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DIÁLOGOS COM UM UNIVERSONAUTA

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DIÁLOGO[S] COM UM

Volker Schnüttgen Domingos Loureiro

UNIVERSO NAUTA

DIALOGUE(S) WITH A


DIÁLOGO[S] COM UM

UNIVERSO NAUTA

DIALOGUE(S) WITH A

VOLKER SCHNÜTTGEN (n. 1961) DOMINGOS LOUREIRO (n. 1977)

11 DE MAIO A 29 DE JUNHO DE 2019 MAY 11 TO JUNE 29, 2019

DIÁLOGO(S) COM UM UNIVERSONAUTA |

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TECHNICAL INFORMATION

DIÁLOGO(S) COM UM UNIVERSONAUTA DIALOGUE(S) WITH A Exposição Coletiva // Collective Exhibition 11 de maio a 29 de junho, 2019 May 11 to June 29, 2019

Artistas // Artists Volker Schnüttgen Domingos Loureiro Curadoria // Chief Curator Helena Mendes Pereira Comunicação e Produção Executiva // Communication and Executive Production Catarina Martins Apoio à Comunicação e Produção Executiva // Communication and Executive Production Support Vanessa Ribeiro

Tradução // Translation Lurdes Fonseca // Photography and Video

// Catalog Print // Number of Copies 250 exemplares // 250 copies 02 | DIALOGUE(S) WITH A


DIÁLOGO[S] COM UM

UNIVERSO NAUTA

Mas um homem também não podia voar, e porém não havia maneira de erradicar a recordação do sonho, instigada pelo hachidori1, de levitar sobre a estepe, o corpo suspenso acima das sombras do mundo. Os homens não voam, dizia a si próprio quando despertava dessas misteriosas deambulações como alguém que se castiga ou que deseja suprimir uma memória apócrifa 2.

Volker Schnüttgen (n.1961) nasceu em Attendorn, na Alemanha e licenciou-se em escultura e gravura pela Universidade de Artes de Bremen, em 1986. Desde então, já participou em inúmeras exposições coletivas e individuais, bem como em residências artísticas e simpósios numa geografia curricular que nos leva da Alemanha a Portugal, passando por Espanha, França, Holanda, Noruega, Suécia, Irão ou Moçambique, estando representado com mais de 30 obras em espaço público. Em 2008 concluiu o Mestrado em Arte Multimédia na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, onde viria a lecionar escultura entre 2010 e 2016. Em 2010, o escultor alemão recebeu o apoio de um Fundo Cultural, atribuído pela cidade de Berlim, para a produção do projeto Habitat (em coprodução com o coletivo de bailarinos LaborGras) no Radialsystem V, em Berlim. No intervalo entre a instalação e a performance, Habitat acontece num cenário feito de objetos escultóricos de madeira de carvalho que vertem a identidade plástica de um artista que, desde 1993, escolheu Sintra como local de residência fixa. Cada escultura de Habitat tem um universo interior para ser descoberto pelo espetador, como se a respiração e a alma das árvores contivessem a senda dos nossos quereres e não quereres. Poderiam ser esculturas falantes ou a natureza a indagar, mas é antes a multidisciplinaridade da proposta artística que faz o objeto integrar um monitor e uma coluna que servem de palco virtual à dança. A união da dança e da escultura, que aconteceu em 2010, é feita pela tecnologia e por um software desenvolvido especificamente para a performance, dando-nos a ilusão de que o movimento acontece no interior do objeto como se a arte, nascida da natureza, fosse o habitat do corpo que se desenha no ar. O espetador é convidado a emancipar-se, já que as formas da experiência estética e os modos de ficção criam assim uma paisagem inédita do visível, formas novas de individualidades e de conexões, ritmos diferentes de apreensão do dado, escalas novas.3 A primeira ideia concreta subjacente à exposição que ora se apresenta era, precisamente, a possibilidade de expor Habitat, pese embora a impossibilidade de a recriar com a dança, mas antes trabalhando sobre a perspetiva da ausência dos corpos em delírio que nos ficam pela perceção dos vídeos, embriões do carvalho feito objeto da hipersensibilidade estética. O diálogo de Habitat com o corpo, o movimento e a natureza merecia reforço de interesse e serviu de ponto de partida ao projeto de curadoria, inicialmente sem nome e centrado, apenas, na produção de Volker Schnüttgen, artista que integra a coleção de obras de Arte do dstgroup e que se vincula à poética do espaço 1 2 3

