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Zine Complexo em Movimento - n.43 - julho 2018

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e x l p o m em M o C

ANO IV - EDIÇÃO Nº 43 SAMAMBAIA, DF

Ra ul VViivvee!!

JUlHO / 2018

ovimento O ARTISTA PLÁSTICO JOSÉ CARLOS

Pelo número considerável de seguidores e imitadores, decidimos homenageá-lo nesta edição!

DORINHA DO M.A.S.

uma militância em prol de direitos sociais

Edmilson Messias

Eddie Wolf

CCS

VISITA TÉCNICA AO COMPLEXO CULTURAL

Seja um colaborador deste zine! Envie-nos sugestões de conteúdo sobre a arte e cultura de Samambaia. E-mail: zcmovimento@gmail.com Imprima cópias do zine e distribua na sua comunidade.

Baixe o arquivo em: ZCMOVIMENTO.com.br


EDITORIAL

CULTURA E PARTICIPAÇÃO SOCIAL

C

aro leitor, o ZCM chega às suas mãos com informações do Conselho Regional de Cultura de Samambaia, sobre o andamento do processo de inauguração deste equipamento público. Aproveito a ocasião para informar que Jadiel Teles, foi oficialmente nomeado Gerente de Cultura, Esporte e Lazer da ADM RA XII, lembrando que o Conselho de Cultura travou uma luta árdua com o Governo para que a criação desta gerência se tornasse realidade. A luta continua, com o objetivo de desvincular a gerência de cultura destas outras áreas. Com esta ação o governo coloca a cultura em lugar de destaque, antes, relegada a segundo plano. Na leitura que se segue, temos Eddie Wolf representando bem o artesanato. A poeta Noélia Ribeiro nos brinda com uma bela entrevista. E o Velho Raul? Dispensa comentários. Pelo número considerável de seguidores e imitadores, decidimos homenageá-lo nesta edição .

Temos a honra de apresentar-lhes o artista plástico José Carlos que, na composição dos seus trabalhos, retrata cenas urbanas, passeia entre os estilos realismo e o retrato pictórico. Na área comunitária, Dorinha fala sobre o Movimento Acorda Sociedade (MAS), movimento este, que denuncia os desmandos do governo federal principalmente nas áreas previdenciária e trabalhista. Em tempo: vale conferir a maravilha que ficou o Espaço Cultural Renato Russo após a revitalização.

A equipe do ZCM se fez presente no evento em alusão ao Dia Mundial do Rock, promovido pelo espaço Saloon Red Rock Alternativo, leia sobre. Fechamos esta edição com o humor nas tirinhas.

Proveitosa leitura a todos!

EXPEDIENTE:

Por: Demontiez Marques

Editores: Demontiez Marques (61 98609-3109), Ilton Barbosa (61 98474-2193) Diagramção: Nailan Barbosa - Fotografia: Elisa Borges Revisão: Danne Strauss - Assistente Administrativo: Sarah Zanina Todas as edições disponíveis em: Issuu.com/zinecomplexoemmovimento


INFORMES DO CONSELHO REGIONAL DE CULTURA DE SAMAMBAIA

VISITA TÉCNICA AO COMPLEXO CULTURAL

receber equipamentos de iluminação, sonorização, projeção e a vestimenta da caixa cênica. “Agora sim teremos um teatro de verdade em Samambaia”, dizem @s artistas.

D

ia 11/07/2018 ocorreu outra visita técnica ao Complexo Cultural Samambaia, com participação da Secretaria de Cultura/DF, Novacap, Administração Regional, Conselho Regional de Cultura e artistas da região. O objetivo foi verificar as condições da obra, urbanização e paisagismo, tendo em vista a inauguração desse equipamento público comunitário reivindicado há mais de dez anos, por artistas e a sociedade em geral.

