inclusive, para pagar contas de luz, e o Débito Automático no Pix, para facilitar pagamentos recorrentes.

“

O Brasil teve a adoção de meios de pagamento instantâneo mais rápida no mundo quando consideramos o número de transações per capita. o Pix já supera TED, DOC, cheque, boleto cartão pré-pago e débito direto, ficando apenas atrás de convênios de arrecadação [pagamentos de contas de água e luz, por exemplo], cartão de crédito e débito.” ROBERTO CAMPOS NETO, PRESIDENTE DO BCB (NOV/21)

FONTES: ACI WORLDWIDE E GLOBALDATA, 2021 | BC PIX, 2022 | GOVERNO DO BRASIL BC E MED, 2021| GOVERNO DO BRASIL PIX SAQUE E TROCO, 2021 | INFOMONEY, 2021

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2002

2018

2020

Lançamento SITRAF

Anúncio Pix

[Novembro]

[Outubro]

[Novembro]

[Dezembro]

[Futuro]

Lançamento Pix

Estabelecimento de limites para transações noturnas e Começo da Iniciação de Pagamentos com Pix

Lançamento Pix Saque e Troco

Bloqueio Cautelar e Mecanismo Especial de Devolução

Pix Garantido, Pix Cobrança e Débito Automático no Pix)

2022

Assim como há o cartão de crédito por aproximação, o Pix também terá no futuro uma funcionalidade por aproximação. Aproxima celular e vai fazer pagamento com o Pix”. MAURICIO MOURA, DIRETOR DE RELACIONAMENTO, CIDADANIA E SUPERVISÃO DE CONDUTA DO BCB (NOV/ 21)

FOTO: PEDRO GODOY NO UNSPLASH

“

2021

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O Open Banking mais avançado da LatAm

FOTO: JAIME DANTAS NO UNSPLASH

Perspectivas para o mercado financeiro brasileiro

O Brasil é, dentre os países latinos, o que possui seu Sistema Aberto de Finanças mais avançado, estando em sua quarta, e última, fase de implementação. Somado a isso, em sua fase final o modelo adotado será o de Open Finance (que inclui outras instituições prestadoras de serviços financeiros além dos bancos), colocando o país na vanguarda mundial para o tema. Com regulamentação anunciada em maio de 2020, as etapas para seu estabelecimento têm sido: • Fase 1 (início em 1 de fevereiro de 2021): instituições participantes disponibilizaram ao público informações padronizadas sobre os seus canais de atendimento e características de seus produtos e serviços bancários tradicionais. • Fase 2 (início em 13 de agosto de 2021): clientes passaram, de forma gradual, a poder solicitar o compartilhamento de informações sobre transações em suas contas, cartão de crédito e produtos de crédito contratados, entre instituições participantes. O compartilhamento depende de autorização explícita do usuário e tem período pré-definido. • Fase 3 (início em 29 de outubro de 2021- ainda em andamento): surgiu a possibilidade de compartilhamento dos serviços de iniciação de transações de pagamento (como Pix) e de encaminhamento de proposta de operação de crédito. • Fase 4 (15 de dezembro de 2021 - ainda em andamento): com o Open Finance, clientes passam a poder compartilhar dados de outros serviços financeiros: câmbio, investimentos, seguros, previdência complementar aberta e contas-salário, bem como acessar informações sobre as características destes tipos de serviço disponíveis para contratação no mercado. FONTE: BELVO, 2022 | OPEN BANKING EXCELLENC, 2021 | BCB OPEN BANKING, 2022 | BCB REAL DIGITAL, 2022 | FDR, 2022 | SENADO BRASIL, 2021 | BCB NOTA DIRETRIZES DO REAL DIGITAL, 2021| LIFT CHALLENGE REAL DIGITAL, 2022 | COINDESK, 2021 | FOLHA DE S. PAULO, 2021

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Real Digital a ser lançado até 2024 Segundo o BCB, têm-se acompanhado o tema da criação de uma CBDC brasileira há alguns anos, mas em agosto de 2020 foi dado o primeiro passo aberto ao público: organização de um grupo de trabalho, com representantes de todas as áreas da instituição, para a realização de estudos sobre a emissão de uma moeda digital. Como resultado do trabalho do grupo, em maio de 2021, foram publicadas diretrizes gerais para o Real Digital, dentre elas: • Ênfase na possibilidade de desenvolver modelos inovadores a partir de evoluções tecnológicas, como contratos inteligentes, internet das coisas e dinheiro programável; • Previsão de uso em pagamentos de varejo; • Ausência de remuneração; • Garantia da segurança jurídica em suas operações; • Desenho tecnológico que permita integral atendimento às recomendações internacionais e normas legais sobre prevenção à lavagem de dinheiro, ao financiamento do terrorismo e ao financiamento da proliferação de armas de destruição em massa, inclusive em cumprimento a ordens judiciais para rastrear operações ilícitas; • Adoção de solução que permita interoperabilidade e integração, visando à realização de pagamentos transfronteiriços. Já em 30 de novembro de 2021, criou-se o LIFT (Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas) voltado à temática, a fim de reunir participantes do mercado interessados (bancos, cooperativas e instituições financeiras) em desenvolver um piloto com as características que o BCB procura para a tecnologia. A divulgação dos projetos finalistas está prevista para 4 de março de 2022. Planeja-se iniciar um piloto da moeda em 2022 e acredita-se que até 2024 haverá uma versão final do Real Digital. O BCB já vem discutindo um projeto de lei para regular os ativos digitais como veículo de investimento.

“

Moedas digitais são o meio de pagamento ideal para contratos inteligentes” RODRIGOH HENRIQUES, ESPECIALISTA DA FENASBAC (FEDERAÇÃO NACIONAL DE ASSOCIAÇÕES DOS SERVIDORES DO BANCO CENTRAL)

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64 FOTO: XIMENA NAHMIAS NO UNSPLASH

CHILE


Chile

Tirando o pé do acelerador O ano de 2020 apresentou a pior recessão do Chile em décadas. Alguns fatores que evidenciaram esse fato foram: alta taxa de desemprego, alto déficit fiscal, queda de 5,8% no PIB e protestos decorrentes do descontentamento com a situação socioeconômica de 2019-2020.1,2 Já em 2021, fatores como campanha de vacinação contra a Covid-19, gastos do governo e saque de pensões fizeram com que o crescimento retornasse ao país. Para os próximos anos, de acordo com o Banco Mundial, é previsto que esta forte recuperação de 2021 se torne mais branda em 2022. A retirada do apoio substancial da política fiscal, incluindo a redução dos impulsos de curto prazo de várias rodadas de retiradas de pensões, irá desacelerar o crescimento do consumo, enquanto a incerteza da política interna poderá restringir o crescimento do investimento3. Além disso, as condições econômicas externas se tornarão menos favoráveis, dado crescimento mais lento da China, maior destino de exportações do país. Ao todo, o crescimento do PIB em 2022 e 2023 está projetado para ser de 2,2 e 1,8%.

FONTES: 1 WORLD BANK, 2020 | 2 WORLD BANK, 2020 | 3 WORLD BANK, 2022

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Despesas de Consumo Familiar no Chile Com o impacto da pandemia do Covid-19, o ano de 2020 apresentou queda de 7,5% no valor total de despesas de consumo familiar no país, diminuindo o valor de US$ 172,36 bilhões em 2019 para US$ 159,43 bilhões em 20204. Como consequência, o consumo familiar per capita sofreu queda entre os anos de 2019 e 2020 e apresentou valores de US$ 9.094 e US$ 8.340, respectivamente. Apesar da queda, é importante ressaltar também que o Chile possui o maior valor de consumo per capita entre os países analisados nesta pesquisa4. Assim como o crescimento do PIB, é possível estimar o aumento no valor de despesas de consumo familiar no ano de 2021 e desaceleração entre os anos de 2022 e 2023. Entende-se que fatores como vacinação e retirada de pensões podem contribuir para estas expectativas.

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FOTO: DIEGO MARIN NO UNPLASH

FONTE: 4. WORLD BANK, 2020 | WORLD BANK


O consumidor chileno

Ainda há margens para o supérfluo Em estudos aplicados durante o ano de 2020, os chilenos mostravam-se inseguros em relação à recuperação econômica do país pós-pandemia. Segundo pesquisa da McKinsey1 de 2020, 57% acreditavam que a economia ainda seria impactada por mais 6 a 12 meses antes de iniciar uma recuperação lenta, enquanto 28% mostraram mais otimismo, com o início da recuperação em 2 a 3 meses. Esses dados refletem no comportamento dos consumidores chilenos. O principal fator de compra é o preço, mas elementos como a qualidade e durabilidade do produto, além do atendimento ao cliente, também são importantes. O consumidor também busca consumir não apenas para atender necessidades essenciais do dia a dia, mas também para demonstrar status social ao adquirir produtos de marcas específicas, conforme mostra análise do Santander Trade Markets2. Os chilenos são preocupados com o consumo consciente e questões ambientais, e isso influencia nas decisões de compra. Também são abertos a produtos de marcas internacionais, mas preferem as locais para alguns itens2.