Palavra japonesa para beija-flor. TORDO, João – Ensina-me a voar sobre os telhados. Lisboa: Companhia das Letras, 2017. Páginas 247 e 248. RANCIÈRE, Jacques – O Espectador Emancipado. Lisboa: Orfeu Negro, 2010. Página 98. DIÁLOGO(S) COM UM UNIVERSONAUTA |

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natural de que a zet gallery precisava depois dos caminhos da figuração e antes da montanha russa da urbanidade. Em 2018, Volker Schnüttgen participou numa residência artística no Centro de Artes das Caldas da Rainha onde concebeu e produziu a exposição Sete livros sobre a natureza de uma árvore que nos ajudaria, em tempo de Grande Prémio de Literatura do dstgroup e de Feira do Livro de Braga, a cumprir a tradição (recente) de ligar o exposto ao lido e à ânsia do ler mais e do ver mais. Havia uma ideia forte que se ia sobrepondo a esta primeira, assente numa certa visão superlativa da natureza e das interrogações improváveis que o tempo recente (de amores e amigos perdidos, de desesperos interiores) parecia querer trazer: encontrar as respostas no cosmos, nos fenómenos naturais, na epifania dos solstícios e dos equinócios e nos retratos interiores que vemos refletidos nas neblinas, nas margens dos rios e nas ondas do mar. Habitat e Sete livros sobre a natureza de uma árvore pereciam na ténue possibilidade de dialogarem apenas entre si até se darem os encontros, furtuitos, primeiro com Domingos Loureiro (n.1977) e depois com António Costa Pinheiro (1932-2015) e uma serigrafia de 1974 que dava conta de uma ação performativa passada em Munique, em 1973, no seu atelier, intitulada Diálogo entre o Universonauta e Costa Pinheiro4. Ora, o Universonauta parece mulher, está sentado no estirador com candeeiro e segura um livro, numa espécie de cenário de referencial planetário, em contexto de produção posterior à série de quadros negros, ou “ciclo de sofrimento” do período em que o artista fez parte do KWY5. Aquele era um apelo que interessava numa espécie de rutura com a ordem natural das coisas sobre a qual escreve António Lobo Antunes (n.1942). Há os que voam pelo ar e os que voam debaixo da terra sem estarem mortos e eu pertenço a estes últimos (…). (…) porque me sucede sonhar com imbondeiros, filha, como me sucede sonhar com os choupos de Monção ao mesmo tempo que os rostos e as falas colidem no écran e te oiço no quarto a enfureceres-te com o paspalho cá de casa. (…) Cada um voa como pode, afirmo eu, e por isso tornei a Portugal para voar sob a terra, mas no Minho não existiam galerias onde empurrar vagões de minério, não existiam cantinas, nem bairros de operários, nem sons de latas aos domingos, apenas quintarolas de cebolas, de coentros, de tomates, apenas água a cantar nos musgos.6

A pintura de Domingos Loureiro posiciona-se num campo expandido porque tridimensional nos suportes, incisiva na gravação das formas e não linear nos métodos, sempre associados a processos de autoconhecimento e a desafios de manipulação e contacto com a memória das coisas, procurando evidenciar a força da mente sobre a mão ou, então, o treino intenso da mão 4 5

https://www.costa-pinheiro.de/pt/entrevista em 29 de abril de 2019.

O KWY foi um grupo de artistas constituído pelos artistas portugueses Lourdes Castro (n.1930), René Bertholo (19352005), António Costa Pinheiro (1932-2015), João Vieira (1934-2009), José Escada (1934-1980) e Gonçalo Duarte (19351986), pelo búlgaro Christo (n.1935) e pelo alemão Jan Voss (n.1936), que se reuniu em torno de uma revista, com o mesmo nome, publicada em Paris entre 1958 e 1964. O grupo afirmava não se existir nenhum estilo artístico a justificar a sua união, afirmando ser apenas um grupo de artistas plásticos e poetas contemporâneos. 6