O plantio de grama e árvores aguarda as próximas chuvas. Quanto ao arruamento, acessos e iluminação pública, a diretoria de urbanização da Novacap e a Administração Regional de Samambaia tomam as providências necessárias. Isso por que “serão beneficiadas, com essa obra de valia, Taguatinga, Ceilândia, Recanto, Santa Maria… A população merece e Samambaia agradece, através da poesia”, diz o poeta Luiz Vieira. Texto e fotos: Elton Skartazini

Móveis e equipamentos estão comprados, aguardando para serem instalados. A situação do teatro Verônica Moreno é mais complicada: além de adequar o palco de madeira e a carga de energia, precisa concluir a cabine técnica e construir a estrutura para As reuniões acontecem quinzenalmente, no auditório da Administração de Samambaia, sempre numa terça-feira. A última reunião do conselho ocorreu dia 10/07/2018. Acesse o relatório em Blogccs.wordpress.com


DORINHA DO M.A.S. uma militância em prol de direitos sociais

ZCM - O movimento Acorda Sociedade, congrega várias instituições da área jurídica que defendem o direito do cidadão, com a qualidade do serviço público e contra a reforma da previdência. Qual a estratégia para atingir o objetivo ao qual se propõe? Dorinha – O MAS nasceu da necessidade de alertar, denunciar retrocessos e ao mesmo tempo, mobilizar a sociedade para o debate. Por exemplo, por meio da ANFIPAssociação dos Auditores Fiscais da Receita Federal, integrante do MAS, sabemos que o governo retira do orçamento da seguridade social 30%, utilizando-se de um mecanismo denominado DRU- Desvinculação de Receitas da União, e transfere para outras áreas, sendo que estes recursos devem ser apenas para a Saúde e Previdência. O MAS trabalha o empoderamento da sociedade através de audiências públicas, congressos e projetos de palestras acadêmicas. ZCM – O governo atual pautou suas ações em atacar os direitos adquiridos dos cidadãos, o que está faltando para que o MAS se manifeste de forma mais consistente para coibir estes ataques? Dorinha - As entidades que integram o MAS fizeram a parte dela quando ajuizaram várias ações judiciais, conseguindo até, tirar do ar a propaganda mentirosa do governo. Mas a sociedade não reage. Como representante dela no movimento, estou tendo muita dificuldade em mobilizá-la. Infelizmente, a maioria ainda só pensa no interesse individual.

ZCM – Previdência e trabalho, são as áreas mais atingidas pelas reformas propostas pelo Governo Federal. O MAS tem apresentado propostas para que não hajam prejuízos irreversíveis ao cidadão? Dorinha - O MAS luta pela PEC 24/2003, do Senador Paim, que busca a proteção dos recursos da Seguridade Social; luta pela PEC 407/2018, que trata do princípio da confiança em matéria previdenciária, no qual já apresentou duas sugestões: SUG 146, que objetiva evitar medidas provisórias em matérias trabalhistas e previdenciárias; e a SUG 151, que torna imprescritível a sonegação das contribuições previdenciárias. ZCM – Você atua em vários segmentos: social, cultural, ambiental, atitude inerente a um verdadeiro líder comunitário. De onde vem esta força? Dorinha - Do sonho de ver acontecer uma conscientização em massa! Precisamos fazer a nossa parte na reconstrução do nosso país. ZCM – Em sua opinião, atualmente há maior conscientização da população em relação à qualidade de vida? Dorinha - Os governos, ao invés de trabalharem a conscientização da sociedade, através de informações e até incentivos, não sei se por má gestão ou pouco caso, fazem um trabalho de punição aplicando multas, por exemplo, em questões sociais equanto que na saúde auxilia as pessoas somente fornecendo remédios. ZCM - A Fundação Educacional apoia estruturalmente seu trabalho nas escolas? Ou só abre espaço para as palestras? Dorinha - Não tenho nenhum contrato com a Fundação Educacional. Entro nas escolas a convite da direção que me concede este espaço. ZCM – Além da Rede de Ensino, que outra estratégia você lança mão para difundir seu trabalho? Dorinha - Audiências públicas, seminários, palestras e ações sociais. Mais informações em: Facebook.com/mas.org.br