FONTES: 1 MCKINSEY & COMPANY, 2020 | 2 SANTANDER TRADE MARKETS, 2021

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O e-commerce foi alavancado com a pandemia. Ainda assim, segundo uma pesquisa aplicada pela McKinsey¹ com consumidores chilenos em novembro de 2020, mesmo em contexto de pandemia, a maioria das compras eram feitas em lojas físicas, principalmente para itens de mercado, como alimentos, produtos de limpeza e de cuidados pessoais. Apesar disso, os consumidores geralmente buscam informações online sobre os produtos antes de comprar em uma loja física, e inclusive consultam as redes sociais das marcas quando têm intenção de comprar, segundo estudo do Santander Trade Markets². Em estudo sobre tomada de decisões financeiras, realizado pela McKinsey3 em 2020, revela que o desempenho dos bancos está de acordo com as expectativas de mais da metade dos consumidores pesquisados.

A mesma pesquisa apresenta os principais desejos dos pesquisados em relação aos bancos do país. Os dois principais são a redução do pagamento mínimo no cartão de crédito e a possibilidade de pular 1 mês de pagamento de empréstimo/ hipoteca3.

FONTES: 1 MCKINSEY & COMPANY, 2020 | 2 SANTANDER TRADE MARKETS | 3 MCKINSEY & COMPANY, 2020 68

FOTO: JORGE FERNANDEZ SALAS NO UNSPLASH

Os dados também mostram que cerca de 28% e 26% dos consumidores pesquisados pretendem utilizar mais online banking e mobile banking (app), respectivamente, mesmo quando a pandemia terminar3.


Digitalização e acesso a serviços financeiros no Chile

Internet móvel e bancarização de elevador, mas e-commerce de escada Em comparação com outros anos, as restrições do comércio causadas pela Covid-19 fizeram com que a necessidade dos consumidores aumentasse em termos de compras online e outros tipos de serviços financeiros digitais. Segundo dados divulgados pela AMI em março de 2021, o acesso a contas em bancos e fintechs no Chile aumentou 7% entre 2017 e 2021, atingindo 82% de penetração no último ano1. Este valor é superior à penetração de internet móvel, o que implica ser, juntamente com o Brasil, um país que a população tem, percentualmente, mais acesso ao banco do que à internet móvel. Mesmo assim, o país apresentou a maior penetração de internet móvel no ano de 2020 em comparação com os demais países estudados e, segundo dados da GSMA, alcançará 79% de penetração em 2025 em relação à população do país². Tratando-se de e-commerce, dados divulgados pela AMI em agosto de 2021 indicam que este mercado vale US$ 16,5 bilhões no país e estima-se crescimento de 28% entre os anos de 2020 e 2024, sendo este apenas o quarto maior crescimento no período entre os países analisados3. A representatividade do e-commerce em relação ao total de varejo no país aumentou entre os anos de 2019 e 2020. Segundo estimativas da AMI, o e-commerce representará 12% do total do varejo em 20244. • 79% de penetração de internet móvel (2025)2 • 28% de crescimento do mercado de e-commerce (2020-2024f)3 FONTES: 1 AMERICAS MARKET INTELLIGENCE, 2021 | 2 GSMA, 2021 | 3 AMERICAS MARKET INTELLIGENCE, 2021 | 4 AMERICAS MARKET INTELLIGENCE, 2021

69


Negócios e cenário fintech no Chile

De braços abertos aos empreendedores Segundo o relatório Doing Business 2020 do Banco Mundial1, o Chile foi classificado como o 59º melhor país para fazer negócios no mundo e o 1º entre os países analisados neste estudo. Além disso, apesar das colocações parecerem desfavoráveis frente o mundo, o país se destaca dos demais aqui tratados em 2 tópicos:

1.

Abertura de empresas: um dos fatores para esta posição foi a facilitação do país na abertura de empresas ao permitir o registro on-line de empresas fechadas. Com este fator e perante outros desafios burocráticos, o Chile foi considerado o 57º melhor país do mundo neste quesito.

2.

Pagamento de impostos: apesar de ser o 86º melhor país neste tópico, o Chile se destacou dos demais países analisados nesta estudo. Para se ter uma ideia, os demais ficaram atrás da posição 120. O país possui duração de 296 horas por ano se considerar o tempo necessário para preparar, arquivar e pagar (ou reter) três tipos de impostos: imposto de renda corporativo, imposto sobre valor agregado ou sobre vendas e impostos trabalhistas, incluindo impostos sobre os salários e contribuições para o seguro social. No Brasil, pior colocado no tópico, este tempo é de 1.501 horas por ano.

Recentemente, o Banco Central do Chile anunciou que está trabalhando em uma proposta de regulação flexível e adaptável para promover inovações em sistemas de pagamentos de baixo valor, para ampliar as oportunidades de diversificação dos meios de pagamento disponíveis no sistema financeiro.

FONTE: 1 DOING BUSINESS, 2020 70


Cenário fintech 20212

Distribuição das principais verticais em fintech

FONTE: 2 FINNOVISTA, 2021

71


Meios de pagamento no Chile

Abraçando o digital, mas com cautela em relação ao crédito Como em muitos países, a pandemia foi um grande impulsionador do uso de meios de pagamentos digitais no Chile. Estudo da Mastercard de maio de 2021 revelou que 66% dos consumidores chilenos utilizaram algum novo método de pagamento digital, no último ano, que não teriam usado se não fossem as circunstâncias atípicas.

Mix de métodos de pagamento no PDV X Comércio Eletrônico em 20201

72

FONTE: 1 FIS, 2021

* : “DINHEIRO PARA PDV = PAGAMENTO NO ATO COM DINHEIRO EM ESPÉCIE” | “DINHEIRO PARA E-COMMERCE = PAGAMENTO NO MOMENTO DA ENTREGA”


Vale destacar que, de acordo com o mesmo estudo, 62% dos consumidores afirmaram que não apoiariam uma marca que não ofereça pelo menos uma forma de pagamento digital. Outro meio em que os consumidores já demonstram interesse ativo são as criptomoedas, cujo uso em curto prazo é intencionado por quase 30% da população. Ainda sobre as criptomoedas, 68% dos millennials expressaram interesse em aprender mais sobre o tema e 71% disseram que as usariam se as entendessem melhor.2

• 21,7 milhões de cartões de débito (2020)3 • Média de 1,4 cartão de débito por pessoa acima de 15 anos (2020)3,4 • 14,0 milhões de cartões de crédito (2020)3

FONTES: 2 PYMNTS, 2021 | 3 IMF, 2020 | 4. WORLD BANK, 2020 | WORLD BANK

FOTO: ANDRES VALDEZ NO UNSPLASH

• Média de 0,9 cartão de crédito por pessoa acima de 15 anos (2020)3,4

73


FOTO: MAURO MORA NO UNSPLASH

Pagamentos instantâneos no Chile

Tentando tirar o atraso Dentre os países aqui abordados, o Chile é o único que não demonstrou avanços palpáveis recentes ou novos serviços no âmbito dos pagamentos instantâneos. No entanto, avanços regulatórios por parte do Banco Central precisam ser mencionados. Em setembro de 2021, foi anunciado pela instituição um grupo de trabalho que atuará no fortalecimento dos pagamentos digitais no país. O grupo prevê emitir um “white paper” ainda no primeiro semestre de 2022, com estratégias direcionadas a pagamentos de baixo, médio e alto valor e à infraestrutura que suportam os diferentes meios de pagamentos, internos e externos, com potencial de impactar pagamentos instantâneos. Já em 25 janeiro de 2022, o Banco Central publicou nova regulação que autoriza a criação e regulamenta o funcionamento das “Câmaras de Compensação de Pagamentos de Baixo Valor” (Cámaras de Compensación para Pagos de Bajo Valor), que buscarão se adaptar e dar flexibilidade aos desenvolvimentos e inovações nos meios de pagamento de baixo valor. Em setembro de 2021, o presidente do Instituto Emissor ressaltou que a criação dessas entidades é um passo para facilitar a implementação de pagamentos instantâneos digitais no país. 74


TEF Na verdade, pode-se dizer que o Chile já está próximo de um sistema de pagamentos instantâneos, pois as “Transferências em Línea” (TEF) têm compensação quase imediata, funcionam 24/7 e incluem quase todas as instituições bancárias do país. O sistema foi lançado pelo Centro de Compensação Automatizado em 2008 e permite transferências entre contas de até CLP 6,94 milhões (US$10 mil) entre indivíduos ou empresas via Internet Banking e aplicativos. Entretanto, vale frisar que para esse tipo de transferência, é necessário portar informações específicas da conta do destinatário, além de ser um serviço que pode ser taxado. Apesar de ser um meio relativamente antigo e não ter passado por atualizações no últimos anos, a adoção às TEF segue crescendo ano a ano.

“

O Instituto emissor (Banco Central) deve ser capaz não apenas de reconhecer, mas também de antecipar as mudanças tecnológicas e as preferências das pessoas que afetam o acesso, a segurança e a eficiência dos meios de pagamento.” MARIO MARCEL, PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL DO CHILE

2002

2008

2013

2021

2022

Governo chileno exige que CCA elimine a flutuação no sistema de pagamentos da época. A demora na compensação provocava alterações nos valores no momento de pagamento e de recebimento.

TEF é lançado em resposta do mandato do governo.