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ANTUNES, António Lobo – A Ordem Natural das Coisas. Lisboa: Dom Quixote, 2008 (3ª edição). Páginas 89 a 94. -


que domina o pensamento e o faz deslizar. A pintura de Domingos Loureiro, como a escultura de Volker Schnüttgen, têm aquela dimensão da virtude e da manifestação da técnica. Sentimos o artista em transpiração, ação e reflexão. As árvores e as suas matizes viajam pelos universos pictóricos e cósmicos destes dois artistas que deambulam entre aqueles que voam pelo ar, para observar a partir do topo como um astronauta, e os que voam pela terra, na proximidade às coisas de cá, ao chão e às raízes, reais e/ou metafóricas. No embalo da sugestão conceptual de Costa Pinheiro, percursor da sua geração e um dos que rompeu com o engavetamento das possibilidades de produção no campo artístico, provocar o diálogo entre dois autores era como desenho em papel de algodão que começa abstrato e se torna forma simbólica e poesia de ícones. Domingos Loureiro nasceu em Valongo e é doutor em Arte e Design pela Universidade do Porto. Acumula a sua atividade de artista visual com a de Professor Auxiliar na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, no Departamento de Artes Plásticas – Pintura. Acumula diversos cargos e funções associados à Academia e é autor e editor de diversos documentos científicos e académicos. Artista premiado, conta no seu currículo com exposições em diversos países tais como Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Bélgica, Itália, Irlanda, EUA, Brasil, Japão, Alemanha, Canadá e Holanda. A série de obras que Domingos Loureiro apresenta na zet gallery corresponde a uma visão antológica do seu percurso, tendo procurado selecionar trabalhos que representam diversas fases da sua carreira. Contudo, o artista manteve a preocupação de o grosso do que se apresenta ser de produção recente ou recuperações de processos inacabados. Recorrendo, quase literalmente, às palavras do autor, esta opção parte da premissa de que existirá no percurso desenvolvido uma noção simbiótica entre todas as etapas, realizadas por ocasiões distintas de ação, mas coerentes com uma dimensão autoral e artística. Nesse sentido, a presente seleção, coleciona e propõe uma reflexão sobre as questões que estiveram na base de cada uma das fases, mas pensadas numa posição temporal diferente. Trata-se de um olhar sobre o próprio olhar, num diálogo (quase) autobiográfico, mas também externo, porque, se algumas ideias se mantêm intactas ao longo dos anos, outras ganharam diferentes dimensões e perspetivas, tratando-se, assim, de uma viagem por novos trajetos. Em DIÁLOGO(S) COM UM UNIVERSONAUTA, Domingos Loureiro apresenta quatro séries de trabalhos: Blind Lanscape, Landscape_Body_Landscape, Manmade Landscape e Building Utopia. Apresenta, ainda, a obra Visible, non visible landscape, que não sendo pertença de nenhuma das séries, cruza as fases Blind e Manmade Landscapes. Blind Lanscape remete para a dimensão tátil da matéria e para o esforço da ação. Contudo, as problemáticas são tratadas enquanto paradoxo, pelo congelamento da ação humana, numa dimensão técnica que remete para o industrial e para a ausência da presença da forma, invisível até à sua construção por ação da luz. Manmade Landscape parte da noção de paisagem de aparência natural mas dominada pela ação humana, como são exemplo as paisagens de eucaliptos, espécie introduzida e não autóctone que parece subverter a dimensão orgânica do natural em forma artificial. Nesse contexto, árvores repetem-se na disposição e forma, ao longo das imagens, como se fossem cenas de um déjà-vu ou múltiplos de um mesmo corpo. A paisagem representada é humanizada, bem como a imagem é construída aparentemente por processos industriais, sendo na realidade totalmente sulcada manualmente. Building Utopias apresenta um conjunto de arquiteturas em construção ou inacabadas que flutuam entre árvores, remetendo para o desejo de infância das casas na árvore, e aludindo ainda para o desejo humano constante da busca do sonho, por veDIÁLOGO(S) COM UM UNIVERSONAUTA |