Edmilson Messias

Eddie Wolf

Morador de Samambaia na quadra 512, desde o ano 2000, o artesão Edmilson, mais conhecido como Eddie Wolf, nos conta um pouco sobre ele. 1. Como surgiu este seu nome artístico? Através de estudos sobre xamanismo, eu criei esse nome, porque acredito que em cada coisa que se cria, é colocado um pouco da essência criadora que vem da alma. 2. O que veio primeiro, o teatro ou o artesanato? O Teatro, participando da Paixão do Cristo Negro, aqui em Samambaia, em 2002, depois em 2004 comecei a trabalhar com artesanato. 3. Como começou e quem foram seus mentores? O Artesanato eu aprendi quando fiquei um tempo internado em um hospital, aprendi pintura, montar uma caixa porta tralha, fazer colares, depois desse período internado, pesquisei mais e aprendi a fazer outras coisas e aprimorar as técnicas. 4. Como ficou sabendo do Sarau Complexo? Por meio de amigos que participam sempre todo final de mês. 5. Conhece o nosso Complexo Cultural? Qual sua opinião sobre ele? Conheço, minha opinião sobre ele é positiva, aguardando que artistas de várias áreas tenham oportunidade de mostrar os trabalhos que elaboram; muito artesanato, artes plásticas, teatro, música, todos com uma mesma oportunidade no Complexo Cultural. 6. Onde podemos lhe encontrar com mais frequência vendendo seu artesanato? Estou em qualquer lugar da cidade que tenha muito fluxo de pessoas, principalmente em feiras e eventos. Posso ser localizado pelo número: (61) 98485-1077, ou pelo meu Facebook: Facebook.com/edmilson.eddiewolf


Espaço Cultural Renato Russo é reaberto ao público

O

brasiliense recebeu de volta um dos principais pontos culturais da capital federal. Fechado há cinco anos, o Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul, reabriu as portas ao público, com exposições e performances artísticas. O espaço, inaugurado em 1977, com o nome de Centro de Criatividade, renasce com o propósito de unir em um só lugar todas as linguagens artísticas — cinema, música, dança, teatro, exposições, literatura. Rollemberg considera essa a principal inauguração cultural, que segue com as entregas da Fundação Oscar Niemeyer, do Centro Cultural de Planaltina e do Complexo Cultural de Samambaia, nas próximas semanas. “Não estamos apenas recuperando um prédio, mas uma história e muitos sonhos. Esse é um espaço que formou muitos artistas da nossa cidade”, disse. O artista Vanderlei Costa, 41 anos, enxergou o funcionamento do espaço como algo fundamental. “É um local que converge várias expressões artísticas. Agora, vamos ter mais galerias, galpões e teatros. Esse foi o primeiro espaço cultural de Brasília, e é historicamente muito importante tê-lo funcionando”, afirma. Com a reinauguração, a forma de gestão do local também tem alteração. Um chamamento público foi aberto para receber propostas de gestão das organizações da sociedade civil. A organização vencedora será responsável pela manutenção e gestão do Espaço Cultural, assim como pela programação. O recurso anual será de R$ 800 mil. Secretário de Cultura mostrando a ação dos grafiteiros ornamentando a fachada lateral do Espaço Cultural Renato Russo.

Fonte: Correio Braziliense Foto: Danne Strauss


Raul VivR ea ! ul Vive!

e!! R auull VVilivVvie Ra ve! Rau R aul Vive!

E

m 1994, passava um clipe de Gita no VideoShow, um garoto que assistia achou aquilo fascinante... aquelas cores, aquela psicodelia, aquela letra revolucionária e aquele cara no mínimo exótico. Anos mais tarde, um amigo desse garoto mostrou um CD do Raul Seixas (edição especial) a ele e ambos ficaram ouvindo e discutindo sobre aquela obra maravilhosa. Depois desse dia, o garoto tinha um hino a bravejar ao vento: “ ”

Viva, viva, viva a sociedade alternativa…

Na medida que o tempo passava, o garoto devorava tudo sobre Raul Seixas: CDs, livros, matérias póstumas de jornais e revistas, entrevistas de familiares etc. Depois da aula, ele gostava muito de ir à uma Lan House na CNF em TaguaYork chamada “Floppy” onde o atendente que se chamava Marcelo, “o Marceleza”, ficava horas explicando, filosofando sobre Raul e falava suas teorias malucas sobre a história de cada música. Assim se passou todo o Ensino Médio. Já, mais crescido, resolveu ver de perto, ir a campo. Numa visita a uma tia em São Paulo (cidade onde Raul morreu), decidiu conhecer o prédio em que Raul faleceu e as redondezas do mesmo. Como já se esperava, não deixaram o, agora rapaz, subir ao apartamento que era do ídolo (dá pra acreditar que ele quis mesmo subir? Rs), restou a ele apenas tirar uma foto na entrada do prédio como lembrança. Numa lanchonete próxima, o rapaz após tomar seu suco de laranja, perguntou ao atendente: Tem quanto tempo que essa lanchonete funciona? O atendente respondeu: Ih, isso aqui é negócio de família, tem mais de trinta anos! O rapaz em êxtase, sentiu um frio na barriga ao imaginar que poderia estar sentado na mesma cadeira que Raul talvez se sentasse,