Introdução de nova feature habilitando as transferências via dispositivos móveis

[Setembro]

[Janeiro]

Anúncio do GT para estratégias de fortalecimento de pagamentos digitais

Regulação que autoriza a criação e regulamenta as Câmaras de Compensação de Pagamentos de Baixo Valor

FONTES: BANCO CENTRAL CHILE, 2022 | BANCO CENTRAL CHILE, 2021 | ACI WORLDWIDE E GLOBALDATA, 2021 | 1,0 CLP= US$ 0,0012 (JAN. 22)

75


Perspectivas para o mercado financeiro chileno

Avanços na moeda digital, cripto e Open Banking Como mencionado na seção anterior, em setembro de 2021, o Banco Central de Chile anunciou um grupo de trabalho, que tem como tarefa gerar uma estratégia de médio prazo sobre meios de pagamento digitais no país. O grupo considerará dentro deste conceito, os meios de pagamento de alto e baixo valor, assim como os meios transfronteiriços, privados, criptoativos, CBDC e as infraestruturas que suportam estes diversos sistemas. As propostas que forem elaboradas terão como objetivo garantir a finalidade, eficiência, rapidez, segurança e estabilidade dos pagamentos, a partir da perspectiva dos usuários. O grupo de trabalho entregará, ainda no primeiro trimestre de 2022, um documento de política (“white paper”) com um quadro de ação e objetivos estratégicos, linhas de ação e resultados esperados. Além disso, as também já mencionadas Câmaras de Compensação de Pagamentos de Baixo Valor, segundo o presidente do Instituto Emisor, têm propostas que apresentam sinergia com a regulação de finanças abertas contida no Projeto de Lei de Inovação Financeira, enviado em setembro de 2021 ao Congresso e que prevê, basicamente, um Sistema Financeiro Aberto (Open Banking), bastante semelhante ao que está sendo estabelecido no Brasil. 76


MINISTÉRIO DA FAZENDA, SOBRE O PROJETO DE LEI DE INOVAÇÃO FINANCEIRA

FONTES: BELVO, 2022 | OPEN BANKING EXCELLENCE, 2021 | IUPANA, 2021

FOTO: CAIO SILVA NO UNSPLASH

“

A iniciativa estabelece as regras do jogo de um Sistema Financeiro Aberto que ratifica os consumidores como proprietários de suas informações financeiras, e estabelece a obrigação de as instituições financeiras compartilharem essas informações - com o consentimento prévio do cliente [...] Da mesma forma, reconhece a figura dos iniciadores de pagamento, o que facilitará a transferência de fundos entre contas como uma alternativa de pagamento segura e de baixo custo. Além disso, estabelece uma série de outras modernizações à legislação do setor financeiro, buscando, por um lado, gerar simetria regulatória entre a Fintech e o restante das instituições financeiras tradicionais e, por outro, reduzir as barreiras de entrada e facilitar o surgimento de novos serviços financeiros baseados em tecnologia.”

77


78 FOTO: SAUL MERCADO NO UNSPLASH

COLÔMBIA


Colômbia

Apostando na reforma tributária Segundo tudo indica, o processo de recuperação da queda no PIB em 2020 continuará nos próximos anos, porém em ritmo gradual. Após a queda neste ano, em junho de 2021 o país atingiu quase os mesmo níveis econômicos de 2019, apesar de restrições de mobilidade em abril e manifestações em maio. De acordo com o Banco Mundial, a taxa de crescimento do PIB no país é estimado em 4,1% em 2022 e diminuirá para 3,5% em 20231. Entre os fatores que contribuem para essa alta em 2022, está a nova política fiscal do país: “O plano de reforma tributária aprovado em setembro de 2021, fornecerá estrutura para a consolidação fiscal do país no médio prazo1.” Segundo projeção da Asociación Bancaria y de Entidades Financieras de Colombia (Asobancaria), as taxas de juros do Banco de La República se manterão abaixo da inflação no primeiro semestre de 20222. Além disso, fatores de incerteza como pandemia e realização de eleições presidenciais em 2022 serão pontos relevantes para a economia do país nos próximos anos.

FONTES: 1. WORLD BANK, 2022 | 2. FORBES, 2022

79


Despesas de Consumo Familiar na Colômbia No país, as despesas de consumo familiar apresentaram queda de 5,6% no ano de 2020, em relação a 2019, o que representa a segunda menor queda de variação anual entre os países aqui analisados, atrás apenas do Brasil. Em 2020, este valor de consumo totalizou US$ 211,02 bilhões3. No consumo familiar per capita, a queda dos valores foi mais discreta com consumo de US$ 4.441 em 2019 e US$ 4.136 em 2020. Estes valores são inferiores aos demais países do estudo, com exceção do Peru3. Além das expectativas de crescimento do PIB, o aumento das vacinações contra a Covid-19 na região e a expectativa de diminuição da taxa de desemprego podem contribuir para o aumento do consumo na região em 20224.

• 13,7%: taxa de desemprego em 20215 • 9,1%: segundo projeção da Asobancaria, a taxa de desemprego poderá ficar abaixo dos dois dígitos no final de 20224

FONTES: 3 WORLD BANK, 2020 | WORLD BANK | | 4 FORBES, 2022 | 5 PORTAFOLIO, 2022 80


O consumidor colombiano

Foco no essencial e dificuldade para poupar O sentimento predominante entre os consumidores colombianos em relação a recuperação econômica do país em estudos realizados durante 2020 era de incerteza. Em pesquisa feita pela McKinsey1 em setembro de 2020, 55% opinaram que a economia ainda seria impactada por mais 6 a 12 meses antes de iniciar uma recuperação lenta, enquanto 35% mostraram mais otimismo, com o início da recuperação em 2 a 3 meses. Tal sentimento de incerteza influencia diretamente no consumo. Os colombianos reduziram seus gastos e focaram em produtos mais essenciais do dia a dia. O mesmo estudo da McKinsey1 mostra também que a renda e despesas de parte dos colombianos começou a se estabilizar ao final de 2020, mas muitos ainda lidam com reduções de renda e dificuldades para poupar. Considerando esse contexto, o preço é um fator importante de tomada de decisão de compra, e promoções são atrativas para esse público. Contudo, com a melhora da crise econômica, o consumo de produtos não essenciais e a influência de tendências de moda e fidelidade à marcas tende a crescer. FONTE: 1 MCKINSEY & COMPANY, 2020

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Seguindo o comportamento da América Latina e mundo, consumidores colombianos estão cada vez mais preocupados com o consumo de produtos saudáveis e orgânicos, se atentando às características de sustentabilidade, forma de produção e reciclagem do que consomem.

A pesquisa da AMI apresenta ainda que mais de 60% dos consumidores online entrevistados valorizariam lojas online que vendessem 100% de produtos colombianos, apontando que muitos ainda exaltam produtos nacionais e que se relacionam com suas tradições, enquanto 16% afirmam que fizeram compras online em sites estrangeiros.

FONTES: 1. MCKINSEY & COMPANY, 2020 | 2. AMERICAS MARKET INTELLIGENCE, 2021 | GROUPE CRÉDIT DU NORD, 2021 82

FOTO: CLAUDIO SCHWARZ NO UNSPLASH

Antes da pandemia, o e-commerce na Colômbia não era tão desenvolvido, considerando que o país ainda tem uma baixa taxa de bancarização da população e poucos têm acesso a cartão de crédito, dificultando compras online. A situação começou a se modificar em 2020 e a expectativa é que compras online sejam cada vez mais frequentes. Segundo pesquisas da McKinsey1 de 2020 e AMI2 de 2021, produtos essenciais, como alimentos, utensílios domésticos e produtos de higiene pessoal ainda são mais consumidos em lojas físicas, enquanto entretenimento, eletrônicos e comida por entrega já são comprados de forma online.


Digitalização e acesso a serviços financeiros na Colômbia

Internet devagar, mas e-commerce crescendo Segundo dados divulgados pela AMI em março de 2021, o acesso a contas em banco e fintechs na Colômbia também aumentou entre 2017 e 2021, atingindo 60% de penetração no último ano frente à penetração de 46% em 20171. Apesar do aumento, Brasil e Chile continuam com as maiores penetrações em bancos e fintechs (88% e 82%, respectivamente, em 2021). O país também apresentou a menor penetração de internet móvel no ano de 2020 em comparação aos demais países analisados e, segundo dados da GSMA, alcançará 65% de penetração em 2025 em relação à população do país, e continuará na mesma posição que mantinha em 2020². Quanto ao e-commerce, dados divulgados pela AMI em agosto de 2021 indicam que este mercado vale US$ 18,8 bilhões, sendo este o terceiro maior valor entre os países analisados, porém com menor crescimento estimado (21%) entre os anos de 2020 e 20243. Durante a pandemia da Covid-19, o e-commerce se consolidou como ferramenta e alternativa para a economia em diversos tipos de negócio, justificando o crescimento na Colômbia e em diversos países da América Latina. Com o crescimento no e-commerce, sua representatividade no total de varejo no país aumentou entre os anos de 2019 e 2020, e, segundo estimativas da AMI, o e-commerce representará 12% do total do varejo em 20244.

• 65% de penetração internet móvel (2025)2 • 3 milhões de novos usuários de linhas móveis (2025f)2 • 21% de crescimento do mercado de e-commerce (2020-2024f)3

FONTES: 1 AMERICAS MARKET INTELLIGENCE, 2021 | 2 GSMA, 2021 | 3 AMERICAS MARKET INTELLIGENCE, 2021 | 4 AMERICAS MARKET INTELLIGENCE, 2021

83


Negócios e cenário fintech na Colômbia

Crédito fácil para negócios internos Segundo o relatório Doing Business 2020 do Banco Mundial1, a Colômbia encontra-se como o 67º melhor país para fazer negócios no mundo, o 3º entre os países analisados nesta pesquisa, atrás de Chile e México. Entre os países pesquisados, a Colômbia possui a melhor colocação no ranking em obtenção de crédito (juntamente ao México), proteção dos investidores minoritários e resolução de insolvência. Por outro lado, possui a pior colocação no ranking em comércio entre fronteiras e execução de contratos. Como principais colocações no ranking, vale destacar que:

1.