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zes da utopia. Num jogo de paradoxos, as imagens são duplamente delicadas e violentas, de acordo com a expectativa do espetador. Lansdscape_Body_Landscape será, eventualmente, a série mais distante das restantes, pela alteração do suporte e dos temas. Contudo, estão presentes algumas das características das obras do pintor, nomeadamente a aparência industrial que as obras apresentam em contraponto com a organicidade do gesto e da ação. Estas obras propõem um diálogo entre o autor e a pintura e entre a pintura e o espetador, numa dimensão reflexiva e contemplativa, território para onde somos sempre transportados. Mais do que uma exposição, DIÁLOGO(S) COM UM UNIVERSONAUTA é um encontro e um exercício curatorial de contágio conceptual entre as produções artísticas de Volker Schnüttgen e Domingos Loureiro, entre as suas esculturas e pinturas (respetivamente) e as ligações que estas trazem da natureza e as que estabelecem com um processo de pensamento sobre o Homem e a sua estrutura psicossomática e emocional num contexto em que, não raras vezes, sentimos o apelo da fuga para a frente, para o cosmos dos nossos delírios, voltando ao sonho de criança de sermos astronautas e podermos flutuar no universo enquanto observamos a vida na Terra com a distância dos sábios. O nome deste encontro (DIÁLOGO(S) COM UM UNIVERSONAUTA), feito conversa em cubo branco dividido, resulta, como se disse, de um confronto (outro) furtuito com uma obra de Costa Pinheiro de 1973, artista plástico português que, apesar da sua descrição, foi percursor da integração, na sua produção artística diversificada, de um conjunto de práticas de vanguarda que marcaram a conjuntura de rutura artística das décadas de 1960/70. As palavras e a irreverência de Costa Pinheiro proporcionaram o mote para o casamento entre estes dois artistas que resulta na emergência da madeira-suporte da obra de Arte e que combina as dimensões do vídeo e da performance, com a das possibilidades de pintura quando combinada com gestualismos incisivos e formas de fazer que invertem o posicionamento do artista face a esse mesmo suporte e que pressupõem espetadores emancipados e, sobretudo, sensíveis e inquietos às coisas da Arte mas, sobretudo, às coisas deste nosso tempo complexo de emancipação solitária das origens, das razões de fundo, das causas e dos paradigmas para romper e construir. Uma exposição, um diálogo e um encontro que se propõe mergulho, tentação, mas ordem mental, regresso à natureza, aos confins de nós e da terra, depois de termos visto, na distância do voo imaginado do astronauta, que o tempo e o espaço são quimeras e, ao mesmo tempo, imutáveis convicções e certezas de que não há plano B e que nem a Arte resiste aos poderes do universo em fúria. Helena Mendes Pereira

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Mat a man could not fly either, and yet there was no way to irradicate the memory of the dream, instigated by the hachidori1, of levitating over the steppe, the body suspended above the shadows of the world. Men don’t fly, he told himself when he woke up from those mysterious wanderings like someone who punishes themselves or wishes to suppress an apocryphal memory2.

Volker Schnüttgen (born in 1961) was born in Attendorn, Germany and got a degree in sculpture and engraving in the Arts University of Bremen in 1986. Since then he has taken part in several collective and individual exhibitions, as well as in artistic residences and symposia in a curricular geography which takes us from Germany to Portugal, passing through Spain, France, Holland, Norway, Sweden, Iran or Mozambique, being represented in more than thirty works in open spaces. In 2008 he concluded the Master’s Degree in multimedia art in the Faculty of Fine Arts – University of Porto, where he taught sculpture from 2010 to 2016. In 2010, the German sculptor received the support of a Cultural Fund, granted by the city of Berlin, so that he could work on the project Habitat (co-produced with the group of dancers LaborGras) in Radialsystem V, in Berlin. Between the installation and the performance, Habitat takes place in a set made of oak wood sculptural objects which pour the fine arts identity of an artist who, since 1993, has chosen Sintra as a permanent place of residence. Each sculpture of Habitat has an inner universe to be discovered by the spectator, as if the trees’ breath and soul contained the path of what we desire and don’t desire. They could be talking sculptures or it could be nature questioning, but it’s rather the multidisciplinarity of the artistic production that makes the object integrate a screen and a speaker which act as a virtual stage for dancing. The merge between dance and sculpture, which happened in 2010, is possible through technology and a software specifically designed for the performance, giving us the illusion that movement occurs inside the object as if art, born from nature, was the habitat of the body which is drawn in the air. The spectator is invited to emancipate, as the forms of aesthetic experience and the forms of fiction thus create an unprecedented scenery of the visible, new forms of individualities and of connections, different rhythms of apprehension of the given, new scales.3 The first clear idea underlying the exhibition which is now shown was, precisely, the possibility to exhibit Habitat, although it is impossible to recreate it through dance, but rather working on the perspective of the absence of delusional bodies that we get by watching the videos, embryos of the oak made object of aesthetic hypersensitivity. Habitat’s dialogue with body, movement and nature was worthy of interest and served as a starting point for the curatorship’s project, initially without a name and focused merely on Volker Schnüttgen’s 1 2 3