viajando na maionese

mais tarde já na casa da tia, passou horas “ ” curtindo essa possibilidade. Hoje, o rapaz já é um homem feito, montou uma banda, ainda gosta muito de Raul. Aqui ou acolá, faz um tributo e passa tudo o que sabe para quem se interessa. A história ‘raulseixista’, do garoto que virou rapaz e agora é um adulto, é muito longa. Abreviemos aqui. O que vale é ressaltar a importância da trajetória de um dos ícones da música brasileira, que atravessa gerações com suas obras atemporais e que ainda vai, por muitas décadas, influenciar outros jovens à boa música e ao pensamento crítico.

Viva Raul!!! ! e v i V l u a R Raul Vive!

Por: Danne Strauss (o garoto, o rapaz e o adulto)


Isadora Santos Parte II

ZCM - O seu desempenho no palco é fruto de muito ensaio? Ou se dá de forma natural? Isadora - Para mim, a relação com o canto é simplesmente natural, pois nunca fiz aulas e sempre tive facilidade para alcançar notas altas. Mesmo assim, todas as vezes que canto, sinto como se fosse a primeira vez. Talvez seja porque não acho que assumir o mic seja algo simples, por isso, meu desempenho e relação com os palcos é fruto de muita preparação.

ZCM - Como se dá o processo de trabalhar em grupo? A escolha do repertório a ser apresentado é democrática? Isadora - Trabalhar em grupo, pra mim, é muito divertido. Tem lá suas complicações, é claro, pois cada um é um ser e tem pensamento diferente. Cada um é único, né?! Mas é muito bom estar junto de todos, trabalhar a coletividade, as ideias que cada uma traz. Daí, discutimos sobre o que vamos fazer, como vamos fazer, as roupas, o repertório... é legal. Aliás, o nosso repertório é feito coletivamente, gosto muito dessa ideia de coletivo. Decidimos quais são as músicas de acordo com nossas apresentações, pois isso depende da dinâmica do público que irá nos receber, do caráter do evento, compreende? ZCM - Para você, que participa do meio cultural, a música é uma forma de sensibilizar as pessoas para o entendimento complexo do dia a dia? Isadora - A cultura é a nossa riqueza, sem dúvidas. Ela é a nossa identidade. Todos nós temos de ter essa prática, ela é a mudança. Muitas vidas, muitas pessoas se reconstroem a partir da arte. Nós, que estamos nesse meio, somos a resistência dessa prática, da cultura. O Estado faz de tudo para que não tenhamos acesso a nossa

As Olindas

identidade, mesmo assim, estamos aqui, fazendo parte dela e lutando juntos pela liberdade de nos expressar com a arte e com a cultura, que são transformadoras. ZCM - O que é música de qualidade para você? Isadora - Música de qualidade é aquela música que é tocada com sentimento. Ela vem de dentro, é pura, e proporciona o choro, o riso, o querer amar, porque ela pode ser sentida. É a música que nos traz as tristezas da vida, porque nem só de felicidade se vive. Bem, ela tem que ser real, isso faz parte de uma boa música.