2.

3.

Obtenção de crédito: a grande variedade de bancos e instituições financeiras permite que investidores obtenham diferentes opções de taxas de juros e acesso à crédito2.

Proteção dos investidores minoritários: protegidos por regulamentações existentes no código comercial do país juntamente com leis complementares, como o direito de veto, por exemplo.

Resolução de insolvência: entre outros fatores, destaca-se o aumento da participação de credores em processos de insolvência.

Segundo estudo da Finnovista3 de dezembro 2021, no que diz respeito ao ambiente regulatório de fintechs no país, não há uma autoridade única e centralizadora e sim diversas regulamentações de acordo com a atividade das empresas. Na percepção de 30% das fintechs pesquisadas pela empresa, não existe uma regulação, mas é algo que deveria ser obrigatório em suas opiniões.

FONTES: 1 DOING BUSINESS, 2020 | 2 TMF GROUP, 2021 | 3 FINNOVISTA, 2021 84


Cenário fintech3

Distribuição das principais verticais em fintech

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Meios de pagamento na Colômbia

A preferência ainda é pagar à vista Mix de métodos de pagamento no PDV X Comércio Eletrônico em 20201

FONTES: 1 86

FIS, 2021

* : “DINHEIRO PARA PDV = PAGAMENTO NO ATO COM DINHEIRO EM ESPÉCIE” | “DINHEIRO PARA E-COMMERCE = PAGAMENTO NO MOMENTO DA ENTREGA”


Com base no gráfico1 é possível verificar que:

81%

dos pagamentos no comércio eletrônico estão concentrados em cartões de crédito, débito, transferências bancárias e carteiras digitais.

90%

dos pagamentos em PDV se concentram em dinheiro, cartões de débito e crédito.

Apesar destes meios de pagamento terem alta representatividade em pagamentos eletrônicos e PDV, é possível identificar tendências de novos métodos de pagamento no país. Segundo pesquisa realizada pela Mastercard, 55% dos colombianos pesquisados esperam utilizar pagamentos via QR Code, seguido de 43% de pagamento através de biometria, incluindo impressão digital, facial e ocular e 36% criptomoedas. Além disso, a pesquisa também cita que 56% dos pesquisados evitam comércios em que não são aceitos pagamentos eletrônicos2.

• 36,3 milhões de cartões de débito (2020)3 • Média de 0,9 cartão de débito por pessoa acima de 15 anos (2020)3,4 • 14,7 milhões de cartões de crédito (2020)3 • Média de 0,4 cartão de crédito por pessoa acima de 15 anos (2020)3,4

FONTES: 1 FIS, 2021 | 2 LA REPUBLICA, 2021 | 3 IMF, 2020 | 4. WORLD BANK 2020 | WORLD BANK 87


Pagamentos instantâneos na Colômbia

A iniciativa é privada Transfiya Diferentemente dos casos brasileiro, chileno e mexicano, o sistema de pagamentos instantâneos na Colômbia não é iniciativa do Banco Central do país, mas provém de um arranjo privado: lançado pela fintech Minka, juntamente com a Câmara de Compensação Automatizada (ACH Colômbia). Vale destacar uma importante diferença com o Brasil: a ACH colombiana é privada e opera pagamentos de baixo valor, enquanto o banco central opera apenas as transações de alto valor. Outras companhias financeiras têm sido atraídas pelo sistema, mirando na construção de produtos e serviços baseados numa estrutura comum de pagamentos eletrônicos instantâneos. Em fevereiro de 2021, as instituições já integradas ao Transfiya correspondiam a aproximadamente 70% do mercado colombiano. Como funciona O sistema opera 24/7 e utiliza como dado do destinatário o número de celular. O usuário é notificado sobre a transferência e pode aceitá-la ou não. Ao realizar o aceite, seleciona em qual banco deseja receber o valor, desde que integrado ao Transfiya. Caso a transferência não seja aceita em 24 horas, ela retorna ao remetente. O destinatário pode incluir o remetente em sua lista de favoritos e, assim, as próximas transferências provenientes da mesma pessoa serão aceitas automaticamente. Também é possível realizar a solicitação de um pagamento. O sistema limita a 15 transações por dia, incluindo envio de valores e solicitações, ambas podendo ser acompanhadas por uma breve mensagem.

88


Os valores são limitados à faixa de COP 10.000 (US$ 2,50) a COP 1.250.000 (US$ 312,50) e, a partir de 4 de janeiro de 2022, passou-se a cobrar COP 990 (- US$ 0,25) por transferência realizada, com direito a uma gratuita por mês. Ainda estão nos planos da Minka, estender o Transfiya para pagamentos B2B, micropagamentos (entre indivíduos e pequenos negócios) e QR Codes, o que permitirá que o sistema seja utilizado, por exemplo, para pagamentos de contas mensais. É importante destacar que, para fazer transferências comuns na Colômbia, é requerido um grande número de dados, além de terem alto custo e a compensação ser lenta: de 2 a 3 dias. O Transfiya representou uma grande revolução nos meios de pagamentos, mas ainda enfrenta o desafio de alcançar os desbancarizados.

“

A partir da ACH Colombia, juntamente com entidades financeiras, continuaremos trabalhando para reduzir as lacunas no acesso a serviços financeiros, buscando melhorar a qualidade de vida de todos os colombianos. Ainda há um importante caminho a percorrer para que mais cidadãos utilizem transferências instantâneas e serviços como o Transfiya, que buscam estimular a democratização financeira do país. Para isso, é necessário o comprometimento de quem faz parte direta ou indireta do ecossistema” GUSTAVO VEGA VILLAMIL, PRESIDENTE DA ACH COLOMBIA.

2019

FUTURO

[Setembro] Lançamento do Transfiya

Inclusão de pagamentos B2B, micropagamentos e QR Codes no sistema)

FONTES: PRIME TIME FOR REAL-TIME, ACI WORLDWIDE E GLOBALDATA | LABS NEWS | TRANSFIYA | EL TIEMPO | 1,0 COP= US$ 0,00025 (JAN. 22)

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Perspectivas para o mercado financeiro colombiano

Open Banking: muita calma nessa hora A Colômbia é o terceiro maior mercado fintech da América Latina e ainda está em uma etapa de estudos sobre um sistema aberto de finanças, sem datas específicas para implementação. A Unidades de Estudos de Projeção Regulatória e Regulação Financeira (URF) é a instância do governo que está cuidando do desenvolvimento da lei para regular o sistema, que espera-se que seja liberado em 2022. Um ponto de bastante destaque é a definição já realizada sobre um modelo voluntário, com as instituições aderindo ao Open Banking quando desejarem.

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FOTO: RANDOM INSTITUTE NO UNSPLASH

A justificativa é a variedade de níveis de desenvolvimento e digitalização das instituições do país, podendo requerer mais ou menos tempo para se adequar aos requisitos que serão propostos. Em dezembro de 2020, foi entregue uma primeira proposta, definindo um plano de trabalho para 2021, focado no desenvolvimento do modelo que funcione ao país e na escuta de stakeholder. A URF realizou, durante 2021, uma série de eventos com os setores público e privado a fim de definir a estrutura de Open Banking que melhor os atenda.


CBDC e Cripto O Banco de la Republica (BR), banco central do país, afirma que desde 2018 tem se dedicado ao entendimento sobre a implementação de uma CBDC e sobre quais seriam suas consequências ao país. No entanto, não há previsões para implementação. Vale ressaltar, todavia, que em evento em setembro de 2021, o presidente do BR falou sobre a necessidade de uma estrutura de pagamentos menos custosa para o mercado nacional e reconheceu que as criptomoedas são mecanismos que têm elementos que poderiam ser interessantes no futuro. Sobre cripto, acredita-se num avanço expressivo deste meio, dado movimentos recentes como, por exemplo, a parceria entre Gemini, corretora cripto estadunidense, e Bancolombia, maior banco privado do país, que faz parte de um programa piloto patrocinado pelo governo, objetivando o teste de serviços bancários para plataformas de criptoativos. Outro dado para suportar o potencial crescimento deste mercado é provido pela Statista: em março de 2021, já existiam na capital colombiana, Bogotá, 172 negócios que tinham ATM de cripto ou aceitavam como método de pagamento.

“

O que pretendemos fazer com isso é gerar uma arquitetura aberta que facilite a vida das pessoas, que gere maior mobilidade [...] para o cliente ser o dono de suas próprias informações e não como era antes, onde o banco era dono do cliente” FELIPE LEGA, DIRETOR DA URF

FONTES: THE STATE OF OPEN BANKING IN LATIN AMERICA, BELVO | OPEN BANKING EXCELLENCE | CBDC TRACKER | BLOOMBERG | BANCO DE LA REPÚBLICA | IUPANA | PROPOSTA URF | STATISTA 91


92

MÉXICO


México

Desabastecimento interno e baixa nas exportações A estimativa de crescimento do PIB em 2021 será insuficiente para recuperar a queda do ano anterior, causada pela pandemia. Um dos fatores importantes no país neste ano é a inflação geral, que atingiu uma taxa homóloga de 7,45% no início de dezembro de 2021, e pode encerrar o ano com o valor mais elevado dos últimos 20 anos1. Como forma de ajustar a inflação, o Banco Central do México elevou a taxa de juros em dezembro de 20212. De acordo com estimativas do Banco Mundial3, para os próximos anos será necessário maior aperto da política monetária para combater as expectativas de alta de inflação, e a austeridade fiscal deve continuar no curto prazo. Segundo o Banco, assim como ocorrido em 2021, as interrupções na cadeia de suprimentos deverão persistir no primeiro semestre de 2022, impactando, principalmente, o setor de manufatura. Além disso, as demandas externas serão impactadas pela desaceleração econômica nos Estados Unidos. A taxa de crescimento do PIB no país deverá diminuir de 3,0% em 2022 para 2,2% em 2023.