Japanese word for hummingbird. TORDO, João – Ensina-me a voar sobre os telhados. Lisboa: Companhia das Letras, 2017. Pages 247 and 248. RANCIÈRE, Jacques – O Espectador Emancipado. Lisboa: Orfeu Negro, 2010. Page 98. DIÁLOGO(S) COM UM UNIVERSONAUTA |

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production, an artist who integrates a collection of dstgroup ‘s works of Art and links to the poetry of the natural space which zet gallery needed after going through the paths of figuration and before the urban roller-coaster. In 2018 Volker Schnüttgen participated in an artistic residence in the Arts Centre of Caldas da Rainha where he conceived and produced the exhibition Sete livros sobre a natureza de uma árvore (Seven books on the nature of a tree) which, during the time of dstgroup’s Literature Award and Braga’s Book Fair, would help us to fulfill the (recent) tradition of linking what is exhibited to what is read and to the eagerness of reading more and seeing more. There was a strong idea which overlapped the first one, built on a certain superlative view of nature and the improbable questions that recent time (of lost love and lost friends, of inner despairs) seemed to bring: finding the answer in cosmos, in natural phenomena, in the epiphany of the solstices and in the portraits we see reflected in the mist, in the river banks and the sea waves. Habitat and Sete livros sobre a natureza de uma árvore were perishing in the thin possibility of communicating only between themselves until the fortuitous meetings happen, firstly with Domingos Loureiro (born in 1977) and then with António Costa Pinheiro (1932-2015) and a 1974 screen print which showed a performance in Munich in 1973 in his studio, called Diálogo entre o Universonauta e Costa Pinheiro (Dialogue between the Universonauta and Costa Pinheiro) 4. Now the Universonauta looks like a woman, is sitting at the drawing board with a lamp and is holding a book, in a sort of planetary referencial set, in a context of production subsequent to the series of dark paintings, or the ‘suffering cycle’ of the period when the artist was part of KWY5. That was an appeal which mattered in a sort of rupture with the natural order of things about which António Lobo Antunes (born in 1942) writes. There are those who fly through the air and those who fly under the earth without being dead and I belong to the latter (…). (…) Because I dream with baobabs, child, as I dream with Monção’s poplars at the same time that faces and speeches collide on screen and I hear you in the bedroom getting infuriated with the idiot of the house. (…) Each one flies as they can, I say, and therefore I returned to Portugal to fly over the earth, but in Minho there were no galleries where to push mine wagons, no canteens, nor worker quarters, nor sounds of tins on Sundays, just small farms of onions, coriander, tomatoes, just water singing in the moss.6

Domingos Loureiro’s paintwork, as it is three-dimensional, is in an expanded field on the props, it’s sharp in the engraving of shapes and not linear in the methods, always associated to pro4 5

https://www.costa-pinheiro.de/pt/entrevista on 29th April 2019.

KWY was a group of artists composed by the Portuguese artists Lourdes Castro (born in 1930), René Bertholo (19352005), António Costa Pinheiro (1932-2015), João Vieira (1934-2009), José Escada (1934-1980) and Gonçalo Duarte (19351986), by the Bulgarian Christo (born in 1935) and the German Jan Voss (born in 1936) that gathered around a magazine with the same name, published in Paris from 1958 to 1964. The group stated that there was no art movement to justify their gathering, saying that they were only a group of visual artists and contemporary poets.