Parceiro Zine


O ARTISTA PLÁSTICO JOSÉ CARLOS, DESEJA OCUPAR ESPAÇOS NA CIDADE COM OBRAS DE ARTES O Zine Complexo em Movimento, tem a honra de apresentar José Carlos Coelho, artista plástico, autodidata, nascido no ano de 1965 no Pará, residente em Brasília desde os anos 70. “A aptidão para desenho vem desde criança, me envolvi com arte a partir dos 17 anos”, diz José Carlos. Este artista relata que começou a desenhar e pintar camisetas à mão. Depois de algum tempo, foi trabalhar como desenhista (arte finalista). Trabalhou alguns anos depois, com pinturas artesanais em molduras e algumas restaurações em quadros. Nos anos 90, fez alguns cursos de desenho, escultura em argila e aerografia. Na pintura começou a produzir trabalhos abstratos e a expor em alguns espaços de Brasília. Depois dessa época, dá uma pausa na produção artística e começa a estudar Ciências Contábeis, área em que trabalhou por um período considerável. Atualmente faz artesanatos e pinturas figurativas e desenvolve um projeto que consiste em fazer de Samambaia uma “galeria a céu aberto”, para divulgar suas esculturas em ferro, em parceria com a comunidade empresarial. Dois trabalhos estão prontos para ser instalados, restando apenas a autorização da Administração Regional. Em breve a comunidade terá oportunidade de apreciar o trabalho deste artista nas localidades: Praça Central da QR 114 e na Praça do Skate Park, na QN 302, Samambaia Sul. O objetivo do projeto é expandir e dotar a cidade de uma “galeria a céu aberto”. Por: Demontiez Marques


NOÉLIA RIBEIRO: POETA, integrou a geração mimeógrafo

Parte I ZCM

Quando despertou o interesse pela poesia? NOÉLIA RIBEIRO - A música entrou em minha vida antes da poesia. Só fui começar a ler poesia no final do ensino fundamental, mas já tinha poemas escritos por conta de meu interesse pela música. No ensino médio, eu comecei realmente a consumir poesia, a comprar livros. Aí entrei para o curso de Letras na UnB e aprofundei esse interesse. Logo depois, participei da antologia “Salada Mista”, com Sóter e Paulo Tovar, e lancei meu livro artesanal “Expectativa”. ZCM - Como é o processo de elaboração do seu trabalho poético? NOÉLIA - Ele começa com uma ideia ou com um incômodo. Não sei dizer se isso é inspiração. É algo que precisa sair da cabeça ou do coração para o papel. A partir daí, começa o processo de burilação. Escrevo alguns versos ou o poema todo e deixo lá. No outro dia, volto, mudo palavras, tiro e acrescento versos e deixo lá novamente. Mudo, mudo, mudo, até o poema ficar sonoro, com um bom final e, claro, sem erros de português. ZCM - Você escreve sobre experiências vividas ao longo da vida? NOÉLIA - Na maioria das vezes, sim. Preciso disso para não pirar. Invento muita coisa também. Minha poesia já foi chamada de confessional. Não acho ruim, mas não quero ser somente isso. Em meu livro “Espevitada”, tentei mudar um pouco, evitei poemas na primeira pessoa e busquei outros temas,

mas os ônus e os bônus da paixão acabam sendo meu mote. ZCM - Percebe-se que as poetas estão mais engajadas em expor seus sentimentos de relacionamentos familiares, cotidianos, protestos contra a minoria de representatividade nas áreas profissional e política. Atualmente, há um olhar diferenciado em relação à luta pelos direitos das mulheres na construção de uma sociedade mais igualitária? NOÉLIA - Há sim. Na minha área, por exemplo, vemos poucas poetas sendo publicadas. Vivemos em um mundo supermachista, mas, pelo menos, percebemos em muitos momentos esse olhar diferenciado a que você se refere. As mulheres estão conseguindo se impor um pouco mais e a chamarem a atenção para os problemas que enfrentam, como também para seus direitos. Temos uma longa estrada. ZCM - O gestual, a forma de apresentação, timing, são condições sine qua non, para a compressão da poesia. Você desenvolve algum método para que suas poesias sejam bem apresentadas? NOÉLIA - Não desenvolvo método algum. É importante, se possível, decorar os poemas. Sempre fui muito tímida para recitar. Ainda sou, fico nervosa, mas agora vou assim mesmo. Vejo que melhorei com o tempo, talvez porque acredito no que falo. Sou intensa em tudo o que faço. Acho que passo esse amor que nutro pela poesia, quando estou no palco. No entanto, tenho consciência de que posso ser ainda melhor ao recitar meus poemas. Aliás, prefiro recitar os meus a recitar poemas dos outros. Por: Demontiez Marques


DESCUBRA O QUE HÁ NO BAÚ DE LEMBRANÇAS DO ESCRITOR CARLOS SIMÕES O Escritor Carlos Simões dos Santos, radicado em Samambaia é baiano da cidade de Mata de São João, licenciado em Letras/Tradução, na Universidade Federal da Bahia, com conclusão no Centro Universitário de Brasília, hoje UNICEUB. Lecionou em várias Instituições de ensino, atualmente é docente da Secretaria de Estado de Educação do DF, onde leciona a disciplina Inglês.