FONTES: 1. FORBES, 2021 | 2. ISTO É DINHEIRO, 2021 | 3 WORLD BANK, 2022 93


Despesas de Consumo Familiar no México Com o impacto da pandemia da Covid-19, o ano de 2020 apresentou queda de 10,5% nas despesas de consumo familiar em relação a 2019, representando a segunda maior queda entre os países analisados neste estudo, atrás apenas da Argentina. Apesar desta queda, o país continuou com o segundo maior valor de despesas de consumo em 2020 (US$ 755,75 bilhões), atrás do Brasil (US$ 1,12 trilhões)3.

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FOTO: BRITTANI BURNS NO UNSPLASH

Como consequência, o consumo familiar per capita sofreu queda entre os anos de 2019 e 2020, com os valores de US$ 6.630 e US$ 5.878 respectivamente, e continuou como o terceiro maior país neste indicador, trás de Chile e Argentina3. Contando com crescimento do PIB nos próximos anos e considerando a correlação deste indicador com as despesas de consumo familiar, é possível estimar aumento no valor de despesas de consumo no ano de 2021 em comparação com 2020 e crescimento moderado entre os anos de 2022 e 2023. Por outro lado, os níveis de consumo também podem ser impactados pelas expectativas futuras na inflação e taxa de juros do país.

FONTE: 3. WORLD BANK, 2020 | WORLD BANK


O consumidor mexicano

Tempo é dinheiro Devido à pandemia, a confiança dos consumidores mexicanos atingiu níveis mais baixos nos últimos 2 anos. Em pesquisas aplicadas pela McKinsey1 em 2020, os consumidores mexicanos se mostravam inseguros em relação à recuperação econômica do país pós-pandemia. Contudo, a partir de março de 2021, a maioria dos pesquisados já estava otimista, acreditando que a recuperação econômica aconteceria nos próximos 2 a 3 meses, crescendo tanto quanto ou mais do que antes da pandemia. Os estados do norte recebem mais incentivos e investimentos estrangeiros, o que influencia nos salários e consequentemente no consumo por região. De acordo com o Santander Trade Markets2, o México é marcado por diversos pontos de venda, como quiosques, mercados ao ar livre e cobertos, shopping centers e supermercados. Entre as tendências de consumo no país, destacam-se produtos e serviços que economizam tempo. Além disso, a demanda por produtos orgânicos e naturais também está aumentando, a partir do desejo de uma vida mais saudável2. Os principais critérios considerados pelos mexicanos na hora da compra são a qualidade do produto, praticidade (economia de tempo) e preço. Atendimento ao cliente também está se tornando cada vez mais importante2.

FONTES: 1 MCKINSEY & COMPANY, 2020 | 2 SANTANDER TRADE MARKETS, 2021

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Apesar dos avanços tecnológicos favorecidos pela pandemia, como o aumento das compras via e-commerce, por exemplo, apresentado com mais detalhes na próxima seção, o México ainda tem um longo caminho em termos de acesso à meios de pagamentos digitais.

Mais da metade da população ainda é desbancarizada, e a maior parte dos pagamentos no país é em dinheiro. Entre as principais razões para a desbancarização estão as altas taxas bancárias, desconfiança nos bancos e dificuldade de acesso por parte da população rural e outras populações excluídas, como pessoas de classes sociais mais baixas, mulheres e indígenas3.

Em pesquisa realizada pela PWC4 em outubro de 2021, o consumidor mexicano indicou que sua confiança nas marcas depende do cuidado que elas oferecem em relação a proteção de informações pessoais. Cerca de 71% dos pesquisados estão de acordo em compartilhar seus dados pessoais, desde que haja uma política clara de segurança dessas informações. Em pesquisa sobre tomada de decisões financeiras, realizada em outubro de 2020 pela McKinsey5, o desempenho dos bancos está de acordo com as expectativas da maioria dos consumidores pesquisados (bancarizados). Entre os principais desejos dos pesquisados, redução do pagamento mínimo no cartão de crédito e mais facilidade para obter crédito estão entre os mais representativos5. Cerca de 38% e 44% também afirmaram que pretendem utilizar mais online banking e mobile banking (aplicativo), respectivamente, mesmo quando a pandemia terminar5.

FONTES: 3 THE ECONOMIST, 2020 | 4 96

PWC, 2021 | 5 MCKINSEY & COMPANY, 2020


Digitalização e acesso a serviços financeiros no México

A terra dos (ainda) sem banco Segundo dados divulgados pela AMI em março de 2021, o acesso a contas em banco e fintechs no México aumentou entre 2017 e 2021, atingindo 45% de penetração no último ano1. Apesar do aumento e de possuir o segundo maior PIB da América Latina (atrás somente do Brasil), o país continua com a menor penetração em contas bancárias entre os países analisados, impactando seus níveis de inclusão financeira.

FOTO: JEZAEL MELGOZA NO UNSPLASH

O país também contava com a segunda menor penetração de internet móvel no ano de 2020 em comparação com os demais países analisados e, segundo dados da GSMA, alcançará 66% de penetração em 2025, continuando na mesma posição que mantinha em 2020².

97


Em relação ao e-commerce, dados divulgados pela AMI em agosto de 2021 indicam que este mercado vale US$ 49,6 bilhões, sendo este o segundo maior valor entre os países analisados neste estudo (atrás somente do Brasil), além de crescimento estimado de 27% entre os anos de 2020 e 20243. Fatores como aumento da quantidade de pessoas com smartphone e acesso a fintechs podem ter contribuído neste crescimento, assim como a necessidade de realizar compras online durante as restrições causadas pela Covid-19. Como consequência do crescimento no e-commerce, sua representatividade no total de varejo no país aumentou entre os anos de 2019 e 2020. Segundo estimativas da AMI, o e-commerce representará 11% do total do varejo em 20244.

• 66% de penetração internet móvel (2025)2 • 11 milhões de novos usuários de linhas móveis (2025f)2 • 27% de crescimento do mercado de e-commerce (2020-2024f)3

FONTES: 1 AMERICAS MARKET INTELLIGENCE, 2021 | 2 GSMA, 2021 | 3 AMERICAS MARKET INTELLIGENCE, 2021 | 4 AMERICAS MARKET INTELLIGENCE, 2021

98


Negócios e cenário fintech no México

Com as bençãos da primeira lei Fintech latino-americana Segundo o relatório Doing Business 2020 do Banco Mundial1, o México representou o 60º melhor país para fazer negócios no mundo, sendo o 2º entre os países analisados nesta pesquisa, atrás somente do Chile. Entre os países pesquisados, o México possui a melhor colocação no ranking em obtenção de crédito (assim como a Colômbia), execução de contratos e comércio entre fronteiras. Como principais colocações no ranking, vale destacar que:

1.

2.

3.

Obtenção de crédito: entre outras iniciativas positivas, em 2016, houve a criação de decreto que permitia descrição geral de ativos dados em garantia. Além disso, o país possui alto grau em leis de garantias e falências que protegem os direitos dos credores e facilitam empréstimos.

Execução de contratos: entre outros indicadores, a realização de um contrato leva cerca de 350 dias na Cidade do México. Apesar do número elevado, este tempo, em média, na América Latina e Caribe é de 774,2 dias1.

Comércio entre fronteiras: tópico que registra o tempo e o custo associados ao processo logístico de exportação e importação de mercadorias. Entre outros indicadores, o tempo para exportar em conformidade documental é de 8 horas na Cidade do México, enquanto este tempo é de 35,7 horas, em média, na América Latina e Caribe1.

FONTES: 1 DOING BUSINESS, 2020

99


100

FOTO: FREDERIK TROVATTEN NO UNSPLASH

O caso mexicano merece destaque por ter a primeira “Ley Fintech” aprovada e implementada na região. Essa legislação colocou o país na mira dos investidores internacionais graças à existência de um marco regulatório que contempla as startups de fintech de verticais de negócios, por meio da Comissão Nacional de Bancos e Valores Mobiliários (CNBV). Esta lei regulamenta apenas as Instituições de Fundos de Pagamento Eletrônico e as Financiadoras Coletivas como Instituições de Tecnologia Financeira.