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ANTUNES, António Lobo – A Ordem Natural das Coisas. Lisboa: Dom Quixote, 2008 (3ª edição). Pages 89 to 94. -


cesses of self-knowledge and to challenges of manipulation and contact with the memory of things, seeking to highlight the strength of mind over hand or the intense practice of the hand which dominates thought and makes it slide. Domingos Loureiro’s paintwork, just as Volker Schnüttgen’s sculptures, have that dimension of virtue and manifestation of technique. We feel the artist in perspiration, action and reflection. The trees and their shades travel through the pictorial and cosmic universes of these two artists that wander among those who fly through the air to watch from the top like an astronaut, and among those who fly through the earth, close to things here, close to the ground and the roots, real and/or metaphoric. In the cradle of the conceptual suggestion of Costa Pinheiro, his generation’s precursor and a man who broke with the sidelining of the possibilities of production in the artistic field, provoking the dialogue between the two authors was like a drawing in cotton paper which begins abstract and becomes a symbolic form and poetry of icons. Domingos Loureiro was born in Valongo and has a PhD in Art and Design from the University of Porto. He combines his activitiy as a visual artist with the one as an Assistant Professor in the Faculty of Fine Arts – University of Porto, in the Department of Visual Arts – Painting. He holds several positions and roles connected to the Academy and he is the author and editor of many scientific and academic documents. An awarded artist, he has already exhibited in many countries, such as Portugal, Spain, France, England, Belgium, Italy, USA, Brazil, Japan, Germany, Canada and Holland. The series of works that Domingos Loureiro presents in zet gallery corresponds to an anthologic perspective of his journey, trying to select works which represent several of his career stages. However, the artist kept his concern that what is presented is recent or recovered from unfinished processes. Turning, almost literally, to the author’s words, this choice comes from the assumption that, in the built path, there will be a symbiotic notion between all stages, constructed by distinct occasions of action, but coherent with an authorial and artistic dimension. In that sense, the present selection collects and proposes a reflection on the issues which were behind each one of the stages, but thought of in a different time position. It is a glance at his own glance, in an (almost) autobiographical dialogue, but also external, as some ideas stay intact through the years and others gain different dimensions and perspectives, becoming, therefore, a journey along new routes. In DIALOGUE(S) WITH A UNIVERSONAUTA, Domingos Loureiro presents four series of works: Blind Landscape, Landscape_Body Landscape, Manmade Landscape and Building Utopia. He also presents the work Visible, non visible landscape, which doesn’t belong to any of the series and crosses the stages Blind and Manmade Landscapes. Blind Landscape takes us to the tactile dimension of matter and to the effort of action. However, as a paradox, the issues are dealt with by the freezing of human action, in a technical dimension which takes us to the industrial and to the absence of form, invisible until its construction through light. Manmade Landscape sets out from the notion of a landscape of natural appearance, but dominated by human action, as we can see in the eucalyptus landscapes, a species which was brought here and is not local and seems to subvert the organic dimension of what is natural in artificial form. In that sense, trees repeat themselves in disposition and shape, along the images, as if they were scenes of a déjà-vu or multiples of the same body. The portrayed landscape is humanized, and the image is apparently built by industrial processes, but it is in fact completely plied by hand. Building Utopias DIÁLOGO(S) COM UM UNIVERSONAUTA |