ZCM – Em seu livro O CASO DO BAÚ DE LEMBRANÇAS, relatos e experiências vividas por professores na árdua tarefa de educar, são experiências totalmente reais, ou há um pouco de ficção? Carlos - Todo escritor é um mentiroso, fingido, etc, etc. Não fujo à regra. Mas, metade do que conto em meus livros tem muito de realidade. Tanto que já houve situações em que os próprios parentes e amigos perguntaram a razão de eu não pedir ajuda, como foi o episódio do quase sequestro que eu e minha esposa sofremos relatado no livro O CASO DO BAÚ DE LEMBRANÇAS, nas proximidades do metrô de Furnas. Só que o fato quase aconteceu. Mas isso é conversa para uma mesa de refrigerantes (não bebo álcool) e empadinhas de camarão...

ZCM – É um desafio para o professor detectar os ZCM - O que te estimula a escrever? conflitos entre alunos, além dos conflitos familiares e Carlos Simões - A tentativa de retratar a vida como ela existenciais destes no dia a dia do ambiente escolar? é, com as suas contradições, belezas, dramas e mistérios. Carlos - O professor tem que estar atento ao que acontece, não só na sala, como situações particularíssimas ZCM – O mercado literário atual está favorável para o entre os alunos e dos alunos. Claro que isso não é fácil. lançamento de novos livros? Qual estratégia desenvolvida Mas, o que é fácil na vida de um professor? para que seu livro chegue ao leitor? Carlos - Hoje o escritor tem muito mais facilidade de ZCM – E os personagens que compõem seus livros, publicar seus livros, com o advento de novas tecnologias estes são reais? no setor gráfico. Mas, a dificuldade de o mercado de Carlos - Um ou outro tem existência fictícia. Quase modo geral, acolher uma obra de um iniciante é enorme. Escritores já consagrados escrevem coisas simples e sua todos são reais. Principalmente os nomes de meus familiares, que estão em quase todos os meus livros. E obra é acolhida como um novo sucesso. muitos professores do CEF 412, onde trabalhei e onde ZCM - Qual a sensação sentida após ver sua obra iniciei a minha vida de escritor, têm os seus nomes reais nas histórias. Aquela escola é a minha segunda casa no editada? Carlos - De gratidão a Deus e aos amigos que ajudaram. Distrito Federal. E, se a sua obra de alguma maneira ajuda pessoas, então o escritor se sente realizado. ZCM – O processo de escrever é natural preconcebido, ou você escreve conforme as ideias vão surgindo? ZCM - Conforme registro, seu trabalho teve o poder de Carlos - Comigo, nada tem de natural. Diria mesmo, estimular a leitura na rede pública de ensino do DF, mais que tem muito de sobrenatural. Nunca sei que rumo exatamente na cidade de Samambaia, isto é fruto de uma a história vai tomar, e não é raro personagens me boa divulgação, ou o conteúdo contribuiu para que isto interpelarem durante o sono ou sonho, acerca do ocorresse? andamento da história. E até já recebi ameaças. Ah, sim, Carlos - Divulgação dos amigos generosos. Sou eu sou normal... assumidamente tímido. Tenho horror a falar de mim, de meus livros. Quanto ao conteúdo, nos livros que lancei ZCM – Algum projeto em andamento? falei de situações, lugares, pessoas que o público-alvo, os Carlos - Sim. Até setembro, farei o lançamento dos alunos das escolas, bem conheciam. As minhas próximas livros A VARANDA e SANGUE NOVO. O local será o obras – A VARANDA, e SANGUE NOVO, também têm CEF 412, de Samambaia. Convido a todos. grande identificação com a cidade de Samambaia. Aliás, Samambaia é o cenário de todas as minhas obras. E isso Contato: karliran@hotmail.com está gerando um certo ciúme lá na minha cidade natal, (61) 98452-0115 / 3358-1610 Mata de São João, na Bahia...


TIRINHA

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