Cenário fintech2

Distribuição das principais verticais em fintech2

FONTE: 2 FINNOVISTA, 2021

101


Meios de pagamento no México

Desbancarização mantém a força do papel-moeda

Mix de métodos de pagamento no PDV X Comércio Eletrônico em 20201

FONTE: 1 FIS, 2021

102

* : “DINHEIRO PARA PDV = PAGAMENTO NO ATO COM DINHEIRO EM ESPÉCIE” | “DINHEIRO PARA E-COMMERCE = PAGAMENTO NO MOMENTO DA ENTREGA”


Segundo pesquisa realizada pelo Banco Central do México (Banxico)*2 em 2020 com 71,9 milhões de pessoas, houve aumento na utilização dos meios de pagamento instantâneos SPEI e CoDi, sendo que no caso do primeiro, 2,5 milhões de pessoas utilizaram este meio de pagamento em comparação com os números de antes da pandemia (400 mil pessoas). Já quanto ao CoDi, sistema mais recente que o SPEI, 700 mil pessoas alegaram utilizar este meio em 2020. Em relação aos meios de pagamento mais comuns no período pré-pandemia frente o ano de 2020, a pesquisa mostrou uma diminuição de 5 milhões de pessoas fazendo uso de dinheiro, 2,2 milhões no uso de cartões de crédito e 1,4 milhão no uso de cartões de débito. Ainda assim, estes três meios de pagamento continuam sendo os principais no México, apesar das perspectivas de redução do uso de dinheiro. Outro fator que chama a atenção é a quantidade de cartões de débito existentes no país em comparação com o número de cartões de crédito, conforme dados a seguir:

• 157,8 milhões de cartões de débito (2020)3 • Média de 1,7 cartão de débito por pessoa acima de 15 anos (2020)3,4 • Média de 0,3 cartão de crédito por pessoa acima de 15 anos (2020)3,4

*CONSIDERANDO PESQUISA TELEFÓNICA ATRAVÉS DE DISPOSITIVOS MÓVEIS COM PESSOAS ENTRE 19 E 79 ANOS, CONDUZIDA PELO BANXICO ENTRE OUTUBRO E NOVEMBRO DE 2020 TOTAL DE PESQUISADOS: APROXIMADAMENTE 71,9 MILHÕES DE PESSOAS FONTES: 2 BANXICO, 2020 | 3 IMF, 2020 | 4. WORLD BANK, 2020 | WORLD BANK

FOTO: KSENIIA ILINYKH NO UNSPLASH

• 27,7 milhões de cartões de crédito (2020)3

103


Pagamentos instantâneos no México

QR Codes, NFCs e links em combate à circulação de papelmoeda SPEI Desde 2004, o México conta com o “Sistema de Pagos Electrónicos Interbancarios” (SPEI), operado pelo banco central do país, que configura transferências de baixo e alto valor entre fundos P2P, C2B e B2B e que hoje tem funcionamento 24/7/365. Os canais de operação do SPEI incluem os digitais (internet banking e móvel), assim como agências bancárias. O sistema também inclui players bancários e não bancários desde 2006, sendo regulados e supervisionados pelas autoridades financeiras mexicanas. Em 2016, 10% das transações online eram pelo SPEI e a pandemia impulsionou seu uso: pesquisa do banco central revelou que, durante 2020, 4% usava o sistema, frente a 0,5% previamente à pandemia.

104


CoDi O banco central mexicano lançou, em setembro de 2019, o “Cobro Digital” (CoDi), uma plataforma de pagamentos digitais com processamento efetuado pelo SPEI, que permite também que a população compre e venda bens online e in-store sem comissões ou taxas, objetivando a redução do uso de dinheiro no país, assim como o impulsionamento de pequenos negócios e a promoção de inclusão financeira. O grande avanço em relação ao SPEI é que os pagamentos podem ser feitos por QR Code, tecnologia NFC, assim como links em mensagens de texto. Prevê-se que os pagamentos instantâneos alcancem 5 em cada 10 pagamentos online em 2022, com CAGR de 12.4% até 2025. Vale destacar que é necessário ter conta em uma instituição financeira para utilizar o CoDi, porém a maioria dos usuários do sistema já tinham.

FOTO: ANNA SULLIVAN NO UNSPLASH

Além disso, apesar de esforços de alguns bancos de facilitar a abertura de contas online e requerendo menor renda mínima para viabilizar maior acesso à infraestrutura do CoDi, apenas 36% das instituições participantes tinham habilitado serviços de abertura online de contas até março de 2021. Tendo por referência o Brasil - que atualmente possui o sistema de pagamentos instantâneos com maior sucesso na região - o CoDi foi 100 vezes menos utilizado, considerando mais do que o dobro de tempo de implantação. Além disso, transacionou um montante 4.000 vezes menor do que o Pix brasileiro e foi usado por apenas 0,9% da população mexicana, contra 47% da brasileira. Esses dados demonstram grande oportunidade para expansão do CoDi, mas que precisa passar por mobilização pela cidadania financeira e digitalização das aberturas de conta.

105


“

Ficou muito claro que o sistema (SPEI) não estava sendo usado para o varejo porque não tínhamos a experiência do cliente adequada para isso [...] O que pensamos foi: porque não colocar uma camada em cima disso, que permitiria que a pessoa simplifique esta experiência? Foi assim que o CoDi foi lançado” MIGUEL DÍAZ, DIRETOR GERAL DE SISTEMAS DE PAGAMENTOS E INFRAESTRUTURAS DE MERCADO DO BANXICO

2004

2005

2015

2016

2019

2020

Lançamento SPEI

Banco Central passa a permitir a participação de players nãobancários no sistema

SPEI estende o período de funcionamento de 11,5h para 20h diárias

SPEI estende período de funcionamento novamente, alcançando 24h

Lançamento CoDi

Primeira integração do CoDi com terminais POS pela adquirente Evo Payments)

FONTES: EUROMONITOR, 2021 | ACI WORLDWIDE E GLOBALDATA, 2021 | LABS, 2020 | EL ECONOMISTA, 2021 | AMERICAS MARKET INTELLIGENCE, 2021 | CODI, 2022 | MCKINSEY, 2020 106


Perspectivas para o mercado financeiro mexicano

O país foi o primeiro na América Latina a desenvolver regulações voltadas ao Open Banking, em 2018. Neste ano, a “Ley Fintech” foi aprovada, habilitando 2.300 entidades financeiras a compartilharem seus dados não confidenciais, como produtos e serviços bancários e localização de ATM. No entanto, a materialização de um sistema aberto de finanças ainda não é vista: diferentemente do Brasil, não há um cronograma de implementação e não houve avanços no projeto desde 2018. O mercado aguarda disposições secundárias que regulem a aplicação da lei e próximos passos do processo.

FOTO: OMAR CORONA NO UNSPLASH

Pioneirismo no Open Banking, mas não em sua tangibilização

Dado que as regulações sobre o tema estão avançando na América Latina, é possível que o México ganhe ritmo da implementação do sistema. 107


Buy Now, Pay Later Foram observados movimentos relevantes referentes ao BNPL no mercado mexicano em 2021: rodadas de aporte e expansão geográfica de empresas voltadas ao serviço. Dada a alta desbancarização da população, o BNPL é uma saída para crédito e parcelamento para esses desbancarizados: os players mexicanos principais não pautam a análise de crédito apenas em histórico bancário, mas sim em dados abertos e de telecomunicações, por exemplo. Estudo da Research & Markets prevê grande crescimento deste mercado no país, que em 2020 valia US$ 858 milhões e chegaria a US$ 19,7 bilhões em 2028.

Moeda Digital em 2024 Após controvérsias com o governo sobre a não manipulação de criptomoedas por instituições financeiras e a não intenção de lançamento de uma moeda digital mexicana, em dezembro de 2021, o Banxico anunciou que terá sua própria moeda digital em circulação até 2024, como parte dos esforços para impulsionar a inclusão financeira. O anúncio percebido pelo público foi um tweet do próprio Banco Central Mexicano. O documento publicado em 17 de dezembro, “Estrategia de Pagos”, traçou um plano para criar uma plataforma de moeda digital com base na infraestrutura de compensação e liquidação do SPEI, buscando além da instantaneidade, interoperabilidade, alta disponibilidade, padronização e robustez na administração de riscos e ciber-resiliência. Vale destacar a busca da inclusão mesmo daqueles sem conta em banco.

108


O Banxico prevê três etapas para implementação de sua CBDC:

1.

2.

3.

Permitir a realização de transferências indicando um único dado do beneficiário, bem como a manutenção temporária de saldos a favor de um usuário não bancarizado, recorrendo ao ecossistema CoDi.

Esta funcionalidade poderá evoluir a um esquema de ordens de pagamento tokenizadas.

Por fim, o desenvolvimento de funcionalidades para constituir o registro da moeda digital em favor dos usuários direta ou indiretamente no banco central.

“

O @Banxico informa que até 2024 terá sua própria moeda digital em circulação, considerando que essas novas tecnologias e a infraestrutura de pagamentos de última geração são extremamente importantes como opções de grande valor para avançar na inclusão financeira do país.” TWEET DO BANXICO

FONTES: CBDC TRAKER | BLOOMBERG, 2021 | BLOOMBERG, 2021| FORBES , 2022 | OPEN BANKING EXCELLENCE, 2021 | IUPANA, 2022 | LEY FINTECH, 2018

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PERU

110


Peru

Crescendo rápido depois da queda Impactado pela pandemia da Covid-19, o Peru apresentou queda de 11,1% no PIB no ano de 2020, representando a maior baixa entre os países analisados. Além disso, fatores como o aumento do desemprego, déficit público, baixa exportação e importação reforçaram o declínio econômico do país1. Já no ano de 2021, estima-se que o país apresente a maior taxa de crescimento entre os países pesquisados e uma das maiores da América Latina. Este crescimento já está acima dos níveis pré-pandemia no Peru desde o terceiro trimestre do ano. Fatores como investimento privado e aumento de exportações contribuíram para este crescimento. Por outro lado, inflação e juros continuaram altos2. Segundo dados do Banco Mundial, a previsão de crescimento para o país considera um forte crescimento em 2021, porém menores taxas de crescimento entre 2022 e 2023, impactados por diminuição na confiança empresarial, restabelecimento de regra fiscal e pelo crescimento moderado da China, principal destino de exportações do país, assim como no caso chileno1. O crescimento do PIB no país é estimado em 3,2% em 2022 e 3,0% em 2023.