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presents a set of architectures under construction or unfinished which float among trees, taking us to the wish of having tree houses during our childhood, and also emphasising the constant human desire to search for dreams or sometimes utopia. In a game of paradoxes, the images are both delicate and violent, according to the spectator’s expectation. Lansdscape_Body_Landscape is probably the series which is most distant from the others, because of the change of props and themes. However, some of the artist’s work characteristics are present, namely the industrial appearance which the works present opposed to organicity of gesture and action. These works propose a dialogue between the painting and the spectator, in a reflective and contemplative dimension, a territory where all of us are always taken to. More than an exhibition, DIALOGUE(S) WITH A UNIVERSONAUTA is a curatorial meeting and exercise of the conceptual transferability between the artworks of Volker Schnüttgen and Domingos Loureiro, between their sculptures and paintwork (respectively) and the connections which these bring from nature and the ones which establish with a process of thinking about Mankind and their psychosomatic and emotional structure in a context where, not rarely, we feel the urge to escape forwards, to the cosmos of our delusion, going back to the childhood dream of being an astronaut and being able to float in the universe as we watch life on Earth with the distance of the wise. The name of this meeting, (DIALOGUE(S) WITH A UNIVERSONAUTA), turned into a conversation in a divided white cube, comes from, as mentioned before, (another) fortuitous confrontation with a work from 1973 of Costa Pinheiro, a Portuguese visual artist who despite being discrete, was the precursor of integrating in his diverse artistic production a set of leading practices which marked the context of the artistic rupture of the 1960s and 1970s. Costa Pinheiro’s words and irreverence provided the motto for the match between these two artists which results in the emergence of the work of Art’s prop-wood and combines the dimensions of video and performance with the dimension of possibilities of paintwork when combined with sharp action painting and ways of creating which reverse the position of the artist facing that same prop and assume spectators who are emancipated and specially sensitive and restless to things of Art but mainly to things of our complex time of lonely emancipation of roots, of background reasons, of causes and models to break and build. An exhibition, a dialogue and a meeting which proposes diving, temptation, but mental order, a return to nature, to our and the earth’s depths, after seeing, in the distance of the astronaut’s imaginary flight, that time and space are chimeras and, at the same time, unchanging beliefs and certainties that there is no plan B and that not even Art can resist the power of a universe in fury. Helena Mendes Pereira

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n.1961

VOLKER SCHNÜTTGEN

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HABITAT Pag 12 a 19 | Page 12 t0 19 Volker Schnüttgen & LaborGras (conceito/concept) Volker Schnüttgen (esculturas e design virtual dos interiores / sculptures and virtual interior design) Frieder Weiss & Martin Bellardi (videoarte / videoart) Habitat, 2010 Instalação com madeira de carvalho e equipamentos vídeo / Installation with oak wood and video equipment (detalhes / details) Dimensões variáveis / Variable dimensions

sions

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2010 Grafite e tinta-da-china sobre papel com incisĂľes Graphite and China ink on paper with incisions 64 x 101 cm 20 | DIALOGUE(S) WITH A


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SETE LIVROS SOBRE A NATUREZA DE UMA ÁRVORE


PAG 20 | 21 Volker Schnüttgen O processo (para Franz Kafka), 2018 Plátano, 1 elemento/ Plantain, 1 element 41x55x36cm 22 | DIALOGUE(S) WITH A

Volker Schnüttgen O processo (para Franz Kafka), 2018 Plátano, 1 elemento/ Plantain, 1 element (pormenor / detail)


Volker Schnüttgen O processo (para Franz Kafka), 2018 Plátano, 12 elementos / Platain, 12 elements (elemento ao fundo / background elements): 68x65x9cm (elementos centrais / central elements): 98x184x70cm Col. Centro de Artes Caldas da Rainha DIÁLOGO(S) COM UM UNIVERSONAUTA |

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Volker Schnüttgen Escutando a história de um carvalho I, 2013 Carvalho, 3 elementos / Oak, 3 elements 150x95x125cm Elemento / Element 1: 150xØ25cm Elemento / Element 2: 133xØ26cm Elemento / Element 3: Ø35x32cm Col. Privada / Private collection 24 | DIALOGUE(S) WITH A


Volker Schnüttgen Escutando a história de um carvalho II, 2013 Carvalho, 2 elementos / Oak, 2 elements 80x42x40cm DIÁLOGO(S) COM UM UNIVERSONAUTA |

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Volker SchnĂźttgen Monumento para uma ĂĄrvore desconhecida I, 2018 Madeira, 2 elementos / Wood, 2 elements 46x40x36cm 26 | DIALOGUE(S) WITH A


Volker Schnüttgen Monumento para uma árvore desconhecida II, 2018 Madeira, 2 elementos / Wood, 2 elements 67x33x11cm DIÁLOGO(S) COM UM UNIVERSONAUTA |

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Volker Schnüttgen Trilogia de um carvalho, 2011 Carvalho, 3 elementos / Oak, 3 elements 200x170x150cm Elemento / element 1: 200xØ30cm Elemento / element 2: 83xØ30cm Elemento / element 3: 32x78x35cm 28 | DIALOGUE(S) WITH A


n.1977

DOMINGOS LOUREIRO

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Domingos Loureiro Blind Landscape_4, 2019 MDF escavado e pintado / MDF excavated and painted Ø35cm 30 | DIALOGUE(S) WITH A