FONTES: 1 WORLD BANK, 2022 | 2 AGENCIA EFE, 2021

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FOTO: BEN OSTROWER NO UNSPLASH

Despesas de Consumo Familiar no Peru3 Como efeito do declínio do PIB em 2020, o país apresentou queda de 8,8% no consumo familiar neste ano. Apesar de ter sido a maior queda no PIB entre os países analisados, o Peru representou a terceira maior queda no consumo, atrás de Argentina e México. Por outro lado, o consumo per capita do país continuou sendo o menor entre os países analisados, US$ 3.914 em 2020, apresentando também queda em relação ao ano anterior. A expectativa para o ano de 2022 é de diminuição na taxa de desemprego, porém com aumento das taxas de juros e inflação no país4,5. Com isso, as taxas de crescimento do consumo familiar podem evoluir de forma branda, assim como as estimativas do PIB do país neste ano.

FONTE: 3. WORLD BANK, 2020 | WORLD BANK | 4. ANDINA, 2022 | 5. BLOOMBERG, 2022 112


FOTO: ASHIM DA SILVA NO UNSPLASH

O consumidor peruano

De olho nos preços Para os consumidores peruanos, o sentimento predominante em relação a recuperação econômica do país pós-pandemia era de incerteza, conforme indica pesquisa realizada pela McKinsey1 ao final de 2020. Cerca de 51% dos pesquisados acreditavam que a economia ainda seria impactada por mais 6 a 12 meses antes de iniciar uma recuperação lenta. Apesar disso, 43% mostraram um sentimento otimista, com o início da recuperação em 2 a 3 meses. Para os peruanos, o preço é um fator importante de decisão de compra, considerando produtos de uso diário, como alimentos e utensílios domésticos. Para produtos como eletrônicos, eletrodomésticos e outros bens duráveis, a qualidade é o principal fator de escolha. Ainda assim, os consumidores tendem a procurar promoções e descontos para qualquer tipo de compra².

113


Uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos3 com consumidores de áreas urbanas confirma a preocupação do peruano com os preços: 71% esperam campanhas e dias da semana específicos em que há promoções e descontos para poder comprar, 63% buscam produtos de preços acessíveis e 90% vão a lugares onde podem encontrar os melhores preços.

O consumo por compras online também aumentou durante a pandemia, conforme detalhado na próxima seção. Seguindo a mesma tendência de outros países da América Latina, como revela pesquisa da McKinsey, a maioria dos produtos comprados via e-commerce foram relacionados a entretenimento, eletrônicos e comida por entrega. Itens de uso diário comprados em supermercado ainda são mais adquiridos em lojas físicas. Apesar do crescimento do e-commerce, grande parte dos pagamentos no Peru ainda são feitos em dinheiro em espécie. Além disso, populações de áreas rurais e classes sociais mais baixas ainda têm dificuldade de acesso a dispositivos móveis, internet, cartão de crédito e contas bancárias, o que limita o avanço tecnológico e financeiro do país.

114

FOTO: SOCIAL CUT NO UNSPLASH

A mesma pesquisa apontou que cerca de 70% dos consumidores busca cada vez mais personalização na hora da compra. Cerca de 43% também afirmaram que pensavam em empreender em 2021. Dos pesquisados, 25% já empreendiam, e desses, 47% haviam começado há menos de 1 ano.

FONTES: 1 MCKINSEY & COMPANY, 2020 | 2 GROUPE CRÉDIT DU NORD, 2021 | 3 IPSOS PERU, 2021 | AMERICAS MARKET INTELLIGENCE - AMI, 2021


Digitalização e acesso a serviços financeiros no Peru

Pequeno mas crescendo rápido Segundo dados divulgados pela AMI em março de 2021, o acesso a contas em banco e fintechs no Peru aumentou entre 2017 e 2021, atingindo 52% de penetração no último ano1, porém representando a segunda menor penetração entre os países pesquisados, atrás apenas do México. Em outras palavras, é possível dizer que pouco mais da metade da população do país possui contas em banco e fintechs. Em relação ao e-commerce, dados divulgados pela AMI em agosto de 2021 indicam que este mercado vale US$ 9,9 bilhões, sendo este o menor valor entre os países analisados neste estudo. Por outro lado, o país apresenta o maior crescimento estimado entre os anos de 2020 e 2024, com 42%2. Este crescimento pode ser justificado pelas restrições sociais durante o ano de 2020, embora a digitalização no país seja baixa e a queda no consumo e alto desemprego também tenham ocorrido neste ano. Como consequência do crescimento no e-commerce, sua representatividade no total de varejo no país aumentou entre os anos de 2019 e 2020. Segundo estimativas da AMI, o e-commerce representará 10% do total do varejo em 2024, isto é, a menor representatividade percentual entre os países analisados3. Por último, é importante citar o aumento do número de novas linhas móveis no país, que pode chegar a 2 milhões em 2025. • 2 milhões de novos usuários de linhas móveis (2025f)4 • 42% de crescimento do mercado de e-commerce (2020-2024f)2

FONTES: 1 AMERICAS MARKET INTELLIGENCE, 2021 | 2 AMERICAS MARKET INTELLIGENCE, 2021 | 3 AMERICAS MARKET INTELLIGENCE, 2021 | 4 GSMA, 2021

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Negócios e cenário fintech no Peru

Decretos ajudam enquanto a lei não vem O Peru não possui melhores colocações em relação a qualquer outro país analisado nesta pesquisa. Segundo o relatório Doing Business 2020 do Banco Mundial1, o Peru representou o 76º melhor país para fazer negócios no mundo e o 4º entre os países analisados nesta pesquisa. Abaixo, compartilhamos os quesitos com melhor colocação do Peru:

116

1.

2.

3.

Obtenção de crédito: entre outras iniciativas positivas, em 2016, houve a criação de lei de proteção de dados pessoais no país. Mesmo com este destaque, México e Colômbia estão em posições superiores ao Peru. Além disso, o país possui grau intermediário em leis de garantias e falências que protegem os direitos dos credores e facilitam empréstimos.

Proteção dos investidores minoritários: em 2017 houve a iniciativa de fortalecer este tipo de proteção ao exigir maiores transparências corporativas. Porém, vale destacar que o país com melhor colocação neste tópico é a Colômbia na 13a posição mundial.

Execução de contatos: entre outros indicadores, a realização de um contrato leva cerca de 478 dias no país, enquanto na América Latina este prazo é de 774,2 dias. Já no México, país melhor colocado neste quesito entre os analisados na pesquisa, leva 350 dias para a realização de contratos.


Cenário fintech 20212

132 empresas

Distribuição das principais verticais em fintech2

Embora não exista uma lei voltada a fintechs, foi estabelecido, por meio do Decreto de Emergência nº 013-2020, regulações voltadas ao financiamento de MPMEs, startups e empreendimentos. Em seu Título III, busca-se promover o desenvolvimento das MPMEs por meio da ampliação do número de empresas que podem conceder bens em regime de arrendamento financeiro e gerar oferta acessível. Já o Título IV, objetiva regular e fiscalizar o financiamento participativo, bem como as sociedades autorizadas a gerir as plataformas através nas quais essa atividade é desenvolvida.

FONTES: 1 DOING BUSINESS, 2020 | 2 FINNOVISTA, 2021

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Meios de pagamento no Peru

Meios digitais crescem, mas a preferência ainda é pelo débito Ao analisar os dados, pode-se verificar que:

1.

78% dos pagamentos no comércio eletrônico estão concentrados em cartões de crédito, débito, dinheiro na entrega e transferência bancária2.

2.

88% dos pagamentos em PDV se concentram em dinheiro, cartões de débito e crédito2.

FOTO: NATHAN DUMLAO NO UNSPLASH

De uma forma geral, a predominância do uso do dinheiro pode limitar os acessos ao comércio eletrônico no país. Contudo, há uma tendência no uso de soluções digitais, visto que houve aumento do uso de cartões no ano de 2020, considerando especificamente o comércio eletrônico1.

118

Também vale destacar que a quantidade de cartões de débito por pessoa é bem superior à quantidade de cartões de crédito por pessoa. Essas médias são semelhantes à dinâmica de cartões no México. Além disso, plataformas como Yape, de pagamentos instantâneos, apresentaram crescimento no número de usuários nos últimos 3 anos. FONTE: 1 CAPECE, 2021 | 2. FIS, 2021


Mix de métodos de pagamento no PDV X Comércio Eletrônico em 20202

• 42,9 milhões de cartões de débito (2020)3 • Média de 1,7 cartão de débito por pessoa acima de 15 anos (2020)3,4 • 8,3 milhões de cartões de crédito (2020)3 • Média de 0,3 cartão de crédito por pessoa acima de 15 anos (2020)3,4

FONTES: 2 FIS, 2021 | 3 IMF, 2020 | 4. WORLD BANK, 2020 | WORLD BANK

* : “DINHEIRO PARA PDV = PAGAMENTO NO ATO COM DINHEIRO EM ESPÉCIE” | “DINHEIRO PARA E-COMMERCE = PAGAMENTO NO MOMENTO DA ENTREGA” 119


Iniciativa privada e governo procurando o caminho

FOTO: NAIPO DE NO UNSPLASH

Pagamentos instantâneos no Peru

Privados: Yape e PLIN O serviço de pagamentos instantâneos mais usado pelos peruanos é o Yape, braço do Banco de Crédito del Peru, lançado em 2016. Trata-se de um aplicativo à parte do banco, baseado na tecnologia Visa Direct, que permite a realização de transferências gratuitas 24/7, utilizando o número de celular, no caso P2P, e QR Code, no caso de negócios. O Yape alcançou 8 milhões de usuários em novembro de 2021. Já o PLIN, iniciativa de três grandes bancos do país, Scotiabank Peru, BBVA e Interbank, foi lançado em 2020. Assim como o Yape, utiliza número de celular e QR Codes e baseia-se na Visa Direct. As transferências são gratuitas entre os bancos participantes, que hoje incluem, além dos iniciantes, mais três instituições e outras três que entrarão como participantes em breve. Em julho de 2021, o PLIN alcançou 4 milhões de usuários. A principal diferença entre os dois serviços é que o Yape se trata de um aplicativo à parte para realização de transferências, enquanto o PLIN está inserido nos aplicativos dos bancos participantes.

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Oficial: IIT A Câmara de Compensação Eletrônica (CCE) lançou, em 2016, seu esquema de pagamentos instantâneos, Immediate Interbank Transfers (IIT). Em março de 2021, 18 bancos ofereciam o serviço. As transferências, que podem ser P2P ou B2B, são feitas por internet banking e aplicativos, com compensação em até 30 segundos. O valor é limitado a PEN 30.000 (aproximadamente US$10,000) por transação. O uso do serviço têm apresentado aumento significativo ano a ano. Com a pandemia, de janeiro de 2020 a janeiro de 2021, o número de transações mensais praticamente quadruplicou.

“

Passos mais recentes Em fevereiro de 2021, foi anunciada parceria entre a CCE, Mastercard e ACI Worldwide a fim de modernizar a infraestrutura de pagamentos digitais no país. Quanto aos pagamentos instantâneos, o plano é viabilizá-los com base na ISO 20022, como o Pix, e simplificar a integração das instituições participantes por meio de APIs.

2015

2016

Banco Central estabelece regras para os processos de compensação e liquidação de transferências instantâneas

Lançamentos IIT e Yape

2020

É comum no Peru ouvir comerciantes dizendo ‘me Yape’ em vez de ‘me pague.” JEFFREY BOWER, DIRETOR DE INVESTIMENTOS SÊNIOR, RESPONSÁVEL POR AMÉRICA LATINA E CARIBE NA INTERNATIONAL FINANCE CORPORATION.

2021

2022

[Março]

[Dezembro]

[Fevereiro]

[Futuro]

Lançamento PLIN

IIT passa a funcionar 24/7

Anunciada parceria entre CCE, Mastercard e ACI

Lançamento de sistema de pagamentos instantâneos baseados na ISO 20022

FONTES: PRIME TIME FOR REAL-TIME, ACI WORLDWIDE E GLOBALDATA, 2021 | AMERICAN BANKER, 2021 | PERU RETAIL, 2021 | LABS, 2021 | PLIN, 2022

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Perspectivas para o mercado financeiro peruano

Rumo ao Open Banking? O Peru não tem regulações específicas para um sistema de finanças aberto, e nem estipulou previsões para tal, mas o país já conta com certo grau de compartilhamento da dados: todo mês as instituições financeiras devem enviar ao banco central dados de seus clientes, a fim de criar um perfil. Assim, pode-se dizer que, se estabelecido que o país inicie Open Banking, não se partirá do zero.

Abertura para bancos digitais O governo peruano tem plano de incentivar a concorrência no setor financeiro, facilitando que bancos totalmente digitais operem no país. As regulações atuais ditam que para se obter licença bancária, é necessário contar com infraestrutura física para atender aos clientes, como rede de agências, o que representa grande barreira para bancos 100% digitais. Vale ressaltar que Yape e PLIN só operam porque pertencem a grandes bancos tradicionais. O plano promete remover a exigência de infraestrutura, abrindo caminho para o surgimento de bancos digitais ou entrada de já existentes e, logo, elevar a competitividade do mercado financeiro peruano, descentralizar os serviços ofertados e melhorar as condições ao cliente. No entanto, vale ressaltar que as companhias ainda precisariam solicitar uma licença bancária, processo que leva de dois a três anos. Tal avanço também deve ser considerado pelo governo, no caso de uma maior abertura do mercado.

122


FOTO: MIKE SWIGUNSKI NO UNSPLASH

Expectativas de uma CBDC O presidente Banco Central de Reserva del Perú (BCRP) afirmou, em novembro de 2021, que está sendo desenvolvida uma moeda digital. Ainda segundo ele, estão envolvidos em muitos projetos com grande número de bancos centrais, tais como da Índia e de Singapura.

“

Não seremos os primeiros porque não temos recursos para ser os primeiros ou para enfrentar os riscos. Mas não queremos ficar para trás.” PRESIDENT JULIO VELARDE, PRESIDENTE DO BCRP, SOBRE UMA CBDC PERUANA

FONTE: THE STATE OF OPEN BANKING IN LATIN AMERICA, BELVO, 2022 | OPEN BANKING EXCELLENCE, 2021 | AMERICAN BANKER, 2021 | IUPANA, 2021 | COINDESK, 2021 123


FIM. OU SÓ O COMEÇO. 124


Por que uma região com tantos desafios é terra de oportunidades em pagamentos e banking? Ao desbravar esse estudo junto conosco, talvez você tenha ficado com a impressão de que há muito a ser feito (e realmente há). Recuperação econômica pós-pandemia e otimismo moderado da população sobre esses tempos melhores; barreiras significativas para empreender; um longo caminho a percorrer para a inclusão financeira – entre outros. Então, por quais motivos vemos esses seis países da América Latina como Terras de Oportunidades? A maior parte da resposta a essa pergunta está no início do conteúdo, quando detalhamos 9 elementos que já estão impulsionando o setor de pagamentos e banking. Além disso, não podemos deixar de olhar para a história recente desse mercado que, apesar das diferenças entre os países, vêm participando de uma agenda global de inovação, da qual fazem parte o avanço e a flexibilização de questões regulatórias e a evolução de temáticas como Open Banking, CBDCs e pagamentos instantâneos. Somado a tudo isso, aqui na América Latina acrescenta-se um ingrediente que garante o sucesso dessa receita: a alta demanda pela bancarização, que não diz respeito apenas ao potencial aumento de transações financeiras, mas à evolução e ao bem-estar da sociedade. Como exemplo, o avanço da bancarização permitiu que milhares de latino-americanos pudessem receber rapidamente auxílios pagos pelos governos no início da pandemia. Além disso, os serviços financeiros estão conseguindo chegar cada vez mais onde e para quem não eram comuns – cidadãos com dificuldade de comprovação de renda começam a ter acesso a crédito; pessoas sem comprovante de residência podem abrir contas digitais para realizar transações; micro e pequenos negócios contam com soluções de recebimento que ajudam a acelerar as suas vendas... Ou seja, há uma grande revolução acontecendo na região. E ela não é apenas na forma como fazemos banking. Acreditamos que a partir da evolução dos meios de pagamento e da inclusão financeira, teremos um grande progresso social e econômico na América Latina. Convidamos você a fazer parte dessa transformação com a gente!

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3.

Educação financeira e estratégias offline que permitem cidadania financeira e expansão da base de clientes

Crescimento do Buy Now, Pay Later e sua contribuição para a inclusão financeira

Serviços financeiros oferecidos por varejistas e empresas de outros segmentos, por meio do fenômeno do embedded finance

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Expansão do e-commerce e aumento do uso de cartões como forma de pagamento

Alternativas digitais para pagamento no comércio eletrônico

Pagamentos instantâneos, que estão em diferentes fases de implementação entre os países analisados

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9.

Boas condições para fazer negócios no México, Chile e Colômbia

Fintechs estrangeiras chegando para contribuir com o avanço do mercado latino-americano

O ponto de virada no mercado peruano, com incentivo aos bancos digitais


FOTO: JEZAEL MELGOZA NO UNSPLASH

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A Dock é uma das líderes em tecnologia para serviços financeiros na América Latina. A companhia agrega valor comercial, inovação e escalabilidade para seus clientes, reunindo emissão de cartões, digital banking e adquirência por meio de uma plataforma única e completa. As soluções modulares da Dock facilitam processos cruciais que aceleram a capacidade de empresas em disponibilizar ao mercado novos meios de pagamento e serviços financeiros. O resultado é uma gama mais ampla de produtos inovadores, maior acesso do consumidor a serviços financeiros e experiências aprimoradas do cliente. A Dock opera 61,6 milhões de contas ativas e mais de 5 bilhões de transações anuais por meio de sua plataforma em nuvem, reduzindo a carga operacional e regulatória e oferecendo outras ferramentas valiosas aos clientes por meio de seu ecossistema de parceiros, para que eles possam se concentrar na experiência do usuário final. Para mais informações, visite dock.tech

FOTO DA CAPA: JORGE GARDNER NO UNSPLASH

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