BLIND LANSCAPE Domingos Loureiro Blind Landscape_5, 2019 MDF escavado e pintado / MDF excavated and painted Ø35cm DIÁLOGO(S) COM UM UNIVERSONAUTA |

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Mariana Mizarela Sem título, 2018 Técnica mista sobre papel Mixed media on paper 15 x 10 cm 32 | DIALOGUE(S) WITH A

Mariana Mizarela Sem título, 2018 Técnica mista sobre papel Mixed media on paper 15 x 10 cm


Domingos Loureiro Blind Landscape_7, 2019 MDF escavado e pintado / MDF excavated and painted 100x75cm

Domingos Loureiro Blind Landscape_6, 2019 MDF escavado e pintado / MDF excavated and painted Ø35cm DIÁLOGO(S) COM UM UNIVERSONAUTA |

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Domingos Loureiro Manmade landscape_4, 2019 MDF escavado e pintado / MDF excavated and painted Ø100cm 34 | DIALOGUE(S) WITH A


MANMADE LANDSCAPE DIÁLOGO(S) COM UM UNIVERSONAUTA |

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Domingos Loureiro Manmade landscape_1, 2019 MDF escavado e pintado / MDF excavated and painted 145x145cm 36 | DIALOGUE(S) WITH A


Domingos Loureiro Manmade landscape_3, 2019 MDF escavado e pintado / MDF excavated and painted Ø100cm DIÁLOGO(S) COM UM UNIVERSONAUTA |

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BUILDING UTOPIAS Domingos Loureiro Building utopia_6, 2019 MDF escavado e pintado / MDF excavated and painted 40x30cm

Domingos Loureiro Building utopia_5, 2019 MDF escavado e pintado / MDF excavated and painted 40x30cm DIĂ LOGO(S) COM UM UNIVERSONAUTA |

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Domingos Loureiro Building utopia_1, 2019 MDF escavado e pintado / MDF excavated and painted 40x30cm 40 | DIALOGUE(S) WITH A


Domingos Loureiro Building utopia_3, 2019 MDF escavado e pintado / MDF excavated and painted 40x30cm DIĂ LOGO(S) COM UM UNIVERSONAUTA |

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Domingos Loureiro Building utopia_8, 2019 MDF escavado e pintado / MDF excavated and painted 40x30cm 42 | DIALOGUE(S) WITH A


Domingos Loureiro Building utopia_10, 2019 MDF escavado e pintado / MDF excavated and painted 40x30cm DIĂ LOGO(S) COM UM UNIVERSONAUTA |

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44 | DIALOGUE(S) WITH A


LANSDSCAPE_BODY_LANDSCAPE Domingos Loureiro Lansdscape_Body_Landscape _1, 2016 Acrílico sobre plexiglass e estrutura de cobre Acrylic on plexiglass and copper structure 200x140cm

Domingos Loureiro Lansdscape_Body_Landscape _4, 2019 Acrílico sobre plexiglass e estrutura de cobre Acrylic on plexiglass and copper structure Oval 80x50cm DIÁLOGO(S) COM UM UNIVERSONAUTA |

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Domingos Loureiro Lansdscape_Body_Landscape _2, 2019 Acrílico sobre plexiglass e estrutura de cobre Acrylic on plexiglass and copper structure Ø80cm 46 | DIALOGUE(S) WITH A


Domingos Loureiro Lansdscape_Body_Landscape _3, 2019 Acrílico sobre plexiglass e estrutura de cobre Acrylic on plexiglass and copper structure Ø80cm DIÁLOGO(S) COM UM UNIVERSONAUTA |

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Horário // Opening time 14:00 | 19:00 · segunda a sábado (exceto feriados) Outros horários mediante marcação 2:00 pm | 7:00 pm · monday to saturday (except holidays) Other schedules by appointment

Contactos // Contacts info@zet.gallery (+351) 253 116 620 www.zet.gallery

Morada // Address Rua do Raio, 175 4710-923 Braga Portugal

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